O INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NA ECONOMIA BRASILEIRA E O INVESTIMENTO DE EMPRESAS BRASILEIRAS NO EXTERIOR

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1 O INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NA ECONOMIA BRASILEIRA E O INVESTIMENTO DE EMPRESAS BRASILEIRAS NO EXTERIOR Fevereiro de 2003

2 A retomada em larga escala dos investimentos estrangeiros para o Brasil a partir de meados da década passada trouxe, relativamente, pouca contribuição para setores com maior saldo comercial e maior corrente de comércio. Além desse efeito, os maiores gastos com juros, remessas de lucros e pagamentos de royalties tornaram a empresa com participação majoritária do capital estrangeiro a principal responsável pelos volumosos déficits em transações correntes do país. A empresa estrangeira, que respondia por 31,8% do déficit em transações correntes brasileiro em 1995, passou a ser responsável por 61% desse déficit no ano O aumento de sua dívida externa representou cerca de 2/3 (66,9%) do aumento da dívida externa do país entre esses dois anos. Isso não significa dizer que no recente ciclo de investimentos o capital estrangeiro não contribuiu para ampliar as exportações brasileiras e enobrecê-las, como já o fizera em outras épocas, mas, sim, que uma política francamente desfavorecedora dos investimentos voltados à exportação (a política cambial do período 1994/98), aliada à ausência de uma política de atração de investimentos para setores capazes de fortalecer o comércio exterior deixou como resultado direto do recente ciclo de IDE o agravamento do desequilíbrio externo do país. Os dados mais recentes mostram que, na margem, o destino do investimento estrangeiro vem dando sinais de mudança após a introdução do câmbio flutuante. Não deriva das observações acima a recomendação de qualquer tipo de restrição ao capital produtivo estrangeiro. A recomendação é que o país adote políticas para estimular e atrair o capital estrangeiro para setores exportadores e/ou para segmentos que permitam uma maior integração do país nos fluxos internacionais de comércio. Do lado dos investimentos brasileiros no exterior, o presente estudo mostra que a internacionalização das empresas nacionais é ainda incipiente e que seus investimentos correspondem, geralmente, a um desdobramento da atividade exportadora das empresas, visando ampliar as suas exportações. O maior dinamismo das exportações significará, portanto, um incentivo adicional para a maior internacionalização das empresas nacionais, assim como apoiar os investimentos no exterior dessas empresas será o mesmo que estimular a atividade exportadora do país. Por isso, ambas as políticas de promoção das exportações e de apoio à internacionalização das empresas nacionais são recomendadas, já que uma realimenta e estimula a outra. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 1

3 O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior INTRODUÇÃO... 3 O INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NO BRASIL E SEU IMPACTO SOBRE O SETOR EXTERNO... 5 Sumário e Principais Conclusões... 5 Investimento Estrangeiro e Comércio Exterior Brasileiro: Breve Retrospecto O Ciclo de IDE dos Anos Os Resultados do Censo de Capital Estrangeiro O Impacto do IDE Sobre o Déficit em Transações Correntes O Impacto do IDE Sobre os Fluxos de Comércio Anexo Bibliografia Os Investimentos de Empresas Brasileiras no Exterior Sumário e Principais Conclusões A Internacionalização da Produção: Aspectos Gerais Os Investimentos das Empresas de Capital Nacional no Exterior: Breve Retrospecto Características Recentes da Internacionalização das Empresas Brasileiras Capitais Brasileiros no Exterior Anexo Bibliografia O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 2

4 INTRODUÇÃO A recente divulgação de dois levantamentos do Banco Central o Censo do Capital Estrangeiro de 2000 e a pesquisa sobre os capitais brasileiros no exterior reabre a discussão de temas com presença destacada nos estudos realizados pelo IEDI e no debate econômico nacional dos últimos anos: o impacto do último ciclo de IDE (investimento direto estrangeiro) sobre o déficit externo brasileiro e a internacionalização da empresa brasileira. As características do investimento estrangeiro e a expansão internacional das empresas nacionais são pontos de destaque nas proposições do IEDI para a formulação de políticas de desenvolvimento para o Brasil. Esses temas são retomados no presente estudo 1. Ambas as questões têm implicações amplas, mas são particularmente relevantes em termos do resultado em transações correntes do balanço de pagamentos brasileiro, que nos últimos anos foi fonte de constrangimentos à evolução da economia. As políticas que vêm sendo recomendadas pelo IEDI visam estimular a atração de investimentos para setores capazes de gerar maiores saldos comerciais, além de setores com maior corrente de comércio (exportações e importações). É sabido que o Brasil necessita consolidar e ampliar um superávit comercial que, em 2002, foi obtido mediante uma grande queda das importações, que, por seu turno, resultou da estagnação da economia e da elevadíssima desvalorização da moeda. Também é conhecido o fato de que o comércio internacional representa pouco na economia brasileira e que seria vantajoso elevar o envolvimento do país no comércio exterior. Os resultados do Censo de Capitais Estrangeiros de 2000 auxiliam em mostrar que a retomada em larga escala dos investimentos estrangeiros para o Brasil a partir de meados da década passada trouxe, relativamente, pouca contribuição para setores com maior saldo e maior corrente de comércio, dirigindo-se, em sua maioria, para segmentos tipicamente deficitários no comércio ou de baixo envolvimento de comércio exterior. Isso fez com que a empresa controlada pelo capital estrangeiro gerasse um significativo déficit comercial. Além desse efeito, os maiores gastos com juros, remessas de lucros e pagamentos de royalties tornaram a empresa com participação majoritária do capital estrangeiro a principal responsável pelo volumoso déficit em transações correntes do país. A empresa estrangeira passou a responder por 61% do déficit em transações correntes brasileiro no ano 2000 (31,8% em 1995) e por cerca de 2/3 (66,9%) do aumento da dívida externa do país entre 1995 e Isso não significa dizer que no recente ciclo de investimentos o capital estrangeiro não contribuiu para ampliar as exportações brasileiras e enobrecê-las, como já o fizera em outras épocas, mas, sim, que uma política francamente desfavorecedora dos investimentos voltados à exportação, como foi a política cambial do período 1994/98, aliada à ausência de uma política de atração de investimentos para o desenvolvimento de setores criteriosamente selecionados como estratégicos ao objetivo de fortalecer o comércio exterior deixou como resultado direto do recente ciclo de IDE o agravamento do desequilíbrio externo do país. 1 Os textos preliminares do presente trabalho foram elaborados pelos professores Célio Hiratuka, da UNICAMP (O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e Seu Impacto Sobre o Comércio Exterior, IEDI, 2002) e Maria Lussieu da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Os Investimentos de Empresas Brasileiras no Exterior, IEDI, 2002). A pesquisa sobre os Censos de Capitais Estrangeiros e sobre os capitais brasileiros no exterior, a coordenação dos trabalhos e a redação final do documento foram de responsabilidade de Julio Gomes de Almeida. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 3

