GOIÂNIA, / / PROFESSOR: Daniel. ALUNO(a): Data da prova: 08/05/15.

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1 GOIÂNIA, / / 2015 PROFESSOR: Daniel DISCIPLINA: Literatura SÉRIE: 3 ano ALUNO(a): Data da prova: 08/05/15. No Anhanguera você é + Enem LISTA DE EXERCÍCIOS P1 2 BIMESTRE Análise de textos de autores da primeira geração modernista ( ) Texto 1 - Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira Vamos ler um dos mais conhecidos poemas de Manuel Bandeira. A respeito desse texto, informa o próprio poeta: "Esse nome de Pasárgada, que significava campo dos persas, ou tesouro dos persas, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias... Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito na minha vida por motivo da doença,saltou-me súbito do subconsciente um grito estapafúrdio: Vou-me embora pra Pasárgada. Senti (...) a primeira célula de um poema." Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente

2 Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d`água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcaloide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar

3 Lá sou amigo do rei Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. 01. Levando em conta a informação que precede o poema e a biografia de Bandeira, qual é o significado de Pasárgada para o eu-lírico? 02. Em que outro momento da literatura brasileira já havia aparecido esse tipo de evasão (fuga) da realidade? Comente. 03. Identifique os espaços indicados pelos advérbios lá e aqui. 04. Na terceira estrofe são enumeradas ações bastante corriqueiras. Por que elas assumem tanta importância para o poeta? 05. Em Pasárgada, predominam as satisfações materiais ou espirituais? Por quê? 06. "Lá sou amigo do rei". Como você interpreta essa afirmação do eu-lírico? 07. A simples leitura do texto já nos convence de que se trata de um poema filiado ao Modernismo, já que apresenta características como: a) predomínio do vago, do etéreo, do indizível b) absoluta precisão formal c) figura da mulher idealizada e fuga de um lugar distante e edênico d) tom coloquial, sem rima, em que não está presente a pontuação tradicional e) busca do bucólico, do campestre, do fantástico 08.Pasárgada, cidade lendária da antiga Pérsia, no poema indica outro espaço e outro tempo. No texto, há uma oposição entre um aqui e um lá; entre um agora e um então. Essa oposição recebe o nome de : a) silepse b) antítese c) pleonasmo d) sinestesia e) polissíndeto 09. Nesta estrofe, o poeta, devidamente refugiado no mágico Éden imaginário, projeta uma série de ações insignificantes que compõem o cotidiano de um menino sadio. É o retorno psicológico à infância - marca de um tempo feliz e de liberdade. A estrofe começa assim: a) "Vou-me embora pra Pasárgada

4 Lá sou amigo do rei" b) "Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz" c) "E como farei ginástica Andarei de bicicleta" d) "Em Pasárgada tem tudo É outra civilização" e) "E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito" 10. Inconformado com o real concreto, o poeta enumera um conjunto de vantagens que este mundo fantástico oferece: sexo livre, uma nova percepção do tempo e do espaço, uma nova permeabilidade para uma revisão do mundo material. A estrofe começa assim: a) "Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei" b) "Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz" c) "E como farei ginástica Andarei de bicicleta" d) "Em Pasárgada tem tudo É outra civilização" e) "E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito" Texto 2 Macunaíma - Mário de Andrade O texto seguinte foi extraído de Macunaíma, a obra mais conhecida de Mário de Andrade, que foi classificada como rapsódia e não como romance. Nas rapsódias, utilizam-se elementos extraídos de cantos populares tradicionais. Além dos cantos, Mário vale-se de lendas, provérbios da cultura sulamericana, reunidos em torno da personagem central - Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. A narrativa é bastante simples: Macunaíma ganha de Ci - sua mulher - um amuleto: a pedra muiraquitã, que ele acaba perdendo. Esse amuleto reaparece nas mãos de Venceslau Pietro Pietra, mascate peruano que mora em São Paulo e que é Piaimã, o gigante comedor de gente. Acompanhado de seus irmãos Jiguê e Maanape, Macunaíma parte para São Paulo para recuperar seu amuleto.

