AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DO PNAES - PROGRAMA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UFPR:

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DO PNAES - PROGRAMA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UFPR:"

Transcrição

1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS PMGPP AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DO PNAES - PROGRAMA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UFPR: IMPACTOS E RESULTADOS PARA GRADUANDOS COM FRAGILIDADE SOCIOECONÔMICA JAQUELINE CAVALARI SALES DE ALMEIDA ITAJAÍ (SC), 2013

2 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAI UNIVALI PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO, EXTENSÃO E CULTURA PROPPEC CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E JURÍDICAS PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS PMGPP AVALIAÇÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DO PNAES - PROGRAMA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UFPR: IMPACTOS E RESULTADOS PARA GRADUANDOS COM FRAGILIDADE SOCIOECONÔMICA JAQUELINE CAVALARI SALES DE ALMEIDA Dissertação apresentada à Banca Examinadora no Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, sob a orientação da Prof a. Dr a. Ana Claudia Delfini Capistrano de Oliveira e coorientação do Prof. Msc. Eduardo Guerini, como exigência parcial para obtenção do título de Mestre em Gestão de Políticas Públicas. ITAJAÍ (SC), 2013

3 AGRADECIMENTOS Neste importante momento de minha vida acadêmica e profissional, gostaria de agradecer a todos que de alguma forma contribuíram para a concretização deste trabalho. Em especial, agradeço à minha família, aos servidores da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da UFPR, que me disponibilizaram os dados necessários para a elaboração da pesquisa de campo e ao meu orientador, Prof. Guerini, que muito contribuiu para o desenho da linha mestra do trabalho e encadeamento das ideias.

4 RESUMO ALMEIDA, Jaqueline Cavalari Sales de. Avaliação da implementação do PNAES - Programa Nacional de Assistência Estudantil na UFPR: Impactos e resultados para graduandos com fragilidade socioeconômica. 138f. Dissertação Programa de Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas, da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI, Itajaí, Este trabalho tem como objetivo estudar o PNAES - Programa Nacional de Assistência Estudantil e sua implementação no âmbito da UFPR - Universidade Federal do Paraná. Para isto, parte-se da contextualização histórica do ensino superior no Brasil, abordando a evolução dos setores público e privado na oferta de vagas, bem como, os programas de expansão e democratização do acesso implementados nas últimas décadas, na busca pela universalização do ensino superior. Apresenta-se uma análise da conjuntura econômica e social que levou a institucionalização das práticas de assistência estudantil das IFES - Instituições Federais de Ensino Superior com base em pesquisas do perfil socioeconômico de seus estudantes e a viabilização do PNAES através de sua inserção no Orçamento da União. A operacionalização de tal estudo deu-se a partir de pesquisas bibliográficas e documentais e aplicação de questionários aos estudantes com fragilidade socioeconômica beneficiados com ações de assistência estudantil ofertadas pela UFPR com financiamento do PNAES. Os resultados da pesquisa demonstram que cerca de 70% dos estudantes beneficiados tem suas expectativas em relação as ações de assistência estudantil da UFPR totalmente atendidas e aproximadamente 28% mostram-se parcialmente satisfeitos. Porém, apenas uma minoria, cerca de 33%, conhece o PNAES e suas diretrizes, o que indica que muitos dos estudantes não conhecem seus direitos enquanto graduandos oriundos de escolas públicas e de famílias de baixa renda. Conclui-se, enfatizando a importância da continuidade e ampliação do PNAES enquanto política pública com objetivos de manutenção e conclusão do curso e, por sua vez, redução da evasão, eliminando ou reduzindo as disparidades de rendimento acadêmico decorrentes de diferenças socioeconômicas entre os estudantes das IFES. Palavras-chave: Ensino Superior. Assistência Estudantil. PNAES.

5 ABSTRACT ALMEIDA, Jaqueline Cavalari Sales de. Evaluation of the implementation of the PNAES National Student Welfare Program at the UFPR: Impacts and results for low-income students. 138p. Dissertation for the Master s Degree Program in Management of Public Policies, University of Vale do Itajaí - UNIVALI, Itajaí, This work examines the PNAES - Programa Nacional de Assistência Estudantil (National Student Welfare Program) at the UFPR Federal University of Paraná. It begins with a historical contextualization of higher education in Brazil, including the evolution of the public and private sectors in the offer of places, and the programs to expand and democratize access that have been set up in recent decades, in the attempt to make higher education available for all. An analysis is presented of the economic and social context that led to the institutionalization of student welfare practices of the IFES - Instituições Federais de Ensino Superior (Federal Higher Education Institutions) based on research on the socioeconomic profile of their students and the viability of the PNAES, through its inclusion in the Federal Budget. This study was implemented through bibliographic and document research, with the application of questionnaires to low-income students who have benefited from the student welfare actions offered by the UFPR with financing from the PNAES. The results of the research show that in around 70% of the students who benefited, their expectations of student welfare actions of the UFPR were fully met, and approximately 28% were partially met. However, only a minority, around 33%, know about the PNAES and its guidelines, which suggests that many of the students do not know their rights as graduating students from public schools and low-income families. This work concludes by emphasizing the importance of the continuity and expansion of the PNAES as a public policy, with the aims of seeing students through to completion of their courses, and in turn, reducing drop-out rates, and eliminating or reducing disparities in academic achievement arising from socioeconomic differences between students of the IFES. Keywords: Higher Education, Student Welfare. PNAES.

6 LISTA DE TABELAS Tabela 1A - Estudantes de 18 a 24 anos de idade, total e respectiva distribuição percentual, por nível de ensino frequentado, segundo as regiões geográficas Tabela 1B - Estudantes de 18 a 24 anos de idade, total e respectiva distribuição percentual, por nível de ensino frequentado e cor ou raça, segundo as regiões geográficas Tabela 1C - Pessoas de 18 a 24 anos de idade, total e com 11 anos de estudo ou mais, total e respectiva proporção, por quintos de rendimento mensal familiar per capita / Tabela 1D - Distribuição percentual das pessoas que frequentam estabelecimento de ensino, por nível e rede de ensino frequentado, segundo as regiões geográficas Tabela 1E - Distribuição percentual dos estudantes da rede pública e da rede particular no ensino fundamental, médio e superior, segundo os quintos de rendimento mensal familiar per capita Tabela 1F - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais e número de instituições de ensino superior 2001 e Tabela 2A - Número de matrículas no ensino superior público e privado a Tabela 2B - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a Tabela 2C - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a Tabela 2D - Evolução do número de instituições de educação superior a Tabela 2F - Evolução do número de bolsas PROUNI ofertadas a Tabela 2G - Número de vagas oferecidas pelas IES, candidatos inscritos e relação candidatos inscritos/vaga oferecidas nos cursos de graduação presenciais e a distância, segundo as regiões geográficas Tabela 2H - Número de vagas oferecidas nas IFES, candidatos inscritos e relação candidatos inscritos/vagas oferecidas nos cursos de graduação presenciais e a distância, segundo as regiões geográficas Tabela 2I - Relação matrículas dos cursos de graduação presenciais/função docente em exercício, por organização Acadêmica, segundo a unidade da federação e a categoria administrativa das IES Tabela 3A - Distribuição percentual dos estudantes das universidades federais por classes econômicas

7 Tabela 3B - Distribuição percentual dos estudantes das universidades federais por renda familiar Tabela 3C - Classes econômicas dos estudantes das universidades federais /97, 2003/4 e Tabela 3D - Distribuição percentual dos estudantes das universidades federais por sexo e classe econômica Tabela 3E - Distribuição percentual dos estudantes por sexo, idade e região Tabela 3F - Idade dos estudantes das Universidades Federais nos anos de 1996/97, 2003/4 e Tabela 3G - Distribuição percentual dos estudantes das universidades federais por classe econômica e raça/etnia Tabela 3H - Percentual de Estudantes por raça/etnia /4 e Tabela 3I - Situação conjungal dos estudantes /97, 2003/4 e Tabela 3J - Percentual de estudantes com filhos /97, 2003/4 e Tabela 3L - Meio de Transporte utilizado pelos estudantes /97, 2003/4 e Tabela 3M - Situação de moradia dos estudantes das universidades federais por classe econômica Tabela 3N - Distribuição percentual dos estudantes que trabalham por classes econômicas Tabela 3O - Escolaridade dos pais dos estudantes /7 e Tabela 3P - Distribuição percentual dos estudantes por tipo de escola em que cursou o ensino médio Tabela 3Q - Participação percentual dos estudantes nos programas de alimentação Tabela 3R - Participação percentual dos estudantes nos programas de bolsa permanência Tabela 3S - Participação percentual dos estudantes nos programas de transporte Tabela 3T - Participação percentual dos estudantes em atividades acadêmicas remunerada Tabela 3U - Turno em que frequenta a maior parte das disciplinas Tabela 3V - Motivos para trancamento de matrícula

8 Tabela 3X - Expectativas quanto à atuação do estudante após a formatura Tabela 3Z - Principal fonte de informação sobre acontecimentos atuais Tabela 3AA - Domínio do computador pelos estudantes /7, 2003/4 e Tabela 3AB - Participação dos estudantes em atividades artísticas e culturais Tabela 3AC - Participação dos estudantes em movimento estudantil Tabela 3AD - Domínio de línguas estrangeiras /7, 2003/4 e Tabela 3AE - Utilização de serviços de saúde pelos estudantes /7, 2003/4 e Tabela 3AF - A saúde mental dos estudantes /4 e Tabela 3AG - Atividades físicas preferenciais dos estudantes /7 e Tabela 3AH - Relação candidatos inscritos/vaga oferecida e ingressos/vagas oferecidas por processos seletivos, nos cursos de graduação presenciais, por organização acadêmica, segundo dependência administrativa das IES Tabela 4A - Dados Vestibular UFPR Tabela 4B - Dados Vestibular UFPR a Tabela 4C - Número de alunos matriculados nos cursos de graduação da UFPR Tabela 4D - Número de cursos de doutorado e mestrado da UFPR por conceito CAPES Tabela 4E - Pesquisa vinculada aos programas de pós-graduação da UFPR Tabela 4F - Recursos financeiros recebidos para projetos de pesquisa da UFPR Tabela 4G - Orçamento inicial e executado da UFPR a Tabela 5A - Evolução do número de bolsas do Programa de Assistência Estudantil UFPR a Tabela 5B - Bolsas do Programa de Assistência Estudantil Tabela 5C - Refeições servidas pelos RU's da UFPR, por tipo de clientela Tabela 5D- Despesas e custos em valores correntes das refeições servidas nos Restaurantes Universitários da UFPR - Campi Curitiba

9 Tabela 6A - Distribuição percentual dos principais benefícios de assistência estudantil ofertados pela UFPR Tabela 6B - Distribuição percentual dos alunos que recebem 1, 2 ou 3 benefícios (Bolsa Permanência,Auxílio Refeição, Auxílio Moradia) Tabela 6C - Número de alunos beneficiados X número de alunos matriculados Tabela 6D - Distribuição percentual do atendimento das expectativas sobre o caráter formativo da Bolsa Permanência Tabela 6F - Distribuição percentual por nível de qualidade das refeições servidas nos RU's Tabela 6G - Distribuição percentual por padrão das instalações físicas dos RU's Tabela 6H - Distribuição percentual por faixa de economia viabilizada pela utilização dos RU's Tabela 6I - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre o Auxílio Moradia Tabela 6J - Distribuição percentual por oferta sugerida de moradia estudantil Tabela 6L - Distribuição percentual por oferta sugerida de moradia estudantil, por grupo Tabela 6M - Distribuição percentual relativa ao atendimento das necessidades de transporte intercampi Tabela 6N - Distribuição percentual por itens que merecem atenção relativos ao serviço de transporte intercampi Tabela 6O - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre os serviços de saúde Tabela 6P - Distribuição percentual relativa as respostas apresentadas sobre serviços de saúde Tabela 6Q - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre o apoio para participação em eventos Tabela 6R - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre os programas de mobilidade acadêmica Tabela 6S - Distribuição percentual relativa as respostas apresentadas sobre mobilidade acadêmica

10 Tabela 6T Distribuição percentual relativa ao prévio conhecimento do PNAES Tabela 6U - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas acerca das ações de assistência estudantil em sua dimensão global Tabela 6V - Distribuição percentual relativa as justificativas sobre assistência estudantil

11 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1A - Taxa percentual de abandono escolar precoce da população de 18 a 24 anos, por sexo Gráfico 2B - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a Gráfico 1C - Distribuição percentual das pessoas que frequentam estabelecimento de ensino, por nível e rede de ensino frequentado Gráfico 2A - Número de matrículas no ensino superior público e privado a Gráfico 2B - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a Gráfico 2C - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a Gráfico 2D -Evolução do número de instituições de educação superior a Gráfico 2F - Evolução do número de bolsas PROUNI ofertadas a Gráfico 2G - Número de vagas oferecidas pelas IES nos cursos de graduação presenciais e a distância Gráfico 2H - Número de candidatos inscritos nos cursos de graduação presenciais e a distância ofertados pelas IES Gráfico 2I - Número de vagas oferecidas nas IFES nos cursos de graduação presenciais e a distância Gráfico 4A - Composição comunidade universitária da UFPR Gráfico 4B - Número de alunos matriculados nos cursos de graduação da UFPR Gráfico 4C - Titulação do corpo docente da UFPR Gráfico 4D - Número de alunos ingressantes, matriculados e concluintes de Mestrado- 2001/ Gráfico 4E - Número de alunos ingressantes, matriculados e concluintes de Doutorado- 2001/ Gráfico 4F -Evolução do orçamento da UFPR, por grupo de despesa a

12 Gráfico 4G - Orçamento total da UFPR, por grupo de despesa, em percentual a Gráfico 4H - Participação do PNAES no orçamento de manutenção da UFPR, tesouro nacional, em percentual a Gráfico 6A - Distribuição percentual relativa ao prévio conhecimento do PNAES Gráfico 6B - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas acerca das ações de assistência estudantil em sua dimensão global

13 LISTA DE QUADROS Quadro 1A - Distribuição Amostral...13 Quadro 2A - Número de servidores ingressantes pelos programas de expansão das IFES Quadro 2B - Número de alunos ingressantes pelos programas de expansão das IFES Quadro 2C - Recursos totais alocados aos programas de expansão das IFES R$ milhões...35

14 LISTA DE SIGLAS ANDES-SN Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior ANDIFES Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior CAE Coordenadoria de Assistência Estudantil CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CCE Centro de Computação Eletrônica CF Constituição Federal CNE Conselho Nacional de Educação COPLAD Conselho de Planejamento e Administração COUN Conselho Universitário DCE Diretório Central dos Estudantes EAD Educação a Distância ENEM Exame Nacional do Ensino Médio FEBRABAN Federação Brasileira de Bancos FIES Fundo de Financiamento Estudantil FMI Fundo Monetário Internacional FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FONAPRACE Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis HMVFA Hospital e Maternidade Vitor Ferreira do Amaral HC Hospital de Clínicas IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IES Instituições de Ensino Superior IFES Instituições Federais de Ensino Superior INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira IRA Índice de Rendimento Acadêmico LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias LEA Laboratório de Estatística Aplicada LOA Lei Orçamentária Anual LRF Lei de Responsabilidade Fiscal MAE Museu de Arqueologia e Etnologia

15 MEC OCC OCDE OMC PDE PIB PNAD PNAES PNE PPA PRAE PROBEM PROUNI REUNI RU SAT SIE SINAES SISU UAB UAPS UFMS UFPR UNE UNESCO UO Ministério da Educação Outros Custeios e Capital Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico Organização Mundial do Comércio Plano de Desenvolvimento da Educação Produto Interno Bruto Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Programa Nacional de Assistência Estudantil Plano Nacional de Educação Plano Plurianual Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis Programa de Benefícios Econômicos para a Manutenção dos Estudantes de Graduação e Ensino Profissionalizante Programa Universidade para Todos Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Restaurante Universitário Sistema de Acompanhamento e Tutoria do Fluxo Acadêmico Sistema de Informações para o Ensino Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior Sistema de Seleção Unificada Universidade Aberta do Brasil Unidade de Apoio Psicossocial Universidade Federal do Mato Grosso do Sul Universidade Federal do Paraná União Nacional dos Estudantes Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura Unidade Orçamentária

16 1 INTRODUÇÃO DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA E QUESTÃO NORTEADORA OBJETIVOS DA PESQUISA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS HIPÓTESES METODOLOGIA A UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL UMA BREVE RETROSPECTIVA HISTÓRICA DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL AS REFORMAS DO ENSINO SUPERIOR NA DÉCADA DE OS PROGRAMAS DE I NCLUSÃO, EXPANSÃO E DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR NO PERÍODO RECENTE O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS PROUNI O SISTEMA UAB - UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL O SISTEMA DE SELEÇÃO UNIFICADA SISU O PROGRAMA DE APOIO A PLANOS DE REESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS - REUNI POLÍTICAS AFIRMATIVAS - AÇÕES INCLUSIVAS, COM COTAS RACIAIS E SOCIAIS O PROGRAMA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL - PNAES O CONTEXTO DE CRIAÇÃO DO PNAES O PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS ESTUDANTES DAS IFES A EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR O PAPEL DA UFPR NA UNIVERSALIZAÇÃO DO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR ASPECTOS HISTÓRICOS E INSTITUCIONAIS DA UFPR A VIABILIZAÇÃO DO PNAES ATRAVÉS DO ORÇAMENTO DA UFPR ORÇAMENTO PÚBLICO EVOLUÇÃO DO PNAES NO ORÇAMENTO DA UFPR AS AÇÕES DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL INSTITUCIONALIZADAS PELA UFPR PARA ATENDIMENTO AOS ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO CRIAÇÃO DA PRAE - PRÓ-REITORIA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL...77

17 5.2 PROBEM - PROGRAMA DE BENEFÍCIOS ECONÔMICOS PARA MANUTEN- ÇÃO AOS ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO E ENSINO PROFISSIONALIZANTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ BOLSA PERMANÊNCIA AUXÍLIO REFEIÇÃO AUXÍLIO MORADIA ESTUDANTIL PROGRAMA DE APOIO À FORMAÇÃO PROFISSIONAL AOS ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO DA UFPR LÍNGUAS ESTRANGEIRAS INFORMÁTICA BOLSA INSTRUTOR APOIO A MOBILIDADE ACADÊMICA OUTROS PROGRAMAS DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DA UFPR INCENTIVO À PRATICA DE ESPORTES E LAZER APOIO PSICOSSOCIAL ATENÇÃO À SAÚDE APOIO AOS EVENTOS ESTUDANTIS E APRESENTAÇÃO DE TRA- BALHOS TRANSPORTE INTERCAMPI AVALIAÇÃO DO PNAES NA UFPR EFICÁCIA E EFETIVIDADE NA PERMANÊNCIA DE ALUNOS EM SITUAÇÃO DE FRAGILIDADE SOCIOECONÔMICA DISTRIBUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS OFERTADOS BOLSA PERMANÊNCIA RESTAURANTES UNIVERSITÁRIOS MORADIA ESTUDANTIL TRANSPORTE INTERCAMPI SERVIÇOS DE SAÚDE EVENTOS ESTUDANTIS MOBILIDADE ACADÊMICA CONHECIMENTO ACERCA DO PNAES PERCEPÇÃO GLOBAL SOBRE AS AÇÕES DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UFPR...107

18 7 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS...119

19 1 1 INTRODUÇÃO A educação é reconhecida como principal condição para assegurar o progresso profissional do cidadão e também como principal indutor de sua ascensão social. Sendo portanto, a democratização do acesso e qualidade do ensino condições necessárias para que a educação venha a cumprir integralmente seu papel de promotora de igualdade de oportunidades. Certamente, isso somente será possível com políticas públicas cada vez mais eficientes e direcionadas para a redução das desigualdades sociais, pois o perfil socioeconômico do estudante, não é o único fator, mas um dos fatores determinantes do desempenho escolar e progressão do aluno ao longo de sua vida acadêmica. No segundo semestre de 2012 foi publicado pelo IBGE a "Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2012", publicação que objetiva divulgar o panorama social brasileiro, baseando-se principalmente na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD de Na análise das condições de vida, a desigualdade e seus aspectos intrínsecos como a pobreza e a exclusão social apontam as principais diretrizes do trabalho. (IBGE, 2012) Os dados da PNAD permitem mapear a escolarização da população brasileira, considerando o sistema educacional do país que é composto pelo nível básico (educação infantil, fundamental e ensino médio) e nível superior (graduação e pós-graduação). No Brasil, o sistema educacional é descentralizado, sendo de responsabilidade dos Municípios a educação infantil e fundamental e majoritariamente aos Estados e Distrito Federal cabe a responsabilidade pelo ensino médio. Para a esfera federal, cabem as atribuições relativas ao ensino superior, bem como, a prestação de assistência técnica e financeira aos Estados e Municípios, visando assegurar uma distribuição igualitária de recursos entre os diferentes entes federativos. (IBGE, 2012) Nas últimas décadas, se observou uma evolução na escolarização da população brasileira, especialmente na primeira década deste século. Em relação à educação infantil, a taxa de escolarização das crianças de 0 a 3 anos passou de 10,6% em 2001 para 20,8% em 2011 e das crianças de 4 a 5 anos de 55,0% em 2001 para 77,4% em No ensino fundamental, considerando a faixa etária de 6 a 14 anos, a continuidade e aprofundamento das políticas educacionais vigentes, asseguraram quase 100% das crianças na escola neste período, passando o índice de 95,3% em 2001 para 98,2% em (IBGE, 2012) No ensino médio, o índice foi de 83,7% em 2011 de jovens com idade de 15 a 17 anos matriculados em estabelecimentos de ensino. Porém, quando apurada a taxa de frequência

20 2 líquida, que mede a porcentagem da população da respectiva faixa etária que está na etapa educacional correta, o índice cai para 51,6% contra 37,3% em Portanto, o índice de 83,7% mascara a questão da defasagem escolar, muito embora, mesmo em menor proporção confirma-se também a expansão educacional nesse nível de ensino. (IBGE, 2012) Considerando a faixa etária de 18 a 24 anos, que compõe a população que teoricamente deveria estar cursando o ensino superior, tema central desse trabalho, várias considerações podem ser levantadas tomando por base os dados da PNAD/IBGE abaixo: Tabela 1A - Estudantes de 18 a 24 anos de idade, total e respectiva distribuição percentual, por nível de ensino frequentado, segundo as regiões geográficas Grandes Regiões, Estudantes de 18 a 24 anos de idade Unidades da Federação e Total Distribuição percentual, por nível de ensino frequentado (%) Regiões Metropolitanas (1 000 Fundamental Médio Superior (1) Outros (2) Brasil pessoas) ,1 34,2 51,3 6,3 Norte ,3 43,5 32,3 8,8 Nordeste ,7 43,9 35,8 6,6 Sudeste ,2 29,0 60,8 6,0 Sul 912 4,0 24,2 65,4 6,4 Centro-Oeste 565 4,5 30,0 61,7 3,8 Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (1) Incluive mestrado e doutorado. (2) Pré-vestibular, supletivo e alfabetização de adultos. Tabela 1B - Estudantes de 18 a 24 anos de idade, total e respectiva distribuição percentual, por nível de ensino frequentado e cor ou raça, segundo as regiões geográficas Regiões Geográficas Total (1 000 pessoas) Estudantes de 18 a 24 anos de idade Distribuição percentual, por nível de ensino frequentado (%) Fundamental Médio Superior (1) Outros (2) Branca Brasil ,5 24,1 65,7 5,6 Norte ,2 32,5 49,4 7,9 Nordeste 604 9,6 31,8 52,3 6,3 Sudeste ,8 22,0 69,3 5,8 Sul 752 3,0 21,2 70,6 5,3 Centro-Oeste 264 3,5 22,1 71,8 2,5 Preta ou Parda Brasil ,8 45,2 35,8 7,2 Norte ,5 47,6 26,8 9,1 Nordeste ,5 49,8 28,0 6,8 Sudeste 901 6,7 41,3 45,6 6,4 Sul 152 9,0 38,8 40,1 12,0 Centro-Oeste 291 5,4 37,3 52,3 5,1 Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (1) Incluive mestrado e doutorado. (2) Pré-vestibular, supletivo e alfabetização de adultos. Em 2011, do total desses jovens matriculados em estabelecimentos de ensino, 34,2% cursavam o ensino médio e 51,3% o ensino superior. Dentre os jovens desta faixa etária da cor branca a proporção no ensino superior foi de 65,7% contra 39,6% em Entre aqueles que declararam-se da cor preta ou parda, a proporção no ensino superior foi de 35,8% contra 10,2% em 2011.

21 3 Considerando os dados da evolução da escolarização via universalização do acesso a educação nos diversos níveis, se observou uma redução significativa de jovens fora da escola aproximadamente 12 pontos no período de 2001 a 2011, passando de 43,8% em 2001 para 32,2% em 2011, respectivamente. As condições socioeconômicas das famílias influenciam no abandono precoce dos estudos, impedindo que muitos cheguem ao ensino superior. O comparativo com outros países europeus demonstrou quão preocupante são os dados do Brasil relativos ao percentual de jovens de 18 a 24 anos que em 2011 não havia completado o ensino médio e não estava na escola, o que acaba condicionando essa população a um futuro de estagnação social e econômica, na grande maioria dos casos e afetando o desenvolvimento econômico e social do país como um todo. (IBGE, 2012) Gráfico 1A - Taxa percentual de abandono escolar precoce da população de 18 a 24 anos, por sexo Brasil 26,6 37,9 Belgica 9,7 14,9 Chipre 8,1 15,1 Alemanha 10,6 12,4 França 10,2 13,9 Espanha 21,9 31,0 Itália 15,2 21,0 Malta 27,6 38,9 Portugal 18,1 28,2 Romênia 16,6 18,5 Reino Unido 13,8 16,2 Noruega 13,1 19,9 Suíça 5,7 6,8 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 Mulher Homem Fonte: Adaptado de IBGE (2012, p.117) Considerando o caráter econômico como condicionante na evolução da formação educacional do cidadão, verifica-se através dos dados da PNAD, que houve melhorias consideráveis no período de 2001 a 2011 em relação a escolarização da população de menor

22 4 renda, em grande parte fruto das políticas de democratização da educação. Enquanto em 2001, a média de anos de estudo da população de 18 a 24 anos integrante do 1º quinto de rendimento mensal familiar era de 5,3 anos, em 2011 esse número passou a 7,7. Na população no ensino superior, que enquadra-se de 1º, 2º e 3º quintos de rendimento, as proporções passaram de 9,0 para 26,9, 13,0 para 37,8 e 25,1 para 51,9, respectivamente nos anos de 2001 e Tal panorama demonstra a necessidade de manutenção e ampliação não apenas das políticas de ampliação do número de vagas no ensino superior, mas também, das políticas direcionadas a apoiar os estudantes com fragilidade socioeconômica que passam a fazer parte do sistema de ensino superior, seja público ou privado, para que não abandonem seu curso e passem a engrossar as estatísticas relativas a evasão escolar. Segundo os dados do PNAD 2011, considerando a taxa de frequência líquida a estabelecimentos de ensino, dos jovens de 18 a 24 anos apenas 14,6% frequentam o ensino superior. Gráfico 1B - Média de anos de estudo das pessoas de 18 a 24 anos, segundo quintos do rendimento mensal familiar per capita /2011 7,9 9,6 5,3 7,7 6,2 8,6 7,6 9,4 9,0 10,3 10,7 11,7 TOTAL 1º Quinto 2º Quinto 3º Quinto 4º Quinto 5º Quinto Fonte: Adaptado de IBGE (2012, p.118) Tabela 1C - Pessoas de 18 a 24 anos de idade, total e com 11 anos de estudo ou mais, total e respectiva proporção, por quintos de rendimento mensal familiar per capita /2011 Pessoas de 18 a 24 anos de idade Ano Total Com 11 anos de estudo ou mais (1 000 Total Quintos de rendimento mensal familiar per capita pessoas ( º quinto 2º quinto 3º quinto 4º quinto 5º quinto ) 141 pessoas) ,0 13,0 25,1 42,7 71, ,0 27,2 43,4 60,8 84, ,9 37,8 51,9 66,7 84,4 Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2001/2011. Em relação à dependência administrativa da rede de ensino, os dados seguintes tratam da distribuição percentual da população que efetivamente está vinculada a uma instituição de ensino, seja pública ou privada.

23 5 Tabela 1D - Distribuição percentual das pessoas que frequentam estabelecimento de ensino, por nível e rede de ensino frequentado, segundo as regiões geográficas Região Geográfica Distribuição percentual das pessoas que frequentam estabelecimento de ensino, Fundamental (1) Médio (1) Superior (2) Pública Particular Pública Particular Pública Particular Brasil 87,0 13,0 87,0 13,0 25,2 74,8 Norte 92,7 7,3 93,0 7,0 32,4 67,6 Nordeste 86,3 13,7 88,4 11,6 35,2 64,8 Sudeste 85,1 14,9 84,8 15,2 19,1 80,9 Sul 90,6 9,4 86,5 13,5 24,9 75,1 Centro-Oeste 85,4 14,6 86,4 13,6 24,4 75,6 Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (1) Exclusive educação de jovens e adultos ou supletivo. (2 Exclusive mestrado e doutorado. Gráfico 1C - Distribuição percentual das pessoas que frequentam estabelecimento de ensino, por nível e rede de ensino frequentado % 87% 72% 13% 13% 25% Ensino Fudamental Ensino Médio Ensino Superior Público Privado Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios O gráfico acima permite melhor visualização da distribuição percentual do público e privado em relação a rede de ensino. Enquanto a meta de universalização do ensino público no nível fundamental e médio está mais próxima, no ensino superior estamos bastante distantes de atender ao preceito legal que define ser a educação um dever do Estado e direito de todos. Quando analisamos a questão da renda do estudante de ensino superior, podemos verificar que tanto na rede pública quanto na rede privada, há muitos estudantes de baixa renda, contrariando muitos pressupostos que afirmam que apenas ingressam nas universidades públicas estudantes de famílias de boas condições financeiras. Lembrando que, também nas instituições de ensino superior privadas há muitos estudantes que dependem de apoio financeiro oriundo do Estado para manter-se e concluir com êxito a sua formação acadêmica.

24 6 Tabela 1E - Distribuição percentual dos estudantes da rede pública e da rede particular no ensino fundamental, médio e superior, segundo os quintos de rendimento mensal familiar per capita Quintos de rendimento mensal familiar per capita (1) Estudantes Ensino fundamental Ensino médio Ensino superior Rede pública Rede particular Rede pública Rede particular Rede pública Rede particular 1º quinto 38,0 6,4 22,4 3,8 7,1 3,5 2º quinto 28,3 13,3 26,7 7,5 10,2 6,6 3º quinto 18,2 16,0 23,1 13,4 16,4 13,5 4º quinto 11,0 21,7 19,2 22,0 25,3 28,1 5º quinto 4,5 42,6 8,6 53,2 41,0 48,3 Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2001/2011. (1) Exclusive famílias sem rendimentos, sem declaração de rendimentos, pensionistas, empregados domesticos e seus parentes. Grandes Regiões Especificamente quanto ao ensino superior podemos verificar nos dados do IBGE que um percentual de 33,7% dos estudantes que encontram-se matriculados na rede pública pertencem ao 1º, 2º e 3º quintos de rendimento mensal familiar per capita. Enquanto que, 66,3% enquadram-se no 4º e 5º quintos. Na rede privada, 76,4% pertencem ao 4º e 5º quintos. Os dados da PNAD/IBGE 2011 confirmam a tendência apontada pelas pesquisas realizadas pelo FONAPRACE em 2004 e 2010, por solicitação da ANDIFES, para mapear o perfil socioeconômico dos alunos das Instituições Federais de Ensino Superior com o objetivo de subsidiar a elaboração e implementação de políticas públicas destinadas à manutenção e conclusão da graduação dos estudantes com fragilidade socioeconômica no ensino superior público federal. (ANDIFES, 2011) As transformações na Educação Superior brasileira, principalmente a partir de meados da década de 1990, resultaram de uma contínua e crescente universalização do acesso ao ensino superior, com ênfase ao expansionismo privado, em detrimento da ampliação da oferta para o ensino superior público, conforme demonstram os dados da evolução de IES, com majoritária participação privada, aproximadamente 88% em 2011, segundo dados do INEP que mostram que o número total de Instituições de Ensino superior passou de 1391 em 2001 para em 2011, representando um crescimento de cerca de 70%. Essa universalização aparente, é reforçada pelo número de matrículas crescentes na primeira década do século XXI, reforçada por amplo pacote de incentivos governamentais em programas do governo federal para reestruturação das IFES Instituições Federais de Ensino Superior, consubstanciados em programas de incentivo a ampliação da oferta de vagas, dada a demanda reprimida por décadas. Tais condicionantes observados no âmbito políticoinstitucional, denotam uma grande reestruturação da Educação Superior, com redefinições claramente definidas. (INEP, 2013)

25 7 Tabela 1F - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais e número de instituições de ensino superior e 2011 Ano Matrículas nos Cursos de Graduação Presenciais Número de IES Privada Pública Total Privada Pública Total Período 98% 70% 90% 72% 55% 70% Fonte: MEC/INEP De acordo com o INEP, o número total de matrículas nos cursos de graduação presenciais praticamente duplicou no período de 2001 a 2011, saltando de para Muito embora, a expansão do ensino superior privado mantenha-se proporcionalmente acima da expansão do setor público, considerando que neste período as matrículas no setor privado passaram de para , representando uma evolução de 98%, nas instituições públicas as matrículas passaram de para , representando um crescimento de 70%. Em relação ao total de matrículas em 2011, a participação pública e privada é de 28% e 72%, respectivamente. (INEP, 2013) A recente expansão do ensino superior é resultante da necessidade de democratizar o acesso a esse nível de ensino decorrente da constatação e comprovação das lideranças políticas e sociais, inclusive decorrentes dos estudos de organismos internacionais como Banco Mundial, OCDE e UNESCO de que o crescimento econômico e desenvolvimento social de um país estão intrinsecamente ligados ao nível de escolaridade de sua população. Resultado disso, foi a formulação e implementação de programas como o REUNI, PROUNI, PNAES, UAB, dentre outros, com os objetivos de aumentar o número de vagas ofertadas, inclusive na educação a distância, o número de cursos noturnos, aumentar a relação aluno/ professor, reduzir custos, flexibilizar currículos, combater a evasão, ampliar as políticas de inclusão e assistência estudantil, viabilizando também o acesso às IES privadas via concessão de bolsas integrais e parciais, promover a articulação da graduação com a pós-graduação e da educação superior com a educação básica e assegurar a interiorização dos campi. Em conjunto, todas essas medidas visam aumentar a participação dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior que é de apenas 14,6%, percentual bastante distante da meta do PNE de 30%. A participação das IES públicas no total de matrículas de 28% em 2011, também está distante dos 40% previsto no PNE. Apesar de estarmos no caminho da democratização, além da expansão é preciso assegurar mecanismos de permanência pois a educação superior

26 8 continua inacessível para largas camadas da sociedade brasileira, principalmente para aqueles que nesta faixa etária já estão no mercado de trabalho. (RISTOFF, 2008) 1.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA E QUESTÃO NORTEADORA As transformações do campo da educação, enquanto conjunto de políticas públicas que visam atender as necessidades básicas de uma população ou sistema social, indicam fases passíveis de delimitação da problemática situação vivenciada pela defasagem no acesso ao ensino superior brasileiro. Os ciclos de crescimento e expansão do ensino superior brasileiro conjugado de forma hibrida na oferta pública/privada, com clara indução a oferta no setor privado, denotam uma clara massificação ou universalização para amplos setores sociais. Enquanto conjunto de decisões institucionalizadas do acervo organizacional estatal ou ações políticas orientadas pelo Estado brasileiro, a política de educação superior tomou contornos nítidos no que tange as transformações seguindo três fases distintas: a) um sistema elitizado em transição ; b) um sistema de massa; c) um sistema de acesso universal. O arcabouço político-institucional propiciado pela LDB, enquanto mecanismo de intervenção orquestrado pelo Estado brasileiro, no desafio de executar uma política pública educacional, com ênfase na educação superior sofreu transformações desencadeadas por processos que configuram um quadro que vai da elitização a privatização neste nível de ensino, segundo Ristoff (2008). Os dados censitários ainda demonstram uma debilidade no acesso para parcela significativa dos demandantes do sistema as jovens classes trabalhadoras. O processo de expansão foi acompanhado de movimentos de privatização, diversificação, centralização, desequilíbrios regionais, ampliação do acesso, desequilíbrio da oferta, ociosidade de vagas, corrida por titulação e lento incremento, de acordo com Ristoff (2008, p. 42). Na primeira década do século XXI, os censos demonstram que o nível de expansão foi elevado ao ponto de se ter uma oferta de vagas no ensino superior, maior que o incremento de concluintes no ensino médio, embora a maioria dessas vagas tenha sido oferecida nas instituições privadas. Se a geração de oportunidades foi importante, a necessidade na década presente é democratizar tal acesso, gerando mecanismos de permanência para jovens estudantes que obtiveram a oportunidade de frequentar o ensino superior. Tal democratização é indissociável da expansão da oferta pública de vagas, daí a necessidade de programas de permanência e manutenção de egressos do ensino médio nas IFES públicas.

27 9 Como uma política pública se define como uma ação ou conjunto de ações implementada pelos governos para solucionar determinados problemas, e, nas diferentes abordagens dadas ao tema, toda formulação, implementação e avaliação de política pública decorre de uma junção de forças políticas e sociais, isto implica, muitas vezes, em um reordenamento de papéis dos diferentes atores envolvidos e que estão em constante busca por janelas de oportunidades para atendimento de seus objetivos. No caso brasileiro, notadamente nos últimos anos, as políticas públicas orientadas para estudantes oriundos de escolas públicas e de famílias financeiramente menos favorecidas, estudantes de etnias com baixa participação no ensino superior, como negros e índios, foram apoiadas pelas ações políticas das instituições do Estado. Essa expansão para o ensino superior privado ocorreu com maior intensidade em função dos benefícios da renúncia fiscal, aproveitando sua capacidade ociosa instalada, recebendo alunos bolsistas, e, nas próprias universidade públicas que foram estimuladas por programas de reestruturação que reforçou a expansão, democratização e permanência no ensino superior. As políticas públicas desdobram-se em planos, programas, projetos e subsequente as fases de planejamento, formulação e implementação está a fase de acompanhamento e avaliação que serve a vários propósitos desde a disponibilização de dados e informações para continuidade ou reformulação das ações em fase de implementação e das próprias políticas públicas até a formação de rankings conforme resultados dos indicadores de qualidade. A avaliação do ensino superior assume papel determinante na garantia de padrões mínimos de qualidade dos serviços prestados. O PNAES, institucionalizado sob a forma de Decreto Presidencial em 2010, estabeleceu as diretrizes para as ações de assistência estudantil aos alunos com fragilidade socioeconômica. Essas ações eram até então, praticadas de forma individual e desarticulada pelas IFES - Instituições Federais de Ensino Superior, com intuito de assegurar a permanência e conclusão do curso, buscando reduzir as taxas de retenção e evasão e promover inclusão social através da educação. Atualmente, grande parte das reivindicações dos movimentos estudantis dizem respeito a ampliação da assistência estudantil, através de restaurantes, moradias estudantis, bolsas e melhorias nas infraestrutura de laboratórios e bibliotecas e para isso pleiteiam um orçamento de R$ 1,5 bi para 2013 para o PNAES. (http://www.une.org.br) Por outro lado, o governo, através do Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirma que está se fazendo "um grande esforço de inclusão social, sendo que os recursos

28 10 para o PNAES passaram de R$ 125 milhões em 2008 para aproximadamente R$ 600 milhões em (http://portal.mec.gov.br) Em 2012, durante audiência com representantes do movimento estudantil, o ministro Mercadante recebeu pauta com as reivindicações dos estudantes por IFES e assumiu compromisso de encaminhar aos reitores para avaliação pontual das demandas, ressaltando que será criada "uma comissão para acompanhar e monitorar a resolução das situações indicadas no documento, mas sem ferir a autonomia das universidades; o MEC pode apoiar, acompanhar, fiscalizar e avaliar. O MEC também assumiu o compromisso de criar um programa de consolidação da expansão das Instituições Federais de Ensino Superior para dar continuidade aos projetos iniciados com recursos orçamentários do REUNI - Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades. (http://www.une.org.br) Estando as lideranças estudantis e os dirigentes das IFES altamente mobilizados no sentido de ampliar os recursos orçamentários destinados ao financiamento do PNAES e sendo este programa parte de uma política de promoção da universalização do ensino superior, parte-se das hipóteses que o macro resultado depende da correta aplicação dos recursos por parte das Instituições Federais de Ensino, e de que é imprescindível conhecer o posicionamento de seu público alvo. A implantação do PNAES na UFPR, implícita aos objetivos de manutenção, ampliação dos graduandos em situação de fragilização socioeconômica, indica a questão norteadora, fulcro desse projeto de dissertação, quais sejam: a) Qual a efetividade do PNAES, implementado na UFPR, na manutenção e conclusão do curso dos graduandos em situação de fragilidade socioeconômica? b) Como os atores envolvidos avaliam a prestação de Serviços de Assistência Estudantil na UFPR, no contexto da implementação do PNAES? c) Quais os limites da eficácia na implementação do PNAES no contexto da UFPR? O resultado do trabalho é uma avaliação da implementação de um programa de permanência de jovens no ensino superior, via prestação de serviços de assistência focalizada para alunos de baixa renda nos cursos de graduação, os resultados identificaram os pontos fortes e pontos fracos dos programas e ações direcionados a assegurar a permanência e conclusão da graduação na UFPR, fornecendo subsídios para manutenção e/ou reorientação dessas ações.

