CURSO DE DIREITO WIDJA LILIANE PAIXÃO DE QUEIROZ

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1 CURSO DE DIREITO WIDJA LILIANE PAIXÃO DE QUEIROZ DIREITO COMERCIAL NA INTERNET E OS SITES DE COMPRA COLETIVA: À LUZ DO DIREITO DO CONSUMIDOR E O DECRETO 7.962/13 Fortaleza 2013

2 WIDJA LILIANE PAIXÃO DE QUEIROZ DIREITO COMERCIAL NA INTERNET E OS SITES DE COMPRA COLETIVA: À LUZ DO DIREITO DO CONSUMIDOR E O DECRETO 7.962/13 Monografia apresentada ao Curso de Direito do Centro Universitário Christus Unichristus como requisito parcial necessário à obtenção do grau de bacharel em Direito. Orientador: Prof. Esp. MBA. Abimael C. F. de Carvalho Neto. Fortaleza 2013

3 FOLHA DE APROVAÇÃO

4 Dedico este trabalho a todos que me ajudaram nesta caminhada, aos amigos que estiveram sempre ao meu lado e principalmente aos meus pais que me deram forças para seguir em frente.

5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por me dar forças em todas as horas. A minha família que é minha base. Agradeço ao meu orientador pela paciência e dedicação. Agradeço a todos que me auxiliaram na organização deste trabalho e que contribuíram para o aprimoramento do meu conhecimento, tornando possível sua realização.

6 Os que acham que a morte é o maior de todos os males é porque não refletiram sobre os males que a injustiça pode causar. Sócrates

7 RESUMO O surgimento da Internet possibilitou uma nova perspectiva de consumo. Hoje é utilizada como ferramenta de comercialização de serviços e produtos. O e- commerce possibilita que o consumidor, de qualquer parte do mundo, consiga efetuar compras sem sair de casa. A facilidade e a rapidez do comercio eletrônico seduz o consumidor que, cada vez mais, se utiliza deste meio. O presente trabalho tem como objetivo explanar sobre alguns pontos relativos ao Direito do Consumidor no Brasil, concernente ao Comércio Eletrônico e compras coletivas, tendo em vista a falta de regulamentação e a vulnerabilidade do consumidor. Apresenta a lei nº de 15 de março de 2013, que atualiza o CDC em pontos relacionados ao comércio eletrônico. O método de pesquisa do trabalho é o hipotético dedutivo, com técnica de pesquisa de caráter bibliográfico, baseado em livros, artigos e sites da Internet. Conclui-se, portanto, a fragilidade dos consumidores em relação aos fornecedores nas compras feitas pela Internet, devendo haver maior preocupação por parte dos legisladores, para sanar vícios relativos às relações jurídicas que estão se estabelecendo no meio virtual, ou seja, na Internet. Palavras-chave: Internet. Direito do Consumidor. Direito Comercial. Comércio Eletrônico.

8 ABSTRACT Thanks to the advent of the internet, new perspectives of consumerism are made possible as consumers are able to use this new technology as a tool for trading services and products through e-commerce, which allows people from around the world to buy assets without having to leave their homes. Such ease quickness can become quite seductive with its increasing usage. The present work seeks to explain some points on how Brazilian Consumer Protection Law deals with ecommerce in general and, more specifically, with flash sales business model, due to lack of appropriate legislation as well as to the vulnerability of the consumers. It also presents the federal decree nº 7.962, of March 15, 2013, which updates the Code of Consumer s Defense (Código de Defesa do Consumidor CDC) in topics concerning ecommerce. The research method utilized is the Hypothetical-deductive, being bibliographical in nature, based in books, peer-reviewed essays and websites. We reach the conclusion that consumers are vulnerable to ill-intentioned suppliers in online shopping, requiring more concern on the part of the legislators, in order to remedy legal relationships taking place over the internet. Keywords: Internet. Consumer Protection Law. Commercial Law. Ecommerce.

9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO MOEDA, MERCADO E CONSUMO Breve Histórico Evolução do Direito do Consumidor A INTERNET E O MERCADO ELETRÔNICO Surgimento da Internet Internet no Brasil O Comércio Eletrônico Vulnerabilidade do Consumidor no Comércio Eletrônico Perfil do Consumidor Brasileiro nas Compras pela Internet Surgimento dos Sites de Compra Coletiva Dados do Procon/Fortaleza A LEGISLAÇÃO DE PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR VIRTUAL O CDC e o Projeto de Lei do Senado 281/ Decreto de 15 de Março de Projeto de Lei 2.126/2011 (Marco Civil da Internet) CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE... 74

10 10 1 INTRODUÇÃO O tema a ser abordado e analisado nesse trabalho é o Direito Comercial na Internet e os sites de Compra Coletiva à luz do Direito do Consumidor. Tem como objetivo expor a vulnerabilidade do consumidor nas compras feitas através do e- commerce, abordando, também, o perfil do consumidor brasileiro e a febre das compras coletivas. No primeiro capítulo será explanado sobre as relações comerciais e como evoluíram juntamente com a sociedade e seus costumes. O primeiro tipo de relação comercial foi o escambo, ou seja, a troca de mercadorias entre os indivíduos, que nem sempre era possível ou viável. Foi necessário o surgimento de outro meio para facilitar a comercialização de mercadorias, nesse contexto surgiu a moeda. No Brasil, o comércio existe desde seu descobrimento, sendo utilizados produtos naturais como madeira, pedras preciosas, açúcar, ouro, que eram negociados de acordo com os interesses de Portugal. Ainda no primeiro capítulo será relatado como surgiu o Código de Defesa do Consumidor, discorrendo sobre o primeiro código que regulou transações consumeristas, o Código de Hamurabi. A influência dos Estados Unidos e França, concernente a leis que asseguravam os direitos dos consumidores. Por fim, a criação do PROCON. No segundo capítulo será explicado o surgimento da Internet, que foi impulsionada a partir da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de rastreamento de informações. Mais tarde, 1962, criada pela rede de laboratórios ARPANET. Ainda no segundo capítulo, será falado da união do comercio e a Internet, o chamado comércio eletrônico, e-commerce, o surgimento da primeira empresa que vendia produtos pela rede a Amazon.com e os tipos de transações feitas no e-commerce. Outro ponto discutido será a vulnerabilidade do consumidor no comércio eletrônico, visto que o consumidor é a parte hipossuficiente, segundo art. 6, III do CDC, da relação de consumo e devido aos fatores que o distanciam dos produtos e

11 11 serviços oferecidos via Internet, ele se torna o pólo frágil, devendo o seu direito ser observado e garantido. Nesse estudo, achou-se importante analisar o perfil do consumidor brasileiro. Verificou-se que comprar algo pela Internet deixou de ser um artigo de luxo (das classes A e B), pois devido aos programas de inclusão digital quase todo mundo tem acesso à Internet, seja em casa, na escola ou no trabalho. Também a facilidade das formas de pagamento foi um dos fatores que atraiu mais consumidores de diferentes classes sociais. No terceiro e último capítulo será relatado o surgimento e o conceito de compra coletiva. Sendo esta uma das modalidades do e-commerce com o objetivo de comercializar produtos e serviços em sites com descontos, com tempo determinado e o número mínimo de compradores para ativar a oferta. O tópico seguinte irá tratar do CDC e o comércio eletrônico, bem como o Projeto de Lei do Senado 281/2012 que visa a reforma do CDC. Será falado, ainda no terceiro capítulo, sobre o Decreto Lei de 15 de Março de 2013, sancionado no dia internacional do consumidor que dispõe sobre a contratação no comércio eletrônico, sendo explanado os seus artigos. Finalmente, será falado do assunto mais recente e ainda não votado pela Câmara o Marco Civil da Internet, que tem como objetivo proteger os usuários da Internet no Brasil. Quanto aos métodos utilizados na pesquisa o trabalho será durante o seu desenvolvimento fundamentado no estudo hipotético e dedutivo, onde, primeiramente as hipóteses serão sugeridas, e através do estudo ocorrerá à procura por respostas e pressupostos de modo a contestar os questionamentos levantados em termos qualitativos. A abordagem da pesquisa será quanti-qualitativa, pois se pretende usar gráficos e estatísticos para explicar a importância e a relevância do tema com o passar dos anos com Comércio eletrônico, as mudanças e o crescimento de tal tema no decorrer desses anos.