5 Depois de inúmeras peripécias, mata Piaimã e consegue sua pedra, perdendo-a logo em seguida. Perseguido pelo minhocão Oibê, Macunaíma percorre todo o Brasil e volta para o Amazonas. Um dia, triste e solitário, resolve subir ao céu, transformando-se na constelação de Ursa Maior. O trecho que vamos ler é o início da obra. Macunaíma No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo o Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma. Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava: Ai! que preguiça!... e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força de homem. O divertimento dele era decepar cabeça de saúva. Vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém. E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. Passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz-que habitando a água-doce por lá. No mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha, Macunaíma punha a mão nas graças dela, cunhatã se afastava. Nos machos guspia na cara. Porém respeitava os velhos e freqüentava com aplicação a murua a poracê o torê o bacorocô a cucuicogue, todas essas danças religiosas da tribo. 11. Macunaíma é um índio negro. No capítulo V, ele fica branco. Considerando esses fatos, o que essa personagem pode simbolizar? 12. "(...) herói de nossa gente", Macunaíma apresenta características típicas de um herói? Por quê? Identifique o traço de caráter de Macunaíma correspondente a cada uma das frases reproduzidas do texto. Utilize substantivos abstratos nas suas respostas. 13. "O divertimento dele era decepar cabeça de saúva." 14. "Vivia deitado(...)" 15. "(...) mas si punha os olhos em dinheiro, Macunaíma dandava pra ganhar vintém." 16. "E também espertava quando a família ia tomar banho no rio, todos juntos e nus." 17. A norma culta da língua é regida pelas regras gramaticais. A fala cotidiana comete inúmeras "infrações" à norma culta. Indique no texto exemplos que mostram a incorporação dessas infrações, pelo autor. 18. Qual foi o objetivo de Mário de Andrade ao escrever propositalmente "errado"?

6 19. Outros personagens de nossa literatura podem ser considerados, tanto quanto Macunaíma, como "anti-heróis", por seu caráter "malandro". Entre os citados abaixo, qual você classificaria assim? a) Iracema (Iracema, de José de Alencar ) b) Fernando Seixas (Senhora, de José de Alencar) c) Leonardo ( Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida ) d) Peri ( O Guarani, de José de Alencar ) Os poemas que seguem, de Oswald de Andrade, apresentam características importantes do Modernismo, que se fortalece a partir da Semana de Arte Moderna: Pronominais Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro 20. Quanto à linguagem e à rima, qual é a diferença entre esse poema e os poemas parnasianos? 21. Qual é a principal crítica do autor? A quem se dirige essa crítica? 22. De acordo com a gramática normativa, qual é o erro da frase "Me dá um cigarro"? 23. Como você interpreta as expressões "o bom negro" e "o bom branco"? 24. A partir de poemas como esse, o que a primeira geração modernista propunha como mudança para a literatura em nosso país? Erro de português Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva

7 Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português 25. A que fato histórico se refere o poema? 26. O que significam as expressões "vestir o índio" e "despir o português"? 27. As palavras português e pena são ambíguas. Explique. 28. Identifique uma das principais reivindicações dos modernistas, que aparece enfatizada no texto que segue: "O literato nunca chamava a coisa pelo nome. Nunca. Arranjava um meio de se exprimir indiretamente. (...) Abusando. Ninguém morria: partia para os páramos ignotos. Mulher não era mulher. Qual o quê. Era flor, passarinho, anjo da guarda, doçura desta vida, bálsamo de bondade, fada, o diabo. Mulher é que não." Alcântara Machado 29. Que período literário é evidentemente ironizado nesse trecho? Justifique. 30. Cada um dos trechos abaixo apresenta aspectos da primeira geração do Modernismo. Identifiqueos. a) "Há poesia Na dor Na flor No beija-flor No elevador" (Oswald de Andrade) b) "Eu insulto o burguês! O burguês-níquel, o burguês-burguês! A digestão bem feita de São Paulo!" (Mário de Andrade) c) "João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia Num barracão sem número

8 Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado." (Manuel Bandeira) d) "Brasil... Mastigado na gostosura quente do amendoim... Falado numa língua curumim De palavras incertas num remeleixo melado melancólico..." (Mário de Andrade) e) "Café com pão Café com pão Café com pão Virge Maria que foi isto maquinista?" (Manuel Bandeira) 31. A primeira geração modernista ficou conhecida como "heróica" ou "de destruição". O que justifica esses termos? 32. O Modernismo foi o movimento mais revolucionário da história da literatura brasileira. Em linhas gerais, o que permaneceu desse período até os dias de hoje? Como esses autores mudaram definitivamente os rumos de nossa cultura?

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