editorial Como todos sabem empreendedorismo A hora e a vez do empreendedorismo

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4 editorial A hora e a vez do empreendedorismo Como todos sabem empreendedorismo é o principal fator que promove o desenvolvimento econômico e social de uma nação. Identificar oportunidade e transformá-las em negócios lucrativos são para pessoas super especiais. O Brasil atualmente possui uma economia aberta e inserida no processo de globalização. Somos a 6ª economia mundial, prestes a ocupar o quinto lugar. E o empreendedorismo é um dos vértices para o crescimento da nação, pois a criatividade aliada à perspectiva de oportunidade gera sucesso. Com uma política de redemocratização é o momento ideal para crescer, aproveitando o novo espaço e ousar. Durante muito tempo não podíamos pensar, não nos era permitido. Devemos aproveitar os tempos políticos atuais, pois eles nos favorecem e um empreendedor necessita fundamentalmente de liberdade, criatividade para construir seu negócio. Não há idade para começar a empreender, basta ter habilidade de ver e avaliar oportunidades e negócios, inovar no segmento escolhido é a arte de obter êxito. Se você pretende seguir no brilhante caminho do empreendedorismo, saiba que uma pessoa que empreende busca constantemente auto-realização. Não visando somente o lucro, pois isto será o fruto natural de seu trabalho. Ficar alerta é sempre um dever, pois deixar passar uma oportunidade sem correr atrás dela gera grande frustração. Hoje em dia o Brasil aposta em cursos para formar empreendedores. Existem pensamentos e opiniões de economistas que o estudo deveria ser colocado nas escolas a partir do ensino fundamental, pois assim reduziria o número de jovens e adultos que acabam se individando por falta de controle e administração do seu próprio capital. Um empreendedor é uma pessoa totalmente orientada para a ação, não basta somente ter boas ideias mas precisa fazer acontecer. Uma forte característica do empreendedor é a motivação, a capacidade de assumir riscos e calcular o que for necessário para atingir seu objetivo. Em qualquer empreendimento, o mais importante de um sistema de inovação é a atuação de uma liderança. Em primeiro lugar, é a visão, do segmento mercadológico que definirá a organização como um todo e percorrerá os trilhos da inovação. Nesta edição você estará em contato com empreendedores que pegaram a oportunidade e foram em direção ao alvo, obtendo sucesso. São exemplos nacionais e internacionais que se destacam em seu segmento, inovando, investindo, se arriscando porém vencendo. Um dos segredos do sucesso é inovar com sustentabilidade em seu próprio segmento. Na ocasião mostraremos os ganhadores do Destaque Empresarial 2012, um prêmio que faz jus ao esforço e ao trabalho do empreendedor em questão. Oferecido pela Associação Comercial de São Paulo, entidade que defende a livre iniciativa e o empreendedorismo. Você leitor terá oportunidade de conhecer a trajetória de sucesso empresarial de cada um dos premiados. Lino Almeida Editor 4

5 Diretor Responsável Lino Almeida (MTB ) índice Jornalismo Regina Elias (MTB ) Edição de Textos Cassiana Crisostemo de Almeida Projeto Gráfico e Diagramação Priscilla Lima Assistente de Arte Laércio Guerreiro de Souza Junior Departamento Comercial Marina Crisostemo Circulação e Assinatura Daniela Crisostemo de Almeida Redação Rua Banco das Palmas, cj. 03 Santana - Sãp Paulo - SP CEP tel: (11) / Produção e Acabamento Global News Editora As matérias assinadas refletem o ponto de vista de seus autores, isentando a direção desta revista de quaisquer responsabilidades provenientes das mesmas. A empresa esclarece que não mantém nenhum vínculo empregatício com qualquer pessoa que conste neste expediente. São apenas colaboradores da revista. É vetada a reprodução parcial ou integral do conteúdo desta revista sem autorização expressa do Diretor Responsável. EMPREENDEDORISMO Como criar um ambiente favorável para o empreendedorismo? ERA DA TECNOLOGIA COM INOVAÇÃO A internet 4G vem aí. Mas o que preciso saber sobre ela? EMPREENDEDORES TRABALHANDO PELO BRASIL Empreendedores Tops de 2012 recebem destaque da Associação Comercial. SUSTENTABILIDADE Os especialistas em sustentabilidade ajudam a fortalecer os negócios. pg.6 20 pg. 36 pg. 72 pg.

6 EMPREENDEDORISMO COMO CRIAR UM AMBIENTE FAVORÁVEL PARA O EMPREENDEDORISMO? Um dos fatores mais importantes da empresa inovadora é delegar autonomia aos funcionários. No modelo antiquado, predominante até poucas décadas atrás, o perfil de gestão era centralizador, seus líderes concentravam poder por autoridade e estimulavam o comportamento passivo de seus subordinados, controlados ferozmente. Já os melhores líderes, num conceito mais moderno, atuam vigorosamente ao definir caminhos, fazer escolhas e priorizar investimentos para conduzir a organização rumo a um futuro brilhante. Para dar suporte ao crescimento, com atenção às mais variadas oportunidades e com ótima capacidade de transformar ideias criativas em projetos de novos negócios, essas corporações se estruturam em organizações específicas para atuar em mercados bastante distintos, conferindo a responsabilidade pelos negócios a um grande time de líderes. A 3M organiza-se atualmente em seis grandes Grupos de Negócio Indústria & Transporte, Saúde, Segurança, Consumo & Escritório, Elétricos & Comunicação e Comunicação Visual -, por onde se distribuem 4- business units com alto nível de independência. A brasileira Votorantim também se baseia em torno de três grandes segmentos. Na área industrial, há estruturas para desenvolver os negócios de cimento, mineração e metalurgia, siderurgia, papel e celulose, suco de laranja e autogeração de energia; no mercado financeiro, há o banco, a financeira, a gestão de ativos, operações de leasing e corretora; em novos negócios, investiu-se em atividades de biotecnologia, pesquisa mineral e química. O presidente da 3M e seu corpo de diretores sabem que não poderão liderar pessoalmente todos os negócios, não serão capazes de desenvolver todas as estratégias vencedoras e conceber todas as novas ideias para o crescimento dos negócios. Em nossa empresa, na qual esse tipo de estrutura organizacional vigora desde a década de 1940, a regra sempre foi delegar responsabilidades e autonomia aos funcionários, inspirados no exemplo dos líderes dos tempos heroicos das primeiras décadas. Dessa forma, cria-se um amplo espaço para a atuação de intraempreendedores nas dezenas de áreas de negócio e surgem a todo o momento oportunidades para novas lideranças que desejam fazer a diferença. Uma ferramenta formal muito poderosa para fortalecer essa orientação à inovação é a nossa Avaliação Anual de Desempenho. Ao final do ano, todos os funcionários da 3M são avaliados por um grupo de pessoas com base em certos atributos. Pelo menos dois deles se referem diretamente à atitude empreendedora e à capacidade de interpretação da realidade, de fora para dentro, com proximidade do mercado para visões originais que agreguem valor ao negócio. Dessa forma, criase um amplo espaço para a atuação de intraempreendedores nas dezenas de áreas de negócio e surgem a todo o momento oportunidades para novas lideranças que desejam fazer a diferença 6

