O CABIMENTO DE EMBARGOS DE TERCEIROS NA PROMESSA COMPRA E VENDA DESPROVIDA DE REGISTRO CIVIL.

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1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ UNIVALI CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR CURSO DE DIREITO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA O CABIMENTO DE EMBARGOS DE TERCEIROS NA PROMESSA COMPRA E VENDA DESPROVIDA DE REGISTRO CIVIL.

2 2 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ WAHINGTON LUIZ MACHADO O CABIMENTO DE EMBARGOS DE TERCEIROS NA PROMESSA DE COMPRA E VENDA DESPROVIDA DE REGISTRO CIVIL: bibiguaçu 2009

3 3 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ UNIVALI CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR CURSO DE DIREITO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA O CABIMENTO DE EMBARGOS DE TERCEIROS NA PROMESSA COMPRA E VENDA DESPROVIDA DE REGISTRO CIVIL. Dedico este trabalho aos meus pais, José Machado, e Maria de Lourdes Luiz, vida que me proporcionam, e á minha namorapor tudo que sentem por mim e eu por eles. AGRADECIMENTO

4 4 Dedico este trabalho aos meus pais, José Machado, e Maria de Lourdes Luiz, pela vida que me proporcionam, e a minha namorada Sheena, por tudo que sentem por mim e eu por eles.

5 5 (AGRADECIMENTO) Agradeço aos meus professores pela paciência, perseverança e competência na função de lecionadores do grande ensinamento que adquiri no curso de direito.

6 6 SUMÁRIO RESUMO...8 ABSTRACT INTRODUÇÃO DA PROPRIEDADE HISTÓRICO DA PROPRIEDADE NO BRASIL Conceito Formas De Aquisição Da Propriedade Da aquisição da Propriedade Móvel Ocupação Usucapião Achado do tesouro Tradição Especificação Confusão, Comistão e Adjunção Da aquisição da Propriedade Imóvel Da transcrição Da usucapião Usucapião extraordinária Usucapião ordinária Usucapião especial Acessão Extinção da Propriedade Alienação Renuncia Abandono Perecimento da Coisa Desapropriação...33

7 7 2. PROMESSA DE COMPRA E VENDA 2.1 Contrato Preliminar Promessa de Compra e Venda Promessa de Compra e Venda no Código Civil de Registro da Promessa de compra e venda em Registro de Imóveis DOS EMBARGOS DE TERCEIRO 3.1 Dos Embargos de Terceiro: Conceito E Natureza Jurídica Da legitimidade para embargar: terceiro possuidor Da Súmula 621 Do Supremo Tribunal Federal Da Súmula 84 Do Superior Tribunal De Justiça Da Boa Fé Do Embargado: Uma Alternativa Viável...70 CONCLUSÃO REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS...77

8 8 RESUMO Trata-se de um trabalho monográfico que tem como objetivo averiguar a possibilidade do promitente comprador, quando já imitido na posse do imóvel objeto do compromisso de compra e venda [ não registrada] ajuizar embargos de terceiro em face de penhora do referido imóvel em execução movida contra o promissário vendedor. A matéria, que envolve direito civil propriedade, tratando das formas de aquisição e extinção e processo civil quanto ao contrato de compromisso de compra e venda, através de enunciados sumulares, de forma diversa no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribuna de Justiça. O primeiro capitulo versa sobre a evolução da propriedade no Brasil, suas formas de aquisição. O segundo capitulo refere-se a instituto promessa de compra e venda. No terceiro Capitulo refere-se ao divergente entendimento concedido à matéria no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, aqui relacionados os precedentes jurisprudenciais que deram ensejo a cada decisão o embasamento teórico das súmulas divergente, bem como a elaboração de uma alternativa adequada em face das conseqüências jurídicas e sociais de cada decisão sumuladas.

