GRUPO DE ESTUDOS 1º CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO EMPRESARIAL OS TÍTULOS DE CRÉDITO VIRTUAIS E AS RELAÇÕES INTEREMPRESARIAIS

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1 GRUPO DE ESTUDOS 1º CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO EMPRESARIAL OS TÍTULOS DE CRÉDITO VIRTUAIS E AS RELAÇÕES INTEREMPRESARIAIS

2 UNIVERSIDADE PAULISTA UNIP CAMPINAS/ JUNDIAÍ 2011 GRUPO DE ESTUDOS 1º CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO EMPRESARIAL OS TÍTULOS DE CRÉDITO VIRTUAIS E AS RELAÇÕES INTEREMPRESARIAIS Estudo apresentado para o 1º Congresso Brasileiro de Direito Empresarial, sob a orientação dos Professores Ms. Áurea Moscatini, Dr. Cláudio José Franzolin e Ms. Luís Renato Vedovato. 3

3 UNIVERSIDADE PAULISTA UNIP CAMPINAS/ JUNDIAÍ 2011 PROFESSORES ORIENTADORES: Professora Ms. Áurea Moscatini Professor Dr. Cláudio José Franzolin Professor Ms. Luiz Renato Vedovato ALUNOS PARTICIPANTES UNIVERSIDADE PAULISTA UNIP CAMPUS CAMPINAS Felipe Bertem Chagas RA A João Batista Inácio Dagoberto Colman RA Kamyla Stéphani Zanré RA A Lázaro Fernandes Cândido Neto RA A1388C- 7 Lucilaine Braga Luciano Cândido Martins RA Patrícia Andréia Vidotto Goto RA A13FFI-6 Patrícia Bueno Carvalho RA UNIVERSIDADE PAULISTA UNIP CAMPUS JUNDIAÍ Gabriela Crevilari RA A5681G-3 Thaís Vieira Gonçalves RA A2461H-4 Vanessa Benessuti RA Vasco Antônio Ferracini RA A POLICAMP - CAMPINAS Kléber Bárea RA

4 RESUMO: O grupo aborda neste trabalho os impactos da era virtual no âmbito dos títulos de crédito, em especial, o princípio da cartularidade. O trabalho também destaca alguns valores contemporâneos os quais interferem na interpretação e na compreensão do estudo dos títulos de crédito, em virtude dos paradigmas que ressoam na pós-modernidade. Sem contar, ainda a crescente necessidade do diálogo entre o direito interno e internacional. PALAVRAS-CHAVE: títulos de crédito, títulos virtuais, cartularidade. 5

5 SUMÁRIO Introdução Segurança jurídica e os limites da autonomia privada nas relações interempresariais Títulos de Crédito eletrônicos e a adequação aos princípios básicos Legislação brasileira e a importância dos costumes para consolidação dos títulos eletrônicos O princípio da Cartularidade e os meios eletrônicos A implementação dos títulos eletrônicos Títulos de Crédito virtuais e as relações interempresariais Tendências Jurisprudenciais...35 Conclusão...62 Bibliografia

6 Introdução: Com o advento da era digital 1, muitos setores tiveram que se reorganizar, a fim de acompanhar os avanços tecnológicos. Como não poderia deixar de ser, o mesmo acontece na seara jurídica, que vem tentando acompanhar tais avanços, a fim de regulamentar as relações interempresariais, num ambiente cada vez mais global. O novo Código Civil Brasileiro, em vigência desde 11/01/2003, dedica em seu Título VIII a disciplina Dos Títulos de Crédito, permitindo a emissão de tais títulos por meio eletrônico, utilizando caracteres criados em um computador, a fim de facilitar a circulação de riquezas neste novo ambiente digital. No entanto, não se pode ignorar a existência de legislação específica para tais títulos, que estabeleça suas características básicas, sendo uma delas a Cartularidade, que vincula a incorporação do direito creditício a um papel (ou cártula), o que torna inviável a emissão de um título eletrônico, que por sua vez é desmaterializado. Sendo assim, o presente estudo pretende discutir os impactos da era virtual diante do princípio da cartularidade, bem como estabelecer valores contemporâneos, que interferem na interpretação e na compreensão dos princípios basilares dos títulos de crédito na pós-modernidade, especialmente num ambiente cada vez mais internacional, exigindo um crescente envolvimento do ordenamento jurídico interno com os documentos internacionais. 1 Revolução tecnológica, em que informações são produzidas e consumidas em alta velocidade, resultando para o Direito em avanços como a rapidez das transações comerciais, o incremento de novos contratos, o fortalecimento de chaves públicas e privadas, sistemas biométricos, entre outros. 7

