Estratégias residenciais em áreas críticas urbanas: O caso do Bairro do Alto da Cova da Moura, em Lisboa

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Estratégias residenciais em áreas críticas urbanas: O caso do Bairro do Alto da Cova da Moura, em Lisboa"

Transcrição

1 Estratégias residenciais em áreas críticas urbanas: O caso do Bairro do Alto da Cova da Moura, em Lisboa Maria Júlia FERREIRA ESDIRE / egeo, Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) Rui CARVALHO MIGRARE Centro de Estudos Geográficos (CEG), Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa (IGOT-UL) RESUMO As estratégias residenciais das famílias dependem das características e do dinamismo do mercado de habitação, do lado da oferta e da procura nomeadamente, poder de compra, sistema financeiro, desejo de mobilidade social, grau de integração na comunidade e das orientações das políticas públicas. As especificidades sociais e urbanísticas existentes nas áreas críticas urbanas e o seu posicionamento no contexto das políticas públicas induzem cambiantes que afectam a liberdade de escolha de habitação, ou seja, as estratégias residenciais. O Bairro do Alto da Cova da Moura a sua génese urbana ilegal, composição social e as diferentes fases e formas de fixação da população afigura-se como um caso adequado para reflectir sobre esta problemática, que, em última instância, remete para o Direito à Habitação. Palavras-chave: Estratégias Residenciais; Direito à Habitação; Áreas Críticas Urbanas; Fluxos Imigratórios; Bairro do Alto da Cova da Moura. 1

2 1. INTRODUÇÃO Nas cidades actuais, a diferenciação dos padrões urbanos não decorre apenas das preferências residenciais, do estilo de vida ou das necessidades especiais dos seus habitantes. A segmentação urbana é, hoje, reflexo de relações de poder e hierarquia em que uns (poucos) têm a capacidade de decidir restando, aos outros, obedecer. Assiste-se a uma diversificação dos tipos de cidade, resultantes dos diferentes cruzamentos estabelecidos entre as dimensões social a classe social e o estatuto dos residentes, a chamada cidade da residência e político-económica a posição na hierarquia do poder, ou seja, a chamada cidade dos negócios, tal como defendem as Nações Unidas (UN-HABITAT, 2001). Foram muitas, e importantes, as alterações experienciadas nos espaços urbanos ao longo das últimas décadas. A crise do welfare-state, posicionada cronologicamente por alguns autores em meados dos anos 1970 (Harvey, 1985; Smith, 1996), terá induzido a gradual desagregação dos modelos políticos e económicos predominantes, assentes numa forte intervenção pública na produção do espaço urbano. Reflectindo inspirações políticas de matriz keynesiana, segundo o anterior modelo de cidade do bem-estar, cabia ao welfare-state a concessão de estímulos socioeconómicos para produção das cidades, por exemplo, por via do financiamento público dos equipamentos colectivos e da habitação social e do fomento à industrialização das actividades de construção e de obras públicas. No entanto, com a ascensão do modelo neoliberal, o Estado vai começar a encontrar, progressivamente, maiores dificuldades para garantir a intervenção da despesa pública. Como resultado, geram-se novas e crescentes desigualdades sociais manifestas, de forma clara, no espaço urbano construído e na organização das cidades. Os efeitos do pós-modernismo são visíveis na fragmentação dos espaços urbanos, sejam eles residenciais, comerciais ou ligados aos serviços. A cidade tem vindo a transformar-se em lugar do espectáculo, do efémero, da imitação, do irreal, sendo crescentemente dominada pelas forças do sector privado. Como consequência vem-se assistindo, também, a uma tendência de polarização/segregação de grupos sociais (muitas vezes separados pela sua raiz étnica) nos espaços urbanos. Reconhecendo que a expansão da sub urbanização associada ao aumento da motorização e à falta de mobilidade residencial e a reorganização espacial das actividades económicas estão hoje na origem da perda de importância do papel tradicional que determinadas áreas desempenham na vida económica, social e cultural da cidade (DGOTDU, 1998:50), é possível afirmar que as áreas críticas urbanas decorrentes, em muitos casos, da urbanização clandestina e da informalidade do sector da habitação podem 2

3 ser, assim, associadas à crise transitória entre fordismo e pós-fordismo, marcas indeléveis do declínio da cidade fordista. É, exactamente, essa a posição expressa por Soares (1984) ao assumir que a produção clandestina de habitação é um fenómeno urbanístico complexo que, apesar de se desenvolver à margem do quadro institucional regular, não deve ser caracterizada apenas pelos aspectos associados à ilegalidade. Segundo o autor, é necessário abordar, descrever e interpretar a urbanização clandestina como manifestação urbanística do capitalismo, expressão das suas contradições e evolução. Face ao leque de modificações induzidas pela transição de um modelo fordista para um modelo pós-fordista de produção das cidades, passa a ser insuficiente pensar nas estratégias residenciais em espaço urbano segundo o modelo clássico, que realçava, inicialmente, os laços de parentesco ou de outras sociabilidades básicas e, cumulativamente, numa fase posterior, o factor funcionalidades urbanas, remetendo para as relações de proximidade com os equipamentos colectivos, numa lógica de controlo das políticas públicas na organização dos territórios. Outrora, bastava equacionar os motivos da procura de habitação, com os deveres e direitos decorrentes do Direito à Habitação para os indivíduos e para o Estado, e com os constrangimentos que se colocavam à liberdade de escolha da habitação (nomeadamente a sua tipologia e localização) para concluir sobre as estratégias que presidiam à mobilidade residencial. Assim, a procura de um estilo de vida, as ambições de mobilidade social, os elos de parentesco, ou as funcionalidades urbanas (como, por exemplo, o conforto no usufruto dos serviços urbanos) e as relações casa-emprego eram, normalmente, os factores de procura e mudança residencial destacados pelos estudiosos. Com a ascensão da cidade pós-moderna social e espacialmente fragmentada assistiu-se à complexificação (e a uma maior agressividade) dos factores estratégicos que pesam na escolha da habitação, afectando todo o mercado de alojamento, quer do lado da procura, quer no que respeita à oferta. Uma vez que as estratégias residenciais se encontram, cada vez mais, assentes nas dialécticas de (acesso ao) poder no espaço urbano e numa crescente miríade de factores e motivações, a sua avaliação é hoje bastante mais complexa, particularmente quando analisada a partir das chamadas áreas críticas urbanas. A complexidade da problemática densifica-se quando essas áreas apresentam uma génese ilegal. É, exactamente, do cruzamento entre os dois anteriores domínios estratégias residenciais e áreas críticas urbanas de génese ilegal ou clandestina que surge o quadro teórico que preside à corrente reflexão. Efectuar-se-á, então, sob o âmago deste contexto, uma primeira incursão analítica sobre as estratégias residenciais da população de uma mediática 3

4 área crítica urbana da Área Metropolitana de Lisboa (AML) o Bairro do Alto da Cova da Moura, sito no concelho da Amadora caracterizada por fortes marcas genéticas de informalidade habitacional e de segregação/fragmentação socioespacial, ligadas a importantes percentuais de população imigrante. A situação resulta, em grande parte, da ineficácia da administração pública e o exercício da liberdade em matéria de escolha de habitação exige a capacidade de controlo da informalidade e de fazer funcionar o mercado formal. O modelo conceptual que será adoptado na presente investigação encontra-se apresentado na Figura 1. Figura 1: Modelo conceptual de investigação ESTRATÉGIAS RESIDENCIAIS EM ÁREAS CRÍTICAS URBANAS O caso do Bairro do Alto da Cova da Moura, no concelho da Amadora CONCEITOS E TEORIAS: Estratégias residenciais, áreas críticas urbanas 2. ESTRATÉGIAS RESIDENCIAIS O Direito à Habitação e a liberdade de escolha da habitação Constrangimentos à escolha da habitação Estratégias residenciais das famílias Estratégias dos promotores de habitação 3. ÁREAS CRÍTICAS URBANAS Conceito e suas dimensões Localização, residentes/ imigrantes e distribuição na ÁML As áreas urbanas de génese ilegal 4. O BAIRRO DO ALTO DA COVA DA MOURA, NO CONCELHO DA AMADORA As Áreas Críticas Urbanas no concelho da Amadora. O Alto da Cova da Moura A procura de habitações: o peso de imigrantes e estrangeiros O mercado privado e o papel do Estado: a informalidade e a bolsa de habitação Constrangimentos à escolha de habitação pelas famílias Das famílias 5. ESTRATÉGIAS RESIDENCIAIS. NA COVA DA MOURA Dos proprietários privados de habitação Da administração pública, nomeadamente da Autarquia 6. CONCLUSÕES: QUE ESTRATÉGIAS RESIDENCIAIS EM ÁREAS CRÍTICAS URBANAS? 4

5 2. AS ESTRATÉGIAS RESIDENCIAIS 2.1. O Direito à Habitação e a liberdade de escolha da habitação O artigo 25.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem das Nações Unidas (1948) consagra o Direito à Habitação como um direito fundamental. O conceito de Direito à Habitação pressupõe, segundo a mesma instituição, o usufruto de uma habitação adequada. Progressivamente, tem-se assistido à incorporação da liberdade de escolha da habitação em tal definição, numa tentativa de contrariar procedimentos de algumas administrações públicas em matéria de realojamento. Na Europa, a Carta Urbana Europeia (1992) afirma que os poderes locais devem assegurar a diversidade, a liberdade de escolha e a mobilidade das populações em matéria de habitação, intenção reforçada, mais tarde, pela Declaração pelo Direito à Habitação e Cidade em toda a Europa (2007). No entanto, e apesar dos anteriores progressos e das manifestas intenções e esforços encetados pelas Nações Unidas, pelos Governos de muitos países e por inúmeras Organizações Não-Governamentais (ONG s), a efectivação global do Direito à Habitação tem sido lenta. As elevadas taxas de crescimento da população urbana ocorridas em várias áreas do Globo induzidas por fortes fluxos migratórios do campo para a cidade, muitas vezes motivados pela acentuação dos factores de risco natural, associadas à incapacidade de resposta dos serviços de gestão urbana, podem ser apontadas como explicações para a ineficácia na implementação de tal direito humano fundamental ao nível mundial. Estimativas referentes ao início do presente milénio apontavam que, no mundo, cerca de 1,1 biliões de pessoas não tinham uma habitação adequada. Particularmente, nos países em desenvolvimento, mais de metade da população vivia em povoamentos informais, sendo o número dos sem-abrigo superior a 100 milhões. A manter-se tal cenário, a necessidade anual de habitações nos países em desenvolvimento, seria da ordem dos 35 milhões de unidades para o período de (UN-HABITAT, 2006). Perante tal cenário, e num contexto de Globalização que se traduz na afirmação das lógicas do sector privado sobre as das políticas públicas na produção das cidades, importa procurar compreender como poderá ser salvaguardado o Direito à Habitação, não só através da componente acesso a uma habitação adequada, mas também no que respeita à liberdade para escolher essa habitação, ou seja, no campo das estratégias residenciais das famílias, 5