7 divulgação INCENTIVO AO EMPREENDEDORISMO Toda empresa inovadora almeja que seus funcionários sintam-se estimulados a colaborar com o crescimento da organização, não somente executando tarefas definidas, mas usando sua energia para propor ideias, sugerindo novos caminhos para os negócios, aperfeiçoando processos, solucionando problemas. O início é realmente conceder autonomia. Os talentos da companhia devem estar plenamente cientes dos objetivos, valores, políticas e outros aspectos importantes do ambiente de negócios da empresa. Com esse ambiente de liberdade e autonomia, líderes empreendedores se fortalecem e, motivados por um propósito, concebem ideias e experimentam possibilidades, dando abertura para as inovações. Esse comportamento caracteriza o intraempreendedorismo, um conceito que passou a ser mais estudado no final da década de 1970 por acadêmicos como Gifford Pinchot, autor do livro-base para os primeiros cursos sobre o assunto que começaram a ser ministrados no Brasil especialmente a partir dos anos 1990, e que tentou responder a uma grande pergunta: como uma organização consegue cultivar um ambiente e fortalecer uma cultura favoráveis ao intraempreendedor? Na prática, sabemos que é algo muito difícil de implementar, pois líderes desqualificados, teias burocráticas, inexistência de propósitos e tantos outros obstáculos costumam emperrar o potencial máquina de inovação. 7

8 EMPREENDEDORISMO Empreendedorismo se ensina na escola O Brasil ainda deixa de criar novas potências empresariais por outra razão: falta de preparo e, podemos até dizer, carência de perspectivas da mão de obra nacional A redemocratização política e a consequente abertura da economia brasileira ao mercado estrangeiro já completaram mais de 20 anos. O Produto Interno Bruto cresceu exponencialmente neste período e milhares de pessoas ascenderam socialmente. Mas, embora as instituições brasileiras tenham conquistado crescimento e solidez - sejam elas políticas, econômicas ou educacionais - pouco se fez para destravar as rédeas burocráticas e culturais que impedem o surgimento de novos negócios no País. Prova disso é a alarmante 121ª colocação ocupada pelo Brasil em classificação global no ambiente empresarial realizada pelo Banco Mundial em De acordo com a lista, é mais fácil empreender num país como Serra Leoa (África), que ocupa a 76ª posição na classificação e cujas famílias lutam para garantir o alimento de cada dia, do que no Brasil, a 6ª maior economia do mundo. O ambiente institucional brasileiro é, com certeza, um empecilho para a criação de novos negócios em todas as esferas: municipal, estadual e federal. O empreendedor se depara com a exigência de um número excessivo de documentos, vultosos pagamentos de impostos, dificuldade na obtenção de licenças. E, como se não bastasse, o Brasil ainda deixa de criar novas potências empresariais por outra razão: falta de preparo e, podemos até dizer, carência de perspectivas da mão de obra nacional. Alguns argumentariam que o problema gira em torno dos baixos investimentos públicos em educação. Não é o caso. A União destina o equivalente a 5,8% do PIB à educação - padrão perto do adequado, segundo a UNESCO -, com meta de, nos próximos cinco anos, elevar o gasto a 7%. A questão, portanto, está na má administração dos recursos. E a educação pública elementar é um reflexo disso: no ensino básico - que compreende ensino infantil, fundamental e médio -, o investimento por aluno é de apenas R$ 3.580, enquanto que, no ensino superior, a cifra sobe para R$ , de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Com o objetivo de identificar e desenvolver empreendedores em todas as esferas socioeconômicas, a JBS criou a escola Germinare. Trata-se de uma escola gratuita subsidiada por recursos privados, que visa a estimular e aguçar o espírito empreendedor entre alunos do ensino fundamental e médio. A expectativa é mudar um cenário registrado por uma pesquisa realizada pela Endeavor, em que o brasileiro aparece como o típico baixo sonhador. Entre os Brics, o Brasil é, de acordo com o levantamento, o país que tem a segunda pior expectativa em relação aos seus próprios negócios. Por isso, a Germinare, que em 2013 completa quatro anos, mostra como tem cumprido um papel importante, ainda que incipiente, na mudança desta cultura. Localizada na Zona Oeste de São 8