7 1. Segurança jurídica e os limites da autonomia privada nas relações interempresariais: As relações contratuais, via de regra, possuem como base o princípio da autonomia privada, em que a vontade das partes em contratar e a forma como tal ato ocorrerá são elementos fundamentais, pois tal princípio se fundamenta na ampla liberdade contratual e no poder dos contratantes de disciplinar seus interesses, mediante um acordo de vontades, sem qualquer interferência do Estado, conforme nos ensina Carlos Roberto Gonçalves 2. Ocorre que tal princípio vem sofrendo limitações em seus aspectos basilares, quais sejam: a liberdade de contratar, face às necessidades elementares do dia-a-dia do indivíduo, que o obrigam a realizar novos contratos, a todo momento (transporte, energia elétrica, telefone etc.); a liberdade de escolha do contraente, diante das limitações constitucionais, que protege os indivíduos de práticas discriminatórias; e a liberdade de determinar o conteúdo, a forma e os efeitos do contrato, diante das limitações determinadas pelas cláusulas gerais, em especial das que tratam da função social do contrato, da boa-fé objetiva e pelas exigências e supremacia da ordem pública 3. A função social do contrato, adotada pelo Código Civil de 2002, em seu artigo 421 4, serve como limitador da autonomia da vontade quando esteja em confronto com o interesse social ou a ordem pública, desafiando a antiga concepção de que os contratantes tudo podem fazer, quando do exercício de sua autonomia da vontade, proporcionando a oportunidade de terceiros que serão afetados direta ou indiretamente pelo contrato celebrado, possam nele interferir. Desta feita, a função social do contrato deve representar uma fonte de equilíbrio social. Como se pode notar, não mais persiste hoje a omissão legislativa que admita negócios completamente livres, vez que a função social do contrato exige atuação em conformidade à Carta Magna, que se assente no solidarismo da dignidade da pessoa humana. 2 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro vol. III. 3 Idem. P A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. 8

8 Sendo assim, tal princípio não é absoluto, visto que possui limitações ante ao princípio da supremacia da ordem pública, que não pode ser alterado por convenção entre os particulares, e surgiu em face da ampla liberdade de contratar, que provocava desequilíbrios e exploração do economicamente mais fraco, ou seja, o princípio da supremacia da ordem pública constitui um limite à liberdade contratual, destinado a coibir abusos provenientes da desigualdade econômica. Destarte, observados, de forma concisa, os aspectos do princípio da autonomia da vontade, bem como sua limitação ante a função social do contrato, passemos a analisar a incidência destes e outros princípios nas relações interempresarias. Cabe assinalar, de início, quanto à autonomia do Direito Comercial em relação ao Direito Civil, conforme elucidado na obra de Fran Martins 5, apesar de ser ramo do Direito Privado, mesmo contendo normas do Direito Público, o Direito Comercial não se confunde com o Civil, mormente a partir da atual codificação civil. Pode-se dizer que os princípios aplicáveis nas relações privadas, nem sempre serão aplicados nas relações interempresarias. Aliás, nenhum princípio é absoluto, cabendo ao intérprete sopesá-los e adequá-los ao caso concreto. 6 Nesse diapasão, deve-se ter em vista que os contratos entre empresários sempre serão norteados, consoante Ulhoa, por dois dos regimes jurídico-contratuais do direito brasileiro: o cível e o da tutela dos consumidores. (...) nunca ao de direito do trabalho ou administrativo 7. O autor ainda esclarece que, não obstante diferenças significativas, cada um desses contratos têm um núcleo comum, que é a constituição das obrigações para manifestação convergente de vontades. Como outrora exposto, a administração pública limita a vontade das partes. Assim, não se pode falar em absoluta liberdade da autonomia privada, uma vez que tal liberdade encontra barreiras perante a coletividade, que é resguardada pelo ordenamento jurídico. Daí se observar a disposição do Código Civil, em seu artigo 104, inc. III, no sentido de que todo negócio jurídico deve ter forma prescrita ou não defesa em lei. Se o contrato, um negócio jurídico, for contrário a lei, estará, consequentemente, em discordância com os 5 MARTINS, Fran. Curso de Direito Comercial, 30ª edição, 2006, atualizada por Carlos Henrique Abrão. 6 Apelação nº (23/11/2010), Relator Windor Santos, 16ª Câmara de Direito Privado do Tribunalde Justiça de São Paulo. 7 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial, 8ª edição,

