DISCIPLINA: TIPO DE ATIVIDADE: PROFESSOR(A): HISTÓRIA TEXTO COMPLEMENTAR 3º Trimestre RHAYARA LIRA

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1 Natal, RN / /2014 A LUNO: Nº SÉRIE/ANO: TURMA: TURNO: 8º M DISCIPLINA: TIPO DE ATIVIDADE: PROFESSOR(A): HISTÓRIA TEXTO COMPLEMENTAR 3º Trimestre RHAYARA LIRA Absolutismo e sociedade na Inglaterra do século XVI No século XVI a monarquia inglesa era absolutista (mas o Parlamento já tinha grande representatividade nas decisões políticas e econômicas). Seus governantes tinham enorme poder. Esse foi o caso, por exemplo, da rainha Elizabeth I. No seu reinado, assistiu-se ao enriquecimento da burguesia (comerciantes e donos de manufaturas), da pequena nobreza rural (gent ry, em inglês) e dos pequenos proprietários rurais (yeomen, em inglês). Para criar ovelhas (e extrair lã), eles cercavam domínios, e expulsavam as famílias que lá viviam. A essa prática, deu-se o nome de cercamentos. Sem terra onde plantar ou criar, os camponeses vagavam pelas estradas ou iam para as cidades, sobretudo para Londres, onde se ofereciam para trabalhar por baixíssimos salários. Monarquia x Parlamento Com a morte da rainha Elizabeth I, seu primo Jaime I, assumiu o trono inglês ( ) - pois a rainha não tinha filhos, isso marcou o início da Dinastia Stuart. Durante essa dinastia, ocorreram vários conflitos envolvendo diferentes grupos sociais e religiões. A maior parte da gent ry e da burguesia seguia o puritanismo/calvinismo e defendia que cada um deveria agir conforme a Bíblia e a sua própria consciência. Para os puritanos, a Igreja deveria ser independente do Estado. Já a alta nobreza e o rei inglês praticavam o anglicanismo, religião que adota rituais católicos e doutrina protestante e o chefe da Igreja é o próprio rei. O Parlamento inglês não estava satisfeito com a forma como Jaime I vinha governando. Para aumentar ainda mais essa rivalidade, julgando ter direito divino, Jaime tentou impor o anglicanismo a todos os seus súditos. Além disso, criou impostos e aumentou os já existentes. Mas como a maioria no Parlamento se opôs a essas medidas, o rei mandou fechá-lo, revelando assim, seu absolutismo. Carlos I, sucessor e filho de Jaime I, a partir de 1625, também se mostrou autoritário, aumentou os impostos e também demonstrou simpatia à Igreja Católica, concedeu monopólios a grupos burgueses específicos, além do mais, ele foi duramente repressor com quem se opunha ao seu governo. A sua governança foi um período de perseguições, julgamentos e torturas. A Revolução Puritana Como a oposição parlamentar ao seu governo aumentou, Carlos I declarou-se opositor ao Parlamento, iniciando-se então uma guerra civil ( ), na qual as forças do rei lutaram contra as forças do Parlamento, lideradas por Oliver Cromwell (membro da Câmara dos Comuns, defensor do Protestantismo Calvinista e conservador). A Inglaterra ficou dividida entre as regiões que permaneciam fieis ao rei e aquelas que apoiavam o Parlamento. As forças de Cromwell organizaram um exército revolucionário, conhecido como Exército de Novo Tipo, em sua formação havia pessoas oriundas dos

