PROCESSO N.º /AÇÃO CIVIL PÚBLICA DECISÃO Vistos, etc..., I - Vindome nesta forma, em 01/02/2007, após gozo do período de férias

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1 PROCESSO N.º /AÇÃO CIVIL PÚBLICA DECISÃO Vistos, etc..., I - Vindome nesta forma, em 01/02/2007, após gozo do período de férias regulares; II Compulsando os autos, cuido que o Órgão Ministerial, por meio da Promotoria de Defesa da Cidadania com atuação em Habitação e Urbanismo, por sua ilustre representante signatária da peça promocional de fls.02/32 - Volume 1, visando à proteção dos chamados interesses e direitos coletivos(cdc, art. 81, II) e, também, dos denominados individuais homogêneos(cdc, art. 82, I) e,para tanto, sustentando a plena legitimação desse Órgão, impetrou a presente Ação Civil Pública com Pedido Liminar de Tutela Antecipada contra a CONSTRUTORA CALDAS LTDA e seus sócios MARCOS CALDAS DE ARAÚJO, MÁRCIA CALDAS COSTA CARVALHO, MARCLEO CALDAS DE ARAÚJO, MAURÍCIO CALDAS DE ARAÚJO, HAYDÉE GUILHERMINO DE ARAÚJO e mais ainda, contra a CAIXA SEGURADORA S/A, todos devidamente qualificados nos autos, em defesa do direito humano à moradia, também erigido a proteção magna, e cuja violação está equiparada à violação de outros Direitos Sociais, segundo o que expendido em dita peça de abertura, instruída com a farta documentação de fls.33/682 dos autos(02 Volumes), destacando a sua legitimidade ativa "ad causam" em razão da natureza dos interesses protegidos, vez que antes da individualização de cada quinhão ou valor indenizatório, "existe o interesse público e social de que danos infligidos àquele grupo de pessoas sejam coibidos, e ressarcidos, assim, como seja estabelecido que o fornecedor faltoso terá que responder por seu atos."... e., ao argumento de ser tal direito, comum, de toda sociedade e a que não se pode renunciar, que corresponde exatamente, ao individual homogêneo. Para tanto, aduziu ainda, em resumo, existir uma relação de consumo entre os construtores, o agente de seguros e os adquirentes dos imóveis do "Edifício Athenas Garden" e que, em face da representação ofertada contra a mencionada Construtora apontada ao pólo passivo, dando causa à apuração versada nos autos do Procedimento de Investigação Preliminar nº 20/2006(PIP nº 20/2006), pode-se concluir que a documentação carreada bem demonstra os problemas narrados no Edifício e a necessidade, desde o ano de 1992, da realização de reparos, em face da constatação de vários problemas decorrentes de falhas construtivas, que se revelam de extrema urgência, notadamente quanto à recuperação estrutural das vigas e lajes que apresentam exposição da armadura para que a situação não evolua e venha comprometer a estabilidade do imóvel, o que mais se agrava após a ocorrência dos desabamentos dos Edifícios Érika e Enseada de Serrambi, no Município de Olinda e cuja obrigação imediata de recuperar ou reparar o Edifício é da referida Construtora, em decorrência de sua responsabilidade pelo fato e por vício do produto e do serviço, decorrente da invocada plena aplicabilidade no caso, da legislação consumeirista-cdc, sem se olvidar a obrigação solidária dos demais indicados ao pólo demandado e, também, da seguradora, consoante melhor interpretação da apólice de seguro em questão, para reparar todos os danos resultantes dos riscos cobertos. Discorre ou descreve ainda, a peça inaugural, a situação encontrada no imóvel-edifício Athenas Garden com danos em sua estrutura decorrentes de vícios construtivos de origem, constatados em laudo técnico específico - e que, assim, além da obrigação de repará-lo e nesse sentido, bem apontando para a responsabilização solidária dos Demandados e, noutro ponto, destacando que muitas dessas