Abusos preocupam comunidade universitária

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1 Ano I - Número de abril a 8 de maio /2005 Abusos preocupam comunidade universitária A proliferação de bares na região do Campus I provoca polêmica entre alunos, professores e funcionários Surfistas por um dia Cerca de 40 portadores de necessidades especiais mergulharam, no dia 12 de abril, em Santos, na fantástica aventura da busca pela autonomia. O projeto Aula de Surfe é desenvolvido pelo Ambulatório Infantil de Terapia Ocupacional, sob a coordenação do professor Roberto Ciasca. Página 08 Jeferson mostrou habilidade com a prancha MURAL A coluna propõe aos leitores um passeio pela história do cinema brasileiro, com direção do professor do Centro de Linguagem e Comunicação (CLC) Wagner José Geribello. Do Cinema Novo ao Cinema da Retomada, nosso trailer faz um paralelo entre os dois movimentos e dá dicas para uma sessão de filminho em casa. A coluna traz também os vencedores das últimas promoções e os novos sorteios. Página 07 Entrevista Ethel Rosenfeld luta por dignidade A história de vida de Ethel daria um livro ou um filme. Enquanto isto não acontece, ela inspira a criação de personagens cegos da novela América da Rede Globo. Ethel ficou cega após uma cirurgia aos 13 anos e há 32 anos luta pelos direitos dos portadores de necessidades especiais. Acompanhada pelo primeiro cão-guia do Rio de Janeiro, Ethel mobilizou a sociedade para a aprovação das principais leis brasileiras referentes aos portadores. A educadora participa da 5ª Semana Científica do Ceatec, que acontece no dia 29 de abril, no Auditório Dom Gilberto, às 19h30. Página 04 Opinião "Vivemos ainda uma época da ética do mais forte; do oportunismo, do hiperpragmatismo e da crença na impunidade. Reclamamos quando o juiz rouba o nosso time, e fazemos vistas grossas quando somos favorecidos. A paz é vista como uma utopia colocada no fim de todas as guerras, quando vencermos todos aqueles que representam o mal, isto é, que pensam, agem ou sentem diferente de nós". Por Tabajara Dias de Andrade, médico psicoterapeuta e diretor do Centro Latino-Americano de Desenvolvimento (Clade). Página 03 Notícias negativas envolvendo alunos, fora e dentro dos campi, movimentaram a comunidade universitária nas últimas semanas. Denúncias de uma possível violência sexual em uma república, de irregularidades no processo de seleção de uma das 513 bolsas do Programa Universidade Para Todos (ProUni) e o comércio e o consumo de bebidas alcoólicas em festas não-autorizadas e em bares localizados na região dos campi fomentaram o debate nas diversas esferas da Universidade. O reitor, padre José Benedito de Almeida David, lamentou os acontecimentos, divulgou a criação e a manutenção de serviços de apoio à comunidade e ratificou a possibilidade de aplicação das penalidades previstas no Regimento Geral da PUC-Campinas, em casos extremos. Página 05 Vinícius e Carolina: apaixonados e arquiinimigos no futebol Entre o amor e a bola O gosto pelo futebol muitas vezes passa dos limites e alcança o fanatismo. O casal de estudantes torce para times diferentes, embora compartilhe do amor pelo futebol, que já foi pivô de crises entre os namorados. Já a professora Cleonice Furtado de Mendonça Van Raij não larga do radinho em dias de jogos. Mas exageros devem ser contidos, como alerta o psicólogo e professor João Serapião Aguiar. Página 06

2 25 de abril a 8 de maio /2005 Jornal da PUC-Campinas Editorial Educar para não punir 02 Lamento profundamente que, há duas semanas, o nome da PUC-Campinas tenha sido associado a notícias provenientes de denúncia sobre violência sexual ocorrida fora da Universidade. Teria acontecido após festa estudantil realizada em 2004, envolvendo alunos nossos, tanto a vítima quanto os supostos agressores. A violência, qualquer que seja ela, é um problema abrangente. Suas conseqüências são nefastas para toda a sociedade. Quando nela se agrava, reflete-se em seus segmentos, inclusive na família e na universidade. Evidente que o fato muito nos entristece. Não só por suas graves conseqüências nas vidas dos jovens envolvidos, como para os familiares de cada um deles, para o nome da Instituição e para os colegas de curso e professores que assistiram pasmados à sucessão de reportagens divulgadas. Embora tenha acontecido fora de nossas instalações, o caso fere profundamente nossa concepção ética e humanitária de sociedade e, em especial, do papel representado por cada um dos nossos alunos, conforme a formação integral que a eles queremos oferecer como uma universidade católica e comunitária. Nossas preocupações se estendem inclusive para as influências internas do caso, pois temos consciência de que tem sido motivo de discórdia entre os que se posicionam favoravelmente a um dos lados envolvidos. Enquanto acompanhamos as investigações realizadas pelos setores públicos competentes, temos procurado aprofundar a reflexão sobre o caso com a comunidade universitária. Com a devida cautela, no entanto, para evitar que incorramos em préjulgamentos que nada acrescentam e que podem, inclusive, tomar rumos completamente adversos da avaliação final da Justiça. Além do caso citado, temos tido atenção com outros tipos de abusos em nossa comunidade estudantil. O consumo excessivo de álcool, por exemplo. Temos consciência do que ocorre nos bares em torno dos campi e, o que é pior, com a venda de bebidas em festas estudantis, cujos organizadores procuram burlar as normas internas da Instituição, para permitir que também sejam vendidas e consumidas nos campi. O objetivo maior da Universidade é formar o ser humano, o que implica também em enfrentar os seus problemas. Não somos uma Instituição punitiva, razão pela qual insistimos no esforço preventivo, na conscientização e no diálogo, antes de qualquer medida extrema. Reitor da PUC-Campinas Padre José Benedito de Almeida David CEA registra aproveitamento de 71,17% em monografias Quem pretende seguir carreira plo de que o interesse pelo assunto faz a diferença. Antes de iniciar como pesquisador deve ficar atento: um bom Trabalho de Conclusão o trabalho de pesquisa para compor sua monografia, ela acreditava de Curso (TCC) representa um importante passo