AS ESTRATÉGIAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS NA CAUSA DO AUTISMO

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1 CENTRO DE EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E ARTES DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL HABILITÇÃO EM RELAÇÕES PÚBLICAS CAROLINA GUADANHIN SÂMIA KAMIZI AS ESTRATÉGIAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS NA CAUSA DO AUTISMO Londrina 2003

2 2 AS ESTRATÉGIAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS NA CAUSA DO AUTISMO Docente Marta Terezinha Motta Campos Martins Dicentes Carolina Guadanhin Sâmia Kamizi O Espaço Escuta, que é um Centro Interdisciplinar de Diagnóstico e Tratamento Precoce dos Distúrbios Globais do Desenvolvimento, é considerado como a organização mais adequada em Londrina, para diagnosticar e tratar uma criança autista, porém, é pouco conhecida e precisa ser mais divulgada. Frente a este cenário, entende-se que há uma necessidade de se aplicar estratégias efetivas de comunicação no Espaço Escuta e, para um melhor entendimento da importância das atividades que foram realizadas junto à entidade, apontam-se alguns assuntos vinculados à temática, como a contribuição das Relações Públicas para a causa do autismo, a comunicação servindo de apoio para a OSCIP e a importância do voluntariado para o propósito do Espaço Escuta. Com a aplicação de uma pesquisa institucional, foi possível detectar o ambiente ao qual esta organização está inserida, viabilizando analisar os principais aspectos, desenvolvidos no texto, para serem trabalhados junto à entidade. Relata-se ainda os grupos de interesse ligados ao Espaço Escuta e os públicos que mais carecem dos esforços das Relações Públicas para atingir o objetivo de tornar uma instituição mais conhecida, bem como suas atividades, por meio das ações que foram executadas para este mesmo fim. Apesar de não haver pesquisas exatas sobre sua origem, sabe-se que existem meios de como diagnosticar o autismo precocemente e amenizar o grau da síndrome. Mas para isso, faz-se necessário esclarecer a população e

3 3 orientá-la a procurar o profissional ou instituição adequada, caso suspeitem que alguma criança possui indicadores de autismo. Há um índice crescente de interesse pela doença e uma prova disso é o aumento de congressos, encontros, grupos de estudos e campanhas que têm abordado este assunto. Porém, um número reduzido de psicólogos e psiquiatras possuem conhecimento aprofundado sobre o assunto e acesso aos principais eventos. Percebe-se que existe uma sociedade abrangente que influencia, direta ou indiretamente, o desenvolvimento da criança e precisa ter mais esclarecimento sobre o assunto. O obstetra, por exemplo, é o primeiro profissional a manter contato com a mãe e, conseqüentemente, com o bebê. Após o nascimento, tem-se as enfermeiras e o pediatra. Em relação à família, além dos pais, existem os avós, os tios e, às vezes, a babá torna-se um membro indispensável na criação de uma criança. Já na escola, o indivíduo passa a ter contato com professores, pedagogos e colegas. Por tanto, entende-se que, mesmo com poucos anos de vida, a criança já possui vínculos sociais significativos. Dentro deste contexto e com fundamento nos resultados de uma pesquisa de opinião pública, aplicada para medir o grau de esclarecimento da sociedade londrinense em relação ao autismo, percebeu-se a necessidade de um maior conhecimento a respeito desta síndrome e também do maior envolvimento dos públicos relacionados a esta problemática. Por meio desta pesquisa, identificou-se o Espaço Escuta que, prestando gratuitamente atendimento psicológico e pediátrico, especialmente para mães, bebês e crianças, propõe um trabalho de diagnóstico e tratamento precoce dos distúrbios do desenvolvimento global. A escolha desta instituição, como objeto de estudo para o desenvolvimento deste trabalho, fez-se em função de ser a única entidade em Londrina e região que oferece o diagnóstico, o tratamento e o esclarecimento de informações a respeito do autismo e outros distúrbios globais do desenvolvimento. Logo, a atividade social do Espaço Escuta em prol dos portadores de autismo e seus familiares vêm ao encontro do objetivo primeiro deste trabalho:

