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1 Titulo: Globalização e Investimentos Diretos Estrangeiros Autor: Aline Cristina Amaro de Alencar Publicado em: Revista Eletrônica de Direito Internacional, vol. 7, 2010, pp Disponível em: ISSN Com o objetivo de consolidar o debate acerca das questões relativas ao Direito e as Relações Internacionais, o Centro de Direito Internacional CEDIN - publica semestralmente a Revista Eletrônica de Direito Internacional, que conta com artigos selecionados de pesquisadores de todo o Brasil. O conteúdo dos artigos é de responsabilidade exclusiva do(s) autor (es), que cederam ao CEDIN os respectivos direitos de reprodução e/ou publicação. Não é permitida a utilização desse conteúdo para fins comerciais e/ou profissionais. Para comprar ou obter autorização de uso desse conteúdo, entre em contato, 1

2 GLOBALIZAÇÃO E INVESTIMENTOS DIRETOS ESTRANGEIROS Aline Cristina Amaro de Alencar*1 RESUMO O objetivo deste artigo é fazer uma análise da evolução do processo de Globalização e seus reflexos nos Investimentos Diretos Estrangeiros recepcionados pelo Brasil após a implementação do Plano Real, contribuindo assim, para o aprofundamento do debate em torno do crescimento econômico recente brasileiro. Durante estes últimos anos, as políticas públicas tem sido direcionada para o comércio nos países em desenvolvimento, de forma a estreitar os laços comerciais entre vários países. Nos anos mais recentes, podemos observar mudanças não somente quantitativas, mas também qualitativas, de grande importância para os fluxos comerciais, inclusive na atração de Investimentos Diretos Estrangeiros. Palavras-chave: Globalização Empresas Multinacionais - Investimentos Diretos Estrangeiros. ABSTRACT The aim of this paper is to analyze the progress of globalization and its impact on Foreign Direct Investments approved by Brazil after the Real Plan, thus contributing to deepening the debate on the recent Brazilian economic growth. In recent years, public policy has been directed to trade in developing countries, to strengthen commercial ties between different countries. In recent years, we see changes not only quantitative but also qualitative, of great importance for trade flows, including the attraction of Foreign Direct Investments. Keywords: Globalization - multinational company Foreign Direct Investment. * Mestranda na área de Ciências Jurídico Internacionais na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Assessora Jurídica (em Portugal) e Especialista em Direito Internacional e Direito Ambiental. 2

3 INTRODUÇÃO Este artigo tem como objetivo fazer uma análise da evolução do processo de globalização e seus reflexos nos Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE), recepcionados pelo Brasil após a implementação do Plano Real, contribuindo assim, para o aprofundamento do debate em torno do crescimento econômico recente brasileiro. Com um foco voltado para uma perspectiva capitalista global tentando enquadrar a economia brasileira no contexto mundial. Fazendo uma análise histórica, a economia mundial passou por uma fase de grande desordem monetária, com a prática da desvalorização cambial que imperou após a crise de 1929, onde os países industrializados adotaram medidas individualistas, fator que contribuiu para uma instabilidade do mercado. No período pós Guerra, os Estados Unidos liderarou uma conferência na cidade de Bretton Woods, com o objetivo de estabelecer uma nova ordem internacional, que fosse menos vulnerável as crises econômicas. Nesta conferência, os avanços importantes que destacam-se são: um regime de câmbio mais ajustável; a utilização do ouro como forma de reserva internacional; a livre conversibilidade entre as moedas domésticas e a criação de órgãos reguladores como o GATT, que posteriormente originou a Organização Mundial do Comércio 2 com o objetivo principal de regular o comércio mundial. Desta conferência, também foi criado o Fundo Monetário Internacional, cujo objetivo era equilibrar as balanças de pagamentos; e o Banco Mundial com a finalidade de financiar as infra-estruturas internas dos países. A preocupação era a criação de um sistema financeiro mundial mais estável e desta forma evitar conflitos de interesses entre os países, além de servir como base de um desenvolvimento mais equitativo. As medidas também buscavam uma estabilidade dos preços, dentro do posicionamento de Keynes 3. 2 Organização Mundial do Comércio (OMC). Disponível em 3 O keynesianismo é uma doutrina ativista, que preconiza a ação do Estado na promoção e sustentação do pleno emprego em economias empresariais. Ele dialoga, mas não se confunde com outras doutrinas, que se apóiam em princípios teóricos e prioridades políticas diferentes. Por outro lado, a teoria keynesiana, em parte como herança do seu próprio criador, tem como objeto o mundo real, de modo a ter bem claro que a construção de conceitos e modelos não é, de modo algum, um fim em si mesmo, mas um instrumento de pesquisa empírica e derivação de políticas de ação. Como todo instrumento, conceitos e modelos tendem a tornar-se obsoletos com o tempo, e têm de ser modernizados para que sua eficiência deva ser mantida. O 3

