ENFERMEIRO COMO GERENCIADOR DA REDE BÁSICA DE SAÚDE ¹

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1 ENFERMEIRO COMO GERENCIADOR DA REDE BÁSICA DE SAÚDE ¹ DIAS, Caliandra Letiere Coelho 2, Caren Franciele Coelho 3 ; FONSECA, Graziele Gorete Portella da 4 ; PARCIANELLO, Márcio Kist 5 ¹Pesquisa bibliográfica 2 Acadêmica de Fisioterapia do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA) Santa Maria, RS, Brasil. 3 Enfermeira, cursando o Programa Especial de Graduação de Formação de Professores para a Educação Profissional e Tecnológica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Pós Graduanda em Gestão de Organização Pública em Saúde pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Pós Graduanda em Mídias da Educação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Santa Maria, RS, Brasil. 4 Enfermeira, Especializanda em Enfermagem do trabalho pelo Sistema Educacional Galileu (SEG) e em Gestão de Organização Pública em Saúde pela universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Santa Maria, RS, Brasil. 5 Enfermeiro formado pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA) Santa Maria, RS, Brasil. E- mail: RESUMO A saúde requer do enfermeiro uma atenção voltada aos objetivos que atendam ao setor e reparem a dificuldade nas condições das redes de serviços de saúde. As redes básicas de saúde é o primeiro nível de atenção que o usuário recebe, onde há uma equipe multidisciplinar responsável pelo cuidado da comunidade, facilitando seu acesso e acolhendo em suas necessidades. No exercício da função gerencial o enfermeiro deve ser capaz de compreender e participar de decisões mais complexas estimulando a participação social, política e econômica, ao invés de apenas manter condutas organizadas segundo rotinas preestabelecidas da instituição de saúde. Este estudo tem como objetivo principal discutir a importância da gestão do enfermeiro nas redes básicas de saúde para que sejam participantes ativos das decisões políticas, sociais e institucionais. Portanto, acreditase que através da gestão possam-se propiciar condições para superar as questões que dificultam o desenvolvimento das competências almejadas. Palavras-chave: Gestão; Rede Básica; Enfermeiro. 1. INTRODUÇÃO A saúde requer do enfermeiro uma atenção voltada aos objetivos que atendam ao setor e reparem a dificuldade nas condições das redes de serviços de saúde. Conforme Aguiar et al. (2005) o Sistema Único de Saúde (SUS) está exigindo um profissional com perfil diferenciado que atenda com competência técnica especializada e comprometido no processo de gestão para que desenvolva habilidades necessárias na dimensão da prática e do saber administrativo. O desenvolvimento das redes básicas de saúde é em decorrência da descentralização do SUS, como resultado ocorrem transformações na gestão mudanças de conscientização e principalmente de um processo de educação em saúde que esta voltada para a população e para os profissionais que estão neste cenário. Nesta situação a uma

2 perspectiva de atendimento integral a população com melhores condições de saúde (WEIRICH, 2009). As redes básicas de saúde devem ter sua qualidade destacada por que é através dela que os usuários podem identificar seus problemas e serem atendidos em sua integralidade, sendo este um instrumento necessário para o controle da qualificação da assistência. No exercício da função gerencial o enfermeiro deve ser capaz de compreender e participar de decisões mais complexas estimulando a participação social, política e econômica, ao invés de apenas manter condutas organizadas segundo rotinas preestabelecidas da instituição de saúde. Segundo Trevisan et al. (2002) é indispensável que a ação gerencial do enfermeiro deve fundamentar-se nos valores da profissão, no código de ética e no direito do indivíduo enfermo. Deste modo o enfermeiro estará atuando criticamente no gerenciamento das redes básicas de saúde rompendo com as delimitações impostas e tornando visíveis suas competências. O interesse pelo tema surgiu a fim de despertar a consciência crítica dos enfermeiros a cerca de sua atuação na gerência das redes básicas de saúde buscando um espaço para desenvolver seu potencial e conquistar o prestígio digno a profissão. Para tanto este estudo tem como objetivo principal discutir a importância da gestão do enfermeiro nas redes básicas de saúde para que sejam participantes ativos das decisões políticas, sociais e institucionais. 2. METODOLOGIA O presente estudo trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica realizada pelo método qualitativo. Optou-se por este tipo de pesquisa a fim de aprofundar o conhecimento sobre a importância do enfermeiro na gestão das redes básicas de saúde, o estudo foi realizado no primeiro semestre de Foram selecionadas 25 fontes literárias, após leitura das mesmas restaram apenas 10 fontes a serem utilizadas no texto. Para Furasté (2006) a pesquisa bibliográfica se utiliza de obras literárias impressas ou capturadas pela internet, é o mais utilizado por isso é de extremamente importância, mas precisa estar sempre em constante atualização somando uma série de informações, para enriquecer o projeto de pesquisa. O estudo deve atender aos objetivos do autor explicando e respondendo os problemas dentro de uma dimensão teórica devendo ir ao encontro da solução do problema. Segundo Oliveira (2002, p. 117): As pesquisas que se utilizam da abordagem qualitativa possuem a facilidade de poder descrever a complexidade da uma determinada hipótese ou problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos experimentados por grupos sociais, apresentar contribuições no processo de mudança, criação ou formação de