4 4 o de oferecer aos envolvidos nesta problemática recursos de Relações Públicas que possam, com a melhoria efetiva da comunicação entre eles, acrescentar vantagens ao trabalho oferecido pela instituição. A CAUSA Segundo alguns pesquisadores, a doença do autismo não tem cura e é mais comum do que se imagina. Então, para que haja um esclarecimento coletivo em torno deste problema, necessita-se da elaboração de estratégias de comunicação com o intuito de direcionar as informações necessárias para os públicos-alvo e criar vínculos entre os mesmos e o Espaço Escuta. Sendo o autismo uma doença sem origem definida e pouco conhecida, partiu-se do pressuposto que a sociedade em geral possivelmente não estivesse suficientemente informada a respeito dessa doença. Percebeu-se, então, a necessidade de mensurar qual era exatamente o grau de esclarecimento dos londrinenses a respeito do autismo. Para avaliar esse nível de conhecimento, considerou-se como públicos os segmentos da sociedade com maior possibilidade de convívio com um indivíduo autista, durante as primeiras fases do desenvolvimento da doença. Esses públicos foram constituídos por profissionais da área da saúde, da educação e pais de crianças de 0 a 6 anos, como já foi citado. Durante o decorrer deste trabalho, pôde-se aprofundar conhecimentos sobre o tema e alcançar os objetivos principais. Porém, admite-se que o desenvolvimento da Pesquisa de Opinião Pública foi comprometido por várias limitações, dentre as quais: a escassez de tempo disponível das pesquisadoras para dedicação dos propósitos, a grande quantidade de barreiras burocráticas na administração de escolas e hospitais para a autorização da aplicação dos questionários, o período de férias escolares no momento de trabalhar com os educadores, a pouca disponibilidade de tempo dos profissionais da saúde em atender, uma certa insegurança dos pesquisados em geral em revelar ignorância sobre o tema e, por fim, relativo desinteresse de algumas pessoas e instituições procuradas em participar da pesquisa.

5 5 Contudo, todos os envolvidos tiveram grande relevância nos resultados obtidos e que, de acordo com os objetivos propostos, considera-se plenamente satisfatórios. Em especial, ressalta-se a qualidade das contribuições cedidas por algumas organizações e profissionais especificamente ligados ao tema, como por exemplo, o Espaço Escuta, a APA e, especialmente, a psicóloga Maribél de Salles de Melo. A Pesquisa de Opinião Pública, além das observações não sistemáticas, viabilizou o levantamento de diversas considerações. Deste modo, os dados analisados confirmaram o que se deduziu e alguns foram bastante surpreendentes. Em relação aos pais, os resultados levantados já eram esperados, pois confirmaram a hipótese de que este público-alvo apresentaria acentuado grau de desinformação a respeito do autismo. Apenas 28,57% dos pais disseram saber o que é autismo e 61,54% já ouviram falar. Destes, 55,05% afirmaram saber sobre as características baseadas em filmes que assistiram, significando que devem possuir um conceito restrito ou errôneo sobre o que realmente é o autismo. Já na área da educação, pôde-se averiguar que, nas escolas não especializadas, alguns profissionais possuem algum conhecimento relevante sobre o assunto, pois tiveram ou têm contato com algum aluno portador da doença em questão. No entanto, como era previsto, a grande maioria desses profissionais não detêm conhecimento suficiente da síndrome. Apesar de 61,74% dos entrevistados afirmarem que encaminhariam um aluno autista para o psicólogo, 47,06% acreditam que a doença é neurológica. Os profissionais da área da saúde, especificamente enfermeiros e médicos pediatras, demonstraram não estarem preparados para diagnosticar o autismo e nem orientar para onde encaminhar um paciente autista, pois 55,56% acredita, assim como os profissionais da educação, que é uma doença neurológica, e não psicológica. Esta situação pode estar ocorrendo devido ao fato de que 88,89% dos pesquisados não adquiriram conhecimentos suficientes na grade curricular de seus cursos. Dentro de todas as variáveis argüidas na elaboração do projeto quali-quantitativo, somente uma, referente a proximidade e/ou convivência com

