CURSO DE ADMINISTRAÇÃO - HABILITAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR ROBERTA GASPARINI DE LUCCA

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1 CURSO DE ADMINISTRAÇÃO - HABILITAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO HOSPITALAR ROBERTA GASPARINI DE LUCCA SERVIÇOS DE SAÚDE: COMPARATIVO ENTRE AS MODALIDADES DE INTERNAÇÃO HOSPITAIS x HOME CARE PORTO ALEGRE 2007

2 1 ROBERTA GASPARINI DE LUCCA SERVIÇOS DE SAÚDE: COMPARATIVO ENTRE AS MODALIDADES DE INTERNAÇÃO HOSPITAIS x HOME CARE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Administração Hospitalar do Centro Universitário Metodista IPA, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração Hospitalar. Orientadora: Profª Ms Margareth Schreiner PORTO ALEGRE 2007

3 Dedico este Trabalho a todos os envolvidos na conclusão deste estudo de caso. 2

4 3 AGRADECIMENTOS Certamente os agradecimentos não serão para uma pessoa em especial, mas sim a todos que em algum momento no decorrer deste ano de trabalho, se envolveram e empenharam para a conclusão da pesquisa. Professores, família e amigos, todos sem dúvida alguma se envolveram com este trabalho de conclusão, cada um da sua maneira, mas todos participaram.

5 4 A educação faz um povo fácil de ser liderado, mas difícil de ser dirigido; fácil de ser governado, mas impossível de ser escravizado. Henrry Peter

6 5 RESUMO É pratica para alguns gestores de home care, afirmar que os custos dos serviços de internação domiciliar podem ter uma redução de 40% a 60% em relação à internação hospitalar, porém na maioria dos casos não são apresentados estudos comparativos entre as modalidades de internação, hospitalar e domiciliar, os dados não apresentam confirmação. Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de apurar se existe a diferença de valores entre as modalidades de internação e em até quantos pontos percentuais esta diferença poderá chegar. Os dados utilizados para realização deste estudo de caso foram coletados em uma operadora de plano de saúde e uma empresa de home care, ambas situadas na cidade de Porto Alegre. As duas empresas demonstraram interesse no estudo, uma vez que o desenvolvimento e conclusão poderão auxiliar em trabalhos futuros. Palavras-chaves: Home Care, Internação Hospitalar, Remuneração dos Serviços de Saúde.

7 6 ABSTRACT It is practises for some managers of home care, to affirm that the costs of the services of domiciliary internment can have a 40% reduction 60% in relation to the hospital internment, however in the majority of the cases comparative studies between the modalities of internment, hospital are not presented and domiciliary, the data do not present confirmation. This work was developed with intention to select if the difference of values between the internment modalities exists and in until how many percentile points this difference will be able to arrive. The data used for accomplishment of this study of case had been collected in an operator immediate of health and a company of home care, both situated ones in the city of Porto Alegre. The two companies had demonstrated interest in the study, a time that the development and conclusion will be able to assist in future works. Keys-word: Home Care, Hospital Internment, Remuneration of the Services of Health.

8 7 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 Receita e Despesas das Operadoras de Planos de Saúde 2001 a Gráfico 02 Receita e Despesas das Operadoras de Planos de Saúde 2001 a Gráfico 03 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 04 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 05 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso Gráfico 06 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso Gráfico 07 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 08 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 09 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso Gráfico 10 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso Gráfico 11 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 12 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 13 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso Gráfico 14 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso Gráfico 15 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 16 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 17 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso

9 8 Gráfico 18 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso Gráfico 19 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 20 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 21 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso Gráfico 22 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso Gráfico 23 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 24 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 25 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso Gráfico 26 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso Gráfico 27 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso Gráfico 28 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso Gráfico 29 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 30 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 31 Apresentação das diferenças dos valores por grupos no Caso Gráfico 32 Variação percentual entre os valores das contas - home care e hospital - Caso Gráfico 33 Representatividade dos grupos no total da conta - home care - Caso Gráfico 34 Representatividade dos grupos no total da conta hospitalar - Caso