4 Deste acordo, surtiram efeitos imediatos e foram sentidos no cenário mundial, projetando os Estados Unidos como grande potência econômica, já que durante a I Guerra Mundial o país acumulou uma reserva significativa de ouro e no período pós II Guerra Mundial possuía a maior reserva de ouro do mundo. De forma a fazer com que o dólar fosse a única moeda a garantir a livre conversibilidade ao ouro, obrigando assim, os demais países a acumular dólar. Neste contexto do Bretton Woods, os Estados Unidos tornou-se responsável pela provisão mundial de liquidez o que levou o país a desfrutar de uma hegemonia bélica, um poderio econômico e financeiro. Com a decretação do fim paridade entre o ouro e o dólar em 1971, as flutuações tenderam a ser maiores, uma vez que ficaram dependentes do comércio mundial. A estabilidade do câmbio e dos juros vigorou no sistema Bretton Woods 4, que deixou de existir definitivamente em 1970, passando a existir mais volatilidade e aumentando a instabilidade dos mercados financeiros. Atualmente, o sistema financeiro internacional desfruta de uma ampla liquidez e negociam mundialmente seus ativos, incentivando assim os investimentos privados, uma vez que estimula os detentores de capitais a manterem suas riquezas de forma mais líquida. Essas formas estão incluídas, preferencialmente, nos ativos financeiros rentáveis, que passaram a ser mais voláteis em seus preços, o que tem implicado a possibilidade de seus detentores capitalizarem grandes somas de capitais, o que faz aumentar o processo de especulação tornando o sistema financeiro internacional mais instável. O processo de globalização financeira tem se caracterizado pelo crescimento da demanda de ativos financeiros em uma taxa superior ao crescimento da economia mundial, pela razão das oportunidades amplas de auto-valorização do capital financeiro. A experiência brasileira de estabilização seguiu o padrão geral como os demais países latino-americanos, diante da política cambial fixa, mais ajustável e de forma rígida, a liberalização comercial promoveram elevados déficits nas contas correntes ampliando consideravelmente a necessidade de atrair poupança externa. Os Investimentos Diretos Estrangeiros tornaram-se um tema de grande importância para a economia mundial, porque envolve os movimentos internacionais de 4 Bretton Woods. Disponível em 4

5 capitais e as questões referentes as transnacionais 5. Neste contexto, é importante a análise da inserção do Brasil na globalização financeira, durante a década de 1990, bem como avaliar a estratégia do Plano Real e suas consequências em termos vulnerabilidade externa e crescimento econômico. Através da perspectiva histórica e teórica, procura-se acentuar a tendência irreversível da integração das economias nacionais, como a brasileira, na economia mundial e a perda progressiva de autonomia do país para formular suas próprias políticas de estabilização e desenvolvimento. 2- GLOBALIZAÇÃO 2.1. Aspectos Gerais Desde que surgiu o termo "globalização", na década de 1960, na literatura popular e acadêmica para descrever um processo, uma condição, um sistema, uma forma ou uma era. Diante dos diferentes significados e da utilização de forma indiscriminada, a expressão globalização é utilizada como sinônimo de uma condição social, uma características de interligação e de fluxos globais a nível econômico, político, cultural e ambiental, o que tornam os limites quase que incalculável. Também pode ser definido como um conjunto de processos sociais, que se pode transformar a condição social presente em um contexto globalizado. Na essencia, é possível afirmar que a globalização alterou a forma de contacto humano. Segundo Anthony Giddens 6 (1991), definiu a globalização como: A globalização pode, assim, ser defenida como a intensificação à escala mundial, de relações sociais que ligam localidade distantes de tal forma que os acontecimentos locais são influenciados por acontecimentos que ocorrem a muitos quilômetros de distâncias e vice-versa. A globalização econômica consiste na criação de um único mercado mundial integrado, onde os bens e capitais fluem sem barreiras, de acordo com as vantagens comparativas que cada espaço oferece e sem a interferência protecionista dos governos. 5 Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) consagrou a expressão transnacional, isto é, de empresas que atuam além e através das fronteiras estatais. É mais correto, porque o qualificativo multinacional podia conduzir a equívoco se fosse interpretado ao pé da letra, vez que as empresas não tem muitas nacionalidades. 6 GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: UNESP,

6 Esta expansão econômica no mundo foi interrompida pelas duas Grandes Guerras, o que dificultou o desenvolvimento. O início da Guerra Fria e a divisão do mundo em dois grandes blocos não contribuiu em nada nesse contexto, a partir de 1970, verificou-se o regresso efetivo do capitalismo liberal e globalizado. A globalização inscreve-se num processo histórico longo e complexo, as suas causas são múltiplas, de ordem política, demográfica e tecnológica, entre outras. Caracteriza-se como um desdobramento cíclico das circustâncias econômicas e sociais na história das civilizações. A primeira etapa deu-se com o expansionismo mercantilista ( ), a segunda etapa é a denominada Revolução Industrial ( ), a terceira etapa foi a financeira ( ) e a mais recente iniciada após 1980 com a globalização tecnológica 7. Com a abertura do comércio internacional muitos países alcançaram um desenvolvimento em grande escala, o que não aconteceria em outros momentos e outras circunstâncias. Com o processo de globalização, o cenário mundial sofreu alterações ao longo do tempo, a vida das pessoas em todo o mundo estão em constante esforço para se adaptarem as necessidades que a sociedade impõe, reduziu-se as distâncias entre as nações, a comunicação agora é instantânea, a informação hoje é acessível á grande parte da população. Tudo isso é reflexo do processo de globalização. Existem divergências de opiniões a respeito da globalização, é natural que surja, diante de tantas mudanças, algumas benéficas e outras nem tanto, é importante que tenham opiniões e até posicionamentos muitas vezes contrários. Os mais conservadores e desacreditados, argumentam que a oposição está pautado nas questões como o aumento das diferenças sociais, a pobreza extrema persistente em algumas regiões do continente africano, o protecionismo dos Estados Unidos diante das outras economias, a má divisão das riquezas obtidas, etc. Outros argumentos utilizados são baseados na enorme interdepência dos mercados, aumento do risco de uma crise sistêmica, como a do subprime, que afetou diretamente a estabilidade econômica dos países, como temos verificado nestes últimos tempos. Acusam as grandes economias como a norte-americana de medidas egoístas de benefício exclusivamente individual, como exemplo, da insistência e da pressão feita sobre países em desenvolvimento para que esses eliminassem suas próprias barreiras alfadegárias, entretanto, manteve as suas barreiras e reforçou suas limitações a 7 ARRIGHI, G. O Longo Século XX. São Paulo: Saraiva

