UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB CENTRO DE TECNOLOGIA - CT CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB CENTRO DE TECNOLOGIA - CT CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO OBRAS DO PROGRAMA REUNI: UM ESTUDO DAS PRINCIPAIS CAUSAS DA DIFERENÇA ENTRE O ORÇAMENTO CONTRATADO E O REALIZADO GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA João Pessoa PB Dezembro de

2 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA - UFPB CENTRO DE TECNOLOGIA - CT CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO OBRAS DO PROGRAMA REUNI: UM ESTUDO DAS PRINCIPAIS CAUSAS DA DIFERENÇA ENTRE O ORÇAMENTO CONTRATADO E O REALIZADO GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba como prérequisito para conclusão do curso de graduação em Engenharia Civil. João Pessoa PB Dezembro de

3 FOLHA DE APROVAÇÃO GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA OBRAS DO PROGRAMA REUNI: UM ESTUDO DAS PRINCIPAIS CAUSAS DA DIFERENÇA ENTRE O ORÇAMENTO CONTRATADO E O REALIZADO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado dia 19/12/2011 perante a seguinte Comissão Julgadora: Profª. Ana Cristina Taigy, DSc. Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do CT/UFPB Givanildo Alves de Azeredo, DSc. Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do CT/UFPB Prof. Leonardo Vieira Soares, DSc. Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do CT/UFPB Prof. Leonardo Vieira Soares, DSc. Coordenador do Curso de Graduação em Engenharia Civil 2

4 Dedicatória: À minha mãe, Virgínia Vânia, que sempre incentivou meu crescimento profissional. À minha namorada, Priscilla Corrêa, que sempre esteve ao meu lado apoiando. Aos meus avós, Djalma e Isaura, e a toda minha família que torce pelo meu sucesso. 3

5 AGRADECIMENTOS À Deus por ter me iluminado no desenvolver desse trabalho. À professora Ana Cristina Taigy, por ter me orientado nesse projeto. E a todos que contribuíram direto e indiretamente para a realização desse trabalho. À minha mãe, por sempre ajudar na minha vida acadêmica sem medir esforços para que eu alcance meus objetivos, além de todo amor e dedicação ao me educar, sendo fundamentais na formação do meu caráter, na distinção dos valores que o formam e merecedores de todo mérito por eu haver chegado até aqui. À minha namorada, por, além de dividir comigo suas alegrias e ser, em especial, motivo das minhas, compartilhar as horas difíceis, incentivar meu crescimento, apoiar minhas decisões e, principalmente, por acreditar em mim. 4

6 RESUMO A execução de uma obra de engenharia civil é algo complexo e composto de diversas atividades que estão interligadas durante a construção. O planejamento de obras tem como objetivo definir métodos e técnicas aliados à mão-de-obra, equipamentos e materiais de acordo com a etapa da construção, compatibilizando eficiência com custos, prazos e qualidade. Com o incentivo do Ministério da Educação para o crescimento das Universidades Federais pelo Programa REUNI, a quantidade de obras dentro das mesmas têm crescido, porém, sem o devido planejamento, essas construções tendem a ultrapassar o valor apresentado na planilha de serviços contratada no processo licitatório. Nesse ambiente de pesquisa, esse trabalho tem como meta analisar as planilhas de obras concluídas na Universidade Federal da Paraíba, comparando o valor pago com aditivo financeiro com o valor contratado de cada obra nova ou reforma e identificar quais são os serviços mais representativos nos respectivos acréscimos financeiros juntamente com as justificativas apresentadas nos relatórios elaborados pelos engenheiros fiscais, além de buscar melhorias no intuito de aperfeiçoar o processo orçamentário. A metodologia utilizada recolheu os dados contidos nos relatórios dos orçamentos das obras aditadas nos Campi I, II e III e em questionários respondidos pelos engenheiros fiscais como o objetivo de explicar o problema analisado a fim de chegar a conclusões num nível de generalização maior. Esse estudo conclui determinando os principais serviços que apresentam aditivos em orçamentos de obra do Programa REUNI/UFPB, bem como as principais justificativas apresentadas como causa deste problema mostrando a importância de se planejar uma obra. Palavras Chaves: Planejamento de obras; Orçamento; Aditivo financeiro 5