10 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO PROBLEMA DE PESQUISA OBJETIVO DA PESQUISA Objetivo geral Objetivos específicos JUSTIFICATIVA DA PESQUISA ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO REFERENCIAL TEÓRICO ECONOMIA DA SAÚDE MODELOS ASSISTENCIAS DE SAÚDE DEFINIÇÃO E EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS DE HOME CARE HISTÓRICO DO SERVIÇO DE ASSISTENCIA DOMICILIAR O PROCESSO DE HOME CARE: DA INTERNAÇÃO A ALTA ENVOLVIDOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO DE HOME CARE VANTAGENS DA ASSISTÊNCIA DOMICILIAR PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA DELIMITAÇÃO DA PESQUISA TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS TÉCNICAS DE ANÁLISE DOS DADOS DESENVOLVIMENTO ITENS DE COBRANÇA ANÁLISES DOS CASOS Apresentação e Análise do Caso

11 Apresentação e Análise do Caso Apresentação e Análise do Caso Apresentação e Análise do Caso Apresentação e Análise do Caso Apresentação e Análise do Caso Apresentação e Análise do Caso Apresentação e Análise do Caso ANÁLISE COMPARATIVA CONCLUSÃO...86 REFERÊNCIAS...88

12 11 1 INTRODUÇÃO O home care vem sendo adotado no país como uma alternativa para a assistência à saúde, alguns gestores atuantes na área da saúde acreditam que esta nova modalidade de internação, pode auxiliar as operadoras de planos de saúde a reduzir suas despesas. O conceito de home care é bem abrangente assim como são os serviços médicos e de enfermagem prestados aos pacientes em sua residência. Em geral home care significa atendimento ambulatorial ou internação domiciliar (24 horas) por pessoal de enfermagem especializada. Pode designar-se primordialmente de Internação Domiciliar todo e qualquer tratamento multidisciplinar especializado que requeira atendimento 24 horas de equipe médica-enfermagem na casa do paciente. É necessário repassar a idéia que qualquer tipo de paciente, desde que estável, dependente de respirador ou não, pode ser tratado em casa com relativa simplicidade, dependendo do know-how de quem coordena o tratamento (FALCÃO, 1999). A partir de 1993 existem informações da estruturação da primeira empresa de home care no Brasil. Atualmente, além de algumas operadoras de serviços de saúde já oferecerem o serviço de home care para seus clientes, existem também alguns hospitais que tem seu próprio serviço de assistência domiciliar, e mesmo assim estas empresas ainda sofrem com algum tipo de resistência para entrar com força no mercado. Alguns dos motivos para essa resistência podem ser; a cultura hospitalar, que às vezes vê o home care como uma ameaça por estar tirando o paciente do hospital, sem avaliar que esse tirar proporcionará uma maior rotatividade de leitos, onde o mesmo poderá ser ocupado por um paciente mais lucrativo ; a falta de conhecimento do paciente ou família sobre a prestação dos serviços de home care, causando insegurança; e em alguns casos a resistência médica, pois também acredita que o home care quer tirar o seu paciente. Porém todos esses problemas já vem sendo trabalhados e apresentando bons resultados. De acordo com uma pesquisa realizada pela UNIDAS (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde) (2007a), é um senso comum na sociedade que nosso país enfrenta sérias dificuldades em relação aos investimentos e a