9 anseios coletivos, que por ela são resguardados, ainda que nem tudo que é legal, seja legítimo. Deste modo, cumpre esclarecer que nos contratos realizados entre empresários há, hodiernamente, uma convergência doutrinária 8 no sentido de que se deve privilegiar mais autonomia privada, sem limitá-la; sugere-se, inclusive, que haja menos definição, em normas positivas, de direitos e obrigações de contratantes, devendo a ordem jurídica reconhecer as cláusulas constantes do instrumento do contrato. Oportuno ressaltar que isso é preconizado para as relações entre contratantes de iguais condições econômicas (empresário x empresário, por exemplo), não havendo se falar em sua incidência nos contratos envolvendo interesses dos vulneráveis e hipossuficientes (consumidores, por exemplo). Neste diapasão, é importante fazer referência ao princípio da segurança jurídica, que se encontra implicitamente nas vastas páginas legais, máxime na Constituição Federal. Trata-se de corolário do Estado Democrático de Direito, com o escopo de resguardar a sociedade das mais variadas situações, decorrentes das vicissitudes sociais que refletem diretamente no Direito. Sem embargo da ideia de que o Direito é a ciência do dever ser, vez que nada é peremptório, deve certas relações ser guarnecidas, de modo a não prejudicar a sociedade. Eliezer Pereira Martins elenca alguns princípios que trazem, insitamente, a roupagem do princípio da segurança jurídica, quais sejam, irretroatividade da lei, coisa julgada, respeito aos direitos adquiridos, respeito ao ato jurídico perfeito, outorga de ampla defesa e contraditório aos acusados em geral, ficção do conhecimento obrigatório da lei, prévia lei para a configuração de crimes e transgressões e cominação de penas, declarações de direitos e garantias individuais, justiça social, devido processo legal, independência do Poder Judiciário, vedação de tribunais de exceção, vedação de julgamentos parciais, etc. 9 Entretanto, tal ambição (ou revolução) ainda que se encontre no plano das idéias, é algo utópico. Isso porque, embora haja, atualmente, grandes avanços econômicos e tecnológicos, o que influi diretamente no direito, a tutela jurisdicional para os casos de relações contratuais contrários à lei, é no sentido de declará-los nulos. Assim, ainda que dois empresários acordem, em documento particular, um desejo contrário ao ordenamento jurídico, 8 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial, 8ª edição, MARTINS, Eliezer Pereira. Segurança jurídica e certeza do direito em matéria disciplinar. Disponível em Acesso em 20/02/2011, 19:34:40. 10

10 aquele que, após a feitura do acordo discordar e procurar o judiciário poderá conseguir o desfazimento do mesmo. Frise-se que, na hipótese de inexistência de lei, os direitos e obrigações das partes são os previstos no instrumento contratual, que firmaram. Pode-se inferir que autonomia da vontade, nos contratos entre empresários, está sendo revigorada com os avanços que estão ocorrendo nas relações humanas. Ulhoa ensina que A disciplina jurídica dos contratos é direito-custo. A margem de atuação da autonomia da vontade e a intervenção do estado, calibradas pela lei, interferem no cálculo empresarial. A previsibilidade (condição de eficiência desse cálculo) depende do reconhecimento da vinculação da livre vontade dos contratantes, nas relações entre empresários iguais, e da aplicação o quanto possível objetiva do direito vigente, nas relações entre os desiguais. 10 Esse novo pensamento no sentido de se ampliar a autonomia privada nas relações interempresariais, conhecida na doutrina como modelo reliberalizante, prestigia a tutela na relação entre os economicamente mais fracos e, ao mesmo tempo, reafirma a importância da autonomia da vontade entre contratantes iguais. 11 Fábio Ulhoa Coelho afirma que tal modelo encontra-se em elaboração na doutrina brasileira, porém acredita que o modelo reliberalizante traduzirá melhor a repartição do direito privado dos contratos brasileiros, do que o modelo neoliberal. Por fim, imperioso ressaltar que todo esse pensamento deve-se nortear nos princípios gerais de direito, sem prejuízo da já referida função social do contrato. Ora, a criação de contratos entre empresários, no intuito de praticar atos ilícitos, como a dominação de mercado com a eliminação da concorrência, deve ser rechaçada de plano. Aliás, isso já é disciplinado e repelido pela existência da Lei 8.884/1984, que trata acerca dessas relações. Talvez, tais práticas, ainda comuns, inibam as legislações atuais, bem como os seus aplicadores e intérpretes, de rechaçar a autonomia da vontade privada, devendo, nessas relações, ela ter limite certo, de maneira que se possa assegurar a toda coletividade a segurança jurídica, sobretudo nas relações impactantes, como as interempresariais. 10 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial, 8ª edição, Idem. Pág

