PERDAS EM SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA: DIAGNÓSTICO, POTENCIAL DE GANHOS COM SUA REDUÇÃO E PROPOSTAS DE MEDIDAS PARA O EFETIVO COMBATE

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "PERDAS EM SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA: DIAGNÓSTICO, POTENCIAL DE GANHOS COM SUA REDUÇÃO E PROPOSTAS DE MEDIDAS PARA O EFETIVO COMBATE"

Transcrição

1 PERDAS EM SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA: DIAGNÓSTICO, POTENCIAL DE GANHOS COM SUA REDUÇÃO E PROPOSTAS DE MEDIDAS PARA O EFETIVO COMBATE ABES Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental Setembro de 2013

2 2 Um dos principais indicadores de eficiência da operação dos sistemas de abastecimento de água é o índice de perdas. Com valores médios que beiram os 40% no Brasil, decrescendo, é verdade, mas a uma velocidade extremamente baixa, o combate às perdas de água transformou-se em um grande desafio dos operadores brasileiros públicos e privados. No momento de tentativa de retomada dos investimentos do setor de saneamento, percebe-se claramente que grande parte de nossos operadores públicos, principalmente, apresentam condições insuficientes do ponto de vista de gestão para planejar e implementar as ações necessárias para enfrentar o problema. O PLANSAB, Plano Nacional de Saneamento Básico, ainda não aprovado pelo Governo Federal, prevê metas e recursos financeiros, cuja origem não está definida, para a diminuição dos índices de perdas. O presente texto traz os conceitos, impactos, resultados de operadores estaduais, municipais e privados, apresenta exemplos de sucesso no enfrentamento do problema e enfatiza a necessidade de se melhorar a gestão dos operadores nacionais. Tem por objetivo, além de contextualizar o problema, levar o tema à discussão no 27º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, em Goiânia e, atendendo à missão da ABES, encaminhar propostas às autoridades competentes. Elaborado pela ABES Nacional e ABES São Paulo, através de contratação da GO Associados, este trabalho é dirigido aos gestores, técnicos, políticos e estudantes que, de uma ou de outra maneira, estejam envolvidos na questão para que possam discuti-lo e criticá-lo. Após a incorporação das sugestões advindas do Congresso, estará à disposição da sociedade brasileira para que possa acompanhar a evolução dos indicadores e da prestação de serviços.

3 3 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO BREVE DIAGNÓSTICO SOBRE AS PERDAS NOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DAS OPERADORAS DE SANEAMENTO BRASILEIRAS PERDAS REAIS E PERDAS APARENTES: O BALANÇO HÍDRICO LIMITES ECONÔMICOS E LIMITES TÉCNICOS DO CONTROLE DE PERDAS O PADRÃO INTERNACIONAL PERDAS DE ÁGUA NO BRASIL AS METAS DO PLANSAB POTENCIAL DE GANHOS COM MEDIDAS DE REDUÇÃO DE PERDAS NOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA CUSTOS E BENEFÍCIOS DA REDUÇÃO DE PERDAS FÍSICAS DE ÁGUA ESTIMATIVA DO POTENCIAL DE GANHO ADVINDO DE MEDIDAS DE REDUÇÃO DE PERDAS DE ÁGUA SITUAÇÃO ATUAL DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS BAIXA CAPACIDADE DE FINANCIAMENTO RIGIDEZ ORÇAMENTÁRIA AUSÊNCIA DE COORDENAÇÃO CENTRAL CONTROLE DAS PERDAS FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS E ABORDAGENS PARA A REDUÇÃO DE PERDAS DE ÁGUA... 28

4 4 6.1 AÇÕES ESTRUTURANTES: A GESTÃO DOS ATIVOS AÇÕES ESTRUTURAIS: EXECUÇÃO DE UMA ESTRATÉGIA DE REDUÇÃO DE PERDAS EXEMPLOS DE CASOS PRÁTICOS ÁGUAS DE NITERÓI APLICAÇÃO DO MASPP NA SOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE PERDAS D ÁGUA SANEPAR REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA IMPLANTAÇÃO DO MASPP SABESP UNIDADE DE GERENCIAMENTO REGIONAL SANTO AMARO IMPLANTAÇÃO DA METODOLOGIA MASPP II OU SIX SIGMA RIO BRANCO IMPLANTAÇÃO DO MASPP SABESP CONTRATO DE PERFORMANCE PARA REDUÇÃO DE PERDAS REAIS DO SETOR VILA DO ENCONTRO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO PROGRAMA REÁGUA PARCERIAS PÚBLICO-PÚBLICO: HISTÓRICO DO PROJETO CASAL-SABESP CONCLUSÕES: AS PROPOSTAS DA ABES REFERÊNCIAS... 44

5 5 SUMÁRIO DE QUADROS QUADRO 1: PARCELAS DAS PERDAS DE ÁGUA (REAIS E APARENTES) EM RELAÇÃO AO VOLUME QUE ENTRA NO SISTEMA... 9 QUADRO 2: CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DE PERDAS REAIS E PERDAS APARENTES QUADRO 3: CUSTO TOTAL DECORRENTE DE PERDAS DE ÁGUA QUADRO 4: CENÁRIO DE PERDAS DE ÁGUA DAS OPERADORAS DE ÁGUA QUADRO 5: BANCO MUNDIAL: BANDAS DE REFERÊNCIA PARA REDUÇÃO DE PERDAS QUADRO 6: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO INDICADOR DE PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO (%) QUADRO 7: SNIS 2011: PERDAS SOBRE O FATURAMENTO PARA EMPRESAS ESTADUAIS (%) QUADRO 8: SNIS 2011: PERDAS SOBRE O FATURAMENTO PARA EMPRESAS MUNICIPAIS QUADRO 9: BENEFÍCIOS DA REDUÇÃO DAS PERDAS QUADRO 10: SINERGIAS ENTRE REDUÇÃO DAS PERDAS DE ÁGUA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA QUADRO 11: ESTIMATIVAS DE GANHOS BRUTOS COM REDUÇÃO DE PERDAS DE ÁGUA QUADRO 12: CICLO VICIOSO GESTÃO DAS OPERADORAS DE SANEAMENTO QUADRO 13: SÍNTESE DAS AÇÕES PARA O CONTROLE E A REDUÇÃO DE PERDAS REAIS QUADRO 14: SÍNTESE DAS AÇÕES PARA O CONTROLE E A REDUÇÃO DE PERDAS APARENTES QUADRO 15: FASES SEQUENCIAIS DO MASPP: O CICLO DE CONTROLE QUADRO 16: COMPARAÇÃO ENTRE CONTRATAÇÃO TRADICIONAL E CONTRATO DE PERFORMANCE QUADRO 17: FASES DO CONTRATO DE PERFORMANCE SABESP VILA DO ENCONTRO... 38

