A VIABILIDADE DO PACIENTE DE HOME CARE EM SAUDE SUPLEMENTAR

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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS GRADUAÇÃO LATU SENSU PROJETO A VEZ DO MESTRE Francisca Aurélia Oliveira do Nascimento A VIABILIDADE DO PACIENTE DE HOME CARE EM SAUDE SUPLEMENTAR ORIENTADOR: Professor Clovis Ricardo Monteiro de Lima RIO DE JANEIRO 2006

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES 2 PÓS GRADUAÇÃO LATU SENSU PROJETO A VEZ DO MESTRE A VIABILIDADE DO PACIENTE DE HOME CARE EM SAUDE SUPLEMENTAR Francisca Aurélia Oliveira do Nascimento Projeto de pesquisa atende a complementação didática pedagógico da produção de monografia, para o curso de pós-graduação de administração em saúde. RIO DE JANEIRO 2006

3 AGRADECIMENTOS 3 1. Aos professores 2. Aos meus amigos 3. E a todas as pessoas que diretamente ou indiretamente contribuíram para esse trabalho.

4 DEDICATÓRIA 4 Dedico este trabalho a todos aqueles que contribuíram para que o mesmo desse certo.

5 RESUMO 5 O objetivo deste estudo para a conclusão do curso de pós-graduação em administração saúde foi demonstrar as vantagens da assistência domiciliar em saúde suplementar. A fim de aumentar a adesão das operadoras para a desospitalização de pacientes com indicação de continuidade da assistência possível em domicilio, comprovando a viabilidade econômica desta modalidade. Para tanto optei pela abordagem descritiva qualitativa envolvendo pesquisa de custos em campo para demonstrar a viabilidade desta modalidade tanto para as operadoras quanto para os pacientes.

6 METODOLOGIA 6 Esta é uma pesquisa que teve um desenvolvimento metodológico através de um estudo descritivo, e para tanto a abordagem foi de natureza qualitativa e quantitativa. Este tipo de estudo foi escolhido, através de pesquisas e dados obtidos em campo de trabalho, relacionados com Assistência Domiciliar/ Hospitalização. A opção pela pesquisa qualitativa revela-se a mais adequada pois explica os meandros das relações sociais consideradas essência e resultado da atividade humana criadora, afetiva e racional que pode ser aprendida através do cotidiano, da vivencia e da explicação do senso comum( Minayo 1994,p.11).Tendo como objetivo correlacionar custos e pesquisar sobre o assunto em diversas fontes existentes para este tema. A coleta de dados foi obtida junto a operadoras de planos de saúde e medicina de grupo.

7 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO...8 CAPITULO I...11 Suporte teórico...11 Regulamentação do Atendimento Domiciliar...14 Certificação uma ferramenta de gestão em Assistência Domiciliar...15 CONCLUSÃO...17 ANEXO Gráfico...18 ANEXO Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária...19 Referencias Bibliográficas...29

8 INTRODUÇÃO 8 Na prática de enfermagem pude evidenciar a problemática envolvendo a liberação de pacientes hospitalizados para internação domiciliar por parte das operadoras de planos de saúde. Esta internação em domicilio leva toda estrutura de um hospital até a casa do paciente, reduzindo os riscos de infecção hospitalar e os efeitos psicológicos negativos da hospitalização, além de oferecer menor tempo de recuperação, reduzindo assim os custos com relação à internação hospitalar... (Home Care Brasil, 2006,13) O resultado positivo é creditado aos diversos benefícios desta modalidade médica, tanto para os pacientes como para hospitais, seguradoras e operadoras dos planos de saúde. Para os pacientes, a Assistência Domiciliar proporciona a personalização e humanização, com o retorno da figura do médico de família. Este processo diminui o tempo de tratamento e as chances de complicações. Ministério da Saúde brasileiro informa que atualmente 13% dos pacientes internados vão a óbito por infecção hospitalar. Para os planos de saúde e operadoras, a Assistência Domiciliar proporciona o melhor gerenciamento de cada paciente, o que gera otimização de recursos, materiais e medicamentos e, conseqüentemente, redução de custos. Exatamente por estes fatores existe um enorme potencial para o crescimento do segmento. É difícil falar em números, pois não existe centralização ou mesmo padronização de dados referentes ao setor. O NEAD - Núcleo Nacional de Empresas de Assistência Domiciliar - está elaborando estratégias para coletar alguns dados importantes de forma confiável. Parte desse trabalho já surtiu efeito, começando por São Paulo. Após uma pesquisa direta com as empresas cadastradas no CRM-SP e no COREN-SP, existia em 2004 o total de 77 empresas e entidades no estado que atuam no Atendimento Domiciliar, na Internação Domiciliar ou em ambas. Algumas estimativas mostram que existem no Brasil 250 empresas em atuação. Apenas como referência, nos EUA, já existe mais de 20 mil empresas prestadoras de serviços e, se transportados os indicadores americanos para a realidade brasileira, o segmento já poderia movimentar anualmente cerca de R$ 1,4 bilhão, atendendo a uma população potencial de 4,7 milhões de pessoas.