7 ABSTRACT The execution of a work of engineering is complex and composed of several activities that are connected during construction. The planning work aims to define methods and techniques combined with the manpower, equipment and materials according to the stage of construction, combining efficiency with cost, schedule and quality. With the encouragement of the Ministry of Education for the growth of Federal Universities by Program REUNI, the amount of work has grown within the same, but without proper planning, these buildings tend to exceed the amount shown in worksheet contracted services in the bidding process. In this research environment, this work aims to analyze the worksheets completed works at the Federal University of Paraiba, comparing the amount paid to financial additive with the contracted value of each new construction or reform and identify what services are most representative in the respective additions together with the financial justifications presented in fiscal reports by engineers, in addition to seeking improvements in order to improve the budget process. The methodology collected the data contained in the reports of the budgets of works added in Campi I, II and III and questionnaires completed by engineers as the tax purposes of understanding the problem analyzed in order to reach conclusions in a higher level of generalization. This study concludes by determining the main services that have additives in the work program budgets REUNI/ UFPB as well as the main reasons they gave as the cause of this problem by showing the importance of a work plan. Keywords: Planning works; Budget; Financial additive 6

8 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Fluxograma do planejamento de novos empreendimentos de engenharia Figura 2: Exemplo de planilha orçamentária utilizada pela PU/UFPB Figura 3: Procedimento licitatório administrativo Figura 4: Procedimento licitatório seletivo Figura 5: Serviços mais aditados (todas as obras) Figura 6: Justificativas (todas as obras) Figura 7: Serviços mais aditados (Obras novas) Figura 8: Justificativas (Obras novas) Figura 9: Serviços mais aditados (Reformas) Figura 10: Justificativas (Reformas) Figura 11: Itens mais aditados (Fiscais) Figura 12: Justificativas (Fiscais) 7

9 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Situação das Obras em 2008 nas Universidades Federais Tabela 2: Detalhamento da taxa de BDI adotada pela Prefeitura Universitária/UFPB. Tabela 3: Modalidades de licitação Tabela 4: Serviços básicos da planilha da PU/UFPB Tabela 5: Justificativas Tabela 6: Dados coletados das Obras novas Tabela 7: Dados coletados das Reformas Tabela 8: Serviços mais aditados (todas as obras) Tabela 9: Justificativas (todas as obras) Tabela 10: Serviços mais aditados (Obras novas) Tabela 11: Justificativas (Obras novas) Tabela 12: Serviços mais aditados (Reformas) Tabela 13: Justificativas (Reformas) Tabela 14: Itens mais aditados (Fiscais) Tabela 15: Justificativas (questionário) Tabela 16: Justificativas (Fiscais) 8

10 SUMÁRIO CAPÍTULO I INTRODUÇÃO... 1 CAPÍTULO II OBJETIVOS Objetivo Geral Objetivos específicos... 4 CAPÍTULO III REFERENCIAL TEÓRICO Programa REUNI Planejamento de obras Orçamento de obras Benefício e Despesas Indiretas (BDI) Encargos sociais Especificações técnicas Planilha de insumos Planilha de quantitativos Composição de preços Unitários dos Serviços Lei de Licitações e Contratos Administrativos - Lei 8.666/ CAPÍTULO IV METODOLOGIA Tipologia da pesquisa Ambiente de Pesquisa Instrumentos de Coleta de Dados Tratamento dos Dados CAPÍTULO V ANÁLISE DOS RESULTADOS Resultados da pesquisa com todas as obras Resultados da pesquisa para obras novas Resultados da pesquisa para reformas Engenheiros fiscais Resultados do questionário CAPÍTULO VI CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

11 CAPÍTULO I INTRODUÇÃO Um projeto de engenharia civil é algo complexo e composto de diversas atividades que se correlacionam durante o período de execução, formando etapas que se interagem e são completamente dependentes entre si. Para a execução, elementos como mão-de-obra, materiais e equipamentos são aplicados diretamente nas atividades agregando valor ao produto final e devem se enquadrar dentro de um planejamento. Como ferramenta em prol do controle e qualidade da produção da obra, o planejamento prévio dos projetos de engenharia tem como objetivo principal definir métodos e materiais construtivos adequados e coordenados de acordo com a etapa da obra, de modo a conduzir a construção com eficiência compatibilizando custos, prazos e qualidade. Segundo Gehbauer (2002), em resumo, pode-se dizer que a essência do planejamento prévio consiste em realizá-lo através de um método sistemático, levandose em conta todos os requisitos definidos para o empreendimento. Para o autor citado, o planejamento envolve: Planejamento dos métodos de execução: comparação e escolha dos métodos construtivos a serem usados, tendo como base a técnica empregada e os respectivos custos. Planejamento da obra: cronograma detalhado (físico e financeiro). Planejamento dos recursos operacionais e financeiros: mão-de-obra, materiais, máquinas e equipamentos, em nível físico e financeiro. Planejamento do canteiro de obras. Podemos acrescentar no planejamento os métodos adotados para viabilizar as condições de segurança da obra através do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho (PCMAT), fundamental para o andamento da construção de forma segura e essencial na determinação do investimento para implantação do programa. A falta de planejamento faz com que as atividades passem a ter uma sequência de improviso e indeterminação, causando incerteza no prazo, nos custos e na garantia da qualidade final do produto. 1