6 6

7 7 1 INTRODUÇÃO 1 O objetivo deste texto é subsidiar a discussão sobre redução de perdas nos sistemas de abastecimento de água pelos operadores de saneamento básico. O texto está dividido em quatro seções, além desta primeira seção de introdução. A Seção 2 apresenta um diagnóstico das perdas no Brasil, incluindo a análise do nível de perdas das operadoras brasileiras. O cenário brasileiro de perdas de água no setor de saneamento é bastante problemático. A média brasileira de perdas de água é de aproximadamente 40% (incluindo perdas reais e aparentes), mas em algumas empresas de saneamento essas perdas superam 60%. O elevado índice de perdas de água reduz o faturamento das empresas e, consequentemente, sua capacidade de investir e obter financiamentos. Além disso, gera danos ao meio ambiente na medida em que obriga as empresas de saneamento a buscarem novos mananciais. A Seção 3 estima o potencial de ganhos, monetários, advindos da redução de perdas de água. Segundo estimativas, o ganho líquido, já descontado o investimento para implementar os programas de redução de perdas d água, podem atingir quase R$ 15 bilhões em 17 anos. A Seção 4 enumera medidas para redução de perdas de água em empresas de saneamento, recomendando ações que visem a eficiência operacional das operadoras. Por fim, a Seção 5 apresenta exemplos da aplicação das medidas propostas na seção anterior, envolvendo, entre outras, empresas de saneamento básico como Sabesp (São Paulo), Sanepar (Paraná), Casal (Alagoas) e Águas de Niterói (Rio de Janeiro). A Seção 6 sintetiza as principais conclusões do texto. 1 O presente texto contou com a colaboração de consultores especializados. Particularmente, devem ser registradas as preciosas contribuições de Mário Baggio (Hoperações), Alceu Galvão (Agência Regulatória de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará ARCE), Carlos Alberto Rosito (Saint Gobain Canalização Ltda), Jairo Tardelli (Sabesp) e Marcos Ajzenberg (coordenador do Programa Reágua durante sua implementação). Partes relevantes do texto foram extraídas de Tardelli Filho (2006).

8 8 2 BREVE DIAGNÓSTICO SOBRE AS PERDAS NOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DAS OPERADORAS DE SANEAMENTO BRASILEIRAS Um dos principais desafios das operadoras de água em países em desenvolvimento é reduzir as perdas de água em todas as etapas do processo de seu fornecimento. 2.1 Perdas reais e perdas aparentes: o Balanço Hídrico O conceito de perdas nos sistemas de abastecimento de água inclui duas categorias: A perda de água física ou real, quando o volume de água disponibilizado no sistema de distribuição pelas operadoras de água não é utilizado pelos clientes, sendo desperdiçado antes de chegar às unidades de consumo, e A perda de água comercial ou aparente quando o volume utilizado não é devidamente computado nas unidades de consumo, sendo cobrado de forma inadequada. Até alguns anos atrás, a avaliação das perdas era distinta em cada país, ou mesmo em cada companhia de saneamento em um mesmo país. A International Water Association (IWA) procurou padronizar o entendimento dos componentes dos usos da água em um sistema de abastecimento através de uma matriz que representa o Balanço Hídrico, onde se inserem os dois tipos de perdas relatados. O conjunto de perdas físicas ou reais e de perdas de faturamento ou aparentes é chamado de Água Não Faturada Non-Revenue Water. O Quadro 1 apresenta Balanço Hídrico, desenvolvido pela IWA, que esquematiza os processos pelos quais a água pode passar desde o momento em que entra no sistema.

9 9 QUADRO 1: PARCELAS DAS PERDAS DE ÁGUA (REAIS E APARENTES) EM RELAÇÃO AO Água que entra no sistema (inclui água importada) Consumo autorizado Perdas de água VOLUME QUE ENTRA NO SISTEMA Consumo autorizado faturado Consumo autorizado não faturado Perdas aparentes Perdas reais Consumo faturado medido (inclui água exportada) Consumo faturado não medido (estimados) Consumo não faturado medido (usos próprios, caminhão pipa, etc) Consumo não faturado não medido (combate a incêndios, favelas, etc) Uso não autorizado (fraudes e falhas de cadastro) Erros de medição (macro e micromedição) Perdas reais nas tubulações de água bruta e no tratamento (quando aplicável) Vazamentos nas adutoras e/ou redes de distribuição Vazamentos e extravasamentos nos reservatórios de adução e/ou distribuição Vazamentos nos ramais (a montante do ponto de medição) Fonte: Public Private Infrastructure Advisory Facility (tradução livre) Água faturada Água não faturada A abordagem econômica para cada tipo de perda é diferente. Sobre as perdas reais recaem os custos de produção e distribuição da água, e sobre as perdas aparentes, os custos de venda da água no varejo, acrescidos dos eventuais custos da coleta de esgotos. QUADRO 2: CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DE PERDAS REAIS E PERDAS APARENTES. Itens Perdas Reais Características Principais Perdas Aparentes Tipo de ocorrência mais comum Vazamento Erro de Medição Custos associados aos volumes de água perdidos Efeitos no Meio Ambiente Custo de produção - Desperdício do Recurso Hídrico. - Necessidades de ampliações de mananciais. Efeitos na Saúde Pública Risco de contaminação - Tarifa Empresarial Perda do Produto Perda de receita - Consumidor Efeitos no Consumidor - Imagem negativa (ineficiência e desperdício) - Repasse para tarifa - Desincentivo ao uso racional - - Repasse para tarifa - Incitamento a roubos e fraudes No caso do Brasil, deve-se destacar o consumo não faturado e não medido ocorrido em favelas. Trata-se de volume significativo nas metrópoles brasileiras, cuja

10 10 regularização e urbanização dependem de uma ação de gestão integrada entre o poder concedente e a operadora. Seu custo geralmente é arcado pela companhia de saneamento, nem sempre considerado adequadamente na composição das tarifas. 2.2 Limites econômicos e limites técnicos do controle de perdas Outra importante contribuição da IWA foi a de definir dois limites para os volumes das perdas em um sistema: Um limite econômico, a partir do qual se gasta mais para reduzir as perdas do que o valor intrínseco dos volumes recuperados (varia de cidade para cidade, em função das disponibilidades hídricas, custos de produção, etc.); Um limite técnico ("perdas inevitáveis"), mínimo, definido pelo alcance das tecnologias atuais dos materiais, ferramentas, equipamentos e logísticos, ou, em outras palavras, nunca haverá perda zero, sempre teremos de conviver com algum volume perdido, por mais bem implantado e operado que seja um sistema de abastecimento. O Quadro 3 mostra tanto o nível econômico ótimo de vazamentos quanto o nível mínimo de vazamentos.

