Simone Cristina de Oliveira Núcleo Gestor de Araraquara DAAE CESCAR Coletivo Educador de São Carlos, Araraquara, Jaboticabal e Região HISTÓRICO

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1 Caracterização Histórica e Operacional da Estação de Tratamento de Esgotos Manoel Ferreira Leão Neto do Departamento Autônomo de Águas e Esgotos (DAAE) Araraquara-SP HISTÓRICO Simone Cristina de Oliveira Núcleo Gestor de Araraquara DAAE CESCAR Coletivo Educador de São Carlos, Araraquara, Jaboticabal e Região A construção da Estação de Tratamento de Esgotos de Araraquara (ETE- Araraquara), teve início em dezembro de A operação da ETE somente ocorreu em outubro de 1999, sendo a mesma projetada para tratar 100% do esgoto coletado. Inicialmente foi feito um Estudo de Concepção elaborado em julho de 1996, por empresa especializada, contratada por processo de licitação, que analisou a possibilidade de implantação de três processos de tratamento: a) Lagoas aeradas seguidas de lagoas de sedimentação; b) s ativados na versão convencional; c) Reatores anaeróbios seguidos de filtros biológicos aeróbios. Além dos tipos de tratamentos o Estudo de Concepção levou em consideração alguns fatores tais como área de implantação, consumo de energia, custo de manutenção, dentre outros. A conclusão do Estudo de Concepção viabilizou técnica e financeiramente a alternativa a: Lagoas aeradas seguidas de lagoas de sedimentação com a construção de uma única ETE. Incluiu ainda a execução de 14,9 km de interceptores, o que levou ao afastamento da estação em relação a área urbana do município. A cidade de Araraquara conta com habitantes, ligações domiciliares de água e esgoto, 904 km de redes de água, 823 km de redes de esgoto, produção média de m 3 /dia de água tratada para abastecimento público com capacidade para reservação de m 3 e tratamento médio de m 3 /dia de esgoto, correspondendo a 100% no abastecimento de água e 98% na coleta de esgoto (dados referentes a julho de 2001). A ETE trata 100% do esgoto coletado no município. CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS Objetivo: Tratamento de esgotos domésticos municipais da cidade de Araraquara. Localização: Bacia hidrográfica do Médio Tietê Inferior, UGRHI Tietê/Jacaré, tendo como corpo receptor o Ribeirão das Cruzes enquadrado como rio classe 4. Processo de Tratamento: O processo de tratamento adotado foi o de lagoas de aeração e de sedimentação, com eficiência igual ou superior a 80%, em termos remoção da DBO 5 dos esgotos afluentes, de acordo com a legislação ambiental vigente no estado de São Paulo. Módulos de tratamento: Foram previstos 3 módulos de tratamento, cada um formado por uma lagoa aerada, uma lagoa de sedimentação e uma lagoa de lodo.

2 FASES DO TRATAMENTO O esgoto é enviado ao sistema de tratamento através de emissários com 1.000, e mm de diâmetro. Na ETE há o Tratamento Preliminar constituído por um sistema de gradeamento com espaçamento de 20mm e processo de remoção automática de detritos. Caixas de areia mecanizadas equipadas com raspador de fundo do tipo circular e remoção para caçambas externas através de roscas transportadoras helicoidais e por último peneiras mecanizadas com espaçamento de 6 mm, que lançam os resíduos em uma caçamba através de esteira transportadora. Após passar por este tratamento preliminar os esgotos são encaminhadas para a caixa de distribuição de vazão, onde são encaminhados para as Lagoas de Aeração. Cada lagoa tem capacidade de ,0 m 3, o suficiente para um tempo de detenção médio de 3 dias, considerando a vazão nominal média de cada módulo de 400,0 L/s. Após passar pela Aeração o esgoto é enviado para as Lagoas de Sedimentação, com volume útil da ordem de ,0 m 3, o suficiente para proporcionar um tempo de detenção de 1,7 dia, considerando a vazão média nominal de 400,0 L/s por módulo. Nesta Lagoa os sólidos sedimentáveis presentes no efluente das Lagoas Aeradas são sedimentados formando o lodo. O efluente das lagoas de sedimentação é enviado para o Ribeirão das Cruzes e o lodo sedimentado no fundo das lagoas será estabilizado por processos anaeróbios e deverá ser removido periodicamente. DADOS DE PROJETO Tabela 1 Dados de projeto de construção da ETE-Araraquara Módulo de Tratamento Dimensões (m) Volume (m 3 ) Tempo de Detenção Lagoas de Aeração 240x125x4, dias Lagoas de Sedimentação 130x125x4, ,7 dias Lagoas de 60x125x2, a 4 anos Tabela 2 Valores gastos na construção da ETE-Araraquara e dos emissários Construção Valor gasto (R$) Emissários ,00 Custo de Construção e equipamentos ,00 Custo Total ,00 Na figura 1 é apresentado o fluxograma da ETE-Araraquara com as etapas do tratamento. O lodo produzido nas Lagoas de Sedimentação ainda não foi encaminhado para as Lagoas de pois ainda não houve formação de volume suficiente para este tipo de remoção.