13 12 administração dos recursos direcionados à saúde. E foi revelado também que o Brasil tem hoje a menor quantidade de leitos hospitalares já registrados nas últimas três décadas, somente nos últimos três anos, o Brasil perdeu 5,9% dos leitos. Este índice mostra não só a limitação de um sistema de saúde precário, mas também a necessidade de buscar novas alternativas que possibilitem um melhor gerenciamento dos leitos e a possibilidade de oferecer aos doentes um tratamento mais humanizado e voltado para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar. A assistência domiciliar surge da necessidade de superar essas expectativas e vem também como uma alternativa cada vez mais utilizada pelas operadoras de planos de saúde e até mesmo pelas instituições públicas para auxiliar na otimização de leitos e servir de complemento à internação hospitalar. Dividida nas modalidades de Internação Domiciliar (serviço prestado ao paciente como alternativa complementar à hospitalização, com a instalação de toda estrutura necessária - equipamentos, materiais e medicamentos) e Atendimento Domiciliar (caracterizado pela visita ou procedimento periódico realizado na casa do paciente), a Assistência Médica Domiciliar garante mais qualidade de vida porque proporciona vantagens como: Tratamento personalizado; Redução do risco de infecção e humanização do atendimento; Conta com a participação dos familiares, o que auxilia em uma precoce recuperação. Conforme mencionado em matéria publicada pela UNIDAS (2007a), o atendimento no domicílio também é visto como uma alternativa da redução dos custos, uma vez que proporciona um melhor gerenciamento de cada paciente, que fora do hospital utiliza uma estrutura mais enxuta de acordo com as suas necessidades. Além das vantagens comentadas nos parágrafos anteriores, hoje vem sendo discutido sobre a prevenção e monitoramento de doenças, através do desenvolvimento de programas específicos dentro da de assistência domiciliar. O acompanhamento de pacientes crônicos, como diabéticos, cardiopatas e hipertensos, por exemplo, tem se mostrado bastante eficaz na melhoria da qualidade de vida e para evitar consultas e internações desnecessárias. Pesquisas realizadas

14 13 com estes grupos de pacientes, apontam que é possível chegar a redução de 48% em internações hospitalares, 43% com atendimentos ambulatoriais e 44% com exames. Enfim, existem opções para diminuir a superlotação dos hospitais e melhorar a qualidade dos serviços prestados, basta que se reavaliemos o modelo atual de saúde no Brasil (UNIDAS, 2007a). Investimentos em medicina preventiva, como a identificação de riscos de doenças crônicas antes mesmo da primeira crise, trazem redução média de 60% nos níveis de complicações e economia de 30% nos custos totais com pacientes. Segundo a ANS, apenas 5% dos usuários de operadoras de serviços de saúde são responsáveis por 60% de todos os gastos com a carteira de clientes. Essa porcentagem corresponde a pacientes que sofrem de algum tipo de doença que, embora não traga grandes complicações em curto prazo, não têm cura. Entre os casos mais comuns estão os pacientes cardíacos, diabéticos e hipertensos (UNIDAS, 2007b). É com base em números publicados periodicamente em sites e revistas que tratam especificamente de home care, que algumas empresas utilizam como umas das principais ferramentas para driblar as resistências de mercado. 1.1 O PROBLEMA DA PESQUISA As operadoras de planos de saúde tem como ponto fraco seu caixa, pois buscam cada vez mais a redução de seus custos. E por conhecer esta informação que os gestores de empresas home care, tem como prática afirmar em seus discursos o quanto o custo da internação domiciliar é inferior ao da hospitalar, porém na maioria das vezes não trazem casos reais de quando ocorreu uma situação assim. Em conseqüência desta prática foi possível propor o questionamento: Em casos específicos, qual a diferença de remuneração das operadoras de planos de saúde para os hospitais, entre internação domiciliar e hospitalar?

15 OBJETIVOS DA PESQUISA Com a intenção de responder o questionamento proposto foi elaborado um objetivo geral. Objetivos específicos também foram elaborados e definidos, estes com o intuído de organizar e alinhar os estudos no sentido de atingir o objetivo geral de maneira eficaz Objetivo Geral Comparar a forma de remuneração utilizada pelas operadoras de planos de saúde entre internação hospitalar e internação domiciliar Objetivos Específicos Os objetivos específicos do estudo são: a) Mapear casos clínicos de internação hospitalar e analisar a possibilidade de internação domiciliar, a partir dos registros de determinada operadora de plano de saúde; b) Apurar valores dos casos selecionados; c) Comparar os valores das internações hospitalares selecionadas com os valores das internações domiciliares de uma determinada empresa. 1.3 JUSTIFICATIVA DO TEMA O movimento de home care surgiu nos Estados Unidos em 1947 na era do pós-guerra. Foi quando várias enfermeiras se reuniram e passaram a atender e