11 2. Títulos de Crédito eletrônicos e a adequação aos princípios básicos Os títulos de crédito vêm disciplinados no novo Código Civil Brasileiro (Lei nº /2002), nos artigos 887 a 926. Com o avanço da tecnologia, as práticas comerciais, impulsionadas pela figura do crédito, na prática do princípio da liberdade de criação e amparada pelos dispositivos do 3º, do art. 889, CC, atendeu às necessidades jurídicas e econômicas para emissão de títulos criados em computador ou outro meio equivalente, amparando-se nos requisitos mínimos previstos neste artigo. Os princípios básicos dos títulos de crédito são: a cartularidade, a literalidade e a autonomia. Como adequar esses princípios básicos aos títulos eletrônicos, nos dias de hoje, tem sido o grande palco das discussões sobre o tema. De acordo com o Professor Fabio Ulhoa Coelho 12, os princípios básicos se encontram em situações bem distintas, sendo que o primeiro o da cartularidade, desaparece, não fazendo falta, o segundo, o da literalidade, deve ser ajustado e adaptado, e o terceiro, o da autonomia, continua em pleno vigor, e plenamente aplicável. Ele ainda define que sendo por meio de papel ou por meio eletrônico, a obrigação cambial circula sempre de forma independente e autônoma das anteriores. Em relação à segurança, tanto o papel como o meio eletrônico, são passíveis de serem adulterados. O papel deixa marcas que podem ser constatadas por um perito técnico. Já o meio eletrônico, com o uso de algumas tecnologias, também pode deixar pistas, a diferença nesses casos, como define também o Professor Fábio Ulhoa Coelho 13 é que as pistas de adulteração do papel são físicas e as do arquivo eletrônico são eletrônicas. 12 COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de DireitoComercial. 22ª ed., São Paulo. Saraiva COELHO, Fábio Ulhoa. Jornal Carta Forense. São Paulo, Disponível em : Acesso em : , 22:30:15 12

12 dar através de senhas. A fim de dar maior segurança às transações eletrônicas, as operações podem se O Certificado Digital 14 é um documento eletrônico e seguro que, identifica uma pessoa física ou jurídica, e permite aos seus usuários efetuarem suas transações na internet de forma mais rápida, sigilosa e segura. O requerente do Certificado Digital deve procurar uma Autoridade Certificadora, munido de seus documentos pessoais ou jurídicos e conclusão do seu cadastro 15. Através de um sistema da unidade certificadora, é gerada uma chave criptografada com senhas de acessos e, validada através de assinatura e reconhecimento presencial, que permite aos seus usuários efetuarem suas transações e assinarem digitalmente seus negócios, garantindo assim, confiabilidade e segurança ao seu portador. Essa prática é muito utilizada pelos contabilistas, no que se refere aos serviços prestados junto à Receita Federal do Brasil - RFB, economizando tempo e agilizando o tramite de documentos e acompanhamento de processos, via web, utilizando-se apenas do Certificado Digital. As próprias transações bancárias também se utilizam dessas chaves criptografadas para validar as transações efetuadas por seus clientes via internet, se tornando uma prática cada vez mais comum 16. Empresas que praticam e-commerce, via internet, apresentaram em 2010 um crescimento anual 17 de 30%, sendo que a grande maioria das transações são efetuadas 14 CERTISIGN. O que é certificação Digital. Disponível em : Acesso em : 01/03/11, 11:21:35 15 SERPRO. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Roteiro para Certificação Digital. Disponível em https://www.scdp.gov.br/manual/certificacaodigital/roteiro_certificacao_digital.htm. Acesso em : 08/03/11, 11:08:00 16 UOL, Economia. Transações bancárias via web crescem e ultrapassam 1 bilhão em alguns bancos. Disponível em: Acesso em: 25/02/11, 19:40:22 13

