UNIVERSIDADE DO CONTESTADO UnC PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL ROSIDETE MARIA KARPINSKI DA COSTA

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1 0 UNIVERSIDADE DO CONTESTADO UnC PROGRAMA DE MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL ROSIDETE MARIA KARPINSKI DA COSTA CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS DO SETOR MADEIREIRO: UM ESTUDO PARA O DESENVOLVIMENTO DO SETOR DE ESQUADRIAS, NAS GÊMEAS DO IGUAÇU CANOINHAS 2013

2 1 ROSIDETE MARIA KARPINSKI DA COSTA CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS DO SETOR MADEIREIRO: UM ESTUDO PARA O DESENVOLVIMENTO DO SETOR DE ESQUADRIAS, NAS GÊMEAS DO IGUAÇU Dissertação apresentada como requisito para a obtenção do título de Mestre no Desenvolvimento Regional, ao Colegiado do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Regional da Universidade do Contestado UnC, Campus Universitário de Canoinhas, sob orientação do Professor Dr. Reinaldo Knorek. CANOINHAS 2013

3 2 CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS DO SETOR MADEIREIRO: UM ESTUDO PARA O DESENVOLVIMENTO DO SETOR DE ESQUADRIAS, NAS GÊMEAS DO IGUAÇU ROSIDETE MARIA KARPINSKI DA COSTA Esta Dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela Banca Examinadora como requisito parcial para a obtenção do Título de: Mestre em Desenvolvimento Regional. E aprovado na sua versão final em, atendendo às normas da legislação vigente da Universidade do Contestado UnC e Coordenação do Curso do Programa de Desenvolvimento Regional. Coordenadora do Curso Maria Luiza Milani BANCA EXAMINADORA: Presidente da banca: Prof. Dr. Reinaldo Knorek Membro: Prof. Dr. Jairo Marchesan Membro: Profª. Drª. Ana Paula da Silva Yamauti Suplente: Profª. Drª. Maria Luiza Milani

4 3 Dedico à minha família, principalmente ao meu esposo Carlos, meu grande incentivador, meu amor eterno, meu filho Willian, minha mãe que já não está mais conosco e que se orgulharia muito de mais esta jornada terminada e minha futura nora Jéssica, a minha grande amiga Edite companheira do mestrado, agradeço a todos o incentivo, a força, o amor, a cooperação, em todos os momentos desta caminhada. Amo vocês...

5 4 AGRADECIMENTOS Agradeço ao grande arquiteto do universo que é Nosso Senhor Jesus Cristo, pois nunca imaginei chegar até aqui, por me dar força e sabedoria para eu fazer este mestrado. Agradeço, em especial, ao meu esposo, Carlos Alexandre Manfredini da Costa, por ter-me apoiado e incentivado a fazer o mestrado. Agradeço ao meu filho Willian Robson da Costa sempre presente, amoroso. Agradeço à UNIUV, na figura do Reitor Jairo Vicente Clivatti por ter acreditado no meu potencial. À Prof. Fahena Porto Horbatiuk pela correção ortográfica desta dissertação, sempre tão carinhosa e prestativa. Aos meus colegas da UNIUV, sempre com palavras de apoio e de amizade. Agradeço aos meus colegas da turma do mestrado pela amizade e companheirismo demonstrados durante o tempo que passamos juntos, principalmente Edite, Daniela, Bruna e Andrea. Agradeço à coordenadora do programa de mestrado, Maria Luiza Milani e professores, pela dedicação. Agradeço à ex-secretária do mestrado, Sandra Brocado, sempre tão querida e prestativa. Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Reinaldo Knorek, pela dedicação e sabedoria, por ter me aceito no meio do caminho e ter acreditado em mim, meu grande anjo da guarda. Agradeço à Prof. Dra. Ana Paula Silva Yamauti pelo incentivo, apoio, mais um grande anjo da guarda. Agradeço às Mestres Suely Martini e Renate Ihlenfeld, pela grande ajuda no início do mestrado. Agradeço à Prof. Simone Junges pelo Abstract, sempre tão prestativa. Agradeço a minha família, irmãos, cunhadas e sobrinhos, principalmente a minha sobrinha Mariana, afilhado João Vitor e cunhada, Sandra, sempre me incentivando com palavras carinhosas.

6 5 O empreendedor é um insatisfeito que transforma seu inconformismo em descobertas e propostas positivas para si mesmo e para os outros. É alguém que prefere seguir caminhos não percorridos, que define a partir do indefinido, acredita que seus atos podem gerar consequências (Dolabela, 2006).

7 6 RESUMO O presente estudo concentrou-se na identificação das características empreendedoras mais comuns nos empresários de pequenas e médias empresas, representados pelo setor de esquadrias de madeiras, essas empresas ocupam importante papel na estrutura produtiva e contribuem ativamente para o desenvolvimento econômico da região das Gêmeas do Iguaçu. O objetivo geral desse trabalho analisa as características empreendedoras dos empresários do setor madeireiro de esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu. A base do estudo busca respostas para os objetivos específicos de: identificar as características empreendedoras nos empresários da indústria madeireira de esquadrias, nas Gêmeas do Iguaçu; descrever os impactos dos empreendedores no setor madeireiro, para o desenvolvimento econômico local; analisar os impactos dos empreendedores no setor madeireiro de esquadrias; compreender as características empreendedoras para o desenvolvimento econômico local. O estudo sobre as características empreendedoras nas esquadrias de madeira delimita-se em pesquisa qualitativa, exploratória e estudo de caso. Utilizou-se questionário semiestruturado aplicado diretamente aos empresários das indústrias, a coleta de dados estruturada com entrevistas nas empresas que formam a rede de esquadrias de madeiras. Quanto ao estudo de caso, limita-se nas cidades de União da Vitória-PR e Porto União-SC. Portanto esta pesquisa permite adequar as características dos empresários com as características do empreendedor, a fim de estimular a gestão empreendedora e contribuir para o desenvolvimento econômico local. A pesquisa constatou que, a maioria dos empresários não acredita no seu potencial, e também tem poucas perspectivas de crescimento futuro, a falta de confiança, em suas potencialidades, no mercado, nas políticas públicas e em seus concorrentes e dessa forma os impedem de se associarem a Associações de classes e APL, apresentando fragilidade em relação à cooperação entre empresas. Palavras-chave: Características empreendedoras, Desenvolvimento Econômico, Setor madeireiro.

8 7 ABSTRACT This study focused on identifying the most common entrepreneurial traits in entrepreneurs of small and medium enterprises represented by the sector of wood window frames. These companies play an important role in the production structure and actively contribute to the economic development of the region of the Gêmeas do Iguaçu. This study aims at analyzing the entrepreneurial traits of businessmen who deal with wood window frames in the Gêmeas do Iguaçu. The basis of the study seeks answers for the specific objectives, which are: identifying the enterprising characteristics of businessmen in the timber industry in the Gêmeas do Iguaçu; describing the impact of entrepreneurs in the forestry sector for the local economic development; analyzing the impact of entrepreneurs in the wood window frame sector; understanding the entrepreneurial traits for local economic development. The study on the entrepreneurial traits in wooden window frames is a qualitative, exploratory case study. A semi-structured questionnaire has been used, and it was applied directly to entrepreneurs in industries. The data collection was achieved by means of structured interviews at the companies that integrate the network of wooden window frames. As for the case study, it is limited to the cities of União da Vitória-PR and Porto União-SC. Thus, this research allows the adequacy of the characteristics of businessmen to the characteristics of the entrepreneurs in order to stimulate the entrepreneurial management and contribute to local economic development. The survey found out that most entrepreneurs do not believe in their potential, and that they also have few expectations of future growth. The lack of confidence in their potential, in the market, in public policies and in their competitors, facts that prevent them from joining class associations and APL, and all these characteristics cause fragility in the cooperation between companies. Keywords: Entrepreneurial traits, Economic Development, wood Industry.

9 8 LISTA DE SIGLAS ACEUV Associação Comercial e Empresarial de União da Vitória PR ACIPU Associação Comercial e Industrial de Porto União SC CNI Confederação Nacional da Indústria GEM Global Entrepreneurship Monitor IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDH Índice de Desenvolvimento Humano IPARDES Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social IPEA Pesquisa Econômica Aplicada MPEs Micro e Pequenas Empresas P&D Pesquisa e Desenvolvimento PIB Produto Interno Bruto PR Paraná SC Santa Catarina SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

10 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 Relação Empreendedor e Desenvolvimento Econômico Figura 2 Estados do Paraná e Santa Catarina, representando a localização dos municípios nas Gêmeas do Iguaçu Figura 3 Foto do portal de entrada da cidade de União da Vitória PR Figura 4 Vista aérea de União da Vitória-PR e Porto União-SC... 46

11 10 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Utilização de técnicas organizacionais Gráfico 2 Impacto do empreendedorismo determinando o crescimento das taxas na área econômica do setor madeireiro Gráfico 3 Importância do setor madeireiro para o desenvolvimento da região Gráfico 4 Importância e influência das políticas públicas no desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias Gráfico 5 Empreendedorismo como uma característica de talento nato ou uma habilidade aperfeiçoada Gráfico 6 Empreendedorismo como um modelo inovador de gestão, agente de mudanças e visionário de oportunidades Gráfico 7 A cultura para o empreendedor é construída e transformada por meio de hábitos e mentalidades Gráfico 8 Importância do controle de qualidade, de preocupar-se com as consequências financeiras e de economizar na realização das tarefas Gráfico 9 Importância de o empreendimento do setor madeireiro de esquadrias ser o principal ramo de atividades da região Gráfico 10 Importância de ter previsões ou metas de crescimento para exportações Gráfico 11 Importância das habilidades e talentos na mão de obra dos colaboradores Gráfico 12 Importância de dar treinamento e qualificação aos colaboradores Gráfico 13 Preocupação quanto ao alto índice de rotatividade Gráfico 14 Importância do relacionamento do empresário na gestão de pessoas, relacionado à produtividade Gráfico 15 Participação da empresa e do empresário em algum tipo de associação Gráfico 16 Vantagens ou desvantagens trazidas pela participação em associação para a economia local e regional Gráfico 17 Participação em estratégias competitivas e políticas públicas ligadas às associações... 70

12 11 Gráfico 18 Aceitação de relacionamento entre as empresas do setor de esquadrias, para aquisição de qualificação de mão de obra e matéria-prima Gráfico 19 Aceitação da empresa à inovação Gráfico 20 Aceitação de utilização de ferramentas de tecnologias para planejamento da empresa Gráfico 21 Aceitação de expectativas que a empresa tem quanto a ações inovadoras no setor de esquadrias Gráfico 22 Para desenvolver meus projetos ou atividades sei quanto preciso de recursos materiais, humanos e financeiros Gráfico 23 Desenvolvimento e aquisição de outras tecnologias Gráfico 24 A aquisição de máquinas e equipamentos implicarão significativas melhoras tecnológicas? Gráfico 25 Novas formas de comercialização e distribuição para o mercado de produtos novos Gráfico 26 Desenvolvimento de metas pela empresa para o plantio de matéria-prima Gráfico 27 Desenvolvimento de programas de gestão da qualidade ou de modernização organizacional Gráfico 28 Programas de treinamento orientado à introdução de novas tecnologias de produtos/processos Gráfico 29 Ações interativas e de cooperação, visando ao desenvolvimento de processos inovadores... 82

13 12 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Resultado da Pesquisa Realizada Pelo SEBRAE-PR, referente às Características Empreendedoras Quadro 2 Características empreendedoras apontadas pelos principais teóricos e identificadas no setor de esquadrias das Gêmeas do Iguaçu... 84

14 13 LISTA DE TABELA Tabela 1 Dados populacionais e indicadores econômicos das Gêmeas do Iguaçu... 41

15 14 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO REFERENCIAL TEÓRICO O EMPREENDEDOR: CONCEITO E FINALIDADE Características do Empreendedor Empreendedor e o Desenvolvimento Econômico As Vantagens e Desvantagens do Empreendedor para o Desenvolvimento Econômico EMPREENDEDORISMO: CONCEITO E FINALIDADE Empreendedorismo e Inovação DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: CONCEITO E FINALIDADE Objetivo do Desenvolvimento Econômico Diagnóstico do Desenvolvimento Econômico SETOR MADEIREIRO DE ESQUADRIAS NAS GÊMEAS DO IGUAÇU DESCRIÇÃO DO SETOR MADEIREIRO DE ESQUADRIAS NAS GÊMEAS DO IGUAÇU A Contribuição do Empreendedor Madeireiro para a Economia nas gêmeas do Iguaçu METODOLOGIA COLETA DE DADOS FONTE DE DADOS INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS IMPORTÂNCIA DO SETOR DE ESQUADRIAS VOLTADO AO DESENVOLVIMENTO COMPREENDE O QUE É EMPREENDEDORISMO QUALIDADES DO EMPREENDEDOR PARTICIPAÇÃO EM REDES, ASSOCIAÇÕES E APL s SUSTENTABILIDADE CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICE QUESTIONÁRIO PESQUISA DE CAMPO... 98

16 15 1 INTRODUÇÃO As transformações econômicas e sociais ocorreram no final do século XX, essas mudanças foram os frutos da reestruturação produtiva das organizações, geradas pela globalização. Os resultados obtidos referentes ao impacto da globalização sobre a gestão empresarial (que nessa época era visão restrita do empresário, na sua forma de gerir e com estrutura empresarial deficiente) gerou em âmbito macroeconômico baixa taxa de crescimento econômico, aumento de desemprego e condições de trabalho precário. Para amenizar o desaceleramento econômico, França, Vaz; Silva (2002) destacam a seguinte informação: em meados dos anos 90, o governo brasileiro criou incentivos municipais por meio de projetos e programas locais baseados em conceitos, finalidade e funções empreendedoras, o intuito do governo é estimular o crescimento econômico local. A contribuição do empreendedor para a economia local está no seu papel de desenvolvimento econômico, social e tecnológico criado pelas suas características, que impulsionam para a inovação de serviço, produto, e processo produtivo. De acordo com Dornelas (2001), o desenvolvimento econômico gerado por uma gestão empreendedora está baseado nas forças exógenas (fatores externos, ambientais e sociais), bem como nas forças endógenas (ambiente interno da empresa) e/ou somatório de todos esses fatores (exógenos e endógenos), que são críticos para o surgimento e o crescimento de uma nova empresa. No entanto, Dornelas (2007) abre uma discussão sobre quais seriam as características dos empreendedores que chegam ao sucesso. A ideia de Dornelas é identificar as características do empreendedor que contribui para o crescimento econômico. Assim, essas características, para o autor norteiam: traços, formas de agir, maneiras de pensar que levaram à definição do que seria o perfil do empreendedor de sucesso. No que foi exposto neste trabalho (desenvolvimento econômico, gestão empreendedora e características do empreendedor), a presente pesquisa destaca: as características empreendedoras dos proprietários de indústrias madeiras, que possibilitem gerar desenvolvimento econômico para as Gêmeas do Iguaçu. Justificase a delimitação desta pesquisa pela importância do setor madeireiro para as cidades mencionadas, as quais respondem por uma formação de aproximadamente 176 micro, pequenas e médias empresas fabricantes de esquadrias em madeira.

