UFPR receberia cerca de 500 milhões para aderir ao REUNI

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1 nº 6 Novembro de 2011 Campus Palotina sofre com a falta de infraestrutura O campus de Palotina da Uni- construir m2, até o final de devido aos recursos versidade Federal do Paraná foi 2011, e reformar mais 3.480m2. que ainda não che- criado em 1993, na cidade de Pa- Além de garantir os recursos para garam. Nesta edição lotina, a 600 km de Curitiba. Em equipar essa nova área construída, especial vocês pode- 2008, aderiu ao Programa de Apoio também se comprometeu a contra- rão conferir as con- a Planos de Reestruturação e Ex- tar docentes e servidores técnico- dições precárias que pansão das Universidades Federais -administrativos suficientes para a hoje os docentes do (Reuni) que propunha a criação de implementação dos novos cursos. campus Palotina estão cinco novos cursos, passando de Hoje, estudantes, docentes e submetidos. Entre os 300 alunos para 2200 alunos até o técnicos sofrem diversos proble- problemas estão carga final de mas em relação a falta de estru- horária elevada, laboratórios nos plina por falta de equipamentos bá- Em troca, a Instituição deveria tura física, material e de pessoal, banheiros, cancelamento de disci- sicos, entre outros. UFPR receberia cerca de 500 milhões para aderir ao REUNI O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), é um projeto do governo federal criado pelo decreto presidencial 6.096, em 24 de abril de 2007, que visa ampliar o acesso e a permanência na educação superior. A Universidade Federal do Paraná aderiu ao programa em 2008, o que garantiu a inclusão da instituição em sua primeira fase. O REUNI incluiu metas de crescimento, tanto na graduação quanto na pós-graduação, a serem atingidas em um prazo de cinco anos. Pelo proposto, a universidade receberia R$ 59,1 milhões de investimentos para edificações, infraestrutura e equipamentos; R$ 189,7 milhões em orçamentos de custeio para bolsas de estudantes, contratações de professores, técnicos administrativos e custeio básico; e R$ 248,5 milhões de recursos totais para a UFPR entre 2008 e GRADUAÇÃO 37% REUNI UFPR 21 novos CURSOS 19 graduações com vagas aumentadas 1548 novas vagas PROMESSAS 235 DOCENTE 396 técnicos Pós-Graduação 1512 novas vagas 24 novos CURSOS m2 Novas construções m2 Reformas

2 Palotina é a maior expressão do REUNI na UFPR Cerca de 30% das vagas de graduação que correspondem ao programa de expansão da Universidade Federal do Paraná foram alocadas em Palotina. Antes de 2008, o campus contava apenas com o curso de Medicina Veterinária, que totalizava cerca de 300 alunos. Para a implantação do programa 20 novas vagas foram acrescentadas no curso de Medicina Veterinária e cinco novos cursos foram criados entre 2009 e Uma comissão foi estabelecida em 2008 pela UFPR para formular um projeto de expansão da Instituição. Neste projeto a equipe técnica traçou que, para receber os 1660 novos alunos o que acontecerá até 2015 quando os novos cursos chegarem a sua maturidade - o Campus Palotina necessita construir edificações que totalizariam m 2 e reformar outros 3.480m 2. Para o diretor do Campus Palotina, Vinícius Cunha Barcellos, o projeto realizado em 2008 está muito próximo das necessidades locais atuais. Esses metros quadrados foram projetados pela equipe de arquitetas do plano diretor na época da implantação do programa. Foram levadas em consideração o contra turno e demais demandas, afirma Barcellos. O prazo estipulado no cronograma da UFPR para a entrega das obras é dezembro de Os mais de m 2 que ainda faltam construir não têm previsão de entrega por ainda não terem sidos licitados. Nunca foi dito pela UFPR que não teria as obras que estão planejadas. Só respondem: vai ter dinheiro para tudo, fiquem tranquilos, comenta Barcellos. Com as demandas oriundas da criação dos novos cursos do Programa REUNI/UFPR, a Instituição julgou necessária a ampliação da área do campus como ação prioritária. Desta forma, foi efetivada a compra de um terreno vizinho ao Campus Palotina no valor de R$ ,00. Os recursos para aquisição do espaço foram disponibilizados pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, no valor de R$ 1 