pessoas que, infelizmente não são mencionadas no corpo da peça atrial, acham-se vinculadas aos imóveis adquiridos através do Sistema Financeiro de Habitação. Em outro ponto, prosseguindo, bem destaca a exordial as inúmeras correspondências dirigidas diretamente a Caixa Econômica Federal, na qual fora registrado o sinistro e, por fim, pugna em sede antecipatória o deferimento parcial de tutela assecuratória do pagamento de aluguéis no importe de R$550,00 como apurado para a garantia do direito de moradia dos moradores, e a obrigação de guarda e manutenção dos imóveis durante a tramitação da presente ação, incluindo o pagamento de IPTU e tarifas relacionadas aos serviços de distribuição de água, energia elétrica, além do deferimento em sucessivo, de medida liminar assecuratória para a quebra do sigilo fiscal dos 06(seis) primeiros demandados como forma de garantia do integral ressarcimento do dano causado, e por fim, a responsabilização da Seguradorta no pagamento das prestações dos financiamentos ativos junto ao agente financeiro enquanto perdurar a impossibilidade de ocupação do edifício,seguindo-se após, os requerimentos de praxe. Ainda em fl.685/686, ao tempo em que pugnou fosse corrigido o erro da distribuição para a 3ª Vara da Fazenda Pública desta Comarca da

2 Capital, apresentou aditamento do pedido a fim de que fosse consignado o pedido de liminar para que os Demandados tomem as medidas necessárias para impedir o tombamento do prédio(escoramento, por exemplo) e, assim, evitar a causação de danos a terceiros, vizinhos ou transeuntes em caso de desabamento. Conclusos, após redistribuído para esta Vara nos termos do r. despacho de fl.688-2º Volume, e assim relatados, sucintamente, DECIDO, com a máxima brevidade possível, após a devida análise dos autos. III De saída, cuido que ao juiz cabe sempre, zelar pela regularidade do feito, devendo antes de proferir o despacho inaugural observar as questões procedimentais, seja em relação à competência, seja ainda, se superada essa fase, quanto aos pressupostos da medida intentada. Pois bem, na hipótese dos autos há "permissa venia", possível controvérsia quanto à eventual competência desta justiça estadual, porquanto percebe-se claramente a possibilidade de que a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL CEF, como parte interessada na lide, passe a integrar o seu pólo passivo, cabendo a invocação da regra ou mandamento magno(cf/88, art. 109, I) ou ao menos, atuando como assistente processual da seguradora Demandada nos termos da legislação processual civil. De vero, consta da própria inicial como já realçado acima, que os imóveis ou unidades integrantes do Edifício Athenas Garden se acham vinculadas ao Sistema Financeiro de Habitação, considerando que pelo menos existem "doze unidades" com financiamento ativo e uma adjudicada pela CEF e uma unidade com financiamento ativo fora do SFH(fl. 15). Em outro ponto destaca-se, expressamente, que o direito dos mutuários do SFH Sistema Financeiro de Habitação é sonegado pela Seguradora demandada e, ainda, que inúmeras correspondências foram dirigidas diretamente à Caixa Econômica Federal, sendo nela registrado o sinistro e, em conseqüência, aquela contatou a Caixa Seguradora S/A para a adoção das providências pertinentes ao caso. Ora, ressabido, como anotam NELSON NERY JÚNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY, "a competência da justiça federal é funcional, portanto, absoluta". Nesse prisma, é certo, na esteira da Súmula 150 do STJ que somente à Justiça Federal cabe decidir sobre a eventual existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas, capaz de deslocar a competência para conhecer e processara o feito. Noutro aspecto