7 importanções e garantindo sua posição de fovorecido. Os bancos ocidentais cresceram imenso neste últimos tempos com a abertura comercial, e os mercados emergentes como a América Latina e a Ásia sofreram imensamente com a inconstância do mercado especulativo e com a rapidez de entrada e saída de capital enfraquencento substancialmente as moedas locais destas regiões. Contudo, outros se adaptaram e tiraram proveito econômico deste processo. As empresas multinacionais tem contribuído para este processo ao impulsionarem a circulação de produtos, capitais, serviços, pessoas e tecnologias além das suas fronteiras. A globalização tem seus pontos negativos que são inquestionáveis, contudo, os pontos positivos são infinitamente superiores e a evolução do processo de integração fez surgir blocos regionais e possibilitou que os bens, os serviços, o capital e as pessoas circulem sem barreiras artificiais, estes são apenas alguns exemplos dos reflexos benéficos deste processo. Joseph E. Stiglitz 8 (2002) em sua obra expressa que: temos um sistema que poderíamos definir como uma gestão global sem um governo global, onde algumas instituições como banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização Mundial do Comércio e alguns agentes como Ministério das Finanças, do Comércio e da Indústria estritamente ligados a certos interesses comerciais e financeiros, dominam a cena ( ). É importante pensar no caminho a seguir, nos passos a dar em relação a criação de "poderes internacionais", quais interesses por eles defendidos. Ou seja, todo o rumo da globalização deve ser mais bem elaborado de forma, que todos os países sejam ouvidos de forma igualitária, para que seja possível encontrar um caminho mais equilibrado e mais justo deste processo natural evolução humana denominada "globalização" Globalização Econômica O processo de globalização encontra-se hoje, numa nova e complexa fase que oferece grandes oportunidades aos agentes econômicos. Após uma primeira etapa relacionada com a internacionalização da economia nos anos 20, a aposta na globalização ganhou força em Washington em 1939, quando o U.S. Council on Foreign Relations começou a reunir os profissionais de política externa 8 STIGLITZ, Joseph E. Globalização a grande desilusão. Edição

8 para debater a economia mundial no pós-guerra e no período que se seguiria. Desses encontros surgiram a recomendação para uma abertura do fluxo de pessoas, bens e serviços. Os acordos de Bretton Woods de 1944 que levaram à criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional que impulsionou o desenvolvimento econômico através de comércio livre. Os EUA dominou o mundo e postura idêntica tinha sido defendida um século anterior pela Grã-Bretanha, quando este país dominava a economia mundial. Em 20 de Janeiro de 1949, o presidente americano Harry Truman chamou a atenção no discurso inaugural ao Congresso para as condições em países pobres, a que chamou publicamente pela primeira vez, subdesenvolvidos. Esta posição americana foi partilhada com outros personagens de destaque no contexto social do período, estes concebiam o mundo como uma arena em que nações competem por melhor posição no ranking do PIB no mundo. Os Estados da OCDE 9 realizaram reformas de liberalização econômica indispensáveis para atrair os investidores estrangeiros e para obter empréstimos e garantias de organismos financeiros internacionais. Os países em desenvolvimento que solicitaram incentivos e ajudas, acabaram por contribuir imenso, de certa forma, para o processo de globalização. O Banco Mundial esteve ativamente neste programa de ajustamento estrutural a concessão de empréstimos, juntamente com o FMI que tornaram-se essenciais no processo de globalização. Os países que aceitavam os empréstimos, tinham que fazer um conjunto de reajustamentos anti-protecionistas, como privatizar, desregulamentar, cortar barreiras alfandegárias, desvalorizar a moeda nacional, não aumentar salários. Fato que conduziu a maior internacionalização da economia a partir da década de 70. As instituições bancárias ganharam imenso neste últimos tempos, tornando-se mais difícil o controle. A compra, venda e o empréstimo de produtos monetários tornou-se um negócio em si só. Presenciou-se o fim dos últimos laços do dinheiro com o território de origem 10. É neste contexto que os EUA lideraram o desafio internacional de controlar os mercados financeiros, em nome da eficiência e da equidade, exigiam que os bancos 9 Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Disponível em: 10 FRANCO, Gustavo H. B. A inserção externa e o desenvolvimento. Vol. 18, n. 3, São Paulo: Revista de Economia Política, julho-setembro