6 6 portadores de autismo, revelou-se capaz de provocar alguma alteração no nível de conhecimento das pessoas entrevistadas acerca da patologia: o de elevá-lo. Diante dessas considerações, pôde-se constatar que muitos indivíduos autistas não são diagnosticados logo no início do desenvolvimento da doença e nem encaminhados ao local de atendimento especializado, o que por sua vez contribui para que o agravamento da síndrome. Contudo, concluiu-se que a população londrinense necessita de informações sobre o autismo e constatou-se a importância de desenvolver estratégias de Relações Públicas que possam ajudar a reverter este quadro, trabalhando em parceria com os propósitos do Espaço Escuta. A entidade necessita de uma maior divulgação para que os profissionais a procurem quando observarem algum indivíduo com traços de autismo e se interessarem por colaborar com trabalhos voluntários ou desejarem aprofundar-se mais sobre o assunto. O autismo é uma síndrome que apresenta diversas alterações do desenvolvimento global e desvios qualitativos na comunicação, interação social e imaginação e, em geral, manifesta-se muito cedo, antes dos três anos de vida. É considerado uma síndrome porque se caracteriza por um conjunto de sintomas típicos que identificam o problema, porém não pode ser detectada por nenhum exame específico. Os indivíduos autistas têm dificuldade ou impossibilidade de se comunicar, por isso, quase não falam. Também são resistentes a mudanças de ambiente e alterações de rotina, podem tornar-se agressivos, mostram indiferença às pessoas e acontecimentos ao seu redor, não atendem a chamados e, quase sempre, não expressam emoções. Quando diagnosticado precocemente, através da observação e estudo de comportamento sintomático, o autismo pode ser tratado com terapias específicas por profissionais e instituições especializadas. O tratamento pode amenizar as dificuldades causadas pela síndrome, mas não pode dar ao portador uma vida completamente normal, mesmo porque o distúrbio atinge um dos principais requisitos para o desenvolvimento humano: a capacidade de interação social.

7 7 Há mais de 60 anos, a síndrome do autismo vem sendo estudada pela ciência, mas ainda apresenta dúvidas e divergências quanto a sua causa. Entretanto, este distúrbio que antes era conhecido por poucas pessoas, entre elas alguns profissionais da saúde e pais de autistas, hoje já se tornou um assunto mais difundido também entre os indivíduos que não são diretamente ligados ao autismo. Nota-se que a questão é debatida publicamente, comentada em veículos de comunicação de massa e até mesmo servindo como temática de filmes e programas de televisão. Em 2002, a brasileira Verônica Bird, responsável pela Verônica Bird Charitable Fundation, nos Estados Unidos, entregou ao MEC (Ministério da Educação e Cultura) um vídeo que orienta sobre os aspectos do autismo em relação à educação. Mais recentemente, pode-se ver nos comerciais de televisão, a campanha da AMA (Associação dos Amigos do Autista), que divulga características e cuidados especiais com a criança autista. Estes casos são índices do crescimento da divulgação do assunto atualmente, apesar de, ainda assim, serem insuficientes para um completo esclarecimento social. Admite-se que essas iniciativas são válidas, porém tratase de campanhas superficiais por serem destinadas à massa. Diante desta tendência de maior enfoque ao tema do autismo, como problema social e, por conseguinte, como pauta para discussões do interesse público, torna-se óbvia a necessidade de estratégias de comunicação para otimizar o trabalho desenvolvido por profissionais e organizações sociais que se dedicam à causa do autismo. O propósito das Relações Públicas é criar meios de esclarecimento sobre a problemática, direcionando-os a um grupo determinado, almejando que os resultados sejam mais significativos para as instituições a favor desta causa, como o Espaço Escuta. É com a contribuição profissional das Relações Públicas, que a comunicação, entre esta instituição e seus públicos, torna-se efetiva, integrando, aproximando e otimizando o relacionamento dos envolvidos com o trabalho social para o problema do autismo.

8 8 O ESPAÇO ESCUTA Psicóloga e psicanalista, Maribél de Salles de Melo, havia percebido que alguns profissionais procuravam especializações em outras cidades, pois necessitavam de mais conhecimento sobre o desenvolvimento global infantil. Pretendendo dar continuidade às atividades que já realizava na Associação Psicanalítica de Curitiba, resolveu, então, implantar na cidade de Londrina, em agosto de 1999, cursos que já ministrava há 10 anos. Dois anos depois, como resultado desse trabalho e contando com o apoio de profissionais que participavam de suas aulas, fundou um Centro Interdisciplinar de Diagnóstico e Tratamento Precoce dos Distúrbios Globais do Desenvolvimento - o Espaço Escuta, hoje designado uma OSCIP - que oferece atividades para Formação, Aperfeiçoamento e Pesquisa aos profissionais com base em conceitos psicanalíticos. A organização possui o propósito de prestar serviços para melhorar o desenvolvimento global infantil, além de treinar e capacitar profissionais que tenham algum tipo de interesse a respeito do diagnóstico precoce. Realiza também atendimento gratuito a crianças de 0 a 12 anos com problemas de hiperatividade, autismo e atrasos no desenvolvimento, bem como centra forças na formação de pessoas que têm contato constante e significativo com as mesmas. Em março de 2002, iniciou-se um curso de duração de dois anos, sendo um pré-requisito para quem possui interesse em desenvolver alguma atividade voluntária com as crianças no Espaço Escuta O Espaço Escuta está localizado na Rua Amador Bueno, 265, em Londrina - Pr. O local onde funciona a instituição é constituído por: sala de pediatria, sala de espera, pátio, três banheiros, bebedouro, sala de aula, 4 salas de atendimento, cozinha e secretaria. Apesar do tamanho do prédio ser considerado de pequeno porte, está adequado para a quantidade de pacientes atendidos e de pessoas que freqüentam o local, seja como voluntários ou alunos. E ainda tem a vantagem de