13 utilizando-se apenas das informações prestadas pelos usuários, dentre elas o fornecimento do número do cartão de crédito ou ainda, a opção de emissão do título para pagamento em estabelecimento bancário 18. Sendo assim, não restam dúvidas de que o comércio eletrônico vem crescendo muito rápido nos últimos anos. A assinatura digital substituiu a manuscrita em muitas situações, contudo, as transações comerciais eletrônicas, estão sendo realizadas de forma mais simples, o comprador escolhe o produto ou serviço que deseja, insere seus dados e decide a forma de pagamento mais conveniente, sendo a mais usual, o cartão de crédito ou o título bancário e, espera sua encomenda chegar. Para dirimir os conflitos, caso venham a surgir, uma legislação específica, precisa ser criada para regulamentar essas operações, a fim de que a segurança jurídica possa ser respeitada Legislação brasileira e a importância dos costumes para consolidação dos títulos eletrônicos: Os títulos de crédito são documentos representativos de obrigações pecuniárias. Não se confundem com a própria obrigação, mas se distinguem dela na exata medida em que a representam. 19 Portanto, o interesse do presente trabalho não se relaciona com a obrigação mas sim, a forma de indenização do pagamento de uma batida de carro, como exemplificou brilhantemente o próprio autor em sua obra. 17 ECOMMERCEORG. Evolução da internet e do e-commerce. Disponível em: Acesso em: 01/03/11, 11:01:23 18 OBSERVADOR, O. Conheça o perfil dos consumidores brasileiros. Disponível em: https://www.cetelem.com.br/portal/elementos/pdf/pdf_observador2009.pdf. Acesso em: 01/03/11, 09:15:00 19 COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de DireitoComercial. 22ª ed., São Paulo. Saraiva

14 O presente autor segue ao conceituar o título de crédito, elaborado por Vivante, é o seguinte: documento necessário para o exercício do direito, literal e autónomo, nele mencionado. 20 Em razão desta, os princípios são explicados e o presente profissional exemplifica a adequação destes princípios na órbita moderna, que se seguem: Ultimamente, o direito tem criado algumas exceções ao princípio da cartularidade, em vista da informalidade que caracteriza os negócios comerciais. Assim, a Lei das Duplicatas admite a execução judicial de crédito representado por este tipo de título, sem a sua apresentação pelo credor (LD, art. 15, 22), conforme se estudará oportunamente. Outro importante fato que tem interferido com a atualidade desse princípio é o desenvolvimento da informática no campo da documentação de obrigações comerciais, com a criação de títulos de crédito não-cartularizados. Outro princípio é o da literalidade. Segundo ele, não terão eficácia para as relações jurídico-cambiais aqueles atos jurídicos não-instrumentalizados pela própria cártula a que se referem. O que não se encontra expressamente consignado no título de crédito não produz consequências na disciplina das relações jurídico-cambiais. Um aval concedido em instrumento apartado da nota promissória, por exemplo, não produzirá os efeitos de aval, podendo, no máximo, gerar efeitos na órbita do direito civil,como fiança. A quitação pelo pagamento de obrigação representada por título de crédito deve constar do próprio título, sob pena de não produzir todos os seus efeitos jurídicos. Finalmente, pelo princípio da autonomia, entende-se que as obrigações representadas por um mesmo título de crédito são independentes entre si. Se uma dessas 20 Idem. P