9 EMPREENDEDORISMO Paulo, famílias de todas as classes têm acesso ao ensino da Germinare. Isso por meio de um rígido processo de admissão, coordenado pela consultoria Primeira Escolha - a mesma que prepara a seleção de alunos para o Insper -, composta por entrevista pessoal com uma equipe multidisciplinar, dinâmicas em grupo, testes de conhecimento acadêmico e análise do potencial cognitivo do ingressante. A proposta pedagógica da escola é sua principal ferramenta na difusão dos conceitos do empreendedorismo. Ao mesmo tempo em que contempla o currículo tradicional exigido pelo Ministério da Educação, a Germinare incorpora em sua grade de disciplinas, da menor à maior série, matérias como introdução ao mundo dos negócios, educação para o consumo e matemática financeira. O intuito básico é colocar os alunos diante dos desafios reais da vida profissional, em projetos que instigam o espírito de liderança. O período de aula é integral, 10 horas diárias, e, além de ser utilizado para o debate de assuntos relacionados ao empreendedorismo na sala de aula, propicia o contato entre estudantes e empresas, a partir de visitas a unidades de produção. Não à toa, a dificuldade do Brasil em empreender está ligada não só a um ambiente institucional e regulatório ainda pouco desenvolvido e à formação técnica ainda deficiente da sua força de trabalho, mas, sobretudo, à falta de confiança das pessoas em suas próprias ideias. A grande questão é que não podemos tratar essa série de entraves de formas distintas. Todos têm um mínimo múltiplo comum: a educação básica. É nesse setor que os valores do empreendedorismo e liderança devem ser transmitidos e reforçados desde cedo. Isso já acontece na Germinare e pode ser replicado em outras tantas instituições de ensino. Afinal, uma economia do porte da brasileira já não aceita mais remendos e curativos. divulgação Bielefeld School, na Alemanha: Empreendedorismo se aprende desde cedo. 9

10 EMPREENDEDORISMO EMPREENDEDORISMO, DINHEIRO X PLANO DE NEGÓCIO - UM ENCANTO OU UM Vivemos em um mundo totalmente capitalista, onde creio que a maioria concorda comigo, as razões em que descrevo esta afirmação, é em virtude de ser Acadêmico de Administração com ênfase em Empresas, e na perspectiva de se colocar em prática daquilo que aprendo na teoria em sala de aula, nos Banco da Universidade. E com certeza aumentar meu rendimento familiar e ajudar a manter-me no meu dia-a-dia. Certa vez, no 5 semestre o Prof Ismael, onde ministrava a matéria de Empreendedorismo e Liderança, adotou um livro para que fosse lido e fizesse uma resenha sobre o assunto, o livro foi: O Segredo de Luisa. Uma Ideia, Uma paixão e um DESENCANTO? Plano de Negócios: Como Nasce o Empreendedor e se cria uma empresa de Fernando Dolabela e editado pela Editora Cultura Editores Associados. Lendo o Livro, fiquei empolgado, pois no seu conteúdo o livro, nos orientava que para se criar uma empresa o mais importante é um ótimo Plano de Negócio e um excelente Projeto e que dinheiro não era tão importante e se possível, procurasse uma parceria, como por exemplo: o SEBRAE. Até ai tudo bem: Elaborei um bom Plano de Negócio, um excelente Projeto e procurei o SEBRAE, chegando lá fui orientado pelo consultor em fazer um projeto e uma (análise de mercado) que é o plano de negócio, pois se não tivesse isto, seria impossível concluir esse empreendimento, e se fosse o caso eles fariam e teria que divulgação 10

11 EMPREENDEDORISMO divulgação pagar uma taxa, falei que o meu objetivo principal de procurar o SEBRAE era conseguir recurso, isto é Capital para a conclusão do projeto, pois o mais já estava providenciado, isto é, Projetado, analisado e o mais importante aprovado. No entanto o consultor nada pôde fazer, ai fiquei me perguntando. Como que o Dinheiro não é importante? No momento, não concordei sobre o livro, em descrever que o dinheiro não é importante para um empreendimento, concordo que o objetivo maior de um empreendimento é o Plano de Negócios. O Plano de Negócios por nós desenvolvidos não representa somente um instrumento de planejamento formalizado em um papel. O Plano de Negócios deve, sim estar integrado a toda a empresa, difundindo e retroalimentado permanentemente com as informações de seu conteúdo no livro bem apresentado que possam contribuir para o sucesso organizacional. E que o planejamento também deve ser flexível a novas realidades, adaptável a novos paradigmas, sob pena de tornar-se um instrumento ultrapassado e não efeito. Já no 6 semestre na matéria de filosofia, matéria ministrada pelo Prof Paulo Neto, onde na aula em que o tema foi o Problema Linguístico ou Filosofia da Linguagem pude refletir algo. Creio que todos já viram ou ouviram falar desta frase: O dinheiro é a mola que move o mundo!. Certamente são poucos os que com ela não concordam. Ela sintetiza com precisão o que o dinheiro representa no mundo de hoje, apesar de incompleta. Sim, incompleta, pois o dinheiro não apenas move o mundo, mas é também para a maior parte das pessoas o foco principal de seus pensamentos e seu objetivo de vida mais elevado. Para angariar dinheiro elas sacrificam a saúde e seu precioso tempo terreno, forjam e destroem amizades, são capazes de mentir, ludibriar, roubar e até matar. Tudo pelo dinheiro. Por ter a humanidade elevado com tanto afinco esse bezerro de ouro a um lugar de honra, ao ponto mais alto do seu altar de idolatrias, o descalabro econômico que atinge a Terra torna-se agora um dos mais pesados golpes do Juízo. A instabilidade econômica mundial traz convulsão social, crise de governabilidade, medo e, principalmente, insegurança. A ânsia desmedida pelo dinheiro é mais um sintoma do domínio do intelecto sobre o espírito. Como aquele provém da matéria, só tem capacidade de reconhecer e dar valor àquilo que é material. E o dinheiro é o instrumento capaz de realizar o sonho de todas as pessoas dominadas pelo seu intelecto: acúmulo ininterrupto de bens e riquezas terrenas. Uma grande parte ainda dessas pessoas luta apenas pelo dinheiro, unicamente para possuí- -lo, sem sequer desfrutar das coisas que ele pode comprar e muito menos utilizá- -lo em prol do bem comum. Terríveis são os efeitos retroativos desse ápice de egoísmo. Toda a segurança que tolamente imaginam dispor pela posse do dinheiro transformar-se-á em pó de uma hora para outra. Como seria então a maneira correta de se relacionar com o dinheiro? Uma grande e inflexível lei perflui toda a Criação e assim também esta nossa pequena Terra de matéria grosseira: a Lei da Reciprocidade ou Lei de Retorno. Entre outros efeitos, essa lei estabelece que em tudo tem de haver equilíbrio. Dar e receber em contínuo movimento. Onde não houver paridade absoluta entre o dar e o receber, lá não pode haver harmonia. Pode-se dizer que a exigência de se manter o equilíbrio em todas as coisas é igualmente uma lei, assim como é também uma Lei da Criação a necessidade de se manter o movimento dentro dela. Ambas as leis, a Lei do Equilíbrio e a Lei do Movimento, estão inseridas na Lei da Reciprocidade, fazem parte dela. O ser humano é transpassado por uma Força que o permite viver. Essa Força é neutra, e pode ser dirigida tanto para o bem como para o mal. Através de seus pensamentos, palavras e ações, ele tem o poder de dirigir a Força, recebendo para si mesmo depois de um certo tempo, através da Lei da Reciprocidade, tudo o que ele próprio formou com essa Força neutra a ele doada. A única coisa que separa você de começar um novo Negócio é o fato de que você ainda não tenha tentado A Persistência e a Decisão é muito importante. No entanto, temos que continuar com nossos sonhos para que eles se tornem realidade. José Valdeci de Souza Martins Acadêmico do Curso de Administração com Ênfase em Empresas. Instituto Campo Grande de Ensino Superior - ICG 11