3 Afluente Peneiras 6 mm Caixas de Areia Calha Parshal Gradeamento 20 mm TRATAMENTO PRELIMINAR Lagoa Aerada 1 a Etapa Sedimentação Lagoa Aerada 1 a Etapa Sedimentação Efluente Tratado Calha Parshal RIBEIRÃO DAS CRUZES Figura 1 Fluxograma da ETE-Araraquara

4 DADOS OPERACIONAIS Na tabela 3 são apresentados resultados das análises físico-químicas e bacteriológicas do afluente e efluente da ETE-Araraquara. Atualmente, o volume de esgoto tratado pela ETE-Araraquara é da ordem de m 3 /mês, caracterizando um consumo de energia elétrica da ordem de kwh/mês (referente ao mês de abril de 2002), gerando um gasto de aproximadamente R$70.000,00, representando um custo de R$0,06 o m 3 de esgoto tratado. Tabela 3 Valores médios dos parâmetros analisados no mês de setembro de 2005 para o afluente e efluente da ETE-Araraquara. Parâmetros Valores médios mensal Padrão Efluente Afluente Efluente Demanda Química de Oxigênio (DQO) (mg O 2/L) Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) (mg O 2/L) < 60 (a) Remoção Carbono DQO (%) Remoção Carbono DBO (%) - 79 > 80 (a) ph (a,b) Condutividade (us/cm) Sólidos Totais (mg/l) 731,8 535,8 - Sólidos Fixos (mg/l) 296,5 243,5 - Sólidos Voláteis (mg/l) 435,3 292,3 - Sólidos Suspensos Totais (mg/l) 205,9 74,3 - Sólidos Suspensos Fixos (mg/l) 20,7 12,0 - Sólidos Suspensos Voláteis (mg/l) 185,3 62,3 - Sólidos Dissolvidos Totais (mg/l) 525,8 461,5 - Sólidos Dissolvidos Fixos (mg/l) 275,8 231,5 - Sóldios Dissolvidos Voláteis (mg/l) 25,0 230,0 - Materiais Sedimentáveis Cone Imhoff 1 hora (ml/l) 5,0 0,0 < 1 (a,b) Substâncias Solúveis em Hexana (mg/l) < 70 (b) Oxigênio Dissolvido (mg O 2/L) - 4,8 - Turbidez (NTU) Cor (Hazen) Cloretos (mg Cl/L) 50,1 49,3 - Amônia (mg N/L) 24,1 26,4 < 20,0 (b) Nitrato (mg N/L) 0,76 0,54 - Nitrito (mg N/L) 0,02 0,13 - Nitrogênio Total Kjeldahl (mg N/L) 37,94 33,74 - Fósforo Total (mg P/L) 6,45 6,06 - Remoção Nitrogênio Total (%) Remoção Fósforo Total (%) Coliformes Totais (UFC/100mL) - 1,8E+06 - Coliformes Fecais (UFC/100mL) - 4,2E+05 - Temperatura Laboratório ( o C) Temperatura da Amostra ( o C) - 25 < 40 (a,b) Análise segundo Normas da 20 a ed. do Standard Methods for Examination of Water and Wastewater e CETESB Obs.: (a) Decreto Estadual 8468/76 Art. 18; (b) Resolução CONAMA 357/2005 Art. 34.

5 CONCLUSÃO Através dos dados operacionais pode ser concluído que a ETE-Araraquara atende as necessidades da cidade de Araraquara, permitindo uma remoção de DBO e DQO acima de 80%, atendendo aos limites de lançamento estabelecidos no Decreto Estadual 8468, de 8 de setembro de 1976 do Estado de São Paulo, impondo como limite para DBO 5 dias, 20 o C no máximo 60 mg/l ou que o sistema de tratamento de águas residuárias reduza a carga poluidora em termos de DBO 5 dias, 20 o C do despejo em no mínimo 80%. Os demais parâmetros pesquisados, com exceção do nitrito e cor, estão dentro dos padrões de lançamento segundo as condições estabelecidas pela Resolução CONAMA 20, de 18 de junho de 1986 e Decreto Estadual 8468, de 8 de setembro de 1976 do Estado de São Paulo. Conclui-se que os valores de nitrito e de cor excedem muito pouco os valores limites estabelecidos pelos órgãos competentes, sendo, respectivamente, 1,0 mg/l N e de 75 Hz. Concluiu-se também que a remoção de Nitrogênio total está próximo a 70%, ou seja, próximo as diretrizes do Conselho das Comunidades Européias para descarga em corpos receptores d água sensíveis, isto é, sujeitos a eutrofização, que estabelecem uma remoção mínima de 70-80% e concentração inferior a 10 mg/l de Nitrogênio total para população acima de habitantes, segundo VON SPERLING (1997). Em relação a remoção de fósforo, METCALF & EDDY (1977), cita como remoção entre 10 e 25 %, estando este tipo tratamento acima desta faixa. O custo da energia elétrica empregado neste tipo de tratamento sai relativamente baixo, em torno de R$0,06 o m 3. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Resolução n o 357, de 18 de abril de Decreto Estadual n o 8.468, de 8 de setembro de 1976 São Paulo. Metcalf & Eddy (1977). Tratamiento y depuración de kas aguas residualis, Madrid, Editorial labor, s.a. Sperling M. V. (1997). Princípios do tratamento biológico de águas residuárias.belo Horizonte, Departamento de Engenharia Sanitária e ambiental; Universidade Federal de Minas Gerais. OBSERVAÇÕES Araraquara ainda possui outras 02 ETEs. Uma no distrito de Bueno de Andrada e outra no Assentamento Rural Bela Vista. A primeira tem capacidade para tratar os esgotos domésticos de uma população de xxx mas atende a uma demanda de aproximadamente 500 habitantes. A segunda localizada, no assentamento rural trata os esgotos fgerados por

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