e, por excessiva cautela, tem-se em mira ainda nesse tema, o recente pronunciamento do STJ ao editar a Súmula nº 327, "verbis": "Nas ações referentes ao Sistema Financeiro da Habitação, a Caixa Econômica Federal tem legitimidade como sucessora do Banco Nacional da Habitação." Sendo assim, prudente nessa fase inaugural, que se ordene de imediato, apenas manifestação da Caixa Econômica Federal que, em sendo o caso de declarar-se interessada na lide em tela, ante as suas nuances já mencionadas, tal obrigatoriamente, importará no deslocamento da competência para o âmbito de uma das Varas da Justiça Federal do Estado de Pernambuco, por competência, na forma do art.109, I da CF/88 e, de qualquer sorte, segundo os ditames da Súmula nº 180 do Colendo STJ. Essa ao que tudo indica, a hipótese dos autos, mas como não se trata de aforamento propriamente contra o agente financeiro(cef), revela-se assim, prudente, nesta fase, repita-se, ordenar-se apenas, a manifestação da Caixa Econômica Federal a fim de em sendo o caso, resguardar-se a prevalência do juízo(natural) competente para conhecer, processar e julgar a presente demanda sem prejuízo contudo, de prosseguir-se com o presente feito aforado, com a análise das medidas antecipatórias requeridas, ante a gravidade do que noticiado e a necessidade de medidas de extrema urgência em prol de toda a coletividade que, na verdade, acredita-se já estejam em andamento. Eis o entendimento a ser seguido, sem obste de sua revisitação; IV De saída, merece acolhida a legitimidade da atuação do "Parquet" através dessa modalidade de ação coletiva, a ação civil pública e nesse sentido, tem entendido o STJ: "PROCESSO CIVIL. AÇÃO COLETIVA. DIREITOS COLETIVOS, INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS E DIFUSOS. MINISTÉRIO PÚBLICO. LEGITIMIDADE. JURISPRUDÊNCIA. AGRAVO RETIDO. - O Ministério Público é parte legítima para ajuizar ação coletiva de proteção ao consumidor, inclusive para tutela de interesses e direito coletivos e individuais homogêneos (AGA SP, 4a. Turma, DJ )." Nesse sentido, ainda, destacam os doutos THEOTONIO NEGRÃO e JOSÉ ROBERTO FERREIRA GOUVÊA, a legitimidade do Órgão Ministerial para a defesa dos interesses de grupos determinados de pessoas quando isso convenha coletividade(jtj 158/9) como um todo e anotam, ainda: "O Art.21 da Lei 7.347, de 1985,(inserido

3 pelo art.117 da Lei 8.078/90), estendeu de forma expressa, o alcance da ação civil pública à defesa dos interesses e 'direitos individuais homogêneos', legitimado o Ministério Público, extraordinariamente e como substituto processual para exercita-la(art.81, parágrafo único, III, da Lei 8.078/90)(STJ-RF 331/220)" Cabe assim, o enfrentamento do mérito e, nesta fase, dirigido apenas, à análise da presença dos pressupostos legais atinentes ao eventual acolhimento das pretensões antecipatórias e/ou liminares formuladas; V - Nesse mote, quanto ao mérito das providências requeridas, observo que essa matéria não é nova nesta 28ª Vara Cível da Capital, sendo certo que o eminente juiz titular já deferiu a tutela antecipada nos mencionados Processos nºs e , respectivamente, reportando em ambos a pretensões indenizatórias, ainda em trânsito e com pedido de remessa a justiça federal, como visto, ainda que repelida tal tese pela parte postulante nesses mencionados autos: Veja-se abaixo a transcrição da primeira dessas r. decisões : " PODER JUDICIÁRIO ESTADO DE PERNAMBUCO Juízo da 28ª Vara Cível da Comarca da Capital DECISÃO INTERLOCUTÓRIA Ref. Proc. nº Vistos etc. Os autores, proprietários de apartamentos nos prédios dos Blocos C, D e E do Conjunto Habitacional Arruda, adquiridos junto ao Sistema Financeiro da Habitação SFH, ajuizaram AÇÃO DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA contra a SASSE COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS GERAIS, sob o fundamento de que aderiram compulsoriamente aos termos da Apólice do SFH contratada junto à parte ré, passando a contar com a denominada Cobertura Compreensiva Especial da Apólice Habitacional, a qual, entre outros riscos, garante a ameaça de desmoronamento dos imóveis. Apontam como causa de pedir principal a ocorrência do sinistro de AMEAÇA DE DESMORORONAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS. Por fim, dizem que o objeto da garantia do sinistro de ameaça de desmoronamento é a defesa da vida, da incolumidade física e psicológica, e, em segundo plano, a preservação da própria coisa segurada. Pedem, em antecipação da tutela de mérito, provimento jurisdicional condenando a ré ao pagamento mensal, enquanto durar o processo, dos valores necessários ao aluguel de outro imóvel, ao pagamento dos encargos mensais do financiamento e a guardar os imóveis objetos da lide. Argumentam que o dever de a seguradora suprir as acomodações do segurado e de sua família durante o tempo em que, em razão do sinistro, ficarem impossibilitados de utilizar o imóvel segurado, decorre do artigo CC e das cláusulas 4ª, letra b, e 5ª, letras a, b e c da Apólice. Fixam, com base em avaliações de Imobiliárias, o preço médio da locação em R$ 340, 00 (trezentos e quarenta reais), incluída a taxa condominial. Por sua vez, o dever de a seguradora pagar as prestações do financiamento no período de desocupação obrigatória resta definido na letra c da cláusula 5ª da Apólice. Finalmente, a responsabilidade de a seguradora manter sob sua guarda os apartamentos, enquanto durar a inabitabilidade dos imóveis, está prevista no subitem da cláusula 2ª, anexo 12, da Apólice. A ré, SASSE COMPANHIA NACIONAL DE SEGUROS GERAIS, confessa expressamente em sua contestação de fls.480/503 a necessidade de desocupação dos apartamentos do Conjunto Habitacional Arruda, em face do sinistro de ameaça de desmoronamento. Conclui-se, por primeiro, que o sinistro de AMEAÇA DE DESMORONAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS que recai sobre os imóveis objeto do seguro é fato incontroverso à míngua de contrariedade séria e específica. A essa verdade formal agregue-se o Laudo de Vistoria Inicial (fls 694/696), emitido pela própria ré, em que resta evidenciada a ameaça de desmoronamento dos apartamentos dos Blocos C, D e E do Conjunto Habitacional Arruda, em decorrência da baixa capacidade da carga dos tijolos de embasamento. Por seu turno, a construtora responsável pela edificação reconhece, baseada em estudo técnico da TECOMAT- TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO E MATERIAIS LTDA, a baixa resistência dos tijolos do embasamento dos prédios do Condomínio Arruda (fl 559). Afirma em seu favor que a baixa resistência dos tijolos decorre da ação de agentes externos e não de vício da construção. Tenho, portanto, como certa a ocorrência do sinistro AMEAÇA DE DESMORONAMENTO DE ELEMENTOS ESTRUTURAIS. Sem relevância jurídica para a hipótese dos autos saber se o sinistro decorre de vícios da construção ou de outro fator. É que a apólice, também, dá cobertura aos riscos de danos físicos decorrentes do vício da construção. Ora, o contrato de seguro, por ser de adesão e obrigatório, deve ser interpretado da forma mais favorável ao aderente e de modo a se