9 estrangeiros recebessem o mesmo tratamento em todo o mundo. Após 1989, com o fim da Guerra Fria, libertou-se a comunidade internacional de dependências ideológicas constrangedoras referentes a globalização, a vitória do ocidente substituiu o protecionismo econômico, já desacreditado, defendido pela ex- URSS. Os mercados já consolidados ou emergentes da Europa, América e Ásia começaram a integrar-se, aprofundaram zonas de comércio livre como a União Europeia, NAFTA, MERCOSUL ASEAN, e APEC. Ficava de fora a China, que segundo alguns indicadores já estava a se tornar uma grande potência econômica mundial. A globalização econômica em curso, levou-se a concluir que as forças do mercado sustentariam um crescimento econômico permanente e a longa marcha da humanidade estava a atingir a certeza que a vitória seria da sociedade de consumidores. Em Junho de 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), abriu com o panorama de quase cinquenta anos de história de globalização no pós-guerra. Resultou nos pedidos dos países em desenvolvimento, para que houvesse melhores transferências de tecnologia, e um maior alívio da dívida externa, além de uma ajuda multilateral 11. Após sete anos de negociações no GATT 12, os governos participantes cederam aos encantos aliciantes da globalização, de certa forma, as solicitações dos países em desenvolvimentono, assinando em 1995 acordos que deram origem a Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC surge neste contexto, com a missão de regular o papel das empresas no mercado mundial, através das normas internacionais, atuando na regularização dos problemas do comércio internacional, das políticas de competição dos investimentos internacionais, e da liberalização das trocas. O novo regime de comércio livre da Organização Mundial do Comércio (OMC), levou a criação de condições globais para transferências maciças, este processo foi acelerado por medidas sucessivas de desregulamentação e liberalização dos mercados financeiros que encorajavam a globalização. Os mercados e os sistemas mais liberais tendem a ser abertos, providenciando maior facilidade de acesso, maior transparência de preços e de informação. Mas este ambiente global, é de alguma forma, favorável ao ataque dos especuladores. 11 Organização das Nações Unidas (ONU). Disponível em: 12 O General Agreement on Tariffs and Trade (GATT) foi estabelecido em 1947, tendo em vista harmonizar as políticas aduaneiras dos Estados signatários. 9

10 A evolução deste processo, resultou em um grau maior de competitividade no comércio de bens e serviços mundiais e um aumento do movimento internacional de capitais. Maior disputa de Investimentos Diretos, oriundo de uma maior participação de mercados emergentes, como exemplo, a China. Assim, o dinheiro perde relação ao mundo concreto de bens e serviços nacionais e locais, o valor do dinheiro fica totalmente flutuante dependente de decisões de investidores e especuladores, podendo originar as bem conhecidas crises bolsistas. Uma vez analisados os problemas provocados pela globalização, é importante que os países inseriram-se de forma específica, atendendo necessidades próprias de cada país. Antes de tudo, é necessário que se tenha um projeto interno de desenvolvimento bem explícito, atendendo as prioridades desejadas pela sociedade, uma vez desenhado tal projeto, cuja discussão e execução devem ser encaminhadas pelo Estado, será possível preparar uma inserção na globalização mais afetiva e adequada à realidade de cada país. 3-INVESTIMENTOS DIRETOS ESTRANGEIROS O Investimento Direto Estrangeiro é um tema de grande importância na economia internacional, envolve todos os movimentos internacionais de capitais e levanta uma problemática ligada a estratégia das empresas transnacionais no aproveitamento de recursos. Segundo o Fundo Monetário Internacional- FMI 13 : os investimentos diretos internacionais são os efetuados com finalidade de adquirir interesses duradouros numa empresa, na qual exerce as suas atividades no território de uma economia distinta do investidor, onde o investidor adquire poder de decisão efetivo na gestão desta empresa. O código de liberalização dos movimentos de capitais da OCDE 14, o investimento direto internacional é efetuado com o objetivo de estabelecer elos econômicos duráveis 13 Fundo Monetário Internacional (FMI). Disponível em: 14 A Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) é uma organização internacional de 31 países que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado. Os membros da OCDE são economias de alta renda com um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e são considerados países desenvolvidos. Teve origem em 1948 como a Organização para a Cooperação Económica (OECE), liderada por Robert Marjolin da França, para ajudar a administrar o Plano Marshall para a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial. Disponível em: 10

