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1 EMENTA: ANÁLISE TERMO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA ENTRE A UNIÃO (MINISTÉRIO DA SAÚDE E FUNDO NACIONAL DE SAÚDE) E A ORGANIZAÇÃO PAN- AMERICANA DA SAÚDE/ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE PROGRAMA MAIS MÉDICOS, TENDO COMO REFERÊNCIA O CÓDIGO GLOBAL DE PRÁTICA PARA RECRUTAMENTO INTERNACIONAL DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Nota Técnica de Expediente nº 157/2013, do SEJUR. (Aprovado em Reunião de Diretoria em 09/10/2013) Expediente nº 8465/2013 I DOS FATOS O SEJUR foi instado a se manifestar, no quesito legalidade, acerca do Termo de Cooperação Técnica firmado entre a União (Ministério da Saúde e FNS) e OPAS Organização Pan-americana da Saúde. É o relatório. II DA ANÁLISE O Termo de Cooperação Técnica em análise possui como objeto o desenvolvimento das atividades do projeto de acesso da população brasileira à atenção básica em saúde. Na cláusula quarta do termo de cooperação consta que a operacionalização do projeto será precedida de termos de ajustes, firmados entre o Ministério da Saúde e a OPAS, onde constarão os planos de ação, plano de aplicação de recursos financeiros e demais obrigação das partes. Com lastro no Termo de Cooperação Técnica, o Ministério da Saúde e a OPAS firmaram o terceiro termo de ajuste, no qual restou estabelecida a participação de médicos cubanos no Projeto Mais Médicos para o Brasil. No referido termo de ajuste é possível verificar as atribuições das partes, o valor a ser despendido, metas pretendidas e as obrigações recíprocas. Chama a atenção a subcláusula única da cláusula terceira que estabelece uma remuneração à OPAS no valor de R$ (vinte e quantro milhões, trezentos e trinta e um mil, trezentos e um reais), para fazer despesas de reembolso de custos indiretos.

2 Ainda é possível verificar que o valor total que será repassado para a OPAS será de R$ ,00 (quinhentos e dez milhões, novecentos e cinquenta e sete mil, trezentos e sete reais), para viabilizar a contratação de 4000 (quatro mil) médicos cubanos. A prestação dos serviços pelos médicos cubanos está sendo intermediada pela OPAS, que receberá 5% do valor total dos recursos, e será alicerçada nos permissivos legais estabelecidos na Medida Provisória nº 621/2013. Para tanto, os médicos cubanos intermediados pela OPAS estão vindo para o Brasil na condição de médico intercambista, nos termos do inciso II do 2º do art. 7º da referida Medida Provisória. Ocorre, porém, que os médicos intercambistas cubanos deverão vir para o Brasil apenas para aperfeiçoamento e com limitação do exercício profissional às atividades de ensino, nos termos do art. 8º e 10 da MP. Assim, se a Medida Provisória for respeitada, os médicos intercambistas (cubanos ou não) somente poderão praticar atos sob supervisão de um tutor ou supervisor e limitado ao programa de ensino denominado Mais Médicos para o Brasil. Contudo, analisando a Medida Provisória nº 621/2013, o Termo de Cooperação Técnica e o seu respectivo Terceiro Termo de Ajuste, é possível verificar que o objetivo real do Governo Brasileiro é a contratação de médicos estrangeiros para suprir uma eventual carência de profissionais no Sistema Único de Saúde SUS, mas transvestiu o seu intento em um inexistente programa de ensino denominado de Mais Médicos para o Brasil. Fixada a premissa de que o Mais Médico para o Brasil não é um programa de ensino, uma vez que os médicos intercambistas irão prestar serviços ao SUS e não participar de cursos de aprimoramentos, outras irregularidades são gritantes no Termo de Cooperação Técnica e seu respectivo Termo de Ajuste. Inicialmente, a contratação de médicos estrangeiros por outros países possui um Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS Organização Mundial em Saúde, o qual foi aprovado na 63ª Assembleia Mundial de Saúde, em 21 de maio de O Brasil tem papel fundamental e participação direta na OMS, devendo, portanto, respeitar o referido código de recrutamento. Contudo, a forma de contratação (recrutamento) de médicos estrangeiros que está sendo realizada no Programa Mais Médicos para o Brasil é absolutamente contrária ao Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS.