4 aproximar, quanto mais possível, aos fins da avença. Não seria razoável que seguro habitacional, concebido com objetivo de proteger a seguridade social (lato sensu) e garantir a conquista dos sonhos das classes de B a E, cuidasse de cobrir os riscos de danos físicos apenas por fatores externos, deixando sem proteção o risco mais iminente (vícios de construção). Ao contrário, a idéiaforça deste seguro, em relação à aquisição de imóveis pelo Sistema Financeiro da Habitação (com a sua política pública de diminuir o deficit habitacional) é proteger o mutuário. Assim, as Normas e Rotinas Sinistros de Danos Físicos prevêem a cobertura, quando o imóvel for adquirido pelo SFH, dos danos físicos decorrentes do vício da construção. O item Anexo 12 - dessas normas e rotinas é claro neste sentido, in verbis: "Nos casos em que o vistoriador da Seguradora referir-se expressamente à existência do vício da construção como fato gerador do sinistro, a Seguradora, reconhecendo a cobertura, requererá medida cautelar específica, consistindo em exame pericial, com vistas à produção antecipada de provas e a fim de requerer, em seguida, se for o caso, contra quem de direito, o ressarcimento da importância da despendida a título de indenização". Enfim, à seguradora cabe, no exercício do direito de regresso, buscar o ressarcimento da importância despendida a título de indenização. Quando a apólice afirma cobrir apenas os riscos decorrentes de força externa, está querendo excluir da cobertura, em homenagem à boa fé, os danos provocados, por dolo ou culpa, pelos próprios segurados. Enfrento a pretensão em si. Querem os autores, em antecipação da tutela de mérito: a)o pagamento mensal, enquanto durar o processo, dos valores necessários ao aluguel de outro imóvel; b)o pagamento dos encargos mensais do financiamento; c)a guarda dos imóveis objetos da lide. A ré reconhece que, logo em seguida à verificação do sinistro, assumiu o pagamento das prestações junto à Caixa Econômica Federal, nos termos do seguro habitacional, e se dispôs a guardar os imóveis objetos da lide. Instados, os autores confirmam que essas pretensões estão sendo atendidas. Assim, afigura-se-me que, a lume de cognição sumária, falta interesse de agir aos autores neste particular. Quanto ao pagamento mensal, enquanto durar o processo, dos valores necessários ao aluguel de outro imóvel, parece assistir razão aos autores. São indenizáveis nos termos da cláusula 5ª - CONDIÇÕES PARTICULARES PARA OS RISCOS DE DANOS FÍSICOS os danos materiais, diretamente resultantes dos riscos cobertos. Os aluguéis e as despesas condominiais a serem suportados pelos autores, que terão que desocupar suas casas em razão do risco de desabamento, estão, sem sofisma, inseridos no conceito de "danos materiais" cobertos pela Apólice. Essa locação e seu encargo mensal (aluguel) são, por assim dizer, forçados. Os autores estão privados do uso de seus respectivos imóveis e, em razão disso, são obrigados a locar outro para abrigar temporariamente suas famílias. O preço do aluguel constitui, portanto, prejuízo suportado pelos autores. Não se argumente que o pagamento dos aluguéis constitui provimento irreversível. Ora, o réu poderá reaver esses valores em ação própria. (AI , AI , AI Tribunal de Justiça de Pernambuco). Pondere-se, ainda, que sob o perigo da demora na prestação jurisdicional estão dois bens jurídicos. De um lado, a vida e a incolumidade das pessoas que habitam, com suas famílias, os imóveis ameaçados de desmoronamento. Doutra banda, a dificuldade de ressarcimento das indenizações provisórias destinadas especificamente ao pagamento dos aluguéis (forçados). O princípio da razoabilidade indica que a proteção da vida deve prevalecer. A inevitável lentidão do processo, com o seu tempo próprio para processar e julgar a demanda, deve ser menos sentida por quem, tendo em princípio o melhor direito, ainda possui o bem mais valioso, quando cotejados os bens em lide. A recuperação dos valores dos aluguéis, reconhece-se, é de difícil ressarcimento. Mas, frente