11 com uma empresa, tais como, investimentos que possibilitam exercer uma influência real, na gestão da empresa através da criação ou extensão, de uma filial ou sucursal, pertencente exclusivamente ao empregador de fundos, ou da aquisição integral de uma empresa já existente. Nestas perspectivas, o fluxo de investimentos internacional é igual ao saldo da balança de transações correntes, o IDE (investimentos diretos estrangeiros) de um país é a soma positiva ou negativa, revelando os recebimentos/pagamentos. Trata-se de uma noção líquida, distinguindo-se dos movimentos de capitais, que dizem respeito as entradas e saídas de capitais. Na verdade o IDE é representado pelo somatório dos haveres, bens e créditos, que os investidores de um país detêm em outro país. Tem portanto, duas características essenciais: é monetário, por se tratar de um montante de capital transferido de um país para o outro; e não há restrição quanto a destinação final do capital 15. As transferências e transacções são livres, com exceção do investimento que tem caráter exclusivamente financeiro, cujo objetivo é dar ao investidor acesso direto ao mercado financeiro. A base jurídica do Investimento Direto Estrangeiro está nos instrumentos bilaterais ou multilaterais, os instrumentos bilaterais visam encorajar e proteger os investidores, já os instrumentos multilaterais tem amplitude mundial e visam equilibrar os direitos e deveres dos investidores e dos Estados de origem dos investimentos. Quando assume caráter regional, a finalidade é de promover zonas de cooperação, ou seja, de integração 16. Por regras de tratamentos, as de direito interno ou de direito internacional, que definem o regime jurídico do investimento internacional, desde o momento da sua constituição até o momento da liquidação 17. A área de negociação dá origem ao que chamamos de regime de investimentos, que deve comportar obrigações recíprocas, entre os países de origem e os de acolhimento, transferências tecnológicas, modo de repatriamento de dividendos e recuperação do capital investido. As regulamentações regionais de investimentos estrangeiros são normalmente 15 BRAGA, José Carlos de Souza; TAVARES, M. C. (et tal). Financeirização global - O padrão sistêmico de riqueza do capitalismo contemporâneo. Poder e Dinheiro. Uma economia política da globalização. Petrópolis: Vozes, Banco central do Brasil. Disponível em: 17 European Investiment Bank. Disponível em: 11

12 orientadas de acordo com o país de acolhimento e o conteúdo jurídico varia consideravelmente de país para país. É inegável que os investimentos contribuem de forma benéfica aos países de acolhimento, benefícios financeiros onde há uma acumulação de capitais, além disso, um investimento de sucesso acaba por atrair novos investimentos. Existem formas dos Estados adotarem medidas para maior atração de investimentos estrangeiros, já que em muitos casos, encorajar o investidor é uma tarefa árdua, diante das instabilidades macroeconômicas e das diferenças culturais e variações jurídicas que existem de um país para o outro. Em muitos setores de bens e serviços a exportação destes produtos pode ser uma alternativa altamente lucrativa e viável para as empresas, sendo assim, faz-se a explicação destas dificuldades enfrentadas pelas empresas ao expandir além fronteira seus negócios, principalmente, no caso dos investimentos diretos estrangeiros, se optarem pela implementação da modernização das filiais estrangeiras e não das matrizes. As teorias macroeconômicas são diversificadas no que se refere ao tema de investimentos diretos estrangeiros. Para Elias Gannagé 18 (1985), em sua obra, há cinco principais grupos de teorias explicativas: a primeira denominada teoria do comportamento oligopolístico; a segunda teoria baseada na aversão aos riscos; a terceira teoria tem como base a informação; a quarta teoria eclética de base cíclica e a última teoria é a eclética contemporânea. Para Dunning 19 (1993), descreve quatro formas de explicar este processo de atração de investimentos, e separa: a primeira teoria baseada em busca de recursos, a segunda teoria na busca de mercados, a terceira na busca de eficiência e a última teoria na busca de ativos estratégicos. Apesar da identificação com a segunda corrente, com as quatros formas de atração, é importante reter que os investidores observam todos os aspectos disponíveis e vão em busca de maiores incentivos e uma maior facilidade a nível de barreiras alfandegárias, onde o lucro será maior, variando de acordo com o setor que a empresa atua. Logo, a política de atração de investimentos diretos estrangeiros buscam contemplar de forma diferentes diversos elementos que possam influenciar na escolha do 18 GANNAGÉ, Elias. Economie de I'endettement internacionais-théories et politiques, puf, pag 25 a DUNNING John. American Investiment in Britsh Manufacturing Industry, new revised and Updated Edition,

13 investidor, inclusive, o aspecto jurídico que é de grande importância. O principal efeito é na poupança interna, onde o ambiente favorável ao investimento reforça as estruturas financeiras do país de acolhimento, por exemplo, os Estados organizam suas estruturas internas, mas normalmente, não conseguem gerir suas empresas de forma eficaz, sendo necessário um processo de privatização, como forma de recuperação destas empresas, neste aspecto a iniciativa privada possui uma gestão mais eficiente. No entanto, é necessário preencher alguns requisitos legais para que estas privatizações possam contribuir para o crescimento econômico. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional abordaram estas questões, como perspectiva essencial para um acesso a auxílios financeiros destas economias. O Investimento Direto Estrangeiro é um componente fundamental da nova fase da globalização, pois segundo opinião de países como os Estados Unidos da América, o crescimento gerado através de medidas como liberalizações e privatizações, juntamente com a macro estabilidade, geram fatores de atração de investimentos estrangeiros, o que ocasiona um maior crescimento econômico. As empresas estrangeiras trazem, inovações tecnológicas, acessos mais rápido ao mercado externo, melhores fontes de financiamentos que são de extrema importância para os países, além de criar novas oportunidades de emprego e fomentar a economia do país receptor. O Investimento Direto Estrangeiro, é sem margem para dúvidas, um dos protagonistas do desenvolvimento econômico da maioria dos países em desenvolvimento Tipos de investimentos No que é referente a classificação, com base na decomposição das operações, recebem as seguintes denominações: Investimento Privado, Iinvestimento Público ou Investimento Misto Os investimentos privados são aqueles realizados por agentes econômicos ou por uma empresa. Os Investimentos Públicos são aqueles realizados pelos Estados ou Organizações Internacionais. E o Investimento Misto, é a combinação de ambos anteriores. 20 STIGLITZ,Joseph E. Globalização a grande desilusão,, edição