9 9 ABSTRACT this is a monograph that aims to investigate the possibility of the prospective buyer, when he followed in possession of the property subject of the commitment of buying and selling [unregistered] bans the third judge in the face of attachment of the property running moved promissri against the seller. The matter, which involves civil procedure - the process of implementation and embargoes third and civil law - ownership and commitment contract of sale, was disciplined by summaries of statements, different from the Supreme Court and the Superior Courts. The first chapter deals with the evolution of property in Brazil, its forms of acquisition. The second chapter refers to the Institute of possession, as their forms of acquisition and extinction. The third chapter refers to divergent understanding given the committee on the Supreme Court and the Superior Court, listed the precedents that gave rise to every decision the theoretical overviews of divergent as well as the development of an appropriate alternative in face of legal and social consequences of each decision scoresheet.

10 10 1. INTRODUÇÃO O trabalho que adiante de desenvolve tem por objeto construir algumas proposições acerca da oponibilidade dos embargos de terceiro, pelo promitente comprador, que tem o imóvel objeto do compromisso de compra e venda penhorado em ação executiva de terceiro, na qual figura como parte executada o promissário vendedor, o Compromisso de compra e venda não esta registrado, e o registro imobiliário do imóvel prometido a venda indica o mesmo pertencer ao executado, is casu o promissário vendedor. Assim, através da pesquisa realizada, buscou-se responderão problema formulado no projeto de monografia jurídica: É admissível a oposição de embargos de terceiro nos [casos] de compromisso de compra e venda não registra em Cartório Público Para tanto, utilizou-se o método dedutivo para a abordagem do tema, ao passo que pesquisa é calcada em fontes primárias, ou seja, na legislação pertinente e em decisões e acórdãos, assim como em fonte secundárias, mediante pesquisa bibliográfica em doutrinas e pareceres. O estudo esta inserido em duas áreas de concentração, quais seja direito processual civil e direito civil. A área Civil se materializa no primeiro e segundo capitulo, o são a o direito de propriedade da e o instituto da posse é os embargos de terceiro, neste caso específico oposto pelo terceiro possuidor do bem penhorado em execução no qual não figura como litigante. O terceiro e derradeiro, Quanto ao direito processual civil, os institutos aqui estudados apresenta o direito processual civil é os embargos de terceiro, neste caso específico oposto pelo terceiro possuidor do bem penhorado em execução no qual não figura como litigante, sendo ainda comporta neste capítulo comporta a divergência sumular em que está inserido o tema proposto, local em que as Súmulas 621, do STF, e 84, do STJ, são analisadas com relação aos

11 11 seus precedentes jurisprudenciais e embasamento teórico, para quere ao final se apresente uma alternativa coerente com os efeitos jurídicos e sociais de cada decisão sumulada. No entendimento consagrado pelo supremo tribunal federal da Sumula 621, restou privilegiada a necessidade de inscrição imobiliária do compromisso de compra e venda, caso em que ocorreria o efeitos erga omnes. Logo, o efeitos inter partes resultantes do compromisso não registrada não são suficientes ao terceiro embargante para desconstituir a penhora do bem prometido a venda. Já o Superior Tribunal de Justiça disciplinou a matéria, através da Súmula 84, de forma diversa, aduzindo que a posse decorrente do compromisso de compra e venda é bastante a legitimar os embargos de terceiro, sendo o registro imobiliário dispensável para tanto.

12 12 1. PROPRIEDADE 1.4 HISTÓRICO DA PROPRIEDADE NO BRASIL A raiz histórica de propriedade é encontrada no direito romano. 1 Difícil é saber o momento em que surge em Roma a primeira forma de propriedade territorial, tendo em vista que as fontes não são muito claras quanto a matéria, porém, a noção de propriedade imobiliária individual em Roma, segundo fontes, data da época da Lei das XII Tábuas. Neste primeiro momento, o indivíduo recebia uma porção de terra para cultivo, porém, após terminada a colheita, a terra voltava a ser coletiva. 2 Enriquecendo este primeiro momento da propriedade em Roma, Diniz 3 ensina que: Nos primórdios da cultura romana a propriedade era da cidade ou gens, possuindo cada indivíduo uma restrita porção de terra (1/2 hectare), e só eram alienáveis os bens móveis. Com o costume de conceder-se sempre a mesma porção de terra às mesmas pessoas, ano após ano, o pater familias faz benfeitorias em tal terra, e ali instala-se com sua família e seus escravos. 4 1 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p. 105.