a esse conflito, fico com a proteção da vida e da incolumidade das pessoas. Por fim, nos contratos de gaveta, com a alienação do imóvel houve, por cessão lógica e natural, a transferência do seguro. Quanto aos contratos encerrados, tem-se que o fato gerador do sinistro ocorreu na vigência do contrato de seguro. Posto isto, antecipo parcialmente os efeitos da tutela de mérito para determinar que a ré promova o pagamento dos aluguéis e despesas condominiais da autora até o limite de R$ 340,00, desde que comprovada a locação por contrato escrito. Intime-se a Caixa Econômica Federal para indicar se tem interesse no feito, no prazo de 10 dias. Oficie-se pelos correios. Publique-se. Recife, 17 de junho de Fábio Eugênio Oliveira Lima Juiz de Direito" Eis a posição a ser seguida, sem prejuízo de ser revista ou revisitada; V - Com efeito, a narrativa da exordial, lastreada no que apurado no Procedimento de

5 Investigação Preliminar nº 20/2006(PIP nº 20/2006) e, segundo ainda, a farta documentação apresentada, conforme acostado em fls.33/683 dos autos da presente ação civil pública, bem demonstram a gravidade do caso, apontando a conclusão pela constatação de vícios de construção na estrutura do edifício em foco, com a necessidade da imediata realização dos serviços de reparo em sua estrutura e até de escoramento do prédio, para evitar-se a situação de agravamento da situação do imóvel e o risco de desmoronamento(tombamento), o que reclama a pronta intervenção judicial provocada e, nos moldes, "mutatis mutandis", das abalizadas r. decisões paradigmas da lavra do eminente juiz titular desta Vara acima transcritas, permite o acolhimento parcial do pleito antecipatório, no sentido, ao menos, de assegurar a guarda e manutenção do imóvel e para a garantir da moradia segura dos interessados(moadores-mutuários) durante o transcurso da lide e a realização dos "serviços de reparo", ante os regramentos e a fundamentação invocada pelo Órgão acionante, com a assunção pelos Demandados do custeio das obras e do pagamento dos aluguéis de imóveis, com os seus consectários legais(tributos e taxas incidentes, pactuadas no contrato locatício, também incluídos por óbvio, os encargos condominiais, se for o caso), aqueles até o valor estimado de R$550,00, desde que devidamente comprovados por contrato escrito nos autos, o que servirá até para suprir também, a eventual omissão na nominação desses moradores(mutuários ou não do SFH) de forma discriminada na exordial, constante apenas de fl.43 dos autos do Procedimento d Investigação Preliminar(PIP 20/2006), certo ainda, que tal determinação em relação a CAIXA SEGURADORA S/A, como expressamente pugnado à atrial, restringe-se àqueles moradores que sejam mutuários do SFH, em relação á aquisição das unidades habitacionais respectivas, integrantes do "Edifício Athenas Garden". Por igual, merece imediata guarida o pleito do "aditamento"(fls.685/686-ii Volume) para a determinação de que os Demandados executem as suas expensas, de forma imediata, os serviços de "escoramento" ou outros necessários para impedir o tombamento do prédio, segundo as medidas técnicas cabíveis indicadas para a hipótese, notadamente pelos técnicos responsáveis, de forma a garantir a incolumidade não apenas de moradores-mutuários, como de terceiros, transeuntes, vizinhos e até dos trabalhadores da obra, para o que se deve também, oficiar ao Poder Público Municipal e ao CREA-PE, com ciência dos termos da presente decisão e das condições do imóvel, para a devida orientação, acompanhamento, fiscalização e providências pertinentes, caso ainda não tenham sido agilizadas pelos órgãos competentes, mesmo sendo certo que tais providências já devem ter sido encaminhadas uma vez que os Órgãos competentes da PCR e o próprio CREA, além dos Demandados, já têm ciência do problema como noticiam os autos, notadamente no Termo de Audiência de fl. 267/299 e fl2. 