6 particularmente das residentes em áreas críticas urbanas, nas quais os constrangimentos socioeconómicos à escolha de habitação atingem maiores dimensões Constrangimentos à escolha da habitação A qualidade de um espaço deve-se ao efeito conjunto do lugar e da sociedade que o ocupa (Lynch, 1981:88). Transportada para a questão habitacional, depreende-se da anterior ideia que qualquer residência deve apresentar condições adequadas de habitabilidade (componente física e geográfica) e, simultaneamente, proporcionar uma situação de satisfação aos seus residentes (dimensão social e psicológica). Para o cumprimento deste último aspecto, torna-se fulcral a liberdade de escolha da habitação que, no entanto, pode ser constrangida por um conjunto de limitações, tanto pelo lado da procura, como pelo da oferta (seja ela privada ou pública), a saber: a) A rigidez do mercado de habitação social : Os tradicionais processos de realojamento impunham, muitas vezes, soluções limitativas para os residentes. Práticas mais recentes têm procurado estimular uma maior participação e empenhamento das famílias pertencentes a estes grupos socialmente mais frágeis, permitindo que estas desenvolvam estratégias residenciais fora da regulação directa dos mercados, com reflexos positivos na sua identidade territorial e no seu grau de satisfação residencial (Cardoso, 1991). b) O poder de compra da procura no mercado de habitação: O poder aquisitivo dos indivíduos condiciona fortemente a sua capacidade de escolha. Assim, áreas mais centrais ou atractivas, modernas e inovadoras do ponto de vista urbanístico, têm preços de compra e arrendamento de habitação mais elevados, o que condiciona a procura das habitações. No fundo, procura supõe acesso a um mercado, definindo-se como uma função do rendimento disponível para a aquisição de um determinado conjunto de serviços habitacionais, potencial ou realmente úteis, dentro das restrições de rendimento da família, e em face da competição que outras famílias eventualmente movem para obter o mesmo espaço. A procura é o resultado da relação entre o rendimento e o preço (Cardoso, 1985b in Cardoso, 1991:36). c) As necessidades de habitação: São aqui, neste parâmetro, incluídas carências quantitativas e qualitativas, sem ligação directa à relação preço/rendimento ou ao mercado de habitação. As necessidades de habitação relacionam-se, assim, com as aspirações das famílias integradas numa determinada sociedade de obterem os níveis de consumo considerados adequados à sua respeitabilidade social nessa sociedade. ( ) só se pode definir pressupondo a existência de um padrão caracterizador de habitação 6

7 adequada ( ). Este padrão designa-se, por vezes, por exigências funcionais da habitação (Cardoso, 1991:36-37). Percebe-se, facilmente, que a subjectividade inerente a este conceito é elevada, podendo ser abrangidos diferentes graus de insatisfação residencial, reflexo de heterogéneas condições e percepções reais acerca do conforto e da qualidade habitacional. As diferenças existentes entre os conceitos de procura e necessidade de habitação fazem com que seja possível uma grande inadequação da habitação relativamente às necessidades da população coexistir com uma procura muito baixa (Cardoso, 1991:37). d) A disponibilidade da oferta condicionando a escolha dentro do leque oferecido: O stock existente no parque habitacional, a respectiva taxa de mobilidade e a quantidade, qualidade e diversidade de novos alojamentos introduzidos no mercado conferem as condições que, pelo lado da oferta, condicionam o exercício do direito de escolha dos indivíduos, ou seja, as possibilidades de decisão existentes no mercado para o exercício das suas estratégias residenciais. Em termos gerais, as fragilidades e a rigidez deste lado do mercado tendem a afectar gravemente as possibilidades de escolha de habitação. e) O estigma da vivência em áreas críticas urbanas: O quotidiano vivido nas áreas críticas urbanas pode condicionar, de forma mais ou menos directa, as possibilidades de aplicação de estratégias residenciais, uma vez que a exclusão social tende a perpetuar-se através do que é usual designar-se como ciclo ou espiral descendente de pobreza. f) As funcionalidades urbanas os equipamentos colectivos: A facilidade no acesso aos equipamentos colectivos continua a ser um dos factores na escolha da habitação, uma vez que a sua localização condiciona a decisão de mudança de habitação. g) As sociabilidades, os elos de vizinhança e as utopias sociais: O estabelecimento de elos de ligação entre os residentes de um mesmo espaço sejam de natureza parental, étnica, cultural, religiosa, política ou outra são, também, aspectos condicionadores da tomada de decisão sobre as mudanças habitacionais. h) O regime de propriedade e a dimensão do lugar de residência: Como demonstrado por Segaud, Bonvalet et Brun (1988) para o caso francês (Tabela 1), os proprietários que ocupam os seus próprios alojamentos assumem-se como os mais conservadores à mudança habitacional. Pelo contrário, os inquilinos de alojamentos mobilados apresentam uma maior mobilidade residencial. O mesmo autor revela ainda que, tal como o regime de ocupação, a dimensão do aglomerado também afecta a taxa de mobilidade residencial, verificando-se uma tendência para o estabelecimento de uma 7

8 relação directa entre estes factores, excepto para os casos dos inquilinos do sector privado e, obviamente, por obedecer a regras diferentes, para o alojamento gratuito. Tabela 1: Taxa de mobilidade residencial, segundo a dimensão do aglomerado e o regime de ocupação Proprietário Locatário do sector privado Locatário do sector público Locatário de habitação mobilada Utilizador de alojamento gratuito Residente em grandes conjuntos residenciais Comunas rurais 2,6 19,9 23,0 33,3 6,0 6,2 Aglomerações <20 mil hab. 3,3 17,0 26,3 40,5 12,6 10,4 Aglomerações mil hab. Aglomerações > 100 mil hab. 3,7 12,8 31,7 48,9 9,3 12,9 4,9 12,8 30,5 58,6 11,9 14,7 Aglomeração parisiense 4,3 9,7 22,9 35,9 17,0 12,1 França (Total) 3,7 13,0 27,4 46,1 10,6 11,3 Fonte: Segaud, Bonvalet et Brun, 1998 (adaptado) 2.3. Estratégias residenciais das famílias A habitação é, simultaneamente, uma necessidade e um bem essencial à sobrevivência mas, também, um símbolo de poder e status social. É à dialéctica estabelecida entre as duas anteriores dimensões que se deve a existência de estratégias residenciais das famílias e/ou indivíduos. As residências são marcas e factores de diferenciação dos estratos sociais (Sampaio, 2000: 134). É dentro do campo variável de constrangimentos apresentados anteriormente, que as famílias tendem a desencadear as suas estratégias residenciais; estas podem ser de várias tipologias, de acordo com os aspectos que valorizam, de entre os quais se podem destacar as condições de vida anteriores, os desejos e aspirações pessoais, as capacidades desenvolvidas ao nível do poder de compra e de acesso (ou não) a lugares de poder e decisão. De uma forma geral, os principais tipos de estratégias residenciais das famílias ou indivíduos podem-se agrupar na seguinte categorização: Estratégias de sobrevivência social e económica, caracterizadas pela necessidade básica de ter um abrigo. Estratégias de melhoria e reforço dos elos de vizinhança tradicionais, ou de reunião ou aproximação face a familiares ou conhecidos. 8

9 Estratégias de realização de utopias individuais e sociais, de aproximação face aos ideais individuais sobre a casa ou o local para a vivência do quotidiano. Estratégias de mudança social, que se reflectem na procura de novas identidades, no estabelecimento de sentimentos de pertença a novas comunidades, ou na aproximação às áreas de residência de determinados grupos e/ou classes sociais. Estratégias de investimento e reforço no património, que podem ser de simples investimento e rentabilização de capitais no sector da habitação, ou ir até à adesão a movimentos especulativos imobiliários. Estratégias gerais de melhoria do grau de satisfação residencial ou de mudança positiva nos indicadores de qualidade de vida individual, campos que, como já se verificou, envolvem um elevado peso de subjectividade. Em suma, podem ser considerados, consoante a sua natureza dominante, três grandes conjuntos de estratégias residenciais das famílias, respectivamente: a) Estratégias residenciais sociais/culturais: (i) familiares ou de parentesco; (ii) pessoais; (iii) de grupo ou ligadas às redes de sociabilidades; (iv) relativas ao grau de satisfação; ou (v) de implementação da mudança ou de continuidade. b) Estratégias residenciais económicas: (i) patrimoniais de longo prazo; (ii) de mudança ou de continuidade; (iii) de sobrevivência; ou (iv) de rentabilização de capitais. c) Estratégias residenciais políticas: tendo em vista o posicionamento na hierarquia do poder As estratégias dos promotores de habitação Podem ser consideradas várias categorias de promotores de habitação, nomeadamente, os promotores individuais, as empresas privadas, a Administração Pública (incluindo as empresas públicas e outras instituições equiparadas) ou as instituições sem fins lucrativos. Os promotores individuais são aqueles que, singularmente, apostam na construção de habitação (incluindo as obras de renovação ou ampliação), muitas vezes em regime de autoconstrução (da habitação própria, recorrendo ou não a programas destinados aos mais carenciados ou à margem do funcionamento dos mercados formais de habitação); esta tende a traduzir a existência de uma estratégia residencial das famílias geralmente associada à existência de outros factores como, por exemplo, a posse do solo com direito de construção ou a capacidade monetária para adquirir solo urbanizável desenvolvida, quer no sentido do 9

10 usufruto residencial próprio, quer procurando a rentabilização financeira de um imóvel nos mercados formal e informal de aluguer de habitação. As estratégias habitacionais das empresas privadas baseiam-se, sobretudo, na procura do lucro que dá suporte ao seu funcionamento. Podem passar, apenas, pela promoção de novas habitações ou, também, pelo reforço do património construído, segundo uma lógica de aplicação e rentabilização de capitais e de formas de investimento. Assentam, normalmente, em fortes estratégias de marketing habitacional e territorial, e procuram efectuar a antevisão das necessidades da procura, direccionando-se para estratos sociais bem definidos e com forte poder aquisitivo. Como resultado, e a não ser que a existência de estímulos e apoios provenientes da Administração Pública tornem apetecível a promoção de habitação para estas classes, as estratégias residenciais das empresas privadas tendem a ser marcadamente excludentes e marginalizantes para os grupos sociais mais carenciados. A utilização da função habitação como um instrumento, dentro das suas respectivas lógicas e âmbitos de intervenção, constitui o mote geral para o desenvolvimento das estratégias habitacionais, quer da Administração Pública, quer das instituições sem fins lucrativos. A solidariedade e a promoção ou manutenção da coesão social, o reforço ou redução do património construído, e a aplicação e rentabilização de capitais e de formas de investimento podem ser apontados como alguns dos factores que motivam essa intervenção. Particularmente, as estratégias da Administração Pública tendem a traduzir-se na elaboração de documentos estratégicos legais, dos quais o Programa Local de Habitação de Lisboa (PLH) constitui um exemplo claro, ao definir vários objectivos importantes para o sector da habitação na cidade como, por exemplo, a melhoria da qualidade do seu parque habitacional e da qualidade de vida dos seus habitantes, a promoção da sua coesão social e territorial, ou a adequação da procura e da oferta de habitações (CML, 2009). Mas, apesar da reconhecida importância apresentada pelas administrações locais no desenvolvimento de estratégias de habitação, não é apenas a este nível territorial que são expressas tais preocupações. O Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), documento orientador do ordenamento territorial em Portugal, inclui como um dos seus objectivos específicos o desenvolvimento de programas e o incentivo a acções que melhorem as condições de habitação, nomeadamente no que se refere aos grupos sociais mais vulneráveis. O objectivo estratégico 4 destaca a importância de assegurar a equidade territorial no provimento de infra-estruturas e de equipamentos colectivos e a universalidade no acesso aos serviços de interesse geral, promovendo a coesão social (cf. MAOTDR, 2006). 10