15 obrigações for nula ou anulável, eivada de vício jurídico, tal fato não comprometerá a validade e eficácia das demais obrigações constantes do mesmo título de crédito. Se o comprador de um bem a prazo emite nota promissória em favor do vendedor e este paga uma sua dívida, perante terceiro, transferindo a este o crédito representado pela nota promissória, em sendo restituído o bem, por vício redibitório, ao vendedor, não se livrará o comprador de honrar o título no seu vencimento junto ao terceiro portador. 21 A primeira questão que evidenciamos é a conseqüência da modificação do primeiro princípio. Porque não some o princípio e sim seu meio: o papel. Nos entendimentos dos tribunais, há magistrados que solicitam a emenda da petição inicial do juízo a quem, porém os magistrados de 2º grau não tem corroborado com este entendimento, já que estes últimos reconhecem a existência da duplicata virtual. Discute-se a questão do aceite no caso dos títulos se estes são inexistentes, o que se averigua é que nos tribunais em caso de ausência, o fato da aceitação e pagamento reiterados dos boletos viabiliza tal aceitação. Em suma, há algumas questões controvertidas, entre elas trata-se da competência em julgado de duplicata virtual. Neste tema, torna-se claro, a mutação das relações com o surgimento da tecnologia. Tal modificação, não se pode deixar de citar, Ken`ichi Imai, analista organizacional que apontou as três estratégias e destas a mais avançada estão em rede. Destas afirmações, conclui-se que, o direito deve acompanhar a sociedade, já que a função essencial da norma não é ser meramente jurídica, mas sim, essencialmente social, principalmente no que se refere ao Direito Comercial. Não há que se falar no desaparecimento dos princípios, mas sim, de mutações inevitáveis na era de globalização Idem. P CASTELLS, M. A Sociedade em Rede, 4ª ed.são Paulo: Paz e Terra. P

16 2.2. O princípio da Cartularidade e os meios eletrônicos: A Cartularidade consiste na incorporação do direito ao documento celebrado entre as partes, como título de crédito. Nesse caso o documento torna-se condição necessária para exigência da obrigação, o que torna legítima a cobrança do título de crédito pelo titular ou possuidor que posteriormente o adquiriu legalmente contra quem o tenha emitido. Visando celeridade, buscamos nos aprimorar com os avanços tecnológicos e esbarramos no princípio da cartularidade em virtude desta crescente utilização dos títulos de créditos virtuais, tradicionalmente reconhecido no conceito de título de crédito de Cesare Vivante. Neste momento histórico onde se busca a otimização dos meios de produção e a dinamização das relações comerciais, torna-se inevitável a inserção do meio digital no comércio e nas relações cambiárias. Nesse sentido, o Princípio da Cartularidade deve passar por um processo rápido de transformação ou simplesmente desaparecer por completo, no que tange às relações eletrônicas. No ambiente eletrônico-virtual o registro, ao qual está incorporado o direito ao crédito, celebrado entre as partes, é de tal forma consistente, confiável e negociável que se torna necessário sua transposição ao suporte de papel apenas para compor prova ou comprovação numa lide. Entretanto, a sobrepujança do meio eletrônico se sobressai que essa transposição ao suporte de papel, materializando o título de crédito, deverá estar atualizada eletronicamente, e, se possível, sempre assim permanecer, para evitar o crédito a quem já praticou ato de endosso, com a assinatura digital. O Princípio da Cartularidade, que nos dizeres de Fábio Ulhoa é a garantia de que o sujeito que postula a satisfação do direito é mesmo o seu titular, sendo, desse modo, o postulado que evita o enriquecimento indevido de quem, tenha sido credor de um título de crédito, o negociou com terceiros (descontou num banco, por exemplo) 23. Como consequência, temos que, não há possibilidade de executar-se uma dívida contida num título de crédito acompanhado, somente, de uma cópia autenticada, afinal, com a simples 23 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial, 8ª edição,

17 apresentação de cópia autenticada poderia o crédito, por exemplo, ter sido transferido a outra pessoa. Pontes de Miranda observara, com certa clarividência, que se existia uma forma preferencial de cartularidade, esta preferencialmente seria a do meio de suporte em papel ao formalizarem um título de crédito, mas com certeza também tal título poderia ser formalizado em outros meios de suporte, utilizando-se pergaminhos, argila, pedra, etc. O que daria validade ao título seria a existência da literalidade e em lugar devido o reconhecimento para se obrigarem cambiariamente as partes. 24 O art. 225 do Código Civil (Lei n , de 10 de janeiro de 2002) reconhece expressamente a existência, a validade e a eficácia jurídica do documento eletrônico. Eis os termos da norma destacada: "Art 225. As reproduções fotográficas, cinematográficas, os registros fonográficos e, em geral, quaisquer outras reproduções mecânicas ou eletrônicas de fatos ou de coisas fazem prova plena destes, se a parte, contra quem for exibido, não lhes impugnar a exatidão". Portanto, a representação, a guarda ou a erenização de um fato (essência da idéia de documento) pode ser juridicamente efetivada por intermédio de um arquivo eletrônico. A regra geral do art. 225 do Código Civil anuncia expressamente, no universo jurídico, a existência de uma avassaladora transformação tecnológica, particularmente a relacionada com os computadores eletrônicos e as redes por eles formadas. Por ser regra geral, o artigo 225 do Código Civil, contrasta com uma série de regras especiais que exigem a confecção e circulação de certos documentos escritos em papel. Nesse sentido, flagramos o princípio da cartularidade dos títulos de crédito, ou seja,...a necessidade do título de crédito se materializar em um documento escrito, devendo 24 MIRANDA, Pontes de. Tratado de Direito Cambiário. Atualizado por: Vilson Rodrigues Alves. Campinas: Bookseller,

