MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PAJEÚ-PE. Carlos Tiago Amâncio Rodrigues¹, André Quintão de Almeida²

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1 MAPEAMENTO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PAJEÚ-PE Carlos Tiago Amâncio Rodrigues¹, André Quintão de Almeida² ¹Graduando em Agronomia, UAST, UFRPE,Serra Talhada-PE, ²Engº Florestal, Professor Adjunto da UAST, UFRPE, Serra Resumo Pelo o código florestal brasileiro, as Áreas de Preservação Permanentes (APPs) devem estar protegidas e cobertas por vegetação original. No entanto na bacia hidrográfica do rio Pajeú (BRP) estas áreas se encontram alteradas. O presente estudo teve como objetivo mapear as áreas de preservação permanente na bacia hidrográfica do rio Pajeú. Com o auxilio de um sistema de informações geográficas foram delimitadas cinco classes de APP: ao redor de (APP1) nascentes; (2) curso d água; e (3) lagos; (4) no topo de morros; e, (5) declividade superior a 45. Da área total da bacia, 1.260,92 km² são de APPs, o que corresponde a um percentual de 7,46%. As APPs estão distribuídas na bacia de acordo com as seguintes porcentagens: Nascentes (0,07%), Cursos D água (2,60%), Lagos 161,00 km² (0,95%), topos de morros 648,75 km² (3,84%), e Declividade superior a 45º 0,03 km² (0,0003%), da área total da bacia. Pode-se concluir que, a maior e menor classe de APPs são a de topo de morro (APP 1 ) e declividade (APP 2 ), respectivamente. PALAVRAS CHAVE: Geoprocessamento, SIG, Sertão Nordestino. INTRODUÇÃO: O código Florestal Brasileiro, Lei de 1965, dispõe sobre as Áreas de Preservação Permanentes (APPs) localizadas nos topos de morros, montes, montanhas, ao redor de nascentes, lagos e cursos d água, sendo vedada a utilização dessas áreas e consequente remoção de suas coberturas vegetais originais. As APPs estão protegidas nos termos dos artigos 2 o e 3 o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora e proteção do solo. As APPs são de fundamental importância na proteção e manutenção da vegetação, como também no equilíbrio do meio ambiente. A bacia hidrográfica do rio Pajeú (BRP), como observado em outras bacias brasileiras, as APPs se encontram fortemente alteradas (NASCIMENTO et al., 2005; FLORÊNCIO; ASSUNÇÃO, 2010; SOARES et al., 2011). Em países com dimensões continentais como o Brasil, tornam-se indispensável à representação e caracterização das APPs em mapas digitais, auxiliando planejamento territorial, a fiscalização dos órgãos governamentais e ações de campo. (SOARES et al., 2011). Uma ferramenta que vem sendo amplamente utilizada no mapeamento automático das APPs nas bacias hidrográficas brasileiras são os Sistemas de Informações Geográficas (SIGs). Estes permitem a realização de análises complexas (SILVA; SILVA, 2010) ao integrar dados de diversas fontes e ao criar bancos de dados georeferênciados por possibilitarem a automatização da produção de documentos cartográficos (CAVALLARI et al., 2007). O objetivo deste trabalho foi identificar e quantificar as áreas que compõem as APPs da bacia hidrográfica do rio Pajeú-PE, a partir da combinação de técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto. MATERIAL E MÉTODOS: O trabalho foi realizado na bacia hidrográfica do rio Pajeú, localizada no estado de Pernambuco entre as coordenadas 7º 16 e 8º 56 de latitude Sul e 36º 59 e 38º 57 de longitude oeste (Figura 1). A BRP encontra-se inserida na mesorregião do Sertão pernambucano e do São Francisco, sendo a maior bacia Pernambucana, com uma área de ,22 Km². A bacia está sujeita a períodos de seca (maio a setembro) e cheia (outubro a abril), de acordo com as estações do ano, sofrendo escassez de água devido ao clima semi-árido. Segundo a Agência Pernambucana de Água e Clima (APAC), a principal nascente está localizada na Serra do Balanço, Município de Brejinho, a uma altitude aproximada de 800 m, entre os estados de Pernambuco e Paraíba, percorrendo 353 km até desaguar na barragem de Itaparica, no rio São Francisco. A bacia caracteriza-se por um relevo variando do plano ao ondulado, apresentando altitude e declividade média de 518 m e 20º, respectivamente.