5 Sabemos que o programa de privatização de empresas foi um forte condicionante da atração e orientação dos investimentos estrangeiros no período. Mas a observação pertinente é que as conclusões acima se mantêm, mesmo sendo levado em conta esse fator. Os dados mais recentes mostram que, na margem, o destino do investimento estrangeiro vem dando sinais de mudança após a introdução do câmbio flutuante. A alteração, que é perceptível nos anos 20001/2002, é ainda tímida, tanto porque coincide com a retração econômica mundial e dos fluxos mundiais de investimento, além da estagnação e do agravamento da instabilidade no plano interno. Mas já denota uma maior participação dos investimentos estrangeiros em setores exportadores e com maior corrente de comércio. Não deriva das conclusões acima a recomendação de qualquer tipo de restrição ao capital produtivo estrangeiro, mas, sim, que convém ao país adotar políticas, como, a propósito, outros países de economia emergente fazem, para estimular e atrair o capital estrangeiro para setores exportadores e/ou para segmentos que permitam uma maior integração do país nos fluxos internacionais de comércio. O capital estrangeiro é também decisivo para objetivos como desenvolvimento tecnológico e diversificação industrial. O estudo sobre o tema dos investimentos brasileiros no exterior mostra que a despeito do desenvolvimento na última década, a internacionalização das empresas nacionais é ainda incipiente e que seus investimentos correspondem, geralmente, a um desdobramento da atividade exportadora das empresas, visando ampliar as suas exportações. Na medida em que exportações brasileiras venham a ganhar dinamismo, isto significará, portanto, um incentivo adicional para a maior internacionalização das empresas nacionais. Por outro lado, apoiar os investimentos no exterior dessas empresas será o mesmo que estimular a atividade exportadora do país. Por isso, ambas as políticas de promoção das exportações e de apoio à internacionalização das empresas nacionais são recomendadas, já que uma realimenta e estimula a outra. A recente medida no âmbito do BNDES, no sentido de que essa instituição auxilie no financiamento dos investimentos no exterior de empresas nacionais vem nessa direção. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 4

6 O INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NO BRASIL E SEU IMPACTO SOBRE O SETOR EXTERNO Sumário e Principais Conclusões A economia brasileira tem como uma de suas principais características o elevado grau de internacionalização da estrutura produtiva, com ampla presença de empresas de capital estrangeiro exercendo papel de liderança em diversos setores industrias e, sobretudo após a privatização de empresas e bancos estatais nos anos 1990, também em setores não industriais. Esse não é um fenômeno novo. O investimento direto estrangeiro (IDE) na indústria e o papel das empresas transnacionais (ETs) em setores dinâmicos da economia são aspectos constitutivos da industrialização brasileira. Articuladas pelo planejamento estatal com as empresas de capital nacional privado e público, as filiais das ETs foram fundamentais para o desenvolvimento e a consolidação de uma estrutura produtiva diversificada e convergente com a dos países mais desenvolvidos, ao menos no que tange ao peso dos diferentes setores na estrutura industrial. Embora tivessem importância no crescimento e diversificação da pauta de exportações ocorrida ao longo da década de 1970, o mercado externo era atividade relativamente marginal no conjunto de operações das ETs, em dimensão inferior, por exemplo, ao das grandes empresas nacionais. Essa situação se alterou um pouco na década de 80, quando as ETs destacaram-se na elevação das exportações e na geração de superávits comerciais, aumentando sua participação nas exportações brasileiras. Enquanto as exportações de manufaturados do Brasil cresceram a uma taxa média anual de 3,2% entre 1980 e 1989, para as empresas classificadas como estrangeiras entre as maiores exportadoras, o crescimento foi de 5%. Nesses anos, os fluxos de IDE tiveram redução acentuada, combinada com o aumento das remessas de lucros para o exterior. Somente na década de 90, em especial em sua segunda metade, é que a economia brasileira voltaria a ser receptora de vultosos fluxos de IDE. Além da abertura financeira e do processo de privatização, ambos inaugurados no começo da década, a estabilização a partir de 1994 e a reativação da demanda interna estimularam novamente o ingresso de investimentos estrangeiros. A fragilidade das empresas nacionais em conseqüência dos elevados custos de capital e de tributação internos foi outro fator que impulsionou o ingresso de investimentos estrangeiros, levando à desnacionalização. Assim, a presença das ETs na estrutura industrial, que já era vasta, cresceu ainda mais. Partindo de um nível médio de US$ 2 bilhões na primeira metade da década de 1990, o IDE atingiu o auge em 2000, quando mais de U$S 32 bilhões líquidos ingressaram no país. Em 2001/2002, o investimento estrangeiro para a economia brasileira diminuiu em razão de uma substancial contração mundial de IDE e da instabilidade interna da economia. Nos fluxos mundiais, a participação brasileira que era inferior a 1% na primeira metade da década, alcançou 4,2% em Entre 1999 e 2001, a participação do Brasil caiu, porém mantendo volumes absolutos elevados. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 5