11 Custo ($/conexão/ano) 11 QUADRO 3: CUSTO TOTAL DECORRENTE DE PERDAS DE ÁGUA. Nível mínimo de Vazamentos Nível econômico de vazamentos Vazamentos (litros/ligação/hora) Fonte: Control and mitigation of drinking water losses in distribution systems (United States Environmental Protection Agency) Assim, não é economicamente viável eliminar completamente toda a perda de água física e comercial. Entretanto, devido às significativas perdas de água nos países em desenvolvimento, é razoável prever que a quantidade de perda de água nestes países pode ser reduzida pela metade pelo menos nos próximos dez anos. 2.3 O padrão internacional O Banco Mundial, no livro Parâmetros Internacionais para Redes de Operadoras de Saneamento (International Benchmarking Network for Water and Sanitation Utilities IBNET), realizou estudo para estimar o desempenho das operadoras de água no que tange à perda de água. Nas operadoras cobertas pelo IBNET, a média de perdas de água constatada foi de 35%. Entretanto, como grandes países em desenvolvimento ainda não são cobertos pelo IBNET e as estatísticas desses países não são confiáveis 2, é mais provável que o nível médio de perdas de água em países em desenvolvimento gire em torno de 40-50%. 2 A porcentagem de perda de água das operadoras de água nos países em desenvolvimento não é estimada com confiança. Muitas operadoras não possuem sistemas de informação e controle adequados para inferir

12 Percentual de operadoras de água em cada nível de perda de água 12 QUADRO 4: CENÁRIO DE PERDAS DE ÁGUA DAS OPERADORAS DE ÁGUA 35% 30% 25% 20% 15% 10% 5% 0% <10% 10-20% 20-30% 30-40% 40-50% >50% Nível de Perda de Água Fonte: IBNET O Banco Mundial também definiu indicadores de perdas físicas (Infrastructure Leakages Index ILI 3 ) associados a bandas em que as empresas deverão se balizar na busca da redução das perdas (em Litros/ligação.dia), considerando aspectos operacionais do sistema (pressões) e estágio econômico do país, conforme o Quadro 5. Países em desenvolvimento, com uso muito ineficientes de recursos e pressão muito elevada podem economizar mais de 1000 litros por ligação.dia. estes dados e mesmo as que conseguem auferir a porcentagem de perda de água, optam por não divulgá-la por ser alta demais. As empresas que divulgam estas informações geralmente são as que possuem o percentual de perdas de água reduzido. 3 O índice ILI é um indicador de performance de perdas reais (físicas) no rede do sistema de distribuição de água nas condições de pressão existente. O índice ILI é calculado por meio da expressão: ILI =CARL/ UARL onde: ILI = infrastructure leakage index um número adimensional; CARL= current annual real losses, ou o volume anual de perdas reais/nc quando a rede está pressurizada. É empregado geralmente nas unidades Litros/ligação x dia; Nc = número de conexões ou ligações de água e UARL= unnavoidable annual real losses ou o volume anual de perdas reais que não podem ser evitadas em Litros/ligação x dia, isto é, na mesma unidade de TIRL. Maiores detalhes em: (último acesso 15/08/2013)

13 13 QUADRO 5: BANCO MUNDIAL: BANDAS DE REFERÊNCIA PARA REDUÇÃO DE PERDAS 2.4 Perdas de água no Brasil Fonte: Banco Mundial No Brasil, a situação está longe do observado em países desenvolvidos e a situação de perdas é muito desigual quando se comparam unidades da federação, operadores públicos e privados de saneamento básico. Os indicadores de perda de água das operadoras de saneamento no Brasil mostram que ainda há muita ineficiência na produção da água. A seguir, são mostrados indicadores de perdas de água e eficiência energética, atualizados com dados do Ministério das Cidades (SNIS, 2011).

14 Evolução do nível de perdas de água no Brasil As perdas de água são muito elevadas no Brasil e têm se mantido em níveis próximos a 40% nos últimos doze anos, ainda que seja possível notar uma leve tendência de queda nos últimos anos. O Quadro 6 mostra a trajetória das perdas na distribuição 4 nos anos recentes. O nível de perdas no Brasil passou de 45,6% em 2004 para 38,8% em 2011, uma queda de 6,8 pontos percentuais no período. O quadro é ainda mais preocupante porque a maior parte das empresas não mede suas perdas de água de maneira consistente. QUADRO 6: EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO INDICADOR DE PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO (%) 45,6 45,6 44,4 43,5 41,6 42,6 38,8 38, Fonte: SNIS, vários anos. Quando se compara o Brasil com países desenvolvidos, é notável o grande espaço para mudanças. Cidades da Alemanha e do Japão possuem 11% e Austrália possui 16%. Sendo assim, espera-se que o Brasil consiga reduzir seus níveis de perda em, no 4 Perdas na distribuição correspondem à participação do volume de perdas ( Volume total de Água Volume de água consumido ) no Volume total de água.

15 15 mínimo, dez pontos percentuais antes que possa atingir os níveis de perdas associados aos países desenvolvidos Comparação de perdas entre operadores estaduais e municipais de saneamento básico O Quadro 7 e o Quadro 8 mostram do ponto de vista das perdas de água, a situação de diversas empresas estaduais 6 e municipais 7 de saneamento no Brasil. Os quadros mostram os níveis de perdas sobre o faturamento para as 52 maiores empresas brasileiras em termos de população atendida, considerando dados do SNIS QUADRO 7: SNIS 2011: PERDAS SOBRE O FATURAMENTO PARA EMPRESAS ESTADUAIS (%) Fonte: SNIS 2011 A CAESA (Amapá) e a SANEPAR (Paraná) são, respectivamente, as empresas estaduais menos e mais eficientes em termos de perdas de água no Brasil com 75,0% e 21,1% de perdas sobre o faturamento. A média de perdas para essas empresas é de 40,7%. 5 Deve-se registrar, entretanto, que a IWA chama a atenção para o fato de que indicadores percentuais de perdas, a despeito do fácil entendimento por todos, são frágeis para comparações sobre perdas entre empresas ou cidades. 6 No grupo das empresas estaduais há uma empresa privada que é a Saneatins (Foz do Brasil). 7 No grupo das empresas municipais foram consideradas autarquias e empresas privadas.