2 Obj100 Anais VI Simpósio Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto - Geonordeste, Aracaju, SE, Brasil, 26 a 30 de novembro de 2012, UFS. Figura 1 Localização da bacia hidrográfica do rio Pajeú, Pernambuco. A análise dos dados foi realizada por meio de aplicativo computacional SIG, que possibilitou a confecção dos mapas de APPs de Topo de Morro, Nascentes, Cursos d'água, Declividade superior a 45º e ao redor de lagos. Na identificação e delimitação das APPs inseridas na BRP foram utilizados, informações do relevo e da rede hidrográfica. Os valores de altitude foram extraídos do Modelo Digital de Elevação (MDE) obtido pela Shuttle Radar Topography Mission (SRTM). Com resolução espacial de 90 m e escala equivalente à 1: (VICTORIA et al., 2008), estes dados são disponibilizados gratuitamente pela a Agência Espacial Americana (NASA). A hidrografia e as respectivas nascentes foram obtidas do Sistema de Informações Hidrológicas (Hidroweb) da Agência Nacional das Águas (ANA), na escala de 1: O mapeamento dos lagos pertencentes à bacia foi realizado a partir de imagens do sensor Thematic Mapper (TM) abordo do satélite Landsat 5. As principais informações das imagens utilizadas nesta etapa do trabalho podem ser vistas na Tabela 1. A identificação dos lagos foi realizada a partir do Índice da Diferença Normalizada da Água (NDWI), dado pela equação a seguir (McFeeters, 1996). O NDVI pode variar de -1 a 1, os valores iguais a zero foram identificados como lagos. (1) em que, ρ é a reflectância do pixel de cada banda; G é a banda 2, correspondente a região verde do espectro-eletromagnético do visível; e IVP, a banda 4 correspondendo à região do infravermelho próximo. Tabela 1- Informações das imagens de satélite Landsat utilizadas no trabalho. Imagem Data Ponto Órbita 1 29/09/ /10/

3 3 28/08/ /10/ No mapeamento das APPs adotou-se a metodologia proposta por (PELÚZIO et al., 2010). Atendendo rigorosamente as especificações dos art. 2º e 3º da Resolução no 303/2002 do CONAMA. As categorias de APPs demarcadas foram as que estavam localizadas nos terço superior dos morros (APP- 1), nas encostas com declividades superiores a 45 (APP-2), ao redor de nascentes (APP-3), Curso D água (APP-4) e lagos (APP-5). Para demarcar a APP-1, calculou-se a relação entre altura do topo do morro em relação à base para cada célula do MDE. Esse procedimento possibilitou identificar todas as células que possuíam relação igual ou superior a 2/3. Na delimitação das APP-2 situadas nas encostas, o MDE foi reclassificado, identificando-se as áreas com declividade superior a 45. Na categoria APP- 3 deu-se um buffer, para delimitar círculos com raio de 50 m ao redor das nascentes, tendo-se por origem o ponto associado a cada nascente. As APP-4 situadas ao longo dos cursos d água considerouse que todos os rios possuíam larguras inferiores a 10 m, essa categoria foi delimitada estabelecendose faixas de 30 metros para ambas as margens. Ao delimitar a classe de APP-5 situadas ao redor dos lagos, considerou-se uma faixa com metragem mínima de 30 m para os lagos situados em áreas urbanas e 100 m para os que estavam localizado em área rurais. RESULTADOS E DISCURSÃO: As APPs e suas respectivas porcentagens podem ser visualizadas na Tabela e Figura 2. Tabela 2: Quantificação das áreas de preservação permanente que compõem a bacia hidrográfica do rio Pajeú, Pernambuco. APPs Área Km² % Topo de Morro (APP-1) 648,75 3,84 Declividade > 45º (APP-2) 0,03 - Nascentes (APP-3) 11,60 0,07 Curso D'Água (APP-4) 439,54 2,60 Lagos (APP-5) 161,00 0,95 TOTAL 1.260,92 7,46 De acordo com a Tabela 2 as áreas com maior e menor destaque foram às áreas correspondentes as APPs situadas em topo de morros e declividade superior a 45º, respectivamente. Na área de declividades superior a 45º obteve-se um valor mínimo, devido ao tamanho da resolução espacial da imagem SRTM (90m) e também pela forma como o relevo da BRP se caracteriza, plano e ondulado (ALMEIDA et al., 2007). Com a avaliação do mapa (Figura 2) observou-se que as APPs estão distribuídas em vários pontos da BRP. Porém o uso destas regiões não está acatando a legislação ambiental vigente (FLORÊNCIO; ASSUNÇÃO, 2010), devido à constante ação Antrópica (GONÇALVES et al., 2010). Na área de estudo pode observar que em alguns locais da BRP as APPs estão sendo muito atingida pelas atividades agropecuárias, marcada como a principal causa do desrespeito com o meio ambiente e as legislação vigentes, devendo os órgãos fiscalizadores aumentar o controle ambiental da bacia. Os resultados demonstram que os mapas produzidos de forma eficiente, contendo os limites das áreas de preservação permanente, contribuem de forma significativa para os órgãos ambientais.