12 12 2 MOEDA, MERCADO E CONSUMO Os indivíduos tentavam se bastar dentro de seus próprios grupos sociais, mas com o crescimento natural da população, a necessidade de troca de produtos foi se agravando. Desta forma, surgiu um tipo de mercadoria que unificava o processo circulatório, segundo Rubens Requião, conchas, animais, sobretudo bois (pecus - pecúnia) e, posteriormente, metais preciosos, servindo como denominador comum do valor, facilitando as trocas. É a moeda Breve Histórico Platão, em seu livro A República, investiga a origem da justiça, mas, para tanto, viu a necessidade de investigar a origem do Estado, desta forma observou o surgimento do comércio. Segundo ele, os indivíduos não conseguiam saciar suas próprias necessidades, vendo-se obrigados a interagir uns com os outros para trocarem o que sobrara de seu trabalho. Com a aproximação dos indivíduos, surge a sociedade e posteriormente o comércio. Na obra que perdura até nossos dias, expressando o gênio do pensamento helênico A República, de Platão, o filósofo - ao perquirir a origem da justiça, indaga primeiro das origens do Estado. Precisamente pela impossibilidade em que se encontram os indivíduos de saciarem, com suas próprias aptidões e recursos, todas as suas necessidades, é que são levados a se aproximarem uns dos outros para trocar os produtos excedentes de seu trabalho. O homem, por isso, tende à vida em grupo, constituindo-se em sociedade. 2 1 REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p Ibid., p. 28.

13 13 Devido a algumas limitações da economia de troca de produtos e serviços (escambo), houve a evolução para uma economia de mercado e uso de moeda, o que resultou em uma economia mais balanceada, não servindo apenas para a própria subsistência e troca, mas também para a venda. A produção e circulação de bens e serviços acompanham a evolução da sociedade, esta, por sinal, a cada dia se supera e atribui novas formas de comercialização. Dando início ao tráfico mercantil, denominação utilizada para atividade comercial. A palavra comércio veio da permutação de produtos, que era chamada de Commutatio mercium (troca de mercadorias), que deu origem a commercium, composto este do cum + merx. 3 Commutatio mercium (troca de mercadorias) deu origem a commercium, vocábulo composto de cum + merx. É o que consta do Tractus de mercatura seu mercatores, escrito por volta de 1550, por Segismondo Straac. Commercim est emendi vendedique invicem jus, ensinava Ulpiano. 4 O direito comercial surgiu na Idade Média, com o advento do tráfico mercantil. Nas civilizações antigas existiam regras primitivas, como o Código de Manu, na Índia, e o mais conhecido Código de Hammurabi, tido como a primeira codificação de leis comerciais. Apesar de essas regras serem de natureza legal, não formaram um corpo de normas sistematizado, o qual pudesse ser denominado de Direito Comercial. Os romanos também não o formaram. Roma, devido à organização social estruturada precipuamente sobre a propriedade e atividade rurais, prescindiu de um direito especializado para regular as atividades mercantis. Os comerciantes, geralmente estrangeiros, 3 FAZZIO JÚNIOR, Waldo. Manual de Direito Comercial. 14. ed. São Paulo: Atlas, 2013, p Ibid., p.3.

14 14 respondiam perante o praetor peregrinus, que a eles aplicava o jus gentium. 5 A expansão comercial em Roma na era cristã foi conquistada por senadores e patrícios, pois estes burlaram a lei que os proibia de exercer a atividade mercantil por ser degradante 6. Com o crescimento do capitalismo mercantil em Roma, a invasão dos bárbaros e a divisão de terras, iniciou-se a nova era histórica: o feudalismo Nos séculos VIII e IX surgem em Bizâncio as chamadas leis pseudoródias, jus greco-romano, que derivam das Institutas de Justiniano e incorporam costumes do Mediterrâneo, já apresentando origem privada, como todo o direito comercial medieval. 7 Desta forma, surgiram as corporações de mercadores, visando à proteção dos comerciantes em face do decadente sistema feudal. Com isso foram ganhando poder político e militar, conseguindo autonomia de centros comerciais, tais como Veneza, Florença e Gênova 8. Houve o fortalecimento das corporações mercantes em toda a Europa Ocidental, principalmente Itália e Alemanha. Nesta última, diversos povoados que possuíam grandes feiras e grandes mercados, se expandiram rapidamente impulsionados pelo grande comércio e tornaram-se cidades medievais 9. As mercadorias eram vendidas em locais neutros, tais como fronteiras, onde havia um acordo de paz em prol do mercado e para que pudessem proteger os estrangeiros. 5 REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p Ibid., p Ibid., p ALEJARRA, Luis Eduardo Oliveira. História e evolução do Direito Empresarial. Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3553, 24 mar Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/23971>. Acesso em: 15 ago Ibid.

15 15 Nessa fase histórica começa a se desenvolver o direito comercial, através do direito costumeiro aplicado no interior das corporações de mercadores pelos juízes consulares. A partir daí surgiram os primeiros repositórios de costumes e decisões emanadas dos juízes consulares, tais como Rôles d Oleron, da França; Consuetudines, de Gênova; Capitulare Nauticum, de Veneza; Constitutum Usus, de Pisa; Consolat Del Mare, de Barcelona. 10 O direito comercial, nesta época, tratava-se de um direito a serviço do comerciante, ou seja, subjetivista 11. As fronteiras comerciais são ilimitadas, tornando-se, desta forma, possível a todos, podendo ser vista em cada canto do mundo de sua maneira e se espalhando. Desta forma, observamos o conceito cosmopolita do comércio. As relações jurídicas no Brasil, na época colonial, pautavam-se pela legislação de Portugal, ou seja, pelas Ordenações Filipinas, influenciadas pelo Direito Canônico e Romano. Quando a família imperial refugiou-se na colônia Brasil, afugentada pelas tropas napoleônicas, deparou-se com a necessidade de modernizar suas práticas comerciais e, consequentemente, o Direito Comercial. O primeiro ato foi a abertura dos portos. E, por isso, sob o patrocínio de José da Silva Lisboa, Visconde de Cairu, pela chamada Lei de Abertura dos Portos, de 1808, os estuários brasileiros, até então cerrados pela mesquinha e estreita política monopolista da metrópole, abrem-se ao comércio dos povos. Outras leis e alvarás se sucedem como a que determina a criação da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação, para estimular as atividades produtivas da nação que surgia. Sobressai-se, nesses atos de monarquia recém instalada o alvará de 12 de outubro de 1808, que cria o Banco do Brasil, com programas de emissão de bilhetes pagáveis ao portador, operações de descontos, comissões, depósitos pecuniários, saques de fundos por conta de particulares e do Real Erário, para a promoção da indústria nacional pelo giro e combinação de capitais isolados Ibid. 11 REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p Ibid., p