11 As indicações contidas no PNPOT reflectem as preocupações formuladas (quase uma década antes, em 1998) na Lei de Bases da Política de Ordenamento do Território e Urbanismo (LBOTU) (Lei n.º 48/98, de 11 de Agosto) que estabelece como objectivos do ordenamento do território nacional vários aspectos directamente relacionados com as questões ligadas à habitação, de entre os quais podem ser destacados: i) a distribuição equilibrada das funções de habitação, trabalho, cultura e lazer; ii) a adequação dos níveis de densificação urbana, impedindo a degradação da qualidade de vida, bem como o desequilíbrio da organização económica e social; iii) a aplicação de uma política de habitação que permita resolver as carências existentes; iv) a recuperação ou reconversão de áreas degradadas; ou v) a reconversão de áreas urbanas de génese ilegal. A anterior enunciação dos pressupostos defendidos nos vários documentos legislativos e de planeamento mencionados permite evidenciar o papel atribuído à coesão social e habitacional dos espaços urbanos e, particularmente, às chamadas áreas críticas urbanas, cujas definições, dimensões, distribuição territorial e (possíveis) estratégias de (re)qualificação serão abordadas em seguida. 3. AS ÁREAS CRÍTICAS URBANAS 3.1. O conceito de área crítica urbana e as suas dimensões Ao nível mundial é bastante diversa a lista dos termos que identificam as áreas urbanas degradadas. No entanto, essas terminologias, identificam áreas apresentando algumas características comuns, nomeadamente a existência de baixas condições urbanísticas e fundiárias, a escassa e insuficiente infra-estruturação e qualidade das habitações, e o reduzido poder de compra e nível social dos seus moradores. A Organização das Nações Unidas (ONU), almejando a uniformização deste objecto de estudo interdisciplinar, procedeu à enunciação de um conceito uniforme para definir uma área crítica (degradada) urbana. A etimologia anglo-saxónica escolhida para a qualificar respeita à palavra slum, assim utilizada para conceptualizar as áreas urbanas que cumprem a existência das seguintes cinco componentes: i) insegurança no título de usufruto da habitação; ii) acesso inadequado a água potável, iii) acesso inadequado a infra-estruturas urbanas básicas, especialmente no que respeita ao saneamento; iv) baixa qualidade estrutural das habitações; e v) sobre-ocupação das habitações (UN-HABITAT, 2002). Ao nível mundial, a percentagem de famílias a viver em áreas degradadas urbanas atinge valores muito elevados. Entre 20 e 40 milhões de famílias vivem em condição de sem- 11

12 abrigo; cerca de 125 milhões de unidades de alojamento (18% do total mundial) são de estruturas e materiais precários; aproximadamente 175 milhões (ou seja, cerca de 25%) não se encontram em conformidade com os regulamentos de construção de habitações. Como demonstra o Observatório Urbano (Nações Unidas), a distribuição espacial destas áreas é muito heterogénea. Ainda assim, os continentes africano sobretudo na África Subsaariana onde, em muitos países, mais de 80% da população habita em áreas críticas urbanas e asiático e a América Latina assumem um nítido destaque negativo no que aos anteriores indicadores diz respeito (UN-HABITAT, 2006). A Carta de Leipzig, sobre as Cidades Europeias Sustentáveis, de 2007, adopta a designação de bairros carenciados mas a legislação portuguesa ainda sobrepõe várias tipologias, muitas vezes aglutinadas em bairros degradados; dentro delas destacam-se três: i) Áreas Críticas de Recuperação e Reconversão Urbanística (ACCRU), definidas na Lei dos Solos (DL nº794/76 de 5/11); ii) Bairros Críticos, designação adoptada na Iniciativa Operações de Qualificação e Reinserção Urbana de Bairros Críticos, lançada com a Resolução de Conselho de Ministros n.º 143/2005, de 7 de Setembro); ou iii) Áreas Urbanas de Génese Ilegal, (AUGI), integradas, em 1995, num novo quadro legal referente à classificação e intervenção sobre os bairros de urbanização clandestina (Lei n.º 91/95, de 2 de Setembro). As nomenclaturas área urbana em crise (DGOTDU, 1998) ou zona urbana em crise (CCE, 2002) directamente derivadas da classificação da ONU foram reconhecidas em Portugal, aquando da transposição para o contexto nacional de projectos ou iniciativas promovidas por instituições de nível internacional, respectivamente a ONU ou a União Europeia (UE). O bairro da Cova da Moura insere-se nestas três tipologias. Assim, em resumo, no caso português, as áreas críticas urbanas englobam um leque vasto de conceitos e terminologias, nomeadamente, as ACRRU, os bairros de barracas ou de construções precárias, os bairros sociais degradados ou de realojamento provisório, as áreas urbanas de génese ilegal ainda não integradas urbanisticamente, os núcleos históricos envelhecidos e degradados e os demais bairros situados em áreas degradadas seja no centro das cidades, seja nas suas periferias, incluindo assim, por exemplo, os bairros dormitório com elevada concentração das classes sociais baixas e médias-baixas, ou seja, todos aqueles nos quais o elevado grau de deficiências urbanísticas ou sociais afectam a qualidade de vida das populações, tal como definida pelos padrões médias das sociedades desenvolvidas A sua localização e o tipo de residentes: O caso particular dos imigrantes na AML 12

13 A concentração das áreas críticas urbanas é maior nas cidades de crescimento rápido e acentuado, reflectindo a existência de um contexto de fragilidades ou insuficiências da gestão pública urbana, que se demonstra incapaz de corresponder às necessidades decorrentes desse processo, quer no que respeita à disponibilização de solo urbanizado, quer em termos da promoção de infra-estruturas básicas urbanas ao nível da habitação e do fornecimento de serviços sociais adequados. Esta concentração espacial das áreas críticas urbanas é particularmente visível nas maiores cidades dos países menos desenvolvidos, nas quais se assiste à proliferação de áreas de crescimento urbano descontrolado e informal. No entanto, também nalguns países mais desenvolvidos e nos de desenvolvimento intermédio, como o caso português (Sousa Santos, 1985), se verifica que parte importante das periferias urbanas necessita de melhorias ao nível da integração social e espacial dos grandes conjuntos residenciais, em particular dos destinados às classes média-baixa e baixa. Nestes países, os centros históricos das cidades têm, também, vindo a manifestar níveis elevados de abandono, degradação e desvitalização populacional e socioeconómica. Sendo as áreas críticas urbanas, como mencionado anteriormente, normalmente o palco residencial das classes de menor status socioeconómico, torna-se fácil compreender a elevada incidência de imigrantes (especialmente laborais) nesses espaços críticos urbanos, quer resultantes de movimentos de população internos (p.ex. migrações campo-cidade), quer provenientes de fluxos migratórios internacionais. Caracterizados pelo seu baixo poder de compra e pela sua elevada susceptibilidade para incorrer em situações de pobreza ou exclusão social e territorial e uma vez que o Direito à Habitação é actualmente entendido como um conceito que deve abranger todos os residentes de um território, nacionais ou não a atenção dispensada sobre a promoção de uma maior adequabilidade das condições de habitação destes indivíduos justifica-se de forma indelével. Assim, importa perceber as estratégias residenciais das populações imigrantes em particular das residentes em contextos de carência habitacional de forma a que qualquer intervenção sobre uma área crítica urbana com uma forte incidência de população imigrante seja capaz de patentear o (re)conhecimento da multiculturalidade que encerra e das diferentes fases de integração das populações imigrantes envolvidas. Malheiros (2007) mostra, para o caso português e de acordo com os dados recolhidos através dos Censos de 2001, a existência de uma grande diversidade no que respeita às condições de alojamento das populações estrangeiras residentes em Portugal (Tabela 2). 13

14 É possível verificar que, para as categorias de proveniência consideradas, o alojamento próprio se assume, normalmente, como a tipologia habitacional de maior incidência. No entanto, observam-se algumas excepções, referentes aos imigrantes do Leste Europeu, aos brasileiros, aos africanos não-palop e aos indivíduos provindos do continente asiático, com especial destaque para os paquistaneses, chineses e indianos. Para estes grupos, a estratégia residencial mais comum passa pela exploração das possibilidades existentes ao nível do mercado de arrendamento, em muitos casos através da partilha de alojamento com outros indivíduos, normalmente da mesma origem. A análise dos resultados apresentados permite, ainda, perceber que mais de metade dos imigrantes provenientes de países em desenvolvimento (independentemente da sua macroregião de origem) reside em alojamentos sobrelotados. No concernente aos alojamentos nãoclássicos, verifica-se uma clara predominância relativa dos africanos principalmente caboverdianos (14.1%), são-tomenses (13%) e guineenses (8.7%) a residir em habitações classificadas de acordo com esta tipologia. Nacionalidade Tabela 2: Condições de alojamento dos estrangeiros residentes em Portugal, 2001 Alojamentos não-clássicos Alojamentos arrendados Alojamentos próprios Alojamentos sobrelotados Percentagens de população Alojamentos partilhados Total Portugal EU Europa de Leste PALOP (todos) Cabo Verde Guiné-Bissau Angola São Tomé e Príncipe Moçambique Outros África América do Norte Brasil China, Índia e Paquistão Paquistão Índia China Resto da Ásia Fonte: Malheiros, 2007 (adaptado) 14

15 Os valores percentuais permitem perceber a existência de diferenciações interessantes nas estratégias residenciais da população imigrante, reflexo dos seus patrimónios culturais, do seu perfil socioeconómico e do nível de consolidação do seu processo de migração e integração em Portugal, das características dos fluxos estabelecidos entre Portugal e das ambições e expectativas gerais dos imigrantes. Por exemplo, no que respeita aos africanos, percebe-se que as estratégias residenciais endógenas destes grupos, ao valorizarem as redes familiares e de solidariedade entre conterrâneos, geram oportunidades que se acabam por se transformar em segregação étnica e residencial, reforçada por mecanismos inerentes à percepção e ao comportamento destes indivíduos (Malheiros e Vala, 2004). Os dados possibilitam, ainda, confirmar a maior incidência dos imigrantes em situações de carência habitacional, resultado das desigualdades subjacentes às expressões do ciclo capitalista nos mercados residenciais, que induzem que a produção do espaço construído seja, também ela, um processo claramente segregatório. A vulnerabilidade laboral de grande parte dos imigrantes oriundos dos países em desenvolvimento, associada a vários outros factores como, por exemplo, o poder de compra ou a falta de documentos que permitam a inserção no segmento formal dos mercados de habitação e de trabalho actuam, também, como aspectos fortemente condicionadores das estratégias residenciais destes indivíduos, contribuindo para a sua concentração em áreas críticas urbanas, de mais baixo valor de transacção comercial dos imóveis, e de mais fácil acesso aos mercados informais de compra, construção e arrendamento de habitação (Malheiros e Vala, 2004; Malheiros, 2007; Rodrigues, 1989). Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), referentes ao ano de 2001, registavam cerca de imigrantes a residir em Portugal em alojamentos não clássicos. Destes, cerca de 60% (6 810) podiam ser encontrados na AML (Tabela 3). Tabela 3: Distribuição regional dos alojamentos não-clássicos e das carências habitacionais dos estrangeiros residentes em Portugal, 2001 População estrangeira em alojamentos nãoclássicos Carências qualitativas (1) Portugal Norte Centro Lisboa Alentejo Algarve Açores Madeira (100%) (100%) (15.1%) (30.5%) (11.4%) (21.4%) (59%) (31.3%) 757 (6.6%) (7.4%) 551 (4.8%) (4.7%) 159 (1.4%) (2.5%) 196 (1.7%) (2.2%) Carências qualitativas (2) (100%) (38.8%) (30.7%) (11.9%) (10.1%) (4.1%) (2.4%) (1) Inclui: substituição de barracas, população em hotéis/pensões, habitação partilhada e taxa de crescimento 2% (2) Inclui: alojamentos com necessidade de reparação média, grande e muito grande (2.1%) Fonte dos dados: IHRU, 2008, relatório nº1: 13 (adaptado) 15