milhão e o restante foi complementado com recursos do Programa REUNI. Com a nova aquisição, a área do campus foi ampliada para m 2 quadrados, o terreno também conta com um prédio edificado de 2.600m 2. Esse prédio não existia no planejamento inicial da expansão. Quando surgiu a oportunidade da Universidade adquirir todo o terreno e o prédio foi avaliado que seria interessante. De fato é uma área que realmente é necessária e compramos a área junto com o prédio, explica Barcellos. OBRAS PROMETIDAS - PALOTINA PROJETO REUNI/UFPR 2.500m 2 Obras prontas 700m 2 Obras em andamento obras não INICIADAS 4.940m 2 Aguardando licitação de complementares Projetos complementares m 2 ENTREGA DEZ/ m m 2 Projetos não iniciados

3 O ônus do REUNI é a sobrecarga de trabalho O Decreto nº6.096/07 que constitui as diretrizes para a adesão ao REUNI, estabelece que a meta global do programa é aumentar a relação de um professor para 18 alunos na graduação das Instituições Federais de Ensino Superior. De acordo com o diretor do campus Palotina, Vinícius Cunha Barcellos, antes da adesão ao programa na UFPR a razão era de um professor para 12 alunos. Quem entrou no REUNI na UFPR entrou na relação de um professor para 28, porque ele não levava em consideração cada setor. Ele dizia que a UFPR tinha que entrar em um professor para 18 alunos. Com previsão de 2200 alunos até 2015, os sessenta e oito novos professores previstos já foram contratados, faltando apenas um, que será efetuado em 2012, conforme informado pela Administração da CURSOS NOVOS Tecnologia em 1 Biocombustíveis Tecnologia em 2 Biotecnologia Tecnológico em 3 AqUicultura 4 Ciências Biológicas 5 agronomia Universidade. Para o docente do Curso de Agronomia, Alexandre Leseur dos Santos, apenas mais um professor para fechar o quadro de docentes do campus não será suficiente. Um professor só contratado para cá é irrisório. Ficarão professores responsáveis por seis, sete disciplinas? Essa é uma conta que não fecha., ressalta Santos. O novo curso de Agronomia, que teve início no começo de 2011, conta com treze professores contratados pelo REUNI que chegaram ao curso antes de suas disciplinas serem ofertadas, para que os mesmos pudessem estruturar os laboratórios e demais demandas que as disciplinas exigem. A docente do Curso de Agronomia, Patrícia da Costa Zonetti, explica que muitos professores terão ainda suas disciplinas ofertadas nos próximos semestres, na medida em que os alunos avancem no curso. Os docentes hoje estão com uma carga horária média de 14 horas-aula antes mesmo de estarem ofertando a disciplinas para que foram contratados, uma vez que não existe professores para as disciplinas básicas que são ofertadas nos dois primeiros anos. Nós acreditamos que vamos ficar sobrecarregados, com mais de vinte horas, se continuarmos dando DOCENTES PALOTINA 300 ALUNOS 25 docentes 1 PROFESSOR PARA 12 ALUNOS 86 docentes as disciplinas básicas e mais a nossa disciplina, complementa Patrícia. Alguns docentes que oferecem suas disciplinas para o primeiro ano dos novos cursos já estão sobrecarregados, como é o caso do coordenador do Curso de Medicina Veterinária, André Luiz Filadelpho, que oferta a disciplina de anatomia animal para os cursos de Agronomia, Ciências Biológicas e Medicina Veterinária. A carga horária dos dois professores da disciplina é de 18 horas-aula, mesmo contando com o auxílio de um colaborador. Vai chegar a hora que esse professor não vai poder mais colaborar e teremos uma carga horária individual de 27 horas aula se não chegarem mais professores. Aqui é a ponta 2200 ALUNOS 1PROFESSOR PARA 25 ALUNOS do iceberg do que vai acontecer com todos até 2015, explica o coordenador. Segundo Vinícius Barcellos, várias medidas estão sendo tomadas para tentar reduzir a carga horária dos docentes no campus, mas é necessário a contratação de mais professores. Para podermos chegar a uma média de carga horária de 12 horas semanais na graduação e na pós-graduação nós precisaríamos de mais 57 professores até o início de 2015, complementa. Ainda para o diretor do Campus de Palotina o REUNI trouxe ônus e bônus. O bônus seria a vinda de mais recursos para a universidade e o ônus o aumento da carga horária para os docentes.

