TEMA 2 DELINEAMENTO DA PESQUISA

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3 CRÉDITOS Reitor José Carlos Pettorossi Imparato Pró-Reitora de Graduação e Extensão Elaine Marcílio Santos Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Renato Amaro Zangaro Pró-Reitor Administrativo Darcy Gamero Marques Filho Pró-Reitora Adjunta de Graduação Mara Regina Rösler Diretores Acadêmicos Gustavo Duarte Mendes Professor(a) Autor(a) Gabriela Zaffalon Equipe do Núcleo de Educação a Distância - NEaD Coordenação Geral Magali Polozzi Web Designer Vinícius Bianchini Suporte técnico Daniel Lopes Designer Instrucional Rafael Vilares Copyright 2012, Universidade Camilo Castelo Branco UNICASTELO. Nenhuma parte desse material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito. Algumas imagens utilizadas neste trabalho estão livres de direitos autorais, de acordo com a licença Creative Commons.

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5 SUMÁRIO METODOLOGIA CIENTÍFICA TEMA 1: FUNDAMENTOS DE METODOLOGIA CIENTÍFICA Fundamentos de metodologia científica Resumo 14

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7 DESTAQUES Durante o texto, você encontrará algumas informações em destaque. Preste atenção: SAIBA MAIS: Serve para apresentar conteúdos, explicações e observações a fim de que você compreenda melhor o tema estudado. IMPORTANTE: Indica conceitos ou explicações que merecem destaque. Fique atento! REFLITA: São questionamentos acerca de aspectos centrais do texto. ANOTAÇÕES: Espaço destinado para suas anotações a respeito do tema estudado. OBJETIVOS: Indicam os conhecimentos a serem desenvolvidos por você durante o estudo de cada tema.

8 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A TEMA 2 8

9 TEMA 2 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A INTRODUÇÃO AO PROCESSAMENTO DE DADOS E A TECNOLOGIA DA INFOR- MAÇÃO Iniciando nosso diálogo Prezado aluno, Nesta disciplina você vai aprender sobre a importância do conhecimento científico, recursos para se obter informações, tipologias de pesquisa empregados em Saúde e confecção de um projeto de pesquisa. A disciplina propõe-se a desenvolver um comportamento metodológico e científico na busca da construção do conhecimento, sistematizando, discutindo os fundamentos e princípios da ciência. Capacitar o acadêmico para o planejamento e a execução da pesquisa científica, proporcionando a elaboração de projetos e relatórios partindo de informação teórica fundamentada na exigência de permanente inovação. OBJETIVOS A importância do conhecimento científico-metodológico para o desenvolvimento de pesquisas. Compreensão de métodos e técnicas de investigação. Métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa. Os diversos tipos de trabalho científico e as normas que regem sua elaboração e formatação. Essas competências serão desenvolvidas com o suporte dado pelo seguinte conteúdo programático: Fundamentos de metodologia científica; Delineamento da Pesquisa. Etapas da pesquisa científica. Tipos de Pesquisa; Bancos de Dados Científicos; Normas da ABNT; Elaboração de Projetos Científicos. Elementos de um projeto de pesquisa. Vamos iniciar nosso aprendizado! 9

