AUTISMO INFANTIL UMA LUTA IN-FINITA

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1 UNIVERSIDAD ARGENTINA JOHN F. KENNEDY MESTRADO EM PSICANÁLISE AUTISMO INFANTIL UMA LUTA IN-FINITA Mestranda: Maria Fátima Fernandes Teixeira Chaves Diretora: Alejandra Loray

2 Questões: Os tratamentos do autismo tendem a promover técnicas educativas e comportamentais, este posicionamento se opõem a psicanálise e defende a ciência. Em que lugar a psicanálise se coloca frente a esta questão? Sabendo-se que em diversos lugares do mundo a psicanálise é excluída da lista de práticas recomendadas para o autismo. Como a psicanálise pode responder a demanda desses pais, frente ao encontro com o real do diagnóstico autista?

3 Como a psicanálise pode intervir para alcançar a dimensão subjetiva de uma criança autista? Frente a uma criança autista, como fica a posição ética do psicanalista, SSS que nada sabe a respeito desse sujeito? Dentro da própria psicanálise lacaniana existem divergências referente ao campo estrutural do autismo. Será possível obter uma uniformidade estrutural frente a singularidade do sujeito da psicanálise?

4 Autismo Palavra Carregada de medo por aqueles que não entendem Desconfiança por aqueles que não convivem com o problema Frustração por aqueles que enfrentam o distúrbio pela primeira vez.

5

6 Comemora-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, data decretada pela ONU (Organização das Nações Unidas), desde 2008, pedindo mais atenção ao transtorno do espectro autista (nome "oficial" do autismo). Cuja incidência em crianças é mais comum e maior do que a soma dos casos de AIDS, câncer e diabetes juntos.

7 Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, a Doença atinge 70 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, são cerca de 2 milhões, sendo mais da metade ainda sem diagnóstico. Pesquisa do CDC (Center of Diseases Control and Prevention), órgão máximo do governo americano para a saúde, mostra que o número de casos de autismo em:

8 Década de 80 1 caso para crianças caso para 150 crianças foi registrado 1 caso para 110 crianças normais apontava que havia 1 caso para cada 88 crianças (últimos dados disponíveis) essa relação subiu para 1 em cada 68 crianças. Aumento devido ao conhecimento e diagnóstico

9 Projeto de lei no Brasil No. 1631, passou pelo senado e tramita pela câmara. Institui a Política Nacional para defesa do direito da pessoa autista. Diagnóstico precoce, tratamento adequado Direito a lazer e educação. Reconhecimento como uma pessoa com deficiência. Melhorar a qualidade de vida.

10 Pode acontecer que um sujeito que dispõe de todos os elementos da linguagem, e que tem a possibilidade de fazer certo número de deslocamentos imaginários, que lhe permitem estruturar seu mundo, não esteja no real. Porque não está? unicamente porque as coisas não vieram numa certa ordem. A figura no seu conjunto está perturbada. Não há meio de dar a esse conjunto o menor desenvolvimento. Lacan, Seminário 1

11 Refletir sobre este tema implica deparar com um contexto extremamente polêmico principalmente no que diz respeito a diferenciação entre: AUTISMO E PSICOSE INFANTIL

12 Por isso é um tema que causa inúmeras questões, discussões, demandas e debates, que produzem desavenças e discórdias, gerado pela enorme divergência acerca da definição e do diagnóstico entre os diferentes campos teóricos.

13 Mesmo referindo-se apenas a psicanálise, cujo princípio implica partir da concepção estrutural da subjetividade, constata-se uma divisão de opiniões entre: A defesa da inclusão estrutural do autismo como uma PSICOSE, ou Constitui-la como uma nova estrutura denominada AUTÍSTICA.

14 A situação chega ao ponto que muitas vezes é difícil acreditar que os pesquisadores falem das mesmas crianças, principalmente no tocante às autistas (Kupfer, 1999; Stefan, 1998).

15 CONSTRUÇÃO HISTÓRICA Nos primórdios da psiquiatria, na virada do século XVIII para o XIX, o diagnóstico de idiotia ou psicopatologia de crianças e adolescentes. Logo, a idiotia pode ser considerada precursora não só do atual retardo mental, mas das psicoses infantis, da esquizofrenia infantil e do autismo (Bercherie, débil mental cobria todo o campo da 1998).