7 Em função da vulnerabilidade externa brasileira, os impactos desses novos investimentos sobre o comércio exterior do país e sobre o déficit em transações correntes passaram a ser temas centrais do debate sobre as possibilidades de crescimento sustentado da economia brasileira. Essas questões foram tratadas no presente estudo com base nos resultados dos Censos de Capitais Estrangeiros de 1995 e de Foram estimados os impactos do ciclo de IDE dos anos 1990 sobre o déficit em transações correntes e sobre o comércio exterior brasileiro. A conclusão, no primeiro caso, foi que as empresas com controle estrangeiro passaram a responder por parcela maior do grande déficit externo gerado pelo país. Em 2000, para um déficit total em transações correntes de US$ 24,3 bilhões (US$ 18,4 bilhões em 1995), o déficit das empresas controladas pelo capital estrangeiro atingiu US$ 14,9 bilhões (US$ 6,2 bilhões em 1995), o correspondente a 61,4% (33,8% em 1995). O maior desequilíbrio dessas empresas decorreu de um substancial aumento de seu déficit comercial ao lado de maiores pagamentos líquidos de juros e royalties. As empresas com participação estrangeira majoritária foram responsáveis ainda por mais de 2 / 3 (66,9%) do aumento de US$ 76,9 bilhões da dívida externa brasileira nesse mesmo período. Note-se que as empresas com participação estrangeira minoritária (participação entre 10% e 50%, que se aproxima conceito de joint venture) deram contribuição positiva (foram geradoras de saldo) ao resultado das contas externas brasileiras e que o conjunto formado pelas empresas nacionais, o setor público brasileiro e demais agentes econômicos, reduziram seu déficit externo entre 1995 e As evidências acima resumidas não autorizam concluir que no recente ciclo de investimentos o capital estrangeiro não contribuiu para ampliar as exportações brasileiras e enobrecê-las, como já o fizera em outras épocas, mas, sim, que uma política francamente desfavorecedora dos investimentos voltados à exportação, como foi a política cambial do período 1994/98, aliada à ausência de uma política de atração de investimentos voltada ao desenvolvimento de setores criteriosamente selecionados como estratégicos ao objetivo de fortalecer o comércio exterior (além de objetivos como os do desenvolvimento tecnológico e da diversificação industrial) deixou como resultado direto do recente ciclo de IDE o agravamento do desequilíbrio externo do país. Brasil Demais: Emp. Emp. Com Empresa Empresa Brasil - Emp. C/ Nacional, Setor Part. Estrang. Estrang. Part. Est. Var. Púb. e Outros Estrangeira Majoritária Minoritária Var /00 95/00 Resultado Comercial -3,5-0,7-5,8-2,4 2,4 1,7-1,2-4,7 3,6 6,4-80% -29% Servicos e Rendas -18,5-25,0-12,9-12,4-5,7-12,6-5,0-10,2-0,6-2,5 35% 123% Comércio, Rendas e Serviços -22,0-25,7-18,7-14,8-3,3-10,9-6,2-14,9 2,9 3,9 17% 233% Tranferências Unilateriais 3,6 1,5 3,6 1,5 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0-58% 0% Transações Correntes -18,4-24,2-15,1-13,3-3,3-10,9-6,2-14,9 2,9 3,9 32% 233% Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Banco Central. Transações Correntes - US$ Bilhões O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 6

8 Brasil Demais: Emp. Nacional, Setor Púb. e Outros Emp. Com Part. Estrangeira Empresa Estrang. Majoritária Empresa Estrang. Minoritária Exportação 100,0 100,0 53,2 39,6 46,8 60,4 31,2 41,3 15,5 19,0 Importação 100,0 100,0 61,2 43,4 38,8 56,6 31,4 49,3 7,3 7,3 Resultado Comercial 100,0 100,0 168,5 343,4-68,5-243,4 34,3 674,8-102,8-918,2 Juros - Líquido 100,0 100,0 82,9 51,5 17,1 48,5 10,9 36,3 6,3 12,2 Lucros e Dividendos - Líquido 100,0 100,0 7,2 8,3 92,8 91,7 100,1 83,1-7,3 8,6 Juros e Lucros Líquido 100,0 100,0 62,4 43,5 37,6 56,5 35,0 45,0 2,6 11,5 Servicos e Rendas 100,0 100,0 69,5 49,5 30,5 50,5 27,1 40,6 3,5 9,9 Transações Correntes 100,0 100,0 82,1 54,8 17,9 45,2 33,8 61,4-15,9-16,2 Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Banco Central. Transações Correntes - % Brasil Demais: Emp. Emp. Com Empresa Empresa Brasil - Emp.C/ Nacional, Setor Part. Estrang. Estrang. Part. Est. Var. Púb. e Outros Estrangeira Majoritária Minoritária Var /00 95/00 Dívida externa total 159,3 236,2 108,0 129,7 51,2 106,5 27,6 79,0 23,6 27,5 48% 108% % 100,0 100,0 67,8 54,9 32,2 45,1 17,3 33,5 14,8 11,6 Variação 1995/ ,9 21,6 55,3 51,4 3,9 % 100,0 28,1 71,9 66,9 5,0 Fonte: Banco Central Dívida Externa - US$ Bilhões Sabemos que o programa de privatização de empresas foi um forte condicionante da atração e orientação dos investimentos estrangeiros no período. Mas a observação pertinente é que as conclusões acima se mantêm, mesmo sendo levado em conta esse fator. Para analisar o impacto do IDE sobre os fluxos de comércio, as empresas com participação estrangeira (que engloba as empresas com participação majoritária e minoritária) foram classificadas em 4 grupos, de acordo com a importância das exportações e importações para as suas operações. No primeiro grupo, composto por setores com propensão a exportar (relação entre exportações e receita operacional líquida) acima da média e propensão a importar (relação entre importações e receita operacional líquida) abaixo da média (Setores de Exportação Superávit) predominam os setores primários ou industriais que utilizam intensamente recursos naturais e em geral apresentam valores elevados de exportação e importações bastante baixas. A propensão a exportar sobe a 35,7% contra 8% de propensão a importar. São, portanto, setores que contribuem fortemente para a geração de saldos comerciais positivos. Em 2000, o superávit do grupo foi de US$ 10 bilhões. O segundo (Setores Deficitários), formado pelos setores com propensão a exportar e a importar respectivamente abaixo e acima da média, tem importações muito superiores às importações, sendo composto em grande parte por setores industriais demandantes de insumos importados como o setor químico, material eletrônico e de comunicações e equipamentos de informática. Em conjunto, o grupo teve déficit de US$ 8,1 bilhões no ano O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 7