16 O Programa Operacional Regional Lisboa e Vale do Tejo (POR-LVT), reconhecendo esta situação, defende que um dos principais problemas socioespaciais verificados na AML corresponde à existência de extensas manchas de habitat degradado e de pobreza, sendo evidente uma situação de risco de crescimento dos fenómenos de exclusão social e de guetificação do tecido urbano, capazes de induzir, por sua vez, outros riscos sociais, como por exemplo a criminalidade e a insegurança da população. As áreas críticas urbanas consideradas, aqui, em termos gerais, de acordo com as suas diferentes tipologias distribuem-se, não só pelo centro da cidade de Lisboa, mas também na sua periferia imediata, sobretudo na primeira coroa suburbana da margem norte (onde se localiza o Bairro do Alto da Cova da Moura, que será analisado adiante) e no arco ribeirinho da Península de Setúbal (CCDRLVT, 1999). 3.3 As áreas urbanas de génese ilegal Uma das principais tipologias de áreas críticas urbanas respeita às áreas urbanas de génese ilegal ou clandestina. As características do Bairro do Alto da Cova da Moura justificam que seja dispensada uma breve atenção particular sobre esta categoria. Parece ser concordante entre os autores analisados (Cabral, 1989; Ferreira, 1984; Paiva, 1985; Rodrigues, 1989; Soares, 1984; Sousa Santos, 1985), a ideia de que a urbanização clandestina surge como uma forma espontânea de reajustamento do processo urbano às mutações do capitalismo e às desigualdades introduzidas por este modelo de desenvolvimento económico. Complementarmente, Soares (1984) advoga que, na génese dos loteamentos clandestinos podemos encontrar a rápida valorização dos solos e a criação de rendas diferenciais que são apropriadas pelos loteadores. As políticas urbanas vigentes em Portugal nos anos ao marginalizarem dos negócios urbanos o pequeno capital tenderam a promover a criação de oligopólios de controlo imobiliário dos solos urbanos. Como nota Ferreira (1984: 33), «o tradicional peso da propriedade fundiária na sociedade portuguesa, a burocratização do planeamento urbanístico e da respectiva administração, e uma quase inexistência de oferta pública, propiciam as condições para a monopolização dos solos urbanizáveis pelos promotores imobiliários e seus intermediários, com forte participação do capital financeiro». Num período caracterizado por intensa migração interna em Portugal, com direcção ao litoral e, particularmente, às principais áreas urbanas, vão ganhar dimensão as carências de habitação urbana, obrigando as famílias migrantes a promover a autoconstrução (muitas vezes 16

17 sob a forma abarracada) ou a recorrer ao mercado de arrendamento informal (Cabral, 1989; Ferreira, 1984; Paiva, 1985; Soares, 1984; Sousa Santos, 1985). A crise do welfare state, incapaz de suprir as necessidades sociais ao nível da habitação vai assim fomentar o reforço das economias subterrâneas, daí resultando a produção de habitação através do mercado informal. Como nota, sinteticamente, Soares (1984: 21) «independentemente de juízos de valor que se possam fazer sobre o fenómeno, o clandestino é uma realidade que não pode ser entendida fora das políticas urbanas e, particularmente, de uma política de solos fortemente restritiva e favorável à estrutura monopolística do mercado legal, ou de uma política de financiamento favorável à hegemonia do grande capital imobiliário». Devidamente contextualizados os quadros teóricos concernentes às estratégias residenciais e às áreas críticas urbanas com destaque, pelas circunstâncias da área de estudo, para as áreas clandestinas proceder-se-á, em seguida, à análise das estratégias residenciais num contexto local particular da AML, o Bairro do Alto da Cova da Moura. 4. O BAIRRO DO ALTO DA COVA DA MOURA, NO CONCELHO DA AMADORA 4.1. As áreas críticas urbanas no concelho da Amadora: O caso da Cova da Moura O concelho da Amadora apresenta uma dimensão de aproximadamente 24 km 2, ou seja, apenas 0,03% do território continental português. No entanto, os seus 175 mil habitantes correspondem a cerca de 1,8% da população total de Portugal. A sua densidade populacional é das mais elevadas do País, situando-se em torno dos hab/km 2 (INE, 2007). Cerca de metade dos seus edifícios foram construídos entre 1960 e Desde 1991 que a taxa de crescimento de novos alojamentos equivale a cerca de 12%, valor bastante inferior aos cerca de 18% da AML. No entanto, a pressão construtiva dos anos aliada à, já mencionada, falta de uma política habitacional eficaz deixou marcas importantes no território concelhio, que se revelam, ainda hoje, nas manchas de habitação precária que o caracterizam. Foram recenseadas, em 1993, um total de barracas (após Lisboa, o segundo maior valor da AML), sitas em 35 núcleos degradados, onde viviam perto de habitantes, ou seja, cerca de 12% do total da população residente (CMA, 2007). A gravidade do cenário anterior determinou a necessidade de operacionalizar programas de recuperação do parque habitacional e de realojamento das populações a residir em condições de precariedade habitacional. De entre eles assume um claro destaque o Programa Especial de Realojamento (PER) da Amadora. 17

18 Orientado inicialmente de forma exclusiva para o realojamento em fogos de habitação social, o PER Amadora foi-se adaptando às particularidades das populações que desejava atingir, adoptando três anos depois do seu início (ou seja, em 1996) o PER Famílias, entretanto criado. Com este, o alojamento deixa de ser o alvo privilegiado do financiamento, que passa a centrar-se sobre as famílias residentes nas áreas críticas. Em 2000, o PER é alargado com o Projecto de Apoio ao Auto Realojamento (PAAR), sustentado pelo município, e que remete para as famílias a procura de alternativas habitacionais. O financiamento da Câmara Municipal da Amadora pode atingir 20% do valor dos fogos. No ano seguinte, foi criado o Programa Retorno (PR), como resposta específica à realidade social do concelho, particularmente ao facto de que cerca de metade das famílias recenseadas pelo PER eram oriundas de Cabo Verde. Este programa financia o regresso da família ao país de origem (ou outro) através da concessão de 20% do valor do fogo a que esta teria direito em caso de realojamento. Tal como o PAAR, é inteiramente financiado pela Câmara Municipal (Barata Salgueiro et al., 2005; Gaspar et al., 2005). Em resultado das anteriores iniciativas, em 2006 haviam sido resolvidos cerca de casos, dos quais quase 60% foram possibilitados pelas iniciativas de realojamento. O PAAR e o PR, específicos do concelho da Amadora, que pressupõem uma maior iniciativa por parte das famílias, foram responsáveis pela resolução de 30% dos casos. As quase demolições de barracas, resultantes das iniciativas de realojamento (mais de metade do total inicial), correspondem à erradicação total de 19 bairros (dos 35 iniciais). Em síntese, segundo os dados disponíveis, em Outubro de 2005, a taxa de execução do Programa PER na Amadora era de aproximadamente 68% (CMA, 2007). Importa ainda referir que a actuação dos anteriores programas, dirigida à supressão específica das carências habitacionais da população do concelho, foi complementada pela aplicação de outras iniciativas com objectos de intervenção mais generalizados, dirigidos à promoção da coesão social e urbanística do concelho, de entre os quais se podem destacar o Programa de Iniciativa Comunitária (PIC) URBAN II Amadora: Damaia-Buraca suportado por fundos estruturais da União Europeia, no seguimento do Quadro de Acção da União Europeia para o Desenvolvimento Urbano Sustentável ou a Iniciativa Bairros Críticos, ambos aplicados na área correspondente ao Bairro do Alto da Cova da Moura. O referido bairro objecto de estudo do presente trabalho situa-se na porção oriental do concelho, sendo administrativamente partilhado por duas freguesias, Buraca (a maior parte do bairro) e Damaia. É limitado a Norte, Sul e Leste, por um conjunto de rodovias; e a Oeste, por um bloco de edifícios de promoção privada (Figura 2). 18

19 Figura 2 Contextualização geográfica do Bairro do Alto da Cova da Moura no concelho da Amadora N B 9 O C E A N O A T L Â N T I C O km A 1. Alfornelos 7. Mina 2. Alfragide 8. Reboleira 3. Brandoa 9. São Brás 4. Buraca 10. Venda Nova 5. Damaia 11. Venteira 6. Falagueira Bairro do Alto da Cova da Moura km A área actualmente correspondente ao bairro (cerca de 16,5 ha) foi, outrora, uma terra de cultivo de cereal e produtos hortícolas, onde existiam algumas habitações esparsas, maioritariamente de apoio à actividade agrícola. Denominava-se, nessa altura, Quinta do Outeiro. No período pós-25 de Abril de 1974 ganha uma nova função, surgindo como espaço de acolhimento de retornados das ex-colónias portuguesas. É neste contexto de pósdescolonização que se vai intensificar a sua ocupação urbana, progressivamente alicerçada em redes sociais estimuladas pelos imigrantes e retornados. A actual malha urbana do Bairro apresenta uma estrutura variável que resulta da instalação progressiva (e não planeada) dos seus habitantes e das respectivas infra-estruturas de apoio. As habitações inicialmente de madeira e, depois, de alvenaria foram aumentando gradualmente em número e em tamanho, em resposta à forte procura de residência no bairro. Segundo dados publicados em 2006, a densidade habitacional do Bairro era de cerca de 85 fogos/ha e a densidade populacional 306 hab/ha, valores bastante superiores aos homónimos do concelho da Amadora (34 fogos/ha e 74 hab/ha) e das freguesias da Buraca e Damaia (40 fogos/ha e 71 fogos/ha, 97 hab/ha e 146 hab/ha, respectivamente) (Alves et al., 2006). No que respeita à sua composição étnica, verifica-se uma preponderância de população portuguesa retornada e de naturais das ex-colónias africanas; a maior comunidade é 19