9 9 Dados estimados apontam para mais de 20 mil profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos, psicólogos, e outros, que atendem diariamente um número aproximado de cinco mil pacientes. Quanto aos prestadores de serviços é difícil falar de forma abrangente, pois existem desde pequenas empresas que atendem dez pacientes por mês a grandes negócios, que chegam a atender 800 pacientes por mês. Considerando que a assistência domiciliar é um mercado recente dentro do setor de saúde, Por falta de modelos e informações, as empresas partiram para a criação de modelos de gestão próprios, por tentativa e erro, mas evoluímos muito nesses 10 anos e há uma busca constante pela atualização de processos e sistemas. Por necessitar de uma logística complexa para a execução da assistência, as empresas aprenderam rapidamente que precisavam investir no desenvolvimento de processos inovadores. Com isso, as grandes empresas estão acompanhando a evolução do mercado da saúde nesse campo. Existe um enorme potencial para o crescimento do segmento, principalmente nas áreas de promoção e prevenção de saúde O tratamento em casa, na internação domiciliar, é entre 30% a 70% mais baixo do que a internação hospitalar. Já se observa na internação domiciliar, dados que demonstram uma importante redução do tempo de doença do paciente isto é, a recuperação parece ser mais rápida, pois o atendimento é quase sempre personalizado com um profissional de enfermagem 24 h. exclusivo para o paciente. Em cima disto e gravitando em torno do paciente existe uma equipe multidisciplinar com esquema de nutricionistas (comida feita em casa), de fisioterapeutas, de assistentes sociais, de psicólogos, e um ambiente acolhedor que inspira confiança e não temor. Tudo isto somado, deve influenciar positivamente o sistema imunológico do paciente, favorecendo uma recuperação mais rápida. Um outro lado bem positivo em Home Care é a ausência de "infecção hospitalar". A Infecção Hospitalar é uma praga que acontece em grande parte

10 10 dos Hospitais Brasileiros e que em Home Care é reduzido a zero. A ausência de "infecção hospitalar" tem efeito impactante nos custos operacionais dos Planos de Saúde. Home Care é uma arte que poucas instituições fazem bem. A parte mais específica e mais difícil é a "alta" do paciente, isto acontece quando a equipe, de acordo com o medico assistente, se retira da casa do paciente e transfere os cuidados para o próprio paciente, familiares ou cuidadores. A previsão para o Brasil, por exemplo, é de que a população tenderá a estabilizar e decrescer a partir do ano O envelhecimento da população acarretará conseqüências sociais profundas em todo o dinamismo saúde, trabalho e lazer. A preocupação alarmante dos Planos de Saúde com os elevados custos desta população tem procedência e vão ter que investir em programas de prevenção básicas e tecnológicas. Ao tomar contato diário com os serviços prestados ao paciente, observando diretamente o tratamento da enfermagem, a tendência dos familiares é absorver estes ensinamentos, depois, de posse destes conhecimentos poderiam usá-los para o seu próprio benefício ou repassá-los para outras pessoas gerando uma ótima forma de difundir informações médicas a níveis de conhecimentos leigos. O HOME CARE propicia verdadeiras aulas de cuidados de enfermagem, prevenção e educação sanitária. É um efeito colateral saudável. Para o financiador da assistência, além do conforto que a proximidade dos familiares traz, o Home Care é sinônimo de redução de custos, que são, entre 30% a 70% inferiores ao tratamento hospitalar convencional. Partindo desse pressuposto, o objetivo do estudo é mostrar a melhor relação custo/beneficio de uma internação domiciliar em saúde suplementar em relação à internação hospitalar para todo tipo de paciente desde que exista uma adequação deste serviço priorizando cada patologia.