9 O terceiro grupo conta com os setores de baixos volumes de exportação e importação, tanto em termos absolutos quanto em relação à receita (Setores de Baixo Comércio). A propensão a exportar é de 3,3% e a importar, de 5%. Em geral, são setores de serviços, tipicamente non-tradables. O grupo era deficitário em US$ 1,6 bilhões em O grupo 4 reúne os setores que apresentam um grau maior de integração ao comércio exterior, tanto pelo lado das exportações quanto pelo lado das importações (Setores de Elevado Comércio). Em sua grande maioria são setores industriais, tendo em muitos casos volumes significativos de comércio, embora com saldos comerciais, positivos ou negativos, relativamente reduzidos. O resultado comercial do grupo era positivo em US$ 1,5 bilhões. Ao verificar o quanto cada grupo recebeu de fluxos de investimento no período , pode-se ter uma idéia mais clara do impacto do IDE recente sobre o comércio exterior brasileiro. De todo o IDE acumulado entre 1996 e 2001, 60,2% foi direcionado para o grupo 3 (Setores de Baixo Comércio), cuja participação no total das exportações das empresas estrangeiras é de 9,1% e de 14,7% nas importações. Participação dos Grupos nos Indicadores de Comércio e IDE % Export Import Estoque IDE 1995 Estoque IDE 2000 IDE acum Grupo 1 - Setores de Exportação - Superávit 38,8 9,2 21,2 9,9 6,9 Grupo 2 - Setores Deficitários 15,1 41,9 18,8 29,8 26,2 Grupo 3 - Setores de Baixo Comércio 9,1 14,7 31,4 46,7 60,2 Grupo 4 - Setores de Elevado Comércio 36,8 34,1 24,6 13,6 6,5 Não Classif. 0,2 0,1 4,0 0,0 0,2 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do Banco Central. Cerca de ¼ do total do fluxo de IDE foi para o grupo 2 (Setores Deficitários), o grupo de importações elevadas e saldo comercial negativo. Enquanto esse grupo responde por 41,9% das importações, participa com apenas 15,1% das exportações. O grupo 1 (Setores de Exportação Superávit), que tem maior propensão a exportar do que a importar, recebeu o equivalente a apenas 6,9% do IDE acumulado entre 1996 e O grupo participa com 38,8% no total exportado e de 9,2% das importações das empresas estrangeiras. O menor volume de investimento coube ao grupo 4 (Setores de Elevado Comércio), cujo envolvimento comercial é maior tanto através das exportações quanto das importações. Esse grupo teve uma participação de 6,5% no total dos fluxos, contra uma participação de 36,8% no total exportado e 34,1% no total importado. Resumindo, em seu último ciclo iniciado em meados dos anos 1990, o investimento estrangeiro no Brasil dirigiu-se muito mais para os setores com baixa expressão direta em exportações e importações ou setores altamente deficitários no comércio exterior. Nada menos do que 87% dos US$ 125 bilhões de ingressos de investimentos diretos estrangeiros entre os anos de 1996 e 2001, ou quase US$ 110 bilhões foi para esses setores. Correspondeu O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 8

10 a apenas 13%, ou US$ 16 bilhões, os investimentos em setores de maior corrente de comércio (exportações e importações) ou setores superavitários. Os dados mais recentes mostram que, na margem, o destino do investimento estrangeiro vem dando sinais de mudança após a introdução do câmbio flutuante. A alteração, que é perceptível nos anos 20001/2002, é ainda tímida, tanto porque coincide com a retração econômica mundial e dos fluxos mundiais de investimento, além da estagnação e do agravamento da instabilidade no plano interno. Mas já denota uma maior participação dos investimentos estrangeiros em setores exportadores e com maior corrente de comércio. Não deriva das conclusões acima a recomendação de qualquer tipo de restrição ao capital produtivo estrangeiro, mas, sim, que convém ao país adotar políticas, como, a propósito outros países de economia emergente fazem, para estimular e atrair o capital estrangeiro para setores exportadores e/ou para segmentos que permitam uma maior integração do país nos fluxos internacionais de comércio. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 9

11 Investimento Estrangeiro e Comércio Exterior Brasileiro: Breve Retrospecto A importância das empresas estrangeiras na economia brasileira não é um fenômeno novo. Os fluxos de investimento direto estrangeiro (IDE) na economia brasileira podem ser documentados pelo menos a partir do final do século XIX, sendo nesse período principalmente de origem inglesa e direcionados para os setores vinculados diretamente ou indiretamente aos negócios do café que demandavam serviços de transporte ferroviários e marítimos, seguros e atividades de apoio ao comércio exterior (ver Castro 1979). Desde a virada do século até o início da década de 1930, o investimento estrangeiro se diversifica. Aumenta a importância de empresas norte-americanas e surgem novos setores de atuação impulsionados pela maior urbanização e industrialização. Destacam-se os serviços de produção e distribuição de eletricidade. Já os investimentos estrangeiros direcionados para a indústria começam a ganhar relevância a partir da década de 30. No entanto, somente no pós-guerra as empresas transnacionais (ETs) na indústria brasileira passarão a ter decisiva dimensão. Embora no período anterior a presença do capital estrangeiro tenha sido importante, é a partir de meados da década de 50, quando a indústria brasileira desenvolve os encadeamentos setoriais típicos de uma economia industrial mais avançada, que as ETs passam a ser parte constitutiva da estrutura industrial, assumindo a liderança em diversos setores e determinando em grande medida a dinâmica industrial. No contexto externo, esse período foi marcado pela internacionalização produtiva das grandes empresas americanas, seguidas pelas corporações européias. No âmbito interno, o IDE e as atividades das ETs passaram a ser estimuladas explicitamente para conformar o tripé (juntamente com o capital privado nacional e as empresas estatais) sobre o qual se baseou a industrialização brasileira. A combinação de política liberal para o capital estrangeiro com proteção ao mercado interno através de elevadas barreiras tarifárias e não-tarifárias sobre as importações estimulou o fluxo de IDE para a indústria, principalmente naqueles setores onde eram mais explícitas as vantagens derivadas da posse de ativos específicos à propriedade das ETs para explorar o potencial de crescimento do mercado interno. O quadro abaixo mostra a participação das ETs na economia brasileira no início da década de 70. De acordo com os dados de Doellinger e Cavalcanti (1976) para uma amostra de 318 grandes empresas industriais para o ano de 1973, as estrangeiras representavam 41,8% do número de empresas, 40,4% do patrimônio líquido, 55,2 % do faturamento e 51,1% do emprego. Predominavam nos setores mais intensivos em capital e tecnologia. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 10