20 proveniente de Cabo Verde. Nos últimos anos, tem-se assistido, também, ao estabelecimento de imigrantes oriundos do Brasil e do Leste europeu, no entanto, estes últimos tendem a permanecer no bairro apenas por um curto período temporal. Embora aproximadamente 40% da população tenha naturalidade portuguesa, cerca de 2/3 tem origem num país estrangeiro. Em 1981, a população do Bairro cifrava-se em torno do milhar de habitantes; no início dos anos 1990 rondava os 4 mil e, em 2000, já ultrapassava os 5 mil habitantes. A actual população residente no bairro situar-se-á, em torno dos habitantes (Alves et al., 2006). A análise da estrutura etária da população do Bairro evidencia que os residentes são, em geral, bastante jovens. Cerca de 22% da população tem menos de 14 anos, e quase 45% não ultrapassa os 24 anos. O predomínio de indivíduos do sexo masculino confirma o papel do bairro como espaço de acolhimento e fixação de imigrantes. Um dos pontos fortes do Bairro diz respeito à existência de fortes sentimentos de proximidade e comunidade, demonstrados pela intensidade dos laços de solidariedade e coesão entre a população residente. Estes parecem funcionar como uma resposta/auto-defesa a um sentimento generalizado de estigmatização social e habitacional. Esta rede de sociabilidades acrescida pela riqueza do tecido associativo local, com várias associações temáticas com bom entrosamento entre si articula-se fortemente com os mercados de emprego e habitação, sendo comuns o recrutamento de pessoal, ou a facilitação do acesso à habitação entre os parentes e vizinhos (Alves et al., 2006). No entanto, a desintegração urbanística do Bairro quer a nível interno, quer em relação à envolvente fazem com que este seja, inequivocamente, uma área crítica urbana. Parte importante dos seus moradores não dispõe ainda de título seguro no acesso à habitação ou ao lote. Apesar da melhoria das condições de habitabilidade do edificado, que se traduz, em certa medida, na perda do seu estatuto de inacabado e na realização de infra-estruturas e alguns equipamentos ( ), não houve ainda uma requalificação urbanística do Bairro nem estão ainda identificadas soluções para a questão fundiária, que permanece em situação de irregularidade jurídica, uma vez que os moradores não são proprietários ou arrendatários dos seus lotes. ( ) A regularização desta situação é, no entanto, do interesse de todos os envolvidos, tanto dos residentes, como dos proprietários de terrenos e administração central e local (IHRU/MAOTDR, 2006; vol.1 - III). Legalmente o Bairro do Alto da Cova da Moura constitui-se como uma ACRRU (Decreto n. 53/2003, de 25 de Novembro), significando que a Administração local pode proceder a demolições de edifícios por carência de condições de solidez, segurança ou salubridade e que não possam ser evitadas por meio de beneficiação economicamente 20

Projecto: ESDIRE-AML, Estratégias e Dinâmicas Residenciais na Área Metropolitana de Lisboa (com Financiamento Plurianual da FCT )

Projecto: ESDIRE-AML, Estratégias e Dinâmicas Residenciais na Área Metropolitana de Lisboa (com Financiamento Plurianual da FCT ) egeo, Centro de Estudos de Geografia e Planeamento Regional Faculdade de Ciência Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa Projecto: ESDIRE-AML, Estratégias e Dinâmicas Residenciais na Área Metropolitana

Leia mais

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural Acesso à Habitação e Problemas Residenciais dos Imigrantes em Portugal Jorge Malheiros e Maria Lucinda Fonseca (coord.) Setembro de 2011, Estudos OI 48 de Portugal (ACIDI) pp. 228 ISBN 978-989-685-043-2

Leia mais

INTERVENÇÕES DE REGENERAÇÃO URBANA EM PORTUGAL

INTERVENÇÕES DE REGENERAÇÃO URBANA EM PORTUGAL INTERVENÇÕES DE REGENERAÇÃO URBANA EM PORTUGAL JESSICA KICK-OFF MEETING FÁTIMA FERREIRA mrferreira@ihru.pt POLÍTICA DE CIDADES NO ÂMBITO DO QREN - PORTUGAL PO Regional Programas integrados de regeneração

Leia mais

Câmara Municipal. Habitação Social. no Município de LAGOS. Programa Global de Realojamento de 56 Famílias. 27 de Janeiro de 2006

Câmara Municipal. Habitação Social. no Município de LAGOS. Programa Global de Realojamento de 56 Famílias. 27 de Janeiro de 2006 Câmara Municipal Habitação Social no Município de LAGOS Programa Global de Realojamento de 56 Famílias 27 de Janeiro de 2006 I. Programa Global de Realojamento de 56 Famílias Breve Enquadramento Metodológico

Leia mais

1. ATUALIZAÇÃO QUANTITATIVA

1. ATUALIZAÇÃO QUANTITATIVA 1. ATUALIZAÇÃO QUANTITATIVA INDICADORES DIAGNOSTICO SOCIAL 2010 Indicadores Periodicidade Fonte Alojamentos (n.º) Decenal INE Censos Alojamento segundo tipo de alojamento (%) Decenal INE Censos Alojamentos

Leia mais

TIPOLOGIA SÓCIO-ECONÓMICA DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA

TIPOLOGIA SÓCIO-ECONÓMICA DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA Informação à Comunicação Social 3 de Fevereiro de 2000 TIPOLOGIA SÓCIO-ECONÓMICA DA ÁREA METROPOLITANA DE LISBOA Introdução Este estudo procura caracterizar as estruturas territoriais na Área Metropolitana

Leia mais

II Convenção Sou de Peniche

II Convenção Sou de Peniche II Convenção Sou de Peniche Apresentação Junho 2008 1 ÍNDICE APRESENTAÇÃO 1. Caso de Peniche 2. Avaliação e Diagnóstico 3. Factores Críticos 4.Recomendações de Politicas e Acções II Convenção Sou de Peniche

Leia mais

Dinâmicas urbanas. condomínios fechados, transformações espaciais e processos de mobilidade residencial

Dinâmicas urbanas. condomínios fechados, transformações espaciais e processos de mobilidade residencial Reconfigurações Espaciais e Diferenciação Social em Cidades de Angola e Moçambique Lisboa, Junho de 2014 Dinâmicas urbanas condomínios fechados, transformações espaciais e processos de mobilidade residencial

Leia mais

3. IMIGRAÇÃO EM PORTUGAL: DA HERANÇA COLONIAL À INTEGRAÇÃO NAS REDES INTERNACIONAIS DE RECRUTAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MÃO-DE-OBRA

3. IMIGRAÇÃO EM PORTUGAL: DA HERANÇA COLONIAL À INTEGRAÇÃO NAS REDES INTERNACIONAIS DE RECRUTAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MÃO-DE-OBRA 3. IMIGRAÇÃO EM PORTUGAL: DA HERANÇA COLONIAL À INTEGRAÇÃO NAS REDES INTERNACIONAIS DE RECRUTAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE MÃO-DE-OBRA A experiência de Portugal como país de imigração, é um fenómeno ainda recente.

Leia mais

(124) Planeamento urbano para a integração de imigrantes

(124) Planeamento urbano para a integração de imigrantes A análise dos grupos profissionais da população activa portuguesa e estrangeira residente na Área Metropolitana do Porto, de acordo com o concelho é a seguinte: Figura 25. Repartição da população activa

Leia mais

REVISÃO DO PDM DE RIBEIRA BRAVA ESTUDOS SECTORIAIS DINÂMICA EDIFICATÓRIA ÍNDICE

REVISÃO DO PDM DE RIBEIRA BRAVA ESTUDOS SECTORIAIS DINÂMICA EDIFICATÓRIA ÍNDICE ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO 4 2. FAMÍLIAS 5 3. ALOJAMENTOS 9 4. EDIFICIOS 21 5. INDICADORES DE EVOLUÇÃO 25 6. ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DO EDIFICADO NAS VÁRIAS CATEGORIAS DO SOLO 30 7. DIAGNÓSTICO 35 8. HABITAÇÃO SOCIAL

Leia mais

Seminário Final. 18 de Junho 2008

Seminário Final. 18 de Junho 2008 O impacto do (des)emprego na pobreza e exclusão social na sub-região Porto-Tâmega pistas de acção estratégicas Porto Rua Tomás Ribeiro, 412 2º 4450-295 Matosinhos tel.: 22 939 91 50 fax.: 22 909 91 59

Leia mais

Plano Municipal de Promoção das Acessibilidades (PMPA)

Plano Municipal de Promoção das Acessibilidades (PMPA) Plano Municipal de Promoção das Acessibilidades (PMPA) Definições O Plano Municipal de Promoção das Acessibilidades irá conter um programa das intenções necessárias para assegurar a acessibilidade física

Leia mais

3. ENVELHECIMENTO DEMOGRÁFICO

3. ENVELHECIMENTO DEMOGRÁFICO 3. ENVELHECIMENTO DEMOGRÁFICO Se o envelhecimento biológico é irreversível nos seres humanos, também o envelhecimento demográfico o é, num mundo em que a esperança de vida continua a aumentar e a taxa

Leia mais

A MOBILIDADE EM CIDADES MÉDIAS ABORDAGEM NA PERSPECTIVA DA POLÍTICA DE CIDADES POLIS XXI

A MOBILIDADE EM CIDADES MÉDIAS ABORDAGEM NA PERSPECTIVA DA POLÍTICA DE CIDADES POLIS XXI Mobilidade em Cidades Médias e Áreas Rurais Castelo Branco, 23-24 Abril 2009 A MOBILIDADE EM CIDADES MÉDIAS ABORDAGEM NA PERSPECTIVA DA POLÍTICA DE CIDADES POLIS XXI A POLÍTICA DE CIDADES POLIS XXI Compromisso

Leia mais

8. CONTEXTOS DE EXCLUSÃO: O CASO PARTICULAR DA HABITAÇÃO

8. CONTEXTOS DE EXCLUSÃO: O CASO PARTICULAR DA HABITAÇÃO Diagnóstico Social do Concelho de Arcos de Valdevez 8. CONTEXTOS DE EXCLUSÃO: O CASO PARTICULAR DA HABITAÇÃO Fotografia 8.1.: Aspecto de uma situação de precariedade habitacional no concelho de Arcos de

Leia mais

Câmara Municipal de Lisboa

Câmara Municipal de Lisboa Câmara Municipal de Lisboa Uma Experiência em Realojamentos Sociais XXXI Programa Iberoamericano de Formación Municipal de la UCCI L i s b o a, 30 de Junho de 2009 Índice de Apresentação 00 Estrutura da

Leia mais

Consórcio CGD/IHRU. Fundo de Desenvolvimento Urbano TEKTÓNICA. Iniciativa Comunitária JESSICA. 9 de Maio 2012

Consórcio CGD/IHRU. Fundo de Desenvolvimento Urbano TEKTÓNICA. Iniciativa Comunitária JESSICA. 9 de Maio 2012 Iniciativa Comunitária JESSICA Fundo de Desenvolvimento Urbano Consórcio CGD/IHRU TEKTÓNICA 9 de Maio 2012 Iniciativa Comunitária JESSICA Consórcio IHRU/GCGD 18 de Abril de 2012 1 Portugal Evolução de

Leia mais

Seminário Inverno demográfico - o problema. Que respostas?, Associação Portuguesa de Famílias Numerosas