17 16 Sendo elas a base da sustentação econômica local, são forte geradoras de emprego e renda, juntas geram mais de mil empregos diretos e indiretos, com nível de formação demasiadamente baixo, correspondendo a 82,22% dos funcionários com formação de primeiro grau; 12,43% dos funcionários com nível técnico; 3,03% dos funcionários com nível superior, e apenas 1,88% com pós-graduação, segundo a Associação da Indústria e Comercio de União da Vitória. Portanto esta pesquisa permite adequar as características dos empresários com as características do empreendedor, a fim de estimular a gestão empreendedora e contribuir para o desenvolvimento econômico local. Diante do elemento problematizador apontado, vai-se investigar de que forma as características empreendedoras podem contribuir para o desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu, constituindo o problema deste estudo. Nessa expectativa, a análise do objeto apresentou a seguinte questão. Se o setor madeireiro de esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu é inovador, de qualidade e sustentável, então, existem características empreendedoras em seus empresários. O estudo se justifica pela considerável contribuição do empreendedor para o desenvolvimento econômico, tanto local quanto regional e até mesmo nacional da economia brasileira. A contribuição econômica do empreendedor, segundo Porter (1992), se dá principalmente pela introdução da inovação (da gestão empresarial, dos serviços, dos produtos e/ou no processo produtivo) como um atributo para obtenção de vantagem competitiva de uma economia, por isso este trabalho se justifica sob duas relevâncias: uma teórica e a outra prática. O presente trabalho justifica-se teoricamente por identificar as características empreendedoras e apontar essas características para os empresários de micro, pequenas e médias empresas do setor madeireiro. Estudos apontam para a elevada mortalidade destas empresas em um curto espaço de tempo, e ainda destacam que essa informação pode ser revertida, quando as mudanças ocorrem, quando os empresários desenvolvem características empreendedoras. Ao desenvolver as características empreendedoras, os gestores de micro, pequenas e médias empresas buscam inovação, tanto em produto quanto em processo, permitindo a contribuição para o crescimento econômico. Schumpeter (1961) corrobora a argumentação até aqui exposta, relatando o impacto do empreendedor para o desenvolvimento econômico. Em 1911, Schumpeter publica O Fenômeno

18 17 Fundamental do Desenvolvimento Econômico, que enfatiza o empreendedor como o propulsor do crescimento por meio de: pesquisa e desenvolvimento P&D, inovação e criatividade, o que permite considerar a relevância e a contribuição teórica do presente estudo. Do ponto de vista prático, este trabalho justifica-se pela necessidade de realizar um estudo no setor de produção de esquadrias de madeiras. A indústria madeireira, constituída de um número significativo de micro e pequenas empresas, desenvolve suas atividades ao lado de reduzido número de médias e grandes empresas, fabricando esquadrias, móveis e outros produtos, com maior ou menor valor agregado. Nos dias atuais, praticamente toda a economia regional nos Municípios de Porto União e União da Vitória gira em torno da indústria madeireira. Para isso é necessário realizar uma pesquisa com os empresários do setor, para avaliar suas características empreendedoras e avanços no setor, tendo como foco aspectos relacionados ao empreendedor; desenvolvimento econômico e gestão empresarial. As indústrias madeireiras de esquadrias são consideradas fortes geradoras de emprego e renda local, visto que a junção de empresas entre si e do mesmo ramo de atuação possibilita aos empresários melhorar seu desempenho local e abranger, de forma sustentável, o novo mercado. Por isso serão analisadas a situação do empreendedor, possíveis vantagens e desvantagens para o desenvolvimento econômico, suas influências no setor, bem como os reflexos para a economia local e regional. Portanto tem-se como objetivo geral analisar as características empreendedoras dos empresários do setor madeireiro de esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu. Partindo-se desta temática, elencaram-se os objetivos específicos: identificar as características empreendedoras nos empresários da indústria madeireira de esquadrias, nas Gêmeas do Iguaçu; descrever os impactos dos empreendedores no setor madeireiro, para o desenvolvimento econômico local; analisar os impactos dos empreendedores no setor madeireiro de esquadrias; compreender as características empreendedoras para o desenvolvimento econômico local.

19 18 Tendo como suporte os tópicos levantados na pesquisa, sobressai a estrutura dos capítulos, que está organizada em blocos. Nessa concepção, o estudo contém cinco blocos. No primeiro bloco, a parte introdutória que descreve o tema, a contextualização, o problema, a justificativa, objetivos e mais quatro blocos. No segundo bloco, o desenvolvimento do trabalho se configura como referencial teórico, em que se contextualiza os temas: o Empreendedor; Empreendedorismo; Desenvolvimento Econômico e Descrição do Setor Madeireiro de Esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu. No terceiro bloco, destaca-se a metodologia, classificada, para este trabalho, da seguinte forma: pesquisa qualitativa, exploratória e estudo de caso. No quarto bloco, a apresentação e análise dos dados primários e discussões. Os dados primários foram conseguidos por meio de tabulação da pesquisa transformando os resultados em percentuais. E, por fim, no quinto bloco as conclusões e possíveis recomendações.

20 19 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 O EMPREENDEDOR: CONCEITO E FINALIDADE O empreendedor tem-se tornado, no atual cenário econômico, um fator primordial (aquele que busca soluções para os problemas) diante das ameaças e oportunidades para o mercado interno e externo. É conhecido como um indivíduo ousado e proativo, com características próprias determinadas pela cultura e pelo ambiente em que está inserido, o que acaba favorecendo em vantagem competitiva e ganhos econômicos e também em ganhos sociais. Segundo Dornelas (2001), no final do século XIV e no início do século XX, os empreendedores foram confundidos com os gerentes ou administradores, o que também ocorre nos dias atuais, sendo analisados como aqueles que fazem parte da organização da empresa, planejam, dirigem e controlam as ações desenvolvidas nas organizações, mas sempre a serviço do capitalismo. É muito comum encontrar na literatura o termo empreendedor como um indivíduo inovador, que gera transformação e, em alguns casos, até mesmo ousado. Assim, vários autores interpretam empreendedor da seguinte forma: Richard Cantillon (2002) conceitua empreendedor como indivíduo que corre riscos (calculados), determinados pela compra de um bem por um preço e a venda desse bem por um preço ainda indeterminado (dependendo do mercado); Jean-Batiste Say 1964 apud Drucker 2002 enfatiza o empreendedor referente a sua facilidade de alocação de recursos, isto é, transferir recursos de um sistema produtivo ineficiente para um sistema produtivo mais eficaz; Joseph Schumpeter destaca o empreendedor como um contribuinte de ideias inovadoras no sistema de produção. Para Louis Jacques Filion (1999), o empreendedor deve ter uma visão holística do ambiente em que está inserido. Além de sua criatividade, o empreendedor é marcado pela sua capacidade de estabelecer objetivos e determinar metas para a sua empresa, observando tanto o desenvolvimento do ambiente interno como também o desenvolvimento, as tendências e as mudanças do ambiente externo da empresa, portanto, Filion enfatiza que o empreendedor é um indivíduo que aprende e busca sempre oportunidade de negócio. Conforme Dolabela (2003), as condições para ser empreendedor estão

21 20 ligadas ao ambiente macro, à democracia, à cooperação e à estrutura de poder. Ser empreendedor também requer um conhecimento de um caminho bem complexo que imaginam e que demanda uma visão bem ampla das causas e das conseqüências dos fatores que vivenciam. Entre os autores mais recentes e atuais, Dolabela (2008) conceitua o empreendedor, não muito diferentemente de Schumpeter, conceituando-o da seguinte forma: é uma pessoa que empenha toda sua energia na inovação e no crescimento, manifestando-se de duas maneiras: criando sua empresa ou desenvolvendo alguma coisa completamente nova em uma empresa persistente (que herdou ou comprou, por exemplo). Nova empresa, novo produto, novo mercado, nova maneira de fazer, introduzir inovações, assumindo riscos, seja na forma de administrar, vender, fabricar, distribuir ou de fazer propaganda dos seus produtos e/ou serviços, sempre agregando novos valores. Souza (2006, p. 8) explica que: O indivíduo empreendedor seria, portanto, um líder com competências especiais para: tratar a complexidade das atividades cotidianas, advindas da necessidade de atender a altos níveis de qualidade e de satisfação da sociedade; canalizar as atividades cotidianas em direção o sucesso estratégico da empresa: aceitar e promover, dentro do enfoque de responsabilidade social, a ética e os princípios morais e ecológicos para todos os membros da empresa, como fator de competitividade e sucesso. Souza (2006, p.8) refere-se ao indivíduo empreendedor sendo uma espécie de líder estratégico, integrador das políticas humanistas à gestão estratégica, envolvendo o comprometimento dos indivíduos com a organização, estando ele inserido em um ambiente flexível e favorável à criação e à inovação. No entanto, Chiavenato (2008) destaca o empreendedor como um indivíduo que observa não só o sistema produtivo (o de produção), mas também o entendimento das movimentações financeiras e da busca de informação do mercado, para identificar oportunidade de novos negócios. Após descreve os mais diversos conceitos sobre empreendedor. Nota-se que as atitudes empreendedoras geram a busca por inovação (produto, serviço e processo produtivo). São, portanto, as ideias inovadoras e criativas a base de sustentação das empresas de pequeno porte para permanecerem competitivas no mercado e isso se faz a finalidade do empreendedor, o empreendedor como fonte geradora do desenvolvimento econômico. Em uma pesquisa realizada pelo GEM (2006), o Brasil está posicionado em

22 21 sétimo lugar no ranking entre os países que mais empreendem no mundo. Cabe destacar que a maioria dos proprietários das empresas de pequeno e médio porte são empreendedores por oportunidade, e não mais empreendedores por necessidade. Nesse caso, destacam-se as características empreendedoras como fator determinante do sucesso do seu empreendimento. Das características do indivíduo e do ambiente em que ele está inserido (em referência a sua cultura) geram impacto positivo ou negativo no resultado final da empresa, como déficit ou superávit contábil Características do Empreendedor Para identificar as competências do empreendedor, McClelland (1972) desenvolveu uma pesquisa para identificar traços que caracterizem um empreendedor de sucesso. Após analisar empreendedores de países diferentes (Índia, Malawi e Equador) o autor apresenta dez características relacionadas ao comportamento empreendedor, entre as quais se destacam: busca de oportunidade e iniciativa, persistência, correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, comprometimento, busca de informações, estabelecimento de metas, planejamento, persuasão e rede de contato, independência e autoconfiança. As pesquisas realizadas sobre características empreendedoras têm como base o comportamento do empreendedor. Filion (1997) também contribuiu com sua pesquisa para esse tema. O autor chama a atenção para o comportamento do empreendedor, refletido sobre o local e período, ou seja, as características do empreendedor não são uma estrutura rígida, mas flexível, dependente do lugar e do período (tempo) onde se está inserido, determinado pelo conhecimento regional (questão completamente cultural), e descreve características empreendedoras da seguinte forma: são inovadores, líderes, correm riscos moderados, independentes, criadores, energéticos, apresentam atitudes como: tenacidade, originalidade, otimismo, orientação a resultados, flexibilidade, desembaraça, necessidade de reconhecimento, autoconhecimento, confiança. Pensam a longo prazo, são tolerantes à ambiguidade e à incerteza, possuem iniciativa, aprendem, usam dos recursos disponíveis, são sensíveis aos outros, agressivos, tendem a confiar nas

23 22 pessoas, acreditam no dinheiro como medida da sua performance. O interessante da pesquisa realizada por Fillion é que os empreendedores pesquisados possuem sistema de relacionamento próprio entre os seus colaboradores, a parceria estabelecida entre todos os funcionários permite de certa forma, ampliar o conhecimento do negócio, contribuindo para inovação do processo. O resultado de uma pesquisa realizada pelo SEBRAE/PR (2012) sobre características empreendedoras destaca o espírito criativo do empreendedor. Enquanto a maior parte dos empresários tende a enxergar apenas dificuldades e insucessos, o empreendedor é otimista e busca o sucesso, apesar das dificuldades. Assim, no Quadro 1 segue um demonstrativo dos resultados da pesquisa referente às características do empreendedor de sucesso que são: Quadro 1 Resultado da Pesquisa Realizada pelo SEBRAE-PR, referente as Características Empreendedoras. Características Ter total comprometimen to, determinação e perseverança Ter senso de oportunidade e orientação por metas Persistir na resolução de problemas Ter autoconhecimen to e senso de humor Buscar e obter feedback Atribuir a si o seu desempenho Significado a dura realidade de lançar-se e de construir um empreendimento é altamente exigente e estressante. O empreendedor deve estar preparado para "abrir mão" de muitas coisas. Para isso, ganhará muitas vantagens a seu favor, em relação às outras pessoas, se for totalmente comprometido, determinado e perseverante. Esses aspectos podem, eventualmente, compensar algumas desvantagens que possam vir a ter; os empreendedores são orientados e dirigidos por metas e pelas atividades decorrentes delas. Estabelecem metas altas, porém, atingíveis. Isso os habilita a focalizarem suas energias e a serem seletivos na escolha de oportunidades. Ter metas e direção também os ajuda a definirem as prioridades e a possibilidade de medir e de comparar o próprio desempenho; os empreendedores bem sucedidos na construção de seus empreendimentos possuem um elevado grau de determinação e um intenso desejo de superar obstáculos e barreiras, de resolver problemas e de completar o trabalho. Não são intimidados pela dificuldade da situação. Também não se precipitam na superação dos empecilhos que possam impedir seu negócio os empreendedores, em geral, apresentam uma grande consciência de suas forças e de suas fraquezas, e da própria competitividade. Eles são friamente realistas sobre o que podem e o que não podem fazer. Não iludem a si mesmos. Demonstram a habilidade de conservar o senso de perspectiva, o otimismo e o humor até mesmo nas situações mais difíceis. Isso faz o empreendedor rir e conseguir uma situação favorável nas mais diversas situações; os empreendedores mostram um insaciável desejo de saber se estão tendo um bom desempenho. Eles sabem que precisam obter feedback continuamente. Buscar e usar feedback é um hábito essencial para poder aprender com os erros e a lidar com o inesperado. Por essa razão, também, os bons empreendedores são frequentemente descritos como excelentes ouvintes e pessoas de rápida aprendizagem; os empreendedores acreditam em si mesmos. Pensam que o sucesso ou o fracasso de seu empreendimento não será governado pelos fatos, pela sorte ou por alguma influência externa. Acreditam que os resultados de suas realizações dependem de seu próprio controle e influência. Esse atributo é relacionado à motivação orientada para a realização pessoal, para o desejo de tomar responsabilidades pessoais e à confiança própria; Continua.

24 23 Demonstrar tolerância ao estresse, à ambiguidade e à incerteza Procurar correr riscos moderados Lidar bem com o fracasso Formar uma equipe Fonte: SEBRAE PR (2012). Conclusão. a incerteza é um componente inerente a todo empreendimento. Nesse ambiente, os empreendedores defrontam-se com atividades indefinidas e incertas, que mudam continuamente, e o tempo nunca parece ser o suficiente. Os empreendedores vislumbram as adversidades, com naturalidade, como apenas um obstáculo a mais a ser transposto; os empreendedores bem sucedidos não são apostadores, pois está em jogo a reputação deles. Consequentemente, quando decidem tomar uma decisão, agem de uma maneira calculada, muito bem pensada e avaliada, fazendo todo o possível para adquirir vantagens a seu favor, evitando riscos desnecessários; outra característica importante observada nos empreendedores bem sucedidos é a habilidade de utilizar suas experiências de fracasso como um modo de aprendizagem, de maneira a evitar problemas similares. Os empreendedores bem sucedidos são realistas o suficiente para superarem algumas dificuldades. Em consequência disso, não se desapontam, não se desencorajam ou se deprimem, quando se deparam com um obstáculo ou um fracasso. Geralmente vislumbram as adversidades e as dificuldades como uma oportunidade; Constroem equipes de trabalho. Demonstram uma rara habilidade de despertar o herói que existe dentro das pessoas que eles atraem para o empreendimento, dando responsabilidade e dividindo os méritos pelas realizações. Notório, agora a partir do levantamento bibliográfico, que as características encontradas nos empreendedores de sucesso norteiam o desejo da realização pessoal do indivíduo. Nesse contexto, Ávila (2000) acredita que o empreendedor é movido por sua autorrealização, ou seja, no acreditar e no gostar daquilo que faz. Para Schumpeter (1988), o aparecimento do empreendedor não resulta de alguma variável social, cultural ou religiosa, mas de motivos mais individuais, tais como um desejo de poder, o qual existiria aleatoriamente em qualquer população eticamente homogênea. Suas principais características são uma capacidade intuitiva de antecipar rumos e oportunidades que, depois, se provam corretos, força de vontade e força mental, para superar hábitos e pensamentos tradicionais, e a capacidade de enfrentar oposição de outros setores da sociedade. No Brasil, autores como Chiavenato e Dornellas falam que as características empreendedoras do indivíduo são consideradas fator diferencial para a competição industrial, e que essas características impactam na gestão da empresa. Os autores ressaltam a importância de se ter ou desenvolver caraterísticas do empreendedor como fator resultante de mudança (de produto, processo e ou serviço), para se obter diferencial competitivo diante da crescente globalização. Assim Chiavenato e Dornellas destacam as principais características empreendedoras: Características do Empreendedor, segundo Chiavenato (2008): a) necessidade de realização; b) disposição para assumir riscos;

