METODOLOGIA DE PESQUISA EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

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1 METODOLOGIA DE PESQUISA EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Prof. Dr. João Batista Turrioni * Prof. Dr. Carlos Henrique Pereira Mello ** * Pós-Doutor em Engenharia de Produção Texas University Doutor em Engenharia de Produção USP 1999 Mestre em Engenharia de Produção USP 1993 Engenheiro Mecânico de Produção UNIFEI ** Doutor em Engenharia de Produção- USP Mestre em Engenharia de Produção - UNIFEI Engenheiro Mecânico de Produção - UNIFEI Site:

2 METODOLOGIA DE PESQUISA EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO ESTRATÉGIAS, MÉTODOS E TÉCNICAS PARA CONDUÇÃO DE PESQUISAS QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS Prof. Dr. João Batista Turrioni Prof. Dr. Carlos Henrique Pereira Mello UNIFEI 2012 Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI

3 SUMÁRIO Capítulo 1 - Pesquisa científica em engenharia de produção 1 Capítulo 2 - Projeto de pesquisa 17 Capítulo 3 - A revisão de literatura 28 Capítulo 4 - O processo de pesquisa 69 Capítulo 5 - A leitura e análise de artigos 90 Capítulo 6 - Redação de trabalhos científicos 95 Capítulo 7 - Estratégia de pesquisa I: Experimento ou pesquisa experimental 115 Capítulo 8 - Estratégia de pesquisa II: Modelagem e simulação 123 Capítulo 9 - Estratégia de pesquisa III: Pesquisa levantamento ou survey 136 Capítulo 10 - Estratégia de pesquisa IV: Estudo de caso 148 Capítulo 11 - Estratégia de pesquisa V: Pesquisa-ação 169 Capítulo 12 - Estratégia de pesquisa VI: Soft Systems Methodology 191 Anexo A Formulário de sugestões para avaliação de trabalhos científicos 195 Referências 196 Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI

4 CAPÍTULO 1 Pesquisa científica em engenharia de produção 1.1. A engenharia de produção no Brasil Desde os primórdios da Revolução Industrial, a organização da empresa industrial vem evoluindo na tentativa de obtenção de níveis cada vez maiores de produtividade. Com isso, foram criados técnicas e métodos para operacionalização dos sistemas de produção que foram progressivamente adicionando novos elementos ao foco das atenções no mundo industrial. Esta escalada iniciou-se com o foco no processo de fabricação, pois, num primeiro momento, a principal preocupação residia em serem descobertos meios de produzir os bens que, já então, faziam-se necessários (CUNHA, 2002). A partir do advento da mecanização de máquinas, as atenções passaram a também estarem centradas na otimização da organização de chão-de-fábrica, pela necessidade de rentabilização dos investimentos efetuados nesse tipo de equipamento. Neste momento, começaram a serem desenvolvidas abordagens relacionadas com a logística de produção, surgindo, então, o Taylorismo, que introduz as preocupações com a otimização do trabalho, e o Fordismo, que introduz a noção de arranjo de máquinas na forma de linha de produção, além da visualização do aproveitamento do mercado consumidor de escala. De notar, ainda, que o ensino das Ciências da Engenharia tem vindo a acompanhar a demanda histórica pelos processos industriais. Até o advento da Revolução Industrial, a Engenharia subdividia-se, praticamente, em apenas dois ramos de especialização : o militar e o civil. A evolução do conhecimento (e, conseqüentemente, do ensino) na área de Engenharia, suscitou a subdivisão noutros ramos, alguns ainda hoje utilizados (ex.: Mecânica, Elétrica, Minas), tendo esta atualização um caráter continuado (ex.: Mecatrônica, Telecomunicações, Alimentos, Produção). A engenharia de produção desenvolveu-se, ao longo do século XX, em resposta às necessidades de desenvolvimento de métodos e técnicas de gestão dos meios produtivos demandada pela evolução tecnológica e mercadológica caracterizada acima. Enquanto que os ramos tradicionais da Engenharia, cronologicamente seus precedentes, evoluíram na linha do desenvolvimento da concepção, fabricação e manutenção de sistemas técnicos, a Engenharia de Produção veio a concentrar-se no desenvolvimento de métodos e técnicas que permitissem otimizar a utilização de todos os recursos produtivos. Na concepção do American Institute of Industrial Engineers, utilizada pela ABEPRO, compete à Engenharia de Produção o projeto, a melhoria e a implantação de sistemas integrados envolvendo homens, materiais e equipamentos, cabendo especificar, prever os resultados obtidos nestes sistemas, recorrendo a conhecimentos especializados de matemática, física e ciências sociais, conjuntamente com os princípios e métodos de análise e projeto da engenharia. O curso de Engenharia de Produção tem como objetivo formar profissionais que, além de terem habilitação e capacitação técnica para desenvolverem trabalhos tradicionalmente realizados pela área escolhida (Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica ou Engenharia Civil), também estejam preparados para, adicionalmente, desempenharem funções gerenciais e de liderança administrativa em todos os níveis da organização. É sem dúvida a menos tecnológica das engenharias na medida em que é mais abrangente e genérica, englobando um conjunto maior de conhecimentos e habilidades. No Brasil, a primeira instituição de ensino a oferecer o curso de Engenharia de Produção foi a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, no ano de 1957, sob a coordenação do Prof. Ruy Aguiar da Silva Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 1

5 Leme. Uma década após, seguindo esse mesmo exemplo, a FEI - Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo abriu o seu curso em 1967 (FAÉ e RIBEIRO, 2005). Em 1972 foi formalizado o curso de pós-graduação em Engenharia Industrial, em nível de mestrado, que, a partir de 1977 recebeu a denominação de Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Em 1979 foram criadas na UFSC, em nível de graduação, as habilitações em Engenharia de Produção nas áreas de Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica. O programa de doutorado em Engenharia de Produção passou a ser oferecido em Na UNIFEI o curso de Engenharia de Produção-Mecânica teve início em 1998, com autorização do MEC/Portaria Nº 2.238, de 19 de dezembro de 1997 e DOU Nº 247-E-Seção 1, de 22 de dezembro de Antes disso, em 1980, o curso de Engenharia Mecânica ganhou uma ênfase em gerência da produção, além das outras ênfases em fabricação, projeto e energia. Em fevereiro de 1994 foi implementado o Programa de Mestrado Stricto Senso em Engenharia de Produção. Diferentemente das ciências da administração de empresas, que centra-se mais na questão da gestão dos processos administrativos, processos de negócio e na organização estrutural da empresa, a engenharia de produção centra-se na gestão dos processos produtivos. Existem, contudo, no Brasil, dois tipos de cursos na área: os cursos ditos plenos e cursos concebidos como habilitações específicas de um dos ramos tradicionais da Engenharia. Os cursos do primeiro tipo concentram quase toda a sua carga horária profissionalizante no estudo da gestão da produção, enquanto que os do segundo tipo dividem essa carga entre esse estudo e o dos sistemas técnicos - normalmente, priorizando este último por larga margem. Devese notar que a legislação atualmente em vigor considera apenas os egressos do primeiro tipo de curso como engenheiros de produção. As figuras 1.1 e 1.2 mostram o relacionamento entre as áreas de conhecimento supracitadas. Figura 1.1 Relação da engenharia de produção com as demais áreas Fonte: Cunha (2002) Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 2

6 Figura 1.2 Áreas de concentração dos cursos de Administração de Empresas, Engenharias e outros Fonte: Cunha (2002) Assim, o foco das atenções do ramo de Engenharia de Produção concentra-se na gestão dos sistemas de produção, definidos como todo conjunto de recursos organizados de modo a obter produtos ou serviços de modo sistemático. Observe-se que há uma clara diferenciação entre a gestão do sistema de produção, que é restrita à mobilização de recursos diretamente relacionados com a produção de produtos e serviços e a gestão do empreendimento, que é mais abrangente, envolvendo decisões relacionadas, por exemplo, à área contábil ou à de seleção e capacitação de recursos humanos, zonas não afetas à Engenharia de Produção. A gestão dos sistemas de produção é realizada via utilização de métodos e técnicas que visam otimizar o emprego dos recursos existentes no próprio sistema de produção. A esfera de decisões inerente ao trabalho do engenheiro de produção e de outros profissionais é melhor ilustrada através da figura 1.3. Ao longo dos últimos anos, os cursos de Engenharia de Produção no Brasil vêm apresentando um crescimento acentuado. Diversos cursos estão sendo criados, tanto em nível de graduação, como de pósgraduação. Além disso, há um grande movimento de mudança nas ênfases dadas nos cursos já existentes: aqueles que até então apresentavam uma habilitação específica estão rumando para a chamada Engenharia de Produção plena. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 3

7 Figura 1.3 Esfera de ação característica dos diversos profissionais nos processos decisórios Fonte: Cunha (2002) O quadro 1.1 deixa clara a grande expansão no número de escolas que oferecem o curso de graduação em Engenharia de Produção. Conforme pode ser visto, a oferta de cursos vem apresentando um crescimento exponencial. Para comprovar esta afirmativa, basta comparar na tabela os dados do ano de 1998 com os de 2002, onde foi constatado um aumento em mais de 50% no número de cursos no Brasil. Esse crescimento poderia ser justificado pela maior aceitação do Engenheiro de Produção formado por parte das empresas, bem como pelo maior conhecimento do que é esta modalidade de Engenharia. No quadro 1.2, verifica-se um grande número de cursos de Engenharia de Produção com habilitação específica em outros ramos da Engenharia, bem como a diversidade destas habilitações. Quadro 1.1 Evolução dos cursos de engenharia de produção no Brasil ANO NÚMERO DE CURSOS Fonte: Faé e Ribeiro (2005) Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 4

8 Quadro 1.2 Cursos de engenharia de produção no Brasil subdivididos por ênfase CURSOS TOTAL Produção 51 Produção Mecânica 21 Produção Civil 11 Produção Elétrica 08 Produção Agroindustrial 07 Produção Química 04 Produção Metalúrgica 03 Produção Têxtil, calçados e componentes, tecnologias limpas e software TOTAL 110 Fonte: Faé e Ribeiro (2005) 01 Em 2009, o site do INEP (Inep, 2010) indicava que existiam 364 cursos de graduação de engenharia de produção no Brasil. A Abepro (ABEPRO, 2010) estabelece as seguintes áreas e subáreas da engenharia de produção: Engenharia de operações e processos da produção: Projetos, operações e melhorias dos sistemas que criam e entregam os produtos (bens ou serviços) primários da empresa. Gestão de Sistemas de Produção e Operações; Planejamento, Programação e Controle da Produção; Gestão da Manutenção; Projeto de Fábrica e de Instalações Industriais: organização industrial, layout/arranjo físico; Processos Produtivos Discretos e Contínuos: procedimentos, métodos e seqüências; Engenharia de Métodos. Logística: Técnicas para o tratamento das principais questões envolvendo o transporte, a movimentação, o estoque e o armazenamento de insumos e produtos, visando a redução de custos, a garantia da disponibilidade do produto, bem como o atendimento dos níveis de exigências dos clientes. Gestão da Cadeia de Suprimentos; Gestão de Estoques; Projeto e Análise de Sistemas Logísticos; Logística Empresarial; Transporte e Distribuição Física; Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 5

9 Logística Reversa. Pesquisa operacional: Resolução de problemas reais envolvendo situações de tomada de decisão, através de modelos matemáticos habitualmente processados computacionalmente. Modelagem, Simulação e Otimização; Programação Matemática; Processos Decisórios; Processos Estocásticos; Teoria dos Jogos; Análise de Demanda; Inteligência Computacional. Engenharia da qualidade: Planejamento, projeto e controle de sistemas de gestão da qualidade que considerem o gerenciamento por processos, a abordagem factual para a tomada de decisão e a utilização de ferramentas da qualidade. Gestão de Sistemas da Qualidade; Planejamento e Controle da Qualidade; Normalização, Auditoria e Certificação para a Qualidade; Organização Metrológica da Qualidade; Confiabilidade de Processos e Produtos. Engenharia do produto: Conjunto de ferramentas e processos de projeto, planejamento, organização, decisão e execução envolvidas nas atividades estratégicas e operacionais de desenvolvimento de novos produtos, compreendendo desde a concepção até o lançamento do produto e sua retirada do mercado com a participação das diversas áreas funcionais da empresa. Gestão do Desenvolvimento de Produto; Processo de Desenvolvimento do Produto; Planejamento e Projeto do Produto. Engenharia organizacional: Conjunto de conhecimentos relacionados à gestão das organizações, englobando em seus tópicos o planejamento estratégico e operacional, as estratégias de produção, a gestão empreendedora, a propriedade intelectual, a avaliação de desempenho organizacional, os sistemas de informação e sua gestão e os arranjos produtivos. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 6

10 Gestão Estratégica e Organizacional; Gestão de Projetos; Gestão do Desempenho Organizacional; Gestão da Informação; Redes de Empresas; Gestão da Inovação; Gestão da Tecnologia; Gestão do Conhecimento. Engenharia econômica: Formulação, estimação e avaliação de resultados econômicos para avaliar alternativas para a tomada de decisão, consistindo em um conjunto de técnicas matemáticas que simplificam a comparação econômica. Gestão Econômica; Gestão de Custos; Gestão de Investimentos; Gestão de Riscos. Engenharia do trabalho: Projeto, aperfeiçoamento, implantação e avaliação de tarefas, sistemas de trabalho, produtos, ambientes e sistemas para fazê-los compatíveis com as necessidades, habilidades e capacidades das pessoas visando a melhor qualidade e produtividade, preservando a saúde e integridade física. Seus conhecimentos são usados na compreensão das interações entre os humanos e outros elementos de um sistema. Pode-se também afirmar que esta área trata da tecnologia da interface máquina - ambiente - homem - organização. Projeto e Organização do Trabalho; Ergonomia; Sistemas de Gestão de Higiene e Segurança do Trabalho; Gestão de Riscos de Acidentes do Trabalho. Engenharia da sustentabilidade: Planejamento da utilização eficiente dos recursos naturais nos sistemas produtivos diversos, da destinação e tratamento dos resíduos e efluentes destes sistemas, bem como da implantação de sistema de gestão ambiental e responsabilidade social. Gestão Ambiental; Sistemas de Gestão Ambiental e Certificação; Gestão de Recursos Naturais e Energéticos; Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 7

11 Gestão de Efluentes e Resíduos Industriais; Produção mais Limpa e Ecoeficiência; Responsabilidade Social; Desenvolvimento Sustentável. Educação em engenharia de produção: Universo de inserção da educação superior em engenharia e suas áreas afins, a partir de uma abordagem sistêmica englobando a gestão dos sistemas educacionais em todos os seus aspectos: a formação de pessoas (corpo docente e técnico administrativo); a organização didático pedagógica, especialmente o projeto pedagógico de curso; as metodologias e os meios de ensino/aprendizagem. Estudo da Formação do Engenheiro de Produção; Estudo do Desenvolvimento e Aplicação da Pesquisa e da Extensão em Engenharia de Produção; Estudo da Ética e da Prática Profissional em Engenharia de Produção; Práticas Pedagógicas e Avaliação Processo de Ensino-Aprendizagem em Engenharia de Produção; Gestão e Avaliação de Sistemas Educacionais de Cursos de Engenharia de Produção O senso comum e o conhecimento científico O homem é, por natureza, um ser curioso. Desde o seu nascimento interage com a natureza e com os objetos a sua volta, interpretando o universo a partir das referências sociais e culturais do meio em que vive. Apropria-se do conhecimento através das sensações, que os seres e fenômenos lhe transmitem e, a partir dessas sensações, elabora representações. Contudo, muitas vezes essas representações não constituem o objeto real. O objeto real existe independentemente de o homem conhecê-lo ou não. O conhecimento humano é, na sua essência, um esforço de resolver contradições, entre a representação de um objeto e a realidade do mesmo. O conhecimento, dependendo da forma a que se chega a essa representação, pode ser classificado de popular (senso comum), teológico, mítico, filosófico e científico. Destacaremos o senso comum e o conhecimento científico. O senso comum é uma expressão que não foi inventada pelas pessoas. Ele surge da necessidade de resolver problemas imediatos. Adquirido através de ações não planejadas, ele surge instintivo, espontâneo, subjetivo, acrítico, permeado pelas opiniões, emoções e valores de quem o produz. Segundo Alves (2006), o senso comum é simplesmente aquilo que não é ciência e isso inclui todas as receitas para o dia-a-dia, bem como os ideais e esperanças que constituem a capa do livro de receitas. Um dos exemplos do senso comum mais conhecido foi o de considerar que a Terra era o centro do universo e que o Sol girava em torno dela. Galileu ao afirmar que era a Terra que girava em torno do Sol quase foi queimado pela Inquisição. O senso comum é uma forma específica de conhecimento. A cultura popular é baseada no senso comum (FONSECA, 2002). Portanto, o senso comum compreende a enorme quantidade de informações que o ser humano possui e que lhe confere a capacidade de emitir opiniões. Sendo assim, Matallo Jr. (2006) afirma que o senso comum é um conjunto de informações não sistematizadas que aprendemos por processos formais, informais Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 8

12 e, às vezes, inconscientes, e que inclui um conjunto de valorações. Essas informações são, em geral, fragmentárias e podem incluir fatos históricos verdadeiros, doutrinas religiosas, lendas ou parte delas, princípios ideológicos às vezes conflitantes, informações científicas popularizadas pelos meios de comunicação de massa, bem como a experiência pessoal acumulada. Quando emitimos opiniões, lançamos mão desse estoque de coisas da maneira que nos parece mais apropriada para justificar e tornar os argumentos aceitáveis. Valorações e crenças são, portanto, o substrato do senso comum e de nossas ações e comportamentos cotidianos. Apesar das inconsistências inerentes ao conhecimento de senso comum, para onde convergem crenças, opiniões e valores muitas vezes conflitantes e assistemáticos, ele se constitui na base a partir da qual se constrói a ciência (MATALLO JR., 2006). Para Alves (2006), a aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum. A ciência não é um órgão novo de conhecimento, é a hipertrofia de capacidades que todos têm. Segundo Marconi e Lakatos (2006), o que distingue o senso comum do conhecimento científico é a forma, o método e os instrumentos do conhecer. Por exemplo, saber que uma planta necessita de certa quantidade de água e que, se não a receber de forma natural, deve ser irrigada pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável, mas nem por isso, científico. Para que isso ocorra, é necessário ir mais além: conhecer a natureza dos vegetais, sua composição, seu ciclo de desenvolvimento e as particularidades que distinguem uma espécie da outra. O senso comum é a base sobre a qual se constroem as teorias científicas. Estas teorias se distanciam tanto quanto possível das valorações e opiniões, gerando um conhecimento mais ou menos racional, entendendo racional como argumentativo e coerente. Este conhecimento, por sua vez, interage com o senso comum e modifica-o, sendo absorvido parcial ou totalmente. Assim, o senso comum vai progressivamente se modificando ao longo das gerações, incorporando novas informações e eliminando aquelas que se tornam imprestáveis para as explicações (MATALLO JR., 2006). O conhecimento popular, ou senso comum, se caracteriza por ser predominantemente superficial (conforma-se com a aparência ou que se pode comprovar por estar junto das coisas), sensitivo (referente a vivência e estados de espírito), subjetivo (experiências são adquiridas por vivência própria), assistemático (a organização das experiências não visa a sistematizar as idéias) e acrítico (a pretensão de que os conhecimentos sejam verdadeiros não se manifesta de uma forma crítica) (MARCONI e LAKATOS, 2006). Os fatos e as observações pressupõem teorias, sejam elas científicas ou não. Dessa forma, os significados dos conceitos dependem das teorias em que ocorrem. Numa teoria de senso comum, os conceitos podem ser vagos e contaminados por valores e doutrinas, mas numa teoria científica isto não é admissível. Os conceitos devem ter um significado preciso e devem remeter a outros conceitos correlatos e também precisamente definidos, de tal forma que as teorias formem estruturas mais ou menos fechadas de conceitos significativos e que se referem a conjuntos específicos de fatos e fenômenos. Isto é, as teorias não se aplicam a quaisquer coisas, mas a campos específicos. Sendo assim, poderia-se dizer que a ciência se apresenta como conjuntos de proposições (teorias) coerentes, onde não há nenhum tipo de contradição interna, sendo que as proposições são amarradas por um encadeamento racional (MATALLO JR., 2006). Matallo Jr. (2006) destaca ainda outras características das teorias científicas. A primeira delas assume que as teorias são despidas de subjetividade e valorações. Uma segunda remete ao fato das mesmas serem solucionadoras de problemas, sendo estes decorrentes de necessidades práticas e de quebra de regularidades na natureza. Outra característica sugere que as teorias devem engendrar programas de pesquisa para, além de consolidar a teoria, fazê-la ainda ocupar todos os espaços de explicação, contribuindo para sua própria superação para, desta forma, promover o crescimento e o progresso do conhecimento científico. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 9

13 A ciência, portanto, busca respostas através da investigação metódica e organizada da realidade, para descobrir a essência dos seres e dos fenômenos e as leis que os regem com o fim de aproveitar as propriedades das coisas e dos processos naturais em benefício do homem. As respostas, por sua vez, resultam em novos conhecimentos, pois respondem a muitas de nossas muitas indagações. Para chegar a essa etapa, no entanto, o cientista precisa passar por outras duas: refletir sobre o fenômeno estudado e saber como ele acontece, para, finalmente, explicar como ele acontece. Para isso, são realizadas as pesquisas científicas. De uma forma geral, a pesquisa científica abarca as ciências naturais, exatas e sociais. Pesquisar significa, de forma bem simples, procurar respostas para indagações propostas. Segundo Fonseca (2002), a pesquisa científica é o resultado de um inquérito ou exame minucioso, realizado com o intuito de resolver um problema, recorrendo a procedimentos metodológicos. Para Silva e Menezes (2001) pesquisa é um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem um problema e não se tem informações para solucionálo. Sendo assim, o trabalho científico discorre sobre um determinado tema de forma abrangente e sistemática, não requerendo originalidade, mas uma revisão bibliográfica acurada, teórica e empírica, e sistematização das idéias e conclusões sobre o tema. O trabalho científico, ao contrário do senso comum, possui quatro grandes preocupações: Mensuração: conceito, hipóteses, medidas e variáveis; Causalidade: variáveis dependentes e independentes, relação causa e efeito; Generalização: a pesquisa deve ter aplicabilidade além do objetivo do trabalho; Replicação: permitir que as constatações sejam verificadas e reproduzidas por outros pesquisadores sob as mesmas condições. Além disso, o conhecimento científico apresenta as seguintes características: Racionalidade: constituído por conceitos e raciocínios, permitindo a combinação dos conceitos em um conjunto de regras lógicas; Objetividade: tem um objetivo e verifica os fatos; Factualidade: parte dos fatos e sempre volta a eles, utilizando dados empíricos Os canais de comunicação da ciência Segundo Silva e Menezes (2001), o sistema de comunicação na ciência apresenta dois tipos de canais de comunicação dotados de diferentes funções. O canal informal de comunicação, que representa a parte do processo invisível ao público, está caracterizado por contatos pessoais, conversas telefônicas, correspondências, cartas, etc. O canal formal, que é a parte visível (pública) do sistema de comunicação científica está representado pela informação publicada em forma de artigos de periódicos, livros, comunicações escritas em encontros científicos, etc. Nos canais informais o processo de comunicação é ágil e seletivo. A informação circulada tende a ser mais atual e ter maior probabilidade de relevância, porque é obtida pela interação efetiva entre os pesquisadores. Os canais informais não são oficiais nem controlados e são usados geralmente entre dois indivíduos ou para a comunicação em pequenos grupos para fazer disseminação seletiva do conhecimento. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 10

14 Nos canais formais o processo de comunicação é lento, mas necessário para a memória e a difusão de informações para o público em geral. Os canais formais são oficiais, públicos e controlados por uma organização. Destinam-se a transferir informações a uma comunidade, não a um indivíduo, e tornam público o conhecimento produzido. Os canais formais são permanentes, as informações que veiculam são registradas em um suporte e assim tornam-se mais acessíveis. Os canais informais, por meio do contato face a face ou mediados por um computador, são fundamentais aos pesquisadores pela oportunidade proporcionada para troca de idéias, discussão e feedbacks com os pares. O trabalho publicado nos canais formais, de certa forma, já foi filtrado via canais informais. Os canais formais, por intermédio das publicações, são fundamentais aos pesquisadores porque permitem comunicar seus resultados de pesquisa, estabelecer a prioridade para suas descobertas, obter o reconhecimento de seus pares e, com isso, aumentar sua credibilidade no meio técnico ou acadêmico. O quadro 1.3 sintetiza as principais diferenças entre os elementos formais e informais da comunicação científica. Quadro 1.3 Principais diferenças entre os elementos formais e informais da comunicação científica Comunicação formal Comunicação informal Pública. Privada. Informação armazenada de forma permanente, recuperável. Informação não-armazenada, não-recuperável. Informação relativamente velha. Informação recente. Informação comprovada. Informação não-comprovada. Disseminação uniforme. Direção do fluxo escolhida pelo produtor. Redundância moderada. Redundância às vezes muito importante. Ausência de interação direta. Interação direta. Fonte: Silva e Menezes (2001) Os principais canais de comunicação onde os pesquisadores podem pesquisar por informações úteis para os seus trabalhos científicos são: Periódicos científicos (nacionais e internacionais); Trabalhos apresentados em congressos, simpósios e encontros (nacionais e internacionais); Teses e dissertações defendidas nos programas de pós-graduação das diversas universidades espalhadas pelo país ou do exterior; Livros publicados sobre o tema de interesse; Sites na internet. Cada um dos canais de comunicação apresentados tem maior ou menor grau de aceitação na comunidade científica. Isso será discutido com mais detalhes no capítulo 3 desta apostila. Existe uma plataforma baseada na internet, denominada ISI Web of Knowledge (http://portal.isiknowledge.com/), que oferece um conteúdo de alta qualidade e ferramentas para acessar, analisar e gerenciar as informações acerca das pesquisas científicas (vide figura 1.4). Através do mesmo, é Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 11

15 possível visualizar os pesquisadores (nacionais e internacionais) mais citados nas diversas áreas de pesquisa, inclusive por país, além de permitir acesso a dados de patentes internacionais. Figura ISI Web of Knowledge Uma forma de conhecer os pesquisadores brasileiros, seu campo de atuação e as pesquisas que já realizaram e que estão realizando no momento, é através da chamada Plataforma Lattes (www.cnpq.br), ilustrado na figura 1.5, que é patrocinada pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). A Plataforma Lattes representa a experiência do CNPq na integração de bases de dados de currículos e de instituições da área de ciência e tecnologia em um único Sistema de Informações, cuja importância atual se estende, não só às atividades operacionais de fomento do CNPq, como também às ações de fomento de outras agências federais e estaduais. Figura 1.5 Página principal da plataforma Lattes Dado seu grau de abrangência, as informações constantes da Plataforma Lattes podem ser utilizadas tanto no apoio a atividades de gestão, como no apoio à formulação de políticas para a área de ciência e tecnologia. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 12

16 O Currículo Lattes (vide figura 1.6) registra a vida pregressa e atual dos pesquisadores sendo elemento indispensável à análise de mérito e competência dos pleitos apresentados à Agência. A partir do Currículo Lattes, o CNPq desenvolveu um formato-padrão para coleta de informações curriculares hoje adotado não só pela Agência, mas também pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos de pesquisa do País. A adoção de um padrão nacional de currículos, com a riqueza de informações que esse sistema possui, a sua utilização compulsória a cada solicitação de financiamento e a disponibilização pública destes dados na internet, deram maior transparência e confiabilidade às atividades de fomento da Agência. Figura 1.6 Currículo Lattes Por meio do site do CNPq também é possível conhecer os grupos de pesquisa ligados às mais diversas instituições de ensino e pesquisa do Brasil. O diretório de grupos de pesquisa do Brasil (http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/) busca todos os grupos certificados, podendo-se fazer a pesquisa dos grupos por palavras-chave em qualquer estado do país, dos pesquisadores ligados a esses grupos, dos líderes dos grupos e dos participantes (alunos) dos grupos em todas as fases de sua formação (desde graduação até o nível de doutoramento), como ilustra a figura 1.7. Figura 1.7 Diretório de grupos de pesquisa no Brasil Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 13

17 1.4. Etapas do processo de pesquisa científica De uma forma geral, um processo de pesquisa contempla os seguintes passos: a) Escolha do tema e justificativa; b) Elaboração da fundamentação teórica; c) Formulação do problema; d) Determinação dos objetivos; e) Construção de hipóteses (ou proposições) e indicação de variáveis; f) Definição do método de pesquisa e das técnicas de coleta de dados; g) Coleta de dados; h) Tabulação dos dados; i) Análise e discussão; j) Conclusão; k) Cronograma; l) Redação e publicação. Cada um desses passos serão tratados com maior profundidade nos próximos capítulos Estrutura da apostila A presente apostila visa servir como um instrumento de consulta para que os pesquisadores iniciantes possam ter um primeiro contato com os procedimentos, normas, métodos e técnicas de pesquisa utilizados na engenharia de produção. Para tal, este primeiro capítulo apresenta uma breve explanação do panorama da engenharia de produção no Brasil, mostrando suas principais áreas de pesquisa. Além disso, este primeiro capítulo busca discutir a diferença entre o senso comum e a abordagem científica, mostrando ainda os canais de comunicação científica mais empregados pelos pesquisadores. O capítulo 2 apresenta os principais passos para a elaboração de um projeto de pesquisa. Um projeto de pesquisa é um documento importante, uma vez que qualquer pesquisador que deseja submeter um projeto para um órgão financiador (CNPq, FAPEMIG, FINEP etc.) terá de fazê-lo utilizando-se do mesmo. Além disso, o ingresso em programas de pós-graduação de mestrado ou doutorado exige a elaboração de um projeto de pesquisa como parte da avaliação do candidato. O capítulo 3 define o que é uma fundamentação teórica, mostrando sua importância para o trabalho científico e as principais fontes de informação para se elaborar uma boa revisão de literatura. Além disso, o capítulo lista os passos necessários para se escrever uma fundamentação teórica de qualidade e traz uma lista de verificação para que o pesquisador não se esqueça de nenhum deles. O capítulo 4 discorre sobre o processo da pesquisa científica. Inicialmente, ele trata da natureza das pesquisas organizacionais e apresenta os principais métodos científicos (indutivo e dedutivo). A seguir, ele define como os fatos contribuem na construção das teorias, o que são as variáveis de pesquisa, a importância da formulação das hipóteses e como garantir a validade e fidedignidade das pesquisas científicas. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 14

18 Finalmente, é apresentada uma classificação das pesquisas científicas e as principais técnicas de coleta de dados são comentadas. O capítulo 5 trata da leitura e análise de artigos científicos. Este capítulo procura mostrar aos estudantes como se deve proceder para ler um artigo, como se prepara um esquema para destacar os pontos principais dessa leitura, como se faz uma análise do texto (textual, temática e interpretativa/crítica), como se prepara o fichamento dos trabalhos e como elaborar resumos dos artigos selecionados para fazer parte da fundamentação teórica da sua pesquisa científica. O capítulo 6 trata da redação dos trabalhos científicos, mostrando sua estrutura e partes mais importantes, além de definir a forma correta de fazer citações nos textos e de como referenciar os autores ou trabalhos citados, conforme as normas NBR e NBR Os capítulos 7 a 13 apresentam os principais métodos de pesquisa científica em engenharia de produção. O capítulo 7 trata do método de experimento, o capítulo 8 do método de modelagem e simulação, o capítulo 9 da pesquisa levantamento (ou survey), o capítulo 10 do estudo de caso, o capítulo 11 da pesquisaação, o capítulo 12 do Soft System Methodology e, finalmente, o capítulo 13 apresenta alguns delineamentos de pesquisa combinada (qualitativo com quantitativo). Exercícios do capítulo 1 1.1) Defina a área e sub-área da engenharia da produção na qual o seu trabalho de pesquisa estará inserido. 1.2) Escolha o tema do seu trabalho de pesquisa. 1.3) Defina as principais palavras-chave da sua pesquisa, ligadas ao tema escolhido. 1.4) Faça as seguintes pesquisas no ISI Web of Knowledge (ISIHighlyCited.com): a) Verifique se você consegue encontrar referências cruzadas (citações) dos professores do programa de pós-graduação da UNIFEI. Que conclusões você pode tirar dessa pesquisa? b) Verifique quais são os pesquisadores mais citados do Brasil? Em que áreas de pesquisa eles atuam? Quantos são da área da engenharia de produção? Que conclusão pode-se tirar dessa pesquisa? c) Faça uma pesquisa por pesquisadores por país. Quantos pesquisadores do Brasil figuram na lista? Como está o Brasil em relação a outros países da América do Sul (Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Colômbia e Venezuela)? E em relação a outros países como Estados Unidos, Japão, China e Índia? 1.5) Cadastre-se na plataforma Lattes, crie e publique o seu currículo Lattes. 1.6) Quais são os principais grupos de pesquisa do Brasil que trabalham com pesquisas ligadas ao seu tema escolhido? a) Selecione dois grupos dos estados de Minas Gerais e São Paulo. No caso de Minas Gerais, selecione um grupo de pesquisa da Unifei ligado ao seu tema. b) Quem são os líderes desses grupos e a qual programa de pós-graduação pertencem? Em quantos grupos de pesquisa eles participam? c) Quais são as principais linhas de pesquisa desses grupos? 1.7) Pesquise o currículo Lattes dos líderes de grupos de pesquisa que você selecionou. a) Quantos artigos eles publicaram em periódicos nacionais? b) Quantos artigos eles publicaram em periódicos internacionais? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 15