9 9 estar localizado próximo ao Hospital Infantil e ao Hospital Evangélico e outras clínicas. O coffee-break, servido no intervalo das aulas, é preparado na cozinha do Espaço Escuta, onde os profissionais que atuam na organização podem fazer também suas refeições, caso necessitem. O bebedouro e sanitários estão posicionados estrategicamente próximos a salas de aula e de atendimento. A sala, onde são ministrados os cursos oferecidos pela entidade, possui material didático que serve de apoio às discussões sobre o tema abordado, além de recursos visuais, como o quadro negro e mural. O ambiente onde são realizados todos os exames e tratamentos ainda possui uma estrutura incompleta, contendo instrumentos médicos e psicológicos que auxiliam na detecção do diagnóstico da criança. Caso a criança necessite de exames mais detalhados, como tomografia, por exemplo, são encaminhadas a uma equipe de médicos neurológicos. O aluguel do espaço onde está situada a instituição é pago com a ajuda fixa de algumas empresas e com o lucro de promoções e eventos realizados. Esta verba também ajuda na compra de materiais de limpeza, brinquedos, papelaria e no pagamento das contas de luz, água, telefone e da faxineira, restando ainda uma quantia que está sendo guardado para a construção de uma sala de espera maior, para que haja mais conforto aos pacientes e seus pais ou responsáveis, além de visitas que esperam ser atendidas. As organizações desenvolvem atividades diretamente relacionadas com o motivo principal de sua existência, como no caso do Espaço Escuta, que coloca à disposição da comunidade londrinense e região um serviço de atendimento gratuito às crianças com distúrbios do desenvolvimento global. Além disso, realiza cursos de capacitação de profissionais da saúde, da educação e da área social frente ao diagnóstico e tratamento de doenças psíquicas. Atualmente, mais de 35 crianças são atendidas na instituição, todas encaminhadas por entidades como APAE, ILECE, Hospital Infantil,

10 10 CISMEPAR, Escola Meta e Associação Londrinense de Saúde Mental, com as quais possui parceria. As mães das crianças que são encaminhadas ao Espaço Escuta também recebem apoio psicológico, podendo expor suas angústias, dúvidas, medos, e também adquirem instruções para ajudar na interação e inclusão social do seu filho. Os cursos realizados no Espaço Escuta, como por exemplo, psicanálise e transdisciplina ou psicanálise e educação, são normalmente freqüentados por pediatras, psicólogos, profissionais de enfermagem, professores da área educacional e demais interessados no entendimento do desenvolvimento global da criança e que se preocupam com o comprometimento psíquico e o tratamento adequado dos indivíduos ainda na infância. Atualmente, o Espaço Escuta conta com colaboradores que oferecem de 5 a 15 horas semanais: 6 profissionais voluntários constituindo o Grupo Gestor: 4 psicólogas - sendo que uma é a presidente - 1 neuropediatra e 1 administrador de empresas (tesoureira); 1 pediatra; 5 estagiários do Curso de Psicanálise e Transdisciplina: 3 estudantes de psicologia, 1 de psicopedagogia e 1 assistente social; 2 estagiárias de Comunicação Social - Habilitação em Relações Públicas 1 secretária O Grupo Gestor é eleito a cada dois anos pelos colaboradores da instituição. Como os integrantes deste grupo devem ser membro efetivo e sócios contribuintes por mais de 3 anos, e a OSCIP tem apenas dois anos de atuação, este ano deverá haver uma reeleição dos membros. Como o Espaço Escuta trata de distúrbios do desenvolvimento global infantil, para atuar como voluntário na organização, exige-se que o estudante ou profissional seja da área de psicologia ou pediatria e que tenha completado o curso profissionalizante de dois anos, oferecido na própria instituição, para que tenham base e informações suficientes sobre o problema