11 CAPITULO I 11 Suporte teórico (Haddad Presidente da Aliança Cooperativa Nacional Unimed) afirma que: O Home Care é uma tendência mundial, tendo como os principais objetivos um atendimento humanizado a saúde, evitar infecção hospitalar e acelerar o processo de recuperação do paciente pelo afeto e proximidade que irá manter com a sua família e/ou seu cuidador. Temos evidencias claras que o doente se recupera melhor no seu próprio ambiente, cercado por pessoas queridas e em quem confia. A redução de custos e despesas de internação de usuários, em casos de doenças crônicas e outras patologias, tais como Neoplasias, Patologias Ortopédicas Doenças pulmonares; Infecciosas; Degenerativas; Neurológicas e Cuidados Pós-Cirúrgicos, não pode deixar de ser considerada. Nesses casos, sem prejuízos ao paciente que além de evitar riscos de infecção hospitalar, contribui para liberação de leitos hospitalares e do atendimento ambulatorial a outros pacientes não-crônicos. Também é importante lembrar que hoje grandes empresas apostam na desospitalização e oferecem mais recursos e equipamentos para este mercado que cresce no País. Os equipamentos utilizados de uma forma geral são praticamente os mesmos de uma unidade de internação e atendimento hospitalar. Todos os recursos necessários para o acompanhamento em domicílio são oferecidos. A indústria, diante da tendência à desospitalização, tem acrescido mais produtos às linhas ligadas à Home-Care. Do outro lado, as empresas especializadas neste tipo de assistência têm melhorado o relacionamento com fornecedores, e ampliado suas opções de cobertura. Desta forma a internação domiciliar se adapta a várias situações, podendo apresentar desde uma estrutura pequena, para alguns casos, até uma equipe multidisciplinar para casos mais complexos. Uma equipe completa de

12 12 atendimento domiciliar é composta por vários profissionais: assistente social, nutricionista, fisioterapeuta, psicólogos, enfermeiro, motoristas e médicos. Para Emílio de Fina Jr, Diretor Administrativo da Home Doctor, Existem critérios de elegibilidade que devem ser preenchidos antes que o domicílio receba os equipamentos, especialmente os de internação. Antes de o paciente ter alta do hospital, disponibilizamos uma equipe de implantação, com médicos, enfermeiros e assistentes sociais, que avaliam o paciente e o domicílio integralmente (condições clínicas, sociais e ambientais), e verificam a viabilidade de transferir o paciente para casa. Existem, em alguns casos, limitações como o tamanho da casa e/ou o ambiente que será destinado ao paciente, condições elétricas, hidráulicas, e outras. Segundo ele, a maior parte dos equipamentos de alta tecnologia, como os respiradores, é importada, mas ainda existe dificuldade de mensurar o percentual de utilização com comparado aos nacionais. Atualmente, estamos atendendo 220 pacientes somente em Internação Domiciliar, sendo que, 54 destes pacientes em ventilação mecânica. Com isso, pelo menos 80% de nossos equipamentos são nacionais. O executivo explica que ainda existe espaço para que novos recursos tecnológicos sejam incorporados na indústria de equipamentos para homecare, como a tele consulta videoconferência, monitorização remota de dados vitais, etc. Porém estes recursos ainda não são utilizados em larga escala, o que acaba inviabilizando sua implantação em virtude dos altos custos, conta. Só no passado, a Home Doctor investiu com equipamentos, entre locações e aquisições, mais de um R$ 1 milhão. A Master Nursing vem ampliando seus serviços focando a incorporação de novas tecnologias e o atendimento a pacientes de alta complexidade. Há dois e meio implantou um sistema de gerenciamento que permite o controle de estoque nas residências de todos os pacientes e a rastreabilidade dos