19 c) Quantos artigos eles publicaram em congressos? d) Quais os principais periódicos (nacionais e internacionais) que esses pesquisadores publicaram seus trabalhos de pesquisa? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 16

20 CAPÍTULO 2 Projeto de pesquisa 2.1. O que é um projeto de pesquisa Um projeto de pesquisa representa uma necessidade para o pesquisador, uma exigência universal de agências patrocinadoras e não deixam de ser também condição metodológica para o êxito da pesquisa (SALOMON, 2000). Uma pesquisa, um trabalho científico por excelência, há de ser planejada metodologicamente. As instituições promotoras e patrocinadoras da pesquisa exigem previamente, até como requisito, para toda proposta de pesquisa, seu respectivo projeto, a partir de cuja avaliação irá decidir sobre a concessão ou não do patrocínio. Para tal estabelecem-se em formulários as normas e diretrizes para a elaboração de tais projetos. Conteúdo e forma são novamente os dois grandes referenciais de um projeto de pesquisa: o que deve conter em sua estruturação e como deve ser redigido (SALOMON, 2000). De uma forma geral, um projeto de pesquisa contempla os seguintes passos: Escolha do tema e justificativa; Elaboração da revisão de literatura; Formulação do problema; Determinação dos objetivos; Construção de hipóteses e indicação de variáveis; Definição do método de pesquisa e das técnicas de coleta de dados; Cronograma; Referências bibliográficas. Cada um desses passos será discutido em maior profundidade nos tópicos seguintes deste capítulo Escolha do tema e justificativa Segundo Appolinário (2006), o tema de uma pesquisa é o assunto geral que desejamos estudar e investigar. Sendo assim, trata-se de uma definição razoavelmente ampla, que servirá de ponto de partida para todo esforço subseqüente do pesquisador. O tema é uma primeira delimitação, até certo ponto vaga, acerca daquilo que se quer investigar. Para Marconi e Lakatos (2006), escolher um tema significa: a) Selecionar um assunto de acordo com as inclinações, as possibilidades, as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico dentro da área da engenharia de produção; b) Encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 17

21 Porém, há de se verificar se o tema selecionado é relevante cientificamente. Para tanto, não pode deixar de aparecer no projeto de pesquisa a justificativa para o mesmo. Para Salomon (2000), a justificativa apresenta as razões, sobretudo teóricas, que legitimam o projeto como trabalho científico. A justificativa é uma defesa do projeto, cujo referencial há de ser a relevância do problema, seja ela teórica, humana, operacional ou contemporânea. Deveriam ser justificados a escolha do tema, do objeto de pesquisa e da(s) unidade(s) de investigação Elaboração da revisão de literatura A revisão de literatura ou pesquisa bibliográfica é um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema escolhido. O estudo da literatura pertinente pode ajudar a planificar o trabalho e representa uma fonte indispensável de informações, podendo até orientar inicialmente na formulação do problema e na definição de hipóteses, proposições e variáveis (MARCONI e LAKATOS, 2006) Appolinário (2006) afirma que o pesquisador deve realizar um levantamento bibliográfico aprofundado em fontes fidedignas de informações, tais como, periódicos científicos, dissertações e teses. Outras fontes de informações que podem ser consultadas são livros, documentos (normas, legislações, etc.), mídias eletrônicas, etc., de forma a produzir um texto que explicará ao leitor todo o histórico do problema proposto, os contextos teórico, técnico e social nos quais o problema se insere, bem como os principais autores, conceitos e idéias relacionadas ao tema. Esse passo começa no início do processo de pesquisa, mas pode continuar até o final da pesquisa, na forma de ajustes e redimensionamento do texto introdutório. Neste item do projeto, a maior importância estará na comparação de documentos científicos sobre o tema específico. E essa comparação deve ser organizada de tal forma que a posterior formulação do problema seja sua decorrência lógica. Em outras palavras, não se trata de fazer uma "colcha de retalhos", emendando citações dos documentos consultados, mas sim de articular idéias que conduzam à formulação do problema; idéias estas que deverão estar apoiadas nas referências científicas citadas (VEIGA, 1996). A pesquisa bibliográfica sobre a qual se constrói este tópico do projeto de pesquisa não pode deixar de lado nenhuma obra importante sobre o tema específico. Mas é impossível que consiga ser exaustiva. Ou seja, a revisão de literatura do projeto de pesquisa será, por definição, exploratória. A demonstração de que o pesquisador não deixou "escapar" nenhum trabalho relevante deverá ser feita, no devido tempo, pela dissertação. Por melhor que seja a preparação do projeto de pesquisa, é inevitável que esta ou aquela referência só seja descoberta na fase posterior (e mais longa) de execução. Ao mesmo tempo, se uma contribuição científica muito importante sobre o tema específico da pesquisa não for incluída na revisão de literatura do projeto de pesquisa, é bem provável que a proposta venha a ser considerada "imatura" pelos relatores (ou os responsáveis pelos pareceres). Seria interessante responder às seguintes questões no momento de elaborar a revisão de literatura: Quem são os autores clássicos e contemporâneos mais importantes nessa área? Quais os principais conceitos envolvidos nesse assunto? Quem os definiu? Quais os principais periódicos científicos dessa área? No capítulo 3 desta apostila será descrito com mais detalhes os conceitos e cuidados a serem tomados para a elaboração de uma revisão de literatura abrangente. O capítulo 6 vai mostrar como fazer de forma correta as citações. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 18

22 2.4. Formulação do problema Para Marconi e Lakatos (2006), um problema é uma dificuldade, teórica ou prática, no conhecimento de alguma coisa de real importância, para a qual se deve encontrar uma solução. Definir um problema significa especificá-lo em detalhes precisos e exatos. Na formulação de um problema deve haver clareza, concisão e objetividade. A colocação clara do problema pode facilitar a construção da hipótese ou proposição central. Appolinário (2006) considera que o problema consiste em uma pergunta (por isso é também denominado de questão de pesquisa) bem delimitada, clara e operacional. Por exemplo, para o tema responsabilidade social nas indústrias automobilísticas brasileiras, o problema ou questão de pesquisa poderia ser qual a percepção dos clientes das indústrias automobilísticas brasileiras acerca das iniciativas institucionais de responsabilidade social realizadas por elas nos últimos três anos?. Segundo Veiga (1996), se o pesquisador não consegue formular o problema central da pesquisa por meio de uma pergunta bem direta, o mais provável é que ele tenha feito uma insuficiente discussão da produção científica já existente sobre aquele assunto. Ou seja, quando o conhecimento acumulado sobre o tema selecionado não foi suficientemente digerido, vários problemas se superpõem na mente do pesquisador, e suas tentativas de definir "o" problema resultam em proposições herméticas, intrincadas e nebulosas. O pesquisador só poderá formular a pergunta da pesquisa se fizer uma boa revisão de literatura, refletir, discutir com o orientador, reler parte do material, esboçar algumas perguntas, submetê-las ao orientador, descartar as menos pertinentes, reformular as outras, voltar a discutí-las, e assim por diante, até se fixar numa frase interrogativa que sintetize bem o problema da pesquisa. O problema deve ser levantado, formulado, de preferência em forma interrogativa e delimitado com indicações das variáveis que intervêm no estudo de possíveis relações entre si. É um processo contínuo de pensar reflexivo, cuja formulação requer conhecimentos prévios do assunto, ao lado de uma imaginação criadora. O problema, antes de ser considerado apropriado, deve ser analisado sob o aspecto de sua valoração (MARCONI e LAKATOS, 2006): Viabilidade: pode ser eficazmente resolvido através da pesquisa; Relevância: deve ser capaz de trazer conhecimentos novos; Novidade: estar adequado ao estágio atual da evolução científica; Exeqüibilidade: pode chegar a uma conclusão válida; Oportunidade: atender a interesses particulares e gerais. Uma forma de conceber um problema científico é relacionar vários fatores (variáveis independentes) com o fenômeno estudado Determinação dos objetivos Para Appolinário (2006), o objetivo de toda pesquisa, de uma maneira geral, será responder ao problema formulado no passo anterior, levando em consideração alguns fatores importantes como o tempo e os recursos disponíveis para a realização da pesquisa, a experiência anterior do pesquisador, as necessidades do programa de pesquisa ao qual o pesquisador está vinculado, entre outros. Normalmente, os objetivos são definidos em dois níveis distintos: geral e especifico. Assim, toda pesquisa científica terá um único objetivo geral e um ou mais objetivos específicos. Deve haver uma perfeita Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 19

23 relação entre o problema de pesquisa e os objetivos da mesma, pois, se não fosse assim, a estruturação inicial desarticulada entre esses elementos certamente comprometeria os passos seguintes do trabalho científico (APPOLINÁRIO, 2006) Construção de hipóteses e indicação de variáveis A hipótese é uma proposição que se faz na tentativa de verificar a validade de resposta existente para um problema. É uma suposição que antecede a constatação dos fatos e tem como característica uma formulação provisória: deve ser testada para verificar a sua validade. A hipótese sempre conduz a uma verificação empírica (MARCONI e LAKATOS, 2006). De acordo com Salomon (2000), a hipótese e o problema formam um todo indivisível e a hipótese é considerada uma resposta provisória para o problema, de forma que para cada problema deveria haver, no mínimo, uma hipótese. Para Appolinário (2006), as hipóteses, quando existirem, são elementos vitais em uma pesquisa científica, pois dirigirão todo o trabalho do pesquisador. Pode-se dizer que a pesquisa é um trabalho meramente voltado para a comprovação ou refutação de hipóteses. Segundo Marconi e Lakatos (2006), não há regras para a formulação de hipóteses de trabalho de pesquisa científica, mas é necessário que haja embasamento teórico e que ela seja formulada de tal maneira que possa servir de guia na tarefa de investigação. Appolinário (2006) apresenta um bom exemplo de formulação de hipóteses para um problema. O quadro 2.1 mostra a formulação de duas hipóteses para um problema relacionado ao tema da educação a distância. Quadro Exemplo de formulação de hipóteses Tema: Problema: Hipótese 1: Hipótese 2: Eficiência da educação a distância. Por que o rendimento dos estudantes em curso de inglês a distância, por meio da internet, é inferior ao dos estudantes de cursos presenciais? Porque a motivação psicológica dos estudantes de cursos virtuais encontra-se comprometida em virtude da falta de interação presencial. Porque a tecnologia educacional inerente aos cursos a distância não se encontra plenamente desenvolvida. Fonte: Appolinário (2006) Ao se colocar o problema e se formular as hipóteses, deve-se fazer também a indicação das variáveis dependentes e independentes. Elas devem ser definidas com clareza e objetividade e de forma operacional. Todas as variáveis que podem interferir ou afetar o objeto de estudo devem ser levadas em consideração e controladas, para impedir o comprometimento ou o risco de invalidar a pesquisa (MARCONI e LAKATOS, 2006) Definição do método de pesquisa e das técnicas de coleta de dados Os métodos e as técnicas a serem empregados na pesquisa científica podem ser selecionados desde a proposição do problema, da formulação das hipóteses e da delimitação do universo ou da amostra. A Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 20

24 seleção dos mesmos dependerá dos vários fatores relacionados com a pesquisa, tais como a natureza dos fenômenos, o objeto de pesquisa, os recursos financeiros, a abordagem da pesquisa (qualitativa ou quantitativa, ou uma combinação dessas duas), a equipe humana, entre outros (MARCONI e LAKATOS, 2006). Os métodos quantitativos de pesquisa mais importantes são o experimento, a pesquisa levantamento (survey) e a modelagem e simulação. Os métodos qualitativos de pesquisa mais importantes são o estudo de caso, a pesquisa-ação e o soft system methodology. Algumas das técnicas de pesquisa que podem ser empregadas, muitas delas concomitantemente em qualquer um desses métodos, são a entrevista, o questionário, leitura de documentos, observação, entre outras. As técnicas de pesquisa serão tratadas com mais detalhes no capítulo 5 desta apostila. Os métodos de pesquisa serão tratados, um a um, nos capítulos 7 a Cronograma Se o projeto de pesquisa que está sendo elaborado é para atender um edital de alguma entidade financiadora ou para o processo de seleção de algum programa de mestrado ou doutorado de uma faculdade ou universidade, o pesquisador deve preparar um cronograma que apresente as etapas do seu processo de pesquisa, assim como o tempo previsto para sua conclusão Referências bibliográficas Ao final do relatório de projeto de pesquisa, aparece um tópico denominado referências bibliográficas. Nesse tópico serão apresentadas as referências bibliográficas completas dos trabalhos citados na parte de referencial teórico do projeto de pesquisa. Existem algumas normas que definem regras para a referenciação. Esse assunto será tratado com mais detalhes no capítulo Agências financiadoras de projetos Existem no Brasil algumas instituições que se propõem a financiar projetos de pesquisa. No nível nacional, temos o Finep, a Capes e o CNPq, por exemplo. No nível estadual, temos a Fapemig (Minas Gerais), a Fapesp (São Paulo), entre outras. A FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Foi criada em 24 de julho de 1967, para institucionalizar o Fundo de Financiamento de Estudos de Projetos e Programas, criado em Posteriormente, a FINEP substituiu e ampliou o papel até então exercido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e seu Fundo de Desenvolvimento Técnico-Científico (FUNTEC), constituído em 1964 com a finalidade de financiar a implantação de programas de pós-graduação nas universidades brasileiras. A capacidade de financiar todo o sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), combinando recursos reembolsáveis e não-reembolsáveis, assim como outros instrumentos, proporciona à FINEP grande poder de indução de atividades de inovação, essenciais para o aumento da competitividade do setor empresarial. A FINEP (http://www.finep.gov.br) atua em consonância com a política do MCT, em estreita articulação com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Enquanto o Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 21

25 CNPq apóia prioritariamente pessoas físicas, por meio de bolsas e auxílios, a FINEP apóia ações de C,T&I de instituições públicas e privadas. Os Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999, são instrumentos de financiamento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no País. Há 16 Fundos Setoriais, sendo 14 relativos a setores específicos e dois transversais. Destes, um é voltado à interação universidade-empresa (FVA Fundo Verde-Amarelo), enquanto o outro é destinado a apoiar a melhoria da infra-estrutura de Instituições Científicas e Tecnológicas - ICTs (Infra-estrutura). As receitas dos fundos são oriundas de contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, parcelas do Imposto sobre Produtos Industrializados de certos setores e de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) incidente sobre os valores que remuneram o uso ou aquisição de conhecimentos tecnológicos/transferência de tecnologia do exterior. A FINEP disponibiliza as chamadas públicas em seu site, como ilustra a figura 2.1. Para a participação nas chamadas públicas, o interessado deve se cadastrar no portal inovação (http://www.portalinovacao.mct.gov.br/pi/), criado para promover a cooperação tecnológica. Figura 2.1 Página de chamadas públicas do site do FINEP A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) desempenha papel fundamental na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da Federação. As atividades da CAPES (http://www.capes.gov.br) podem ser agrupadas em quatro grandes linhas de ação, cada qual desenvolvida por um conjunto estruturado de programas: avaliação da pós-graduação stricto sensu; acesso e divulgação da produção científica; investimentos na formação de recursos de alto nível no país e exterior; promoção da cooperação científica internacional. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 22

26 A CAPES tem sido decisiva para os êxitos alcançados pelo sistema nacional de pós-graduação, tanto no que diz respeito à consolidação do quadro atual, como na construção das mudanças que o avanço do conhecimento e as demandas da sociedade exigem. O sistema de avaliação, continuamente aperfeiçoado, serve de instrumento para a comunidade universitária na busca de um padrão de excelência acadêmica para os mestrados e doutorados nacionais. Os resultados da avaliação servem de base para a formulação de políticas para a área de pós-graduação, bem como para o dimensionamento das ações de fomento (bolsas de estudo, auxílios, apoios). Os editais que a CAPES patrocina são destinados a melhoria na capacitação dos pesquisadores/docentes e na promoção de eventos científicos (realização e participação), como ilustra a figura 2.2. Figura 2.2 Página de editais abertos da CAPES O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é uma agência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) destinada ao fomento da pesquisa científica e tecnológica e à formação de recursos humanos para a pesquisa no país. Sua história está diretamente ligada ao desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil contemporâneo. A estrutura funcional do CNPq (http://www.cnpq.br) compreende uma Diretoria Executiva, responsável pela gestão da instituição, e um Conselho Deliberativo, responsável pela política institucional. Além de participar desses órgãos, a comunidade científica e tecnológica do país participa também em sua gestão e política por meio dos Comitês de Assessoramento e da Comissão de Assessoramento Técnico- Científico. Os Editais são financiados com recursos próprios do CNPq ou de outros Ministérios e Fundos Setoriais. Uma página específica do site do CNPq (vide figura 2.3) apresenta as regras e normas dos diversos editais em andamento. Para a apresentação de propostas o pesquisador deve acessar a página de formulários onde se encontram os formulários adaptados a cada edital. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 23

27 Figura 2.3 Página de editais abertos do CNPq No âmbito estadual, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) foi criada pela Lei Delegada nº 10, de 28 de agosto de Ela tem suas atividades regidas pela Lei nº , de 03 de agosto de 1994 e por seus estatutos aprovados pelo Decreto nº , de 24 de agosto de A Fundação tem como finalidade promover atividades de fomento, apoio e incentivo à pesquisa científica e tecnológica no Estado de Minas Gerais. A Emenda à Constituição nº 17 institui no parágrafo único, do art. 212, prioridade a projetos que se ajustem às diretrizes básicas estabelecidas pelo Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia - Conecit -, definidos como essenciais ao desenvolvimento científico e tecnológico do Estado, e à reestruturação da capacidade técnico-científica das instituições de pesquisas do Estado, em conformidade com os princípios definidos nos Planos Mineiros de Desenvolvimento Integrado - PMDIs - e contemplados nos Programas dos Planos Plurianuais de Ação Governamental - PPAGs. A clientela da FAPEMIG (http://www.fapemig.br)é constituída por instituições sediadas em Minas Gerais ou pesquisadores que com elas mantenham vínculo permanente ou temporário. Nem todas as modalidades de atuação da FAPEMIG, se aplicam a todas as categorias de instituições-clientes. É necessário verificar, para cada modalidade, quais as categorias podem dela se beneficiar. A FAPEMIG realiza fomento de pesquisas a serem realizadas por pesquisadores ligados a instituições de ensino ou pesquisa sediadas em Minas Gerais e para melhoria da infra-estrutura para pesquisa, tais como: mestres e doutores em empresas, universal, programa pesquisador mineiro, manutenção de equipamentos de alto investimento, aquisição de livros, publicação de periódicos, apoio à criação e manutenção de NITs (Núcleos de Inovação Tecnológica), como ilustra a figura 2.4. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 24

28 Figura 2.4 Página de editais abertos da FAPEMIG Para a submissão dos projetos de pesquisa a FAPEMIG conta com uma ferramenta, denominada AgilFap (vide figura 2.5), onde todas as informações são postadas e encaminhadas para a fundação. Figura 2.5 Página do AgilFap da FAPEMIG A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma das principais agências de fomento à pesquisa científica e tecnológica do país. Com autonomia garantida por lei, a FAPESP está ligada à Secretaria de Ensino Superior do governo do Estado de São Paulo. Com um orçamento anual superior a R$ 400 milhões nos últimos três anos - correspondente a 1% do total da receita tributária do Estado - a FAPESP (http://www.fapesp.br) apóia a pesquisa e financia a investigação, o intercâmbio e a divulgação da ciência e da tecnologia produzida em São Paulo. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 25

29 A FAPESP apóia a pesquisa científica e tecnológica por meio de Bolsas e Auxílios a Pesquisa que contemplam todas as áreas do conhecimento: Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Exatas e da Terra, Engenharias, Ciências Agrárias, Ciências Sociais Aplicadas, Ciência Humanas, Lingüística, Letras e Artes. A página de editais pode ser vista na figura 2.6. Figura 2.6 Página de editais abertos da FAPESP Assim como em Minas Gerais e São Paulo, outros estados do país possuem órgãos de fomento tais como a FAPEMIG e a FAPESP. Os editais abertos trazem consigo os regulamentos para atendimento aos mesmos (vide figura 2.7). O pesquisador necessita ler o regulamento do edital do qual pretende participar com muita atenção, para não deixar de atender a qualquer um de seus tópicos. Os regulamentos informam quem pode participar do edital, os recursos financeiros disponíveis, os itens financiáveis (equipamentos e material permanente, bolsas, material de consumo, gastos com despesas etc.), regras para submissão das propostas, critérios para julgamento da proposta, datas para recebimento das propostas etc. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 26

30 Figura 2.7 Exemplo de uma página de edital Exercícios do capítulo 2 2.1) Faça uma pesquisa nos sites da Capes, CNPq, Finep e Fapemig. Quais são os editais em aberto? Quais desses editais poderiam atender ao grupo de pesquisa ao qual você pertence? 2.2) Como se faz para montar um projeto solicitando apoio financeiro para participação coletiva em eventos de caráter científico e tecnológico na Fapemig? 2.3) Elabore um projeto de pesquisa para o trabalho científico que você pretende desenvolver para a pósgraduação. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 27

31 CAPÍTULO 3 Fundamentação teórica 3.1. O que é uma fundamentação teórica A fundamentação teórica (também chamada de revisão bibliográfica, referencial teórico ou revisão de literatura) é uma visão crítica da pesquisa existente que é significante para o trabalho que o aluno/pesquisador está desenvolvendo. Deve-se tomar o cuidado de não se confundir a fundamentação teórica com um resumo. Apesar de que resumir os trabalhos de outros pesquisadores seja importante, o aluno/pesquisador deve analisar este trabalho, mostrar relações entre os diferentes trabalhos e, finalmente, mostrar como os trabalhos anteriores se relacionam com o seu próprio trabalho. Não se pode apenas descrever os trabalhos de outros pesquisadores. Rowley e Slack (2004) afirmam que a fundamentação teórica identifica e organiza os conceitos encontrados em trabalhos relevantes. Seu objetivo é captar o estado da arte de um campo do conhecimento. A partir dessa revisão de trabalhos antigos (clássicos) e recentes, torna-se possível identificar áreas nas quais uma pesquisa mais profunda poderia ser benéfica. De fato, os parágrafos finais da fundamentação teórica deveriam conduzir para a apresentação das proposições e da metodologia da pesquisa. Uma fundamentação teórica é uma consideração do que foi publicado em um dado tema por estudiosos e pesquisadores credenciados. Ao se escrever uma fundamentação teórica, o propósito é comunicar aos leitores quais conhecimentos e idéias foram estabelecidas acerca desse tema e quais são os seus pontos fortes e os seus pontos fracos. Como uma parte do texto de um artigo ou de uma dissertação/tese, a fundamentação teórica deve ser definida por um conceito que a direciona (por exemplo, o objetivo de pesquisa, o problema ou assunto que está sendo discutido, ou a argumentação de uma tese). Uma boa fundamentação teórica deve atender ao seguinte: Ser organizada e relacionada diretamente com o tema do trabalho de pesquisa ou com a questão de pesquisa que está sendo desenvolvida; Identificar a literatura na qual a pesquisa dará uma contribuição e contextualizar a pesquisa dentro dessa literatura; Construir um entendimento dos conceitos teóricos e das terminologias utilizadas; Sintetizar os resultados em um resumo do que é conhecido e do que não se conhece sobre o assunto; Identificar áreas de controvérsias na literatura; Facilitar a elaboração de uma bibliografia ou lista de fontes que foram consultadas; Formular questões que necessitam de pesquisa mais profunda. Considere a figura 3.1. Nela pode-se apreciar visualmente o processo de integrar um artigo ao esboço de uma fundamentação teórica. Como primeiro passo, deve-se ler o artigo e avaliar qual a relevância dele para a sua área de estudo. Se ele for considerado relevante, considere a hipótese de selecionar uma parte deste artigo que seja Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 28

32 apropriada para uma discussão (por exemplo, pode ser o tópico referente ao método de pesquisa empregado). Qual método foi empregado? Essa abordagem já havia sido utilizada anteriormente? Posteriormente, analise o artigo sob a luz de outros artigos e trabalhos de pesquisa. Qual a relação dele com os trabalhos realizados por outros pesquisadores? Algum método similar já foi adotado ou este artigo é revolucionário? Compare este artigo com trabalhos de outros pesquisadores e avalie as abordagens e métodos utilizados. Existem algumas vantagens ou desvantagens aparentes? Pode-se, então, ligar os resultados da comparação anterior com o trabalho que se está desenvolvendo. Talvez surja a seguinte pergunta: qual a relação desses outros trabalhos com a pesquisa que está sendo desenvolvida? Pode não existir um relacionamento claro e direto imediatamente, mas lembre-se que o objetivo principal da fundamentação teórica é desenvolver uma idéia de como a sua pesquisa pode estar ligada e visualizada como uma extensão de uma área existente. Figura 3.1 Como integrar um artigo na fundamentação teórica Portanto, uma fundamentação teórica feita apropriadamente pode auxiliar o pesquisador a sustentar ou refutar argumentos que ele desenvolveu, assim como ajudá-lo a desenvolver suas próprias teorias e proposições A importância de se escrever uma fundamentação teórica Antes de investigar mais a fundo qualquer teoria ou argumento que tenha sido desenvolvida, é necessário descobrir o que outras pessoas pesquisaram sobre esta área. Realizar este tipo de levantamento preliminar pode render informações úteis na forma de palavras-chave e assuntos-chave, a base para uma investigação mais aprofundada. Ao se elaborar uma fundamentação teórica para uma dissertação (mestrado) ou tese (doutorado), espera-se que ela cubra as principais linhas de pensamento e investigue os mais significantes e recentes trabalhos, bem como introduza alguns dos mais proeminentes pesquisadores da área. Nesse ponto, os orientadores cumprem um papel importante de indicar alguns autores clássicos sobre o tema, de forma a tornar a fundamentação teórica o mais completa possível. Uma dúvida que pode surgir é: quantos trabalhos devem ser pesquisados, lidos e utilizados na fundamentação teórica? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 29

33 Segundo Brown (2002), a tabela 3.1 apresenta um simples guia de quantas fontes de informação deveriam ser citadas ou lidas para cada classe de trabalho científico. Entretanto, ficar muito abaixo das faixas sugeridas pode fazer com que o seu trabalho de pesquisa desconsidere boa parte da literatura relevante disponível. Tabela 3.1 Guia para número de documentos adequado para uma fundamentação teórica Tipo de trabalho científico No. de documentos que se espera que sejam citados No. de documentos que se espera que sejam lidos Tese de doutorado 100 a a 700 Dissertação de mestrado 50 a a 200 Artigo para revista científica (journal) 12 a a 50 Fonte: Brown (2002) Demo (2000) aponta que a fundamentação teórica serve inicialmente para duas situações: elaborar hipóteses e fornecer subsídios para arranjar argumentações que possam sustentar ou refutar as hipóteses. Afinal, para que se possa estabelecer uma hipótese interessante é necessário que o pesquisador tenha lido sobre o assunto, permitindo-se posicionar entre conceitos e polêmicas, perguntas e respostas. Para que se possa argumentar sobre essas hipóteses, é preciso estudar a bibliografia pertinente, de modo sistemático e reconstrutivo, para construir uma base teórica de caráter explicativo. Ou seja, a teoria é necessária para oferecer condições de explicativas dos fenômenos, trabalhando a razão de ser assim e não de outra maneira. Como neste momento ainda não é possível verificar as hipóteses, torna-se tanto mais necessário fundamentar o que se pretende dizer buscando apoio na literatura disponível e, a seguir, tecendo a montagem própria da argumentação. Além disso, a fundamentação teórica auxilia também a olhar criticamente a realidade sob a forma dos trabalhos publicados. Segundo Torraco (2005), a análise crítica da literatura envolve o exame cuidadoso das principais idéias e relações de um dado tema e formulação de uma crítica na literatura existente. A crítica é a avaliação crítica do quão bem a literatura representa um dado assunto. Essa análise crítica geralmente requer que o pesquisador primeiro desconstrua um tema em seus elementos básicos. Isso pode incluir a história e origem desse tema, seus conceitos principais, as relações chaves através das quais os conceitos interagem, métodos de pesquisa, aplicações do tema, etc. Uma análise cuidadosa frequentemente expõe um conhecimento que pode ser aceito como verdadeiro ou oculto por anos de pesquisa interveniente. Isso permite que o pesquisador reconstrua conceitualmente o tema para um melhor entendimento e avalie como o tema está representado na literatura. O resultado da análise crítica é a crítica, define Torraco (2005). A crítica identifica os pontos fortes e as contribuições chave da literatura, assim como as deficiências, omissões, inexatidões e outros aspectos problemáticos da literatura. A crítica deveria identificar aspectos de um fenômeno que estão perdidos, incompletos ou fracamente representados na literatura, assim como inconsistências entre as perspectivas publicadas sobre o tema. Ela também identifica o conhecimento que deveria ser criado ou aperfeiçoado a luz dos desenvolvimentos recentes sobre o tema. Assim, destacando-se os pontos fortes e identificando as deficiências na literatura existente, a análise crítica é uma etapa necessária para o crescimento da base de conhecimento. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 30

34 3.3. Como escrever uma boa fundamentação teórica Uma fundamentação teórica de alta qualidade é completa e focada em conceitos. Uma revisão completa cobre a literatura relevante sobre o tema e não se baseia em uma única metodologia de pesquisa, um único grupo de periódicos ou uma única região geográfica (WEBSTER e WATSON, 2002). Torraco (2005) afirma que a organização da revisão começa com uma coerente estruturação conceitual do tema. Porém, para tal, Webster e Watson (2002) recomendam que uma abordagem estruturada deva ser empregada para determinar a fonte do material. Segundo eles, a maiores contribuições geralmente se encontram nos principais periódicos. Esses periódicos podem ser acessados das bases eletrônicas de dados, mas os artigos publicados em congressos também devem ser examinados. A partir de alguns artigos selecionados, analise suas citações para identificar alguns artigos publicados anteriormente e que merecem ser analisados. A partir das palavras-chaves identificadas nos artigos selecionados, identifique outros artigos (talvez até mais recentes aqueles identificados inicialmente) que talvez mereçam ser incluídos na revisão. Uma busca sistemática deveria assegurar que foi acumulada uma quantidade relativamente completa da literatura relevante. A revisão está próxima de ser considerada completa quando não se encontram novos conceitos no conjunto de artigos selecionados. De acordo com Bem (1995), os principais critérios para uma boa redação científica são clareza e precisão. A clareza é conseguida por intermédio de uma redação simples e direta. Uma revisão disserta sobre um conteúdo franco sobre uma questão circunscrita que espera por uma resposta. Não se trata de um romance com tramas e flashbacks, mas uma história curta com uma linha de narrativa simples e linear. Brown (2002) sugere algumas dicas para se preparar e para escrever uma fundamentação teórica: Para preparar uma boa fundamentação teórica é necessário ler aproximadamente dois novos artigos ou capítulos de livros a cada semana e reler o mesmo número de artigos antigos; Mantenha uma cópia de cada artigo, dissertação ou livro lido. Ter de procurar por eles depois é pura perda de tempo; A roupa mais cara que você comprou é aquela que você nunca usou. Copiar um documento (fotocópia ou download) e não lê-lo é um grande desperdício de recursos. Leia seus documentos com uma caneta e um marca-texto sempre a mão. O ideal é destacar a parte do texto que será importante para a sua fundamentação teórica e escrever alguns comentários ou questões a serem usados futuramente. Rowley e Slack (2004) sugerem que sejam desenvolvidos esquemas conceituais e mapas mentais ao se elaborar uma fundamentação teórica. O mapa conceitual é uma forma útil de identificar os conceitos chaves de um conjunto de documentos ou de uma área de pesquisa. Este mapa pode ser usado para: Identificar palavras adicionais para busca durante a pesquisa por literatura; Esclarecer o pensamento acerca da estrutura da fundamentação teórica na preparação para a fundamentação teórica; Entender a teoria, conceitos e as relações entre elas. O mapa conceitual é uma fotografia do território sob estudo e representa os conceitos naquela área e as relações entre eles. Os conceitos são tipicamente representados por caixas ou círculos e as relações por linhas ou setas. A figura 3.2 mostra um exemplo de mapa conceitual. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 31