2 mais diversos setores sociais: nobres, burgueses, comerciantes e pequenos proprietários de terras. Com o apoio de grande parte da população, o exército prendeu o rei e expulsou do Parlamento todas as pessoas que manifestavam apoio a ele. Em 1649, Carlos I foi julgado e decapitado, sob a acusação de traição à pátria em virtude de sua política de aproximação com a Igreja Católica. A República Puritana Com a execução do rei e a expulsão de todos os seus apoiadores do Parlamento, a Inglaterra deixava de ser uma monarquia, pois Oliver Cromwell proclamou uma república (em inglês, Commonwealth). A Igreja anglicana foi suprimida. Levantes contra o governo de Cromwell, assim como movimentos populares foram esmagados pelo Exército de Novo Tipo. Em 1653, Cromwell dissolveu o que restava do Parlamento e assumiu o título vitalício de Lorde Protetor, tornando-se, na prática, o ditador da República Inglesa. Durante a ditadura de Cromwell, várias terras foram confiscadas. Outra medida adotada pelo ditador foi uma série de leis, conhecidas como "leis puritanas", em virtude de sua inspiração religiosa. Essas leis proibiram a exibição de espetáculos públicos e foram responsáveis pelo fechamento de teatros, salas de concerto e de ópera. Até mesmo as festas públicas, como as comemorações de Natal, foram proibidas. Cromwell unificou a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda em uma só república. Ironicamente, ele acumulou mais poder do que qualquer monarca que tenha governado anteriormente. A política econômica de Cromwell destacou-se pela criação dos Atos de Navegação, a medida estabelecia que todas as mercadorias que entrassem na Inglaterra só poderiam ser transportadas em navios ingleses ou dos países produtores. Isso garantia o monopólio comercial marítimo à Inglaterra. A Restauração e a Revolução Gloriosa Após a morte de Cromwell em 1658, o Parlamento reconstituído, desmobilizou o exército revolucionário e restaurou a monarquia e a dinastia Stuart, trazendo ao poder o rei Carlos II, este por sua vez, tinha poderes limitados devido a uma nova legislação. Mesmo assim, um dos primeiros atos do novo rei foi desenterrar os corpos de Oliver Cromwell e dos homens responsáveis pela execução do rei Carlos I, para que fossem enforcados e decapitados em praça pública e as pessoas entendessem que nenhum outro crime de regicídio (matar um rei) ficaria impune. Após a sua morte, assume o seu irmão, Jaime II, no entanto, de uma forma mais acentuada do que Carlos I, Jaime demonstrava um desejo muito forte em fortalecer o absolutismo. O Parlamento atento a isso e com o apoio de grandes comerciantes, proprietários rurais e financistas, depôs Jaime II, e em seu lugar, colocou seu genro Guilherme de Orange e sua esposa, Maria Stuart (filha de Jaime II). Eles foram obrigados a jurar a Declaração dos Direitos, que limitava os poderes do rei e o proibia de governar sem o Parlamento. E a partir de então vigorava oficialmente o sistema denominado de Monarquia Parlamentarista. O processo revolucionário na Inglaterra marcou a primeira grande crise do absolutismo na Europa. O Estado burguês dele resultante criou as condições necessárias para que o capitalismo industrial se desenvolvesse na Inglaterra, no decorrer do século XVIII.

3 A Revolução Industrial A Revolução Industrial foi um conjunto de mudanças profundas no modo de os seres humanos viverem, relacionarem-se e reproduzirem mercadorias. Antes da Revolução Industrial, as formas de produção predominantes nas cidades europeias eram o artesanato e a manufatura. Do artesanato à maquinofatura No artesanato, as tarefas eram feitas geralmente pela mesma pessoa. No caso da confecção de sapatos, por exemplo, era o sapateiro que inventava o modelo, cortava, costurava, colava o couro e dava acabamento. O artesão era o dono da matéria-prima e das ferramentas e conhecia todas as etapas da produção; a oficina, muitas vezes, ficava em um cômodo da sua casa. No século XV, os homens de negócios passaram a reunir trabalhadores em grandes galpões, fornecendo a eles a matéria-prima necessária e remunerando seu serviço. Essa forma de produção é chamada de manufatura. Nela, a oficina e as ferramentas pertencem ao capitalista e ocorre uma divisão do trabalho. Depois, com a criação de máquinas industriais, ocorreram mudanças profundas. Cada uma dessas máquinas substitui diversas ferramentas e realiza o trabalho de várias pessoas, que foram deixando de trabalhar em casa ou em oficinas, e passaram a trabalhar em fábricas, para um patrão, em troca de um salário. Essa nova forma de produção, recebeu o nome de maquinofatura. O pioneirismo inglês Foi na Inglaterra que se desenvolveram as primeiras máquinas movidas a vapor. Foi lá também que se viram pela primeira vez fábricas enormes e chaminés que lançavam uma fumaça muito escura, poluindo o ar e causando doenças respiratórias. Entre os fatores que favoreceram o pioneirismo inglês na Revolução Industrial, podemos citar: -Os capitais acumulados por meio das atividades do comércio internacional (principalmente o tráfico de escravos); -A mão-de-obra farta e barata, uma vez que milhares de camponeses haviam sido obrigados a se mudar para as cidades por causa dos cercamentos, que os expulsaram de suas terras; -A Revolução Gloriosa, que conferiu estabilidade política e criou condições para o desenvolvimento do capitalismo na Inglaterra; -A existência de ricas minas de carvão e ferro (necessárias para a indústria); -O desenvolvimento de um dinâmico comércio interno; -A força do puritanismo, que não condenava o lucro e pregava uma vida disciplinada e voltada para o trabalho e para a oração. As máquinas A primeira indústria a utilizar máquinas - ou seja, a se mecanizar - foi a de tecidos de algodão. O empresariado inglês interessou-se por esse ramo porque havia procura por tecidos em todo o mundo. Além disso, o algodão vindo do Oriente, dos Estados Unidos e do Brasil (produzido por escravizados) era barato. Visando produzir tecidos de boa qualidade a um custo mais baixo, os capitalistas ingleses passaram a oferecer prêmios em dinheiro para quem inventasse máquinas de fiar e tecer. E com a invenção do tear mecânico, revoluciona-se o modo de produzir