29 OBJETIVOS DA PESQUISA OBJETIVO GERAL Avaliar o impacto da implementação do PNAES Programa Nacional de Assistência Estudantil na UFPR OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar os limites orçamentários do PNAES no âmbito da UFPR; Descrever os principais programas de Assistência Estudantil no âmbito do PNAES adotados pela UFPR e seu impacto na permanência e conclusão do curso de graduandos em situação de fragilidade econômica; Caracterizar as ações de assistência estudantil promovidas pela UFPR, orientadas pelo PNAES e sua efetividade na manutenção e promoção da universalização do acesso ao ensino superior; Descrever a eficiência do PNAES no âmbito da UFPR para manutenção, ampliação e focalização no atendimento do acadêmico em situação de fragilização socioeconômica. 1.3 HIPÓTESES O PNAES constitui-se em parte de um política pública nacional para democratização do acesso e permanência de jovens interessados em cursar uma graduação nas instituições públicas de ensino superior; O alcance das metas e objetivos globais dessa política pública depende de eficiência e eficácia das IFES na aplicação dos recursos orçamentários federais destinados ao financiamento do PNAES; É necessário conhecer as expectativas do público alvo do PNAES para assegurar a manutenção e/ou reorientação das ações de assistência estudantil praticadas pelas IFES; O público alvo do PNAES, apesar de usufruir de seus benefícios, não conhece as bases e diretrizes do Programa.

30 METODOLOGIA Para o trabalho proposto a metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e documental, técnicas de documentação indireta, conforme afirmam Marconi e Lakatos (2009). Foram levantadas obras literárias e artigos relacionados a evolução do ensino superior no Brasil e a gestão da educação. Foram também consultados materiais disponíveis e a legislação vigente que trata do PNAES - Programa Nacional de Assistência Estudantil e do processo orçamentário federal. Como se trata de um estudo de caso de um programa federal implementado na UFPR- Universidade Federal do Paraná, foram abordados documentos institucionais, como o PDI - Plano de Desenvolvimento Institucional, Relatórios de Atividades, Resoluções dos Órgãos Colegiados, bem como, materiais disponíveis, inclusive na Internet, para caracterização da Universidade e suas ações de assistência estudantil. A UFPR, considerada a mais antiga Universidade do país, foi fundada em 19 de dezembro de 1912, é uma autarquia de regime especial com autonomia administrativa, financeira, didática e disciplinar, mantida pela União. Segundo dados de 2011, a UFPR possui cerca de 26 mil alunos de graduação. Para avaliação da percepção dos acadêmicos da UFPR beneficiários do PNAES Programa Nacional de Assistência Estudantil, em suas múltiplas ações de permanência/manutenção foi aplicado um questionário estruturado com quatorze (14) questões como forma de observação da percepção sobre os serviços adotados na Universidade, com amostragem significativa, distribuído proporcionalmente por setor para os beneficiários dos programas, encaminhados e respondidos por escrito ( ), sem a presença do pesquisador. Inicialmente foi elaborada listagem dos alunos com fragilidade socioeconômica com data de corte no final de 2012, visto que, o universo de alunos atendidos sofre variação de acordo com o ingresso semestral. Para levantamento da percepção dos alunos beneficiados sobre os programas e ações promovidos pela UFPR com objetivo de assegurar a permanência do estudante com fragilidade socioeconômica na Instituição até a conclusão do curso de graduação foram aplicados 334 questionários, no universo amostral de alunos beneficiários, com questionários distribuídos eletronicamente para os endereços dos alunos atingidos pelos programas e ações da UFPR, de acordo com a Quadro 1. Considerando a população amostral dos beneficiários, o intervalo de confiança foi de 95%, com erro estimado em 5%.

31 13 Quadro 1A - Distribuição Amostral SETOR Nº PARTICIPAÇÃO BENEFICIADOS RELATIVA AMOSTRA AGRÁRIAS ,31% 57 BIOLÓGICAS 195 7,76% 22 SAÚDE ,02% 41 TERRA 105 4,18% 14 EXATAS 184 7,32% 24 HUMANAS ,36% 48 JURÍDICAS 29 1,15% 4 SOCIAIS APLICADAS 64 2,55% 8 EDUCAÇÃO 54 2,15% 7 ED. PROF. E TECNOLÓGICA 83 3,30% 11 LITORAL ,18% 37 PALOTINA 195 7,76% 24 CENTRO ESTUDOS DO MAR 94 3,74% 13 TECNOLOGIA 182 7,24% 24 TOTAL % 334 Fonte: Elaboração da Autora A elaboração dos dados estatísticos, aplicação e tabulação foi acompanhada pelo Laboratório de Estatística Aplicada da UFPR - LEA, vinculado ao Departamento de Estatística do Setor de Ciências Exatas. O LEA oferece assessoria na área de Estatística para atendimento a pesquisas científicas desenvolvidas tanto na UFPR como em outras Instituições. (http://www.lea.ufpr.br) Na etapa final, de acordo com métodos estatísticos estabelecidos na amostra, com os questionários respondidos de acordo com a programação estabelecida no segundo semestre de 2012, os resultados foram tabulados e vinculados na plataforma Excel para elaboração de tabelas e gráficos ilustrativos, resultando na percepção dos acadêmicos da UFPR sobre o PNAES em seus programas e ações vinculados, que resultaram na avaliação do programa focalizado no estudo deste trabalho dissertativo motivado pela importância de identificar possíveis gaps entre a percepção do público alvo e da Administração da UFPR, enquanto agente responsável pelas fases de implementação e avaliação do PNAES e pela relevância dessas fases dentro do ciclo de elaboração de políticas públicas. A opção pelo estudo de caso deu-se em virtude do vínculo empregatício da autora com a Instituição.

32 14 2 A UNIVERSALIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL 2.1 BREVE RETROSPECTIVA HISTÓRICA DO ENSINO SUPERIOR NO BRASIL Inicialmente, cabe comentar que no Brasil a Educação Superior despontou tardiamente em relação aos outros países da América Latina de origem espanhola, que tiveram suas primeiras universidades implantadas já no século XVI, baseadas no modelo europeu. Devido a sua política de colonização, Portugal fazia oposição as iniciativas dessa natureza e mesmo entre os brasileiros, não encontrava-se respaldo para a criação de Universidades, uma vez que, estudar na Europa parecia mais apropriado. Durante o período colonial, as únicas iniciativas ligadas à promoção da educação do povo partiram dos jesuítas, que tinham como propósitos catequizar os índios e educar os descendentes dos colonizadores, a elite da época. Aqueles que tinham interesse em formação acadêmica, tinham como destino principal Coimbra. (LUCKESI, 2003 apud SILVA FILHO, 2011) De acordo com Vasconcelos (2009, p. 400): Somente em 1808 com a vinda da família real, é que surgiu o primeiro interesse de se criar escolas médicas na Bahia e no Rio de Janeiro: em fevereiro de 1808 surge o Colégio Médico-Cirúrgico da Bahia e em abril do mesmo ano a cadeira de Anatomia é criada no Hospital Militar do Rio de Janeiro. Em 1810, o Príncipe Regente assinou a carta de Lei de 4 de dezembro, criando a Academia Real Militar da Corte, que anos mais tarde se converteria na Escola Politécnica; o Decreto de 23/02/1808, que institui uma cadeira de Ciência Econômica; e o Decreto de 12/10/1820 que organizou a Real Academia de Desenho, Pintura, Escultura e Arquitetura Civil, depois convertida em Academia de Artes. Inicialmente, todos os cursos eram gratuitos e financiados com o "quinto da Coroa", que era um imposto cobrado sobre os produtos exportados do Reino e das Colônias. Desde sua constituição, portanto, o ensino superior no Brasil teve uma natureza profissionalizante, eletista e imediatista à medida que atendia a pequena nobreza e seus descendentes e principalmente, as necessidades militares do Brasil Colônia e sua Corte. A questão do foco na formação prática, técnica, acompanhou também o contexto mundial, pois com a Revolução Industrial no século XVIII a formação humanística cedeu espaço à uma formação mais profissionalizante. (SILVA FILHO, 2011) Com a Proclamação da Independência do Brasil, cresceu o número de escolas superiores. Em 1843 e 1847, houve a tentativa de criar a Universidade de Pedro II e o Visconde de Goiânia, mas sem êxito. Já em tempos de República, a Constituição de 1891 não remeteu ao tema Universidade. Apenas em 1912, no Estado do Paraná, por iniciativas locais, surgiu a primeira universidade brasileira e em 1920 nasceu a Universidade do Rio de Janeiro. (VASCONCELOS, 2009)

33 15 A partir de 1930, a educação superior passa por um processo de transformação e ordenação. A educação passa a ser tratada como direito público e regulamentada pelo Estado. Tem início a constituição de um Welfare State no Brasil, mas marcado por políticas de caráter populista e desenvolvimentista. As políticas sociais adquiriram relevância, mas não ao ponto de equiparar-se as políticas econômicas. A universalização do ensino estava muito distante, a ponto desse direito não constar das Constituições. (JOHNSON, 2011) As Universidades criadas à época, não seguiram como espaços de livre debate das ideias, tendo em vista o período de ditadura com a implantação do Estado Novo. Nesta época, de política autoritária do governo, foi criada a União Nacional dos Estudantes - UNE, que defendia uma universidade aberta, redução das taxas cobradas, eleições de dirigentes/reitores, liberdade de pensamento e expressão. O início da década de 50, foi um marco histórico trazendo modernização para ensino superior, como consequência da busca pela inserção da economia brasileira no mercado internacional. Entre as décadas de 50 e 70 várias universidades foram criadas, estaduais, municipais e particulares, seguindo as diretrizes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que passou a vigorar em 1961, Neste ano, foi criada a Universidade de Brasília, já com uma concepção de modelo ideal de universidade brasileira, resultante de um processo de reflexão nacional, privilegiando aspectos culturais. Porém, as políticas sociais à época eram basicamente de caráter assistencialista e com objetivo de repreender movimentos sociais reivindicatórios. (VASCONCELOS, 2009) O processo de industrialização da década de 70, com a crescente divisão técnica do trabalho, progressiva acumulação do capital e surgimento das tecnologias de informação, exigiu a expansão do ensino superior. Ademais, a causa ganhou apoio da sociedade em geral e rompeu os muros das Universidades. A questão do desenvolvimento social passou a ter maior relevância, mas as políticas estatais ainda não atendiam satisfatoriamente as demandas sociais. No caso do Brasil, o processo expansionista de industrialização, quase totalmente assente no endividamento externo, entre 1968 e 1979, conduziu, sobretudo depois de 1975, a uma profunda crise financeira cujos efeitos se tornaram particularmente graves a partir de e que se prolonga até hoje. A crise financeira do Estado repercutiu-se na universidade pública, tanto mais que simultaneamente aumentou a demanda social pela expansão da educação básica. (SANTOS e ALMEIDA FILHO, 2008, P.16) O Estado adotou medidas direcionadas a aumentar o número de vagas no ensino superior e mudar as formas de ingresso/processo seletivos, mas não foi capaz de atender a democratização do acesso e a demanda reprimida. Como consequência, o setor privado supriu

34 16 esse nicho de mercado de forma bastante agressiva, conforme demonstram o quadro e gráfico a seguir: Tabela 2A - Número de matrículas no ensino superior público e privado a 1990 Dependência Administrativa Setor Público Setor Privado GERAL Fonte: Adaptado de MINTO (2006, p.180 e 181) Número de matrículas Gráfico 2A - Número de matrículas no ensino superior público e privado a Setor Público Setor Privado Fonte: Adaptado de MINTO (2006, p.180 e 181) Durante o regime militar ( ), os danos à vida acadêmica foram avassaladores. Contudo, foi também neste período que as universidades receberam os maiores impulsos, principalmente no campo das pesquisas científicas e tecnológicas (CUNHA, 2000 apud SILVA FILHO, 2011). Com o fim da ditadura, a universidade tornou-se um dos principais agentes da redemocratização do país. A Constituição Brasileira de 1988 foi um marco, incorporando questões relacionadas à educação e a assistência social de forma geral. Segundo Vasconcelos (2009, p.402), "A trajetória histórica da Assistência Estudantil no Brasil esta conectada com a trajetória da política de Assistência Social, pois ambas despontam a partir dos movimentos sociais que lutaram pelo fim do regime militar e a promulgação de uma nova Constituição Federal." Segundo Oliveira (1999), a CF/88 foi a primeira a contemplar explicitamente a declaração dos Direitos Sociais, dando ênfase à educação e maior precisão jurídica à redação. Inclusive, ampliou o dever do Estado àqueles que não tiveram acesso à educação na idade

35 17 adequada. Fator inovador, também, foi a indicação de mecanismos capazes de assegurar tais direitos (mandado de segurança coletivo, o mandado de injunção e a ação civil pública). No artigo 205, afirma-se: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família. No 206, especifica-se que: O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: [...] IV gratuidade do ensino público nos estabelecimentos oficiais. Inova-se a formulação da gratuidade, assegurando-a em todos os níveis na rede pública, ampliando-a para o ensino médio, tratada nas Constituições anteriores como exceção e, para o ensino superior, nunca contemplada em Cartas anteriores. (OLIVEIRA, 1999, P.62) Uma nova LDB passou a ser exigência constitucional, dada as convergências e divergências entre os avanços constitucionais alcançados e o texto da Lei nº 4.024/61 com a redação dada pela Lei nº 7.044/82 e da Lei nº 5.540/68. Para uma continuidade jurídica viável era imprescindível uma nova legislação com coerência de concepções, inclusive de nomenclaturas, questões relativas a gratuidade e qualidade utilizadas pelo sistema educacional brasileiro. Com a Lei /95 dá-se a formalização do Conselho Nacional de Educação (CNE), em decorrência da extinção do Conselho Federal de Educação e consequente regulamentação da avaliação da educação, com ênfase na educação superior. Em paralelo, tramitam dois projetos da nova LDB. Um dos projetos oriundo da Câmara dos Deputados bem mais analítico e outro oriundo do Senado, mais sintético. Apesar dos avanços conquistados com CF/88, que em seu Art. 3º define que: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. o cenário internacional apontava para a redução do papel do Estado nas questões sociais, com a retirada dos gastos sociais de sua estrutura. O Estado era apontado como causador da crise. Era preciso um realinhamento das funções estatais, inicialmente assegurando a governabilidade através de medidas de ajuste fiscal. 2.2 AS REFORMAS DO ENSINO SUPERIOR NA DÉCADA DE 90 A literatura internacional, nos últimos anos, tem se dedicado a explicar as semelhanças institucionais e organizacionais entre os sistemas sociais em diversas partes do mundo. " As instituições do Estado-Nação, incluindo o próprio Estado-Nação, são moldadas a nível supranacional pela ideologia, valores e processos dominantes do Ocidente, e não tanto como

36 18 criações autônomas e específicas" (Magalhães, 2004, p.342). Atores como a UNESCO, a OCDE, o Banco Mundial e o FMI, serviram de fontes de legitimação das mudanças nas políticas nacionais, inclusive, para o setor educacional. (MAGALHÃES, 2004) O modelo de financiamento público da economia capitalista entrou em crise levando ao rompimento do ciclo virtuoso do Welfare State. As necessidades sociais se mostraram superiores a capacidade de crescimento dos países em geral, exercendo forte pressão sobre os orçamentos e aumentando a grau de endividamento público. Não tratava-se de mais uma crise cíclica do capitalismo, mas de um problema estrutural que demandava reformas também estruturais, exigindo um redimensionamento das esferas pública e privada. A partir de 1995, as reformas no Brasil foram inspiradas nos modelos gerencialistas, com propósito central de elevar a performance, mantendo os objetivos de ajuste fiscal, mas focalizando a questão da mudança institucional, conforme diretrizes estabelecidas por agência multilaterais e organismos internacionais como FMI e Banco Mundial. Propunha a divisão das funções governamentais em exclusivas, não exclusivas e de mercado, introduzindo novas organizações, como agências executivas e regulatórias. Também o conceito de público passa por transformações, incorporando o público não estatal, que seriam as instituições privadas que atuam com propósito de atender a interesses públicos, como hospitais e instituições de ensino. Segundo Bresser Pereira (1997 apud SILVA JR., SGUISSARDI, 1999, p.27), Nos anos 90, embora o ajuste estrutural permaneça entre os principais objetivos, a ênfase deslocou-se para a reforma do Estado, particularmente para a reforma administrativa...como reconstruir o Estado - como redefinir o novo Estado que está surgindo em um mundo globalizado. Buscava-se ajustar o Estado aos parâmetros de eficiência e eficácia exigidos pela globalização que levaram o Brasil e o Mundo a buscar uma administração pública menos burocrática e mais gerencial, sendo então abandonado no campo das políticas sociais o universalismo e sendo adotadas políticas específicas, emergenciais, inclusivas compensatórias e focalizadas para atendimento de necessidades históricas. Nestes modelos gerencialistas, de administração por objetivos, são tratados como maior destaque os critérios de eficiência, que medem a relação dos recursos utilizados, sejam econômicos ou administrativos versus produtividade e critérios de eficácia, que pressupõe medir o nível de alcance das metas e objetivos traçados. (SILVA JR., SGUISSARDI, 1999) De acordo com SANDER (1995), essa conceituação é uma problemática de difícil solução. Há uma indefinição terminológica e semântica generaliza, tornando prática comum a

37 19 inversão de eficiência com eficácia, eficácia com efetividade e efetividade com relevância, além de traduções da palavra effectiveness para efetividade e não eficácia. Já a tradução de efetividade para o inglês é responsiveness. Ainda segundo SANDER (1995) autores clássicos divergem sobre os conceitos de eficiência e eficácia e os autores modernos não diferenciam claramente efetividade e relevância. No início do século XX, dentro do contexto econômico de consolidação da Revolução Industrial, a administração universitária apoiava-se basicamente no critério de eficiência, critério de natureza econômica que mede a capacidade de se produzir o máximo com um mínimo de recursos possíveis, é um critério de racionalidade econômica, desprezando aspectos humanos, políticos e éticos, busca-se produtividade. (SANDER, 1995) Após a Segunda Guerra Mundial, pensadores neoclássicos colocaram em prática o modelo de administração por objetivos, que adota o critério de eficácia como seu condutor, que se traduz na capacidade institucional de produzir o efeito almejado, ou seja, alcançar as metas e objetivos traçados. Na gestão da educação, essa busca pela eficácia diz respeito a questão pedagógica, à consecução dos objetivos educacionais. Na maioria da vezes, portanto esse critério de natureza institucional se sobrepõe ao de natureza econômica na administração universitária.. (SANDER, 1995) Nas décadas seguintes à Segunda Guerra, o conceito de efetividade passou também a pautar as práticas administrativas, refletindo a capacidade da instituição de atender as demandas da sociedade em geral, um critério político, portanto. Em certos aspectos, a questão da efetividade está ligada a responsabilidade social, na medida em que a Instituição busca caminhos para o crescimento econômico e social também do meio em que está inserida, tornando esse critério mais amplo que os critérios técnicos de eficiência e eficácia. Segundo Moraes (2001 apud APRILE, BARONE, 2009, p.45), a implementação de políticas públicas focalizadas representam,... várias vantagens para as elites conservadoras, que geralmente conduzem as reformas. Em primeiro lugar, os benefícios focalizados reduzem custos; os setores no extremo da pobreza são conquistáveis com recursos limitados. Afinal, pobre custa pouco, muito pouco. Em segundo lugar, racionalizam a velha política de clientela. Benefícios dirigidos e particularizados não correm o risco político de serem confundidos com medidas que criam direitos universais ou bens públicos, sempre submetidos, estes últimos, a demandas de extensão e generalização. Permitem também a distribuição mais discricionária dos recursos. Além de seletivos (e por causa disso), têm mais chance de impor condições à concessão, dando forma mais clara às manifestações de gratidão dos beneficiados.

38 20 Este novo modelo de Estado brasileiro, fruto das reformas neoliberais 1 implementadas, se por um lado promoveu a redução do papel do Estado, como na produção de bens e serviços em função da privatizações de empresas estatais, aumentou a demanda da sociedade por políticas capazes de solucionar as desigualdades sociais cada vez mais acentuadas promovidas pelo sistema capitalista, pelas leis de livre mercado. Neste contexto, de economia globalizada, deixando muitos à margem do desenvolvimento econômico e social, o papel da educação mostrou-se então ainda mais crucial. Do ponto de vista de seus resultados pode-se dizer que a educação é um dos pilares de formação de uma Nação, assegura a formação dos valores essenciais para a vida democrática e é o maior mecanismo de promoção de igualdade de oportunidades e de equidade social, rompendo com o ciclo vicioso da pobreza. De acordo com Demo (1995, p.47), Educação é o suporte essencial, porque, no lado formal, instrumenta a pessoa com a habilidade crucial de manejar a arma mais potente de combate que é o conhecimento e, no lado político, alimenta a cidadania. Sociedade educada é aquela composta de cidadãos críticos e criativos, capazes de indicar o rumo histórico, coletivamente pretendido, sobretudo desenvolver, maximamente, a oportunidade histórica disponível. O sistema de educação brasileiro na década de 90, passou por transformações que de certa forma foram aplicados ao Estado como um todo, na busca pela democratização e restauração da capacidade de coordenação e planejamento, tais como: descentralização, participação popular, gestão por resultados, premiação de iniciativas e padronização dos processos avaliativos. Nesta década, foram priorizados pelo Governo os investimentos em educação básica e a falta de financiamento impediu a expansão e modernização do ensino superior. Segundo Santos e Almeida Filho (2008, p. 16), Pode-se dizer que nos últimos trinta anos a crise institucional da universidade na grande maioria dos países foi provocada ou induzida pela perda de prioridade do bem público universitário nas políticas públicas e pela consequente secagem financeira e descapitalização das universidades públicas. Seguia-se a tendência mundial de desregulação do ensino superior público e abertura ao setor privado, que teoricamente seria capaz atender as pressões do meio ambiente organizacional. O setor educacional expandia-se em todo o mundo, para alguns autores, acontecia a globalização da educação direcionada pelos organismos internacionais e transnacionais. Dale (2000 apud MAGALHÃES, 2004), argumenta que na educação, a globalização não é meramente reflexo da cultura e modelos ocidentais, baseada em valores 1 Para aprofundamento do tema ver BRESSER PEREIRA, 1998.

39 21 que se difundem mundialmente, mas sim, é um arranjo de ordem político-econômica para a economia global de forma a assegurar a manutenção e continuidade do sistema capitalista, ou seja, a globalização da educação serve basicamente aos interesses capitalistas. Os dados a seguir demonstram a evolução dos setores público e privado na educação superior no período de 1991 a 2000, segundo dados do INEP. Podemos verificar que o número de matrículas no setor público passou de pouco de mais de 600 mil em 1991 para próximo a 900 mil em 2000, representando um variação de 50%. No setor privado, o número de matrículas nos cursos de graduação presenciais passou de um número bem próximo a 1 milhão em 1991 para 1,8 milhão em 2000, portanto, registrando uma evolução de 80%. Cabe-nos observar que, no total geral de matrículas o setor público representava 38% em 1991 e 32% em 2000, enquanto o setor privado respondia por 61% em 1991 e 67% do número total de matrículas em Isso demonstra a retração do setor público no ensino superior e expansão do setor privado no período de 1991 a Tabela 2B - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a 2000 Dependência Administrativa Matrículas nos Cursos de Graduação Presenciais Privada Pública Federal Estadual Municipal GERAL Fonte: MEC/INEP Gráfico 2B - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a 2000 s2,0 e õ1,8 ilh M1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 Fonte: MEC/INEP Privada Pública Nas IFES brasileiras recursos orçamentários de outros custeios e capital foram contingenciados, não foi autorizado o preenchimento de novas vagas de docentes e técnicoadministrativos, houve um arrocho salarial, levando a um esvaziamento do quadro de recursos humanos das Instituições em função de aposentadorias e desligamentos. Muitas

40 22 dessas aposentadorias foram incentivadas, levando uma migração de mão-de-obra docente de instituições públicas para privadas. Pregava-se a modernização do sistema educacional superior baseada em afirmativas que o modelo de universidade brasileira é de universidade de pesquisa (modelo humboldtiano), modelo considerado de alto custo e cujo financiamento público seria impossível a médio prazo, além de que, não atendia a crescente demanda e não formava profissionais conforme as exigências do mercado. (SILVA JR.; SGUISSARDI; 1999). Para Peixoto (2005 apud SILVA FILHO, 2011, p.25),...as consequências das políticas de caráter neoliberal empreendidas para enfrentar as crises fiscal, do fordismo, do Estado do Bem-Estar Social e do enfrentamento da inserção no mundo globalizado vão representar verdadeira reforma para a educação brasileira. Segundo Minto (2006, p.246) algumas das práticas adotadas vieram apenas sedimentar o objetivo de beneficiar o setor privado, conforme ocorreu em épocas anteriores quando se tratou de reformas do ensino superior. Manteve-se o discurso de que a universidade pública era ineficiente e pouco dinâmica devido a pesada estrutura destinada a pesquisa e a baixa produtividade dos serviços públicos em geral. Em 20 de dezembro de 1996, após debates que duraram cerca de seis anos, foi sancionada a Lei 9394/96, atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, denominada oficialmente Lei Darcy Ribeiro, baseada nos princípios democráticos presentes na CF/88 - "Constituição Cidadã", como o direito universal à educação, justiça social e gestão democrática da educação presentes no Art. 205 e nas premissas do Art. 206 que afirmam que: O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de e provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm) A LDB de 1996 trouxe como inovações a inclusão da educação infantil como primeira etapa da educação básica, reconhecimento do direito à diferença, havendo a regulamentação do ensino a pessoas com necessidades especiais, aos índios e da educação de jovens e adultos.

41 23 Também foram iniciadas as tratativas sobre a criação do Plano Nacional da Educação PNE, que veio atender ao Art. 214 da CF/88 através da Lei /01, cujo projeto sofreu inúmeros vetos presidenciais, principalmente relativos a questão de financiamento do sistema educacional, tornando o PNE uma plano mais declaratório do que obrigatório. Seguindo a mesma linha adotada quando da aprovação da LDB/96 que veio a substituir LDB/61, a opção do governo neoliberal a época foi claramente pelo projeto do PNE mais sintético oriundo do Executivo em detrimento ao mais analítico e abrangente fruto de trabalhos da sociedade civil, embora dispositivos constitucionais tenham contido a tendência de retirada do Estado de determinadas atividades econômicas e limitação de certos direitos sociais relativos a educação. (MINTO, 2006) Em relação ao ensino superior, a nova LDB não reafirmou o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão (MINTO, 2006) e foram retirados do projeto ou depois vetadas as principais questões relativas ao financiamento da educação, levando aos que muitos chamam de "mercantilização" do ensino. Foi ratificado um dos principais pressupostos relativos a política educacional à epoca, ou seja, o volume de recursos destinados para educação pública era satisfatório, o que se fazia necessário era aumentar a eficiência. Segundo CUNHA (2007), com a LDB/96 teve início no setor educacional uma tentativa de transposição do capitalismo patrimonial para o capitalismo concorrencial. Apesar das IES privadas posteriormente assegurarem através da Justiça Federal a continuidade de seus benefícios, os investimentos no setor deixariam de receber concessões tão diferenciadas em relação as concedidos para outros setores econômicos. Sendo a educação um ramo lucrativo, não haveria porquê manter privilégios como isenção de tributos as empresas do setor, reafirmando a concepção mercantil dada à educação. Essa lógica também é defendida por Otranto (2006), que afirma que a educação para a Organização Mundial do Comércio - OMC é tratada como mercadoria, uma vez que o setor de serviços educacionais é extremamente atrativo em economias emergentes como a brasileira. Dentre as diretrizes do Banco Mundial está a autonomia das instituições federais de ensino superior. Contudo, essa autonomia diz respeito a questão do auto financiamento, uma vez que, a estrutura dessas instituições é considerada muito dispendiosa para o Estado, destinatárias de altos subsídios. Alternativas são apontadas pelo Banco Mundial, como o incentivo à privatização e busca de fontes alternativas de financiamento, que incluiriam a cobrança de mensalidades integrais ou parciais. As IFES se transformariam em entidades

42 24 públicas de natureza privada, submetendo-se ao controle estatal, comunitário e do mercado. Seriam gerenciadas por contratos de gestão com o Estado, administradas por um Conselho Comunitário e financiadas de forma complementar pelo mercado que levaria em conta critérios de eficiência e qualidade dos serviços prestados. (SILVA JR.; SGUISSARDI; 1999). A expansão exacerbada do ensino superior privado na década de 90 reforçou a problemática da qualidade dos serviços educacionais prestados seja pelo setor público ou privado. Esta problemática esteve na origem da criação de um sistema nacional de avaliação da educação superior, com objetivo de avaliar as instituições, os cursos e o desempenho dos estudantes. Os pressupostos básicos da avaliação são identificar e avaliar as ações institucionais de forma a aumentar sua eficácia e efetividade acadêmica e social. Os resultados dessa avaliação devem orientar a expansão do número de vagas no ensino superior e reforçar os compromissos sociais da IES. 2.3 OS PROGRAMAS DE INCLUSÃO, EXPANSÃO E DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR NO PERÍODO RECENTE Segundo o Plano Nacional da Educação, Lei nº /01, o setor público deveria responder por no mínimo 40% das matrículas no ensino superior. Os dados do INEP de 2011 mostram que ainda estamos distantes de tal índice. Somente com a combinação de políticas públicas de expansão, democratização, permanência e qualidade do ensino é que poderá se falar em igualdade de oportunidades e acesso universal ao ensino superior. Estas políticas tem sido implementadas nesta última década, com destaque para a preocupação com a reposição dos quadros de docente e técnicos administrativos da IFES, educação continuada dos docentes, valorização profissional, permanência do estudante de baixa renda nas universidades, oferta de bolsas de estudo em instituições privadas, educação a distância, política de cotas, dentre outras. Conforme indicam os dados estatísticos do IBGE, referentes a última década, relativos a classes sociais dos estudantes de ensino médio e o alcance da universalização da educação básica é preciso oportunizar a todos, principalmente aqueles grupos historicamente excluídos, o acesso e a permanência no ensino superior, pois é sabido que a expansão não significa democratização (RISTOFF, 2008). Podemos observar, que no período de 2001 a 2011, manteve-se a tendência já delineada na década anterior, sendo a expansão proporcional do setor privado superior a do setor público de ensino superior. Muito embora, já se vislumbre os resultados das políticas de

43 25 expansão e inclusão do ensino superior público adotadas na segunda metade da década em questão, conforme dados a seguir. Tabela 2C - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a 2011 Dependência Administrativa Matrículas nos Cursos de Graduação Presenciais Privada Pública Federal Estadual Municipal GERAL Fonte: MEC/INEP Gráfico 2C - Evolução do número de matrículas nos cursos de graduação presenciais a 2011 s4,5 e õ ilh 4,0 M 3,5 3,0 2,5 2,0 1,5 Privada Pública 1,0 0,5 0, Fonte: MEC/INEP Em 2003, o MEC através de Informativo INEP (2003 apud MINTO, 2006, p. 252), divulgou que a "participação do setor privado na educação superior no Brasil é uma das maiores do mundo". Aproximadamente 70% dos jovens cursando o ensino superior estavam matriculados em instituições privadas, contrariando a tendência dos demais países da América Latina ou dos países membros da OCDE, onde o setor público respondia por cerca de 80% das matrículas. Em 2011, os índices são de 73% de matrículas em instituições privadas e 27% em instituições públicas. Na impossibilidade de ofertar um sistema totalmente público, trabalhando como o conceito de público não estatal, foi preciso pensar também em mecanismos de acesso da população ao sistema privado, seguindo o raciocínio de certas políticas públicas focalizadas de tratar desigualmente os desiguais. Trata-se de uma forma de direcionamento de recursos públicos ao setor privado favorecendo aos interesses do capital, minando o financiamento das instituições públicas de ensino superior. (MINTO, 2006) O PNE em suas diretrizes evidencia a importância do setor privado no processo de expansão do ensino superior, fazendo menção a necessidade de manutenção de certos padrões de qualidade a serem avaliados pelo poder público e especificando que instituições privadas

44 26 podem dedicar-se ao ensino e talvez a extensão, sem a necessidade expressa de envolver-se com a pesquisa e pós-graduação, que claramente são tarefas atribuídas às universidades públicas. Para as IFES também é destacado o papel na inclusão de estudantes com fragilidade socioeconômica e de estudantes que em função da necessidade de estar no mercado de trabalho somente tem a disponibilidade para cursar uma graduação no período noturno. (BITTAR, OLIVEIRA e MOROSINI, 2008) Segundo a LDB, art. 55, as IFES teriam assegurado pelo governo federal um volume de recursos suficientes para manutenção de suas atividades, com ênfase para a pesquisa e pósgraduação, atividades sabidamente onerosas e demandantes de uma estrutura física atualizada tecnologicamente. Como já foi mencionado, muitos itens relativos ao financiamento da IFES sofreram vetos presidenciais no PNE fazendo que o plano torna-se neste quesito carente de compromissos formalmente assumidos pelo governo e induzindo as IFES a buscarem complementar seu orçamento concorrendo no mercado com a venda de cursos de especialização e prestação de serviços. (BITTAR, OLIVEIRA e MOROSINI, 2008) O financiamento das instituições privadas se dá na maior parte pelo pagamento de mensalidades e outras atividades junto ao mercado o que acaba por direcionar suas atividades e nível de qualidade oferecido. Ressaltando que, conforme prevê a CF/88 as instituições privadas classificadas como comunitárias, confessionais ou filantrópicas, sem fins lucrativos ou que desenvolvam pesquisa e extensão podem recursos públicos. Já as Instituições públicas são financiadas com recursos públicos oriundos em sua maior parte do governo federal e gozam de autonomia de gestão financeira, conforme estabelecido pela Constituição, que determinou que a União destinará nunca menos que 18% da receita anual de impostos para manutenção e desenvolvimento do ensino em todos os níveis. A existência de processos de massificação e privatização do ensino superior foi tendência em toda a América Latina na segunda metade do século XX, não sendo essa tendência exclusividade do Brasil. Os dois traços dominantes na evolução da educação superior na América Latina, na segunda metade do século XX, podem ser resumidos em termos de massificação e privatização. O primeiro se traduz no rápido crescimento da matrícula no ensino superior, e o segundo na tendência generalizada de expansão das instituições privadas. (TRINDADE, 2002 apud REAL, 2008, P.54) Segundo defende Trow (2005 apud GOMES e MORAES, 2012) o sistema de educação superior em qualquer sociedade avançada tende a trilhar o seguinte caminho: sistema de elite para o sistema de massa e na sequência para o sistema de acesso universal. O desenvolvimento do sistema educacional superior na essência acompanha o

45 27 desenvolvimento da sociedade como um todo, incorporando parcelas crescentes da população de diferentes origens sociais, econômicas e culturais. De acordo com Nota Pública do ANDES - SN (2004),...o pressuposto fundamental de que a ampliação da oferta tem como eixo o setor privado, beneficiado por contratos de parcerias público-privadas, não levará à sonhada revitalização do setor público. Ao contrário, debilitará as instituições públicas que se esvaecerão na mesma intensidade do apagamento das fronteiras entre o público e o privado, como quer o Executivo ao tratar toda a educação como um etéreo bem público ou um interesse social sem os verdadeiros significados dos adjetivos: público e privado. Tabela 2D - Evolução do número de instituições de educação superior a 2011 Dependência Administrativa Número de Instituições de Educação Superior por Dependência Administrativa Privada Pública Federal Estadual Municipal GERAL Fonte: MEC/INEP A tendência de expansão generalizada das instituições de ensino superior privadas pode ser comprovada pelos dados estatísticos acima. Enquanto em uma década o número absoluto de novas instituições públicas aumentou cerca de uma centena, o número de instituições privadas aumentou aproximadamente uma milhar. Gráfico 2D -Evolução do número de instituições de educação superior a Privada Pública Fonte: MEC/INEP O ritmo e volume de crescimento do sistema, considerando a taxa de crescimento da matrícula, o tamanho do sistema e das instituições por si próprias e o percentual crescente de jovens de 18 a 24 anos matriculado no ensino superior fazem surgir diferentes tipos de problemas oriundos da passagem de um sistema elitizado para um sistema de massificação. Vêm a tona e passam a integrar a agenda do Governo preocupações com a formulação e implementação de políticas compensatórias e afirmativas, principalmente porque com a

46 28 passagem para um sistema de massa, jovens trabalhadores e jovens de raças e etnias antes em minoria, ou seja, uma parcela bem mais ampla e diversificada da sociedade passa a integrar o sistema de ensino superior e demanda uma nova postura do Governo. De acordo com Trow (2005 apud GOMES e MORAES, 2012) o sistema de massa está plenamente consolidado quando atinge 30% das matrículas do grupo de 18 a 24 anos, estando a transição na casa dos 15%. Somente é possível falar em sistema de acesso universal quando o volume de matrículas atinge mais de 50% da população da faixa etária em questão. Segundo estudo de Gomes e Moraes (2012), no Brasil a transição para o sistema de massa ocorreu em 2003, considerando a taxa de matrícula bruta e não líquida, dada a proporção considerável de estudante maiores de 24 anos o que reflete a defasagem escolar presente em todos os níveis educacionais. A expansão, segundo esses autores, deu-se a partir de 1995 impulsionada pelo setor privado, mas a partir de 2003 como essa política de Estado assumiu uma nova dinâmica buscando reincorporar ao processo os conceitos de universidade como bem público, as IFES também tiveram considerável contribuição, não somente em número de matrículas mas em número de instituições, para a consolidação desse sistema de massa O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS - PROUNI Com a finalidade de concessão de bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior o Programa Universidade para Todos - PROUNI foi criado em 2004 pelo Governo Federal. Institucionalizado pela Lei nº , em 13 de janeiro de 2005, oferece, em contrapartida àquelas instituições de ensino que aderem ao programa, isenção de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para o Programa de Integração Social. (http://prouniportal.mec.gov.br) O PROUNI tem como público alvo os estudantes egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas integrais, com renda per capita familiar máxima de três salários mínimos. Os candidatos são selecionados pelas notas obtidas no Enem - Exame Nacional do Ensino Médio, aliando inclusão à qualidade e mérito dos estudantes por considerar o desempenho acadêmico. (http://prouniportal.mec.gov.br) O PROUNI possui também ações conjuntas de incentivo à permanência dos estudantes nas instituições, como a Bolsa Permanência, os convênios de estágio MEC/CAIXA e

47 29 MEC/FEBRABAN e ainda o Fundo de Financiamento Estudantil - FIES, que possibilita ao bolsista parcial financiar até 100% da mensalidade não coberta pela bolsa do programa. O FIES, por sua vez, é um programa do MEC, que tem como agente operador o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE e destina-se a financiar a graduação na educação superior de estudantes matriculados em instituições não gratuitas. Podem recorrer ao financiamento os estudantes matriculados em cursos superiores que tenham resultado positivo nos processos avaliativos do MEC. Os juros anuais são de 3,4% e o valor das mensalidades começa a ser pago após a formatura do aluno. (http://portal.mec.gov.br) Do ponto de vista crítico, um dos problemas do FIES são as taxas de juros cobradas, que muitas vezes fazem com que os valores das mensalidades do financiamento sejam incompatíveis como os rendimentos de um recém formado. A exigência de fiador foi outro problema, mas foi equacionado com a mudança das regras. Segundo o Ministério da Educação, o Programa Universidade para Todos - PROUNI já atendeu, desde sua criação até o processo seletivo do segundo semestre de 2012, mais de 1 milhão de estudantes, sendo 67% com bolsas integrais. Ainda segundo o MEC, desde 2007 o PROUNI e sua articulação com o FIES, é uma das ações integrantes do Plano de Desenvolvimento da Educação PDE. Tabela 2F - Evolução do número de bolsas PROUNI ofertadas a 2012 Modalidade Número anual de bolsas ofertadas Integral Parcial GERAL Fonte: Sisprouni 27/06/12 Prouni º/2012 Gráfico 2F - Evolução do número de bolsas PROUNI ofertadas a Integral Parcial Fonte: Sisprouni 27/06/12 Prouni º/2012

48 O SISTEMA UAB - UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL Outro instrumento utilizado para promover a universalização do acesso ao ensino superior foi a Educação a Distância - EAD, oficializada pelo artigo 80 da Lei 9394/96 - LDB e cuja oferta foi regulamentada pelo Decreto nº 5622, de 19 de dezembro de Com a globalização e avanço das tecnologias de comunicação essa modalidade de ensino passou a receber maiores investimentos por parte do governo federal. Em 08 de junho de 2006 através do Decreto foi criada o Sistema UAB - Universidade Aberta do Brasil com a finalidade de ampliação do acesso e interiorização do ensino superior. Segundo o Art. 1º do citado Decreto, são objetivos da UAB: I - oferecer, prioritariamente, cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores da educação básica; II - oferecer cursos superiores para capacitação de dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; III - oferecer cursos superiores nas diferentes áreas do conhecimento; IV - ampliar o acesso à educação superior pública; V - reduzir as desigualdades de oferta de ensino superior entre as diferentes regiões do País; VI - estabelecer amplo sistema nacional de educação superior a distância; e VII - fomentar o desenvolvimento institucional para a modalidade de educação a distância, bem como a pesquisa em metodologias inovadoras de ensino superior apoiada em tecnologias de informação e comunicação. (http://www.planalto.gov.br) Para ARETIO (1994) a Educação a Distância se desenvolve impulsionada por uma conjugação de fatores: fatores culturais, sociopolíticos, econômicos, pedagógicos e tecnológicos. Para PRETI (1996 apud FIUZA, 2002, p.51) A EAD é, pois, uma alternativa pedagógica de grande alcance e que deve utilizar e incorporar as novas tecnologias como meio para alcançar os objetivos das práticas educativas implementadas, assumidas e considerando as necessidades das populações a que se pretende servir (...) Deve ser compreendida como uma prática educativa situada e mediatizada, uma modalidade de se fazer educação, de se democratizar o conhecimento. É portanto, uma alternativa pedagógica que se coloca hoje ao educador que tem uma prática fundamentada em uma racionalidade ética, solidária e compromissada com as mudanças sociais. Os dados a seguir demonstram que o número de vagas ofertadas em cursos de graduação na modalidade a distância já ultrapassou em 28% o número de vagas ofertadas no ensino presencial, considerando os dados do INEP de Contudo, a procura pelos cursos a distancia ainda é infinitamente menor do que a procura pelos cursos presenciais. A relação número de candidatos por vaga salta de 0,7 no ensino a distancia para 4,9 no ensino presencial.