4 Cadê o dinheiro do REUNI? Com apenas 23% das obras realizadas para o projeto de expansão, o campus Palotina sofre com diversos problemas que deveriam ser solucionadas pelos recursos vindos do REUNI. Docentes, técnico-administrativos e estudantes estão submetidos a diversas situações precárias de trabalho, de ensino, de pesquisa e de extensão. Novo bloco didático que deverá ser entregue até dezembro de Um antigo seminário transformado em Universidade Com o atraso das obras e com uma crescente falta de espaço para salas de aula, gabinetes de professores, laboratórios, biblioteca e demais demandas, professores, estudantes e técnicos precisaram ocupar, em condições precárias, o prédio adquirido junto com o terreno. O edifício não apresenta condições ideais de uso, devido aos diversos problemas estruturais. Para os professores do campus Palotina, antes do prédio ser ocupado era necessário realizar uma reforma completa nas instalações. De acordo com o diretor do Setor do campus Palotina, Vinícius Cunha Barcellos, o planejamento inicial era executar uma reforma em todo o edifício, mas, devido às necessidades urgentes apresentadas pelo atraso das obras do Reuni, não foi possível. No começo não pudemos mensurar o tamanho do atraso das obras, nós imaginávamos que teríamos apenas pequenas ocupações temporárias para suprir o problema imediato, explica Barcellos. Uma reforma elétrica foi realizada no local, mas a obra contemplou apenas meio andar do antigo seminário. Neste meio andar há três salas de aula e uma sala de professor, ou seja, onde estão concentrado todos os professores não tem reforma elétrica, não tem ponto de internet, tem que usar wireless que é complementamente precária, conta o professor do curso de Tecnologia em Aquicultuta, Almir Manoel Cunico. Segundo Barcellos o campus está tentando utilizar o espaço da melhor forma possível, mas a previsão é que a permanência desta situação precária que os docentes estão submetidos permanecerá por cerca de dois anos. A Prefeitura da Cidade Universitária (PCU) está elaborando os projetos complementares para a reforma do prédio. Nós temos que esperar os projetos ficarem prontos para em seguida licitar a obra. Corredores do prédio Seminário Salas e laboratórios insalubres Péssimas condições da rede elétrica do prédio do Seminário 4

5 No verão, mais de 40 C o em sala de aula A temperatura na cidade de Palotina no verão atinge em média cerca de 31C o. Com todo esse calor o campus não conta com aparelhos de ar condicionado. No verão a temperatura na sala de aula chega a quase 40C o, é insuportável sem o ar condicionado, relata o aluno do curso de Medicina Veterinária, Cassiano Pazda. Segundo o diretor do campus Palotina, Vinícius Cunha Barcellos, a compra dos aparelhos para os prédios didáticos já está sendo providenciada através de recursos do próprio campus, mas ainda não estão previstas as instalações. Nós vamos tentar viabilizar a instalação dentro do possível, pois a Prefeitura da Cidade Universitária (PCU) exige que, para licitar, seja feito um projeto para cada ar condicionado, conta Barcellos. Entretanto, para os docentes que estão no Bloco do Seminário, esta não poderá ser a solução. Não podemos instalar o ar condicionado porque a rede elétrica não dá conta, mesmo que alguém compre o ar condicionado do bolso, não 40 C o No projeto dos novos prédios, apenas ventiladores de teto foram previstos tem como ligá-lo, explica a representante A PCU informou ao campus que do campus Palotina no será realizado em breve um novo CRAPUFPR, Simone Benghi Pinto. projeto para toda a rede elétrica. Trajeto no meio da mata Um grande bosque separa o prédio do Seminário dos blocos mento e iluminação. No primeiro semestre de 2011, didáticos. Para a comunidade três estudantes foram surpreendidas universitária se locomover entre os dois lados é necessário atravessar um trajeto longo que hoje não conta com nenhum calça- por um homem que apontava em sua direção e praticava atos libidinosos. O ocorrido aconteceu perto da hora do almoço, quando A comunidade universitára percorre cerca de 1km no meio da mata as estudantes percorriam o caminho para chegar ao Restaurante Universitário (RU). Após o episódio, para melhorar a segurança do trajeto, foi disponibilizado um posto de segurança armado. Para as estudantes que sofreram o ataque, a medida tomada ainda não é suficiente. O segurança colocado hoje não dá conta de toda a trilha, pois é relativamente um caminho longo, então ele não consegue cobrir todo esse trajeto. No período noturno, o trajeto é evitado pela comunidade universitária devido à total falta de iluminação. A alternativa para aqueles que pretendem utilizar o RU, a biblioteca ou outro laboratório que está alocado provisoriamente no prédio do Seminário é utilizar a rua que contorna o campus, que também não é segura devido ao elevado número de caminhões que transita a noite. Segundo o diretor do campus Palotina, Vinícius Cunha Barcellos, as melhorias necessárias já estão sendo providenciadas e serão iniciadas ainda em novembro. Essa trilha será toda iluminada, terá um poste a cada três metros e todo o trajeto terá calçamento. A licitação já saiu e o prazo para a execução da obra é de seis meses.