12 EMPREENDEDORISMO LIBERDADE, IGUALDADE E INOVAÇÃO SÃO AS FORÇAS DO EMPREENDEDORISMO Visão de futuro e planejamento têm se mostrado fundamentais para as empresas que conseguem se manter por décadas em evidência divulgação 12

13 EMPREENDEDORISMO A sede da 3M em Sumaré, interior paulista, está em obras. Novos laboratórios serão construídos. Outros, ampliados. Até o refeitório está parcialmente fechado para que sua capacidade seja duplicada. As mudanças são motivadas pelos resultados animadores dos últimos anos e pelos planos ambiciosos para os próximos. Recentemente, a filial brasileira conseguiu atingir uma meta difícil: fazer com que 30% das receitas viessem da venda de produtos lançados há, no máximo, cinco anos. A ordem agora é chegar aos 40% até Temos todas as condições de abreviar este prazo, atingindo a meta ainda em 2015, diz José Varela, presidente da 3M no país. O otimismo tem fundamento. Nos últimos anos, a 3M aumentou consideravelmente esse índice considerado uma das mais eficientes medidas do poder de inovação de uma empresa. Em 2006, por exemplo, a participação dos produtos recém-lançados em seu faturamento não passava de 9%. O crescimento vigoroso é fruto da combinação de uma cultura corporativa flexível pouco hierárquica com o atual momento da economia brasileira. Em outras palavras: de uma gestão inovadora com as circunstâncias. Este casamento fez com que a 3M do Brasil se transformasse em uma das cinco maiores do grupo, algo que provoca duas situações complementares. A primeira é que a filial receberá cada vez mais atenção da matriz (leia-se recursos). A segunda é que será cada vez mais cobrada por essa atenção. Os acionistas estão investindo pesado aqui e vão querer retorno, diz Varela. A 3M acaba de desenvolver um filtro de água para a Petrobras utilizar na exploração do pré-sal. O produto é mais leve e tem uma vida útil 50% maior do que as soluções existentes no mercado. Outra novidade no Brasil é um aparelho ortodôntico fixo que dispensa o uso daquelas borrachinhas coloridas. Os usuários de aparelhos agradecem. A matriz também aplaudiu a iniciativa da Filial de trocar todas as fachadas das antigas agências do Banco Real pelas do Santander. Nesse projeto, a empresa não só vendeu os painéis luminosos como também lucrou ao oferecer ao banco o gerenciamento do serviço de troca desses painéis terceirizando a tarefa para alguns de seus parceiros comerciais. TODOS POR UM Esses produtos só viraram realidade porque as ideias dos funcionários da 3M brasileira foram partilhadas com os colegas do México, China e Estados Unidos. É o modelo de inovação participativa, que agiliza o processo de transformação de ideias em produtos ou serviços. Um ajuda o outro e assim o projeto vai tomando corpo (basta passar a mão no telefone, mandar um ou uma mensagem pela intranet para qualquer departamento, em qualquer parte do mundo). Para trabalhar aqui, a pessoa precisa gostar mesmo de trabalhar em grupo. Nesta companhia, ninguém faz nada sozinho, afirma Christopher Olson, um americano PHD em química que é diretor técnico no Brasil. Trabalhar em equipe e buscar sempre o pioneirismo- em qualquer área é Uma filosofia que acompanha a 3M desde a sua fundação. Ajuda e muito nessa tarefa a prática de deixar os empregados usarem 15% do seu tempo para pensar em inovações, e a política de destinar ao menos 5%do faturamento para pesquisas, Foi assim que a empresa inventou a fita crepe, o Post-it, o líquido impermeabilizante, a esponja dupla face A cultura inovadora da empresa está intimamente ligada a William L. McKnight, que comandou a empresa (como CEO e depois chairman), entre 1929e Numa época em que empresa eficiente era aquela que controlava e supervisionava de perto os funcionários, McKnight veio com uma conversa diferente. Sua regra básica de gestão era delegar responsabilidade e encorajar homens e mulheres (sim, ele já estava atento ao papel delas no mercado de trabalho) a ter iniciativa própria. Sabia, porém, que dar autoridade às pessoas implicava correr riscos e tolerar erros. A gestão que faz críticas destrutivas aos erros mata a iniciativa, dizia. O ideário de liberdade criativa de McKnight se espalhou como um vírus pela 3M. E fez dela uma das companhias mais inovadoras do planeta Inovar não significa apenas fazer algo radicalmente novo. É possível ser inovador renovando um processo, restaurando uma ideia ou dando um uso diferente a algo já existente. Na Basf, esse olhar amplificado sobre o processo de inovação é resumido por uma iniciativa chamada Copywith Pride. Pois é.uma das maiores indústrias químicas do planeta não só não vê mal algum em copiar, como estimula seus funcionários a replicar em seus departamentos inovações feitos por outros colegas. O objetivo é tomar o processo de inovação mais eficiente e, por isso mesmo, não vale simplesmente copiar uma ideia exitosa. É preciso melhorá-la e adaptá-la. Esse processo também faz com que os funcionários estejam sempre de olho em tudo o que acontece na empresa, afinal, nunca se sabe onde vai aparecer uma boa ideia. As trocas podem acontecer não só entre pessoas de diferentes departamentos, mas também de outros estados do Brasil e até países. A comunicação interna da Basf ajuda nessa empreitada, divulgando as inovações para toda a empresa. Na 3M, onde 30% do faturamento vem de produtos lançados, no máximo,. há cinco anos, o processo para se chegar a uma inovação existe, mas ele não está escrito em nenhum manual e nem tem um passo a passo a ser seguido pelos funcionários. Cada um escolhe como desenvolver sua ideia. Assim que alguém pensa em algo novo, começa a se mexer imediatamente para dar corpo a essa novidade. Se precisar de ajuda, pode entrar em contato com quem quiser. Há quem prefira ligar para o colega. Outros preferem usar o . Há quem use o Skype ou então um dispositivo interno que temos de troca de mensagens, diz Christopher Olson, diretor técnico da empresa. O que importa, no fim das contas, é fazer a ideia virar um projeto e esse projeto virar um novo serviço ou produto. 13