13 13 materiais e medicamentos, o que representa uma garantia tanto para a empresa quanto para o paciente, além de ser um instrumento essencial na gestão do negócio. Em 2004 o desempenho da empresa levou à obtenção do prêmio Quality Brasil, outorgado pela Divisão de Qualidade do International Quality Service. A Presidente do Grupo Dal Ben, Luiza Watanabe, explica que: As perspectivas econômicas para o setor de home care sofrem as mesmas influências do contexto econômico nacional. Sabe-se que na saúde a agregação de tecnologia gera custos para a prestação dessa assistência e sendo assim, o home care tanto na modalidade de atendimento e de internação domiciliária quando bem indicadas sempre implicarão em melhora da qualidade de vida do paciente e seus familiares, conseqüentemente teremos uma redução dos custos dessa assistência. Essa redução de custos advém do entendimento de uma co-responsabilidade da família, da competência dos profissionais que assistem o paciente e da visão do responsável financeiro. Para o Gerente Nacional de Atendimento Domiciliar da Air Liquide, Érico Coelho, toda expectativa ampara-se à regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e também à formatação de leis governamentais específicas sobre o setor. Existem algumas portarias vigentes (oxigenoterapia e distrofia muscular), porém suas abrangências não contemplam todas as necessidades das empresas provedoras de soluções à saúde como a Air Liquide, conta. A companhia fornece toda gama de equipamentos para Oxigenoterapia, Apnéia do Sono e Ventiladores microprocessados, com um apoio especial na área de fisioterapia e logística, 24 horas e 7 dias por semana. O atendimento hoje é de mais de 255 mil clientes em todo o mundo.

14 Regulamentação do Atendimento Domiciliar 14 As constantes mudanças e permanentes movimentações dos planos de saúde, provocadas pela instabilidade econômica de alguns anos, alem de gerar muitas dificuldades para os dirigentes e profissionais do setor, também levaram muita insegurança aos titulares do benefício, quanto ao conjunto de direitos (tratamentos, serviços, procedimentos médicos, hospitalares e/ou odontológicos) a que, assim como seus dependentes, fazem jus com a contratação de seguro de saúde, enfim preocupando a todos os que vivem nesse e desse mercado. Diante dessa situação, o governo criou a Agencia Nacional de Saúde Suplementar ANS, como órgão de regulação, normatização, controle e fiscalização das atividades das operadoras dos planos de saúde, para que assim se garantisse uma assistente médica digna aos beneficiários. Independente da forma de contratação - individual ou coletiva. Com a entrada em vigor da Lei 9.656/98, o consumidor pode evitar futuras negativas de assistência domiciliar, desde que conste no contrato, obrigatoriamente, de forma clara que este serviço está coberto pelo plano de saúde, assim como acontece com outros benefícios. Conforme resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de 26 de janeiro de 2006 foi aprovado o Regulamento Técnico para o funcionamento dos Serviços de Atenção Domiciliar - RDC nº11, (anexo 1). O objetivo desta resolução é na verdade promover e assegurar o bem estar do paciente, usuário dos serviços de saúde e assistência domiciliar, que são oferecidos pelas operadoras de planos de saúde. Segundo a Associação Brasileira de Atendimento Domiciliar, oito milhões de brasileiros usam esse tipo de serviço, de consultas a internações em casa. Para a presidente da associação, o atendimento deve melhorar, mas pode ficar mais caro. No Brasil, tudo o que é regulamentado fica mais caro. No meu ponto de vista não tem que subir preço. Mas pode", disse Poliana Pescaroli em entrevista à Rede Globo no dia 7 de fevereiro de 2006.