para trilhar o ter uma tarefa muito chata pela caminho da ciência. A nota alcançada nesses trabalhos é um dos cri- escolher um assunto com o qual se frente. Sua primeira atitude foi térios de seleção para o candidato a identificasse. Interessada na questão do emprego no País, ela esco- uma vaga na pós-graduação. Dados da Coordenadoria de Monografias lheu o tema Políticas de Emprego do Centro de Economia e Administração (CEA) da PUC-Campinas Professor Josmar Cappa no Auditório Dom Gilberto Banco do Povo e Pró-Renda em nos Anos 90: Um Estudo sobre o revelam que, dos 333 alunos matriculados na disciplina de Monografia da Faculdade de empolgou com o assunto, dedicou-se e, como recompen- Campinas. Deu certo. Priscila se Ciências Econômicas, 237 foram aprovados, representando um índice de aproveitamento de 71,17%. Um cresci- segundo lugar do Prêmio CEA PUC-Campinas de sa, recebeu nota 10 em seu trabalho e ainda conquistou o mento significativo se comparado ao desempenho do ano Excelência em Monografia de 2003, oferecido anualmente aos três melhores TCCs. de 1998, quando foram aprovados 56 alunos dos 162 matriculados, 34,57%. Para o professor Josmar Cappa, coordenador de monografias da Faculdade de Ciências Econôquisa, o trabalho final do curso pode ser usado como mar- Para quem não tem pretensões de seguir carreira na pesmicas, mais que uma obrigatoriedade, "a monografia é a keting pessoal na hora de procurar emprego. O gerente de oportunidade que o aluno tem de se aprofundar em uma consultoria em Recursos Humanos Marchal Rassa dá a dica: área específica, de conhecer melhor um assunto do seu no processo seletivo, o candidato que pesquisou algo relacionado à área na qual concorre a uma vaga leva vantagem interesse". A economista Priscila Vedovatto dos Santos é um exem- sobre aquele que não se aprofundou no assunto. Notas Inscrições para Iniciação Científica aumentam quase 85% O número de inscritos no Programa Integrado de Iniciação Científica da Universidade aumentou em 85,89%, chegando a 461 alunos. Os candidatos concorrem à 167 bolsas: 115 oferecidas pelo Fundo de Apoio à Iniciação Científica (Fapic) e 52 pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). O resultado será publicado no dia 17 de junho pelo Portal PUC-Campinas. O coordenador da Iniciação Científica, Dalmo Mandelli, atribuiu o aumento das inscrições à divulgação do programa entre os alunos. "No começo do ano, antes de abrirem as inscrições, realizamos palestras em alguns centros. Os cerca de 600 alunos que participaram, além de terem informações sobre o programa, perceberam a importância da Iniciação Científica", avaliou Mandelli. Agenda 27/04 Mostra dos Grupos de Pesquisa do Centro de Ciências da Vida (CCV).Auditório Monsenhor Salim, Campus II, das 13h às 18h. 29/04 Data-limite para pedido de trancamento de matrícula dos alunos de Graduação dos cursos semestrais e de alunos de pósgraduação Visita de representantes do Consulado dos EUA ao Centro de Linguagem e Comunicação (CLC), Campus I, para apresentar aos alunos o concurso "Estude nos Estados Unidos". A visita ocorrerá das 15h30 às 21h, nas instalações do CLC. O concurso é dirigido a alunos de Marketing, Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Informações: A equipe vencedora receberá equipamentos e softwares no valor de U$ 5 mil. 02 a 05/05 1º Simpósio Internacional do Adolescente Adolescência Hoje: Desafios, Práticas e Políticas. Primeiro dia ocorrerá no Auditório Monsenhor Salim, Campus II, e os demais, na USP, em São Paulo. Informações pelo site 05/05 O Laboratório de Ensino, Sociedade e Cultura (LESC), do Centro de Ciências Humanas (CCH), convida professores de Sociologia do Ensino Médio para a oficina pedagógica, das 8h30 às 12h30, no Prédio H-11, salas 29/30, Campus I. Expediente Reitor- Padre José Benedito de Almeida David; Vice-reitor - Padre Wilson Denadai; Conselho Editorial - Ciça Toledo, Wagner José de Mello e Domenico Feliciello; Coordenador de Departamento de Comunicação - Wagner José de Mello; Coordenador do Setor de Jornalismo - Aderval Borges; Editora - Eunice Gomes (MTB ); Redatores - Du Paulino, Eunice Gomes, Aderval Borges e Fábio Guzzo; Revisão - Luiz Antonio Razera; Fotografia - Ricardo Lima; Tratamento de Fotos - Ricardo Lima e Marcelo Adorno; Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica - Neo Arte Gráfica Digital; Impressão - Grafcorp; Redação - Campus I da PUC-Campinas, Rodovia D. Pedro I, km 136, Parque das Universidades. Telefones: (19) e

3 Jornal da PUC-Campinas Opinião de abril a 8 de maio /2005 Limites existem para serem superados! Tabajara Dias de Andrade Recentemente, em um workshop realizado com educadores, solicitamos que listassem quais os principais objetivos do trabalho com crianças. Em resposta, obtivemos como um dos itens mais citados: "ensiná-los a respeitar limites". Parece que aqui não existem grandes contradições. As pessoas precisam ser educadas e educação significa, entre outras coisas, aprender a respeitar os limites impostos pela sociedade, pela realidade e pelas outras pessoas. Num segundo momento, neste mesmo evento, solicitamos que listassem pessoas conhecidas pessoalmente, por literatura ou por ouvir falar, que, também na opinião deles, pudessem ser consideradas pessoas de sucesso. Depois, pedimos que observassem quais os aspectos mais significativos dessas pessoas e que, ainda na opinião deles, seriam os responsáveis diretos ou indiretos por este sucesso. Curiosamente, a "capacidade de superar limites" estava entre os itens mais citados! De fato, muitas das pessoas mencionadas Não haveria conflitos de gênero, comércio de favores, nem abusos sexuais; pois homens e mulheres se respeitariam numa relação igualitária sos tecnológicos fantásticos, mas continuamos tão rudimentarmente éticos como homens das cavernas. Vivemos ainda uma época da ética do mais forte; do oportunismo, do hiperpragmatismo e da crença na impunidade. Reclamamos quando o juiz rouba o nosso time, e fazemos vistas grossas quando somos favorecidos. A paz é vista como uma utopia colocada no fim de todas as guerras, quando vencermos todos aqueles que representam o mal, isto é, que pensam, agem ou sentem diferente de nós. "O seu direito termina onde começa