PLANEJANDO A CONSERVAÇÃO DO CERRADO. Conciliando Biodiversidade e Agricultura

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1 PLANEJANDO A CONSERVAÇÃO DO CERRADO Conciliando Biodiversidade e Agricultura

2 DESAFIO Compatibilizar a Conservação e a Agricultura O crescimento da população global e a melhoria dos padrões de vida aumentaram a demanda pela produção agropecuária. O Brasil tem assumido esse desafio, tornando-se em poucas décadas um líder global na produção agrícola. Nos últimos 10 anos, o cultivo da soja praticamente dobrou, passando de 11.7 milhões de hectares, em 1995, para 21,6 milhões de hectares, em 2004 (IBGE). As áreas cultivadas com pastagem no Cerrado mais que triplicaram desde 1975, somando mais de 50 milhões de hectares em 2000 (Embrapa). Mais de 50% da área do Cerrado são usadas para fins agropecuários, principalmente, para pecuária e cultivos de algodão, soja e milho. O intenso desenvolvimento agrícola brasileiro também causou grande impacto sobre a biodiversidade, como conseqüência do desmatamento para estabelecer pastagens, áreas de plantio e infra-estrutura para apoiar esse crescimento. Mais de 50% da área do Cerrado são usadas para fins agropecuários, principalmente, para pecuária e cultivos de algodão, soja e milho. Atualmente, apenas 2.2 % do bioma estão sob proteção legal e, considerando a taxa de desmatamento de 1.5% ao ano (3 milhões de hectares por ano), a vegetação nativa remanescente, que não é protegida, estará totalmente perdida em O desafio é conservar a biodiversidade e atender as necessidades por alimentos de uma população global crescente. A conservação da diversidade biológica, do solo e dos recursos hídricos é essencial para a agricultura sustentável, que requer a proteção da vegetação natural em escala de paisagem para fornecer o habitat para espécies nativas, proteger os cursos d água da poluição e assoreamento e prevenir a erosão do solo. Como a maioria das terras no Cerrado é privada, as estratégias de conservação bem sucedidas precisam engajar os proprietários, considerando suas necessidades e gerando benefícios mútuos aos produtores rurais e à conservação. Renato Moreira / Oréades Viveiros de espécies nativas, criados pela parceria CI-Bunge-Oréades, fornecem mudas para a restauração de áreas naturais Anderson Aguiar e Renato Moreira / Oréades - Mário Barroso / CI-Brasil