49 31 Tabela 2G - Número de vagas oferecidas pelas IES, candidatos inscritos e relação candidatos inscritos/vaga oferecidas nos cursos de graduação presenciais e a distância, segundo as regiões geográficas Vagas Oferecidas Candidatos Inscritos Relação Candidatos Inscritos/Vaga Região Gradução Presencial Graduação a Distância Gradução Presencial Graduação a Distância Gradução Presencial Graduação a Distância Brasil ,9 0,7 Norte ,3 5,5 Nordeste ,9 1,5 Sudeste ,6 0,4 Sul ,8 1,0 Centro-Oeste ,7 1,5 Fonte: MEC/INEP/DEED Gráfico 2G - Número de vagas oferecidas pelas IES nos cursos de graduação presenciais e a distância Vagas Oferecidas 44% 56% Graduação Presencial Graduação a Distância Fonte: MEC/INEP/DEED Gráfico 2H - Número de candidatos inscritos nos cursos de graduação presenciais e a distância ofertados pelas IES Candidatos Inscritos 15% 85% Graduação Presencial Graduação a Distância Fonte: MEC/INEP/DEED O Sistema UAB fomenta a educação a distância nas universidades públicas, apoia pesquisas em metodologia de ensino com base em tecnologias da informação e comunicação e tem como principal público alvo os professores de educação básica ainda sem formação superior. O Sistema baseia-se na articulação das três esferas governamentais: federal, estadual e municipal para implantação dos polos de apoio presencial. Ainda, de acordo com o MEC: Ao plantar a semente da universidade pública de qualidade em locais distantes e isolados, incentiva o desenvolvimento de municípios com baixos IDH e IDEB.

50 32 Desse modo, funciona como um eficaz instrumento para a universalização do acesso ao ensino superior e para a requalificação do professor em outras disciplinas, fortalecendo a escola no interior do Brasil, minimizando a concentração de oferta de cursos de graduação nos grandes centros urbanos e evitando o fluxo migratório para as grandes cidades. (http://uab.capes.gov.br) Contudo, quando analisamos apenas os números das Instituições Federais, podemos observar a ampla predominância do ensino presencial com 90% em relação ao ensino a distancia, considerando o número de vagas ofertadas. Podemos então inferir que, o setor privado é o grande provedor de vagas também no ensino a distância. Tabela 2H - Número de vagas oferecidas nas IFES, Candidatos Inscritos e Relação Candidatos Inscritos/Vagas Oferecidas nos cursos de graduação presenciais e a distância, segundo as Regiões Geográficas Vagas Oferecidas Candidatos Inscritos Relação Candidatos Inscritos/Vaga Região Graduação Presencial Graduação a Distância Graduação Presencial Graduação a Distância Graduação Presencial Graduação a Distância Brasil ,5 3,1 Norte ,0 7,0 Nordeste ,6 3,4 Sudeste ,0 3,2 Sul ,1 2,5 Centro-Oeste ,2 1,9 Fonte: MEC/INEP/DEED Gráfico 2I - Número de vagas oferecidas nas IFES nos cursos de graduação presenciais e a distância Vagas Oferecidas nas IFES 10% 90% Graduação Presencial Graduação a Distância Fonte: MEC/INEP/DEED Alguns comentários críticos a esse tipo de mecanismo de expansão da oferta de ensino superior - EAD dizem respeito a abertura para o setor privado de um nicho de mercado, falta de avaliação da qualidade dos cursos ofertados e que foi utilizado como alternativa para não atender a demanda da sociedade por ampliação de vagas nos cursos presencias das universidade públicas.

51 O SISTEMA DE SELEÇÃO UNIFICADA - SISU Em 2009, foi desenvolvida pelo Ministério da Educação uma plataforma online entitulada Sistema de Seleção Unificada - SISU com o objetivo de oferecer ao estudante que prestou o Exame Nacional de Ensino Médio - ENEM uma forma de acesso à uma instituição federal de ensino superior - IFES sem participar dos processo seletivos específicos de cada instituição - vestibular. Efetivamente, o sistema entrou em operação em 2010, instituído pela Portaria Normativa MEC nº 2, de 26 de janeiro de (http://sisu.mec.gov.br) As IFES, por sua vez, tem autonomia para aderirem totalmente ou parcialmente a esse tipo de seleção para preenchimento das vagas ofertadas. O sistema seleciona automaticamente entre os candidatos a cada curso, aqueles com melhores notas no ENEM e disponibiliza uma lista de espera para ser utilizadas de forma prioritária pelas IFES para preenchimento de vagas não ocupadas. Um mesmo candidato pode inscrever-se no SISU e também no PROUNI. Contudo, é vedado a um aluno matriculado em instituição pública também receber a bolsa PROUNI. (http://sisu.mec.gov.br) Contudo, a adesão das Instituições a esse modelo de preenchimento de vagas ainda é bastante discutível. Alguns argumentam que as instituições deixariam de atender a população local e receberia grande número de estudantes de outros Estados. Outros, apresentam grande preocupação com o uso exclusivo das notas do ENEM, por conta da perda de confiabilidade em consequência das recentes falhas, como erros de correção da redação, falta de transparência na metodologia de correção e vazamento de provas O PROGRAMA DE APOIO A PLANOS DE REESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS - REUNI Em 2003, outro programa foi pensado com a intenção de promover a universalização do ensino foi o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão da Universidades Federais - REUNI, com o objetivo de aumentar o número de vagas oferecidas, criar condições para redução da evasão, melhorar o proveitamento da estrutura física e dos recursos humanos nas universidade federais. O REUNI viria dar sequência a uma primeira fase de expansão das IFES denominado "Expansão com Interiorização - Fase I" implementado no período de 2006 a Em conjunto, esses dois programas asseguraram às IFES níveis de crescimento sem precedentes. Os resultados finais estimam que o número de vagas ofertadas pelas IFES seja duplicado e que em 2012 as Instituições públicas passem a responder por 14% do total de vagas de ensino superior ofertadas (ANDIFES, 2010).

52 34 Oficialmente instituído em 2007 pelo Decreto de 24 de abril, e com previsão de conclusão em 2012, todas as 55 universidades existentes à epoca aderiram ao programa e apresentaram ao Ministério da Educação seus planos de reestuturação, que posteriormente transformaram-se em Acordos de Metas com a Secretaria de Ensino Superior - SESU/MEC. Foi respeitada a autonomia das Universidades sendo facultado à cada instituição aderir ou não ao programa, estabelecer suas metas e estimar a necessidade de recursos orçamentários para implementação dos planos. Após aprovação do MEC, esses recursos adicionais foram repassados às Universidades mediante avaliação do cumprimento das metas por etapas. Dentre as medidas que orientaram o programa estão o aumento do número de vagas ofertadas, ampliação e abertura de cursos noturnos, aumento do número de alunos por professor, redução de custo por aluno, flexibilização de currículos, combate à evasão, ampliação das políticas de inclusão e assistência estudantil, articulação da graduação com a pós-graduação e da educação superior com a educação básica e interiorização dos campi. (ANDIFES, 2010) Segundo o Decreto que instuiu o REUNI, o programa tem como meta global a elevação gradual da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para dezoito. Em 2011, segundo dados do INEP a relação média aluno/professor nas IFES é de onze para um enquanto nas instituições privadas é de 19,1 para um, conforme abaixo: Tabela 2I - Relação matrículas dos cursos de graduação presenciais/função docente em exercício, por organização Acadêmica, segundo a unidade da federação e a categoria administrativa das IES Unidade da Federação / Categoria Administrativa Relação Matrículas/Função Docente em Exercício Total Universidades Centros Universitários Faculdades IF e CEFET Brasil 16,1 15,4 21,8 16,2 7,8 Pública 11,4 11,6 12,9 14,1 7,8 Federal 11,0 11,5-3,4 7,8 Estadual 11,6 11,3 11,6 13,9 - Municipal 15,4 15,9 13,1 15,6 - Privada 19,1 21,8 22,1 16, Fonte: MEC/INEP/DEED Esses programas de expansão representam expressivos investimentos realizados pelas IFES, com recursos do Governo Federal, através do MEC. São cerca de R$ milhões, em obras, equipamentos e instalações, além de um incremento das despesas de natureza continuada (Pessoal e Custeio/Manutenção) da ordem de R$ Milhões/ano, no seu volume final. O quadro de Pessoal dessas instituições será acrescido de professores e servidores técnico-administrativos. (ANDIFES, 2010, p. 7)

53 35 Quadro 2A - Número de servidores ingressantes pelos programas de expansão das IFES Programa Ações do Programa Expansão Fase I Reuni Novos Servidores Docentes Técnico-Administrativos Fonte: Adaptado de Andifes, 2010 Quadro 2B - Número de alunos ingressantes pelos programas de expansão das IFES Programa Ações do Programa Expansão Fase I Reuni Novas Vagas de Graduação Fonte: Adaptado de Andifes, 2010 Quadro 2C - Recursos totais alocados aos programas de expansão das IFES Programa Ações do Programa Expansão Fase I Reuni R$ milhões Recursos Totais Obras, equipamentos e Instalações Pessoal Custeio/Manutenção Fonte: Adaptado de Andifes, 2010 Conforme dados do Ministério da Educação, o número de municípios atendidos desde o início da expansão, passou de 114 em 2003 para 237 em Foram criadas 13 novas Universidades e 105 novos campi. (MEC, 2010) Atualmente, alguns dos problemas práticos apontados em relação ao REUNI são o dimensionamento da qualidade do ensino, atrasos nas obras, defasagem dos custos estimados em relação ao preço de mercado atual da contratação de serviços de engenharia e abertura de cursos que não correspondem às necessidades do mercado de trabalho. Aponta-se, então, a necessidade de um "REUNI 2", obviamente, um programa de governo com outra denominação, mas com propósitos de consolidação dos projetos de reestruturação das IFES. Parte das reformas estruturais proposta na década de 90 tanto para remodelação do Estado como um todo, como para sistema público de ensino superior, não obtiveram êxito, o que pode estar relacionado a Teoria de Falha Permanente (MEYER e ZUCKER, 1989 apud RESENDE, 2002) e o problema da falta de cooperação com a melhoria da performance, sendo de interesse dos atores estratégicos a manutenção do status quo. Segundo tal Teoria, geralmente há colaboração para os propósitos de ajustes fiscais, mas não para todos os propósitos de mudanças institucionais. As novas instituições e mudanças na cultura

54 36 burocrática foram encaradas com resistência pelos atores com poder decisório e foram entendidas como ameaças, representando risco ao controle e quebra de benefícios associados à baixa performance, já que havia um problema crônico a ser resolvido de superposição de funções entre formulação e a implementação de políticas públicas. (RESENDE, 2002) Em sentido mais amplo, pode-se dizer que a simples regulação pelo mercado não trouxe os resultados esperados no campo educacional e que mostrou que o ensino superior não pode, nem deve, ser encarado exclusivamente sob a perspectiva reducionista da vida econômica, seguindo apenas a lógica do mercado e deixando de lado o desenvolvimento da capacidade reflexiva necessária ao ensino e a pesquisa. Apesar que, essa lógica empresarial é ainda perceptível nas instituições públicas no tocante a oferta de cursos de especialização (lato sensu) e prestação de serviços de consultoria. De qualquer forma, houve sim, um reforço das relações do Estado com o Ensino Superior, emergindo a questão da avaliação para definição de critérios como financiamento, recredenciamento de instituições e reconhecimento de cursos. Aliás, a questão da avaliação está intrinsecamente relacionada a qualidade, sendo a melhoria da qualidade utilizada, muitas vezes, como indutor de reformas na educação superior. Sempre que se fala em expansão do ensino superior, vem acompanhada do termo "com qualidade", sendo a avaliação o instrumento defendido para alcance de tal objetivo. Estreitou-se também a relação entre universidades e sociedade. Diante das exigências do mercado de trabalho desse novo milênio, atores sociais, como os conselhos profissionais, passaram a atuar mais efetivamente em relação as adequações curriculares, às exigências da transdisciplinaridade, e camadas menos favorecidas da sociedade também passaram a reivindicar a democratização e universalização do acesso ao ensino superior. Para que tenham continuidade e progresso, as Universidades públicas precisam estar inseridas neste novo contexto, onde a busca de forma permanente é pelo desenvolvimento sustentável, que tem como principais pilares o desenvolvimento econômico, a inclusão social e a proteção do meio-ambiente, ao contrário do que versa o modelo humboldtiano, em que o desempenho das instituições em relação a busca e disseminação do conhecimento varia proporcionalmente à capacidade do Estado de manter as instituições o quanto mais afastadas possível da influência de fatores econômicos, sociais e políticos. Porém, isso tudo deve acontecer preservando um outro objetivo do modelo humboldtiano, a proteção da liberdade acadêmica, ou seja, sem que as instituições percam sua identidade.

55 POLÍTICAS AFIRMATIVAS AÇÕES INCLUSIVAS, COM COTAS RACIAIS E SOCIAIS As políticas afirmativas pelo sistema de cotas tem sido alvo de constantes debates nas mais variadas esferas, política e social. Segundo Bergmann (1996 apud PEREIRA e ZIENTARSKI, 2011) realizar uma ação afirmativa implica planejar e atuar no sentido de promover pessoas pertencentes a certos grupos que têm sido subordinados ou excluídos dos direitos sociais. A origem das cotas deu-se na Índia em 1940, quando foram estabelecidos na Constituição do país reserva de vagas para castas menos favorecidas, no ensino superior, no Parlamento e no funcionalismo público. No continente americano, o sistema de cotas teve origem nos Estados Unidos, na década de 60 baseado na questão racial, nas desigualdades sociais entre negros e brancos. As políticas afirmativas se disseminaram pelas Américas sempre objetivando promover segmentos sociais historicamente discriminados, buscando a igualdade de oportunidades e tratamento. No Brasil, as ações afirmativas têm enfatizado mais as questões de raça e gênero e não as condições socioeconômicas. Contudo, a pobreza, problema que não é exclusivo do Brasil, tem redirecionado as políticas sociais, inclusive as educacionais. (PEREIRA e ZIENTARSKI, 2011) Durante o golpe militar foi instituído um sistema de cotas na educação, que não tinha como público alvo um grupo necessariamente excluído. A chamada "lei do boi" estabeleceu reserva de vagas para agricultores e seus filhos, favorecendo a elite rural brasileira. Também a CLT - Consolidação das Lei do Trabalho engloba ações afirmativas, quando define que um dois terços das vagas deverão ser preenchidas por brasileiros, restando um terço para estrangeiros. A questão do acesso e condições de trabalho da mulher também são defendidas. (PEREIRA e ZIENTARSKI, 2011) A Constituição Brasileira de 1988 prega a igualdade entre todos, sem distinção de raça, sexo, cor, idade ou qualquer forma de preconceitos. Em decorrência deste dispositivo legal, foram necessárias políticas de ação afirmativa. A ênfase deu-se na década de 90, com a reserva de vagas para deficientes físicos no serviço público e privado e reserva de vagas para mulheres participarem como candidatas em eleições. Em 1999, o Projeto de Lei nº 73/99 acirrou os debates sobre cotas raciais e sociais via adoção de reserva de vagas nos vestibulares de universidades públicas. Originalmente, contemplava apenas a população negra, mas através de substitutivos passou a incorporar a

56 38 população indígena. Com base neste projeto, a partir do ano 2000 surgiram diversas iniciativas isoladas nas universidades com vistas a atender o que determina a CF/88: Art A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I igualdade de condições para o acesso e permanência na escola... (http://www.planalto.gov.br) No dia 30 de agosto de 2012 foi publicada a Lei nº de 29/08/12 que dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. Segundo a Lei, Art. 1º - As instituições federais de educação superior vinculadas ao Ministério da Educação reservarão, em cada concurso seletivo para ingresso nos cursos de graduação, por curso e turno, no mínimo 50% (cinquenta por cento) de suas vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. Parágrafo único - No preenchimento das vagas de que trata o caput deste artigo, 50% (cinquenta por cento) deverão ser reservados aos estudantes oriundos de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo (um salário-mínimo e meio) per capita. (http://www.planalto.gov.br) A referida Lei foi regulamentada pelo Decreto de 11/10/12 que em seu Art. 1º, Parágrafo Único, diz que os resultados obtidos pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM poderão ser utilizados como critério de seleção para o ingresso nas instituições federais vinculadas ao Ministério da Educação que ofertam vagas de educação superior. A implementação da reserva de vagas de que tratam a lei e o Decreto citados, é regulamentada pela Portaria Normativa do Ministério da Educação de nº 18 de 11/10/12. As IFES terão quatro anos para implantar progressivamente o percentual de reserva de vagas estabelecido pela lei, mesmo que já estejam adotando algum tipo de sistema de cotas na seleção. Atualmente, não existe cota social em 27 das 59 universidades federais. Além disso, apenas 25 delas possuem reserva de vagas ou sistema de bonificação para estudantes pretos, pardos e indígenas. De acordo com a lei, 12,5% das vagas de cada curso e turno já deverão ser reservadas aos cotistas nos processos seletivos para ingressantes em 2013; 25% até 2014; 37,5% até 2015; 50% até 30 de agosto de (http://m.g1.globo.com/educacao/noticia) Dentro dos 50% do montante de vagas reservadas a estudantes oriundos de escolas públicas, 25% terão como público alvo estudantes com renda familiar mensal bruta de igual ou inferior 1,5 salário-mínimo per capita e 25% serão destinados aos pretos, pardos e indígenas, cuja participação percentual irá variar em cada Estado de acordo com os dados

57 39 mais recentes do Censo Demográfico do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (Lei nº de 29/08/12) Apesar de estarmos distantes da universalização do ensino superior, na última década, houve considerável incremento no número de vagas ofertadas e nas condições de acesso às Instituições Federais de Ensino Superior. A política pública de acesso universal foi, na prática, substituída por uma política pública de acesso seletivo, ao focalizar grupos, classes sociais e raça, com objetivos de amenizar ou eliminar distorções criadas ao longo da História. Dentro dessa perspectiva, cabe discorrer sobre O PROGRAMA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL - PNAES.

58 40 3 O PROGRAMA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL - PNAES Na análise de políticas públicas alguns autores defendem a abordagem estatista (statecentered policy-making) e outros defendem a abordagem multicêntrica (policy networks). A primeira abordagem admite apenas o Estado como protagonista na formulação de políticas públicas. Já a abordagem multicêntrica admite, além dos atores estatais, outros protagonistas como instituições privadas, organizações não governamentais, organismos multilaterais. Na origem desta última abordagem está a questão que política pública é para enfrentamento de um problema público e sendo assim, instiga todos os atores políticos envolvidos, sejam os policymakers, os policytakers, os analistas de políticas públicas, a mídia e os cidadãos em geral. (SECCHI, 2010). Neste trabalho, cabe destacar o papel dos dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior na ampliação e criação de novos mecanismos para apoio e regulamentação das práticas de assistência estudantil com objetivo de assegurar a permanência e conclusão do curso daqueles alunos menos privilegiados do ponto de vista político, econômico ou social. 3.1 CONTEXTO DA CRIAÇÃO DO PNAES A ANIDIFES - Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), criada em 1989, representa os interesses das Universidades Federais, dos Centros Federais de Educação Tecnológica e dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, fazendo a interlocução com o Ministério da Educação, demais órgãos governamentais e sociedade em geral. (http://www.andifes.org.br) Desde sua criação, a ANDIFES demonstra preocupação com a institucionalização, manutenção e incremento das políticas públicas relacionadas a assistência estudantil. Através do FONAPRACE - Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis, fórum assessor, foram providenciados estudos e pesquisas visando identificar o perfil socioeconômico dos estudantes das Instituições Federais de Ensino Superior no período de , e Segundo Soares e Alves (2003, apud PEREIRA e ZIENTARSKI, 2011, p ), [...] criou-se no Brasil um grande sistema de ensino fundamental, que atende hoje a quase totalidade das crianças [...]. O ensino médio também caminha na direção da universalização, com cobertura atual de 85% dos jovens de 15 a 17 anos. No entanto, a escola continua sendo um produto social desigualmente distribuído. Desigualdades no ingresso aos diferentes tipos e níveis de ensino persistem, ainda que se manifestem, hoje, de forma menos maciça e mais sutil. Essas desigualdades são moduladas por filtros socioeconômicos, raciais, de localização (urbana, rural) e por tipo de rede escolar (pública, particular). Há, portanto, dois problemas

59 41 fundamentais: a qualidade do ensino de uma forma geral e as desigualdades entre os estratos sociais. No resultado das pesquisas realizadas pelo FONAPRACE a pedido da ANDIFES em 1996/7, 2003/4 e 2010, a fim de identificar o perfil socioeconômico dos estudantes das IFES, demonstrou-se que ao contrário do que muitos imaginavam, não eram jovens de classes sociais mais elevadas que constituíam a maioria dentro das Instituições Federais. Ao contrário, grande parte dos estudantes pertencia a categorias C, D e E, ou seja, de famílias cujo chefe desempenha atividades que requerem pouca ou nenhuma escolaridade e com renda familiar média mensal abaixo de R$ 1 mil. Tendo este diagnóstico, foram incrementadas ações no sentido de buscar assegurar o acesso e principalmente, a permanência, dos estudantes de baixa renda no ensino público superior. (ANDIFES, 2011) A necessidade de políticas públicas para atender aos objetivos traçados, encontrou ainda maior respaldo ao longo dos exercícios seguintes, tendo em vista, a implementação das políticas afirmativas de ingresso de estudantes através dos sistemas de cotas, assegurando percentuais de vagas a estudante de escolas públicas e estudantes afro descendentes. Haja vista, ser a educação um direito social, constituindo uma das dimensões dos direitos fundamentais do ser humano. Entendida como serviço público, a educação carece de universalização. Os direitos a igualdade de condições de acesso e permanência na escola já estão assegurados na Constituição Federal Brasileira. Também a LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação reforça esses princípios. Já a Lei de abril de 2004, que versa sobre o SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, diz que as Instituições de Ensino devem, obrigatoriamente, identificar e avaliar suas ações relacionadas a inclusão social e atendimento estudantil, inclusive aos egressos. (http://portal.inep.gov.br) Além disso, a edição do Decreto de abril de 2007, instituiu o REUNI - Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais que tem entre seus objetivos promover o acesso e permanência do estudante de ensino superior e traz como diretrizes a ampliação de políticas de inclusão social e assistência estudantil e como uma de suas metas a redução da evasão. O REUNI permitiu a retomada do processo de modernização e crescimento das Universidades Federais, permitindo o aumento da oferta de vagas nos cursos de graduação e a interiorização do ensino superior federal, passando o número de municípios atendidos de 114 em 2003 para 237 em 2011, segundo dados do Censo da Educação Superior. (http://reuni.mec.gov.br)

60 42 Diante dos resultados das pesquisas sobre o perfil socioeconômico dos alunos, das experiências individuais de Instituições na área de assistência estudantil e da legislação que assegura ao aluno com fragilidade econômica condições iguais para permanência e conclusão do curso, foi apresentado à ANDIFES pelo FONAPRACE a proposta de criação de um Fundo para Assistência Estudantil, equivalente a 10% do orçamento anual de Outros Custeios e Capital das IFES. É dada sequência a implementação de uma política compensatória focalizada para redução das desigualdades sociais que refletem nas universidades o que se vê na sociedade em geral considerando as diferenças entre as classes sociais e justificada pela necessidade de universalização do acesso e garantia de permanência. (ANDIFES, 2007) Tais políticas afirmam-se como estratégias voltadas para a focalização de direitos para determinados grupos marcados por uma diferença específica. A situação desses grupos é entendida como socialmente vulnerável, seja devido a uma história explicitamente marcada pela exclusão, seja devido à permanência de tais circunstâncias em seqüelas manifestas. A focalização desconfia do sucesso das políticas universalistas por uma assinalada insuficiência. Focalizar grupos específicos permitiria, então, dar mais a quem mais precisa, compensando ou reparando perversas seqüelas do passado. Isso se baseia no princípio da eqüidade, pelo qual, como já se afirmava na Antigüidade Clássica, uma das formas de fazer-se justiça é "tratar desigualmente os desiguais". (CURY, 2005, p.2) Portanto, em 2007, surge o Plano Nacional de Assistência Estudantil, por meio da Portaria Normativa nº 39 do Ministério da Educação, sendo instituído no âmbito da Secretaria de Educação Superior - SESU. Em 2010, o PNAES tornou-se programa de governo, sendo regulamentado pelo Decreto de 19 de julho, que versa em seu Artigo 1º: " O Programa Nacional de Assistência Estudantil - PNAES, executado no âmbito do Ministério da Educação, tem como finalidade ampliar as condições de permanência dos jovens na educação superior pública federal". (http://www.planalto.gov.br) Buscando assegurar essas condições, pensando na inclusão social, melhoria do rendimento acadêmico e melhoria das condições de vida dos estudantes, o PNAES foi originalmente pensado tomando como base as seguintes áreas estratégicas: moradia, alimentação, manutenção e trabalho, transporte, saúde, acesso à biblioteca, conhecimentos de informática, domínio de língua estrangeira e movimentos sociais, conforme diretrizes do Decreto 7.234/10: Art. 3 o O PNAES deverá ser implementado de forma articulada com as atividades de ensino, pesquisa e extensão, visando o atendimento de estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação presencial das instituições federais de ensino superior. 1 o As ações de assistência estudantil do PNAES deverão ser desenvolvidas nas seguintes áreas: I - moradia estudantil; II - alimentação;

61 43 III - transporte; IV - atenção à saúde; V - inclusão digital; VI - cultura; VII - esporte; VIII - creche; IX - apoio pedagógico; e X - acesso, participação e aprendizagem de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades e superdotação. Segundo o resultados das pesquisas sobre o perfil socioeconômico dos estudantes das IFES, solicitada pela ANDIFES e realizada pelo FONAPRACE em 1996/7, 2003/4 e 2010 existia considerável defasagem entre a oferta e demanda em relação a moradia estudantil. Já no quesito alimentação, foi reiterada a importância dos Restaurantes Universitários, com fornecimento de refeições gratuitas ou com preços subsidiados, não só para atendimento de uma necessidade básica, mas também como espaço de convivência. (ANDIFES, 2011) Em se tratando de manutenção e trabalho, foi verificado que grande parte dos estudantes de baixa renda aliavam os estudos a uma atividade não acadêmica remunerada. Isso posto, tornava-se premente a necessidade de oferecer a esses alunos a oportunidade de inserção de forma remunerada em atividades de ensino, pesquisa e extensão. Também foi pensada a possibilidade de ações conjuntas com os órgãos competentes a fim de assegurar condições mais acessíveis ao transporte urbano, principal meio de locomoção dos estudantes em foco. Quanto ao acesso a serviços de saúde, foi levantado a necessidade de oportunizar acesso a programas de saúde ligados a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, dependência química, saúde oral e apoio psicológico. (ANDIFES, 2011) As bibliotecas foram apontadas como principal fonte de material de estudo, requerendo políticas de investimentos em bibliografia básica e também para tornar estes espaços em espaço de lazer e cultura, ampliando os horários de atendimento e informatizando o acesso à informação. Quanto ao acesso à cultura, lazer e esportes foi diagnosticado a necessidade das IFES investirem em espaços esportivos e disponibilizarem acesso à Internet, permitindo a inclusão digital e intermediando também a atualização dos conhecimentos de informática. (ANDIFES, 2011) O acesso a cursos de idiomas mostrou-se bastante reduzido para o público em questão, sendo assim, as IFES teriam que suprir essa lacuna. Em relação a participação em movimentos estudantis, os estudos mostraram que poucos jovens de baixa renda tinham envolvimento com esse tipo de atividades. Além disso, mostrou-se a necessidade de maior

62 44 interação entre o estudante e depois egresso, com sua comunidade de origem, inclusive promovendo troca de experiências e conhecimento com as lideranças sociais locais. Um item de grande importância discutido foi a necessidade de formação de equipes compostas por assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e profissionais ligados às áreas administrativas e financeiras o que demandaria a abertura de concursos públicos, tendo em vista a então defasagem no número de servidores das Instituições. (ANDIFES, 2011) O Decreto que instituiu o PNAES diz em seu Artigo 5º: Serão atendidos no âmbito do PNAES prioritariamente estudantes oriundos da rede pública de educação básica ou com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio, sem prejuízo de demais requisitos fixados pelas instituições federais de ensino superior. Também foi determinado pelo Decreto que seriam fixados instrumentos de acompanhamento e avaliação do PNAES. Na prática, as IFES devem institucionalizar indicadores para avaliar a oferta em relação a demanda; avaliar a melhoria do índice de desempenho acadêmico dos estudantes beneficiados; avaliar ações complementares ligadas a melhoria de qualidade de vida, acesso à cultura e lazer. Em paralelo com a questão social, segue a questão econômica, visto que a evasão escolar e o tempo de permanência dos estudantes nas IFES representam grande preocupação para a Administração Pública Federal, uma vez que, geram altos custos, comprometendo percentual considerável dos recursos do orçamento destinado a manutenção e desenvolvimento do ensino superior. Matéria jornalística recente, informa que, segundo o Censo da Educação Superior de 2010, 49% das vagas abertas nas Instituições de Ensino Superior, englobando o setor público e privado não são ocupadas. Nas instituições públicas, onde a concorrência é maior, os índices de preenchimentos de vagas são melhores. Porém, para cada 100 vagas ofertadas, 92 matrículas são efetivadas, mas apenas 40 estudantes concluem o curso. (http://www.gazetadopovo.com.br/vida-universidade) Nesse sentido, o PNAES reflete o interesse do governo federal em promover ajustes no sistema público de educação superior brasileiro, que por um lado passou nas últimas décadas por um crescente desenvolvimento, principalmente na área de pós-graduação e pesquisa, mas por outro lado, direcionou para o setor privado o atendimento de grande parte da população, devido entre outros fatores, a rigidez dos processos seletivos das IFES, levando a uma acentuada mercantilização do ensino. A consolidação do PNAES nos últimos exercícios financeiros, deixa clara a importância estratégia desse programa de governo que tem como objetivos:

63 a democratização das condições de permanência dos estudantes de Instituições Federais de Ensino Superior; 2 - a minimização dos efeitos das desigualdades sociais e regionais na permanência e conclusão do cursos; 3 - a redução das taxas de retenção e evasão; 4 - a contribuição para a inclusão social por meio da educação. (ANDIFES, 2007) Sendo a inclusão social um dos pilares do desenvolvimento sustentável e sendo também inegável a importância do ensino superior para o desenvolvimento socioeconômico, o PNAES contribui não só para a formação profissional dos cidadãos e efetivação de pesquisas científicas e tecnológicas, mas também, para a formação de uma sociedade norteada por princípios éticos e democráticos. Caberá às IFES, a execução dessa política pública, através da correta aplicação dos recursos orçamentários e financeiros do PNAES, buscando a conciliação entre a permanente busca por qualidade acadêmica e o cumprimento de seus objetivos sociais. Os pontos chaves para o sucesso nesta empreitada talvez encontrem-se no apropriado enquadramento dos beneficiados dentro do perfil socioeconômico definidos na concepção do Programa, na legislação e, principalmente, nos instrumentos de avaliação da execução das ações, remetendo ao que prega a CF/88 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...". 3.2 O PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS ESTUDANTES DAS IFES Dando sequência ao processo de levantamento de informações para conhecimento do perfil dos estudantes das Universidade Federais, foi encomendada pela ANDIFES ao FONAPRACE e capitaneada pela Universidade de Mato Grosso do Sul - UFMS, no período nova pesquisa, a exemplo das ocorridas em e , buscando assegurar um feedback para continuidade e planejamento de novas políticas públicas direcionadas ao acesso e permanência do estudante no ensino superior com desenvolvimento de ações pró-ativas quanto a prevenção de retenção e evasão. A pesquisa, teve como objetivo levantar o perfil socioeconômico e cultural do estudante de graduação presencial das IFES, possibilitando a formulação de indicadores nacionais, regionais e institucionais. Em relação a condição econômica dos estudantes, verificou-se que 44% pertenciam às classes C, D e E. Contudo, esse percentual é maior para as regiões Norte - 69% e Nordeste

64 46 52%. Os pertencentes à classe A somam 15%, com maior concentração no Centro-Oeste - 22% e menor na região Norte - 6,3%. Tratando-se de renda familiar, 41% das famílias dos estudantes recebiam até 03 salários mínimos (R$ 1.530,00), saltando os índices no Nordeste - 50%, Norte - 63% e caindo no Sudeste - 31%, Sul - 32% e Sudeste - 33%. Tabela 3A - Distribuição percentual dos estudantes da universidades federais por classes econômicas Região Geográfica Classes Econômicas A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E C, D e E Nacional 2,35 12,90 17,58 23,49 19,59 14,01 9,60 0,47 43,67 Nordeste 2,20 9,96 14,57 21,26 20,11 17,10 14,00 0,81 52,02 Norte 1,18 5,14 7,96 16,66 21,64 22,29 23,78 1,36 69,07 Sudeste 2,22 16,11 21,68 25,56 18,41 11,27 4,67 0,07 34,42 Sul 2,39 14,38 21,39 27,99 20,35 10,14 3,29 0,06 33,84 Centro-Oeste 4,30 17,76 18,27 23,74 18,09 10,74 6,75 0,34 35,92 Fonte: Andifes/Fonaprace Tabela 3B - Distribuição percentual dos estudantes da universidades federais por renda familiar Faixa de Renda Região Geográfica Nacional Nordeste Norte Sudeste Sul Centro-Oeste Não tem ou nunca possuiu renda 0,45 0,61 0,79 0,36 0,15 0,45 Até meio salário mínimo (R$ 255,00) 0,63 0,95 1,66 0,25 0,25 0,38 Ate 1 salário mínimo (R$ 510,00) 7,25 10,11 17,97 3,74 3,52 4,09 Até 2 salários mínimos (R$ 1.020,00) 18,14 23,02 28,66 13,55 13,44 14,01 Até 3 salários mínimos (R$ 1.530,00) 14,19 15,08 13,97 13,41 13,99 14,43 Até 4 salários mínimos (R$ 2.040,00) 10,40 10,63 9,31 10,34 11,85 8,62 Até 5 salários mínimos (R$ 2.550,00) 7,45 6,68 6,03 8,46 8,45 6,61 Até 6 salários mínimos (R$ 3.060,00) 6,76 5,70 4,10 8,18 8,31 5,95 Até 7 salários mínimos (R$ 3.570,00) 4,39 3,81 2,97 4,88 5,44 4,46 Até 8 salários mínimos (R$ 4.080,00) 4,47 3,75 3,10 4,75 5,09 6,18 Até 9 salários mínimos (R$ 4.590,00) 2,56 2,15 1,96 3,30 2,48 2,42 Até 10 salários mínimos (R$ 5.100,00) 6,57 5,31 3,13 8,40 7,43 7,09 Acima de 10 salários mínimos 16,72 12,21 6,37 20,37 19,60 25,29 Fonte: Andifes/Fonaprace Conforme definição do FONAPRACE aqueles estudantes pertencentes às classes C, D e E compõe a chamada demanda potencial por assistência estudantil, necessitando de algum tipo de apoio financeiro para permanência e conclusão do curso, seja para custear alimentação, moradia, assistência à saúde, assistência psicológica, bolsas, dente outros. Em 1997 o percentual apurado de estudantes nestas condições foi de 44,3%, passando a 42,8% em 2004 e 43,7% em Tabela 3C - Classes econômicas dos estudantes das universidades federais /97, 2003/4 e 2010 Classe Econômica Fonte: Andifes/Fonaprace Região Geográfica Pesquisa 1996/97 Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 A 12,6 15,6 15,3 B 43,1 41,5 41,1 C 30,5 30,9 33,6 D 10,5 11,1 9,6 E 3,3 0,8 0,5 C + D + E 44,3 42,8 43,7