o direito do outro", "não faça ao outro o que não quer que lhe façam", dizem os arautos da ética, numa relação direta com o "olho-porolho" da antiga lei de talião que pregava que a pena deveria se equiparar em gravidade ao fato que a provocou e nunca superá-la. Na verdade falta-nos uma ética moderna, superior, desenvolvida. Uma ética que se preocupe mais do que "não-fazer-o-malao-próximo-e-respeitar-os-valores-sociais", uma ética que se ocupe em promover o bem de todos, na qual não haja minorias a serem defendidas, porque todos faremos parte da grande maioria de seres humanos. Bastaria foram pessoas que ousaram ultrapassar barreiras pessoais e circunstanciais. Adiantaramse ao próprio tempo, quebraram paradigmas. Como lidar com esta aparente contradição? O que há de errado em tudo isso? O ser humano sempre lutou para superar limites. Foi assim com a ampliação das áreas geográficas exploradas e também com os avanços históricos e tecnológicos. Se assim não fosse, ainda viveríamos um estilo de vida primitivo, semelhante aos homens das cavernas; talvez, nem sequer existiríamos como espécie. Entretanto, um rápido passeio pela história nos mostrará que muito deste desenvolvimento foi feito sem que fossem respeitados os mais básicos princípios éticos. Nos desenvolvemos, progredimos, criamos recursermos seres vivos para sermos respeitados. As diferenças étnicas dariam belas cores ao mosaico humano. Não haveria conflitos de gênero, comércio de favores, nem abusos sexuais; pois homens e mulheres se respeitariam numa relação igualitária. A violência social, em todos os sentidos, seria substituída pela colaboração em busca de uma vida cada vez mais abundante e gratificante para todos. As guerras seriam substituídas por programas de desenvolvimento global. Isto é utopia, podem dizer alguns. Talvez seja. Talvez isto esteja além dos limites imaginados pela mente humana. Vamos superar mais este limite? Tabajara Dias de Andrade, médico psicoterapeuta e educador, formado pela Unicamp com pós-graduação nos Estados Unidos e Europa. É diretor do Centro Latino-Americano de Desenvolvimento (Clade) Espaço leitor Galeria QUAL SUA OPINIÃO SOBRE A PROLIFERAÇÃO DE BARES NA REGIÃO DA UNIVERSIDADE E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NOS Qual sua opinião sobre o Jornal da PUC-Campinas? Quer sugerir uma pauta? Divulgar o que você está fazendo? Participe! Mande uma mensagem para a redação. DEMOLIÇÃO DO 'PLATÔ' A matéria talvez não tenha considerado que a nossa mobilização não foi apenas pelo 'platô'. Ele foi apenas o estopim de inúmeras reivindicações. Nossa mobilização não foi apenas pela destruição desse espaço, mas sim pela falta de respeito da Universidade para com os alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). A destruição foi uma gota d'água, mas a desinstalação das unidades de ensino da nossa faculdade e a mensalidade que pagamos deveria ser lembrada na matéria. Nossas reivindicações vieram com a intenção de expor os problemas que passamos quanto às instalações de ensino e pedir novas soluções. Desde a criação dos centros, nossa faculdade foi esfacelada, situando cada parte administrativa em um prédio diferente, evitando a união das pessoas. Só se fez destruir e desinstalar nossos espaços. Sofremos com a má qualidade de nossas salas de aula e nossos professores nem possuem uma sala deles. Nossa mobilização foi nitidamente mascarada por um fato que, apesar de muito importante, não representa a importância bem mais significativa de um todo que desejamos. Joana Ribeiro, estudante da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) NOTA DA REDAÇÃO -Joana, a produção de uma matéria jornalística segue critérios técnicos, entre eles o limite de espaço editorial. Como você pode perceber sua carta não foi publicada na íntegra, já que seria inviável considerando a extensão dela. Selecionamos os trechos que julgamos de maior interesse para a comunidade. Trechos esses de cuja relevância você pode discordar. Este mesmo mecanismo ocorre na produção de uma matéria. Seleciona-se o ponto mais importante e ouvemse os vários lados do assunto, como foi criteriosamente realizado. Esclarecemos que os docentes contam com uma sala de professores. Ela fica na Sala 04 do Prédio Administrativo do Ceatec, centro do qual a FAU faz parte, e promove o intercâmbio de conhecimento dos docentes de diversas faculdades. Sobre a construção do novo prédio, a referida matéria esclarece o tema respaldada por entrevistas com os diretores da FAU e do Ceatec. Vinícius Zanotti, coordenador do Diretório Acadêmico da Comunicação Dalmo Mandelli, professor da Faculdade de Química "Os bares estão aí e são uma opção de cada um. Se o cara é maior de idade e quer ficar enchendo a lata, o problema é dele. A Universidade não tem de se meter nisso. Nas festas no campus, acho que podemos beber de forma saudável". "Não tenho problema com o som emitido pelos bares nem percebo que meus alunos deixem de assistir às aulas para ir até eles. O problema é que esses bares concentram muitas pessoas e pioram o trânsito do Campus I. Por isso, acho que não deveriam existir. Para coibir esta situação, a Universidade já fez o que poderia ser feito: construiu a Praça de Alimentação, concentrando a área de lazer naquela região". Alessandra Cristina Splendorelli, funcionária da Faculdade de Educação "Acredito que, fora da Universidade as pessoas têm liberdade de fazer o que quiserem. Agora,o fato de os bares serem muito próximos aos campi pode ser um complicador, porque isso estimula os alunos ao consumo bebidas alcoólicas. Além disso, no Campus I, a proximidade dos bares causa congestionamentos freqüentes". Imagens Liberdade significa responsabilidade. É por ISSO que tanta GENTE tem MEDO dela SONO DOS JUSTOS - A placa de concreto da PUC-Campinas no balão de acesso ao Campus I não parece muito confortável para tirar um cochilo. Mas para o pintor de paredes Gilson Costa Andrade o 'colchão' era perfeito. Já a estudante da Faculdade de Psicologia Mylene Magalhães também não se acanhou para dar uma relaxada entre uma aula e outra no Campus II, acompanhada do ursinho de pelúcia. George Bernard Shaw ( ). Dramaturgo irlandês, contemplado pelo Prêmio Nobel de Literatura em 1925.