16 16 QUADRO 8: SNIS 2011: PERDAS SOBRE O FATURAMENTO PARA EMPRESAS MUNICIPAIS Fonte: SNIS 2011 Para as empresas municipais, a SAERB (Rio Branco) e a SANEP (Pelotas) são, respectivamente, a menos e mais eficiente em termos de perdas sobre o faturamento, apresentando índices de 69,3% e 6,7%. A média de perdas para essas empresas é de 36,6%. 2.5 As metas do PLANSAB A Tabela 1 mostra as metas do Plano Nacional de Saneamento para o indicador Porcentagem do índice de perdas na distribuição de água (A6) definidas em junho de Tomando-se as metas para o Brasil (primeira coluna), o índice de perdas tem que cair de 39% em 2010 para 31% em TABELA 1: METAS DO PLANO NACIONAL DE SANEAMENTO BÁSICO INDICADOR ANO BRASIL N NE SE S CO A6. % do índice de perdas na distribuição de água Fonte: Ministério as Cidades

17 17 3 POTENCIAL DE GANHOS COM MEDIDAS DE REDUÇÃO DE PERDAS NOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA Nesta seção são abordados os custos e benefícios da redução de perdas de água e a estimativa dos potenciais ganhos monetários advindos da implementação de programas de redução de perdas de água. 3.1 Custos e benefícios da redução de perdas físicas de água A análise econômica para programas de redução de perdas físicas de água requer a avaliação sobre os benefícios e os custos envolvidos, que dizem respeito às atividades previstas no referido programa Custos envolvidos na redução de perdas físicas de água Os custos podem ser divididos em custos fixos, que ocorrem durante período específico de implantação do projeto, e custos variáveis, que ocorrem ao longo de todo o projeto. Os custos dos projetos e serviços de redução de perdas podem ser elencados em: Equipamentos e instalações, como tubulações, válvulas, bombas, motores, acessórios, peças de conexão, macromedidores, hidrômetros, elementos de controle e automação, equipamentos elétricos, subestação; Obras civis, como zoneamento piezométrico, reservatórios, substituição de ramais e redes. Os custos indiretos incluem os gastos com projetos, gerenciamento e fiscalização de obras, serviços de consultoria, entre outros. Ações operacionais e de manutenção, como pesquisa acústica para a detecção de vazamentos não visíveis, reparo de vazamentos, combate a fraudes. Ações tecnológicas, como desenvolvimento de materiais e equipamentos. A esse respeito, o setor de saneamento precisa de hidrômetros tecnologicamente adequados à existência de caixas d água domiciliares, as

18 18 quais potencializam a submedição; e tubulações que não vazam, sem juntas, (de polietileno de alta densidade PEAD com juntas soldadas) Mão de obra, responsável pela gestão, execução, controle e geração de relatórios, tanto terceirizada como própria. Qualificação profissional, incluindo treinamento da mão de obra e certificação profissional Benefícios envolvidos na redução de perdas físicas de água. Os benefícios de um projeto de redução de perdas são diversos. Com a redução das perdas físicas, a empresa pode produzir uma quantidade menor de água para abastecer a mesma quantidade de pessoas. Ao produzir uma quantidade menor de água, a operadora de saneamento reduz os custos com diversos itens, tais como: Produtos químicos; Energia elétrica; Compra de água bruta (nos casos em que há cobrança pelo uso da água); Mão de obra Com a redução das perdas aparentes, decorrentes de fraudes nas ligações, consumo não faturado, falta de hidrômetros, problemas de medição, dentre outros, a principal consequência é o aumento do volume faturado e, consequentemente, da receita. Além disso, a empresa pode postergar investimentos necessários para atender ao aumento da demanda decorrente do crescimento populacional. Entre aumentar a capacidade de produção de água e diminuir as perdas de água, a segunda alternativa será, em muitos casos, a mais adequada do ponto de vista econômico-financeiro e também ambiental. Com o aumento da eficiência na produção e distribuição de água, a mesma quantidade produzida atende mais pessoas. Os ganhos com redução de perdas de água podem ter impactos em termos de receitas, custos e investimentos. Tais ganhos são sintetizados no Quadro 9.

19 19 QUADRO 9: BENEFÍCIOS DA REDUÇÃO DAS PERDAS Perdas Perdas aparentes Perdas reais Ganhos Aumento da receita Redução de custos Postergação de investimentos Tipos de benefícios Aumento do consumo medido e faturado Menores custos com produtos químicos, energia e outros insumos. Diminuição da produção de água com o atendimento do mesmo número de pessoas. Atendimento de maior número de pessoas com a mesma quantidade produzida. Ações envolvidas Troca de hidrômetros e medidores; Corte nas ligações fraudulentas; Medição efetiva de todas as economias (domiciliares, comercial e públicas); Melhora no cadastro Fonte: elaboração própria Melhora do controle da pressão na rede; Melhora no controle e detecção de vazamentos; Melhoria e troca de tubulações, ligações, válvulas. Qualificação da mão de obra e melhoria dos materiais Além dos ganhos indicados no Quadro 9 há um benefício intangível associado ao ganho de imagem de uma operadora focada em eficiência e preservação dos recursos naturais. É difícil imaginar algo mais incoerente com a missão empresarial de prestar serviços ambientais de uma operadora do que o registro de elevadas perdas de água em qualquer etapa do processo de disponibilização ou uso dos sistemas. Destaque-se ainda que há sinergias nas ações de redução de perdas de água e eficiência energética. A redução do índice de perdas leva à diminuição na necessidade de produção de água que, por sua vez, faz com que a energia consumida na produção de água caia e assim ocorra uma redução nos custos de energia, como destacado no Quadro 10.

20 20 QUADRO 10: SINERGIAS ENTRE REDUÇÃO DAS PERDAS DE ÁGUA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Fonte: Elaboração GO Associados Os benefícios diretos das medidas de eficiência energética são refletidos na redução dos gastos com energia. Além disso, é possível apontar benefícios indiretos. Por exemplo, os gastos investidos em conservação diminuem a necessidade de ampliação da geração de energia. De acordo com ABES (2005), cada R$ 1 gasto em conservação de energia, evita R$ 8 em investimento em geração. Além disso, aumento de eficiência permite que as empresas tenham mais recursos para investir na expansão dos sistemas de água e esgoto. 3.2 Estimativa do potencial de ganho advindo de medidas de redução de perdas de água. Os programas para redução de perdas de água devem considerar sempre a relação entre o valor gerado pelo volume de água economizado (que não será perdido) e o valor do investimento tanto em infraestrutura quanto em gestão comercial realizado para lograr a redução de perdas. A partir de certo nível de perda de água muito reduzido, o custo para a redução da perda de água se torna cada vez maior, pois a economia de água gerada por investimento realizado é cada vez menor. No caso das perdas aparentes, a literatura aponta que programas de redução de perda de água comercial são financeiramente atraentes, pois geram um retorno financeiro rápido. Já os programas de redução de perda de água física são financeiramente atraentes no inicio da sua execução principalmente nos países em desenvolvimento que possuem altos níveis de perda de água. Entretanto, após uma significativa redução do