14 divulgação Como se faz gente que faz um empreendedor David Cohen Sim, é possível formar empreendedores. Investir nisso é bom para o país, bom para as empresas e bom para você Vocês sabem o que é felicidade?, pergunta o professor Jeffry Timmons a uma turma de 40 empresários, altos executivos e acadêmicos no colégio de Babson, uma linda faculdade de negócios na periferia de Boston, conhecida como o maior centro de ensino de empreendedorismo dos Estados Unidos. Os alunos, gente como Richard Teerlink, ex-presidente da Harley-Davidson, respondem em coro: Felicidade é um fluxo de caixa positivo! Essa turma está assistindo a um seminário de cinco dias para formar professores de empreendedorismo, que vão dar aulas em faculdades dos Estados Unidos, da Europa, da Ásia e da América Latina. Boa parte é de gente que já ficou rica e agora quer passar sua experiência para a frente. Eles querem saber a melhor maneira de ensinar. Mas ensinar a empreender?para quê? Há poucas dúvidas, hoje, de que uma sociedade com mercado livre é capaz de produzir mais riqueza. Mas há uma condição primordial para que isso aconteça, uma característica sem a qual o mercado mais livre pode se tornar o menos aproveitado de todos: gente. Sem pessoas capazes de criar e aproveitar oportunidades, melhorar processos e inventar negócios, de pouco adiantaria ter o mercado mais livre do mundo. Não são só os empregos. Diferenças no nível de atividade empreendedora podem ser responsáveis por um terço da variação do crescimento econômico de um país, segundo um estudo feito em dez países pelo Global Entrepreneurship Monitor, um grupo de pesquisa formado pelo Babson College e pela London Business School. Mais: estudos da Fundação Nacional de Ciências e do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, nas décadas de 80 e 90, concluíram que metade de todas as inovações e 95% das inovações radicais no mundo dos negócios desde o fim da Segunda Guerra Mundial vieram das pequenas empresas. Pequenas que, bem entendido, muitas vezes se tornam grandes. Na década de 60, a lista das 500 maiores empresas 14