4 25 de abril a 8 de maio / Jornal da PUC-Campinas Entrevista Vida de educadora inspira teledramaturgia Ethel Rosenfeld sempre desejou que os problemas enfrentados pelos deficientes visuais pautassem a grande mídia, o que acontece agora com a novela América, na qual dois personagens são inspirados em sua história Cega desde os 13 anos, quando foi submetida a uma cirurgia para a retirada de um tipo de tumor cerebral, a carioca e filha de judeus russos, Ethel Rosenfeld, 58 anos de idade, tem uma trajetória de luta pelos direitos e pela dignidade dos portadores de deficiência visual. Foi preciso aprender a viver em um mundo que não está preparado para abrigar os portadores de necessidades especiais. Hoje, sempre acompanhada do labrador Gem, o primeiro cão-guia da cidade do Rio de Janeiro (atualmente o Estado do Rio tem dois cães-guias), ela enfrenta com tranqüilidade e segurança os obstáculos físicos e sociais comuns à qualquer cego. Foi graças ao engajamento de Ethel que muitas leis foram criadas para garantir os direitos dos cegos tanto no limite carioca quanto no Brasil. Seu empenho inspirou a autora Glória Perez na criação dos personagens cegos da novela América, exibida pela Rede Globo de Televisão. A consultora e professora especializada em deficiência visual participa da 5ª Semana Científica do Ceatec, promovida pelo Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologias (Ceatec), que acontece de 25 a 29 de abril, no Campus I. Ethel ministra palestra no dia 29 sobre a Acessibilidade e Sensibilidade - Um outro Mundo é Possível. Du Paulino Jornal da PUC - Quais as dificuldades que os deficientes visuais enfrentam no Brasil? Ethel Rosenfeld - A falta de organização do mobiliário urbano, falta de divulgação e nãocumprimento das leis existentes, ausência da mídia em seminários e congressos, onde temas relevantes são discutidos e equipamentos demonstrados. Toda essa informação gira entre os que já a conhecem e o objetivo é levar a informação para todos. Há também o custo elevado de softwares e equipamentos indispensáveis aos deficientes. JP - Qual a garantia de acessibilidade para os deficientes? Ethel - Garantia nenhuma. Falta o verdadeiro desejo político para fazer acontecer o que temos garantido nas leis e decretos. JP- Essas leis encontram muita resistência? Ethel - Prefiro dizer dificuldade para serem cumpridas. Por exemplo: a lei que obriga os restaurantes a terem cardápios em braile. As poucas gráficas existentes no País, não têm capacidade para absorver a demanda. O mais importante ainda é o livro didático e este, também, não chega para todos. Em relação ao cão-guia, muitas vezes, sou impedida de entrar em algum lugar e o problema é, exatamente, a falta de conhecimento da importância do cão-guia para uma pessoa cega e de como ele se comporta em todos os ambientes. Precisamos é que a mídia se interesse em conhecer as reais necessidades das pessoas com deficiência e nos ajude a esclarecer a sociedade. JP - Como é a experiência de ter um personagem de novela baseado em sua história? Ethel - É tudo que sonhei. Desde que comecei a enfrentar as dificuldades de conviver com Gem, meu cão-guia, há sete anos, logo desejei conversar com algum novelista para criar um personagem com esse perfil. Somente em uma novela eu difundiria a cultura do cão-guia. Em abril de 2004 fui procurada pela pesquisadora da Glória Perez. Para mim, a realização ultrapassou os meus limites de satisfação. Sinto como se fosse o coroamento de minha vida. Tudo que venho fazendo há 32 anos será devidamente apresentado de forma direta. JP - A senhora presta alguma assessoria na composição dos personagens? Ethel - Sim. Depois que a Glória Perez ouviu a entrevista que dei à pesquisadora, ela quis nos conhecer e veio a nossa casa. Quando perguntei se o personagem seria cego congênito ou teria cegueira adquirida, ela respondeu que não tinha definido e, com a evolução da conversa, ela se entusiasmou com as diferenças radicais e impactos sociais que cada uma apresenta e criou os dois personagens. Desde então, tenho contribuído com meus conhecimentos técnicos e feito oficinas com o Marcos Frota e a Bruna Marquezine. JP - Qual o maior equívoco que as pessoas cometem em relação a essa deficiência? Ethel - Pensarem que os cegos são surdos. Em geral, falam alto conosco, quase gritando. Pensarem que os cegos não têm competência para decidirem, sempre indagam ao nosso acompanhante. Em relação ao mundo do trabalho, é a deficiência menos aceitável. JP - Qual o comportamento ideal para quem quer ajudar um deficiente visual? Ethel - O que devemos sempre fazer é perguntar: Você precisa de ajuda? Como eu posso lhe ajudar? Em se tratando de uma pessoa cega, ao se aproximar dela, toque suavemente em seu braço, para que ela saiba que é com ela que você está falando e, depois, faça as duas perguntas. Se for uma pessoa surda, fale de frente e devagar com ela, não precisa gritar. JP - A senhora ainda enfrenta preconceito? Ethel - Apenas em raras situações, quando me impedem de entrar com o Gem, logo explico que sou cega e que ele é um cãoguia e, imediatamente as pessoas liberam a passagem. A maioria dos brasileiros já ouviu falar sobre o cão-guia e, agora, com a novela, com certeza essa situação vai deixar de existir. JP - Como é a sua relação com Gem quando ele não está trabalhando? Ethel - A mais amorosa possível. Sou realmente apaixonada por ele. Faço tudo que uma mãe faz por um filho. Abraço, beijo, brinco, induzo ao erro dos petiscos, etc. Acima, Ethel e seu companheiro inseparável; ao lado, paciente na rampa de acesso ao Ambulatório de Terapia Ocupacional Universidade tem 21 portadores de necessidades especiais A PUC-Campinas tem 21 alunos portadores de necessidades especiais, segundo o Projeto de Acessibilidade (Proaces), responsável por atender às necessidades pedagógicas desses alunos. Nove têm deficiência físico-motora, sete são deficientes visuais e cinco são portadores de deficiência auditiva. O Proaces oferece, mediante solicitação do aluno, apoio pedagógico específico para cada necessidade, como a transcrição para braile do material didático e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Quanto às barreiras arquitetônicas, a solicitação é encaminhada ao Departamento de Obras e Projetos (DPO). Para a assessora técnico-pedagógica do Proaces, Mônica Martinez de Moraes, essas medidas possibilitam que os deficientes vençam as barreiras, mas não resolvem o problema. Ela citou como um problema de acessibilidade o Campus Central, prédio tombado pelo Patrimônio Histórico. "Em Salamanca todos os prédios históricos tombados garantem o acesso dos deficientes", argumentou. O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000, indica que cerca de 24 milhões de brasileiros têm algum tipo de necessidade especial. Desses, mais de sete milhões não são alfabetizados. A Constituição Brasileira garante o atendimento educacional especializado aos portadores (inciso III, art. 208) e a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola (inciso I, art. 206).