21 21 nível de perda de água, os investimentos em programas de redução de perda de água física deixam de se tornar atraentes. Carlos Alberto Rosito 8 estimou o potencial de ganhos brutos, em termos monetários, da redução de perdas de água. Para tanto, considerou o volume de água faturado no Brasil em 2007 (de aproximadamente 8,035 bilhões de m3), o consumo autorizado (aproximadamente 433,3 milhões de m3 de água), as perdas aparentes (1,633 bilhão de m3) e as perdas reais (3,927 bilhões de m3 de água). As perdas aparentes foram valoradas com base na tarifa média de água no mesmo ano de 2007, de R$ 1,87/m3, resultando em R$ 3,052 bilhões. Já as perdas físicas ou reais foram valoradas com base no custo marginal da água no mesmo ano de 2007, de R$ 1,07/m3, resultando em R$ 4,055 bilhões. Por fim, foi incluído também o consumo autorizado não faturado, que também foi valorado pelo custo marginal, resultando em R$ 0,464 bilhão. No total, o custo das perdas em 2007 somou aproximadamente R$ 7,6 bilhões. A partir desses parâmetros, desenhou três cenários. O primeiro cenário, otimista, apresentava redução de 50% das perdas ao longo de 17 anos (de 2009 a 2025). Nessa hipótese, as perdas se reduziriam para 18,75%, com ganho potencial acumulado até 2025 de R$ 37,27 bilhões. No cenário base, as perdas se reduziriam em 38%, resultando em ganho potencial acumulado até 2025 de R$ 29,93 bilhões. Finalmente, o cenário conservador considera redução de perdas de 25%, com ganho potencial acumulado, no mesmo período, de 20,91 bilhões. Os números estão no Quadro da Saint Gobain Canalização Ltda

22 22 QUADRO 11: ESTIMATIVAS DE GANHOS BRUTOS COM REDUÇÃO DE PERDAS DE ÁGUA Perdas (2009) Perdas (2025) Redução (%) Ganhos potenciais (R$ Bilhões) Cenário 1 Otimista 37,4% 18,7% 50% 37,27 Cenário 2 Base 37,4% 23,2% 38% 29,93 Cenário 3 - Conservador 37,4% 27,9% 25% 20,91 Fonte: adaptado de apresentação de Carlos Rosito no âmbito do Grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais. Se for considerado, no cenário base, que 50% desse total será reinvestido para implementar e manter os programas de redução de perdas de água 9, o ganho líquido estimado de uma queda de 38% nos níveis de perda de água do Brasil seria de R$ 14,97 bilhões em 17 anos, uma média de R$ 880 milhões por ano. Este montante representa aproximadamente 12% do que foi investido no setor de água e esgoto no Brasil no ano de 2011 (R$ 7 bilhões). A atualização dessa estimativa a partir do SNIS de 2010 resultou em ganhos potenciais brutos de R$ 36 bilhões, ou R$ 20 bilhões líquidos. Há, portanto, um caminho promissor a ser percorrido pelas empresas brasileiras de saneamento para elevar sua eficiência operacional. Note-se, entretanto, que soluções para o problema das perdas em grandes cidades demandam planejamento, conhecimento e persistência das ações; resultados rápidos podem ser obtidos, mas o verdadeiro equacionamento é de longo prazo. 9 Esta porcentagem está baseada no programa de redução de perdas de água da Sabesp.

23 23 4 SITUAÇÃO ATUAL DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS A situação atual dos prestadores de serviço não favorece os investimentos em redução de perdas. Parte importante dos operadores não possui quadro de profissionais em quantidade suficiente e, mesmo quando o tem, não está suficientemente treinado e capacitado para gerenciar os sistemas de modo a manter baixos e sob controle os índices de perdas. Outro fator que agrava o problema é a precária condição física dos sistemas de abastecimento de água, com redes antigas, escassez de equipamentos e instrumentos, e até mesmo de cadastros técnicos e comerciais. Em outras palavras, há prestadores que desconhecem as principais caraterísticas do sistema que operam. 4.1 Baixa capacidade de financiamento Um dos principais problemas associados aos baixos índices de investimento no setor de saneamento brasileiro é a baixa capacidade dos operadores de se financiar. Levantamento do Fundo de Investimentos do FGTS indica que das 26 empresas estaduais de saneamento, somente 7 têm condições adequadas para captação de financiamentos 10. Essa limitação está relacionada às formas como o Governo Federal disponibiliza recursos para o setor e às condições econômico-financeiras ainda precárias dos operadores, que, por sua vez, se justificam em função da baixa eficiência operacional e de gestão. Ou seja, os altos custos dessas empresas (quadro de pessoal mal dimensionado, ineficiência nas compras, alto consumo de energia elétrica, altos índices de perdas de água) e a baixa capacidade de geração de receitas (gestão comercial deficiente, não aproveitamento de oportunidades na área de saneamento industrial e privado, baixa agressividade comercial) diminuem a capacidade das operadoras de obter recursos financeiros, que seriam destinados ao seu plano de investimentos e, também, a ações de melhoria operacional, como programas de redução de perdas de água. 10 Disponível em:

24 24 Conforme indicado no Quadro 12, trata-se de um ciclo vicioso, em que a baixa capacidade operacional reduz a capacidade de financiamento, que por sua vez prejudica a capacidade de investimento e, consequentemente, a melhora operacional. QUADRO 12: CICLO VICIOSO GESTÃO DAS OPERADORAS DE SANEAMENTO Fonte: Manual sobre contratos de performance e eficiência para empresas de saneamento (IFC, 2012) 4.2 Rigidez orçamentária A redução de perdas físicas e de perdas aparentes envolve uma série de atividades que precisam ser desenvolvidas de forma integrada e que normalmente dificulta a estimativa precisa de todas as ações necessárias à identificação e redução das perdas nos sistemas de abastecimento de água. Essa característica requer alguma flexibilidade das operadoras de saneamento para alterar seus orçamentos ao longo da implantação de programas para redução de perda de água. A rigidez orçamentária, isto é, a ausência de flexibilidade nos orçamentos, constitui assim um problema para a implantação de programas de redução de perdas nos sistemas de abastecimento de água. 4.3 Ausência de coordenação central É comum empresas de saneamento implantarem programa de substituição de hidrômetros (reduzindo as perdas aparentes), mas não investirem na renovação de suas redes de distribuição de água que podem ter elevadas perdas físicas.

25 25 Uma das razões para esse tipo de prática está associada a não indicação de um setor ou departamento como responsável pela implantação de um programa de redução de perdas. Como as ações para reduzir perdas envolvem diversos departamentos de uma operadora de saneamento (como os setores de compras, obras, manutenção, cobrança, marketing, entre outros), a ausência de uma unidade focada na estruturação e acompanhamento de um programa de redução de perdas e eficiência energética dispersa esforços e causa descoordenação. Isso se reflete também no momento da orçamentação, pois se não houver orçamento dedicado a todas as ações necessárias à implantação de um programa de redução de perdas e eficiência a tendência é que, por falta de recursos, não seja possível implantar todas as ações necessárias ao sucesso do programa. Essa falta de coordenação central, porém, se justifica muitas vezes, como anteriormente citado, pela ausência de capacitação técnica das operadoras de saneamento para estruturarem um programa adequado de redução de perdas e eficiência. Há falta de conhecimento técnico para montagem de projetos básicos, estruturação de editais, precificação dos serviços e definição das melhores soluções técnicas e tecnológicas.

