Desafios da Indústria e da Política de Desenvolvimento Produtivo

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1 Desafios da Indústria e da Política de Desenvolvimento Produtivo Josué Gomes da Silva IEDI Seminário Internacional: A Hora e a Vez da Política de Desenvolvimento Produtivo BNDES / CNI CEPAL / OCDE 22/09/2009

2 Relevância da Industrialização Para o Desenvolvimento Econômico Brasileiro Poucos países alcançaram a condição de desenvolvimento econômico-social sem um largo e intenso processo de industrialização. Foi não apenas o caso originário de industrialização, a Inglaterra, mas também: Da Alemanha e Japão em seguida à segunda guerra mundial. Dos países de nova industrialização, como a Coréia. É o caso da China nos dias atuais.

3 Relevância da Industrialização Para o Desenvolvimento Econômico Brasileiro A indústria é o segmento da economia com maior capacidade de fazer crescer o valor adicionado per capita, condição essencial para a melhoria de vida da população principalmente de um país de dimensões continentais e com grande população como o Brasil.

4 Relevância da Industrialização Para o Desenvolvimento Econômico Brasileiro Graças a um forte impulso do crescimento industrial desde a crise de 1929 e, em seguida, um forte processo de industrialização entre as décadas de 1950 e 1970, o Brasil teve um excepcional desempenho econômico. Foi o segundo país de maior crescimento no século passado (primeiro: Taiwan); Contudo nas três últimas décadas o processo de desenvolvimento industrial foi baixo em média e oscilou significativamente entre etapas de industrialização e períodos de decréscimo da participação da indústria. Além disto ocorreu involução dos segmentos industriais mais dinâmicos e sofisticados (química e equipamentos, material de transporte e eletro-eletrônico) que hoje têm menor peso na estrutura da produção industrial do que tinham em O mesmo pode ser dito da participação deste setores na nossa pauta de exportação.

5 Relevância da Industrialização Para o Desenvolvimento Econômico Brasileiro Em grande parte desse período o país deixou de aplicar políticas industriais e de desenvolvimento, enquanto os países, sobretudo os chamados emergentes, praticavam e praticam essas políticas. Neste período ouvíamos, com freqüência, as nações desenvolvidas como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão, França e Suécia que desaconselhavam aos países emergentes como o Brasil políticas de desenvolvimento que elas próprias aplicam no presente e que já aplicaram no passado. É a atitude do faça o que digo, mas não o que eu faço ou já fiz. Entre as ações não-recomendadas estão, por exemplo, subsídios à atividade industrial e à exportação. A análise é do professor da Universidade de Cambridge Ha-Joon Chang. Em resumo, ele critica o fato de países desenvolvidos e organizações internacionais pressionarem para que as nações em desenvolvimento não façam uso de políticas estratégicas.

6 Relevância da Industrialização Para o Desenvolvimento Econômico Brasileiro O baixo crescimento médio do PIB brasileiro nas décadas de 80 e 90 e nos primeiros 4 anos da atual década reflete esse bloqueio da industrialização do país. Mas o atual governo alterou este quadro. Em primeiro lugar quando em 2004 lançou, ainda de forma tímida, a sua primeira política industrial: a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (PITCE). Com limitações tanto pelo lado dos setores priorizados (apenas quatro: software, bens de capital, fármacos e componentes eletrônicos), quanto pelo lado dos instrumentos utilizados. Mesmo assim, a PITCE apresentou pontos positivos, pois criou programas que colaboraram para impulsionar segmentos importantes da economia (como programas para o financiamento de software e bens de capital e a legislação que instituiu incentivos para a indústria de componentes eletrônicos) e instituições capazes de colaborar mais intensamente com a política industrial, como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).

7 Relevância da Industrialização Para o Desenvolvimento Econômico Brasileiro O baixo crescimento médio do PIB brasileiro nas últimas três décadas reflete esse bloqueio da industrialização do país. Mas o atual governo alterou este quadro. E de forma mais decidida na sua segunda metade, em 2007, quando lançou a Política de Desenvolvimento Produtivo, mudando esse quadro. Juntamente como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um programa de investimentos em infraestrutura, contribuiu para que o Brasil voltasse a ter uma estratégia de desenvolvimento.