16 Em 1801, Jean Itard, apresenta seu trabalho fazendo uma descrição da criança selvagem de Aveyron*, onde descreve algumas etapas do processo, inclusive suas metodologias clínicopedagógicas, das quais inventa e utiliza toda a espécie de procedimentos, que deu origem a um fecundo legado, que até hoje são utilizados para a reeducação de crianças surdas-mudas e atrasadas, intitulada educação especial.

17 direitos à vida. Componente essenciais do caso: Sujeito a quem faltou ser amado, ou seja, no seu percurso cresceu sem receber afeto. Sem possibilidade de inclusão na cultura. Numa exclusão grave, a falta da linguagem, fundamental para que o indivíduo possa se constituir e assim poder se inserir na sociedade. Mas na ausência de todos esses recursos a sociedade ao invés de acolhê-las passa a recusá-las, a isolá-las e a desrespeitá-las como ser humano com todos os

18 Em 1906, o psiquiatra Plouller introduziu o adjetivo autista na literatura psiquiátrica, ao estudar pacientes que tinham diagnóstico de demência precoce. Mas o transtorno foi apresentado pela primeira vez como autismo pelo médico suíço, também psiquiatra Dr. Eugen Bleuler no início do século XX cujo ano na literatura varia entre 1903,1908 e 1911.

19 Bleuler (criança selvagem de Aveyron de Jean Itard). Denominou como autismo o estado de alheamento e de desinvestimento que o sujeito se encontra em relação ao mundo, produtor de certa auto-suficiência. Estado este que pode ser melhor compreendido através de uma analogia proposta por Freud, de um ovo que encontra em seu interior tudo que precisa. Através desta descrição, foi outorgado ao autismo um lugar de destaque entre os sintomas mais importantes da patologia: A ESQUIZOFRENIA.

20 esquizofrenia descrita por Bleuler, apresentou e discutiu Em 1933, o médico Dr. Howard Potter, baseando-se na seis casos, nos quais destacava que: Os sintomas haviam se iniciado antes da puberdade, Que incluíam alteração do comportamento, Falta de conexão emocional, Ausência do instinto de integração com o ambiente e um distanciamento social. E ao perceber que tais sintomas tinham inicio ainda na infância, propôs então que esse quadro fosse

21 Em 1943, seguindo os passos dos médicos anteriormente citados, o psiquiatra infantil, austríaco, Dr. Leo Kanner, em Baltimore, descreveu pela primeira vez, o que chamou distúrbio autístico do contato afetivo, síndrome de aparecimento muito precoce, que apresentava como sintoma fundamental, o fechamento autístico.

22 Descreveu o caso de 11 crianças gravemente lesadas que apresentavam como características em comum: Isolamento afetivo e emocional (incapacidade de se relacionar com pessoas), Movimentos estereotipados, E dificuldades de comunicação. Assim, pode-se perceber que estes aspectos constituem as marcas principais do transtorno até os dias de hoje.

23 Simultaneamente, em 1944, Hans Asperger, pediatra vienense, desenvolveu um estudo com um grupo de crianças no qual trabalhava na descrição de uma síndrome com traços semelhantes ao grupo de Kanner, embora tais aspectos fossem mais amenos como: Pobreza de expressões gestuais e faciais, Apresentavam movimentação estereotipada, Mas não possuíam ecolalia, ou qualquer problema linguístico, ao qual denominou psicopatia autística, que posteriormente ficou conhecida como SÍNDROME DE ASPERGER (AS)

24 Desde a descrição inicial elaborada por Leo Kanner, o autismo infantil nas três décadas subsequentes continuou a ser classificado como um tipo de psicose precoce. (BANDIM, 2010). Assim, a partir desse momento, ocorrem as primeiras alterações na concepção de autismo, primeiramente com Ritvo (1976), que relaciona o autismo a um déficit cognitivo, considerando-o não uma psicose e sim um distúrbio do desenvolvimento.

25 Depois, a psiquiatra inglesa a Drª Wing (uma filha autista), envolveu-se em pesquisas sobre distúrbios do desenvolvimento, relacionadas ao espectro da desordem autista. Afirmou que os sintomas do transtorno podem variar em graus, dependendo do comprometimento cognitivo de cada indivíduo, E foi a partir desta visão que os estudiosos chegaram a classificação e ao conceito de autismo que conhecemos até hoje.