15 Certificação uma ferramenta de gestão em Assistência Domiciliar 15 Os custos médicos e de saúde estão aumentando em todo o mundo, nos Estados Unidos crescem cerca de 15% ao ano e já corresponde 15% do PIB, e com a nossa população se tornando cada vez mais idosa um dia atingiremos os mesmos patamares. Com recursos cada vez mais escassos, somos obrigados a refletir como prever saúde maximizando qualidade e minimizando custos. As indústrias já vêm a muitos anos descrevendo seus processos, definindo procedimentos, criando metas e controlando seus indicadores, para atingir Qualidade e as certificações geradas pelas ISOS, criadas principalmente para serem utilizadas como ferramentas de gestão, gerando competitividade dentro dos setores através da manutenção da qualidade e conhecimento dos custos. A saúde chega um pouco atrasada neste processo, mas não menos necessitada. Hoje em dia há a necessidade de termos processos e procedimentos consistentes e controlados, definindo a política de qualidade baseada em alguns princípios básicos como: segurança, efetividade, eficiência, equidade e assistência focada no paciente. A maioria das empresas de assistência domiciliar está desenvolvendo um trabalho que elege a todos que trabalham extremo envolvimento, requisito principal, para que seja possível definir uma estrutura baseada na busca da melhoria continua através da utilização da metodologia do PDCA (planejar, fazer, checar, agir). Em um trabalho conjunto, processos são revistos e indicadores de serviços prestados avaliados. A criação de indicadores como ferramenta de gestão permite hoje que mensuremos todo desempenho através da comparação dos resultados obtidos em outros períodos, portanto os índices sejam financeiros, ou de qualidade, transmitem com maior fidedignidade a realidade da empresa, o que

16 16 consequentemente promove mudanças em um período curto de tempo, com maior segurança.

17 CONCLUSÃO 17 Os hospitais, por motivos comerciais e de demanda, cresceram e foram obrigados a absorver os valores da alta tecnologia nos últimos tempos, encarecendo internações. As doenças se tornaram mais complexas e também mais caras. Como pude observar é possível prestar uma assistência atendendo todas as necessidades dos pacientes com redução significativa de custos, dos riscos próprios do ambiente hospitalar e do tempo de recuperação, o conjunto destes fatores comprovadamente reduz as despesas em Saúde Suplementar. Em alguns casos, os custos médicos de uma internação domiciliar podem ser até 70% menos. Essa porcentagem vale para pacientes de baixa a alta complexidade. No entanto, há casos em que o home care custa mais caro do que uma internação convencional. Dessa forma, é preciso avaliar cada caso, embora muitas vezes o atendimento domiciliar provoque uma melhora em pacientes que demandam um nível de atenção maior. Para os hospitais o serviço pode liberar vagas para procedimentos mais caros, uma vez que em certos procedimentos o mais caro é a hotelaria. Sendo assim concluo que a modalidade de Assistência Domiciliar é uma grande ferramenta estratégica.

18 ANEXO 1 18 O gráfico abaixo compara os custos médios diários de uma internação hospitalar e de uma internação domiciliar considerando um paciente com as mesmas necessidades de enfermagem. Custo Médio Diario Hospitalar X Custo Médio Diario Domiciliar R$ 1.100,00 R$ 1.000,00 R$ 900,00 R$ 800,00 R$ 700,00 R$ 600,00 R$ 500,00 R$ 400,00 R$ 300,00 R$ 200,00 R$ 100,00 R$ 0,00 R$ 900,00 Internação Hospitalar R$ 323,33 Internação Domiciliar

19 ANEXO 2 19 RESOLUÇÃO DA DIRETORIA COLEGIADA - RDC Nº11, DE 26 DE JANEIRO DE Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Funcionamento de Serviços que prestam Atenção Domiciliar A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da atribuição que lhe confere o art. 11, inciso IV, do Regulamento da Anvisa aprovado pelo Decreto n 3.029, de 16 de abril de 1999, c/c o art. 111, inciso I, alínea b, 1, do Regimento Interno aprovado pela Portaria n 593, de 25 de agosto de 2000, republicada no DOU de 22 de dezembro de 2000, em reunião realizada em 23 de janeiro de 2006, considerando a necessidade de propor os requisitos mínimos de segurança para o funcionamento de Serviços de Atenção Domiciliar nas modalidades de Assistência e Internação Domiciliar; considerando que os serviços de saúde que oferecem esta modalidade de atenção são responsáveis pelo gerenciamento da estrutura, dos processos e dos resultados por eles obtidos, devendo atender às normas e exigências legais, desde o momento da indicação até a alta ou óbito; considerando a necessidade de disponibilizar informações aos serviços de saúde, assim como aos órgãos de vigilância sanitária, sobre as técnicas adequadas de gerenciamento da atenção domiciliar e sua fiscalização; adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação: Art. 1º Aprovar o Regulamento Técnico para o funcionamento dos Serviços de Atenção Domiciliar, nas modalidades de Assistência e Internação Domiciliar, constante do Anexo desta Resolução. Art. 2º Determinar que nenhum Serviço de Atenção Domiciliar pode funcionar sem estar licenciado pela autoridade sanitária local, atendendo aos requisitos do Regulamento Técnico de que trata o Art. 1 desta RDC e demais legislações pertinentes. Art. 3º As Secretarias de Saúde Estaduais, Municipais e do Distrito Federal, visando o cumprimento do Regulamento Técnico, poderão estabelecer normas de caráter supletivo ou complementar, a fim de adequá-lo às especificidades locais. Art. 4º Todos os atos normativos mencionados neste regulamento, quando substituídos ou atualizados por novos atos devem ter a referencia automaticamente atualizada em relação ao ato de origem. Art. 5º O descumprimento das determinações deste Regulamento Técnico constitui infração de natureza sanitária sujeitando o infrator a processo e penalidades previstas na Lei nº de