16 16 Após a proclamação da Independência, segundo Requião, foi convocada Assembléia Constituinte e Legislativa de 1823, promulga esta a lei de 20 de outubro, que mandou continuar, no Império, as leis portuguesas vigentes a 25 de abril de Entre tais leis estava a Lei da Boa Razão, surgida em 18 de agosto de 1769, que era subsidiária nas questões mercantis. Deste modo, a legislação comercial brasileira, durante anos, foi a do Código Francês de 1807, o Código Comercial Espanhol de 1829 e, por fim, o de Portugal de O recente Império, insatisfeito com a utilização de legislações estrangeiras, resolveu encarregar o Visconde de Cairu a criar um novo Código Comercial puramente brasileiro. Em 1832, o Príncipe Regente nomeou comissão para este fim, a qual era composta quase integralmente de grandes comerciantes nacionais da época, dentre eles Antônio Paulino Limpo de Abreu, José Antônio Lisboa, Inácio Ratton, Guilherme Midosi, e Lourenço Westin. A comissão presidida por Antônio Paulino Limpo de Abreu e posteriormente por José Clemente Pereira enviou o projeto do Código Comercial Brasileiro à Câmara em Sob forte influência dos Códigos francês, espanhol e português foi promulgada a Lei 556 de 25 de junho de 1850, que estabeleceu o Código Comercial do Império do Brasil. No entanto, apurou-se um problema prático com a dificuldade de estabelecer o conceito de mercancia, pois existiam duas jurisdições: civil e comercial. O juiz deveria verificar a competência para estabelecer se a matéria tratava-se de direito comercial ou não. Com o intuito de solucionar essa problemática, no mesmo ano foi criado o Regulamento 737, que enumerava quais atos eram reconhecidos como mercancia, sendo adotada a teoria objetiva dos atos de comércio. 13 REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. 30. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p Ibid., p ALEJARRA, Luis Eduardo Oliveira. História e evolução do Direito Empresarial. Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3553, 24 mar Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/23971>. Acesso em: 15 ago

17 17 O regulamento foi extinto em 1875, quando, também, foram extintos os Tribunais do Comércio, unificando a jurisdição civil e comercial. Deste modo, o comerciante deixa de ser aquele que pratica atos determinados pela lei e passa a ser aquele que pratica mercancia profissionalmente, faz papel de intermediário entre produtor e consumidor, atividade essa exercida com o intuito de gerar lucros. O Projeto do Código Civil, que tramitava no Congresso Nacional desde 1975, foi sancionado em 10 de janeiro de 2002, originando a Lei de , Código Civil. Em seu Livro II da Parte Especial encontramos o chamado Direito de Empresa, onde está conceituado o que seja empresário. A compilação do Direito Civil com a do Direito Comercial no Código Civil, não fez com que o Direito Comercial deixasse de existir como ramo autônomo do Direito, pois deixou de existir apenas sua autonomia formal, conservando ainda sua didática e autonomia substancial. O atual Código Civil Lei /2002 nos apresenta a unificação formal do direito privado, mediante a fusão do direito civil com o direito comercial, concentra o direito das obrigações, regula os títulos de crédito e traz consigo, em seu Livro II da Parte Especial, disposições a respeito do que chama de Direito de Empresa, onde procura conceituar o que seja empresário, determina sua capacidade, seus direitos e suas obrigações e regula as várias espécies de sociedade. 16 Segundo Marcelo Bertoldi, para melhor compreensão da matéria comercial é preciso conhecer suas principais características, quais sejam, cosmopolitismo, onerosidade, informalismo e fragmentarismo. Podemos observar que a prática comercial entre diferentes povos, fez com que surgissem usos e costumes em comum entre os comerciantes de diferentes regiões, identificando, desta forma, o cosmopolitismo inerente ao comércio, com isso surgindo o cosmopolitismo do direito comercial. 16 BERTOLDI, Marcelo M; RIBEIRO, Márcia Carla Pereira. Curso avançado de direito comercial. 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 36.

18 18 Essa característica do direito comercial era conhecida desde os romanos, que aplicavam aos comerciantes o ius gentium o direito dos estrangeiros. Atualmente, pó conta dessa característica, existem diversos tratados internacionais que procuram uniformizar as práticas comerciais mais usuais. 17 Como exemplo do cosmopolitismo, podemos citar a Convenção de Genebra que criou uma lei uniforme para letra de câmbio e nota promissória, e um tratado entre Brasil e Argentina para empresas binacionais brasileiro argentinas. A onerosidade é presumidamente uma característica da atividade mercantil, pois esta é sua finalidade, visto que o comerciante tem como objetivo a obtenção de lucro para a remuneração e manutenção de seu trabalho. Portanto, a distribuição de brindes torna-se atividade econômica, visto que o comerciante visa a obtenção de lucro posteriormente. O informalismo está presente na atividade mercantil, devido a sua dinamicidade, pois são necessárias formas ágeis para as transações comerciais, diferente dos contratos civis cheios de formalismo. Como exemplo desse informalismo que impregna a vida comercial temo o surgimento dos títulos de crédito, muito mais simples e expeditos que os tradicionais instrumentos contratuais de confissão de dívida, mútuo, cessão de crédito e outros típicos do direito civil. 18 Juntamente com o informalismo existe a boa-fé e a celeridade que também caracterizam as transações comerciais, embora os contratos comerciais sejam dotados de um número reduzido de mecanismos para proteção das partes. Por último o fragmentarismo, pois o direito comercial encontra-se dividido em diversos ramos, com características independentes uma das outras. 17 Ibid., p Ibid., p. 37.

19 19 Como exemplos temos as normas relativas às sociedades comerciais, aquelas relativas à falência e recuperação da empresa, aos títulos de crédito, às obrigações e aos contratos mercantis etc. O direito comercial está longe de contar com um sistema jurídico harmônico e completo, tratando-se, isto sim, da reunião de várias normas jurídicas. 19 O direito comercial não se trata de um sistema jurídico único, mas sim a reunião de várias normas jurídicas de várias espécies. Não há independência absoluta entre os ramos do direito e o direito comercial se relaciona com vários deles. O direito comercial tem uma forte ligação com o direito civil, devido a isso, foram unificados e hoje encontram-se no mesmo código. Correlaciona-se com o direito tributário quando o trato dos livros e da contabilidade comercial e o fato gerador de alguns tributos, segundo Marcelo Bertoldi, tais como a circulação de mercadorias e a prestação de serviços, mediante a intermediação de mão de obra.. 20 O processo civil relaciona-se como apoio no direito comercial nos processos de falência e recuperação de empresa. Assim como o direito penal com relação aos crimes falimentares. Quando se trata de sociedade de economia mista o direito administrativo dá suporte. Tratando-se de do regime da livre concorrência, conta com a interferência do direito constitucional. Portanto, para cada especialidade do direito comercial há uma ligação com outro ramo do direito. Para melhor entendimento a seguir um Quadro Sinótico: Quadro 1 Ligação do direito comercial com outros ramos do direito 19 Ibid., p Ibid., p. 38.