11 11 das crianças, não havendo riscos de piorar a saúde do paciente ou a possibilidade de alterar o diagnóstico e tratamento adequado para o paciente. Já os voluntários de outras áreas - como serviço social, comunicação e administração, por exemplo - que desejam trabalhar na instituição, são entrevistados por um dos representantes do Grupo Gestor antes de começarem a atuar no Espaço Escuta. Este representante analisa os objetivos e o perfil do interessado, se está de acordo ou não com a proposta da OSCIP. Basicamente, não há funcionário remunerado. Apenas uma porcentagem da verba adquirida com os cursos prestados são destinados às duas psicólogas que ministram os cursos oferecidos. O Grupo Gestor possui reuniões administrativas semanais para a discussão e realização dos trabalhos que estão ou serão realizados e é o momento em que são tomadas as decisões maiores por meio de votação dos membros. No começo de todo ano, acontece uma assembléia com todos os integrantes da organização, onde são discutidas e distribuídas as tarefas para os colaboradores. Estes são divididos em comissões para o planejamento e desenvolvimento de determinadas atividades. O responsável de cada comissão leva as informações para serem discutidas na reunião do Grupo Gestor. As funções de cada comissão são: Administrativo: trata da parte burocrática, faz levantamento de dados relevantes ao trabalho da instituição, cuida da documentação, organiza as reuniões para propor as atividades que devem ser executadas pelas outras comissões. Ensino e Formação: preparação dos cursos e conteúdo pra a capacitação e atualização da equipe de alunos e profissionais. Projetos: criação de veículos de comunicação para enviar às outras instituições da cidade e região, divulgando o trabalho do Espaço Escuta, além de arrecadar fundos para obtenção de instrumentos como: filmadora, aparelhos de som, computadores. Clínica: é responsável pelo atendimento dos pacientes e supressão dos estagiários.

12 12 Eventos: cuida da organização de festas, almoços, palestras para a arrecadação de verba. Acervo: faz o levantamento de livros utilizados nas aulas, além de organizar uma biblioteca e fazer publicações em revistas. As atividades realizadas pelos profissionais e estagiárias de psicologia são: Triagem e avaliação das crianças encaminhadas; Atendimentos Individuais às crianças; Atendimentos Individuais com as mães; Formação de grupos de pais; Supervisão e orientação a profissionais de outras instituições; Contatos com outras instituições e profissionais que atendem crianças; Elaboração dos relatórios de atendimentos; Encaminhamento da criança a outra instituição se não for caso para o Espaço Escuta; Discussão interdisciplinar dos casos. A psicopedagoga trabalha em parceria com as psicólogas e também faz avaliação dos casos encaminhados externa ou internamente, atendimento individual, participação no grupo de pais e discussão interdisciplinar dos casos. Já a assistente social cuida da análise social dos casos, faz visitas domiciliares e atendimento social no Espaço Escuta, além de participar também das discussões interdisciplinares dos casos. A mãe de uma das crianças atendidas na instituição é voluntária e exerce a função de secretária, atendendo a telefonemas, anotando recados e passando todas as informações necessárias aos interessados nas atividades do Espaço Escuta. E a faxineira é a única remunerada pelos componentes do Grupo Gestor.

13 13 A PROPOSTA Depois de traçar o perfil dos públicos que devem ser trabalhados e analisar os processos de trabalho, além das condições internas e externas, da organização, parte-se para o planejamento estratégico. Esta próxima fase consistiu em averiguar no Espaço Escuta todos os sistemas de informação, estabelecendo os objetivos e cumprindo metas de acordo com as necessidades da entidade e dos grupos de interesse a serem trabalhados. Pretende-se com as Relações Públicas instituir efetivos relacionamentos para que suas operações mantenham-se favoráveis ao desenvolvimento do Espaço Escuta. Além disso, devido à implantação da comunicação perante os desafios estratégicos que a organização deve enfrentar, pretende-se atingir o propósito principal de torná-la conhecida frente aos seus grupos de interesse para que seu trabalho também sejam disseminado. OS PROJETOS Os projetos executados conseguiram atingir o objetivo proposto desde o princípio: o de divulgar as atividades do Espaço Escuta, tendo como contexto o autismo, a importância do seu diagnóstico precoce e o encaminhamento das crianças ao tratamento adequado. Os públicos-alvo deste trabalho foram constituídos por profissionais da rede de pré-ensino, médicos pediatras e famílias da sociedade londrinense, que convivem com crianças de 0 a 6 anos - idade em que a doença pode se desenvolver. Além de disseminar as propostas da entidade em questão, pretendeu-se despertar o interesse das pessoas pela causa do autismo. Assim, desenvolveu-se um trabalho comunicação que viabilizou uma aproximação entre o Espaço Escuta e seus públicos, possibilitando uma troca mútua entre ambos.

