CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA. Bruxelas, 15 de Maio de 2007 (OR. en) 9556/07 DEVGEN 88 RELEX 346 FIN 229 WTO 116 ONU 24

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1 CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA Bruxelas, 15 de Maio de 2007 (OR. en) 9556/07 DEVGEN 88 RELEX 346 FIN 229 WTO 116 ONU 24 NOTA de: Secretariado-Geral data: 15 de Maio de 2007 n.º doc. ant.: 9179/07 Assunto: Cumprir as promessas da Europa sobre o financiamento do desenvolvimento Conclusões do Conselho e dos Representantes dos Governos dos Estados- -Membros reunidos no Conselho Na sua reunião de 14 de Maio, o Conselho (Assuntos Gerais e Relações Externas) e os Representantes dos Governos dos Estados-Membros reunidos no Conselho aprovaram as conclusões constantes do Anexo da presente nota. 9556/07 AG/iam 1 DG E II PT

2 ANEXO CONCLUSÕES DO CONSELHO E DOS REPRESENTANTES DOS GOVERNOS DOS ESTADOS-MEMBROS REUNIDOS NO CONSELHO CUMPRIR AS PROMESSAS DA EUROPA SOBRE O FINANCIAMENTO DO DESENVOLVIMENTO Incremento da APD da UE e melhoria da eficácia da ajuda da UE 1. O Conselho registou de forma positiva o relatório da Comissão sobre os progressos alcançados pelos Estados-Membros na implementação dos compromissos assumidos pela UE no contexto do Consenso de Monterrey. O Conselho regista com satisfação que, apesar do declínio dos fluxos da ajuda global provenientes dos países da OCDE, a UE excedeu colectivamente, antes do prazo previsto, a sua primeira meta de referência ao aumentar a ajuda pública ao desenvolvimento (APD) para 0,42% do seu Rendimento Nacional Bruto (RNB) combinado e ao desembolsar, em 2006, um montante recorde de EUR 48 mil milhões. Em 2002, os Estados-Membros comprometeram-se no sentido de consagrar colectivamente à APD, até 2006, pelo menos 0,39% do RNB da UE a fim de aumentar a respectiva APD. Os Estados-Membros que consagram à APD 0,7% do seu RNB comprometeram-se a manter estes níveis elevados; os demais Estados-Membros comprometeram-se a atingir pelo menos o objectivo de 0,33% do RNB para a APD. 2. Assinalando que a UE contribuirá com a maior parte do aumento previsto para a APD a nível mundial, atribuindo colectivamente pelo menos cinquenta por cento desse aumento a África, o Conselho reitera o empenhamento constante da UE em tornar operacionais os compromissos da UE de Maio de 2005, e o Consenso de Monterrey, a fim de progredir tanto na quantidade como na qualidade do financiamento do desenvolvimento, salientando igualmente a estreita ligação entre a prometida intensificação da ajuda da UE e a eficácia dessa mesma ajuda. Mantendo a sua atenção nos países menos desenvolvidos (PMD), será dada uma atenção adequada aos países de rendimentos médios e em especial aos países de rendimentos médio/baixos, muitos dos quais se encontram confrontados com problemas idênticos aos dos PMD. 9556/07 AG/iam 2