35 Figura 3.2 Exemplo de mapa conceitual Fonte: Rowley e Slack (2004) Rowley e Slack (2004) acrescentam que não existe uma resposta correta para um mapa conceitual. A sua proposta é auxiliar o pesquisador no desenvolvimento do seu entendimento sobre o tema em estudo. A revisão pode ser organizada de várias maneiras, por exemplo: Cronologicamente: organização com base no tempo. As primeiras citações da pesquisa seriam as mais antigas e depois iam aparecendo as mais recentes. Se a ordem cronológica for importante para explicar a área de pesquisa, então ela pode ser uma boa estratégia. Alfabeticamente: outra forma pode ser organizar a revisão pela ordem alfabética dos autores. Este método, contudo, não permite que se explore livremente as relações entre a pesquisa. Este método deve ser evitado. Esboço: elaborar um esboço visual do que se pretende incluir na revisão pode fornecer uma estrutura útil para começar o trabalho. Esse esboço pode ser alterado e melhorado na medida em que a pesquisa evolui Lista de verificação para uma boa fundamentação teórica Durante a preparação, organização e redação da fundamentação teórica algumas questões podem auxiliar o pesquisador nessa tarefa (BROWN, 2002; TORRACO, 2005; CRASWELL, 2005; TAYLOR, 2006): Por que este é um tema importante? O que é conhecido e o que não é conhecido a respeito do tema? Quais são as lacunas a serem preenchidas? Quais lacunas o seu trabalho pretende preencher e porque elas foram escolhidas? Como o seu trabalho se propõe a preencher essas lacunas? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 32

36 Qual é a tese, problema ou questão de pesquisa específica que a fundamentação teórica auxilia a definir? Que tipo de fundamentação teórica será conduzida? Procura-se por assuntos na teoria? Na metodologia? Em pesquisa quantitativa? Em pesquisa qualitativa? Qual o escopo da fundamentação teórica? Quais os tipos de publicação que estão sendo utilizados (periódicos, livros, dissertações, teses, documentos do Governo, sites da internet)? Qual a disciplina que está sendo tratada (sociologia, engenharia de produção, gestão do conhecimento)? A busca de informação foi bem realizada? Ela assegura que foram encontrados todos os materiais relevantes? O material irrelevante foi excluído? O número de fontes utilizadas está de acordo com o trabalho que está sendo desenvolvido? A literatura utilizada foi criticamente analisada? Os conceitos e questões foram comparados entre si? Os pontos fortes e fracos de cada item foram discutidos? Os estudos com perspectiva contrária ao do pesquisador foram citados e discutidos? O leitor irá considerar a fundamentação teórica relevante, apropriada e útil? A fundamentação teórica está organizada em uma estrutura conceitual coerente do tema? A fundamentação teórica sintetiza o conhecimento da literatura em uma contribuição significativa e com valor agregado para o conhecimento sobre o tema? 3.5. Fontes de informação para a fundamentação teórica Segundo Rowley e Slack (2004), um grande número de fontes de informação pode ser usado para a elaboração da fundamentação teórica. Uma dessas fontes é formada por literatura acadêmica, que pode ser encontrada em teses, dissertações e artigos científicos. Os artigos podem estar publicados em revistas científicas (journals) nacionais ou internacionais, ou ainda em congressos, simpósios etc. Rowley e Slack (2004) afirmam que a literatura acadêmica contém uma base teórica fundamentada, com um tratamento mais crítico dos conceitos e modelos. Os artigos publicados em revistas científicas deveriam formar a essência da fundamentação teórica. A maioria desses artigos são escritos por pesquisadores e incluem uma fundamentação teórica, uma discussão sobre a metodologia de pesquisa, uma análise dos resultados e declarações enfocadas das conclusões e recomendações para futuros trabalhos. Além disso, esses trabalhos foram avaliados por dois ou três avaliadores (referees) com grande experiência e trabalhos publicados na área antes de serem aceitos para publicação, assegurando que as pesquisas publicadas seguiram todo o rigor e os métodos científicos preconizados. As teses e dissertações também são ricas fontes de informação científica para a fundamentação teórica, uma vez que são trabalhos pautados nos princípios da pesquisa científica e foram referendados por uma banca formada por pesquisadores experientes. Outra fonte de informação para a fundamentação teórica são os livros, principalmente aqueles que são considerados clássicos para um dado tema. As boas publicações são escritas por um autor respeitável, com vasta experiência no campo de conhecimento abarcado pelo tema, e possuem referências de outras literaturas associadas. Em geral, devem ser bem estruturados, bem apresentados e serem de fácil leitura e entendimento. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 33

37 Os recursos da internet (páginas da web) também podem ser considerados fontes de informação para um levantamento de dados, mas devem ser usadas com cuidado quando utilizadas como um dado de entrada para uma fundamentação teórica. Esses recursos podem fornecer, por exemplo, estatísticas valiosas ou informações sobre um dado mercado ou sobre uma determinada empresa, que podem ser empregados para contextualizar uma dada informação da sua fundamentação teórica. Os recursos da internet não podem ser considerados fontes confiáveis de informações para a fundamentação teórica pelo fato de serem de propriedade de uma pessoa ou instituição e, por causa disso, ficarem à mercê de atualizações indiscriminadas e sem um critério definido. Além disso, as próprias informações muitas vezes não podem ser confirmadas. Porém, onde podem ser buscadas essas fontes de dados? Uma fonte convencional são as bibliotecas. Todas as grandes universidades e escolas de ensino superior possuem em suas bibliotecas exemplares de revistas científicas (nacionais e internacionais), teses e dissertações (de seus programas de pós-graduação), além dos livros. Com o advento da internet, atualmente existe ainda a possibilidade de acessar esses documentos eletronicamente, em bases de dados oferecidas por entidades governamentais de apoio a pesquisa e nos sites das bibliotecas das principais universidades do país. Os tópicos a seguir apresentam alguns desses portais onde o pesquisador pode buscar trabalhos científicos para a sua fundamentação teórica Portal de periódicos da CAPES O Portal de Periódicos Capes (www.periodicos.capes.gov.br), patrocinado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES, possui mais de periódicos com textos completos, podendo ser acessado de qualquer universidade que seja assinante do referido portal. Desde o final de 2009 o portal foi reformulado, sendo chamado de novo portal, como ilustra a figura 3.2. Para aqueles que ainda não se acostumaram com a nova versão, é possível acessar a versão anterior do portal, ilustrado na figura 3.3. Figura 3.2 Página principal do novo portal de periódicos Capes Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 34

38 Figura 3.3 Página principal do portal de periódicos Capes O portal conta com diversas bases de dados (editoras) e cada uma dessas bases possui centenas de revistas (periódicos/journals) com artigos que podem ser acessados e baixados para o computador do usuário, facilitando a coleta de referências para a elaboração da fundamentação teórica. As bases de dados mais importantes para a engenharia de produção são a Emerald, a Science Direct, a EBSCO, a Springer e a Scielo (esta com diversas revistas nacionais), como mostra a figura 3.4. Portanto, o portal periódicos da Capes só disponibiliza sua base para instituições assinantes desse serviço. Porém, existe também o Portal Periódicos Acesso Livre (http://acessolivre.capes.gov.br), que permite o acesso gratuito a qualquer usuário. O portal de acesso livre da CAPES (vide figura 3.5) disponibiliza periódicos com textos completos, bases de dados referenciais com resumos, patentes, teses e dissertações, estatísticas e outras publicações de acesso gratuito na Internet selecionados pelo nível acadêmico, mantidos por importantes instituições científicas e profissionais e por organismos governamentais e internacionais. Das bases citadas anteriormente, importantes para a Engenharia de Produção, estão disponíveis gratuitamente a Science Direct, a SciElo e a Springer. Entretanto, poucas revistas contidas na base paga estão disponíveis na versão gratuita do portal. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 35

39 Figura 3.4 Principais bases de dados do portal de periódicos Capes para a Engenharia de Produção Figura 3.5 Página de abertura do Portal Periódicos Acesso Livre Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 36

40 Google acadêmico Um outro recurso que pode ser utilizado para a busca de trabalhos científicos é o Google acadêmico (http://scholar.google.com.br). Nesse mecanismo de busca (vide figura 2.6), o pesquisador pode pesquisar por palavras-chave (no título e no corpo do texto), pelo nome do autor, pelo nome do periódico, inclusive com restrição de tempo. A busca por palavras-chave pode identificar além de trabalhos em periódicos, trabalhos apresentados em congressos nacionais ou internacionais (neste último caso, se a palavra-chave for digitada em inglês). O que pode acontecer eventualmente é que alguns trabalhos estejam disponíveis nas editoras do portal periódicos da Capes. Neste caso, somente dentro da instituição assinante do portal é que o pesquisador conseguirá fazer o download da versão digital do trabalho. Em outros casos, a maioria dos trabalhos identificados podem ser baixados sem restrição. Figura 3.6 Página de busca avançada do Google Acadêmico Bancos de teses e dissertações Outra excelente fonte de informações para a fundamentação teórica pode ser encontrada nas teses e dissertações defendidas nas universidades do Brasil e do exterior. Em muitas dessas universidades, após esses trabalhos serem defendidos, eles são disponibilizados eletronicamente em sites específicos de cada instituição, geralmente denominado de banco de teses e dissertações, com acesso livre para todos os interessados em fazer o download do trabalho. No Google, se o pesquisador digitar no campo de busca banco de teses e dissertações, aparecerá uma enorme lista de endereços, direcionando o interessado para o site das instituições de ensino. O quadro 3.1 apresenta uma lista de endereços dessas fontes digitais de documentos (as instituições marcadas com asterisco exigem que o usuário se cadastre para permitir o acesso ao documento). A CAPES também oferece um banco de teses. Entretanto, ela não disponibiliza o arquivo digital completo dos trabalhos, apenas as informações principais sobre os mesmos (título, autor, resumo, instituição etc.). A busca no banco da CAPES pode ser interessante para, posteriormente, tentar-se encontrar o trabalho no banco de teses da instituição onde o mesmo foi defendido. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 37

41 Quadro 3.1 Lista de portais de bancos de teses e dissertações Instituição Biblioteca Digital de Teses e Dissertações CAPES Domínio Público Biblioteca Digital (CAPES)* UNESP Universidade de Brasília Universidade de Campinas* Universidade de São Paulo Universidade Federal de Itajubá Universidade Federal de Minas Gerais Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal do Rio Grande do Sul MIT Endereço eletrônico Sites de congressos Os principais congressos da Engenharia de Produção disponibilizam os trabalhos apresentados em CD-Roms e também em seus sites. O Encontro Nacional de Engenharia de Produção (ENEGEP), o maior congresso da área disponibiliza seus trabalhos no site da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO). Para acessar os trabalhos, o interessado deve se cadastrar no site da Abepro (www.abepro.org.br). Feito isso, é possível fazer pesquisa por palavras-chave ou autor nos trabalhos desde 1996, como mostra a figura 3.7, e fazer o download dos trabalhos desejados. O Simpósio de Engenharia de Produção (SIMPEP), promovido pela Unesp de Bauru (http://www.simpep.feb.unesp.br/anais.php), também oferece seus trabalhos, desde Para acessar não é necessário cadastro. Pode-se fazer a pesquisa por área temática, palavras-chave no título e resumo e por autor, como ilustra a figura 3.8. Outros congressos, simpósios ou encontros de engenharia de produção também disponibilizam a busca e acesso aos trabalhos apresentados, tais como: Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia SEGET (http://www.aedb.br/seget/index.html) promovido pela Associação Educacional Dom Bosco, o Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais SIMPOI (http://www.simpoi.fgvsp.br) promovido pela Fundação Getúlio Vargas e o Simpósio Brasileiro de Pesquisa Operacional SOBRAPO (http://sobrapo.org.br) promovido pela Sociedade Brasileira de Pesquisa Operacional. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 38

42 Figura 3.7 Site de buscas do Enegep Figura 3.8 Site de buscas do Simpep Livros Os livros também são boas fontes de dados para a fundamentação teórica, apesar de não possuírem um processo de avaliação, tais como para a publicação de artigos em periódicos ou congressos ou mesmo teses e dissertações. Dessa forma, pode-se dizer que um livro é uma boa referência se os principais pesquisadores do tema citam o livro em seus trabalhos científicos. Os autores clássicos, responsáveis pela primeira publicação sobre um dado tema (por exemplo, Taiichi Ohno para o Sistema Toyota de Produção, Joseph Juran para a Gestão da Qualidade), também podem ser considerados livros de boa procedência e, desta forma, indicados para inclusão na fundamentação teórica. Uma outra forma de saber se um livro é de boa qualidade é verificar se o mesmo foi resultado de algum trabalho de mestrado ou doutorado. Sendo assim, recomenda-se que se tome cuidado com os livros de autores ainda pouco conhecidos. No caso dos livros, as bibliotecas ainda são a melhor fonte de busca. Entretanto, existe também uma opção para o acesso aos livros, por meio do Google Livros (http://books.google.com.br). As buscas podem Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 39

43 ser feitas por palavras-chave, autores ou editoras, como mostra a figura 3.9. Um ponto negativo é que nem todas as páginas podem ser visualizadas. Dessa forma, pode ocorrer do leitor não conseguir compreender todo o assunto de um capítulo do livro, por exemplo. Figura 3.9 Página de busca avançada do Google livros 3.6. Classificação de periódicos científicos A crescente demanda por financiamento de atividades científicas tem tornado necessário o estabelecimento de critérios mais exigentes do que aqueles até então utilizados na avaliação de pesquisadores e instituições. No caso específico da avaliação da excelência acadêmica de um pesquisador, para a qual durante muito tempo foi utilizada como critério a quantidade de trabalhos publicados, verifica-se um consenso de que os parâmetros deverão contemplar ainda a qualidade das publicações produzidas. No Brasil, como uma forma de realizar a indicação das revistas mais importantes para a pesquisa científica, a Capes criou o Qualis. Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. Tal processo foi concebido para atender as necessidades específicas do sistema de avaliação e é baseado nas informações fornecidas por meio do aplicativo Coleta de Dados. Como resultado, disponibiliza uma lista com a classificação dos veículos utilizados pelos programas de pós-graduação para a divulgação da sua produção. A estratificação da qualidade dessa produção é realizada de forma indireta. Dessa forma, o Qualis afere a qualidade dos artigos e de outros tipos de produção, a partir da análise da qualidade dos veículos de divulgação, ou seja, periódicos científicos. A classificação de periódicos é realizada pelas áreas de avaliação e passa por processo anual de atualização. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade - A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C - com peso zero. Note-se que o mesmo periódico, ao ser classificado em duas ou mais áreas distintas, pode receber diferentes avaliações. Isto não constitui inconsistência, mas expressa o valor atribuído, em cada área, à Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 40

44 pertinência do conteúdo veiculado. Por isso, não se pretende com esta classificação que é específica para o processo de avaliação de cada área, definir qualidade de periódicos de forma absoluta. O aplicativo que permite a classificação e consulta ao Qualis das áreas, bem como a divulgação dos critérios utilizados para a classificação de periódicos é o WebQualis. Para fazer parte do Qualis das Áreas, um periódico ou evento precisa ser citado pelos programas de pós-graduação como veículo de divulgação de sua produção e, além disso, ser indicado pelas áreas para figurar na sua Tabela de Referência. Para se conhecer a classificação dos periódicos das respectivas áreas de avaliação (para a Engenharia de Produção a área é a Engenharia III), acesse o site do Webqualis da Capes (http://servicos.capes.gov.br/webqualis/), como mostra a figura Figura 3.10 WebQualis Internacionalmente, a forma adotada para avaliar a qualidade de uma publicação consiste em verificar o nível de interesse dos outros pela pesquisa. O método mais simples para obter esta medida se dá por meio da quantidade de citações dessa pesquisa na bibliografia ulterior. Segundo Strehl (2005), este modo de avaliação de qualidade feita a partir do impacto das publicações na comunidade científica é denominado no ramo da bibliometria (estudo dos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da informação registrada) como análise de citações, ou estudo de citações, e tem se difundido mundialmente no âmbito das agências de fomento de pesquisa. Os dados de citações categorizados por periódicos e publicados em forma de indicadores no Journal Citation Reports (JCR) do Institute for Scientific Information (ISI) passaram a ser usados como parâmetro de avaliação de pesquisadores e instituições. São publicados anualmente no JCR (disponível no Portal de Periódicos da Capes) três indicadores, por título de periódico: o índice de citação imediata - II (Immediacy Index), a meia-vida das citações - MV (Cited Half-Life) e, finalmente, o índice bibliométrico mais conhecido e utilizado, o fator de impacto - FI (Impact Factor). O índice de citação imediata corresponde ao número de vezes que um artigo corrente de um periódico específico é citado durante o ano em que foi publicado (vide tabela 3.2). Esse índice representa a rapidez com que um trabalho é citado, sendo que, quanto menor o tempo transcorrido da publicação de um documento e sua citação em outros, maior será o seu valor. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 41

45 Tabela 3.2 Exemplo de cálculo do índice de citação imediata Periódico fictício Cálculo N.º de citações recebidas em 2009 para artigos recebidos em N.º de artigos publicados em Citações feitas a artigos correntes/número de artigos correntes 5828/980 Índice de citação imediata (imediatez): 5,947 O índice de meia-vida (MV) das citações é o principal aspecto da obsolescência da literatura. A MV é o tempo (em anos) para que 50% das citações recebidas por um periódico apareçam na literatura. Além de medir a obsolescência, a meia-vida é concebida como um indicador da influência dos periódicos, mesmo que menos difundido do que o fator de impacto, pois uma característica marcante de publicações importantes é não só o fato de serem altamente citadas, mas serem citadas durante um período de tempo mais longo do que outras publicações. A tabela 3.3 mostra um exemplo de cálculo da MV para um periódico fictício. Tabela 3.3 Exemplo de cálculo do índice de meia vida Periódico fictício Percentual cumulativo de citações Percentual cumulativo das citações 2009/2, /10, /20, /30, /38,53 recebidas em 2009 para artigos publicados em: 2004/46, /52, /58, /63, /67,77 Cálculo: Meia-vida integral: a soma do número de anos a partir do ano atual até o ano em que for registrado menos de 50% das citações. Fração de meia-vida: usando os dados acima: A: subtrair de 50% a percentagem imediatamente abaixo deste valor B: subtrair 50% do valor imediatamente acima de 50%; C: dividir os valores obtidos em A pelos valores obtidos em B, arredondando na primeira casa decimal. Meia-vida das citações: 6,6 O fator de impacto (FI) de determinado periódico (vide tabela 3.4) é definido como a razão entre o número de citações feitas no corrente ano a itens publicados neste periódico nos últimos dois anos e o número de artigos (itens fonte) publicados nos mesmos dois anos pelo mesmo periódico. Tabela 3.4 Exemplo de cálculo do fator de impacto Periódico fictício No. de Citações N.º de citações recebidas em 2009 para artigos recebidos em: N.º de artigos publicados em Cálculo Citações recebidas/número de artigos (FI) FI = /1.821 = 28,833 Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 42

46 3.7. Análise bibliométrica A Bibliometria, ou análise bibliométrica, tem a finalidade de medir por análises estatísticas a produção de pesquisa científica e tecnológica na forma de artigos, publicações, citações, patentes e outros indicadores mais complexos, possibilitando avaliar atividades de pesquisa, laboratórios, cientistas, instituições, países etc., auxiliando assim, nas tomadas de decisões e no gerenciamento da pesquisa (OKUBO, 1997). A técnica da bibliometria ou análise bibliométrica consiste em análises matemáticas e estatísticas dos padrões que aparecem na publicação e uso de documentos (DIODATO, 1994). Portanto, a análise bibliométrica ou bibliometria refere-se a uma análise quantitativa da comunicação escrita. Okubo (1997) afirma que as técnicas de bibliometria estão evoluindo, originando diversos tipos de indicadores, tais como: indicadores de publicação, indicadores de citações, indicadores de co-publicações, indicadores de co-citações, indicadores de patente, e indicadores de citações de patentes. Há duas técnicas muito utilizadas em bibliometria: citação e cocitação. A análise de citação baseia-se na premissa de que autores citam artigos que consideram importantes no desenvolvimento de suas pesquisas. Portanto, trabalhos frequentemente citados são prováveis de terem uma maior influência sobre a área do que aqueles menos citados (CULNAN, 1987; TAHAI & MEYER, 1999). Já a análise de cocitação de artigos registra o número de artigos que citaram qualquer par de documentos e é entendida como uma similaridade do conteúdo desses dois artigos. As diversas áreas do conhecimento diferem no tipo de publicação, na quantidade de publicações de artigos, no número de periódicos e no tipo de periódico: nacional ou internacional. Consequentemente, não se devem realizar análises comparativas entre áreas diferentes do conhecimento. Portanto, é necessária muita prudência na realização de análises bibliométricas, pois cada indicador possui vantagens e limitações. Para a realização das análises bibliométricas, geralmente são utilizadas as bases de dados nacionais ou internacionais como fontes de coleta dos dados. Porém, os bancos de dados são diferentes no próprio conteúdo e critérios de entrada, na quantidade de artigos que traz de cada assunto, tornando-se indispensável a escolha do banco de dados que melhor se adapte na análise bibliométrica que será realizada (OKUBO, 1997). O Institute for Scientific Information (ISI), localizado na Filadélfia (EUA), é uma companhia publicadora de bases de dados que possui uma cobertura abrangente da mais importante e influente pesquisa realizada em todo o mundo. Sua base de dados bibliográfica é multidisciplinar e compreende: títulos de revistas, livros e anais de congressos internacionais, nas áreas de ciências puras, ciências sociais, artes e humanidades. Os dados da Web of Science têm sido muito utilizados para análises bibliométricas em todo o mundo, trazendo informações sobre a literatura mundial publicada desde Ela é constituída pelas três principais bases de dados do ISI: Science Citation Index - SCI; Social Science Citation Index - SSCI e Arts & Humanities Citation Index - AHCI. A Web of Science contém um grande volume de periódicos mundiais, aproximadamente 8500 títulos. Os indicadores mais usados da base do ISI em estudos bibliométricos são: número de publicações, para análises da produção científica; número de citações, para análises de impacto da atividade científica; e número de co-autorias, para análises de colaboração científica. Segundo Targino e Garcia (2000), a Web of Science é uma ferramenta importante para o diagnóstico da produção científica, pois é a mais abrangente base de dados de informações científicas do mundo. Dessa forma, ela é a base mais utilizada atualmente por especialistas e pesquisadores em estudos bibliométricos por sua maior abrangência de áreas, pelo grande volume de periódicos e, principalmente, por compilar as citações que os artigos da base recebem anualmente. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 43

47 Análise de artigos mais citados Na base do ISI Web of Knowledge (http://apps.isiknowledge.com/), disponível no portal de periódicos da Capes, é possível analisar quais os artigos mais citados dentro de um determinado tema. Isso é importante para destacar na fundamentação teórica a utilização de trabalhos de referência na literatura científica sobre o tema da pesquisa. Para fazer uma pesquisa visando identificar os artigos mais citados, deve-se selecionar a aba do Web of Science, digitar a palavra-chave desejada, indicar em que local dos trabalhos essa palavra-chave deve ser localizada (no título, por exemplo) e definir o período da busca (desde 1945). Em seguida, basta clicar no botão Search para a busca ser realizada, como ilustra a figura Figura 3.11 Mecanismo de busca do ISI Web of Knowledge Como resultado, o sistema apresenta os artigos mais citados para os critérios definidos no mecanismo de busca. A figura 3.12 apresenta um exemplo para a palavra-chave science park. É importante verificar se o modo como os resultados serão dispostos está em times cited, ou seja, pelo número de vezes que o artigo já foi citado. Outro refinamento desejável é definir qual o tipo de documento deve aparecer na listagem, como artigos, por exemplo (vide figura 3.12). Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 44

48 Figura 3.12 Refinamentos do mecanismo de busca do ISI Web of Knowledge No exemplo da figura 3.12, inicialmente foram encontrados 173 resultados, entre artigos, resenha de livros, editoriais, novidades e resumos. Com os refinamento de apenas incluir os artigos, o número de resultados diminuiu para 74, como mostra a figura Figura 3.13 Resultados com refinamento no mecanismo de busca do ISI Web of Knowledge Como se pode ver na figura 3.13, os resultados mostram os artigos por ordem de maior número de citações, indicando o título do trabalho, os autores, o nome dos periódicos e o número de vezes que o artigo já foi citado. Se a instituição que o pesquisador possuir assinatura do Portal Periódicos da Capes, ao clicar no botão Full Text é possível acessar a verão eletrônica dos documentos. Se o pesquisador clicar no link Create Citation Report, no canto superior direito da página, é informado ao mesmo um relatório indicando, graficamente, o número de publicações com a palavra-chave dos últimos 20 anos e o número de citações anuais. Além disso, o relatório apresenta a média de citações por ano de cada um dos 74 resultados, como ilustra a figura Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 45

49 Figura 3.14 Relatório de citações Se na tela da figura 3.13, ao invés do pesquisar clicar no link Create Citation Report, no canto superior direito da página, e sim no Analyse Results, abrirá uma nova página onde o pesquisador pode analisar os resultados encontrados em termos de: autoria, país, agência de fomento, valor do apoio financeiro, tipo de documento, nome da instituição, língua, ano de publicação, periódico e área de interesse. A figura 3.15 apresenta as telas de pesquisa para autoria, nome da instituição, periódico e área de interesse. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 46

50 Figura 3.15 Relatório de pesquisa por tópicos específicos Aplicação da análise bibliométrica Neste tópico será apresentada uma aplicação da análise bibliométrica. Ela pode ser considerada uma ótima ferramenta para organizar o planejamento da fundamentação teórica de um trabalho científico, na medida em que mostra os autores mais importantes (mais citados) para a área de estudo. Este tópico apresenta uma espécie de tutorial para orientar os pesquisadores no uso da análise bibliométrica. Para tal, serão utilizados os softwares Sitkis e UCINET. Antes de utilizar os softwares, faz-se necessário realizar uma busca na ISI Web of Science. Para isso, abra o site do Portal Periódicos da CAPES (http://www.periodicos.capes.gov.br). Depois na parte inferior do site há um link (vide figura 3.16) para a página do ISI Web of Knowledge. Clique neste link para abrir a página inicial. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 47

51 Figura 3.16 Página inicial do Portal da Capes No site ISI Web of Knowledge, precisa ser escolhida a aba para fazer pesquisa somente na Web of Science, como mostra a figura Figura 3.17 Página do ISI Web of Knowledge No campo Search for coloca-se o termo (em inglês) que se quer buscar. No caso desse exemplo, utilizar-se-á o termo quality para uma busca em tópicos ( topic ). Há outras opções que podem ser utilizadas como, por exemplo, a busca do termo no título dos artigos ( title ); pode haver, também, uma limitação por ano. Essa definição sobre como fazer a busca é decidida pelo pesquisador, conforme sua necessidade (vide figura 3.18). Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 48

52 Figura 3.18 Campo de busca na aba Web of Science Depois que a busca foi realizada, é interessante refiná-la, uma vez que, dependendo do termo utilizado, podem surgir artigos não relacionados com a busca desejada pelo pesquisador. Isso pode ser feito pelo tipo de documento ( document types ) e/ou área temática ( subject areas ). No caso do exemplo utilizado para fazer a busca, refinou-se a busca por somente artigos ( articles ) em tipo de documento e pela área operations research & management science (vide figura 3.19). Figura 3.19 Refinamento das buscas Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 49

53 Refinou-se por somente artigos no tipo de documentos, no exemplo apresentado. E para fazer o refinamento por área clicou-se na opção more options, como mostra a figura Figura 3.20 Mais opções de refinamento nas áreas temáticas Para facilitar a visualização das áreas, pode-se ordená-las alfabeticamente, como mostra a figura Figura 3.21 Ordenação das áreas Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 50

54 Após selecionada a área temática, escolhe-se a área desejada para refinar e clica-se no botão refine, como mostra a figura Figura 3.22 Refinamento da área Em seguida, pode-se escolher a opção de visualização dos artigos por ordem de citação, como mostra a figura Assim, os dez artigos mais citados apareceram na primeira página. Figura 3.23 Visualização dos artigos por ordem de citação Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 51

55 Em seguida, seleciona-se os artigos desejados. No nosso exemplo, foram selecionados os dez primeiros artigos. Depois que todos os artigos da página foram selecionados, é necessário avançar para a próxima página, como indica a figura Figura 3.24 Avanço de páginas para seleção de artigos Agora na parte superior da tela aparece uma aba denominada de lista selecionada ( Marked List ), como mostra a figura Clica-se no link da lista selecionada para poder salvá-la. Figura 3.25 Aba da lista selecionada Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 52

56 Pode-se selecionar todas as opções ou campos disponíveis dos artigos, como foi feito no nosso exemplo, mostrado na figura Depois, clica-se no botão salvar em arquivo ( Save to File ) Figura 3.26 Gravação do arquivo Na tela seguinte, após o clique em save to file, pode-se clicar na parte superior da tela ou no botão salvar (Save) para salvar (habilitar download) o arquivo, como mostra a figura Figura 3.27 Tela de confirmação da gravação Uma caixa de diálogo se abre para escolher o local para salvar o arquivo. Como sugestão, é interessante salvar o arquivo na mesma pasta onde está instalado o programa Sitkis (vide figura 3.27). Coloque o nome no arquivo que desejar e a extensão do mesmo precisa ser TXT (.txt). Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 53

57 Figura 3.27 Tela de gravação do arquivo no formato txt À partir deste momento, começa-se a utilizar os dois softwares que auxiliam na análise bibliométrica, o Sitkis e o UCINET. Primeiro, precisa-se abrir a pasta onde foi descompactado o arquivo sitkis.zip, que contém o programa. O Sitkis trabalha com a utilização de um banco de dados do MS Access. Uma vez alterado esse banco de dados, não é possível fazer com que ele volte ao seu estado original. Assim, quando entrar com os dados de uma busca sobre quality, por exemplo, e depois com os dados de outra busca, tal como project management, por exemplo, as duas informações ficarão misturadas no banco de dados. Isso faz com que a análise bibliométrica não funcione corretamente. Para evitar que esse fato ocorra, é interessante criar uma cópia de segurança do arquivo de banco de dados. Veja que na tela da figura 3.28 há um arquivo chamado cópia de citations_db.mdb. Esse arquivo é uma cópia de segurança. Essa medida faz com que quando se realizar uma busca, por exemplo, com o termo quality, as informações serão salvas no banco de dados citations_db e quando for realizar uma outra busca, deve-se renomear esse arquivo com um nome diferente. Utilizando-se a cópia de segurança, cria-se novamente o arquivo citations_db de modo que o mesmo fique como se fosse original (sem informações salvas no banco de dados). No diretório do Sitkis existem também outros arquivos, tal como o Manual e o Guia, que merecem ser lidos. Posteriormente, abre-se o Sitkis utilizando o arquivo sitkis.bat. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 54

58 Figura 3.28 Diretório do programa Sitkis Ao iniciar o Sitkis, surge sua tela inicial, mostrada na figura Figura 3.29 Tela inicial do Sitkis O primeiro passo após abrir o Sitkis é fazer a importação dos dados que foram salvos em um arquivo em formato texto (.txt). Para isso, deve-se ir ao menu file e na opção import, como mostra a figura Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 55

59 Figura 3.30 Importação de arquivo no Sitkis Após clicar em import, abre-se uma caixa de diálogo onde pode ser localizado o arquivo a ser aberto (importado). Localiza-se o arquivo que foi salvo pela página da ISI Web of Science e clica-se no botão Open para importar os dados do arquivo, como ilustra a figura Figura 3.31 Tela de importação do arquivo para o Sitkis A figura 3.32 mostra que a tela do Sitkis apresenta os 10 artigos foram importados. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 56

60 Figura 3.32 Tela do Sitkis com os 10 artigos selecionados Primeiramente, vamos trabalhar com a parte de referências dos artigos. Para isso, precisa-se exportar para um arquivo as informações sobre as referências que estão salvas no banco de dados. No menu Citations e na opção Articles to References (2d) pode-se exportar tais informações, como mostra a figura Figura 3.33 Tela de referências dos artigos Em seguida, abre-se uma tela onde se pode escolher a quantidade mínima e máxima que uma referência irá aparecer, o menor e maior ano de referência. Escolhe-se um local para salvar essas informações (que pode ser feito através do botão Browse ) e coloca-se um nome com a extensão.txt (no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 57