15 americanas da Fortune tinha menos de dez substituições a cada ano. No final dos anos 80, o número de novatas triplicou. Atualmente, o clube das 500 vem trocando um terço dos seus sócios a cada três ou quatro anos. Em resumo: o espírito empreendedor é um dos fatores essenciais para aumentar a riqueza do país e melhorar as condições de vida de seus cidadãos. Essa afirmação leva imediatamente a duas questões. A primeira: o que é espírito empreendedor? E a segunda: é possível ensinar uma pessoa a se tornar empreendedora? Quem de forma mais clara definiu a figura do empreendedor e sua importância para a economia capitalista foi o economista austríaco Joseph Schumpeter. No livro Capitalismo, Socialismo e Democracia, escrito em 1942, Schumpeter define a função do empreendedor como a de reformar ou revolucionar o padrão de produção pela exploração de um invento, ou, mais geralmente, de uma possibilidade tecnológica não testada, para produzir um novo bem ou produzir um velho bem de uma nova forma. Espírito empreendedor, portanto, não é simplesmente a coragem de abrir um negócio. Ele está intimamente ligado à inovação, ao crescimento, à exploração de uma brecha que ninguém mais viu. É isso que amplia as possibilidades de uma economia. A maior parte das empresas não se encaixa na definição de espírito empreendedor de Schumpeter. Segundo uma sondagem feita em 1997 nos balcões do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), 32% dos novos empresários decidiram abrir seu negócio porque estavam desempregados ou insatisfeitos no emprego - um motivo legítimo, mas insuficiente para denotar o espírito empreendedor. Outra forte razão para abrir uma empresa (também 32%) foi ter tempo disponível. Pode ser. Mas hoje há muito mais gente propensa a ter negócio próprio, diz Ofélia Torres, professora de empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo. Primeiro, porque as empresas são menos estáveis; em segundo lugar, porque há muito mais estresse hoje nos cargos executivos, o que mina a atratividade da carreira como empregado; e, no caso brasileiro, porque há muita atração pela criatividade, diz Ofélia. Isso quer dizer que a disposição para empreender pode ser substancialmente alterada pelo meio ambiente. Mas essa disposição, embora essencial, não é suficiente para a formação do espírito empreendedor, tal como é encarado hoje: uma forma de ver o mundo, aliada a um conjunto de técnicas e conhecimentos, que permite enxergar oportunidades e atuar de forma a obter resultados. Isso nos leva diretamente à segunda questão. É possível ensinar alguém a ser empreendedor? Uma das maneiras de responder a essa pergunta é com outra pergunta, formulada pelo consultor Fernando Dolabela: É possível ensinar alguém a ser empregado? Dolabela é autor do livro Oficina do Empreendedor (editora Cultura) e criador de um método de ensino de empreendedorismo já utilizado em mais de 200 estabelecimentos de ensino, incluindo departamentos de informática e administração de universidades de ponta, como a UFMG e a FGV paulista. Dolabela explica os descaminhos do ensino com um exemplo caseiro. Numa reunião na escola de sua filha Fernanda, EMPREENDEDORISMO de 4 anos, a professora exibiu orgulhosa o progresso da menina, mostrando que em seis meses ela aprendera a fazer seus desenhos sem ultrapassar as linhas que delimitam o espaço para desenho. Daqui a 20 anos, vou ter de gastar uns dólares num MBA para ela reaprender a ultrapassar as linhas que limitam seu espaço, diz Dolabela. É basicamente isso que se faz no Babson College. As lições de Babson Pois a aposta se pagou: a formação de empreendedores virou uma febre nos Estados Unidos. No ano passado, mais de faculdades americanas ofereceram cursos de empreendedorismo. Em mais de 30 Estados do país, cursos desse tipo vêm sendo oferecidos para crianças e adolescentes, e oito deles já aprovaram legislação requerendo que as escolas de ensino primário e secundário incluam essa matéria em seu currículo. Até a Escola de Negócios da veneranda Universidade Harvard, a 40 minutos de carro de Babson, está reorganizando seu currículo de MBA para apostar na formação de empreendedores: a cadeira de Administração Geral, carro-chefe da escola, foi substituída este ano por uma que se chama O Administrador Empresarial. (A mudança de Harvard é provocada pelos novos tempos: no ano passado, mais de 32% dos novos empresários decidiram abrir seu negócio porque estavam desempregados ou insatisfeitos no emprego - um motivo legítimo um quarto das cadeiras optativas escolhidas pelos alunos eram do Departamento de Empreendedorismo, que nos anos 80 oferecia apenas duas matérias.) Mas esse ensino funciona? Bill Gates, talvez o maior símbolo de empreendedor deste fim de século, não cursou MBA. Ao contrário, largou a faculdade para fundar a Microsoft. Jeffry Timmons, responsável pelo programa Price-Babson de formação de professores de empreendedorismo, tem uma resposta na ponta da língua: Se você está me perguntando se, num curso de 40 horas de aula, num semestre, eu posso transformar um aluno médio no equivalente corporativo a um Picasso ou um Beethoven, acho que nós dois sabemos a resposta. O que aprendem, então, os alunos de Babson? Não estamos tentando ensinar a melhor maneira de fazer negócios, e sim as melhores maneiras. 15

16 EMPREENDEDORISMO Mitos sobre empreendedores MITO - 1 MITO - 2 MITO - 3 Empreendedores nascem feitos. Realidade: Embora empreendedores nasçam com uma certa inteligência, vontade de criar e energia, sua formação depende da acumulação de habilidades relevantes, experiência e contatos. MITO - 4 MITO - 5 MITO - 6 Empreendedores não têm chefe e são completamente independentes. Realidade: Todo mundo é chefe do empreendedor: seus sócios, investidores, clientes e comunidade. Mas os empreendedores podem escolher as exigências que vão atender, e quando. Qualquer um pode começar um negócio. Realidade: Pode. Sobreviver e florescer é que são elas. Empreendedores que entendem a diferença entre uma ideia e uma oportunidade e pensam grande têm mais chances de ser bem sucedido. Dinheiro é o fator mais importante para montar uma empresa. Realidade: Se as outras peças e o talento estão no lugar, o dinheiro virá. Dinheiro é como pincel e a tinta para o pintor materiais que, nas mãos certas produzem maravilhas. MITO - 7 MITO - 8 Empreendedores são lobos solitários. Realidade: Os empreendedores mais bem-sucedidos são líderes que constroem grandes equipes e ótimos relacionamentos com pares, direitos, investidores, clientes, fornecedores e outros. Empreendedores devem ser jovens e cheios de energia. Realidade: Essas qualidades podem ajudar, mas idade não é barreira. O que é crítico é possuir o conhecimento relevante, experiências e contatos que facilitam reconhecer e agarrar uma oportunidade. Empreendedores trabalham mais do que executivos de grandes companhias. Realidade: Alguns mais, outros não, depende da area de atuação do empreendedor em questão. Empreendedores são jogadores. Realidade: Empreendedores bem- -sucedidos calculam muito bem os riscos. Eles tentam influenciar o jogo de probabilidades, frequentemente atraindo outros para dividir os riscos com ele. MITO - 9 MITO - 10 MITO - 11 Qualquer empreendedor com uma boa ideia pode atrair investimento de risco. Realidade: Nos Estados Unidos, apenas entre 1 e 3 de cada 100 empreendedores com boas ideias conseguem atrair capitalistas de risco. Empreendedores querem o show todo só para eles. Realidade: Privilegiar o próprio ego coloca um teto nas possibilidades de crescimento. Os melhores empreendedores geralmente sabem construir um time, uma organização, uma companhia. Empreendedores sofrem um estresse tremendo. Realidade: Não há evidência de que o empreendedor sofra mais estresse do que outros profissionais com muita responsabilidade. A maioria dos empreendedores, ao contrário, acha seu trabalho muito satisfatório. 16