14 14 A entidade ampliou o seu público em potencial, sendo que as pessoas podem vir a tornar voluntários ou participantes dos cursos oferecidos pela mesma. Em conta partida, o Espaço Escuta forneceu mais informações e esclarecimentos aos seus públicos de interesse, possibilitando um maior desempenho profissional no trabalho com as crianças. PROJETO CARAVANA ESPAÇO ESCUTA : AÇÕES E RESULTADOS Constatada a falta de conhecimento sobre o autismo, mesmo entre os profissionais da educação, sentiu-se a necessidade de um trabalho de comunicação que pudesse levar a estes profissionais, informações suficientes para despertar sua atenção à causa do autismo. Neste contexto, o público-alvo definido neste projeto foi o de profissionais de pré-ensino, ou seja, aqueles que trabalham com crianças de 0 a 6 anos. O objetivo principal deste projeto foi o de informar os professores, supervisores e diretores das escolas de pré-ensino de Londrina, a respeito do autismo. Além disso, era necessário também divulgar o Espaço Escuta como instituição capaz de diagnosticar e tratar transtornos do desenvolvimento global infantil. Assim, informados e esclarecidos, os profissionais da educação infantil em Londrina poderiam ser parceiros no trabalho do Espaço Escuta e encaminhar para a instituição alunos que apresentassem algum sinal de autismo ou qualquer outro transtorno do desenvolvimento. Para alcançar os objetivos propostos, criou-se o projeto Caravana Espaço Escuta, formando uma equipe de psicólogas e voluntários que visitavam as escolas de pré-ensino, para ministrar palestras e esclarecimento de dúvidas aos professores. As visitas da caravana foram previamente agendadas com os diretores das escolas, possibilitando maior planejamento e estruturação dos docentes envolvidos. As psicólogas do Espaço Escuta revezavam-se conforme dias e horários disponíveis, mas o conteúdo das palestras foi o mesmo em todas as escolas visitadas.

15 15 A maioria das instituições educacionais não pôde agendar as palestras devido a falta de horário, já que o término do ano letivo dificulta a inclusão de mais atividades para os professores, mas gostariam projeto no ano seguinte. Foram realizadas até o momento pela Caravana Espaço Escuta, palestras na Pré-Escola Educativa, Pré-Escola Solução, Sistema Maxi de Ensino, Escola Meta Fundamental e Colégio Londrinense, sendo que o Espaço Escuta tem sido procurado por outras instituições que solicitaram visitas da caravana para o início do ano letivo de Em todas as escolas, as palestras abordaram o assunto do autismo e o trabalho do Espaço Escuta. Inicialmente, as responsáveis pelo projeto faziam a introdução da palestra, agradecendo a oportunidade da visita, explicando os motivos e entregando, a cada participante, uma carta que apresentava o projeto Caravana Espaço Escuta como um trabalho acadêmico de conclusão do curso de Relações Públicas. Esta carta de apresentação trazia ainda os objetivos do projeto, telefones e s das alunas autoras do projeto para contato em caso de dúvidas ou sugestões. Em seguida, era apresentado o vídeo Espaço Escuta na Causa do Autismo, com duração aproximada de 8 minutos, que mostrava cenas intercaladas de filmes sobre a síndrome e entrevistas realizadas com médicos, psicólogos e outros profissionais do Espaço Escuta. As cenas escolhidas abordaram principalmente, temáticas como sintomas do autismo, importância do diagnóstico precoce e atividades da OSCIP. Este vídeo foi criado e desenvolvido especialmente para o trabalho, em parceria com um técnico do laboratório de telejornalismo da UEL e responsável pela edição. O tempo de produção deste material foi de três dias, considerando a seleção de cenas. O objetivo principal do vídeo foi despertar o interesse para a causa do autismo e o trabalho do Espaço Escuta. Este propósito foi plenamente atingido neste projeto à medida que introduzia o assunto da palestra gerando inúmeras indagações antes mesmo da explanação da psicóloga.