361/363 I e II Volumes dos autos, respectivamente. Nesse prisma, vale o registro de que é certo que eventuais medidas de intervenção do prédio, se fosse o caso, porquanto tal interdição ao que se percebe já se encontra viabilizada, é medida atinente aos órgãos públicos municipais encarregados dessa fiscalização e até do CREA-PE, como aliás noticia-se nos autos do PIP 20/2006, nos mencionadas Termos de Audiência de fls. 267/299 e fl2. 361/363 I e II Volumes dos autos, respectivamente, em que se narra o encaminhamento do Processo para a Procuradoria Judicial do Município para "a solicitação da interdição", o que por óbvio, não está no âmbito de competência desta Vara Cível da Capital. Contudo, o pleito para a quebra do sigilo fiscal, não se afigura pertinente, à mingua da demonstração de indícios suficiente a tanto, "initio litis" e, sem correspondência com o invocado art. 84, 5º do CDC-Lei nº 8.078/90 e à mingua ainda, de qualquer justificativa para tal, pelo que o indefiro neste ensejo, sem prejuízo se for o caso, da reapreciação de tal pleito. De igual sorte, nesta fase embrionária, indefiro o pleito para que a Caixa Seguradora S/A seja obrigada ao pagamento das prestações dos financiamentos ativos junto ao agente financeiro enquanto perdurar a impossibilidade de ocupação e uso normal do edifício, sem os riscos ventilados, uma vez não comprovada essa obrigação, senão que, em caso de sinistro, estaria "a CEF autorizada a receber diretamente da companhia seguradora o valor da indenização, aplicando-o na solução ou na amortização da dívida e colocando o saldo, se houver, a disposição dos DEVEDORES", segundo a inteligência da cláusula específica constante de vários dos contratos de Compra e Venda anexados(cláusula VIGÉSIMA TERCEIRA), ponto em que ouso divergir

6 da orientação das r. decisões paradigmas da lavra do ilustre juiz titular desta 28ª VCCC, antes transcritas. Eis assim, a solução a ser seguida, sem prejuízo de ser revista ou revistada; VI Nesse sentir, acolho parcialmente o pleito antecipatório formulado pelo Órgão acionante Ministério Público, por meio da ilustre Promotora de Justiça de Defesa da Cidadania com atuação em Habitação e Urbanismo - nos autos da presente Ação Civil Pública impetrada, para fim de determinar aos Demandados - CONSTRUTORA CALDAS LTDA, MARCOS CALDAS DE ARAÚJO, MÁRCIA CALDAS COSTA CARVALHO, MARCLEO CALDAS DE ARAÚJO, MAURÍCIO CALDAS DE ARAÚJO, HAYDÉE GUILHERMINO DE ARAÚJO e ainda, a CAIXA SEGURADORA S/A que paguem os aluguéis no importe de até o valor de R$550,00(quinhentos e cinqüenta reais) aos mutuários e/ou proprietários das unidades residenciais do "Edifício Athenas Garden", conforme laudo de avaliação de fls. 661/662 dos autos, como forma a garantir a moradia segura dos interessados durante o transcurso da lide e a realização dos "serviços de reparo", bem como o pagamento pelos Demandados, das despesas das providências necessárias a imediata realização dos serviços de reparos estruturais e até do imediato escoramento do prédio e a realização de obras que venham a garantir a estabilidade da edificação, para evitar-se o seu tombamento e agravamento dos danos, inclusive, a terceiros, além de assegurar a guarda e manutenção do imóvel e, com a assunção pelos Demandados do custeio das obras e do pagamento dos aluguéis de imóveis, com os seus consectários legais(tributos e taxas incidentes, inclusive condominiais, conforme pactuadas no contrato locatício), desde que devidamente comprovados por contrato escrito nos autos, certo que tal