16 15 cuidar dos pacientes em casa. Somente na década de 1960 é que este movimento tomou mais vulto e a idéia da desospitalização precoce ; começou a ser levada a sério (FALCÃO, 1999). Em algumas situações foi observado que, os gestores de empresas de home care, utilizam como ferramenta na divulgação de seus serviços, a afirmação de que o custo da internação domiciliar (home care) pode ser de 40% a 60% inferior ao custo da internação hospitalar. Embora alguns hospitais e prestadores de serviços de saúde desenvolvam levantamentos sobre esses custos, não é de conhecimento amplamente divulgado, qual a metodologia utilizada, bem como, não existe uma padronização para a comparação de custos. A UNIDAS (2007c) realiza anualmente um estudo, utilizando indicadores que apontam custos com internação hospitalar e internação domiciliar. No ano de 2005 a pesquisa mostrou que o custo dia de uma internação hospitalar chegou a R$ 1.023,05 enquanto a internação domiciliar foi de R$ 429,22, o que representa uma diferença de 42,03%. Mas para os gestores dos serviços de home care, vale lembrar que este é um estudo feito sobre uma visão geral, e não caso a caso. Dentro dos serviços prestados por uma home care não existe apenas a internação domiciliar, mas também os atendimentos domiciliares, que muitas vezes corresponde a uma troca de curativo, ou uma aplicação de antibiótico terapia, procedimentos que devem ser realizados por profissionais da saúde, mas nem por isso existe a necessidade de uma internação hospitalar, procedimentos estes que talvez possam ter uma diferença de custo bem superior aos 42,03% com relação à internação hospitalar, mas para ter certeza quanto a estes valores deve-se estudar, avaliar e apurar os custos caso a caso. O custo que acabamos de descrever, refere-se ao custo que as operadoras de planos de saúde vêm tendo com estas internações, ou seja, para a operadora esse paciente representa um custo enquanto para o hospital ou home care representa o valor faturado. E já que o objetivo de qualquer empresa, independente da área de atuação, é reduzir custos, as operadoras de planos de saúde têm visto o home care como uma alternativa, só se faz necessário avaliar em quais casos a internação domiciliar realmente tem valores inferiores que a internação hospitalar.

17 16 É importante lembrar que existem muitos motivos para que um paciente estável e em condições de ser atendido em casa deva receber alta hospitalar e ser retirado do hospital, e não é apenas a necessidade de redução de custos, mas também, a diminuição de riscos de infecção em ambientes hospitalares; viabilidade do tratamento perto dos familiares e no aconchego do lar; e principalmente a liberação de vagas de leitos hospitalares para o atendimento de casos graves e recuperação mais rápida do paciente, casos que na maioria das vezes podem ser muito mais rentáveis para o hospital. A internação domiciliar além de ser mais confortável para o paciente e seus familiares pode também ter um custo consideravelmente mais baixo para operadoras de planos de saúde. 1.4 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO O presente trabalho está divido em cinco capítulos. Onde o primeiro refere-se à introdução sobre o tema, com o problema, objetivos a serem alcançados e justificativa, o porquê estar discutindo e avaliando este assunto. No capítulo dois encontra-se o referencial teórico sobre o tema dividido em sete sub-capítulos. O primeiro aborda aspectos sobre economia da saúde. No segundo, encontramos os modelos assistenciais de saúde. O terceiro define o serviço de home care, como diversos autores e instituições vêem esta modalidade de assistência. O quarto sub-capítulo traz um breve histórico de como começou o home care. No quinto sub-capítulo, encontram-se os processos, da internação a alta do paciente. O sexto descreve os profissionais e equipes envolvidas na prestação do serviço. E o sétimo e último expõe as vantagens de se adotar este novo conceito. O terceiro capítulo explica a metodologia da pesquisa, ou seja, quais ferramentas foram utilizadas para coleta de dados, a maneira na qual os dados foram analisados e observados e a organização da apresentação dos resultados. No capítulo seguinte está descrito todo o desenvolvimento, detalhes da coleta, observação e análise dos dados, além de transcrever os resultados obtidos com base em gráficos estruturados.

18 17 O quinto e último capítulo conclui o estudo, e também sugere como as operadoras de serviços de saúde podem observar e tratar a questão da internação hospitalar X domiciliar, através do embasamento dos dados e resultados adquiridos.

