A PROMOÇÃO DA SAÚDE NO BRASIL

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2 A PROMOÇÃO DA SAÚDE NO BRASIL Participação do capital estrangeiro PPP da FURP Rosane Menezes Lohbauer Março

3 Agenda A PROMOÇÃO DA SAÚDE NO BRASIL Participação do capital estrangeiro Panorama histórico Alteração das regras PPP DA FURP

4 PANORAMA HISTÓRICO Antes da CF/ Primeiro Reinado: controle sanitário mínimo : Maioria das ações de saúde pública consistia em meros aspectos normativos Constituições de 37, 46 e 67: sem menção expressa ao Direito à Saúde Década de 80: Fortalecimento do sistema de Atenção Médico Supletiva : - Modelo campanhista medidas de desinfecção por parte do governo - Atuação preventiva para evitar prejuízos à exportação CF/34: primeira Constituição a mencionar Direito à Saúde : - Priorização da medicina curativa - Incapacidade do sistema em atender a população - Benefícios ao modelo médicoprivatista (recursos do setor público e financiamentos subsidiados) CF/88 Fontes: Polignano, Marcus Vinícius. História das Políticas de Saúde no Brasil: Uma pequena revisão. Ribeiro, Wesllay Carlos; Julio, Renata Siqueira. Direito e Sistemas Públicos de Saúde nas Constituições brasileiras.

5 PANORAMA HISTÓRICO O grande marco na Saúde: a CF/88 Saúde como direito de todos e dever do Estado Criação do SUS Cuidar da saúde e assistência pública é competência comum da União, Estados, DF e Municípios Descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo Atendimento integral Vedação à participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde (salvo casos previstos em lei) Emendas constitucionais subsequentes trouxeram novas regras a respeito da vinculação de recursos ADCT: Até que seja aprovada a lei de diretrizes orçamentárias, trinta por cento, no mínimo, do orçamento da seguridade social, excluído o seguro-desemprego, serão destinados ao setor de saúde

6 PANORAMA HISTÓRICO A partir da CF/88 Plano Collor (90): -Maior participação do capital estrangeiro - Redução do Estado ao mínimo (menos recursos à saúde) EC 6/95: Revogação dos conceitos de empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional MP /2001: Estrangeiros ficam autorizados à constituição/participação/ aumento do capital de operadoras de plano de assistência à saúde 2010: Parceria BTG PACTUAL e Rede D OR Lei /2015: Alteração das regras da Lei nº 8080 participação de estrangeiros na saúde CF/88 Lei 8.080/ 90 Lei 9.263/96: Permissão de empresas ou capitais estrangeiros nas ações e pesquisas de planejamento familiar 2009: PPP do Hospital do Subúrbio 2012: Aquisição do controle indireto da AMIL pela UHG

7 PANORAMA HISTÓRICO A Lei Orgânica da Saúde SUS: conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais Ênfase na descentralização dos serviços para os municípios Participação complementar da iniciativa privada Universalidade e igualdade na assistência à saúde Exceções à vedação constitucional da participação de estrangeiros na saúde: (i) Doações de organismos internacionais vinculados à ONU e de entidades de cooperação técnica; (ii) financiamentos; e (iii) empréstimos

8 PANORAMA HISTÓRICO A partir da CF/88 Plano Collor (90): -Maior participação do capital estrangeiro - Redução do Estado ao mínimo (menos recursos à saúde) EC 6/95: Revogação dos conceitos de empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional MP /2001: Estrangeiros ficam autorizados à constituição/participação/ aumento do capital de operadoras de plano de assistência à saúde 2010: Parceria BTG PACTUAL e Rede D OR Lei /2015: Alteração das regras da Lei nº 8080 participação de estrangeiros na saúde CF/88 Lei 8.080/ 90 Lei 9.263/96: Permissão de empresas ou capitais estrangeiros nas ações e pesquisas de planejamento familiar 2009: PPP do Hospital do Subúrbio 2012: Aquisição do controle indireto da AMIL pela UHG

9 PANORAMA HISTÓRICO A Emenda Constitucional nº 6/95 Art (...) 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei Revogação dos conceitos de empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional Empresa estrangeira: empresa constituída sob legislação de pais estrangeiro ou que tenha sua sede e administração em outro país Empresa brasileira de capital estrangeiro: empresa cujo controle esteja em caráter permanente sobre a titularidade, direta ou indiretamente, de pessoa física residente e domiciliada em território estrangeiro

10 PANORAMA HISTÓRICO A Emenda Constitucional nº 6/95 O artigo 171 da CF, mesmo revogado, continuaria a ser fonte conceitual para a distinção, ou relatividade, pretendida pelo constituinte no 3º do artigo 199 da CF Dúvida: qual o impacto na saúde? Resgate dos conceitos Carlos Ari e Jacintho Arruda: A vedação (...) representa tão somente a proibição de que empresas estrangeiras assumam o controle efetivo de empresas atuantes na assistência à saúde Visão restritiva: não seria admitida nem a participação minoritária situação anterior teria sido agravada