65 47 Novamente, comprovou-se que os estudantes da Universidades Federais não são, em sua maioria, os mais ricos. Inclusive, o percentual que demanda assistência estudantil por região é bem superior ao índice nacional no Nordeste, Centro-Oeste e praticamente dobra na região Norte. A pesquisa 2010/11 mostrou que, a maioria dos estudantes das IFES são mulheres, atingindo o índice nacional de 53,5%, havendo um decréscimo na participação masculina em relação a pesquisa anterior. Quanto a idade, 75% do total dos estudantes encontravam-se na faixa etária de até 24 anos, verificando-se um decréscimo no percentual de jovens com idade inferior a 20 anos e acréscimo no percentual de jovens com idade entre 20 e 25 anos. Tabela 3D - Distribuição percentual dos estudantes da universidades federais por sexo e classe econômica Região Geográfica Sexo Classes Econômicas A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E Geral Masculino 58,36 51,32 48,97 48,66 44,83 40,35 39,86 40,55 46,49 Nacional Feminino 41,64 48,68 51,03 51,34 55,17 59,65 60,14 59,45 53,51 Masculino 49,69 56,59 51,11 47,37 46,28 41,32 43,92 39,47 47,08 Nordeste Feminino 50,31 43,41 48,89 52,63 53,72 58,68 56,08 60,53 52,92 Masculino 72,85 57,46 49,07 47,11 44,86 37,40 32,33 35,57 41,78 Norte Feminino 27,15 42,54 50,93 52,89 55,14 62,60 67,67 64,43 58,22 Masculino 57,03 47,39 45,33 47,56 45,23 39,50 42,87 85,49 45,73 Sudeste Feminino 42,97 52,61 54,67 52,44 54,77 60,50 57,13 14,51 54,27 Masculino 62,81 53,15 54,12 50,75 42,96 43,51 41,82 12,99 49,47 Sul Feminino 37,19 46,85 45,88 49,25 57,04 56,49 58,18 87,01 50,53 Masculino 65,15 48,73 46,54 52,48 42,35 39,83 34,86 48,90 46,88 Centro-Oeste Feminino 34,85 51,27 53,46 47,52 57,65 60,17 65,14 51,10 53,12 Fonte: Andifes/Fonaprace Tabela 3E - Distribuição percentual dos estudantes por sexo, idade e região Região Geográfica Idade Sexo Masculino Feminino Geral Até 17 anos 0,63 0,98 0,82 Nacional De 18 a 24 anos 71,38 75,74 73,71 25 anos ou mais 27,99 23,28 25,47 Até 17 anos 0,48 1,06 0,79 Nordeste De 18 a 24 anos 71,22 74,88 73,16 25 anos ou mais 28,30 24,06 26,05 Até 17 anos 0,59 1,09 0,88 Norte De 18 a 24 anos 69,73 68,88 69,23 25 anos ou mais 29,68 30,04 29,89 Até 17 anos 0,16 0,31 0,24 Sudeste De 18 a 24 anos 74,00 80,61 77,58 25 anos ou mais 25,84 19,09 22,18 Até 17 anos 0,73 1,09 0,91 Sul De 18 a 24 anos 67,65 74,05 70,88 25 anos ou mais 31,62 24,86 28,21 Até 17 anos 2,24 2,41 2,33 Centro-Oeste De 18 a 24 anos 72,45 74,24 73,40 25 anos ou mais 25,31 23,35 24,27 Fonte: Andifes/Fonaprace

66 48 Tabela 3F - Idade dos estudantes das Universidades Federais nos anos de 1996/97, 2003/4 e 2010 Idade < 20 anos 21,41 23,80 16,80 20 a 25 anos 53,77 53,80 52,73 25 a 29 anos 14,60 12,50 16,39 Mais de 30 anos 10,22 9,90 9,08 Fonte: Andifes/Fonaprace Percentual Pesquisa 1996/97 Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 Os estudantes de raça/cor/etnia branca são maioria - 54% e os estudantes de raça/cor/etnia preta passou de 5,9% em 2004 para 8,7% em 2010, sendo que regionalmente, no Norte o percentual passou de 6,8% em 2004 para 13,4% em Considerando os estudantes de raça/cor/etnia preta e parda o percentual foi de 40,8 em 2010 contra 34,2% em Essas variações evidenciam os efeitos das ações afirmativas e do programa REUNI. Tabela 3G - Distribuição percentual dos estudantes da universidades federais por classe econômica e raça/etnia Região Geográfica Raça/Etnia Classes Econômicas A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E Geral Amarela 2,27 2,94 2,85 3,12 3,30 2,61 3,70 6,41 3,06 Branca 72,84 71,86 64,41 58,56 48,60 38,37 29,53 22,76 53,93 Nacional Indígena 0,36 0,22 0,37 0,61 0,89 1,50 2,52 11,33 0,93 Preta 1,51 2,34 4,14 7,71 10,96 13,15 18,45 18,21 8,72 Parda 22,46 20,88 26,51 28,97 35,10 43,01 44,95 41,29 32,08 Outra 0,56 1,76 1,72 1,03 1,15 1,36 0,85 0,00 1,28 Amarela 3,11 3,01 3,74 5,02 4,13 3,11 4,76 8,10 4,07 Branca 61,86 55,54 45,77 40,31 31,72 27,20 26,29 29,44 37,08 Nordeste Indígena 1,24 0,17 0,68 1,37 1,46 2,64 3,05 8,22 1,67 Preta 2,76 4,98 6,78 10,97 15,47 16,40 18,34 20,49 12,53 Parda 31,04 35,17 42,66 41,15 46,03 48,60 46,75 33,75 43,53 Outra 0,00 1,14 0,38 1,18 1,19 2,06 0,81 0,00 1,12 Amarela 0,00 8,13 2,98 5,41 4,64 3,35 3,91 2,41 4,27 Branca 65,04 52,09 40,13 30,20 23,09 18,78 16,54 8,01 24,90 Norte Indígena 0,00 0,00 1,03 2,47 1,04 2,02 2,22 13,77 1,88 Preta 0,00 4,21 4,64 10,25 13,07 15,68 19,15 18,18 13,42 Parda 34,96 35,57 50,01 50,70 57,63 60,04 57,49 57,63 54,97 Outra 0,00 0,00 1,21 0,98 0,52 0,13 0,69 0,00 0,57 Amarela 1,07 1,44 2,24 1,54 2,00 1,49 2,82 27,41 1,82 Branca 86,32 77,64 70,85 66,05 58,62 48,57 42,62 14,51 64,94 Sudeste Indígena 0,00 0,48 0,11 0,05 0,53 0,04 0,89 0,00 0,26 Preta 1,17 1,35 3,75 6,33 9,30 9,79 20,99 24,96 6,49 Parda 10,64 16,37 20,45 25,10 28,23 38,32 31,53 33,13 24,74 Outra 0,80 2,72 2,60 0,92 1,32 1,80 1,15 0,00 1,76 Amarela 4,17 3,43 1,52 1,61 1,26 1,82 0,44 0,00 1,83 Branca 92,06 91,36 85,11 86,23 81,28 78,94 71,70 79,55 84,64 Sul Indígena 0,00 0,00 0,48 0,00 0,82 0,51 1,81 0,00 0,38 Preta 0,00 1,07 1,98 2,68 4,48 5,55 7,64 12,99 3,06 Parda 3,77 3,21 9,22 8,23 11,08 13,18 17,96 7,45 9,02 Outra 0,00 0,92 1,69 1,25 1,07 0,00 0,44 0,00 1,08 Amarela 1,71 4,55 5,31 4,34 6,46 3,29 0,88 0,00 4,46 Branca 59,15 63,65 57,15 50,35 45,35 38,72 36,48 24,45 51,15 Centro-Oeste Indígena 0,00 0,00 0,00 0,25 0,08 1,06 4,17 33,32 0,58 Preta 1,94 1,72 3,22 11,23 10,47 14,56 20,08 0,00 8,46 Parda 35,48 28,15 32,17 33,26 36,25 40,90 37,03 42,23 33,90 Outra 1,71 1,93 2,15 0,57 1,39 1,46 1,35 0,00 1,45 Fonte: Andifes/Fonaprace

67 49 Tabela 3H - Percentual de Estudantes por raça/etnia /4 e 2010 Raça/Etnia Branca 59,4 53,9 Preta 5,9 8,7 Indígena 2,0 0,9 Amarela 4,5 3,1 Parda 28,3 32,1 Fonte: Andifes/Fonaprace Percentual Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 Quanto a situação conjugal, a grande maioria dos estudantes era solteira em 2010, atingindo o percentual de 86,6%. A participação dos estudantes com filhos caiu de 12,17% em 1996/7 para 9,21% em 2010, em consonância com o que mostra o Censo Tabela 3I - Situação conjungal dos estudantes /97, 2003/4 e 2010 Situação Conjungal Casado (a) 12,14 11,40 7,68 Vivendo com campanheiro (a) 3,21 6,50 4,46 Solteiro (a) 84,65 88,60 86,64 Separado (a)/divorciado(a) Não perguntado Não perguntado 1,09 Viúvo(a) Não perguntado Não perguntado 0,12 Fonte: Andifes/Fonaprace Percentual Pesquisa 1996/97 Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 Tabela 3J - Percentual de estudantes com filhos /97, 2003/4 e 2010 Situação em relação a filhos Tem filhos 12,17 11,50 9,21 Não tem Filhos 87,83 88,50 90,79 Fonte: Andifes/Fonaprace Pesquisa 1996/97 Percentual Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 O uso de transporte coletivo foi apontado como meio de transporte pela maioria dos estudantes. Em relação a moradia, 55,28% dos estudantes reside com os pais, 9,87% com o cônjuge, 9,67% em repúblicas e apenas 2,52% em casa de estudantes mantidas pelas universidades. Destes estudantes residentes em moradias pertencentes e/ou mantidas pelas universidades, 83% pertencem as classes C, D e E. Tabela 3L - Meio de Transporte utilizado pelos estudantes /97, 2003/4 e 2010 Meio de Transporte A pé/de carona/debicicleta 14,60 18,00 18,63 Transporte Coletivo 60,60 59,90 56,56 Transporte próprio (carro/moto) 24,80 19,70 21,62 Transporte Locado (prefeitura e/ou escolar Não perguntado 2,40 2,00 Táxi/Moto-Táxi Não perguntado Não perguntado 0,29 Fonte: Andifes/Fonaprace Percentual Pesquisa 1996/97 Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010

68 50 Tabela 3M - Situação de moradia dos estudantes da universidades federais por classe econômica Situação de Moradia A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E Geral Moro sozinho(a) 3,59 4,99 6,44 6,19 6,92 7,04 6,32 13,31 6,33 Com pai, mãe ou ambos 80,28 73,47 61,05 54,55 50,75 46,98 38,03 39,76 55,28 Com o cônjuge 0,00 0,88 3,58 11,16 14,43 15,19 15,87 6,28 9,87 Em casa de familiares 0,87 2,40 4,76 5,56 6,38 8,40 9,53 8,33 5,85 Em cada de amigos 1,26 0,43 0,88 1,19 1,09 1,85 3,42 2,59 1,33 Pensão/Hotel/Pensionato 0,00 0,63 0,96 1,26 1,45 1,31 1,57 4,26 1,19 República 3,74 8,24 11,77 11,02 9,10 7,57 10,13 10,13 9,67 Moradia mantida pela família 10,27 8,41 9,69 7,21 6,12 5,97 5,41 5,05 7,30 Moradia pertencente e/ou mantida pela Universidade 0,00 0,13 0,40 1,47 2,86 4,72 8,74 5,01 2,52 Outras moradias coletivas (religiosa, púlbica, entre outras) Fonte: Andifes/Fonaprace 0,00 Classe Econômica 0,40 0,46 0,39 0,90 0,97 0,98 5,28 Na região Sul quase metade dos estudantes informaram que trabalham atingindo o índice de 46,34%, sendo o maior índice quando comparado com os índices das outras regiões geográficas e enquanto o índice nacional ficou em 37,63%. A maioria dos estudantes que exercem alguma atividade remunerada é pertencente às classes C, D e E. Tabela 3N - Distribuição percentual dos estudantes que trabalham por classes econômicas Região Geográfica Classes Econômicas A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E Geral Nacional 33,88 30,71 34,95 42,13 42,87 40,11 28,34 18,60 37,63 Nordeste 28,21 28,71 33,99 39,80 40,61 36,63 28,34 17,30 35,43 Norte 54,88 40,81 46,59 41,47 43,03 36,21 22,93 22,22 36,50 Sudeste 28,92 26,75 29,80 36,82 38,60 40,34 30,86 27,41 33,94 Sul 34,74 36,60 41,37 52,42 50,52 51,13 36,67 72,10 46,34 Centro-Oeste 43,07 33,57 37,31 45,39 48,49 46,88 36,18 4,43 41,67 Fonte: Andifes/Fonaprace Em relação a escolaridade dos pais, 2,65% são analfabetos, 29,94% possuem ensino médio completo ou incompleto e 28,41 ensino superior, podendo esses índices representar o maior acesso à educação superior de filho de famílias menos favorecidas, se comparado com os índices da pesquisa de Tabela 3O - Escolaridade dos pais dos estudantes /7 e ,66 Analfabeto Escolaridade Ensino Fundamental (1ª a 4ª completo ou incompleto) Ensino Fundamental (5ª a 8ª completo ou incompleto) Ensino Médio (completo ou incompleto) Educação Superior Fonte: Andifes/Fonaprace Percentual Pai/Mãe Pesquisa 1996/7 2,10/2,03 16,76/17,14 13,57/14,85 20,29/25,43 32,16/26,90 Percentual Pais Pesquisa ,65 15,34 11,04 29,94 28,41

69 51 A pesquisa de 2010 também mostrou que 44,81% dos estudantes são oriundos de escolas públicas e 42,36% de escolas particulares. Regionalmente, o Norte tem 71,47% dos estudantes vindos de escolas públicas e o Sudeste 37,02%. Tabela 3P - Distribuição percentual dos estudantes por tipo de escola em que cursou o ensino médio Região Geográfica Percentual Somente Escola Pública Maior Parte Escola Pública Maior Parte Escola Particular Somente Escola Particular Nacional 44,81 5,58 7,24 42,36 Nordeste 41,35 6,07 7,22 45,35 Norte 71,47 6,80 5,55 16,18 Sudeste 37,02 4,42 8,05 50,51 Sul 50,57 5,62 6,09 37,72 Centro-Oeste 40,69 6,22 8,55 44,54 Fonte: Andifes/Fonaprace Dentre o universo de estudantes pesquisado, considerando os programas de assistência estudantil, 15% utilizavam os programas de alimentação, 11% são beneficiados com bolsas permanência e 10% utilizam os programas de transporte oferecidos pelas IFES. Tabela 3Q - Participação percentual dos estudantes nos programas de alimentação Região Geográfica Classes Econômicas A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E Geral Nacional 1,78 2,76 4,98 10,41 19,07 29,30 34,28 37,26 15,03 Nordeste 2,04 1,65 4,66 7,78 11,13 20,26 28,10 32,79 12,44 Norte 0,00 5,27 3,31 6,89 15,16 19,84 24,66 27,21 15,62 Sudeste 0,17 2,90 4,44 10,13 24,22 39,22 48,62 83,09 15,23 Sul 4,93 5,06 7,99 14,74 26,21 44,07 56,21 85,09 18,39 Centro-Oeste 1,41 0,41 2,60 12,39 21,46 38,80 60,41 66,68 15,91 Fonte: Andifes/Fonaprace Tabela 3R - Participação percentual dos estudantes nos programas de bolsa permanência Região Geográfica Classes Econômicas A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E Geral Nacional 0,38 0,80 2,37 5,85 12,46 23,22 28,66 39,58 10,53 Nordeste 0,00 1,15 2,27 3,30 5,81 13,55 17,12 24,39 7,23 Norte 0,00 0,00 4,54 8,42 17,50 27,78 41,25 56,27 22,31 Sudeste 0,00 0,75 1,23 4,09 13,76 27,91 29,00 27,41 8,49 Sul 2,16 0,73 4,64 10,35 19,73 34,98 44,04 100,00 13,12 Centro-Oeste 0,00 0,66 1,14 7,53 10,75 26,29 40,28 66,68 9,83 Fonte: Andifes/Fonaprace Tabela 3S - Participação percentual dos estudantes nos programas de transporte Região Geográfica Classes Econômicas A1 A2 B1 B2 C1 C2 D E Geral Nacional 2,26 5,28 6,84 8,24 12,41 14,75 17,18 17,70 10,11 Nordeste 2,04 4,06 3,98 3,75 5,61 5,79 9,96 10,98 5,43 Norte 0,00 1,73 7,95 9,26 14,92 19,79 24,99 30,73 16,26 Sudeste 0,74 4,31 4,77 5,82 11,83 17,94 19,99 0,00 8,37 Sul 0,00 6,78 8,67 12,15 21,90 26,82 35,35 92,55 14,63 Centro-Oeste 7,51 8,87 16,61 19,24 15,76 17,59 12,74 0,00 15,10 Fonte: Andifes/Fonaprace O percentual de estudantes que participam de estágios chega perto de 11%, sendo que as atividades acadêmicas remuneradas em geral, incluindo também monitoria e extensão contemplam cerca de 34% dos estudantes.

70 52 Tabela 3T - Participação percentual dos estudantes em atividades acadêmicas remunerada Atividade Região Geográfica Nenhuma Monitoria Extensão Pesquisa Estágio PET (Programa de Educação Tutorial) Outra Nacional 67,32 4,03 3,78 8,26 10,72 1,33 4,57 Nordeste 71,83 4,92 2,91 6,53 8,67 1,36 3,78 Norte 59,03 2,48 7,07 6,36 14,18 2,18 8,71 Sudeste 68,18 4,29 3,27 9,60 10,31 1,04 3,31 Sul 60,90 3,26 4,45 10,40 13,73 1,32 5,95 Centro-Oeste 70,63 3,57 3,34 7,86 9,38 1,23 3,99 Fonte: Andifes/Fonaprace Confirmou-se que os alunos do noturno são na maioria pertencentes as classes C, D e E 52,5%, enquanto os estudantes das outras classes sociais frequentam majoritariamente o turno matutino e integral. Já considerando os resultados sobre trancamento de matrícula, dentre o percentual nacional 12,4%, os problemas financeiros representam 15% e afetam em maior proporção as classes C, D e E, enquanto o trancamento por insatisfação com o curso é mais concentrado nas classes A e B. Tabela 3U - Turno em que frequenta a maior parte das disciplinas Turno Classe Econômica Matutino Vespertino Noturno Integral Geral A1 2,75 1,82 1,69 2,91 2,35 A2 15,32 11,88 8,18 15,54 12,90 B1 17,71 17,27 13,69 21,83 17,58 B2 22,08 23,24 23,95 25,01 23,49 C1 18,55 18,58 24,20 16,65 19,59 C2 13,40 15,13 16,67 11,19 14,01 D 9,60 11,40 11,31 6,54 9,60 E 0,60 0,67 0,31 0,32 0,47 Fonte: Andifes/Fonaprace Tabela 3V - Motivos para trancamento de matrícula Classe Econômica Insatisfação com o curso Impedimento de Saúde Motivo Impedimento Financeiro Licença Maternidade Outro Motivo A1 2,03 1,27 0,00 0,00 2,92 A2 13,16 4,52 0,66 0,00 12,50 B1 13,72 12,61 4,79 11,35 19,23 B2 22,59 27,93 27,03 20,56 29,27 C1 19,07 32,02 24,40 25,13 18,34 C2 12,70 13,77 21,49 23,96 11,90 D 12,64 7,89 20,22 18,99 5,77 E 4,10 0,00 1,39 0,00 0,08 Fonte: Andifes/Fonaprace Quanto aos motivos que levam os estudantes a buscar as Universidades Federais, os principais dizem respeito a gratuidade e a esperada qualidade do ensino, aliadas as expectativa

71 53 de realização pessoal e profissional. A maioria dos estudantes 55% apontaram para a possibilidade de continuar a estudar após a conclusão da graduação, conciliando com as futuras atividades profissionais, que a maioria espera seja dentro de sua área de formação acadêmica. Tabela 3X - Expectativas quanto à atuação do estudante após a formatura Região Geográfica Expectativa Trabalhar Continuar Estudando Ambos Não Sabe Nacional 22,46 19,04 55,00 3,49 Nordeste 22,65 19,91 55,02 2,41 Norte 21,50 23,09 52,58 2,83 Sudeste 21,78 17,67 56,62 3,92 Sul 23,54 17,00 54,11 5,35 Centro-Oeste 23,09 19,61 54,26 3,05 Fonte: Andifes/Fonaprace Os estudantes mostraram que para manterem-se informados sobre os acontecimentos atuais utilizam a Internet 70,42%, Telejornais 20,11%, Jornais Impressos 3,27% e revistas 0,84%. O maior índice regional em relação ao uso da Internet é na Região Sul 76,10% e o menor na Região Norte 54,64%. Quanto aos temas de interesses foram apontados: cultura, viagem, notícias, economia, política, esportes, dentre outros. Tabela 3Z - Principal fonte de informação sobre acontecimentos atuais Região Geográfica Internet Jornal Impresso Telejornal Outros Programas de Rádio Revista Outros TV Nacional 70,42 3,27 20,11 2,01 1,10 0,84 2,25 Nordeste 67,51 3,07 23,32 2,57 0,77 0,76 2,00 Norte 54,64 3,92 31,36 5,38 1,08 0,78 2,84 Sudeste 75,55 3,58 15,63 0,81 1,01 0,84 2,57 Sul 76,10 3,78 14,79 1,11 1,76 0,71 1,75 Centro-Oeste 71,05 1,45 20,79 1,83 1,22 1,38 2,28 Fonte: Andifes/Fonaprace O índice nacional, sem grande disparidade com os índices regionais aponta que mais da metade dos estudantes está familiarizada com o uso de computadores, enquanto em ,8% declararam ter experiência e 43,9% em Fonte Tabela 3AA - Domínio do computador pelos estudantes /7, 2003/4 e 2010 Percentual Domínio Pesquisa 1996/7 Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 Muita experiência Não perguntado 13,10 26,99 Tem Experiência 22,80 43,90 51,98 Alguma Noção 52,59 38,20 20,31 Não domina 24,60 4,70 0,72 Fonte: Andifes/Fonaprace

72 54 A participação dos estudantes em atividades artísticas e culturais é ocasional 56,51%, sendo que os que nunca participam de atividades variam de 22 a 28%, regionalmente. Quanto a participação em atividades ligadas a movimentos estudantis, apenas 5,8% participam periodicamente, sendo que este índice era de 11,14% em 1997 e 7,0% em Tabela 3AB - Participação dos estudantes em atividades artísticas e culturais Região Percentual Geográfica Nunca Ocasionalmente Periodicamente Nacional 25,53 56,51 17,96 Nordeste 27,97 56,51 15,52 Norte 22,68 60,63 16,68 Sudeste 24,67 55,93 19,41 Sul 26,19 54,91 18,90 Centro-Oeste 22,72 56,57 20,71 Fonte: Andifes/Fonaprace Tabela 3AC - Participação dos estudantes em movimento estudantil Região Percentual Geográfica Nunca Ocasionalmente Periodicamente Nacional 64,82 29,38 5,80 Nordeste 64,21 30,04 5,75 Norte 49,11 40,65 10,24 Sudeste 69,27 26,06 4,67 Sul 68,87 25,68 5,45 Centro-Oeste 63,27 31,49 5,24 Fonte: Andifes/Fonaprace Em relação ao domínio de línguas estrangeiras, o inglês é o idioma predominante, mas apenas 38,3% declararam ter o domínio sobre o idioma. A participação do espanhol como opção de segunda língua tem crescido acentuadamente. Tabela 3AD - Domínio de línguas estrangeiras /7, 2003/4 e 2010 Percentual Domínio Pesquisa 1996/7 Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 Inglês 23,32 30,20 38,31 Espanhol 6,47 10,20 17,06 Francês 1,94 2,70 3,75 Alemão Não perguntado Não perguntado 2,18 Italiano Não perguntado Não perguntado 2,46 Fonte: Andifes/Fonaprace Sobre o acesso a serviços de saúde, 41,68% dos estudantes utiliza a rede pública e 54,65% utiliza serviços particulares/convênios, a exceção é a Região Norte onde predomina a rede pública. As mulheres procuram mais atendimento médico 84,34% em relação aos homens 74,34%. Quanto a atendimento odontológico, 44,7% vai ao dentista regularmente. As crises emocionais afetaram cerca de 50% dos estudantes, tomando por base os últimos 12

73 55 meses anteriores a pesquisa. Ansiedade e insônia estão entre as dificuldades emocionais mais apontadas com influência no desempenho acadêmico, sendo o uso do álcool apontado por 4% e de drogas ilícitas por 2%. O atendimento psicológico e psiquiátrico já foi procurado por 29% e 9% dos estudantes, respectivamente, evidenciando o crescimento das dificuldades emocionais quando comparado com os resultados da pesquisa de Em relação ao consumo de substâncias psicoativas, 34% dos estudantes apontaram que não usam álcool, 14% usam frequentemente e 6% afirmaram usar drogas ilícitas. (ANDIFES, 2011) Tabela 3AE - Utilização de serviços de saúde pelos estudantes /7, 2003/4 e 2010 Percentual Domínio Pesquisa 1996/7 Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 Serviços Públicos 27,22 32,70 41,68 Serviços Particulares 26,48 26,30 23,23 Convênios/Seguro 46,29 36,70 31,42 Ajuda Informal Não perguntado Não perguntado 2,23 Nenhum Não perguntado Não perguntado 1,44 Serviço Médico da Universidade Não perguntado 4,30 Não perguntado Fonte: Andifes/Fonaprace Tabela 3AF - A saúde mental dos estudantes /4 e 2010 Percentual Dificuldade Pesquisa 2003/4 Pesquisa 2010 Crise Emocional 36,90 47,70 Atendimento Psiquiátrico 5,50 9,00 Atendimento Psicológico 23,80 29,00 Fonte: Andifes/Fonaprace As atividades físicas não fazem parte do cotidiano de 32,42% dos estudantes. Dentre os que praticam alguma atividade, a caminhada é predominante 19,67%, seguida da ginástica/musculação 17,91%. Em relação a pesquisa de 1997, o percentual de estudantes sedentários mais do que dobrou. Tabela 3AG - Atividades físicas preferenciais dos estudantes /7 e 2010 Percentual Atividade Física Pesquisa 1996/7 Pesquisa 2010 Nenhuma 14,04 32,42 Caminhada/Corrida/Natação 36,53 22,26 Ginástica/Musculação/Luta 17,02 18,68 Partida em Equipe 25,01 18,51 Fonte: Andifes/Fonaprace Os resultados das pesquisas Andifes/Fonaprace 1996/7, 2003/4 e 2010 tornam evidente a importância da continuidade e melhoria das políticas públicas voltadas à assistência estudantil, com consequente aumento dos recursos orçamentários para ações direcionadas aos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, assegurando a

74 56 permanência e conclusão do curso pelos ingressos via ações afirmativas, programas de reestruturação e expansão e inclusive para atendimento do Plano Nacional de Educação - PNE /2020 que indica um aumento considerável de recursos destinados a Educação com progressão gradual do percentual vinculado ao PIB e em contrapartida traz em seu escopo metas bastante audaciosas em relação a ampliação do acesso e permanência no ensino público. 3.3 A EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR A caminhada para a universalização do acesso ao ensino superior que teve início no final da década de 60 e início da década de 70 trouxe consigo a problemática da evasão. As IFES em geral, privadas ou públicas, não institucionalizaram mecanismos para assegurar e permanência e conclusão do curso dos alunos ingressantes no sistema. As privadas investem considerável volume de recursos em ações de marketing para atrair novos alunos, mas não preocupam-se com a questão de fidelização do cliente. Por outro lado, as universidades públicas até recentemente, não preocupavam-se em estudar a complexidade das relações que permeiam a vida acadêmica a fim de diagnosticar, eliminar ou minimizar as causas que levam o aluno a abandonar seu curso de graduação. Atualmente, a evasão tornou-se um dos problemas centrais das instituições de ensino superior e tornou-se alvo de constantes trabalhos científicos que embasam as políticas públicas desenhadas para equacionar o problema. Contudo, a evasão não é um problema exclusivo das instituições brasileiras, mas sim, um problema mundial que representa ociosidade do quadro de pessoal, instalações físicas e equipamentos. As políticas públicas direcionadas a minimizar os impactos da evasão no ensino superior brasileiro, têm em seu âmago as diretrizes das políticas neoliberais, ou seja, a preocupação principal diz respeito a baixa performance do sistema IFES. Portanto, há críticas em relação a falta de preocupação com o nexo causal desse fenômeno que em algumas áreas como formação de professores ou ciências exatas leva a um índice de formandos que não chega a 20% do número de ingressantes (BRAGA, PEIXOTO, BOGUTCHI, 2003). Segundo Lobo et al. (2007, p. 653) "... a área de Ciências, Matemática e Computação tem uma taxa em torno de 28%, consideravelmente acima, portanto, da média nacional, abaixo apenas da evasão anual média registrada nos cursos de Serviços."

75 57 Mundialmente, verifica-se que a evasão é duas a três vezes maior no primeiro ano de curso quando comparada com os anos seguintes. A evasão deve ser analisada sob dois prismas, parecidos mas não idênticos, que estão ligados mas não diretamente: 1. A evasão anual média mede qual a percentagem de alunos matriculados em um sistema de ensino, em uma IES, ou em um curso que, não tendo se formado, também não se matriculou no ano seguinte (ou no semestre seguinte, se o objetivo for acompanhar o que acontece em cursos semestrais). Por exemplo. se uma IES tivesse 100 alunos matriculados em certo curso que poderiam renovar suas matrículas no ano seguinte, mas somente 80 o fizessem, a evasão anual média no curso seria de 20%. 2. A evasão total mede o número de alunos que, tendo entrado num determinado curso, IES ou sistema de ensino, não obteve o diploma ao final de um certo número de anos. É o complemento do que se chama índice de titulação. Por exemplo, se 100 estudantes entraram em um curso em um determinado ano e 54 se formaram, o índice de titulação é de 54% e a evasão nesse curso é de 46%. (LOBO et al., 2007, p. 642) Um dos principais motivos apontados pelas instituições de ensino, como também pelos estudantes, como motivador da desistência do curso é o aspecto financeiro. Porém, estudos já demonstraram que esse não é o único fator causal, podendo inclusive ser superado por outros fatores mais diretamente ligados as atividades acadêmicas. Os parâmetros socioeconômicos e posição de classificação no processo seletivo perde lugar para questões relacionadas a repetência, por exemplo. Segundo Braga, Peixoto e Bogutchi (2003, p. 164) "Há uma configuração específica do problema nas séries iniciais, indicando a necessidade de compreender o que ocorre nessa etapa de adaptação do estudante à organização da ação pedagógica no ensino superior" O Brasil tem poucos estudos sistemáticos e dados nacionais sobre evasão. Por esse motivo, o Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da tecnologia decidiu realizar um trabalho de coleta e organização de dados sobre a evasão brasileira, acrescentando dados internacionais para comparação, no intuito de contribuir com a comunidade acadêmica brasileira para o aprofundamento dos estudos sobre tema tão relevante. (LOBO et al., 2007, p. 643) A partir da sistematização de dados divulgados pelo INEP é possível acompanhar o fenômeno da evasão no ensino superior brasileiro e concluir que as médias não desviam-se muito dos parâmetros internacionais, apesar da forte variação entre instituições públicas e privadas. A predominância do número de instituições privadas sobre as instituições públicas de ensino superior indica que os índices gerais de evasão sofrem forte influência do comportamento das IES privadas, mais diretamente do conjunto de faculdades privadas. A evasão anual média entre 2000 a 2005, para o conjunto formado por todas as IES do Brasil...foi de 22%. A evasão anual nas IES públicas tem oscilado em torno dos 12%, variando entre 9 e 15% no período, enquanto as IES privadas mostram uma oscilação em torno de 26%, contra uma taxa nacional típica de 22%. Obviamente, como as IES privadas detêm a maioria dos alunos no ensino superior, seu peso é

76 58 maior e a média nacional está mais próxima de seus índices. (LOBO et al., 2007, p. 647 e 648) Outro fato que merece atenção diz respeito a crescente ociosidade de vagas, principalmente mas não exclusivamente, no sistema privado.os dados do INEP do Censo 2011 mostram que a relação Ingressos/Vaga Oferecida por Processo Seletivo no geral é de 0,5, sendo no sistema público de 0,9 e no sistema privado de 0,5. Isso demonstra que a expansão no setor privado já atingiu seu limite e a transferência de recursos públicos ao setor privado via renúncia fiscal decorrentes de programas de bolsas como o PROUNI não estão sendo suficientes para resolução desta questão. Nas IFES há a necessidade de se trabalhar mais ativamente com programas internos de ocupação de vagas ociosas. Tabela 3AH - Relação candidatos inscritos/vaga oferecida e ingressos/vagas oferecidas por processos seletivos, nos cursos de graduação presenciais, por organização acadêmica, segundo dependência administraidva das IES Dependência Candidatos Inscritos/Vaga Oferecida por Processos Seletivos Ingressos/Vaga Oferecida por Processos Seletivos Administrativa Total Geral Universidades Centros Centros Universitários Faculdades IF e CEFET Total Geral Universidades Universitários Faculdades IF e CEFET Privada 1,5 1,6 1,3 1,4-0,5 0,5 0,5 2,0 - Pública 10,6 11,0 4,3 3,3 17,5 0,9 0,9 0,1 1,8 0,9 Federal 13,5 12,9-22,7 17,5 1,0 1, ,9 Estadual 9,1 10,0 24,1 4,7-0,9 0,9-1,5 - Municipal 1,4 1,2 2,0 1,6-0,5 0,4 0,3 2,3 - GERAL 2,8 4,4 1,4 1,5 17,5 0,5 0,6 0,5 2,0 0,9 Fonte: INEP Podemos concluir que, o fator socioeconômico tem influência sobre as taxas de evasão, muito embora não seja predominante, muito menos, exclusivo. O fator socioeconômico acaba sendo mais influente na fase de inscrição no processo seletivo, na definição do curso escolhido. A ampliação do acesso ao ensino superior, com abertura de cursos noturnos, programas de ocupação de vagas ociosas e políticas direcionadas a manutenção e conclusão dos cursos de graduação têm contribuído para tratar sistematicamente a problemática da evasão. Contudo, o principal problema parece residir nos primeiros anos dos cursos, o que implica dizer que é preciso que as instituições se adaptem as realidades do mundo atual quanto as metodologias de ensino e adequações curriculares a fim de reduzir os índices de evasão e por consequência os desperdícios físicos e financeiros. O levantamento realizado do perfil socioeconômico dos estudantes da IFES que comprova que grande parte dos estudantes e suas famílias podem deparar-se com dificuldades financeiras para assegurar a manutenção e conclusão do curso de graduação e assim muitas vezes passam a engrossar as estatísticas de evasão ou mesmo nem chegam a ingressar no sistema de ensino superior em decorrência da consciência dessas possíveis dificuldades que farão parte de seu cotidiano na vida acadêmica reforçam a importância de analisar as

77 59 características e abrangência do PNAES, com foco na implementação desse programa de permanência na Universidade Federal do Paraná.

