PROPRIEDADE INDUSTRIAL MARCAS E PATENTES

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1 PROPRIEDADE INDUSTRIAL MARCAS E PATENTES A marca quando registrada no INPI, Instituto Nacional da Propriedade Industrial,dá a obrigatoriedade de uso exclusivo ao seu titular, criando assim característica tal qual uma digital. Passa a ser um ícone de distinção dentro do seu target. A competitividade de mercado, obrigatoriamente criou maior necessidade do amparo legal criado pelo registro, posto que, a marca é um bem imaterial, passível inclusive de negociação. O registro de uma marca, dentro do seu processo legal, passa a ser um patrimônio incorporado aos bens da empresa e, todo o empresário sabe que, com a sua marca registrada, contabiliza-se um valor diferenciado ao seu próprio patrimônio. Com o advento da Lei da Propriedade Industrial, LPI n de 14 de maio de 1996, a legislação brasileira entra na verdadeira era da globalização, atualiza-se e ainda passa a habitar as normas vigentes das mais modernas do mundo, facilitando, desta formas, o próprio meio de enquadramento e classificação, posto que, no Brasil a classificação era diferente de certos países. Com a nova Legislação ficou mais fácil identificar piratarias, concorrências predatórias ou paralisitárias. É bom salientar que uma empresa tem na sua marca o seu patrimônio maior. Não raras vezes a marca vale mais do que os equipamentos e prédios de uma empresa. Mas, tal valor existe tão somente quando registrada, caso contrários, é apenas um nome ou sinal pairando solto e sem qualquer valor de mercado. Daí a necessidade do Registro. DEPÓSITO DE MARCAS JUNTO AO INPI Uma empresa é o que sua marca representa, não raras vezes só em ouvirmos a marca de um produto, imaginamos como é o seu consumidor. É claro que para se chegar a esse padrão, antes de qualquer coisa, é preciso tê-la registrada. E depois, um sólido trabalho de marketing que objetive a sua real solidez. Quanto à apresentação, a marca pode ser: Nominativa: Marca constituída por uma ou mais palavras no sentindo amplo do alfabeto romano, compreendendo, também, as novas Expressões no idioma e as combinações de letras e/ou algarismos e/ou arábicos. Figurativa: Marca representada por uma figura, desenho, imagem ou qualquer forma estabilizada de letra e número, isoladamente, ideogramas de línguas tais como o árabe, coreano, chinês, japones, hebraico, etc. Neste caso, a proteção legal recai sobre o ideograma e não sobre a palavra ou termo que ele representa. Mista: É a marca constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos, cuja grafia se apresente de forma estilizada. Por dar uma proteção legal mais ampla, é a mais utilizada atualmente. Tridimensional: São constituídas pela forma plástica (entende-se por forma plástica, a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem, cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteia dissociada de qualquer efeito técnico.

2 Origem da marca: Brasileira: Aquela regularmente depositada no Brasil, por pessoa domiciliada no País. Estrangeira: Com duas subdivisões: a que é regularmente depositada no Brasil, por pessoa não domiciliada no País; a que é depositada regularmente em País vinculado à acordo ou tratado do qual o Brasil seja partícipe, ou em organização internacional da qual o País faça parte, é também depositada no território nacional no prazo estipulado no respectivo acordo ou tratado, e cujo depósito no País contenha reivindicação de prioridade em relação à data do primeiro pedido. COMO OCORRE O REGISTRO DE UMA MARCA Preliminarmente deverá ser efetuada uma pesquisa junto ao banco de dados do INPI na classe correspondente (ex: Móveis, classe 20; Eventos, classe 41). A referida pesquisa deverá ser feita através de prefixo, sufixo e radical da palavra. Cada depósito de marca deve identificar apenas uma classe de acordo com a classificação brasileira de marcas e serviços. Com o resultado positivo da busca, monta-se o processo para encaminhamento junto ao INPI, obedecendo a tramitação de praxe. Obs.: No Brasil, pessoa física não pode registrar marca, somente pessoa jurídica. TRÂMITE DE UM PEDIDO DE MARCA JUNTO AO INPI 1 Etapa: Depósito do Pedido, onde o mesmo é submetido a exame formal preliminar e, se devidamente instruído, será protocolizado, considerada a data e a hora de depósito a da sua apresentação. Aproximadamente 2 meses 2 Etapa: Código de despacho (003), Publicação do Pedido de Registro na Revista da Propriedade Industrial (RPI). Abre-se, então, o prazo de sessenta dias para que terceiros, que venham a se sentir prejudicados possam manifestar seu legitimo interesse através de uma Oposição. Vencida esta etapa, o INPI, publicará então o deferimento do registro requerido. Aproximadamente 18meses 3 Etapa: Código de Despacho (351), Publicação de Deferimento e Expedição de Certificado. No caso de não ter sofrido oposição, abre-se a partir desta publicação o prazo de sessenta dias para que o requerente ou procurador, recolha e compre as retribuições relativas à Expedição do Certificado de Registro e a proteção ao primeiro decênio, ficando assim, assegurado ao requerente à proteção legal para uso exclusivo da marca durante dez anos. Em caso de não pagamento ocorrerá o arquivamento irrecorrível da marca. Aproximadamente 2 meses 4 Etapa: Código de Despacho (400), Publicação de Concessão do Registro. Com essa publicação, inicia-se a vigência decenal do registro, cujo certificado estará disponível ao titular ou procurador após sessenta dias da data desta publicação.