6 Laboratórios nos banheiros de sua disciplina. Particularmente Segundo o diretor do campus eu não vi isso acontecer. Todos Palotina, Vinícius Cunha Barcellos estão perguntando, cadê a verba os laboratórios dos novos cursos do REUNI? indaga o professor não foram estruturados com recur- do curso de Tecnologia em Aqüi- sos da Universidade. O que temos cultura, Carlos Eduardo Zacarkim. observado é que o mérito de ter Para que alunos não perdessem equipamentos se deve muito mais o conteúdo pela falta de labora- ao esforço dos docentes cacifados tórios e para que a pesquisa na pelo seu próprio currículo, que têm Universidade não fosse prejudica- conseguido recursos em outros edi- Laboratório instalado em um banheiro desativado Com os cursos novos sendo estruturados e novos alunos chegando a cada semestre o espaço disponível para que os docentes possam estabelecer seus laboratórios para a pesquisa e para a graduação é insuficiente. Muitos docentes estabeleceram seus laboratórios nos banheiros, em salas improvisadas ou em áreas abertas até que as obras previstas pelo REUNI sejam efetivadas. Nós estamos andando em um carro sem roda, precisa ter um movimento, a universidade precisa funcionar e estamos utilizando a estrutura que tem, explica o professor do curso de Tecnologia em Aquicultuta, Almir Manoel Cunico. Além das péssimas condições da rede elétrica, que não permite que vários equipamentos de pesquisa possam ser ligados, os docentes não receberam as verbas destinadas do REUNI como prometido. O que nós ouvimos quando chegamos é que cada professor teria uma verba vinda do REUNI para conseguir estruturar os laboratórios da, muitos professores investiram recursos próprios para estruturar o mínimo necessário para realizar seu trabalho. Se fossemos esperar os recursos virem de Curitiba, nossas pesquisas não estariam funcionando, conta Zacarkim. Para Zacarkim, que equipou dois laboratórios em um banheiro em conjunto com oito docentes com recursos próprios, a Universidade deve priorizar investir nos novos cursos. Eu nunca pensei que iria ter que tirar dinheiro do bolso para montar laboratório. Nós gastamos mais de R$3.000,00 para montar o nosso, porque se não fosse isso não teria. tais de órgãos de fomento. Para a Associação dos Professores da UFPR apenas a construção dos prédios que faltam no projeto REUNI não resolvem os problemas que a comunidade universitária do campus Palotina enfrenta. Não é aceitável a forma que a Instituição está tratando a estruturação dos novos cursos. Aquilo que deve ser suprido como condição básica para que o curso funcione deve ser oferecido pela Universidade e não simplesmente disponibilizar uma parte dos recurso na forma de edital, afirma o presidente da APUFPR-SSind, Luis Allan Künzle. Laboratório no banheiro estruturado com recursos dos docentes Tanques de pesquisa em céu aberto Laboratório em salas improvisadas estruturado com recurso do docente

7 Comunidade universitária exposta ao formol O curso de Medicina Veterinária, que também aderiu ao REUNI e expandiu suas vagas em 33%, também vem sofrendo com a falta de estruturas adequadas. Para a aluna do curso, Angélica de Paula Teixeira, a falta de recursos para a manutenção dos equipamentos faz com que a pesquisa e os estudos sejam prejudicados. A maioria dos microscópios dos laboratórios estão com a lente estragada ou apresentam alguma dificuldade no uso. O laboratório de anatomia animal e patologia animal, que hoje é utilizado pelos três cursos de graduação oferecidos pelo campus, não possui um sistema de ventilação e exaustão adequado, o que é necessário quando se utiliza o formol para a conservação dos animais. O precário sistema de exaustão do ar satura o ambiente com a presença de gases desprendidos dos tanques de formol, da sala de necropsia e das peças anatômicas dispostas nas bancadas. Esses dois pequenos exaustores são de cozinha, eles são para uso doméstico antigo, não são para retirada de gás, relata o coordenador do Curso de Medicina Veterinária, André Luiz Filadelpho, Os acadêmicos que fazem uso do laboratório precisam, obrigatoriamente, passar pela sala de tanques para ter acesso à sala de aula prática do bloco; tal condição favorece o estreito contato com os gases desprendidos dos tanques. Dentro do laboratório se encontram também gabinetes de professores, o que os expõe a um tempo ainda maior ao formol. A Associação dos Professores da UFPR e docentes solicitaram a instalação de exaustores adequados no laboratório. O pedido deve-se ao entendimento que a Instituição deve oferecer condições salubres aos docentes, técnicos e estudantes que utilizam o espaço. Até o momento a Universidade não apresentou resposta satisfatória ao pedido. Para solucionar o problema de fluxo