14 Os Investimentos Privados podem ser divididos em investimentos comerciais e investimentos industriais, ambos tem o objetivo de penetração nos mercados internacionais. O investimento comercial está ligado a exportações com menores saídas de capitais, já o investimento industrial acarreta, normalmente em fluxos de reimportação e transferência de tecnologia Quanto à duração Admite-se o investimento curto (inferior a um ano), médio (entre 1 e 5 anos) e a longo prazo (acima de 5 anos) Quanto à Forma Encontramos aqui, os donativos, que são realizados pelos Estados, e tomam forma de auxilio público ao desenvolvimento. Os investimentos de contrapartida possuem três modalidades: empréstimos (abragem toda espécie de créditos), investimentos de carteira (aquisições de ações, obrigações ou titúlos de tesouro nos mercados financeiros) e o investimento direto (implica a criação de controle de empresas) Quanto ao critério do tipo Os investimentos de mercado (efetuados no mercado financeiro) e os investimentos fora de mercado, em todos os tipos de investimentos internacionais, há uma circulação de moedas que leva a poupanças nacionais em todo o mundo, apoiando empresas internacionais, facilitando trocas deficitárias em alguns países que sustentam as finanças públicas de outros, fator que contribui para a integração do mercado financeiro mundial. Há aspectos a serem considerados, que estão ligados diretamente aos Investimentos internacionais, tais como: Segurança e risco, rentabilidade (lucro), valorização (parâmetro que ultrapassa o rendimento e a segurança do investidor, para atender o fenômeno inflacionista), conversibilidade e fácil administração Balança de Pagamento e Balanço de Pagamento O balanço de pagamento distingue-se de Balança de pagamento, o primeiro é o 14

15 controle de todas as entradas e saídas de capitais de um país, neste estão contidos o balanço de transações correntes (balança comercial, transferências, etc ). Na Balança de pagamentos que são registados todos os movimentos financeiros são decorrentes das relações econômicas ocorrida entre um determinado país e o resto do mundo, nesta se inclui as exportações e as importações. Fazendo uma análise micro-econômica, estuda-se o impacto do investimento internacional como fenômeno de fato, neste caso, enquadra-se os ativos reais como equipamentos, propriedade, patentes, stock, etc ). Através de uma análise mais profunda, macroeconômica, equaciona projeção do investimento sobre a balança de pagamentos, aqui incluí-se os planos financeiros, com forma de análise do fluxo. Nos países de acolhimento, há uma discussão importante, uma preocupação com a existência, muitas vezes, de um nacionalismo exacerbado, como efeito imediato dos benefícios trazidos pelo aumento do rendimento nacional e pelo aumento de empregos, consequentemente maior bem-estar social. 4-PLANO REAL O Plano Real foi uma medida adotada de estabilização econômica, cujo objetivo primário era superar um problema crônico da economia brasileira, a hiperinflação. Conjugou-se condições políticas, históricas e econômicas para permitir que o governo brasileiro lançasse, ainda no final de 1993, a base deste programa. Organizado em etapas, o plano resultaria no fim de quase três décadas de inflação elevada e na substituição da antiga moeda pelo Real, a partir de primeiro de julho de Os antecedentes histórico levaram o Governo Federal, implementar um conjunto de medidas econômicas que ficariam conhecidas como Plano Real. Em 1992, somente quatro países no mundo tiveram inflação superior a por cento: a Rússia, a Ucrânia, o Zaire e o Brasil. Neste último, o país ficou mergulhado durante anos numa dura crise econômica, cuja raiz era fiscal. A inflação crônica foi o maior obstáculo, que impedia que o Brasil voltasse a crescer de forma sustentada e pudesse, finalmente, começar a saldar a imensa dívida social que acumulou, para com seu povo durante décadas de desenvolvimento excludente e inflação alta, marcada por uma das mais brutais concentrações de renda 15

16 que se teve notícia no mundo contemporâneo. A causa fundamental da "doença" inflacionária brasileira era a desordem financeira e administrativa do setor público, os seus múltiplos sinais são: falta de recursos para o custo dos serviços básicos e para os investimentos do governo que são indispensáveis ao desenvolvimento do país, vazamento dos escassos recursos da República devido ao desperdício, a ineficiência, a corrupção, a sonegação e a inadimplência, o endividamento descontrolado dos Estados, Municípios e bancos estaduais, exacerbação dos conflitos distributivos a todos os níveis 21. Para evitar a falta de êxito que outras políticas anti-inflacionárias tiveram, notadamente, o Plano Cruzado, fazia-se imperativo o estabelecimento de uma solução definitiva para os problemas. Neste contexto, o Programa de Estabilização Econômica ou Plano Real foi concebido e implementado em três etapas: a) o estabelecimento do equilíbrio das contas do Governo, com o objetivo de eliminar a principal causa da inflação brasileira, que era a desordem das contas públicas; b) a criação de um padrão estável de valor que denominamos Unidade Real de Valor URV; c) e a emissão desse padrão real de valor como uma nova moeda nacional de poder aquisitivo estável, o Real 22. A primeira etapa, de ajuste das contas do Governo, teve início em 14 de junho de 1993, com o programa de Ação Imediata-PAI, que estabeleceu um conjunto de medidas voltadas para a redução e para maior eficiência dos gastos da União neste exercício, reorganizou a recuperação da receita tributária federal, equacionou as dívidas de Estados e dos Municípios, assim como a da União. Possibilitou-se um maior controle dos bancos estaduais, e deu-se início o saneamento dos bancos federais e aperfeiçoamento do programa de privatização. A segunda etapa do programa de estabilização foi inaugurada com a publicação da Exposição de Motivos nº 395 de 7 de dezembro de 1993, que definiu as linhas gerais do programa e teve continuidade com a edição da Medida Provisória nº 434, de 28 de fevereiro de 1994, aprovada pelo Congresso Nacional na forma de Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994, que criou a URV 23 e previu sua posterior transformação no Real. 21 GONÇALVES, Reinaldo. O Brasil e o Comércio Internacional. Transformações e perspectivas. São Paulo: Contexto Editora, CARNEIRO, Ricardo. Desenvolvimento em Crise A economia brasileira no último quarto do século. São Paulo: XX.UNESP,IE/UNICAMP, Unidade Real de Valor ou URV foi a parte escritural da atual moeda corrente do Brasil, cujo curso obrigatório se iniciou em 1º de março de Foi um índice que procurou refletir a variação do poder aquisitivo da moeda, servindo apenas como unidade de conta e referência de valores. Teve início juntamente 16