3 3. O Conselho regista com satisfação que, em 2005, a África recebeu quase metade da ajuda concedida pela UE, tratando-se do continente que se encontra mais longe de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Em termos globais, um terço da APD da UE foi afectado à infraestrutura social e administrativa de combate à pobreza e dez por conto à ajuda humanitária. 4. O Conselho reafirma a sua determinação em atingir as próximas metas da UE acordadas em 24 de Maio de 2005, relativas ao compromisso de aumentar o volume da APD para atingir, até 2010, 0,51% do RNB para a APD no caso de cada um dos Estados-Membros que aderiram antes de 2002, em envidar esforços para alcançar os 0,17% no caso dos Estados-Membros que aderiram após 2002, no âmbito dos respectivos processos de afectação orçamental, e, colectivamente, em alcançar a meta de 0,56% do RNB para a APD. Estes valores representam uma etapa intermédia na via da consecução do objectivo fixado pela ONU de 0,7% até É essencial para a credibilidade da UE que essas metas sejam alcançadas. 5. O Conselho felicita os Estados-Membros que estão a manter elevados níveis de APD, próximos de 0,7% do RNB, ou mesmo superiores, bem como os Estados-Membros registam aumentos consideráveis da respectiva APD. 6. O Conselho incentiva os Estados-Membros que não atingiram a meta fixada para 2006 ou que ainda não estão em condições de cumprir os seus valores de referência respectivos para 2010 a envidarem todos os esforços para atingirem essas metas. 1 Retomado das conclusões do Conselho de Maio de 2005 (doc. 9266/05 incluindo os Anexos 1 e 2). O número 4 tem a seguinte redacção: Para alcançar os ODM, torna-se necessário aumentar com urgência a Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD). Para cumprir o compromisso assumido de alcançar a meta internacionalmente acordada de 0,7% do RNB para a APD, a UE regista com satisfação que os seus Estados-Membros estão em vias de atingir, em 2006, a meta de 0,39% do volume de APD constante dos compromissos de Barcelona. Actualmente, quatro dos cinco países que ultrapassaram a meta, definida pela ONU, de 0,7% do RNB para a APD são Estados-Membros da União Europeia. Cinco outros Estados comprometeram-se a respeitar um calendário para alcançar essa meta. Reafirmando a sua determinação em alcançar estes objectivos, a UE acorda numa nova meta colectiva de 0,56% do RNB para a APD, a cumprir até 2010, que representará, até essa data, um montante anual suplementar de EUR 20 mil milhões em APD. i) Os Estados-Membros que ainda não alcançaram o nível de 0,51% do RNB para a APD comprometem-se a atingir esse nível até 2010, no âmbito dos respectivos processos de afectação orçamental, enquanto que os que já ultrapassaram esse nível se comprometem a manter o seu esforço; ii) Os Estados-Membros que aderiram à UE depois de 2002 e que não alcançaram ainda o nível de 0,17% do RNB para a APD, esforçar-se-ão por aumentar a respectiva APD para atingir esse nível até 2010, no âmbito dos respectivos processos de afectação orçamental, enquanto que os que já ultrapassaram esse nível se comprometem a manter o seu esforço; iii) Os Estados-Membros comprometem-se a alcançar a meta de 0,7% do RNB para a APD até 2015, enquanto que os que já atingiram essa meta assumem o compromisso de manter o esforço acima desse nível; os Estados-Membros que aderiram à UE depois de 2002 esforçar-se- -ão, até 2015, por aumentar para 0,33% a respectiva APD com base no RNB. 9556/07 AG/iam 3

4 7. Salientando que esta questão é da competência nacional dos Estados-Membros, o Conselho congratula-se com a proposta da Comissão relativa aos calendários nacionais e incentiva os Estados-Membros em causa a trabalharem nesses calendários até ao final de 2007, a fim de aumentarem os níveis de ajuda no âmbito dos respectivos processos de afectação orçamental, no sentido de alcançarem as metas de APD estabelecidas. Tendo em conta que a decisão final sobre a elegibilidade da APD será tomada pelo Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE, o Conselho convida a Comissão a fornecer dados prospectivos sobre as estimativas das despesas da Comunidade em matéria de APD. 8. O Conselho convida a Comissão a dar apoio aos esforços de comunicação dos Estados- -Membros, em especial dos que aderiram após 2002, destinados a assegurar um apoio sustentado por parte da respectiva opinião pública para volumes de ajuda mais importantes, tendo em conta as melhores práticas dos Estados-Membros. 9. O Conselho faz notar que certas medidas, como por exemplo o aligeiramento da dívida e a ajuda pós-tsunami contribuíram para o aumento da APD da UE, criaram uma margem orçamental para o desenvolvimento nos países em causa e contribuíram para a sua estabilização económica. Atendendo a que essas medidas são pontuais, para que as metas da APD da UE sejam alcançadas serão necessários esforços adicionais no quadro dos compromissos da UE assumidos em Monterrey O Conselho exorta os Estados-Membros a cumprirem as suas obrigações de notificação da APD e exorta o CAD da OCDE a implementar a sua estratégia de informação em relação aos doadores emergentes da UE que ainda não sejam membros da OCDE ou do CAD da OCDE. A Comissão poderá dar apoio neste domínio, no âmbito do apoio global em matéria de reforço das capacidades concedido aos Estados-Membros que aderiram à UE após Ver nota de pé-de-página /07 AG/iam 4