78 60 4 O PAPEL DA UFPR NA UNIVERSALIZAÇÃO DO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR Entre o diversificado rol de funções atribuídas as Universidades, uma das principais é a produção e disseminação do conhecimento de forma a contribuir para o desenvolvimento sustentável do país em um mundo cada vez mais globalizado. Trata-se da formação de cidadãos não apenas capazes de atender as demandas do mercado por profissionais capacitados do ponto de vista científico e tecnológico, mas cidadãos com espírito crítico e reflexivo que venham a participar e contribuir na construção de uma sociedade cada vez mais justa, democrática e humana. Reconhecidas as acentuadas desigualdades socioeconômicas existentes na sociedade brasileira seja entre classes sociais, etnias ou regiões geográficas, cabe as Universidades trazer para seus campi extratos da população que representem a diversidade encontrada na sociedade como um todo e executar as ações decorrentes das políticas públicas desenhadas para minimização e/ou correção das desigualdades entre os estudantes de ensino superior. Não basta trabalhar pela inclusão, mas de forma indissociável, assegurar condições de permanência e conclusão do curso, aliando desempenho acadêmico satisfatório e qualidade de vida para seus estudantes. A missão das Universidades está intrinsecamente ligada a sua capacidade de abrir-se para a sociedade em geral, especificamente para aqueles segmentos que historicamente têm sido excluídos do meio acadêmico. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, como pilar de sustentação de suas ações deve refletir-se ao longo da trajetória acadêmica dos estudantes, fazendo da universidade um ambiente plural, altamente dinâmico e participativo, interagindo com a comunidade em que está inserida, combinando os conhecimentos acadêmicos com os saberes e práticas vivenciadas da população. Ao contrário do que acontece nas universidades privadas, deve prevalecer nas universidades públicas um ambiente reflexivo e não a produção de conhecimento utilitarista que favorece mais diretamente o mercado econômico, negligenciando a reflexão sobre os problemas sociais e consequentemente, sobre o futuro da humanidade. As universidades públicas frente as inúmeras críticas que recebem seja por sua origem eletista, por sua estrutura considerada dispendiosa, pela baixa performance ou por ser considerada fechada e distante dos verdadeiros anseios da comunidade, ainda responde pela maior parte da pesquisa desenvolvida no país, pelos melhores índices de qualidade no ensino superior comprovando sua excelência acadêmica e por um corpo docente altamente

79 61 qualificado (SGUISSARDI, 2005). Cabe a essas instituições rebater tais críticas através de ações que venham reafirmar e comprovar sua importância social e econômica para o país. 4.1 ASPECTOS HISTÓRICOS INSTITUCIONAIS DA UFPR A Universidade Federal do Paraná (UFPR), considerada a mais antiga do país, foi fundada em 19 de dezembro de 1912 durante um encontro de amigos que tinham como objetivo comum criar uma escola para formação de profissionais de nível superior, contrariando a tendência nacional à época de criar faculdades isoladas. Restaurada em 1º de abril de 1946, a UFPR segundo o Artigo 1º de seu Estatuto, é uma autarquia de regime especial com autonomia administrativa, financeira, didática e disciplinar, mantida pela União. De acordo com o Artigo 2º: A Universidade, adotando métodos de funcionamento que preservem a unidade de suas funções de ensino e pesquisa e autorizem a plena utilização de seus recursos humanos e materiais, destina-se a: I - promover a educação, o ensino e o desenvolvimento tecnológico e a cultura filosófica, científica, literária e artística; II - formar profissionais, técnicos e cientistas; III - contribuir para a solução dos problemas de interesse da comunidade sob a forma de cursos, estudos e serviços; IV - desenvolver a pesquisa nas várias áreas de conhecimento. A UFPR oferece 112 cursos de graduação presencial, 03 cursos de graduação a distância, 93 especializações, 66 cursos de mestrado, 40 cursos de doutorados, 41 cursos de residência médica e 08 cursos de residência multiprofissional. Além dos cursos de graduação e pós-graduação, a instituição mantém, ainda, o ensino técnico, com 03 cursos. Em 2011, a UFPR ofertou vagas, sendo 640 na modalidade graduação a distância, tendo no total 43 mil candidatos inscritos nos processos seletivos. No período 2007 a 2011 praticamente não houve variação no número de candidatos inscritos no Vestibular e houve crescimento de 47% no número de vagas ofertadas. Tabela 4A - Dados Vestibular UFPR UFPR UFPR Litoral UFPR EAD TOTAL Candidatos Inscritos Vagas Oferecidas Relação Candidato/Vaga 7,9 3,4 2,6 6,9 Fonte: Relatório Atividades UFPR Processos Seletivos

80 62 Tabela 4B - Dados Vestibular UFPR a 2011 Vestibular Vagas Oferecidas Candidatos Inscritos Relação Candidato/Vaga 10,3 9,6 7,7 7,4 6,9 Fonte: Relatório Atividades UFPR De acordo com os dados de 2011, aproximadamente 40 mil pessoas integram a comunidade universitária, sendo alunos de graduação, alunos de pós-graduação, 71 alunos de ensino técnico, técnico-administrativos e docentes. Gráfico 4A - C omposição comunidade universitária da UF P R Comunidade Universitária UFPR 5,63% 0,18% 8,99% 22,16% 63,04% Alunos Graduação Alunos Pós-G ra duação Alunos Ensino Técnico S ervidores Docentes S ervidores Técnico-Adm inistrativos Fonte : Re la tório Ativida de s UFP R Tabela 4C - Número de alunos matriculados nos cursos de graduação da UFPR Setor Matriculados Agrárias Biológicas Educação Exatas Jurídicas Humanas, Letras e Artes Saúde Sociais Aplicadas Tecnologia Terra (1) 741 Centro de Estudos do Mar 226 Litoral Palotina Educação Profissional e Tecnológica TOTAL UFPR Fonte: Relatório Atividades UFPR (1) Excluindo o Centro de Estudos do Mar

81 63 Gráfico 4B - Número de alunos matriculados nos cursos de graduação da UFPR Alunos Matriculados % 1% 4% 4% 4% 8% 5% 5% 15% 10% 4% 12% 14% 11% Agrárias Biológicas Educação Exatas Jurídicas Humanas, Letras e Artes Saúde Sociais Aplicadas Tecnologia Terra (1) Centro de Estudos do Mar Litoral Fonte: Relatório Atividades UFPR O quadro docente é composto por Doutores, 483 Mestres, 56 Especialistas e 159 Graduados. Gráfico 4C - Titulação do corpo docente da UFPR Titulação Docentes UFPR 7% 3% 21% Graduados Especialistas 69% Mestres Doutores Fonte: Relatório Atividades UFPR

82 64 A UFPR possui 07 campi, sendo que 04 são localizados em Curitiba - Centro, Agrárias, Centro Politécnico e Jardim Botânico, 02 no litoral paranaense - Campus Litoral e Pontal do Sul/Centro de Estudos do Mar e 01 no interior do Estado - Palotina. Ocupa ao todo uma área territorial de m 2 de extensão e possui m 2 em área construída. A estrutura organizacional da UFPR é composta, basicamente, pelo Conselho Universitário, Gabinete do Reitor, Gabinete do Vice-Reitor, 07 Pró-Reitorias e 14 Setores de Ensino, subdivididos em Departamentos. Cabe mencionar que, o Centro de Estudos do Mar é parte integrante do Setor de Ciências da Terra. À partir de janeiro de 2013, o Campus Palotina passa a compor o rol de Setores de Ensino e o Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, em função de seu desmembramento em 2012 deu origem a um novo setor denominado Setor de Artes, Comunicação e Design. A UFPR possui ainda em seu organograma, diversas unidades, como o Centro de Computação Eletrônica (CCE), o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), a Imprensa Universitária, a Livraria, a Editora, o Hospital e Maternidade Victor Ferreira do Amaral (HMVFA), o Hospital de Clínicas (HC), entre outras. O Hospital de Clínicas é um hospital universitário voltado para o ensino, pesquisa e assistência. Possui 538 leitos, realizou em 2011 mais de 1,2 mi de atendimentos a nível ambulatorial e de emergência, mais de 15 mil internações, cerca de 9 mil cirurgias e 152 transplantes (córnea, medula óssea e hepático). O HC/UFPR é pioneiro na América Latina em transplante de medula óssea e sua equipe de Ortopedia e Traumatologia foi a primeira, no Brasil, a realizar um transplante de bacia. Em relação a pós-graduação, os gráficos e tabela abaixo mostram que a UFPR passa por um vigoroso impulso de crescimento nos últimos anos, com ênfase para o aspecto qualitativo dos cursos. A maioria dos cursos de Doutorado - 52%, possui conceito CAPES 6 e apenas 30% dos cursos de Mestrado possui conceito CAPES 3. Tabela 4D - Número de cursos de doutorado e mestrado da UFPR por conceito CAPES Conceito CAPES Doutorado Mestrado Conceito Conceito Conceito Conceito Fonte: Relatório Atividades UFPR

83 65 Em relação ao número de alunos ingressantes, matriculados e concluintes de cursos de Mestrado e Doutorado a evolução é crescente. O número de concluintes apresentou uma variação de 106% no Mestrado e de 142% no Doutorado, no período Gráfico 4D - Número de alunos ingressantes, matriculados e concluintes de Mestrado- 2001/2011 Nº Alunos Mestrado Ingressantes Matriculados Concluintes Fonte: Relatório Atividades UFPR Gráfico 4E - Número de alunos ingressantes, matriculados e concluintes de Doutorado- 2001/2011 Nº Alunos Doutorado Ingressantes Matriculados Concluintes Fonte: Relatório Atividades UFPR

84 66 Quanto a produção e financiamento da pesquisa os dados do exercício de 2011, apresentados a seguir, colocam a UFPR entre as IFES mais produtivas e dentre as que mais captam recursos junto a órgãos fomentadores de pesquisas. Tabela 4E - Pesquisa vinculada aos programas de pós-graduação da UFPR Produção Quantidade Artigos Publicados em Periódicos Trabalhos Completos Publicados em Anais Produção Artística 60 Produção Técnica 440 TOTAL Fonte: Relatório Atividades UFPR Tabela 4F - Recursos financeiros recebidos para projetos de pesquisa da UFPR Origem dos financiamentos Valores Aprovados (R$) CT-INFRA 2010/ FINEP ,00 Fundação Araucária/ FINEP/ PRONEX (1) ,90 CAPES (pró-equipamentos) ,00 Edital Universal do CNPq (2) ,00 CNPq ,00 Fundo de Desenvolvimento Acadêmico/ UFPR - FDA (3) ,30 Orçamento da União(4) ,00 TOTAL ,20 Fonte: Relatório Atividades UFPR Notas: (1) PRONEX: corresponde a editais específicos que atendem projetos de pesquisa de excelência, em parceria com a Fundação Araucária e CAPES. (2) Edital de Projetos de Pesquisa, representando o total estimado dos valores repassados aos professores pesquisadores da UFPR. (3) Projetos aprovados pelo FDA 2010 de demanda de Fluxo Programado e de demanda de Fluxo Contínuo - Modalidade Pesquisa e de Integração (contemplando a pesquisa). (4) Programas de Apoio à Participação em Eventos Científicos - UFPR/TN e de Apoio à Manutenção de Equipamentos Multiusuários. A UFPR é uma dais maiores universidades brasileiras, estando entre as cinco maiores em termos de número de alunos equivalentes. Também tem se destacado na pesquisa, com uma produção que recebe a cada ano maior reconhecimento nacional e internacional. Na extensão, possui importantes projetos que a colocam sempre mais próxima da comunidade em geral. Com um número de alunos de graduação que se aproxima de 30 mil, a preocupação é constante com as práticas de assistência estudantil, com foco nos alunos cotistas e naqueles com fragilidade socioeconômica, aumentando a cada ano a aplicação de recursos físicos e financeiros para tal finalidade.

85 A VIABILIZAÇÃO DO PNAES ATRAVÉS DO ORÇAMENTO DA UFPR Assegurar a permanência de estudantes com fragilidade socioeconômica na universidade é o grande desafio do PNAES, que faz parte de uma política pública maior cuja diretriz principal é a universalização do ensino superior. Os principais atores envolvidos na implementação do PNAES são as IFES que através de garantias constitucionais são dotadas de autonomia acadêmica e financeira. É na fase de implementação que são produzidos os resultados concretos de uma política pública, é quando as intenções são transformadas em ações e são diagnosticados problemas de formulação, como objetivos mal descritos ou não factíveis. A análise desta fase do ciclo de políticas públicas requer o estudo de elementos básicos como organizações, pessoas, instituições vigentes (regras formais e informais) e recursos sejam políticos, materiais ou financeiros. (SECCHI, 2010) Considerando que os gestores das IFES assumem seu papel principal como gestores públicos, que seja de transformar objetivos políticos em ações concretas de assistência estudantil, conforme diretrizes do PNAES e assegurando o cumprimento de critérios de economicidade, eficiência, eficácia e equidade, cabe discorrer sobre o processo orçamentário federal pois é através da Lei Orçamentária Anual que são assegurados os recursos financeiros necessários à implementação de qualquer política pública O ORÇAMENTO PÚBLICO O Orçamento, seja público ou privado, é um instrumento de planejamento. Deve conter a previsão de ingresso de receita e a fixação da despesa, mas acima de tudo, refletir o programa de trabalho do ente proponente e permitir acompanhamento e controle da execução. O conceito de Orçamento Público tem passado por constantes evoluções ao longo do tempo, dado as variações ocorridas em suas funções e seus múltiplos aspectos: político, jurídico, contábil, econômico, financeiro, administrativo. Sendo que, a distinção entre Orçamento Tradicional e Orçamento Moderno colabora no entendimento dessa evolução conceitual. (GIACOMONI, 2000). O Orçamento Tradicional tinha como função principal o controle político. Surgiu formalmente em 1822, na Inglaterra. Em tempos de forte liberalismo econômico, se buscava assegurar o equilíbrio financeiro e controlar a expansão dos gastos, sendo o Orçamento um instrumento de fácil visualização das receitas e despesas, sem grande importância econômica,

86 68 visto que os gastos do governo não representavam grande volume de recursos. Por outro lado, tinha relevante importância jurídica, recebendo o status de lei. O Orçamento Moderno surge pouco antes do final do século XIX, quando o Estado passa a ser agente interventor, corrigindo distorções criadas pelas leis de livre mercado e impulsionando o desenvolvimento. Não bastava mais apenas a previsão de receita e a fixação da despesa, o orçamento precisava tornar-se um instrumento de administração, servindo para planejamento, execução e controle das políticas de governo. Segundo Burkhead (1971, p.77): O orçamento reflete e molda, ao mesmo tempo, a atividade econômica de uma nação. Não é um instrumento passivo. As receitas do setor público provocarão efeitos específicos nos níveis da renda e da atividade econômica do setor privado. As despesas do setor público exercerão influência nos tipos de atividade econômica realizadas no setor privado, e determinarão, em parte, o nível da atividade econômica global. O orçamento é, portanto, muito mais do que um simples plano de administração do setor governamental. No Brasil, o advento da LRF - Lei de Responsabilidade Fiscal, no ano 2000, trouxe mudanças radicais para a forma como o Orçamento Público é elaborado, mas principalmente, mudanças quanto a execução e acompanhamento das despesas. A LRF passou a imputar responsabilidades ao gestor público, de forma que, o Orçamento passou a ser visto não mais como uma mera formalidade, muitas vezes, denominada de peça de ficção científica, mas como um instrumento de viabilização dos programas e objetivos do Governo, enfatizando não apenas o acompanhamento da execução financeira, mas também da execução das metas físicas. O Orçamento Público prevê a elaboração e execução de três leis: O PPA - Plano Plurianual, a LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias e a LOA - Lei Orçamentária Anual. São essas leis que, na prática, tornam possível a realização das políticas públicas. Machado Jr. e Reis (1995, p.11) afirmam: O orçamento não pode aparecer como subproduto do planejamento nem da contabilidade. Na prática, deve operar como ferramenta de ligação entre os sistemas de planejamento e finanças. Com isto torna possível a operacionalização dos planos, porque os monetariza, isto é, coloca os planos em função dos recursos financeiros disponíveis. A elaboração do Orçamento Público deve ser orientada por princípios orçamentários definidos nas normas jurídicas: Unidade: Cada ente governamental deve elaborar apenas um orçamento; Universalidade: O Orçamento deve conter todas as receitas e despesas do ente;

87 69 Anualidade: Período de vigência do Orçamento, no caso brasileiro, coincide com o ano civil; Exclusividade: Este princípio prevê que a Lei Orçamentária Anual não conterá dispositivos estranhos às receitas previstas e despesas fixadas; Orçamento Bruto: Prevê que todas as receitas e despesas terão como base o valor bruto, sem quaisquer deduções; Não Vinculação da Receita de Impostos: Com exceção das vinculações previstas na Constituição, é vedada a vinculação de receita de impostos à órgão, fundo ou despesa. Esses princípios visam, acima de tudo, assegurar racionalidade, eficiência e transparência nos processo de elaboração, execução, acompanhamento e controle das receitas e despesas públicas. (MACHADO JR. e REIS, 1995) A forma como o Orçamento é apresentado, publicizado, nos meios de comunicação oficiais, muitas vezes, é classificada como de pouca ou nenhuma compreensão para aqueles que não estão vinculados às áreas orçamentária e financeira dos entes federados. Contudo, é utilizada uma forma de classificação estruturada, que apesar de requerer conhecimento específico, fundamentalmente objetiva atender as demandas por informações relacionadas às finanças públicas seja por parte do poder público ou da sociedade em geral. Concluindo, o Orçamento Público é uma lei de iniciativa do Executivo, submetida a avaliação e votação do Legislativo e sancionada pelo Executivo. Trata-se de uma lei de caráter autorizativo, ou seja, nem sempre as despesas e receitas, então previstas, se realizam. Pode haver frustração na arrecadação e consequentemente, cortes nas despesas, também denominados contingenciamentos. O orçamento como instrumento de planejamento, ganha importância a cada exercício, dado o impacto crescente dos gastos governamentais na economia e a demanda da sociedade por transparência na elaboração do orçamento e execução dos recursos públicos. O PPA em relação ao Plano anterior teve sua estrutura e forma de apresentação alteradas de forma a refletir as políticas públicas do atual governo federal. Políticas essas, que buscam aliar crescimento econômico e redução das desigualdades sociais e regionais, buscando assegurar desenvolvimento sustentável. Denominado Plano Mais Brasil - Lei nº de 18/01/2012, o plano foi estruturado a partir da dimensão estratégica, dando origem a programas que congregam os desafios e compromissos do governo para o período. Os programas são divididos em Programas Temáticos e Programas de Gestão, Manutenção e Serviços ao Estado. Os Temáticos orientam a entrega de bens e serviços à

88 70 sociedade e os de Gestão dizem respeito as ações de manutenção das atividades governamentais, sendo que os Temáticos trazem objetivos, indicadores, valor global e valor de referência. (MPOG, 2011) Os objetivos indicam o que deve ser feito e tem seu alcance medido através das metas, sejam qualitativas ou quantitativas. Derivadas dos objetivos, estão as iniciativas, que quando dependem de financiamento orçamentário, estarão vinculadas as ações orçamentárias. Podem também ser iniciativas dependentes apenas de ações normativas e institucionais. Em ambos os casos, as iniciativas expressam como as políticas serão concretizadas, definindo agentes, instrumentos, formas de seleção dos beneficiários e relações federativas. (MPOG, 2011) As ações orçamentárias passaram a ser detalhadas apenas na LOA Lei Orçamentária Anual, diferentemente do que ocorria antes, quando também constavam do PPA, levando a uma sobreposição dos instrumentos. A grande inovação do atual PPA são os objetivos, pois expressam as escolhas feitas para implementação de determinada política pública. De modo geral, o novo modelo de elaboração do PPA buscou contemplar toda a diversidade de políticas públicas e suas relações de complementariedade e transversalidade, focando nas mudanças na vida do cidadão e não no volume de insumos. Da mesma forma que ocorreu na fase de elaboração, a gestão do plano exige forte comunicação entre governo federal, órgãos executores, entes federados e sociedade civil. O atual esquema de estruturação do PPA pode ser melhor visualizado no esquema a seguir: ESTRUTURA DO PPA CONTEÚDO RESPONSÁVEIS DIMENSÃO ESTRATÉGICA PROGRAMAS Visão de Futuro, Valores e Macro desafios Caracterização, Indicadores e Valor Global Definição Global pela Presidenta. Planejamento e Fazenda coordenam o desdobramento: Estratégia de Desenvolvimento Cenários (Mundo, Brasil e Macrorregiões) OBJETIVOS INICIATIVAS AÇÕES Caracterização, Órgão Responsável, Meta Global e Regionalizada Entrega de bens e serviços à sociedade, resultantes da coordenação de ações orçamentárias e não-orçamentárias Vinculam-se aos Programas, mas são detalhadas apenas nos orçamentos anuais Ministérios com consolidação pelo Ministério do Planejamento Fonte: Adaptado de Plano Mais Brasil e SPO/MEC.

89 71 Fazendo o link entre o PPA e a LOA está a LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias, que estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro seguinte, define as normas para elaboração do orçamento, dispõe sobre alteração na legislação tributária e estabelece a política de aplicação das agências de fomento. Resumidamente, pode-se dizer que o que não está na LDO não estará no orçamento. (MTO, 2012) A Lei de Responsabilidade Fiscal atribuiu a LDO a responsabilidade de tratar de outras matérias como o estabelecimento das metas fiscais, fixação de critérios para limitação de empenho e movimentação financeira, avaliação financeira do regime de previdência e do fundo de amparo ao trabalhador e avaliação dos riscos fiscais. A LOA é composta pelo orçamento fiscal, orçamento da seguridade social e orçamento de investimentos das estatais. Traz a previsão da receita e autorização da despesa anual. As alterações na LOA poderão ser efetuadas através dos Créditos Adicionais: Créditos Especiais - destinados a despesas, para as quais não haja dotação orçamentária específica, devendo ser autorizados por lei; Créditos Extraordinários - destinados a despesas urgentes e imprevisíveis (guerra, calamidade pública). Serão abertos por Medida Provisória, no caso federal; Créditos Suplementares: destinados a reforço de dotação orçamentária existente na LOA, que poderá conter autorização ao Poder Executivo para abertura de créditos suplementares até determinada importância ou percentual, sem a necessidade de submissão do crédito ao Poder Legislativo. (MTO, 2012) Considerando que o tema central do presente trabalho é o PNAES Programa Nacional de Assistência Estudantil, no período 2008 a 2011, a assistência estudantil se materializou por meio da ação orçamentária de código 4002 Assistência ao Educando do Ensino de Graduação, vinculada ao programa 1073 Brasil Universitário, tendo como finalidade de apoiar os estudantes do ensino de graduação, oferecendo assistência alimentar, incluindo a manutenção de restaurantes universitários, auxílio alojamento, incluindo manutenção de casas de estudantes, auxílio transporte, e assistência médico-odontológica. A meta física estabelecida como produto (bem ou serviço) era Aluno Assistido, sendo o seu quantitativo estimado individualmente por cada IFES no momento da elaboração da proposta orçamentária de cada exercício. A partir de 2012, conforme PPA , as ações de assistência estudantil praticadas no âmbito das IFES passaram a ser vinculadas ao programa Educação

90 72 Superior: Graduação, Pós-Graduação, Ensino, Pesquisa e Extensão, com a finalidade de promover a permanência do estudante em nível de graduação, evitando a evasão e a retenção nas universidades, por meio de ações que contemplem os estudantes do ensino superior, inclusive estrangeiros, e o acesso pleno de pessoas com deficiência às instituições de ensino superior.. (MPOG, 2011) A EVOLUÇÃO DO PNAES NO ORÇAMENTO DA UFPR Quanto ao aspecto orçamentário, a UFPR está consignada na LOA - Lei Orçamentária Anual como UO - Unidade Orçamentária Com um orçamento de aproximadamente R$ 1 bi em 2012 a UFPR tem um dos maiores orçamentos do Estado do Paraná, ficando em posição inferior apenas ao Governo do Estado, Prefeitura de Curitiba e Prefeitura de Londrina. A evolução orçamentária, bem como a evolução do aporte orçamentário para atendimento do PNAES na UFPR podem ser analisados com base na tabela e gráficos a seguir: Tabela 4G - Orçamento inicial e executado da UFPR a 2013 R$ mil GRUPO DE DESPESA Orçamento 2009 Orçamento 2010 Orçamento 2011 Orçamento 2012 Orçamento 2013 TESOURO NACIONAL Inicial Executado Inicial Executado Inicial Executado Inicial Executado Inicial PESSOAL ATIVO E INATIVO BENEFÍCIOS E ESPECÍFICOS MANUTENÇÃO PNAES OCC - Outros Custeios e Capital SUB-TOTAL RECURSOS PRÓPRIOS OUTROS CUSTEIOS CAPITAL SUB-TOTAL TOTAL GERAL Fonte: UFPR/PROPLAN Gráfico 4F -Evolução do orçamento da UFPR, por grupo de despesa a 2013 s a re ilh M TESOURO NACIONAL - MANUTENÇÃO PESSOAL E BENEFÍCIOS RECURSOS PRÓPRIOS ORÇAMENTO TOTAL Fonte: UFPR/PROPLAN

91 73 Gráfico 4G - Orçamento total da UFPR, por grupo de despesa, em percentual a % 4% 8% 6% 6% 9% 90% 17% 17% 19% 18% 16% 80% 70% 60% 50% 40% 79% 75% 75% 76% 75% 30% 20% 10% 0% PESSOAL E BENEFÍCIOS TESOURO NACIONAL - MANUTENÇÃO RECURSOS PRÓPRIOS Fonte: UFPR/PROPLAN Podemos observar a variação notadamente ascendente quando analisamos os orçamentos iniciais e executados no período 2009 a Isso reflete o impacto orçamentário da retomada das negociações salariais entre Governo, docentes e técnico-administrativos, bem como, a implementação do programa REUNI que assegurou a expansão e reestruturação das IFES. Ademais, há uma constante busca por fontes alternativas de financiamento, sendo a cada ano são implementadas ações junto aos parlamentares a fim de consignar emendas orçamentárias em favor da instituição na Lei Orçamentária Anual. No que tange os recursos próprios, há um esforço para assegurar a continuidade e ampliação dos cursos de especialização lato sensu e fomentar a arrecadação de recursos de convênios junto a instituições estaduais e nacionais que financiam projetos de pesquisa. Apesar do considerável volume de recursos aportados anualmente para a UFPR no Orçamento Geral da União, apenas um percentual que variou de 16% a 19% no período 2009 a 2013 é administrável, ou seja, constitui a parte do orçamento destinada a manutenção da Instituição, também denominada entre os dirigentes das IFES como OCC - manutenção. Esses recursos são destinados em sua maioria para assegurar toda uma gama de serviços terceirizados (vigilância, limpeza, portaria, conservação predial, etc.) além das despesas com água, saneamento, energia elétrica e telefonia. Também a maioria dos investimentos em equipamentos e expansão física são assegurados dentro desse percentual. Na análise aqui apresentada, incorporados aos recursos de OCC - Manutenção, estão também os recursos direcionados para ações de assistência estudantil na UFPR, que se

92 74 constituem basicamente nos recursos do PNAES. A seguir, podemos observar quão significativa é a participação do PNAES no volume de recursos que de certa forma são menos "engessados" quando fala-se em administração orçamentária nas IFES, uma vez que, recursos destinados para despesas de pessoal e benefícios não sofrem grandes interferências em função de ações institucionais das IFES, mas sim influências legais e de políticas nacionais. Gráfico 4H - Participação do PNAES no orçamento de manutenção da UFPR, tesouro nacional, em percentual a % 10% 8% 8% 9% 10% 90% 80% 70% 60% 50% 90% 92% 92% 91% 90% 40% 30% 20% 10% 0% OCC PNAES Fonte: UFPR/PROPLAN É incontestável a ampliação e melhoria das ações de assistência estudantil após a incorporação no orçamento da UFPR dos valores do PNAES, em Nos exercícios de 2007 e 2008 já houve disponibilização de recursos orçamentários do PNAES em favor da UFPR, mas através de descentralizações da SESU - Secretaria de Ensino Superior do MEC. A partir de 2009, com os recursos do PNAES alocados diretamente na LOA da UFPR, foi possível maior autonomia e planejamento da execução orçamentária. Esses recursos permitiram alavancar consideravelmente o programa de bolsas direcionadas a permanência e conclusão do curso dos alunos com fragilidade socioeconômica, bem como, a institucionalização de novas formas de apoio ao aluno com fragilidade socioeconômica, desonerando as outras fontes de recursos, antes utilizadas para esta finalidade, para aplicação nas demais políticas institucionais direcionadas aos estudantes e comunidade acadêmica de forma geral. Uma pequena variação de um exercício para o outro no período 2009 a 2013 na participação do PNAES no orçamento de manutenção da UFPR, fontes do Tesouro Nacional é decorrente de ajuste na matriz de distribuição dos recursos entre as IFES.

93 75 A expectativa orçamentária em relação ao PNAES é de recursos crescentes de forma a assegurar a continuidade e ampliação das ações institucionais, objetivando atender a um número de alunos ingressantes também crescente, em função das políticas governamentais de ampliação do acesso ao ensino superior, e que necessitam de apoio nas mais variadas formas e não apenas financeiro, para que tenham condições acadêmicas e qualidade de vida para concluir seu curso de graduação com êxito e dentro dos prazos regulamentares.

94 76 5 AS AÇÕES DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL INSTITUCIONALIZADAS PELA UFPR PARA ATENDIMENTO AOS ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO De acordo com o Plano de Desenvolvimento Institucional da UFPR para o período (UFPR, 2012), entre as ações estruturantes voltadas para a melhoria do atendimento ao corpo discente com foco na permanência estão, entre outras: a) continuidade da implementação do Plano de Metas de Inclusão Racial e Social (Resolução 37/04 COUN) com vista a atender os princípios constitucionais de formulação de políticas para redução da pobreza e desigualdades sociais e democratização do acesso ao ensino superior; b) avaliação do acesso e permanência do aluno cotista dando sequencia ao acompanhamento pedagógico aos alunos indígenas, deficientes, afrodescendentes e com fragilidade socioeconômica; c) ampliação do PROBEM Programa de Benefícios Econômicos para a Manutenção dos Estudantes de Graduação e Ensino Profissionalizante que objetiva garantir as condições básicas necessárias à manutenção dos estudantes com fragilidade socioeconômica, na sua trajetória acadêmica; d) continuidade do programa de apoio a eventos visando apoiar os estudantes a participarem de eventos que contribuam para sua formação; e) implantação do programa de apoio à aquisição de material pedagógico para atendimento aos estudantes com fragilidade socioeconômica na compra de materiais necessários a sua formação; f) manutenção do transporte intercampi assegurando aos estudantes um deslocamento eficiente e seguro; g) estabelecimento de ações articuladas para combate ao baixo desempenho e evasão com a manutenção e consolidação do sistema SAT Sistema de Acompanhamento e Tutoria do Fluxo Acadêmico; h) manutenção do programa de apoio psicossocial (psicólogos, pedagogos e assistentes sociais) aos discentes que procuram os serviços de forma espontânea ou por indicação do sistema SAT por apresentarem dificuldades no rendimento escolar; i) manutenção e consolidação do programa de nivelamento escolar direcionado aos alunos com baixo desempenho; j) manutenção do suporte à formação profissional com a oferta de cursos de informática e de línguas estrangeiras aos estudantes, preferencialmente àqueles com fragilidade

95 77 socioeconômica, e ampliação das oportunidades de mobilidade acadêmica nacional e internacional; l) estimular reformas curriculares buscando não só a revisão dos conteúdos e metodologias de ensino, mas a adequação da grade horária para um único turno, de forma a facilitar a permanência do estudante; m) manutenção do programa de assistência à saúde, apoio as entidades estudantis e incentivo às práticas de esporte e lazer; n) estimular a disseminação da cultura e ações de cidadania, incluindo a criação de um Centro de Eventos e Pontos de Cultura nos diferentes campi; o) criação de um sistema de acompanhamento de egressos. (UFPR, 2012) Todas essas ações somadas e combinadas com uma outra infinidade de medidas já em implementação estão focadas na inclusão social, contribuindo com o desenvolvimento regional e reforçando o compromisso social da UFPR de proporcionar condições de acesso e permanência, preservando a qualidade da formação profissional de seus estudantes. (UFPR, 2012) 5.1 CRIAÇÃO DA PRAE - PRÓ-REITORIA DE ASSUNTOS ESTUDANTIS Em 12 de outubro de 2007, teve início na UFPR a tramitação do processo administrativo que propunha a criação da PRAE - Pró- Reitoria de Assuntos Estudantis, em atendimento ao Plano de Gestão e capitaneado pela Assessoria de Assuntos Estudantis e pelo DCE - Diretório Central dos Estudantes. Pela estrutura organizacional até então vigente, existia uma Unidade de Assuntos Estudantis, subordinada a Coordenadoria de Assuntos Comunitários, que compunham a PRHAE - Pró-Reitoria de Recursos Humanos e Assuntos Estudantis, que por sua vez, foi desmembrada em 2006 e transformada em Assessoria de Assuntos Estudantis, vinculada ao Gabinete do Reitor, constituindo-se em Unidade Orçamentária e com estrutura funcional ampliada, já indicando a necessidade de atendimento mais focado nas demandas estudantis e interesses exclusivos da comunidade discente. (http://www.prae.ufpr.br/links/pro_reitoriahtm) A proposta, à época, apresentada ao Conselho de Planejamento e Administração da UFPR foi de transformar a Assessoria de Assuntos Estudantis em Pró-Reitoria. apresentando a seguinte motivação: O fortalecimento da assistência estudantil em âmbito nacional, com a aprovação do PNAES;

96 78 O compromisso da ANDIFES como a inclusão e permanência dos estudantes das Universidades Públicas; O arcabouço legal vigente, como a CF/88 que preconiza a educação como dever do Estado e o princípio de igualdade de condições de acesso e Permanência na escola; A LDB/96 que determina que a prática do ensino deverá ter como base os princípios de igualdade de acesso e permanência, englobar processos formativos e vincular a educação escolar, com o trabalho e as práticas sociais; A Lei /2004 que instituiu o SINAES, que determina que a avaliação das IES objetivará identificar o perfil e significado de sua atuação considerando as diferentes dimensões institucionais, inclusive a responsabilidade social da IES em relação a inclusão social e as ações de atendimento aos estudantes, inclusive egressos; O Decreto 6.096/2007 que instituiu o REUNI que tem como objetivo a ampliação do acesso e das condições de permanência na Educação Superior, apontando como uma de suas diretrizes a ampliação das políticas de inclusão e assistência estudantil; A necessidade de reflexão e revisão das práticas institucionais com base na visão da assistência estudantil como direito legalmente assegurado, indutor do exercício da cidadania e de ações de transformação social; A necessidade de criação de mecanismos de redução das desigualdades socioeconômicas entre os alunos ingressantes nas IFES, com vistas a democratização do ensino superior, não apenas em relação ao ingresso, mas principalmente em relação a permanência e conclusão do curso com sucesso e qualidade daqueles estudantes oriundos de famílias menos favorecidas financeiramente. Pautado pela missão institucional da UFPR - Gestão , de "fomentar,construir e disseminar o conhecimento, contribuindo para a formação do cidadão e desenvolvimento humano sustentável "e por seu "comprometimento com a construção do saber e formação de profissionais competentes e compromissados socialmente", o Conselho Universitário decidiu-se em Março de 2008 pela criação da PRAE, com consequente alteração do Estatuto da UFPR cujo Art. 31 passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 31 A Reitoria contará com sete pró-reitorias, para desempenharem atividades relacionadas com a administração universitária, mediante delegação de poderes do Reitor. Parágrafo Único Os pró-reitores serão nomeados pelo Reitor, para cada uma das seguintes áreas: I- graduação; II- pesquisa e pós-graduação; III- extensão e cultura;

97 79 IV- gestão de pessoas; V- planejamento, orçamento e finanças; VI- administração; e VII- assuntos estudantis. (http://www.ufpr.br/soc/pdf/estatuto_da_ufpr.pdf) Dentre as atuais diretrizes operacionais da PRAE, encontram-se: O desenvolvimento e acompanhamento de programas de apoio e ações que contemplem uma abordagem integral, onde a assistência não fique restrita à manutenção e sobrevivência do aluno na instituição, mas que contribua efetivamente para a sua formação individual e global, considerando os aspectos: -Humanização Assistência baseada no desenvolvimento de ações que propiciem momentos de reflexão sobre questões que causem desconforto, como preconceito, discriminação, pressão e competitividade entre acadêmicos, e, conscientização do direito de dedicar um período de tempo às atividades que proporcionem bem estar físico e mental ao estudante. - Integração Realização de ações que propiciem maior interação e integração política e acadêmica entre os estudantes dos vários campi da universidade, de outras universidades e de outros segmentos, como, a implantação de pontos de cultura, realização de festivais de cultura, semanas acadêmicas, jogos, gincanas e campeonatos esportivos. - Assistência Visa garantir as condições mínimas para a permanência do estudante na universidade, através da participação em programas de assistência, que colaborem na superação das deficiências financeiras e de acesso à atividades que contribuam e enriqueçam sua formação. (http://www.prae.ufpr) 5.2 PROBEM - PROGRAMA DE BENEFÍCIOS ECONÔMICOS PARA MANUTENÇÃO AOS ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO E ENSINO PROFISSIONALIZANTE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Na UFPR, o conjunto de ações de assistência estudantil que resultam em benefício econômico direto ao estudante denomina-se PROBEM - Programa de benefícios econômicos para manutenção aos estudantes de graduação e ensino profissionalizante da Universidade Federal do Paraná. (http://www.prae.ufpr.br/probem/probem.html) Gerenciado pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis PRAE, por intermédio da Coordenadoria de Assistência Estudantil CAE, o PROBEM destina-se aos estudantes regularmente matriculados nos cursos de graduação e ensino profissionalizante da UFPR, tendo como critério seletivo a fragilidade econômica. Com caráter sócio-educativo, visa contribuir com as condições básicas para o custeio da vida acadêmica colaborando de forma significativa para a formação profissional do estudante, buscando sua participação em atividades formativas. Tem como objetivo garantir as condições mínimas para a permanência do estudante na Instituição promovendo uma trajetória acadêmica com qualidade, de acordo

98 80 com o estabelecido pelo Decreto n o 7.234, de 19 de julho de 2010, que dispõe sobre o Programa Nacional de Assistência Estudantil - PNAES. O PROBEM foi regulamentado pela UFPR em 29 de julho de 2009, através Resolução 31/09, do Conselho de Planejamento e Administração COPLAD, visto que a UFPR, como diversas outras IFES, já desenvolvia ações de assistência estudantil anteriores a edição do Decreto que trata do PNAES. O Programa é baseado no incentivo, apoio e acompanhamento do estudante, em suas múltiplas demandas, ao longo de sua trajetória acadêmica, através de ações efetivas nas áreas: social, cultural, técnico-científica, política e esportiva. Na UFPR, constatou-se uma mudança significativa no perfil socioeconômico dos estudantes após a implantação das políticas afirmativas de ingresso de estudantes de no processo Seletivo, além do Vestibular dos Povos Indígenas e a inclusão de candidatos que concorrem às vagas previstas a pessoas com deficiência física. Isto ocasionou aumento da demanda ao PROBEM, com um número elevado de procura pela Bolsa Permanência, bem como Auxílio Refeição e Auxílio Moradia. A partir de 2011, observou-se, também, a demanda dos estudantes que ingressaram mediante o SISU - Sistema de Seleção Unificada. O PROBEM é constituído pelos seguintes benefícios, isolados ou em composição: a) Bolsa Permanência: visa oferecer condições básicas para o custeio da vida acadêmica; b) Auxílio Refeição: visa oferecer acesso gratuito aos restaurantes universitários em todas as refeições; c) Auxílio Moradia: visa oferecer subsídio financeiro para assegurar moradia aos estudantes que não residem na localidade em que seu curso é ofertado. Os bolsistas do programa são selecionados conforme perfil socioeconômico avaliado mediante questionário on-line preenchido no momento da inscrição. Adicionalmente, pode ser realizada entrevista com o estudante requisitante do benefício no momento da entrega física dos documentos na PRAE e ainda, em determinados casos, visita in loco em seu local de moradia. (http://www.ufpr.br/soc/coplad_resolucoes.php?conselho=coplad) A evolução do PROBEM em termos quantitativos é apresentada a seguir, bem como, o número de inscritos e classificados no último exercício. Em termos gerais, o número de bolsas permanência, auxílio a moradia, auxílio refeição e apoio a mobilidade tiveram uma variação de praticamente nove vezes no período de 2008 a 2012 passando de 566 bolsas para aproximadamente 5 mil bolsas. (UFPR, 2013)

99 81 Tabela 5A - Evolução do número de bolsas do Programa de Assistência Estudantil UFPR a 2012 Modalidade Bolsas Bolsa Permanência Bolsa Auxílio Moradia Bolsa Apoio à Mobilidade Auxílio Refeição TOTAL Fonte: Relatório Atividades UFPR 2012 Tabela 5B - Bolsas do Programa de Assistência Estudantil PROBEM Auxílio Auxílio Bolsas Permanência Moradia Refeição OUTRAS Mobilidade PRAE TOTAL Inscritos Indeferidos Classificados Estudantes Beneficiados Em lista de espera 170* *Deste número 135 alunos referem-se à lista de espera do PROGRAMA 2011, os outros 35 referem-se à lista de espera do PROGRAMA 2012, porém esses alunos de 2012 não foram chamados por possuírem renda per capita superior a um salário mínimo e meio. Fonte: Relatório Atividades UFPR 2012 Em termos de avaliação e controle do PROBEM, a UFPR através da Unidade de Apoio Psicossocial da Pró-Reitora de Assuntos Estudantis, emite relatório semestral de acompanhamento do rendimento acadêmico dos bolsistas, visando assegurar ao estudante beneficiado não apenas apoio no custeio de suas necessidades enquanto graduando, mas também, uma formação de qualidade com índices de rendimento acadêmico satisfatórios. Segundo relatório da PRAE (2010/2011), "A análise do rendimento de cada bolsista inicia-se através da verificação do histórico escolar disponibilizado no Sistema de Informações para o Ensino - SIE. Posteriormente são realizadas algumas convocações e atendimentos individuais, respeitando a privacidade de cada acadêmico". Conforme Resolução 31/09-COPLAD/UFPR, para manter-se no PROBEM o estudante precisa estar matriculado e cursando as disciplinas da etapa curricular ou estar sob acompanhamento da equipe de acompanhamento acadêmico do curso e a de Apoio Psicossocial da PRAE. O estudante será desligado da Bolsa Permanência se não obtiver aprovação em no mínimo 75% (setenta e cinco por cento) das disciplinas cursadas na etapa curricular, podendo continuar com os demais benefícios do PROBEM. Contudo, o estudante será desligado do PROBEM em caso de reprovação na mesma disciplina em duas etapas curriculares consecutivas e em caso de cancelamento de disciplinas por duas etapas curriculares consecutivas. Ademais, a concessão de benefícios será suspensa no caso de não cumprimento

100 82 das normas do PROBEM ou se o aluno infringir o Regimento da UFPR. (http://www.ufpr.br/soc/coplad_resolucoes.php?conselho=coplad) Os alunos que apresentam aprovação inferior ao estabelecido são contatados pela PRAE e alguns convocados para entrevistas, onde são diagnosticados os fatores que estão comprometendo seu desempenho. Fatores esses, que vão desde defasagem de aprendizagem no Ensino Médio, passando por problemas de saúde pessoal ou na família, até problemas de ordem psicológica e emocional. Portanto, nem sempre o baixo desempenho está relacionado a problemas financeiros. De acordo com a PRAE e com base no último relatório de acompanhamento do rendimento dos bolsistas - 1º Semestre Letivo 2012, portanto estudantes que compõe a amostra utilizada neste trabalho de pesquisa, todos os alunos que apresentaram menos de 40% de aprovação foram convocados para entrevistas individuais. Com base nas justificativas apresentadas para o baixo desempenho, a Comissão designada para tal avaliação decidiu pela continuidade ou não do aluno no PROBEM. Os demais bolsistas com aprovação entre 40% e 75% foram comunicados via sobre seu baixo desempenho e alertados que a equipe da PRAE está a disposição para auxiliá-los a superar essa problemática. Portanto, a análise sobre a continuidade ou exclusão do aluno do PROBEM é realizada caso a caso, sendo que alguns alunos são excluídos e outros passam a ser acompanhados mais diretamente pela equipe da Unidade de Apoio Psicossocial que presta-lhes apoio pedagógico, psicológico e/ou de caráter social BOLSA PERMANÊNCIA A Bolsa Permanência possibilita apoio financeiro aos estudantes com fragilidade socioeconômica da Instituição e consiste na oferta de bolsa de caráter sócio-formativo no valor de R$ 378,00 (Trezentos e setenta e oito reais), tomando por base o ano-calendário 2012, pelo período de 12 meses. No desenvolvimento do programa existe uma contrapartida de atividades realizadas pelo bolsista, que totalizam 12 horas semanais. Estas atividades devem ser em áreas formativas, ou seja, que promovam melhor formação acadêmica na área do curso do referido bolsista através de sua participação em elaborados por professores ou técnicos com nível superior, que farão o acompanhamento do estudantes durante o período da bolsa. A Bolsa Permanência tem como objetivo garantir as condições mínimas para a permanência do estudante na Instituição contendo os índices de evasão. (http://www.prae.ufpr.br/probem/bolsa_permanencia.htm)