do laboratório a direção do campus propôs uma reforma temporária até que um novo espaço seja construído. O projeto consiste Tanque de formol As peças retiradas do tanque de formol devem permanecer por um tempo em descanso com os exaustores ligados antes de serem manuseadas. em dividir o laboratório com divisórias compradas com recursos do próprio campus. Diversas rachaduras no laboratório também preocupam os docentes. Não sei até quando essa estrutura vai aguentar. Essa parede um dia vai cair e espero que não seja nas nossas cabeças. relata Filadelpho. FORMOL Aldeído fórmico UTILIZAÇÃO: Muito usado na conservação de tecidos, nos laboratórios de anatomia e como matéria-prima em alguns processos na indústria química. PERIGO: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional do Câncer, órgão do Ministério da Saúde, o Formol aumenta o risco de desenvolvimento de câncer em humanos, em especial de nasofaringe e leucemias. É também considerado um dos principais agentes etiológicos da asma ocupacional e da rinite alérgica. Laboratório de anatomia animal - Palotina

8 Biocombustível de qualidade? O curso de Tecnologia em Biocombustíveis foi criado com o programa REUNI/UFPR. Com duração de três anos e meio, o curso teve seu início em 2009 e forma sua primeira turma no próximo semestre. Segundo o coordenador do curso, Helton José Alves, o projeto da graduação é estruturado para a parte de produção e de controle de qualidade. Com a falta de recursos para a compra de máquinas e equipamentos o curso produz apenas dois dos quatro combustíveis a que se propõe. Na parte de controle de qualidade a questão é ainda mais grave, dos 22 itens que devem ser analisados conforme a norma vigente, nenhum é possível. Nós temos uma disciplina que é chamada de controle de qualidade de biocombustíveis, ou seja, ela está funcionando apenas na teoria, pois hoje não temos equipamentos que caracterize o tipo de biocombustível produzido, relata Alves. O coordenador do curso explica que esses equipamentos já foram solicitados à Universidade diversas vezes, mas que ainda não foram viabilizados. Hoje o Curso de Tecnologia em Biocombustíveis necessita de R$ ,00 para a compra de equipamentos e materiais para suprir a infraestrutura básica do curso. Esse valor foi revisado três vezes, está super enxugado. Neste valor não estão considerados os recursos para os equipamentos que já estão no projeto da FINEP e de outros projetos contemplados que estamos esperando que cheguem logo. Produção 1 Etanol Biomassa 4 florestal 2 Biodiesel Viabilizados a partir de junho de biogás Sem previsão Recurso para a compra do equipamento já disponibilizado através de um projeto da FINEP, mas aguarda providências da Universidade para a liberação. Análise Hoje nós não temos condição de avaliar se esse biocombustível que produzimos é realmente o que nós estamos dizendo, e acreditando que ele seja. A verba para a compra de três equipamentos mais caros já foi disponibilizada através de um projeto da FINEPE, porém há cerca de um ano os docentes não conseguem receber o recurso. Frequentemente nós temos conversado com o Reitor e ele tem nos dito que no próximo mês provavelmente a situação será resolvida. Estamos aguardando uma solução. Do total de R$ ,00 solicitados pelos docentes no edital da PROGRAD apenas R$ ,00 foram disponibilizados para o curso, o que corresponde a apenas 7,5% do valor necessário. Aí eu faço a pergunta, será que teremos que esperar uns quatorzes anos para ter a infraestrutura básica? Será que a universidade irá enxergar desta forma esses cursos novos, que ela implantou. Ou será feito alguma coisa direcionada para esses cursos? EVINCI O último Encontro de Iniciação Científica da UFPR (EVINCI), que ocorreu em Curitiba, contou com a participação de docentes e estudantes do campus Palotina. No trajeto até Curitiba, os passageiros sofreram com o transporte oferecido pela Universidade, que apresentou diversos problemas de manutenção. Depois de aproximadamente doze horas de viagem, professores e estudantes não puderam entrar no hotel, devido à diária, que começava apenas ao meio dia. Só nos deixaram colocar a mala, sem direito de café da manhã porque não estava inclu- so na diária., explica a docente do curso de Medicina Veterinária, Bettina Monika Ruppelt Pereira. No evento, para guardar computadores, retroprojetores e outros materiais que seriam usados, alguns professores solicitaram uma sala à PROEC, que deveria ser disponibilizada durante toda a estada em Curitiba. O espaço cedido serviu também para guardar as malas dos docentes e estudantes no último dia, que tiveram suas estadias no hotel garantidas somente até meio dia, uma vez que o ônibus de retorno a Palotina sairia apenas 9 horas da noite.