12 Estimativa de Participação das ETs nas Vendas da Indústria Por Setor % Setor Participação Fumo 99,9 Material de Transporte 96,4 Produtos Farmacêuticos 93,0 Material Elétrico 76,2 Mecânica 74,7 Plásticos 70,1 Indústrias Diversas 66,4 Borracha 66,1 Minerais N-Metálicos 59,7 Produtos Alimentares 53,8 Produtos Químicos 51,1 Vestuário e Calçados 49,7 Petróleo e Derivados 40,8 Têxtil 37,9 Papel e Celulose 37,1 Ferro e Aço 26,5 Madeira 17,6 Bebidas 14,7 Perfumaria e Sabões 3,3 Editorial e Gráfica 1,0 Mobiliário - Total 55,3 Fonte: Doellinger e Cavalcanti (1976). No comércio exterior, o papel das ETs aumentaria a partir do final da década de 60. Até esse período, as atividades das filiais estiveram fundamentalmente voltadas para atender ao mercado interno, como de resto, em geral, toda a atividade industrial brasileira. Embora o ritmo de crescimento do comércio mundial tenha sido bastante intenso desde o pós-guerra, as exportações brasileiras ficaram praticamente estagnadas até meados da década de 60 em torno ao valor de US$ 1,4 bilhão. Apesar das transformações internas do setor industrial, o café ainda respondia por cerca de 45% do total exportado. Os produtos industrializados representavam apenas 15% das vendas externas (Baumann, 1985). A partir do final da década, quando se tornou explícito o objetivo de aumentar as exportações de manufaturados e foram executadas políticas de promoção, registrou-se um notável crescimento e diversificação da pauta exportadora brasileira, com participação crescente de produtos manufaturados (Baumann, 1985). Entre o início da década de 70 e o início da década de 80, as exportações de manufaturados cresceram quase 30% ao ano e a participação brasileira no comércio mundial aumentou de 0,26% entre para 0,86% no triênio 1981/83 (Gonçalves, 1987). O papel das ETs nesse processo foi importante. Os dados a seguir resumem estimativas de participação das empresas estrangeiras nas exportações brasileiras, segundo estudos de diferentes autores. Como se pode constatar, a atuação dessas empresas foi expressiva na ampliação da exportação de manufaturados. As filiais de empresas estrangeiras também foram responsáveis pela maior parte das exportações dos setores industriais mais dinâmicos. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 11

13 Estimativa de Participação das ETs no Comércio Exterior Vários Anos % Ano Fonte Tamanho da Amostra Participação Fajnzylber (1971) ,8 Fajnzylber (1971) ,3 Baumann (1985) ,1 Doellinger e Cavalcanti (1975) ,4 Baumann (1985) ,4 Baumann (1985) ,1 Willmore(1987b) ,0 Willmore (1987a) ,3 Fonte: Fritsch e Franco (1991). Nota: 1 Definição de empresa estrangeira 10% do capital pertencente a não residentes. 2 Definição de empresa estrangeira 25% do capital pertencente a não residentes. A maior presença das empresas de capital estrangeiro nas exportações dos setores mais dinâmicos e de maior conteúdo de tecnologia e mão-de-obra qualificada foi sublinhada por estudos, como o de Gonçalves (1987). Para o ano de 1980, o autor encontrou índices mais elevados de vantagem comparativa revelada para a economia brasileira em setores tradicionais, como Calçados, Madeira, Couros e Peles, Têxteis e Papel. Considerando as empresas estrangeiras, os índices foram maiores nos setores de Material Elétrico, Material de Transporte, Borracha, Farmacêutica e Mecânica. A conclusão é que um padrão de vantagem comparativa vigorava para as multinacionais instaladas no Brasil, bastante distinto do padrão relativo à indústria brasileira. A atuação das ETs contribuiu para uma maior modernização e sofisticação da indústria, principalmente ao longo da década de 70. Na década de 80 a instabilidade macroeconômica e o baixo crescimento econômico influenciaram o investimento estrangeiro. Nesse contexto, as ETs, como de resto todo o conjunto de grandes empresas industriais, implementaram uma estratégia defensiva. Participação das ETs nas Exportações Por Setor da Indústria Vários Anos % Setor Fanjzylber Doellinger e Baumann Cavalcanti Ano Tamanho da Amostra Minerais não-metálicos 77,8 74,3 65,9 Metalurgia 29 10,5 29,6 Mecânica 78 80,1 83,5 Mat. Elétrico 64,6 91,8 99,2 Mat. De Transporte 72,7 85,6 78 Madeira 3,5 55,7 25 Papel 6,1 75,3 19,2 Borracha 78,2 92,4 100 Couro 18,4 29,8 33,5 Produtos Químicos 26,7 84,1 19,7 Plástico Produtos Farmacêuticos 78, Perfumaria e cosméticos 1,6 90,6 100 Têxteis 11, ,4 Vestuário e Calçados 6,5 57,7 11,7 Alimentos - 75,9 31 Bebidas - 87,6 100 Fumo - 78,2 100 Ind. Diversas 23,3 27,2 - Total 43,3 51,4 49,1 Fonte: Fanjzylber (1971), Doellinger e Cavalcanti (1976) e Baumann (1985). O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 12