20 20 Fonte: BERTOLDI, Marcelo. Curso avançado de direito comercial. 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p Evolução do Direito do Consumidor O primeiro código que regulou as relações consumeristas que se tem conhecimento é o Código de Hamurabi, que tinha como objetivo regular as transações comerciais da época, sendo este a primeira referência à justiça que se tem conhecimento. No entanto, desde a consolidação da International Organization of Consumers Unions, mais recentemente, Consumers International, organização não governamental, que estabelece diretrizes para uma política de proteção aos consumidores, tem defendido em âmbito internacional, a necessidade de instituir sistematicamente princípios, conceitos e regras especiais nas defesas eficazes e adequadas ao consumidor. Deve-se ressaltar, que esta organização que imprimiu organicidade à matéria na década de 60, têm a participação de cinco países em sua concepção originária: Estados Unidos, Austrália, Holanda, Reino Unido e Bélgica AGUIAR JR, Ideon José. História do Direito do Consumidor. Revista Jurídica, Anápolis, n. 10, p , Jul. Dez. 2004, p. 54.

21 21 No ano de 1962 foi criada, nos Estados Unidos, uma lei inspirada nas idéias do Presidente John F. Kennedy, que resguardou alguns benefícios aos consumidores. Um edito de 1962, inspirado nas idéias do Presidente John F. Kennedy, na época executivo mor dos Estados Unidos, estabeleceu alguns benefícios aos consumidores como o direito à segurança, à informação, à livre escolha e o direito de ser ouvido. 22 Após esse fato ficou consagrado, no dia 15 de março, o Dia Mundial do Consumidor. Sempre houve a necessidade da prevalência da hipossuficiência do consumidor em relação à superioridade econômica do fornecedor, devendo o consumidor ser resguardado juridicamente. A França influenciou alguns códigos com seu moderno regime contratual. Baseado no contato direto entre produtor e comprador, favorecendo na verdade, a proteção do ato negocial. Pontifica uma fase de transição, traçando regras para a intervenção estatal na relação entre consumidor e empresa. Referindo-se entre a ação estatal no campo comercial podemos citar algumas leis, sobre: vendas a prestação; livre distribuição de bens e serviços; repressão a abuso do poder econômico; fraudes no âmbito financeiro; e sancionamento de cláusulas abusivas em contratos de adesão. 23 No Brasil, inicialmente, só existiam legislações que pontuavam alguns campos das relações de consumo: 22 Ibid., p Ibid., p. 56.

22 22 como exemplos relacionamos os seguintes: limitação de juros em contratos (Decreto nº , ); definição de crimes contra a economia popular, sua guarda e seu emprego (Decreto-Lei nº 869, de ); consolidação de infrações sobre crimes contra a economia popular (Decreto-Lei nº 9.840, de ), no âmbito da informática (Lei nº 7.646, de ). 24 Foi instituída a Lei nº de 26 de dezembro de 1951 que propunha alterar dispositivos, vigentes da época, sobre crimes contra a economia popular: Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes e as contravenções contra a economia popular. Esta Lei regulará o seu julgamento. Art. 2º São crimes desta natureza. I - Recusar individualmente em estabelecimento comercial a prestação de serviços essenciais à subsistência; sonegar mercadoria ou recusar vendê-la a quem esteja em condições de comprar a pronto pagamento; II - favorecer ou preferir comprador ou freguês em detrimento de outro, ressalvados os sistemas de entrega ao consumo por intermédio de distribuidores ou revendedores; III - expor à venda ou vender mercadoria ou produto alimentício, cujo fabrico haja desatendido a determinações oficiais, quanto ao peso e composição; 25 Também, como exemplo, a Lei nº , de 9 de novembro de 1977, que regulamentava vendas a prestação: Art. 2º - O valor do acréscimo cobrado nas vendas a prestação, em relação ao preço de venda a vista da mercadoria, não poderá ser superior ao estritamente necessário para a empresa atender às despesas de operação com seu departamento de crédito, adicionada a taxa de custo dos financiamentos das instituições de crédito autorizadas a funcionar no País. 24 Ibid., p BRASIL. Lei 1.521, de 26 de dezembro de Altera dispositivos da legislação vigente sobre crimes contra a economia popular. Câmara dos Deputados. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/ /lei dezembro publicacaooriginal-1-pl.html>. Acesso em 16 out

23 23 Parágrafo único - O limite percentual máximo do valor do acréscimo cobrado nas vendas a prazo, em relação ao preço da venda a vista da mercadoria, será fixado e regulado através de atos do Ministro da Fazenda. 26 No ano de 1984 foi editada a Lei nº , que autorizava os Estados instituírem Juizados de Pequenas Causas, revogada pela Lei nº /95. Em âmbito estadual, foi criado o primeiro Procon Grupo Executivo de Proteção e Orientação ao Consumidor de São Paulo, pela Lei nº de No âmbito federal, em 1985 foi criado o Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, pelo Decreto nº , posteriormente extinto e substituído pela SNDE Secretaria Nacional de Direito Econômico. 27 Passos importantes, no entanto, foram dados a partir de Em foi promulgada a Lei n , disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao consumidor, além de outros bens tutelados, iniciando, dessa forma, a tutela jurisdicional dos interesses difusos em nosso país. 28 Ainda em 1985 foi assinado o Decreto federal nº , posteriormente alterado pelo de nº de 23 de junho de 1987, que criou o CNDC Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, que tinha como objetivo assessorar o Presidente da República no desenvolvimento da política nacional de defesa do consumidor. Tal órgão colegiado veio a ser extinto no início do Governo Collor de Mello e substituído por outro singular, o Departamento Nacional de Proteção e Defesa do Consumidor, subordinado à SNDE, na estrutura do Ministério da Justiça. Ganhou-se em termos de agilidade e de uniformidade de 26 BRASIL. Lei 6.463, de 9 de novembro de Torna obrigatória a declaração de preço total nas vendas a prestação, e dá outras providências. Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ /l6463.htm>. Acesso em: 16 out ALMEIDA, João Batista de. Manual de Direito do Consumidor. São Paulo: Saraiva, 2003, p Ibid., p. 9.

24 24 procedimento em relação à área de defesa econômica; perdeu-se em representatividade no que se refere à participação dos órgãos estaduais e municipais, das entidades privadas de defesa do consumidor e da sociedade civil (Conar, OAB, Confederações do empresário: indústria, agricultura e comércio), que integravam o extinto Conselho. 29 Posteriormente foi criada a Lei nº , em 18 de dezembro de 1987, que dispunha sobre a proteção da propriedade intelectual sobre programas de computador e sua comercialização no País, tendo sido revogada pela Lei nº , de 19 de fevereiro de Em 1987 foi criado o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), que tem como missão promover a defesa do consumidor e a ética nas relações de consumo. Uma das conquistas mais importantes do consumidor foi a inserção de quatro dispositivos sobre o direito do consumidor na Constituição Federal em 5 de outubro de Apenas em 11 de setembro de 1990, com a Lei nº , foi criado o Código de Defesa do Consumidor, após longos debates e vários vetos, sendo baseada no texto da comissão de juristas do CNDC. O consumidor brasileiro foi presenteado com o CDC, embora que para época tenha sido essencial, hoje tem a necessidade de alterações, visto que a cada década o consumidor inova sua modalidade. Percebe-se que com relação ao comércio eletrônico o CDC ainda está atrasado. Posteriormente, no capítulo 4, falaremos do mais recente Decreto nº /13 que regula o comércio eletrônico. 29 Ibid., p. 10.