11 PANORAMA HISTÓRICO A partir da CF/88 Plano Collor (90): -Maior participação do capital estrangeiro - Redução do Estado ao mínimo (menos recursos à saúde) EC 6/95: Revogação dos conceitos de empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional MP /2001: Estrangeiros ficam autorizados à constituição/participação/ aumento do capital de operadoras de plano de assistência à saúde 2010: Parceria BTG PACTUAL e Rede D OR Lei /2015: Alteração das regras da Lei nº 8080 participação de estrangeiros na saúde CF/88 Lei 8.080/ 90 Lei 9.263/96: Permissão de empresas ou capitais estrangeiros nas ações e pesquisas de planejamento familiar 2009: PPP do Hospital do Subúrbio 2012: Aquisição do controle indireto da AMIL pela UHG

12 PANORAMA HISTÓRICO Parceria entre REDE D OR e BTG PACTUAL BTG Pactual adquire debêntures emitidas pela Rede D OR, conversíveis em ações Objetivo: investimento em crescimento e participação no processo de consolidação no setor hospitalar e de medicina diagnóstica Parceria questionada no âmbito de Ato de Concentração referente à aquisição pela Rede D OR de participações societárias na empresa MedGrupo e Hospital Santa Lúcia BTG possui participação minoritária de estrangeiros Parecer do MPF: (i) aquisição de debêntures não se enquadraria como empréstimo, uma vez que atribui ao adquirente certos direitos típicos de acionistas; (ii) Ponderando os valores envolvidos (proteção do capital nacional x integração econômica), entende-se como razoável que o pretendido pela vedação não seja o de negar o ingresso de todo e qualquer recurso estrangeiro na saúde, mas sim o de, especificamente, impedir o controle de estrangeiros sobre o capital de empresas atuantes no setor

13 PANORAMA HISTÓRICO A partir da CF/88 Plano Collor (90): -Maior participação do capital estrangeiro - Redução do Estado ao mínimo (menos recursos à saúde) EC 6/95: Revogação dos conceitos de empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional MP /2001: Estrangeiros ficam autorizados à constituição/participação/ aumento do capital de operadoras de plano de assistência à saúde 2010: Parceria BTG PACTUAL e Rede D OR Lei /2015: Alteração das regras da Lei nº 8080 participação de estrangeiros na saúde CF/88 Lei 8.080/ 90 Lei 9.263/96: Permissão de empresas ou capitais estrangeiros nas ações e pesquisas de planejamento familiar 2009: PPP do Hospital do Subúrbio 2012: Aquisição do controle indireto da AMIL pela UHG

14 PANORAMA HISTÓRICO Operação AMIL - UHG Aquisição do controle indireto da Amil pela United Health Group Análise dicotômica do modelo de saúde adotado no Brasil Saúde Pública: vedação à participação do capital estrangeiro em razão da soberania nacional, excetuando-se por motivo de integralidade Saúde Suplementar: vedação atende aos reclamos da livre concorrência, podendo ser excepcionada pelo legislador ordinário Em razão da livre concorrência, não deve-se fazer distinção entre operadoras com rede própria de assistência e operadoras sem rede própria de assistência à saúde Possibilidade de uma operadora possuir rede própria de assistência à saúde decorre da diretriz da integralidade (art. 35-F da Lei 9.656/98)

15 PANORAMA HISTÓRICO A partir da CF/88 Plano Collor (90): -Maior participação do capital estrangeiro - Redução do Estado ao mínimo (menos recursos à saúde) EC 6/95: Revogação dos conceitos de empresa brasileira e empresa brasileira de capital nacional MP /2001: Estrangeiros ficam autorizados à constituição/participação/ aumento do capital de operadoras de plano de assistência à saúde 2010: Parceria BTG PACTUAL e Rede D OR Lei /2015: Alteração das regras da Lei nº 8080 participação de estrangeiros na saúde CF/88 Lei 8.080/ 90 Lei 9.263/96: Permissão de empresas ou capitais estrangeiros nas ações e pesquisas de planejamento familiar 2009: PPP do Hospital do Subúrbio 2012: Aquisição do controle indireto da AMIL pela UHG

16 ALTERAÇÃO DAS REGRAS DE PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO NA SAÚDE Alteração da Lei Art. 23. É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou de capitais estrangeiros na assistência à saúde, salvo através de doações de organismos internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento e empréstimos. 1º Em qualquer caso é obrigatória a autorização do órgão de direção nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), submetendo-se a seu controle as atividades que forem desenvolvidas e os instrumentos que forem firmados. Art. 23. É PERMITIDA a participação direta ou indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde nos seguintes casos: I - doações de organismos internacionais vinculados à Organização das Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento e empréstimos; II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, operacionalizar ou explorar: a) HOSPITAL GERAL, inclusive filantrópico, HOSPITAL ESPECIALIZADO, POLICLÍNICA, CLÍNICA GERAL e CLÍNICA ESPECIALIZADA; e b) ações e pesquisas de planejamento familiar; III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade lucrativa, por empresas, para atendimento de seus empregados e dependentes, sem qualquer ônus para a seguridade social; e IV - demais casos previstos em legislação específica.