14 Isso se traduziu na busca de redução no grau de endividamento e na preservação da rentabilidade, tanto pela elevação dos mark-ups como pelo aumento das receitas nãooperacionais, através da manutenção da riqueza em ativos financeiros, especialmente títulos emitidos pelo governo. Essa orientação deu-se em detrimento de estratégias industriais de expansão de capacidade e inovações tecnológicas e organizacionais. Gonçalves (1994) denominou esse movimento de recuo gradual, caracterizado por uma grande redução nos fluxos de entrada de IDE e pelo aumento no volume de saída e de remessas de lucros. Em média, o fluxo líquido de capital estrangeiro produtivo (investimento, reinvestimento e conversão de dívida menos repatriamento e remessa de lucros) caiu de US$ 2,3 bilhões no período para apenas US$ 357 milhões entre 1982 e A relação entre os fluxos de remessas e entradas aumentou de 24% para 80% entre um período e outro. Ou seja, enquanto na década de 70, para cada bilhão de dólar trazido para o país para fazer funcionar as filiais de empresas estrangeiras, foram remetidos US$ 240 milhões, na década seguinte as remessas aumentariam para US$ 800 milhões para o mesmo valor de entrada de recursos. As informações reunidas por Bielschowsky (1992) mostram que o resultado desse processo foi uma menor participação das filiais estrangeiras nas vendas das maiores empresas do setor industrial. Entre 1980 e 1990, essa participação declinou de 38% para 32%. Esse processo foi generalizado para todos os setores industriais, com exceção de Produtos de Metais. As ETs, ao contrário do período anterior, mantiveram uma posição de espera, sem expandir suas atividades, mas também sem implementar uma estratégia mais agressiva de desinvestimento, dado o estoque de investimento passado, o tamanho do mercado interno e a possibilidade de continuar garantindo rentabilidade pela elevação das margens de lucro e através dos investimentos financeiros. Quanto ao comércio exterior, as estratégias das ETs foram condicionadas pela orientação da política econômica que, frente à necessidade de gerar divisas para honrar os compromissos externos, reforçou os subsídios e incentivos à exportação, elevou as barreiras à importação e manteve uma relação câmbio-salário favorável à exportação. Além disso, a estagnação do mercado interno estimulou ainda mais as grandes empresas na busca de mercados externos como forma de reduzir os níveis de capacidade ociosa. Os dados disponíveis (Bielschowsky, 1992), indicam um desempenho das exportações das ETs bastante superior ao do conjunto da economia brasileira na década de Enquanto o crescimento das exportações de manufaturados alcançava uma taxa média anual de 3,2% entre 1980 e 1989, para as empresas classificadas como estrangeiras entre as maiores exportadoras, o aumento foi de 5% ao ano. Quanto ao coeficiente de exportações (relação entre exportação e vendas), este aumentou entre os anos de 1980 e 1988, de 9,9% para 12,6% para o setor manufatureiro como um todo. Para as ETs a evolução foi muito mais significativa: de 9,9% para 17%. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 13

15 Participação das ETs nas Vendas por Setor da Indústria 1980 e 1990 % Setor Alimentos, Bebidas e Fumo 35,0 33,3 Química Industrial 55,1 47,8 Outros Produtos Químicos 74,1 66,5 Borracha, Plástico e Produtos de Vidro 37,0 29,8 Ferro, Aço e Metais não-ferrosos 43,4 36,2 Produtos de Metais 31,0 35,8 Maquinaria 50,1 42,2 Equipamentos Elétricos 58,0 48,9 Equipamentos de Transporte 74,6 67,1 Outras Indústria 27,3 33,5 Total 38,0 32,6 Fonte: Bielschowsky (1992). Obs.: Participação nas vendas das maiores empresas publicadas pela Revista Quem é Quem na Economia Brasileira (cerca de empresas). Considerando ainda as empresas estrangeiras exportadoras, sua participação nas exportações brasileiras 2 passou de 38,2% em 1980 para 44,1% em 1990, principalmente em razão do desempenho nos setores de Alimentos, Bebidas e Fumo, Metalurgia Básica e Outros Produtos Químicos. Nos demais setores, a participação permaneceu estável ou apresentou ligeiro declínio. Esses dados sugerem que a contribuição das ETs para o enobrecimento na pauta de produtos exportados foi menos relevante do que fora na década de Portanto, as ETs tiveram na década de 80 um papel destacado na elevação das exportações e na geração de saldos de comércio. Ampliaram o coeficiente de exportação, bem como sua participação nas vendas externas brasileiras. Porém, ao contrário do período anterior, sua contribuição em mudar e dar prosseguimento à evolução da pauta exportadora não foi tão relevante. Enquanto na média das exportações brasileiras aumentava a participação dos produtos com maior grau de elaboração, associados a setores como Mecânica, Material de Transporte e Material Elétrico, para as empresas estrangeiras a participação desses produtos diminuiu. Cabe sublinhar que o aumento das exportações das ETs correspondeu a uma estratégia defensiva, a qual também foi observada entre as empresas nacionais. O objetivo era preservar a rentabilidade frente ao contexto de retração e instabilidade no mercado interno. O aumento no grau de proteção comercial, dos incentivos à exportação e a manutenção de uma taxa de câmbio subvalorizada, foram outros determinantes do processo. Participação das ETs nas Exportações por Setor da Indústria 1980 e 1990 % Setor Alimentos, Bebidas e Fumo 24,9 33,9 Química Industrial 71,5 57,2 Outros Produtos Químicos 45,4 65,6 Borracha, Plástico e Produtos de Vidro 71,8 70,2 Ferro, Aço e Metais Não-Ferrosos 34,3 45,4 Produtos de Metais 38,7 32,5 Maquinaria 81,7 82,6 Equipamentos Elétricos 89,1 87,7 Equipamentos de Transporte 78,8 68,2 Outras Indústrias 21,4 13,6 Total 38,2 44,1 Fonte: Bielschowsky (1992). Obs.: Participação nas exportações das maiores exportadoras. 2 Participação das Empresas Estrangeiras nas exportações das maiores exportadoras registradas na CACEX. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 14

