TÍTULO: CORRELAÇÃO ENTRE COGNIÇÃO E FUNCIONALIDADE EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS. CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE
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- Natália Alcântara Aquino
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1 TÍTULO: CORRELAÇÃO ENTRE COGNIÇÃO E FUNCIONALIDADE EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS. CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE SUBÁREA: FISIOTERAPIA INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA AUTOR(ES): PÂMELLA PEREIRA CIPRIANO ORIENTADOR(ES): SHEILA DE MELO BORGES COLABORADOR(ES): JULIA UCHIHA
2 CORRELAÇÃO ENTRE COGNIÇÃO E FUNCIONALIDADE EM IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS. Pâmella Pereira Cipriano¹, Julia Emiko Fleming Uchida², Sheila de Melo Borges Discente do curso de fisioterapia e bolsista do programa de iniciação científica da Universidade Santa Cecília (UNISANTA) Santos /SP (Brasil). 2. Aprimoramento profissional em Fisioterapia em Geriatria e Gerontologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC- FMUSP); Bacharel em fisioterapia pela UNISANTA - Santos/SP (Brasil). 3. Doutora em Psiquiatria pela FMUSP; Mestre em Gerontologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); Docente da UNISANTA - Santos/SP (Brasil). 1. RESUMO: Objetivos: avaliar a relação entre a cognição e a funcionalidade em idosos institucionalizados. Métodos: Foi realizado um estudo transversal que avaliou a cognição e a funcionalidade de 27 idosos institucionalizados por meio do Mini-exame do Estado Mental (MEEM) e Medida de Independência Funcional (MIF), respectivamente. Realizamos análise descritiva para caracterização da amostra e para avaliar a relação entre o MEEM e a MIF (total e domínios) foi utilizado o teste de correlação de Spearman (r). Resultados: A média do MEEM foi de 19,41 (DP=5,16) pontos, sendo 66,7% (n=18) dos idosos considerados com déficit cognitivo. A média da MIF total foi de 110,7 (DP=19,11) pontos, com a seguinte média nos domínios da MIF: autocuidado com 38,26 (DP=7,0) pontos; controle de esfíncteres com 12,63 (DP=2,5); mobilidade com 31,48 (DP=4,6); comunicação com 11,70 (DP=3,6) e cognição social com 16,70 (DP=5,1) pontos. Foi possível observar uma correlação forte positiva do MEEM com o valor total da MIF (r=0,783; p<0,001) e com autocuidado (r=0,764; p<0,001), moderada positiva do MEEM com continência (r=0,641; p<0,001), mobilidade (r=0,465; p=0,01), comunicação (r=0,673; p<0,001) e cognição social (r=0,689; p<0,001). Conclusão: Há uma relação entre preservação da cognição associada a manutenção da funcionalidade, demonstrando a importância da cognição para a independência dos idosos mesmo durante o processo de institucionalização. Palavras-Chave: Idoso, Funcionalidade, Saúde do idoso, Cognição, Idosos institucionalizados.
3 2. INTRODUÇÃO Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a capacidade funcional e a independência são fatores importantes para a saúde física e mental dos idosos. A senescência e a senilidade normalmente são acompanhadas em uma diminuição da mobilidade, já a cognição é um termo usado para definir todo o funcionamento mental, como a habilidade de sentir, perceber, lembrar, raciocinar e gerar respostas para estímulos externos¹. Um dos fatores que levam a família a institucionalizar os idosos é a diminuição das funções cognitivas associada a dependência, muito frequentes na velhice. O idoso institucionalizado acaba diminuindo seu índice de atividade física, seja pela idade avançada ou pela diminuição da funcionalidade². Além disso, a institucionalização pode favorecer alterações características do envelhecimento, como sedentarismo, sensação de abandono dos familiares, perda da autonomia entre outros³. A população idosa está aumentando cada vez mais, devido a isso e ao conhecimento do declínio funcional é importante que haja ações no sentido de prevenir a dependência funcional e retardá-la o máximo possível de modo multidisciplinar para que os idosos tenham uma melhor qualidade de vida no seu ambiente familiar 4. Idosos com diversas comorbidades podem apresentar dificuldades para desenvolver suas atividades de vida diária. De acordo com Ferreira (2011) 5 essa dificuldade acaba favorecendo o desenvolvimento de déficit cognitivo nessa população. Além disso, é estreita a relação e a importância da cognição para a realização das atividades de vida diária (AVD) 6. Pelo fato da institucionalização ser um processo que pode favorecer a perda da independência funcional, além de estar diretamente associada ao comprometimento cognitivo, estudos como este podem contribuir para o conhecimento dessa relação, bem como para a estimulação da autonomia e independência, sendo estes fatores primordiais para saúde e qualidade de vida dos idosos.