3 DURAÇÃO DE UMA MARCA O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados a partir da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais ou sucessivos, mediante pagamento das devidas taxas. Se no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da data da concessão da marca, o titular não utiliza-la, ocorrerá a caducidade, isto é, perda do direito a marca. EXTINÇÃO DO REGISTRO DE MARCA O registro de uma marca se extingue: por expiração do prazo de validade, sem que tenha havido a devida prorrogação; pela expressa renúncia do titular ou seus sucessores; pelo processo administrativo de nulidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE NULIDADE A nulidade do registro será declarada administrativamente quando tiver sido conhecido com infringência do disposto na Lei da Propriedade Intelectual. O processo da nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 180 (cento e oitenta dias) contados da data de expedição do certificado de registro. É REGISTRADO COMO MARCA São suscetíveis de registros como marca os sinais distintivos visualmente perceptivos, não compreendidos nas proibições legais. NÃO É REGISTRÁVEL COMO MARCA O Artigo 124 da Lei da Propriedade Industrial (Lei 9.279/96) preceitua o que não é registrável como marca: Brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumentos oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação; Letra, algarismo, e data, isoladamente, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; Expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra a liberdade de consciência, crença, culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração; Designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro pela

4 própria entidade ou órgão público; Reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetíveis de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos; Sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente descritivo, quando existir relação com o produto ou serviço a distinguir, ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço, quando à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade, e época de produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; Sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda; Cores e suas denominações, salvo de dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo; Indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica; Sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, natureza, quantidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina; Reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza; Reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro, observado o disposto no art.154; Nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural, social, político econômico, ou técnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem como a imitação suscetível de criar confusão, salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento; Reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e célula da União, Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, ou País; Nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e imagem de terceiros, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores; Pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores; Obra literária, artística ou científica, assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação, salvo com consentimento pelo autor titular; Termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir; Reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto, serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com a marca alheia; Dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço, salvo quando no caso de marcas da mesma natureza, se revestirem de suficiente forma distintiva; A forma necessária, comum ou vulgar do produto ou acondicionamento, ou ainda, aquela que não posa ser dissociada de efeito técnico; Objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro; sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocamente de tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto, ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia.