5 Jornal da PUC-Campinas Debate de abril a 8 de maio /2005 NOTÍCIAS negativas agitam comunidade universitária Reitor, padre David, e vice-reitor, padre Wilson, durante coletiva à imprensa, no Campus Central Eunice Gomes Fábio Guzzo Nas últimas semanas alguns acontecimentos lamentáveis alteraram a rotina universitária na PUC-Campinas. A prisão de três alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e da Faculdade de Jornalismo, acusados, pela Polícia Civil, de estuprar uma estudante da FAU em uma república, a realização de uma festa do Diretório Acadêmico e Atlética de Comunicação com a comercialização de bebidas alcoólicas no Campus I e as suspeitas de possíveis irregularidades envolvendo um dos alunos contemplados pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) desencadearam diversas discussões na Universidade. O reitor da PUC-Campinas, padre José Benedito de Almeida David, concedeu uma coletiva à imprensa no dia 15 de abril, quando ratificou as medidas adotadas para conter os abusos dentro dos campi e a apuração de irregularidades. Na ocasião, o reitor lamentou as notícias negativas que, neste momento, arranham a imagem da instituição, mas lembrou que a PUC-Campinas tem uma história escrita em mais de seis décadas com a formação de cerca de 140 mil profissionais e a prestação de serviços à sociedade. "A construção de uma formação ético-cristã ao longo de anos não será ofuscada por casos isolados que não refletem o dia-a-dia de nossa comunidade", afirmou padre David. Bebidas alcoólicas A venda de bebidas alcoólicas nos campi é proibida pela Universidade. Porém algumas festas acontecem com ou sem consentimento das direções dos centros, nas quais são ingeridas e comercializadas bebidas alcoólicas. Uma dessas festas aconteceu no dia 5 de abril no Campus I, promovida pela Diretório Acadêmico e Atlética da Comunicação. O fato será apurado por uma sindicância interna. De acordo com uma das coordenadoras,tássia Vinhas, a festa reuniu cerca de mil estudantes de diversos cursos. "Conheço o estatuto, mas decidimos vender cervejas para angariar fundos. Reconheço que as festas atrapalham às Coordenadora da Atlética de Comunicação Tássia Vinhas promoveu festa com venda de bebidas aulas, mas é uma forma de protestar contra a falta de verbas e infra-estrutura", afirmou Tássia. As manifestações são legítimas a todos os segmentos, porém devem respeitar as autoridades e o direito dos demais colegas. O que não aconteceu no ano passado, quando um grupo de estudantes do Centro de Linguagem e Comunicação (CLC) agrediu verbalmente o reitor da Universidade. O desacato gerou a punição (advertência) de três alunos. "A advertência é um alerta de que este limite foi alcançado e ultrapassado, propondo aos alunos a atenção e a reflexão sobre seus atos. Aqui tem limites. Podem ter causas e mobilizações para defendê-las, mas não pode misturar isto com agressão", afirmou a diretora do CLC, Laura Umbelina Santi. Outro tema que pontuou a reflexão e o debate é a proliferação de bares na região dos campi. Um dos points é o La Bodega, localizado a 50 metros do Campus I. Segundo o dono do bar, Alcides Pereira da Silva, cerca de 20 caixas de cerveja são vendidas por dia. "O bar funciona como um ponto de encontro. O intuito é a confraternização, não a bebedeira", afirma Silva. Porém os depoimentos atestam que os alunos não apenas trocam as aulas pelo bar, mas perdem até provas. O consumo de álcool e outras drogas preocupam Prisão de alunos, denúncia de irregularidades em uma das 513 bolsas do ProUni e o comércio de bebidas alcoólicas dentro e fora dos campi promoveram discussões sobre a ética, os limites e a aplicação do Regimento Geral da PUC-Campinas Diretora do CLC advertiu três alunos a Universidade. "Realizamos trabalhos com a Comissão de Prevenção ao Uso de Drogas, criamos a Coordenadoria de Atenção à Comunidade Interna (Caci) e estamos implementando o Núcleo de Atenção à Comunidade Interna (Naci) com o objetivo de alavancar a qualidade de nossa comunidade. A situação da droga é muito abrangente. Está dentro da sociedade representando um desafio para nós como Instituição e para todos os que integram nossa comunidade. Nossa política não é da repressão e sim da formação de nossos alunos. Criamos mecanismos para ajudá-los. No entanto, vamos tomar outras providências em casos extremos, com punições", explica padre David. Denúncia de estupro O reitor esclareceu que soube desses acontecimentos em dezembro último pela direção da FAU e que em momento algum a Universidade tentou abafar o caso. "Se a Justiça apontar culpados, podemos aplicar as punições previstas no Regimento Geral da PUC-Campinas. Mas não vamos julgar e nem condenar ninguém, porque isto não cabe à Universidade", esclareceu padre David. As penalidades variam de advertência ao desligamento da Universidade. ProUni Algumas denúncias envolvendo um dos 513 bolsistas contemplados pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni) chegaram à Reitoria e estão sendo apuradas. O padre David afirmou que todos os documentos apresentados pelo aluno foram avaliados e contemplam as exigências do Ministério da Educação (MEC). Porém, se for comprovada a falsidade de alguma informação contida nesses documentos, o aluno poderá perder o benefício. "Não gosto de ir ao bar porque nunca fico em uma cervejinha só. Acabo tomando a segunda, a terceira. Os bares complicam o trânsito. Outro dia estacionei em frente ao La Bodega. Quando sai da aula, o carro estava arrombado e sem o rádio. Com estes bares, a Universidade perde em segurança. Tem um pessoal da minha sala que enche a cara e incomoda". RUI ALBERTO NASCIMENTO JÚNIOR, estudante da Faculdade de Ciências Contábeis, que estava no Campus I? "Já tive três dependências ao longo do curso. Neste momento, minha turma está em prova e era para eu estar lá. Mas recupero esta nota daqui umas semanas, quando vai ter prova substituta. Além disso, esta disciplina é fácil e não segura outras matérias. Venho para cá umas duas ou três vezes na semana" JEFFERSON IKE, aluno de Análise de Sistemas, que estava no bar no dia 13 de abril à noite O que pensa a comunidade sobre o consumo de bebidas alcoólicas nos campi e nos bares localizados próximos à Universidade? "Acabei de fazer prova. Venho para cá no intervalo entre as aulas. A Praça de Alimentação é muito cheia. Aqui o atendimento é mais rápido, mas sempre que venho acabo tomando uma coisinha e volto para assistir à segunda aula. Mas não fico bêbada. Trabalho o dia inteiro e aqui acabo desestressando." ELAINE DONATO, estudante da Faculdade da Administração, que estava no bar 13 de abril à noite "Esta questão do álcool está dentro de outra maior, que é o consumo de drogas. Sobre as festas, acho que a Universidade não deveria proibi-las. Acho que deveria ter uma festa oficial para cada curso, na qual haveria uma organização e alguém assinaria um termo de comprometimento. Estas festas poderiam ser feitas no campus, mas em um local adequado, que não atrapalhasse as aulas. Assim, haveria maior controle e fiscalização sobre elas." JÚLIO CÉSAR FELIPPE, presidente da Associação dos Funcionários Administrativos da PUC-Campinas (Afapucc) "Leciono à noite e sinto uma certa dispersão dos alunos que pode dificultar os trabalhos dos professores. Mas isto é um problema que a educação de forma geral vem enfrentado: como competir com os atrativos oferecidos pela sociedade? No nosso caso, competir com os bares; no caso de outras escolas, com a Internet, por exemplo. Acho que os cursos deveriam repensar suas grades curriculares e práticas para se tornarem mais atrativos aos alunos" MAURÍCIO FRANCISCO CEOLIN, presidente da Associação dos Professores da PUC-Campinas (Apropucc) "É difícil condenar o pessoal que vai aos bares. São pessoas que trabalharam o dia todo, chegam cansadas e vão tomar uma cerveja. Cada um tem sua consciência e sabe o quanto paga de mensalidade. Mas, se a administração concedesse autorizações para as confraternizações no campus, o pessoal ia querer ficar por aqui mesmo". FERNANDO FREDIANI, coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC-Campinas