4 3. OBJETIVO: Avaliar a relação entre a cognição e a funcionalidade em idosos institucionalizados. 4. METODOLOGIA: Tipo de estudo: Trata-se de um estudo transversal com objetivo de avaliar os aspectos físicos, funcionais e cognitivos dos idosos institucionalizados. Casuística: Participaram do estudo 27 idosos residentes na ILPI Casa do Sol, de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. Critérios de inclusão: Idade igual ou superior a 60 anos; Deambular, mesmo com auxílio de aditamento; Idosos de ambos os sexos; Caso apresente déficit visual e/ou auditivo, que seja(m) compensado(s) por uso de óculos e/ou aparelho de amplificação sonora; Estar institucionalizado há, pelo menos, um ano; Aceitar e assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. Critérios de exclusão: Estar acamado; Cadeirante; Recusar-se a participar do estudo. 5. DESENVOLVIMENTO: Esta pesquisa teve início após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Santa Cecília, sob o protocolo de número 76/2011, e seguiu os princípios éticos para pesquisa envolvendo seres humanos do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Após a aceitação em participar da pesquisa e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, os idosos avaliados por meio de questionário sociodemográfico para caracterização da amostra, Mini-exame do Estado Mental
5 (MEEM) para avaliação cognitiva e por fim, a Medida de Independência Funcional (MIF) para avaliar a funcionalidade. Instrumentos de avaliação: - Questionário sociodemográfico: Foi aplicado um questionário, elaborado pelos autores, contendo informações sobre tempo de institucionalização, gênero e idade. - Medida de independência funcional (MIF): A medida de Independência Funcional (MIF) é um instrumento que avalia as incapacidades funcionais e cognitivas de forma quantitativa. Ela avalia também o quanto de cuidados a pessoa precisa ter para realizar tarefas motoras e cognitivas do dia-a-dia. As atividades avaliadas estão os autocuidados, transferências, locomoção, controle esfincteriano, comunicação e cognição social, que inclui memória, interação social e resolução de problemas. A pontuação total varia de 18 (dependência total) a 126(independência completa) 7. - Mini-exame do Estado Mental (MEEM): É um dos testes mais usados para avaliar a função cognitiva e fazer rastreamento de demências, foi elaborado por Folstein et al., (1975) 8. Tem como domínios: orientação no tempo, orientação no espaço, registro, atenção e cálculo, memória de evocação e linguagem. Foi utilizada a pontuação de Brucki et al. (2003) 9 que consiste em 20 pontos para analfabetos; 25 pontos para idosos com um a quatro anos de estudo; 26 pontos para idosos com cinco a oito anos de estudo; 28 pontos para aqueles com 9 a 11 anos de estudo; 29 pontos para aqueles com mais de 11 anos de estudo. Tratamento Estatístico: Foi utilizado o pacote estatístico SPSS 14.0 para analisar os dados deste estudo, sendo a análise descritiva das variáveis nominais expressas em frequência absoluta e das variáveis contínuas por meio de média e desvio padrão. Para analise de correlação foi utilizado o Coeficiente de Correlação de Spearman, visto que os dados numéricos não seguiram a premissa de normalidade. 6. RESULTADOS Os idosos avaliados apresentaram uma média de idade de 81,6 anos (DP =7,7), com predomínio do gênero feminino (77,8%; n = 21), com média de 49,67 meses de tempo de institucionalização variando entre 12 e 157 meses. A média do MEEM foi de 19,41, indicando que 66,7% dos idosos apresentaram déficit cognitivo,
6 sendo que a escolaridade variou de zero a 15 anos de estudo, com média de 6,74 anos (DP =4,3) (Tabela 1). Tabela 1. Variáveis sociodemográficas e avaliação cognitiva Variáveis Média+DP n (%) Idade 81,56+7,7 Gênero Feminino 21(77,8) Masculino 06(22,2) Escolaridade 6,74+4,3 Tempo (meses) 49,63+5,0 MEEM 19,41+5,2 Déficit cognitivo Sim 18(66,70) Não 09(33,3) Nota: Déficit cognitivo segundo nota de corte de acordo com a escolaridade sugerida por Brucki 7 Legenda: DP: desvio padrão; n: representa a frequência absoluta; %: porcentagem representando a frequência relativa; Tempo: tempo de institucionalização. Na aplicação da MIF, foi possível avaliar o grau de independência dos idosos. O domínio que se encontrou mais distante da sua pontuação total foi o da cognição social, indicando que é o mais prejudicado nesse grupo de idosos (Tabela 2). Tabela 2. Medida de Independência Funcional Dimensão da MIF (pontuação esperada) Média +DP Mínimo Máximo Autocuidados (6-42) 38,2+7, Controle de esfíncteres (2-14) 12,6+2, Mobilidade (5-35) 31,4+4, Comunicação (2-14) 11,7+3, Cognição social (3-21) 16,7+5, MIF total (18-126) 110,8+19, Legenda: MIF: Medida de Independência Funcional. DP: desvio padrão. Mínimo: pontuação mínima do domínio. Máximo: pontuação máxima do domínio. A MIF mostrou que 22,2% (n= 6) dos idosos apresentaram dependência modificada, 26% (n= 7) apresentaram independência modificada e 51,8% (n= 14) são completamente independentes (Gráfico 1).