101 83 Em 2012, o número de estudantes com fragilidade socioeconômica beneficiados com a Bolsa Permanência foi de 2.454, para uma demanda de inscritos, sendo que 196 inscrições foram indeferidas. Uma característica do preenchimento das bolsas ofertadas é que alguns estudantes deixam o programa, pois ao participar do mesmo, tem a oportunidade de conhecer e concorrer a diferentes modalidades de bolsas, como: Monitoria, Iniciação Científica, Extensão, PET, estágio não obrigatório, além daqueles aptos a formatura. Assim, estudantes, classificados, porém em lista de espera, passam a integrar o programa. (UFPR, 2013) A Bolsa Permanência é a única modalidade de bolsa (além dos Auxílios Moradia e Refeição) que beneficia os calouros da UFPR. Outros Programas de Bolsas na UFPR pressupõe pré-requisitos, em sua grande maioria critérios meritocráticos, tendo como exemplo: o IRA (Índice de Rendimento Acadêmico), aprovação em determinadas disciplinas, além de exames de seleção, fatores impeditivos para a participação dos calouros AUXÍLIO REFEIÇÃO Visa oferecer aos alunos com fragilidade socioeconômica acesso aos Restaurantes Universitários da UFPR, com subsídio integral do custo de todas as refeições pelo período de 12 meses. O ressarcimento é efetuado com repasse de recursos orçamentários diretamente aos Restaurantes Universitários. Toma-se por base o preço praticado pelos RU's de R$ 1,30/aluno de graduação e pós-graduação, R$ 1,90/técnico-administrativo e funcionário terceirizado e R$ 2,40/docente. (http://www.prae.ufpr.br/probem/auxilio_refeicao.html) Conforme dados do Relatório de Atividades UFPR em 2012 foram servidas pelos restaurantes universitários aproximadamente 1,5 milhão de refeições considerando o Campi Curitiba, Palotina, Litoral e Centro de Estudos do Mar, representando um crescimento de mais de 30% em relação ao exercício de Os Restaurantes Universitários constituem-se em importante instrumento de satisfação de uma necessidade básica e de convivência universitária, confirmando sua real função acadêmico-social. (UFPR, 2013)

102 84 Tabela 5C - Refeições servidas pelos RU's da UFPR, por tipo de clientela Clientela Campi Curitiba Estudantes Servidores Técnico-Administrativos Servidores / Funcionários do RU (1) Servidores Docentes Outras Instituições (Congressos / Eventos) SUB TOTAL Campus Palotina Estudantes Servidores Servidores Docentes Outras Instituições (Congressos / Eventos) SUB TOTAL Campus UFPR Litoral Estudantes Servidores Servidores Docentes Outras Instituições (Congressos / Eventos) SUB TOTAL Campus Centro de Estudos do Mar Estudantes Servidores Servidores Docentes Outras Instituições (Congressos / Eventos) SUB TOTAL TOTAL GERAL Fonte: Relatório de Atividades UFPR 2012 Ressaltamos que, a UFPR já subsidia com recursos de outras fontes, que não o PNAES, parte do custo das refeições ofertadas à comunidade de forma geral e não apenas aos alunos com fragilidade socioeconômica, conforme tabela abaixo que demonstra o custo real estimado das refeições servidas. Tabela 5D- Despesas e custos em valores correntes das refeições servidas nos Restaurantes Universitários da UFPR - Campi Curitiba Em R$ Custo 2 (*)Custo 3 Despesas Número de Custo 1 Material de Serviço de Energia Água e Serviços de K=(B+D+E Encargos N=(B+D+E+ Mês Gêneros Combustível de Salários Refeições C=B/A Limpeza Manutenção Elétrica Esgoto Terceiros +F+G+H+I Sociais F+G+H+I+J Telefonia +J)/A +L+M)/A (A) (B) (C) (D) (E) (F) (G) (H) (I) (J) (K) (L) (M) (N) JAN ,46 1, , , , , ,39 100,00 29, , ,33 51,23 FEV ,10 2, , , , , , ,71 100,00 17, , ,22 28,49 MAR ,55 1, , , , , , ,66 100,00 3, , ,15 5,57 ABR ,40 1, , , , , , ,39 100,00 4, , ,87 5,72 MAI ,54 1, , , , , , ,99 100,00 4, , ,88 6,68 JUN * ,68 2,01 543, , , , , ,52 100,00 21, , ,70 34,15 JUL * , , , , , ,44 100, , ,65 - AGO * ,66 1, , , , , ,63 100,00 29, , ,97 47,25 SET ,50 1, , , , , ,47 100,00 6, , ,51 8,28 OUT ,31 1, , , , , , ,21 100,00 5, , ,73 7,05 NOV ,68 1, , , , , , ,88 100,00 4, , ,00 7,31 DEZ ,40 1, , , , , ,64 100,00 6, , ,61 10,15 TOTAL ,28 1, , , , , , , ,00 2, , ,62 9,53 *Nota 4: Deflagrado greve dos servidores de 11/06 à 27/08/2012 Fonte: Relatório de Atividades UFPR 2012

103 85 Da mesma forma como ocorre com a Bolsa Permanência, havendo interesse em desistir da bolsa, o aluno deve assinar o Termo de Desistência, o que permite que estudantes que encontram-se em lista de espera, sejam contemplado com o Auxílio Refeição. Isso ocorre, geralmente porque o aluno inicialmente beneficiado passa integrar programas de estágio remunerado, muitas vezes, recebendo vale-refeição ou mesmo devido as possibilidades de mobilidade acadêmica. Em outubro de 2011, fruto do atendimento da pauta de greve dos estudantes, além do almoço e jantar servidos nos RU s, em Curitiba, iniciou-se o serviço de café da manhã. No ano de 2012 todos os RU's da UFPR passaram a servir café da manhã, almoço e jantar. Em 2012, alunos com fragilidade socioeconômica foram beneficiados com o Auxílio Refeição, sendo que a demanda foi de 2410 estudantes inscritos, embora 133 pedidos tenham sido indeferidos. (UFPR, 2013) AUXÍLIO MORADIA ESTUDANTIL O Auxílio Moradia visa auxiliar nas despesas com moradia dos estudantes que não residem na localidade em que seu curso é ofertado. O valor do auxílio moradia é depositado diretamente na conta do beneficiário e para 2012 o valor foi fixado Conselho de Planejamento e Administração (COPLAD) em R$ 220,00 mensais. Estudos mostram que um percentual considerável de estudantes se desloca de seu contexto familiar ao ingressar na universidade, apresentando necessidade de moradia e apoio efetivo. (http://www.prae.ufpr.br/probem/moradia.htm) No ano de 2012 houve a distribuição de bolsas Auxílio Moradia para um número de inscritos de O auxílio Moradia é distribuído mediante comprovação da vulnerabilidade econômica aliada ao fato da família do estudante não residir na cidade onde ocorre o curso, como em Curitiba, Matinhos, Palotina e Pontal do Paraná. Há necessidade de comprovação mensal do pagamento das mensalidades em Casas de Estudantes ou de aluguéis. 5.3 PROGRAMA DE APOIO À FORMAÇÃO PROFISSIONAL AOS ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO DA UFPR O Programa de Apoio à Formação Profissional busca oportunizar aos estudantes o acesso a cursos de Línguas estrangeiras e Informática. É o produto de uma parceria entre a PRAE e os Setores de Ciências Humanas, Letras e Artes (Curso de Letras), Setor de Educação (Departamento de Teoria e Prática de Ensino) e Setor de Ciências Exatas (Departamento de

104 86 Informática). Tem como objetivo proporcionar aos estudantes condições de aperfeiçoamento e desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional. (http://www.prae.ufpr.br/formacao/formacao.html) LÍNGUAS ESTRANGEIRAS Os cursos são metodologicamente voltados ao aluno em sua vida acadêmica, assegurando-lhe qualificação e capacitação caso venha a participar de programas de intercâmbio ou mestrado. São ofertados cursos das seguintes línguas estrangeiras: alemão, espanhol, francês e inglês. Em 2011, 142 estudantes participaram dos referidos cursos. Um dos impedimentos apontados pelos estudantes foi o horário dos cursos, tendo em vista que o deslocamento para o Campus Centro e a incompatibilidade com a grade curricular inviabilizou a participação de um número maior de estudantes. Estão sendo estudadas alternativas, como a oferta de Curso de Inglês e/ou Espanhol à distância para os estudantes de Pontal do Sul e Palotina. A iniciativa de parceria no Curso de Extensão de Línguas Estrangeiras possibilitou também, a construção conjunta do Laboratório de Ensino/Aprendizagem de Línguas Estrangeiras Modernas, com computadores e demais equipamentos financiados com recursos do PNAES, permitindo aos bolsistas estudarem a respectiva língua estrangeira nos intervalos das aulas. (http://www.prae.ufpr.br/formacao/cursos_linguas.html) INFORMÁTICA Os cursos de informática ofertados buscam aprimorar os conhecimentos dos estudantes contribuindo para uma melhor qualidade de seu desenvolvimento acadêmico, possibilitando também capacitação profissional, propiciando ao aluno adquirir conhecimentos dentro dos padrões exigidos pelo mercado de trabalho. Os cursos trabalham com software livres e abrangem as área de Montagem e Manutenção, Construção de Sites, Open Office, havendo a possibilidade de outros cursos serem ofertados de acordo com a demanda apresentada pelos estudantes. Em 2011, 90 estudantes participaram de cursos de Informática Básica, Linux, Montagem de Página de INTERNET e LATEX. O deslocamento ao Campus Politécnico, Setor de Exatas, onde o curso é ofertado e a compatibilização com a grade curricular da graduação dificultou a participação de uma maior população. (http://www.prae.ufpr.br/formacao/cursos_informatica.html)

105 BOLSA INSTRUTOR Essa bolsa remunera alunos que, mediante edital, são selecionados para lecionar ou instruir nos cursos de Línguas Estrangeiras, Informática e Atividades Desportivas, sempre supervisionados por professores das respectivas áreas. Esta bolsa permite que os estudantes com fragilidade socioeconômica, cadastrados na PRAE, participem dos Cursos de Línguas Estrangeiras, Informática e das Atividades Desportivas recebendo apoio de colegas também estudantes. Os bolsistas instrutores são selecionados de acordo com sua habilidade por área de competência. Este programa traz benefícios tanto ao instrutor como ao bolsista PROBEM, cadastrado na PRAE, e que apresenta dificuldade em determinada área de conhecimento. Em 2011, houve a participação de bolsistas instrutores também no SAT - Sistema de Acompanhamento e Tutoria da vida acadêmica dos alunos na UFPR, em parceria com as Coordenações de Curso. Nesta Modalidade os bolsistas instrutores fizeram o diagnóstico do rendimento acadêmico dos estudantes da UFPR. O SAT é coordenado pela PROGRAD e visa diminuir as reprovações e abandono de cursos, contribuindo para a melhoria do desempenho acadêmico dos estudantes da UFPR. (http://www.prae.ufpr.br/formacao) APOIO À MOBILIDADE ACADÊMICA Com o objetivo de fomentar a mobilidade acadêmica nacional e internacional, visando intensificá-la mediante o apoio direto ao estudante com fragilidade socioeconômica dos diferentes cursos de graduação, buscando seu enriquecimento acadêmico e social. O Programa de Mobilidade é coordenado pela Assessoria de Relações Internacionais - ARI, mediante convênios com outras instituições. A PRAE disponibiliza a bolsa Apoio Mobilidade para os estudantes com cadastro aprovado do PROBEM e que foram selecionados pela Comissão da UFPR que analisa o mérito dos candidatos. Os candidatos aprovados pela referida comissão e cadastrados no PROBEM recebem o apoio que se constitui em auxílio financeiro para deslocamento e manutenção, durante o período de seis meses, do estudante na localidade onde se desenvolve o programa. Em 2011, foram contemplados 14 estudantes para a mobilidade internacional. Devido às condições de inscrição, que devem atender a critérios meritocráticos, um número reduzido de estudantes puderam concorrer e/ou classificar-se. Dentre os classificados, 10 efetivamente realizaram a mobilidade, sendo sete no primeiro e três no segundo semestre. Os demais contemplados relataram que o período de greve, no segundo semestre, influenciou de alguma forma a efetivação de sua participação.

106 88 O número de candidatos com fragilidade socioeconômica interessados em participar de programas de mobilidade acadêmica tem sido crescente, em parte, devido ao sucesso obtido pelos colegas que retornaram da mobilidade e a participação nos cursos gratuitos de línguas estrangeiras. (http://www.prae.ufpr.br/formacao/mobilidade_academica) 5.4 OUTROS PROGRAMAS DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DA UFPR INCENTIVO À PRÁTICA DE ESPORTES E LAZER Busca incentivar a prática de atividades físicas, possibilitando ao aluno em geral, momentos de lazer e integração com a comunidade acadêmica. Além da disponibilização de material esportivo, são oferecidas atividades nas seguintes modalidades: natação, musculação, dança, hidroginástica e condicionamento físico. O Programa é desenvolvido no Centro de Educação Física e Desportos -CED no Campus Politécnico. (http://www.prae.ufpr.br/assistencia/incentivo_pratica_esporte.html) Em 2011, houve a participação de 199 bolsistas PROBEM nessas atividades desportivas, esses alunos têm isenção total das taxas, mas o Programa está aberto aos estudantes em geral. (UFPR, 2012) APOIO PSICOSSOCIAL Oferece atendimento psicológico, pedagógico e de assistência social em caráter preventivo, informativo e de orientação individual ou em grupo, contribuindo e fornecendo subsídios para o desenvolvimento, adaptação acadêmica e integração do aluno durante sua trajetória estudantil na Universidade. Os estudantes, em qualquer época durante o período do curso, podem procurar a Unidade de Apoio Psicossocial - UAPS e solicitar atendimento para receber apoio e orientação em qualquer situação que lhe cause desconforto e possa prejudicar seu desempenho acadêmico. (http://www.prae.ufpr.br/assistencia/apoio_psicosocial.html) ATENÇÃO À SAÚDE O estudante da UFPR, poderá ser atendido no Centro de Atenção à Saúde (CASA 3) da Universidade, unidade ambulatorial situada no Centro Politécnico, que conta com uma equipe multidisciplinar, nas áreas de ginecologia, clínica médica, psiquiatria e odontologia e prioriza o desenvolvimento de programas de atenção primária à saúde. (http://www.prae.ufpr.br/assistencia/atencao_saude.html)

107 APOIO AOS EVENTOS ESTUDANTIS E À APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS A participação dos estudantes da UFPR em eventos estudantis, seja de natureza acadêmica, científica, cultural ou de natureza esportiva e de integração estudantil recebe apoio através da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis via concessão de apoio logístico, de passagens terrestres e/ou disponibilização de veículos da Central de Transportes; São disponibilizados também, mediante critérios previamente estabelecidos, passagens aéreas para palestrantes convidados, infraestrutura de palco, som e luz para realização dos eventos e serviços gráficos realizados pela Imprensa Universitária. Como apoio à apresentação de trabalhos e visando a integração do estudante com outras comunidades acadêmicas e seu desenvolvimento social e político, são disponibilizadas passagens terrestres dentro do território nacional para participação em eventos de natureza acadêmica. (http://www.prae.ufpr.br/assistencia/apoio_eventos_estudantis.html) TRANSPORTE INTERCAMPI Objetivando facilitar a locomoção dos estudantes para atendimento de suas atividades acadêmicas, a UFPR disponibiliza veículos para transporte exclusivo e gratuito entre os campi, com horários e itinerários previamente definidos. Em conjunto todos esses programas de apoio a permanência do estudante com fragilidade socioeconômica institucionalizados pela UFPR põe em prática os objetivos de uma política pública de democratização do acesso e permanência no ensino superior. Através dos recursos financeiros consignados no orçamento especificamente para assistência ao aluno de graduação é implementado na UFPR o PNAES. Segundo Anderson (1979, p.711 apud SECCHI, 2010, p.49), a avaliação da política pública é o processo de julgamentos deliberados sobre a validade de propostas para a ação pública, bem como sobre o sucesso ou a falha de projetos que foram colocados em prática. Seguindo esta conceituação a avaliação in itinere configura-se como uma avaliação de monitoramento, realizada durante o processo de implementação objetivando ajustes imediatos. A fase de avaliação tem como objetivo examinar a forma como ocorre a implementação de uma política pública gerando um feedback permitindo saber se o problema para o qual a política foi formulado tem sido solucionado ou amenizado. Isso posto, pretendese estudar a percepção dos policytakers a respeito das ações de assistência estudantil implementadas pela UFPR em atendimento as diretrizes do PNAES.

108 90 6 AVALIAÇÃO DO PNAES NA UFPR EFICÁCIA E EFETIVIDADE NA PERMANÊNCIA DE ALUNOS EM SITUAÇÃO DE FRAGILIDADE SOCIOECONÔMICA Inicialmente foi elaborada listagem dos alunos com fragilidade socioeconômica beneficiados que teve uma data de corte, visto que, o universo de alunos atendidos varia constantemente. Para levantamento da percepção desses alunos sobre os programas e ações promovidos pela UFPR com objetivo de assegurar a permanência do estudante com fragilidade socioeconômica até a conclusão do curso de graduação, foram aplicados questionários, distribuídos eletronicamente para os endereços dos alunos beneficiários dos programas e ações da UFPR para assegurar a permanência. O tratamento estatístico das respostas dos questionários foi elaborado pelo Laboratório de Estatística Aplicada da UFPR - LEA, vinculado ao Departamento de Estatística do Setor de Ciências Exatas. O LEA oferece assessoria na área de Estatística para atendimento a pesquisas científicas desenvolvidas tanto na UFPR como em outras Instituições. (http://www.lea.ufpr.br) Conforme critérios estatísticos a amostra trabalhada é composta de 334 questionários, distribuídos por setor de ensino conforme participação relativa de cada setor no conjunto total de 2514 estudantes beneficiados. A análise crítica será apresentada seguindo a ordem de perguntas elencadas no questionário que foi aplicado, considerando possíveis cruzamentos de informações. 6.1 DISTRIBUIÇÃO DOS BENEFÍCIOS OFERTADOS "Questão 1: Assinale com quais benefícios de assistência estudantil você é contemplado enquanto aluno de graduação da UFPR:" O resultado mostrou que o benefício que atinge o maior contingente de alunos com fragilidade socioeconômica é a Bolsa Permanência, seguido do Auxílio Refeição e Auxílio Moradia. A mobilidade acadêmica ainda é incipiente junto a comunidade discente enquadrada no perfil de baixa renda e a assistência à saúde pouco utilizada. Em relação aos alunos que assinalaram a opção "Outros" alguns citaram outras naturezas de bolsas que não são financiadas com recursos do PNAES e serviços ofertados pelo Centro de Educação Física.

109 91 Tabela 6A - Distribuição percentual dos principais benefícios de assistência estudantil ofertados pela UFPR SETOR DE ENSINO Bolsa Permanência Auxílio Refeição Auxílio Moradia Transporte Intercampi Mobilidade Nacional Mobilidade Internacional Assistência Saúde Setor de Ciências da Saúde 95,12 68,29 36,59 26,83 0,00 2,44 14,63 4,88 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 68,75 66,67 35,42 20,83 0,00 0,00 4,17 6,25 Setor de Ciências Biológicas 90,91 63,64 36,36 40,91 0,00 0,00 4,55 0,00 Setor de Ciências da Terra 92,86 85,71 42,86 50,00 0,00 0,00 14,29 7,14 Setor de Ciências Jurídicas 75,00 100,00 50,00 25,00 0,00 25,00 25,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 75,00 87,50 50,00 0,00 0,00 0,00 12,50 0,00 Setor de Educação 71,43 57,14 42,86 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Exatas 70,83 66,67 20,83 33,33 0,00 0,00 12,50 8,33 Setor Educação Profissional e Tecnológica 63,64 81,82 54,55 45,45 0,00 0,00 9,09 9,09 Setor Campus Litoral 62,16 67,57 45,95 2,70 0,00 5,41 2,70 8,11 Setor de Ciências Agrárias 87,72 59,65 33,33 42,11 0,00 1,75 12,28 8,77 Setor Palotina 83,33 91,67 87,50 4,17 0,00 0,00 0,00 8,33 Centro de Estudos do Mar 100,00 84,62 84,62 0,00 15,38 15,38 0,00 7,69 Setor de Tecnologia 79,17 54,17 37,50 54,17 0,00 0,00 8,33 12,50 TOTAL UFPR 80,24 69,16 42,81 26,95 0,60 2,10 8,08 6,89 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. A análise estatística permitiu levantar o percentual de alunos que recebem 1, 2 ou 3 benefícios em conjunto, considerando os de maior relevância - Bolsa Permanência, Auxílio Refeição e Auxílio Moradia. Os dados mostraram que a distribuição é bastante equilibrada, sendo que cerca de um terço da comunidade discente atendida por esse tipo de assistência estudantil recebe os três benefícios em conjunto, o que em 2012 representou cerca de R$ 750,00 mensais. Na comparação setorial, podemos verificar que os Setores que concentram o maior percentual de estudantes contemplados com os três benefícios em conjunto são fora de sede - Centro de Estudos do Mar e Palotina. Tabela 6B - Distribuição percentual dos alunos que recebem 1, 2 ou 3 benefícios (Bolsa Permanência, Auxílio Refeição, Auxílio Moradia) SETOR DE ENSINO Outros Nenhum dos 3 Benefícios 1 Benefício 2 Benefícios 3 Benefícios Setor de Ciências da Saúde 2,44 26,83 39,02 31,71 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 4,17 41,67 33,33 20,83 Setor de Ciências Biológicas 4,55 36,36 22,73 36,36 Setor de Ciências da Terra 0,00 21,43 35,71 42,86 Setor de Ciências Jurídicas 0,00 0,00 75,00 25,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 0,00 25,00 37,50 37,50 Setor de Educação 14,29 28,57 28,57 28,57 Setor de Ciências Exatas 4,17 45,83 37,50 12,50 Setor Educação Profissional e Tecnológica 9,09 27,27 18,18 45,45 Setor Campus Litoral 13,51 27,03 29,73 29,73 Setor de Ciências Agrárias 5,26 33,33 36,84 24,56 Setor Palotina 0,00 4,17 29,17 66,67 Centro de Estudos do Mar 0,00 7,69 15,38 76,92 Setor de Tecnologia 12,50 29,17 33,33 25,00 TOTAL UFPR 5,39 29,34 32,93 32,34 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora.

110 92 Outra análise cabível é a distribuição de beneficiários, tomando por base o total de alunos atendidos que serviu para definição da amostra versus o número de alunos matriculados por Setor de Ensino. Desta forma é possível aferir que um percentual pouco maior de 10% dos alunos matriculados no ensino tecnológico e de graduação presencial na UFPR são oriundos de famílias com vulnerabilidade socioeconômica que enquadram-se nos critérios de seleção do PNAES. Se considerarmos a demanda reprimida em relação aos benefícios que compõem o PROBEM, que não é muito representativa considerando o universo de alunos matriculados, este percentual teria uma pequena alta. Com base nesta última análise, podemos verificar que Setores como Ciências da Saúde, que engloba os cursos de Medicina, Terapia Ocupacional, Odontologia, Enfermagem, Farmácia e Nutrição, bem como, o Setor de Ciências Biológicas que engloba os cursos de Biomedicina, Ciências Biológicas e Educação Física têm 9,92% e 15,51% de seus alunos matriculados que recebem apoio de ações de assistência estudantil, respectivamente. Percentuais esses, próximos do percentual de atendimento de 10,22% do quadro geral da UFPR. Tabela 6C - Número de alunos beneficiados X número de alunos matriculados SETOR DE ENSINO Alunos Beneficiados Matriculados 1º Sem Percentual Atendido Setor de Ciências da Saúde ,92% Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes ,48% Setor de Ciências Biológicas ,51% Setor de Ciências da Terra ,34% Setor de Ciências Jurídicas ,74% Setor de Ciências Sociais Aplicadas ,72% Setor de Educação ,71% Setor de Ciências Exatas ,99% Setor Educação Profissional e Tecnológica ,65% Setor Campus Litoral ,98% Setor de Ciências Agrárias ,38% Setor Palotina ,14% Centro de Estudos do Mar ,52% Setor de Tecnologia ,48% TOTAL UFPR ,22% Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora.

111 BOLSA PERMANÊNCIA "Questão 2: Em relação a Bolsa Permanência, qual sua opinião sobre o caráter formativo dessa modalidade de bolsa:" A maioria dos estudantes, aproximadamente 74% respondeu que suas expectativas sobre o caráter formativo da Bolsa Permanência são atendidas, 23% responderam que tem suas expectativas atendidas parcialmente e outros 3% responderam que o programa não atende suas expectativas. Os estudantes foram convidados a discorrer sobre o "porquê" do atendimento parcial e não atendimento das expectativas. Dentre as respostas ocorreu a predominância de justificativas relacionadas ao desempenho de atividades não relacionadas à área de formação, muitas vezes, serviços administrativos, 54%. Outros 32% responderam que o valor da bolsa não é suficiente para atendimento de suas necessidades, como locomoção e compra de materiais de estudo. Questões relacionadas a carga horária exigida de 12 horas e conciliação com as atividades curriculares foram citadas por 4%. Os demais apresentaram comentários não coerentes com a pergunta ou sem incidência percentual significativa. Tabela 6D - Distribuição percentual do atendimento das expectativas sobre o caráter formativo da Bolsa Permanência SETOR DE ENSINO Atende Atende Parcialmente Não Atende Setor de Ciências da Saúde 70,73 26,83 2,44 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 68,09 29,79 2,13 Setor de Ciências Biológicas 80,95 19,05 0,00 Setor de Ciências da Terra 57,14 42,86 0,00 Setor de Ciências Jurídicas 25,00 75,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 50,00 37,50 12,50 Setor de Educação 66,67 33,33 0,00 Setor de Ciências Exatas 79,17 16,67 4,17 Setor Educação Profissional e Tecnológica 72,73 18,18 9,09 Setor Campus Litoral 81,82 15,15 3,03 Setor de Ciências Agrárias 82,14 14,29 3,57 Setor Palotina 100,00 0,00 0,00 Centro de Estudos do Mar 92,31 7,69 0,00 Setor de Tecnologia 41,67 54,17 4,17 TOTAL UFPR 73,85 23,38 2,77 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora.

112 94 Como todos os estudantes integrantes da amostra foram convidados a opinar sobre o atendimento do caráter formativo da Bolsa Permanência, o estudo estatístico permitiu levantar a opinião daqueles estudantes que efetivamente recebem esse benefício. Os resultados não mostraram grandes discrepâncias entre os percentuais apurados. No quadro geral 73,85% respondeu que o programa atende as expectativas contra 77,61%, 23,38% que atende parcialmente as expectativas contra 20,52% e 2,77 que não atende as expectativas contra 1,87%. A variação percentual indica que as expectativas tendem a serem melhor atendidas a medida que o estudante passa a integrar efetivamente o programa. 6.3 RESTAURANTES UNIVERSITÁRIOS "Questão 3: Na sua opinião, qual o nível de qualidade das refeições oferecidas pelos Restaurantes Universitários:" Aproximadamente 55% dos estudantes questionados apontaram como sendo de boa qualidade as refeições servidas nos Restaurantes Universitários, cerca de 20% avaliaram como excelente, 20% como regular e apenas 3% assinalaram ruim ou péssimo. Tabela 6F - Distribuição percentual por nível de qualidade das refeições servidas nos RU's SETOR DE ENSINO Excelente Bom Regular Ruim Péssimo Não é usuário Setor de Ciências da Saúde 12,50 65,00 20,00 0,00 0,00 2,50 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 16,67 45,83 25,00 2,08 4,17 6,25 Setor de Ciências Biológicas 18,18 68,18 13,64 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências da Terra 14,29 71,43 14,29 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Jurídicas 25,00 50,00 0,00 25,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 37,50 37,50 25,00 0,00 0,00 0,00 Setor de Educação 14,29 28,57 57,14 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Exatas 16,67 70,83 8,33 0,00 0,00 4,17 Setor Educação Profissional e Tecnológica 27,27 63,64 9,09 0,00 0,00 0,00 Setor Campus Litoral 43,24 40,54 13,51 0,00 0,00 2,70 Setor de Ciências Agrárias 14,29 55,36 16,07 10,71 0,00 3,57 Setor Palotina 16,67 50,00 33,33 0,00 0,00 0,00 Centro de Estudos do Mar 38,46 30,77 23,08 0,00 0,00 7,69 Setor de Tecnologia 13,04 60,87 21,74 4,35 0,00 0,00 TOTAL UFPR 20,24 54,38 19,34 2,72 0,60 2,72 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Considerando a análise setorial e a soma dos percentuais de Excelente e Bom contra a soma dos percentuais de Regular, Ruim e Péssimo, apenas os estudantes do Setor de Educação apontaram em maioria que a qualidade das refeição não é boa ou excelente. De certa forma, os dados confirmam a necessidade já constatada pela comunidade universitária de melhorias no Restaurante Universitário Central. Por outro lado, nos campi atendidos por restaurantes de terceiros (Litoral) ou por refeições preparadas por terceiros em espaços

113 95 próprios da UFPR (CEM e Palotina), a avaliação dos estudantes foi positiva, sendo que respectivamente, 83,78%, 69,23% e 66,67% classificaram o nível de qualidade das refeições servidas como Excelente ou Bom. O cruzamento de dados, também permitiu avaliar a percepção dos estudantes que efetivamente recebem o auxílio refeição e portanto, utilizam com mais frequência os Restaurantes Universitários, uma vez que, todos os estudantes da amostra foram convidados a opinar. Nesta análise, os resultados mostraram que a maioria, 52,17% classificam as refeições servidas como de boa qualidade, 23,48% classificaram como excelente, 22,17% como regular e apenas 2,17% como ruim ou péssima, não destoando consideravelmente dos percentuais acima detalhados quando da análise da amostra total. "Questão 4: Em relação as instalações físicas dos Restaurantes Universitários, em que padrão enquadraria:" Dando continuidade a avaliação dos serviços prestados pelos RU's, o levantamento das condições de suas infraestruturas físicas mostram que cerca 49% da amostra total indicaram que as instalações dos RU,s estão em boa condições e 13% indicaram que as instalações são excelentes, enquanto 27% indicaram serem regulares e 7,5% indicaram serem ruins ou péssimas. Tabela 6G - Distribuição percentual por padrão das instalações físicas dos RU's SETOR DE ENSINO Excelente Bom Regular Ruim Péssimo Não é usuário Setor de Ciências da Saúde 14,63 46,34 29,27 4,88 0,00 4,88 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 6,25 43,75 35,42 8,33 0,00 6,25 Setor de Ciências Biológicas 13,64 50,00 31,82 0,00 4,55 0,00 Setor de Ciências da Terra 14,29 64,29 21,43 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Jurídicas 0,00 75,00 0,00 25,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 37,50 62,50 0,00 0,00 0,00 0,00 Setor de Educação 14,29 14,29 71,43 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Exatas 20,83 54,17 16,67 4,17 0,00 4,17 Setor Educação Profissional e Tecnológica 9,09 45,45 45,45 0,00 0,00 0,00 Setor Campus Litoral 8,11 56,76 27,03 2,70 2,70 2,70 Setor de Ciências Agrárias 16,36 60,00 16,36 0,00 3,64 3,64 Setor Palotina 4,00 8,00 44,00 40,00 0,00 4,00 Centro de Estudos do Mar 23,08 15,38 38,46 15,38 0,00 7,69 Setor de Tecnologia 12,50 75,00 12,50 0,00 0,00 0,00 TOTAL UFPR 12,91 48,95 27,33 6,31 1,20 3,30 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Na análise setorial dos dados, podemos verificar que confirma-se a necessidade de melhorias no Restaurante Central, uma vez que, no Setor de Educação mais de 70% dos estudantes e no Setor de Humanas quase 50% dos estudantes respondentes apontaram as instalações do RU como variando de regulares a péssimas. Setores esses, que fisicamente estão bastante próximos ao RU Central. Também é possível concluir que apesar da qualidade das refeições servidas no Campus Palotina serem satisfatórias, o espaço utilizado como

114 96 restaurante/refeitório não tem atendido as expectativas dos estudantes, haja vista que, 84% classificaram as instalações variando de regulares a péssimas, indicando necessidade de providências urgentes para solução do problema apontado. Analisando as respostas daqueles que efetivamente recebem o Auxílio Refeição e consequentemente tendem a utilizar os Restaurantes com mais frequência, podemos estabelecer a seguinte comparação com o quadro geral: Excelente 15,15% contra 12,91%, Bom 48,05% contra 48,95%, Regular 27,27% contra 27,33%, Ruim 7,79% contra 6,31%, Péssimo 1,73% contra 1,20%. No caso dos Setores de Educação, Humanas e Campus Palotina a avaliação das instalações como variando de regulares a péssimas foi reafirmada passando os índices para 75%, 50% e 95%, respectivamente. "Questão 5: Considerando sua previsão de gastos mensais com refeições, a utilização dos serviços prestados pelos Restaurantes Universitários tem representado qual economia:" Pensando no impacto dos gastos totais com alimentação no orçamento pessoal do estudante com fragilidade socioeconômica, todos foram convidados a responder qual a economia proporcionada em função da utilização dos RU's. Neste quesito, quase 15% dos estudantes responderam que não possuem previsão mensal de gastos com alimentação, 22% assinalaram a faixa de 26% a 50%, 21% a faixa de 51% a 75% e 24% a faixa de 76% a 100%. Tabela 6H - Distribuição percentual por faixa de economia viabilizada pela utilização dos RU's SETOR DE ENSINO 5% a 25% 26% a 50% 51% a 75% 76% a 100% Não tem previsão Não é usuário Setor de Ciências da Saúde 7,50 27,50 12,50 37,50 12,50 2,50 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 14,58 22,92 16,67 22,92 12,50 10,42 Setor de Ciências Biológicas 9,09 27,27 31,82 18,18 13,64 0,00 Setor de Ciências da Terra 21,43 14,29 14,29 35,71 14,29 0,00 Setor de Ciências Jurídicas 25,00 50,00 25,00 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 12,50 37,50 25,00 0,00 12,50 12,50 Setor de Educação 0,00 28,57 0,00 28,57 28,57 14,29 Setor de Ciências Exatas 12,50 12,50 20,83 33,33 16,67 4,17 Setor Educação Profissional e Tecnológica 45,45 18,18 0,00 9,09 27,27 0,00 Setor Campus Litoral 10,81 24,32 21,62 24,32 16,22 2,70 Setor de Ciências Agrárias 12,28 22,81 26,32 17,54 15,79 5,26 Setor Palotina 12,50 16,67 33,33 25,00 8,33 4,17 Centro de Estudos do Mar 7,69 23,08 23,08 23,08 15,38 7,69 Setor de Tecnologia 25,00 8,33 25,00 20,83 16,67 4,17 TOTAL UFPR 13,81 21,92 21,02 23,72 14,71 4,80 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Considerando o percentual levantado para a maior faixa de economia, podemos deduzir que é preciso ampliar a oferta de alimentação, atendendo todas as refeições do dia, inclusive café da manhã e avaliar a viabilidade de abertura dos RU's todos os dias da semana. Isso confirma-se quando analisamos o percentual de alunos de 31% que efetivamente recebem

115 97 o Auxílio Refeição e assinalaram que a economia representada em seus gastos com alimentação está na faixa de 76% a 100%. 6.4 MORADIA ESTUDANTIL "Questão 6: Sobre o Auxílio Moradia, na sua opinião tem atendido as expectativas:" Em relação a este Auxílio, na amostra geral 56% apontaram que não utilizam, cerca de 9% que o auxílio não tem atendido as expectativas e cerca de 35% que tem suas expectativas atendidas. Tabela 6I - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre o Auxílio Moradia SETOR DE ENSINO Atende Não Atende Não Utiliza Setor de Ciências da Saúde 25,00 15,00 60,00 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 27,08 8,33 64,58 Setor de Ciências Biológicas 35,00 5,00 60,00 Setor de Ciências da Terra 21,43 21,43 57,14 Setor de Ciências Jurídicas 50,00 0,00 50,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 50,00 0,00 50,00 Setor de Educação 16,67 16,67 66,67 Setor de Ciências Exatas 22,73 0,00 77,27 Setor Educação Profissional e Tecnológica 36,36 18,18 45,45 Setor Campus Litoral 37,81 8,11 54,05 Setor de Ciências Agrárias 28,57 5,36 66,07 Setor Palotina 79,17 8,33 12,50 Centro de Estudos do Mar 53,85 30,77 15,38 Setor de Tecnologia 37,50 0,00 62,50 TOTAL UFPR 34,86 8,87 56,27 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. "Questão 7: Na sua opinião, independente se usuário ou não, qual deveria ser a política de oferta de moradia estudantil na UFPR:" Considerando os resultados da amostra geral, a opinião dos estudantes com fragilidade socioeconômica está relativamente equilibrada quando considera-se a manutenção do atual sistema de pagamento de Auxílio Moradia e a construção de casas de estudantes, 42,51% e 56,59%, respectivamente. Ressaltando que a pergunta permitia múltiplas respostas. Foi facultada a possibilidade dos respondentes sugerirem outras formas de atendimento da questão relativa a oferta de moradia estudantil. Dentre as sugestões encaminhadas, prevalece a solicitação de revisão do valor do atual auxílio moradia concedido, seguido da sugestão de manutenção do pagamento do auxílio em conjunto com a construção

116 98 de moradias estudantis próprias da UFPR e da promoção formas de apoio às atuais casas de estudantes existentes em Curitiba, lembrando que tratam-se de entidades autônomas, sem interferência administrativa da UFPR. Em menor proporção foi citada a necessidade de revisão do perfil socioeconômico dos alunos beneficiados. Tabela 6J - Distribuição percentual por oferta sugerida de moradia estudantil SETOR DE ENSINO Pgto. Auxílio Espaços Próprios Outras Setor de Ciências da Saúde 39,02 56,10 9,76 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 39,58 64,58 6,25 Setor de Ciências Biológicas 40,91 59,09 4,55 Setor de Ciências da Terra 42,86 50,00 7,14 Setor de Ciências Jurídicas 25,00 100,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 50,00 50,00 0,00 Setor de Educação 57,14 42,86 0,00 Setor de Ciências Exatas 33,33 66,67 4,17 Setor Educação Profissional e Tecnológica 45,45 36,36 18,18 Setor Campus Litoral 27,03 67,57 5,41 Setor de Ciências Agrárias 36,84 59,65 5,26 Setor Palotina 70,83 37,50 0,00 Centro de Estudos do Mar 69,23 30,77 0,00 Setor de Tecnologia 54,17 50,00 8,33 TOTAL UFPR 42,51 56,59 5,69 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. A questão da oferta de moradia estudantil tem estado em discussão na comunidade universitária, principalmente em função do último movimento grevista de estudantes e servidores. Fala-se amplamente da necessidade de construção de espaços próprios para atendimento dos discentes oriundos de outras cidades, inclusive ingressos pelo SISU e para atendimento dos campi fora de sede. Contudo, parece que não existe consenso sobre a melhor política de oferta de moradia estudantil pela UFPR, visto que embora o valor vigente mereça considerações, o pagamento de auxílio moradia permite certa flexibilidade ao estudante quando comparado aos residentes em casas de estudantes. Essa teoria pode ser confirmada quando analisamos os resultados da pesquisa para o grupo que recebe o auxílio moradia e para o grupo que não usufrui deste benefício. É interessante observar os resultados dos campi fora de sede. Palotina, por exemplo, dentre os estudantes que recebem o auxílio 76,19% optou pela manutenção do atual sistema de pagamento de auxílio moradia, enquanto 33,33% optou pela construção de moradias estudantis. Já considerando o grupo que não recebe o auxílio moradia, em Palotina 33,33%

117 99 optou por manutenção do atual sistema e 66,67% optou pela construção de espaços próprios da UFPR. Tabela 6L - Distribuição percentual por oferta sugerida de moradia estudantil, por grupo GRUPO BENEFICIADO GRUPO NÃO BENEFICIADO SETOR DE ENSINO Pgto. Auxílio Espaços Próprios Pgto. Auxílio Espaços Próprios Setor de Ciências da Saúde 80,00 20,00 15,38 76,92 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 70,59 41,18 22,58 77,42 Setor de Ciências Biológicas 50,00 50,00 35,71 64,29 Setor de Ciências da Terra 50,00 33,33 37,50 62,50 Setor de Ciências Jurídicas 0,00 100,00 50,00 100,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 100,00 0,00 0,00 100,00 Setor de Educação 66,67 33,33 50,00 50,00 Setor de Ciências Exatas 60,00 40,00 26,32 73,68 Setor Educação Profissional e Tecnológica 33,33 33,33 60,00 40,00 Setor Campus Litoral 29,41 64,71 25,00 70,00 Setor de Ciências Agrárias 57,89 42,11 26,32 68,42 Setor Palotina 76,19 33,33 33,33 66,67 Centro de Estudos do Mar 72,73 27,27 50,00 50,00 Setor de Tecnologia 88,89 22,22 33,33 66,67 TOTAL UFPR 62,94 37,76 27,23 70,68 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. 6.5 TRANSPORTE INTERCAMPI "Questão 8: Quanto aos serviços de transporte intercampi oferecidos pela UFPR, atende em que nível suas necessidades:" O transporte intercampi está disponível para a comunidade universitária em geral, dentre os estudantes com fragilidade socioeconômica componentes da amostra quase 51% afirmaram que não utilizam o serviço. Ressalte-se que as aulas de muitos cursos são concentradas em um mesmo espaço físico, não demandando a locomoção entre campi. Dentre aqueles respondentes que utilizam o transporte para locomover-se entre os campi, 39,88% disseram que o serviço atende parcialmente suas necessidades e 9,37% disseram que atende totalmente suas necessidades, indicando que existem melhorias necessárias a serem promovidas para assegurar o pleno atendimento das expectativas daqueles estudantes que utilizam tal serviço. "Questão 9: Independente se usuário ou não, quais itens merecem atenção em relação ao transporte intercampi oferecido pela UFPR:" Também foi perguntado aos estudantes componentes da amostra o quê poderia ser melhorado, sendo que a pergunta admitia resposta múltipla.

