ITINERÁRIO TERAPÊUTICO DAS MULHERES COM ALTERAÇÕES CERVICAIS NO CITOPATOLÓGICO EM RIO GRANDE

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1 ITINERÁRIO TERAPÊUTICO DAS MULHERES COM ALTERAÇÕES CERVICAIS NO CITOPATOLÓGICO EM RIO GRANDE Alessandra Mendes de Barros 1 Anne Cristine Dal Bosco 2 Clarissa Giannichini 3 Nalú Pereira da Costa Kerber 4 Fabiane Ferreira Francioni 5 Vânia Bernardetti do AmaralLeivas 6 Palavras- Chaves: Enfermagem; Neoplasias do colo do útero; Itinerário terapêutico; Resumo: Tendo em vista que o câncer do colo uterino é uma das causas mais importantes de morbidade e mortalidade feminina no Brasil, um dos grandes desafios dos países em desenvolvimento é a ampliação dos programas de prevenção e detecção precoce. Refletindo na importância de acompanhar o desenvolvimento de programas e serviços que atuem na detecção e controle desse tipo de enfermidade, este estudo tem o objetivo de analisar o itinerário terapêutico percorrido pelas mulheres que apresentam alterações significativas no exame citopatológico no município do Rio Grande e identificar suas percepções em relação ao seu processo de adoecimento e à busca por tratamento.todas as Unidade Básica de Saúde (UB) e Unidade Básica Saúde da Família (UBSF)do município do Rio Grande realizam a coleta do citopatológico (CP) e fazem o encaminhamento aos serviços de referência logo ao aparecimento de alguma alteração. O local de estudo serão todas essas unidades totalizando 32 unidades.respeitando-se a Resolução 196/96 Sobre Pesquisa Envolvendo Seres Humanos a proposta de pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde - CEPAS da FURG com parecer 83/2011. Será entregue aos sujeitos da pesquisa um documento prestando esclarecimentos quanto ao estudo proposto, convidando-os a participarem; explicando os objetivos e a metodologia proposta; solicitando o seu Consentimento Livre e Esclarecido. O estudo realizado apresenta uma abordagem quanti-qualitativa e os sujeitos serão mulheres em idade fértil (15 a 49 anos), bem como as menopausadas que apresentaram alguma alteração classificada como ANGUS, ASCUS, NIC I, II e III, carcinoma ou adenoma no exame citopatológico, e que foram atendidas e/ou encaminhadas ao Sistema Único de Saúde no período de

2 Janeiro/2010 à Julho/2011. A coleta dos dados já iniciou a ser desenvolvida pelos integrantes do Grupo de Pesquisa Viver Mulher, da Escola de Enfermagem, da FURG em maio de 2011.Ocorre em dois momentos, primeiramente uma pesquisa documental nos registros da Coordenação de Saúde da Mulher do município e nos livros de registros das unidades de saúde onde a coleta do CP foi realizada e, em um segundo momento, será desenvolvida uma entrevista semi-estruturada com as mulheres sujeitos do estudo. A entrevista divide-se em duas partes, a primeira com questões fechadas contendo os dados de identificação dos sujeitos e a segunda com questões norteadoras abertas como história de doenças sexuais transmissíveis, realização do exame papanicolau, resultado do exame, encaminhamento aconselhado, serviços de saúde entre outras questões que poderão emergir no momento da entrevista. A análise quantitativa será efetuada por meio de uma análise descritiva e inserção dos dados no EPI-INFO e os dados qualitativos serão vistos sob o prisma da análise temática para uma discussão e análise dos valores, crenças, vivências dessas mulheres acerca do seu processo de adoecimento, proporcionando uma maior garantia sobre os dados coletados. Ao final da pesquisa, espera-se poder contribuir com as unidades de saúde que prestam assistência às mulheres, mostrando os achados e podendo, a partir deles, pensar em estratégias de ação Acadêmica da 6ª série da EEnf. Integrante do Grupo de Pesquisa Viver Mulher. Bolsista Pet. FURG 2.Acadêmica da 5º série da EEnf. Integrante do Grupo de Pesquisa Viver Mulher. FURG 3.Acadêmica da 6ª série da EEnf. Integrante do Grupo de Pesquisa Viver Mulher. FURG 4.Enfª.Prfª.DrªNalú Pereira da Costa Kerber. Líder do Grupo de Pesquisa Viver Mulher. FURG 5.Enfª. Prfª. Drª Fabiane Ferreira Francioni. Integrante do Grupo de Pesquisa Viver Mulher. FURG 6. Enfª.Msc. Vânia Bernardetti do Amaral Leivas. Coordenadora do Programa de Saúde da Mulher