17 EMPREENDEDORISMO divulgação A Experiência brasileira Apesar de ainda embrionário, o ensino de empreendedorismo vem crescendo muito no Brasil. A adoção do método de formação de empreendedores criada pelo consultor Fernando Dolabela é um exemplo. Outro exemplo é o programa Brasil Empreendedor, lançado pelo governo no ano passado, cuja a meta é capacitar mais de 2 milhões de empresários (embora seja um curso de apenas 16 horas, é um primeiro contato com o assunto: cerca de metade dos capacitados pelo Sebrae tem se inscrito em novos cursos, segundo o gerente de estudos e pesquisas Araguacy Affonso Rego). Também a chegada de investidores estrangeiros está multiplicado o número de incubadoras de empresas e cursos de empreendedorismo nas universidades (havia 2 incubadoras no país em 1988, 27 em 1995 e hoje há mais de 100). Uma das melhores experiências brasileiras é da PUC do Rio de Janeiro. Sua incubadora já formou 9 empresas, e tem 24 em gestação. Sete dessas empresas que saíram são do tipo que nós queremos incentivar: querem crescer, têm faturamento médio de 80mil a 1 milhão de reais/ano e média de 20 funcionários, diz José Alberto Sampaio Aranha, responsável pelo programa. A mais bem-sucedida é a MHW, que vende o universite, um software de educação a distância. A empresa virou parceira da Microsoft, tem escritório nos Estados Unidos e recebeu investimento de 12 milhões de dólares. Outra empresa saída do projeto Gênesis, a PUC, é a Pipeway, inventora de um robozinho que divulgação ganhou concorrência para a inspeção de quilômetros do gasoduto Brasil Bolívia. A PUC tem hoje três cadeiras de empreendedorismo, eletivas. Elas serão a espinha dorsal de uma coordenação de empreendedorismo que deve atingir todos os cursos da universidade. 17

18 EMPREENDEDORISMO divulgação STEVE JOBS Conheça o perfil dos emp STEVE JOBS Rivais no mundo dos negócios e semelhantes no universo da inovação, Bill Gates e Steve Jobs construíram dois grandes impérios, Microsoft e Apple, respectivamente. Apesar de enfoques distintos, os visionários se tornaram referência como empreendedores e fizeram das empresas que ajudaram a fundar duas das maiores indústrias de tecnologia do mundo. Steve Jobs se tornou um símbolo no mercado em que atua por inovar e tornar seus produtos uma referência para os consumidores. Visão estratégica, tino comercial e inclinação para arriscar foram suas principais habilidades. Bill Gates, por sua vez, conseguiu com seus lançamentos uma importante participação na história da informática e se tornou um dos homens mais ricos do mundo. Visão de futuro e facilidade para negociações foram características marcantes. Segundo o professor Fernando José Barbin Laurindo, titular do departamento de engenharia da produção da USP e vice-coordenador do curso de especialização em Gestão de Projetos em Tecnologia da Informação (TI) da Fundação Vanzolini, uma característica comum na história de ambos foi que eles souberam observar as mudanças do mercado. Eles criaram paradigmas que se tornaram muito forte. Isso resultou em figuras que por muito tempo serão lembradas não só nos ramos em que atuam. Eles também são espelhos para empreendedores de outras áreas, destaca. Apesar de revolucionarem o mercado mundial de tecnologia, Steve Jobs e Bill Gates direcionaram suas visões empreendedoras em ramos diferentes de atuação. O estrelato de Steve Jobs veio na década de 70 quando o Apple II se tornou o primeiro microcomputador pessoal de grande aceitação no mercado. Junto ao colega Steve Wozniak, Jobs deu um novo formado para o produto da companhia, o que foi decisivo para o mercado, explica Laurindo. Bill Gates procurou direcionar suas habilidades para as relações comerciais. De acordo com o vice-coordenador da especialização de Projetos em TI, o grande salto na trajetória de Gates foi quando a empresa IBM resolveu comercializar um computador para competir com a Apple. Bill Gates teve a grande visão de que ele não iria vender o sistema operacional [MS-DOS] para IBM e sim licenciá-lo, explica. O resultado dessa escolha foi o sucesso de vendas no período. De modo geral, o professor Laurindo resume: Jobs durante muito tempo esteve muito mais associado a inovações de produtos, enquanto que o Gates trouxe mais do ponto de vista de relações comerciais. 18