4 tecidos, pois agora produzia-se em muito maior quantidade (favorecendo a necessidade de exportação) e em intervalos de tempo muito menores. Máquina a vapor: um marco da Revolução Industrial Até então, as máquinas eram feitas basicamente de madeira. A utilização do vapor, contudo, exigia um material mais resistente. Essa necessidade levou ao aperfeiçoamento da metalurgia. Aos poucos, as máquinas passaram a ser feitas de ferro e a energia do vapor pôde ser aplicada a diversos ramos da indústria. Daí a criação do barco e da locomotiva a vapor, inventos que revolucionaram os meios de transporte no século XIX. Met alurgia: conjunto de t ratamentos físicos e químicos para produzir metais como o ferro A vida nas fábricas O ambiente das fábricas era sujo, escuro e sem ventilação adequada. Havia falta de refeitórios e de banheiros, e o ar era quase irrespirável, sobretudo nas tecelagens, por causa dos fiapos de lã. O trabalho era repetitivo e as jornadas, muito longas. Crianças, homens e mulheres trabalhavam de 14 a 18 horas por dia, parando apenas para fazer as refeições. Era comum que os operários recebessem ameaças e castigos no trabalho ou fossem multados por faltas irrelevantes: porque estavam sujos, por terem assobiado ou cochilado em serviço. Crianças a partir dos 6 anos e mulheres eram a mão-de-obra preferida dos empregadores, pois seus salários correspondiam a cerca de um terço do salário de um homem. A vida fora das fábricas A casa dos operários resumia-se geralmente a um só cômodo, que servia para tudo: lavar roupas, dormir, cozinhar, fazer refeições, brincar, etc. O banheiro ficava do lado de fora e era usado por diversas famílias. Nos bairros operários, as ruas não eram calçadas e os esgotos corriam a céu aberto. O fato de a água não ser tratada facilitava a ocorrência de doenças epidêmicas, como a cólera, que matou milhares de pessoas na época. Mas ainda assim, as pessoas preferiam a cidado ao campo, pois no campo não havia boas oportunidades de sobrevivência. Já os donos das fábricas tinham condições de vida bem diferentes, a partir do enriquecimento que eles conseguiram com o lucro proveniente da venda dos produtos fabricados, eles levavam uma vida de luxo e conforto. Essa realidade desigual se propagou para todos os países em que a Revolução Industrial se propagou. O controle da vida social e privada dos trabalhadores Como vimos, a Revolução Industrial não se deu apenas como consequência do uso do vapor ou da energia elétrica. Outro tipo de energia foi fundamental: a energia humana. Sem a força motriz de homens e mulheres, as fábricas não seriam nada. Porém, a maneira de canalizar essa energia foi transformada. O tempo (antes encarado como um elemento da vida do qual os trabalhos dispunham da maneira como bem entendessem) foi se transformando cada vez mais em mercadoria. Se antes os trabalhos eram feitos por tarefas, aos poucos o relógio se impôs no cotidiano e os trabalhadores passaram a receber pelo tempo de trabalho. Daí a ideia de que "tempo é dinheiro". A