5 DEPÓSITO DE PATENTES JUNTO AO INPI Somente através do INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial um invento terá seus direitos garantidos, impedindo que terceiros possam reproduzi-lo ou comercializá-lo sem a indispensável autorização do seu titular. Para tanto, o órgão emite um documento oficial dando plenos direitos ao seu titular. Segundo os Art. 183, 184 e 186 da Lei da Propriedade Industrial, LPI 9.279/96, fica determinado que quem comete crime contra a propriedade industrial está sujeito a uma pena de 3(três) meses a 1 (um) ano de detenção ou multa. Erroneamente, as pessoas tratam tratam o Desenho Industrial como patente, porém o correto é classifica-lo como registro. O INPI o interpreta como registro de um desenho, e não como uma patente, já que essa se baseia em inovações ou aperfeiçoamentos, recebendo os títulos de Patente de Invenção ou Modelo de Utilidade. Desenho Industrial (DI) O desenho industrial é a forma plástica ornamental de um objeto ou conjunto ornamental de linhas e cores aplicadas a um produto, proporcionando um resultado visual novo e original na sua configuração externa e que sirva de modelo de fabricação industrial. Não são consideradas obras de caráter puramente artístico. Patente de Invenção (PI) Compreende um conceito absolutamente inédito. Refere-se a uma única invenção ou a um grupo de invenções inter-relacionadas de maneira a compreenderem um único inventivo. Modelo de Utilidade (MU) É o aperfeiçoamento de algo já existente. Refere-se a um único modelo principal, que poderá incluir uma pluralidade de elementos distintos, adicionais ou variantes, desde que seja mantida a unidade técnico-funcional e corporal do objeto. OBRIGAÇÕES DO TITULAR A patente é título equivalente a uma escritura pública de propriedade imóvel, o que implica obrigações pelo inventor-titular inerentes à posse e ao uso do invento, bem como à defesa da propriedade imaterial nela constituída. Assim sendo, cumpre ao titular da patente: usar efetivamente o invento em escala sob pena de decadência dos direitos; pagar as contribuições anuais de manutenção pelo prazo de sua vigência a partir do 3 ano de pedido de patente; exercer ativamente o direito negativo de uso por terceiros desautorizados, perseguindo criminal e civilmente os contrafatores; demarcar seu invento fazendo referência expressa ao número da Patente nos Produtos, no material técnico e promocional de suporte e nos documentos comerciais e fiscais probatórios

6 da venda dos produtos patenteados. Em caso de inércia do titular, sujeita-se o mesmo a diferentes sanções, como: licenciamento compulsório de terceiros interessados em efetuarem a exploração plena da patente se a inércia estender-se por mais de três anos após a concessão do título; licenciamento obrigatório não exclusivo no caso de exploração insuficiente para atender à demanda do mercado; caducidade quando se verifica inércia no começo do uso do invento nos primeiros quatro anos de seu privilégio ou quando ocorrer interrupção por mais de dois anos de uso efetivo. COMO SE DEPOSITA UMA MARCA JUNTO AO INPI Qualquer pessoa física ou jurídica de direito público ou privado pode requerer uma patente, estando o requerente devidamente constituído juridicamente. Monta-se o processo, com a devida documentação, para encaminhamento junto ao INPI. Documentos necessários: requerimento/petição; relatório descritivo; reivindicações; desenhos ou fotografias; campo de aplicação do objeto; resumo. DURAÇÃO DE UMA PATENTE Uma patente tem uma validade temporária, de 15 a 20 anos, podendo ser prorrogada, com subseqüente queda em domínio público disponível para uso de qualquer interessado, o chamado estado da técnica. No entanto, essa validade só será mantida com a manutenção e o pagamento da taxas anuais. CONCEITO DE ESTADO DE TÉCNICA O estado de técnica é a patente que, por alguma razão, caiu em domínio público, sendo que, a partir daí, qualquer um pode fabricar sem qualquer impedimento legal. Por exemplo: a falta de pagamento de uma anuidade, o não cumprimento da exigência, nulidade conquistada, entre outros.

7 NÃO SÃO PATENTEÁVEIS Segundo a Art. 18 da LPI, não são patenteáveis: invenções cujos propósitos forem contrários à moral, à saúde e à segurança pública; substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer espécie, bem como a modificação de suas propriedade físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de transformação do núcleo atômico; o todo ou parte de seres vivos, incluindo microorganismos quando fazem parte de um processo industrial específico; métodos de diagnóstico, terapêuticos e cirúrgicos para tratamento de seres humanos ou animais. Não se considera invenção nem modelo de utilidade: descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; conceitos meramente abstratos; apresentação de informações; regras de jogo; técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnósticos, para aplicação em seres vivos e processos biológicos naturais. Apostila do curso de Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas SENAI, CETEMO Disciplina de Marcas e Patentes, Prof. Norberto P. De Barcellos

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