16 O Ciclo de IDE dos Anos 1990 Já foi observado que os investimentos estrangeiros no Brasil permaneceram em níveis muitos baixos e relativamente estagnados desde o início da crise da dívida dos anos 1980 até a entrada dos anos Ao longo da década passada voltaram a aumentar, registrando valores muito elevados. De um nível aproximado anual de US$ 1 bilhão nos primeiros anos da década de 1990 e de US$ 500 milhões nos anos 1980, os fluxos intensificaram-se a partir de , quando a economia se estabiliza. Os dados a seguir mostram a evolução do IDE entre 1990 e O IDE atingiu um auge em 2000, quando mais de U$S 32 bilhões líquidos ingressaram no país. Em 2001, e, com maior intensidade, em 2002, os fluxos para a economia brasileira diminuíram em razão da drástica redução do fluxo mundial de IDE e do quadro de instabilidade externa e interna. Como proporção dos fluxos mundiais, os investimentos para o Brasil mostram uma notável progressão: de menos de 1% na primeira metade da década de 1990, atingem 4,2% do total mundial em Nesse mesmo ano, entre os países em desenvolvimento, a participação dos investimentos recebidos pelo Brasil também alcança seu índice máximo: 15,4%. Entre 1999 e 2001, a participação do Brasil foi menor, porém os volumes absolutos permaneceram elevados. Fluxos de Investimento Direto Estrangeiro na Economia Brasileira IDE Brasil (US$ Milhões) Participação no total (%) Mundo 0,9 2,8 4,0 4,2 2,6 2,2 3,1 Países em desenvolvimento 2,7 7,1 9,9 15,4 12,7 13,8 11,0 Fonte: BACEN, CEPAL e UNCTAD. Elaboração própria. Nota: 1 Média anual. A nível mundial, uma importante característica dessa nova onda de investimento foi a predominância de operações de aquisição e fusão (A&F) relativamente aos investimentos em novas plantas. Como se pode observar na tabela a seguir, a parcela de A&F em relação ao volume total de IDE mundial cresceu ao longo dos últimos anos, atingindo 80,8% em Essa tendência foi muito mais acentuada nos países desenvolvidos do que nos países em desenvolvimento. Os dados para o Brasil, no entanto, mostram uma participação de A&F maior do que a média dos países em desenvolvimento, aproximando-se do padrão dos países desenvolvidos. Em grande parte, esse fato explica-se pela participação do capital estrangeiro no processo de privatização de empresas públicas ocorrido ao longo da década de Na segunda metade da década a participação dos investimentos nas privatizações no total do IDE recebido pelo Brasil foi sempre superior a 20%, atingindo 30,7% em Em 2001, essa relação cai para 4,8% do total, determinando também a queda das operações de A&F. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 15

17 Relação Aquisições e Fusões / IDE % Aquisições & Fusões / IDE Mundo 52,3 58,8 63,8 76,6 70,4 76,7 80,8 Países Desenvolvidos 71,1 85,3 86,6 91,5 81,1 86,0 98,6 Países em desenvolvimento 17,0 21,4 35,1 44,1 32,9 29,7 41,9 Brasil 27,5 60,6 63,5 101,8 32,7 70,2 31,2 Privatizações / IDE n.d. 24,5 27,6 21,2 30,7 20,4 4,8 Privatizações / A&F n.d. 40,5 43,5 20,8 93,9 29,0 15,4 Fonte: UNCTAD 2002 e Banco Central do Brasil. Também merece destaque a mudança na composição setorial de destino do investimento. Tradicionalmente, em períodos passados, a maior parte dos investimentos estrangeiros dirigia-se para a indústria. Segundo o Censo de Capitais Estrangeiros de 1995, à indústria correspondia 67% do estoque acumulado de investimentos estrangeiros de US$ 41,7 bilhões. Serviços com 31% e atividades agrícolas com 2,2% tinham expressão muito inferior. Na indústria, a maior parte do capital estrangeiro estava na química, indústria automotiva, metalurgia básica, alimentos e máquinas e equipamentos. Nos serviços destacavam-se a prestação de serviços às empresas (as holdings estão classificadas nesse item), serviços financeiros e comércio atacadista. O Censo de 2000 registraria uma grande mudança deste quadro. Indústria e serviços praticamente invertem suas posições relativas. À indústria passa a corresponder 33,7% do estoque acumulado de investimentos estrangeiros e ao setor serviços, 64%. No período 1996 a 2000, justamente quando os fluxos tiveram um crescimento acelerado, o setor de serviços foi o maior receptor de IDE, registrando valores acumulados de US$ 83,3 bilhões ou 80% do total do IDE no período. Novamente, cabe destacar a privatização de empresas estatais brasileiras como fator condicionante desse resultado, particularmente nos setores de telecomunicações e geração e distribuição de energia elétrica. Esses dois segmentos responderam por 35% do total dos fluxos acumulados Agricultura, Pecuária e Ext.Mineral ,2% ,3% Indústria ,9% ,7% Serviços ,9% ,0% Total ,0% ,0% Fonte: Banco Central. Capital Integralizado Por Não Residentes (IDE) - US$ Mil Empresas com Participação Estrangeira Outro destaque foi a intermediação financeira, refletindo, igualmente, um processo de privatização, no caso, dos bancos estaduais, mas também a aquisição de instituições financeiras por bancos estrangeiros. Cabe sublinhar que o setor de prestação de serviços a empresas, que registra valores elevados, inclui operações de empresas holding. No setor serviços, o estoque de IDE passou de US$ 12,9 bilhões para US$ 65,8 bilhões com crescimento de 412%. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 16