10 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A TEMA 2 10

11 TEMA 2 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA E TIPOS DE PESQUISA A pesquisa científica corresponde a um conjunto de procedimentos sistemáticos baseados em um raciocínio lógico que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos mediante a utilização de métodos de pesquisa científicos. Entende-se que toda pesquisa deva ser motivada por uma curiosidade científica, sendo esta o elemento principal que irá gerar uma pergunta ou dúvida. Entretanto, para que uma pesquisa seja desenvolvida, são necessários alguns recursos que devem ser considerados no início do planejamento da pesquisa e que contribuem sobremaneira para o desenvolvimento da parte experimental: 1) Qualificação do pesquisador: há a necessidade de o pesquisador apresentar conhecimento a respeito do assunto a ser pesquisado para que a investigação seja realizada com a utilização de métodos adequados, buscando-se respostas para dúvidas ainda não respondidas. De nada adianta o pesquisador investigar causas já solucionadas, o que levará à perda de tempo. É necessário que o pesquisador demonstre integridade intelectual, sensibilidade social e imaginação disciplinada, perseverança, paciência e confiança na experiência; 2) Recursos humanos disponíveis: para a realização de pesquisas epidemiológicas envolvendo uma população grande, muitas vezes é necessária a atuação de examinadores com experiência em diagnóstico, por exemplo, devendo estes serem calibrados. Além disso, pode ser necessária a atuação de um especialista em estatística para que o cálculo amostral e a análise dos resultados sejam realizados. Assim, dependendo do tipo de pesquisa a ser realizada, outros recursos humanos podem ser necessários para o bom andamento do experimento (técnicos em higiene dentária, técnicos de laboratório, biólogos, matemáticos, etc.); 3) Materiais, equipamentos e infra-estrutura disponíveis: dependendo do tipo de experimento, podem ser necessários materiais permanentes (equipamentos) ou de consumo, bem como locais específicos (laboratórios ou locais de exame clínico) para o desenvolvimento da pesquisa; 4) Recursos financeiros: de acordo com a metodologia a ser utilizada, recursos financeiros são necessários para a compra de materiais ou equipamentos, bem como para o custeio de despesas (transporte dos examinadores até o local de exame, compra de materiais para elaboração de fichas de exame, aquisição ou reparo de equipamentos, etc.). Algumas agências de financiamento de pesquisas no Brasil (CNPq) ou estaduais (Fapesp, Fapemig), bem como algumas instituições privadas, podem fomentar recursos para a realização de pesquisas mediante a apresentação de projetos em que constem os objetivos, justificativas, metodologias e cronograma para a 11

12 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A TEMA 2 realização do experimento; 5) Tempo: pesquisas podem ser desenvolvidas em curto prazo (dias ou semanas), bem como envolver um longo prazo (anos). Neste aspecto, o pesquisador responsável e sua equipe podem ficar atrelados a um experimento do tipo pros- pectivo, investindo tempo e dedicação ao projeto até a sua conclusão. Existem dois métodos básicos de pesquisa: o quantitativo centrado na objetividade da ciência, dando-se ênfase aos dados numéricos. o qualitativo bastante utilizado na área de ciências sociais, buscando-se explicar a realidade em termos de conceitos, comportamentos, percepções e avaliações pessoais. Dentre os principais tipos de estudo, temos: Estudo exploratório: baseado em revisões de literatura ou pesquisa bibliográfica, restringindo-se a um trabalho realizado com base em textos ou informações divulgadas na literatura científica. Se tomarmos como exemplo o tema Alterações cardiovasculares em pacientes com Síndrome de Down, o pesquisador, ao realizar um estudo exploratório, iria se ater a buscar, nas bases de dados bibliográficos, os artigos ou textos relacionados ao assunto, elaborando um trabalho escrito de acordo com as informações divulgadas na literatura consultada; Estudo in vitro ou laboratorial: realizado totalmente em condições laboratoriais, em que as variáveis são totalmente controladas. Tomando-se como exemplo o trabalho sobre a avaliação da atividade antimicrobiana de um extrato vegetal, o pesquisador poderia desenvolver seu estudo in vitro realizando a aplicação do antimicrobiano em cultura de micro-organismos ressalvadas as considerações do parecer do Comitê de Ética em Pesquisa. É utilizada quando, por questões éticas, é impossível o estudo em seres humanos. Apresenta alto nível de controle científico, necessita de pequeno tamanho amostral, independe de voluntários, possibilita simular condições extremas e é fundamental para estudos posteriores. Entretanto a principal limitação refere-se à extrapolação dos resultados, pois há grandes diferenças entre as simulações das condições fisiológicas por meios artificiais comparadas ao que realmente ocorre no organismo humano. Estudo in vivo ou clínico: realizada em humanos, avaliando-se a real situação clínica no organism humano. No nosso exemplo, podemos avaliar a eficácia e possíveis efeitos colaterais do antimicrobiano fitoterápico em pacientes. Este estudo apresenta maior exigência ética por poder submeter o paciente a alguns atos de risco de 12