Seminário Inverno demográfico - o problema. Que respostas?, Associação Portuguesa de Famílias Numerosas Seminário Inverno demográfico - o problema. Que respostas?, Associação Portuguesa de Famílias Numerosas Painel: Desafio Demográfico na Europa (11h45-13h00) Auditório da Assembleia da República, Lisboa,

Leia mais

Plano de Ação Regional Algarve 2014-2020 Desafios Regionais no contexto da Europa 2020. Recursos Humanos: Desafios para uma Região Inclusiva

Plano de Ação Regional Algarve 2014-2020 Desafios Regionais no contexto da Europa 2020. Recursos Humanos: Desafios para uma Região Inclusiva CONFERÊNCIA Plano de Ação Regional Algarve 2014-2020 Desafios Regionais no contexto da Europa 2020 Estrutura de Apresentação 3. Perspetivas para o Crescimento Inclusivo no contexto da Estratégia Europa

Leia mais

o Urbanismo tem por objecto com a construção racional da cidade, incluindo a renovação e gestão urbanas.

o Urbanismo tem por objecto com a construção racional da cidade, incluindo a renovação e gestão urbanas. Doc 5. Proposta de Projecto de Lei Sobre a Profissão, a Prática e a Formação do Urbanista A necessidade de implementar uma política consistente de Ordenamento do Território e Urbanismo, tem determinado

Leia mais

PROXIMIDADE AEROPORTUÁRIA: CONTRIBUTOS PARA UMA LEITURA SÓCIO-ECOLÓGICA

PROXIMIDADE AEROPORTUÁRIA: CONTRIBUTOS PARA UMA LEITURA SÓCIO-ECOLÓGICA PROXIMIDADE AEROPORTUÁRIA: CONTRIBUTOS PARA UMA LEITURA SÓCIO-ECOLÓGICA João Craveiro, Margarida Rebelo, Marluci Menezes, Paulo Machado Laboratório Nacional de Engenharia Civil Departamento de Edifícios

Leia mais

RESUMO DAS OBRAS VISITADAS:

RESUMO DAS OBRAS VISITADAS: RESUMO DAS OBRAS VISITADAS: Bairro da Laje, freguesia de Porto Salvo: - Parque Urbano Fase IV Os Arranjos Exteriores do Parque Urbano Fase IV do bairro da Laje, inserem-se num vasto plano de reconversão

Leia mais

6º Congresso Nacional da Administração Pública

6º Congresso Nacional da Administração Pública 6º Congresso Nacional da Administração Pública João Proença 30/10/08 Desenvolvimento e Competitividade: O Papel da Administração Pública A competitividade é um factor-chave para a melhoria das condições

Leia mais

Direcção-Geral da Solidariedade e Segurança Social

Direcção-Geral da Solidariedade e Segurança Social Direcção-Geral da Solidariedade e Segurança Social Janeiro/2004 INTRODUÇÃO A experiência da acção social no âmbito da intervenção e acompanhamento das famílias em situação de grande vulnerabilidade social,

Leia mais

Logística e Gestão da Distribuição

Logística e Gestão da Distribuição Logística e Gestão da Distribuição Depositos e política de localização (Porto, 1995) Luís Manuel Borges Gouveia 1 1 Depositos e politica de localização necessidade de considerar qual o papel dos depositos

Leia mais

Encontros do Observatório 2014 Pobreza Infantil

Encontros do Observatório 2014 Pobreza Infantil º Uma iniciativa: Com apoio: 1 Encontros do Observatório, 23 Maio 2014 1. Contextualização O Observatório de Luta contra a Pobreza na Cidade de Lisboa definiu como prioridade temática para 2014 a, problema

Leia mais

E s t r u t u r a V e r d e

E s t r u t u r a V e r d e Estrutura Verde A. Introdução O conceito de Estrutura Verde insere-se numa estratégia de desenvolvimento sustentado, objecto fundamental das políticas do ordenamento do território. A Estrutura Verde é

Leia mais

Observatório Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa

Observatório Luta Contra a Pobreza na Cidade de Lisboa Observatório Luta Contra a Pobreza na Cidade de Apresentação Plenário Comissão Social de Freguesia www.observatorio-lisboa.eapn.pt observatoriopobreza@eapn.pt Agenda I. Objectivos OLCPL e Principais Actividades/Produtos

Leia mais

INTRODUÇÃO O QUE É O PLANO «SALATIA»?

INTRODUÇÃO O QUE É O PLANO «SALATIA»? INTRODUÇÃO O QUE É O PLANO «SALATIA»? No actual cenário económico-financeiro do Mundo e do País, é obrigação de todas as entidades públicas, à sua escala, promoverem medidas de apoio às empresas e às famílias

Leia mais

Projecto REDE CICLÁVEL DO BARREIRO Síntese Descritiva

Projecto REDE CICLÁVEL DO BARREIRO Síntese Descritiva 1. INTRODUÇÃO Pretende-se com o presente trabalho, desenvolver uma rede de percursos cicláveis para todo o território do Município do Barreiro, de modo a promover a integração da bicicleta no sistema de

Leia mais

PATRIMÓNIO DE HABITAÇÃO SOCIAL PROPRIEDADE DO INSTITUTO DE GESTÃO FINANCEIRA DA SEGURANÇA SOCIAL, IP SITO EM ÉVORA

PATRIMÓNIO DE HABITAÇÃO SOCIAL PROPRIEDADE DO INSTITUTO DE GESTÃO FINANCEIRA DA SEGURANÇA SOCIAL, IP SITO EM ÉVORA 1/26 PATRIMÓNIO DE HABITAÇÃO SOCIAL PROPRIEDADE DO INSTITUTO DE GESTÃO FINANCEIRA DA SEGURANÇA SOCIAL, IP SITO EM ÉVORA ESTUDO SÓCIO-ECONÓMICO Évora, 19 de Outubro de 2007 2/26 ÍNDICE 1. Introdução...

Leia mais

4. Visão e objectivos estratégicos

4. Visão e objectivos estratégicos A visão que se propõe para o futuro do Município da Sertã consubstancia-se em VENCER O FUTURO, CONSTRUINDO UM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Esta visão, sustentada na contextualização sócio-económica e ambiental

Leia mais

Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Alhandra

Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Alhandra Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Alhandra O Plano de Pormenor da Frente Ribeirinha de Alhandra estabelece a concepção do espaço urbano, para a área de intervenção do Plano, dispondo, designadamente,

Leia mais

2. Enquadramento metodológico

2. Enquadramento metodológico 1. A Agenda 21 LOCAL 1. Em 1992, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento (CNUAD) aprovou um Plano de Acção para o Século 21, intitulado Agenda 21. Realizada

Leia mais

A Imigração em Portugal

A Imigração em Portugal Immigrant Language Learning A Imigração em Portugal Relatório síntese elaborado pela DeltaConsultores - Projecto financiado pela UE no âmbito do Programa Sócrates Luísa Falcão Lisboa, Fevereiro de 2002

Leia mais

METADE DA POPULAÇÃO RESIDENTE EM CIDADES CONCENTRADA EM APENAS 14 DAS 141 CIDADES

METADE DA POPULAÇÃO RESIDENTE EM CIDADES CONCENTRADA EM APENAS 14 DAS 141 CIDADES Atlas das Cidades de Portugal Volume II 2004 01 de Abril de 2005 METADE DA POPULAÇÃO RESIDENTE EM CIDADES CONCENTRADA EM APENAS 14 DAS 141 CIDADES Apesar das disparidades ao nível da dimensão populacional

Leia mais

Proposta de Alteração de Delimitação das Áreas de Reabilitação Urbana

Proposta de Alteração de Delimitação das Áreas de Reabilitação Urbana Proposta de Alteração de Delimitação das Áreas de Reabilitação Urbana Núcleo Histórico da Vila da Lousã Fundo de Vila Área Urbana Central Nascente da Vila da Lousã Área Urbana Central Poente da Vila da

Leia mais

CAPÍTULO 7 EVOLUÇÃO DA ÁREA NA AUSÊNCIA DO PROJECTO

CAPÍTULO 7 EVOLUÇÃO DA ÁREA NA AUSÊNCIA DO PROJECTO CAPÍTULO 7 EVOLUÇÃO DA ÁREA NA AUSÊNCIA DO PROJECTO ÍNDICE DE TEXTO VII. EVOLUÇÃO DA ÁREA NA AUSÊNCIA DO PROJECTO...219 217 218 VII. EVOLUÇÃO DA ÁREA NA AUSÊNCIA DO PROJECTO O presente capítulo tem como

Leia mais

Principais desafios à coesão social na Área Metropolitana de Lisboa

Principais desafios à coesão social na Área Metropolitana de Lisboa Principais desafios à coesão social na Área Metropolitana de Lisboa 16 de Novembro de 2012 O Projecto REHURB pensar os grandes bairros de habitação social da AML no contexto das políticas de habitação

Leia mais

3. POPULAÇÃO E INDICADORES DEMOGRÁFICOS

3. POPULAÇÃO E INDICADORES DEMOGRÁFICOS 3. POPULAÇÃO E INDICADORES DEMOGRÁFICOS 37 38 3.1. Introdução Para a interpretação dos dados de saúde, quer de morbilidade quer de mortalidade, e nomeadamente para, com base nesses dados, se fazer o planeamento

Leia mais

POLÍTICA E ESTRATÉGIA DE HABITAÇÃO PARA MOÇAMBIQUE

POLÍTICA E ESTRATÉGIA DE HABITAÇÃO PARA MOÇAMBIQUE POLÍTICA E ESTRATÉGIA DE HABITAÇÃO PARA MOÇAMBIQUE Apresentado por :Zefanias Chitsungo (Director Nacional de Habitação e Urbanismo) INTRODUÇÃO Moçambique tem mais de 20 milhões de habitantes; sendo que

Leia mais

1. Como pensam integrar, no âmbito dos poderes e competências da autarquia, as questões da educação intercultural e do combate ao racismo?