7 Gráfico 1. Grau de independência dos idosos segundo pontuação total da MIF Legenda: MIF: Medida de Independência Funcional; n: amostra (frequência absoluta); %: porcentagem (frequência relativa). Quando correlacionados o MEEM com a MIF, observa-se na tabela 3 uma correlação forte positiva do MEEM com o valor total da MIF (r=0,783; p<0,001) e com autocuidado (r=0,764; p<0,001), moderada positiva do MEEM com continência (r=0,641; p<0,001), mobilidade (r=0,465; p=0,01), comunicação (r=0,673; p<0,001) e cognição social (r=0,689; p<0,001). Tabela 3. Correlação entre a funcionalidade e a cognição Variáveis MEEM p-valor r Autocuidados 0,764 <0,001 Controle de esfíncteres 0,641 <0,001 Mobilidade 0,465 0,015 Comunicação 0,673 <0,001 Cognição social 0,689 <0,001 MIF total 0,783 <0,001 Legenda: MEEM: mini exame do estado mental; p-valor: teste de correlação de Spearman. 7. Considerações Finais: De acordo com o presente estudo, nota-se que idosos com maior pontuação no MEEM apresentam maior pontuação na MIF, demonstrando a importância da
8 cognição preservada para a independência dos idosos mesmo durante o processo de institucionalização. Referências 1. Oliveira DLC, Goretti LC, Pereira LSM. Idosos com Alterações Cognitivas em AVDs e Mobilidade. Rev. bras. fisioter. Vol. 10, No. 1 (2006), Junior ACQ; Santos RF, Lamonato ACC, Toledo NAS, Coelho FGM, Gobi S. Estudo do nível de atividade física, independência funcional e estado cognitivo de idosos Institucionalizados: análise por gênero. Brazilian Journal of Biomotricity, vol. 2, núm. 1, março, 2008, pp Uchida, J.E.F. & Borges, S.de M. (2013, setembro). Quedas em idosos institucionalizados. Revista Kairós Gerontologia,16(3), pp ISSN ISSNe X. São Paulo (SP), Brasil: FACHS/NEPE/PEPGG/PUC-SP. URL: 4. Araújo MOPH, Ceolim MF. Avaliação do grau de independência de idosos residentes em instituições de longa permanência. Rev Esc Enferm USP 2007; 41(3): Ferreira PCS, Tavares DMS, Rodrigues RAP. Características sociodemográficas, capacidade funcional e morbidades entre idosos com e sem declínio cognitivo. Acta Paul Enferm 2011; 24(1): Borges SM, et al. Psicomotricidade e retrogênese: considerações sobre o envelhecimento e a doença de Alzheimer. Rev Psiq Clín. 2010; 37(3): Riberto M, Miyazaki M H, Jucá S S H, Sakamoto H, Pinto P P N, Battistella L R - Validação da Versão Brasileira da Medida de Independência Funcional. ACTA FISIATR 2004; 11(2): Folstein MF, Folstein SE, McHugh PR. Mini-Mental State: a practical method for grading the cognitive state of patients for clinician. Journal Psychiatric Research 1975; (12):
9 9. Bruck SMD, Nitrini R, Caramelli P, Bertolucci PHF, Okamoto IH. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. Arquivo Neuropsiquiátrico. São Paulo, p 01-05, set
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