6 25 de abril a 8 de maio /2005 Jornal da PUC-Campinas 06 Comportamento Apaixonados fazem loucura pelo futebol Casal se une por causa da torcida inflamada por times arquiinimigos e professora acompanha jogos pelo radinho até na igreja; psicólogo alerta que uma linha tênue separa a torcida saudável da patológica A professora Cleonice é torcedora ponte-pretana assídua Ela é ponte-pretana. Ele é bugrino. Mas esta diferença não os separou. Os estudantes da Faculdade de Jornalismo Carolina Lacelva Marangni e Vinícius Freitas Felippe conheceram-se na PUC- Campinas e o fanatismo por futebol e seus respectivos times logo os uniu. A professora Cleonice Furtado Van Raij não perde um só jogo da Ponte Preta, acompanhando as partidas até na sala de aula e na igreja. Embora garantam que quase nunca perdem a postura, o psicólogo João Serapião alerta sobre os riscos do fanatismo pelo futebol. "Estudávamos na mesma classe e eu sempre levava meu fichário da Ponte Preta, quando, na véspera de um dérbi, nós puxamos assunto sobre o jogo", explica Carolina. Felippe credita a aproximação dos dois ao fato de torcerem com a mesma intensidade e freqüência. "Mesmo sabendo que o outro torcia para um time rival, nós percebemos o gosto pelo futebol em comum e começamos a namorar", afirmou o bugrino. O casal freqüenta estádios e não desgruda dos rádios. "Cada um tem o seu radinho e levamos conosco a todos os lugares", comentou Felippe. As diferenças ficam latentes na hora de ir ao estádio. Felippe já se sentou na torcida da Ponte no início do namoro, mas não pretende repetir a experiência. "Não dá para um bugrino ficar no meio dos ponte-pretanos. Até tentamos no começo, ela também foi à um jogo comigo, mas não nos sentimos bem", garantiu Felippe Carolina aponta o dérbi como o racha mais forte do casal. "Nossa, aí é cada um na sua torcida e uma provocação atrás da outra através de mensagens pelo celular". E depois que o jogo acaba, eles têm a tradição de sair para jantar. A conta fica para o torcedor do time que perdeu. Caso haja empate, a conta é dividida. Carolina admite que chegou a ultrapassar o limite da paixão saudável. "Cheguei a ficar muito fanática, quando houve a possibilidade de a Ponte ser rebaixada. Chorei tanto durante o jogo que, mesmo ao saber que ela não seria rebaixada, não consegui parar. Tive um ataque de nervos, uma crise de choro incontrolável", contou. Segundo o psicólogo e professor da PUC- Campinas João Serapião de Aguiar, o fanatismo esportivo pode chegar a extremos que prejudicam as pessoas." O sentimento de competição é intrínseco ao ser A vida dura do universitário-trabalhador Na PUC-Campinas cerca de 30% dos alunos podem comemorar o Dia do Trabalho, em 1º de maio. Segundo a Coordenadoria de Ingresso Discente (CID), este é o percentual de matriculados que trabalham em tempo integral. Eles enfrentam a rotina dura da dupla jornada. Um cotidiano mais pesado para as mulheres que para os homens, como apontou a dissertação Qualidade de Vida e Sintomas Psicopatológicos do Estudante Universitário Trabalhador, defendida pela professora da Faculdade de Psicologia da PUC- Campinas Maria Cláudia Roberta Tombolato. "Dos 140 alunos do curso de Administração que entrevistei, 87% estudavam e trabalhavam e 13% só estudavam", detalhou Maria Claúdia. A pesquisadora identificou também que os universitários-trabalhadores, independentemente do sexo, têm maiores desgastes físicos. "Aqueles que trabalham reclamam mais de dores no corpo e de sono. Outra diferença que percebi é que os trabalhadores têm piores condições de moradia e de transporte, além de ter menos tempo para o lazer", ponderou Maria Cláudia. Embora trabalhe desde os 16 anos, a aluna de Artes Visuais com ênfase em Design Michele Resende Campos afirmou que é difícil conciliar a dupla jornada. "No ano passado, trabalhei em um banco em São Paulo. Quase morri! Acordava 4h30 Ao lado, Michele Resende Campos que batalhou muito para ser empresária; acima, Elvis Broccolio enfrenta com bravura a dupla jornada O psicólogo Serapião alerta sobre os excessos para pegar o ônibus uma hora depois. Na volta, chegava ao Centro de Campinas umas 19h e vinha com meu carro para a faculdade. Sempre entrava na sala atrasada. Meu café da manhã e meu jantar eram um sanduíche que eu mesma preparava. Comia sempre dentro do ônibus", lembrou. Mas o esforço valeu a pena, Michele é empresária e desenvolve homepages. Já o aluno de Matemática Elvis Broccolio garantiu que não se desgasta pelo fato de trabalhar o dia todo. "O que aprendo em sala de aula é suficiente para mim. É claro que tenho menos tempo para estudar, mas isto não compromete meu desempenho", garantiu Broccolio, que atua no departamento financeiro de uma empresa pública. humano. Precisamos nos preocupar em não incentivar a competição destrutiva, que pode levar ao fanatismo", explica. Aguiar afirma que muitas vezes é necessário um acompanhamento psicológico para que a pessoa consiga retomar o equilíbrio. Segundo o psicólogo é preciso que os próprios educadores mostrem aos alunos desde cedo que é preciso canalizar a paixão pelo esporte para uma prática sadia. É o que acontece com a professora Cleonice Furtado de Mendonça Van Raij apaixonada pela Ponte Preta. Considera-se uma torcedora com espírito esportivo e cultiva uma paixão saudável. "Torcer pela Ponte me faz muito bem, desopila o fígado e deixo de lado todos os problemas". Mas acompanhar os jogos até na igreja, não é demais? Para Cleonice não. A professora arruma sempre um jeitinho de saber dos lances da partida. Cleonice leva o radinho, deixa-o com o guardador de carros e senta-se na última fileira do templo. Assim que há alguma novidade no jogo, ele entra na igreja para me avisar, com respeito e discrição. É claro que a professora também adora ir ao estádio. Clínica de Fisioterapia será inaugurada em junho A Clínica de Fisioterapia da PUC- Campinas, que funciona parcialmente desde março no Campus II, será inaugurada oficialmente em junho e está sendo considerada Valéria Campomori pelos especialistas como uma das mais modernas da Região Metropolitana de Campinas (RMC). Vinte funcionários e 21 professores atendem diariamente cerca de 200 pacientes carentes. Cerca de 450 alunos da Faculdade de Fisioterapia terão aulas práticas no local. A clínica ocupa uma área de 4,3 mil metros quadrados com quatro andares, onde funcionarão cinco setores: ginecologia e obstetrícia, neurologia adulta e saúde mental, pediatria, cardiorrespiratório e músculo-esquelético. A clínica conta com três salas para atendimentos, três laboratórios, corredor com marcações para teste de caminhada, área de descanso, dois elevadores, fraldário, playground e 16 banheiros (alguns adaptados para portadores de deficiências físicas). "Outro destaque é a piscina terapêutica com 25 metros, aquecida por energia solar e com três níveis de profundidade, adequada para fazer diversos serviços. É uma das mais modernas da região", destacou a coordenadora da clínica, Maria Valéria Campomori.