61 caso do exemplo utilizando nomeou-se 2d_qualidade.txt. Depois, clica-se no botão Export, como ilustra a figura Figura 3.34 Tela de exportação O arquivo é salvo na mesma pasta onde o programa sitkis foi instalado, como mostra a figura Figura 3.35 Diretório de salvamento do arquivo Uma vez salvo, este arquivo agora deve ser importado para o UCINET. Para isso abra o UCINET, utilizando o atalho Ucinet 6 for Windows, ilustrado na figura Figura 3.36 Diretório de instalação do UCINET e ícone de inicialização do software Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 58

62 A tela inicial do UCINET é apresentada na figura Figura 3.37 Tela de abertura do UCINET Para importar o arquivo gerado pelo Sitkis, no menu Data, selecione a opção Import text file e depois DL..., ilustrada na figura Figura 3.38 Tela de importação do arquivo do Sitkis Abrir-se-á uma tela onde será possível selecionar o arquivo gerado. Para abrir a caixa de diálogo para selecionar o arquivo, clique no botão que contém três pontos (...), como ilustra a figura Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 59

63 Figura 3.39 Caixa de diálogo para seleção de arquivo. Seleciona-se o arquivo gerado pelo Sitkis e clica-se em abrir, como mostra a figura Figura 3.40 Tela para importação do arquivo do Sitkis A tela ilustrada na figura 3.39 mostra agora o arquivo selecionado. Agora é só clicar em ok (vide figura Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 60

64 Figura 3.41 Tela de importação com arquivo selecionado A figura 3.42 mostra que dois arquivos foram criados na pasta onde o arquivo texto (que foi gerado pelo Sitkis) foi importado no UCINET. Tem-se um arquivo com a extensão ##d e outro ##h. Figura 3.42 Diretório onde os arquivos gerados pelo UCINET foram salvos Como se trata de referências, o arquivo gerado apresentará uma matriz que terá os dez artigos selecionados na busca feita no site ISI Web of Science (nas linhas) e todas as referências dos dez artigos, sendo cada referência uma coluna. Assim, facilita trabalhar em forma de tabelas. Para trabalhar dessa forma utilize o botão Matrix editor, ilustrado na figura Figura 3.43 O botão Matrix Editor Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 61

65 Na tela do editor de matrizes, mostrado na figura 3.43, abre-se o arquivo (com extensão ##h) gerado pelo UCINET. Seleciona-se o arquivo e clica-se em abrir. Figura 4.43 Tela do editor de matrizes Note, na figura 4.44, que a tabela possui 10 linhas e 326 colunas. Essa tabela pode ser selecionada, copiada e colada no MS Excel, que é um programa mais fácil para se trabalhar com tabelas. Com essa tabela pode-se descobrir quais são as referências mais citadas nos dez artigos selecionados com a busca feita no site ISI Web of Science. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 62

66 Figura 4.44 Indicação do número de linhas e colunas do editor de matrizes É possível verificar quais são as palavras-chave mais utilizadas nos artigos selecionados. Para isso, utiliza-se o programa Sitkis. No menu Articles, selecione a opção Keyword relatedness, como ilustra a figura Figura 4.45 Palavras-chave mais utilizadas A tela que se abre oferece a opção de colocar um número mínimo que uma palavra-chave precisa aparecer, o ano mínimo e o ano máximo em relação aos artigos selecionados na busca feita no site ISI Web of Science. Depois dá-se um nome ao arquivo e salva-o em formato texto (.txt). O local onde o arquivo será salvo pode ser escolhido pelo botão Browse. Depois de todas as opções forem estabelecidas, clica-se no botão Export, como ilustra a figura Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 63

67 Figura 4.46 Tela de definição de palavras-chave O Sitkis gera um novo arquivo texto (no caso do exemplo utilizado, o arquivo gerado foi o kw_qualidade.txt), como ilustra a figura Agora este arquivo pode ser importado no UCINET. Figura 4.47 Arquivo gerado pelo Sitkis Como as palavras-chave, também, são trabalhas em forma de tabela, utilizam-se os mesmos passos que foram utilizados para analisar as referências. Por fim, pode-se fazer uma rede de cocitações. Para isso utiliza-se o programa Sitkis. Nele utiliza-se o menu Citations e a opção Co-Citation Network, como ilustra a figura Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 64

68 Figura 4.48 Tela de Citations e co-citation network no Sitkis Assim, como em outras janelas similares, abre-se uma caixa de diálogo (vide figura 4.49) que contém opções de número mínimo de referências, número mínimo de citações de artigos, menor e maior ano dos artigos selecionados com a busca feita no site da ISI Web of Science. Depois de todas as opções escolhidas coloque o nome do arquivo no formato texto (.txt) e o local a ser salvo pode ser escolhido pelo botão Browse. Depois clique no botão Export para gerar o arquivo. Figura 4.49 Caixa de diálogo de exportação de cocitações Um novo arquivo é criado e colocado na pasta selecionada, como mostra o destaque da figura Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 65

69 Figura 4.50 Arquivo criado no diretório do Sitkis A importação no programa UCINET é feita da mesma forma que foi feita para as outras análises (tanto a de referências como a de palavras-chave). É mais interessante na análise de cocitações a visualização em forma de uma rede. Para tanto pode-se utilizar o NetDraw do UCINET para criar a rede (em destaque na figura 4.51). Para isso, primeiro é necessário que o arquivo texto seja importado no UCINET para a criação dos arquivos ##d e ##h. Depois clica-se no botão NetDraw. Figura 4.51 Botão do NetDraw do UCINET No NetDraw é necessário abrir o arquivo ##h. Para isso, clica-se no botão abrir (em destaque na figura 4.52). Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 66

70 Figura 4.52 Botão abrir no UCINET Depois, seleciona-se o arquivo e clica-se em abrir (arquivo em destaque na figura 4.53). Figura 4.53 Arquivo a ser aberto no NetDraw O NetDraw do UCINET cria uma rede que mostra os autores que são cocitados de acordo com a análise dos dez artigos selecionados na busca feita no site da ISI Web of Science (conforme nosso exemplo). A rede pode ser trabalhada, de modo que haja mudança de cor, tamanho e formato dos autores. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 67

71 Figura 4.53 Rede de cocitações criada no NetDraw do UCINET Assim, o pesquisador fica com um conjunto de ferramentas para auxiliá-lo no processo de revisão de literatura, onde o mesmo pode se certificar de quais são os principais autores dentro de sua área, dessa forma justificando a seleção dos trabalhos a serem utilizados. Exercícios do Capítulo 3 3.1) Consulte no ISI Web of Knowledge e indique quais são os cinco artigos mais citados para as palavraschave escolhidas para o seu tema de pesquisa. 3.2) Consultar as bases bibliográficas, fazer buscas de acordo com as palavras-chaves ou autor e selecionar para a sua fundamentação teórica, no mínimo: 10 (dez) artigos nacionais e/ou internacionais de periódicos indexados (para a entrega deste exercício, para cada trabalho selecionado indicar o título do trabalho, título da revista/editora/instituição, volume e número da revista, local (congressos) e ano de publicação; 02 (duas) teses de doutorado de instituições nacionais ou internacionais; 02 (duas) dissertações de mestrado de instituições nacionais ou internacionais; 05 (cinco) artigos de congressos nacionais ou internacionais; 02 (dois) livros. 3.3) Qual a classificação dos artigos que você selecionou no Qualis e/ou o Fator de Impacto? 3.4) Quais dos artigos nacionais são de autoria de pesquisadores ligados aos grupos de pesquisa que você identificou no exercício do capítulo 1? A que grupo pertencem? De qual instituição? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 68

72 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção 4.1. A natureza da pesquisa organizacional CAPÍTULO 4 Processo de pesquisa Segundo Bryman (1989), uma grande parte da pesquisa organizacional pode ser descrita como possuidora de muitas características da pesquisa quantitativa. A essência desse modelo do processo de pesquisa se aproxima muito de uma abordagem científica para conduzir essa pesquisa. Um termo como científico é inevitavelmente vago e discutível, mas na cabeça de muitos pesquisadores e autores em metodologia ele requer um compromisso com uma abordagem sistemática para as investigações, onde a coleta de dados e sua análise detalhada em relação ao problema de pesquisa previamente formulado são ingredientes mínimos. Uma forma de construir este processo de pesquisa é apresentada na figura 4.1, que contém os elementos chave tipicamente delineados por autores de metodologia de pesquisa em ciências sociais. Figura 4.1 A estrutura lógica do processo de pesquisa Fonte: Bryman (1989) De acordo com este modelo, o ponto de partida para o estudo é a teoria sobre algum aspecto do funcionamento organizacional. Uma teoria requer uma tentativa de formular uma explicação sobre alguma faceta da realidade, tal como por que algumas pessoas desfrutam de seu trabalho e outras não, ou por que algumas organizações são burocráticas e outras não. A partir desta teoria, uma hipótese específica (ou hipóteses) é formulada para ser testada. Esta hipótese não só permite um teste (embora possivelmente um teste parcial) da teoria em questão, mas os resultados do teste, independente de que as descobertas a sustentam ou não, realimentam nosso estoque de conhecimento a respeito do fenômeno que está sendo estudado. É a geração de dados para testar a hipótese que em muitos aspectos constitui o ponto crucial do processo de pesquisa quantitativa, refletindo a crença na primazia da coleta de dados sistemática no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 69

73 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção empreendimento científico. Esta orientação geral para o processo de pesquisa produziu um número de preocupações que serão posteriormente discutidas. Primeiramente, as hipóteses contêm conceitos que necessitam ser medidos para que elas sejam sistematicamente testadas. Uma teoria pode levar a uma hipótese na qual o tamanho e o nível de burocracia de uma organização se relacionam positivamente. Para testar esta hipótese será necessário fornecer medidas dos dois conceitos constituintes da hipótese: tamanho e burocratização organizacional. O processo de traduzir conceitos em medidas é frequentemente denominado pelos autores de operacionalização, e muitos pesquisadores organizacionais referem-se a ele nas publicações de suas investigações como definições operacionais (a especificação dos passos a serem usados na medição dos conceitos sob consideração). Essas medidas são tratadas como variáveis, ou seja, atributos nos quais pessoas, organizações ou qualquer outra coisa exibem variabilidade. No exemplo, o tamanho organizacional é frequentemente operacionalizado pelo número de empregados de uma amostra de organizações e é uma variável no sentido de que as organizações variam consideravelmente em respeito a este conceito e suas medidas associadas. É sabido que a medida é uma representação relativamente imperfeita do conceito ao qual está associada, desde que qualquer conceito pode ser medido de diferentes formas, cada uma delas com suas próprias limitações. Ao usar o número de empregados como uma medida do tamanho organizacional, por exemplo, um pesquisador pode falhar ao considerar outros aspectos deste conceito que poderiam ser empregados por outras medidas tais como rotatividade, ativos, etc. Devido a centralização do processo de medição do empreendimento da pesquisa quantitativa, uma atenção considerável tende a ser concedida para o refinamento das definições operacionais. Uma segunda preocupação é com a demonstração de causalidade, ou seja, mostrar como as coisas vêm a ser da forma como elas são. Muitas hipóteses contêm declarações implícitas ou explícitas sobre causas e efeitos e a pesquisa resultante é frequentemente empreendida para demonstrar a validade dos palpites sobre a causalidade. Esta preocupação com a demonstração dos efeitos causais é frequentemente refletida na vasta utilização dos termos variável dependente e variável independente na pesquisa quantitativa organizacional. Uma terceira preocupação é com a generalização, ou seja, a perseguição das descobertas que podem ser generalizadas além dos confins de uma investigação específica. Finalmente, a pesquisa quantitativa expõe uma preocupação que as investigações deveriam ser capazes de ser replicadas. Isso significa que seria possível a um pesquisador empregar os mesmos procedimentos tais como aqueles utilizados por outro estudo para verificar a validade da investigação inicial. A replicação pode atuar como uma verificação para estabelecer se um conjunto de descobertas pode ser repetido em outro ambiente Abordagens científicas Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de abordagens científicas. Em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam estas abordagens são ciências. Dessas afirmações pode-se concluir que a utilização das abordagens científicas não é da alçada exclusiva da ciência, mas não há ciência sem o emprego das abordagens científicas. Assim, a abordagem científica é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo, conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do pesquisador (MARCONI e LAKATOS, 2006). As principais abordagens científicas são as abordagens indutiva e dedutiva, como ilustra a figura 4.2. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 70

74 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Abordagem indutiva Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objetivo dos argumentos indutivos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam. Contudo, as premissas conduzem apenas a conclusões prováveis. Exemplos: O corvo 1 é negro. O corvo 2 é negro. O corvo 3 é negro. (todo) corvo é negro. Cobre conduz energia. Zinco conduz energia. Cobalto conduz energia. Ora, cobre, zinco e cobalto são metais. Logo, (todo) metal conduz energia. Figura 4.2 Os métodos dedutivo e indutivo A indução ocorre em três etapas: a) Observação dos fenômenos: observam-se os fatos ou fenômenos e os mesmos são analisados, com a finalidade de descobrir as causas de sua manifestação; b) Descoberta da relação entre eles: procura-se por intermédio da comparação, aproximar os fatos ou fenômenos, com a finalidade de descobrir a relação constante existente entre eles; c) Generalização da relação: generaliza-se a relação encontrada na precedente, entre os fenômenos e fatos semelhantes, muitos dos quais ainda não foram observados (e muitos inclusive inobserváveis). Para que se não cometam equívocos facilmente evitáveis, impõem-se três etapas que orientam o trabalho de indução: a) Certificar-se de que é verdadeiramente essencial a relação que se pretende generalizar, evitando a confusão entre o acidental e o essencial; b) Assegurar-se de que sejam idênticos os fenômenos ou fatos dos quais se pretende generalizar uma relação, evitando aproximações entre fenômenos e fatos diferentes, cuja semelhança é acidental. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 71

75 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção c) Não perder de vista o aspecto quantitativo dos fatos ou fenômenos. Impõe-se esta regra já que a ciência é primordialmente quantitativa, motivo pelo qual é possível um tratamento objetivo, matemático e estatístico. Em geral, a indução se apresenta em duas formas: Completa ou formal: estabelecida por Aristóteles, ela não induz de alguns casos, mas de todos, sendo que cada um dos elementos inferiores é comprovado pela experiência. Exemplo: segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo têm 24 horas. Ora, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo são dias da semana. Logo, todos os dias da semana têm 24 horas. Como esta espécie de indução não leva a novos conhecimentos, é estéril, não passando de um processo de colecionar coisas já conhecidas e, portanto, não tem influência (importância) para o progresso da ciência. Incompleta ou científica: criada por Galileu e aperfeiçoada por Francis Bacon. Não deriva de seus elementos inferiores, enumerados ou provados pela experiência, mas permite induzir, de alguns casos adequadamente observados (sob circunstâncias diferentes, sob vários pontos, etc.) e, às vezes, de uma só observação, aquilo que se pode dizer (afirmar ou negar) dos restantes da mesma categoria. Portanto, a indução científica fundamenta-se na causa ou na lei que rege o fenômeno ou fato, constatada em um número significativo de casos (um ou mais), mas não em todos. Por exemplo, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão não têm brilho próprio. Ora, Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão são planetas. Logo, todos os planetas não têm brilho próprio. Na engenharia de produção, a abordagem indutiva é a mais utilizada, com ilustra a figura 4.3. Figura 4.3 Como as abordagens dedutiva e indutiva se complementam Abordagem dedutiva Dois exemplos servem para ilustrar a diferença entre argumentos dedutivos e indutivos. Dedutivo: Indutivo: Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 72

76 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Todo mamífero tem um coração. Ora, todos os cães são mamíferos. Logo, todos os cães têm um coração. Todos os cães que foram observados tinham um coração. Logo, todos os cães têm um coração. As duas características básicas que distinguem os argumentos dedutivos dos indutivos são apresentadas no quadro 4.1. Quadro 4.1 Diferenças básicas entre os argumentos dedutivos e indutivos Dedutivos I. Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira. II. Toda a informação ou conteúdo fatual da conclusão já estava, pelo menos implicitamente, nas premissas. Indutivos I. Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira, mas não necessariamente verdadeira. II. A conclusão encerra informação que não estava, nem implicitamente, nas premissas. Para a característica I, no argumento dedutivo, para que a conclusão todos os cães têm um coração fosse falsa, uma das ou as duas premissas teriam de ser falsas: ou nem todos os cães são mamíferos ou nem todos os mamíferos têm um coração. Por outro lado, no argumento indutivo é possível que a premissa seja verdadeira e a conclusão falsa: o fato de não ter, até o presente, encontrado um cão sem coração, não é garantia de que todos os cães têm um coração. Para a característica II, quando a conclusão do argumento dedutivo afirma que todos os cães têm um coração, está dizendo alguma coisa que, na verdade, já tinha sido dita nas premissas; portanto, como todo argumento dedutivo, reformula ou enuncia de modo explícito a informação já contida nas premissas. Dessa forma, se a conclusão, a rigor, não diz mais que as premissas, ela tem de ser verdadeira se as premissas o forem. Por sua vez, no argumento, indutivo, a premissa refere-se apenas aos cães já observados, ao passo que a conclusão diz respeito a cães ainda não observados; portanto, a conclusão enuncia algo não contido nas premissas. É por este motivo que a conclusão pode ser falsa, pois pode ser falso o conteúdo adicional que encerra, mesmo que a premissa seja verdadeira. Os dois tipos de argumentos têm finalidades diversas. O dedutivo tem o propósito de explicar o conteúdo das premissas e o indutivo tem o desígnio de ampliar o alcance dos conhecimentos. Analisando isso sobre outro enfoque, pode-se dizer que os argumentos dedutivos ou estão corretos ou incorretos, ou as premissas sustentam de modo completo a conclusão ou, quando a forma é logicamente incorreta, não a sustentam de forma alguma; portanto, não há graduações intermediárias. Contrariamente, os argumentos indutivos admitem diferentes graus de força, dependendo da capacidade das premissas de sustentarem a conclusão. Resumindo, os argumentos indutivos aumentam o conteúdo das premissas, com sacrifício da precisão, ao passo que os argumentos dedutivos sacrificam a ampliação do conteúdo para atingir a certeza. Os exemplos inicialmente citados mostram as características e a diferença entre os argumentos dedutivos e indutivos, mas não expressam sua real importância para a ciência. A relação entre a evidência observacional e a generalização científica é do tipo indutivo. As várias observações destinadas a determinar a posição do planeta Marte serviram de evidência para a primeira lei de Kepler, segundo a qual a órbita de Marte é elíptica. A lei refere-se a posição do planeta, observada ou não, isto é, o movimento passado era elíptico, o futuro também o será, assim como o é quando o planeta não pode Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 73

77 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção ser observado, em decorrência de condições atmosféricas adversas. A lei (conclusão) tem conteúdo muito mais amplo do que as premissas (enunciados que descrevem as posições observadas). Por sua vez, os argumentos matemáticos são dedutivos. Na geometria euclidiana do plano, os teoremas são todos demonstrados a partir de axiomas e postulados; apesar do conteúdo dos teoremas já estar fixado neles, esse conteúdo está longe de ser óbvio Fatos e teorias Para Marconi e Lakatos (2006), o senso comum tende a considerar o fato como realidade, isto é, verdadeiro, definitivo, inquestionável e auto-evidente. Da mesma forma, imagina teoria como especulação, ou seja, idéias não comprovadas que, uma vez submetidas à verificação, se se revelarem verdadeiras, passam a constituir os fatos, e até leis. Sob o aspecto científico, entretanto, se fato é considerado uma observação empiricamente verificada, a teoria se refere a relações entre fatos ou, em outras palavras, à ordenação significativa desses fatos, consistindo em conceitos, classificações, correlações, generalizações, princípios, leis, regras, teoremas, axiomas, etc. A teoria serve como orientação para restringir a amplitude dos fatos a serem estudados em cada campo do conhecimento e definindo os principais aspectos de uma investigação, precisando os tipos de dados que devem ser abstraídos da realidade como objeto de análise, estudando os fenômenos mais importantes neles contidos. A teoria serve como um sistema de conceptualização e de classificação dos fatos. Um fato não é somente uma observação prática ao acaso, mas também uma afirmativa empiricamente verificada sobre um fenômeno em pauta. A teoria serve para resumir sinteticamente o que já se sabe sobre o objeto de estudo, através das generalizações empíricas e das inter-relações entre afirmações comprovadas. Sumariar sucintamente o que já se sabe sobre o objeto de estudo é outra das tarefas ou papéis da teoria. A teoria também serve para, baseando-se em fatos e relações já conhecidas, prever novos fatos e relações. Ela torna-se um meio de prever fatos, pois resume os fatos já observados e estabelece uma uniformidade geral que ultrapassa as observações imediatas. Finalmente, a teoria serve para indicar os fatos e as relações que ainda não estão satisfatoriamente explicados e as áreas da realidade que demandam pesquisas. É exatamente pelo fato de a teoria resumir os fatos e também prever fatos ainda não observados que se tem a possibilidade de indicar áreas não exploradas, da mesma forma que fatos e relações até então insatisfatoriamente explicados. Assim, antes de iniciar uma investigação, o pesquisador precisa conhecer a teoria já existente, pois é ela que servirá de indicador para a delimitação do campo ou área mais necessitada de pesquisas. Segundo Whetten (1989), uma contribuição teórica consistente deve tratar convenientemente das seguintes questões: O que? Que fatores (variáveis, conceitos) deveriam ser considerados como explicação de um fenômeno; Como? Como os fatores previamente definidos se inter-relacionam; Por quê? Quais são as razões que justificam as relações causais constatadas; Quem, onde e quando? As condições que irão estabelecer as fronteiras para as proposições geradas no modelo teórico. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 74

78 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção A construção de uma boa teoria deveria enfatizar, de acordo com Weick (1989), o papel da imaginação, da representação e do pensamento especulativo. Dada a complexidade do processo, este autor advoga a necessidade de teorias de médio alcance e o uso de metáforas (figura de linguagem). Segundo ele, quando os pesquisadores elaboram uma teoria, eles projetam, conduzem e interpretam experimentos imaginários. Este processo assemelha-se aos três elementos do processo de seleção: variação, seleção e retenção. Como é o pesquisador, e não a natureza, que conduz o processo, este pode ser qualificado de seleção artificial. A qualidade da teoria resultante é função: da precisão e grau de detalhe presente na elaboração do problema; do número e independência das conjecturas que tentam resolver a questão; do número e diversidade de critérios de seleção usados para testar as conjecturas. Definir critérios capazes de separar teorias fortes de teorias fracas não é fácil. Por outro lado, dizer o que não representa uma contribuição teórica é mais simples e constitui de fato uma contribuição, pois ajuda a delinear o que não é teoria. Sutton e Staw (1995) tratam justamente dos ingredientes de uma contribuição teórica que não constituem por si teoria: Referências não constituem teoria: muitos pesquisadores usam uma profusão de referências para ocultar falta de teoria ou para exibir seu conhecimento em um determinado campo. Uma simples lista de referências não constitui teoria. O autor deve citar as referências que contenham as raízes do seu argumento. As relações lógicas entre os argumentos dos predecessores e os seus próprios devem ser identificadas; Dados não constituem teoria: grande parte dos trabalhos na área são empíricos, baseiam-se em dados. Os dados sustentam a teoria e não a substituem. Dados descrevem padrões empíricos, a teoria explica porque os padrões foram observados e como devem se comportar; Lista de variáveis ou construtos (definição conceitual de uma variável) não constitui teoria: muitas contribuições teóricas são, na verdade, listas de definições e conceitos, como um dicionário de uma linguagem que não trabalha com sentenças. Isso também não constitui teoria; Diagramas não constituem teorias: figuras e diagramas são recursos valiosos para transmitir idéias e conceitos complexos. Mas, por eles mesmos, não constituem teoria; Hipóteses ou predições não constituem teoria: na construção de um argumento complexo, as hipóteses têm um papel importante: servem como ponte entre teoria e dados. Mas, hipóteses tratam do que ocorre e não do como ocorre. Hipóteses e predições apresentadas sem as respectivas relações causais não constituem teoria. Entretanto, uma questão vem à tona. Que critérios genéricos poderiam ser empregados para se julgar uma contribuição científica? Whetten (1989) aborda a questão dos critérios a serem adotados para julgar uma contribuição teórica. Assim, um trabalho científico digno de publicação deveria responder satisfatoriamente a oito questões: O que há de novo? O trabalho faz uma contribuição representativa ao estado da arte no campo? E daí? O trabalho mudará a prática da ciência organizacional na área? Por que desta forma? A lógica e as evidências apresentadas são convincentes? Os pressupostos estão explícitos? Os pontos de vistas são convincentes? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 75

79 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Foi bem realizado? A revisão teórica foi bem conduzida? Os métodos utilizados são os mais adequados? O trabalho reflete amplitude e profundidade? Os múltiplos elementos teóricos são bem cobertos? Foi realizado com esmero? O trabalho está bem escrito e flui logicamente? As idéias centrais são claramente colocadas? A leitura é agradável? Por que agora? O tópico tratado é de interesse atual para os pesquisadores na área? O trabalho estimulará discussões em torno do tema tratado? A quem interessa? Uma percentagem significativa de acadêmicos estará interessada no tema? 4.4. Variáveis de pesquisa Segundo Appolinário (2006), quando investigamos determinados fenômenos por meio das pesquisas científicas, organizamos nossa percepção e nossa compreensão dessa realidade pelo uso das variáveis. Pode-se entender as variáveis, portanto, como os aspectos ou as propriedades daquilo que o pesquisador irá examinar. Além disso, como o nome já denuncia, a variável possui um conteúdo inconstante, ou seja, ela varia. As variáveis são as características ou as dimensões que o pesquisador elege como relevantes para a sua investigação, donde se depreende que elas se constituem nas entidades organizadoras centrais de um trabalho científico. Para Marconi e Lakatos (2006), figurativamente, pode-se imaginar o universo da ciência como constituído de três níveis: no primeiro, ocorrem as observações de fatos, fenômenos, comportamentos e atividades reais; no segundo, encontram-se as hipóteses; finalmente, no terceiro, surgem as teorias, hipóteses válidas e sustentáveis. O que nos interessa neste tópico é a passagem do segundo para o primeiro nível, que ocorre através do enunciado das variáveis, como mostra esquematicamente a figura 4.4. Figura 4.4 Os três níveis do universo da ciência Fonte: Marconi e Lakatos (2006) Em ciência, existem diversas classificações e denominações para os mais diferentes tipos de variáveis e enumerar todos esses sistemas classificatórios fugiria do escopo deste trabalho. Sendo assim, adota-se uma classificação com apenas três tipos principais, com base na função que determinada variável exerce no trabalho científico. Nesse sistema, pode-se classificar as variáveis em: Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 76

80 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção a) Variável genérica: típica em pesquisas descritivas, é a variável que serve apenas a uma função descritiva, ou seja, uma variável que será coletada por meio de um instrumento qualquer e que será meramente objeto de uma análise estatística descritiva. Por exemplo, em uma pesquisa cuja finalidade seja levantar as características demográficas dos alunos do ensino fundamental de determinada região de uma cidade, pode-se coletar as variáveis genéricas sexo, idade, renda familiar, grau de escolaridade dos pais, etc. Ao final do estudo, realiza-se um resumo desses dados por meio da estatística descritiva (médias, desvios, freqüências, gráficos visualizadores, etc.) (APPOLINÁRIO, 2006); b) Variável independente: é aquela que influencia, determina ou afeta outra variável. É fator determinante, condição ou causa para determinado resultado, efeito ou conseqüência. É o fator manipulado (geralmente) pelo pesquisador, na sua tentativa de assegurar a relação do fator com um fenômeno observado ou a ser descoberto, para ver que influência exerce sobre um possível resultado. Por exemplo, em uma pesquisa médica, deseja-se averiguar o efeito de um medicamento experimental sobre determinada doença. Alguns pacientes receberão um placebo (medicamento sem efeito) e outros a droga experimental, enquanto se monitora o que ocorre com a saúde desses pacientes. A variável independente neste exemplo é o tipo de droga administrada (placebo ou droga experimental) (MARCONI e LAKATOS, 2006; APPOLINÁRIO, 2006); c) Variável dependente: consiste naqueles valores (fenômenos, fatores) a serem explicados ou descobertos, em virtude de serem influenciados, determinados ou afetados pela variável independente. É o fator que aparece, desaparece ou varia à medida que o pesquisador introduz, tira ou modifica a variável independente. A propriedade ou fator que é efeito, resultado, conseqüência ou resposta a algo que foi manipulado (variável independente). No exemplo anterior, podemos ter diversas variáveis dependentes, tais como a pressão arterial, a freqüência cardíaca, o nível de glicose no sangue, etc. (MARCONI e LAKATOS, 2006; APPOLINÁRIO, 2006) Hipóteses Marconi e Lakatos (2006) consideram a hipótese como um enunciado geral de relações entre variáveis (fatos, fenômenos): a) Formulado como solução provisória para um determinado problema; b) Apresentando caráter ou explicativo ou preditivo; c) Compatível com o conhecimento científico (coerência externa) e revelando consistência lógica (coerência interna); d) Sendo passível de verificação empírica em suas conseqüências. Constituindo-se a hipótese uma suposta, provável e provisória resposta a um problema, cuja adequação será verificada através da pesquisa, interessa-nos o que é e como se formula um problema. O tema de uma pesquisa é o assunto que se deseja provar ou desenvolver, uma proposição até certo ponto abrangente do que se pretende estudar, e o problema é mais específico, indicando exatamente qual a dificuldade que se pretende resolver. Uma vez formulado o problema, com a certeza de ser cientificamente válido, propõe-se uma resposta suposta, provável e provisória, isto é, uma hipótese. Ambos, problema e hipótese, são enunciados de relações entre variáveis (fatos, fenômenos). A diferença reside em que o problema constitui sentença interrogativa e a hipótese em uma sentença afirmativa mais detalhada. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 77

81 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Há várias maneiras de se formular hipóteses, sendo que a mais comum é se x, então y, onde x e y são variáveis ligadas entre si pelas palavras se e então. Se as hipóteses são colocações conjecturais da relação entre duas ou mais variáveis (denominada de condição No. 1), devem conduzir a implicações claras para o teste da relação colocada, isto é, as variáveis devem ser passíveis de mensuração ou potencialmente mensuráveis (condição No. 2), especificando, a hipótese, como estas variáveis estão relacionadas. Uma formulação que seja falha em relação a estas características (ou a uma delas) não é uma hipótese (no sentido científico da palavra). As hipóteses são importantes em um trabalho científico, pois: São instrumentos de trabalho da teoria, pois novas hipóteses podem dela ser deduzidas; Podem ser testadas e julgadas como provavelmente verdadeiras ou falsas; Constituem instrumentos poderosos para o avanço da ciência, pois sua comprovação requer que se tornem independentes dos valores e opiniões dos indivíduos; Dirigem a investigação, indicando ao investigador o que procurar ou pesquisar; Pelo fato de serem comumente formulações relacionais gerais, permitem ao pesquisador deduzir manifestações empíricas específicas, com elas correlacionadas; Desenvolvem o conhecimento científico, auxiliando o investigador a confirmar (ou não) sua teoria, pois incorporam a teoria (ou parte dela) em forma testável ou quase testável Temporalidade da pesquisa Uma pesquisa pode ser classificada quanto à sua temporalidade em longitudinal ou transversal. Na pesquisa longitudinal acompanha-se o comportamento das variáveis estudadas em um mesmo grupo de sujeitos, durante certo período de tempo. Por exemplo, suponha que um pesquisador deseje analisar como as percepções dos estudantes universitários sobre as perspectivas profissionais de suas áreas se alteraram ao longo do seu período de formação de quatro anos. Num estudo longitudinal, esse pesquisador pode, através de um questionário, entrevistar os alunos que estão cursando a primeira série do curso. No ano seguinte, ele coleta novamente os dados, com os mesmos alunos e, assim procede até o quarto ano. Ao final, o pesquisador analisa os dados coletados e, finalmente, pode comparar como a percepção dos alunos evoluiu ao longo do tempo. Mas, suponhamos, por outro lado, que o pesquisador não disponha de quatro anos para realizar essa pesquisa. Se for esse o caso, ele pode fazer uma pesquisa transversal, que pode ser realizada da seguinte forma: ao invés de entrevistar os alunos ao longo do seu tempo de formação, ele pode realizar um corte transversal na amostra pesquisada, de forma a entrevistar, por exemplo, no prazo de uma semana, alunos diferentes da primeira, segunda, terceira e quarta séries. A pesquisa longitudinal tem como desvantagem o tempo de realização, embora apresente uma grande vantagem: como trabalha sempre com os mesmos sujeitos, trata-se de uma pesquisa muito fidedigna, isto é, seus dados são muito precisos. A pesquisa transversal possui como grande vantagem o tempo de realização mais curto, embora os dados coletados não apresentem o mesmo grau de fidedignidade da pesquisa longitudinal. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 78