17 Neutralizada a principal causa da inflação, que era a desordem das contas públicas, a criação do URV proporcionou aos agentes econômicos uma fase de transição para a estabilidade de preços. Padrão de valor que se integrou ao Sistema Monetário Nacional, com sua cotação fixada diariamente pelo Banco Central do Brasil com base na perda do poder aquisitivo do Cruzeiro Real, a URV veio restaurar uma das funções básicas da moeda, destruída pela inflação: a função de unidade de conta estável para denominar contratos e demais obrigações, bem como para referenciar preços e salários. A terceira fase do Programa de Estabilização Econômica, ou ainda, a entrada em vigor da nova moeda o Real, constitui um marco fundamental na direção do objetivo nacional de retomada sustentada do crescimento com estabilidade de preços. A estratégia do Plano Real consistiu basicamente na fixação da taxa de câmbio, controle dos preços, na ampla abertura financeira para facilitar o ingresso de capitais e na elevação da taxa doméstica de juros, como atrativo de novos capitais e como elemento de contenção da demanda e dos preços internos. Fazia parte da mesma estratégia, acelerar o processo de privatização, que funcionaria como novo estímulo aos investimentos externos e também como reforço fiscal do Caixa do Tesouro. A fixação do câmbio e a imediata valorização da moeda nacional face ao dólar inverteu a tendência da balança comercial, que era fortemente positiva e logo começou a apresentar elevados déficits, especialmente em decorrência do aumento das importações 24. Gustavo Franco 25, presidente do Banco Central no período, descartou haver uma defasagem cambial, dizendo que a mesma só poderia existir numa economia fechada, como havia sido a brasileira no passado. Além disso, um déficit inicial em conta corrente seria até benéfico, ao aportar nova poupança externa ao desenvolvimento brasileiro, pois parte das importações era constituída de bens de capital, o que reforçaria os investimentos e aumentaria a produtividade da economia. Os novos fluxos de capitais teriam também a virtude de operar uma reestruturação produtiva da economia brasileira, ao remodelar novo ciclo de investimentos e, por consequência, de desenvolvimento nacional. com o Cruzeiro Real (CR$) até o dia 1º de julho de 1994, quando foi lançada a nova base monetária nacional, 24 Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Disponível em: 25 Banco Central do Brasil. Disponível em: 17

18 O novos investimentos, mais intensivos em tecnologia, fortaleceriam a produtividade, e, por consequência, a competitividade externa da economia, elevando as exportações e reduzindo as importações, ou seja, o governo parecia apostar que o ajuste espontâneo e gradual da balança comercial afastasse os riscos de crise e, com isso, permitisse a continuidade da política cambial. O programa de estabilização que foi colocado em prática em 1994, serviu como método para alcançar mais rapidamente a estabilização dos preços através da fixação do valor da moeda tanto no campo interno como no campo externo. O valor externo é definido através da relação de equivalência ou taxa de câmbio da moeda local em relação a moeda referência externa, no caso o dólar. Já a moeda doméstica é definida pelo poder de compra. É comum a utilização compulsória de uma moeda externa como referencial, para que esta substitua de imediato a moeda interna em momentos necessários, no caso brasileiro, a moeda norte-americana cumpre está função como forma de garantir o processo de estabilzação. A estabilidade pressupõe um valor nominal invariável de determinados bens representativos, conforme os preços desses bens em moeda externa, uma variação de valor externo de moeda se traduziria numa variação equivalente ao valor da moeda doméstica, isso serve como âncora cambial do processo de estabilização de um conjunto de preços de uma economia comercializável. A taxa de câmbio é uma das bases de uma economia e está diretamente relacionada com á importância da moeda externa como forma de reserva de valor, no caso brasileiro, devido a complexidade da sua economia doméstica e das relações financeiras, a taxa de câmbio foi relacionada diretamente com a taxa de juros de curto prazo, onde a inflação, ou seja, a variação do valor interno da moeda, seria explicada pelos fatores responsáveis pela instabilidade da taxa de câmbio. Os desequilíbrios dos financiamentos do setor público, acabam por gerar a perda do valor interno da moeda e por exigir um reajuste do valor externo. Do ponto de vista de Ricardo Carneiro 26, em sua obra "Desenvolvimento em crise", a âncora cambial serve como artifício para deter o processo inflacionário, para que haja um impacto direto no rejuste dos preços por via dos bens comercializáveis, ou até mesmo impacto indireto indexador, mas insuficiente. As teorias ortodoxas defendem que há uma relação entre déficits e taxa de 26 Op. Cit. Pag