20 20 20 de agosto de 1977, suas atualizações, ou instrumento legal que venha a substituí-la, sem prejuízo das responsabilidades penal e civil cabíveis. Art. 6º Esta Resolução da Diretoria Colegiada entra em vigor na data de sua publicação. DIRCEU RAPOSO DE MELLO ANEXO Regulamento Técnico para o funcionamento de Serviços de Atenção Domiciliar Objetivo Estabelecer os requisitos de funcionamento para os Serviços de Atenção Domiciliar. Abrangência do Regulamento Esta resolução é aplicável a todos os Serviços de Atenção Domiciliar, públicos ou privados, que oferecem assistência e ou internação domiciliar. Definições 3.1 Admissão em Atenção domiciliar: processo que se caracteriza pelas seguintes etapas: indicação, elaboração do Plano de Atenção Domiciliar e início da prestação da assistência ou internação domiciliar. 3.2 Alta da Atenção domiciliar: ato que determina o encerramento da prestação de serviços de atenção domiciliar em função de: internação hospitalar, alcance da estabilidade clínica, cura, a pedido do paciente e/ou responsável, óbito. 3.3 Atenção domiciliar: termo genérico que envolve ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio. 3.4 Assistência domiciliar: conjunto de atividades de caráter ambulatorial, programadas e continuadas desenvolvidas em domicílio. 3.5 Cuidador: pessoa com ou sem vínculo familiar capacitada para auxiliar o paciente em suas necessidades e atividades da vida cotidiana. 3.6 Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar - EMAD: profissionais que compõem a equipe técnica da atenção domiciliar, com a função de prestar assistência clínico-terapêutica e psicossocial ao paciente em seu domicílio.

21 Internação Domiciliar: conjunto de atividades prestadas no domicílio, caracterizadas pela atenção em tempo integral ao paciente com quadro clínico mais complexo e com necessidade de tecnologia especializada. 3.8 Plano de Atenção Domiciliar - PAD: documento que contempla um conjunto de medidas que orienta a atuação de todos os profissionais envolvidos de maneira direta e ou indireta na assistência a cada paciente em seu domicílio desde sua admissão até a alta. 3.9 Serviço de Atenção Domiciliar - SAD: instituição pública ou privada responsável pelo gerenciamento e operacionalização de assistência e/ou internação domiciliar Tempo de Permanência: período compreendido entre a data de admissão e a data de alta ou óbito do paciente. Condições Gerais O SAD deve possuir alvará expedido pelo órgão sanitário competente. O SAD deve possuir como responsável técnico um profissional de nível superior da área da saúde, habilitado junto ao respectivo conselho profissional. O SAD deve estar inscrito no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde - CNES. O SAD deve possuir um regimento interno que defina o tipo de atenção domiciliar prestada e as diretrizes básicas que norteiam seu funcionamento. O SAD deve elaborar manual e normas técnicas de procedimentos para a atenção domiciliar, de acordo com a especificidade da assistência a ser prestada. A atenção domiciliar deve ser indicada pelo profissional de saúde que acompanha o paciente. 4.7 O profissional de saúde que acompanha o paciente deve encaminhar ao SAD relatório detalhado sobre as condições de saúde e doença do paciente contendo histórico, prescrições, exames e intercorrências. 4.8 A equipe do SAD deve elaborar um Plano de Atenção Domiciliar - PAD. 4.9 O PAD deve contemplar: a prescrição da assistência clínico-terapêutica e psicossocial para o paciente; requisitos de infra-estrutura do domicílio do paciente, necessidade de recursos humanos, materiais, medicamentos, equipamentos, retaguarda de serviços de saúde, cronograma de atividades dos profissionais e logística de atendimento;