18 Na indústria, a perda de importância relativa não foi acompanhada de queda de valores absolutos de investimentos estrangeiros. Foram mantidos valores elevados sobretudo em setores que já desfrutavam de uma participação relevante no estoque de capital estrangeiro em 1995, como no setor automotivo, químico e alimentos e bebidas. Alguns outros setores na mesma condição, como metalurgia básica, máquinas e equipamentos e papel e celulose, tiveram um fluxo acumulado de investimento estrangeiro bastante abaixo dos demais setores. No total, a indústria absorveu 18% do IDE no período. O estoque de IDE na indústria cresceu 24,4% entre 1995 e Em atividades agrícolas e de extração, destaca-se como receptor de IDE o segmento de extração de petróleo. No conjunto, a atividade agrícola e de extração representou apenas 1,7% do fluxo acumulado entre 1996 e O estoque de IDE, muito inferior ao dos demais setores, cresceu 160% entre 1995 e A tabela a seguir resume os resultados dos Censos de 1995 e 2000, bem como os fluxos acumulados de IDE de 1996 a Note-se que o montante do estoque de capital apurado em 2000 corresponde a um valor (US$ 103,0 bilhões) substancialmente inferior ao resultado da soma do estoque de capitais relativo a 1995 com o fluxo de IDE do período 1996/2000 (US$ 145,4 bilhões). A relação entre um e outro, que é de 70%, reflete o impacto da desvalorização do real em Ainda assim, o crescimento do estoque de capital estrangeiro direto entre 1995 e 2000 foi elevado: 147%. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 17

19 Investimento Direto Estrangeiro - US$ Milhões e % Estoque 1995 Fluxo Ac. 1996/00 Estoque 2000 Valor % Valor % Valor % Agr., pec. e ext. mineral 925 2, , ,3 Agricult., pecuária e servs. relacs ,5 58 0, ,3 Silvicult., expl. florestal e servs.relacs. 30 0, ,2 88 0,1 Pesca, aqüicultura e servs. relacs. 8 0,0-0,0 8 0,0 Extração petróleo e servs. relacs. 72 0, , ,0 Extração de minerais metálicos 567 1, , ,6 Extração minerais não-metálicos 41 0, , ,4 Indústria , , ,7 Fabr. produtos aliments. e bebidas , , ,5 Fabr. de produtos do fumo 715 1, , ,7 Fabr. de produtos têxteis 530 1, , ,7 Conf. de arts. vestuário e acessórios 78 0,2 49 0, ,1 Prep. couros, fabr. artefs. e calçados 428 1,0-0,0 49 0,0 Fabr. de produtos de madeira 29 0, , ,2 Fabr. celul., papel e produtos papel ,9 45 0, ,5 Edição, impressão, repr. gravações 138 0, , ,2 Fabr. coque, petról., combs. nucls., álcool - 0,0 33 0,0 1 0,0 Fabr. de produtos químicos , , ,9 Fabr. artigos de borracha e plástico , , ,7 Fabr. produtos minerais não-metáls , , ,1 Metalurgia básica , , ,4 Fabr. de produtos de metal 573 1, , ,6 Fabr. máquinas e equipamentos , , ,2 Fabr. máquinas escrit. e equips. inform , , ,3 Fabr. máquinas, apars. e mats. elétricos , , ,0 Fabr. mat. eletrôn. e equips. de comunic , , ,1 Fabr.equips.méds.-hospitalar 168 0,4 88 0, ,7 Fabr. mont. veícs. automs., rebs. carrocs , , ,2 Fabr. outros equips. transporte 223 0, , ,3 Fabr. móveis e indústrias diversas 294 0, , ,2 Reciclagem 13 0,0-0,0 12 0,0 Serviços , , ,0 Eletricidade, gás e água quente 0 0, , ,9 Captação, tratam. e distribuicão água 2 0, , ,1 Construção 203 0, , ,4 Comérc. e repar. veícs.,comérc.combusts. 84 0, , ,4 Comérc. atacado e interms. comércio , , ,7 Comérc. varej. e repar. de objetos 669 1, , ,8 Alojamento e alimentação 364 0,9 82 0, ,3 Transporte terrestre 6 0, , ,2 Transporte aqüaviário 90 0,2 55 0,1 73 0,1 Transporte aéreo 25 0,1 11 0,0 10 0,0 Ativs. auxils. transp. e agências viagem 71 0,2 90 0, ,2 Correio e telecomunicações 399 1, , ,2 Intermediação financeira , , ,4 Seguros e previdência privada 150 0, , ,5 Ativs. auxils. da interm. financeira 390 0, , ,4 Atividades imobiliárias , , ,8 Aluguel veícs. máqs. equips. e objetos 363 0,9 52 0,1 84 0,1 Ativs. de informática e conexas 115 0, , ,5 Pesquisa e desenvolvimento 6 0,0-0, ,7 Serviços prestados a empresas , , ,7 Educação 1 0,0-0,0 6 0,0 Saúde e serviços sociais 18 0,0-0,0 70 0,1 Limp. urbana e esgoto e ativs. conexas 2 0,0 34 0, ,1 Atividades associativas 54 0,1 38 0,0 8 0,0 Ativs. recreats. culturais e desportivas 15 0, , ,3 Serviços pessoais 2 0,0-0,0 7 0,0 Organismos internacionais 1 0,0-0,0-0,0 Total , , ,0 Fonte: Banco Central. O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 18

20 Fluxos de IDE - US$ Milhões Indústria Serviços O Investimento Estrangeiro na Economia Brasileira e o Investimento de Empresas Brasileiras no Exterior 19

7.000 6.500 6.000 5.500 5.000 4.500 4.000 3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 - -500-1.000 fev./2010. ago./2011. fev./2012. nov.

7.000 6.500 6.000 5.500 5.000 4.500 4.000 3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 - -500-1.000 fev./2010. ago./2011. fev./2012. nov. 4 SETOR EXTERNO As contas externas tiveram mais um ano de relativa tranquilidade em 2012. O déficit em conta corrente ficou em 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), mostrando pequeno aumento em relação

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