19 18 2 REFERENCIAL TEÓRICO Com base no estudo realizado em algumas publicações sobre o assunto, foi possível desenvolver um referencial teórico. O presente capítulo descreverá este referencial que está dividido em sub-capítulos: Economia da Saúde, Modelos Assistências e mais quatro outros que tratam diretamente sobre os serviços de home care. 2.1 ECONOMIA DA SAÚDE A proposta do estudo envolve valores, preços e custos de serviços de saúde, portanto se faz necessário discutir alguns aspectos referentes a economia da saúde para entender este contexto. A economia da saúde é uma disciplina onde os conceitos e fundamentos de economia são aplicados à saúde ou, então, que para a tomada de decisão na área da saúde necessita-se de um conhecimento destas teorias (FERRAZ, 2005). Economia e saúde estão interligadas de várias formas; seu estudo e pesquisa sistemática e a aplicação de instrumentos econômicos a questões tanto estratégicas como operacionais do setor saúde deram origem à economia da saúde (DEL NERO, 2006, p.6). De acordo com Del Nero (2006), existe um grande espaço para conflitos entre economistas e profissionais da saúde, isso devido a diferentes formas de pensar. O primeiro pensa no bem estar social e na ética do bem comum, com uma visão geral do todo, avaliando o que pode ser bom para toda a sociedade. O segundo julga que a saúde não tem preço e para salvar uma vida justifica qualquer esforço, concentrando-se na ética individualista, avaliando o momento e com a preocupação de atender apenas aquele individuo. Os economistas puros necessitam fazer o esforço de entender o campo da assistência à saúde. Os serviços de saúde não são apenas organizações distribuidoras de bens e serviços (DEL NERO, 2006, p.06).

20 19 A Organização Mundial da saúde (OMS) tem grande preocupação com as limitações financeiras da prestação e/ou a obtenção de assistência médica sanitária adequada e também, com a dificuldade de avaliar os benefícios dessa assistência, seja termos monetários ou do bem estar social (SILVA, 2003). Silva (2003) afirma que de acordo com a OMS, a aplicação da economia da saúde busca através de períodos de tempo, verificar a quantidade, organização, financiamento e eficiência da alocação e utilização dos recursos aplicados na prestação de serviços de saúde, e os efeitos dos serviços de saúde para a provisão, a cura e a reabilitação na produtividade individual e nacional. O papel da economia é importante para o estudo e melhor conhecimento do funcionamento do mercado de serviços de saúde. Através da colaboração de profissionais de diferentes áreas a economia passa a entender melhor as necessidades de serviços de saúde e as relações entre oferta e demanda. Reconhecendo que os processos de doença são diferentes de acordo com cada grupo social. A economia deve também analisar a influencia exercida pelos interesses comerciais, sejam de fabricantes de medicamentos ou equipamentos, sejam as formas de apresentação de planos e seguros-saúde e o papel dos médicos e dos diferentes tipos de prestadores na decisão de consumo de serviços pelos pacientes (DEL NERO, 2006). Uma definição ampla da economia da saúde seria: a aplicação do conhecimento econômico ao campo das ciências da saúde, em particular como elemento contributivo à administração dos serviços de saúde (DEL NERO, 2006 p.20). Uma outra proposta de definição, ainda em estágio inicial, porém mais específica, seria: O ramo do conhecimento que tem por objetivo a otimização das ações de saúde, ou seja, o estudo das condições ótimas de distribuição dos recursos disponíveis para assegurar à população a melhor assistência à saúde e o melhor estado de saúde possível, tendo em conta meios e recursos limitados (DEL NERO, 2006 p.20). Pode-se dizer que a economia da saúde é uma nova área no Brasil, onde esta envolve tanto conceitos e conhecimentos da medicina como princípios da economia, com o potencial de esclarecer dúvidas sobre melhor aproveitamento de recursos com relação às necessidades da sociedade. Tendo como princípio básico