9 Cursos novos concorrem em editais por estrutura mínima Apesar do incentivo da Instituição para a criação dos novos cebemos. O grande número de pedidos tal no nosso caso é considerada como forma de sobrevivência, porque o recurso não vem de outra fonte, afirma Tostes. cursos, a estrutura mínima para estabelecê-los ainda não foi oferecida pela Universidade. Segundo os docentes de Palotina, para estruturar os labora- efetuado pelo campus Palotina demonstra a carência que os cursos têm enfrentado. Para a APUFPR é dever da Administração da Universidade FDA ABRIL 2011 OUTUBRO 2011 tórios e oferecer os equipamentos mínimos necessários exigidos garantir a estrutura física, humana e material para a constituição 47% 41% pela disciplina é preciso con- dos cursos novos, independente correr nos editais do FDA e da PROGRAD. dos editais. Para Raimundo Alberto Tos- PEDIDOS ATENDIDOS PEDIDOS ATENDIDOS Segundo o diretor do campus, Vinícius Cunha Barcellos, os tes, 1º Secretário da APUFPR- -SSind e docente do curso de 9 PROJETOS SOLICITADOS - R$ ,88 67 PROJETOS SOLICITADOS - R$ ,46 cursos de Palotina têm participado constantemente dos editais Medicina Veterinária em Palotina, a concorrência em editais 5 PROJETOS ATENDIDOS - R$ ,53 30 PROJETOS ATENDIDOS - R$ 257,549,65 do Fundo de Desenvolvimento Acadêmico (FDA). Somos o setor que mais recebe dinheiro, mas também o que mais manda projeto. Percentualmente quando comparamos pedidos e atendimentos, somos o que menos re- que os novos cursos estão submetidos não é justa. Há uma grande distorção em considerar a estruturação de um curso novo pari passu com um curso consolidado. Isso precisa ser modificado. A concorrência em edi- PROGRAD 19% valores SOLICITADOS - R$ ,70 valores ATENDIDOS - R$ ,45 Para Raimundo Alberto Tostes, 1º Secretário da APUFPR-SSind, o desejo dos docentes do campus Palotina é de serem reconhecidos como colegas de Instituição por todos. Hoje nós percebemos que há um abismo entre Palotina e Curitiba. É fácil você alegar que a distância atrapalha e que não é possível realizar trabalhos em conjunto. Só que isso não é motivo para sermos tratados como cidadãos de segunda classe, desabafa Tostes. Apesar de todo o esforço dos docentes e estudantes do campus Palotina, a maioria das bancas formadas de avalição no EVINCI serviram para docentes de Palotina avaliarem trabalhos de Palotina. Outro problema apontado pelos docentes do campus Palotina, foi que os custos das diárias na edição anterior do EVINCI ficaram por conta de cada docente, uma vez que os valores não foram restituídos pela Universidade. Motorista em baixo do ônibus

10 Pós-Graduação em Palotina Docentes esperam implementar dois programas de mestrado no campus Com o intuito de consolidar e qualificar a pesquisa no campus Palotina, em maio de 2011, os docentes encaminharam dois programas de mestrado à Capes. A expectativa pela aprovação dos programas Ciência Animal e Aquicultura - é grande. Para Américo Fróes Garcez Neto, coordenador do projeto de implementação do programa de Ciência Animal, a resposta deve ocorrer ainda este ano. É um desejo de todos aqui do campus ter um programa de pós stricto sensu. A nossa proposta foi bem acolhida em Curitiba e elogiada em sua formatação. A implementação dos dois mestrados também permitirá aos professores do campus Palotina os requisitos necessários para a progressão na carreira em todos os níveis, uma vez que os critérios estabelecidos exigem cada vez mais a vinculação do docente nos programas de pós- -graduação. Com a possibilidade de abertura dos programas, as demandas do campus serão ainda maiores. Estamos lutando, estamos trabalhando, fazemos por idealismo mesmo e quebrando barreiras. Mas esperamos uma contrapartida também. Que a Reitoria nos olhe e enxergue aqui pessoas que querem ajudar, que querem formar alunos, que querem desenvolver pesquisa de qualidade, comenta o coordenador do projeto de implementação do programa de Aquicultura, Eduardo Luis Cupertino Ballester. Condições precárias na pesquisa e na extensão Muitos são os desafios que os docentes sofrem para o desenvolvimento da pesquisa e da extensão no campus Palotina, uma vez que os recursos estruturais e materiais necessários para sua