3 A AÇÃO Paisagem integrada O Centro de Liderança Ambiental para Empresas (CELB), a Conservação Internacional (CI- Brasil) e a Oréades Núcleo de Geoprocessamento formaram uma parceria com a Bunge, maior processadora de soja no Brasil. O objetivo é envolver os proprietários rurais no desenvolvimento de soluções conjuntas aos desafios da preservação do Cerrado. Lançado em 2003, como parte do Programa de Conservação do Cerrado, o projeto piloto Resgate de Reservas do Cerrado abrangeu propriedades rurais numa área de hectares ao sul do Parque Nacional das Emas. O Parque é considerado uma das áreas mais importantes para a proteção da diversidade biológica do bioma, e parte essencial para a implementação do Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari. O projeto contemplou o trabalho direto com os proprietários rurais para criar uma rede de reservas privadas e motivou a evolução da política de sustentabilidade da Bunge em relação à conservação da biodiversidade. Corredores de Biodiversidade Os corredores de biodiversidade são regiões planejadas com o intuito de assegurar a sobrevivência no longo prazo de espécies da fauna e flora nativas. Para evitar que as atividades humanas causem o isolamento das áreas protegidas, é necessário implantar um esquema de manejo da paisagem que concilie o desenvolvimento econômico com a conservação da biodiversidade. Assim, políticas públicas devem ser definidas de modo participativo para que sejam estimuladas atividades econômicas compatíveis com o meio ambiente. Uma das formas de manter as espécies nativas é pelo estabelecimento de conexões entre áreas preservadas. Essas 'pontes' garantem o trânsito de espécies por um mosaico de unidades ambientalmente sustentáveis parques, reservas públicas ou privadas, terras indígenas, além de propriedades rurais que desenvolvem atividades produtivas resguardando as áreas naturais. Criando uma Rede de Reservas Privadas O Código Florestal brasileiro visa reduzir as ameaças de perda de habitat, de erosão e de degradação dos cursos d água que podem resultar da expansão agrícola e de outros usos da terra. Ele exige dos proprietários rurais a proteção da vegetação natural ao longo dos mananciais e em inclinações íngremes, as chamadas Áreas de Preservação Permanente, além da regularização da Reserva Legal (RL). No Cerrado, deve ser mantida na forma de reserva uma área natural entre 20 a 35% da propriedade. Entretanto, o cumprimento do Código Florestal ainda é baixo em muitas regiões do país. O projeto Resgate de Reservas do Cerrado apóia os proprietários rurais na regularização das Reservas Legais, conforme estabelece o Código Florestal, formando uma rede de reservas privadas. A iniciativa agrega valor às atividades produtivas dos proprietários rurais e à conservação da biodiversidade à medida que permite a identificação das áreas de reservas que reduzam o impacto em termos de perda de área produtiva e maximizem o valor biológico, inserindo-as na estratégia maior dos corredores de biodiversidade. A Oréades, parceira local do projeto, trabalhou diretamente com os proprietários rurais no mapeamento e análise de suas propriedades, identificando áreas de alto e baixo valor para a biodiversidade, bem como para a produtividade, a fim de recomendar aquelas mais indicadas para a Reserva Legal. Essa análise, feita com os produtores, possibilita compreender a importância do Código Florestal para a conservação da biodiversidade e de recursos essenciais, como a qualidade da água e do solo. Além de gerar mapas temáticos e acordar sobre o planejamento das áreas de reserva, a Oréades trabalhou com produtores para organizar a documentação técnica necessária à averbação de suas reservas. Nas propriedades que exigem a restauração da vegetação nativa, o plano de recuperação de áreas degradadas também é elaborado. Políticas Corporativas A participação da Bunge no Programa de Conservação do Cerrado integra um amplo esforço estratégico da empresa no que tange à responsabilidade ambiental. O Programa ajudou a identificar mecanismos para replicar a rede de reservas privadas, aumentar o conhecimento sobre as soluções ambientais e criar incentivos para a melhoria da performance ambiental dos proprietários. A Bunge está integrando a informação de conservação ambiental aos seus programas junto aos proprietários e aos contratos com seus fornecedores. A empresa também está analisando sua matriz energética, buscando recursos de energia renováveis alternativas e estabelecendo redes de cadeias de suprimentos que levem em consideração a sustentabilidade e a preservação da vegetação nativa. Para isso, está implementando um programa que visa à auto-suficiência de madeira de eucalipto que suspenderá a utilização da vegetação nativa até 2012.

4 Projeto Uso Planejado do Cerrado CERRADO PANTANAL BRASIL CORREDOR DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE Projeto Resgate de Reservas do Cerrado DIVISÃO ENTRE ESTADOS A criação da rede de reservas privadas do Programa de Conservação do Cerrado, desenvolvido pela parceria CI-Bunge-Oréades, envolve os proprietários rurais no planejamento da paisagem e na implementação de corredores de biodiversidade. RESULTADOS Formando um Mosaico de Áreas Protegidas O projeto obteve sucesso na integração de propriedades rurais no planejamento regional para a conservação. Até junho de 2006, 93 propriedades que representam hectares estavam envolvidas no projeto. O mapeamento completo foi realizado em 52 propriedades ou hectares nas quais foram identificados hectares que estão em processo de criação de reservas e de recuperação de áreas nativas, conforme exige o Código Florestal. Para prover as mudas de árvores nativas necessárias na recuperação das áreas, o projeto propiciou a criação de um viveiro de mudas, em Chapadão do Sul. A iniciativa é a principal fonte de geração renda para uma organização filantrópica que atua na comunidade. São produzidas 550 mil mudas por ano entre espécies do Cerrado, para restauração de áreas naturais, e de eucalipto, como fonte energética alternativa à lenha do bioma. O projeto também apóia a criação de um viveiro na comunidade quilombola do Cedro, em Mineiros/GO. As mudas de plantas medicinais do Cerrado serão usadas para restabelecer a vegetação nativa nos quintais das casas dos moradores e em 30 hectares de Áreas de Preservação Permanente da localidade, beneficiando cerca de 22 famílias. Em conjunto, estas novas reservas privadas e áreas de recuperação ajudarão a ligar o Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari e a criar uma área protetora para o Parque Nacional das Emas, entre Goiás e Mato Russell A. Mittermeier / CI Grosso do Sul. Cerrado é um dos biomas de ocorrência do Tucano (Ramphastos toco) Anderson Aguiar / Oréades Espécie ameaçada de extinção, veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus) recebe proteção no Parque Nacional das Emas