82 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção 4.7. Validade e fidedignidade das pesquisas científicas Uma pesquisa é válida quando suas conclusões são corretas. É fidedigna quando seus resultados são replicáveis. Fidedignidade e validade são requisitos que se aplicam tanto ao delineamento quanto a mensuração da pesquisa. A nível do delineamento de pesquisa examinamos as conclusões e perguntamos se são corretas e aplicáveis. A nível de mensuração examinamos os escores ou observações e perguntamos se são precisos e replicáveis (KIDDER, 2004). Existem muitas maneiras de classificar a validade das pesquisas e conclusões. Discutiremos as seguintes: Validade interna Uma pesquisa tem validade interna quando identifica relações causais precisamente. Se desejar afirmar que um evento foi causa de outro, deverá estar apto a descartar as explicações rivais e demonstrar que sua conclusão é válida Validade de construto Uma pesquisa possui validade de construto quando identifica ou nomeia adequadamente as variáveis em estudo. Quanto mais complexo for o tratamento, mais difícil será especificar a causa e identificar o construto envolvido Validade externa Uma pesquisa tem validade externa quando demonstra algo que é verdadeiro para além dos estreitos limites do seu estudo. Se os resultados forem verdadeiros não apenas para o momento, lugar e pessoas de seu estudo, mas também o forem para outros momentos, lugares e pessoas, seu estudo possuirá validade externa. A validade externa requer que as conclusões sejam verdadeiras não somente para diferentes pessoas, mas também para diferentes condições. A única forma pela qual podemos avaliar a validade externa é verificando se os resultados podem ser replicados em um outro momento e lugar e com diferentes pessoas e procedimentos. Quanto maior for a variação de lugares, pessoas e procedimentos a que a pesquisa pode resistir, continuando a produzir os mesmos resultados, maior a validade externa das conclusões. Validade externa é semelhante à fidedignidade. Demonstramos ambas replicando ou repetindo resultados Fidedignidade Os resultados de uma pesquisa fidedigna são replicáveis: as conclusões podem ser generalizadas para além das condições específicas da pesquisa original. Para demonstrar que a pesquisa é fidedigna, precisa-se demonstrar que ela pode ser repetida ou replicada. Contudo, os pesquisadores raramente são recompensados por simplesmente repetir uma pesquisa, seja sua ou de outro autor. Replicações fiéis são menos criativas e interessantes que novas descobertas; consequentemente os pesquisadores acham difícil publicar ou receber reconhecimento por trabalhos que replicam uma pesquisa anterior. Quanto menos uma pesquisa parecer mera repetição ou réplica exata de um trabalho anterior, mais interessante ser tornará. A pesquisa que repete idéias ou conceitos, ao invés de detalhes de procedimentos de estudos anteriores, serve a dois propósitos: fornece algumas descobertas novas sobre um outro conjunto de eventos e permite uma replicação conceitual de idéias anteriores. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 79

83 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Replicar um resultado em uma situação diferente e com diferentes procedimentos é o mesmo que demonstrar que a pesquisa tem validade externa e pode ser generalizada para diferentes pessoas, lugares e condições. Replicações exatas de procedimentos e resultados demonstram que os resultados são fidedignos. Replicações conceituais de idéias e conclusões demonstram que a pesquisa tem validade externa Classificação da pesquisa científica A classificação das pesquisas científicas pode ser um assunto bastante controverso, pelo fato da mesma se basear no enfoque dado pelo autor. Contudo, uma forma clássica de classificar as pesquisa científica pode ser dada pela figura 4.5. Figura 4.5. Classificação da pesquisa científica em engenharia de produção Quanto a sua natureza, a pesquisa pode ser classificada em pesquisa básica ou aplicada. A pesquisa básica é aquela que procura o progresso científico, a ampliação de conhecimentos teóricos, sem a preocupação de utilizá-los na prática. É a pesquisa formal, tendo em vista generalizações, princípios, leis. Tem por meta o conhecimento pelo conhecimento. A pesquisa aplicada caracteriza-se por seu interesse prático, isto é, que os resultados sejam aplicados ou utilizados imediatamente na solução de problemas que ocorrem na realidade. Segundo Appolinário (2006), a pesquisa básica estaria mais ligada ao incremento do conhecimento científico, sem objetivos comerciais, ao passo que a pesquisa aplicada seria suscitada por objetivos comerciais através do desenvolvimento de novos processos ou produtos orientados para as necessidades do mercado. Quanto aos seus objetivos, a pesquisa pode ser classificada em exploratória, descritiva, explicativa e normativa. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 80

84 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção A pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com o problema com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses. Envolve levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; análise de exemplos que estimulem a compreensão. A pesquisa descritiva delineia o que é e visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o uso de técnicas padronizadas de coleta dados: questionário e observação sistemática. A pesquisa explicativa visa identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Aprofunda o conhecimento da realidade porque explica a razão, o porquê das coisas. Quando realizada nas ciências naturais, requer o uso do método experimental, e nas ciências sociais requer o uso do método observacional. A pesquisa normativa está primariamente interessada no desenvolvimento de políticas, estratégias e ações para aperfeiçoar os resultados disponíveis na literatura existente, para encontrar uma solução ótima para novas definições de problemas ou para comparar várias estratégias relativas a um problema específico (BERTRAND e FRANSOO, 2002). Quanto a forma de abordar o problema, a pesquisa pode ser classificada em quantitativa, qualitativa e combinada. A pesquisa quantitativa considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificá-las e analisá-las. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.). A pesquisa qualitativa considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento-chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem. A pesquisa combinada considera que o pesquisador pode combinar aspectos das pesquisas qualitativas e quantitativas em todos ou em algumas das etapas do processo de pesquisa. Do ponto de vista dos métodos, a pesquisa pode ser feita através de experimentos, levantamentos ou surveys, modelagem e simulação, estudos de caso, pesquisa-ação e soft system methodology (SSM). O experimento é empregado quando se determina um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. A pesquisa levantamento ou survey é empregada quando a pesquisa envolve a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. A modelagem e simulação é empregada quando se deseja experimentar, através de um modelo, um sistema real, determinando-se como este sistema responderá a modificações que lhe são propostas O estudo de caso envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento. A pesquisa-ação é utilizada quando concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 81

85 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção O SSM auxilia a formulação e estruturação do pensamento sobre os problemas em situações complexas. Seu princípio está na construção de modelos conceituais (baseados no entendimento das atividades humanas) e na comparação desses modelos com o mundo real. 4.9 Técnicas de coleta de dados Do ponto de vista das técnicas de coleta de dados, uma pesquisa pode usar um ou mais das seguintes formas de fonte ou coleta de dados: questionários, roteiros, entrevistas, observação e informações de arquivo (documentação). Técnica é um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma ciência ou arte; é a habilidade para usar esses preceitos ou normas, a parte prática. Toda ciência utiliza inúmeras técnicas na obtenção de seus propósitos. A seguir discutiremos cada uma das técnicas de coleta de dados mais empregadas em pesquisas científicas. Os métodos de pesquisa serão tratados em detalhes nos capítulos 7 a 12 desta apostila Questionários De acordo com Marconi e Lakatos (2006), o questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Em geral, o pesquisador envia o questionário ao informante, pelo correio, por um portador ou por ; depois de preenchido, o pesquisado devolve-o do mesmo modo. Junto com o questionário deve-se enviar uma nota ou carta explicando a natureza da pesquisa, sua importância e a necessidade de obter respostas, tentando despertar o interesse do recebedor, no sentido de que ele preencha e devolva o questionário dentro de um prazo razoável. Em média, os questionários expedidos pelo pesquisador alcançam 25% de devolução. A elaboração de um questionário requer a observância de normas precisas, a fim de aumentar sua eficácia e validade. O pesquisador deve conhecer bem o assunto para poder dividi-lo, organizando uma lista de 10 a 12 temas e, em cada um deles, extrair duas ou três perguntas. O processo de elaboração é longo e complexo, exigindo cuidado na seleção das questões, levando em consideração a sua importância, isto é, se oferece condições para a obtenção de informações válidas. Os temas escolhidos devem estar de acordo com os objetivos geral e específico. O questionário deve ser limitado em extensão e em finalidade. Se for muito longo, causa fadiga e desinteresse; se for curto demais, corre o risco de não oferecer suficientes informações. Deve conter de 20 a 30 perguntas e demorar por volta de (no máximo) 20 minutos para ser respondido. Ele deve ser acompanhado por instruções definidas e notas explicativas, para que o informante tome ciência do que se deseja dele. O aspecto material e a estética também devem ser observados: tamanho, facilidade de manipulação, espaço suficiente para as respostas, a disposição dos itens, de forma a facilitar a computação dos dados. Depois de redigido, o questionário precisa ser testado antes de sua utilização definitiva, aplicando-se alguns exemplares em uma pequena população escolhida. Esse procedimento é chamado de pré-teste ou teste piloto. A análise dos dados, após a tabulação, evidenciará possíveis falhas existentes: inconsistência ou complexidade das questões; ambigüidade ou linguagem inacessível; perguntas supérfluas ou que causam embaraço ao informante; se as questões obedecem a determinada ordem ou se são muito numerosas, etc. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 82

86 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Verificadas as falhas, deve-se reformular o questionário, conservando, modificando, ampliando ou eliminando itens; explicitando melhor alguns ou modificando a redação de outros. Perguntas abertas podem ser transformadas em fechadas se não houver variabilidade das respostas. O pré-teste deve ser aplicado em populações com características semelhantes, mas nunca naquela que será alvo de estudo. Ele serve também para verificar se o questionário apresente três importantes elementos: a) Fidedignidade: qualquer pessoa que o aplique obterá sempre os mesmos resultados; b) Validade: os dados recolhidos são necessários à pesquisa; c) Operatividade: vocabulário acessível e significado claro Quanto à forma, as perguntas podem ser classificadas em abertas, fechadas ou de múltiplas escolhas. As perguntas abertas são as que permitem ao informante responder livremente, usando linguagem própria, e emitir opiniões. Elas possibilitam investigações mais profundas e precisas; entretanto, apresenta alguns inconvenientes: dificulta a resposta ao próprio informante, que deverá redigi-la, o processo de tabulação, o tratamento estatístico e a interpretação. A análise é difícil, complexa, cansativa e demorada. As perguntas fechadas são aquelas que o informante escolhe sua resposta entre duas opções. Embora restrinja a liberdade das respostas, facilita o trabalho do pesquisador e também a tabulação: as respostas são mais objetivas. As perguntas de múltipla escolha são perguntas fechadas, mas que apresentam uma série de possíveis respostas, abrangendo várias facetas do mesmo assunto. Como toda técnica de coleta de dados, o questionário também apresenta uma série de pontos fortes e limitações. Alguns dos principais pontos fortes são: Economiza tempo, viagens e obtém grande número de dados; Atinge maior número de pessoas simultaneamente; Abrange uma área geográfica mais ampla; Economiza pessoal, tanto em treinamento quanto em trabalho de campo; Obtém respostas mais rápidas e mais precisas; Há maior liberdade nas respostas, em razão do anonimato; Há mais segurança, pelo fato de as respostas não serem identificadas; Há menos risco de distorção, pela não influência do pesquisador; Há mais tempo para responder e em hora mais favorável; Há mais uniformidade na avaliação, em virtude da natureza impessoal do instrumento; Obtém respostas que materialmente seriam inacessíveis. E algumas das limitações são: Porcentagem pequena dos questionários que voltam; Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 83

87 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Grande número de perguntas sem respostas; Não pode ser aplicado a pessoas analfabetas; Impossibilidade de ajudar o informante em questões mal compreendidas; Dificuldade de compreensão, por parte dos informantes, leva a uma uniformidade aparente; Na leitura de todas as perguntas, antes de respondê-las, pode uma questão influenciar a outra; A devolução tardia prejudica o calendário ou sua utilização; O desconhecimento das circunstâncias em que foram preenchidos torna difícil o controle e a verificação; Nem sempre é o escolhido quem responde ao questionário, invalidando, portanto, as questões; Exige um universo mais homogêneo Roteiros de entrevistas (ou formulários) O formulário é um dos instrumentos essenciais para a investigação social, cujo sistema de coleta de dados consiste em obter informações diretamente do entrevistado (MARCONI e LAKATOS, 2006). É o nome geral usado para designar uma coleção de questões que são perguntadas e anotadas por um entrevistador numa situação face a face com outra pessoa. Portanto, o que caracteriza o formulário é o contato face a face entre o pesquisador e o informante e ser roteiro de perguntas preenchido pelo entrevistador, no momento da entrevista. As qualidades essenciais de todo formulário são: Adaptação ao objeto de investigação; Adaptação aos meios que se possui para realizar o trabalho; Precisão das informações em um grau de exatidão suficiente e satisfatório para o objetivo proposto. Na construção de um formulário (roteiro de entrevista) deve haver espaço suficiente para a redação das respostas e as formas de registro escolhidas para assinalar as respostas (traço, círculo, quadrado, parêntesis, etc.) devem permanecer sempre as mesmas em todo o instrumento. A redação simples, clara e concisa é ideal. Itens em demasia devem ser evitados; a estética e o espaçamento entre linhas também devem ser observados. Os principais pontos fortes do emprego dos formulários são: Pode ser utilizado em quase todo o segmento da população (alfabetizados, analfabetos, etc.) porque seu preenchimento é feito pelo entrevistador; A presença do pesquisador permite a explicação dos objetivos da pesquisa, orientação quanto ao preenchimento do formulário e elucidação do significado de algumas perguntas que não estejam muito claras; Flexibilidade para adaptar-se às necessidades de cada situação, podendo o entrevistador reformular itens ou ajustar o formulário à compreensão de cada informante; Obtenção de dados mais complexos e úteis; Facilidade na aquisição de um número representativo de informantes, em determinado grupo. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 84

88 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Algumas limitações são: Menos liberdade nas respostas, em virtude da presença do entrevistador; Risco de distorções, pela influência do entrevistador; Menos prazo para responder às perguntas; não havendo tempo para pensar, elas podem ser invalidadas; Mais demorado, por ser aplicado a uma pessoa de cada vez; Insegurança das respostas, por falta do anonimato; Pessoas possuidoras de informações necessárias podem estar em localidades muito distantes, tornando a resposta difícil, demorada e dispendiosa Entrevista Segundo Marconi e Lakatos (2006), a entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social. Trata-se de uma conversação face a face, de maneira metódica, proporcionando ao entrevistado, de forma verbal, as informações necessárias. A entrevista tem por objetivo principal a obtenção de informações do entrevistado, sobre determinado assunto ou problema. Existem diferentes tipos de entrevistas, que variam de acordo com o propósito do pesquisador: a) Estruturada: é aquela em que o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido. As perguntas feitas ao entrevistado são predeterminadas. Ela se realiza de acordo com um formulário (roteiro) elaborado e é efetuada de preferência com pessoas selecionadas de acordo com um plano. O motivo da padronização é obter, dos entrevistados, respostas às mesmas perguntas, permitindo que todas elas sejam comparadas com o mesmo conjunto de perguntas, e que as diferenças devem refletir diferenças entre os respondentes e não diferenças nas perguntas. O pesquisador não é livre para adaptar suas perguntas a determinada situação, de alterar a ordem dos tópicos ou de fazer outras perguntas. b) Não-estruturada: o entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. Em geral, as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal. c) Painel: consiste na repetição de perguntas, de tempo em tempo, às mesmas pessoas, a fim de estudar a evolução das opiniões em períodos curtos. As perguntas devem ser formuladas de maneira diversa, para que o entrevistado não distorça as respostas com essas repetições. A preparação da entrevista é uma etapa importante da pesquisa. Ela requer tempo (o pesquisador deve ter uma idéia clara da informação de que necessita) e exige algumas medidas: Planejamento da entrevista: deve ter em vista o objetivo a ser alcançado; Conhecimento prévio do entrevistado: objetiva conhecer o grau de familiaridade dele com o assunto; Oportunidade da entrevista: marcar com antecedência a hora e o local, para assegurar-se de que será recebido; Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 85

89 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Condições favoráveis: garantir ao entrevistado o segredo de suas confidências e de sua identidade; Conhecimento prévio do campo: evita desencontros e perda de tempo; Preparação específica: organizar roteiro (formulário) com as questões importantes. A entrevista, que visa obter respostas válidas e informações pertinentes, é uma verdadeira arte, que se aprimora com o tempo, com treino e com experiência. Exige habilidade e sensibilidade; não é fácil, mas é básica. Para maior êxito da entrevista, devem-se observar alguns procedimentos: Contato inicial: o pesquisador deve entrar em contato com o informante e estabelecer, desde o primeiro momento, uma conversação amistosa, explicando a finalidade da pesquisa, seu objeto, relevância e ressaltar a necessidade de sua colaboração. É importante obter e manter a confiança do entrevistado, assegurando-lhe o caráter confidencial de suas informações. Criar um ambiente que estimule e que leve o entrevistado a ficar à vontade e a falar espontânea e naturalmente, sem tolhimentos de qualquer ordem. A conversa deve ser mantida numa atmosfera de cordialidade e de amizade. O pesquisador pode falar, mas principalmente, deve ouvir, procurando sempre manter o controle da entrevista. Formulação de perguntas: as perguntas devem ser feitas de acordo com o tipo de entrevista (estruturada ou não-estruturada). Para não confundir o entrevistado, deve-se fazer uma pergunta de cada vez e, primeiro, as que não tenham probabilidade de ser recusadas. Deve-se permitir ao informante restringir ou limitar suas informações. Toda pergunta que sugira resposta deve ser evitada. Registro das respostas: as respostas devem ser anotadas no momento da entrevista, para maior fidelidade e veracidade das informações. A anotação posterior apresenta duas inconveniências: falha de memória e/ou distorção do fato, quando não se guardam todos os elementos. O uso do gravador é ideal, se o informante concordar com a sua utilização. O registro deve ser feito com as mesmas palavras que o entrevistado usar, evitando-se resumi-las. Outra preocupação é o entrevistador se manter atento em relação aos erros, devendo-se conferir as respostas sempre que puder. Se possível, anotar gestos, atitudes e inflexões de voz. Ter em mãos todo o material necessário para registrar as informações. Término da entrevista: deve terminar como começou, ou seja, em ambiente de cordialidade, para que o pesquisador, se necessário, possa voltar e obter novos dados, sem que o informante se oponha a isso. Uma condição para o êxito da entrevista é submeter seu relatório final à aprovação do informante. Como técnica de coleta de dados, a entrevista oferece os seguintes pontos fortes: Pode ser utilizada em todos os segmentos da população (analfabetos ou alfabetizados); Fornece uma amostragem muito melhor da população geral: o entrevistado não precisa saber ler ou escrever; Há maior flexibilidade, podendo o entrevistador repetir ou esclarecer perguntas, formular de maneira diferente; especificar algum significado, como garantia de estar sendo compreendido; Oferece maior oportunidade para avaliar atitudes, condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz: registro de reações, gestos, etc. Dá oportunidade para a obtenção de dados que não se encontram em fontes documentais e que sejam relevantes e significativos; Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 86

90 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção Há possibilidade de conseguir informações mais precisas, podendo ser comprovadas, de imediato, as discordâncias; Permite que os dados sejam quantificados e submetidos a tratamento estatístico. Contudo, a entrevista apresenta algumas limitações que podem ser superadas ou minimizadas se o pesquisador for uma pessoa com bastante experiência ou tiver muito bom senso. Essas limitações são: Dificuldade de expressão e comunicação de ambas as partes; Incompreensão, por parte do informante, do significado das perguntas, da pesquisa, que pode levar a uma falta interpretação; Possibilidade de o entrevistado ser influenciado, consciente ou inconscientemente, pelo pesquisador, pelo seu aspecto físico, suas atitudes, idéias, opiniões, etc.; Disposição do entrevistado em dar as informações necessárias; Retenção de alguns dados importantes, receando que sua identidade seja revelada; Pequeno grau de controle sobre uma situação de coleta de dados; Ocupa muito tempo e é difícil de ser realizada Observação A observação é uma tática de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se desejam estudar. Ela ajuda o pesquisador a identificar e a obter provas a respeito de objetivos sobre os quais os indivíduos não têm consciência, mas que orientam seu comportamento. Desempenha papel importante nos processos observacionais, no contexto da descoberta e obriga o investigador a um contato mais direto com a realidade. É o ponto de partida da investigação social. A observação torna-se científica à medida que convém a um plano de pesquisa formulado; é planejada sistematicamente; é registrada metodicamente e está relacionada a proposições mais gerais, em vez de ser apresentada como uma série de curiosidades interessantes; está sujeita a verificações e controles sobre a validade e segurança. Na investigação científica são empregadas várias modalidades de observação. As principais são: a) Observação estruturada ou sistemática: Realiza-se em condições controladas, para responder a propósitos preestabelecidos. Todavia, as normas não devem ser padronizadas nem rígidas, pois tanto as situações quanto os objetos e objetivos da investigação podem ser muito diferentes. Nela, o observador sabe o que procura e o que carece de importância em determinada situação; deve ser objetivo, reconhecer possíveis erros e eliminar sua influência sobre o que vê ou recolhe. Vários instrumentos podem ser utilizados nesse tipo de observação, tais como quadros, anotações, escalas, dispositivos mecânicos, etc.; b) Observação não-estruturada ou assistemática: consiste em recolher e registrar os fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais ou precise fazer perguntas diretas, como em uma experiência casual, sem se saber de antemão os aspectos a serem observados. É mais empregada em estudos exploratórios e não tem planejamento e controle previamente elaborados. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 87

91 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção c) Observação não-participante: o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se a ela, ou seja, permanece de fora, sem se envolver. d) Observação participante: consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Ele se incorpora ao grupo e confunde-se com ele. Este tipo de observador enfrenta grandes dificuldades para manter a objetividade, pelo fato de exercer influência no grupo, ser influenciado por antipatias ou simpatias pessoais, e pelo choque do quadro de referência entre observador e observado. O objetivo principal seria ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreenderem a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo ou sua missão, mas em certas circunstâncias, há mais vantagem no anonimato. Do ponto de vista científico, a observação oferece uma série de vantagens e limitações, como as outras técnicas de pesquisa, havendo, por isso, a necessidade de se aplicar mais de uma técnica ao mesmo tempo. Os principais pontos fortes da observação são: Possibilita meios diretos e satisfatórios para estudar uma ampla variedade de fenômenos; Exige menos do pesquisador do que as outras técnicas; Permite a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas; Depende menos da introspecção ou da reflexão; Permite a evidência de dados não constantes do roteiro de entrevistas ou de questionários. As principais limitações são: O observado tende a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no observador; A ocorrência espontânea não pode ser prevista, o que impede, muitas vezes, o observador de presenciar o fato; Fatores imprevistos podem interferir na tarefa do pesquisador; A duração dos acontecimentos é variável; pode ser rápida ou demorada e os fatos podem ocorrer simultaneamente; nos dois casos, torna-se difícil a coleta de dados; Vários aspectos da vida cotidiana, particular, podem não ser acessíveis ao pesquisador Informações de arquivo (pesquisa documental) A característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias. Estas podem ser feitas no momento em que o fato ou fenômeno ocorre, ou depois. Utilizando essas três variáveis: fontes escritas ou não, fontes primárias ou secundárias, contemporâneas ou retrospectivas, pode-se apresentar um quadro (vide quadro 4.2) que auxilia na compreensão do universo da pesquisa documental. Os dados secundários obtidos de revistas, livros, jornais, publicações avulsas e teses, cuja autoria é conhecida, não devem ser confundidos com documentos, isto é, dados de fontes primárias. Contudo, existem Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 88

92 Metodologia de Pesquisa Estratégias, métodos e técnicas para pesquisa científica em engenharia de produção registros em que as características primária ou secundária não é tão evidente, o mesmo ocorrendo com algumas fontes não escritas. CONTEMPORÂNEOS RETROSPECTIVOS Quadro 4.2 Resumo das principais fontes para a pesquisa documental ESCRITOS OUTROS PRIMÁRIOS SECUNDÁRIOS PRIMÁRIOS SECUNDÁRIOS Compilados na ocasião pelo Transcritos de fontes primárias Feitos pelo autor Feitos por outros autor contemporâneas Exemplos: Exemplos: Exemplos: Exemplos: Documentos de arquivos Relatórios de pesquisa Fotografias; Material cartográfico; públicos; baseados em trabalho de Gravações em fita Filmes comerciais; Publicações parlamentares campo de auxiliares; magnética, CD ou DVD; Rádio; e administrativas; Estudo histórico Filmes; Cinema; Documentos de arquivos Estatísticas (censos); recorrendo aos Gráficos; documentos originais; Mapas; Televisão. privados; Pesquisa estatística Cartas; baseada em dados de Outras ilustrações. Contratos. recenseamento; Pesquisa usando a correspondência de outras pessoas. Compilados após o Transcritos de fontes primárias Analisados pelo autor Feitos por outros acontecimento pelo autor Exemplos: Diários; Autobiografias; Relatos de visitas a instituições; Relatos de viagens. retrospectivas Exemplos: Pesquisa recorrendo a diários ou autobiografias. Exemplos: Objetos; Gravuras; Pinturas; Desenhos; Fotografias; Canções folclóricas; Vestuário; Folclore. Exemplos: Filmes comerciais; Rádio; Cinema; Televisão. Exercícios do Capítulo 4 4.1) Identificar na dissertação de apoio as variáveis estudadas, as hipóteses, os instrumentos de coleta de dados. 4.2) Faça uma análise crítica dessas informações na dissertação de apoio em função dos resultados encontrados na pesquisa que foi realizada. 4.3) Quais seriam as suas sugestões para a melhoria do trabalho analisado? 4.4) Quais seriam os melhores periódicos, nacionais e internacionais, com ênfase em trabalhos qualitativos e quantitativos, para a publicação dos resultados dos trabalhos do seu grupo de pesquisa? (faça um mapeamento dos periódicos que poderiam ser o seu sonho de consumo em termos de fator de impacto e/ou classificação Qualis). 4.5) Quais os eventos científicos, nacionais e internacionais, mais relevantes para a troca de experiências dos trabalhos desenvolvidos pelo seu grupo de pesquisa? (onde a sua tribo científica se encontra?) Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 89

93 CAPÍTULO 5 Leitura e análise de artigos 5.1. Leitura A leitura constitui-se em fator decisivo de estudo, pois propicia a ampliação de conhecimentos, a obtenção de informações básicas ou específicas, a abertura de novos horizontes para a mente, a sistematização do pensamento, o enriquecimento do vocabulário e o melhor entendimento do conteúdo das obras (MARCONI e LAKATOS, 2006). É necessário ler muito, continuada e constantemente, pois a maior parte dos conhecimentos é obtida por intermédio da leitura. Como existem muitas fontes disponíveis para leitura, e muitas delas não são tão importantes, é necessária uma seleção. O ideal seria iniciar a leitura das obras clássicas, que permitem obter uma fundamentação de qualquer campo da ciência a que se pretende dedicar, passando depois para a leitura de outras obras mais especializadas e atuais, relacionadas com a área de interesse da pesquisa. A leitura deve conduzir a obtenção de informações tanto básicas quanto específicas, variando a maneira de ler, segundo os propósitos em vista, mas sem perder os seguintes aspectos: leitura com objetivo determinado, mantendo as unidades de pensamento, avaliando o que se lê; preocupação com o conhecimento de todas as palavras, utilizando para isso glossários ou dicionários; interrupção da leitura, quer periódica quer definitivamente, se perceber que as informações não são as que esperava ou não são mais importantes; discussão freqüente do que foi lido com colegas e professores (MARCONI e LAKATOS, 2006). O que nos interessa a respeito desse tópico é a leitura de estudo ou informativa. Esta visa a coleta de informações para determinado propósito. Ela apresenta três objetivos principais: a) Certificar-se do conteúdo do texto, constatando o que o autor afirma, os dados que apresenta e as informações que oferece; b) Correlacionar os dados coletados a partir das informações do autor com o problema em pauta; c) Verificar a validade dessas informações. A leitura informativa engloba várias fases. São elas: Reconhecimento ou prévia: leitura rápida, cuja finalidade é procurar um assunto de interesse ou verificar a existência de determinadas informações. Pode ser feita lendo-se o resumo de um artigo ou o sumário de um livro ou dissertação/tese. Exploratória ou pré-leitura: leitura de sondagem, tendo em vista localizar as informações, uma vez que já se tem conhecimento de sua existência. Examina-se a introdução e a bibliografia. Seletiva: leitura que visa a seleção das informações mais importantes relacionadas com o problema em questão. A seleção consiste na eliminação do supérfluo e concentração em informações verdadeiramente pertinentes ao problema da pesquisa. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 90

94 Reflexiva: leitura mais profunda que as anteriores, refere-se ao reconhecimento e a avaliação das informações, das intenções e dos propósitos do autor. Procede-se a identificação das palavras-chave para saber o que o autor afirma e por que o faz. Crítica: avalia as informações do autor. O propósito é obter uma visão sincrética e global do texto e descobrir as intenções do autor. No primeiro momento da fase de crítica deve-se entender o que o autor quis transmitir e, para tal, a análise e o julgamento das idéias dele devem ser feitos em função de seus próprios propósitos, e não dos do pesquisador; é no segundo momento que devemos, com base na compreensão do quê e do porquê de suas proposições, retificar ou ratificar os argumentos e conclusões do pesquisador. Interpretativa: relaciona as informações do autor com os problemas para os quais, através da leitura de textos, está-se buscando uma solução. Explicativa: leitura com o intuito de verificar os fundamentos de verdade enfocados pelo autor. Geralmente necessária para a redação de trabalhos acadêmicos, tais como uma dissertação ou uma tese. A leitura informativa também é denominada de leitura de estudo. Para tal é necessário dominar duas técnicas: saber como sublinhar e como fazer os resumos da parte lida. Algumas das noções básicas da arte de sublinhar são: Nunca assinalar nada na primeira leitura, cuja única finalidade é organizar o texto na mente e de forma hierarquizada; Sublinhar apenas as idéias principais e os detalhes importantes, usando dois traços para as palavraschave e um para os pormenores mais significativos; Quando aparecem passagens que se configuram como um todo relevante para a idéia desenvolvida no texto, elas devem ser inteiramente assinaladas com uma linha vertical, à margem. As passagens que despertam dúvidas, que colidem com o tema exposto e as proposições que o apóiam devem ser assinaladas com um ponto de interrogação, pois constituem material base para a leitura explicativa. O que se considera passível de crítica, objeto de reparo ou insustentável dentro do raciocínio desenvolvido, deve ser destacado mediante uma interrogação. Cada parágrafo deve ser reconstituído a partir das palavras sublinhadas, e sua leitura deve apresentar a continuidade e a plenitude de um texto de telegrama, com sentido fluente e concatenado. Cada palavra não compreendida deve ser entendida mediante consulta a dicionários. Durante a primeira leitura deve-se anotar os termos desconhecidos e, antes da segunda, consultar a fonte que esclarecerá o sentido deles. A leitura é uma das maneiras de se ampliar o vocabulário. Depois de assinalar, com marcas ou cores diferentes, as várias partes constitutivas do texto, após sucessivas leituras, deve-se proceder à elaboração de um esquema que respeite a hierarquia emanada do fato de que, em cada frase, a idéia expressa pode ser condensada em palavras-chave; em um parágrafo, a idéia principal é geralmente expressa numa frase-mestra; e, finalmente, na exposição, a sucessão das principais idéias concretiza-se nos parágrafos-chave. No esquema, deve-se levar em consideração que: se as idéias sencundárias têm de ser diferenciadas entre si, depois de desprezar as não importantes, deve-se procurar as ligações que unem as idéias sucessivas, quer sejam paralelas, opostas, coordenadas ou subordinadas, analisando-se sua seqüência, encadeamento lógico e raciocínio desenvolvido. Dessa forma, o Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 91