determinação em relação a CAIXA SEGURADORA S/A, como expressamente pugnado à atrial, restringe-se àqueles moradores que sejam mutuários do SFH, em relação á aquisição das unidades habitacionais respectivas, integrantes do "Edifício Athenas Garden" e reconhecida a solidariedade, dos demandados, quanto ao mais requerido e opara determinado, tudo sob pena do pagamento de multa diária de R$25.000,00 por dia de descumprimento, a consideração da gravidade e risco ao bem jurídico protegido, para o que se deve ainda, por cautela, oficiar-se ao Poder Público Municipal, através dos setor ou órgão competente, e ao CREA-PE, com ciência dos termos da presente decisão e das condições de risco descritas para o Imóvel em referência, para a devida orientação, acompanhamento, fiscalização e providências pertinentes, caso ainda não tenham sido agilizadas pelo órgão competente, certo mesmo, que tais providências já devem ter sido agilizadas uma vez que os Órgãos competentes da PCR e o próprio CREA, além dos Demandados, já têm ciência do problema como noticiam os autos, notadamente no Termo de Audiência de fl. 297 e fl. 361/363 I e II Volumes dos autos, respectivamente. Outrossim, indefiro nesta fase, o pedido de natureza cautelar para a quebra do sigilo fiscal dos Demandados e, bem assim, indefiro o pedido para obrigar a Caixa Seguradora S/A ao pagamento das prestações dos financiamentos ativos junto ao agente financeiro enquanto perdurar a impossibilidade de ocupação e uso do edifício, na forma da presente fundamentação, sem prejuízo de melhor analisar essas questões após o natural desdobramento da lide; VII Intime(m) se, com ciência pessoal a representação Ministerial, oficie- se aos Órgãos mencionados para dos devidos fins de direito, inclusive a PCR, para informar quanto à efetiva interdição do prédio e tramitação do processo específico, tudo com a máxima brevidade e urgência, além da promover-se com a intimação da Caixa Econômica Federal CEF para manifestar, querendo, eventual interesse na causa, no prazo da lei. Em seguida, citem-se os Demandados para, querendo, oferecerem resposta, desde que observado o prazo e, sob as penas da lei. Ainda, em sendo o caso, expeça-se Edital, na forma do que dispõe o art. 94 do CDC-Lei nº 8.078/90; VIII - Cumpra-se, sob as cautelas legais de praxe. Recife, 06 de fevereiro de MARCOS ANTONIO NERY DE AZEVEDO Juiz de Direito Substituto de 3ª Entrância CPC COMENTADO, Editora Revista dos Tribunais, "Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas"(stj, 150) CPC e Legislação Processual em Vigor, SARAIVA, 25ª Edição, São Paulo, 2003, pág.993; CPC e Legislação Processual em Vigor, SARAIVA, 25ª Edição, São Paulo, 2003, pág.1187; JUÍZO DE DIREITO DA 28ªVARA CÍVEL DA CAPITAL 1 Processo nº /Ação Civil Pública/Decisão/Defere Antecipação parcial dos efeitos da tutela pretendida. prazo da lei. Em seguida, citem-se os Demandados para,

7 querendo, oferecerem resposta, desde que observado o prazo e, sob as penas da lei. Ainda, em sendo o caso, expeça-se Edital, na forma do que dispõe o art. 94 do CDC-Lei nº 8.078/90; VIII - Cumprase, sob as cautelas legais de praxe. Recife, 06 de fevereiro de MARCOS ANTONIO NERY DE AZEVEDO Juiz de Direito Substituto de 3ª Entrância CPC COMENTADO, Editora Revista dos Tribunais, "Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas"(stj, 150) CPC e Legislação Processual em Vigor, SARAIVA, 25ª Edição, São Paulo, 2003, pág.993; CPC e Legislação Processual em Vigor, SARAIVA, 25ª Edição, São Paulo, 2003, pág.1187; JUÍZO DE DIREITO DA 28ªVARA CÍVEL DA CAPITAL 1 Processo nº /Ação Civil Pública/Decisão/Defere Antecipação parcial dos efeitos da tutela pretendida.

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