3 1. Introdução: Tendo em vista que o câncer do colo uterino é uma das causas mais importantes de morbidade e mortalidade feminina no Brasil, um dos grandes desafios dos países em desenvolvimento é a ampliação dos programas de prevenção e detecção precoce.o Viva Mulher - Programa Nacional de Controle do Câncer de Colo de Útero e de Mama - surgiu com o objetivo de reduzir a mortalidade e as repercussões físicas, psíquicas e sociais desses cânceres na mulher brasileira, por meio de serviços para prevenção e detecção precoce de lesões precursoras, tratamento e reabilitação das mulheres (BRASIL, 2006; BRASIL, 2008; BRASIL, 2009). Vários são os fatores de risco identificados para o câncer do colo do útero, sendo que alguns dos principais estão associados às baixas condições sócio-econômicas, ao início precoce da atividade sexual, à multiplicidade de parceiros sexuais, ao tabagismo (diretamente relacionados à quantidade de cigarros fumados), à higiene íntima inadequada e ao uso prolongado de contraceptivos orais. Estudos recentes mostram ainda que o vírus do papiloma humano (HPV) tem papel importante no desenvolvimento da neoplasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. Este vírus está presente em mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero (MOURA et al, 2010). O câncer de colo uterino tem como maneira mais efetiva de prevenção a realização de rotina do exame de Papanicolau. Este exame consiste na coleta de material citológico do colo uterino, sendo coletado uma quantidade da parte externa (ectocérvice) e outra da parte interna (endocérvice). Em mulheres grávidas também é realizado esse exame, no entanto, apenas da parte externa (ectocérvice) e não é coletado da parte interna para evitar possíveis contrações uterinas. A partir do material coletado e enviado ao laboratório, é realizado então a detecção ou não de alguma alteração. Tais alterações apresentam-se em graus diferentes: Grau I, II ou III, carcinoma invasor e in situ (BRASIL, 2002). O câncer nas suas diferentes formas constitui-se hoje numa das mais importantes causas de morte na população mundial. Sobre esta doença afirma-se que a prevenção, bem como a detecção precoce pode reduzir seus efeitos danosos. A prevenção deve englobar o acesso integral aos serviços de saúde, onde aspectos educativo-preventivos devem ser abordados. Neste contexto, cabe entendermos e refletirmos sobre como vem sendo o percurso percorrido por mulheres que apresentam algum tipo de alteração cervical

4 na busca do tratamento/cura, bem como suas percepções acerca do seu processo de adoecimento. Os estudos sobre itinerários terapêuticos apontam para a importância da experiência vivida pelos sujeitos no processo de sua enfermidade e a variedade de caminhos e escolhas presentes nesse processo (ALVES; SOUZA, 1999).O individuo só é capaz de construir sua trajetória a partir de um campo de possibilidades socioculturais, que são viabilizadas durante o percurso de busca e realização de tratamentos e são marcadas por projetos distintos, por vezes até contraditórios (ALVES, SOUZA, 1999).Os estudos sobre itinerários terapêuticos devem priorizar a aproximação em relação ao conhecimento dos procedimentos utilizados pelos atores para interpretarem suas experiências e decidirem sobre suas ações. Isso porque a escolha por um tratamento não é definida apenas por um conjunto de estruturas cognitivas que possam ser consideradas como única fonte de significados utilizados nessas escolhas. Estas são o resultado de múltiplas negociações realizadas no contexto relacional dos sujeitos e dessa forma expressam sínteses parciais que emergem de um campo de possibilidades histórica e culturalmente definidas (MÂNGIA; MURAMOTO, 2008). Esse trabalho tem como objetivo analisar o itinerário terapêutico percorrido pelas mulheres que apresentam alterações significativas no exame citopatológico no município do Rio Grande e identificar suas percepções em relação ao seu processo de adoecimento e à busca por tratamento. 2. Metodologia 2.1 Delineamento da pesquisa: Este estudo exploratório descritivo terá uma abordagem quanti-qualitativa, buscando a complementação dos dados e um diagnóstico situacional fidedigno ao contexto. 2.2 Local do Estudo: O estudo será realizado na cidade do Rio Grande, que se situa no extremo sul do estado do Rio Grande do Sul. A cidade possui 32 unidades básicas de saúde, três ambulatórios, sendo dois de ginecologia e obstetrícia. Todas as UBS e UBSF realizam a coleta do citopatológico (CP) e fazem o encaminhamento aos serviços de referência logo ao aparecimento de alguma alteração. O local de estudo serão todas essas unidades.