95 esquema emerge naturalmente do trabalho de análise realizado (MARCONI e LAKATOS, 2006). A figura 5.1 mostra um exemplo de esquema. Figura 5.1 Exemplo de esquema A síntese (ou resenha crítica) consiste na capacidade de condensação de um texto, parágrafo, frase, reduzindo-o a seus elementos de maior importância. Diferente do esquema, a síntese forma parágrafos com sentido completo: não indica apenas os tópicos, mas condensa sua apresentação. Finalmente, a síntese facilita o trabalho de captar, analisar, relacionar, fixar e integrar aquilo que se está estudando, e serve para expor o assunto. As sínteses serão tratadas com mais detalhes no item 5.4 deste capítulo Análise de textos Analisar significa estudar, decompor, dissecar, dividir, interpretar. A análise de um texto refere-se ao processo de conhecimento de determinada realidade e implica o exame sistemático dos elementos. Portanto, é decompor um todo em suas partes, a fim de poder efetuar um estudo mais completo, encontrando o elemento-chave do autor, determinar as relações que prevalecem nas partes constitutivas, compreendendo a maneira pela qual estão organizadas, e estruturar as idéias de maneira hierárquica. É a análise que vai permitir observar os componentes de um conjunto, perceber suas possíveis relações, ou seja, passar de uma idéia-chave para um conjunto de idéias mais específicas, passar à generalização e, finalmente, à crítica. A análise de texto pode ser feita de três formas (MARCONI e LAKATOS, 2006): a) Análise textual: começa por uma leitura rápida do texto para se ter uma visão de conjunto da unidade. Leituras sucessivas vão permitir, inicialmente, assinalar e esclarecer palavras desconhecidas, identificando os conceitos utilizados e, depois, esquematizar o texto (mostrar como o texto foi organizado), com a finalidade de evidenciar sua estrutura redacional. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 92

96 b) Análise temática: permite maior compreensão do texto, fazendo emergir a idéia central e as secundárias, as unidades e subunidades de pensamento, sua correlação e a forma pela qual esta se dá. Adentrando no mundo de idéias do autor, pode-se esquematizar a seqüência das várias idéias, reconstruindo a linha de raciocínio do autor e fazendo emergir seu processo lógico de pensamento. Na análise temática procura-se identificar o tema, o objetivo, as proposições e a argumentação do trabalho que está sendo lido. c) Análise interpretativa e crítica: deve-se procurar associar as idéias expressas pelo autor com outras de conhecimento do leitor, sobre o mesmo tema. A partir daí, faz-se a crítica, do ponto de vista da coerência interna e validade dos argumentos empregados no texto, da profundidade e originalidade dada à análise do problema e do alcance das conclusões; realiza-se uma apreciação pessoal e mesmo emissão de juízo sobre as idéias expostas e defendidas. Deve ser elaborado um resumo para discussão futura Fichamento À medida que o pesquisador tem em mãos as fontes de evidência (artigos, livros, dissertações, teses, etc.), ele pode transcrever os dados em fichas, com o máximo de exatidão e cuidado. A ficha, sendo de fácil manipulação, permite a ordenação do assunto, ocupa pouco espaço e pode ser transportada de um lugar para outro. Até certo ponto, leva o indivíduo a por ordem no seu material. Possibilita ainda uma seleção constante da documentação e de seu ordenamento. Atualmente, com a facilidade de diversas soluções de software, as fichas podem ser elaboradas a partir de pequenos editores de texto, tais como o notepad ou o wordpad do pacote Microsoft Windows, ou mesmo de softwares para banco de dados, tal como o Microsoft Access, do pacote do Microsoft Office. A ficha é um bom instrumento de trabalho para o pesquisador, uma vez que o mesmo manipula um material bibliográfico que, em geral, não lhe pertence. As fichas permitem identificar as obras, conhecer seu conteúdo, fazer citações, analisar o material e elaborar críticas. As fichas podem ser do tipo bibliográfica (refere-se ao campo do saber que é abordado, os problemas significativos tratados, as conclusões alcançadas, as contribuições especiais sobre o assunto, as fontes de dados, os métodos de abordagem e de procedimentos utilizados pelo autor), de citações (reprodução fiel de frases ou sentenças consideradas relevantes ao estudo), de resumo ou de conteúdo (síntese clara e concisa das idéias principais do autor ou um resumo dos aspectos essenciais da obra), de esboço (parecida com a de resumo, porém mais detalhada) e de comentário ou analítica (explicação ou interpretação crítica pessoal das idéias expressas pelo autor, em todo o trabalho ou em parte dele). A estrutura das fichas, de qualquer um dos tipos, compreende três partes principais: cabeçalho (denominação ou título genérico do trabalho estudado), referência bibliográfica (completa, seguindo a norma NBR 6023) e texto (resumo, citação, esboço ou comentários) Síntese (ou resenhas críticas) De acordo com Lakatos e Marconi (2006), as sínteses são instrumentos obrigatórios de trabalho para os pesquisadores através dos quais se podem selecionar obras que merecem a leitura do texto completo. Entretanto, as sínteses somente são válidas quando contiver, de forma clara e sintética, tanto a natureza da pesquisa realizada quanto os resultados e as conclusões mais importantes, em ambos os casos destacandose o valor dos achados ou de sua originalidade. A síntese é a apresentação concisa e frequentemente seletiva do texto, destacando-se os elementos de maior interesse e importância, isto é, as principais idéias do autor da obra (LAKATOS e MARCONI, 2006). Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 93

97 Dependendo do tipo do trabalho científico que se pretende realizar, a síntese pode ser: Indicativa ou descritiva: quando faz referência às partes mais importantes, componentes do texto. Utiliza frases curtas, cada uma correspondendo a um elemento importante da obra. Não dispensa a leitura do texto completo, pois apenas descreve sua natureza, forma e propósito; Informativa ou analítica: quando contém todas as informações principais apresentadas no texto e permite dispensar a leitura desse último; portanto, é mais amplo do que o indicativo ou descritivo. Tem a finalidade de informar o conteúdo e as principais idéias do autor, salientando: os objetivos e assunto, os métodos e as técnicas, os resultados e as conclusões. Utiliza as palavras de quem escreveu a síntese e quando cita as do autor, apresenta-as entre aspas. Ao final da síntese, indicam-se as palavras-chave do texto; Crítico: quando se formula um julgamento sobre o trabalho. É a crítica da forma (aspectos metodológicos), do conteúdo, do desenvolvimento da lógica da demonstração, da técnica de apresentação das idéias principais. Neste tipo de síntese não se faz citações. Antes de se elaborar uma síntese deve-se proceder como se segue. Primeiramente, é aconselhável realizar uma primeira leitura do texto, para se fazer um esboço do mesmo e tentar captar o plano geral da obra e seu desenvolvimento (proposição, explicação, discussão e demonstração). Em seguida, lê-se novamente o texto buscando responder a duas questões principais: de que trata este texto? O que pretende demonstrar? Com isso identifica-se a idéia central e o propósito que nortearam o autor. Em uma terceira leitura a preocupação é descobrir as partes principais em que se estrutura o texto, ou seja, compreender as idéias, provas, exemplos etc. que servem como explicação, discussão e demonstração da proposição original (ou idéia central). A quarta e última leitura do texto deve ser feita com a finalidade de compreender o sentido de cada parte importante, anotar as palavras-chave e verificar o tipo de relação entre as partes (consequência, oposição, complementação etc.). Uma vez compreendido o texto, selecionadas as palavras-chave e entendida a relação entre as partes essenciais, pode-se passar para a elaboração de um dos três tipos de sínteses citadas anteriormente. Exercícios do Capítulo 5 5.1) Escolher três artigos daqueles 10 selecionados no exercício 3.2 do capítulo 3 e, para cada um deles: a) Elaborar a ficha com informações para citação/referência; b) Elaborar esquema da ideia principal da pesquisa; c) Elaborar a síntese com análise crítica. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 94

98 CAPÍTULO 6 Redação de trabalhos científicos 6.1. Estrutura dos trabalhos científicos Para a elaboração de trabalhos acadêmicos, seja de doutorado, mestrado ou especialização, é necessário que se defina uma estrutura básica que oriente o pesquisador nessa tarefa. A estrutura que se sugere está em consonância com a norma NBR 14724, informação e documentação trabalhos acadêmicos apresentação (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005), que é a norma que especifica os princípios gerais para tal. Em geral, cada programa de pós-graduação tem a sua norma com estrutura própria, mas que não difere muito da estrutura sugerida pela norma. A estrutura dos trabalhos acadêmicos se divide em três elementos principais: os pré-textuais, os textuais e os pós-textuais (MÜLLER e CORNELSEN, 2003). Os elementos pré-textuais são compostos por: Capa: elemento obrigatório, contendo as seguintes informações: nome da instituição (opcional), nome do autor, título, subtítulo (se houver), número de volumes (se houver mais de um, deve constar em cada capa a especificação do respectivo volume), local (cidade) da instituição onde deve ser apresentado e ano de depósito (da entrega). Lombada: elemento opcional, onde as informações devem ser impressas, conforme a ABNT NBR Folha de rosto: elemento obrigatório. No seu anverso deve constar: nome do autor (responsável intelectual do trabalho), título principal do trabalho, subtítulo (se houver), número de volumes (se houver mais de um, deve constar em cada capa a especificação do respectivo volume), natureza (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso e outros), objetivo (aprovação em disciplina, grau pretendido e outros), nome da instituição a que é submetido, área de concentração, nome do orientador e do coorientador (este último, se houver), local (cidade) da instituição onde deve ser apresentado e ano de depósito (da entrega). No seu verso deve conter a ficha catalográfica. Errata: elemento opcional que deve ser inserido logo após a folha de rosto, constituído pela referência do trabalho e pelo texto da errata. Folha de aprovação: elemento obrigatório, colocado logo após a folha de rosto, constituído pelo nome do autor do trabalho, título do trabalho e subtítulo (se houver), natureza, objetivo, nome da instituição a que é submetido, área de concentração, data de aprovação, nome, titulação e assinatura dos componentes da banca examinadora e instituições a que pertencem. A data de aprovação e assinaturas dos membros componentes da banca examinadora são colocadas após a aprovação do trabalho. Dedicatória(s): elemento opcional, colocado após a folha de aprovação. Agradecimento(s): elemento opcional, colocado após a dedicatória. Epígrafe: elemento opcional, colocado após os agradecimentos. Podem também constar epígrafes nas folhas de abertura das seções primárias. Resumo na língua vernacular: elemento obrigatório, constituído de uma seqüência de frases concisas e objetivas e não de uma simples enumeração de tópicos, não ultrapassando 500 palavras, seguido, logo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 95

99 abaixo, das palavras representativas do conteúdo do trabalho, isto é, palavras-chave e/ou descritores, conforme a ABNT NBR O resumo deve apresentar basicamente o objetivo da pesquisa, o método de pesquisa empregado, os resultados encontrados e a conclusão. É a última parte do trabalho a ser elaborada. Resumo em língua estrangeira: elemento obrigatório, com as mesmas características do resumo em língua vernácula, digitado em folha separada (em inglês Abstract, em espanhol Resumen, em francês Résumé, por exemplo). Deve ser seguido das palavras representativas do conteúdo do trabalho, isto é, palavras-chave e/ou descritores, na língua. Lista de figuras: elemento opcional, que deve ser elaborado de acordo com a ordem apresentada no texto, com cada item designado por seu nome específico, acompanhado do respectivo número da página. Lista de tabelas: elemento opcional, elaborado de acordo com a ordem apresentada no texto, com cada item designado por seu nome específico, acompanhado do respectivo número da página. Lista de abreviaturas e siglas: elemento opcional, que consiste na relação alfabética das abreviaturas e siglas utilizadas no texto, seguidas das palavras ou expressões correspondentes grafadas por extenso. Recomenda-se a elaboração de lista própria para cada tipo. Sumário: elemento obrigatório, cujas partes são acompanhadas do(s) respectivo(s) número(s) da(s) página(s). Havendo mais de um volume, em cada um deve constar o sumário completo do trabalho, conforme a ABNT NBR Os elementos textuais são constituídos de três partes fundamentais: Introdução: parte inicial do texto, onde devem constar a delimitação do assunto tratado, objetivos da pesquisa e outros elementos necessários para situar o tema do trabalho. Apesar de estar no início do trabalho, é a última parte a ser redigida em definitivo, visto que se constitui de uma síntese de caráter didático das idéias ou matérias tratadas. Desenvolvimento: parte principal do texto, que contém a exposição ordenada e pormenorizada do assunto, incluindo a revisão de literatura. Divide-se em seções e subseções, que variam em função da abordagem do tema e do método. Conclusão: parte final do texto, na qual se apresentam conclusões correspondentes aos objetivos ou hipóteses. Contém, de forma clara e ordenada, as deduções tiradas dos resultados do trabalho ou levantadas durante a discussão do tema. Pode apontar ou sugerir temas para futuras pesquisas. Os elementos pós-textuais são: Referências: elemento obrigatório, elaborado conforme a ABNT NBR 6023 e detalhado no item 6.4 deste capítulo. As referências das obras citadas no texto devem ser relacionadas em lista específica, atendendo ao sistema de chamada adotado para a citação. Apêndice(s): elemento opcional. O apêndice é um texto ou documento elaborado pelo autor do trabalho científico, a fim de complementar sua argumentação. Podem-se ter tantos apêndices quanto forem necessários. O apêndice é identificado por letras maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos. Excepcionalmente utilizam-se letras maiúsculas dobradas, na identificação dos apêndices, quando esgotadas as 23 letras do alfabeto. Exemplo: APÊNDICE A Avaliação numérica de células inflamatórias totais aos quatro dias de evolução Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 96

100 Anexo(s): elemento opcional. Trata-se de um texto ou documento não elaborado pelo autor do trabalho científico, tendo por finalidade fundamentar, ilustrar, documentar, comprovar ou confirmar idéias expressas no texto. Podem-se ter tantos anexos quanto forem necessários O anexo é identificado por letras maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos. Excepcionalmente utilizam-se letras maiúsculas dobradas, na identificação dos anexos, quando esgotadas as 23 letras do alfabeto. Exemplo: ANEXO A Representação gráfica de contagem de células inflamatórias presentes nas caudas em regeneração 6.2. Dicas de boa redação A redação de teses, dissertações, monografias ou artigos científicos apresenta algumas características próprias, dado que a linguagem científica tem como premissas a precisão e a objetividade (MÜLLER e CORNELSEN, 2003). Sendo assim, em trabalhos científicos deve-se cuidar para que os assuntos sejam tratados de maneira direta e simples, que concilie objetividade, clareza e precisão com lógica e continuidade no desenvolvimento das idéias, de forma a impedir que a seqüência seja quebrada por considerações irrelevantes. Os textos científicos se apóiam e se sustentam em dados e provas, e não em opiniões sem confirmação. As qualidades exigidas na linguagem científica são: precisão, clareza, objetividade, imparcialidade, coerência e impessoalidade. Para tal, é recomendável empregar o verbo na terceira pessoa, evitando-se pronomes da primeira pessoa, tanto no singular quanto no plural, como por exemplo:... procurou-se analisar os resultados de acordo com as teorias a partir da mensuração realizada, concluiu-se que... Segundo Versiani (2001), a primeira regra para uma boa redação, que de fato engloba todas as outras, é a clareza do texto. Se maximizar a clareza deve ser a preocupação maior de quem escreve academicamente, cabe também notar que se trata, por assim dizer, de uma maximização condicionada: uma redação clara não pode ser obtida pela simplificação excessiva, em detrimento de uma completa exposição dos elementos em que se baseiam os argumentos apresentados, ou os resultados obtidos. É da essência de um trabalho acadêmico o cuidado em fundamentar a argumentação e as conclusões, por meio de referências freqüentes à literatura, a dados estatísticos ou outro tipo de evidência. Um texto claro deve ser bem escrito, procurando evitar alguns tropeços comuns no manejo da linguagem; deve ser bem estruturado, desenvolvendo sua argumentação de forma organizada; deve citar de forma completa e correta as referências à literatura e as fontes de dados; e deve obedecer a certas normas convencionais de apresentação. A busca da boa expressão passa necessariamente pela leitura de autores que a praticam: quem não lê muito dificilmente pode escrever bem. Isso aponta para a vantagem de cultivar o hábito da leitura, de modo geral: a freqüência de bons escritores não só traz prazeres intelectuais e amplia o horizonte cultural do leitor, como também lhe proporciona uma vantagem prática, contribuindo para o aperfeiçoamento da qualidade de sua própria redação. Além de desenvolver o costume de ler boa literatura, é útil também prestar atenção nas formas de expressão dos autores de textos técnicos de Engenharia de Produção. Uma outra vantagem, mais prática, de uma leitura atenta às formas de expressão é a possibilidade de identificar algumas características de textos bem escritos, que sejam fáceis de ler (amigáveis ao leitor). Entre essas características, podem-se citar: Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 97

101 Frases não muito longas: nos textos científicos, a regra é evitar períodos muito compridos, que quase sempre tendem a dificultar a compreensão. Quando a frase começa a parecer muito longa, é hora de colocar um ponto, ou um ponto-e-vírgula. Contudo, deve-se tomar o cuidado de não se escrever um texto composto só de frases muito curtas, pois ele pode adquirir um ar de composição infantil. Linguagem sem exageros: o tom da linguagem acadêmica é necessariamente comedido: exageros de expressão ou adjetivos desnecessários devem ser inteiramente banidos. Portanto, nada de comentar que houve uma queda na produtividade, ou que ocorreu uma drástica ou profunda reformulação no quadro de funcionários de uma empresa. Uso adequado de termos técnicos: é necessário cuidar para que o uso de linguagem técnica não seja excessivo, a ponto de deixar o texto desnecessariamente obscuro; afinal, é desejável que o texto escrito, como em um artigo em revista acadêmica, possa ser lido e compreendido por muitos, não apenas por meia dúzia de especialistas. Por outro lado, um texto científico deve primar pela sua qualidade ortográfica e gramatical. Sendo assim, o autor do texto deve se atentar para uma correta utilização das concordâncias verbais, da pontuação (ponto final, vírgula, ponto e vírgula) e da acentuação (acento agudo, circunflexo, til e crase). É conveniente, em benefício da clareza, que todo texto tenha, para o leitor, uma seqüência lógica, com princípio, meio e fim. Daí decorre a vantagem de se distinguir (inclusive separando-as formalmente do corpo do trabalho) uma introdução e uma conclusão (VERSIANI, 2001). A introdução indica o sentido geral do que vai ser dito, algo como um roteiro do que virá a seguir, o que facilita ao leitor percorrer os passos da argumentação. Para isso, é útil (e usual) que se faça referência expressa, na introdução de um trabalho, às partes em que se divide o texto subseqüente. Algo como: A próxima seção contém uma discussão geral do problema; a seção seguinte trata dos dados e da metodologia; a quarta seção apresenta os resultados; e uma seção final resume as conclusões e discute suas implicações. Em relação ao corpo do trabalho, em geral, o desenvolvimento do mesmo sugere naturalmente uma divisão em partes. Qualquer que seja a natureza de um artigo ou dissertação, por exemplo, é comum que haja uma revisão da literatura anterior sobre o tema; uma discussão do marco conceitual ou do modelo analítico em que se coloca o argumento; uma descrição dos dados utilizados; uma apresentação e discussão dos resultados ou conclusões; etc. Se no texto for necessário incluir alguma sigla, quando ela aparecer pela primeira vez deve ser descrita na sua forma completa seguida da sigla, esta coloca entre parênteses. Por exemplo: Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Não importa a extensão de um trabalho, é indispensável que este tenha um fecho formal, ou seja, uma conclusão. Evidentemente nem todo texto chega a conclusões no sentido lógico da palavra (proposições inferidas de outras proposições ou de fatos observados); mas não pode faltar um apanhado final da argumentação, um epílogo (a palavra conclusão tem também esse significado) Uso de tabelas, quadro e ilustrações Nos trabalhos acadêmicos é comum expressar alguns dados na forma de tabelas ou quadros e representar um conceito na forma de uma ilustração (figura). Marconi e Lakatos (2006) definem tabela ou quadro como um método estatístico sistemático de apresentar os dados em colunas verticais ou fileiras horizontais, que obedece à classificação dos objetos ou materiais da pesquisa. Eles facilitam ao leitor compreender e interpretar rapidamente uma massa de dados, Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 98

102 auxiliando o pesquisador na distinção de diferenças, semelhanças e relações, por meio da clareza e destaque que a distribuição lógica e a apresentação gráfica oferecem às classificações. A diferença básica entre tabela e quadro é que a primeira serve para representar dados na forma numérica (absolutos ou em percentagens), enquanto o segundo serve para representar um agrupamento de palavras. No texto, os quadros ou tabelas são identificados pela palavra escrita com inicial maiúscula (Tabela ou Quadro), seguida de um algarismo romano seqüencial correspondente. Eventualmente, pode-se numerar as tabelas e quadros conforme o capítulo onde os mesmos estão inseridos, ou seja, se a primeira tabela do capítulo 2 é apresentada, no texto ela será identificada, por exemplo, como Tabela 2.1. A legenda das tabelas e quadros é inserida acima da mesma, identificada pela palavra Tabela ou Quadro, seguido do algarismo romano correspondente, e com um título curto separados por um traço. Ao final do título não se pontua. As fontes dos dados, representados na tabela ou quadro, devem ser colocadas abaixo das mesmas, observando as regras de citação (ver item 6.4). O título e a fonte podem estar centralizados ou à esquerda. Somente a primeira palavra do título tem a inicial maiúscula, sendo que as demais palavras são grafadas em letras minúsculas (exceto se houver um nome próprio ou de instituição). A figura 6.1 apresenta um exemplo da forma de se identificar uma tabela e a figura 6.2 apresenta um exemplo de quadro. Tabela 2.1 Crescimento de empresas entre 1996 e 1999 Atividades econômicas Número de empresas Variação relativa Variação absoluta Indústria ,2% Comércio ,6% Serviços ,9% Administração pública ,4% 801 Outras ,8% Total ,7% Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2001) Figura 6.1 Exemplo de tabela Quadro 2.5 Contrastes internos entre manufatura e serviços Manufatura Serviços Produção orientada para o capital ou para o equipamento. Produção orientada para as pessoas. Habilidades técnicas predominam. Habilidades interpessoais dominam. Treinamento irá dominar. Educação irá dominar. Resultados da produção são variáveis. Resultados do serviço estão sujeitos a uma maior variação. Fonte: Macdonald (1994) Figura 6.2 Exemplo de quadro Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 99

103 As ilustrações servem para a representação visual e/ou esquemática dos dados. Em geral, utiliza-se o termo figura para designar uma grande variedade de ilustrações, tais como gráficos, esquemas, mapas, diagramas, desenhos, etc. A legenda das figuras é inserida baixo das mesmas, identificada pela palavra Figura, seguido do algarismo romano correspondente, e com um título curto separados por um traço. Ao final do título não se pontua. As fontes dos dados, representados na figura, devem ser colocadas abaixo do título, observando as regras de citação (ver item 6.4). O título e a fonte podem estar centralizados ou à esquerda. Somente a primeira palavra do título tem a inicial maiúscula, sendo que as demais palavras são grafadas em letras minúsculas (exceto se houver um nome próprio ou de instituição). A figura 6.3 apresenta um exemplo da forma de se identificar uma figura. Índice de Nível de Emprego Formal 135,0 125,0 115,0 105,0 95,0 85, Indústria Comércio Serviços Figura 2.4 Índice do nível de emprego formal Fonte: Banco Central do Brasil (2001) Figura 6.3 Exemplo de figura 6.4. Citações em trabalhos científicos Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002), a citação é a menção de uma informação extraída de outra fonte, sendo indicada no corpo do texto do trabalho de pesquisa. As citações em trabalho escrito são feitas para apoiar uma hipótese, sustentar uma idéia ou ilustrar um raciocínio por meio de menções de trechos citados na bibliografia consultada. Elas enriquecem e fundamentam o trabalho, servindo de base para a fundamentação teórica sobre o tema e refletindo a profundidade da análise desenvolvida. Quando da elaboração de um texto, na transcrição de trechos importantes, seja literal ou conceitos e idéias, deve-se sempre citar as fontes. As citações podem ser diretas ou indiretas. Nas citações diretas, transcreve-se o texto utilizando as próprias palavras do autor. Nesse caso, a transcrição literal virá entre aspas. Nas citações indiretas, reproduz-se as idéias do autor. Trata-se de uma citação livre, usando as suas palavras para dizer o mesmo que o autor disse no texto. Contudo, a idéia expressa continua sendo de autoria do autor que você consultou, por isso é necessário citar a fonte, para dar crédito ao autor da idéia. O uso das citações atende ao prescrito pela norma NBR (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002a) e possui algumas regras gerais de apresentação dadas pela mesma: Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 100

104 a) nas citações, as chamadas pelo sobrenome do autor, pela instituição responsável ou título incluído na sentença devem ser em letras maiúsculas e minúsculas e, quando estiverem entre parênteses, devem ser em letras maiúsculas. Exemplos: A ironia seria assim uma forma implícita de heterogeneidade mostrada, conforme a classificação proposta por Authier-Reiriz (1982). Apesar das aparências, a desconstrução do logocentrismo não é uma psicanálise da filosofia [...] (DERRIDA, 1967, p. 293). b) especificar no texto a(s) página(s), volume(s), tomo(s) ou seção(ões) da fonte consultada, nas citações diretas. Este(s) deve(m) seguir a data, separado(s) por vírgula e precedido(s) pelo termo, que o(s) caracteriza, de forma abreviada. Nas citações indiretas, a indicação da(s) página(s) consultada(s) é opcional. Exemplos: A produção de lítio começa em Searles Lake, Califórnia, em 1928 (MUMFORD, 1949, p. 513). Oliveira e Leonardos (1943, p. 146) dizem que a "[...] relação da série São Roque com os granitos porfiróides pequenos é muito clara." c) As citações diretas, no texto, de até três linhas, devem estar contidas entre aspas duplas. As aspas simples são utilizadas para indicar citação no interior da citação. Exemplos: Segundo Sá (1995, p. 27): [...] por meio da mesma arte de conversação que abrange tão extensa e significativa parte da nossa existência cotidiana [...] Não se mova, faça de conta que está morta. (CLARAC; BONNIN, 1985, p. 72). d) As citações diretas, no texto, com mais de três linhas, devem ser destacadas com recuo de 4 cm da margem esquerda, com letra menor que a do texto utilizado e sem as aspas. Exemplo: A teleconferência permite ao indivíduo participar de um encontro nacional ou regional sem a necessidade de deixar seu local de origem. Tipos comuns de teleconferência incluem o uso da televisão, telefone, e computador. Através de áudio-conferência, utilizando a companhia local de telefone, um sinal de áudio pode ser emitido em um salão de qualquer dimensão. (NICHOLS, 1993, p. 181). e) As supressões, interpolações, comentários, ênfase ou destaques devem ser indicadas do seguinte modo: Supressões: [...] Interpolações, acréscimos ou comentários: [ ] Ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 101

105 f) Quando se tratar de dados obtidos por informação verbal (palestras, debates, comunicações etc.), indicar, entre parênteses, a expressão informação verbal, mencionando-se os dados disponíveis, em nota de rodapé. Exemplo: No texto: O novo medicamento estará disponível até o final deste semestre (informação verbal) 1. No rodapé da página: 1 Notícia fornecida por John A. Smith no Congresso Internacional de Engenharia Genética, em Londres, em outubro de g) Para enfatizar trechos da citação, deve-se destacá-los indicando esta alteração com a expressão grifo nosso entre parênteses, após a chamada da citação, ou grifo do autor, caso o destaque já faça parte da obra consultada. Exemplos: [...] para que não tenha lugar a produção de degenerados, quer físicos quer morais, misérias, verdadeiras ameaças à sociedade. (SOUTO, 1916, p. 46, grifo nosso). [...] desejo de criar uma literatura independente, diversa, de vez que, aparecendo o classicismo como manifestação de passado colonial [...] (CANDIDO, 1993, v. 2, p. 12, grifo do autor). Pode-se fazer ainda uma citação de uma citação. É a menção de um documento ao qual você não teve acesso, mas que tomou conhecimento por citação em um outro trabalho. Usamos a expressão latina apud ( citado por ) para indicar a obra de onde foi retirada a citação. Sobrenome(es) do Autor Original (apud Sobrenome(es) Sobrenome(es) dos Autor(es) da obra que retiramos a citação, ano de publicação da qual retiramos a citação). É uma citação indireta. Exemplos: Porter (apud CARVALHO e SOUZA, 1999, p.74) considera que a vantagem competitiva surge fundamentalmente do valor que uma empresa consegue criar para seus compradores e que ultrapassa o custo de fabricação pelas empresas. No modelo serial de Gough (1972 apud NARDI, 1993), o ato de ler envolve um processamento serial que começa com uma fixação ocular sobre o texto, prosseguindo da esquerda para a direita de forma linear. Segundo Silva (1983 apud ABREU, 1999, p. 3) diz ser [...] As citações podem ser indicadas no texto por um sistema de chamadas numérico ou autor-data. Qualquer que seja o método adotado, deve ser seguido consistentemente ao longo de todo o trabalho, permitindo sua correlação na lista de referências bibliográficas ou em notas de rodapé. Eis algumas regras básicas: h) Quando o(s) nome(s) do(s) autor(es), instituição(ões) responsável(eis) estiver(em) incluído(s) na sentença, indica-se a data, entre parênteses, acrescida da(s) página(s), se a citação for direta. Exemplos: Em Teatro Aberto (1963) relata-se a emergência do teatro do absurdo. Segundo Morais (1955, p. 32) assinala "[...] a presença de concreções de bauxita no Rio Cricon." Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 102

106 i) Quando houver coincidência de sobrenomes de autores, acrescentam-se as iniciais de seus prenomes; se mesmo assim existir coincidência, colocam-se os prenomes por extenso. (BARBOSA, C., 1958) (BARBOSA, Cássio, 1965) (BARBOSA, O., 1959) (BARBOSA, Celso, 1965) j) As citações de diversos documentos de um mesmo autor, publicados num mesmo ano, são distinguidas pelo acréscimo de letras minúsculas, em ordem alfabética, após a data e sem espacejamento, conforme a lista de referências. Exemplo: De acordo com Reeside (1927a) (REESIDE, 1927b) k) As citações indiretas de diversos documentos da mesma autoria, publicados em anos diferentes e mencionados simultaneamente, têm as suas datas separadas por vírgula. Exemplos: (DREYFUSS, 1989, 1991, 1995) (CRUZ; CORREA; COSTA, 1998, 1999, 2000) l) As citações indiretas de diversos documentos de vários autores, mencionados simultaneamente, devem ser separadas por ponto-e-vírgula, em ordem alfabética. Exemplo: Diversos autores salientam a importância do acontecimento desencadeador no início de um processo de aprendizagem (CROSS, 1984; KNOX, 1986; MEZIROW, 1991). No sistema numérico, a indicação da fonte é feita por uma numeração única e consecutiva, em algarismos arábicos, remetendo à lista de referências ao final do trabalho, na mesma ordem em que aparecem no texto. Não se inicia a numeração das citações a cada página. O sistema numérico não deve ser utilizado quando existirem notas de rodapé. A indicação da numeração pode ser feita entre parênteses, alinhada ao texto, ou situada pouco acima da linha do texto em expoente à linha do mesmo, após a pontuação que fecha a citação. Por exemplo: Diz Rui Barbosa: Tudo é viver, previvendo. (15) Diz Rui Barbosa: Tudo é viver, previvendo. 15 No sistema autor-data, a indicação da fonte pode ser feita das seguintes formas: m) pelo sobrenome de cada autor ou pelo nome de cada entidade responsável até o primeiro sinal de pontuação, seguido(s) da data de publicação do documento e da(s) página(s) da citação, no caso de citação direta, separados por vírgula e entre parênteses. Exemplos: Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 103

107 No texto: A chamada pandectística havia sido a forma particular pela qual o direito romano fora integrado no século XIX na Alemanha em particular. (LOPES, 2000, p. 225). Na lista de referências: LOPES, José Reinaldo de Lima. O Direito na História. São Paulo: Max Limonad, No texto: Bobbio (1995, p. 30) com muita propriedade nos lembra, ao comentar esta situação, que os juristas medievais justificaram formalmente a validade do direito romano ponderando que este era o direito do Império Romano que tinha sido reconstituído por Carlos Magno com o nome de Sacro Império Romano. Na lista de referências: BOBBIO, Norberto. O positivismo jurídico: lições de Filosofia do Direito. São Paulo: Ícone, No texto: Merriam e Caffarella (1991) observam que a localização de recursos tem um papel crucial no processo de aprendizagem autodirigida. Na lista de referências: MERRIAM, S.; CAFFARELLA, R. Learning in adulthood: a comprehensive guide. San Francisco: Jossey-Bass, No texto: O mecanismo proposto para viabilizar esta concepção é o chamado Contrato de Gestão, que conduziria à captação de recursos privados como forma de reduzir os investimentos públicos no ensino superior (BRASIL, 1995). Na lista de referências: BRASIL. Ministério da Administração Federal e da Reforma do Estado. Plano diretor da reforma do aparelho do Estado. Brasília, DF, n) pela primeira palavra do título seguida de reticências, no caso das obras sem indicação de autoria ou responsabilidade, seguida da data de publicação do documento e da(s) página(s) da citação, no caso de citação direta, separados por vírgula e entre parênteses. Exemplo: No texto: As IES implementarão mecanismos democráticos, legítimos e transparentes de avaliação sistemática das suas atividades, levando em conta seus objetivos institucionais e seus compromissos para com a sociedade. (ANTEPROJETO..., 1987, p. 55). Na lista de referências: ANTEPROJETO de lei. Estudos e Debates, Brasília, DF, n. 13, p , jan Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 104