25 24 c) autoconfiança. As características dos Empreendedores de sucesso, conforme Dornellas (2007), podem ser divididas em 3 grandes grupos que são: 1) Características relacionadas à realização: a) busca de oportunidades e iniciativas; b) correr riscos calculados; c) exigir qualidade e eficiência; d) persistência; e) comprometimento. 2) Características relacionadas ao planejamento: a) busca de informações; b) estabelecimento de metas; c) planejamento e monitoramento sistemático. 3) Características relacionadas ao poder: a) persuasão e redes de contato; b) independência e autoconfiança. Essas características são, portanto, determinantes para os negócios de hoje, transformando em um negócio diferente e, assim, criando vantagem competitiva para a empresa. As características do empreendedor são necessárias para os gestores. Nesse caso, a gestão e sua forma de gerenciar em busca de novas oportunidades levam ao surgimento de novos empreendimentos, acarretando desenvolvimento econômico contínuo Empreendedor e Desenvolvimento Econômico Destaca-se o empreendedor como um indivíduo de iniciativa, que promove o desenvolvimento econômico por meio de suas ações criativas e inovadoras, porque a principal contribuição do empreendedor para o desenvolvimento econômico é a sua capacidade de inovação diante o mercado altamente competitivo. É sobre essa ideia que o presente estudo está estruturado. Porter (1992) destacava, em sua literatura, que a inovação de produtos, de processo e/ou de serviços é o motor propulsor da competitividade entre os mercados, para ele a competitividade eleva a eficiência econômica de um país. Schumpeter (1991) publicou a teoria do desenvolvimento econômico,

26 25 destacando o empreendedor como motor propulsor do crescimento econômico, por meio da inovação, principalmente, de produtos e processos (inserção da tecnologia). Alguns anos depois, em 1984, Schumpeter observa que somente empresas de grande porte têm capacidade inovadora, por possuir recursos financeiros para investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Para Dolabela (2008 p, 24), [...], o empreendedor é o responsável pelo crescimento econômico e pelo desenvolvimento social. Por meio da inovação, dinamiza a economia. As condições para ser empreendedor estão ligadas ao ambiente macro, à democracia, à cooperação e à estrutura de poder. Ser empreendedor também requer conhecimento de um caminho bem complexo que é imaginado e que demanda uma visão bem ampla das causas e das consequências dos fatores que vivenciam. Segundo Vazquez Barquero (1998, p.23), o desenvolvimento econômico local se definiria com un processo de crescimiento y cambio estructural que mediante la utilización del potencial de desarrollo existente en el território conduce a la mejora del bienestar de la población de una localidad o um território. Ao contrário da visão do desenvolvimento exógeno, de caráter redistributivo, o qual incentiva a atração de capitais e empresas externas, para impulsionar o desenvolvimento de cidades e regiões periféricas, o novo paradigma do desenvolvimento endógeno considera como espaço preferencial as economias das regiões e cidades, as quais poderiam crescer, utilizando o potencial de desenvolvimento existente no território. De acordo com Vásquez Barquero (2001), o desenvolvimento endógeno é uma interpretação útil para entender a dinâmica econômica e produtiva, para definir e materializar as respostas das organizações e instituições aos desafios da competividade. Para Weber (2004), o ímpeto empreendedor é gerado pela influência de fatores exógenos, que são produzidos pela crença religiosa (o Protestantismo). Essa ética protestante estimularia o empenho em alcançar objetivos pelo exercício de tarefas práticas, a ordenação sistemática de meios e fins, mediante processos racionais e acumulação de ativos produtivos. De acordo com Furtado (2000), cada economia que se desenvolve se defronta com uma série de dificuldades que lhe são específicas e relacionadas ao complexo de recursos naturais, aos ciclos migratórios e à ordem institucional. Afirma Putnam (2002), que a eficácia das políticas públicas de desenvolvimento regional depende das mudanças na cultura organizacional,

27 26 predominante na administração pública, além de um elevado capital social dos habitantes da região. Um novo modelo de desenvolvimento econômico regional, impregnado do sentido de cooperação entre os agentes, pode trazer ganhos competitivos para o conjunto das empresas, frente ao acirramento da concorrência típica da atual fase da economia mundial, designada, por alguns, pelo termo globalização, por isso é necessário pensar na globalização como um processo que integra o desenvolvimento local. Para Schumpeter (1964), o desenvolvimento é uma decorrência do surgimento de novas combinações e usos de recursos, que pode assumir as seguintes formas: a) a introdução de um novo bem (produto ou serviço), com o qual os consumidores não estavam familiarizados anteriormente, ou de um bem já existente, com uma nova qualidade ou característica; b) a introdução de um novo método de produção, que não tenha sido ainda utilizado no processo produtivo, não necessariamente decorrente de novas descobertas científicas, podendo também estar associado a uma nova forma de comercialização de mercadorias; c) a abertura (descoberta, desbravamento) de um novo mercado, ao qual um determinado setor de atividade ainda não tivesse tido acesso, ainda que o mesmo já existisse; d) a descoberta de novas fontes de suprimento de matérias-primas ou bens semimanufaturados, mais uma vez, independentemente dessa fonte de matéria-prima já existisse ou tenha sido criada; e) o desenvolvimento de novas formas de organização, em alguma indústria ou setor específico da economia, tal como a criação de um monopólio, ou a quebra de um monopólio previamente existente. Ao relacionar empreendedor e desenvolvimento econômico, a principal relação é a inovação proposta pelo empreendedor, sobre o enfoque de novo método de produção que possibilite aumento de concorrência e permita dinamismo da estrutura da empresa. Essa nova estrutura empresarial reflete em maior eficiência e dinamismo econômico impactando no produto interno bruto (PIB) e relação do nível de emprego. A Figura 1 ilustra de que forma o empreendedor contribui para o desenvolvimento econômico.

28 27 Figura 1 Relação Empreendedor e Desenvolvimento Econômico Inovação: produto ou processo Desempenho Empresarial Empreendedor Desempenho Econômico - PIB Concorrência Nova estrutura para Vantagem Competitiva Fonte: Adaptação de Silva; Favaretto (2010). O principal fator que impede o desenvolvimento econômico está no desempenho empresarial (nível elevado de: quebra de máquina e equipamento, refugo ou refile, estoque de matéria-prima e de produto acabado, retrabalho, falta de qualidade, escassez de mão de obra qualificada, entre outros.) assim como de novas estruturas para aquisição de vantagem competitiva (surpreender o cliente, produzir conforme o gosto e preferência do consumidor), esses fatores são os principais entraves para competição industrial As Vantagens e Desvantagens do Empreendedor para o Desenvolvimento Econômico O crescimento dos empreendimentos depende exclusivamente da estratégia adota pelo empreendedor, ou seja, de o empreendedor avançar além do seu território e gerenciar operações internacionais, é esse exemplo, citado pelos autores Hamel; Prahalad (2002), que propicia o desenvolvimento econômico. No entanto, o autor ressalta que o fator limitante do desenvolvimento econômico, principalmente brasileiro, é a ineficiência da infraestrutura (estradas, ferrovias, portos e aeroportos) e do apoio oferecido pelo governo (redução da carga tributária) e pelas instituições financeiras (taxas de juros e escassez de crédito).

29 28 Segundo José Neto (2012), como em qualquer atividade a desenvolver, sempre vamos encontrar alguns pontos positivos e outros negativos. Na atividade do empreendedor não é diferente. Vantagens do empreendedor de sucesso segundo José Neto: 1) Realização pessoal Sentir-se realizado no seu ambiente de trabalho é o que praticamente todas as pessoas buscam. Para os empreendedores isso é uma questão de organização pessoal e profissional. Para isso precisam levar em conta seus sonhos, desejos, preferências e o estilo de vida que pretendem ter. Assim conseguem dedicar-se com muita energia a seu projeto, uma vez que o trabalho acaba se tornando, não uma obrigação, mas uma verdadeira fonte de prazer. 2) Contribuição à sociedade Pensar em ser um empreendedor não significa apenas explorar um mercado e ganhar todo o lucro possível com seu negócio, a contribuição para a sociedade também é importante e traz um crescimento tão significativo quanto o dinheiro que se ganha na empresa. As contribuições para a sociedade podem ser vistas desde a geração de trabalho e renda para a população local, até a crescente preocupação com as questões sociais e o meio ambiente, algo em que muitas empresas estão investindo e dando um valor a mais. 3) Lucro O lucro para o empreendedor não aparece como um objetivo primordial, mas como consequência de um trabalho bem feito. O empreendedor não foca, única e exclusivamente, no lucro, mas no trabalho bem planejado e executado. É bem verdade que é muito grande o número de pessoas que pensam em montar um negócio só por dinheiro, mas também é muito grande o número dessas mesmas pessoas que fecham as portas, após 4 ou 5 meses, por isso o empreendedor de sucesso é aquele que foca no desenvolvimento de um trabalho de qualidade e na satisfação de seus clientes. 4) Independência - Muitas pessoas sonham em se livrar do chefe desagradável ou dos colegas de trabalho, e resolvem se tornar um empreendedor, para terem uma certa libertação da supervisão, um estilo de vida prazeroso e a mudança da rotina diária. Realmente, são

30 29 vantagens indiscutíveis e que melhoram a vida de qualquer pessoa, porém é importante ficar atento aos compromissos e saber que terá um negócio para gerenciar e que, mesmo sendo independente, é o único responsável pelo sucesso desse novo negócio. Desvantagens do empreendedor de sucesso segundo Jose Neto: 1) Muito trabalho Em geral, e especialmente nos primeiros anos de atividade, o negócio exige muito mais trabalho do empreendedor do que se ele estivesse trabalhando como empregado. São comuns longas jornadas de trabalho e, muitas vezes, até sem final de semana ou feriado, tudo isso para honrar compromissos com clientes, fornecedores ou mesmo para colocar tudo em ordem. Será necessário muita energia emocional, por isso muitas acabam desistindo pelo meio do caminho. 2) Possibilidade de fracasso Pensar que ao iniciar um novo negócio tudo será um sucesso pelo resto da vida é um completo equívoco, pois todo negócio possui um grau maior ou menor de risco em sua atividade. Toda empresa enfrenta concorrência e as forças de mercado, que podem fazer com que a empresa fracasse ou atravesse períodos mais ou menos longos de instabilidade. Para Chiavenato (2008), o processo empreendedor compreende todas as atividades, as funções e as atuações relacionadas à geração de um novo negócio. Em primeira posição, o empreendedorismo envolve o processo de criação de algo novo, que tenha real valor, e seja valorizado pelo mercado. Em segunda posição, o empreendedorismo demanda dedicação, empenho de tempo e coragem para que o novo negócio possa transformar-se em fato e se desenvolver rumo ao sucesso. Em terceira posição, o empreendedor solicita atrevimento, assumir riscos calculados e decisões cruciais, além de tolerância com prováveis deslizes, erros ou fracassos. Chiavenato (2008) dialoga muito bem com essas posições. O empreendedor revolucionário é aquele que inventa e reinventa novos mercados por meio de algo singular e às vezes único. No entanto, a maioria dos empreendedores gera negócios em mercados já existentes, embora o sucesso na performance de segmentos seja pouco vantajoso. Qualquer que seja a passagem escolhida para ingressar e resistir no mercado competitivo, o processo

31 30 empreendedor requer alguns passos. Vejamos alguns deles: a) identificação e desenvolvimento de uma real oportunidade. b) validação e concepção de um conceito de empreendimento e táticas que auxiliem a conseguir essa visão. c) compreensão dos recursos necessários para implementar o conceito, ou seja, capacidade, tecnologias, capital e crédito ($), equipamentos entre outros. d) captura da oportunidade. e) expansão do crescimento do negócio. Nosso país necessita de pessoas empreendedoras. Pessoas com ação e inclinação para o negócio e que alcancem o sucesso para motivar o contexto econômico. Pessoas adequadas para engajar em novos empreendimentos, produzir riqueza para o país, enfim, participar inteiramente do desenvolvimento econômico, sendo responsáveis por abrir novas empresas e agregar valor real e significativo para a sociedade como um todo. Este é o espírito empreendedor que impulsiona a mola mestra para os negócios, estimulando a prosperidade e, consequentemente, aumentando as oportunidades de novas empresas apontarem e se destacarem no mercado. No geral, os empreendedores são pessoas que se dispõem a vislumbrar e a criar oportunidades e a fazer acontecer, lutam pela sua consecução, para pôr em prática suas ideias e gerar um ou mais negócios. Além disso, os empreendedores são essenciais ao mercado, pois eles são agentes de inovação, estimulam a criatividade (DRUCKER, 2002). 2.2 EMPREENDEDORISMO: CONCEITO E FINALIDADE O termo empreendedorismo foi citado pela primeira vez em 1734, pelo escritor e economista Cantillon, que procurava diferenciar o empreendedor, ou seja, aquele cidadão que assume o risco, do capitalista, indivíduo que fornecia o capital. O trabalho de Joseph A. Schumpeter, iniciado em 1911, resgata e dá ênfase à figura e à função do empreendedor. Em seu Theory of Economic Development, lançado em alemão, em 1911, cuja primeira tradução para o inglês surge apenas em 1934, o conceito de empreendedorismo foi formulado para explicar o desenvolvimento econômico e os ciclos econômicos (business cicles).

32 31 De acordo com Dolabela (2008 p. 24), o termo empreendedorismo corresponde a uma tradução da palavra entrepreunership, que contém as ideias de iniciativa e inovação. É um termo que implica uma forma de ser, uma concepção de mundo, uma forma de se relacionar. Na visão de Gimenez et al. (2000, p. 10), o termo empreendedorismo é "[...] o estudo da criação e da administração de negócios novos, pequenos e familiares, e das características e problemas especiais dos empreendedores". A pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em 31 países, no ano de 2003, reforça a ideia de Schumpeter sobre o empreendedorismo, destacando: Qualquer tentativa de criação de um novo negócio ou novo empreendimento, como por exemplo uma atividade autônoma, uma nova empresa, ou a expansão de um empreendimento existente, por um indivíduo, grupos de indivíduos ou por empresas já estabelecidas (GEM, 2003, p.5). Nos primeiros anos do século 20, Schumpeter (1978) destacou as funções inovadoras e de promoção de mudanças do empreendedor que, ao combinar recursos numa maneira nova e original, serve para promover o desenvolvimento e o crescimento econômico. Como consequência das mudanças tecnológicas do século XX e sua rapidez, a ênfase no empreendedorismo surge muito mais, e não se trata apenas de um modismo. Dolabela (2008) salienta que a forma de empreender foi percebida pelos ingleses, no pós-primeira Guerra, na década de 1920, observando a importância da pequena empresa: elas geravam mais empregos que as grandes. As altas taxas de insucesso das Micro e Pequenas Empresas (MPEs), no mundo e no Brasil, levaram pessoas, governos e agências internacionais a procurar, propor e implementar ações alternativas que funcionassem como um antídoto a essa situação. Assim, desde a década de 60, o tema empreendedorismo tornou-se objeto de estudo. Para Schumpeter (1988), a partir dos anos 70, os estudos teóricos e pesquisas empíricas sobre Empreendedorismo seguiram duas direções bastante distintas. Numa direção, com inspiração primordial na teoria de McClelland e utilizando inicialmente referenciais conceituais das disciplinas de Psicologia e Sociologia e, posteriormente, das Teorias das Organizações e de Administração, desenvolveu-se um acervo significativo do que se poderia denominar uma literatura gerencial sobre empreendedorismo. Noutra direção, inspirada principalmente nos