118 100 Tabela 6M - Distribuição percentual relativa ao atendimento das necessidades de transporte intercampi SETOR DE ENSINO Total Parcial Não Utiliza Setor de Ciências da Saúde 2,44 48,78 48,78 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 8,33 35,42 56,25 Setor de Ciências Biológicas 23,81 52,38 23,81 Setor de Ciências da Terra 0,00 64,29 35,71 Setor de Ciências Jurídicas 25,00 0,00 75,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 12,50 12,50 75,00 Setor de Educação 0,00 28,57 71,43 Setor de Ciências Exatas 8,70 47,83 43,48 Setor Educação Profissional e Tecnológica 0,00 63,64 36,36 Setor Campus Litoral 8,11 10,81 81,08 Setor de Ciências Agrárias 17,86 58,93 23,21 Setor Palotina 4,17 8,33 87,50 Centro de Estudos do Mar 0,00 7,69 92,31 Setor de Tecnologia 12,50 58,33 29,17 TOTAL UFPR 9,37 39,88 50,76 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Tabela 6N - Distribuição percentual por itens que merecem atenção relativos ao serviço de transporte intercampi SETOR DE ENSINO Itinerários Horários Veículos Setor de Ciências da Saúde 43,90 95,12 14,63 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 41,67 87,50 8,33 Setor de Ciências Biológicas 45,45 86,36 22,73 Setor de Ciências da Terra 14,29 100,00 0,00 Setor de Ciências Jurídicas 0,00 100,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 75,00 25,00 0,00 Setor de Educação 28,57 85,71 0,00 Setor de Ciências Exatas 20,83 87,50 12,50 Setor Educação Profissional e Tecnológica 45,45 90,91 9,09 Setor Campus Litoral 35,14 56,76 24,32 Setor de Ciências Agrárias 35,09 80,70 3,51 Setor Palotina 16,67 50,00 58,33 Centro de Estudos do Mar 23,08 38,46 61,54 Setor de Tecnologia 41,67 87,50 4,17 TOTAL UFPR 35,33 78,44 15,87 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Segundo a percepção dos respondentes, o item que mais merece atenção por parte da Administração da UFPR no que diz respeito ao serviço de transporte intercampi oferecido é a

119 101 grade horária com 78,44%, seguido da definição dos itinerários com 35,33%. As condições dos veículos é o fator apontado como menos problemático pelos estudantes. Os resultados para esta questão, desconsiderando as repostas daqueles que assinalaram que não utilizam esse transporte, confirmam a necessidade de reavaliação dos horários - 86,14%, itinerários - 42,17% e condições dos veículos - 7,23%, obedecendo a mesma ordem do resultado do quadro geral. 6.6 SERVIÇOS DE SAÚDE "Questão 10: Com relação ao acesso aos serviços de saúde oferecidos aos acadêmicos pela UFPR, qual sua avaliação:" Os estudantes foram convidados a opinar sobre o nível de atendimento de suas expectativas em relação aos serviços de saúde. Os resultados mostram números preocupantes, uma vez que, o percentual que apontou o atendimento parcial - 25,24% somado ao percentual de não atendimento das expectativas - 24,92% supera o percentual daqueles que consideramse satisfeitos com o acesso aos serviços de saúde ofertados. Tabela 6O - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre os serviços de saúde SETOR DE ENSINO Atende Parcialmente Não atende Setor de Ciências da Saúde 46,34 31,71 21,95 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 50,00 23,81 26,19 Setor de Ciências Biológicas 47,37 42,11 10,53 Setor de Ciências da Terra 57,14 28,57 14,29 Setor de Ciências Jurídicas 50,00 25,00 25,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 71,43 0,00 28,57 Setor de Educação 0,00 66,67 33,33 Setor de Ciências Exatas 61,90 23,81 14,29 Setor Educação Profissional e Tecnológica 63,64 27,27 9,09 Setor Campus Litoral 50,00 6,25 43,75 Setor de Ciências Agrárias 57,41 29,63 12,96 Setor Palotina 47,62 4,76 47,62 Centro de Estudos do Mar 15,38 30,77 53,85 Setor de Tecnologia 45,83 29,17 25,00 TOTAL UFPR 49,84 25,24 24,92 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Na análise setorial dos resultados dessa questão podemos verificar que os estudantes mais insatisfeitos são aqueles dos campi fora de sede. O percentual que assinalou que os

120 102 serviços não atendem suas expectativas foi de 53,85% no CEM, 47,62% em Palotina e 43,75% no Litoral. Nesta questão foi solicitado aos respondentes que apontassem o "porquê" do atendimento parcial ou não atendimento das expectativas. Dentre as respostas abertas podemos concluir de forma resumida que os principais problemas referem-se a falta de vagas, limitação de especialidades atendidas, ausência de atendimento de emergência, falta de informações sobre a disponibilização e acesso aos serviços de saúde, falta de atendimento nos campi fora de sede onde a distância e o custo inviabilizam o deslocamento para Curitiba. De certa forma, o cenário delineado resume a situação da saúde pública em geral. Tabela 6P - Distribuição percentual relativa as respostas apresentadas sobre serviços de saúde Frequência % Poucas vagas, principalmente Odontologia 38,00 26% Falta divulgação, informação 37,00 26% Poucas especialidades 13,00 9% Palotina não tem serviços no Campus 12,00 8% Atendimento no CEM apenas 1 dia p/semana 8,00 6% Litoral não tem serviços no Campus 6,00 4% HC não faz atendimento 5,00 3% Não tem Emergência 5,00 3% Não disponibiliza medicamentos (analgésicos) 3,00 2% Não realiza exames 4,00 3% Não fornece atestado para atividades físicas 4,00 3% Outros 10,00 7% TOTAL UFPR 145,00 100% Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. 6.7 EVENTOS ESTUDANTIS "Questão 11: Em relação ao apoio oferecido pela UFPR para participação de acadêmicos em eventos, qual a sua opinião:" Sobre o apoio recebido pelo público alvo da pesquisa para participação em eventos estudantis, desconsiderando aqueles que responderem que não utilizam tal serviço que somam aproximadamente 24%, aqueles que responderam que o apoio é excelente ou bom correspondem a quase 60%, aqueles que responderam que o apoio é regular somam 29% e aqueles que assinalaram ruim ou péssimo somam cerca de 11%. Isso implica dizer, que a UFPR tem atendido as expectativas da grande maioria dos alunos neste quesito.

121 103 Tabela 6Q - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre o apoio recebido para participação em eventos estudantis SETOR DE ENSINO Excelente Bom Regular Ruim Péssimo Setor de Ciências da Saúde 12,50 41,67 29,17 16,67 0,00 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 17,65 44,12 32,35 2,94 2,94 Setor de Ciências Biológicas 5,00 50,00 35,00 0,00 10,00 Setor de Ciências da Terra 0,00 62,50 25,00 0,00 12,50 Setor de Ciências Jurídicas 50,00 50,00 0,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 0,00 0,00 66,67 0,00 33,33 Setor de Educação 0,00 60,00 40,00 0,00 0,00 Setor de Ciências Exatas 37,50 31,25 25,00 6,25 0,00 Setor Educação Profissional e Tecnológica 12,50 50,00 37,50 0,00 0,00 Setor Campus Litoral 11,43 51,43 25,71 11,43 0,00 Setor de Ciências Agrárias 4,35 60,87 23,91 10,87 0,00 Setor Palotina 22,73 22,73 36,36 18,18 0,00 Centro de Estudos do Mar 0,00 80,00 0,00 20,00 0,00 Setor de Tecnologia 0,00 41,18 41,18 11,76 5,88 TOTAL UFPR 11,90 47,62 28,97 9,13 2,38 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. 6.8 MOBILIDADE ACADÊMICA "Questão 12. No tocante a mobilidade nacional /internacional qual a sua opinião sobre os serviços proporcionados pela UFPR:" Os estudantes foram convidados a apresentarem sua percepção sobre a sistemática da UFPR para atender questões relativas a mobilidade acadêmica nacional e internacional. As respostas da questão nº 1 mostrou que os estudantes com fragilidade socioeconômica têm participação bastante tímida nestes programas. Porém, o grupo pesquisado não deixou de externar sua opinião a respeito, até porque, há destinação de recursos do PNAES para pagamento de bolsas específicas àqueles que são aprovados nos processos seletivos para mobilidade. Dentre os respondentes, 65,89% respondeu que serviços ofertados pela UFPR para atender os interessados em estudarem outras Instituições, sejam nacionais ou internacionais, atendem as expectativas dos estudantes. O percentual de 23,41% refere-se aos que responderam que têm suas expectativas atendidas parcialmente e 10,70% respondeu que suas expectativas não são atendidas.

122 104 Tabela 6R - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas sobre os programas de mobilidade acadêmica SETOR DE ENSINO Atende Parcialmente Não atende Setor de Ciências da Saúde 72,50 20,00 7,50 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 54,55 29,55 15,91 Setor de Ciências Biológicas 61,11 33,33 5,56 Setor de Ciências da Terra 58,33 25,00 16,67 Setor de Ciências Jurídicas 25,00 50,00 25,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 42,86 14,29 42,86 Setor de Educação 25,00 75,00 0,00 Setor de Ciências Exatas 60,00 25,00 15,00 Setor Educação Profissional e Tecnológica 77,78 22,22 0,00 Setor Campus Litoral 86,67 6,67 6,67 Setor de Ciências Agrárias 69,81 22,64 7,55 Setor Palotina 79,17 16,67 4,17 Centro de Estudos do Mar 75,00 25,00 0,00 Setor de Tecnologia 50,00 27,27 22,73 TOTAL UFPR 65,89 23,41 10,70 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Na tentativa de identificar possíveis gaps entre a expectativa dos estudantes e os serviços ofertados foi solicitado que justificassem o "porquê" do atendimento parcial ou não atendimento de suas expectativas. Entre os principais motivos apontados estão o reduzido número de bolsas ofertadas, a rigorosidade do processo seletivo, sendo que vários estudantes citaram a exigência do IRA (Índice de Rendimento Acadêmico) muito elevado, considerando que estudantes desse grupo geralmente conciliam suas atividades acadêmicas com trabalho remunerado ou mesmo com as atividades da Bolsa Permanência e a dificuldade em atingir o nível exigido de rendimento em cursos de determinadas áreas, como Exatas. Alguns estudantes referiram-se ao programa como "eletista" devido às exigências do processo seletivo e o baixo valor da bolsa que não permitiria ao estudante manter-se em outro país apenas com esse rendimento, necessitando de apoio financeiro adicional da família. Muitos apontaram como problema a falta de divulgação das oportunidades de mobilidade e de seus critérios, sendo citada também a burocracia do processo após a aprovação da mobilidade e a falta de assistência e acompanhamento ao intercambista, principalmente quando desloca-se para um país estrangeiro.

123 105 Tabela 6S - Distribuição percentual relativa as respostas apresentadas sobre mobilidade acadêmica Frequência % Reduzida oferta de bolsas 19,00 21% Processo seletivo muito rigoroso 17,00 19% Falta divulgação do assunto e seus critérios 15,00 17% Sistema muito burocrático 12,00 13% Baixo valor bolsa 6,00 7% Falta oferta curso de línguas 5,00 6% Programa eletista 4,00 4% Falta acompanhamento ao intercambista 3,00 3% Outras 8,00 9% TOTAL UFPR 89,00 100,00% Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. 6.9 CONHECIMENTO ACERCA DO PNAES "Questão 13: Como acadêmico da UFPR, você tem conhecimento do PNAES - Programa Nacional de Assistência Estudantil e suas principais diretrizes:" O PNAES, tema central deste trabalho, conforme já foi dito, foi regulamentado pelo Decreto de 19 de julho, que diz: Art. 1º O Programa Nacional de Assistência Estudantil - PNAES, executado no âmbito do Ministério da Educação, tem como finalidade ampliar as condições de permanência dos jovens na educação superior pública federal... Art. 5º Serão atendidos no âmbito do PNAES prioritariamente estudantes oriundos da rede pública de educação básica ou com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio, sem prejuízo de demais requisitos fixados pelas instituições federais de ensino superior. Na UFPR, conforme anteriormente mencionado, o PROBEM é programa que consiste no conjunto de ações de assistência estudantil que resultam em benefício econômico direto ao estudante com a finalidade de assegurar condições mínimas de manutenção e conclusão do curso dos alunos de graduação e ensino profissionalizante, mediante disponibilização de três benefícios de assistência estudantil, a Bolsa Permanência, O Auxílio Refeição e o Auxílio Moradia. Esses benefícios podem ser concedidos de forma isolada ou em conjunto. Os bolsistas do programa são selecionados conforme perfil socioeconômico avaliado mediante questionário preenchido no momento da inscrição. Adicionalmente, pode ser realizada entrevista com o estudante requisitante do benefício e ainda, visita in loco em seu local de moradia.

124 106 Conforme a previsão orçamentária do PROBEM do exercício de 2012, o programa responde pela execução de aproximadamente 93% dos recursos aprovados na LOA para a UFPR para atendimento do PNAES, cerca de R$ 15 milhões. Desta forma, foi considerado importante levantar se os estudantes com fragilidade socioeconômica, principal público alvo do PNAES, estão inteirados sobre as políticas públicas que são formuladas e implementadas pelo Governo Federal visando não apenas a ampliação do acesso às universidades públicas, mas também a fixação do aluno na Instituição até a conclusão do curso. Infelizmente, o resultado da pesquisa revela que a grande maioria da amostra consultada não conhece todos seus direitos. Inclusive, muitos consideram os auxílios recebidos uma benesse concedida pela Administração da UFPR. O resultado para esta questão mostraram que 33,13% conhece o PNAES e suas diretrizes e 66,87% não o conhece. Considerando apenas os estudantes que não são beneficiados diretamente pelo PROBEM os percentuais passam a 16,67% e 83,33%, respectivamente. Tabela 6T - Distribuição percentual relativa ao prévio conhecimento do PNAES SETOR DE ENSINO SIM NÃO Setor de Ciências da Saúde 30,00 70,00 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 31,25 68,75 Setor de Ciências Biológicas 40,91 59,09 Setor de Ciências da Terra 21,43 78,57 Setor de Ciências Jurídicas 50,00 50,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 50,00 50,00 Setor de Educação 0,00 100,00 Setor de Ciências Exatas 29,17 70,83 Setor Educação Profissional e Tecnológica 45,45 54,55 Setor Campus Litoral 32,43 67,57 Setor de Ciências Agrárias 33,93 66,07 Setor Palotina 41,67 58,33 Centro de Estudos do Mar 38,46 61,54 Setor de Tecnologia 29,17 70,83 TOTAL UFPR 33,13 66,87 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora.

125 107 Gráfico 6A - Distribuição percentual relativa ao prévio conhecimento do PNAES Possui; 33,13% Não Possui; 66,87% Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora PERCEPÇÃO GLOBAL SOBRE AÇÕES DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL NA UFPR "Questão 14: Como você classificaria as ações relativas à Assistência Estudantil na UFPR em sua dimensão global:" Os estudantes foram consultados sobre o nível de atendimento de suas expectativas em relação a assistência estudantil oferecida pela UFPR, havendo a opção de responder que o atendimento é total, parcial ou se suas expectativas não são atendidas. Em caso de não atendimento ou atendimento parcial, também foi facultada o opção de justificar o "porquê" da resposta. O panorama geral mostra que a grande maioria está satisfeita com o atendimento que recebe - 70,06%, um percentual mínimo - 2,16% se mostrou insatisfeito e 27,78% parcialmente satisfeito. O resultado demonstra que de forma global a UFPR tem atendido as expectativas dos estudantes com fragilidade socioeconômica em termos de assistência para sua manutenção na Universidade, assegurando-lhe condições mínimas para obtenção de índices de rendimento acadêmico satisfatórios durante sua trajetória até a graduação.

126 108 Tabela 6U - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas acerca das ações de assistência estudantil em sua dimensão global SETOR DE ENSINO Atende Parcialmente Não atende Setor de Ciências da Saúde 67,50 32,50 0,00 Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes 60,00 37,78 2,22 Setor de Ciências Biológicas 80,95 19,05 0,00 Setor de Ciências da Terra 78,57 21,43 0,00 Setor de Ciências Jurídicas 50,00 50,00 0,00 Setor de Ciências Sociais Aplicadas 62,50 37,50 0,00 Setor de Educação 71,43 28,57 0,00 Setor de Ciências Exatas 79,17 20,83 0,00 Setor Educação Profissional e Tecnológica 60,00 40,00 0,00 Setor Campus Litoral 69,44 19,44 11,11 Setor de Ciências Agrárias 73,21 25,00 1,79 Setor Palotina 91,30 8,70 0,00 Centro de Estudos do Mar 66,67 33,33 0,00 Setor de Tecnologia 54,17 41,67 4,17 TOTAL UFPR 70,06 27,78 2,16 Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Gráfico 6B - Distribuição percentual relativa ao atendimento de expectativas acerca das ações de assistência estudantil em sua dimensão global Não Atende; 2,16% Atende Parcialmente; 27,78% Atende Totalmente; 70,06% Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. De grande valia para a identificação dos pontos fracos dos programas de assistência estudantil da UFPR é a análise das justificativas apresentadas para o atendimento parcial ou não atendimento das expectativas dos estudantes consultados.

127 109 Grande parte dos estudantes pesquisados reconhece a importância do que está sendo feito em termos de assistência estudantil na UFPR, mas sugere avanços necessários para o pleno atendimento de suas expectativas. Dentre esses avanços foram citados melhorias no que tange a questão de moradia estudantil, maior diálogo com a comunidade discente, maior apoio a gestantes e estudantes com filhos pequenos (creche), maior flexibilidade no processo de seleção de beneficiados tendo em vista que alunos que moram sozinhos ou mesmo com algum parente, muitas vezes, não recebem auxílio financeiro da família, etc. Tabela 6V - Distribuição percentual relativa as justificativas sobre assistência estudantil Frequência % Requer avanços 25,00 26% Baixo valor dos benefícios concedidos 22,00 23% Não atende 100% público PNAES 14,00 14% Falta divulgação e informações 13,00 13% Uso de dados falsos na seleção 3,00 3% Outros 5,00 5% Não justificaram 15,00 15% TOTAL UFPR 97,00 100,00% Fonte: Pesquisa amostral aplicada aos acadêmicos da UFPR em nov./12. Elaboração da autora. Outro grupo faz menção aos valores dos benefícios concedidos, especialmente bolsa permanência e auxílio moradia como sendo incompatíveis com o custo de vida de um estudante universitário. Ainda foi citada a questão de necessidade de atendimento de 100% dos estudantes com fragilidade socioeconômica e a falta de divulgação e informações acerca dos benefícios ofertados, dificultando o acesso, especialmente ao calouro. De forma geral, podemos dizer que os setores que mais abrigam alunos que segundo critérios de seleção fazem juz ao recebimento dos benefícios de bolsa permanência, auxílio refeição e auxílio moraria em conjunto são setores fora de sede. Setores que tradicionalmente ofertam mais cursos diurnos e em tempo integral têm o maior contingente de alunos contemplados com bolsa permanência, dada a impossibilidade dos alunos de conciliar trabalhado e estudos. Quanto a bolsa permanência apesar das observações levantadas por parte dos estudantes sobre a realização de trabalhos não relacionados a sua área de formação, cerca de 74% apontam que a bolsa atende as expectativas. Em relação aos Restaurantes Universitários a grande maioria classifica a qualidade das refeições servidas como boa ou excelente. Porém, quanto as instalações físicas dos RU s cabem considerações. É alto o grau de insatisfação dos estudantes de Palotina e dos setores que costumam frequentar o Restaurante Central.

128 110 Sobre a forma de auxílio oferecida para atender a questão de moradia, fato curioso é que se considerarmos todos os estudantes pesquisados a proporção que optou pelo pagamento do auxílio para pagamento de aluguel é de 43% contra 57% que preferia que fossem disponibilizadas moradias estudantis. Todavia, se avaliado apenas o grupo que efetivamente é contemplado com o auxílio, 63% optou pela continuidade da forma atual de assistência ofertada e 37% pela disponibilização de moradias próprias da Universidade. Essa proporção se inverte quando analisado apenas o grupo não contemplado com tal benefício. O transporte intercampi apesar de disponibilizado é utilizado apenas por metade dos estudantes pesquisados, sendo que a grade horária foi apontada como item que merece mais atenção para melhoria dos serviços prestados. Quanto aos serviços de saúde, várias dificuldades no acesso são apontadas pelos estudantes. Apesar de no conjunto quase 50% terem apontando que os serviços atendem as expectativas, é clara a insatisfação dos estudantes dos setores fora de sede que não contam com o modelo de serviços ofertados em Curitiba. Em relação ao apoio oferecido pela UFPR para participação em eventos estudantis de caráter formativo cerca de 60% apontaram que atende as expectativas. Já em relação ao apoio à mobilidade acadêmica, apesar da maioria ter dito que atende as expectativas, vários impeditivos foram apontados em relação ao acesso desse grupo de alunos que apresenta fragilidade socioeconômica, como o reduzido número de bolsas ofertadas, exigência do IRA muito alto e valor da bolsa insuficiente para arcar com todas as despesas mensais num país estrangeiro ou mesmo em outro Estado. Sobre o PNAES e suas diretrizes, quase 70% dos estudantes pesquisados afirmaram não ter conhecimento prévio do programa, demonstrando que a maioria não conhece seus direitos enquanto estudante de graduação de uma universidade pública. Sobre a percepção global dos estudantes sobre as ações de assistência estudantil implementadas pela UFPR os estudantes apontaram que atendem as expectativas 70%, atendem parcialmente as expectativas 28% e não atendem as expectativas 2%, demonstrando que a UFPR é avaliada positivamente quanto as estratégias adotadas para implementação do PNAES, apesar de terem sido identificados avanços necessários nos serviços de saúde, nas instalações dos restaurantes universitários, ampliação da mobilidade acadêmica e do diálogo com os estudantes, que apontaram também a necessidade de discussão sobre a disponibilização de creche e maior flexibilidade no processo de seleção para os atuais benefícios.

129 111 7 CONCLUSÃO Uma das principais conclusões deste trabalho é o reconhecimento da importância da formulação e implementação de políticas públicas educacionais que deem suporte a correção das profundas distorções socioeconômicas relacionadas à origem dos estudantes que lograram acesso ao ensino superior. Sendo o PNAES componente de uma política pública focalizada destinada a assegurar a manutenção e conclusão do curso dos graduandos das IFES que encontram-se em situação de fragilidade socioeconômica, os resultados da pesquisa mostram que na UFPR a implementação do programa tem atingido índices bastante satisfatórios de atendimento das expectativas do público alvo. Porém, o sistema educacional deve ser pensado desde sua base, não basta inclusão, é preciso também qualidade de ensino em todos os níveis. Não há como deixar de considerar as limitações existentes no ensino médio que comprometem o acesso e a permanência de grande parte da população de 18 a 24 anos no ensino superior. A escola para cumprir seu papel de agente transformador da sociedade deve desde o ensino fundamental propiciar ao estudante uma formação cidadã, a formação de sujeitos conscientes de seus direitos e deveres, cidadãos esses, que constituirão a massa crítica do país. A igualdade de oportunidades deve ser pensada desde as bases do sistema educacional, não permitindo que critérios como renda, raça ou gênero venham a fazer da escola um agente catalisador das desigualdades sociais. Conforme os dados censitários apresentados e discutidos no decorrer do trabalho é impossível negar a recente expansão do ensino superior, que apesar de liderada pelo setor privado, recebeu importante contribuição das instituições públicas na última década, alavancada pelo REUNI e pelo próprio PNAES, fazendo com que se retome as esperanças de fazer da Educação verdadeiramente um direito humano e universal. Diante deste cenário, podemos admitir que o Brasil passa por um processo de massificação do ensino superior e está a caminho, mas ainda distante do rompimento da esperada fronteira da universalização do ensino superior, uma vez que, segundo dados 2011 do IBGE, a taxa de freqüência líquida no ensino superior brasileiro é de apenas 14,6%. Neste caminho de busca pela universalização, programas de permanência e conclusão do curso de graduação, para correção ou minimização das dificuldades enfrentadas pelos estudantes com fragilidade socioeconômica durante sua trajetória acadêmica têm confirmado seus efeitos positivos enquanto componentes de uma política pública focalizada, e reconhecida a importância da fase de avaliação no ciclo de políticas públicas, coube-nos

130 112 descrever os resultados da pesquisa junto aos alunos beneficiados pelo PNAES na UFPR, sob a luz da conceituação de critérios como eficiência, eficácia e efetividade. Desta maneira, podemos afirmar que a implementação desse programa na UFPR têm sido eficiente na medida que a relação recursos disponíveis no Orçamento/Alunos Beneficiados tem buscado atender o maior contingente de alunos com fragilidade socioeconômica possível, sem deixar de considerar critérios para definição de valores mínimos necessários para cada tipo de auxílio concedido. Há equidade na distribuição dos benefícios, considerando os diferentes setores de ensino e suas peculiaridades e a eficácia é plenamente atingida, uma vez que os recursos estão sendo direcionados para ações que atendem as diretrizes, objetivos e metas da legislação que define o PNAES. A efetividade das ações de assistência estudantil da UFPR financiadas com recursos do PNAES é confirmada, pois representam para a maioria dos alunos que enquadram-se no perfil socioeconômico de baixa renda o apoio necessário, não apenas financeiro, mas também pedagógico, psicológico e de caráter social para sua manutenção na Universidade até a conclusão do curso, minimizando fatores motivadores da evasão e assegurando a esses estudantes condições para alcance de índices de rendimento acadêmico satisfatórios, corroborando para um futuro profissional de sucesso. Os resultados da pesquisa amostral sobre a percepção global dos estudantes atendidos pelo PNAES sobre as ações de assistência estudantil implementadas pela UFPR mostraram que cerca de 70% tem suas expectativas atendidas e segundo dados do Relatório de Atividades (UFPR, 2012) apenas 10% dos estudantes que inscreveram-se para o PROBEM e cujo o pedido foi deferido, aguardam em lista de espera. Em relação aos limites orçamentários atuais, podemos concluir que seria necessário um aumento de 15 a 20 p.p. nos recursos de outros custeios do PNAES para que a demanda fosse plenamente atendida, considerando os números de candidatos classificados, mas em lista de espera, e o perfil do corpo discente da UFPR. É necessário também, maior volume de recursos em capital, para investimentos em infraestrutura física para atendimento dos anseios da comunidade discente quanto a moradia estudantil, melhorias nos restaurantes universitários e ampliação das áreas para práticas de esportes. A correção para 2013 nos recursos consignados na Lei Orçamentária Anual da União para o exercício prevê a variação de 5 p.p. em relação a 2012 na ação orçamentária de Assistência ao Estudante de Ensino Superior da UFPR. Desta maneira, os limites da eficácia na implementação do PNAES na UFPR estão basicamente atrelados a questões de limitação

131 113 orçamentária, uma vez que, dentro dos recursos orçamentários disponibilizados para o programa as ações implementadas atendem diretamente as diretrizes, objetivos e metas da legislação que define o PNAES, a exemplo do PROBEM, que segundo resultados da pesquisa realizada contempla 80% dos alunos consultados com bolsa permanência, 69% com auxílio refeição, 43% com auxílio moradia e cerca de 32% com esses três benefícios em conjunto. Muito embora, 66,87% do público pesquisado tenha afirmado que não possui conhecimento sobre o PNAES e suas diretrizes, enquanto programa integrante de uma política pública focalizada, direcionada ao estudante com fragilidade socioeconômica. Com base na evolução dos recursos globais do PNAES ao longo de sua existência, podemos concluir que apesar do crescimento do volume de recursos orçamentários alocados pelo Governo Federal para atendimento das ações direcionadas à manutenção e conclusão do curso dos graduandos com fragilidade socioeconômica ter sido expressiva, ainda não atende plenamente as necessidades das IFES em função dos programas de expansão e universalização do ensino superior, como REUNI, SISU, sistemas de cotas, entre outros, que possibilitaram a retomada do processo de crescimento da oferta de vagas pelo setor público, representando uma variação no período de 2001 a 2011 de 70% no número de matrículas nos cursos de graduação presencial e de 55% no número de Instituições. Felizmente, essa expansão continuada do sistema de ensino público federal abre as portas das Universidades para um número a cada ano maior de alunos oriundos de famílias antes colocadas à margem do desenvolvimento econômico e social do país. Segundo dados da PNAD 2011/IBGE, cerca de 34% dos estudantes de ensino superior na rede pública pertencem ao 1º, 2º e 3º quintos de rendimento mensal familiar per capita, desmistificando a idéia de que nas universidades públicas somente ingressam estudantes de famílias privilegiadas do ponto vista socioeconômico, uma vez que, estes sim teriam condições desde a educação básica de estarem preparados para o vestibular, ainda predominante enquanto processo seletivo para acesso ao ensino superior.

132 114 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APRILE, Maria Rita; BARONE, Rosa Elisa Mirra. Educação superior: políticas públicas para inclusão social. São Paulo, v. 2, n.1, p , ANDIFES, Diretório Nacional. Perfil socioeconômico e cultural dos estudantes de graduação das universidades federais brasileiras. Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (FONAPRACE). [S.n.] Brasília: TC Gráfica e Editora, ANDIFES, Diretório Nacional. Plano nacional de assistência estudantil. [Brasília], [S.n.], [2007 ou 2008]. ANDIFES, Diretório Nacional. 8º Seminário Nacional do Reuni. Brasília, [S.n.], ARETIO, Lorenzo Garcia. Educación a distancia. Bases conceptuales. In: Educación a distancia hoy. Madrid: UED, BITTAR, Mariluce; OLIVEIRA, João; MOROSINI, Marília (Orgs). Educação Superior no Brasil: 10 Anos pós-ldb. Brasília: INEP, BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm> Acesso em BRASIL. Decreto nº 7.234, de 19 de julho de Dispõe sobre o Programa Nacional de Assistência Estudantil - PNAES. Disponível em: < /2010/Decreto/D7234.htm>. Acesso em: BRASIL. Decreto nº 7.824, de 11 de outubro de Regulamenta a Lei n o , de 29 de agosto de 2012, que dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2012/decreto/d7824.htm>. Acesso em: BRASIL. Lei nº de 20 de dezembro de Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/ l10172.htm>. Acesso em BRASIL. Lei nº de 09 de janeiro de Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/ l10172.htm>. Acesso em BRASIL. Lei nº , de 29 de agosto de Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato /2012/lei/l12711.htm> Acesso em:

133 115 BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos. Gestão do setor público: estratégia e estrutura para um novo Estado. P In: BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos; SPINK, Peter (Orgs). Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1ª Ed, BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos. Da administração pública burocrática à gerencial. P In: BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos; SPINK, Peter (Orgs). Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1ª Ed, BURKHEAD, Jesse. Orçamento público. Rio de Janeiro: FGV, CAPELLA, Ana Cláudia N.. Perspectivas teóricas sobre o processo de formulação de políticas públicas. BIB. São Paulo, nº 61, 1º semestre, p.25-52, CUNHA, Luiz Antônio Cunha. O desenvolvimento meandroso da educação brasileira entre Estado e mercado. Educ. Soc. Campinas, vol. 28, n. 100, p , out Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br> CURY, Carlos Roberto Jamil. Políticas inclusivas e compensatórias na educação básica. Cad. Pesqui. vol.35 no.124 São Paulo Jan./Apr Disponível em <http://dx.doi.org/ /s > DAVOK. Delsi Fries. Qualidade em Educação. Avaliação, Sorocaba, v.12, n.3, p , DEMO, Pedro. Ciências Sociais e qualidade. São Paulo: Almed, DEMO, Pedro. Educação e qualidade. 2 ed..campinas: Papirus, EBERLE, Luciene, MILAN, Gabriel Sperandio, LAZZARI, Fernanda. Identificação dimensão da qualidade em serviços: um estudo aplicado em uma instituição de ensino superior. RAE- eletrônica. V.9, n.2, Art. 7, jul/dez Disponível em: <http://www.rae.com.br/eletronica/index.cfm?fuseaction=artigo&id=5611&secao=forum &Volume=9&numero=2&Ano=2010 >Acesso em: FIUZA, Patricia Jantsch. Aspectos motivacionais na educação a distancia: análise estratégica e dimensionamento de ações. 2002, 119f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção), UFSC, Florianópolis, Disponível em: <http://repositorio.ufsc.br/xmlui/bitstream/handle/ /83010/ pdf?sequence=>. Acesso em GIACOMONI, James. Orçamento público. 12 ed. rev. atual. São Paulo: Atlas, GOMES, Alfredo Macedo; MORAES, Karine Nunes. A expansão da educação superior no Brasil contemporâneo: Questões para o debate. Educação e Sociedade. Campinas, v. 33, n. 118, p , jan.-mar Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>

134 116 GOVERNO, publica lei que regulamenta as cotas nas universidades federais. Globo.com, 15 out. 2012, G1 Educação. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/10/mec-publica-regulamentacao-da-lei-dascotas-nas-universidades-federais.html> Acesso em IBGE. Síntese de indicadores sociais: Uma análise das condições de vida da população brasileira Estudos e pesquisas, informação demográfica e socioeconômica, n. 29. Rio de Janeiro, INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censos da educação superior 2001 a 2011 resumos técnicos. Brasília: INEP, abril de Disponível em <http://portal.inep.gov.br/web/censo-da-educacao-superior/resumos-tecnicos> Acesso em JOHNSON, Guilhermo Alfredo. Os Alicerces das políticas públicas: adversidades da universalização. In: FAISTING, André Luiz; FARIAS, Marisa de Fátima Lomba de (Orgs). Direitos humanos, diversidade e movimentos sociais: um diálogo necessário. Dourados: Ed. UFGD, LOBO, Roberto Leal et al.. A evasão no ensino superior brasileiro. Cadernos de Pesquisa, v.37, n. 132, p , set/dez MACHADO JR, José Teixeira; REIS, Heraldo da Costa. A lei comentada. 26. ed. rev. atual. Rio de Janeiro: IBAM, 1995 MAGALHAES, Antônio M. A identidade do ensino superior: política, conhecimento e educação numa época de transição. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do Trabalho Científico. 7 ed..são Paulo: Atlas, MEC. Portaria Normativa nº 18, de 11 de outubro de Dispõe sobre a implementação das reservas de vagas em instituições federais de ensino de que tratam a Lei no , de 29 de agosto de 2012, e o Decreto no 7.824, de 11 de outubro de Disponível em: <http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=16&data=15/10/2012> Acesso em MEC. Projeto de Lei. Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio , e dá outras providências. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content &id=16478&itemid=1107> [MEC]. REUNI 2010: Expansão das Universidades Federais. [Brasília], MINTO, Lalo Watanabe. As Reformas do ensino superior no Brasil: o público e o privado em questão. Campinas: Autores Associados, MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO. Secretaria de Orçamento Federal. Manual Técnico de Orçamento. MTO. Versão Brasília, 2011.

135 117 MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO. Secretaria do Planejamento e Investimentos Estratégicos. Plano Mais Brasil - PPA 2012/2015. Brasília, OLIVEIRA, Romualdo Portela. O Direito à Educação na Constituição Federal de 1988 e seu restabelecimento pelo sistema de Justiça. Revista Brasileira de Educação, n. 11, p , Mai/Jun/Jul/Ago, OTRANTO, Célia R..Desvendando a política da educação superior do governo Lula. Universidade e Sociedade, Brasília, Ano XVI, n.38, p-19-29, PEREIRA, Sulei Menezes; ZIENTARSKI, Clarice. Políticas de ações afirmativas e pobreza no Brasil. RBEP, Brasília, v.92, n.232, p , set./dez POR QUE SOBRAM TANTAS VAGAS NO ENSINO SUPERIOR? Gazeta do Povo, Curitiba, 24 mai. 2012, Vida na Universidade. Disponível em: Acesso em REAL, Giselle Cristina Martins. Impactos da avaliação na educação superior. Dourados: Editora UFGD, RESENDE, Flávio da Cunha. Por que reformas administrativas falham?. RBCS, v.17, n.50, p , RISTOFF, Dilvo. Educação Superior no Brasil 10 anos pós-ldb: da expansão à democratização In: BITTAR, Mariluce; OLIVEIRA, João; MOROSINI, Marília (Orgs). Educação Superior no Brasil: 10 Anos pós-ldb. Brasília: INEP, ROLIM, Cássio Frederico Camargo; SERRA, Maurício Aguiar. Universidade e desenvolvimento regional: o apoio das instituições de ensino superior ao desenvolvimento regional. Curitiba: Juruá, SANDER, Benno. Gestão da educação na América Latina. Campinas: Autores Associados, SANTOS, Boaventura de Sousa; ALMEIDA FILHO, Naomar de. A universidade do século XXI: para uma universidade nova. Coimbra: Disponível em: <www.unesp.br/ape/pdi/execucao/artigos/auniversidadedoseculoxxi.pdf>. Acesso em: SECCHI, Leonardo. Políticas Públicas: Conceitos, esquemas de análise, casos práticos. São Paulo: Cengage Learning, SILVA, Jorge Paiva da; OURIQUE, Maiane Liana Hatschbach Ourique. A expansão da educação superior no Brasil: um estudo do caso Cesnors. RBEP, Brasília, v.93, n.233, p , jan./abr.2012.