1. Como pensam integrar, no âmbito dos poderes e competências da autarquia, as questões da educação intercultural e do combate ao racismo? Gostaríamos de iniciar a resposta a este questionário com uma nota prévia relativamente às questões que nos foram colocadas: as questões da discriminação e do racismo constituem, desde o surgimento desta

Leia mais

FÓRUM CIDADE GRUPO 8

FÓRUM CIDADE GRUPO 8 FÓRUM CIDADE GRUPO 8 UMA NOVA POLÍTICA URBANA Durante os doze anos (1990/2001) que esteve à frente dos destinos de Lisboa, a coligação liderada pelo Partido Socialista demonstrou uma vitalidade e uma capacidade

Leia mais

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural Licença para Criar: Imigrantes nas Artes em Portugal Magda Nico, Natália Gomes, Rita Rosado e Sara Duarte Maio de 2007, Estudos OI 23 Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI)

Leia mais

Apoios Financeiros ao Investimento no Turismo. Anadia, 25 de Fevereiro de 2008 Miguel Mendes

Apoios Financeiros ao Investimento no Turismo. Anadia, 25 de Fevereiro de 2008 Miguel Mendes Apoios Financeiros ao Investimento no Turismo Anadia, 25 de Fevereiro de 2008 Miguel Mendes 2 Apoios Financeiros ao Investimento no Turismo Índice 1 Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) 2 Crédito

Leia mais

REDE SOCIAL L DO CONCELHO DE BRAGANÇA Parte III.2: Habitação o

REDE SOCIAL L DO CONCELHO DE BRAGANÇA Parte III.2: Habitação o REDE SOCIAL DO CONCELHO DE BRAGANÇA Parte III.2: Habitação Parte 3.2 Habitação Neste capítulo iremos abordar a temática da habitação procurando caracterizar a situação do concelho face a indicadores como

Leia mais

INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO A partir de meados do século xx a actividade de planeamento passou a estar intimamente relacionada com o modelo racional. Uma das propostas que distinguia este do anterior paradigma era a integração

Leia mais

REGULAMENTO INTERNO CONSELHO LOCAL DE ACÇÃO SOCIAL DO MUNICÍPIO DA MURTOSA

REGULAMENTO INTERNO CONSELHO LOCAL DE ACÇÃO SOCIAL DO MUNICÍPIO DA MURTOSA REGULAMENTO INTERNO CONSELHO LOCAL DE ACÇÃO SOCIAL DO MUNICÍPIO DA MURTOSA PREÂMBULO Designa-se por rede social o conjunto das diferentes formas de entreajuda, praticadas por entidades particulares sem

Leia mais

Regulamento Municipal do Fundo de Solidariedade Social para a Área da Habitação. Preâmbulo

Regulamento Municipal do Fundo de Solidariedade Social para a Área da Habitação. Preâmbulo Regulamento Municipal do Fundo de Solidariedade Social para a Área da Habitação Preâmbulo Considerando que no Município, um significativo estrato da população, quer por motivos culturais, quer por motivos

Leia mais

A REVITALIZAÇÃO DO CENTRO URBANO- REABILITAÇÃO E GESTÃO DA BAIXA COMERCIAL Luís D. Balula, Luís Sanchez Carvalho. Arquitectos Urbanistas

A REVITALIZAÇÃO DO CENTRO URBANO- REABILITAÇÃO E GESTÃO DA BAIXA COMERCIAL Luís D. Balula, Luís Sanchez Carvalho. Arquitectos Urbanistas A REVITALIZAÇÃO DO CENTRO URBANO- REABILITAÇÃO E GESTÃO DA BAIXA COMERCIAL Luís D. Balula, Luís Sanchez Carvalho. Arquitectos Urbanistas Desenvolvimento Temático: São bem conhecidos os problemas com que

Leia mais

Ano Lectivo 2010/2011 MATRIZ DA PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA

Ano Lectivo 2010/2011 MATRIZ DA PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA Escola Básica e Secundária de Velas Ano Lectivo 2010/2011 MATRIZ DA PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA Ao abrigo do Decreto-Lei N.º74/2004, de 26 de Março com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei

Leia mais

Orientação nº 1/2008 ORIENTAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DA ESTRATÉGIA LOCAL DE DESENVOLVIMENTO (EDL) EIXO 4 REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

Orientação nº 1/2008 ORIENTAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DA ESTRATÉGIA LOCAL DE DESENVOLVIMENTO (EDL) EIXO 4 REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES Programa de da ELABORAÇÃO DA ESTRATÉGIA LOCAL DE DESENVOLVIMENTO (ELD) 1 / 16 Programa de da 1. Caracterização Socioeconómica do Território A caracterização do território deve centrar-se em dois aspectos

Leia mais

Membro da direcção da Revista Intervenção Social Investigadora do CLISSIS Doutoranda em Serviço Social

Membro da direcção da Revista Intervenção Social Investigadora do CLISSIS Doutoranda em Serviço Social A investigação do Serviço Social em Portugal: potencialidades e constrangimentos Jorge M. L. Ferreira Professor Auxiliar Universidade Lusíada Lisboa (ISSSL) Professor Auxiliar Convidado ISCTE IUL Diretor

Leia mais

emocional e social do indivíduo por um longo período, inclusive até a idade adulta.

emocional e social do indivíduo por um longo período, inclusive até a idade adulta. Crescimento e Desenvolvimento das Crianças em Contextos Migratórios: Cabo-Verdianos e Descendentes de Cabo- Verdianos no Bairro da Cova da Moura O crescimento e desenvolvimento de um indivíduo são fortemente

Leia mais

INCLUSÃO DE HABITAÇÕES SOCIAIS PARA REQUALIFICAÇÃO DA ÁREA CENTRAL DE PRESIDENTE PRUDENTE

INCLUSÃO DE HABITAÇÕES SOCIAIS PARA REQUALIFICAÇÃO DA ÁREA CENTRAL DE PRESIDENTE PRUDENTE Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão, Presidente Prudente, 22 a 25 de outubro, 2012 244 INCLUSÃO DE HABITAÇÕES SOCIAIS PARA REQUALIFICAÇÃO DA ÁREA CENTRAL DE PRESIDENTE PRUDENTE João Victor de Souza

Leia mais

PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA MATRIZ

PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA MATRIZ PROVA DE EQUIVALÊNCIA À FREQUÊNCIA MATRIZ 12º Ano de Escolaridade (Decreto-Lei n.º 74/2004) Curso Científico Humanístico PROVA 312/6Págs. Duração da prova: 90 minutos + 30 minutos de tolerância 2010 PROVA

Leia mais

Reforçar a segurança social: uma necessidade política e uma exigência ética

Reforçar a segurança social: uma necessidade política e uma exigência ética I Introdução Considerando que se aproxima um novo ciclo eleitoral e que o mesmo deve ser aproveitado para um sério e profundo debate político que confronte as propostas dos diferentes partidos relativamente

Leia mais

ASSOCIAÇÃO DOS ALBERGUES NOCTURNOS DO PORTO ESBOÇO DE ENQUADRAMENTO TÉCNICO

ASSOCIAÇÃO DOS ALBERGUES NOCTURNOS DO PORTO ESBOÇO DE ENQUADRAMENTO TÉCNICO ASSOCIAÇÃO DOS ALBERGUES NOCTURNOS DO PORTO ESBOÇO DE ENQUADRAMENTO TÉCNICO CENTRO DE ALOJAMENTO DE LONGA DURAÇÃO 1 Introdução A experiência da AANP, decorrente quer da intervenção e acompanhamento diários

Leia mais

Dinamização das Zonas Rurais

Dinamização das Zonas Rurais Dinamização das Zonas Rurais Dinamização das Zonas Rurais A Abordagem LEADER A Europa investe nas Zonas Rurais As zonas rurais caracterizam-se por condições naturais e estruturais que, na maioria dos

Leia mais

Expansão da Plataforma Logística

Expansão da Plataforma Logística CÂMARA U1 Expansão da Plataforma Logística RELATÓRIO DE PONDERAÇÃO DA DISCUSSÃO PÚBLICA DA PROPOSTA DE DELIMITAÇÃO E RESPECTIVO PROGRAMA-BASE DIVISÃO DE PLANEAMENTO E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO D EZ E M

Leia mais

INSTRUMENTOS DE PLANEAMENTO, DE PROGRAMAÇÃO E DE GESTÃO

INSTRUMENTOS DE PLANEAMENTO, DE PROGRAMAÇÃO E DE GESTÃO INSTRUMENTOS DE PLANEAMENTO, DE PROGRAMAÇÃO E DE GESTÃO Áreas de reabilitação urbana, Planos de pormenor de reabilitação urbana, Programas de Acção Territorial Outros instrumentos 1. Os elementos essenciais

Leia mais

ECONOMIA C E ÁREA DE PROJECTO

ECONOMIA C E ÁREA DE PROJECTO ESCOLA SECUNDÁRIA DE CANEÇAS ECONOMIA C E ÁREA DE PROJECTO SEGURANÇA SOCIAL A DESPESA DA POBREZA Bruno Simões, nº 6 12º D David Figueira, nº 9-12º D Fábio Vilela, nº 13 12º D Professores: Ana Rita Castro

Leia mais

Pela primeira vez na história demográfica recente, Portugal registou em 2007 um saldo natural negativo

Pela primeira vez na história demográfica recente, Portugal registou em 2007 um saldo natural negativo Pela primeira vez na história demográfica recente, Portugal registou em 2007 um saldo natural negativo De acordo com os indicadores demográficos disponíveis relativos a 2007, a população residente em Portugal

Leia mais

PLANO DE PORMENOR DO DALLAS FUNDAMENTAÇÃO DA DELIBERAÇÃO DE DISPENSA DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL

PLANO DE PORMENOR DO DALLAS FUNDAMENTAÇÃO DA DELIBERAÇÃO DE DISPENSA DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL FUNDAMENTAÇÃO DA DELIBERAÇÃO DE DISPENSA DE AVALIAÇÃO AMBIENTAL Deliberação da Reunião Câmara Municipal de 29/11/2011 DIRECÇÃO MUNICIPAL DE URBANISMO DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE PLANEAMENTO URBANO DIVISÃO

Leia mais

Benefícios Fiscais. Incentivos em regime contratual

Benefícios Fiscais. Incentivos em regime contratual Benefícios Fiscais O Estatuto dos Benefícios Fiscais consagra um conjunto de medidas de isenção e redução da carga fiscal para diversos tipos de projectos e investimentos. Os incentivos e benefícios fiscais

Leia mais

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: OS EQUÍVOCOS MAIS FREQUENTES

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: OS EQUÍVOCOS MAIS FREQUENTES VIOLÊNCIA NA ESCOLA: OS EQUÍVOCOS MAIS FREQUENTES SEBASTIÃO, João ESES/CIES ALVES, Mariana Gaio (mga@fct.unl.pt) FCT-UNL/CIES CAMPOS, Joana (j.campos@netvisao.pt) ESES/CIES CORREIA, Sónia Vladimira CIES

Leia mais

Porquê que a Guiné-Bissau necessita de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Estatística

Porquê que a Guiné-Bissau necessita de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Estatística Porquê que a Guiné-Bissau necessita de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Estatística Como podem as estatísticas nacionais contribuir aos avanços direccionados a satisfação das necessidades

Leia mais

GRANDES OPÇÕES DO PLANO 2011

GRANDES OPÇÕES DO PLANO 2011 GRANDES OPÇÕES DO PLANO 2011 1. Análise do Plano Plurianual de Investimentos (PPI) Neste orçamento, o Município ajustou, as dotações para despesas de investimento, ao momento de austeridade que o país

Leia mais

Direcção-Geral da Saúde

Direcção-Geral da Saúde Assunto: Avaliação Ambiental Estratégica Recomendações para a integração e apreciação da Componente Saúde Humana nos Planos Municipais de Ordenamento do Território Nº: 36/DA DATA:09.10.09 Para: Contacto

Leia mais

MESTRADO EM ECONOMIA PORTUGUESA E INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES

MESTRADO EM ECONOMIA PORTUGUESA E INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES MESTRADO EM ECONOMIA PORTUGUESA E INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL UNIDADES CURRICULARES OBRIGATÓRIAS PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES Análise de Informação Económica para a Economia Portuguesa 1. Identificação

Leia mais

O Concelho de Beja. Localização

O Concelho de Beja. Localização O Concelho de Beja Localização Beja, capital de distrito, situa-se na região do Baixo Alentejo, no coração da vasta planície alentejana. É sede de um dos maiores concelhos de Portugal, com cerca de 1150