7 Jornal da PUC-Campinas Espaço feminino A professora da Faculdade de Direito da PUC-Campinas Lígia Bisogni é a primeira mulher do interior do Estado de São Paulo a ser nomeada desembargadora. Ela tomou posse no dia 14 de abril no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, para ocupar o cargo de representante da classe dos advogados, pelo chamado Quinto Constitucional. Lígia é advogada há mais de 25 anos e leciona Direito Processual Civil na Universidade desde Anos sessenta, governo ditatorial, nasce o Cinema Novo. Corta! Anos noventa, governo neoliberal, surge o Cinema da Retomada. Há alguma semelhança entre os dois movimentos? Para o professor do Centro de Linguagem e Comunicação (CLC) Wagner José Geribello, sim. "Ambos tiveram apoio do Estado. Glauber Rocha e outros cineastas da época utilizaram recursos da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme). Quando essa estatal foi extinta, no governo Fernando Henrique, foi criada a Lei Rouanet, que concede isenção de MURAL impostos para quem investir em cinema. Só assim a produção nacional sobrevive: com alguma forma de apoio do Estado", garantiu. Mas as semelhanças param por aí. De acordo com Geribello, o cinema autoral não se coloca com tanta Aderval Borges Fábio Guzzo O que há de novo no cinema nacional intensidade como em 30 anos atrás. "A qualidade do Cinema Novo é infinitamente maior. Hoje, os enquadramentos, os cortes, a montagem, as textura dos filmes, enfim, a estrutura do cinema brasileiro é muito internacionalizada", compara. Locadora de Geribello > Abril Despedaçado (2001, drama, diretor Walter Salles). "Trata da temática nordestina, mas não de forma saudosista e regionalista" > Desmundo (2003, drama, diretor Alain Fresnot). "Nunca vi o Brasil- Colônia tão bem retratado como neste filme " > Olga (2004, drama, diretor Jayme Monjardim). "Apesar de toda a crítica que foi feita quando do seu lançamento - de que seria um filme romantizado -, retrata muito bem uma época em que o movimento esquerdista esteve forte no País". > O Prisioneiro da Grade de Ferro: Auto-Retratos (2003, documentário, diretor Paulo Sacramento). "Entre os filmes sobre o Carandiru, este traz um olhar documental sobre o presídio.vale a pena conferir". > Sargento Getúlio (1983, drama, diretor Hermanno Penna). "Apesar de ser um pouco mais antigo, é um filme que se mantém atual". 25 de abril a 8 de maio /2005 Incompreensíveis para as massas Um dos mais importantes movimentos da arte moderna foi o cubo-futurismo russo, criado em 1905 por David Burliuk, Vielimir Khlébnikov e Vladímir Maiakóvski. Todos aderiram à revolução soviética de Mas a lua-de-mel entre os vanguardistas e os sectários seguidores de Lênin, Trotski e Stalin durou pouco. Foram marginalizados pelo regime, sob a acusação de que eram "incompreensíveis para as massas". Passados cem anos, os cubo-futuristas continuam influentes em todo o mundo e a revolução soviética, que pretendia mudar o planeta, ficou para as páginas da história. No Brasil, existe sobre eles a ótima antologia Poesia Russa Moderna, com traduções de Augusto e Haroldo de Campos e de Boris Schnaidermann. A foto acima é da capa de uma edição da antiga Editora Brasiliense, que traz um poema visual de Maiakovski. Atualmente, o livro é editado pela Perspectiva e vendido nas livrarias por R$ 50,00. Confira os GANHADORES do último sorteio, que devem retirar seus prêmios até 05 de maio no Departamento de Comunicação, localizado no Prédio da Pastoral II (Campus I), das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h30. Uma Janela em Copacabana - Lorena Verônica Piuselli (Relações Públicas) A Era do Eu S/A - Liége Honda (Psicologia) Psicologia nas Organizações - Ângela Ferreira da Silva (Psicologia) Almoço na República do Café - Poliane Cristiane Rodrigues (Patrulheira) João encrenca Em um papo com São Pedro, já entrando no céu, João Saldanha diz de si mesmo: "Fui contrabandista de armas aos seis anos de idade, líder estudantil aos 20, membro do Partido Comunista a vida toda. Também fui jogador e técnico de futebol, analista de escola de samba, co-autor de enciclopédia, ator de cinema e candidato a vice-prefeito. Dizem que fui um grande personagem. Parece que vivi várias vidas, sempre entre a lenda e a realidade." Assim, o jornalista João Máximo inicia a apresentação de seu livro João Saldanha sobre Nuvens de Fantasia. É um perfil delicioso deste gaúcho, mas "carioca de bossa e espírito", bom de papo e de briga. O livro apresenta o Saldanha comentarista, o técnico de futebol, o jornalista, o militante político, o garoto de praia, o brigão, o contador de histórias "verdadeiras" e mentirosas. O livro é da RioArte e Relume-Dumará Editores. Tem 138 páginas e custa R$ 13,00 nas livrarias. No palco O Centro de Cultura e Arte (CCA) realiza na sala 800 do Prédio H-1, Campus I, o programa PUC Ponto Musical, com oficinas de canto e de som para alunos, professores e funcionários da Universidade. A Oficina de Canto é realizada todas as terças e quintas, a partir das 17h50, e é coordenada pela professora Ana Yara Campos. A Oficina de Som, ocorre às quartas, no mesmo horário e local, sob a coordenação da professora Eloísa Lopes. Os agendamentos e inscrições: CCA (Campus I) ou no próprio local com as coordenadoras. Informações: (19) Contemporâneo pobre de Shakespeare Para muitos, o grande nome da poesia inglesa do século XVI não é Shakespeare, mas o discreto John Donne ( ). O estudioso de literatura e comunicação canadense Marshall McLuhan tinha veneração por ele. Segundo McLuhan, as elegias de Donne são a síntese da sensibilidade européia da época. O melhor tradutor de Donne no Brasil é o poeta Augusto de Campos, que traduziu para o português várias poemas, no livro