13 TEMA 2 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A acordo com a situação ou metodologia aplicada (Ex: pode-se submeter o paciente a maiores riscos caso o material utilizado não possua resultados antimicrobianos, como proposto inicialmente, por exemplo, ou apresentar muitos e graves efeitos colaterais). Estudo in situ : considerada uma metodologia pré-clínica, é bastante utilizada na área de Cariologia- Odontologia, em que parte do experimento se desenvolve no ambiente intrabucal e a outra parte se desenvolve em laboratório. É um pré-requisito nas pesquisas com dentifrícios fluoretados antes que o produto comercial seja lançado no mercado. É também um método alternativo àquelas situações em que se torna antiético avaliar algumas variáveis, ou seja, não se pode pedir para o paciente se abster da higienização bucal, mas pode-se utilizar um dispositivo intrabucal (tipo de uma aparelho acrílico palatal) que contenha fragmentos de dentes extraídos e simular o desenvolvimento de cárie. Decorrido o tempo necessário de uso do dispositivo, este é entregue ao pesquisador para que avaliações laboratoriais sejam realizadas (quantificação da perda mineral ou avaliação da lesão cariosa formada). Apresentam como vantagens o maior controle de variáveis, aumentam a sensibilidade e confiabilidade da metodologia empregada e apresentam custo menor em relação aos estudos longitudinais. Entretanto dependem da colaboração de voluntários que utilizem o dispositivo de maneira correta e nos horários devidos. Estudo em animais: em lugar do ser humano, animais de laboratório (camundongos, cachorros, macacos) podem ser utilizados na experimentação. Entretanto devem ser resguardadas as considerações sobre as diferenças entre o organismo humano e dos animais, dieta, metabolismo, e t c. Estudo de campo ou levantamento epidemiológico: avalia a ocorrência, distribuição e determinantes de eventos correlaciona- dos à saúde da população. 13

14 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A TEMA 2 Dentre os tipos de estudos epidemiológicos área de grande interesse em Saúde temos os descritivos e os analíticos. 1 - Os estudos descritivos focalizam a distribuição da doença, qual população ou subgrupo a desenvolve ou não, qual a localização geográfica predominante em que a doença se desenvolve e como a freqüência varia com o tempo. Oferecem subsídios para comparar tendências entre localidades, bases para o planejamento de serviços de saúde e identifica os problemas a serem estudados. Podem ser: Ecológicos: usam populações ou grupos (países, estados, escolas, indústrias) e comparam freqüência da doença no mesmo período de tempo em localidades diferentes ou ainda na mesma população em diferentes tempos. Iniciam o processo de investigação epidemiológica em uma população (ex: avaliar o nível de renda de uma comunidade), apresentando baixo custo e rápidos de serem realizados. Transversais: avaliam se um grupo de indivíduos exposto a um fator (causa) se apresenta doente ou sadio, podendo-se avaliar fatores de risco. São utilizados para avaliar a prevalência de doença em uma população (ex: prevalência de diabetes em uma população da terceira idade.) (FIGURA 01). São estudos que apresentam baixo custo, mas não são adequados para se avaliar a prevalência de doenças raras. INDIVÍDUOS coleta de dados sobre exposição ao fator causador e doença expostos; com doença não expostos; com doença expostos; sem doença não expostos; sem doença Figura 01 : Esquema ilustrativo de um estudo transversal. 14