26 O Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais: Inabilidade para interagir socialmente; Dificuldade no domínio da linguagem (verbal e não verbal) para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos; Padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

27 Os estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é admitir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.

28 Hoje o autismo é visto como um espectro, por isso a mudança do nome para Transtorno do Espectro Autista (TEA), referindo-se a sua natureza dimensional cuja grau de comprometimento é de intensidade variável: Vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger (não há comprometimento da fala e da inteligência),

29 Até formas graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato interpessoal e é portador de comportamento agressivo e retardo mental. O autismo, por vezes, pode ser quase que imperceptível e pode confundir-se com timidez, falta de atenção ou excentricidade,...

30 A criança autista não apresenta ao nascer, traços em seu organismo que evidenciem a possibilidade de desenvolvimento da síndrome. Os Sintomas acometem pessoas de todas as classes sociais e etnias, mais os meninos do que as meninas. As primeiras manifestações podem aparecer de forma sutil e gradativa nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente.

31 O mais comum é que os sinais fiquem evidentes antes da criança completar três anos e comumente são esses comportamentos onde ela começa à estabelecer uma relação diferente e especial com o mundo que a rodeia. De acordo com o quadro clínico, eles podem ser divididos em 3 grupos:

32 comprometimento da compreensão; 1) ausência completa de qualquer contato interpessoal, incapacidade de aprender a falar, incidência de movimentos estereotipados e repetitivos, deficiência mental; 2) o portador é voltado para si mesmo, não estabelece contato visual com as pessoas nem com o ambiente; consegue falar, mas não usa a fala como ferramenta de comunicação (chega a repetir frases inteiras fora do contexto) e tem

33 3) domínio da linguagem, inteligência normal ou até superior, menor dificuldade de interação social que permite aos portadores levar vida próxima do normal. Na adolescência e vida adulta, as manifestações do autismo dependem de como as pessoas conseguiram aprender as regras sociais e desenvolver comportamentos que favoreceram sua adaptação e auto-suficiência.

34 O Diagnóstico é essencialmente clínico, não tem um exame laboratorial, e necessita de profissionais que façam o diagnóstico precoce. Leva em conta o comprometimento e o histórico do paciente e norteia-se pelos critérios estabelecidos por DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte- Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).

35 autismo Quando a intervenção é realizada em crianças menores de 3 anos, a melhora é de 80%. Aos 5 anos cai para 70% e acima disso fica muito prejudicada. A prevalência é quatro vezes maior em meninos do que em meninas (Rutter, 1985; Wing, 1981) e há alguma evidência de que as meninas tendem a ser mais severamente afetadas (Wing, 1996). Por isso a cor azul foi definida como a cor símbolo do

36 DIAGNÓSTICO PRECOCE Na identificação de sinais iniciais de problemas, possibilita a instauração imediata de intervenções extremamente importantes, uma vez que os resultados positivos em resposta a terapias tem maior eficácia quanto mais precocemente instituídos. Por que?

37 Porque há maior plasticidade das estruturas anátomo-fisiológicas do cérebro nos primeiros anos de vida, Bem como o papel fundamental das experiências de vida de um bebê, para o funcionamento das conexões neuronais e para a constituição psicossocial, tornam este período um momento sensível e privilegiado.

38 Tratamento para autismo infantil Até o momento, autismo é um distúrbio crônico, mas que conta com esquemas de tratamento que devem ser introduzidos tão logo seja feito o diagnóstico e aplicados por equipe multidisciplinar. Não existe tratamento padrão que possa ser utilizado, depende do grau de comprometimento.

39 Cada paciente exige acompanhamento individual, de acordo com suas necessidades e deficiências. Um programa precoce, intensivo e apropriado melhora muito a perspectiva. Alguns podem beneficiar-se com o uso de medicamentos, especialmente quando existem co-morbidades associadas.

40 De acordo com Dr. Fábio Barbirato, psiquiatra da infância e da adolescência e coordenador do Serviço de Atendimento e Psiquiatria Infantil da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, hoje é possível detectar o autismo numa criança entre 12 meses e 18 meses de vida. Para isso, porém, é preciso profissionais treinados.

41 MITOS E VERDADES» Mito O problema é causado pela relação mãe e filho.»verdade Trata-se de um transtorno do neurodesenvolvimento de forte base genética.

42 » Mito A criança não aceita afeto ou beijos.» Verdade Sim, pode aceitar.