33 32 estudos de Schumpeter, e posteriormente em contribuições da Teoria Econômica sobre modelos endógenos de crescimento, desenvolveu-se uma tradição de estudos econômicos sobre empreendedorismo, que enfatizam a relação entre empreendedorismo e desenvolvimento econômico, porém num nível mais agregado, e utilizando, em geral, modelos econométricos em sua análise. No final dos anos 1980, os estudos se preocupavam em responder às seguintes perguntas: Quem é o empreendedor? O que faz o empreendedor? E nesse período houve uma virada, o empreendedorismo se tornou um tema de estudos em quase todas as áreas de conhecimento. Filion (1999), nas mais completas bibliografias publicadas sobre o empreendedorismo, pesquisou e citou os 25 temas que mais comumente eram pesquisados sobre empreendedorismo, ao longo dos anos 1990: características comportamentais dos empreendedores; características econômicas e demográficas das PMEs; empreendedorismo e PME nos países em desenvolvimento; características gerenciais dos empreendedores; processo empreendedor; criação de empresas; desenvolvimento de empresas; capitais de risco e financiamento das MPEs; administração de empresas, levantamento, aquisições; empresas de alta tecnologia; estratégias de crescimento da empresa empreendedora; parceria estratégica; empreendedorismo corporativo; empresas familiares; trabalho autônomo; incubadoras e sistemas de apoio ao empreendedorismo; redes; fatores que influenciam a criação e o desenvolvimento de empresas; políticas governamentais e criação de empresas; mulheres, grupos minoritários, grupos étnicos e o empreendedorismo; educação empreendedora; pesquisa e empreendedorismo; estudos culturais comparativos; empreendedorismo e sociedade e franquias Empreendedorismo e Inovação Ao austríaco Joseph Alois Schumpeter se credita a solidificação do conceito de empreendedorismo, pois foi ele que integrou o empreendedorismo à inovação e ao fato de se criar coisas novas e diferentes. Segundo Lastres et al. (2005), o processo de inovação é cumulativo, depende de capacidades endógenas e baseia-se em conhecimentos tácitos. A capacidade inovativa de um país ou região decorre das relações entre os atores econômicos,

34 33 políticos e sociais. Reflete condições culturais e institucionais, historicamente definidas. Esse processo contribui para construir um ambiente inovador (milieu innovateur), por meio da interação com instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação (C&T&I), agrupando um sistema de produção, cultura técnica e atores organizados, que utilizam os recursos materiais e imateriais regionais, produzem e trocam bens, serviços especializados e de comunicação, formando uma rede de relações e vínculos de cooperação e interdependência, afirma Guis (2006). O empreendedor é a pessoa que inicia e/ou opera um negócio para realizar uma ideia ou projeto pessoal, assumindo riscos e responsabilidades e inovando continuamente (CHIAVENATO, 2005, p. 3). Segundo Guis (2006), a inovação ocorre em busca de lucro, ele é o estimulante. Para tanto, as empresas precisam direcionar um valor alto, anualmente, para P&D como estratégia de longo prazo, estimulando processos inovadores. Ao inovar, aumenta o retorno da empresa, aumenta sua parcela no mercado. Soma-se a parceria com institutos de pesquisa e universidades, pois em muitas empresas essa é a única forma de se obter tecnologia. As inovações rompem o estado de equilíbrio, possibilitando a expansão econômica em direção ao desenvolvimento, ao progresso e à evolução, com melhoria de produtividade e redução de custos decorrentes das novas formas de produção [...] todas essas combinações resultam no desenvolvimento da indústria, quebrando rotinas, gerando descontinuidades e novos recursos para a elaboração de produtos. Novas estruturas de mercado superam as antigas, possibilitando uma dinâmica capitalista, determinando custos e qualidade, modificando os lucros e aumentando a produção, desequilibrando a concorrência. Com o lançamento das inovações no mercado, são gerados os efeitos cumulativos, sendo um deles as conhecidas imitações, pois a ação de um empresário é seguida por outros, que muitas vezes melhoram o produto inicial. De acordo com Cario e Pereira (2002, p.7-8), a inovação permite a evolução da empresa, modifica a estrutura da indústria e altera sua capacidade produtiva: Neste contexto, não se pode associar a inovação com algo achado ao acaso ou um conjunto de fases estanques e, sim, conceber a inovação como um processo que influencia a mudança técnica. A inovação não é simplesmente a introdução de algo novo, mas um processo social que suporta a novidade técnica sustentada economicamente e segue procedimentos estabelecidos, em que estão presentes processos de busca, rotinas e seleção, desenvolve formas de aprendizado, envolve

35 34 organização formal que depende de infraestrutura tecnológica e gastos para pesquisa e seus avanços decorrem também das relações entre a ciência e a tecnologia (CÁRIO; PEREIRA, 2002, p. 7-8). As atividades em pesquisa e desenvolvimento apresentam crescente complexidade, que faz com que o processo de inovação seja objeto de planejamento de longo prazo pelas empresas e outros agentes, levando a pensar na hipótese de uma inovação como resposta dos produtores frente à mudança nas condições de mercado. De acordo com Schumpeter (1964), essas inovações são elaboradas pelo empresário 1, que tem a capacidade de empreender, operar negócios, encontrando novas harmonias, com capacidade de prever e ter iniciativa. Este se depara com muitas dificuldades de resistência, quando quer inovar, fazer mudanças, pois o novo necessita de capital e exige grandes gastos antes do aparecimento de renda e, portanto, crédito e capital são essenciais. Para muitos, a ideia de evolução econômica traz, associada, a ideia de capacidade empreendedora. Celso Furtado (1984) apresenta um retrato simples e sucinto de inovação, quando afirma: Contudo, o caráter histórico do desenvolvimento, sua unicidade não nos deve impedir de investigar a natureza do processo de invenção cultural. A inovação não se resume em resposta a um desafio: é antes de tudo, a manifestação de uma possibilidade. Nisso ela se diferencia das mutações que estão na base da evolução natural. È porque dispõe de meios, que lhe abrem um horizonte de opções que o homem inova. Dornelas (2004) conclui que podemos definir empreendedorismo de várias maneiras, porém a essência se resume em fazer diferente, empregar recursos disponíveis de forma criativa, assumir riscos, buscar oportunidades e inovar. 2.3 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO: CONCEITO E FINALIDADE Para Souza (2005, p.5), não existe uma definição universalmente aceita de desenvolvimento. Uma primeira corrente de economistas, de inspiração mais teórica, considera crescimento como sinônimo de desenvolvimento. Já uma segunda corrente, voltada para a realidade empírica, entende que o crescimento é condição indispensável para o desenvolvimento, mas não é condição suficiente. No primeiro 1 Empresário, para Schumpeter, não é o detentor do capital financeiro, mais sim aquele que gerencia a empresa.

36 35 grupo, enquadram-se os modelos de crescimento de tradição neoclássica, como os de Meade e Solow, e os de inspiração mais Keynesiana, como os de Harrold, Domar e Kaldor. Na segunda corrente, economistas como Lewis (1969), Hirschman (1974), Myrdal (1968) e Nurkse (1957), embora com raízes ortodoxas, realizaram análises e elaboraram modelos mais próximos da realidade das economias subdesenvolvidas. O conceito essencial para a compreensão do fenômeno do desenvolvimento é a Teoria do Desenvolvimento Econômico de Schumpeter (1988), baseada no empreendedorismo. Schumpeter atribui ao empreendedorismo, ou seja, à iniciativa de se arriscar, tentando um novo arranjo para os fatores produtivos, o conceito de única forma de se alterar o ciclo econômico (além dos fatos não econômicos, como guerras ou catástrofes naturais), gerando arranjos mais produtivos, que possibilitam maior produção de bens e, consequente, aumento do padrão de vida, quando comparado à acumulação de capital decorrente do arranjo econômico pré-existente. A figura do empreendedor, ou seja, o ator social que busca implantar um novo arranjo produtivo é quem promove essa mudança e, em última instância, quem gera desenvolvimento. Segundo Schumpeter (1988), a história, incluindo os fatos não econômicos, determina a forma de emprego dos recursos hoje. Se, na história de uma determinada sociedade, fosse comum que as pessoas procurassem inovar, se das inovações resultassem melhorias e recompensas aos empreendedores (na forma de lucro), essa sociedade teria uma tendência inerente ao empreendedorismo. Se, ao contrário, uma sociedade tivesse um passado de baixo empreendedorismo, por motivos que podem vir desde a baixa produtividade agrícola, dificuldade de obtenção de recursos naturais produtivos, até um regime político que coibisse a inovação ou limitasse o lucro, seria de se esperar que esse povo tivesse mais dificuldade de alterar o arranjo produtivo dos recursos que tem à sua disposição no presente. Ou seja, esse povo teria maior dificuldade em otimizar seu potencial produtivo, portanto menor potencial de desenvolvimento. Em sua definição de empreendedor, Schumpeter (1988) o distingue claramente da figura do capitalista, cuja função é prover o capital e assumir riscos. A principal função do empreendedor é a de, por meio da inovação, produzir perturbações (ou desequilíbrios) numa situação existente de equilíbrio. O empreendedor é visto por Schumpeter (1988) como o agente que inicia as mudanças nesse sistema, originalmente em equilíbrio, e que identifica e gera novas

37 36 oportunidades. Embora admita que o sistema econômico voltará, eventualmente,e ao equilíbrio, após cada nova erupção de inovações pelos empreendedores, o empreendedor é apresentado como uma força desequilibradora, produzindo o efeito por ele denominado de destruição criativa. O trabalho de Schumpeter abriu o caminho para uma linha de investigação sobre a relação entre o empreendedorismo e o desenvolvimento econômico. As teorias de Max Weber e Joseph Schumpeter têm muito em comum. Em ambas as teorias, o empreendedor intrépido surge no sistema econômico tradicional, e coloca em movimento um processo revolucionário de destruição criativa. Para Weber (2004), a chave do sucesso do empreendedor, em sua iniciativa inovadora, é uma completa racionalização de cada aspecto de seu empreendimento. No modelo de Schumpeter (1988), a inovação é também o fator-chave, porém de uma forma ainda mais radical, já que inclui a mudança da base tecnológica e dos parâmetros da demanda no sistema econômico. Para Schumpeter (1988), a economia evoluía mediante ciclos de desenvolvimento, alternando-se às depressões. O estímulo princípio para um novo ciclo econômico mais próspero viria das inovações tecnológicas introduzidas pelos empreendedores Objetivo do Desenvolvimento Econômico O pensamento econômico desenvolvido durante o século XIX nos trouxe o que é chamado, até hoje, de liberalismo econômico: teoria que define que as consequências econômicas são derivadas das forças livres do mercado e da concorrência. Dessa competição livre surge a ascensão dos empreendedores, indivíduos que impulsionam a máquina capitalista o prover novos bens de consumo e inovadores métodos de produção e transporte (SCHUMPETER, 1982; DRUCKER, 1987; LEITE, 2000). Segundo Souza (2005, p. 2), o tema crescimento econômico emerge com vigor com Adam Smith. O autor procura identificar os fatores da formação da riqueza nacional; explica como o mercado opera e qual a importância do aumento do tamanho dos mercados, para reduzir os custos médios (efeito escala) e permitir a produção de lucros. Expandindo-se os mercados, aumentam a renda e o emprego. O desenvolvimento ocorre com o aumento da proporção dos trabalhadores

38 37 produtivos em relação aos improdutivos; pela redução do desemprego e elevação da renda média do conjunto da população. Mais tarde Schumpeter diferenciou crescimento de desenvolvimento, sendo este provocado pelas inovações adotadas pelo empresário, com a ajuda do crédito. A sociedade, de modo geral, começa a conceber a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico. Hoje é difícil pensar em uma sociedade sem a figura do empreendedor. São os empreendedores que estão rompendo barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riquezas para a sociedade (CRUZ, 2006) Diagnóstico do Desenvolvimento Econômico Segundo Oliveira (2005, p. 81), [...] o diagnóstico estratégico deve ter enfoque no momento atual, bem como no próximo momento, no próximo desafio, a fim de constituir na dimensão crítica para o sucesso permanente. Para Hartmann (1999, p. 154), [...] o diagnóstico estratégico consiste em conhecer os efeitos e suas respectivas causas, situados interna ou externamente ao seu negócio e ao dos seus concorrentes, visando estabelecer uma forma de agir, tendo em vista as implicações num futuro, o mais distante possível. Segundo Costa (2002, p. 51), [...] em estratégia, o diagnóstico empresarial é um processo formal e estruturado que procura avaliar a existência e a adequação das estratégias vigentes na organização em relação ao andamento de transformações para a construção de seu futuro. Assim, as empresas que conseguem diagnosticar suas melhores performances e obter mais informações sobre suas políticas de sucesso têm mais chances de competir no mercado. Segundo Tavares (2005, p. 283), [...] a organização deverá, na fase da análise interna, ampliar o seu foco das informações internas incorporando as externas para que esse tipo de recurso possa ter também um novo foco. Ainda, na concepção de Tavares (2005, p. 280): A escolha de uma estratégia depende da compreensão de como as forças ambientais afetam ou podem vir a afetar a organização e os demais componentes participantes de seu escopo competitivo. Nesse sentido, a estratégia adequada dará maior ênfase aos processos Visionários da

39 38 organização, dando suporte para a melhoria das atividades internas. No ambiente interno, são identificados e analisados os pontos fortes e fracos da empresa. Para Hartmann (1999, p. 147), [...] pontos fortes são fatores internos ou partes de certo negócio que apresentam condições favoráveis para a melhoria dos resultados. Segundo Oliveira (1995, p. 46), [...] pontos fortes são vantagens estruturais controláveis pela empresa que a favorecem perante oportunidades e ameaças do ambiente. Por outro lado, para Oliveira (2005, p. 47), [...] pontos fracos são desvantagens estruturais controláveis pela empresa que a desfavorecem perante oportunidades e ameaças do ambiente. Segundo Hartmann (1999, p. 148), [...] pontos fracos são fatores internos ou partes de um certo negócio que apresentam condições desfavoráveis para a melhoria dos resultados. Conforme Costa (2006), ao se analisar uma organização externamente, temse necessidade de estudar o ambiente em termos de oportunidades e ameaças em que a empresa se encontra, levando em consideração as perspectivas futuras. Para Hartmann (1999, p. 188): Na análise externa é feita a identificação e oportunidades ou ameaças e suas respectivas causas priorizadas, localizadas externamente ao seu negócio ou Território, entendidas como fatores ou situações que podem ser aproveitadas ou neutralizadas, que afetam positiva ou negativamente os resultados. Para Bethlem (2004, p. 147), [...] o ambiente externo da empresa é constituído por todos os fatores do meio ambiente que possam influenciar na atuação da empresa. Clemente e Higachi (2000) afirmam que se a industrialização é indispensável para o desenvolvimento regional, deve-se dar atenção especial à concentração espacial da indústria.

40 39 3 ESTUDO DE CASO 3.1 DESCRIÇÃO DO SETOR MADEIREIRO DE ESQUADRIAS NAS GÊMEAS DO IGUAÇU O município de Porto União está localizado no Norte Catarinense, a uma altitude média de 752 metros, localiza-se na região norte de Santa Catarina, limitando-se ao norte com União da Vitória (PR) e Paula Freitas (PR); ao sul com Matos Costa (SC) e Timbó Grande (SC); a leste com Irineópolis (SC); e a oeste com os municípios de Porto Vitória (PR) e General Carneiro (PR). A distância entre Porto União - SC e a capital do Estado, Florianópolis, é de 445 km. O município de União da Vitória está localizada a 26 13'48" latitude sul e 51 05'11" longitude oeste, na região sul do Estado do Paraná, no terceiro planalto paranaense, também chamado de Planalto de Guarapuava. Limita-se ao norte com o município de Cruz Machado (PR), ao sul com o estado de Santa Catarina, a oeste com Porto Vitória (PR) e Bituruna (PR), e a leste com Paula Freitas (PR) e Paulo Frontin (PR). A distância entre União da Vitória PR, e a capital do Estado, Curitiba, são de 243 km.