13 13 Com tal, a propriedade coletiva foi dando lugar à propriedade privada, passando pelas seguintes etapas: 1º) propriedade individual sobre os bens necessários a existência do proprietário; 2º) propriedade individual sobre os bens suscetíveis de troca com outras pessoas; 3º) propriedade dos meios de trabalho e pertinentes a produção; e 4º) finalmente a propriedade individual dos moldes capitalistas, onde o proprietário poderia explorar seu bem de modo absoluto. 5 Já na Idade Média, a propriedade passou por uma fase peculiar, fase esta com dualidade de sujeitos, ou seja, o dono da propriedade e o que explorava economicamente o solo, o qual pagava ao primeiro pelo seu uso. 6 Tais pedaços de solo explorados mediante pago eram denominados feudos, tais quais, inicialmente, eram dados como usufruto condicional a certos beneficiários que se comprometiam a prestar serviços, incluindo em tais, os militares. No decorrer do tempo, a propriedade sobre os feudos passou a ser hereditária, e, cabendo salientar, somente transmissíveis na linha masculina. 7 O Direito Canônico admite a idéia de que o homem está legitimado a adquirir bens, por tratar-se de garantia de liberdade individual. No entanto, através de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, ensina-se que a propriedade privada é eminente a natureza do homem, sendo que para tal, deve fazer justo uso dela. 8 O feudalismo desapareceu com o advento da Revolução Francesa, esta datada de A partir de tal (século XVIII), a escola do direito natural passa a reclamar leis que, taxativamente, definissem propriedade. A Revolução Francesa recepcionou a idéia romana, já o Código de Napoleão traça a concepção individualista do instituto propriedade, ou seja, gozo e dispor da coisa de modo absoluto, desde que não haja proibição legal ou regulamentar. Código e revolução 4 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p. 106.

14 14 que repercutiu em todos os sistemas jurídicos que modelaram-se no Código Civil francês, inclusive na maioria dos sistemas jurídicos latino-americanos. 10 Tendo estudado o histórico da propriedade, seguimos estudando tal instituto, abordando os diversos conceitos de propriedade. 1.5 CONCEITO Primeiramente, cabe salientar que a propriedade é um direito real, direito este estipulado no artigo do Código Civil 11, in verbis: Artigo São direitos reais: [...] I a propriedade; [...] O caput do artigo do Código Civil 12 conceitua propriedade, subjetivamente, sobre a disponibilidade do bem em relação ao proprietário, tendo o proprietário [...] a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Gonçalves 13, valendo-se do artigo supra dito, define propriedade como sendo [...] o poder jurídico atribuído a uma pessoas de usar, gozar, dispor de um bem, corpóreo ou incorpóreo, em sua plenitude e dentro dos limites estabelecidos na lei, bem como de reivindicá-lo de quem injustamente o detenha. Para Rodrigues é o mais completo dos direitos subjetivos, o cerne do direito das coisas, a espinha dorsal do direito privado, justificando esta ultima pelo 10 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p NEGRÃO, Theotonio Código Civil 12 ed. Sãp Paulo: Saraiva NEGRÃO, Theotonio Código Civil 12 ed. Sãp Paulo: Saraiva GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p

15 15 motivo de o conflito de interesses entre os homens aparece, na maioria dos casos, pela disputa sobre bens. 14 Já para Gomes 15, a propriedade é [...] o direito complexo, absoluto, perpétuo e exclusivo, pelo qual uma coisa fica submetida à vontade de uma pessoa, com as limitações da lei. Tendo conceituado propriedade, cabe-nos dar seguimento ao presente estudo, estudando as formas de aquisição da mesma. 1.6 FORMAS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE Nosso Código Civil, a partir do artigo apresenta as formas de aquisição da propriedade imóvel, referentes ao usucapião, aquisição por registro do título e aquisição por acessão. Já, a partir do artigo trata da aquisição da propriedade móvel, tratando do usucapião, ocupação, achado de tesouro, tradição, especificação, confusão, comistão e adjunção. 16 Como pode-se verificar, os modos de adquirir classificam-se com apoio na distinção fundamental entre bens móveis e imóveis. É de grande importância prática a distinção entre os modos de adquirir tais bens, pois os bens imóveis se adquirem pela transcrição do título em registro público apropriado, enquanto os bens móveis se adquirem pela tradição. 17 No mesmo sentido Venosa 18 ensina: O domínio transmite-se pela tradição no tocante aos bens móveis e pela transcrição do título aquisitivo para 14 RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p