26 26 5 CONTROLE DAS PERDAS O Quadro 13 apresenta uma síntese das ações para o controle e a redução de perdas reais. Há três tipos de vazamentos; para cada tipo de vazamento correspondem algumas ações possíveis para o controle e a redução de perdas: Vazamentos não visíveis, de baixa vazão, não aflorantes e não detectáveis por métodos acústicos de pesquisa. Nestes casos, deve-se observar a qualidade da mão de obra e dos materiais utilizados, e, eventualmente, reduzir a pressão da rede. Vazamentos não visíveis, não aflorantes, mas detectáveis por métodos acústicos de pesquisa: nesses casos, além das ações anteriores, deve-se aumentar a pesquisa de vazamentos. Vazamentos visíveis, aflorantes ou ocorrentes nos cavaletes; extravazamentos nos reservatórios. Nesses casos, além as ações anteriores, deve-se também controlar o nível dos reservatórios. QUADRO 13: SÍNTESE DAS AÇÕES PARA O CONTROLE E A REDUÇÃO DE PERDAS REAIS Fonte: TARDELLI FILHO, J. Controle e Redução de Perdas. In TSUTIYA, M. T. Abastecimento de água

27 27 Já o Quadro 14 apresenta a síntese das principais ações para o controle e a redução das perdas aparentes. No âmbito da macromedição, as ações adequadas são a instalação adequada de macromedidores e a calibração dos medidores de vazão. No âmbito da gestão comercial, as ações incluem o controle de ligações inativas e clandestinas. No que concerne à micromedição, as ações abrangem a instalação adequada e a substituição periódica dos hidrômetros. QUADRO 14: SÍNTESE DAS AÇÕES PARA O CONTROLE E A REDUÇÃO DE PERDAS APARENTES Fonte: TARDELLI FILHO, J. Controle e Redução de Perdas. In TSUTIYA, M. T. Abastecimento de água

28 28 6 FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS E ABORDAGENS PARA A REDUÇÃO DE PERDAS DE ÁGUA O problema do elevado nível de perdas preocupa as lideranças de organizações de saneamento (concessionárias públicas e privadas, autarquias e departamentos) pelo menos a partir do início dos anos 2000, especialmente por causa da escassez hídrica que estas organizações enfrentam e pelos altos valores das perdas, gerando demanda adicional num sistema de abastecimento de água já bastante exigido pelo desenvolvimento urbano das cidades brasileiras. O Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), em discussão no Brasil, separa o foco de atuação no setor de saneamento, em ações estruturais (com foco na ampliação e melhoria do ativo) e ações estruturantes (cujo foco é a gestão de ativos). O ataque às causas das perdas, pela via de ações estruturais, deve ser antecedido por ações estruturantes, partindo-se de uma estratégia bem formulada, levando em consideração conceitos de gestão. Cabe aos operadores, independentemente da estratégia que adotem para o combate às perdas, o pleno conhecimento dos sistemas que operam. As estratégias que podem ser adotadas, algumas das quais descritas a seguir, jamais podem perder de foco que o ponto de partida para enfrentar o problema das perdas de água é o estabelecimento, por parte dos operadores, de um mínimo de profissionais destacados para o desafio. Os profissionais designados deverão ser treinados e capacitados nos conceitos e ações que envolvem a operação de água, hidrometria e aspectos comerciais como combate a fraudes, por exemplo. O conhecimento de conceitos de gestão e estratégia é necessário para as pessoas que lideram equipes e processos. 6.1 Ações estruturantes: a gestão dos ativos Reduzir perdas sem considerar práticas de gestão tem se demonstrado inócuo, pois não se consegue dar sustentabilidade ao Programa de Redução e Controle de Perdas. O gerenciamento do controle de perdas envolve o acompanhamento de diversas ações especializadas, integradas e sequenciais, avaliando o andamento e medindo os

29 29 resultados. Com esses resultados serão definidas as próximas estratégias e etapas de um Programa de Controle de Perdas em uma companhia de saneamento. Trata-se da incorporação de ferramentas de qualidade nos processos operacionais envolvidos no controle e redução de perdas em sistemas de abastecimento de água. As decisões devem ser tomadas baseadas em indicadores e análises criteriosas dos resultados, deixando de lado o predomínio da experiência dos operadores do sistema. Essa bagagem de conhecimentos, que não deve e não pode ser desprezada, merece ser utilizada juntamente com ferramentas e métodos que traduzam uma maior otimização dos recursos disponíveis e uma elevada eficácia dos resultados. De forma resumida, um programa deve conter minimamente as seguintes etapas: Diagnóstico; Definição de Metas; Indicadores de Controle; Planos de Ação; Estruturação e Priorização; Acompanhamento das Ações e Avaliação de Resultados. O sucesso do programa está diretamente ligado ao conhecimento e participação de todos os agentes responsáveis, em quaisquer níveis hierárquicos dentro da organização na companhia de saneamento. A realização de atividades de capacitação técnica, palestras, discussões de resultados e cobrança de responsabilidades, bem como a utilização de meios de comunicação internos à empresa disponíveis, são medidas passíveis de serem adotadas. O envolvimento acima citado deve ser passado e cobrado também no caso da terceirização dos serviços. Portanto, a associação das ações de engenharia, com Gestão de Pessoas e de Processos, constitui o tripé de ações que garantem sustentabilidade aos Programas de Redução e Controle de Perdas.

30 30 Existem várias ferramentas de gestão para programas de redução de perdas. Entre eles, destaca-se o MASPP Método de Análise e Solução de Problemas de Perdas D Água e de Faturamento. O MASPP tem sido a Ferramenta da Qualidade empregada em vários operadores. O MASPP pode ser entendido como uma adaptação do Ciclo de Deming, também conhecido como Ciclo do PDCA (Plan-Do-Check-Act) para programas de redução de perdas. Suas oito fases sequenciais estão ilustradas no Quadro 15: QUADRO 15: FASES SEQUENCIAIS DO MASPP: O CICLO DE CONTROLE Fonte: apud Baggio, 2009 De acordo com os princípios do MASPP, o principal objetivo é reduzir o índice de perda de água na distribuição, a partir da redução do VD (Volume Disponibilizado) e da elevação do VU (Volume Utilizado). A característica desse método passa a ser então a criação de um desafio comum a todos, desde a direção até o chão de fábrica. A gestão de programas de redução de perdas deve incluir: Padrões de Trabalho de Controle de volume de água disponibilizado, abrangendo: Planejamento e Controle de reservatórios; Planejamento e Controle de bombeamentos; Planejamento e Controle de VRP s; Planejamento e Controle de Redes de Distribuição;

A GESTÃO DA ÁGUA NO BRASIL: UMA PRIMEIRA AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL E DAS PERSPECTIVAS PARA 2025