21 20 da economia da saúde não é economizar, mas melhor aproveitar os recursos disponíveis (FERRAZ, 2005). Del Nero (2006) descreve que nos países com economia semelhante, o mosaico de serviços de saúde que a população encontra está distorcido por uma série de razões: a) Os serviços não correspondem às necessidades da população; b) A distribuição geográfica dos recursos é extremamente desigual; c) Excessivo uso de alta tecnologia médico-hospitalar para tratar seqüelas de doenças preveníveis; d) O uso excessivo e a venda liberal de medicamentos; e) Internações desnecessárias, referências a outros níveis e exames supérfluos; f) Competição do setor privado com o setor público por exames auxiliares lucrativos e cirurgias eletivas; g) Distribuição do financiamento proveniente da seguridade social sem mecanismos apropriados de controle. Como conseqüência, os custos dos serviços estão fora de controle, sendo difícil medir benefícios, mesmo a partir de programas específicos. Os incentivos direcionam-se à especialização; o governo premia procedimentos de alto custo com programas especiais e remuneração diferenciada. As indústrias farmacêuticas e de equipamentos médicohospitalares seguem essa tendência, também estimulando o desenvolvimento de especialistas (DEL NERO, 2006, p.17). A economia da saúde, de acordo com Del Nero (2006) busca ainda respostas a perguntas como: a) Quanto um país deve gastar com saúde? b) Como devem ser financiados os gastos com saúde? c) Como combinar pessoal e tecnologia para produzir o melhor serviço? d) Qual a demanda e qual a oferta de serviços de saúde? e) Quais as necessidades de saúde da população? f) O que significa atribuir prioridade? g) Quando e onde deve ser construído um novo hospital?

22 21 h) É preferível prevenir a curar em que condições? i) Quais as implicações da introdução das taxas moderadoras sobre a utilização de serviços? A Economia da Saúde pode ser vista segundo três vertentes (BRASIL, 2006): a) A primeira, como área de conhecimento a ser desenvolvida, principalmente, pela academia, universidades e institutos de pesquisas. b) A segunda, como ferramenta de gestão e tomada de decisões a ser utilizada, principalmente, pelos gestores no serviço. c) E a terceira como uma atitude cultural, provocando uma mudança no olhar da academia, do serviço e das relações entre serviço e academia, objetivando servir melhor à sociedade. Os serviços de saúde devem prover do setor público ou da iniciativa privada? Com a busca por uma solução acaba-se por vezes ignorando a maneira na qual se originará o gerenciamento do serviço. Há quem defenda a origem de serviços pelo Estado, com um sistema de saúde nacionalizado. De outro lado, os que defendem a livre competição entre prestadores e fornecedores de bens e serviços de saúde. Isso faz com que a controvérsia "sistema público ou sistema privado" se torne um dos assuntos mais discutidos por especialistas da área. A combinação de recursos públicos e privados que vem sendo testada e implantada em grande escala, surge como um dos resultados para essa discussão (DEL NERO, 2006). Para Ferraz (2005) o objetivo da economia da saúde não é dar respostas sobre o que fazer, mas sim fornecer subsídios, através de informações adequadas e válidas, aos tomadores decisões. E economia transforma a linguagem médica, atribuindo um preço a vida e um custo a sua manutenção proporcionais a importância dos indivíduos no conjunto da sociedade (SILVA JUNIOR, 2002 p.20). Ugá (2006) propõe discutir as três principais técnicas de avaliação econômica de serviços ou programas: custo-benefício, custo-efetividade e custo-utilidade. a) Custo-benefício Avalia a viabilidade econômica de projetos sociais, podendo ser aplicado a um ou mais programas, com objetivo de comparar sua "rentabilidade social".