Leia mais

Instituto da Segurança Social, IP

Instituto da Segurança Social, IP Instituto da Segurança Social, IP SUMÁRIO Pobreza e Exclusão Social A Estratégia de Lisboa e o MAC social A Estratégia da Inclusão Activa A Estratégia UE2020 2010: Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza

Leia mais

3 Panorama da Habitação

3 Panorama da Habitação 3 Habitação... 45 3.1 Famílias Clássicas, Alojamentos Familiares e Edifícios por freguesia... 45 3.1.1 Rácios alojamentos familiares/edifícios e Famílias/Alojamentos familiares... 46 3.1.2 Taxa de variação

Leia mais

Plano Local de Promoção e Protecção dos Direitos da Criança

Plano Local de Promoção e Protecção dos Direitos da Criança Plano Local de Promoção e Protecção dos Direitos da Criança 2012-2014 Índice Introdução. 3 I. Fundamentação...4 II. Eixos Estratégicos... 7 1 Articulação Interinstitucional... 7 2 Estudo e análise da realidade

Leia mais

Estratégia Nacional para a Habitação

Estratégia Nacional para a Habitação Estratégia Nacional para a Habitação 8 de maio de 2015 Estrutura do Documento O diagnóstico As oportunidades A articulação com outras políticas A visão, os pilares e os desafios As medidas e iniciativas

Leia mais

1998/2008 Ideias do GEOTA sobre 10 anos de Lei de Bases de Ordenamento do Território

1998/2008 Ideias do GEOTA sobre 10 anos de Lei de Bases de Ordenamento do Território 1998/2008 Ideias do GEOTA sobre 10 anos de Lei de Bases de Ordenamento do Território O GEOTA Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, acompanha desde 1997 a Lei de Bases do Ordenamento

Leia mais

Caraterização da Área de Reabilitação Urbana Edificado e População Fonte: Censos 2011

Caraterização da Área de Reabilitação Urbana Edificado e População Fonte: Censos 2011 Caraterização da Área de Reabilitação Urbana Edificado e População Fonte: Censos 211 Cristina Maria Magalhães Dinis Técnica Superior de Sociologia Julho de 213 Gabinete de Reabilitação Urbana Departamento

Leia mais

NOTAS SOBRE A PROCURA DE EMPREGO DOS DIPLOMADOS EM SOCIOLOGIA EM PORTUGAL

NOTAS SOBRE A PROCURA DE EMPREGO DOS DIPLOMADOS EM SOCIOLOGIA EM PORTUGAL NOTAS SOBRE A PROCURA DE EMPREGO DOS DIPLOMADOS EM SOCIOLOGIA EM PORTUGAL Os dados disponibilizados pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais do Ministério da Ciência,

Leia mais

DIRETIVA BLUE CARD :: Fundação Evert Vermeer DIRETIVA BLUE CARD

DIRETIVA BLUE CARD :: Fundação Evert Vermeer DIRETIVA BLUE CARD DIRETIVA BLUE CARD :: Fundação Evert Vermeer DIRETIVA BLUE CARD Em Maio de 2009, os Estados-Membros da UE aprovaram a adopção de uma directiva referente à entrada e residência de migrantes no seio da União

Leia mais

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, I.P.

PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, I.P. O Discurso Oficial do Estado sobre a Emigração dos Anos 60 a 80 e a Imigração dos Anos 90 à Actualidade Vanda Santos Outubro de 2004, Estudo OI 8 Observatório da Imigração de Portugal Alto Comissariado

Leia mais

Plano de Mobilidade Sustentável de Vendas Novas. Relatório de Diagnóstico

Plano de Mobilidade Sustentável de Vendas Novas. Relatório de Diagnóstico Plano de Mobilidade Sustentável de Vendas Novas Relatório de Diagnóstico Setembro de 2007 Projecto: Projecto Mobilidade Sustentável Equipa Técnica: Av. Rovisco Pais, 1 Pav. Mecânica I, 2º andar 1049-001

Leia mais

Imobiliário: estudo conclui que é preciso apostar em novos segmentos

Imobiliário: estudo conclui que é preciso apostar em novos segmentos Re-Search Angola Imobiliário: estudo conclui que é preciso apostar em novos segmentos Está a emergir em Angola uma classe média, com maior poder de compra e interesse em adquirir casa própria. Esta é uma

Leia mais

UM PRIMEIRO BALANÇO CONCLUSIVO E RECOMENDAÇÕES 1

UM PRIMEIRO BALANÇO CONCLUSIVO E RECOMENDAÇÕES 1 UM PRIMEIRO BALANÇO CONCLUSIVO E RECOMENDAÇÕES 1 1. Um primeiro balanço conclusivo Os dados estatísticos disponíveis ao nível nacional sobre a caracterização da população que se encontra abaixo do limiar

Leia mais

Análise dos resultados do(s) workshops do sector de Habitação

Análise dos resultados do(s) workshops do sector de Habitação Habitação Análise dos resultados do(s) workshops do sector de Habitação No que à temática da habitação diz respeito, encontramos, entre os principais problemas referenciados nos workshops : Reabilitação;

Leia mais

EMPREGO E DESEMPREGO NO NORTE DE PORTUGAL

EMPREGO E DESEMPREGO NO NORTE DE PORTUGAL Seminário NORTE 2015 O Desenvolvimento Regional no Novo Horizonte Europeu: O caso do Norte de Portugal 25.Maio.2005 EMPREGO E DESEMPREGO NO NORTE DE PORTUGAL JOSÉ M. VAREJÃO Enquadramento Trajectória desfavorável

Leia mais

PROGRAMA GEODATA FOMENTO HABITACIONAL E PROMOTORES URBANISTICOS

PROGRAMA GEODATA FOMENTO HABITACIONAL E PROMOTORES URBANISTICOS PROGRAMA GEODATA FOMENTO HABITACIONAL E PROMOTORES URBANISTICOS Referência GDT_20150607_PUFH Versão 3 Data 07 de Junho de 2015 META-INFORMAÇÃO: Título Fomento Habitacional e Promotores Urbanísticos Data

Leia mais

Pré-Diagnóstico Social do Concelho de Alenquer

Pré-Diagnóstico Social do Concelho de Alenquer A questão da habitação apresenta-se em Portugal como um dos mais pesados problemas herdados de um passado recente, marcado pela quase total ausência de políticas promotoras da qualidade de vida. Na verdade,

Leia mais

INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL

INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL TRANSFORMAR ASSENTAMENTOS IRREGULARES EM BAIRROS Autor(es): Gabriel Carvalho Soares de Souza, Alexandre Klüppel, Bruno Michel, Irisa Parada e Rodrigo Scorcelli Ao considerar a Favela como um fenômeno que

Leia mais

Definição estrutural operacional de Salamon e Anhheir (1996)

Definição estrutural operacional de Salamon e Anhheir (1996) José Alberto Reis Definição estrutural operacional de Salamon e Anhheir (1996) 1) têm um relativo nível de organização; 2) são privadas, i.e. separadas do governo; 3) não distribuem lucros; 4) são auto

Leia mais

Dinamizar o Empreendedorismo e promover a Criação de Empresas

Dinamizar o Empreendedorismo e promover a Criação de Empresas Dinamizar o Empreendedorismo e promover a Criação de Empresas À semelhança do que acontece nas sociedades contemporâneas mais avançadas, a sociedade portuguesa defronta-se hoje com novos e mais intensos

Leia mais

A IMIGRAÇÃO EM PORTUGAL E NO ALENTEJO. A SINGULARIDADE DO CONCELHO DE ODEMIRA.

A IMIGRAÇÃO EM PORTUGAL E NO ALENTEJO. A SINGULARIDADE DO CONCELHO DE ODEMIRA. A IMIGRAÇÃO EM PORTUGAL E NO ALENTEJO. A SINGULARIDADE DO CONCELHO DE ODEMIRA. - RESULTADOS PRELIMINARES - Alina Esteves Ana Estevens Jornadas de Reflexão 29 de Maio A Realidade da Imigração em Odemira

Leia mais

Rio de Janeiro, 5 de Dezembro de 2003

Rio de Janeiro, 5 de Dezembro de 2003 Intervenção de Sua Excelência a Ministra da Ciência e do Ensino Superior, na II Reunião Ministerial da Ciência e Tecnologia da CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa Rio de Janeiro, 5 de Dezembro

Leia mais

Carta de Leipzig sobre as Cidades Europeias Sustentáveis

Carta de Leipzig sobre as Cidades Europeias Sustentáveis Carta de Leipzig sobre as Cidades Europeias Sustentáveis Adoptada na reunião informal dos Ministros responsáveis pelo Desenvolvimento Urbano e Coesão Territorial, em 24 e 25 de Maio de 2007, em Leipzig

Leia mais

PNAI Plano Nacional de Acção para a Inclusão (2003-2005)

PNAI Plano Nacional de Acção para a Inclusão (2003-2005) V Articulação O PDS deve integrar orientações de outros programas a nível nacional, regional e localmente com os diversos planos, projectos, serviços e sectores específicos do Município, criando sinergias

Leia mais

A POSIÇÃO DE PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO

A POSIÇÃO DE PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO A POSIÇÃO DE PORTUGAL NA EUROPA E NO MUNDO Portugal situa-se no extremo sudoeste da Europa e é constituído por: Portugal Continental ou Peninsular (Faixa Ocidental da Península Ibérica) Parte do território

Leia mais

PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES. Análise de Informação Económica para a Economia Portuguesa

PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES. Análise de Informação Económica para a Economia Portuguesa MESTRADO EM ECONOMIA PORTUGUESA E INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL PROGRAMAS DAS UNIDADES CURRICULARES UNIDADES CURRICULARES OBRIGATÓRIAS Análise de Informação Económica para a Economia Portuguesa 1. Identificação

Leia mais

Sociedade de capitais exclusivamente públicos, criada em Novembro de 2004 CAPITAL

Sociedade de capitais exclusivamente públicos, criada em Novembro de 2004 CAPITAL Reabilitação Urbana Sustentável o caso do Centro Histórico e da Baixa da cidade do Porto Álvaro Santos Presidente Executivo do Conselho de Administração Porto, 13 de Julho de 2015 Porto Vivo, SRU Sociedade

Leia mais

Integrado do Vale do Minho. Av. Miguel Dantas, n.º 69. 4930-678 Valença. Tel.: +351 251 825 811/2. Fax: +351 251 825 620. adriminho@mail.telepac.

Integrado do Vale do Minho. Av. Miguel Dantas, n.º 69. 4930-678 Valença. Tel.: +351 251 825 811/2. Fax: +351 251 825 620. adriminho@mail.telepac. Eixo 3 do PRODER Dinamização das zonas Rurais Englobam no eixo 3 do PRODER Abordagem Leader as seguintes Medidas e Acções Medida 3.1 Diversificação da Economia e Criação de Emprego 3.1.1 Diversificação

Leia mais

O setor de habitação social na Dinamarca

O setor de habitação social na Dinamarca O setor de habitação social na Dinamarca O documento de 10 págs refere logo na Introdução que o quadro regulamentar em relação ao setor da habitação social dinamarquês é baseado em duas leis principais,

Leia mais