18 ser algo corpóreo e palpável 25, conforme as palavras de Patrícia de Morais Patrício. Segundo a autora, aponta-se diante das regras jurídicas a necessidade de manutenção dos títulos no formato cartular. Tal conclusão seria a conseqüência necessária da aplicação do critério da especialidade, segundo o qual a norma especial prevalece sobre a norma geral. Quanto à doutrina jurídica,...ainda se encontra bastante dividida sobre a possibilidade de existência válida de títulos de crédito virtuais [...] 26, consoante notícia de Patrícia de Morais Patrício. A jurisprudência também é alvo de divergências em relação à matéria com certa tendência a aceitação, ante a análise da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, pode-se concluir que a Corte, acertadamente, na maioria de seus acórdãos, tem se posicionado de maneira avançada quanto ao princípio da cartularidade, aceitando a execução judicial quando ausente o título [...] 27. Sendo assim, o título de crédito representado em arquivo eletrônico é o antigo título de crédito (cartular) adaptado às grandes e aceleradas mudanças tecnológicas da Era da Informação. Se a lei não foi atualizada, cabe ao intérprete, com critério, prudência e segurança, adequar, atualizar o Direito (universo não restrito aos comandos legais formais). Para auxiliar nesse expediente, devemos remeter ao artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil, que diz: Art. 4º - Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito. Com todas estas informações, podemos dizer que não se torna inconveniente considerar a extinção do princípio da cartularidade, apesar da sua contribuição histórica na formação/evolução dos títulos de crédito embora cada vez mais seu uso torna-se desnecessário. O princípio é uma idéia, um norte para os operadores do direito, que se desmonta e se reconstrói com o passar do tempo. 25 PATRÍCIO, Patrícia de Morais. Títulos de crédito: relativização dos princípios. Brasília: Fortium, Pág Idem. 27 Idem. P. 23 e

19 Assim, a cartularidade se mostra flexível aos avanços tecnológicos e insere mais um paradoxo criador dentro da ciência jurídica. Os efeitos assumem formas e idéias certas, colocando o direito ao encontro da sociedade. O real interesse é assegurar a titularidade do direito mesmo que através de meios eletrônicos. A legislação especifica sobre o assunto, que trata, entre outras coisas, dos documentos eletrônicos é a Medida Provisória de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ICP- Brasil, que em seu primeiro artigo manifesta-se sobre o tema: Art. 1º Fica instituída a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira ICP-Brasil, para garantir a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica, das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certificados digitais, bem como a realização de transações eletrônicas seguras. Como bem enfatiza o artigo primeiro, o ICP-Brasil dá garantia de validade judicial, entre outras, para os documentos processados eletronicamente através do sistema de chaves codificadas ou criptografadas. A Medida provisória acabou com todos os obstáculos impostos, quanto à utilização do documento eletrônico, também como meio de prova. Os atuais programas de criptografia são capazes de cifrar um documento eletrônico, seja ele texto (uma peça processual, um título de crédito eletrônico), som (uma audiência gravada, uma confissão) ou imagem (uma fotografia, um documento digitalizado) e marcá-lo com uma assinatura digital de tal forma que, se houver qualquer alteração no documento, a chave pública não mais o abrirá, acusando a falsificação. Desse modo conseguimos a forma mais eficiente possível de garantir a autenticidade de um documento eletrônico. O controle das chaves tornou-se a questão crucial da força probatória dos documentos eletrônicos. 20

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