16 16 os imóveis. Seguiu-se a tradição romana: traditionibus, non nudi pactis, dominia rerum transferuntur. Pode-se distinguir os modos de aquisição da propriedade em originários e derivados. 19 São originários quando não há transmissão de um sujeito para outro, ou seja, o indivíduo torna-se dono de uma coisa por fazê-la sua, sem que tenha sido transmitida por alguém, ou até mesmo porque nunca teve sobre o domínio de outrem. Ainda, não há relação causal entre a propriedade adquirida e o estado jurídico anterior da coisa. 20 No mesmo sentido Rodrigues 21 : São originários os modos de aquisição da propriedade em que não há qualquer relação jurídica de causalidade entre o domínio atual e o estado jurídico anterior, como ocorre na hipótese da acessão ou da usucapião. Já no que tange a aquisição derivada, é a que resulta de uma relação negocial entre o anterior proprietário e o adquirente, ou seja, uma transferência de domínio em razão de manifestação de vontade, através de registro do título translativo ou da tradição. 22 Quanto a forma de aquisição do modo derivado deve-se ter em mente duas importantes conseqüências; O domínio do sucessor vem eivado dos característicos, defeitos e limitações de que se revestia na mão do antecessor; e, para provar seu domínio, o titular deve comprovar a legitimidade do direito de seu 19 RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p. 231.

17 17 antecessor, do antecessor deste, assim por diante, até o período de quinze anos, tempo este suficiente para a aquisição do direito, através da usucapião. 23 Outra forma de aquisição da propriedade é através do direito hereditário, tendo base no artigo do Código Civil 24, que positiva que Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Quanto a maneira que se processa, classificam-se os modos de aquisição em: a título singular, e a título universal. 25 Quanto a título singular, adquire-se a coisa individuada, exemplificando com a compra e venda de determinado bem imóvel, no negócio entre vivos, ou mesmo no legado, na sucessão causa mortis. 26 Ensina da mesma maneira Gonçalves 27, quando ensina que [...] é a título singular quando tem por objeto bens individualizados, particularizados. Verifica-se, ordinariamente, por negócios inter vivos.. Já, no que tange à aquisição a título universal, o modo único de aquisição é a sucessão hereditária. É quando a transmissão da propriedade recai num patrimônio. O adquirente sucede em todos os direitos reais e processuais do transmitente, assim como nas obrigações dele para com terceiros Da aquisição da Propriedade Móvel O Código Civil de 2002 prevê seis modos de aquisição da propriedade móvel, sendo elas: a usucapião; a ocupação; o achado do tesouro; a tradição; a especificação e a confusão. Englobando nesta ultima a comistão e a adjunção RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p NEGRÃO, Theotonio Código Civil 12 ed. Sãp Paulo: Saraiva GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p. 297.

18 18 então. Cabe-nos estudá-las individualmente, o que será realizado a partir de Ocupação A ocupação, por excelência, é modo originário de aquisição da propriedade. Conceituando-se como a propriedade adquirida de coisa sem dono, ou nunca apropriadas, ou porque foram abandonadas por seu dono. 30 Para Rodrigues 31 ocupação é [...] a tomada da posse de coisas sem dono, com a intenção de lhe adquirir domínio. Tal modalidade de aquisição da propriedade móvel está estipulada no artigo do Código Civil 32, onde estipula que Quem se assenhorar de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade, não sendo essa ocupação defesa por lei. Para haver a ocupação, é necessário a conjunção de três requisitos, sendo eles: quem apreenda a coisa tenha o ânimo de lhe adquirir a propriedade; que o objeto da apreensão seja res nullis ou res derelicta; e que o ato de apreensão seja forma adequada de aquisição, isto é, que não seja defesa por lei Usucapião A usucapião é conceituada por Venosa 34 como sendo [...] o modo de aquisição da propriedade mediante a posse suficientemente prolongada sob determinadas condições. Rodrigues 35 conceitua da mesma forma, ensinando que a usucapião é [...] modo originário de aquisição do domínio, através da posse mansa e pacífica, por determinado espaço de tempo, fixado na lei. 30 GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p Lei nº GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p. 193.