108 o) se o título iniciar por artigo (definido ou indefinido), ou monossílabo, este deve ser incluído na indicação da fonte. Exemplo: No texto: Em Nova Londrina (PR), as crianças são levadas às lavouras a partir dos 5 anos. (NOS CANAVIAIS...,1995, p. 12). Na lista de referências: NOS CANAVIAIS, mutilação em vez de lazer e escola. O Globo, Rio de Janeiro, 16 jul O País, p Referências bibliográficas em trabalhos científicos Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002b, p. 2), uma referência é um conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação individual. A norma NBR 6023 fixa a ordem dos elementos das referências e estabelece convenções para transcrição e apresentação de informação originada do documento e/ou outras fontes de informação. Ela se destina a orientar na preparação e compilação de referências de material utilizado para a produção de documentos e para inclusão de bibliografia, resumos, resenhas e outros. Uma das finalidades das referências é informar a origem das idéias apresentadas no decorrer do trabalho. Por causa disso, elas devem ser apresentadas completas e de forma padronizada, para facilitar a localização dos documentos. A norma NBR 6023 estabelece que a referência é constituída de elementos essenciais e, quando necessário, acrescida de elementos complementares (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002b). Para um acesso rápido, a Universidade Federal de Santa Catarina possui um site onde as regras para referência fica disponível online: Porém, o mais seguro é consultar a norma. Os elementos essenciais são informações indispensáveis à identificação do documento. Os elementos essenciais estão estritamente vinculados ao suporte documental e variam, portanto, conforme o tipo. Os elementos complementares são informações que, acrescentadas aos elementos essenciais, permitem melhor caracterizar os documentos. Os elementos essenciais e complementares são retirados do próprio documento. Quando isso não for possível, utilizam-se outras fontes de informação, indicando-se os dados assim obtidos entre colchetes. Nos trabalhos científicos, as referências podem aparecer nos rodapés e ao final dos trabalhos, na forma de uma lista de referências. As regras gerais para apresentação de referências são: a) Os elementos essenciais e complementares da referência devem ser apresentados em seqüência padronizada. b) Para compor cada referência, deve-se obedecer à seqüência dos elementos, conforme apresentados nos modelos nos quadros a seguir. c) As referências são alinhadas somente à margem esquerda do texto e de forma a se identificar individualmente cada documento, em espaço simples e separadas entre si por espaço duplo. Quando aparecerem em notas de rodapé, serão alinhadas, a partir da segunda linha da mesma referência, abaixo da primeira letra da primeira palavra, de forma a destacar o expoente e sem espaço entre elas. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 105

109 d) O recurso tipográfico (negrito, grifo ou itálico) utilizado para destacar o elemento título deve ser uniforme em todas as referências de um mesmo documento. Isto não se aplica às obras sem indicação de autoria, ou de responsabilidade, cujo elemento de entrada é o próprio título, já destacado pelo uso de letras maiúsculas na primeira palavra, com exclusão de artigos (definidos e indefinidos) e palavras monossilábicas. e) As referências constantes em uma lista padronizada devem obedecer aos mesmos princípios. Ao optar pela utilização de elementos complementares, estes devem ser incluídos em todas as referências daquela lista. Elementos essenciais: LIVRO / MONOGRAFIA / DISSERTAÇÃO / TESE (TODO) autor(es), título, edição, local, editora e data de publicação. Exemplo: GOMES, L. G. F. F. Novela e sociedade no Brasil. Niterói: EdUFF, Exemplos com elementos complementares: GOMES, L. G. F. F. Novela e sociedade no Brasil. Niterói: EdUFF, p., 21 cm. (Coleção Antropologia e Ciência Política, 15). Bibliografia: p ISBN Em meio eletrônico: Quando consultadas on line: HOLZ, E. Estratégias de equilíbrio entre a busca de benefícios privados e os custos sociais gerados pelas unidades agrícolas familiares: um método multicritério de avaliação e planejamento de microbacias hidrográficas. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Florianópolis p. KOOGAN, A.; HOUAISS, A. (Ed.). Enciclopédia e dicionário digital 98. Direção geral de André Koogan Breikmam. São Paulo: Delta: Estadão, CD-ROM. ALVES, C. Navio negreiro. [S.l.]: Virtual Books, Disponível em: <http://www.terra.com.br/virtualbooks/freebook/port/lport2/navionegreiro.htm>. Acesso em: 10 jan Elementos essenciais: Exemplo: Exemplos com elementos complementares: LIVRO / MONOGRAFIA / DISSERTAÇÃO / TESE (PARTE) autor(es), título da parte, seguidos da expressão In:, e da referência completa da monografia no todo. No final da referência, deve-se informar a paginação ou outra forma de individualizar a parte referenciada. ROMANO, G. Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, G.; SCHMIDT, J. (Org.). História dos jovens 2. São Paulo: Companhia das Letras, p ROMANO, G. Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, G.; SCHMIDT, J. (Org.). História dos jovens 2: a época contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, p Em meio eletrônico: POLÍTICA. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam Informática, Disponível em: <http://www.priberam.pt/dldlpo>. Acesso em: 8 mar Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 106

110 PATENTE Elementos essenciais: Exemplo: entidade responsável e/ou autor, título, número da patente e datas (do período de registro). EMBRAPA. Unidade de Apoio, Pesquisa e Desenvolvimento de Instrumentação Agropecuária (São Carlos, SP). Paulo Estevão Cruvinel. Medidor digital multissensor de temperatura para solos. BR n. PI , 26 jun. 1989, 30 maio ARTIGOS EM REVISTAS/PERIÓDICOS Elementos essenciais: Exemplo: autor(es), título da parte, artigo ou matéria, título da publicação, local de publicação, numeração correspondente ao volume e/ou ano, fascículo ou número, paginação inicial e final. GURGEL, C. Reforma do Estado e segurança pública. Política e Administração. Rio de Janeiro, v. 3, n. 2, p , set Em meio eletrônico: VIEIRA, C. L.; LOPES, M. A queda do cometa. Neo Interativa, Rio de Janeiro, n. 2, inverno CD-ROM. SILVA, M. M. L. Crimes da era digital..net, Rio de Janeiro, nov Seção Ponto de Vista. Disponível em: <http://www.brazilnet.com.br/contexts/brasilrevistas.htm>. Acesso em: 28 nov Parte de uma revista: DINHEIRO: revista semanal de negócios. São Paulo: Ed. Três, n.148, 28 jun p. ARTIGO E/OU MATÉRIA EM JORNAL Elementos essenciais: Exemplo: Exemplos com elementos complementares: Em meio eletrônico: autor(es) (se houver), título, título do jornal, local de publicação, data de publicação, seção, caderno ou parte do jornal e a paginação correspondente. Quando não houver seção, caderno ou parte, a paginação do artigo ou matéria precede a data. NAVES, P. Lagos andinos dão banho de beleza. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jun Folha Turismo, Caderno 8, p. 13. LEAL, L. N. MP fiscaliza com autonomia total. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 3, 25 abr PAIVA, A. Trincheira musical: músico dá lições de cidadania em forma de samba para crianças e adolescentes. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 2, 12 jan ARRANJO tributário. Diário do Nordeste Online, Fortaleza, 27 nov Disponível em: <http://www.diariodonordeste.com.br>. Acesso em: 28 nov SILVA, I. G. da. Pena de morte para o nascituro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 set Disponível em: <http://www.providafamilia.org/pena_morte_nascituro.htm>. Acesso em: 19 set Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 107

111 EVENTOS (TODO) Elementos essenciais: Exemplo: Exemplos com elementos complementares: Em meio eletrônico: nome do evento, numeração (se houver), ano e local (cidade) de realização. Em seguida, deve-se mencionar o título do documento (anais, atas, tópico temático etc.), seguido dos dados de local de publicação, editora e data da publicação. IUFOST INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON CHEMICAL CHANGES DURING FOOD PROCESSING, 1984, Valencia. Proceedings... Valencia: Instituto de Agroquímica y Tecnología de Alimentos, REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA, 20., 1997, Poços de Caldas. Química: academia, indústria, sociedade: livro de resumos. São Paulo: Sociedade Brasileira de Química, CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe, 4., 1996, Recife. Anais eletrônicos... Recife: UFPe, Disponível em: <http://www.propesq.ufpe.br/ anais/anais.htm>. Acesso em: 21 jan TRABALHOS APRESENTADOS EM EVENTOS Elementos essenciais: Exemplo: Exemplos com elementos complementares: Em meio eletrônico: autor(es), título do trabalho apresentado, seguido da expressão In:, nome do evento, numeração do evento (se houver), ano e local (cidade) de realização, título do documento (anais, atas, tópico temático etc.), local, editora, data de publicação e página inicial e final da parte referenciada. BRAYNER, A. R. A.; MEDEIROS, C. B. Incorporação do tempo em SGBD orientado a objetos. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE BANCO DE DADOS, 9., 1994, São Paulo. Anais... São Paulo: USP, p MARTIN NETO, L.; BAYER, C.; MIELNICZUK, J. Alterações qualitativas da matéria orgânica e os fatores determinantes da sua estabilidade num solo podzólico vermelhoescuro em diferentes sistemas de manejo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 26., 1997, Rio de Janeiro. Resumos... Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, p. 443, ref GUNCHO, M. R. A educação à distância e a biblioteca universitária. In: SEMINÁRIO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10., 1998, Fortaleza. Anais... Fortaleza: Tec Treina, CD-ROM. SILVA, R. N.; OLIVEIRA, R. Os limites pedagógicos do paradigma da qualidade total na educação. In: CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPe, 4., 1996, Recife. Anais eletrônicos... Recife: UFPe, Disponível em: <http://www.propesq.ufpe.br/ anais/anais/educ/ce04.htm>. Acesso em: 21 jan Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 108

112 DOCUMENTO JURÍDICO / LEGISLAÇÃO Elementos essenciais: Exemplos: Exemplos com elementos complementares: Em meio eletrônico: jurisdição (ou cabeçalho da entidade, no caso de se tratar de normas), título, numeração, data e dados da publicação. No caso de Constituições e suas emendas, entre o nome da jurisdição e o título, acrescenta-se a palavra Constituição, seguida do ano de promulgação, entre parênteses. BRASIL. Medida provisória no , de 11 de dezembro de Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 14 dez Seção 1, p BRASIL. Constituição (1988). Emenda constitucional no 9, de 9 de novembro de Lex: legislação federal e marginália, São Paulo, v. 59, p. 1966, out./dez BRASIL. Código civil. Organização dos textos, notas remissivas e índices por Juarez de Oliveira. 46. ed. São Paulo: Saraiva, BRASIL. Congresso. Senado. Resolução no 17, de Autoriza o desbloqueio de Letras Financeiras do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul, através de revogação do parágrafo 2o, do artigo 1o da Resolução no 72, de Coleção de Leis da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, v. 183, p , maio/jun BRASIL. Regulamento dos benefícios da previdência social. In: SISLEX: Sistema de Legislação, Jurisprudência e Pareceres da Previdência e Assistência Social. [S.l.]: DATAPREV, CD-ROM. BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula no 14. Não é admissível, por ato administrativo, restringir, em razão de idade, inscrição em concurso para cargo público. Disponível em: <http://www.truenetm.com.br/jurisnet/sumusstf.html>. Acesso em: 29 nov Ainda em se tratando de referências, alguns cuidados devem ser tomados na indicação das autorias dos trabalhos: a) No caso de autor pessoal: indica(m)-se o(s) autor(es), de modo geral, pelo último sobrenome, em maiúsculas, seguido do(s) prenome(s) e outros sobrenomes, abreviado(s) ou não. Recomenda-se, tanto quanto possível, o mesmo padrão para abreviação de nomes e sobrenomes, usados na mesma lista de referências. Os nomes devem ser separados por ponto-e-vírgula, seguido de espaço. Exemplos: DAMIÃO, R. T.; HENRIQUES, A. Curso de direito jurídico. São Paulo: Atlas, PASSOS, L. M. M.; FONSECA, A.; CHAVES, M. Alegria de saber: matemática, segunda série, 2, primeiro grau: livro do professor. São Paulo: Scipione, p. b) Quando existirem mais de três autores, indica-se apenas o primeiro, acrescentando-se a expressão et al. Exemplo: URANI, A. et al. Constituição de uma matriz de contabilidade social para o Brasil. Brasília, DF: IPEA, c) Quando houver indicação explícita de responsabilidade pelo conjunto da obra, em coletâneas de vários autores, a entrada deve ser feita pelo nome do responsável, seguida da abreviação, no singular, do tipo de participação (organizador, compilador, editor, coordenador etc.), entre parênteses. Exemplo: MARCONDES, E.; LIMA, I. N. de (Coord.). Dietas em pediatria clínica. 4. ed. São Paulo: Sarvier, FERREIRA, L. P. (Org.). O fonoaudiólogo e a escola. São Paulo: Summus, Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 109

113 d) Outros tipos de responsabilidade (tradutor, revisor, ilustrador entre outros) podem ser acrescentados após o título, conforme aparecem no documento. Quando existirem mais de três nomes exercendo o mesmo tipo de responsabilidade, aplica-se o recomendado na letra b. Exemplos: DANTE A. A divina comédia. Tradução, prefácio e notas: Hernâni Donato. São Paulo: Círculo do Livro, [1983]. 344 p. CHEVALIER, J.; GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos. Tradução Vera da Costa e Silva et al. 3ª. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: J. Olympio, e) As obras de responsabilidade de entidade (órgãos governamentais, empresas, associações, congressos, seminários etc.) têm entrada, de modo geral, pelo seu próprio nome, por extenso. Exemplos: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Catálogo de teses da Universidade de São Paulo, São Paulo, p. f) Quando a entidade tem uma denominação genérica, seu nome é precedido pelo nome do órgão superior, ou pelo nome da jurisdição geográfica à qual pertence. Exemplo: SÃO PAULO (Estado). Secretaria do Meio Ambiente. Diretrizes para a política ambiental do Estado de São Paulo. São Paulo, p. BRASIL. Ministério da Justiça. Relatório de atividades. Brasília, DF, p. g) Em caso de autoria desconhecida, a entrada é feita pelo título. O termo anônimo não deve ser usado em substituição ao nome do autor desconhecido. Exemplo: DIAGNÓSTICO do setor editorial brasileiro. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, p. h) O título e o subtítulo (se for usado) devem ser reproduzidos tal como figuram no documento, separados por dois-pontos. Exemplo: PASTRO, C. Arte sacra: espaço sagrado hoje. São Paulo: Loyola, p. i) Em títulos e subtítulos demasiadamente longos, podem-se suprimir as últimas palavras, desde que não seja alterado o sentido. A supressão deve ser indicada por reticências. Exemplos: LEVI, R. Edifício Columbus...: n f. Plantas diversas. Originais em papel vegetal. GONSALVES, P. E. (Org.). A criança: perguntas e respostas: médicos, psicólogos, professores, técnicos, dentistas... Prefácio do Prof. Dr. Carlos da Silva Lacaz. São Paulo: Cultrix: Ed. da USP, Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 110

114 j) Quando houver uma indicação de edição, esta deve ser transcrita, utilizando-se abreviaturas dos numerais ordinais e da palavra edição, ambas na forma adotada na língua do documento. Exemplos: SCHAUM, D. Schaum s outline of theory and problems. 5 th ed. New York: Schaum Publishing, p. PEDROSA, I. Da cor à cor inexistente. 6. ed. Rio de Janeiro: L. Cristiano, p. k) Quando a editora não puder ser identificada, deve-se indicar a expressão sine nomine, abreviada, entre colchetes [s.n.]. Exemplo: FRANCO, I. Discursos: de outubro de 1992 a agosto de Brasília, DF: [s.n.], p. l) Não sendo possível determinar o local, utiliza-se a expressão sine loco, abreviada, entre colchetes [S.l.]. Exemplo: KRIEGER, G.; NOVAES, L. A.; FARIA, T. Todos os sócios do presidente. 3. ed. [S.l.]: Scritta, p. m) Quando o local e o editor não puderem ser identificados na publicação, utilizam-se ambas as expressões, abreviadas e entre colchetes [S.l.: s.n.]. Exemplo: GONÇALVES, F. B. A história de Mirador. [S.l.: s.n.], n) Se nenhuma data de publicação, distribuição, copyright, impressão etc. puder ser determinada, registra-se uma data aproximada entre colchetes, conforme indicado: [1971 ou 1972] um ano ou outro; [1969?] data provável; [1973] data certa, não indicada no item; [entre 1906 e 1912] use intervalos menores de 20 anos; [ca. 1960] data aproximada; [197-] década certa; [197-?] década provável; [18--] século certo; [18--?] século provável. Exemplo: FLORENZANO, E. Dicionário de idéias semelhantes. Rio de Janeiro: Ediouro, [1993]. 383 p. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 111

115 o) Os meses devem ser indicados de forma abreviada, no idioma original da publicação. Se a publicação indicar, em lugar dos meses, as estações do ano ou as divisões do ano em trimestres, semestres etc., transcrevem-se os primeiros tais como figuram no documento e abreviam-se os últimos. Exemplos: ALCARDE, J. C.; RODELLA, A. A. O equivalente em carbonato de cálcio dos corretivos da acidez dos solos. Scientia Agricola, Piracicaba, v. 53, n. 2/3, p , mai/dez BENNETTON, M. J. Terapia ocupacional e reabilitação psicossocial: uma relação possível. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 4, n. 3, p , mar MANSILLA, H. C. F. La controversia entre universalismo y particularismo en la filosofía de la cultura. Revista Latinoamericana de Filosofía, Buenos Aires, v. 24, n. 2, primavera FIGUEIREDO, E. Canadá e Antilhas: línguas populares, oralidade e literatura. Gragoatá, Niterói, n. 1, p , 2. sem p) Quando o documento for constituído de apenas uma unidade física, ou seja, um volume, indica-se o número total de páginas ou folhas, seguido da abreviatura p. ou f. Quando o documento for publicado em mais de uma unidade física, ou seja, mais de um volume, indica-se a quantidade de volumes, seguida da abreviatura v. Exemplos: PIAGET, J. Para onde vai a educação. 7. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, p. TOURINHO FILHO, F. C. Processo penal. 16. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, v. q) Nas teses, dissertações ou outros trabalhos acadêmicos devem ser indicados em nota o tipo de documento (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso etc.), o grau, a vinculação acadêmica, o local e a data da defesa, mencionada na folha de aprovação (se houver). Exemplo: ARAUJO, U. A. M. Máscaras inteiriças Tukúna: possibilidades de estudo de artefatos de museu para o conhecimento do universo indígena f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, São Paulo, As referências dos documentos citados em um trabalho devem ser ordenadas de acordo com o sistema utilizado para citação no texto, conforme NBR Os sistemas mais utilizados são: alfabético (ordem alfabética de entrada) e numérico (ordem de citação no texto). Se for utilizado o sistema alfabético, as referências devem ser reunidas no final do trabalho, do artigo ou do capítulo, em uma única ordem alfabética. As chamadas no texto devem obedecer à forma adotada na referência, com relação à escolha da entrada, mas não necessariamente quanto à grafia, conforme a NBR Por exemplo: No texto: Para Gramsci (1978) uma concepção de mundo crítica e coerente pressupõe a plena consciência de nossa historicidade, da fase de desenvolvimento por ela representada [...] Nesse universo, o poder decisório está centralizado nas mãos dos detentores do poder econômico e na dos tecnocratas dos organismos internacionais (DREIFUSS, 1996). Os empresários industriais, mais até que os educadores são, precisamente, aqueles que hoje identificam tendências na relação entre as transformações pelas quais vêm passando o processo de trabalho, o nível de escolaridade e a qualificação real exigida pelo processo produtivo (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA, 1993). Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 112

116 Na lista de referências: CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (Brasil). Educação básica e formação profissional. Salvador, DREIFUSS, R. A era das perplexidades: mundialização, globalização e planetarização. Petrópolis: Vozes, GRAMSCI, A. Concepção dialética da História. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, Eventualmente, o(s) nome(s) do(s) autor(es) de várias obras referenciadas sucessivamente, na mesma página, pode(m) ser substituído(s), nas referências seguintes à primeira, por um traço sublinear (equivalente a seis espaços) e ponto. Além do nome do autor, o título de várias edições de um documento referenciado sucessivamente, na mesma página, também pode ser substituído por um traço sublinear nas referências seguintes à primeira. Exemplos: FREYRE, G. Casa grande & senzala: formação da família brasileira sob regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro: J. Olympio, v.. Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural no Brasil. São Paulo: Ed. Nacional, FREYRE, G. Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural no Brasil. São Paulo: Ed. Nacional, p ed. São Paulo: Ed. Nacional, p. Se for utilizado o sistema numérico no texto, a lista de referências deve seguir a mesma ordem numérica crescente. O sistema numérico não pode ser usado concomitantemente para notas de referência e notas explicativas. Exemplo: No texto: De acordo com as novas tendências da jurisprudência brasileira 1, é facultado ao magistrado decidir sobre a matéria. Todos os índices coletados para a região escolhida foram analisados minuciosamente 2. Na lista de referências: 1 CRETELLA JÚNIOR, J. Do impeachment no direito brasileiro. [São Paulo]: R. dos Tribunais, p BOLETIM ESTATÍSTICO [da] Rede Ferroviária Federal. Rio de Janeiro, p Avaliação de trabalhos científicos Na avaliação de um trabalho científico, diversos critérios podem ser verificados, tais como o relacionamento do título com o conteúdo do trabalho, a importância e definição do tema da pesquisa, a organização da revisão da literatura, a adequação da metodologia de pesquisa utilizada, a clareza e relevância das conclusões, entre outros. No Anexo A encontra-se uma sugestão de critérios para avaliação de trabalhos científicos. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 113

117 Exercícios do Capítulo 6 6.1) Escreva um projeto de pesquisa, de 15 a 20 páginas, tal como apresentado no capítulo 2. Esta atividade deve ser entregue ao final da disciplina. 6.2) Leia o artigo: Chiswick, M. Writing a research paper. Current Paediatrics, v. 14, p , E responda às seguintes perguntas: Quais são as características importantes de um artigo científico? Qual o significado de originalidade para um artigo científico? Quais as principais seções/tópicos de um artigo científico? O que se espera encontrar na seção de introdução de um artigo científico? O que se espera encontrar na seção de método de um artigo científico? O que se espera encontrar na seção de resultados de um artigo científico? O que se espera encontrar na seção de discussão de um artigo científico? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 114

118 CAPÍTULO 7 Estratégia de pesquisa I: Experimento ou pesquisa experimental 7.1. O que é a pesquisa experimental e quando ela pode ser utilizada Segundo Bryman (1989), a pesquisa experimental adquiriu uma considerável importância na pesquisa organizacional devido, principalmente, a dois fatos. O primeiro deles diz respeito a força desse método de investigação em permitir que o pesquisador faça fortes declarações de causalidade. Quanto a este aspecto, Kidder (2004) acrescenta que os experimentos genuínos são instrumentos altamente especializados e, como qualquer instrumento, são excelentes para alguns trabalhos e pouco adequados para outros. Eles se adaptam perfeitamente à análise causal. Nenhum outro método de pesquisa científica permite ao pesquisador dizer com a confiança de um experimentador: isto causou aquilo. Ao ler trabalhos científicos baseados em outros métodos (principalmente os qualitativos), é normal encontrar muitas afirmações causais cautelosas, cheias de ressalvas e indiretas, tais como: X parece ser um fator que determina Y, ou a pesquisa sugere que X seja um fator que determina Y. As conclusões soam indiretas e as palavras, cuidadosamente escolhidas, porque os autores não podem fazer afirmações causais definitivas. Contudo, Bryman (1989) considera que a capacidade de estabelecer causalidade é importante para muitos pesquisadores organizacionais, não simplesmente em virtude de sua associação com a abordagem científica, mas devido a tal procedimento ser visto como um caminho para o conhecimento prático e relevante. O segundo fato da importância da pesquisa experimental, conforme Bryman (1989), diz respeito a facilidade que o pesquisador que emprega os projetos (ou delineamentos) experimentais encontra para estabelecer relações de causa e efeito, fazendo com que o experimento seja considerado um modelo de delineamento de pesquisa. Portanto, é importante reafirmar que a principal característica da pesquisa experimental é que o pesquisador tem o controle total sobre os valores que as variáveis independentes irão assumir, ou seja, é o pesquisador quem estabelece e controla os valores que serão experimentados. Trata-se de um método de pesquisa quantitativo, onde o objetivo do pesquisador ao fazer uso do mesmo é demonstrar, usando técnicas de análise estatísticas, as relações causais entre a variável independente (também chamada de variável de controle, fator ou causa) e a variável dependente (também chamada de variável resultante, resposta ou efeito). Kidder (2004) considera que a principal força dos experimentos genuínos seja sua validade interna. Quanto mais controle o experimentador tiver, maior a validade interna do experimento. Para Bryman (1989), a idéia de controle é essencial ao experimento. Ela implica na eliminação de explicações alternativas da conexão aparente entre uma suposta causa e um particular efeito. Entretanto, a mesma característica que propicia validade interna pode prejudicar a validade externa. Quanto mais controle um experimentador tiver sobre os sujeitos e as muitas variáveis que poderiam influenciar os resultados, menos natural será o estudo. Quanto mais as condições deferirem de situações da vida real, mais difícil será generalizar os resultados para processos sociais que ocorrem naturalmente e, consequentemente, menor será a validade externa da pesquisa. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 115

119 Muitas das pesquisas organizacionais baseadas em experimentos podem ser desenvolvidas em laboratórios ou em campo. Quando a pesquisa é realizada em organizações reais (experimentos de campo) algumas dificuldades podem surgir. Uma primeira relaciona-se com o fato de que as pessoas participantes do experimento, sabendo que são sujeitas do estudo, podem apresentar um comportamento diferente do habitual. Outro fato que pode ocorrer é em relação às dificuldades de preparação dos arranjos experimentais que o pesquisador pode encontrar, diferentemente do que poderia ocorrer em um laboratório. Aqueles para quem a pesquisa é conduzida podem suspeitar dos verdadeiros objetivos do estudo; além disso, os sujeitos envolvidos com a pesquisa podem estar interessados em certos resultados específicos. A primeira dessas dificuldades, a de que a experimentação de campo raramente possibilita uma carta branca ao pesquisador, significa que muitos desses experimentos não podem ser considerados como experimentos verdadeiros, nos termos dos princípios que serão tratados nos próximos tópicos. Diante disso, Bryman (1989) faz uma distinção entre os experimentos genuínos e os quase-experimentos, sendo que este último se refere aos experimentos no qual o pesquisador é incapaz de cumprir com todos os requisitos para um estudo experimental genuíno Manipulação e controle de variáveis Toda pesquisa requer a manipulação ou observação de variáveis. Variáveis são qualidades que o pesquisador deseja estudar e tirar conclusões a respeito. Como o nome sugere, as variáveis devem variar e ter, pelo menos, dois valores. Os experimentadores estudam variáveis que eles próprios ou outra pessoa possam manipular (tal como horário, conteúdo ou quantidade de alguma coisa). Além disso, Kidder (2004) afirma que os experimentadores podem controlar a influência de variáveis estranhas aos propósitos do estudo. Por exemplo, se um pesquisador deseja estudar a influência da propaganda de televisão no comportamento de votar e não estivesse interessado nos efeitos da escolaridade, sexo, religião, atitudes antiaborto e preferências partidárias dos pais, ele poderia controlar os efeitos dessas variáveis de uma dentre duas maneiras: a) Mantendo as outras variáveis constantes: no exemplo citado, o pesquisador poderia transformar as variáveis religião, sexo, escolaridade e preferências partidárias em constantes, escolhendo apenas homens católicos, com escolaridade secundária e atitudes antiaborto como participantes do experimento. Esta técnica de controlar outras variáveis maximiza a validade interna à custa da validade externa; b) Distribuindo aleatoriamente os sujeitos pelas condições experimentais: sujeito é o nome dado às unidades nos estudos experimentais, podendo ser pessoas, plantas ou coletividades como colégios eleitorais. No exemplo citado, se o pesquisador incluir no estudo pessoas que diferem em escolaridade, religião, preferências dos pais e atitudes em relação ao aborto, ele poderá eliminar a influência destas variáveis distribuindo as pessoas aleatoriamente pela suas condições experimentais. A distribuição aleatória controla os efeitos de todas as variáveis estranhas dos sujeitos que o pesquisador não quer estudar, mas que também não quer manter constantes porque isto limitaria a generalidade do estudo. Esta é a característica definidora de um experimento genuíno Ameaças a validade interna dos experimentos Todo experimento deveria ser delineado para ter validade interna, um termo que denota que o mesmo está apto para concluir que a variável independente realmente afeta a variável dependente (BRYMAN, 1989). Em uma pesquisa, o pesquisador realiza inferências causais para tentar maximizar a validade interna. Formular inferências causais é o que fazem os médicos quando tentam diagnosticar a causa do desconforto Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 116

120 de um paciente ou o que fazem os detetives quando identificam a causa de um óbito. O pesquisador, médico e o detetive devem todos descartar uma lista de hipóteses rivais entre si, para chegar à causa mais provável. As hipóteses rivais são ameaças à validade interna da pesquisa. Essas ameaças podem se dar por uma das seguintes formas (KIDDER, 2004): a) Maturação: os sujeitos da pesquisa podem ter amadurecido ou se cansaram diferentemente nas diferentes condições ambientais; b) História: quando o clima de alterações a que o ambiente pode ser submetido é diferente para os sujeitos da pesquisa; c) Seleção: quando os sujeitos não são distribuídos aleatoriamente entre os grupos pesquisados; d) Instrumentação: diferenças que podem acontecer com os grupos pesquisados quando ou como os mesmos foram testados; e) Regressão em relação à média: quando os sujeitos são selecionados apresentando, de início, tendências extremas em qualquer das medidas analisadas. f) Difusão: tendência de um efeito experimental afetar não somente o grupo experimental, mas também o grupo de controle. Em geral, um pesquisador não precisa se preocupar em percorrer a lista inteira de hipóteses rivais plausíveis para avaliar a validade interna de um experimento. A distribuição aleatória e o controle cuidadoso das condições experimentais salvaguardam-no contra a maioria dessas ameaças à validade interna Tipos de experimentos Em um experimento estuda-se a relação entre dois tipos de variáveis, as independentes e as dependentes. As variáveis independentes são as causas e as variáveis dependentes os efeitos. Em uma manipulação experimental deve-se ter pelo menos um grupo experimental e um grupo para comparação (ou grupo de controle), criando desta forma uma variável independente porque há dois valores, tratamento e não-tratamento. Existe na literatura alguns delineamentos experimentais clássicos que serão apresentados a seguir. Para isso, usar-se-á a seguinte notação para descrever os diferentes delineamentos de pesquisa: X: um tratamento, uma variável independente, uma causa; O: uma observação, uma variável dependente, um efeito; R: um sinal de que os sujeitos foram distribuídos aleatoriamente pelas condições experimentais. Contudo, para exemplificar esses delineamentos experimentais clássicos, vamos apresentar um experimento de campo realizado em 1976 pelo pesquisador Richard Schulz (KIDDER, 2004). Seu experimento de campo consistia em estudar os efeitos do controle e possibilidade de preição sobre o bem-estar físico e psicológico de pessoas num asilo. Schulz iniciou seu experimento tendo como premissa que: desde as pessoas muito jovens, até as muito velhas, e moribundas, as pessoas se esforçam para controlar seu ambiente. Ele perguntou a residentes de um asilo se participariam de um estudo sobre as atividades diárias de indivíduos idosos. Quarenta pessoas concordaram e ele, aleatoriamente, designou-as para uma das quatro condições experimentais. Tentou incluir em seu estudo pessoas que não estivessem Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 117