5 2.3 Sujeitos do Estudo: Os sujeitos do estudo serão mulheres em idade fértil (15 a 49 anos), bem como as menopausadas que apresentaram alguma alteração classificada como ANGUS, ASCUS, NIC I, II e III, carcinoma ou adenoma no CP, e que foram atendidas e/ou encaminhadas ao Sistema Único de Saúde, nos serviços de referência no município do Rio Grande/RS, no período de Janeiro/2010 à Julho/2011. Serão excluídas desta análise as mulheres que apresentarem alguma das alterações citadas e estiverem grávidas no momento da entrevista, que estiverem hospitalizadas ou, ainda, as que não forem encontradas em duas tentativas de visita. 2.4 Aspectos Éticos: Respeitar-se-á a Resolução 196/96 Sobre Pesquisa Envolvendo Seres Humanos. Esta proposta de pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde - CEPAS da FURG com parecer 83/2011. Será entregue aos sujeitos da pesquisa um documento prestando esclarecimentos quanto ao estudo proposto, convidando-os a participarem; explicando os objetivos e a metodologia proposta; solicitando o seu Consentimento Livre e Esclarecido, por escrito, para participar da pesquisa, assegurando o respeito aos aspectos éticos envolvidos na pesquisa, como, o direito à privacidade, garantindo o respeito e o anonimato dos sujeitos. O documento será assinado pela pesquisadora e pelo (a) participante, ficando uma cópia com o participante e outra com a pesquisadora. Pretende-se iniciar a pesquisa em maio de 2011 e concluí-la até dezembro de Após a autorização dos sujeitos para participarem do estudo, dar-se-á inicio à fase de coleta de dados.será esclarecido aos participantes da pesquisa sobre a possibilidade de abandono da proposta em qualquer etapa do estudo, sem qualquer prejuízo para si, com o compromisso ético de assegurar o sigilo das informações obtidas durante o seu desenvolvimento, solicitando o seu consentimento para a divulgação destes dados de forma anônima. 2.5 Coleta de Dados: A pesquisa será desenvolvida pelos integrantes do Grupo de Pesquisa Viver Mulher, da Escola de Enfermagem, da FURG, os quais providenciarão todo o suporte orçamentário necessário.

6 A coleta de dados fará uso de duas fontes, a pesquisa documental e a entrevista individual, em momentos distintos. Em um primeiro momento será realizado um levantamento no livro de registros da Coordenação Municipal de Saúde da Mulher, para identificar os exames que apresentaram alterações no Papanicolau. Após, será feita uma análise inicial de forma a averiguar as unidades de saúde onde os exames foram coletados. A seguir, serão buscados os Livros de Registros de Exames Citopatológicos das UBS e UBSF em que foram realizados os exames, buscando os resultados com as alterações descritas anteriormente. Mediante o encontro destes resultados, serão verificados os encaminhamentos realizados por estas unidades para o itinerário terapêutico destas mulheres. Após a identificação das mulheres, será realizado um primeiro contado para apresentar a pesquisa e solicitar sua permissão para realização da mesma, após o que serão realizadas entrevistas individuais com cada mulher que apresentou uma das alterações mencionadas anteriormente para contextualizarmos melhor a busca pelo atendimento nos serviços de referência dentro do município do Rio Grande, e verificar o itinerário terapêutico percorrido em busca da solução para o problema apresentado.será utilizada a entrevista semi-estruturada, a qual constará de duas partes, a primeira com questões fechadas contendo os dados de identificação dos sujeitos, para uma breve caracterização destes e, a segunda parte com questões norteadoras abertas, podendo emergir outros questionamentos que forem pertinentes durante a entrevista, proporcionando assim que os participantes possam manifestar seus pontos de vista, sentimentos e percepções. A entrevista será agendada previamente com os sujeitos da pesquisa e será realizada em local/horário de comum acordo, onde as entrevistadas possam se sentir a vontade. Para garantir a fidedignidade das falas, as entrevistas serão registradas por gravações em MP3, mediante a autorização dos sujeitos e, logo após, transcritas, iniciando-se imediatamente o processo de análise dos dados. As gravações serão guardadas, ficando sob a responsabilidade da coordenadora da pesquisa, por um período de cinco anos para que seja assegurada a validade do estudo e garantido a confidencialidade dos dados. 2.6 Análise dos Dados:

7 O processo de análise dos dados será realizado a partir da interpretação dos dados colhidos, tanto dos documentos como das entrevistas. A análise qualitativa compreenderá a transcrição das entrevistas, a releitura do material, a tabulação dos achados após leitura exaustiva do material coletado e a organização dos dados em categorias temáticas, as quais serão compostas através da ocorrência de similaridade dos achados. A análise quantitativa será efetuada por meio de uma análise descritiva, com composição de comparação entre as variáveis, o que será realizado após inserção dos dados no EPI-INFO. 2.7 Resultados da Pesquisa: Ao término deste estudo, serão divulgados os resultados da pesquisa através de sua divulgação em eventos, publicação de manuscritos em periódicos científicos e entrega de relatório ao NEPES e CEPAS.

8 Referências: 1. BRASIL, Prevenção do Câncer do Colo do Útero Manual Técnico Profissionais de Saúde Ministério da Saúde. Brasília, BRASIL, Ministério da Saúde. Controle dos cânceres do colo do útero e da mama. Brasília: Ministério da Saúde, BRASIL, Instituto Nacional do Cancer. Ações de Enfermagem para o controle do Cancer: uma proposta de integração ensino-serviço. Instituto Nacional do Cancer. 3ª Ed. Rio de Janeiro: INCA, BRASIL, Instituto Nacional do Cancer. Estimativas 2010: Incidencia de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), disponível em (acesso em 12/07/2010). 6. MOURA; SYNARA MARIA GOMES DA SILVA; LEILIANE MARTINS FARIAS; ALINE RODRIGUES FEITOZA Rev. Rene. Fortaleza, v. 11, n. 1, p , jan./mar.2010)

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