5 disciplina foi cada vez mais estimulada para que não se perdesse tempo. Para isso, a própria cultura da sociedade precisava ser alterada. E foi. Algumas consequências da Revolução Industrial A partir da Revolução Industrial o mundo não seria mais o mesmo. Também as relações entre as pessoas mudaram em muitos aspectos. Mecanização, novos produtos, poluição ambiental e conflito sociais passariam cada vez mais a fazer parte do cotidiano da maioria das sociedades. Era a consolidação do capit alismo, agora em bases industriais. Como algumas consequências deste processo temos: -utilização constante de máquinas e maior divisão do trabalho, com o consequente aumento da produção e produtividade e a perda, por parte do trabalhador, do controle sobre o próprio trabalho e sobre os lucros; -Crescimento da urbanização e despovoamento das áreas rurais; -Decréscimo das artesãos, que não conseguiam competir com mercadorias mais baratas produzidas pelas fábricas; -Consolidação do sistema capitalista de produção; -Expansão do colonialismo para obtenção de matérias-primas; -Desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação. Estudando conceitos... Guerra civil Conflito armado entre grupos ou partidos de um mesmo país. Por isso, as guerras civis costumam também serem chamadas de guerras fraticidas. Monarquia Parlamentar Tipo de monarquia surgida na Inglaterra no século XVII, ao fim do processo revolucionário que culminou com a Revolução Gloriosa. Na monarquia parlamentar, o poder do monarca é limitado e o chefe de governo convencionalmente é o Primeiro Ministro. Capitalismo Sistema econômico e social no qual ocorre a acumulação de riquezas (na forma de dinheiro e de bens móveis) nas mãos de alguns indivíduos (pessoas físicas) ou empresas (pessoas jurídicas) e se desenvolveu na Europa Ocidental entre os séculos XVI e XIX e que, progressivamente difundiu-se pelo mundo até se tornar o sistema hegemônico de produção, compra e venda de mercadorias. Segundo os pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels, o capitalismo é um modo de produção de mercadorias baseado na propriedade privada dos meios de produção (como máquinas, equipamentos e instalações necessárias à produção, fontes de energias, terras) e na exploração da mão-de-obra assalariada. O trabalhador assalariado constitui-se como classe social a partir do momento em que camponeses e artesãos foram expropriados de seus meios de vida, como a terra e ferramentas simples, e se converteram em proletários, obrigados a nvender seu trabalho em troca de um salário. A obtenção de lucro é o foco do capitalismo.

6 Parlamento É o órgão pelo qual passam todas as decisões administrativas, políticas e econômicas na Inglaterra. É uma assembleia formada por membros da sociedade. No período que estamos estudando, a câmara dos comuns e a câmara dos lordes, especificamente compunham o Parlamento. Declaração de Direitos A Declaração de Direitos de 1689 (em inglês Bill of Rights) é um documento feito na Inglaterra pelo Parlamento que determinou, entre outras coisas, a liberdade, a vida e a propriedade privada, assegurando o poder do Parlamento na Inglaterra e limitando o poder do rei. Desta forma, o então rei Guilherme de Orange e a rainha Maria Stuart tinham poderes limitados e estavam proibidos de governar sem o Parlamento. IMAGENS Rainha Elizabeth I

7 Rei Jaime I Rei Carlos I Oliver Cromwell

8 Rei Carlos II Rei Jaime II Guilherme de Orange Maria Stuart

9 A coroação de Guilherme de Orange e de Maria Stuart (A Revolução Gloriosa e o estabelecimento da Monarquia Parlamentarista) As chaminés das fábricas - poluição

10 A especialização do trabalho O tear mecânico Referências Bibliográficas: BOULOS JR, Alfredo. História Sociedade & Cidadania. 2 ed. São Paulo: FTD, PILETTI, Nelson; PILETTI, Claudino. História e vida integrada. 4 ed. São Paulo: Ática, ALVES, Alexandre; FAGUNDES, Letícia. Conexões com a História. 1 ed. São Paulo: Moderna, VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História Geral e do Brasil. 1 ed. São Paulo: Scipione, 2011.

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