19 BILL GATES reendedores de sucesso EMPREENDEDORISMO divulgação divulgação As imagens de liderança ligadas aos profissionais também se diferem em relação à gestão de suas empresas. Jobs está mais ligado à inovação e Gates a uma imagem mais séria, mais sisuda, comenta o professor. Jobs se tornou muito mais um símbolo do que a Apple faz, ao passo que Gates delegou mais e cobrou mais os resultados, não importando os caminhos que seguiu para desenvolver suas habilidades, conclui. Para Laurindo, outra grande diferença está ligada a autonomia da Microsoft em relação ao Bill Gates. A companhia está muito mais preparada para não depender dele. Ao contrário da Apple, que aparenta ter uma forte dependência de Jobs. Davi Nakano, professor do curso de capacitação em Gestão Estratégica do Conhecimento da Fundação Vanzolini - entidade ligada à Universidade de São Paulo (USP), destaca que ambos tiveram o conhecimento técnico necessário para empreender em seus ramos de atuação. As percepções de futuro dos executivos, associadas às características empreendedoras de seus companheiros de equipe, contribuíram para que ideias fossem transformadas em realidade. Mas afinal, quais são as características de um empreendedor? Segundo o Davi Nakano, é preciso três requisitos básicos: intuição, inclinação para assumir riscos e conhecimento sobre o negócio. A intuição é fundamental para que o profissional tenha capacidade de perceber onde há oportunidades de negócio. Eu acho que isso aqui vai dar certo. Se der errado, depois tentarei outra coisa. Para Nakano, é com esse pensamento que o profissional deve atuar no universo do empreendedorismo. Ele acrescenta que o conhecimento sobre o mercado em que atua, ou deseja atuar, é essencial. Não precisa ser necessariamente técnico, mas é imprescindível tê-lo. Por fim, o professor destaca que empreender também é compartilhar habilidades. Há situações em que existe um desejo de empreender, porém o profissional não possui todas as características necessárias para administrar seu próprio negócio. Diante dessa dificuldade, o indivíduo deve desenvolver os requisitos e procurar em parceiros as competências necessárias para que o empreendimento possa dar certo. Se eu tenho conhecimento de negócio me associo a outras pessoas com características diferentes e nós acabamos desenvolvendo esses perfis. Um é o cara da parte técnica, o outro é o que tem a intuição do negócio e o terceiro tem um perfil mais de administrador. Sabendo desses fatores, conseguimos equilibrar as competências, conclui Nakano. BILL GATES 19

20 ERA DA TECNOLOGIA COM INOVAÇÃO Inovação é muito mais do que um produto novo Asas para a inovação é novo modelo de negócio de criação futura A gigante química Du Pont iniciou sua trajetória em 1802 nos Estados Unidos, graças ao empreendedorismo de imigrantes franceses que fugiram da Revolução Francesa. Sua primeira operação foi a produção de pólvora para explosivos e, ainda na primeira metade do século XIX, a empresa tornou-se o principal fornecedor do exército norte-americano. A Estação Experimental Du Pont também foi um dos primeiros laboratórios de pesquisa industrial do mundo, ao ser constituída em 1903 para aprofundar a investigação da química da celulose, fundamental para a futura diversificação das atividades. Em 1927, foi lançado um programa formal de Pesquisa Básica em Química Orgânica, Física e Engenharia Química. Como consequência, a partir dos anos 1930 surgiram muitas inovações, como a síntese dos primeiros superpolímeros que convergiram na invenção do náilon, bem como na síntese e polimerização do neoprene e o desenvolvimento dos fios de rayon. A AT&T (originalmente, American Telephone & Telegraph Company) foi formada em 1885 a partir da Bell Telephone Company, empresa fundada em 1877 pelo inventor Alexander Graham Bell, que havia registrado duas patentes do telefone no ano anterior. Integrantes da AT&T, os Laboratórios Bell, surgidos em 1925, contribuíram com descobertas científicas tão relevantes quanto o transistor, em 1949; um primeiro equipamento capaz de transformar a energia solar em eletricidade, em 1954: a descoberta do laser (Light Amplification by Simulated Emission of Radition), em publicação científica de 1958; a construção e o lançamento do primeiro satélite de comunicação em 1962; os telefones com teclas substituindo os discos de rotação, em 1963; a primeira rede comercial para telefones celulares lançada em Chicago na década de 1970; o primeiro chip processador digital de sinais, em 1979, entre tantas inovações derivadas de mais de 30 mil patentes. Posicionados como o maior centro de inovações em comunicação, os Laboratórios Bell fazem parte do Grupo Alcatel-Lucent desde meados dos anos Para registrar, a veterana AT&T teve de se reestruturar em 1995, dando origem a três empresas, entre elas a Lucent Technologies. Em 1940, a 3M também estruturou um departamento de novos produtos para avaliar as possibilidades de novas ideias de negócios. Três anos mais tarde, era criado o laboratório de fabricação de produtos para desenvolver métodos de manufatura para novas produções. Assim, contata-se o estabelecimento estratégico de um ecossistema de inovação que geraria milhares de patentes nos anos futuros. Essa iniciativa contribui muito para que a companhia se mobilizasse para desenvolver inovações que a levariam a novos produtos e mercados, tornando-a provavelmente a empresa da tecnologia mais diversificada do mundo. INOVAÇÃO E ESTRATÉGIA Atualmente, a 3M domina 46 plataformas tecnológicas, como adesivos, abrasivos, cerâmica, nanotecnologia, microrreplicação e filmes ópticos, que convergem para cerca de 55 mil itens. Desde então, a 3M ampliou sua estrutura de pesquisa para mais de 85 laboratórios ao redor do mundo, onde trabalham cerca de 10 mil cientistas e técnicos. Como se pode notar, a trajetória de grande sucesso destas e de outras empresas consagrou determinados padrões de inovação, com seus modelos, estruturas e métricas, e um foco exclusivo em produtos e tecnologia, que até hoje influência a busca pela inovação nas organizações. Apesar de muitas mudanças recentes, a inovação em produtos ainda é muito importante. É a parte mais perceptível da inovação e encontrada de forma tangível em nossos lares, nas lojas de varejo, nas ruas das cidades. Com permanentes transformações em suas ofertas, que evoluíram da organização de fóruns contou com a participação de grandes representantes da gestão mundial para prover conteúdos em canal de televisão paga, revistas, coleções de livros e DVDs, até a recente iniciativa Antes de inovar em certa dimensão, o melhor caminho é operar na avaliação, definição e execução da estratégia empresarial. A estratégia, afinal, define a abordagem diferenciada da companhia para competir e as vantagens competitivas em que se baseiam, com o objetivo de criar e sustentar um valor econômico superior. Vantagens competitivas não são permanentes e tornam-se vulneráveis a novos entrantes, tecnologias, regulamentações e outros fatores imprevisíveis do ambiente de negócios. A inovação aqui surge como estratégia permanente para conquistar vantagens competitivas, neutralizar vulnerabilidades e identificar oportunidades. 20

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