8 A Política Industrial Moderna e a PDP A PDP de 2007 contempla os temas mais importantes de uma política industrial e estabelece metas quantitativas para que possa ser avaliada a sua implementação. A Política de Desenvolvimento Produtivo de maio de 2007 estabeleceu como objetivo central dar sustentabilidade à expansão da economia e definiu como objetivos particulares incentivar e ampliar os investimentos produtivos, elevar as taxas de crescimento da economia brasileira e permitir que tal crescimento se dê em bases sustentáveis. Definiu como desafios a ampliação da capacidade de oferta na economia, a elevação da capacidade de inovação das empresas, a preservação da robustez do balanço de pagamentos e o fortalecimento das MPE. Em linhas gerais, a Política inclui renúncia fiscal com incentivos ao investimento, P&D e exportações, e financiamentos, pelo BNDES, para projetos de ampliação, modernização e de inovação na indústria e no setor de serviços. Programas da Finep complementam os esforços em P&D.

9 A Política Industrial Moderna e a PDP A PDP de 2007 contempla os temas mais importantes de uma política industrial e estabelece metas quantitativas para que possa ser avaliada a sua implementação. Macrometas. A serem atingidas em 2010: Ampliar a participação do investimento no PIB: de 17,6% em 2007 (R$ 450 bilhões) para 21% em 2010 (R$ 620 bilhões), o que representa um crescimento anual médio de 11,3% entre ; Estimular a inovação ao elevar a participação dos gastos privados de P&D no PIB: de 0,51% em 2005 (R$ 11,5 bilhões) para 0,65% em 2010 (R$ 18,2 bilhões), alcançando um crescimento anual médio de 9,8% entre ; Aumentar a participação das exportações brasileiras no total das exportações mundiais: de 1,18% em 2007 (R$ 160,6 bilhões) para 1,25% em 2010 (R$ 208,8 bilhões), um crescimento anual médio de 9,1% entre ; Aumento do número de MPEs Exportadoras: aumento de 10% em relação às de MPEs existentes em 2006, ou ainda, MPEs exportadoras em A fim de que as macrometas sejam atingidas, no que cabe ao governo, serão utilizados quatro instrumentos específicos: Instrumentos de incentivo: crédito e financiamento, capital de risco e incentivos fiscais; Poder de compra governamental: compras da administração direta e de empresas estatais (Compras Petrobras, p.ex.); Instrumentos de regulação: técnica, sanitária, econômica e concorrencial (ANS/MS CMED: Regulação Preços); Apoio técnico: certificação e metrologia, promoção comercial, gestão da propriedade intelectual, capacitação empresarial e de recursos humanos, coordenação intragovernamental e articulação com o setor privado (INMETRO: Programa de certificação).

10 A Política Industrial Moderna e a PDP A PDP de 2007 contempla os temas mais importantes de uma política industrial e estabelece metas quantitativas para que possa ser avaliada a sua implementação. A Política de Desenvolvimento Produtivo traz cinco programas estratégicos mais globais, chamados de Programas para Destaques Estratégicos, os quais tratam de questões que se julgam fundamentais para desenvolver a indústria e o País, perpassando diversos complexos produtivos. Ampliação das exportações. Regulamentação das Zonas de Processamento de Exportações - ZPEs, a ampliação do financiamento do BNDES às exportações dos setores intensivos em mão-de-obra, por meio do Novo Revitaliza, e o aperfeiçoamento dos Programas de Financiamento às Exportações (PROEX Equalização e PROEX Financiamento). Fortalecimento das micro e pequenas empresas. Regulamentação da Lei Geral das MPEs, fortalecimento de atividades coletivas e fomento de atividades inovadoras.

11 A Política Industrial Moderna e a PDP A PDP de 2007 contempla os temas mais importantes de uma política industrial e estabelece metas quantitativas para que possa ser avaliada a sua implementação. Regionalização. Articulação à Política Nacional de Arranjos Produtivos Locais e promoção de atividades produtivas no entorno de projetos industriais e de infra-estrutura. Uma de suas metas é ampliar a participação dos financiamentos do BNDES à Região Nordeste até Integração produtiva com a América Latina e África. Aumentar a articulação das cadeias produtivas e elevar o comércio com essa região, buscando ampliar a escala e a produtividade da indústria doméstica; aprofundar as relações históricas do Brasil com o continente africano. Produção Sustentável. O desenvolvimento produtivo deverá ser combinado com a redução de impactos ambientais e com a exploração de oportunidades criadas pelas tecnologias limpas.