5 11. O Conselho está consciente dos compromissos dos Estados-Membros e da Comissão no sentido de se prepararem para uma utilização eficiente e eficaz de volumes de ajuda em rápida progressão, em conformidade com a Declaração de Paris sobre a eficácia da ajuda, mediante uma aplicação rápida e prática dos futuro código de conduta da UE em matéria de divisão das tarefas na política de desenvolvimento e mediante o alinhamento da ajuda pelos planos nacionais de desenvolvimento dos países parceiros e o apoio aos mesmos através do reforço das capacidades. 12. O Conselho recorda o empenho da UE em mecanismos de ajuda mais previsíveis e menos voláteis, essenciais para um planeamento eficaz dos progressos na concretização dos ODM, e reconhece que são necessários progressos mais rápidos na sua implementação. Sempre que as circunstâncias o permitam, o recurso ao apoio do orçamento geral ou sectorial, entre outros instrumentos, deverá aumentar por forma a reforçar a apropriação, apoiar a responsabilização nacional dos parceiros e os procedimentos para financiar as estratégias nacionais de redução da pobreza e promover uma gestão sólida e transparente das finanças públicas. 13. O Conselho salienta a importância de os países em desenvolvimento criarem um enquadramento que proporcione um crescimento económico sustentável e permita uma utilização eficaz do apoio externo concedido. 14. O Conselho incita todos os doadores a respeitarem elevados padrões de transparência na concessão da sua ajuda, e a seguirem princípios internacionalmente partilhados, como os consignados na Declaração de Paris. O Conselho congratula-se com o processo actualmente em curso de avaliação da Declaração de Paris e incentiva os Estados-Membros e a Comissão a avaliarem os respectivos progressos para implementar os princípios e os compromissos, e para cumprirem as metas da Declaração de Paris e os compromissos adicionais da UE. 9556/07 AG/iam 5

6 Instrumentos de financiamento inovadores 15. O Conselho congratula-se com as iniciativas de alguns Estados-Membros que, com o objectivo de encontrarem fontes de financiamento previsíveis e sustentáveis aplicam, entre outras medidas, fontes inovadoras de financiamento entre as quais se contam a Facilidade de Financiamento Internacional a favor da Vacinação, a taxa de solidariedade nas passagens aéreas que financia a UNITAID e a Garantia de Mercado para as Vacinas (AMC), que podem servir de exemplos, e convida os Estados-Membros a continuarem a analisar a eficácia dessas fontes de inovadoras. Remessas de fundos 16. O Conselho salienta a importância das remessas de fundos, enquanto complemento do financiamento do desenvolvimento, e reconhece que é necessário criar e promover condições para transferências de remessas mais baratas e seguras tanto nos países de origem como nos países beneficiários, e facilitar o impacto sobre o desenvolvimento dos países beneficiários. Dívida 17. O Conselho reconhece que a necessidade de garantir a sustentabilidade da dívida dos países de baixo rendimento continua a representar um desafio a longo prazo, e salienta que, a este respeito, o quadro da sustentabilidade da dívida estabelecido pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional constitui um instrumento importante. O FMI deverá ser a agência responsável por assegurar a sua aplicação. O Conselho solicita aos Bancos de Desenvolvimento Multilateral, aos dadores bilaterais, às Agências de exportação de créditos e aos credores comerciais que adiram a este quadro. 18. O Conselho congratula-se com o debate actualmente efectuado nas instâncias internacionais competentes acerca da responsabilidade na concessão e contracção de empréstimos, salienta a necessidade de promover o diálogo sobre esta questão com os novos provedores de fundos e encoraja as iniciativas tendentes a melhorar a gestão da dívida dos países em desenvolvimento. 9556/07 AG/iam 6