19 inflação, mas a versão contemporânea utiliza como base as expectativas racionais (1994), e entende que é irrelevante a forma que é feito o financiamento público por moedas ou títulos. Entretanto, a diferença entre as duas teorias, está baseada na hierarquia entre os fatores determinantes da inflação onde para a teoria ortodoxa há o reconhecimento do papel direto e indireto da taxa de câmbio na realimentação da inflação, onde as razões essenciais estão ligadas ao déficit e dívidas públicas excessivas. O ponto de visto heterodoxa é o inverso, a inflação origina-se das variações das taxas de câmbio e seus impactos diretos e indiretos nos preços, bem como os efeitos da deteriorização das contas públicas. A mudança operada na inserção externa brasileira, do ponto de vista financeiro, houve uma abertura que atraiu financiamentos externo em grande escala até 1997, fato que permitiu uma superação de escassez de divisas típicas da década anterior que demonstrava o baixo valor das reservas internacionais e a instabilidade da taxa de câmbio. Esta abertura permitiu uma ampliação no acúmulo das reservas domésticas internacionais, assegurando o valor externo da moeda. Colocados os pressupostos mais gerais da estabilização, bem como seus principais instrumentos, caberia um análise dos resultados do ponto de vista da inflação e preços relativos, bem como das principais variáveis macroeconômicas, isto é, do câmbio, dos juros e salários. Após a fase inicial de alinhamento de preços relativos, todos os preços expressos obrigatoriamente em reais a partir de Julho de 1994, ficou então caracterizada a queda permanente da inflação na nova moeda, mas já se evidenciara na unidade de conta (URV). Apesar disso, a taxa de inflação ainda continuou expressiva durante os dois anos seguintes, caindo para um dígito anual apenas no início de A morosidade na queda da taxa de inflação deveu-se, sobretudo, ao lento declínio dos preços dos bens não comercializáveis, que caíram muito mais rápido. Dado o mecanismo de alinhamento de preços estabelecido pela URV, é pouco provável que essa inflação residual tenha sido produzida por descoordenação. Foi produto da ancoragem cambial e da abertura comercial que internalizou um vetor de preços externos para os bens comercializáveis, em simultâneo com o crescimento do nível de atividades que permitiu um aumento dos preços dos bens não comercializáveis. Portanto, a mudança de preços relativos, que já vinha ocorrendo desde o início da década por conta da abertura, acelerou-se na fase da URV em razão do aquecimento do nível de 27 Ministério da Fazenda. Disponível em: 19

20 atividades. A fixação da taxa de câmbio nominal permitiu, assim, que a moeda nacional recuperasse a sua função de padrão de preços, para o conjunto dos bens comercializáveis, a estabilização dos preços é imediata. Eles estão cotados internacionalmente e seus valores na moeda doméstica são estabelecidos multiplicandoos pela taxa de câmbio. Como a taxa é fixa, os preços tornam-se estáveis, excetuando-se momentos de eventuais choques quando mudam as condições no mercado internacional. O subconjunto dos bens não comercializáveis possui outra trajectória, por outro lado, cessam os mecanismos de indexação, o que detém o crescimento absoluto dos preços. Todavia, como as condições de sua determinação são preponderantemente internas, pode haver alteração desses preços como decorrência da evolução da trajetória da economia. A rapidez com a qual a estabilidade ocorre, depende, portanto, da mudança de preços relativos que acompanha os programas de estabilização. Essa mudança, por sua vez, depende essencialmente da participação dos bens comercializáveis na oferta doméstica. Considerada a questão através deste ponto de vista, percebe-se que a abertura comercial constitui outro importante instrumento de estabilização dos preços internos, de um lado aumentou a participação dos bens comercializáveis no conjunto de preços domésticos, e de outro criou-se um limite ao reajuste interno de preços em razão da concorrência potencial das importações. Como se pode observar, a relação câmbio/salários é fortemente declinante entre 1991 e 1995, estável no triénio e cresce em por força da desvalorização cambial. A mudança na relação câmbio/salários, resulta da fixação do primeiro num contexto de inflação residual e do aumento do salário nominal acima da inflação, que dá uma pálida idéia das mudanças de preços relativos ocorridas durante a década de 1990 e, sobretudo após o plano de estabilização. As transformações ocorridas na economia brasileira na década de 1990, mais precisamente a abertura comercial e as privatizações, foram as duas principais razões para as mudanças de preços observados no Brasil. Fatores circunstanciais ou cíclicos, como a apreciação cambial ou o breve e intenso ciclo de crescimento após o Real, foram desse ponto de vista, relevantes, mas secundários. Em consideração aos preços dos anos após o Real, sugere a existência de duas grandes modificações: o declínio dos preços de bens industrializados e o aumento dos 20

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