22 o tempo estimado de permanência do paciente no SAD considerando a evolução clínica, superação de déficits, independência de cuidados técnicos e de medicamentos, equipamentos e materiais que necessitem de manuseio continuado de profissionais; a periodicidade dos relatórios de evolução e acompanhamento O PAD deve ser revisado de acordo com a evolução e acompanhamento do paciente e a gravidade do caso A revisão do PAD deve conter data, assinatura do profissional de saúde que acompanha o paciente e do responsável técnico do SAD O registro dos pacientes em atenção domiciliar e o PAD devem ser mantidos pelo SAD O SAD deve manter um prontuário domiciliar com o registro de todas as atividades realizadas durante a atenção direta ao paciente, desde a indicação até a alta ou óbito do paciente O prontuário domiciliar deve conter identificação do paciente, prescrição e evolução multiprofissional, resultados de exames, descrição do fluxo de atendimento de Urgência e Emergência, telefones de contatos do SAD e orientações para chamados O prontuário deve ser preenchido com letra legível e assinado por todos os profissionais envolvidos diretamente na assistência ao paciente Após a alta ou óbito do paciente o prontuário deve ser arquivado na sede do SAD, conforme legislação vigente O SAD deve garantir o fornecimento de cópia integral do prontuário quando solicitado pelo paciente ou pelos responsáveis legais O SAD deve fornecer aos familiares dos pacientes e/ou cuidadores orientações verbais e escritas, em linguagem clara, sobre a assistência a ser prestada, desde a admissão até a alta O SAD deve prover por meio de recursos próprios ou terceirizados, profissionais, equipamentos, materiais e medicamentos de acordo com a modalidade de atenção prestada e o perfil clínico do paciente O SAD deve observar, como critério de inclusão para a internação domiciliar, se o domicílio dos pacientes conta com suprimento de água potável, fornecimento de energia elétrica, meio de comunicação de fácil acesso, facilidade de acesso para veículos e ambiente com janela, específico para o paciente, com dimensões mínimas para um leito e equipamentos.

23 O SAD deve controlar o abastecimento domiciliar de equipamentos, materiais e medicamentos conforme prescrição e necessidade de cada paciente, assim como meios para atendimento a solicitações emergenciais O SAD deve assegurar o suporte técnico e a capacitação dos profissionais envolvidos na assistência ao paciente O SAD deve estabelecer contrato formal, quando utilizar serviços terceirizados, sendo que estes devem ter obrigatoriamente Alvará Sanitário atualizado O SAD deve elaborar e implementar um Programa de Prevenção e Controle de Infecções e Eventos Adversos (PCPIEA) visando a redução da incidência e da gravidade desses eventos O SAD deve possuir sistema de comunicação que garanta o acionamento da equipe, serviços de retaguarda, apoio ou suporte logístico em caso de urgência e emergência O SAD deve garantir aos pacientes que estão em regime de internação domiciliar, a remoção ou retorno à internação hospitalar nos casos de urgência e emergência. 5 Condições Específicas 5.1 O SAD deve assegurar os seguintes serviços básicos de retaguarda de acordo com a necessidade de cada paciente e conforme estabelecido no PAD: referência para atendimento de urgência e emergência e internação hospitalar formalmente estabelecida; referência ambulatorial para avaliações especializadas, realização de procedimentos específicos e acompanhamento pós alta. 5.2 O SAD deve assegurar os seguintes suportes diagnósticos e terapêuticos de acordo com o PAD: exames laboratoriais, conforme RDC/ANVISA nº. 302 de 2005; exames radiológicos, conforme Portaria SVS/MS nº. 453 de 1998; exames por métodos gráficos; hemoterapia, conforme RDC/ANVISA nº. 153 de 2004; quimioterapia, conforme RDC/ANVISA nº. 220 de 2004; diálise, conforme RDC/ANVISA nº. 154, de 2004;

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