12 A Política Industrial Moderna e a PDP A PDP de 2007 contempla os temas mais importantes de uma política industrial e estabelece metas quantitativas para que possa ser avaliada a sua implementação. O PDP também estabeleceu programas para 25 setores, agrupados em três blocos: Programas para Fortalecer a Competitividade: Bens de Capital Seriados, Bens de Capital sob Encomenda, Complexo Automotivo, Complexo de Serviços, Construção Civil, Couro, Calçados e Artefatos, Indústria Aeronáutica, Indústria Naval, Madeira e Móveis, Plásticos, Sistema Agroindustrial, Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. Programas Mobilizadores em Áreas Estratégicas: Nanotecnologia, Biotecnologia, Complexo da Defesa, Complexo Industrial da Saúde, Energia, Tecnologias de Informação e Comunicação. Programas para Consolidar e Expandir a Liderança: Celulose, Mineração, Siderurgia, Indústria Têxtil, Confecções, Carnes. Os temas da inovação e sustentabilidade vêm se convertendo em prioridades de relevo ainda mais decisivo para o futuro da indústria por parte do próprio setor industrial brasileiros. Vide as iniciativas recentes da CNI, do IEDI e das federações estaduais das indústrias nessas áreas.

13 A Política Industrial Moderna e a PDP Mesmo um plano bem articulado como é a PDP ganharia se alguns outros temas fossem revisitados: O mecanismo de compras governamentais como indutor do desenvolvimento industrial vem sendo utilizado em várias áreas como de petróleo, por exemplo, e compõe o rol de instrumentos da política industrial perseguida pela PDP. Mas o Brasil conta com volumes de compras muito elevadas que poderiam alavancar a competitividade em muitos segmentos.

14 A Política Industrial Moderna e a PDP As metas e instrumentos atinentes às exportações de manufaturados precisam ser revistas em profundidade em um diálogo entre as entidades empresariais e diversas áreas do governo, tendo em vista os problemas que se avolumaram nessa área mesmo antes da crise internacional.

15 Política Macroeconômica e de Competitividade Tão importante quanto uma adequada política industrial é a política macroeconômica: A taxa básica de juros brasileira resultante das reduções realizadas pelo Banco Central durante a crise, e que é hoje equivalente a 4,5% em termos reais, evoluiu de forma positiva, embora tendo em vista a liquidez (overnight) e segurança (força da economia brasileira) não se justifique no atual patamar.

16 Política Macroeconômica e de Competitividade No câmbio (sendo ou não o câmbio flutuante a melhor política a ser adotada na área) o importante é a constatação de que se existem economias relevantes como concorrentes da produção industrial brasileira que conseguem ter estabilidade cambial, disso decorre que a indústria brasileira fica em uma posição injusta de artificial falta de capacidade competitiva. Diante disso, mecanismos de compensação são mais do que justos e urgentes para a indústria nacional.

17 Política Macroeconômica e de Competitividade A queda e o arrefecimento posterior do comércio internacional e a conseqüente capacidade excedente na indústria mundial trarão duas conseqüências principais: a intensificação da competição entre os países por um volume menor e que cresce menos e uma volta à estrutura anterior do comércio exterior, menos comoditizada e mais calcada em segmentos industriais mais sofisticados e dinâmicos Diante deste cenário, é também urgente um salto de competitividade sistêmica no país. A tributação é muito alta e os mecanismos existentes não desoneram grande parte dos tributos incidentes sobre as exportações.

18 Política Macroeconômica e de Competitividade. O custo dos encargos trabalhistas sobre a folha de salários subtrai competitividade principalmente dos setores mais intensivos em trabalho. A infra-estrutura é inadequada e muito cara. O exemplo da energia elétrica é alarmante. A crescente complexidade e interferência das regulações do Estado, em alguns casos efetivamente dificultando a realização de investimentos privados.

19 Política Macroeconômica e de Competitividade Do atraso muito acentuado em nossa competitividade sistêmica resulta que os setores de maior dinamismo econômico brasileiro e as empresas do país que mais crescem são dos setores de commodities. A nossa concentração em commodities preocupa sobretudo no novo mundo que virá, diferente do mundo até O pós crise levará o mundo desenvolvido a investir maciçamente para mudar, por exemplo, sua matriz energética, para reduzir a dependência do petróleo e do exterior. Para isto, estão destinando quantias fabulosas para pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias. Portanto mudanças profundas no padrão tecnológico, sobretudo na aérea de energia irão acontecer.

20 O Modelo de Desenvolvimento Qual o modelo de desenvolvimento que o Brasil quer ter? O Brasil estará preparado para esta nova era? Talvez o Brasil já esteja encontrando o seu próprio modelo, com presença de bancos públicos competitivos (é imperativo que novas fontes permanentes de recursos para o BNDES sejam viabilizadas) e adoção de políticas de desenvolvimento produtivo e preservando a flexibilidade do mercado de trabalho. Devemos complementar estes pontos com fortíssimo investimento em educação e ciência e tecnologia. Quanto ao Pré-Sal, que representa um vetor novo para o desenvolvimento brasileiro, como podemos aproveitá-lo para darmos novo salto em nosso desenvolvimento.

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