efetivação não são disponibilizados pela Universidade. Segundo o professor do curso de Tecnologia em Aquicultuta, Almir Manoel Cunico as precárias condições oferecidas e a burocracia da Universidade dificultam constantemente a pesquisa no campus. Estamos desenvolvendo nossas pesquisas, no canto de um banheiro, dentro de outro laboratório, com a luz puxada precariamente. Nessas condições estruturais, não é nem que inviabiliza, mas desmotiva. Tudo é muito difícil, complexo, e muito demorado, explica. Algumas pesquisas foram prejudicadas devido às péssimas condições estruturais que estão submetidas. A expectativa que eu tinha do REUNI era chegar aqui e as coisas estarem mais estruturadas. Eu fiquei quase um ano em uma sala infestada de baratas, apareceu um rato e comeu do meu armário os probióticos que eu estava usando em um experimento, então eu saí e levei o laboratório para o banheiro, expõe o docente do curso de Tecnologia em Aquicultura, Eduardo Luis Cupertino Ballester. O atraso das obras também tem inviabilizado muitas pesquisas no campus Palotina. Muitos equipamentos e materiais têm sido comprados com recursos de órgãos de fomento que não podem ser utilizados devido à falta de espaço. Os equipamentos básicos estão chegando, mas é pela FINEPE, pelo esforço do professor que pede FDA, que pede edital da Fundação Araucária e não temos lugar para colocar e montar, relata o docente do Curso de Ciências Biológicas, Alexandre Leandro Pereira Hoje, o campus Palotina representa cerca de 40% de toda a extensão realizada na UFPR. Além das diversas atividades administrativas, segundo Américo Fróes Garcez Neto, docente do Curso de Medicina Veterinária, a elevada carga horária em sala de aula também é um fator que dificulta o desenvolvimento da pesquisa. Mesmo sendo o campus que mais desenvolve a extensão temos tido dificuldade em desenvolver a pesquisa e a extensão devido à alta sobrecarga em sala de aula e de orientação de alunos. Laboratório de pesquisa no corredor

11 Salas de professores... outro problema A maioria dos gabinetes dos docentes do campus Palotina são grandes salas abertas que agrupam cerca de seis professores. A amplitude do espaço faz parte da proposta de integração realizada já na construção das salas. Um dos problemas enfrentado nestas grandes salas é a falta de uma porta, o que permite que computadores e documentos importantes possam ser acessados facilmente. Para o docente do Curso de Ciências Biológicas, Alexandre Leandro Pereira, o espaço também não oferece condições de trabalho adequadas. É impossível desenvolver a ideia, pensar e escrever aqui. Principalmente à tarde. Nós não temos privacidade para falar com o aluno, não tem espaço para se concentrar. Com a falta de espaço para sala de professores, alguns docentes foram deslocados para o prédio do Seminário. Em condições precárias os docentes realizaram reformas básicas nas salas com recursos próprios, O fato de colocarmos dinheiro do nosso bolso, é que o recurso de Curitiba não vem e esse gesto é uma forma de tentar melhorar um pouco as nossas condições de trabalho, conta o professor do curso de Tecnologia em Aquicultuta, Almir Manoel Cunico. Gabinete dos docentes nos prédios novos Gabinete de docentes no prédio do Seminário reformado com recursos próprios Falta de salas de aula podem diminuir o número de vagas ofertadas Até 2015, ano em que se estabiliza a quantidade de estudantes nos novos cursos, o campus Palotina estará recebendo 100 novos alunos por semestre. A perspectiva é que, se as obras não forem concretizadas, faltem 13 salas de aula e diversos laboratórios obrigatórios para oferta das disciplinas. Para o diretor do Campus Palotina, Vinícius Cunha Barcellos as obras são emergenciais e precisam ser concretizadas. Senão teremos que fechar vagas no vestibular e não queremos trabalhar com essa hipótese, já que a Reitoria afirma que não falta dinheiro. Falta de sala: reunião do colegiado de Aquicultura no corredor Sem espaço para depósito, materiais ficam no corredor