121 em contato diário umas com as outras, para evitar que trocassem impressões e com isso levantassem suspeitas ou contaminassem os resultados do estudo. Estudantes visitaram três dos quatro grupos. Mostraram-se interessados em conhecer algumas pessoas idosas porque estavam fazendo um curso sobre velhice e achavam interessante obter alguma experiência direta sobre o assunto. A manipulação experimental era o grau de controle que os residentes tinham sobre a escolha do momento e duração das visitas. Foram estabelecidas três variações e um quarto grupo de comparação. O primeiro grupo tinha controle sobre as visitas. Os residentes controlavam tanto a freqüência como a duração das visitas dos estudantes. Eles chamavam as visitas quando desejavam que viessem e determinavam quanto tempo deveriam ficar. O segundo grupo podia prever a visita. Estes residentes sabiam quando seus visitantes apareciam, mas não podiam controlar nem a ocorrência e nem a duração das visitas. Para tornar estas visitas comparáveis às do primeiro grupo, cada visitante deste grupo foi pareado com um visitante daquele e manteve um esquema de visitas semelhantes. Assim, se um residente que podia controlar a presença do visitante requisitasse visitas diárias com duas horas de duração cada uma, Schulz selecionava um visitante do grupo 2 para que tivesse encontros similares, todos os dias por duas horas. Isto assegurava quantidades de visitas equivalentes nos dois grupos e, então, a única diferença passava a ser os residentes a ocorrência das visitas ou poderem apenas predizer quando elas ocorreriam. No terceiro grupo os residentes não podiam controlar nem prever a ocorrência das visitas. Eles recebiam visitas tão frequentemente e pelo mesmo tempo que os outros residentes, pois cada visitante deste grupo também foi pareado com um visitante do primeiro grupo, mantendo o mesmo esquema daquele, mas sem informar ao residente o horário ou a duração de cada visita. As visitas eram imprevisíveis do ponto de vista dos residentes e o visitante chegava sem avisar. O quarto grupo era o grupo de comparação, que não recebia nenhuma visita. Os residentes deste grupo não receberam as visitas dos estudantes, mas foram entrevistados no início e no final do estudo a fim de medir sua saúde, bem-estar psicológico e nível de atividade Delineamento 1: delineamento de dois grupos casualizados Os sujeitos são distribuídos aleatoriamente para o grupo experimental (X) ou para o grupo nãoexperimental (não-x). Há uma pequena chance de que a casualização falhe e que eles difiram em relação à variável dependente (O1 e O2) mesmo que nenhum tratamento intervenha. Esta é uma possibilidade pequena e remota, levada em consideração o cálculo de probabilidade ou nível p. Este delineamento contém, a grosso modo, o essencial a um experimento: distribuição aleatória, grupos com tratamento e sem tratamento, e observações após o tratamento. É necessário ter pelo menos dois grupos para saber se o tratamento teve algum efeito. Podem-se descartar várias hipóteses rivais ou ameaças à validade interna usando este delineamento. As diferenças pós-tratamento não são um produto de vieses na seleção dos sujeitos, pois eles foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos. As diferenças pós-tratamento não são um produto da maturação, Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 118

122 pois os dois grupos devem ter amadurecido na mesma proporção. Pode-se eliminar a história, pois o grupo de tratamento não foi exposto a nenhum outro evento que o grupo sem tratamento não experienciou. Se os dois grupos foram testados ou observados sob circunstâncias similares, pode-se eliminar diferenças na instrumentação com uma explicação. Uma vez que tenham sido eliminadas essas hipóteses rivais, pode-se ter confiança de que o tratamento experimental tenha ocasionado as diferenças subseqüentes entre os dois grupos (O1 e O2). O delineamento 1 é o mais simples dentre os delineamentos experimentais propriamente ditos (genuínos) Delineamento 2: delineamento antes e depois com dois grupos Este delineamento tem um conjunto adicional de testes ou observações da variável dependente antes do tratamento experimental, denominados pré-testes. Os pré-testes apresentam várias vantagens. Permitem verificar a casualização e permitem ao experimentador perceber se os grupos eram equivalentes antes do tratamento. Se os grupos não forem equivalentes no pré-teste, o experimentador pode fazer ajustamentos nas medidas do pós-teste para possibilitar um teste mais justo do tratamento. Os pré-testes fornecem também um teste mais sensível dos efeitos do tratamento permitindo que cada sujeito sirva como seu próprio controle. Em vez de comparar apenas O2 e O4, o experimentador pode comparar os escores de cada sujeito no pré e no pós-teste (O1 com O2 e O3 com O4). Quando todos os escores dos sujeitos no pré-teste diferem entre si e seus escores no pós-teste refletem algumas destas diferenças individuais preexistentes, o experimentador ganha precisão ao fazer estas comparações intraindividuais. Entretanto, o pré-teste tem também algumas desvantagens. Ele pode sensibilizar os sujeitos para os objetivos do experimento e enviesar seu escore no pós-teste. Se isso ocorre da mesma forma para os grupos experimental e controle, seus escores no pós-teste deverão ser igualmente elevados ou diminuídos e a prétestagem sozinha não seria uma explicação rival para uma diferença entre O2 e O4. Contudo, se o pré-teste afetar o grupo experimental de forma diferente do grupo de controle, isto apareceria como uma diferença nos escores de pós-teste e seria indistinguível de uma diferença produzida apenas pelo tratamento. O delineamento 2 não fornece nenhuma solução para este problema. No exemplo do experimento de Schulz, ele usou uma variação deste delineamento antes-depois em seu estudo. Em vez de dois grupos, ele tinha quatro, e todos tiveram pré e pós-testes. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 119

123 Os pré-testes (letras O com índices ímpares) e pós-testes (letra O com índices pares) incluíam várias medidas de variável dependente: condições de saúde, bem-estar psicológico e atividades. Os tratamentos, por outro lado, eram todos variações de uma variável independente. Qualquer variável independente única pode ter vários valores ou níveis. Portanto, os quatro X no diagrama anterior não representam quatro variáveis independentes, mas quatro valores de uma variável independente, denominada grau de controle sobre as visitas. Schulz não encontrou diferenças entre os quatro grupos após o tratamento. Ao invés disso, descobriu que os dois primeiros eram semelhantes, e ambos tinham melhor saúde que os dois últimos, que também eram semelhantes entre si. Ele concluiu que o importante ingrediente benéfico no grau de controle era a possibilidade de predição, pois era o que os dois primeiros grupos tinham em comum Delineamento 3: delineamento de quatro grupos de Solomon Este delineamento combina os dois primeiros. Com este delineamento o experimentador pode testar definitivamente se as diferenças de pós-teste foram causadas pelo tratamento, pelo pré-teste ou pela combinação tratamento mais pré-teste. O delineamento 3 é um delineamento dispendioso porque requer quatro grupos de sujeitos para testar os efeitos de apenas dois níveis de um tratamento. São necessários os quatro grupos porque temos os grupos de pré-teste e sem pré-teste em conjunto com os grupos experimentais e de controle. Este delineamento oferece as vantagens isoladas do delineamento 1 (não interferência de efeitos do pré-teste) e do delineamento 2 (maior precisão advinda dos escores do pré-teste que servem como linha de base com a qual se comparará os efeitos do tratamento). Além disso, este delineamento permite ao experimentador observar se a combinação pré-teste mais tratamento produzem um efeito diferente do que esperaríamos se simplesmente somássemos os efeitos isolados do pré-teste e do tratamento. Tais combinações, se forem diferentes da soma dos dois efeitos individualmente, são denominadas efeitos de interação. Em muitos problemas da ciência social, as interações são importantes. O delineamento fatorial é o ideal para analisar as interações Delineamento 4: delineamento fatorial Este delineamento é utilizado quando o experimentador não está interessado em apenas uma variável experimental, mas em duas. Isso pode acontecer por várias razões, uma das quais pode ser a convicção de que uma variável adicional é capaz de moderar o relacionamento entre a variável independente e a variável dependente. O delineamento fatorial é frequentemente usado em pesquisa organizacional devido ao aumento do interesse nas relações que são moderadas por outras variáveis. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 120

124 No diagrama acima, X é uma variável independente e Y é outra. Num delineamento fatorial duas ou mais variáveis independentes são apresentadas sempre em combinação. O delineamento completo inclui todas as combinações possíveis das variáveis independentes (também conhecidas por fatores, daí o nome de delineamento fatorial). Uma razão para o emprego de delineamentos fatoriais é a busca de efeitos de interação. Outra razão é para ser capaz de generalizar os efeitos de uma variável para vários níveis de outra. Uma terceira razão para incluir mais de uma variável independente num experimento é estudar os efeitos isolados daquela variável. Os delineamentos fatoriais com duas ou mais variáveis independentes, portanto, apresentam diversas vantagens sobre os delineamentos com um único fator. Permitem ao investigador descobrir interações bem como efeitos principais. E se não houver interações permitem ao pesquisador generalizar o efeito isolado de um fator para dois ou mais valores de outro fator Ameaças a validade externa dos experimentos Segundo Bryman (1989), a validade externa se preocupa com a extensão na qual os frutos de uma parte da pesquisa podem ser generalizados além do limite específico do cenário no qual o estudo foi realizado. Porém, existem diversas fontes potenciais de ameaças à validade externa. Algumas delas são: a) Quando um experimento envolve sujeitos em um pré-teste, é possível que o pré-teste possa sensibilizar os sujeitos e fazê-los mais receptivos ao tratamento experimental do que normalmente poderiam ser. O simples fato. Isso poderia limitar a gererabilidade das descobertas, uma vez que não seria possível dizer com certeza se isso poderia ser aplicado a uma população que não havia sido pré-testada. Para lidar com este tipo de ameaça, uma boa opção é utilizar o delineamento 3 (delineamento de quatro grupos de Solomon). b) Tendências na seleção dos sujeitos pode significar que as respostas dos sujeitos ao tratamento experimental não são representativas. Alguns pesquisadores ao conduzirem experimentos geralmente não empregam os procedimentos de distribuição aleatória. Muitas vezes eles preferem voluntários, que tem um efeito adverso na validade externa. c) O planejamento experimental pode fixar um certo número de efeitos reativos que limitam a capacidade do pesquisador a generalizar além do cenário experimental, porque tais efeitos provavelmente são únicos ao contexto do experimento. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 121

125 7.6. Etapas para se planejar um experimento Ao se planejar um experimento genuíno, sugere-se o seguinte procedimento: a) Planejamento do experimento: nesta etapa o pesquisador escolhe as variáveis a serem exploradas; b) Operacionalização das variáveis: o pesquisador deve definir cada uma das variáveis e também a forma como as mesmas serão mensuradas; c) Estabelecimento das relações causais (hipóteses): o pesquisador estabelece as variáveis independentes e as variáveis dependentes do experimento a ser realizado; d) Definição das técnicas de análise dos dados do experimento: nesta etapa a técnica estatística é definida; isto é essencial para a condução do experimento; e) Especificação da unidade de análise ou montagem do banco de ensaio: onde o pesquisador começa a preparação da coleta de dados; f) Especificação do tempo para a condução do experimento: o momento do tempo da realização do experimento é fundamental para pesquisas a serem realizadas no futuro; g) Projeto do experimento: estabelecimento dos níveis (valores) para cada variável de controle, estabelecimento da seqüência de cada evento da experimentação (são necessários cuidados em relação a aleatorização dos eventos de forma a reduzir possíveis erros nas variáveis de controle) e definição do número de eventos do experimento (verificar se serão necessárias replicações); h) Realização do experimento e coleta dos dados: nesta etapa deve seguir o que foi projetado na etapa de projeto do experimento (letra g); i) Análise estatística: a técnica de análise estatística escolhida na fase de análise de dados deve ser aplicada aos dados colhidos; j) Análise dos resultados: o pesquisador analisa os resultados obtidos na fase de analise estatística e compara com a teoria existente sobre o tema que foi experimentado; k) Conclusão: o pesquisador apresenta os resultados em relação a hipótese estabelecida na etapa de estabelecimento de hipóteses (letra c); l) Redação e publicação dos resultados. Exercícios do Capítulo 7 7.1) Faça uma busca na base de dados e selecione um artigo científico que usou o método de pesquisa de experimentação. 7.2) Identifique no artigo selecionado as variáveis de estudo. 7.3) Identifique o tipo de delineamento de pesquisa empregado. 7.4) Como o autor minimizou as ameaças à validade interna e externa? Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 122

126 CAPÍTULO 8 Estratégia de pesquisa II: Modelagem e simulação 8.1. Origem da modelagem e simulação A evolução da simulação está intrinsecamente relacionada à evolução tanto de hardware quanto das inovações de software. Nas décadas de 60 e 70 a simulação era excessivamente cara e utilizava ferramentas que, geralmente, só eram disponíveis em grandes corporações. A mão de obra precisava ser especializada, pois a construção e execução de modelos dependiam de conhecimentos muito acima da média observada em usuários comuns. O grupo que trabalhava em simulação geralmente era composto por doutores, trabalhando em universidades, centros de pesquisa e no meio militar, que desenvolviam sistemas grandes e complexos utilizando as linguagens disponíveis na época, tais como o Fortran. As execuções eram sofríveis, pois, naquela época, os computadores eram menos poderosos que os atuais computadores embarcados em automóveis. No final da década de 70 e início da década de 80, os computadores foram se tornando mais rápidos e mais baratos. Nesta época, por exemplo, as linhas de montagens de carros passaram a utilizar a simulação para resolver problemas tais como de segurança e otimização da linha. Nesta mesma época, a simulação começou a ser utilizada em negócios e por estudantes e pesquisadores que descobriram seu potencial. A simulação foi difundida nos setores de engenharia e negócios, graças ao surgimento de linguagens próprias de simulação. O aprendizado e debugging, porém, ainda eram longos. No final da década de 80 o valor da simulação foi reconhecido por muitas organizações. Tanto, que várias delas fizeram da simulação um requisito para que investimentos grandes pudessem ser aprovados. No entanto, organizações pequenas raramente utilizavam essa técnica. Os computadores pessoais (Pc s) permitiram o surgimento de várias ferramentas de simulação manipuláveis por qualquer profissional. Nos anos 90 a simulação atingiu um grau de maturidade suficiente para que seja adotada por organizações de variadas áreas e diferentes portes. É utilizada em estágios iniciais de projetos, em animações, pesquisa, entre outros. Este avanço foi principalmente possível pelo surgimento de ferramentas voltadas para a simulação e fáceis de usar, e pela disponibilidade de computadores mais rápidos e baratos. Com os atuais softwares de simulação de 4a. geração, o tempo e esforço dispendido num projeto de simulação se concentra mais na atividade de análise dos resultados e menos na programação e debugging. À primeira vista isto pode parecer frustrante a um professor da área que estava habituado a lecionar programação e debugging. A ênfase agora deve ser dada à sistemática de análise, o que inclusive viabiliza muito a utilização prática de simulação nas indústrias. O quadro 8.1 apresenta as gerações dos softwares de simulação O que é a modelagem e simulação e quando ela pode ser utilizada Segundo Chung (2004), a modelagem e simulação é o processo de criar e experimentar um sistema físico através de um modelo matemático computadorizado. Um sistema pode ser definido como um conjunto de componentes ou processos que se interagem e que recebem entradas e oferecem resultados para algum propósito. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 123

127 Quadro 8.1 Gerações de software de simulação Geração Tipo Conceito Exemplos G-0 G-1 G-2 G-3 G-4 Linguagens de programação de propósito geral Linguagens de simulação Simuladores ou pacotes de simulação Simuladores integrados com linguagens Simuladores e linguagens integrados no ambiente Windows Aplicáveis em qualquer contexto, porém exige conhecimento profundo na linguagem, muito tempo de desenvolvimento e não são reutilizáveis. Comandos projetados para tratar lógica de filas e demais fenômenos comuns. Mais amigáveis que G-0, ainda requerem programador especializado. Projetados para permitir modelagem rápida, dispõe de elementos específicos para representar filas, transportadores, etc. Restringem, porém, o uso para sistemas de certos tipos e não complexos. Num só pacote, integram a flexibilidade das linguagens de simulação (G-1), com a facilidade de uso dos pacotes de simulação (G-2). Fortran, Pascal e C. Simscript, GPSS, Siman e Slam. Simfactory e Xcell. Witness e ProModelPC. Aprimoramento da G-3, que permite modelagem rápida, inclusive ProModel for para sistemas complexos sem restrição de áreas de aplicação (ou Windows. templates). O propósito de se conduzir uma pesquisa através da modelagem e simulação de sistemas é: Conhecer mais a fundo a forma de operação do sistema; Desenvolver políticas operacionais e recursos para aperfeiçoar o desempenho do sistema; Testar novos conceitos e/ou sistemas antes de implementá-los; Obter informações sem incomodar o sistema atual. Para Pereira (2000), a simulação computacional é a representação de um sistema real através de um modelo utilizando um computador, trazendo a vantagem de se poder visualizar esse sistema, implementar mudanças e responder a testes do tipo o que aconteceria se (what-if), minimizando custos e tempo. Desse modo, o objetivo da simulação é estudar o comportamento de um sistema, sem que seja necessário modificálo ou mesmo construí-lo fisicamente. Segundo Seila (1995), um sistema é um conjunto de componentes ou entidades interativos. Esses sistemas podem ser discretos ou contínuos, ou uma combinação de ambos. Os sistemas discretos são aqueles em que as variáveis envolvidas assumem valores finitos ou infinitos numeráveis (por exemplo, peças que chegam a uma máquina) e os sistemas contínuos são aqueles em que as variáveis mudam continuamente no tempo (por exemplo, quilômetros rodados pelos caminhões na simulação de um sistema logístico). Neste caso, as linguagens de simulação devem estar em condições de resolver sistemas de equações diferenciais. Nas simulações de eventos discretos os programas são dotados de um relógio, que é inicializado com o evento ao qual está vinculado e avança até que o próximo evento esteja programado (PEREIRA, 2000). Um modelo é a representação abstrata e simplificada do sistema (SEILA, 1995). Os modelos de simulação também podem ser determinísticos ou estocásticos. Os modelos são determinísticos quando as Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 124

128 variáveis que dão entrada que representam o sistema assumem valores exatos, assim, os resultados desse tipo de simulação serão sempre os mesmos independentemente do número de replicações que se fizer para o modelo. O modelo estocástico permite que se dê entrada com uma coleção de variáveis que podem assumir diversos valores dentro de uma distribuição de probabilidades, distribuição esta que pode ser definida pelo modelador. Os resultados gerados pelos modelos estocásticos são diferentes a cada replicação, em razão da natureza aleatória das variáveis que dão entrada no modelo (PEREIRA, 2000). A simulação terminante é aquela em que se está interessado em estudar o comportamento do sistema num dado intervalo de tempo de simulação. Quando se está interessado em estudar o sistema a partir do momento em que o mesmo atingir um estado estável (steady-state), a simulação é dita não terminante (PEREIRA, 2000). Quando os modelos de simulação representam o sistema sem levar em conta sua variabilidade com o tempo, ou seja, é uma representação do sistema congelado num determinado momento, é dito estático. O modelo é dinâmico, quando representa o sistema a qualquer tempo, a exemplo dos modelos que representam uma linha de produção durante um turno de oito horas (PEREIRA, 2000). O quadro 8.2 apresenta um resumo desses conceitos apresentados anteriormente para facilidade de visualização. Quadro 8.2: Resumo dos principais conceitos de simulação computacional SISTEMA MODELO SIMULAÇÃO DISCRETO: variáveis envolvidas assumem valores finitos ou infinitos numeráveis. DETERMINÍSTICO: variáveis assumem valores determinados. ESTÁTICO: estuda o sistema sem levar em conta sua variabilidade com o tempo. TERMINANTE: há interesse em se estudar o sistema num dado intervalo de tempo. CONTÍNUO: variáveis mudam constantemente com o tempo. ESTOCÁSTICO: variáveis assumem valores diversos segundo uma determinada distribuição de probabilidades. Fonte: Pereira (2000) DINÂMICO: representa o sistema a qualquer tempo. NÃO TERMINANTE: há interesse em estudar o sistema a partir de um determinado estado estável, podendo o estudo prolongarse indefinidamente. Muitas operações dos sistemas estão sujeitas a variabilidade, muitas delas estão interconectadas e ainda são complexas. Robinson (2004) afirma que a variabilidade pode ser previsível (paradas programadas em uma instalação fabril) ou imprevisíveis (taxa de chegada dos pacientes na emergência de um hospital); os componentes de um processo estão interconectados, uma vez que trabalham de forma isolada, mas afetando uns aos outros; e, finalmente, a complexidade de um sistema pode ser combinatorial (relacionada ao número de componentes do sistema ou ao número de combinações possíveis entre os componentes de um sistema) ou dinâmica (a partir da interação entre os componentes do sistema ao longo do tempo). A maioria das operações dos sistemas é interconectada e sujeita a variabilidade e complexidade (combinatorial e dinâmica). Devido a dificuldade de se predizer o desempenho dos sistemas sujeitos a variabilidade, interconectividade ou complexidade, é muito difícil, senão impossível, predizer o desempenho dos sistemas operacionais que estão potencialmente sujeitos aos três tópicos. Os modelos de simulação, entretanto, são aptos para representar explicitamente a variabilidade, a interconectividade e a complexidade de um dado sistema. Como resultado, é possível com a simulação predizer o desempenho de um sistema, comparar projetos de sistemas alternativos e determinar o efeito das políticas alternativas no desempenho do sistema. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 125

129 Harrel, Ghosh e Bowden (1996) consideram que a simulação é bastante adequada quando: é difícil, ou mesmo impossível, o desenvolvimento de um modelo matemático; o sistema possuir variáveis aleatórias; houver complexidade na dinâmica do processo; deseja-se observar o comportamento do sistema por um determinado período; o uso da animação for importante para visualizar o processo. Chung (2004) destaca as seguintes vantagens para o uso da simulação: a experimentação pode ocorrer em um curto período de tempo, em virtude do apoio computacional; menor necessidade de análise, uma vez que os pacotes de softwares disponíveis no mercado facilitam a análise dos dados; facilidade da demonstração dos modelos, em virtude da alta capacidade gráfica dos pacotes de softwares disponíveis no mercado para a simulação. Robinson (2004) considera que a simulação tem as seguintes desvantagens: custo elevado, uma vez que os softwares tem um alto custo de aquisição. Além disso, se for necessária a contratação de consultores para a construção do modelo, o custo pode ser ainda mais alto; consome muito tempo e os benefícios podem não ser imediatos; a maioria dos modelos para simulação requerem uma quantidade significativa de dados; requer habilidade dos analistas/pesquisadores, pois os softwares não analisam os dados por si só. Entre as habilidades necessárias pode-se citar a modelagem conceitual, validação e estatística; confiança exagerada no modelo deve ser evitada. Consideração deve ser dada para a validade do modelo e para as simplificações realizadas no mesmo. Para não dizer que simulação pode se aplicar a praticamente todo tipo de sistema, a seguir apresenta-se um enquadramento das aplicações em contextos mais específicos: Tempo: redução dos tempos improdutivos, nos quais não se agrega valor a um item. Num cenário típico, 1 peça é usinada; espera alguém p/ lhe movimentar; é deslocada até o próximo posto; e aguarda a disponibilidade da próxima máquina ou operador. Nestas quatro etapas, apenas a primeira agrega valor. Técnicas como JIT, kanban e balanceamento de linhas buscam solucionar este problema. A simulação comporta bem as inconsistências inerentes ao meio produtivo, ao admitir a adoção de valores estocásticos nos tempos de processos, quebras, chegadas de MP, etc. Desta forma, simulação permite ao modelador a adoção do tamanho dos lotes, procedimentos e controles mais sintonizados à realidade do chão-de-fábrica; Manuseio de material: projeto de sistemas de manuseio e transporte mais eficazes e adequados; Layout e planejamento de capacidade: projeto de layout otimizado e previsão realista da capacidade produtiva tanto para instalações novas, quanto para alterações ou ampliações; Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 126

130 Apoio ao PCP: a simulação auxilia a equacionar a programação dos lotes, dentro do conflito imposto aos programadores - minimizar e garantir os tempos de entrega dos produtos X maximizar a carga-máquina e a utilização dos recursos; Avaliação de novas tecnologias: compara o desempenho e a relação custo/benefício entre a sistemática corriqueira e o sistema dotado de novas tecnologias, para avaliação da viabilidade técnica e comercial do investimento; Estocagem e distribuição: definição de melhores alternativas de pontos e características de estoques e sistemas de distribuição; Logística: adequação da programação de suprimentos entre departamentos de uma empresa, ou da empresa com seus fornecedores e clientes; Manutenção e meio ambiente: melhor adequação dos programas de manutenção e do fluxo e manuseio de resíduos recicláveis ou nocivos Implementação da modelagem e simulação Segundo Bertrand e Franzoo (2002), a metodologia de pesquisa na modelagem quantitativa da gestão de operações tradicionalmente não é percebida como um assunto. A mais antiga contribuição para a discussão sobre metodologia em simulação foi apresentada por Mitroff em 1974, cujo modelo é apresentado na figura 8.1. Figura 8.1 Modelo de pesquisa para simulação Fonte: Mitroff et al. (1974) apud Bertrand e Franzoo (2002) Neste modelo a abordagem operacional de pesquisa consiste de quatro fases: conceitualização, modelagem, solução pelo modelo e implementação. Na fase de conceitualização, o pesquisador cria o modelo conceitual do problema e do sistema sob estudo, toma decisões sobre as variáveis que necessitam ser incluídas no modelo e sobre o escopo do problema e do modelo a serem estudados. Na fase de modelagem, o pesquisador realmente constrói o modelo quantitativo, definindo as relações causais entre as variáveis. Na fase de solução pelo modelo, em geral, a matemática desempenha um papel determinante. Finalmente, na fase de implementação, os resultados do modelo são implementados e um novo ciclo pode começar. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 127

131 Conceitualização Segundo Robinson (2004), a motivação para um estudo de simulação é o reconhecimento de que um problema realmente existe no mundo real. O problema deve abranger um sistema existente ou um entendimento sobre um sistema proposto. Para Seila (1995), uma declaração clara e concisa do problema de decisão ou a razão para se desenvolver o modelo de simulação é a primeira ação desta fase. O pesquisador deveria saber os tipos de decisões a serem antecipadas e qual o sistema envolvido. Segundo Robinson (2004), em muitos casos, o próprio cliente tem condições de explicar e descrever as operações do sistema do mundo real que é o coração da situação problema para a definição do modelo conceitual. O modelo conceitual, segundo Robinson (2004), é uma descrição específica do modelo de simulação, não se importando com o software, descrevendo os objetivos, entradas, saídas, conteúdo, suposições e simplificações do modelo. Outro ponto importante nesta fase é a definição dos objetivos da simulação. Para Robinson (2004) ela significa a natureza pela qual o modelo é determinado, o ponto de referência para a validação do modelo, o guia para a experimentação e uma das métricas pela qual o sucesso do estudo é julgado. Os objetivos definem o que se espera atingir com o estudo, o nível de desempenho esperado e as restrições existentes. O pesquisador deve conhecer a fundo o sistema que está sendo analisado. Se o sistema existe, ele deve ser cuidadosamente estudado, inclusive através de observações de suas operações e de entrevistas com as pessoas que gerenciam o sistema. Os componentes desse sistema e suas interações devem ser identificadas e descritas como um prelúdio para a fase de modelagem (construção do modelo computacional). Todos os parâmetros de entrada potenciais e variáveis aleatórias envolvidas com o modelo deveriam ser identificadas (SEILA, 1995). Dessa forma, cada variável aleatória do modelo deve ser examinada e a forma da sua distribuição e a de seus parâmetros determinada. As técnicas de fluxograma do processo e mapofluxograma do processo são utilizadas visando exatamente um melhor planejamento da simulação, como ilustra a figura 8.2. Estas técnicas auxiliam o modelador a representar da forma mais próxima a real o sistema que será simulado. O resultado do mapeamento do processo, geralmente, é uma representação gráfica, o qual mostra como os recursos de entrada são processados e transformados em saídas, destacando-se a relação e a conexão entre cada atividade. Além disso, é interessante coletar dados para as variáveis de entrada do sistema, indicando inclusive os equipamentos/máquinas do mundo real que serão objeto da simulação, como mostra a figura 8.3. Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 128

132 Figura 8.2 Exemplo de mapeamento de um processo visando a simulação Fonte: Leal et al. (2006) Figura 8.3 Definição de equipamentos e variáveis para simulação Fonte: Leal et al. (2006) Modelagem Segundo Robinson (2004), na etapa de modelagem, o modelo conceitual é convertido no modelo computadorizado, como ilustra a figura 8.4. O modelo pode ser programado através de uma planilha eletrônica, de um software especialista em simulação ou de uma linguagem de programação. A natureza desta etapa irá depender em grande parte do software para simulação escolhido para a implementação do modelo. O pesquisador pensa pela primeira vez em como relacionar o modelo conceitual com o modelo computacional. Segundo Robinson (2004), este modelo computacional deve ser desenvolvido de forma incremental, documentando-o e testando-o a cada passo, de forma que os erros possam ser identificados previamente, ao Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 129

133 contrário do que aconteceria se os testes para verificar a confiabilidade/validade do modelo fossem deixados para depois de que todo o modelo estivesse pronto. A maioria dos softwares disponíveis para simulação permite essa abordagem incremental na construção dos modelos. Figura 8.4 Exemplo de modelo de simulação Fonte: Leal et al. (2006) Um modelo típico a ser simulado é composto de: Locais: postos físicos (máquinas, áreas de depósito, esteiras transportadoras) onde são realizados os processos; Entidades: elementos (peças, lotes, etc.) que transitam pelos locais e sofrem processamento; Recursos: elementos (funcionários, empilhadeiras, etc.) que auxiliam no transporte das entidades entre os diferentes locais ou na execução dos processos; Processos: operações realizadas no sistema (roteiros e procedimentos de fabricação). Finalmente, o modelo computacional desenvolvido deve ser documentado. A documentação serve para lembrar ao pesquisador o que foi feito na elaboração do modelo, permite que outro pesquisador continue o desenvolvimento do modelo ou faça melhorias ao mesmo ou permite ainda que uma parte do atual modelo seja reutilizada em um outro modelo para uma aplicação similar ou mesmo diferente Solução pelo modelo Para Robinson (2004), uma vez desenvolvido o modelo, experimentações são realizadas através do modelo simulado para se obter um melhor entendimento do mundo real ou para encontrar soluções para os problemas do mundo real. Trata-se de um processo de análise what-if, ou seja, fazer alterações nas entradas Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 130

134 do modelo, rodar o modelo, analisar os resultados, aprender com os resultados, fazer alterações na entrada e assim sucessivamente. Segundo Seila (1995), uma boa idéia é armazenar os dados obtidos ao se rodar o modelo computacional de forma que não se necessite repetir o processo no caso de alguma alteração no procedimento usado para analisar os dados. Uma vez que o modelo começa a rodar e a gerar os resultados, é preciso aplicar os procedimentos de análise estatística dos dados para avaliar o desempenho do sistema. Robinson (2004) considera que os experimentos através da simulação podem se dar por experimentação interativa ou por lote. A primeira envolve observar a simulação rodar e fazer alterações ao modelo para ver os possíveis efeitos. O objetivo deste primeiro tipo é desenvolver um entendimento maior sobre o modelo (e do sistema real), das principais áreas de problemas e identificar as soluções potenciais, facilitando a tomada de decisão. Na experimentação por lote, os fatores experimentais são definidos e o modelo é colocado para rodar por um dado número de replicações. O objetivo é rodar o modelo por um tempo suficiente e obter resultados estatísticos significativos. Os softwares de simulação possuem aptidões especiais para rodar esse tipo de experimentação, como ilustra a figura 8.5. Figura 8.5 Exemplo de resultados obtidos após simulação em software apropriado Fonte: Leal et al. (2006) Implementação Robinson (2004) afirma que a implementação pode ser interpretada de três formas. A primeira pela implementação das descobertas do estudo de simulação no mundo real. A segunda é a implementação do modelo ao invés de suas descobertas; e a terceira é interpretar a implementação como um aprendizado, que pode ser colocada em prática apenas em uma tomada de decisão futura. No primeiro caso, ou seja, a implementação das descobertas do estudo de simulação, um relatório final deve ser elaborado descrevendo a situação problema e os objetivos do projeto, um resumo do modelo, os experimentos realizados e destacando os resultados obtidos, uma lista das conclusões e recomendações e, finalmente, relatando sugestões para simulações futuras. No processo de implementação são os clientes que determinam quais das recomendações do estudo de simulação serão colocadas em prática no mundo real. O segundo caso envolve entregar uma cópia do estudo de simulação desenvolvido ao cliente, de forma que ele possa rodar o modelo no momento em que achar mais oportuno ou que necessitar dos Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI Página 131

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