25 25 3 A INTERNET E O MERCADO ELETRÔNICO Hoje, qualquer pessoa com um dispositivo conectado a um provedor, gratuitamente ou mediante pagamento, tem acesso a Internet e todo seu conteúdo livre. Apesar das proporções atuais dessa tecnologia, nem sempre foi assim, essa imensa rede que hoje atende às diversas necessidades, podendo ser pessoais, àqueles que buscam apenas algum entretenimento, ou profissionais, sendo a base de novo e crescente mercado, o comércio eletrônico. 3.1 Surgimento da Internet Os primórdios do que hoje é a internet tiveram sua necessidade observada no tumultuado contexto da Segunda Guerra Mundial seguida pela Guerra fria. A década de 1960 foi um dos períodos mais conturbados da História. A tensão criada pela Guerra Fria, o conflito ideológico entre Estados Unidos e União Soviética, atingia seu ápice. Nenhum confronto bélico entre ambos ocorreu de verdade, entretanto, a maior arma era provocar medo no inimigo. Desse modo, qualquer triunfo era visto como um passo à frente na disputa pela dominação mundial. A União Soviética, por exemplo, saiu na frente na corrida espacial: lançou em 1957 o primeiro satélite artificial, o Sputnik. Quatro anos depois, Yuri Gagarin era o primeiro ser humano a fazer uma viagem espacial. 30 No mesmo ano em que a União Soviética lança o Sputinik, os Estados Unidos da América, em contrapartida, criam sua agência de pesquisas, a ARPA (Advanced Research Project Agency, ou Agência de Pesquisas em Projetos Avançados) na forma de uma organização científica militar. Dentre os avanços tecnológicos que 30 KLEINA, Nilton. A história da Internet: pré-década de 60 até anos 80. Tecmundo, Curitiba, Disponível em: <http://www.tecmundo.com.br/infografico/9847-a-historia-da-internet-pre-decada-de- 60-ate-anos-80-infografico-.htm>. Acesso em: 05 out

26 26 esta viria a proporcionar, a primeira rede de computadores, embrião do que atualmente temos por internet, a ARPANET (Rede da ARPA). Em 1961 o cientista J.C.R. Licklider, do Instituto Tecnológico de Massachussets (MIT) idealizou algo que nomeou de rede galáctica, uma idéia que na época parecida uma realidade bem distante, mas que em breve começaria a tomar forma e tornar-se possível. Tratava-se de um sistema que interligaria os computadores do mundo todo. É aí que o medo entra novamente na história: temendo um combate em seu território que acabasse com a comunicação e com todo o trabalho desenvolvido até então, cientistas norte-americanos colocam o plano de Licklider em prática com a ARPANET. 31 E sua forma inicial, menos ousada, a ARPANET ligaria apenas algumas universidades e centros de pesquisa: as sedes da Universidade da Califórnia em Los Angeles e Santa Barbara; o Instituto de Pesquisa de Stanford e a Universidade de Utah. ARPANET trabalhava com um modelo de comunicação chamado comutação de pacotes, o qual aperfeiçoava a conexão, de forma resumida através da seguinte técnica: Divide a informação em pedaços, transmite, depois remonta. Isso possibilitou um prenúncio de sucesso ao programador Charles Kline no experimento supervisionado pelo Professor Leonard Kleinrock feito no dia 29 de Outubro de 1969 na Universidade da Califórnia em Los Angeles, o envio da primeira mensagem nesta rede endereçado ao Instituto de Pesquisa de Stanford, há aproximados 650 km, era a palavra LOGIN, entretanto só obteve êxito nas letras L e O. Numa segunda tentativa ainda no mesmo dia, a palavra chegava completa, o que viria a ser o começo de um acelerado avanço, da comunicação a distância entre computadores. A ARPANET não estava mais sozinha na década de 70. NORSA (Norwegian Seismic Array), numa tradução literal, Matrizes Sísmicas da Noruega, localizada 31 Ibde.

27 27 em Kjeller, norte de Oslo, transmitia dados à Centro de Análise de Dados Sísmicos (SDAC) em Virginia através de satélite a uma velocidade de 2.4 kb/s. Em 1972 Representantes da ARPANET foram à Noruega para ver a possibilidade de conectar estas duas redes. Já no ano seguinte, essas redes já se comunicavam. Após a Noruega, Londres também se integrava a esse sistema através da University College of London. A rede crescia de forma acelerada, os Estados Unidos da América contavam nesta década com um número elevado e crescente de servidores conectados, além de o fato de nesse momento a rede já ter alcance intercontinental. Decidiu-se quebrar a ARPANET em dois pedaços: a MILNET que trabalhava apenas com unidades militares; e a ARPANET como os cientistas e pesquisadores de universidades continuavam a desenvolvê-la. Você deve estar se perguntando como estas informações iam de um computador para outro. Ora, basicamente, do mesmo jeito que ela vem e vai atualmente. Via IP ou Protocolo de Internet. Este protocolo é um número que funciona como um endereço. Era preciso apontar para onde disparar a informação e esperar que ela chegasse. 32 A rede de caráter científica se encarregou de aprimorar-se apresentando e implementando projetos de melhorias por meio de alunos, professores, pesquisadores e os demais entusiastas dessa tecnologia da época, esse segmento em 1974 transformou-se na INTERNET e cresceu até tomar a atual proporção. Como você já pode imaginar, o braço livre dos primórdios da Internet, a ARPANET (depois da divisão) caminhou livre a partir dos esforços de cientistas, pesquisadores, alunos, amigos de alunos e qualquer um que se apaixonasse pela nova tecnologia. Entretanto, ao final da década de 1980, mais especificamente no ano de 1989, Tim Berners-Lee, cientista do Conseil Européen pour La Recherche Nucléaire (em português, Conselho Europeu de Pesquisas Nucleares), cria uma nova forma de ver a ARPANET que acabou revolucionando completamente este meio. A invenção de Berners-Lee nada mais foi do que o WWW, ou seja, World Wide Web. 32 BARWINSKI, Luísa. A World Wide Web completa 20 anos, conheça como ela surgiu. Tecmundo, Curitiba, Disponível em: < >. Acesso em: 05 out

28 28 Com as invenções de Berners-Lee e várias evoluções e melhorias nestes protocolos e códigos chegamos à Internet como a conhecemos. 33 Dentre os responsáveis pelas melhorias dessa nova forma de ver a ARPANET, destaca-se o cientista Tim Berners-Lee, responsável pela invenção do WWW em 1989, formato pelo qual conhecemos internet hoje. Seu modelo permitiu a unificação das bases de informações. Funciona baseado no hypertexto, modelo no qual a leitura não precisava mais ser linear, isto é, não há a necessidade de ler o conteúdo por completo, mas no meio dele navegar entre links que levam a outras páginas Internet no Brasil Embora que a primeira comunicação em rede tivesse se dado na década de 60 nos Estados Unidos da América, o Brasil começou a ter acesso, ainda de forma muito simplória, apenas na década de 80. Compreende-se o fato de os norte-americanos estarem à vanguarda da tecnologia também para fins de demonstração de poderio à União Soviética, por ser a principal potência do bloco capitalista, mas nada que justifique duas décadas de atraso por parte dos brasileiros sobre os Estados Unidos da América, pois muitos outros países que não estavam tão à frente desse conflito já dispunham dessa tecnologia, sobretudo com a finalidade científica. O que possibilitou a chegada da internet ao Brasil foi outra predecessora da rede: a Bitnet, uma rede de universidades fundada em 1981 e que ligava Universidade da Cidade de Nova York (CUNY) à Universidade Yale, em Connecticut. Em solo brasileiro, a Bitnet conectava a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) ao Fermilab, laboratório de física 33 Ibid.