A GESTÃO DA ÁGUA NO BRASIL: UMA PRIMEIRA AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL E DAS PERSPECTIVAS PARA 2025 A GESTÃO DA ÁGUA NO BRASIL: UMA PRIMEIRA AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL E DAS PERSPECTIVAS PARA 2025 Carlos E. M. Tucci, Ivanildo Hespanhol e Oscar de M. Cordeiro Netto Janeiro/2000 A GESTÃO DA ÁGUA NO BRASIL:

Leia mais

SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE DEPARTAMENTO DE PROJETOS DA PAISAGEM PROJETO DE RECUPERAÇÃO DE MATAS CILIARES

SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE DEPARTAMENTO DE PROJETOS DA PAISAGEM PROJETO DE RECUPERAÇÃO DE MATAS CILIARES SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE DEPARTAMENTO DE PROJETOS DA PAISAGEM PROJETO DE RECUPERAÇÃO DE MATAS CILIARES Currso:: Gesttão de Prrojjettos APOSTIILA maio, 2006 Introdução Conseguir terminar o

Leia mais

A Hora e a Vez do Saneamento

A Hora e a Vez do Saneamento A Hora e a Vez do Saneamento TEREZINHA MOREIRA RESUMO O setor de saneamento básico brasileiro vivencia um claro ponto de inflexão em sua trajetória: por um lado, apresenta grandes oportunidades e significativo

Leia mais

Centros de Serviços Compartilhados

Centros de Serviços Compartilhados Centros de Serviços Compartilhados Tendências em um modelo de gestão cada vez mais comum nas organizações Uma pesquisa inédita com empresas que atuam no Brasil Os desafios de compartilhar A competitividade

Leia mais

Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas. Subsídios para a Promoção da Construção Civil Sustentável

Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas. Subsídios para a Promoção da Construção Civil Sustentável Aspectos da Construção Sustentável no Brasil e Promoção de Políticas Públicas Subsídios para a Promoção da Construção Civil Sustentável CBCS - Conselho Brasileiro de Construção Sustentável Presidente do

Leia mais

O PROCESSO DE TERCEIRIZAÇÃO E SEUS EFEITOS SOBRE OS TRABALHADORES NO BRASIL

O PROCESSO DE TERCEIRIZAÇÃO E SEUS EFEITOS SOBRE OS TRABALHADORES NO BRASIL O PROCESSO DE TERCEIRIZAÇÃO E SEUS EFEITOS SOBRE OS TRABALHADORES NO BRASIL Sistema de Acompanhamento de Contratações Coletivas SACC-DIEESE SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 03 O PROCESSO DE TERCEIRIZAÇÃO 05 Terceirização:

Leia mais

Localiza Fleet S/A. Plano de Gestão Ambiental

Localiza Fleet S/A. Plano de Gestão Ambiental S/A Local de instalação do Empreendimento Belo Horizonte, MG Documento Elaborado para o atendimento de requisitos de operação ambiental e sistematização de aspectos ambientais. 2ª. EDIÇÃO Janeiro / 2014

Leia mais

O PLANEJAMENTO DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS COMERCIAIS POR MEIO DA ATUAÇÃO DA CONTROLADORIA

O PLANEJAMENTO DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS COMERCIAIS POR MEIO DA ATUAÇÃO DA CONTROLADORIA FACULDADE LOURENÇO FILHO BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS ELIS MARIA CARNEIRO CAVALCANTE O PLANEJAMENTO DE MICRO E PEQUENAS EMPRESAS COMERCIAIS POR MEIO DA ATUAÇÃO DA CONTROLADORIA FORTALEZA 2010 1 ELIS

Leia mais

OS FUNDAMENTOS DA CRISE DO SETOR SUCROALCOOLEIRO NO BRASIL

OS FUNDAMENTOS DA CRISE DO SETOR SUCROALCOOLEIRO NO BRASIL OS FUNDAMENTOS DA CRISE DO SETOR SUCROALCOOLEIRO NO BRASIL SEGUNDA EDIÇÃO REVISTA E AMPLIADA Superintendência de Informações do Agronegócio Técnico Responsável: Ângelo Bressan Filho Abril de 2010 ÍNDICE

Leia mais

SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA NO SETOR FINANCEIRO BRASILEIRO

SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA NO SETOR FINANCEIRO BRASILEIRO SUSTENTABILIDADE CORPORATIVA NO SETOR FINANCEIRO BRASILEIRO Clarissa Lins Daniel Wajnberg Agosto 2007 Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável Rua Engenheiro Álvaro Niemeyer, 76 CEP 22610-180

Leia mais

Franquias. 1. O Sistema de Franquias 2. Franqueador 3. Franqueado

Franquias. 1. O Sistema de Franquias 2. Franqueador 3. Franqueado Franquias 1. O Sistema de Franquias 2. Franqueador 3. Franqueado 1 Índice 1. FRANQUIAS a. O Sistema de Franquias 1. Conhecendo o sistema 2. Quais os principais termos utilizados 3. Franquia x Licenciamento

Leia mais

UM MODELO PARA PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

UM MODELO PARA PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE INFORMÁTICA TRABALHO DE GRADUAÇÃO UM MODELO PARA PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE PEQUENAS EMPRESAS DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Autor: Rodrigo Queiroz da Costa Lima

Leia mais

Manual de. compras. Sustentáveis

Manual de. compras. Sustentáveis Manual de compras Sustentáveis Manual de Compras Sustentáveis Maio 2014 CEBDS Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável Manual de Compras Sustentáveis Índice O que é o CEBDS 8

Leia mais

Manual de apresentação de estudos de viabilidade de projetos de grande vulto. Versão 2.0

Manual de apresentação de estudos de viabilidade de projetos de grande vulto. Versão 2.0 Manual de apresentação de estudos de viabilidade de projetos de grande vulto Versão 2.0 Brasília, julho de 2009 Sumário Siglas... 3 Introdução... 4 I O planejamento governamental e os projetos de grande

Leia mais

O Instituto Brasileiro de Siderurgia - IBS é entidade associativa das empresas brasileiras produtoras de aço. Tem como objetivo realizar estudos e

O Instituto Brasileiro de Siderurgia - IBS é entidade associativa das empresas brasileiras produtoras de aço. Tem como objetivo realizar estudos e O Instituto Brasileiro de Siderurgia - IBS é entidade associativa das empresas brasileiras produtoras de aço. Tem como objetivo realizar estudos e pesquisas sobre produção, mercado, comércio exterior,

Leia mais

O Brasil e os Transportes Rodoviários: Uma visão sobre Gestão de Riscos e Alta Performance na Cadeia de Suprimentos. ABRALOG / Accenture

O Brasil e os Transportes Rodoviários: Uma visão sobre Gestão de Riscos e Alta Performance na Cadeia de Suprimentos. ABRALOG / Accenture O Brasil e os Transportes Rodoviários: Uma visão sobre Gestão de Riscos e Alta Performance na Cadeia de Suprimentos ABRALOG / Accenture Setembro de 2012 Conteúdo Contexto...4 Simpósio...6 Perspectivas...10