41 40 Figura 2 - Estados do Paraná e Santa Catarina representando a localização dos municípios nas Gêmeas do Iguaçu Fonte: Bom et al. (2008). Os indicadores econômicos dos dois municípios levantados pelo último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2010) apresentam as seguintes informações: Porto União possui população de habitantes, dos quais 83,4% na área urbana; sendo o 38º no ranking populacional do Estado de Santa Catarina, apresentando uma densidade populacional de 39,3 habitantes por km². Segundo o censo de 2010, habitantes são homens e mulheres. De acordo com o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural; IDH de 0,806; PIB a preço de mercado corrente são de mil (IBGE, 2008); PIB Per Capita de R$ 9.163,46 (IBGE, 2008). A vegetação predominante da região é a

42 41 floresta de araucária e campos e o relevo é constituído de planícies, montanhas, vales, grandes várzeas nas bacias dos Rios Iguaçu e Jangada, na divisa com o Estado do Paraná, e do Rio Timbó; União da Vitória possui população de habitantes, sendo o 32º município mais populoso do Paraná, e apresentando uma densidade populacional de 73,22 habitantes por km². Segundo o censo de 2010, habitantes são homens e são mulheres. De acordo com o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural; IDH de 0,793; PIB a preço de mercado corrente são de ,453 mil (IBGE, 2008); PIB Per Capita de R$ 9.794,95 (IBGE, 2008) e a Indústria da madeira e do mobiliário 91 empresas atuantes, gerando empregos (IPARDES, 2010). A vegetação predominante da região é a floresta de araucária, além da presença de florestas de imbuia e de árvores reflorestadas, como pinus e eucalipto. As cidades formam um único núcleo urbano de aproximadamente habitantes, sendo conhecido como "As Gêmeas do Iguaçu". Tabela 1 Dados populacionais e indicadores econômicos, nas Gêmeas do Iguaçu Municípios População em 2010 PIB (a preços correntes em 2010) mil reais Valor Adicionado em 2010 (mil reais) Agropecuária Indústria Serviços União da Vitória Porto União Total Fonte: IBGE, Kohut (2008, p. 56) afirma que o desenvolvimento econômico é um tema que tem destaque no mundo globalizado de hoje; a preocupação com o crescimento econômico nos municípios de Porto União e União da Vitória mostra-nos que existe um objetivo primordial, em relação ao desenvolvimento destas e do próprio desenvolvimento das empresas madeireiras da região. Cêra e Escrivão Filho (2003) enunciam que as ações empresariais dos pequenos empreendedores, muitas vezes, são influenciadas por seus valores e motivações pessoais. A gestão de pequenas empresas está caracterizada pela ausência de instrumentos administrativos formais, informalidade no relacionamento e falta de habilidade na gestão do tempo. Essas características de gestão estão relacionadas a um modelo de ação, baseado tanto na tradição como na afetividade

43 42 nos relacionamentos. Para Chiavenato (2008, p. 1), o empreendedor é a pessoa que inicia e/ou opera um negócio para realizar uma ideia ou projeto pessoal, assumindo riscos, responsabilidades e inovando continuamente. [...] Mas o espírito empreendedor está também presente em todas as pessoas que, mesmo sem fundarem uma empresa ou iniciarem seus próprios negócios, estão preocupadas e focalizadas em assumir riscos e inovar continuamente. Comentando sobre o informalismo da gestão, na pequena empresa brasileira, Lodi (1993) expressa que o brasileiro tende a ridicularizar ou a se ressentir com o grau de formalismo exigido por algumas formas modernas de gestão. As pequenas empresas tendem a agir informal e personalisticamente, evitando qualquer tipo de formalidade, rigidez e profissionalismo, utilizando muito mais a lealdade pessoal e o comprometimento por meio de laços afetivos. Para Padula (2000), os empresários motivados pela realização profissional e/ou pelo exercício de poder tendem a ser relutantes quanto à profissionalização da gestão da empresa, enquanto empresários motivados em construir seu negócio procuram mais facilmente por um processo de profissionalização e descentralização na gestão de seus negócios. Corroborando com o autor, Gimenez (2000) afirma que as características cognitivas dos líderes são determinantes na gestão das pequenas empresas. Essas características tendem a aparecer mais nas pequenas, pelo fato de possuírem uma concentração muito grande de poder em poucas pessoas e apresentarem formalização menor. Conforme o Censo Industrial (2006, p. 12), o parque industrial brasileiro de base florestal é caracterizado por dois tipos de indústrias. De um lado estão as empresas de grande porte, representadas principalmente pelos segmentos produtores de papel e celulose e painéis reconstituídos, os quais adotam modernas tecnologias nas florestas e nos parques industriais, integrados verticalmente, desde a exploração da floresta até a industrialização. De outro lado estão as empresas de porte médio e pequeno, representadas em sua maioria pelos segmentos de produção de madeira serrada, compensados e móveis, muitas delas familiares, sem recursos tecnológicos modernos, e com baixo grau de mecanização. Com esse conhecimento de mercado, o relacionamento empresarial entre os proprietários dessas indústrias ocorre por meio de reuniões marcadas na Associação da Indústria e Comércio. Nessas reuniões são esclarecidos: os pedidos

44 43 não atendidos ao consumidor; comunicando o dia e o local para exposição de seus produtos em diversos eventos, tanto na cidade local quanto em outras cidades e regiões; excursões a feiras pelo país, para o conhecimento e aquisição de novos produtos, máquinas, equipamentos e tecnologias. As experiências, nesse sentido, têm sido acompanhadas e divulgadas pelos diversos órgãos, como Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Serviço Brasileiro de Assistência Gerencial às Pequenas e Médias Empresas (SEBRAE), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e estudadas por muitos pesquisadores em Economia, em diversas universidades, que analisam experiências bem sucedidas, ainda em andamento, e sugerem formas de condução para alcançar resultados satisfatórios. Galvão (2000, p. 7) observa uma característica importante, que tem sido verificada em muitos países, envolvendo pequenas e médias empresas: estas estão se aglomerando em certos locais ou regiões, e passando a desenvolver uma diversidade de relações sociais, baseadas na complementaridade, na interdependência e na cooperação. Estas aglomerações de empresas, chamadas de clusters, ou distritos industriais, têm tido muito sucesso em vários países, principalmente, pelo fato de que as firmas neles localizadas estariam se organizando em redes (networks), sistemas complexos de integração, nos quais predominam, entre as firmas, vários esquemas de cooperação, de solidariedade, coesão e a valorização do esforço coletivo. O resultado desses processos seria a materialização de uma eficiência coletiva, decorrente das externalidades geradas pela ação conjunta, propiciando maior competividade das empresas, em comparação com firmas que atuam isoladamente no mercado. Para Martini (2003, p. 567), a abertura das economias e a consolidação dos mercados globais desencadearam importantes transformações na economia mundial nas últimas décadas e, por conseguinte, na organização das atividades econômicas e na sua capacidade competitiva local. Essas transformações, impulsionadas pelos movimentos da economia mundial interconectada e potencializadas pela revolução científica e tecnológica, associada à telemática (avanços nos meios de comunicação e na informática), provocaram um intenso processo de reestruturação produtiva e de gestão, em praticamente todos os setores da atividade humana, dando origem a uma série de novos produtos e processos. Para Martini (2003, p. 36), nas últimas duas décadas, mais intensamente, a

45 44 partir do final dos anos 80, significativas mudanças têm ocorrido na economia mundial, constituindo-se em um novo ambiente econômico. O conjunto dessas transformações, chamado de globalização, tornou-se um tema de amplo debate acadêmico, na tentativa de melhor defini-lo A Contribuição do Empreendedor Madeireiro para a Economia nas Gêmeas do Iguaçu O setor madeireiro nas Gêmeas do Iguaçu entra no cenário estratégico de mercado e, a partir de novas modalidades de configurações atreladas às forças externas e internas, o setor madeireiro é obrigado a buscar novas modalidades de gestão, que, juntamente com as entidades e associações, criaram meios para o desenvolvimento do setor, o qual contribuiu também para o desenvolvimento das Gêmeas do Iguaçu. A tradição da região na produção de esquadrias de madeira, com a expressiva produção de portas e janelas de madeira, recebendo o nome de Capital da Esquadria de Madeira, ao qual levou a construção do portal da entrada da cidade de União da Vitória- PR. O desenvolvimento da indústria na região ocorreu desde o início do século XX, com base nas práticas criativas e no esforço coletivo dos imigrantes, que organizaram seu trabalho, construindo comunidades, com suas casas, igrejas e abrindo diversas indústrias nos setores de fundição, curtume, móveis, olarias, serrarias e beneficiamento de erva-mate. A região se desenvolveu às margens do Rio Iguaçu, principal via de transporte da população das cargas de erva-mate e madeira e do sal vindo de Paranaguá, que abastecia toda a região. Nesse aspecto, Sebben (1992, p. 23) destaca [...] que o Rio Iguaçu, desde o primeiro momento da história da região, exerceu grande influência sobre a vida de seus habitantes e no desenvolvimento da economia.

46 45 Figura 3 Foto do Portal de entrada da cidade de União da Vitória - PR Fonte: acervo do autor (2013). Um acontecimento específico marcou de forma decisiva a economia da região, a liberação, em 1889 da construção da ferrovia que passou a interligar os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, alavancando, sobretudo a economia da região, à medida que favoreceu o fluxo de produtos e intensificou a exploração madeireira e ervateira, conforme destaca Sebben (1992, p.31). A partir daí, inicia-se o processo de industrialização da madeira, que passa a se desenvolver às margens da ferrovia. A exploração da madeira, intensificada com a Segunda Guerra Mundial, assumiu em aspecto predatório, dada a falta de compromisso dos produtos com o meio ambiente e a sociedade. Em outros termos, significa dizer que as serrarias se multiplicaram rapidamente, para aproveitar uma situação extremamente favorável do mercado, sem se preocupar em criar a infraestrutura necessária para o desenvolvimento sustentado da região (SEBBEN, 1992). Para Wachowski (2001): A economia da Região do Vale do Iguaçu possui uma indústria de base florestal que teve início com os Bandeirantes que por aqui passavam. O Rio Iguaçu começou a ser navegado por jangadas construídas com troncos de árvores que eram levadas para outras regiões, para beneficiamento em serrarias. A produção de toras de árvores para a venda aos compradores de

47 46 outras regiões do Estado do Paraná e também de Santa Catarina trouxe recursos que foram utilizados na aquisição de bens de produção como serras-fitas e matrizes de animais. Os lenhadores começaram a montar serrarias, os empresários começaram a se multiplicar e os operários foram aprendendo a arte de manufaturar a madeira. Assim nasceram as primeiras serrarias da região. Assim também vieram os colonizadores de origem alemã, italiana, polonesa, ucraniana. A primeira empresa de compensados com mão-de-obra especializada a ser instalada em Porto União da Vitória foi a Madeireira Ruthemberg, em Com o passar dos anos, várias empresas foram se instalando, e algumas atuam até os dias de hoje, podendo ser citadas a Madeireira Miguel Forte, Madeireira Dissenha, entre outras (MELO JUNIOR, 2001, p. 58). De acordo com Martini (2003, p.101): As imensas matas de Pinheiro e as reservas de Imbuia e outras madeiras nobres tornaram a região o berço da indústria madeireira. Com isso, as primeiras serrarias começaram a ser instaladas para o beneficiamento, fazendo com que a economia regional girasse em torno da mesma. A existência de extensas florestas naturais de araucárias fez com que a atividade madeireira se tornasse uma importante fonte de riquezas para União da Vitória e Porto União, que tiveram na exploração e comércio de madeira a sua base de sustentação econômica, particularmente a partir da Segunda Guerra Mundial, quando tábuas de madeira tornaram-se um destacado produto de exportação. Figura 4 - Vista aérea de União da Vitória-PR e Porto União-SC Fonte: Oliveira, apresentação digital (2009, p.54).

48 47 Segundo Martini (2003, p. 56), a análise das características da indústria, a sua organização produtiva e o seu padrão de concorrência são importantes para evidenciar o ambiente econômico em que está inserida a atividade madeireira. Observa-se que a atividade madeireira, no contexto mundial, registra importantes transformações, aceleradas pelas pressões econômicas, sociais e/ou ambientais, decorrentes da escassez de matéria-prima e, também, dos elevados custos da mãode-obra nos países desenvolvidos. Clemente e Higachi (2000) afirmam que se a industrialização é indispensável para o desenvolvimento regional, e que se deve dar atenção especial à concentração espacial da indústria.

49 48 4 METODOLOGIA A pesquisa classifica este trabalho da seguinte forma: qualitativa, exploratória e estudo de caso, por se tratar de 60 micro, pequenas e médias empresas fabricantes de esquadrias de madeira, empresas que interferem de forma direta no PIB e no desenvolvimento econômico dos municípios de União da Vitória-PR e Porto União-SC. Ao conectar a forma de pesquisa sobre os temas norteadores deste estudo Empreendedor, Características Empreendedoras e Desenvolvimento Econômico, metodologicamente, divide-se o estudo: a) quanto à abordagem geral: qualitativa, que se refere à descrição de fatos e fenômenos, conforme o objeto de estudo, utilizando entrevistas e questionários, pelos quais o pesquisador interpretará os dados coletados, enfatiza Martins (2010); b) quanto ao objetivo: sendo o presente estudo de carácter exploratório, pois se enfatiza, no problema de pesquisa, o que possibilita o desenvolvimento do próprio estudo (para futuras pesquisas relevantes desta dissertação) e análises posteriores dos resultados obtidos, a fim de adquirir resultados relevantes para o desenvolvimento econômico local. Segundo Gil (2009), a pesquisa exploratória é aplicada quando o assunto é referente a um determinado problema e tem como objetivo gerar ideias que contribuam para o desenvolvimento de propostas, modelos e ou conceitos sobre um determinado assunto; c) quanto à estratégia: tem como base o estudo de caso. A escolha do estudo de caso como estratégia de pesquisa é analisar eventos reais e em tempo real, sobre o objeto de estudo (neste estudo, sobre as características dos empreendedores de esquadrias em madeira), não permitindo a interferência do pesquisador referente aos principais acontecimentos (Yin, 2001). Primeiramente, para desenvolver o estudo proposto, foi realizada uma pesquisa qualitativa. É por meio desta pesquisa que a pesquisadora descobriu as opiniões, atitudes e pôde apontar as características empreendedoras referentes aos empresários madeireiros. Em seguida, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, que serviu de base e sustentação para as análises e comparações teórico-prático, o que

50 49 contribui para a pesquisa exploratória indicada para o estudo proposto, aplicando análises, comparações e permitindo a continuidade desta pesquisa para estudo futuro, pois poucos estudos acadêmicos foram desenvolvidos sobre características empreendedoras que podem interferir no desenvolvimento econômico local, sob o enfoque do setor madeireiro. Referente à estratégia de pesquisa, optou-se por estudo de caso simples, tratando de um único segmento industrial, com gestões administrativas muito parecidas entre si, e com estrutura e cultura empresarial semelhante, identificadas como gestão administrativa engessada (por não inovar, por não investir em tecnologia, máquinas e equipamentos, entre outras falhas de gestão). 4.1 COLETA DE DADOS Quanto à coleta de dados, utilizou-se o levantamento de dados primários, a partir da realização de um questionário com questões fechadas, e abertas pelos principais gestores das empresas, com objetivo de coletar dados e informações necessárias para a análise das características dos empresários madeireiros nas Gêmeas do Iguaçu. O questionário é considerado a forma de coleta de dados mais eficiente para estudos exploratórios/descritivos, pois, pela possibilidade de comparação de dados, aumenta a velocidade e precisão de registro, facilitando o processamento desses dados. A coleta de dados foi realizada de forma indireta, enviada via rede social ( ), aos gestores que integram a rede de médias empresas. Após a aplicação do questionário, foi efetuada tabulação dos dados; em seguida, a conclusão das características empreendedoras. 4.2 FONTE DE DADOS Para Marconi e Lakatos (2002, p. 142), O objetivo da pesquisa indicará sempre as categorias particulares de análise a serem empregadas. Para atingir o primeiro objetivo, foi concretizado neste estudo, com um questionário, identificando as características empreendedoras dos proprietários do setor de produção da indústria madeireira nos municípios de Porto União e União da Vitória, de acordo com dados fornecidos pela Associação Comercial e Empresarial

51 50 de União da Vitória - PR (ACEUV) e Associação Comercial e Industrial de Porto União SC (ACIPU), 60 empresas que integram do Núcleo de Esquadrias, nas Gêmeas do Iguaçu. Para o segundo objetivo foram descrita os impactos dos empreendedores do setor madeireiro. Para o terceiro objetivo foi elaborado um quadro comparativo com autores descrevendo as principais características, comparando com as respostas do questionário. Para alcançar o quarto objetivo foi efetuada a compreensão das características empreendedoras para o desenvolvimento econômico local. 4.3 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS A pesquisa quantitativa sustentou o levantamento das informações deste estudo, dando-se com base na aplicação de um questionário estruturado, constituído por uma série ordenada de perguntas previamente desenvolvidas, de forma sistemática e sequencial, dispostas nos itens que constituem o tema da pesquisa. Conforme Gil (2002, p. 134), o questionário é uma técnica de coleta de dados que consiste em um rol de questões propostas por escrito às pessoas que estão sendo pesquisadas. Quanto aos procedimentos: foi realizado um levantamento ou survey que se caracteriza [...] pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer [...], procedendo-se a coleta de informações a um grupo significativo de pessoas a respeito do problema que será estudado. Em seguida, foi realizada a análise qualitativa, obtendo-se as conclusões a partir das entrevistas realizadas e pelas informações coletadas, sendo efetuada a análise dos dados coletados, que possibilitará a compreensão da situação e perspectivas do setor, bem como os reflexos para a economia local e regional. Com base no questionário, foram propostas políticas de qualificação e avanços para o setor.