4 Figura 2: Mapa correspondente as APPs em nascentes, curso d água, declividade superior a 45º topo de morros e lagos da BRP. CONCLUSÃO: As categorias de APPs delimitadas ocuparam uma área total de 1.260,92 km², representando um percentual de 7,46% da área total da BRP. No entanto as classes de APPs com maior e menor destaque foi topo de morro 648,75 Km² (3,84%) e declividade superior a 45º 0.03 Km² (0,0003%), respectivamente. REFERENCIAS: ALMEIDA A. Q.; SANTOS A. R.; PEZZOPANE J. E. M. Comparação entre áreas de preservação permanente demarcadas de diferentes escalas topográficas. Revista Capixaba de Ciência e Tecnologia, Vitória, n. 3, p.1-8, 2. sem CAVALLARI R. L.; TAMAE R. Y.; ROSA A. J. A importância de um sistema de informações geográficas no estudo de microbacias hidrográficas. Revista Científica Eletrônica De Agronomia, Ano VI Número 11 Junho de 2007 Periódico Semestral. FLORÊNCIO B. A. B.; ASSUNÇÃO W. L. Análise do uso e ocupação das terras da bacia hidrográfica do ribeirão Borá MG. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 11, n. 36 dez/2010 p Página 81. GONÇALVES G. G.; DANIEL O.; COMUNELLO E.; ARAI F. K.; VITORINO A. C. T. Evolução do uso e cobertura do solo na bacia hidrográfica do rio Dourados-MS, Brasil. Caminhos de Geografia Uberlândia v. 11, n. 36 dez/2010 p Página 366. MCFEETERS S. K. The use of the Normalized Difference Water Index (NDWI) in the delineation of open water features. International Journal of Remote Sensing, v.17, n.7, p , NASCIMENTO M. C.; SOARES V. P.; RIBEIRO C. A. A. S.; SILVA E. Uso do geoprocessamento na identificação de conflito de uso da terra em áreas de preservação permanente na bacia hidrográfica do rio Alegre, Espirito Santo. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 15, n. 2, p , SILVA V. C. L.; SILVA R. M. Análise da cobertura vegetal em Lucena entre 1970/2005 usando ecologia da paisagem, SIG e sensoriamento remoto. Caminhos de Geografia, Uberlândia, v. 12, n. 37 mar/2011 p Página 8. SOARES V. P.; MOREIRA A. DE A.; RIBEIRO C. A. A. S.; GLERIANI J. M.; JUNIOR J. G. Mapeamento de áreas de preservação permanentes e identificação dos conflitos legais de uso da terra

5 na bacia hidrográfica do ribeirão são Bartolomeu MG. Revista Árvore, Viçosa-MG, v.35, n.3, p , VICTORIA, D.C.; HOTT, M.C.; MIRANDA, E.E.; OSHIRO O.T. Delimitação de áreas de preservação permanente em topos de morros para o território brasileiro. Revista Geografia Acadêmica, v.2 n.2 (viii.2008) Página

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