3 opiniões de determinado grupo e permitir, em maior grau de profundidade, a interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos. A pesquisa qualitativa facilita numa investigação científica, ela se refere aos conceitos e objetivos a serem alcançados e oferece sugestões das variáveis a serem estudadas com maior sagacidade e é mais utilizada quando a informação insuficiente sobre o estudo. Para a realização deste, buscou-se embasamento científico em livros, e artigos de periódicos nacionais, indexados na biblioteca eletrônica SCIELO e LILACS. Foram considerados critérios de exclusão fontes bibliográficas publicadas antes de REFERENCIAL TEÓRICO O trabalho do enfermeiro nos serviços de saúde está no processo de cuidar e de administrar, sendo este último o que realmente predomina em sua profissão. Conforme Peres e Ciampone (2006) pode-se entender que uma das finalidades indireta do trabalho gerencial é a atenção a saúde, para que seja obtido, o enfermeiro deve empregar instrumentos do trabalho administrativo como planejamento, organização, coordenação e o controle. De acordo com Montezeli e Peres (2009, p. 557) O gerenciamento em enfermagem corresponde a um dos pilares de sustentação para uma assistência convergente com a qualidade exigida pela clientela atendida nos serviços de saúde dos tempos atuais. O enfermeiro deve ter o compromisso com a sociedade a fim de firmar seu papel e prestar uma melhor assistência a população. Azevedo (2000) nos traz que as mudanças devem estar situadas com novas perspectivas para a enfermagem, com modificações nas políticas de saúde e no gerenciamento. O Sistema Único de Saúde (SUS) necessita de enfermeiros capacitados para atender a demanda, enfrentando os desafios apontados por este sistema cheio de falhas, que apresenta dificuldades sociais, política e econômicas, favorecendo a manutenção e sua transformação para desenvolver atitudes e ações racionais e humanas. A nova política do SUS está sustentada em princípios como equidade, integralidade, universalidade e igualdade, este sistema tem a capacidade para desenvolver ações de maior qualidade e que favorecem a sua transparência. Este sistema reorganiza a atenção básica em saúde através de obras prestadas no sentido de anular as técnicas individualizantes e segmentadas das ações terapêuticas. Passos e Ciosak (2006, p. 465) propõem que: O SUS compreende o modelo vigente de política de saúde no Brasil, ao qual deve estar articulado o conjunto das ações governamentais no setor. Significa um importante avanço na luta por direitos de cidadania.

4 Representa um importante passo para o fortalecimento dos sistemas de administração locais e regionais, contribuindo para o aumento do controle local e para as mudanças no processo de trabalho. [...] No processo de trabalho, o gerente deve se adequar a determinados mecanismos próprios da Unidade, que propiciem o desenvolvimento da execução da prática gerencial, visando a garantia dos princípios do SUS. O enfermeiro atuando na saúde coletiva apresenta uma ligação com a comunidade que facilita o seu trabalho, pois observa melhor e encontra os problemas vivenciados, objetivando ações para o controle e avanço da qualidade de vida (AARESTRUP e TAVARES, 2008). Segundo estes mesmos autores O enfermeiro em saúde pública possui uma visão da realidade que contribui para a criação de estratégias em busca da resolução de problemas (p. 231). As redes básicas de saúde é o primeiro nível de atenção que o usuário recebe, onde há uma equipe multidisciplinar responsável pelo cuidado da comunidade, facilitando seu acesso e acolhendo em suas necessidades. Para Santos e Merhy (2006) ao garantir que os usuários tenham acesso aos benefícios estarão garantindo a equidade do acesso, a integralidade da assistência que permanece disponível a qualquer cidadão de forma equânime e ordenada. De acordo com Passos e Ciosak (2006, p. 465) para se gerenciar uma rede básica de saúde: O gerente necessita dominar uma gama de conhecimentos e habilidades das áreas de saúde e de administração, bem como, ter uma visão geral no contexto em que elas estão inseridas e, compromisso social com a comunidade. Em suma, o gerente de uma UBS tem como atividade recípua a organização da produção de bens e serviços de saúde ao indivíduo ou à coletividade. As redes básicas de saúde precisam ter clara a necessidade de discussão e análise da gerência, pois ela é o princípio, onde o usuário procura atendimento para identificar seu problema, o bom acolhimento o e aprendizado são elementos facilitadores para o cuidado integral definindo as necessidades individuais de cada pessoa, nos fazendo perceber que devemos ser resolutivos em nossas tarefas, propondo diante disso, mudanças no modelo assistencial da saúde. Para Aguiar et al (2005) o enfermeiro deve atuar garantindo a qualidade da assistência em todos os níveis de atenção à saúde, planejando, organizando, gerenciando e avaliando o processo de trabalho com auxílio podendo desempenhar seu papel no progresso do sistema de saúde. Neste contexto a ação gerencial é fundamental no processo de organização das redes básicas de saúde e a expectativa é que o enfermeiro seja capaz de exercer esta função, que é uma tarefa complexa e que se fundamenta na efetivação de políticas sociais e de saúde. Portanto, acredita-se que através da gestão possam-se propiciar condições para superar as questões que dificultam o desenvolvimento das competências almejadas.