136 118 SILVA JR, João dos Reis; SGUISSARDI, Valdemar. Novas faces da educação superior no Brasil. Reforma do Estado e mudança na produção. 2 ed. rev.. Bragança Paulista: Cortez, SILVA FILHO, Wilson de Matos. O Programa de Inclusão PROUNI e sua efetividade social: Um Estudo no Centro Universitário de Maringá f. Dissertação (Mestrado em Gestão de Políticas Públicas), UNIVALI, Itajaí, SGUISSARDI, Valdemar. Universidade Pública Estatal: Entre o público e o privado/mercantil. Educação e Sociedade. Campinas, vol. 26, n.90, Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>.acesso em SGUISSARDI, Valdemar. Modelo de expansão da educação superior no Brasil: predomínio privado/mercantil e desafios para a regulação e a formação universitária. Educação e Sociedade. Campinas, vol. 29, n.105, SOUZA, Celina. Políticas Públicas: Uma revisão da literatura. Sociologias, Porto Alegre, ano 8, n.16, p.20-45, jul/dez UFPR, Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças. Plano de desenvolvimento institucional Curitiba: Imprensa Universitária, UFPR, Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças. Relatório de atividades UFPR Curitiba: Imprensa Universitária, UFPR, Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças. Relatório de atividades UFPR Curitiba: Imprensa Universitária, VASCONCELOS, Natalia Batista. Programa Nacional de Assistência Estudantil: Uma análise da evolução da assistência estudantil ao longo da história da educação superior no Brasil. Revista da Católica, Uberlândia, v.2, n.3, p , 2010.

137 119

REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011-2020: metas que envolvem a Educação Profissional

REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011-2020: metas que envolvem a Educação Profissional REFERENCIAIS ESTRATÉGICOS Projeto de Lei nº 8.035, de 2010 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011-2020: metas que envolvem a Educação Profissional O PNE é formado por: 10 diretrizes; 20 metas com estratégias

Leia mais

O ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL: Desafios e perspectivas

O ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL: Desafios e perspectivas 54ª Reunião Anual da SBPC Goiânia/GO Julho/2002 O ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL: Desafios e perspectivas João Ferreira de Oliveira (UFG) A universalização do acesso à educação superior constitui-se

Leia mais

CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 2010

CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 2010 1 CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 2010 O Censo da Educação Superior, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), constitui se em importante instrumento

Leia mais

REFORMA UNIVERSITÁRIA

REFORMA UNIVERSITÁRIA Comentários da Profa. Dra. MARIA BEATRIZ LUCE (Coord. Núcleo Política Gestão Educação - UFRGS e membro CNE/ Brasil) Conferência DESAFIOS DA REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL: ACESSO, EXPANSÃO E RELAÇÕES

Leia mais

Documento Base do Plano Estadual de Educação do Ceará. Eixo Temático Educação Superior

Documento Base do Plano Estadual de Educação do Ceará. Eixo Temático Educação Superior Documento Base do Plano Estadual de Educação do Ceará Eixo Temático Educação Superior Ceará, 2015 1 Socioeconômico Diagnóstico Para compreender a situação da educação no estado do Ceará é necessário também

Leia mais

EDUCAÇÃO SUPERIOR: AVANÇOS E PERSPECTIVAS

EDUCAÇÃO SUPERIOR: AVANÇOS E PERSPECTIVAS Ministério da Educação Secretaria de Educação Superior Diretoria de Políticas e Programas para a Graduação EDUCAÇÃO SUPERIOR: AVANÇOS E PERSPECTIVAS Brasil : ciclo virtuoso na educação Banco Mundial: Última

Leia mais

O Plano nacional de Educação e a Expansão da Educação Superior

O Plano nacional de Educação e a Expansão da Educação Superior O Plano nacional de Educação e a Expansão da Educação Superior Luiz Cláudio Costa Brasília - novembro 2012 Contexto Indicadores de acompanhamento: taxa líquida: percentual da população de 18-24 anos na

Leia mais

Plano Nacional de Educação

Plano Nacional de Educação Plano Nacional de Educação Aloizio Mercadante Ministro de Estado da Educação Brasília, 29 de novembro de 2012 Educação Infantil Meta 1 PNE: Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para

Leia mais

Diagnóstico da Educação Municipal

Diagnóstico da Educação Municipal Diagnóstico da Educação Municipal Oneide Ferraz Alves Apoio Parceria Coordenação Técnica Iniciativa Temas 1º dia Planejamento Planejamento Educacional Plano Anual de Educação Diagnóstico da Educação no

Leia mais

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira RESUMO TÉCNICO CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 2008

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira RESUMO TÉCNICO CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 2008 Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira RESUMO TÉCNICO CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR 2008 Brasília DF 2009 SUMÁRIO LISTA DE TABELAS... 3 APRESENTAÇÃO...

Leia mais

A UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO E O SIGNIFICADO SOCIAL DA POLÍTICA PÚBLICA DE EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR NA BAIXADA FLUMINENSE

A UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO E O SIGNIFICADO SOCIAL DA POLÍTICA PÚBLICA DE EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR NA BAIXADA FLUMINENSE A UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO E O SIGNIFICADO SOCIAL DA POLÍTICA PÚBLICA DE EXPANSÃO DO ENSINO SUPERIOR NA BAIXADA FLUMINENSE INTRODUÇÃO Renan Arjona de Souza (1); Nádia Maria Pereira

Leia mais

A EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA NO PERÍODO 2003 A 2013: DADOS E RESULTADOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS IMPLEMENTADAS

A EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DA EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA NO PERÍODO 2003 A 2013: DADOS E RESULTADOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS IMPLEMENTADAS XIV COLÓQUIO INTERNACIONAL DE GESTÃO UNIVERSITÁRIA CIGU A Gestão do Conhecimento e os Novos Modelos de Universidade Florianópolis Santa Catarina Brasil 3, 4 e 5 de dezembro de 2014. ISBN: 978-85-68618-00-4

Leia mais

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Esperidião Amin Helou Filho

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Esperidião Amin Helou Filho PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO Esperidião Amin Helou Filho 1 PROJETO DE LEI Nº 8.035, DE 2010. Ementa: Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outras providências. 2 PROJETO DE LEI

Leia mais

Tema 2 CONAE 2014 Diretrizes gerais para intervenção do PROIFES-Federação na CONAE 2014

Tema 2 CONAE 2014 Diretrizes gerais para intervenção do PROIFES-Federação na CONAE 2014 Tema 2 CONAE 2014 Diretrizes gerais para intervenção do PROIFES-Federação na CONAE 2014 Eixo I O plano Nacional de Educação e o Sistema Nacional de Educação: organização e regulação. Instituir, em cooperação

Leia mais

Educação Infantil ESTRATÉGIAS:

Educação Infantil ESTRATÉGIAS: Educação Infantil META 1: Ampliar a oferta de educação infantil de forma a atender, em 100% da população de 4 e 5 anos até 2016 e, até o final da década, alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos,

Leia mais

Cursos de Administração: qualidade necessária. XIV Fórum Internacional de Administração

Cursos de Administração: qualidade necessária. XIV Fórum Internacional de Administração Cursos de Administração: qualidade necessária XIV Fórum Internacional de Administração Rio de Janeiro, 18 de maio de 2015 ENSINAR, APRENDER, AVALIAR... TRAJETÓRIA DA AVALIAÇÃO EDUCAÇÃO SUPERIOR CAPES avaliação

Leia mais

V Encontro Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares

V Encontro Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares V Encontro Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares: uma política de apoio à gestão educacional Clélia Mara Santos Coordenadora-Geral

Leia mais

O Lugar da Educação Infantil nas Políticas para a Primeira Infância. Rio de Janeiro/RJ Setembro/2015

O Lugar da Educação Infantil nas Políticas para a Primeira Infância. Rio de Janeiro/RJ Setembro/2015 SEMINÁRIO NACIONAL CURRÍCULO E AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: POLÍTICAS PARA A PRIMEIRA INFÂNCIA O Lugar da Educação Infantil nas Políticas para a Primeira Infância Rio de Janeiro/RJ Setembro/2015 Secretaria

Leia mais

INFORMAÇÃO Nº 0086/2015-GTE 1

INFORMAÇÃO Nº 0086/2015-GTE 1 PROCESSO : CF-2297/2014 INTERESSADO : Confea ASSUNTO : Estudos sobre o PRONATEC ORIGEM : Comissão de Educação e Atribuição Profissional CEAP (Deliberação n 766/2014-CEAP) INFORMAÇÃO Nº 0086/2015-GTE 1

Leia mais

Educação no Brasil. Aloizio Mercadante. São Paulo, 30 de novembro de 2012

Educação no Brasil. Aloizio Mercadante. São Paulo, 30 de novembro de 2012 Educação no Brasil Aloizio Mercadante Ministro de Estado da Educação São Paulo, 30 de novembro de 2012 Educação Infantil Taxas de atendimento Creches 36,3 23,6 9,4 12,2 Brasil Carinhoso: 2,8 milhões de

Leia mais

As políticas de avaliação da educação superior

As políticas de avaliação da educação superior VI FÓRUM DA EDUCAÇÃO SUPERIOR DO ESTADO DE GOIÁS: A AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR COMO INDUTORA DE QUALIDADE As políticas de avaliação da educação superior Abril 2015 Panorama da educação superior no

Leia mais

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DO IFMS

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DO IFMS POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DO IFMS O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul, de acordo com as atribuições previstas no seu Estatuto e Regimento Geral e em consonância

Leia mais

Educação a Distância no Ensino Superior no Brasil: contexto da UAB

Educação a Distância no Ensino Superior no Brasil: contexto da UAB Unidade 2 Unidade 2 Educação a Distância no Ensino Superior no Brasil: contexto da UAB Nesta Unidade, será apresentada a legislação brasileira de EaD e suas implicações institucionais no sistema da Universidade

Leia mais

Análise dos sistemas de educação superior no Brasil e em Portugal: o que apontam as políticas educacionais

Análise dos sistemas de educação superior no Brasil e em Portugal: o que apontam as políticas educacionais 1394 Análise dos sistemas de educação superior no Brasil e em Portugal: o que apontam as políticas educacionais X Salão de Iniciação Científica PUCRS Jonas Tarcisio Reis, Bolsista de Iniciação Científica

Leia mais

Esta síntese apresenta a linha de base dos indicadores referentes às metas do PNE. O documento consiste em análises descritivas das séries históricas

Esta síntese apresenta a linha de base dos indicadores referentes às metas do PNE. O documento consiste em análises descritivas das séries históricas Esta síntese apresenta a linha de base dos indicadores referentes às metas do PNE. O documento consiste em análises descritivas das séries históricas dos indicadores selecionados pelo Ministério da Educação

Leia mais

XXV ENCONTRO NACIONAL DA UNCME

XXV ENCONTRO NACIONAL DA UNCME XXV ENCONTRO NACIONAL DA UNCME Os desafios da Educação Infantil nos Planos de Educação Porto de Galinhas/PE Outubro/2015 Secretaria de Educação Básica CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL É direito dos trabalhadores

Leia mais

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Diretoria de Estatísticas Educacionais

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Diretoria de Estatísticas Educacionais Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Diretoria de Estatísticas Educacionais RESULTADO DO CENSO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 2009 O Censo Escolar, realizado anualmente pelo

Leia mais

Ensino Superior e novas tecnologias: caminhos e desafios

Ensino Superior e novas tecnologias: caminhos e desafios Ensino Superior e novas tecnologias: caminhos e desafios Henrique Paim Ministro de Estado da Educação Maceió, abril de 2014 Plano Nacional de Educação PNE balizador de todas as ações do MEC. Desafios:

Leia mais

DOCUMENTO 03 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

DOCUMENTO 03 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL DOCUMENTO 03 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL Com o advento da nova Constituição em 1988 e a promulgação e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em fins de 1996, novas perspectivas foram colocadas

Leia mais

A UNIVERSIDADE BRASILEIRA É BRASILEIRA? C A R L O S A L B E R T O S T E I L D E P A R T A M E N T O D E A N T R O P O L O G I A / U F R G S

A UNIVERSIDADE BRASILEIRA É BRASILEIRA? C A R L O S A L B E R T O S T E I L D E P A R T A M E N T O D E A N T R O P O L O G I A / U F R G S A UNIVERSIDADE BRASILEIRA É BRASILEIRA? C A R L O S A L B E R T O S T E I L D E P A R T A M E N T O D E A N T R O P O L O G I A / U F R G S INTRODUÇÃO Identidade: não é um propriedade das coisas, mas das

Leia mais

Tema: Práticas Inovadoras de formação: caminhos e propostas dos cursos de graduação em Engenharia da Produção

Tema: Práticas Inovadoras de formação: caminhos e propostas dos cursos de graduação em Engenharia da Produção Tema: Práticas Inovadoras de formação: caminhos e propostas dos cursos de graduação em Engenharia da Produção XX Encontro Nacional de Coordenadores de Curso de Engenharia da Produção (ABEPRO) Rio de Janeiro,

Leia mais

PLANO DE GESTÃO - Mudar com Atitude! Prof. Wanderson Santiago dos Reis

PLANO DE GESTÃO - Mudar com Atitude! Prof. Wanderson Santiago dos Reis CANDIDATURA DE DIRETOR GERAL AO CAMPUS CARAGUATATUBA PLANO DE GESTÃO - Mudar com Atitude! Prof. Wanderson Santiago dos Reis Nossa Primeira Razão de Ser: Nossos Alunos Proposta: Consolidação do Diretório

Leia mais

EDUCAÇÃO SUPERIOR: O DEBATE SOBRE Acesso, Permanência, Inclusão, Democratização, Cotas, SISU...

EDUCAÇÃO SUPERIOR: O DEBATE SOBRE Acesso, Permanência, Inclusão, Democratização, Cotas, SISU... EDUCAÇÃO SUPERIOR: O DEBATE SOBRE Acesso, Permanência, Inclusão, Democratização, Cotas, SISU... Acesso à educação Superior: Categorias - Acesso / Democratização do acesso - Ações afirmativas - Cotas sociais

Leia mais

A QUESTÃO RACIAL NO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR: POLÍTICAS AFIRMATIVAS E EQUIDADE

A QUESTÃO RACIAL NO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR: POLÍTICAS AFIRMATIVAS E EQUIDADE A QUESTÃO RACIAL NO ACESSO AO ENSINO SUPERIOR: POLÍTICAS AFIRMATIVAS E EQUIDADE Bruno Morche 1 Clarissa Eckert Baeta Neves 2 A educação superior possui grande destaque no rol de discussões na sociedade

Leia mais

Documento Base do Plano Estadual de Educação do Ceará. Eixo Temático Ensino Médio e Profissional

Documento Base do Plano Estadual de Educação do Ceará. Eixo Temático Ensino Médio e Profissional Documento Base do Plano Estadual de Educação do Ceará Eixo Temático Ensino Médio e Profissional Ceará, 2015 1 Socioeconômico Diagnóstico Para compreender a situação da educação no estado do Ceará é necessário

Leia mais

FACULDADE LEÃO SAMPAIO

FACULDADE LEÃO SAMPAIO FACULDADE LEÃO SAMPAIO Edital nº 01/2012 O Diretor Geral da Faculdade de Ciências Aplicadas Dr. Leão Sampaio, no uso das suas prerrogativas institucionais e legais, e considerando o que determina o Art.

Leia mais

Concepções e qualidade da Educação Superior a Distância : a experiência da Universidade Aberta do Brasil- UAB.

Concepções e qualidade da Educação Superior a Distância : a experiência da Universidade Aberta do Brasil- UAB. Concepções e qualidade da Educação Superior a Distância : a experiência da Universidade Aberta do Brasil- UAB. Profa. Dra. Nara Maria Pimentel Diretora de Ensino de Graduação da UnB Presidente do Fórum

Leia mais

Opinião N20 A PARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMPLIAÇÃO DO ACESSO E PERMANÊNCIA AO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO

Opinião N20 A PARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMPLIAÇÃO DO ACESSO E PERMANÊNCIA AO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO Opinião N20 A PARCERIA ENTRE UNIVERSIDADE E MOVIMENTOS SOCIAIS NA AMPLIAÇÃO DO ACESSO E PERMANÊNCIA AO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO VINICIUS SANTOS FERNANDES 1 Atualmente, a universidade brasileira tem sido

Leia mais

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº 27, DE 15 DE JANEIRO DE 2014 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO GABINETE DO MINISTRO

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº 27, DE 15 DE JANEIRO DE 2014 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO GABINETE DO MINISTRO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº 27, DE 15 DE JANEIRO DE 2014 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO GABINETE DO MINISTRO DOU de 16/01/2014 (nº 11, Seção 1, pág. 26) Institui o Plano Nacional de

Leia mais

PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007

PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007 PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007 Institui o Programa Mais Educação, que visa fomentar a educação integral de crianças, adolescentes e jovens, por meio do apoio a atividades

Leia mais

EDUCAÇÃO SUPERIOR NO CONTEXTO DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011-2010

EDUCAÇÃO SUPERIOR NO CONTEXTO DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011-2010 EDUCAÇÃO SUPERIOR NO CONTEXTO DO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011-2010 Contribuições para o Plano Municipal de Educação de Palmas Maio 22, 2012 DAS 20 METAS DO PNE, CINCO ESTÃO DIRETAMENTE LIGADAS ÀS INSTITUIÇÕES

Leia mais

III.4.4. Inclusão e Desenvolvimento Regional

III.4.4. Inclusão e Desenvolvimento Regional III.4.4. Inclusão e Desenvolvimento Regional UESC Missão: Formar profissionais, construir conhecimento e criar cultura fomentadora da cidadania, do desenvolvimento humano, social, econômico, artístico

Leia mais

Tabela 1 - Tabela 2 - Tabela 3 -

Tabela 1 - Tabela 2 - Tabela 3 - Elaborar cursos de capacitação aplicada ao NAPNE; Sistematizar as atividades propostas pela comunidade educativa para atendimento das PNEEs; Elaborar instrumentos de avaliação que sejam abrangentes e criteriosos

Leia mais

AVALIAÇÃO E CREDENCIAMENT DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL

AVALIAÇÃO E CREDENCIAMENT DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL AVALIAÇÃO E CREDENCIAMENT DA EDUCAÇÃO SUPERIOR NO BRASIL LUCE, Maria-Beatriz (UFRGS, Porto Alegre, BR) MOROSINI, Marília (PUCRS, Porto Alegre, BR) Projeto ALFA-ACRO ACRO Introdução BRASIL território e

Leia mais

Cotas Socioeconômicas sim, Étnicas não

Cotas Socioeconômicas sim, Étnicas não Este é um tema atual de debate na sociedade brasileira, motivado principalmente pela discussão das cotas étnicas e, a partir do Projeto de Lei nº 3627/04, com ênfase nas socioeconômicas (origem dos alunos

Leia mais

EIXO III CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA INSTITUIÇÃO E DE CADA UM DE SEUS CURSOS

EIXO III CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA INSTITUIÇÃO E DE CADA UM DE SEUS CURSOS UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA EIXO III CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA INSTITUIÇÃO E DE CADA UM DE SEUS CURSOS EIXO III - CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA INSTITUIÇÃO

Leia mais

EVASÃO NO CURSO DE PEDAGOGIA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO UM ESTUDO DE CASO

EVASÃO NO CURSO DE PEDAGOGIA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO UM ESTUDO DE CASO EVASÃO NO CURSO DE PEDAGOGIA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO UM ESTUDO DE CASO Elizabeth da Silva Guedes UNESA Laélia Portela Moreira UNESA Resumo A evasão no Ensino Superior (ES) vem chamando

Leia mais

15º FÓRUM NACIONAL DA UNDIME. Política Nacional de Educação Infantil. Mata de São João/BA Junho/2015. Secretaria de Educação Básica

15º FÓRUM NACIONAL DA UNDIME. Política Nacional de Educação Infantil. Mata de São João/BA Junho/2015. Secretaria de Educação Básica 15º FÓRUM NACIONAL DA UNDIME Política Nacional de Educação Infantil Mata de São João/BA Junho/2015 Secretaria de Educação Básica CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO INFANTIL É direito dos trabalhadores urbanos e rurais

Leia mais

ACESSO, PERMANÊNCIA E SUCESSO ESCOLAR

ACESSO, PERMANÊNCIA E SUCESSO ESCOLAR ACESSO, PERMANÊNCIA E SUCESSO ESCOLAR É É importante que as pessoas se sintam parte de um processo de melhoria para todos Luiz Fábio Mesquita PROEN 2011 Luiz Alberto Rezende / Tânia Mára Souza / Patrícia

Leia mais

AEducação Superior. na Legislação Educacional Vigente. Prof a. Rosimar de Fátima Oliveira Departamento de Educação Universidade Federal de Viçosa

AEducação Superior. na Legislação Educacional Vigente. Prof a. Rosimar de Fátima Oliveira Departamento de Educação Universidade Federal de Viçosa AEducação Superior na Legislação Educacional Vigente Prof a. Rosimar de Fátima Oliveira Departamento de Educação Universidade Federal de Viçosa 1. Estrutura Normativa da Educação Superior AUTONOMIA ACESSO

Leia mais

SEMINÁRIO EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR

SEMINÁRIO EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR SEMINÁRIO EVASÃO NO ENSINO SUPERIOR Aspectos a Considerar O que é Evasão? Perda: implica a admissão de uma responsabilidade da escola e de tudo que a cerca por não ter mecanismos de aproveitamento e direcionamento

Leia mais

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Superior 2013

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo da Educação Superior 2013 Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Censo da Educação Superior 2013 Quadro Resumo- Estatísticas gerais da Educação Superior, por Categoria Administrativa-

Leia mais

Educação e Mão de Obra para o Crescimento

Educação e Mão de Obra para o Crescimento Fórum Estadão Brasil Competitivo: Educação e Mão de Obra para o Crescimento Maria Alice Setubal Presidente dos Conselhos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária Cenpece

Leia mais

N de cursos ofertados; % de vagas ocupadas/ formas de ingresso.

N de cursos ofertados; % de vagas ocupadas/ formas de ingresso. Anexo II Dimensões Elementos Indicadores quantitativos Indicadores qualitativos % de cursos com projeto pedagógico/ adequados ao Projeto Condições de implementação dos Projetos Projeto Pedagógico dos Institucional

Leia mais

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DA PÓS-GRADUAÇÃO DA CAPÍTULO I DA DEFINIÇÃO E DOS PRINCÍPIOS

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DA PÓS-GRADUAÇÃO DA CAPÍTULO I DA DEFINIÇÃO E DOS PRINCÍPIOS POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DA PÓS-GRADUAÇÃO DA CAPÍTULO I DA DEFINIÇÃO E DOS PRINCÍPIOS Art. 1. A Política de Assistência Estudantil da Pós-Graduação da UFGD é um arcabouço de princípios e diretrizes

Leia mais

PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO REDAÇÃO DO PROJETO DE LEI Aprova o Plano Municipal de Educação - PME e dá outras providências. O Prefeito do Município de vereadores decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Faço

Leia mais

PONTOS FRACOS E PONTOS FORTES E PROPOSTA PARA SOLUCIONAR E/OU MINIMIZAR

PONTOS FRACOS E PONTOS FORTES E PROPOSTA PARA SOLUCIONAR E/OU MINIMIZAR PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO COORDENADORIA DE ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL SÍNTESE DE RELATORIO DE AUTOAVALIAÇÃO INSTITUCIONAL E DE AVALIAÇÃO EXTERNA PONTOS FRACOS E PONTOS FORTES E PROPOSTA

Leia mais

ASSISTÊNCIA. AUFLA foi uma das instituições mapeadas ESTUDANTIL

ASSISTÊNCIA. AUFLA foi uma das instituições mapeadas ESTUDANTIL ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL AUFLA foi uma das instituições mapeadas por uma pesquisa realizada em 2010 pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que resultou

Leia mais

Ofício Andifes N.º 002/2015 Brasília, 21 de janeiro de 2015.

Ofício Andifes N.º 002/2015 Brasília, 21 de janeiro de 2015. Ofício Andifes N.º 002/2015 Brasília, 21 de janeiro de 2015. Senhor Ministro, A relevância das Universidades Federais no seu conjunto - Andifes, e em cada estado da federação e na condição de servidores

Leia mais

Luiz Roberto Liza Curi Conselheiro Conselho Nacional de Educação - CNE incolarum@hotmail.com

Luiz Roberto Liza Curi Conselheiro Conselho Nacional de Educação - CNE incolarum@hotmail.com Luiz Roberto Liza Curi Conselheiro Conselho Nacional de Educação - CNE incolarum@hotmail.com 1 Instâncias de Avaliação MEC CNE CONAES SERES INEP CTAA 2 Desafios da educação superior brasileira 1. Como

Leia mais

Políticas para a Educação Superior

Políticas para a Educação Superior Políticas para a Educação Superior A experiência da UFERSA Prof. Augusto Carlos Pavão Pró-Reitor de Graduação A Universidade Políticas Públicas Expansão Acesso Interiorização SISU Lei das Cotas PIBID Bolsas

Leia mais

Presidência da República Federativa do Brasil Ministério da Educação Secretaria Executiva Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

Presidência da República Federativa do Brasil Ministério da Educação Secretaria Executiva Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Presidência da República Federativa do Brasil Ministério da Educação Secretaria Executiva Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira INEP Diretoria de Avaliação da Educação

Leia mais

Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos

Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos Atribuições federativas nos sistemas públicos de garantia de direitos Características da Federação Brasileira Federação Desigual Federação

Leia mais

Seleção Discente no IFRN

Seleção Discente no IFRN SEMINÁRIO DE ACESSO AO ENSINO SUPERIOR SAES 2015 Mesa Redonda 3 Processos seletivos próprios: Seriados e Exames de Seleção Seleção Discente no IFRN Prof. José Everaldo Pereira Coordenador de Acesso Discente

Leia mais

Luiz Roberto Liza Curi. Sociólogo / Doutor em Economia. Conselheiro Conselho Nacional de Educação - CNE incolarum@hotmail.com

Luiz Roberto Liza Curi. Sociólogo / Doutor em Economia. Conselheiro Conselho Nacional de Educação - CNE incolarum@hotmail.com Luiz Roberto Liza Curi Sociólogo / Doutor em Economia Conselheiro Conselho Nacional de Educação - CNE incolarum@hotmail.com 1 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 Art. 8 A União, os Estados

Leia mais

PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL PDI 2014-2018 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011 2020 METAS E ESTRATÉGIAS DE IMPLEMENTAÇÃO

PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL PDI 2014-2018 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011 2020 METAS E ESTRATÉGIAS DE IMPLEMENTAÇÃO PLANO DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL PDI 2014-2018 PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO 2011 2020 METAS E ESTRATÉGIAS DE IMPLEMENTAÇÃO Marcos Neves Comissão Central PDI do IFSC PNE EXIGÊNCIA CONSTITUCIONAL O art.

Leia mais

Eje temático: EXPERIENCIAS Y ACCIONES CONCRETAS RELACIONADAS CON LA EDUCACIÓN MEDIÁTICA EN EL ÁMBITO DE LA EDUCACIÓN FORMAL

Eje temático: EXPERIENCIAS Y ACCIONES CONCRETAS RELACIONADAS CON LA EDUCACIÓN MEDIÁTICA EN EL ÁMBITO DE LA EDUCACIÓN FORMAL Eje temático: EXPERIENCIAS Y ACCIONES CONCRETAS RELACIONADAS CON LA EDUCACIÓN MEDIÁTICA EN EL ÁMBITO DE LA EDUCACIÓN FORMAL Titulo: UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL (UAB) Autor: Wilson dos Santos Almeida

Leia mais

(YROXomR GR(QVLQR *UDGXDomR

(YROXomR GR(QVLQR *UDGXDomR (YROXomR GR(QVLQR 6XSHULRU² *UDGXDomR,QVWLWXWRÃ1DFLRQDOÃGHÃ(VWXGRV (& HÃ3HVTXLVDVÃ(GXFDFLRQDLV Brasília, 2 1 DIRETORIA DE INFORMAÇÕES E ESTATÍSTICAS EDUCACIONAIS João Batista Ferreira Gomes Neto COORDENAÇÃO-GERAL

Leia mais

RENOVAR PARA INOVAR! Plano de Gestão. Proposta de plano de gestão do candidato Érico S. Costa ao cargo de Diretor do Campus

RENOVAR PARA INOVAR! Plano de Gestão. Proposta de plano de gestão do candidato Érico S. Costa ao cargo de Diretor do Campus RENOVAR PARA INOVAR! Plano de Gestão Proposta de plano de gestão do candidato Érico S. Costa ao cargo de Diretor do Campus 2013-2016 0 1 Sumário Apresentação... 2 Análise Situacional... 2 Programas Estruturantes...

Leia mais

Of. nº 025/04-GP/JCZ Erechim, 12 de agosto de 2004. Excelentíssimo Senhor Ministro:

Of. nº 025/04-GP/JCZ Erechim, 12 de agosto de 2004. Excelentíssimo Senhor Ministro: Of. nº 025/04-GP/JCZ Erechim, 12 de agosto de 2004. Excelentíssimo Senhor Ministro: Ao cumprimentá-lo cordialmente, vimos pelo presente, em nome do Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas COMUNG,

Leia mais

PERMANÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: ASPECTOS DA ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

PERMANÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: ASPECTOS DA ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL PERMANÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: ASPECTOS DA ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL Adrian Alvarez Estrada 1 Andressa Benvenutti Radaelli 2 RESUMO: A política de assistência estudantil objetiva a igualdade de oportunidades

Leia mais

2 A Realidade Brasileira

2 A Realidade Brasileira 16 2 A Realidade Brasileira 2.1. A Desigualdade Social no Brasil De acordo com o levantamento do IBGE, embora a renda per capita no país seja relativamente elevada para os padrões internacionais, a proporção

Leia mais

Referenciais Estratégicos

Referenciais Estratégicos MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SANTA CATARINA Referenciais Estratégicos Coordenação Comissão Central do

Leia mais

Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira

Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira Estudo Técnico n.º 3/12 Planejamento Governamental na Área de Educação Núcleo de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Esporte Claudio Riyudi Tanno Maio/2012 Endereço na Internet: http://www.camara.gov.br/internet/orcament/principal/

Leia mais

Cenários Transformadores para a Educação Básica no Brasil

Cenários Transformadores para a Educação Básica no Brasil RELATÓRIO FINAL Cenários Transformadores para a Educação Básica no Brasil Preparado pelo Instituto Reos JUNHO 2015 CONVOCADORES FINANCIADORES Capítulo 2 CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA C2 17 CAPÍTULO 2

Leia mais

II ANÁLISE PRELIMINAR DOS DADOS EDUCACIONAIS DE SERGIPE:

II ANÁLISE PRELIMINAR DOS DADOS EDUCACIONAIS DE SERGIPE: ENSINO MÉDIO I META 3 DO PNE: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrículas no

Leia mais

RELATÓRIO SOBRE O PERFIL DO ALUNO INGRESSANTE NO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL CAMPUS PORTO ALEGRE

RELATÓRIO SOBRE O PERFIL DO ALUNO INGRESSANTE NO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL CAMPUS PORTO ALEGRE RELATÓRIO SOBRE O PERFIL DO ALUNO INGRESSANTE NO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL CAMPUS PORTO ALEGRE Grupo de Trabalho Permanente sobre o Perfil do Estudante: Aline

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO Nº 6.755, DE 29 DE JANEIRO DE 2009. Institui a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica,

Leia mais

AFIRMATIVA. Por Dentro da UFOP. Ouro Preto 25 de abril de 2009

AFIRMATIVA. Por Dentro da UFOP. Ouro Preto 25 de abril de 2009 POLÍTICA DE AÇÃO AFIRMATIVA Por Dentro da UFOP Ouro Preto 25 de abril de 2009 Debate sobre as ações afirmativas no ensino superior Democratização do acesso a este importante nível de ensino. Está diretamente

Leia mais

AÇÃO AFIRMATIVA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: PASSADO E FUTURO

AÇÃO AFIRMATIVA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: PASSADO E FUTURO Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa AÇÃO AFIRMATIVA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: PASSADO E FUTURO João Feres Júnior IESP-UERJ Veronica Toste Daflon IESP-UERJ Passado A distribuição nacional

Leia mais

Perspectivas da educação no Brasil Movimento Empresarial pela Inovação - MEI

Perspectivas da educação no Brasil Movimento Empresarial pela Inovação - MEI Perspectivas da educação no Brasil Movimento Empresarial pela Inovação - MEI Aloizio Mercadante Ministro de Estado da Educação Educação Básica Política de expansão das creches e pré-escolas (Brasil Carinhoso)

Leia mais

Ofício Andifes N.º 033/2015 Brasília, 30 de março de 2015.

Ofício Andifes N.º 033/2015 Brasília, 30 de março de 2015. Ofício Andifes N.º 033/2015 Brasília, 30 de março de 2015. Senhor Ministro, A relevância das Universidades Federais no seu conjunto - Andifes, e em cada estado da federação e na condição de servidores

Leia mais

O CURSO DE GESTÃO PÚBLICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS: UMA CONCEPÇÃO AMPLIADA DE GESTÃO PÚBLICA

O CURSO DE GESTÃO PÚBLICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS: UMA CONCEPÇÃO AMPLIADA DE GESTÃO PÚBLICA O CURSO DE GESTÃO PÚBLICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS: UMA CONCEPÇÃO AMPLIADA DE GESTÃO PÚBLICA Vera Alice Cardoso SILVA 1 A origem: motivações e fatores indutores O Curso de Gestão Pública

Leia mais

ANÁLISE DESCRITIVA DO POLO PRESENCIAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL EM ITAPEVI/SP

ANÁLISE DESCRITIVA DO POLO PRESENCIAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL EM ITAPEVI/SP CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES Niterói RJ: ANINTER-SH/ PPGSD-UFF, 03 a 06 de Setembro de 2012, ISSN 2316-266X ANÁLISE DESCRITIVA DO POLO PRESENCIAL DA UNIVERSIDADE ABERTA

Leia mais

EIXO 4 PLANEJAMENTO E GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA

EIXO 4 PLANEJAMENTO E GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA EIXO 4 PLANEJAMENTO E GESTÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA Disciplina: D 4.5 Sistema de Planejamento Federal (32h) (Caso 1: Plano de Monitoramento Global - Programa - Educação Profissional e Tecnológica) 12

Leia mais

Ministério da Educação Censo da Educação Superior 2012

Ministério da Educação Censo da Educação Superior 2012 Ministério da Educação Censo da Educação Superior 2012 Aloizio Mercadante Ministro de Estado da Educação Quadro Resumo- Estatísticas Gerais da Educação Superior por Categoria Administrativa - - 2012 Categoria

Leia mais

Relatório da IES ENADE 2012 EXAME NACIONAL DE DESEMEPNHO DOS ESTUDANTES GOIÁS UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

Relatório da IES ENADE 2012 EXAME NACIONAL DE DESEMEPNHO DOS ESTUDANTES GOIÁS UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS Relatório da IES ENADE 2012 EXAME NACIONAL DE DESEMEPNHO DOS ESTUDANTES GOIÁS UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais G O V E R N O F E D E R A L P A Í S R

Leia mais

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira RESUMO TÉCNICO CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR DE 2009

Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira RESUMO TÉCNICO CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR DE 2009 Ministério da Educação Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira RESUMO TÉCNICO CENSO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR DE 2009 Brasília DF 2010 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO... 5 PROCESSO DE COLETA

Leia mais

AUniversidade terá um papel fundamental PARA MUDAR O BRASIL LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA MUDAR A EDUCAÇÃO. Eleições 98

AUniversidade terá um papel fundamental PARA MUDAR O BRASIL LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA MUDAR A EDUCAÇÃO. Eleições 98 Eleições 98 LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA MUDAR A EDUCAÇÃO PARA MUDAR O BRASIL Divulgação AUniversidade terá um papel fundamental na discussão, elaboração e implementação de um novo projeto nacional de desenvolvimento.

Leia mais

data PROJETO DE LEI N 8035/2010. 1 Supressiva 2. Substitutiva 3. Modificativa 4. Aditiva 5. Substitutivo global

data PROJETO DE LEI N 8035/2010. 1 Supressiva 2. Substitutiva 3. Modificativa 4. Aditiva 5. Substitutivo global Página Artigo: 6º Parágrafo: Único Inciso Alínea EMENDA MODIFICATIVA O parágrafo único do Artigo 6º do PL n 8035 de 2010, passa a ter a seguinte redação: Art. 6º... Parágrafo único. O Fórum Nacional de

Leia mais

A Mobilização Empresarial pela Inovação: Recursos Humanos. Horácio Piva São Paulo - 17/6/2011

A Mobilização Empresarial pela Inovação: Recursos Humanos. Horácio Piva São Paulo - 17/6/2011 A Mobilização Empresarial pela Inovação: Recursos Humanos Horácio Piva São Paulo - 17/6/2011 OBJETIVOS Consolidar a percepção de que a formação de recursos humanos qualificados é essencial para fortalecer

Leia mais

EIXO IV QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO, PERMANÊNCIA, AVALIAÇÃO, CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO E APRENDIZAGEM

EIXO IV QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO, PERMANÊNCIA, AVALIAÇÃO, CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO E APRENDIZAGEM EIXO IV QUALIDADE DA EDUCAÇÃO: DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO, PERMANÊNCIA, AVALIAÇÃO, CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO E APRENDIZAGEM PROPOSIÇÕES E ESTRATÉGIAS 1.2. Universalização do ensino fundamental de nove anos

Leia mais

Estrutura e Funcionamento da Educação Básica. Prof. Me. Fabio Fetz de Almeida

Estrutura e Funcionamento da Educação Básica. Prof. Me. Fabio Fetz de Almeida Estrutura e Funcionamento da Educação Básica Prof. Me. Fabio Fetz de Almeida Pauta da aula: (02-30) Educação Especial; Princípios da educação nacional; Análise dos dados referentes à Educação no Brasil;

Leia mais

Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB: eixos para consolidação

Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB: eixos para consolidação Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB: eixos para consolidação João Carlos Teatini Diretoria de Educação a Distância DED/CAPES Eixos para consolidação do Sistema UAB 1. Alinhar diretrizes de programas

Leia mais

PROUNI. Desde 2007, o Prouni - e sua articulação com o FIES - é uma das ações integrantes do Plano de Desenvolvimento da Educação PDE.

PROUNI. Desde 2007, o Prouni - e sua articulação com o FIES - é uma das ações integrantes do Plano de Desenvolvimento da Educação PDE. PROUNI O Programa O Prouni - Programa Universidade para Todos tem como finalidade a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições

Leia mais

Plano Nacional de Educação. Senador José Pimentel (PT-CE) Relator

Plano Nacional de Educação. Senador José Pimentel (PT-CE) Relator Plano Nacional de Educação Senador José Pimentel (PT-CE) Relator Fortaleza, 30 de novembro de 2012 Meta 1 PNE: Universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças de 4 a 5 anos

Leia mais

Detalhamento da Implementação Concessão de bolsa paga diretamente ao beneficiário e pagamento de demais despesas a ela vinculadas.

Detalhamento da Implementação Concessão de bolsa paga diretamente ao beneficiário e pagamento de demais despesas a ela vinculadas. Programa 1448 Qualidade na Escola Numero de Ações 48 Ações Orçamentárias 009U Concessão de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID Produto: Bolsa concedida Esfera: 10 Função: 12 - Educação Subfunção: 364

Leia mais