52 51 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS O universo da pesquisa concentra em 16 empresas do setor de esquadrias da madeira de União da Vitória/PR e Porto União/SC. Foi nesse universo que se desenvolveram as questões que serão analisadas. Os dados primários foram conseguidos por meio de tabulação da pesquisa, transformando os resultados em percentual. Foi aplicado o mesmo número de questionários para os atores locais, para comparar as respostas dos empresários das esquadrias de madeira e sua visão sobre o desenvolvimento do setor madeireiro das Gêmeas do Iguaçu. As respostas dos questionários trazem a visão dos empresários do setor madeireiro. Os resultados foram apresentados em forma de gráficos, juntamente com os comentários. Os entrevistados indicaram, de acordo com o seu ponto de vista, o nível de importância pessoal a respeito da pergunta feita, quando se utilizou da técnica de pesquisa, por meio da escala Likert IMPORTÂNCIA DO SETOR DE ESQUADRIAS VOLTADO AO DESENVOLVIMENTO As questões iniciais da pesquisa tiveram como objetivo identificar as características empreendedoras presentes nos empresários da indústria madeireira esquadrias nas Gêmeas do Iguaçu; procurando-se saber o nível de conhecimento dos entrevistados sobre questões como gerenciamento empresarial, contribuição do empreendedor para a economia local, seu papel e importância para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico, possibilitando impulsionar a economia local inovando na prestação de serviços, na criação de novos produto e processo produtivo. A primeira pergunta inicial teve o seguinte questionamento: Você pensa que é importante na sua empresa utilizar técnicas organizacionais para o desenvolvimento da mesma? 2 Likert - A escala Likert ou escala de Likert é um tipo de escala de resposta psicométrica usada habitualmente em questionários, e é a escala mais usada em pesquisas de opinião.

53 52 Gráfico 1 Utilização de técnicas organizacionais 0% 19% 81% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante Fonte: Dados da pesquisa (2013). Constatou-se que 81% dos entrevistados afirmaram ser muito importante a utilização de técnicas organizacionais para o desenvolvimento da empresa, e 19% acham que é somente importante, como pode ser observado na demonstração gráfica acima (Gráfico 1). Embora na pesquisa os agentes não tenham sido questionados sobre que tipo de técnicas organizacionais utilizam, nem das dificuldades encontradas, acredita-se que a gestão administrativa dentro de uma empresa, muitas vezes, não é encarada como uma área vital para o seu desenvolvimento, manutenção ou sobrevivência no mercado. Equivocadamente, fixam-se as atenções unicamente nos processos produtivos, visando ao acompanhamento das últimas descobertas tecnológicas, buscando aumento de produtividade e lucro, deixando de lado a área administrativa, com os seus processos geralmente rotineiros, existindo um apego aos procedimentos, com reflexos na imagem que as organizações pretendem transmitir. Afirman Ardion, Sequeira e Romeiro (2006), que mediante processos administrativos dinâmicos modernos, condizentes com a sociedade do conhecimento e da informação em que vivemos, as organizações podem, por um lado, aumentar a sua produtividade e, por outro, afirmar a sua individualidade com uma imagem que as distinga dos seus competidores diretos. Portanto as técnicas organizacionais, em uma empresa devem ser alvo de preocupação constante, buscando manter a qualidade e a modernidade dos trabalhos que dão suporte ao sistema produtivo.

54 53 A segunda questão teve a seguinte pergunta: Você pensa ser importante que os impactos do empreendedorismo determina o crescimento das taxas na área econômica do setor madeireiro. A representação ficou da seguinte forma (Gráfico 2): Gráfico 2 Impacto do empreendedorismo determinando o crescimento das taxas na área econômica do setor madeireiro 19% 6% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante 75% Fonte: Dados da pesquisa (2013). Observa-se que a maioria (75%) acredita serem importantes os impactos do empreendedorismo, determinando o crescimento das taxas na área econômica do setor madeireiro. A resposta muito importante aparece com 19% das respostas. Diante do exposto, poder-se-ia questionar até que ponto o empreendedor dessa região acredita em seu negócio? Schumpeter, já em 1911, enfatizava o papel do empreendedor como o propulsor do crescimento, por meio da sua ação pro ativa e sua criatividade, essa crença que mostra o empreendedor como elemento central do desenvolvimento parece-nos ser uma visão que ainda não foi alcançada pelos empreendedores da região, a considerar pelos 19% que acreditam ser muito importante. À primeira vista, parece-nos que esses empreendedores não se consideram como tal, constata-se neles a visão do que é ser empreendedor mitificada por Hashimoto (2006, p.5), quando relata: Criou-se o mito do empreendedor herói, aquele que veio para enfrentas as grandes corporações, em uma referência explicita à fábula de Davi e Golias, e que com criatividade, determinação e flexibilidade tornou-se o grande gerador de empregos e salvador da economia [...] Essa imagem se torna mais forte em países como o Brasil, com ambiente empresarial extremamente volátil e hostil aos pequenos negócios.

55 54 Partindo dessa visão, observa-se que os empreendedores locais sentemse pessoas normais, buscando formas de sobrevivência, sem a pretensão de ser o salvador da pátria, nem tampouco acreditam piamente que fazem a diferença para a região. A terceira questão levantada buscou saber a opinião dos entrevistados sobre o desenvolvimento do setor madeireiro estar diretamente ligado ao desenvolvimento da região, sendo a questão formulada da seguinte forma: Você pensa que o desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias é importante para o desenvolvimento da região?. Das respostas foi obtida a seguinte representação gráfica: Gráfico 3 Importância do setor madeireiro para o desenvolvimento da região 6% 38% 25% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante 31% Fonte: Dados da pesquisa (2013). Observa-se que a maioria absoluta, 69% dos entrevistados acreditam ser importante e muito importante o setor que representam para o desenvolvimento da região, respostas já esperadas, haja vista que praticamente toda a economia regional nos Municípios de Porto União e União da Vitória gira em torno da indústria madeireira, e, de acordo com o Portal Moveleiro (2010), o setor é responsável por 25% da produção nacional de portas e esquadrias, com 1,3 milhão de unidades por ano (Sul do Paraná), o que significa tratar-se de uma região com 577 empresas ligadas à indústria madeireira, que absorve direta ou indiretamente 70% dos empregos e responde por 87% do VAF (Valor Adicionado Fiscal).

56 55 A questão número 4 trouxe o seguinte questionamento: Você pensa que as politicas públicas são importantes e influenciam no desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias?. Notou-se certo desconforto ao serem questionados sobre políticas públicas. Alguns dos entrevistados questionaram o que tinham a ver políticas públicas, se as empresas a que representavam eram empresas privadas, o que mostrou profundo desconhecimento do que são políticas públicas. Acredita-se que a junção dessas duas palavras desmotivam as pessoas, pela correlação a elas realizadas, pois tanto uma quanto a outra sempre estão relacionadas a corrupção, escândalos e desvios de conduta. Na oportunidade, buscou-se trazer alguns conceitos básicos sobre políticas públicas, porém, tratadas de forma bastante superficial, não havendo tempo para mudar a concepção dos entrevistados. Observa-se, na representação gráfica, que as opiniões ficaram bem divididas. Gráfico 4 Importância e influência das políticas públicas no desenvolvimento do setor madeireiro de esquadrias 6% 38% 25% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante 31% Fonte: Dados da pesquisa (2013). A maioria, 38% afirmou ser muito importante, porém, quando questionados informalmente, a que políticas estariam se referindo, não souberam relatar. 25% dos entrevistados afirmaram ser de importância média, acredita-se que esse número apareceu como forma do não comprometimento. Ao levantar esse questionamento observou-se ausência de conhecimentos, o que reflete a cultura organizacional, vista aqui como a maneira

57 56 pela qual cada organização aprendeu a lidar com o seu ambiente. É uma complexa mistura de pressuposições, crenças, comportamentos, histórias, mitos, metáforas e outras ideias que, juntas, representam a maneira particular de uma organização funcionar e trabalhar (MORAN, 2009). Afirma Putnam (2002) que a eficácia das políticas públicas de desenvolvimento regional depende das mudanças na cultura organizacional, predominantes na administração pública, além de um elevado capital social dos habitantes da região. 5.2 COMPREENDE O QUE É EMPREENDEDORISMO O tema empreendedor está em alta no Brasil, a conscientização sobre a necessidade de empreender está-se disseminando rapidamente, também é crescente o número de publicações a esse respeito. Pesquisas internacionais apontam o brasileiro como um dos povos mais empreendedores do mundo (HASHIMOTO, 2006). Embora essas pessoas pertençam a esse universo, muitos desconhecem a definição de empreendedorismo, e tampouco reconhecem-se como empreendedores, não atribuindo a si próprios as características peculiares. Nas questões de 5 a 9 do questionário aplicado, buscou-se identificar nos empresários sua compreensão sobre empreendedorismo. Inicialmente, procurou-se conhecer a opinião dos entrevistados sobre o empreendedorismo como talento nato ou habilidade aperfeiçoada. Gráfico 5 Empreendedorismo como uma característica de talento nato ou uma habilidade aperfeiçoada 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 38% 0% 0% 0% 0% 6% Compreende nada Compreende pouco Compreende mediana 56% 82% Compreende 12% 6% Compreende muito HABILIDADE APERFEIÇOADA TALENTO NATO Fonte: Dados da pesquisa (2013).

58 57 Na representação gráfica acima observa-se que a maioria (82%) acredita que o principal fator de sucesso do empreendedorismo é o talento nato, e 56% acreditam que o sucesso é decorrente de habilidade aperfeiçoada. Mazzi (2012) afirma que o Brasil já é o 3º país com o maior número de empreendedores do mundo, atrás apenas de China e Estados Unidos, segundo dados do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), a autora afirma, ainda, que o brasileiro possui um talento nato e descreve que essa posição refere-se a uma herança cultural de um fenômeno ocorrido no século 19, chamado escravidão de ganho : Na época, a burguesia urbana obrigava seus escravos a procurar proventos na cidade. Alguns roubavam, mas grande parte arriscava, em novos negócios: vendas, serviços, por exemplo. Mesmo os ex-escravos continuavam à margem da sociedade, o que os obrigava a buscar proventos pelo próprio esforço. Estes fenômenos ainda fazem parte da identidade da população, principalmente quando vemos que é muito comum no Brasil associar o trabalho para o outro como escravidão, como prisão, que é preciso ser o 'próprio patrão' (MAZZI, 2012). Embora tropeçando na burocracia para regulamentação do seu negócio, além da educação falha, o ambiente para negócios é ruim, a infraestrutura deficiente e tudo sendo muito caro observa-se que no Brasil existem mais empreendedores por 'oportunidade', pessoas que veem uma deficiência no mercado e a preenchem. O brasileiro é muito persistente e obstinado, e consegue ir além dessas barreiras. Afirma Dornelas (2007) que, apesar de serem várias as definições sobre empreendedorismo, podemos notar que alguns aspectos sobre o empreendedor estão sempre presentes, como iniciativa e paixão pelo negócio, utilização criativa dos recursos disponíveis, aceitação de riscos e possibilidade de fracassar etc. Assim, podemos definir o empreendedor, de maneira abrangente, e, ao mesmo tempo, objetiva, como aquele que faz acontecer, que se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização. O discurso de que o empreendedorismo nasce com o indivíduo vem mudando cada vez mais. Acredita-se que o processo empreendedor possa ser ensinado e entendido por qualquer pessoa, e que o sucesso é decorrente de uma gama fatores internos e externos ao negócio, do perfil do empreendedor e de como ele administra as adversidades encontradas no dia a dia. No item a seguir, questionou-se se o entrevistado compreendia o empreendedorismo como essencial para formar uma pessoa inovadora, agente de

59 58 mudanças e um visionário de oportunidades. As respostas ficaram representadas da seguinte forma: Gráfico 6 Empreendedorismo como um modelo inovador de gestão, agente de mudanças e visionário de oportunidades 80% 70% 60% 69% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 0% 0% 0% 0% Compreende nada Compreende pouco 19% 12% Compreende mediana 44% 19% Compreende 37% Compreende muito AGENTE DE MUDANÇAS VISIONÁRIO Fonte: Dados da pesquisa (2013). Quando questionados sobre o modelo inovador, 69% dos entrevistados veem o empreendedor como um visionário de oportunidades, enquanto 37% o veem mais como um agente de mudanças e 44% relatam compreender mais o empreendedor como agente de mudança do que como visionário. Schumpeter (1988) vê o empreendedor como o agente que inicia as mudanças nesse sistema, originalmente em equilíbrio, e que identifica e gera novas oportunidades, ou seja, o empreendedor, além de visualizar as oportunidades, aparece como importante agente de mudanças, tornando-se peça-chave para o sucesso do empreendimento. Cada organização tem sua própria cultura, embora muitas vezes os costumes, hábitos e mentalidades desenvolvidas na empresa não sejam consideradas como cultura preponderante. Nesse sentido, a questão a seguir procurou verificar como os entrevistados compreendem a cultura dentro da sua organização, e a influência do empreendedor em sua construção e transformação.

60 59 Gráfico 7 A cultura para o empreendedor é construída e transformada por meio de hábitos e mentalidades 32% 12% 12% Compreende nada Compreende pouco Compreende mediana Compreende Compreende muito 44% Fonte: Dados da pesquisa (2013). Constatou-se que a maioria (76%) afirma compreender ou compreender muito sobre esse tema. Para Moran (2009, p.65), a cultura é [...] um padrão de assuntos básicos compartilhados que um grupo aprendeu como maneira de resolver seus problemas de adaptação externa e integração interna, e que funciona bem a ponto de ser considerado válido e desejável para ser transmitido aos novos membros como a maneira correta de perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas. Ou seja, é a maneira costumeira ou tradicional de pensar e fazer as coisas, compartilhada em grande extensão por todos os membros da organização e que os novos membros devem aprender e aceitar para serem aceitos. A cultura organizacional representa as normas informais e não escritas que orientam o comportamento dos membros de uma organização no dia a dia e que direciona suas ações para o alcance dos objetivos organizacionais. No fundo, é a cultura que define a missão e provoca o nascimento e o estabelecimento dos objetivos da organização. A cultura precisa ser alinhada juntamente com outros aspectos das decisões e ações da organização, como planejamento, organização, direção e controle, para que se possa melhor conhecer a organização (MORAN, 2009). O empreendedor não só constrói a cultura na empresa como a transforma e adapta à realidade e às mudanças necessárias para o seu desenvolvimento, consequentemente, alterando hábitos e mudando mentalidades.

61 60 A última questão buscando mensurar a compreensão dos entrevistados sobre O que é empreendedorismo, apresentou-se com o seguinte enunciado: Para ser um empreendedor bem sucedido não basta ter apenas sucesso, precisa gostar do que faz, para que possa ser um especialista naquilo que faz. Dê sua opinião sobre o assunto. Nas respostas obtidas observa-se que a maioria concorda com essa afirmativa, considerando que o prazer deve estar em primeiro lugar, porém, afirmam que [...] não basta só gostar, precisa de algo a mais, ter conhecimento, informações necessárias para que possa gerir o negócio de maneira planejada e organizada. Também deve-se relatar aquele entrevistado que afirmou que: um empreendedor, na minha opinião cobra resultado, independente se gosta ou não do que faz [...]. A satisfação na realização do trabalho é de extrema importância para a organização. Estudos apontam que colaboradores insatisfeitos relatam mais sintomas físicos, como problemas para dormir e dores estomacais, do que seus companheiros satisfeitos (SPECTOR, 2005). Dessa forma, verifica-se também a correlação entre insatisfação e emoções negativas no trabalho, como os transtornos mais repercutidos na atualidade: depressão, síndrome do pânico, ansiedade, entre outros. 5.3 QUALIDADES DO EMPREENDEDOR Esse quadro de questões foi dividido em duas partes distintas: a) Controle finanças, custos e estoques; b) Importância da gestão de pessoas, treinamento, rotatividade e mão de obra. Na primeira parte foram focadas questões relacionadas à gestão organizacional, especialmente, sobre a importância do controle de qualidade na empresa, sobre a importância em preocupar-se com as consequências financeiras e da necessidade de buscar realizar as atividades de forma mais econômica possível.