7 19. O Conselho congratula-se com a participação dos Estados-Membros da UE e da Comunidade nas operações da aligeiramento da dívida, nomeadamente na iniciativa para os PPAE e, se adequado, na iniciativa multilateral de aligeiramento da dívida (IMAD), e incentiva a continuação dessa participação, aderindo simultaneamente ao princípio da adicionalidade tal como estipulado no Consenso de Monterrey 3. Choques exógenos 20. O Conselho insta os Estados-Membros e a Comissão a tentarem encontrar um novo equilíbrio entre as resposta ex post às catástrofes naturais e as estratégias ex ante de redução dos riscos, dando uma ênfase maior às segundas, no âmbito de uma abordagem coordenada da UE em relação à prevenção de catástrofes, e preparação para as mesmas, sendo que, nesta questão, os países em vias de desenvolvimento e os doadores precisam de intensificar os esforços para reduzir a vulnerabilidade aos choques exógenos, em conformidade com o Quadro de Acção de Hyogo. Em relação a este aspecto, o Conselho congratula-se com a implementação de um instrumento para choques exógenos no âmbito do FMI. Desligamento da ajuda 21. O Conselho apela aos Estados-Membros para que dêem o seu apoio a uma nova extensão das recomendações do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento (CAD) da OCDE que se centram no acesso para os países em vias de desenvolvimento e promovem as preferências locais. 22. O Conselho exorta os doadores que ainda não procederam ao desligamento da respectiva ajuda que envidem esforços neste sentido, e reafirma que a UE acordou em fazer progredir, no âmbito das instâncias internacionais pertinentes, o desligamento da ajuda alimentar e do transporte da ajuda alimentar. 23. O Conselho recorda a directiva da UE relativa aos contratos públicos e salienta a importância da sua implementação neste contexto. 3 Consenso de Monterrey, ponto 51: "Encorajamos os países doadores a tomarem medidas para assegurar que os recursos concedidos para o aligeiramento da dívida não sejam deduzidos dos recursos da APD destinados aos países em desenvolvimento". 9556/07 AG/iam 7

8 Instituições financeiras internacionais 24. O Conselho congratula-se com o reforço da coordenação e a constante melhoria qualitativa da cooperação no âmbito dos mecanismos adequados e informais entre os representantes da UE e os respectivos grupos nas instituições financeiras internacionais, em especial o Banco Mundial. 25. O Conselho incentiva os Estados-Membros a, através dos seus representantes no Banco Mundial e nos bancos regionais de desenvolvimento, prosseguirem os seus esforços com vista a uma melhor coordenação informal, sempre que necessário, e, com a participação da Comissão, através nomeadamente do intercâmbio de informações e de declarações conjuntas, sempre que adequado. Tal poderá incluir as estratégias por país destas instituições, em particular nos casos em que já exista uma harmonização melhorada a nível de país, em conformidade com a Declaração de Paris, ou em que a UE tenha assumido compromissos financeiros consideráveis. 26. O Conselho congratula-se com os processos em curso para reformar as estruturas de governação no Fundo Monetário Internacional e no banco Mundial. Bens públicos mundiais 27. O Conselho apela aos Estados-Membros e à Comissão para que intensifiquem a sua acção no domínio dos bens públicos mundiais através de um reforço da colaboração e da política de alianças com os países em vias de desenvolvimento. Acompanhamento 28. O Conselho convida a Comissão a preparar o relatório de Monterrey do próximo ano tendo especialmente em conta a participação da UE no 3.º Fórum de Alto Nível em 2008 dedicado à eficácia da ajuda, a realizar em Accra, e a Conferência sobre o Financiamento do Desenvolvimento, a realizar em Doha. 9556/07 AG/iam 8

9 Anexo ao ANEXO REFERÊNCIAS 1. Revisão dos ODM no âmbito da Reunião de Alto Nível da ONU de Declaração do Milénio e Objectivos de Desenvolvimento do Milénio Consenso de Monterrey sobre o Financiamento do Desenvolvimento 3 de 2002, e "Compromissos de Barcelona" da UE, aprovados em Março de , e os novos compromissos da UE, aprovados em Maio de Fórum de Alto Nível sobre a Harmonização, realizado em Paris, em Março de 2005, e Declaração de Paris Conclusões do Conselho de Novembro de 2004 e Novembro de 2005 sobre a eficácia da acção externa da UE 7, de Dezembro de 2005, sobre a Ajuda ao Comércio 8 e conclusões do Conselho de Abril de Consenso Europeu para o Desenvolvimento, de 20 de Dezembro de Relatório da Comissão sobre o financiamento do desenvolvimento, nomeadamente o relatório intitulado "Respeitar os nossos compromissos em matéria de financiamento do desenvolvimento" Doc. A/60/L1. Doc. A/RES/55/2. Doc. A/CONF.198/11. Doc. 7176/02. Doc. 9266/05, incluindo os Anexos I e II. Doc /04 e doc /05. Doc /05. Doc. 8388/06. JO C 46 de , p. 1. Doc. 8451/07 DEVGEN 59 RELEX 244 FIN ADD /07 AG/iam 9 Anexo ao

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