3 Inicialmente, é gritante que há intermediação/exploração de mão-de-obra por parte da OPAS, a qual receberá 5% (cinco por cento) do valor total do terceiro termo de ajuste, para reembolso dos gastos indiretos. Ora, reembolso somente é cabível quando há comprovação dos gastos e não pode ser estipulado em percentual previamente, antes mesmo de se saber quais foram as despesas indiretas feitas pela OPAS. Ademais, resta clara uma intermediação de mão-de-obra quando somente os médicos cubanos estão sendo aliciados por um organismo internacional (OPAS), os demais médicos estrangeiros que irão participar do programa Mais Médicos para o Brasil estão sendo contratados diretamente pelo Governo Brasileiro, que, repita-se, transvestiu essa inegável contratação pelo pagamento de bolsas de ensino. A forma como está sendo feita a contratação dos médicos estrangeiros pelo Governo Brasileiro, em especial os cubanos, macula diretamente o estabelecido no item 3.1 do Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS, o qual estabelece que os Países Membros devem levar o Código em consideração ao desenvolver suas políticas nacionais de saúde e colaborar uns com os outros, conforme apropriado. Ora, como já alertado acima, o Governo Brasileiro não está considerando os termos do Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS para formar sua política nacional de saúde, posto que criou um programa de contratação de mão-de-obra como se fosse um programa de ensino médico. Assim, existe um flagrante desrespeito o acordo firmado pelo Brasil. Ademais, a forma de contratação de médicos estrangeiros com intermediação da OPAS desrespeita o item 3.5 do Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS que estabelece: 3.5 O recrutamento internacional de profissionais de saúde deve ser conduzido segundo os princípios da transparência, equidade e promoção da sustentabilidade dos sistemas de saúde dos países em desenvolvimento. Os Países Membros, em conformidade com a legislação nacional e com os instrumentos jurídicos aplicáveis dos quais são signatários, devem promover e respeitar as práticas de trabalho justas para todos os profissionais de saúde. Todos os aspectos da contratação e do tratamento dos profissionais de saúde migrantes devem ser considerados sem nenhum tipo de distinção ilícita. No caso dos médicos estrangeiro (cubano ou não) não está havendo por parte do Governo Brasileiro um respeito ao referido dispositivo. Inicialmente, não há transparência na contratação pois os médicos estrangeiros estão vindo como estudantes quando na verdade serão empregados do Governo Brasileiro, com intermediação onerosa da OPAS.

4 Ademais, os médicos estrangeiros não terão os benefícios das leis trabalhistas brasileiras, visto que estão sendo tratados como estudantes e não verdadeiros trabalhadores/empregados. Neste aspecto (isonomia trabalhista), o Programa Mais Médicos para o Brasil também afronta a parte final do item 3.5 do Código, que proíbe qualquer tipo de distinção ilícita entre os médicos contratados e os médicos do país contratante (Brasil). Ademais, no caso específico dos médicos cubanos, o Governo Brasileiro desrespeita frontalmente o item 4.2 do Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS: Recrutadores e empregadores devem, na medida do possível, estar cientes e considerar responsabilidades legais pendentes de profissionais de saúde para o sistema de saúde de seus próprios países, tal como um contrato de trabalho justo e razoável, e procurar não contratá-los. Os profissionais de saúde devem ser francos e transparentes sobre qualquer obrigação contratual que possuam. Ora, é do conhecimento mundial que os médicos cubanos não possuem em seu país um trabalho justo e nem uma remuneração razoável, são verdadeiros escravos do Governo Cubano. Logo, jamais poderiam ser contratados e participarem do Programa Mais Médicos para o Brasil. Outra inegável e gritante ilegalidade praticada pelo Governo Brasileiro na contratação de médicos estrangeiros está na ausência total de definições objetivas da forma de contratação e remuneração, contrariado o item 4.4 do Código: 4.4 Os Países Membros, na medida do possível e segundo as leis vigentes, devem garantir que recrutadores e empregadores observem práticas de recrutamento e contratação justas ao empregar profissionais de saúde migrantes e que estes não sejam submetidos a condutas ilegais ou fraudulentas. Profissionais de saúde migrantes devem ser contratados, promovidos e remunerados de acordo com critérios objetivos, tais como níveis de qualificação, anos de experiência e graus de responsabilidade profissional, com base na igualdade de tratamento dos profissionais formados no país. Os recrutadores e empregadores devem fornecer aos profissionais de saúde migrantes informações pertinentes e precisas sobre todos os cargos de saúde que estão sendo oferecidos. No caso Governo Brasileiro a ilegalidade é ainda mais grave, pois além de não ter qualquer critério objetivo de contratação, pois trata o médico estrangeiro como estudante, também permitiu que houvesse uma intermediação no fornecimento de mãode-obra pela OPAS, bem como estabeleceu uma latente desigualdade entre os direitos trabalhistas do médico brasileiro e do médico estrangeiro.

5 O item 4.5 do referido Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS reforça a necessidade de isonomia entre os profissionais da saúde (migrante e nacionais), ao estabelecer que os Países Membros devem garantir que, segundo às leis vigentes, incluindo instrumentos legais internacionais pertinentes, dos quais são signatários, os profissionais de saúde migrantes tenham os mesmos direitos e responsabilidades legais que os profissionais formados no país em termos de emprego e condições de trabalho. Como já alertado, os médicos estrangeiros que estão sendo contratados pelo Governo Brasileiro receberão bolsas e não salário. Ademais, não terão direitos e nem garantias trabalhistas. Cabe por fim esclarecer que o item 4.5 do referido código esclarece que os seus dispositivos são aplicáveis para contratos de trabalho permanentes ou temporários. Logo, deveriam ter sidos respeitados pelo Governo Brasileiro quando criou o irresponsável Programa Mais Médicos para o Brasil. CONCLUSÃO Por todo exposto, está demonstrado que o Termo de Cooperação Técnica firmado entre o Ministério da Saúde do Governo Brasileiro, seu terceiro termo de ajuste e o Programa Mais Médico Para o Brasil está em absoluta divergência com as normas de contratação ética de profissionais da saúde, estabelecidas no Código Global de Prática para Recrutamento Internacional de Profissionais da Saúde da OMS. É o que nos parece, s.m.j. Brasília-DF, 25 de setembro de Turíbio Teixeira Pires de Campos Assessor Jurídico De acordo: José Alejandro Bullón Chefe do SEJUR NTE termo de cooperação mais médicos

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