29 29 especializado no estudo de partículas atômicas, que ficava em Illinois, nos Estados Unidos. 34 Na época, o Brasil ainda estava bem distante das modernas tecnologias como os cabos de fibra ótica que nos dias atuais transmitem informações a incríveis velocidades. Falamos de rudimentares fios de cobre dentro de cabos submarinos que nos ligava a rede, mas para quem até então se demonstrava praticamente ausente desse processo de evolução das redes. A Fermilab era a única a ter um meio de tráfego de dados para o exterior através dessa rede, embora já estudasse novas tecnologias. Na década de noventa ocorre solidificação da Internet no Brasil. Em 1990 o governo brasileiro já se demonstrava bem interessado na tecnologia que chegava como novidade na época para nós, o Ministério da Ciência e Tecnologia cria a Rede Nacional de Pesquisas com o intuito de implantar a infra-estrutura necessária para que a internet tivesse passasse a ter abrangência nacional. No início da década de noventa, a ONU lançou o programa da Agenda-21, um plano de ação de uma tentativa abrangente de se orientar para um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI que se aproximava, e cujo alicerce era a sinergia entre a sustentabilidade ambiental, social e econômica. A Agenda-21 foi construída de forma consensuada, com a contribuição de governos e instituições da sociedade civil de 179 países, em um processo que durou dois anos e culminou com a realização da United Nations Conference for Environment and Development (UNCED), a conferência sobre meio-ambiente e desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro, em junho 1992, e ficou conhecida com os nomes de Rio-92 ou Eco-92. [...] Para que o evento atingisse seus objetivos científicos e políticos, era necessária a troca de informações com o exterior e a Internet era vista como o melhor meio de realizá-la ARRUDA, Felipe. A 20 anos de internet no Brasil: aonde chegamos?. Tecmundo, São Paulo, Disponível em: <http://www.tecmundo.com.br/internet/ anos-de-internet-no-brasilaonde-chegamos-.htm>. Acesso em: 10 out CARVALHO, Marcelo Sávio Revoredo Menezes de. A Trajetória da Internet No Brasil: Do Surgimento das Redes de Computadores à Instituição dos Mecanismos de Governança. Tese (Mestrado em Ciência de Engenharia e Sistemas de Computação). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006, p Disponível em: <http://teses.ufrj.br/coppe_m/marcelosaviorevoredomenezesdecarvalho.pdf >. Acesso em: 15 out

30 30 Cumprida a exigências da ONU, com o fim do evento, o Brasil já demonstrava estar num cenário completamente diferente, para melhor, quanto ao acesso à rede. Ainda em 1992, catorze capitais e Brasília estavam conectadas à internet. Em 1994, a internet finalmente sai do nicho acadêmico e passa a ser comercializada para o público em geral. No Brasil, a EMBRATEL lança o Serviço Internet Comercial, em caráter experimental e com conexão internacional de 256 Kbps. Cinco mil usuários foram escolhidos para testar o serviço. Em maio de 1995 o serviço começou a funcionar de forma definitiva e, para evitar o monopólio estatal da internet no Brasil, o Ministério das Comunicações tornou pública a sua posição a favor da exploração comercial da rede mundial no país. 36 Interessante mencionar que, embora o Brasil tenha começado a acessar a rede bem tardiamente em relação aos outros países do mundos, segundo pesquisa publicada no site do IBOPE 37, em dezembro de 2012 o Brasil ocupava a terceira posição na lista dos país com o mais usuários ativos na internet, e primeiro lugar se considerado o tempo de acesso. 3.2 O Comércio Eletrônico A internet é, hoje, umas das ferramentas mais poderosas no desenvolvimento da atividade comercial. O comércio eletrônico é uma tecnologia com o intuito de facilitar transações de bens e serviços. O e-commerce, ou seja, comércio eletrônico, não pode ser identificado apenas como empresas que operam na Internet, chama- 36 ARRUDA, Felipe. A 20 anos de internet no Brasil: aonde chegamos?. Tecmundo, São Paulo, Disponível em: <http://www.tecmundo.com.br/internet/ anos-de-internet-no-brasilaonde-chegamos-.htm>. Acesso em: 10 out BRASIL é o terceiro país em número de usuários ativos na internet. IBOPE, postado em 19 fev Disponível em: <http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/paginas/brasil-e-o-terceiro-pais-emnumero-de-usuarios-ativos-na-internet.aspx>. Acesso em 10 out

31 31 las pontocom 38, pois há espaço para todo tipo de expansão de negócios no mundo virtual, seja, também, para publicidade ou para a complementação de transações comerciais. Surgiram, nos Estados Unidos, as primeiras empresas que eram voltadas ao comércio eletrônico, com um avanço significativo na metade da década de Como exemplo, podemos citar a Amazon.com, a princípio desenvolvedora de uma livraria virtual norte-americana, acessível à clientes de todo o mundo através da Internet. Com o grande sucesso experimentado pela Amazon.com, várias empresas saíram em busca desse novo mercado virtual. Apesar dos investimentos, a maioria das empresas não sobreviveu por muito tempo. Houve uma onda de falências que culminou com a grande queda do índice da bolsa de Nasdaq, em abril de Entre as pontocom que foram à falência, podemos citar, como exemplo, a Toys.com, que comercializava brinquedos nos mesmo moldes da Amazon.com. 39 O comércio eletrônico não se restringe apenas ao comércio realizado na Internet, mas, também, em mídias eletrônicas. Como, por exemplo, a compra e venda de mercadorias por meio de um sistema de crédito implementado com o telefone celular, ou a utilização de cartões com chips de pagamento acoplados a computadores, ou mesmo por meio da televisão. 40 A modalidade digital facilitou a distribuição de bens e serviços como música, softwares, livros digitais, jogos on-line, tornando-se um meio barato e permitindo 38 ROHRMANN, Carlos Alberto. Curso de Direito Virtual. Belo Horizonte: Del Rey, 2005, p Ibid., p Ibid., p. 50.

32 32 retornos em grande escala, na medida em que, em alguns desses casos, o custo de reprodução é baixo. Surge, para as empresas, uma facilidade em atuar no mercado global, onde praticamente não se encontra impedimentos legais, tributários e alfandegários, pois existe, ainda, uma dificuldade no rastreamento de produtos virtuais. O desenvolvimento do comércio eletrônico vem quebrando barreiras geográficas, bem como se tornou um grande transformador no sistema econômico mundial, pois consegue ultrapassar barreiras monetárias e comerciais internacionais, sendo seu desenvolvimento impulsionado pela globalização que exige meios rápidos e eficientes para a promoção de comunicações em multimídia. Podemos citar três grandes grupos de transações do comércio eletrônico segundo Carlos Alberto Rohrmann: As que envolvem consumidores finais (transações também conhecidas como business to consumer transactions B2C); as transações entre empresas naquilo que se convencionou chamar de business to business transactions (B2B) e transações financeiras de valores mobiliários; nelas não só incluídas as operações bancárias como também aplicações em fundos de investimentos, compra de ações de companhias abertas e de outros tipos de títulos, pela Internet e de outros meios eletrônicos, como as redes privadas. 41 As transações financeiras do terceiro grande grupo podem ser exemplificadas nos casos de compra e venda de bens móveis por meios eletrônicos, como por exemplo, o pagamento sendo feito por meio de transferência bancária. Apesar de o terceiro grupo ter ligação com as transações realizadas nos grupos B2C e B2B, este se encontra separado em virtude da grande quantidade de legislação específica que rege os títulos de crédito. Nas transações do primeiro grande grupo do comércio eletrônico, envolvendo o consumidor final (B2C), é dividido em três grandes subgrupos, de acordo com Carlos Alberto Rohrmann: bens inatingíveis (ou incorpóreos) que trafegam pela rede, 41 Ibid., p. 50