62 61 Gráfico 8 Importância do controle de qualidade, de preocupar-se com as consequências financeiras e de economizar na realização das tarefas 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 12% 0% 6% 19% Fonte: Dados da pesquisa (2013). 6% 37% 69% 94% 57% Importância média Importante Muito importante CONTROLE DE QUALIDADE CONSEQUÊNCIAS FINANCEIRAS ECONOMIA NA REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES Observa-se que a maioria dos entrevistados acredita ser importante, tanto o controle de qualidade quanto realizar as atividades de forma econômica, ambas pensando nas consequências financeiras decorrentes de seus atos. Trata-se do que se refere o dito popular: vestir a camisa, também chamado de comprometimento. O comprometimento pode ser considerado uma vantagem competitiva para as organizações, e, como bem afirma Oliveira (2009), É caracterizado por uma forte identificação da pessoa com a missão e com os valores da organização. E a pessoa que se identifica desenvolve seu trabalho com maior eficiência e responsabilidade, e colaboradores com essas características são visados pelas empresas, haja vista que não existe mais espaço no mercado para pessoas sem comprometimento, cujo maior compromisso é o de passar o cartão no relógio ponto e cumprir rotinas. A representação gráfica a seguir refere-se à seguinte questão: Você pensa ser importante que o empreendimento do setor madeireiro de esquadrias seja o principal ramo de atividades na região? Levantou-se esse questionamento buscando conhecer a opinião dos entrevistados sobre a tradição madeireira que envolve a região, haja vista que, nos dias atuais, praticamente toda a economia regional ainda gira em torno da indústria madeireira.

63 62 Gráfico 9 Importância de o empreendimento do setor madeireiro de esquadrias ser o principal ramo de atividades da região 19% 6% 25% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante 50% Fonte: Dados da pesquisa (2013). Constatou-se que metade da população entrevistada (50%) acredita na importância desse setor para essa região. 25% veem pouca importância e 6% acreditam não ter importância alguma. Nenhum entrevistado afirmou ser muito importante. Os números relacionados nesta pesquisa mostram uma realidade já verificada empiricamente: que nem mesmo aqueles que atuam no ramo madeireiro acreditam em seu potencial. Nota-se a ausência do fator confiança nos empreendedores do ramo madeireiro da região. Putnam (1996) agrega a confiança como fator fundamental para que exista a cooperação, a solidariedade e o espírito público. Para ele, confiança, normas e redes poderiam melhorar a eficiência da sociedade. Estabelece relações claras entre o capital social e sua importância para a cooperação espontânea, assinalando que a confiança se alimenta da própria confiança, potencializando-se tanto quanto mais é utilizada. A região citada aqui, há não muito tempo, possuía muitas empresas extrativistas, explorando as riquezas naturais, sem preocupar-se com as consequências a longo prazo. A medida que a matéria-prima foi-se tornando escassa, as empresas iniciaram um processo de recessão, e muitas deixaram de existir. Esse sentimento de possuir a riqueza nas mãos e vê-la desaparecer deixou os empreendedores receosos, desmotivados e pouco confiantes em sua própria capacidade de dar a volta por cima. Esse sentimento de inferioridade e de poucas

64 63 perspectivas pode ser comprovado também na questão seguinte, em que foi perguntado: Você pensa ser importante ter previsões ou metas de crescimento para exportações? : Gráfico 10 Importância de ter previsões ou metas de crescimento para exportações 19% 12% 25% 44% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante Fonte: Dados da pesquisa (2013). Quando questionados sobre a previsão das metas, 44% dos entrevistados afirmaram ser de importância média almejar o crescimento para exportações, 25% acreditam ser importante. Nenhum entrevistado acreditou ser muito importante. Essas constatações mostram o reflexo da situação citada anteriormente. Se não acreditam em seu potencial para mudar uma realidade, também não apresentam perspectivas de crescimento, seja por meio de exportações ou outra forma. As questões que seguem referem-se à gestão de pessoas, em que se buscou conhecer a opinião dos empreendedores sobre treinamento, rotatividade e mão de obra de seus colaboradores. A primeira questão desse bloco tem o seguinte enunciado: Qual a importância das habilidades e talentos na mão de obra de seus colaboradores?. Foi obtida a seguinte representação gráfica:

65 64 Gráfico 11 Importância das habilidades e talentos na mão de obra dos colaboradores 6% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante 94% Fonte: Dados da pesquisa (2013). A maioria absoluta (94%) acredita ser muito importante detectar e trabalhar com as habilidades e talentos dos seus colaboradores. Considere-se habilidade, a [...] transformação de conhecimento em resultado, ou seja, forma de como o colaborador utilizará e aplicará o conhecimento para resolver problemas ou situações ou criar e inovar (CHAVENATO, 2010, p.52). Nessa afirmação, pode-se concluir que, mesmo o empresário investindo em seu colaborador, financiando cursos de especializações em suas área de atuação, o resultado pode não ser convertido em conhecimento dentro da empresa. Em relação ao talento, é importante salientar que, numa organização, ter pessoas não quer dizer necessariamente ter talentos. Talento é uma qualidade especial da pessoa, um diferencial, além de que, muitas vezes, as pessoas podem possuir um talento especial e estar atuando em local errado, onde esse seu talento nunca venha a aflorar, daí a importância do treinamento, no treinamento podem ser detectadas as principais características dos colaboradores, assim como seus pontos fracos, aqueles que necessitarão de mais atenção posteriormente. Na questão seguinte, com o seguinte enunciado: Você acha importante dar treinamento e qualificação a seus colaboradores?, procurou-se conhecer a opinião dos gestores no que diz respeito ao treinamento e qualificação:

66 65 Gráfico 12 Importância de dar treinamento e qualificação aos colaboradores 37% 63% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante Fonte: Dados da pesquisa (2013). Constatou-se que a maioria (63%) acredita ser muito importante a empresa investir no treinamento e qualificação dos seus colaboradores. Por mais que a empresa sobreviva dos bens produzidos ou dos serviços prestados, as pessoas constituem o seu principal patrimônio. Como afirma Chiavenato (2010), o capital humano das organizações vai desde o operário até o mais alto executivo, e ambos são vitais para o sucesso do negócio. Empresas bem sucedidas investem no treinamento e na qualificação de suas equipes de trabalho, e gestores de visão procuram manter um ótimo relacionamento intrapessoal, gerando um ambiente favorável e socialmente de qualidade, como já foi apontado, em pesquisas, que as pessoas buscam trabalhar em locais onde se sintam, bem, mesmo não tendo ótimos salários; haja vista que o bem-estar pessoal vem antes das questões financeiras. A questão a seguir procurou conhecer a opinião dos entrevistados sobre o fator rotatividade dentro da empresa, onde foram questionados: Você se preocupa quando há um alto índice de rotatividade?.

67 66 Gráfico 13 Preocupação quanto ao alto índice de rotatividade 32% 12% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante 56% Fonte: Dados da pesquisa (2013). A alta rotatividade de pessoal traz poucos aspectos positivos para a organização, que sofre com a quebra no processo a cada entrada e saída de colaboradores, sem contar com o custo gerado a cada saída de um colaborador treinado. Embora afirme Chiavenato (2010) que o volume e duração das ausências (absenteísmo) estão relacionados com a satisfação no trabalho, um controle de ausência eficaz gera menor rotatividade. Na demonstração acima, nota-se que os entrevistados não se deram conta dessa realidade, pois apenas 32% acham muito importante, ou, nessas empresas existe um baixo índice de rotatividade, por tratarse de um ambiente que gera uma satisfação maior aos colaboradores, ou os gestores não se deram conta do transtorno (inclusive financeiro) que causa tal problemática. De acordo com Chiavenato (2010), a alta rotatividade de determinados setores prejudica as empresas de diversas maneiras. São perdidas horas de trabalho, na constante admissão e demissão de empregados, que exige tempo da Administração de Pessoal devido à burocracia brasileira. Além disso, o investimento em treinamento não tem retorno, pois o colaborador aprende e se desliga ou é desligado em seguida, havendo carência de novos treinamentos aos recémadmitidos. Geralmente setores com baixa remuneração, como chão de Fábrica, são os mais prejudicados, pois o colaborador sabe que, ganhando um salário baixo, garante a mesma remuneração em outro emprego. Devido ao cansaço e ao stress

68 67 de trabalhar em domingos e feriados, os colaboradores acabam optando por ganhar o mesmo em setores mais "tranquilos". A próxima questão trouxe como temática o relacionamento colaborador/empresário, com o seguinte enunciado: Qual a importância do relacionamento do empresário na gestão de pessoas, relacionado à produtividade?. Gráfico 14 Importância do relacionamento do empresário na gestão de pessoas, relacionado à produtividade 32% 68% Sem importância alguma Pouca importância Importância média Importante Muito importante Fonte: Dados da pesquisa (2013). Colaboradores satisfeitos produzem mais e melhor, pesquisas mostram que questões financeiras não garantem satisfação, são vários fatores que influenciam. Entre eles, pode-se citar o bom relacionamento com a chefia. O gráfico acima mostra que 68% dos entrevistados acreditam que é muito importante o bom relacionamento do empresário com seus colaboradores, podendo influenciar na produção da empresa, e 32% afirmaram ser importante, levando a crer que acreditam que outros fatores interferem mais na produção que essa participação e bom relacionamento. Chiavenato (2010) relata a importância de existir uma boa comunicação entre o empresário (aqui representado pela gerência) e os colaboradores, em todos os níveis, afirma: [...] as relações com empregados deve fazer parte da filosofia da organização: a organização deve tratar seus empregados com respeito e deve oferecer meios de atender às suas necessidades pessoais e familiares (2010, p. 443).

69 68 Finalizando a sessão sobre as qualidades do empreendedor, por meio de uma questão aberta, procurou-se conhecer como as empresas realizam o recrutamento de seus colaboradores, em que foi possível constatar que a maioria recruta por meio do recebimento de currículos e posterior consulta ao histórico de empregos anteriores. 5.4 PARTICIPAÇÃO EM REDES, ASSOCIAÇÕES E APL s O bloco de perguntas a seguir teve como temática a participação dos entrevistados em redes, associações e afins, com o objetivo de buscar inovações para o seu segmento. A primeira pergunta realizada foi a seguinte: A sua empresa participa de algum tipo de associação como: Sindicato, Redes, APLS e Associação Comercial? Gráfico 15 Participação da empresa e do empresário em algum tipo de associação 60% 51% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 37% 38% 25% 19% 12% 6% 6% 6% 0% PARTICIPAÇÃO DA EMPRESA PARTICIPAÇÃO DO EMPRESÁRIO Não participa Participa pouco Participação mediana Participa às vezes Participa sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). No gráfico acima observa-se que 51% das empresas sempre participam de associações, porém, apenas 38% dos entrevistados declarou participar, às vezes, das reuniões dessas associações e 19% sempre participam. Considera-se um percentual baixo, haja vista que a tendência entre as pequenas e médias empresas é o associativismo. Nesse ambiente, uma das formas de competição e diferenciação, tanto do processo produtivo quanto de produtos, e serviços, é a formação de redes de cooperação entre empresas do mesmo setor. De certa forma,

70 69 esse tipo de associativismo desenvolve apoio e incentivo aos empresários em inovar e gerar mudanças, tanto no processo produtivo, quanto ao relacionamento e confiança entre si, como afirma Araújo (2000). Por outro lado, Pereira et al (2005) apud Silva (2007) ressaltam que todas as empresas não devem, necessariamente, participar de uma rede de cooperação para crescer, no entanto, acredita-se que essa forma de associação alavancaria a sua estrutura, possibilitando um crescimento mais rápido e seguro. Observa-se que as empresas aqui entrevistas caminham na contramão do progresso (ou sobrevivência) do setor. Na questão seguinte, os participantes da pesquisa foram questionados se a participação nesses órgãos traz vantagens ou desvantagens para a economia local e regional, apresentando a requinte representação gráfica: Gráfico 16 Vantagens ou desvantagens trazidas pela participação em associação para a economia local e regional 6% 57% 37% Desvantagem Vangagem mínimas Vantagem mediana Muitas vantagens Fonte: Dados da pesquisa (2013). Embora as empresas participem pouco das associações, como constatado no gráfico 15, reconhecem a existência de muitas vantagens dessa prática para a economia local e regional, representando o maior percentual, 57%. É importante que as empresas reconheçam a importância dessas práticas, porque, ao fazer parte de alguma forma de associação, o alinhamento de interesses em uma ação coletiva não reside na equivalência do interesse próprio dos indivíduos, mas, na constatação de que os indivíduos têm necessidades comuns, que só podem ser atendidas por meio de ações conjuntas (PEREIRA; PEDROSO, 2005).

71 70 Gráfico 17 Participação em estratégias competitivas e políticas públicas ligadas às associações 50% 45% 40% 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% 19% 19% 37% 6% 6% ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS Fonte: Dados da pesquisa (2013). 6% 25% 44% 19% 19% POLÍTICAS PÚBLICAS Não participa Participa pouco Participação mediana Participa às vezes Participa sempre Observa-se que 37% dos entrevistados declararam participar, às vezes, de estratégias competitivas junto às associações, enquanto 44% declararam também participar às vezes de políticas públicas voltadas às redes, associações e APLS. Considera-se esse percentual alto, já que aos questionados informalmente sobre a que tipo de estratégias e políticas públicas estavam se referindo, foram bastante evasivos e demonstraram pouco conhecimento sobre essa temática, o que já era esperado, considerando o baixo índice de participação dos empresários, e a trajetória da cultura regional observada empiricamente. Pode-se considerar que a cultura regional gera relacionamentos entre empresários que formam as associações, formando um circulo fechado e impenetrável, e um dos fatores que influenciam esse aspecto, e culminam na ausência da participação dos empresários, é a falta de confiança e pensamento independente de alguns para inovação de produtos; redução de preço no produto disponibilizado no mercado, aquisição de máquinas e equipamentos, ou seja, melhorias estruturais adquiridas pelo envolvimento em uma rede de cooperação. Putnam (1996, p.179) afirma que a confiança é uma das formas de capital social, [...] cuja oferta aumenta com o uso, em vez de diminuir, e que se esgotam se não forem utilizados. Ou seja, quanto mais os empresários confiarem uns nos outros, maior será a confiança mútua, aumentando, dessa forma, a cooperação e alcançando melhores resultados.