12 Para a Administração da Universidade Palotina já é atendida em seus pleitos A Administração da Universidade foi procurada pela APUFPR- -SSind a fim de esclarecer sobre as péssimas condições de trabalho dos docentes do campus Palotina. Apesar do velho prédio do Seminário abrigar laboratórios nos banheiros, apresentar problemas na rede elétrica, não possuir condições adequadas para a pesquisa, o ensino e a extensão, para a Universidade o edifício apresenta condições de uso. A área do campus praticamente dobrou com a aquisição do Edifício Seminário. O prédio já abriga salas de aulas, gabinetes de professores, laboratórios didáticos, laboratórios de pesquisa, biblioteca, restaurante univer- sitário, centro de vivência, núcleo de assistência pedagógica, setor de aquicultura, setor de produção animal, viveiro de plantas, e outras infraestruturas de apoio como almoxarifado, garagem, depósito de inservíveis, galpão para manutenção e manutenção de rede. explica a Administração da Universidade. Para a APUFPR-SSind o bloco do Seminário não apresenta condições de uso e acredita que a Administração da Universidade precisa ter uma política séria para resolver os inúmeros problemas apresentados nesta edição especial do campus Palotina. Em resposta, a Universidade garantiu que já foram aplicados Portanto, vale salientar que a Administração Central atende os pleitos do campus Palotina e dos outros campi da universidade com a realização de obras de reforma e ampliação, contratação de professores e técnicos. Administração da Universidade no campus mais de R$ 10 milhões em obras de ampliação e reformas. Esses valores referem-se a aquisição do terreno que possui o velho prédio do Seminário e a construção dos 3200m 2 que serão entregue até o final de Quando indagada para o prazo de entrega dos m 2 faltantes no projeto do REUNI a Administração da Universidade afirma que o projeto desenvolvido previa apenas recursos financeiros. Cumpre também lembrar que o projeto Reuni, quando de sua pactuação no ano de 2007, no que se refere a infraestrutura, não foi feito por metragem quadrada e sim por valor financeiro, afirma a Universidade. Para a diretoria da APUFPR- -SSind tal análise é errônea, pois a metragem de m 2 consta no projeto REUNI/UFPR. Ainda para o sindicato, uma vez que a Universidade entende que o projeto é apenas financeiro, ela afirma que todos os recursos já foram aplicados. Como solução ao problema a Universidade garante que está comprometida em buscar novos recursos. Compatibilizar este déficit entre expectativa daquela época e necessidade de investimentos para além dos vinculados ao Reuni é um desafio que esta gestão não mede esforços através da busca de recursos orçamentários adicionais, complementa a Administração da Universidade. Outro problema que os docentes enfrentam no campus Palotina são as péssimas condições para o desenvolvimento da pesquisa. Para a Universidade os docentes da UFPR possuem condições de trabalho e de pesquisa comparáveis às melhores universidades da América Latina. Para a diretoria da APUFPR- -SSind a Universidade deve garantir as condições necessárias para o funcionamento dos novos cursos na Universidade Federal do Paraná, o que não está ocorrendo no campus Palotina. EXPEDIENTE Informativo APUFPR-SSind Publicação quinzenal da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná Seção Sindical do Andes - Sindicato Nacional Diretoria - Gestão 2011/2013 Presidente: Luis Allan Künzle Vice-Presidente: Rodrigo Rossi Horochovski Secretário Geral: Rogério Miranda Gomes Primeiro Secretário: Raimundo Alberto Tostes Tesoureiro Geral: Fabiano Abranches Silva Dalto Primeiro Tesoureiro: José Ricardo Vargas de Faria Diretor Administrativo: Álvaro Tadeu Abelardino Diretora Cultural: Márcia Costa Itiberê da Cunha Diretora de Esportes: Maria Gisele dos Santos Diretora de Imprensa: Melissa Rodrigues de Almeida Diretor Jurídico: Fábio de Almeida Rego Campinho Diretor Social: Marcelo Sandim Dourado Fale Conosco Endereço - Rua Alcides Vieira Arcoverde, 1305, Jardim das Américas CEP Curitiba, PR - Tel.: (41) Produção Studio Art - Comunicação Integrada (41) Equipe de Redação - Larissa Amorim e Guilherme Mikami Projeto Gráfico e Diagramação - Larissa Amorim e Guilherme Mikami Tiragem exemplares / Distribuição gratuita e dirigida Os textos desta publicação estão de acordo com as novas regras

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