33 33 serviços prestados on-line e bens tangíveis comercializados pela rede e que requerem entrega off-line, fora do espaço virtual. 42 No primeiro subgrupo, dos bens inatingíveis, a entrega é feita virtualmente, através de Download, ou seja, quando é baixado algum arquivo da Internet. Como exemplo podemos citar o MP3. Já no segundo subgrupo, trata-se de serviços prestados diretamente ao consumidor final. Um exemplo desse serviço é a busca on-line de sites e artigos, o que é, normalmente, gratuito, mas pode tratar-se de que um serviço pago, como a busca de alguém específico na Internet. O terceiro subgrupo trata-se de bens corpóreos. São feitas negociações online, mas a entrega é feita fora da rede virtual, bem como os serviços que são negociados no mundo virtual, mas que são prestados fora dele. São exemplos os CD`s, veículos, agências de viagens, perfumaria etc. Nas transações entre empresas, business to business (B2B), do segundo grande grupo, não há participação do consumidor. São transações, no meio virtual, que envolvem contratos entre empresas dentro de sua atividade. As transações de B2B são, normalmente, não só a compra e venda dos produtos das empresas, como também a busca de novos parceiros. Como novos fornecedores. É o caso de empresas que compram determinado insumo pela sua pagina na Internet, deixando uma oferta permanente de aquisição por preço predeterminado. 43 São prestações de serviços B2B, as empresas que fabricam programas de computador encomendados por outras empresas. Por fim, o terceiro e grande grupo trata-se de transações financeiras e bancárias on-line. Podemos observar a importância desse grupo com o crescente crescimento de transações financeiras, no meio virtual, realizadas no Brasil. Este 42 Ibid., p Ibid., p. 55

34 34 encontra-se em separado devido a sua regulamentação específica do Banco Central. O comércio eletrônico está intrinsecamente ligado à globalização econômica, pois este diminui as limitações geográficas, tempo e custo das transações. Com a Internet, é possível alcançar todos os meios de produção em quase todas as suas etapas: produção, comercialização e distribuição. Com essa evolução, os países menos desenvolvidos têm a possibilidade de ascensão no mercado comercial. No Brasil, a Internet tornou-se popular na metade dos anos 90 e apesar das desigualdades sociais e do atraso de infra-estrutura das telecomunicações, hoje o país tem um grande número de pessoas que utilizam a Internet, seja em locais que oferecem serviços de acesso à Internet, seja em suas próprias residências, em virtude da facilidade na compra de computadores. Com a facilidade de acesso, o crescimento do comércio eletrônico e o grande atrativo das lojas que oferecem bens e serviços on-line, vieram também a insegurança dos consumidores com relação aos sites e a incerteza do cumprimento do negócio. Ocorre que esta nova forma de contratação trouxe diversos questionamentos acerca da proteção do consumidor nos contratos eletrônicos, especialmente quanto à aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90) e a vulnerabilidade do consumidor, uma vez que este nem sempre está consumindo de forma segura e confiável. 44 O rápido avanço do comércio on-line colocou o consumidor em desvantagem, pois a falta de legislação específica dificulta a possibilidade de o consumidor pleitear seus direitos junto ao Poder Judiciário, no que tange ao comércio eletrônico. 44 SILVA, Karine Behrens da. Proteção do consumidor no comércio eletrônico. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2814, 16 mar Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/18701>. Acesso em: 24 out

35 Vulnerabilidade do Consumidor no Comércio Eletrônico Com o crescente número de transações de consumo realizadas pela Internet, há uma preocupação com as partes envolvidas, principalmente o consumidor, pois este é a parte mais vulnerável, de acordo com o art. 4º, I do Código de Defesa do Consumidor, reconhecido pela Constituição Federal, em seu art. 5º, XXXII. A vulnerabilidade do consumidor é absoluta, ou seja, independe de classe social que pertença. Para melhor entendimento dos tipos de vulnerabilidades será usada, resumidamente, a divisão de Paulo Valério Dal Pai Morais 45, qual seja, técnica, jurídica, política ou legislativa, biológica ou psíquica, ambiental, econômica e social. A vulnerabilidade técnica versa sobre a falta de conhecimentos específicos do consumidor sobre o produto ou serviço adquirido, não conseguindo visualizar quando o produto apresenta defeito ou vício, ficando, desta forma, vulnerável. A vulnerabilidade jurídica é sobre a dificuldade que o consumidor encontra em conseguir lutar pelos seus direitos na esfera administrativa ou judicial. Com relação à vulnerabilidade política ou legislativa, acredita-se que decorra da falta de organização por parte dos consumidores. Os fornecedores, por outro lado, possuem uma associação de grande peso e importância. Na vulnerabilidade psíquica ou biológica, o consumidor é influenciado por vários estímulos sensoriais, ao ver, tocar, cheirar ou até mesmo ouvir. Nesse caso a vulnerabilidade do consumidor eletrônico é ainda maior por não possuir tais mecanismos. A vulnerabilidade econômica e social decorre sobre a diferença de forças entre o consumidor e o fornecedor. Sendo o fornecedor o pólo mais forte, com condições de impor sua vontade através de vários mecanismos. 45 MORAIS, 1999 apud BRITO, Alírio Maciel Lima de; DUARTE, Haroldo Augusto da Silva Teixeira. O princípio da vulnerabilidade e a defesa do consumidor no direito brasileiro: origem e conseqüências nas regras regulamentadoras dos contratos e da publicidade. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1109, 15 jul Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/8648>. Acesso em: 20 out

36 36 Por fim, a vulnerabilidade ambiental versa sobre o consumo exacerbado e a utilização crescente de recursos naturais para suprir as necessidades da sociedade consumerista. Em tempos em que as transações comerciais são feitas no mundo virtual, passa-se a ser questionada a segurança, visto que em outros tempos o negócio só era fechado na presença física do fornecedor e consumidor, onde era possível a visualização, conferência e entrega do produto no ato da compra. O distanciamento entre fornecedor e comprador gera desconfiança. Confiança é chave para o desenvolvimento do comércio eletrônico. Para se firmar como alternativa de consumo, ele deve inspirar credibilidade. Muitos ainda desconfiam da compra virtual. Temem informar o número do cartão de crédito e vê-lo clonado (embora não se incomodem de entregar o mesmo cartão para o garçom em qualquer boteco ou para o frentista, em qualquer posto de abastecimento); receiam por sua privacidade (malgrado não consigam dizer claramente onde está o risco); intimidam-se com o excesso de tecnologia (e mal percebem, de pronto, as facilidades que ela proporciona). 46 O princípio da confiança, apesar de não estar no nosso ordenamento jurídico, decorre do princípio da boa fé e transparência, versa sobre a credibilidade que o consumidor deposita no fornecedor. O consumidor, apesar de possuir algum tipo de conhecimento técnico, encontra-se em desvantagem nas compras realizadas no comércio eletrônico. Inicialmente mister destacar a vulnerabilidade do consumidor quando se utiliza do meio eletrônico. Em outras palavras, o meio eletrônico, automatizado e telemático, em si, usado profissionalmente pelos fornecedores para ali oferecerem os seus produtos e serviços aos consumidores, representa aos consumidores leigos, um desafio extra ou 46 COELHO, Fábio Ulhoa. Direitos do Consumidor no Comércio Eletrônico. Fábio Ulhoa Coelho. São Paulo, Disponível em: <http://www.ulhoacoelho.com.br/site/pt/artigos/doutrina/54-direitos-doconsumidor-no-comercio-eletronico.html>. Acesso em: 19 out