23 22 b) Custo-efetividade É o estudo de diferentes estratégias para executar determinada ação, e após análise do estudo poder escolher qual será a melhor das estratégias capaz de atingir o objetivo escolhido pela ação. c) Custo-utilidade As análises de custo-utilidade são formas mais específicas das análises de custo-efetividade. Destina-se a analisar tratamentos médicos, basicamente de pacientes crônicos. Verificando a duração do tratamento e a qualidade de vida do paciente após essa intervenção. As técnicas de avaliação econômica dos serviços têm gerando sobre a maior parte dos profissionais da área sentimentos de "amor e ódio". Enquanto uma parcela fascina-se pelos métodos que analisam as quantidades de recursos e produtos recursos e produtos e de racionalização da tomada de decisões. A outra parcela, principalmente aqueles que trabalham na atenção médica, acham que as técnicas utilizadas são objetos de desprezo, sob o argumento de que a vida humana não tem preço (UGÁ, 2006). De acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) (2007), mais de 80% das despesas das operadoras de saúde correspondem às despesas assistenciais, ou seja, despesas com internações, consultas, exames, entre outras. Neste mesmo documento a ANS publicou as despesas e receitas das operadoras de saúde em 2001 e 2006, conforme apresentado no gráfico a seguir: Milhões de R$ Ano Receita Despesa Gráfico 01 - Receitas e Despesas das Operadoras de Plano de Saúde 2001 a 2006 Fonte: Adaptação ANS, 2006.

24 23 Com base no Gráfico 01 pode-se afirmar que nos anos de 2003 a 2005 a proporção do aumento das despesas foi maior que as receitas, ou seja, em 2003, 2004 e 2005 as despesas aumentaram 13,66%, 13,13% e 12,63% enquanto as receitas 10,51%, 13,05% e 12,49% respectivamente. Em 2002 e 2006 o aumento foi contrario, segundo a ANS (2007), ou seja, 2002 e 2006 as receitas cresceram 17,00% e 9,44% enquanto as despesas 16,43% e 5,36% respectivamente. De acordo com Magella (2007), as despesas das operadoras de saúde aumentaram 16,6% enquanto as receitas apenas 13,6%, entre 2001 e 2002, conforme o Gráfico Milhões de R$ Anos Receita Despesa Gráfico 2 - Receitas e Despesas das Operadoras de Planos de Saúde 2001 e 2002 Fonte: Adaptação Magella, Depois de uma breve descrição sobre economia da saúde, julgou-se necessário explicar, através de uma forma resumida, os atuais modelos assistenciais de saúde. 2.2 MODELOS ASSISTENCIAIS DE SAÚDE O modelo assistencial representa a lógica que orienta a organização dos serviços de saúde em três dimensões (TEIXEIRA, 2004):

25 24 a) Gerencial - relativa de conduzir os processos de reorganização das ações e serviços de saúde. b) Organizativa - corresponde ao estabelecimento das relações entre as unidades de prestação de serviços, geralmente, levando em conta a hierarquização dos níveis de complexidade tecnológica do processo do cuidado. c) Técnico-assistencial - diz respeito às relações estabelecidas entre os quem executa e o que se utiliza para executar o trabalho, relações estas mediadas pelo conhecimento e tecnologia que operam no processo de trabalho na saúde, em vários planos (promoção da saúde, prevenção de riscos e agravos, recuperação e reabilitação). A concepção de saúde doença é apontada como a dimensão mais importante na estruturação dos modelos tecnoassistenciais e no que tange a capacidade resolutiva de problemas (eficácia), pois quanto maior sua capacidade explicativa de fenômenos que interferem no estado de saúde, maior sua capacidade de formular alternativas de solução (SILVA JUNIOR, 2002). O modelo tecnoassistencial que pensa o sistema de saúde como uma pirâmide, com fluxos ascendentes e descendentes de usuários acessando níveis diferenciados de complexidade tecnológica, em processos articulados de referência e contra-referência. Tem se apresentado como uma perspectiva racionalizadora, cujo maior mérito seria o de garantir a maior eficiência na utilização dos recursos e a universalização do acesso e a eqüidade (CECILIO, 1997, p.1). Os modelos assistenciais podem estar voltados para a procura espontânea dos serviços de saúde (modelo médico hegemônico) ou para necessidades de saúde (campanhas e programas especiais de saúde pública). Desse modo dois modelos convivem no Brasil de forma contraditória ou complementar: o modelo médico-assistencial privativista e o modelo assistencial sanitarista (PAIM, 2003). De acordo com Teixeira (2004) no Brasil temos o modelo hegemônico médico-assistencial privativista que, historicamente, orienta o processo de organização de serviços de um dado território, que possui as seguintes características: a) O hospital é o centro da organização dos serviços de saúde e encontra-se desvinculado da rede.

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