Leia mais

Incentivos Fiscais à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Brasil:

Incentivos Fiscais à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Brasil: Banco Interamericano de Desenvolvimento Divisão de Competitividade e Inovação (IFD/CTI) Incentivos Fiscais à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Brasil: Uma avaliação das políticas recentes. DOCUMENTO

Leia mais

O Programa Minha Casa, Minha Vida e a Caixa Econômica Federal

O Programa Minha Casa, Minha Vida e a Caixa Econômica Federal cap_02.qxd:layout 1 8/1/11 10:38 PM Page 33 33 O Programa Minha Casa, Minha Vida e a Caixa Econômica Federal FABIANO D`AMICO / CURITIBA, PARANÁ Resumo O desenvolvimento econômico do Brasil está diretamente

Leia mais

A NOVA AGENDA DA MEI PARA AMPLIAR A INOVAÇÃO EMPRESARIAL O ESTADO DA INOVAÇÃO NO BRASIL

A NOVA AGENDA DA MEI PARA AMPLIAR A INOVAÇÃO EMPRESARIAL O ESTADO DA INOVAÇÃO NO BRASIL A NOVA AGENDA DA MEI PARA AMPLIAR A INOVAÇÃO EMPRESARIAL O ESTADO DA INOVAÇÃO NO BRASIL MEI - MOBILIZAÇÃO EMPRESARIAL PELA INOVAÇÃO 5 UMA NOVA AGENDA PARA PROMOVER A INOVAÇÃO EMPRESARIAL NO BRASIL A capacidade

Leia mais

GABRIELA CHRISTINA WAHLMANN UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE A ATIVIDADE DE CONTROLADORIA NAS MICROEMPRESAS NA CIDADE DE UBATUBA

GABRIELA CHRISTINA WAHLMANN UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE A ATIVIDADE DE CONTROLADORIA NAS MICROEMPRESAS NA CIDADE DE UBATUBA GABRIELA CHRISTINA WAHLMANN UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE A ATIVIDADE DE CONTROLADORIA NAS MICROEMPRESAS NA CIDADE DE UBATUBA CARAGUATATUBA - SP 2003 GABRIELA CHRISTINA WAHLMANN UM ESTUDO EXPLORATÓRIO SOBRE

Leia mais

NOVA CONTABILIDADE APLICADA AO SETOR PÚBLICO: UM ESTUDO SOBRE O RECONHECIMENTO DA DEPRECIAÇÃO NA CONTABILIDADE DOS ESTADOS BRASILEIROS

NOVA CONTABILIDADE APLICADA AO SETOR PÚBLICO: UM ESTUDO SOBRE O RECONHECIMENTO DA DEPRECIAÇÃO NA CONTABILIDADE DOS ESTADOS BRASILEIROS 1 NOVA CONTABILIDADE APLICADA AO SETOR PÚBLICO: UM ESTUDO SOBRE O RECONHECIMENTO DA DEPRECIAÇÃO NA CONTABILIDADE DOS ESTADOS BRASILEIROS RESUMO O setor público vem passando por um processo de convergência

Leia mais

Autoria: Daniela Aparecida Araújo, Ricardo César Alves, Jorge Sundermann, Ramon Silva Leite

Autoria: Daniela Aparecida Araújo, Ricardo César Alves, Jorge Sundermann, Ramon Silva Leite Organizações Sem Fins Lucrativos e a Gestão Estratégica: Um Estudo da Eficiência Operacional pelo Modelo de Análise da Competitividade do Instituto Alemão de Desenvolvimento - IAD Autoria: Daniela Aparecida

Leia mais

COLETÂNEA DE ESTUDOS SOBRE GERENCIAMENTO DE PROCESSOS DE NEGÓCIO (BPM - BUSINESS PROCESS MANAGEMENT)

COLETÂNEA DE ESTUDOS SOBRE GERENCIAMENTO DE PROCESSOS DE NEGÓCIO (BPM - BUSINESS PROCESS MANAGEMENT) 1 COLETÂNEA DE ESTUDOS SOBRE GERENCIAMENTO DE PROCESSOS DE NEGÓCIO (BPM - BUSINESS PROCESS MANAGEMENT) AUTORES: Alexander Correia Marques Ana Catarina Lima Silva Igor Novaes Flori Leonora da Cunha Duarte

Leia mais

CLÍNICA VETERINÁRIA São Paulo 2ª Edição - 2005

CLÍNICA VETERINÁRIA São Paulo 2ª Edição - 2005 CLÍNICA VETERINÁRIA São Paulo 2ª Edição - 2005 ÍNDICE UM ALERTA AO EMPREENDEDOR... 7 PARA NÃO FRACASSAR... 8 SOBRE OPORTUNIDADE... 10 PLANO DE NEGÓCIO: O QUE É? COMO ELABORAR?... 11 O QUE CONSIDERAR NUM

Leia mais

Essa publicação faz parte do AMIGO DA PEQUENA EMPRESA, um projeto do SEBRAE-SP em parceria com

Essa publicação faz parte do AMIGO DA PEQUENA EMPRESA, um projeto do SEBRAE-SP em parceria com Essa publicação faz parte do AMIGO DA PEQUENA EMPRESA, um projeto do SEBRAE-SP em parceria com a Casa do Contabilista de Ribeirão Preto Conselho Deliberativo Presidente: Fábio Meirelles (FAESP) ACSP Associação

Leia mais

O Impacto do Plano Brasil Maior na Indústria do RS

O Impacto do Plano Brasil Maior na Indústria do RS O Impacto do Plano Brasil Maior na Indústria do RS GT-MAPI Grupo Técnico de Monitoramento e Avaliação da Política Industrial GETEC Gerência Técnica e de Suporte aos Conselhos Temáticos Status das medidas

Leia mais

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO MARANHÃO. DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO MARANHÃO. DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS 1 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO MARANHÃO. DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS CURSOS DE ENGENHARIA INDUSTRIAL ELÉTRICA E MECANICA ADMINISTRAÇÃO GESTÃO DA QUALIDADE Carlos

Leia mais

FACULDADE LOURENÇO FILHO RONDINELLY COELHO RODRIGUES

FACULDADE LOURENÇO FILHO RONDINELLY COELHO RODRIGUES 0 FACULDADE LOURENÇO FILHO RONDINELLY COELHO RODRIGUES UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA DE TRABALHO BASEADA EM CONTABILIDADE GERENCIAL PARA UMA EMPRESA DE PEQUENO PORTE SITUADA NO INTERIOR DO ESTADO DO CEARÁ

Leia mais

Ficha Catalográfica. 1. Assistência farmacêutica. 2. Organização e Administração. 3. Sistema Único de Saúde. I. Título. II. Série.

Ficha Catalográfica. 1. Assistência farmacêutica. 2. Organização e Administração. 3. Sistema Único de Saúde. I. Título. II. Série. 2006 Ministério da Saúde. Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A responsabilidade

Leia mais