12 O planejamento adequado, realizado previamente para cada etapa da obra, bem como para todo o período de execução do empreendimento, ajuda a definir a organização e diretrizes para os serviços, tomar decisões antecipadas para momentos em que, por exemplo, ocorram problemas com fornecimento de material ou com mão-deobra. Por essa razão, esta monografia se insere na temática de Planejamento de Obras, etapa de Orçamento Básico. É sabido que a indústria da construção civil apresenta um desenvolvimento cada vez mais rápido. Isto ocorre devido a três fatores: estabilização da economia, fácil acesso ao crédito e aumento na renda no Brasil. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, estudos prevêem que em 2011 haja um crescimento de 6% no PIB nacional, quebrando o maior PIB já existente até agora em nosso país, que é de 5%. No entanto, um crescimento elevado não significa que as empresas de construção civil tenham um bom nível organizacional dentro dos canteiros de obras. Percebe-se a carência do uso do planejamento como principal ferramenta na execução de seus empreendimentos. Podemos observar isso com mais clareza dentro da maioria das pequenas construtoras, fazendo com que as obras sejam realizadas de forma artesanal, criando incerteza nos prazos previamente estabelecidos e sem uma estimativa de custo total da obra. Esse problema é corriqueiro, sendo mais visível em obras públicas, principalmente nas de pequeno porte realizadas por pequenas construtoras. A falta desse processo de análise de projetos define o nível de organização interna da empresa em relação aos seus empreendimentos. Nesse contexto de obras públicas, concedidas às construtoras através de processos licitatórios, o problema analisado, nessa pesquisa, será a análise do planejamento para algumas obras realizadas na Universidade Federal da Paraíba - UFPB através do programa REUNI, do Ministério da Educação, comparando o orçamento que foi contratado com o executado, identificando os itens da planilha orçamentária que sofreram alterações, suas causas e sua representatividade no valor aditado. Apresenta como Problema de Pesquisa: Quais os principais serviços que sofrem aditivos de valor contratado e quais as suas causas? 2

13 Dessa forma, esse trabalho consiste em uma análise de multicasos detalhada das principais causas de diferença entre o contratado original e o executado em algumas obras do programa de reestruturação UFPB/REUNI, através de um estudo de planilhas de orçamentos e aditivos financeiros, procurando analisar as justificativas dos fiscais das obras de modo a identificar as principais causas desses aditivos financeiros. Esse estudo se justifica por várias razões. Primeiro, porque existem poucos estudos com esse objetivo. Além disso, o estudo poderá apontar para alguns problemas que surgem após o inicio das obras, servindo de alertar especialmente na fase de planejamento prévio. No caso da Universidade Federal da Paraíba, o planejamento prévio das obras atribuídas ao programa REUNI, do MEC, acarretaria em uma redução dos preços finais das obras e essa iniciativa poderia ter como resultado o aumento de obras destinadas a salas de aulas, laboratórios, bibliotecas, reformas e ampliações, entre outras, fazendo com que a verba repassada para reestruturação e expansão da universidade rendesse muito mais frutos. 3

14 CAPÍTULO II OBJETIVOS 1.1. Objetivo Geral Neste trabalho o objetivo geral é analisar as principais causas dos aditivos financeiros nos orçamentos contratados devido o que foi realizado nas obras integrantes do Programa REUNI da UFPB, do Ministério da Educação Objetivos específicos Conhecer o processo de planejamento de obras da Prefeitura Universitária da UFPB; Identificar os principais serviços que sofreram aditivos de valor contratado; Propor sugestões que possam contribuir com a minimização desses valores aditados nos contratos. 4