43 » Mito Ou a criança é superinteligente ou tem grave défict intelectual.» Verdade Pode haver uma supercapacidade de memória, mas o autista se concentra num interesse só.

44 » Mito Dietas podem controlar o autismo.» Verdade Não existe comprovação científica sobre isso

45 FAMOSOS Crença que o diagnóstico de autismo condena uma criança a uma vida solitária sem qualquer realizações. A história provou que esta teoria é falsa, e muitas pessoas com as formas de funcionamento superior do autismo passaram a fazer grandes coisas. Há algumas pessoas autistas famosas que podem ser uma inspiração para as crianças com autismo e para seus pais.

46 Albert Einstein - Físico teórico Hipótese: Autismo de alto funcionamento. Brilhante em matemática. Começou a falar com dois ou três anos. Dizia ser, muito solitário e não se sentia ligado a ninguém, nem mesmo a seus familiares próximos. Envolvia-se com seu trabalho que era capaz de esquecer de fazer as refeições. Ministrava suas palestras mesmo sem ouvintes.

47 Vincent van Gogh Andy Warhol Dois artistas muito conhecidos Podem ter tido autismo. Apresentaram muitos traços de pessoa com alto grau de funcionamento. Eram vistos como excêntricos e brilhantes.

48 Michelangelo (pintor, escultor, arquiteto e poeta) Charles Darwin (naturalista / cientista)

49 Sir Isaac Newton (matemático), Wolfgang Mozart (compositor e músico),

50 Temple Grandin Nasceu autista, na época não havia muito conhecimento. Autismo de alta funcionalidade Jeito peculiar de pensar. Frequentemente brigava com outras crianças. Comportamento antissocial e agressivo eram mal vistos por professores e colegas de escola na infância. Ela tinha dificuldade de aprender certas coisas, porque as coisas para ela seguiam uma lógica particular. A única coisa que podia deixa-la mais calma era um abraço forte, mas ela não conseguia dizer isso nem a sua mãe. É Ph.D em ciências animais na Univ. Estadual do Colorado.

51 BillGates, Presidente da Microsoft e inventor do Windows Se balança continuamente durante reuniões de negócios e em aviões (autistas fazem isso quando nervosos), não gosta de manter contato olho-a-olho e tem pouca habilidade social. Não dá importância à sua aparência.

52 Daryl Hannah, atriz americana Diagnosticada com autismo (-3 anos) Carreira bem sucedida como atriz. Courtney Love, atriz e cantora americana Diagnosticada com autismo leve com 3 anos.

53 James Durbin, 23 anos Cantor americano de rock, Diagnosticado com síndrome de Asperger. Andy Kaufman (falecido em 1984) Conhecido por ter um sentimento muito estranho e bizarro de humor. Era um ator considerado autista.

54 Apesar dos avanços feitos nos últimos anos, da descoberta de que existe uma variação em seu grau e que cada caso é singular, o autismo ainda é algo que desafia a ciência, sendo necessário maiores pesquisas para que se encontrem respostas que ajudem a elucidar questões relacionadas a essa patologia.

55 REFERÊNCIA: BOSA, C. & CALLIAS, M. Autismo: breve revisão de diferentes abordagens. Psicologia: Reflexão e Crítica, v.13, n.1, p , CANELAS NETO, J. O Psicanalista Diante do Autismo Infantil Precoce: reflexões sobre a questão da etiologia e do tratamento. Pulsional Revista de Psicanálise, ano XIII, n. 132, abril/2000. BANDIM, J.M. Autismo: uma abordagem prática Recife: Bagaço, KLIN, A., Autismo e síndrome de Asperger: umavisão geral, Rev. Brasileira de Psiquiatria, vol. 28 supl. 1 São Paulo, May

56 KANNER, L., Os distúrbios autísticos do contato afetivo, in: ROCHA, P.S. (org), Autismo São Paulo, editora Escuta, *Ficha Catalográfica Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas.Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília : Ministério da Saúde, , p. : il. - (Série F. Comunicação e Educação em Saúde) 1. Transtornos do Espectro do Autismo. 2. Saúde pública. 3. Políticas públicas. CDU Catalogação na fonte Coordenação-Geral de Documentação e Informação Editora MS Tiragem: 1ª edição exemplares

57 O Autismo e o Tom

58 MUITO OBRIGADO

59

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