19 19 A usucapião de coisas móveis não apresenta a mesma importância, no ordenamento jurídico brasileiro que o referente às coisas imóveis, prevendo prazos mais reduzidos para tal tipo. 36 Tal usucapião está regulamentada nos artigos a do Código Civil, cabendo transcrevê-los, in verbis: Art Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquir-lhe-á a propriedade. Art Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente de título ou boa-fé. Art Aplica-se à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts e O estabelecido no artigo estabelece o lapso possessório de três anos para o usucapião ordinário. Já o artigo regula o usucapião extraordinário dos bens móveis. O artigo 1.262, aplica os artigos inscritos no mesmo, deste modo admitindo-se a acessão das posses e as causas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição, no que diz respeito à usucapião ordinário e extraordinário das coisas móveis Achado do tesouro 35 RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p

20 20 O tesouro, anteriormente (Código Civil de 1.916), vem agora (Código Civil de 2.002), disciplinado na Seção III do capítulo sobre a aquisição da propriedade móvel, o qual compreende os artigos a Denomina-se tesouro o depósito antigo de pedras preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória. 39 Se o tesouro for encontrado em prédio alheio, o mesmo é dividido entre o proprietário do prédio e o inventor, cabendo-nos transcrever o artigo do Código Civil 40 : Art O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. Cabe salientar, que praticará crime quem apropriar-se da quota a quem tem direito o proprietário do prédio, com base no artigo 169, parágrafo único, alínea I do Código Penal. 41 Tal divisão do tesouro entre o proprietário do prédio e o achador deve decorrer da casualidade, visto que, se a pessoa foi contratada para achar coisas a relação é negocial, neste caso, o artigo do Código Civil estabelece que o tesouro pertencerá, por inteiro, ao proprietário do prédio, se achado por ele, ou em pesquisa que ordenou, ou por terceiro não autorizado. 42 Se achado em terreno aforado, partilhar-se-á entre quem o achou o foreiro, ou será deste por inteiro, quando o mesmo seja o descobridor, ensinamento este positivado no artigo do Código Civil RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p NEGRÃO, Theotonio Código Civil 12 ed. Sãp Paulo: Saraiva GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p NEGRÃO, Theotonio Código Civil 12 ed. Sãp Paulo: Saraiva 2009.

21 21 Vale salientar, que é de pouca importância tal matéria, tendo em vista que fora inserida no Código Civil em épocas passadas, onde as pessoas enterravam e escondiam seus pertences ao fugir de guerras e revoluções, as quais, quando morto ou desaparecido o proprietário, ficavam ocultos, até que, pela casualidade eram encontrados Tradição O contrato, por si só, não transfere a propriedade, gera somente a obrigação. O domínio ocorrerá com a tradição. 45 Diniz 46 conceitua a tradição como sendo [...] a entrega da coisa móvel ao adquirente, com a intenção de lhe transferir o domínio, em razão de título translativo de propriedade. No mesmo diapasão, positiva o artigo do Código Civil, in verbis: Art A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição. Parágrafo único. Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico. A tradição só terá o poder de transferir a propriedade da coisa se o transmitente for capaz e for o titular do domínio. Portanto, se for feita por quem não é o proprietário, a tradição não produz o efeito jurídico de transferência de 44 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p. 317.