O Anticrítico, publicado em 1986 pela Companhia das Letras, e no qual estão os versos de Elegy: going to be, cuja versão é cantada por Caetano Veloso: "...deixa que a minha mão errante adrente/atrás, na frente, em cima, em baixo, entre/minha América, minha terra à vista..." Quem se lembra? O homem de preto Um dos pilares da música popular norte-americana, o cantor e compositor Johnny Cash era dono de uma voz estranha, instável, mas ideal para falar sobre os problemas do homem comum. Embora tenha vendido 53 milhões de discos ao longo de cinco décadas de carreira, não fazia concessões ao mercado. Suas letras são melancólicas e abordam o submundo americano. Só vestia roupas pretas e não era de muito papo. Autor de clássicos como Folsom Prison Blues, I Walk the Line e A Boy Named Sue, morreu aos 71 anos em setembro de Surgiu em Memphis, terra de origem do rock-and-roll, juntamente com Elvis Presley, de quem era amigo. Bob Dylan cita-o como sua maior influência musical. Sua obra é facilmente encontrada nas lojas de CDs e várias de suas músicas estão disponíveis na Internet. Teatro do impossível Gordon Craig ( ), ator, encenador e cenógrafo inglês foi uma das figuras mais interessantes e decisivas para o teatro ocidental do século XX. Foi um dos expoentes da escola simbolista no teatro. Entre suas importantes montagens está Hamlet, de Shakespeare, apresentada em 1912 no Teatro de Arte de Moscou, a convite do grande encenador russo Constantin Stanislavski. Após a primeira guerra mundial, Craig passou a ser muito mais um teórico que um homem da prática teatral. Mas um teórico muito especial, que, além de escrever sobre suas idéias, esboçava cenas e construía maquetes de cenários para peças que imaginava. Entre elas Drama para Loucos, uma peça de 365 cenas para marionetes, impraticável, ainda hoje, pela complexidade técnica exigida. Há farto material sobre Craig na Internet. classificados MORADIA Alugo quarto mobiliado em apartamento. Próximo ao Campus II. (11) Marina MORADIA Vendo apartamento R$ ,00 Próximo ao Campus I (19) e SERVIÇOS Serviços de informática em domicílio. (19) e AULAS PARTICULARES Tradutor Público & Intérprete Comercial (Inglês) (19) e TRANSPORTE Transporte Universitário Campinas - Campus I (19) e TRANSPORTE Vitor Transporte Universitário Campinas - Campus I (19) As ofertas acima são de responsabilidade dos anunciantes

8 25 de abril a 8 de maio /2005 Jornal da PUC-Campinas 08 Surfistas Pacientes de TO invadem a praia de Santos Cerca de 40 portadores de necessidades especiais mergulharam em busca de autonomia e sensibilizaram moradores da Baixada Santista na Aula de Surfe, programa do Ambulatório Infantil de Terapia Ocupacional (TO) D Fábio Guzzo ia 12 de abril na Praia do José Menino, em Santos (171 quilômetros de Campinas). Tudo indica que esta será mais uma terça-feira comum: mar, areia, muito sol e poucos banhistas. De repente, dois ônibus estacionam na avenida beira-mar, em frente ao Posto 2, dos quais descem 39 pacientes do Ambulatório Infantil de Terapia Ocupacional da PUC-Campinas alterando a paisagem litorânea. É mais uma edição da Aula de Surfe, um programa realizado semestralmente pela Universidade desde "Tiramos os alunos de sua rotina trazendo-os para cá. Assim, eles têm um ganho de autonomia, pois fazem suas atividades sozinhos", explicou o coordenador do Ambulatório e professor de Terapia Ocupacional, Roberto Ciasca. Na praia, a aula foi ministrada por três professores da Escola Radical, que também forneceu as pranchas. "Fazendo com que se interajam com o oceano, eles se tornam mais sensíveis e nós, professores, mais humanos", avaliou o coordenador da escola, Francisco Araña, o Cisco. Para alguns pacientes especiais, o mar era novidade. "A gente fica em cima da prancha, boiando, com a água levando para lá e para cá. Isto é muito gostoso", afirmou Guilherme Felipe Pereira Valok, 8 anos. Para outros, era o momento de matar saudades, como O veterano Cisco compartilha as manhas do esporte com Jeferson Garotada se esbalda na Praia do José Menino O coordenador Roberto Ciasca (ao centro com a criança no colo) com os brothers campineiros e caiçaras Acima, Alessandro Cândido Gomes dá uma forcinha para o sobrinho Daniel; ao lado, Gabriela Alden da Silva ensaia uma manobra radical Jeferson Manuel da Silva Santos, 9 anos, que exibiu intimidade com a prancha e as ondas. "Fazia tempo que não sentia este gosto de água salgada... A única vez que vim para a praia foi há uns quatro anos", lembrou. Pablo Daniel, 4 anos, que tem problemas de coordenação motora, conheceu o mar pelo projeto do ambulatório. Desta vez, com maior familiaridade com a prancha, ele foi o primeiro a mergulhar e o último a sair do mar. "Está da hora", afirmou Daniel. Enquanto estava dentro da água, o tio de Daniel, Alessandro Cândido Gomes, empurrava-o em cima da prancha. "Promover esta integração da família é uma das propostas da aula de surfe. Só assim os parentes vão deixar de ver aquele deficiente como um coitadinho, como alguém incapaz", comentou Ciasca. A visita dos campineiros já é tradição no Bairro da Pompéia, onde está localizada a escola, e sensibiliza os moradores. Francisco Leonardo Neto, por exemplo, tem uma confeitaria a poucos metros da escola. "Arrecadei dinheiro com meus clientes e trouxe bolos, cachorros-quentes e refrigerantes, além de uns presentinhos. O pessoal daqui do bairro gosta muito deles e se envolve", comentou Neto. Alguns moradores estavam presentes durante a aula e ajudaram os pacientes em pleno mar. "É incrível ver estas crianças com uma série de dificuldades, sorrindo. Você percebe que seus problemas são insignificantes", comparou José Antônio Brience.

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