72 71 O próximo grupo de questões referem-se à aceitação de inovações tecnológicas. Na primeira questão, questionou-se: Como é a aceitação do relacionamento entre as empresas do setor de esquadrias para: aquisição de qualificação de mão de obra; matéria-prima? Gráfico 18 Aceitação de relacionamento entre as empresas do setor de esquadrias para aquisição de qualificação de mão de obra e matéria-prima 12% 6% 25% 45% 12% Não aceita Aceita pouco Aceitação mediana Aceita às vezes Aceita sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). Contatou-se que 45% dos entrevistados afirmaram que às vezes as empresas do setor de esquadrias relacionam-se com o objetivo de qualificação de mão-de-obra e matéria-prima. A elucidação dessas respostas veio com a questão aberta, que fechou o bloco: Existem programas (Sebrae, Emater, Associação Comercial e Sindicato da Madeira) de informação sobre capacitação tecnológica nas Gêmeas do Iguaçu?, em que 50% dos entrevistados afirmaram existir programas desse tipo, oferecidos pelas seguintes associações: Sebrae, Sindicato Patronal da Madeira, ACIUV (Associação Comercial e Industrial de União da Vitória), APL da Madeira e Emater. Não foi relatada a participação das Instituições de Ensino Superior nesse processo. Kohut (2008) afirma que a maioria das empresas do setor de esquadrias da região apresentam desatualização de mão de obra, baixa capacitação tecnológica e maquinário obsoleto, desatualização dos gestores, pouca aceitação em participar de feiras setoriais, fraca interação entre as empresas, falta de planejamento, pouca cooperação, recursos financeiros escassos, baixa atividade de P&D, falta de

73 72 financiamentos, reduzido capital de giro. Tais fatores contribuem para aumentar a mortalidade delas. Nesse sentido, o baixo índice apresentado no gráfico acima mostra poucas perspectivas de melhoria desse setor. Essa afirmação pode ser comprovada pela demonstração gráfica abaixo, referente à questão: Como sua empresa aceita a inovação?. Gráfico 19 Aceitação da empresa à inovação 25% 50% Não aceita Aceita pouco Aceitação mediana Aceita às vezes Aceita 25% Fonte: Dados da pesquisa (2013). No conceito de empreendedor, nota-se que a palavra inovação aparece com destaque, trata-se da sua principal atitude: gerar e buscar a inovação dos produtos, serviços e processos produtivos. Observando o gráfico acima, nota-se que metade (50%) dos entrevistados declarou sempre aceitar as inovações. Considera-se esse percentual baixo, já que as ideias inovadoras e criativas são a base de sustentação das empresas de pequeno e médio porte para permanecerem competitivas no mercado. Seria possível justificar o baixo percentual ao que os empresários pensam constituir precisamente a inovação, como afirmam Mattos e Guimarães (2010, p.7): [...] pensa-se na inovação como na criação de um produto ou processo melhor. No entanto, ela poderia ser tão simplesmente a substituição de um material por um outro mais barato em um produto existente, ou uma maneira melhor de comercializar, distribuir ou apoiar um produto ou serviço. Tal afirmação pode ser constatada na demonstração gráfica abaixo, referente à questão: Aceitação de utilização de ferramentas de tecnologias para planejamento da empresa.

74 73 Gráfico 20 Aceitação de utilização de ferramentas de tecnologias para planejamento da empresa 12% 63% 25% Não aceita Aceita pouco Aceitação mediana Aceita às vezes Aceita sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). Observa-se a maioria (63%) afirmam aceitar sempre a utilização de ferramentas de tecnologias para o planejamento da empresa. O planejamento é um processo em que se pensa sobre o futuro e suas alternativas. Que ações podem levar a que estado futuro, que reações são esperadas para cada ação. É a definição de um futuro desejado e viável e a busca por uma maneira de atingi-lo. Oliveira (2001) define planejamento como um processo de pensamento contínuo sobre o futuro, um processo que envolve um modo de pensar, que por sua vez, envolve indagações, que envolvem questionamentos sobre o que fazer. O processo em si é mais importante que seu fim o plano. Novas tecnologias, aliadas a um bom planejamento, podem permitir uma produção mais eficiente. Na questão a seguir, procurou-se conhecer a opinião dos entrevistados sobre as expectativas que a empresa tem quanto a ações inovadoras no setor de esquadrias.

75 74 Gráfico 21 Aceitação de expectativas que a empresa tem quanto a ações inovadoras no setor de esquadrias 25% 50% Não aceita Aceita pouco Aceitação mediana Aceita às vezes Aceita 25% Fonte: Dados da pesquisa (2013). Observando o resultado das questões anteriores, era esperado que 50% dos entrevistados afirmassem aceitar as ações inovadoras no setor de esquadrias. O percentual restante ficou dividido entre aceita às vezes e aceitação mediana. Os empresários do setor de esquadrias mostraram-se apáticos e descrentes ao tratar do fator expectativa, por um fator descrito acima, chamado confiança. Fukuyama (2000) afirma que a confiança entre risco, quando o empresário coloca como centro da sua discussão o individualismo, como a virtude básica das sociedades modernas, quanto mais tornam-se autossuficientes, menos disposição apresentam para associar-se, e quanto menos se associam, menores são as possibilidades de produzirem cooperando, afinal, uma condição sine qua non para confiança é o coletivismo. 5.5 SUSTENTABILIDADE No último bloco de questões, procurou-se mensurar o conhecimento dos entrevistados sobre o tema sustentabilidade, buscando conhecer a postura dos empreendedores, quando o assunto é melhoria contínua e qualidade nos serviços, produtos e processos. A primeira questão trouxe a seguinte argumentação: Para desenvolver meus projetos ou atividades, sei quanto preciso de recursos materiais,

76 75 humanos e financeiros? Gráfico 22 Para desenvolver meus projetos ou atividades sei quanto preciso de recursos materiais, humanos e financeiros 19% 43% Não sei Sei pouco Sei às vezes Sempre sei 38% Fonte: Dados da pesquisa (2013). O planejamento é peça-chave para o crescimento de uma empresa, pois ele reflete em aspectos positivos e lucrativos, objetivando grandes chances de crescimento. É a base de tudo, antes de executar qualquer ação tem que haver o planejamento, para evitar desperdício de tempo, materiais e recursos. No gráfico acima, observa-se que 43% dos entrevistados afirmaram sempre saber a melhor forma de maximizar o tempo e os recursos, e 19% afirmaram saber pouco sobre esse tema, o que pode ser bastante preocupante, ora que a população entrevistada foi formada pelos gestores das empresas. Muitos empresários ainda acreditam que planejamento é coisa de grande empresa. Mesmo informalmente, o planejamento é fundamental para a conquista de metas e objetivos. Afirma Drucker (2002): "O planejamento não é uma tentativa de predizer o que vai acontecer. O planejamento é um instrumento para raciocinar agora, sobre que trabalhos e ações serão necessários hoje, para merecermos um futuro. O produto final do planejamento não é a informação: é sempre o trabalho". A representação gráfica a seguir traz dois aspectos relevantes, o primeiro diz respeito à utilização de outras tecnologias para o desenvolvimento do seu produto e/ou o desenvolvimento de projetos industriais ou desenhos industriais associados a produtos/processos tecnologicamente novos.

77 76 Gráfico 23 Desenvolvimento e aquisição de outras tecnologias 60% 50% 40% 44% 44% 38% 50% Não desenvolve 30% Desenvolve pouco Desenvolve mediana 20% Desenvolve as vezes 10% 0% 12% 0% UTILIZA OUTRAS TECNOLOGIAS 6% 6% DESENVOLVE PROJETOS NOVOS Desenvolve sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). Registrou-se que 44% dos entrevistados sempre se utilizada de outras tecnologias (software, licenças ou acordos de transferência) e também 44% relatou utilizar às vezes. Enquanto a maioria, 50% afirmou desenvolver projetos ou desenhos industriais associados a produtos/processos tecnologicamente novos. De acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI, 2011), transferência de tecnologia é o Processo através do qual um conjunto de conhecimentos, habilidades e procedimentos aplicáveis aos problemas da produção são transferidos, por transação de caráter econômico, de uma organização a outra, ampliando a capacidade de inovação da organização receptora. A transferência de conhecimento técnico ou cientifico (por exemplo: resultados de pesquisas e investigações científicas), em combinação com fatores de produção, pode ser entendido como processo de tornar disponível para indivíduos, empresas ou governos, habilidades, conhecimentos, tecnologias, métodos de manufatura, tipos de manufatura e outras facilidades. Esse processo tem como objetivo assegurar que o desenvolvimento científico e tecnológico seja acessível para uma gama maior de usuários, que podem desenvolver e explorar a tecnologia em novos produtos, processos aplicações, materiais e serviços. Ao analisar essa questão e a questão a seguir, que questiona: A aquisição de máquinas e equipamentos implicaram significativas melhoras tecnológicas?, verifica-se que, embora a maioria afirme que desenvolve seus próprios produtos, 38% afirmaram que não, necessariamente, a aquisição de maquinário implica melhoria tecnológica. Observe-se a representação gráfica:

78 77 Gráfico 24 A aquisição de máquinas e equipamentos implicarão significativas melhoras tecnológicas? 38% 62% As vezes Sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). Constatou-se certo desacordo nas respostas das questões acima formuladas: se 44% dos entrevistados se utilizam de outras tecnologias, 50% desenvolvem projetos novos, então, a aquisição de máquinas e equipamentos deve significar melhorias tecnológicas, já que o desenvolvimento de produtos ou processos novos envolve diretamente a utilização também de novas tecnologias. A melhoria da qualidade e competitividade do setor de esquadrias de madeira depende da inserção de novas tecnologias. Empiricamente observa-se que as empresas do setor organizam-se para viagens (inclusive internacionais), com o objetivo de conhecer novas tecnologias e, ao retornarem às suas empresas, acabam adquirindo tecnologia descartada de grandes empresas, não revertendo em inovações para o setor. Como afirma Porter (1992): a inovação tecnológica desempenha um papel importante na mudança estrutural da indústria, bem como na criação de novas indústrias e novos produtos, dessa forma, reutilizando tecnologias descartadas não gera inovações. Assim, para que uma inovação tecnológica possa ser considerada valiosa, é necessário que seja capaz de afetar a vantagem competitiva de uma empresa e a estrutura industrial na qual está inserida. A questão a seguir refere-se às novas formas de comercialização e distribuição para o mercado de novos produtos, ficando, dessa forma, a representação gráfica:

79 78 Gráfico 25 Novas formas de comercialização e distribuição para o mercado de produtos novos 6% 44% 50% Não desenvolve Desenvolve pouco Desenvolve mediana Desenvolve as vezes Desenvolve sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). Verificou-se que 50% dos entrevistados afirmaram buscar sempre novas formas de distribuição dos seus novos produtos para o mercado, seguindo uma tendência mundial. Todos afirmaram buscar as novas tecnologias como aliadas para esse processo. De acordo com Porter (1992), quando as empresas se preocupam em ser competitivas, devem observar os principais fatores para seu desenvolvimento, considerando suas vantagens, ou pontos fortes, sendo eles: a influência dos fornecedores, a organização interna da empresa, os canais de distribuição e o comprador, e esses elementos influenciam no desempenho geral da organização. Nos últimos anos tem crescimento o mercado da construção civil no Brasil, o que tem necessitado também aumento da demanda por novas tecnologias, o que pode representar para o setor de esquadrias novas formas de inserção no mercado, e num mundo globalizado pelas redes. As fronteiras para os negócios deixaram de existir, assim como aumentou a necessidade de atualizar constantemente as formas de distribuição e apresentação dos produtos a esse novo mercado, o que vai ao encontro da questão seguinte, que trata da sustentabilidade nos processos, a questão argumenta: Sua empresa desenvolve metas para o plantio de matériaprima?.

80 79 Gráfico 26 Desenvolvimento de metas pela empresa para o plantio de matériaprima 12% 12% 51% 19% 6% Não desenvolve Desenvolve pouco Desenvolve mediana Desenvolve as vezes Desenvolve sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). Buscar a sustentabilidade deve fazer parte das metas de todas as empresas, pensar diferente é estar andando na contramão do progresso. Na representação acima constata-se que 51% dos entrevistados afirmaram sempre desenvolver metas para o desenvolvimento sustentável, por meio do plantio ou associação ao plantio de matéria-prima, 12% afirmou não desenvolver. Os números mostram que o desenvolvimento sustentável da região anda a passos lentos, porém a emergência da preocupação com a sustentabilidade no planejamento estratégico da empresa e dos governos é uma realidade. Avanços ainda são necessários, mas o caminho já está identificado e não há retorno possível. De acordo com estudo setorial da Abimci (2007, apud VITAL, 2009), as florestas nativas no país sofrem exploração predatória. Nesse sentido, o manejo sustentável de florestas públicas, previsto na Lei /2006, surge como meio de atenuar os malefícios desse tipo de exploração. As plantações brasileiras de eucalipto estão concentradas em Minas Gerais (29%), São Paulo (22%), Bahia (15%), Espirito Santo (6%) e Rio Grande do Sul (6%), nos biomas cerrado, mata atlântica e pampa. Já as plantações brasileiras de pinus estão concentradas no Paraná (39%), Santa Catarina (30%), Rio Grande do Sul (10%), Minas Gerais (8%) e São Paulo (8%). Nos últimos anos, o setor florestal brasileiro tem apresentado considerável elevação da produtividade de suas florestas, graças a técnicas de

81 80 clonagem e de estudos que diagnosticam os principais fatores para elevação da produtividade das plantações. Os plantios com pinus no Brasil fizeram parte de uma estratégia de desenvolvimento na década de 1960, implementada por meio de incentivos fiscais para plantios florestais, visando garantir os suprimentos de matéria-prima para a indústria madeireira, e é considerado um marco na silvicultura brasileira. Os incentivos perduraram até 1986 e sustenta até os dias de hoje a cadeia produtiva da madeira, a qual tem participação fundamental na economia do País. Estima-se que atualmente 3 mil empresas no Brasil, localizadas principalmente nas regiões Sul e Sudeste, utilizam espécies de pínus nos seus processos produtivos, envolvendo mais de 600 municípios, tendo um forte apelo social como atividade ambientalmente adequada para a conservação dos solos, dos animais e da água (SOCIEDADE BRASILEIRA DE SILVICULTURA, 2007). Ainda com enfoque na sustentabilidade, a questão a seguir buscou conhecer como as empresas trabalham questões como gestão da qualidade e modernização organizacional, tais como: certificação de qualidade, reengenharia de processos. Gráfico 27 Desenvolvimento de programas de gestão da qualidade ou de modernização organizacional 32% 6% 18% 12% Não desenvolve Desenvolve pouco Desenvolve mediana Desenvolve as vezes Desenvolve sempre 32% Fonte: Dados da pesquisa (2013). Em concordância com o gráfico anterior, constatou-se que 32% desenvolve, às vezes, e, desenvolve sempre, enquanto 6% não desenvolve. Os

82 81 números são reflexo da questão anterior, em que apenas metade das empresas possui metas para o desenvolvimento sustentável, porém a ausência de programas, como certificação de qualidade e modernização organizacional, reflete o baixo índice de crescimento do setor, tendo sua principal razão na falta de perspectivas de crescimento e consequente estagnação do setor. Na última questão fechada da pesquisa, questionou-se: Sua empresa desenvolve programas de treinamento orientado à introdução de produtos/processos tecnologicamente novos ou significativamente melhorados?. Gráfico 28 Programas de treinamento orientado à introdução de novas tecnologias de produtos/processos 25% 18% 32% 25% Não desenvolve Desenvolve pouco Desenvolve mediana Desenvolve as vezes Desenvolve sempre Fonte: Dados da pesquisa (2013). Para o treinamento e desenvolvimento de novas tecnologias, 32% dos entrevistados afirmaram desenvolver, às vezes, programas de treinamento, 25% declararam desenvolver sempre, o que confirma a falta de investimentos no setor. A falta de preparo dentro de uma empresa pode provocar sérios prejuízos. Se o objetivo é melhorar a qualidade do resultado esperado, o treinamento torna-se uma necessidade, representando mais do que um simples custo, é um grande investimento, que se constatou nesta pesquisa, que na maioria das empresas não está ocorrendo, ou não de forma satisfatória, como afirma Chiavenato (2010, p.135): O aumento da competitividade, aliado ao contínuo avanço da tecnologia, faz com que as empresas passem a se preocupar com o frequente aperfeiçoamento de seus colaboradores. Podemos dar à empresa o que ela espera, força capaz de ajudá-la

83 82 na tarefa de maximizar resultados, minimizar custos e otimizar os recursos humanos disponíveis. Finalizando a pesquisa, os empresários foram questionados sobre a empresa desenvolver ou não ações interativas e de cooperação, visando ao desenvolvimento de processos inovadores, obtendo-se a seguinte representação gráfica: Gráfico 29 Ações interativas e de cooperação, visando ao desenvolvimento de processos inovadores 19% 25% 56% Ás vezes Sempre Nunca Fonte: Dados da pesquisa (2013). Comprovando as afirmações elencadas acima, verificou-se que 56% dos entrevistados afirmaram que às vezes promovem ações interativas; 25% sempre, e 19% nunca, confirmando as razões da estagnação do setor, a partir do momento que não se investe em processos inovadores, limita-se à mediocridade e à falta de perspectivas de crescimento e desenvolvimento.

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