15 CAPÍTULO III REFERENCIAL TEÓRICO 3.1. Programa REUNI Através do Decreto n 6.096, de 24 de abril de 2007, criou-se o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), que faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação. Tal programa tem como objetivo: criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível de graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais. Isto implica na reestruturação física e acadêmica das universidades federais, que propiciará uma expansão no número de vagas na educação superior, criando condições para elevação da taxa de conclusão média dos cursos para 90% e aumentando a relação professor/aluno para 18% em um período de cinco anos. Com esse objetivo traçado, 53 das 54 universidades federais aderiram ao programa e apresentaram ao Ministério de Educação seus planos de reestruturação e expansão, de acordo com as orientações do Reuni. As ações têm como idéia o aumento de vagas, medidas para ampliação ou abertura de cursos, aumento do número de alunos por professor, reduzir o custo por aluno, flexibilização de currículos e o combate à evasão. Como forma de incentivo ao programa específico do Ministério de Educação, o Governo Federal investiu milhões de reais nas universidades federais nas áreas acadêmica, científica, contratação de servidores e infra-estrutura. Na UFPB, com um investimento de mais de 130 milhões, sendo mais da metade desse montante investido na área de infra-estrutura (obras, reformas e melhorias, aquisição de equipamentos e materiais permanentes etc.), o programa representou para a universidade, uma ótima oportunidade para aumentar suas instalações e a qualidade no que se diz respeito à parte acadêmica e científica, desenvolvendo ainda melhor o seu papel de instituição essencial ao desenvolvimento socioeconômico sustentável da Paraíba. 5

16 O relatório do primeiro ano do Programa (2008) mostra um balanço dos resultados a respeito das metas estipuladas pelas universidades. A maioria dos resultados é favorável, destacando a eficiência do Programa e mostrando que graças a ele, as universidades tiveram condições de se reestruturar, assegurando a ampliação de suas instalações físicas e a presença nas regiões do país que antes não contavam com estruturas universitárias. O relatório também destaca algumas dificuldades na execução de metas. Esses fatores são: Dificuldades nos processos de contratação de docentes (questões operacionais e, em alguns casos, dificuldades em atrair candidatos para os processos seletivos); Remanejamento de oferta de vagas de 2008 para 2009; Dificuldades para oferta de cursos noturnos (houve diferença positiva no cumprimento da meta de vagas em cursos diurnos e negativa na de cursos noturnos); Atrasos na disponibilização dos espaços físicos (entraves nas obras, como por exemplo: regularização da dominialidade, licenças ambientais e condições climáticas adversas); Readequação dos projetos institucionais. No que diz respeito à ampliação e readequação da infra-estrutura física da universidade, o relatório também faz um balanço positivo de acordo com a Tabela 1 abaixo: Tabela 1: Situação das Obras em 2008 nas Universidades Federais Obras do Reuni Exercício 2008 Em Elaboração de Projetos Em Licitação Em Execução Concluída Total Fonte: Módulo de Monitoramento de Obras/SIMEC relativo a 31/12/2008. Data: 07/10/2009. Esses números mostram o nível de interesse das universidades em ampliar ou reformar suas estruturas para promover de uma forma ainda mais positiva a educação aos alunos. Além das obras nos campus já existentes, o REUNI juntamente com o Programa de Expansão ( ) também possibilitou a expansão e interiorização 6

17 das universidades, aumentando a quantidade de municípios atendidos e o número de campi e unidades (extensões) existentes. O Programa REUNI está servindo para ampliar o fornecimento da educação superior em todo país através das universidades federais, além de garantir a qualidade da mesma. Aumento das instalações, presença em regiões que antes não contavam com estruturas universitárias, aumento da quantidade de cursos são resultados dessa iniciativa do Ministério da Educação, fazendo com que as universidades federais tenham uma presença maior no desenvolvimento da sociedade Planejamento de obras O planejamento de uma obra é o ponto de partida para obter sucesso em qualquer tipo de empreendimento, começando na análise sobre a viabilidade da construção até a execução através dos resultados físicos financeiros da construção, ou seja, consiste na organização para a execução, incluindo o orçamento e a programação da obra através de um roteiro de práticas e métodos de elaboração do trabalho onde as atividades são identificadas, analisadas, coordenadas e gerenciadas com o objetivo de executar uma construção com uma quantidade mínima de desperdícios, aproveitando o máximo rendimento de ferramentas, equipamentos e mão de obra, porém mantendo o desempenho da construção. Planejamento pode ser definido como um futuro desejado e os meios eficazes para alcançá-lo, ou seja, trata de documentar o que foi decidido para todo o empreendimento, de modo a permitir a tomada de decisão para a situação. Os sistemas de planejamento podem ser desenhados para suportar o processo de decisão, desde a estratégica até a operacional, estabelecendo numa ultima hierarquia os planos para suporte da produção (LIMA JR., 1990). Pedrinho Goldman (2004) menciona um sistema que possa canalizar informações e conhecimentos dos mais diversos setores e, posteriormente, direcioná-los de tal forma que todos esses dados e conhecimentos sejam utilizados para a construção. Esse sistema faz parte do setor de planejamento, responsável pela organização da 7