5 REPLICANDO A EXPERIÊNCIA Com o sucesso do projeto piloto executado no Corredor de Biodiversidade Emas-Taquari, CI, Bunge e Oréades decidiram expandir as atividades na região. Os parceiros lançam uma segunda fase do Programa com o projeto Uso Planejado do Cerrado, multiplicando as ações para o Corredor de Biodiversidade Uruçuí-Mirador, localizado no sul dos estados do Piauí e Maranhão. Na segunda fase, assinada em 2005 com duração até 2008, além de apoiar os produtores na adequação à legislação ambiental, a parceria busca a integração das iniciativas pública e privada no planejamento regional da paisagem de sete municípios que fazem parte do Corredor de Biodiversidade Uruçuí-Mirador. Essa estratégia é fundamental para regiões em que as propriedades rurais ainda estão em processo de definição de suas áreas produtivas, permitindo planejá-las de forma a garantir a preservação da vegetação nativa e contribuir com a conservação da biodiversidade. Com o planejamento das áreas, é possível evitar a criação do passivo ambiental e dos custos relacionados com sua recuperação. O projeto contempla ainda a capacitação de recursos humanos locais em gestão e planejamento ambiental, e a criação de um banco de dados gerenciado por um Sistema de Informações Geográficas. Essa base apresentará quais as melhores localizações das reservas para garantir a conexão entre as áreas protegidas, evitando a futura fragmentação. O trabalho nesse segundo Corredor priorizará dois públicos, abrangendo as áreas de chapada e os vales. Nove grandes proprietários rurais, que somam hectares, estão recebendo assistência técnica para criação das reservas legais e proteção das Áreas de Preservação Permanente em áreas de chapada. O objetivo é torná-las modelos de exploração agropecuária com responsabilidade sócio-ambiental para a região. As atividades também beneficiarão moradores dos vales que tradicionalmente utilizam a pecuária extensiva de subsistência nas áreas de cerrado. A aproximação com essas comunidades terá como foco o planejamento do uso da terra e a implementação de melhores práticas que propiciem qualidade de vida e menor impacto ambiental. No Corredor Emas-Taquari, onde foi desenvolvido o projeto piloto Resgate de Reservas do Cerrado, a continuidade deverá abranger ao final de 2006 mais de hectares. A expectativa é atingir 25 novas propriedades rurais por ano, e avançar nos processos de regularização de mais hectares de Reserva Legais e Áreas de Preservação Permanente. SOBRE A BUNGE A Bunge, presente no Brasil desde 1905, é uma das principais empresas de agribusiness e alimentos do país, atuando de forma integrada em toda a cadeia produtiva. Por meio de suas subsidiárias integrais - Bunge Fertilizantes e Bunge Alimentos, produz fertilizantes e ingredientes para nutrição animal, processa e comercializa soja e outros grãos, fornece matéria-prima para a indústria de alimentos e food service, além de produzir alimentos para o consumidor final. Para maiores informações, acesse SOBRE A CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL A CI foi fundada em 1987 com o objetivo de conservar o patrimônio natural do planeta - nossa biodiversidade global - e demonstrar que as sociedades humanas são capazes de viver em harmonia com a natureza. A organização utiliza uma variedade de ferramentas científicas, econômicas e de conscientização ambiental, além de estratégias que ajudam na identificação de alternativas que não prejudiquem o meio ambiente. Para mais informações sobre os programas da CI no Brasil, visite SOBRE A ORÉADES Criada em 2002, a Oréades utiliza ferramentas de geoprocessamento, mapeamento e banco de dados como auxiliares no planejamento regional da paisagem, buscando compatibilizar as necessidades de conservação com o desenvolvimento socioeconômico regional. Atua ainda no apoio a comunidades tradicionais, na implementação de unidades de conservação e na recuperação de áreas degradadas, executando projetos de alta relevância ambiental e social para o Cerrado. Visite o site

6 BUNGE Av. Maria Coelho Aguiar, Bloco D - 5º andar Jd. São Luis - São Paulo - SP - Brasil Tel: (11) CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL (CI-Brasil) SAUS - Quadra 3, Lote 2 - Bloco C - Ed. Business Point, 7º andar - Salas Brasília - DF - Brasil Tel: (61) ORÉADES Rua 20, Qd. 13, Lt 14, N 36, Vila Manoel Abrão Cx. Postal Mineiros - GO - Brasil Tel: (64)

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