15 TEMA 2 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A 2 - Os estudos analíticos elucidam a causa das doenças, qual determinante que causa ou previne a doença, tendo como origem os estudos descritivos. São realizados em condições naturais (sem a aplicação de um experimento ou fator que modifique a doença). Podem ser: Caso-controle: iniciam o processo investigativo com indivíduos que apresentam uma doença (caso) e indivíduos sem a doença (controle), comparando-se os grupos para determinar quais fatores estão associados com a doença (FIGURA 02). Por ser um estudo retrospectivo (ou seja, irá investigar os fatores de risco presentes no passado que desencadearam a doença), é ideal para doenças raras e ou com período de latência longo. Também é ideal para avaliar fatores etiológicos múltiplos para uma única doença. TEMPO DIREÇÃO DA INVESTIGAÇÃO Expostos Não expostos Expostos Não expostos } } CASOS (pessoas com doença) CONTROLES (pessoas sem doença) POPULAÇÂO Figura 02: Esquema ilustrativo de um estudo do tipo caso-controle. Coorte: a pesquisa se inicia com indivíduos que não apresentam uma determinada doença, sendo estes acompanhados em virtude da exposição ou não aos fatores associados com a doença por um prolongado período de tempo para avaliar o seu desenvolvimento (FIGURA 03). É considerado um estudo longitudinal ou prospectivo, podendo ter duração de vários anos. É um estudo útil para descrever a incidência (novos casos) de uma doença, analisar associações entre fatores de risco e doenças, descrever causas das doenças (modelo ideal). Entretanto, como principal desvantagem, encontra-se a dificuldade em relação ao rastreamento de indivíduos, pois muitos indivíduos podem não se tornam disponíveis à continuidade da pesquisa com o passar dos anos. 15

16 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A TEMA 2 TEMPO DIREÇÃO DA INVESTIGAÇÃO POPULAÇÂO Pessoa sem doença { { COM DOENÇA EXPOSTOS SEM DOENÇA COM DOENÇA NÃO EXPOSTOS{ SEM DOENÇA Figura 03: Esquema ilustrativo de um estudo do tipo Coorte. Intervencionais ou experimentais: neste tipo de estudo, o pesquisador aplica fatores para a prevenção ou tratamento da doença, observando seu efeito. Portanto podem apresentar caráter preventivo ou profilático (iniciam a experimentação com pessoas sadias ou com alto risco de desenvolver uma determinada doença e avaliam se um agente é capaz de reduzir o risco de desenvolvê-la) ou terapêutico (iniciam a experimentação com pessoas doentes e avaliam se um agente é capaz de reduzir sintomas, prevenir recorrência ou reduzir a morte por aquela doença). Para maior confiabilidade e desde que o estudo seja planejado, necessita-se que o estudo experimental seja do tipo randomizado, ou seja, utilizando indivíduos alocados em diferentes grupos experimentais de maneira aleatória, ou seja, ao acaso, com o intuito de comparação. Como exemplo, suponhamos uma pesquisa que irá avaliar a efetividade de três diferentes tipos de medicamentos para hipertensão. Assim, os indivíduos participantes deste experimento devem, de maneira aleatória (ou imparcial), ser distribuídos por estes três grupos RESUMO Dentre os tipos de estudos epidemiológicos, temos: a) estudos descritivos (ecológicos ou analíticos) que oferecem subsídios para comparar tendências entre localidades, bases para o planejamento de serviços de saúde e identifica os problemas a serem estudados; 16

17 TEMA 2 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A b) estudos analíticos (caso-controle, coorte ou intervencionais) que elucidam a causa das doenças e quais fatores causam ou previnem uma doenças. 17

18 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A TEMA 2 18

19 TEMA 2 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO A IMPORTÂNCIA DA A BIBLIOGRAFIA BÁSICA BARROS, A. J. P.; LEHFELD, N.A. S. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo:Makron, CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. São Paulo: Prentice Hall, LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo:Atlas, BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins Fontes, GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002 SEVERINO, Antonio J. Metodologia do trabalho científico. 21a ed. São Paulo: Cortez, ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. Normas

20 Anotações ANOTAÇÕES Chegou a sua vez! Aproveite o momento para sintetizar o que foi abordado neste tema, identificando as ideias principais. Lembre-se de que essa é uma atividade de sistematização dos conceitos compreendidos, por isso você pode desenvolvê-la aqui em Anotações, ou se preferir, em seu Diário Reflexivo, disponível no Ambiente Virtual da Disciplina. 20

21 Anotações 21

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