16 16 Ao iniciar a abordagem da psicóloga sobre o autismo, era distribuído o folder informativo para os participantes. Este folder foi produzido por meio de patrocínio e desenvolvido especialmente para professores de préensino, com o intuito de trazer informações claras e objetivas a respeito da doença, evidenciando alguns sinais, estatísticas e ressaltando-se a necessidade de tratamento. A frase O autista não pode mudar o mundo dele... Você pode! causou curiosidade e questionamentos em todas a palestras. Este material também divulgava os dados da OSCIP e era guardado pelos professores, que solicitavam mais exemplares para entregar a colegas de trabalho de outras escolas ou conhecidos que pudessem se interessar pelo assunto. Em seguida, a psicóloga abria espaço para perguntas que, em geral, eram os motivos dos prolongamentos das palestras, além do tempo previsto, tamanho o interesse despertado nos participantes. E finalmente, uma pesquisa de avaliação era entregue aos professores que, devolvendo-as completamente preenchidas, participavam do sorteio de brindes. As escolas participantes do projeto significaram aproximadamente 60 profissionais de educação infantil, entre professores, supervisores, orientadores e diretores. Com a compilação dos dados desta pesquisa e a observação das reações em sala de aula durante as palestras da "Caravana Espaço Escuta", pôde-se constatar que 61% dos profissionais de educação infantil participantes do projeto, desconheciam os indicadores, características e formas de tratamento do autismo, apesar de 100% deles acreditarem que tal conhecimento faz-se relevante para sua profissão. Após a palestra, 100% destes profissionais afirmaram ter melhorado seu conhecimento a respeito da doença, sendo que 73% passaram a julgar-se capazes de reconhecer uma criança com pautas de autismo. No entanto, a estatística que mais respondeu ao objetivo primeiro deste trabalho revelou que 100% dos profissionais de educação infantil pesquisados aprovaram a iniciativa do projeto "Caravana Espaço Escuta" e 78%

17 17 passaram a considerar a possibilidade de encaminhar alunos que apresentarem sinais de autismo para uma avaliação do Espaço Escuta. É importante ressaltar ainda que este projeto surpreendeu as expectativas a medida que se comparava o comportamento dos professores antes e depois da visita da "Caravana Espaço Escuta". De modo geral, os momentos que precediam a palestra demonstravam que os professores estavam fazendo apenas uma atividade a mais, sem muito interesse ou desejo especial. No entanto, o decorrer da apresentação e o desfecho da palestra traziam nítidas modificações neste cenário. Todos os participantes ficavam interessados pelo tema, faziam perguntas, apresentavam exemplos e solicitavam mais materiais. Além disso, todas as palestras tiveram prazo maior que o previsto, em função dos vários questionamentos feitos pelos participantes, que não se preocuparam em passar do horário. Finalmente, em todas as escolas houve solicitações de visitas da "Caravana Espaço Escuta" a outros espaços, que só não foram atendidas ainda, devido à falta de tempo hábil para este ano. PROJETO VOCÊ SABIA, DOUTOR? : AÇÕES E RESULTADOS Constatado o pouco esclarecimento dos profissionais de pediatria a respeito do autismo e dos locais de tratamento especial para esta síndrome, considerou-se também os médicos pediatras como público-alvo deste trabalho. Outro fator de decisão para esta escolha foi o fato de que estes profissionais são os primeiros a serem procurados pelas mães que percebem problemas de desenvolvimento em seus filhos. Daí, a grande influência que os pediatras exercem no momento de encaminhar o paciente autista para a instituição ou profissional adequado ao tratamento do caso. Portanto, fez-se evidente a necessidade de divulgar o trabalho do Espaço Escuta para tal público. Assim, criou-se o projeto Você Sabia, Doutor?, visando o esclarecimento desses profissionais a respeito do autismo e do trabalho especializado oferecido pelo Espaço Escuta, além da possibilidade de contar

18 18 com o auxílio destes profissionais para o encaminhamento de seus pacientes autistas a um centro de diagnóstico e tratamento específico para este transtorno. A execução deste trabalho foi dividida em duas etapas. A primeira foi a distribuição de boletins de esclarecimento sobre o autismo e as atividades oferecidas pelo Espaço Escuta, em consultórios e clínicas pediátricas de Londrina. O boletim foi criado em parceria com a equipe do Espaço Escuta. Seu texto obteve uma linguagem clara e objetiva, considerando o pouco tempo disponível destes profissionais para leitura deste material e a hipótese de que por ventura pudesse chegar às mãos dos enfermeiros e auxiliares nos consultórios. A criação e a impressão dos boletins foram possíveis por meio de patrocínio e a quantidade produzida considerou número de pediatras envolvidos e os exemplares que deveriam ficar no Espaço Escuta para apoio a outros trabalhos, totalizando 200 unidades. O conteúdo deste material dependeu de pesquisas bibliográficas e de artigos científicos publicados na Internet, sendo também submetido à análise prévia de dois médicos pediatras. O texto enfatizou a importância do diagnóstico precoce, os sinais indicadores do autismo e a existência de uma instituição em Londrina, especializada no tratamento deste distúrbio. Com o boletim, seguiam dois documentos: carta de apresentação, destacando a importância daquela leitura para o propósito do trabalho, e a pesquisa de avaliação com perguntas objetivas sobre o projeto. A segunda etapa deste projeto foi a doação dos vídeos a hospitais de grande porte que possuem atendimento infantil. Os hospitais escolhidos foram: Hospital Infantil, Hospital Universitário e PAI (Pronto Atendimento Infantil). O vídeo utilizado foi o mesmo produzido para o projeto Caravana Espaço Escuta, considerando-se que o intuito de despertar o interesse sobre a questão do autismo era comum a ambos. Em acompanhamento ao vídeo, também foi enviada carta de apresentação, que explicava os objetivos do projeto e a importância do papel multiplicador que poderia desempenhar no hospital em questão. Telefones e e-