5 4. CONCLUSÃO O desenvolvimento ocorrido no cenário das rede básica de saúde vem a modificar a prestação de serviços no setor dando autonomia aos enfermeiros como gestores e definindo mudanças no modo de fazer saúde. Assim, apesar da gerencia ser uma tarefa complexa ela deve ser realizada no intuito de construir um plano que acolha as necessidades da comunidade para possibilitar a satisfação desses serviços. Os enfermeiros ocupam cargos chaves na gerencia dos serviços de saúde com habilidades específicas que se destacam com o espírito de liderança, comunicação para interagir com a equipe e a comunidade decidindo as condutas mais adequadas no desempenho da função de gestora. Neste contexto ele contribui para a implantação e conservação das políticas de saúde para se ter uma melhor qualidade da assistência prestada por esses profissionais junto aos serviços de saúde. Na gerencia dos serviços de saúde se exige deste profissional uma visão voltada às necessidades da comunidade com competência que vai do caráter educativo, assistencial, administrativo e o político. Sendo assim, acredita-se que o enfermeiro seja hábil a desempenhar o papel de gerente nas redes básicas de saúde com participação onde a finalidade está na união do empenho coletivo, para que seja estabelecida uma nova realidade organizacional alinhada a melhores práticas, com prestação de uma assistência integral a população de forma ética, digna e humanizada. REFERÊNCIAS AARESTRUP, Claudia; TAVARES, Claudia Mara de Melo. A Formação do Enfermeiro e a Gestão do Sistema de Saúde. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 10, n. 1, p , Disponível em: <http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n1/v10n1a21.htm> Acesso em: 10 de jun de AGUIAR, Ana Beatriz de Almeida. et al. Gerência dos Serviços de Enfermagem: um estudo bibliográfico. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 07, n. 3, p , Disponível em: <www.fen.ufg.br/revista/revista73/original09.htm> Acesso em: 16 de Jun. de AZEVEDO, Suzana Carneiro de. O Processo de Gerenciamento x Gestão no Trabalho do Enfermeiro. Natal (RN): UFRN, Dissertação (Mestrado em Enfermagem). Faculdade de Enfermagem, Universidade do Rio Grande do Norte, Natal (RN), FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para o Trabalho Científico. 14.ed. Porto Alegre: [S. ed.], 2006.

6 MONTEZELI, Juliana Helena; PERES, Aida Maris. Competência Gerencial do Enfermeiro: conhecimento publicado em periódicos brasileiros. Cogitare Enfermagem, v. 14, n. 3, jul.-set., p , OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de Metodologia Científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, PERES, Ainda Maris; CIAMPONE, Maria Helena Trench. Gerência e Competências Gerais do Enfermeiro. Texto contexto-enfermagem, v. 15, n. 3, jul.-set., SANTOS, Fausto Pereira dos; MERHY, Emerson Elias. A Regulação Pública da Saúde no Estado Brasileiro uma revisão. Interface Comunic, Saúde, Educ, v.10, n.19, p.25-41, jan.-jul., TREVIZAN, Maria Auxiliadora. et al. Aspectos Éticos na Ação Gerencial do Enfermeiro. Rev. Latino- Am. Enfermagem, v. 10, n. 1, Jan., WEIRICH, Claci Fátima. et al. O Trabalho Gerencial do Enfermeiro na Rede Básica de Saúde. Texto contexto-enfermagem, v. 18, n. 2, 2009.

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