17 ALTERAÇÃO DAS REGRAS DE PARTICIPAÇÃO DO CAPITAL ESTRANGEIRO NA SAÚDE Constitucionalidade? Benefícios? De acordo com o ex-presidente da ANS, André Longo, o país precisa de R$ 7 bilhões para suprir a carência de 14 mil leitos nos hospitais Para o presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Francisco Balestrin, o Brasil se abre à modernidade, o hospital ganha mais processos de gestão, governança corporativa e conhecimento em tecnologia da informação, por exemplo. Maior competitividade ao setor, inclusive para projetos públicos

18 PPP DA FURP

19 PPP DA FURP Primeira MIP contratada de SP Concessão Administrativa para Gestão, Operação e Manutenção, com fornecimento de bens e realização de obras para adequação da infraestrutura existente da IFAB Produção principal: medicamentos genéricos Interesse de estrangeiros na MIP Objetivo: completar a demanda do SUS no Estado (Lista RENAME) Prazo: 15 anos

20 PPP DA FURP Valor do Contrato: R$ ,00 Valor do investimento inicial (2 anos): R$ ,00 Valor do investimento total: R$ ,00 Desempenho

21 PPP DA FURP VANTAGENS Obtenção dos recursos para os investimentos necessários Solução de entraves regulatórios para produção de medicamentos genéricos pela FURP Compras públicas carecem de mecanismos para assegurar qualidade Conluios e fraudes nas licitações de medicamentos Possibilidade de ganhos de know how e aperfeiçoamento da gestão

22 PPP DA FURP PECULIARIDADES Não se trata de industrialização por encomenda Contrato de operação e manutenção Projeto compreende a gestão e operação da Fábrica Produção de medicamentos da FURP Vedação à exploração de receitas acessórias incentiva potenciais projetos associados

23 PPP DA FURP PECULIARIDADES Concorrência internacional Proposta de preço: desconto percentual ofertado sobre o valor da Lista Básica de Medicamentos, obtido com a aplicação do PMVG respectivo sobre a relação de produtos e quantitativos indicados no Edital Para o estabelecimento do desconto mínimo a ser ofertado, foram verificadas atas de pregão dos medicamentos a serem produzidos pela IFAB Qualificação técnica Prova de operação de planta fabril, com certificado de boas práticas Prova de que possui, em seu nome ou em nome de alguma Controlada, ao menos 30 (trinta) dos 96 (noventa e seis) Registros de Medicamentos genéricos necessários à produção da Lista Básica de Medicamentos

24 DESCONTO MÍNIMO PPP DA FURP Produção na IFAB Licitação: desconto % sobre PMVG/CMED Lista Básica de Medicamentos Lista Adicional de Medicamentos 78 medicamentos sólidos e 18 injetáveis (baixo valor agregado) R$ 222 MM/ano, valores de compra SES/SP (preço estável e demanda garantida por Convênio) Comprometimento de apenas 1 turno da IFAB Garante viabilidade do projeto e é objeto da garantia pela CPP (6 contraprestações) Banda de variação permitida de 10% para cima ou para baixo Mínimo de 3 anos na lista Revisões anuais Somente lista RENAME previsibilidade Respeitar capacidade e características da IFAB Definida em revisões anuais Manutenção do desconto percentual ofertado em licitação para Lista Básica Não é objeto da garantia prestada pelo Estado Incentivo para promover a parceria

25 PPP DA FURP PECULIARIDADES Remuneração Parcela A: remunera os investimentos Bens reversíveis (linhas de produção de sólidos e estéreis, infraestrutura, laboratórios e TI) e Registro de medicamentos genéricos da lista inicial Valor predeterminado e fixo, razão pela qual não incidem os indicadores de desempenho (R$ 25 mil/mês para cada registro da Lista Básica) Preço definido para novos Registros (R$ ,00) Parcela B: remunera a operação e manutenção da fábrica para produção da Lista Básica Desconto sobre o PMVG da CMED: A parcela B resulta da aplicação do desconto, definido em leilão, sobre o valor da lista calculado utilizando o preço máximo de venda ao governo (PMVG) publicado na tabela CMED Reajuste pela variação do PMVG/CMED

26 PPP DA FURP PONTOS DE REFLEXÃO Estado deve produzir medicamentos? Produção de medicamentos de baixo valor agregado? Mecanismos de Parceria para Desenvolvimento Produtivo não seriam interessantes?

27 OBRIGADA! AV CIDADE JARDIM, 400 2º ANDAR JD PAULISTANO CEP T

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