37 37 vulnerabilidade técnica. O consumidor não é mesmo que se considere um especialista ou técnico em computadores e na Internet. 47 Com o grande crescimento do uso da internet para efetuar compras on-line, acredita-se que, além do consumidor ser a parte vulnerável, também é hipossuficiente. Segundo Claudia Lima Marques o consumidor do comércio eletrônico é mais vulnerável: A importante pergunta que se coloca é se este meio eletrônico realmente aumentou o poder decisório do consumidor/cibernauta. A resposta é novamente pós-moderna, dúbia (claroscuro, em espanhol), porque a Internet traz uma aparência de liberdade, com o fim das discriminações que conhecemos (de cor, sexo, religião etc) e o fim dos limites do mundo real (fronteiras, línguas diferentes, riscos de viagens etc), mas a vulnerabilidade do consumidor aumenta. Como usuário da net, sua capacidade de controle fica diminuída, é guiado por links e conexões, em transações ambiguamente coordenadas, recebe as informações que desejam lhe fornecer, tem poucas possibilidades de identificar simulações e jogos, de proteger sua privacidade e autoria, de impor sua linguagem. Se tem uma ampla capacidade de escolher, sua informação é reduzida (extremo déficit informacional), a complexidade das transações aumenta, sua privacidade diminui, sua segurança e confiança parecem desintegrarem-se em uma ambigüidade básica: pseudo-soberania do indivíduo/sofisticação do controle! 48 Fábio Ulhoa Coelho discorda da autora acima citada, segundo ele o consumidor é vulnerável da mesma forma, pessoal ou virtualmente, podendo, no caso da compra virtual ser até menor. 47 MARQUES, 2004 apud SILVA, Karine Behrens da. Proteção do consumidor no comércio eletrônico. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2814, 16 mar Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/18701>. Acesso em: 19 out MARQUES, 2004 apud COELHO, Fábio Ulhoa. Direitos do Consumidor no Comércio Eletrônico. Fábio Ulhoa Coelho. São Paulo, Disponível em: <http://www.ulhoacoelho.com.br/site/pt/artigos/doutrina/54-direitos-do-consumidor-no-comercioeletronico.html>. Acesso em: 19 out

38 38 Não concordo com esse enfoque. A vulnerabilidade do consumidor, no comércio eletrônico, é a mesma a que se expõe no físico; e, em alguns casos, é até menor. Compare a situação do consumidor interessado apenas em se informar sobre determinado produto para ponderar se lhe convém a compra. Ao pedir informações na loja, será certamente atendido pelo vendedor, que, ao responder às dúvidas, se esforçará para convencê-lo a adquirir o produto. Para o vendedor comissionado, premido pela necessidade de produzir, quanto menos tempo for gasto com cada consumidor, melhor. Sua tendência será a de apressar a decisão de compra. 49 Apesar do entendimento de Fábio Ulhoa Coelho, o crescente número de direitos do consumidor sendo violados no mercado eletrônico indica o oposto. Para o vendedor comissionado, premido pela necessidade de produzir, quanto menos tempo for gasto com cada consumidor, melhor. Sua tendência será a de apressar a decisão de compra. [...] A exposição do consumidor a constrangimentos é visivelmente maior no comércio físico do que no eletrônico. Sua vulnerabilidade, nesse sentido, tende a ser um tanto menor neste último ambiente de consumo. 50 Nesse aspecto a hipossuficiência do consumidor também fica evidente, pois o fornecedor, pólo mais forte da relação, tem todas as informações necessárias e que deveriam ser repassadas ao consumidor, sendo esse um direito básico tipificado no Capítulo III, Dos Direitos Básicos do Consumidor, art. 6 do Código de Defesa do Consumidor. O fornecedor que não proporcionar todas as informações pertinentes ao produto oferecido ao consumidor, ou seja, características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, está infringido o CDC em seu Capítulo V, Seção II Da Oferta, art COELHO, Fábio Ulhoa. Direitos do Consumidor no Comércio Eletrônico. Fábio Ulhoa Coelho. São Paulo, Disponível em: <http://www.ulhoacoelho.com.br/site/pt/artigos/doutrina/54-direitos-doconsumidor-no-comercio-eletronico.html>. Acesso em: 19 out Ibid.

39 Perfil do Consumidor Brasileiro nas Compras pela Internet O brasileiro tem tornado o mercado do comércio eletrônico cada vez mais atrativo. Comprar pela internet deixa de ser uma sofisticação inerente apenas às classes A e B. Sobre a classe C, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República faz a seguinte afirmação: Hoje, colecionam sapatos, têm acesso à tecnologia e frequentam faculdades. Tudo isso graças a mudanças profundas na economia brasileira que elevaram a renda dos brasileiros.. 51 É inegável que o normal é que comprar pra internet requeira certa familiaridade com a rede, e esta se encontra cada vez mais presente na casa dos brasileiros. Com renda maior, emprego formal e acesso fácil ao crédito, os brasileiros mais pobres ganham espaço no mundo digitai Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, divulgados pelo IBGE, mostram que, em seis anos, o número de internautas cresceu mais na população com renda domiciliar per capita de até um salário mínimo e nos Estados do Norte e Nordeste. Houve uma explosão de novos internautas também entre os alunos da rede pública. [...] Os usuários de baixa renda passaram de 10,2 milhões em 2005 para 29,4 milhões em Segundo pesquisa disponibilizada no portal E-Commerce Brasil 53 93% dos entrevistados que se encontravam nas classes econômicas C/D/E realizam compras pela internet, ao passo que nas classes A/B esse número cai sutilmente para 90% CURIOSIDADES sobre a Nova Classe Média. Secretaria de Assuntos Estratégicos. Disponível em: <http://www.sae.gov.br/novaclassemedia/?page_id=58>. Acesso em: 6. out LEAL, Luciana Nunes. Internet cresce mais na baixa renda. Estadão, São Paulo, mai Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,internet-cresce-mais-na-baixa-renda-, ,0.htm>. Acesso em: 6 out PESQUISA traça perfil do e-consumidor brasileiro. E-Commerce Brasil, maio de Disponível em: <https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/pesquisa-traca-perfil-do-e-consumidor-brasileiro>. Acesso em: 6 out

40 40 É promissor para esse mercado o interesse dessas classes que não estão no topo do poder aquisitivo, sobretudo a classe C, aquela que concentra o maior número de brasileiros: Quadro 2 Comparação de Classes Sociais de 2005 e 2011 Fonte: Pesquisa Cetelem BGN IPSOS Disponível em: <http://www.cetelem.com.br/portal/elementos/pdf/pdf_observador2012_br.zip> Em apenas seis anos, pôde-se observar uma reconfiguração do cenário econômico brasileiro. Esse progresso tem sido favorável ao mercado em questão, pois brasileiros que se encontravam em condições de pobreza e extrema pobreza, passaram a uma condição mais favorável, onde podem ter melhor acesso à informação. Na última década, o perfil socioeconômico do país mudou e muito. A principal novidade foi o fortalecimento da classe C, composta por famílias que têm uma renda mensal domiciliar total (somando todas as fontes) entre R$ 1.064,00 e R$ 4.561,00. [...] Os números indicam que ocorreu uma considerável mobilidade social nos últimos anos: entre 2004 e 2010, 32 milhões de pessoas ascenderam à categoria de classes médias (A, B e C) e 19,3 milhões saíram da pobreza.

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