19 19 mails para contato também constavam na carta, oferecendo a oportunidade de que a direção do hospital agendasse futuramente uma palestra do Espaço Escuta para maiores esclarecimentos. Outro documento que acompanhou o vídeo foi a pesquisa de avaliação para mensurar os resultados efetivos. A grande dificuldade para a execução deste projeto foi encontrar horários disponíveis entre os médicos para responder e entregar as pesquisas de avaliação. Entre os 70 pediatras que receberam os boletins informativos, 36 responderam as pesquisas de avaliação. A falta de esclarecimento destes profissionais foi confirmada pelo índice de 88% dos pediatras que consideravam como péssimo ou ruim seu conhecimento sobre o autismo. Apesar disso, 81% destes pediatras acreditam na importância desse conhecimento para sua profissão. Ainda assim, o índice de 19% que não vêem essa importância é preocupante, já que são eles as primeiras referências da mãe que percebe qualquer transtorno no desenvolvimento de seu filho. Dos médicos pesquisados, 71% aprovou completamente o boletim Meu Paciente Autista e 100% deles revelou que o boletim contribuiu para aumentar, em alguns aspectos, seu conhecimento sobre a doença. Os indicadores do autismo relatados no boletim foram considerados importantes para a avaliação médica de 75% dos pesquisados e, finalmente, 72% dos pediatras em questão considerou positivo o fato de encaminhar pacientes autistas ao Espaço Escuta. A segunda fase deste projeto, a distribuição dos vídeos em hospitais com atendimento infantil, também foi bem sucedida em sua avaliação. A pesquisa foi respondida pelos diretores dos três hospitais e revelou que o objetivo principal desta parte do projeto foi atingido: todos tiveram seu interesse despertado para a causa do autismo. Constatou-se ainda, que dois dos hospitais acreditam na importância do conhecimento sobre esta doença para a atividade dos pediatras e consideram relevante a apresentação dos indicadores mostrados no vídeo. Enfim, este projeto foi de grande importância para o objetivo principal deste trabalho, já que conseguiu espaço entre os profissionais da

20 20 classe médica para divulgar, além do autismo, o trabalho do Espaço Escuta nesta causa. PROJETO COMUNIDADE ESCUTA : AÇÕES E RESULTADOS A imprensa é o canal mais abrangente para transmitir mensagens de qualquer gênero, tornando-se também uma formadora de públicos. Coube a este trabalho utilizar este meio como um aliado na divulgação das informações do autismo e do Espaço Escuta para que os objetivos determinados possam ser concretizados e os resultado satisfatórios. Partindo do princípio que a população possui baixo nível de informação sobre o assunto e para que a OSCIP seja mais conhecida frente a comunidade londrinense, fez-se necessário que as suas atividades sejam mais difundidas entre as famílias e as pessoas que tenham interesse em aumentar o seu conhecimento ou precisam de mais informações sobre a doença em questão e demais distúrbios do desenvolvimento infantil, como profissionais da saúde e educação. Dentro deste contexto, criou-se o projeto "Comunidade Escuta", sendo a imprensa o melhor canal divulgador para atingir um número significativo de pessoas, fazendo com que o feedback seja imediato. Primeiramente, entrou-se em contato com a Rádio Paiquerê FM pelo telefone. Agendado a data da entrevista, com a Maribél de Salles de Melo - presidente do Espaço Escuta, foi elaborada uma pauta para que os dois apresentadores do Programa do Zezão - o próprio Zezão e o Edson Ferreira - pudessem se orientar ao fazer as perguntas sobre a importância de divulgar este trabalho, as características do autismo, o diagnóstico precoce e o motivo pelo qual o nosso público-alvo se constitui, além das famílias, de profissionais de préensino e médicos pediatras. Os profissionais que não tiveram a oportunidade de participar do projeto "Caravana Espaço Escuta" ou "Você sabia, Doutor?", tiveram maior probabilidade de serem atingidos por meio deste outro trabalho de comunicação.

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