22 22 propriedade, excetuando-se se a coisa for oferecida ao público em leilão ou estabelecimento comercial. 47 São três as modalidades de tradição, sendo elas: a tradição real, que consiste na efetiva material da coisa pelo alienante ao adquirente, ainda que por procuradores ou núncios; a tradição simbólica, somente representativa, não ocorrendo materialmente, exemplificando com a simples entrega das chaves de um veículo; e o constituto possessório, também conhecido como tradição ficta, exemplificando o caso em que o alienante continua como locatário da coisa Especificação A especificação dá-se quando a coisa móvel pertence a alguém e é transformada em espécie nova, através do trabalho de outrem. 49 Rodrigues 50 ensina que Ocorre especificação quando alguém, trabalhando determinada matéria-prima, obtém espécie nova. [...]. Tal conceito está baseado no artigo do Código Civil 51. Há quem considere a especificação como uma espécie de acessão, o que não ocorre neste tipo de aquisição de bens móveis, visto que a acessão requer a união ou incorporação de uma coisa e outra, já a especificação, é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova, através de ação humana. 52 Se a matéria pertence inteiramente ao especificador, não resta dúvida de que continua o mesmo a ser dono da nova espécie. Da mesma maneira, se, embora obtida espécie nova, a redução a forma anterior for possível, sem 47 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p RODRIGUES, Silvio. Direito civil : direito das coisas. Vol ed. rev. e atual. São Paulo : Saraiva, p NEGRÃO, Theotonio Código Civil 12 ed. Sãp Paulo: Saraiva DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p. 318.

23 23 qualquer dano, restabelecendo o status quo anterior, à custa do especificador, devolvendo ao dono o que lhe pertencia. 53 Já, quando a matéria for alheia, e não puder reduzi-lo à forma procedente, será do especificador de boa-fé a espécie nova, já, se obtida de má-fé, pertencerá ao dono da matéria-prima, com base no artigo c/c parágrafo primeiro do Código Civil 54. Em casos de confecções de obras de arte, em que o preço da mão de obra exceda consideravelmente o da matéria-prima, existe o interesse social em preservar o trabalho artístico. Cabendo ressaltar que, ainda que realizada de máfé, a Lei concede a propriedade ao especificador, sujeitando o mesmo a indenizar o valor da matéria-prima e a pagar eventuais perdas e danos, com base nos artigos 1.270, 2º. e do Código Civil Confusão, Comistão e Adjunção A comistão, a confusão e a adjunção são modos de aquisição de propriedade móveis, nos quais as diferenciações técnicas carecem de interesse práticos, uma vez que aplicados as mesmas regras, porém, sem prescindir de distinções. 56 Confusão pode se dar da mistura de líquidos de pessoas diferentes ( confusão), ou de coisas secas ( comistão ou mistura). 57 Tais tipos de aquisição da coisa móvel pressupõe a mescla ou união de coisas de proprietários diversos, sem que haja entendimento entre elas, necessário ainda, que da união ou mistura não resulte coisa nova, pois, neste 53 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p NEGRÃO, Theotonio Código Civil 12 ed. Sãp Paulo: Saraiva GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol. 5. São Paulo : Saraiva, p GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p. 237.

24 24 caso, haverá especificação. Devendo ainda, não poder ser a coisa unida possível de separação. 58 Se a mescla for intencional, com expresso consentimento dos proprietários das coisas misturadas, os mesmos deverão decidir a quem pertencerá o produto da mistura. 59 A regra geral a tais tipos de aquisição é o estabelecimento do condomínio entre os vários titulares. 60 que: Porém, se a mescla não for intencional, mas sim voluntária, Diniz 61 ensina a) se as coisas puderem ser separadas, sem deterioração, possibilitando a cada proprietário a identificação do que lhe pertence, cada qual continuará a ter o domínio sobre a mesma coisa que lhe pertencia antes da mistura (CC, art ); b) se, contudo, for impossível tal separação, ou se ela exigir dispêndios excessivos, o todo subsiste indiviso, constituindo-se um condomínio forçado, cabendo a cada um dos donos quinhão proporcional ao valor do bem (CC, art , 1º); c) se, porém, uma das coisas puder ser considerada principal, o respectivo dono sê-lo-á do todo, indenizando os outros proprietários pelo valor das acessórias (CC, art , 2º). Tendo estudado os modos de aquisição da propriedade móvel, cabe-nos estudar acerca dos modos de aquisição das propriedades imóveis, as quais trataremos a seguir. 58 GOMES, Orlando. Direitos reais. 18. ed. Rio de Janeiro : Forense, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil : direitos reais. 6. ed. São Paulo : Atlas, p DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro : direito das coisas. Vol ed. ver. e atual. São Paulo : Saraiva, p. 316.

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