18 construção e do relacionamento com outros departamentos da empresa arquitetura, financeiro e contábil. Com a agilidade imposta pelo mercado da construção civil, as empresas têm que buscar um diferencial para ocupar um lugar de destaque. O planejamento aliado com um gerenciamento das obras e dos projetos que a compõe é uma ferramenta que pode ajudar essas empresas a crescerem de forma competitiva. A organização e a execução de uma obra exigem dos profissionais atenção durante as suas fases, especialmente as dedicadas ao planejamento e ao controle da mesma. Segundo González (2008), o processo de desenvolvimento de empreendimentos da construção civil visa compatibilizar as necessidades e requisitos do cliente final com as condições existentes (de mercado, orçamentárias, legais e outras). Essa definição se encaixa perfeitamente dentro do contexto estabelecido por esse trabalho, onde o produto final da construção são edificações que devem atender aos requisitos pré-determinados pelas licitações realizadas pela Universidade Federal da Paraíba seguindo os projetos da obra e a planilha de orçamentos. Ainda segundo González (2008, página 5), ocorrem imprecisões durante esse processo, devido às diferenças entre as visões dos usuários e dos projetistas: O projeto é composto por um conjunto de documentos formalizados em desenhos e textos, que descreve a obra, permitindo a contratação e a execução. Pela complexidade e quantidade de informação envolvida, e também pela fragmentação (existem vários projetistas, cada um responsável por uma parte do projeto), em geral o projeto é dividido em documentos gráficos (tais como plantas arquitetônicas, estruturais, hidro-sanitárias, elétricas, lógicas e outras) e documentos escritos (orçamentos, memoriais, especificações técnicas, cronogramas, contratos e outros). O planejamento não é algo simples e, no geral, deve ser todo elaborado antes do inicio da obra, o que não acontece na prática das construções. Envolvem diversos setores da empresa e da obra, entre eles, arquitetura, financeiro, o de compras e o de engenharia. A execução de um empreendimento possui diversos serviços a serem executados em um determinado tempo, utilizando tecnologias aliadas a métodos construtivos, com o menor custo possível e usando todos os recursos disponíveis com risco mínimo e boa qualidade. 8

19 A partir da coleta de informações das obras em projetos executivos, sondagem do terreno e demais serviços especificados em planilha é elaborado o planejamento físico dos métodos e processos de trabalho visando diminuir os custos e para lidar com condições de incerteza nos processos produtivos ficando preparado para qualquer mudança que aconteça no decorrer da obra. O controle da obra deve ser rigoroso para evitar que o executado desvie do que foi previsto. Esse controle deve ser feito no dia-a-dia da obra pelo setor de planejamento da empresa. Os resultados dos empreendimentos também são de suma importância para planejamentos futuros. Esses resultados, coletados antes, durante e após a obra, servirão como parâmetro para planejar obras futuras adaptando e aperfeiçoando os melhores métodos utilizados, conforme fluxo apresentado na Figura 1. Figura 1: Fluxograma do planejamento de novos empreendimentos de engenharia Fonte: GOLDMAN, Pedrinho. Introdução ao planejamento e controle de custos na construção civil brasileira. 4ed. São Paulo: PINI,

20 3.3. Orçamento de obras O planejamento geral e o controle de custos são muito importantes na busca por redução dos impactos causados por uma construção no ambiente em que se encontra, incluindo a consideração dos efeitos do uso das edificações. Uma das etapas do planejamento é o orçamento da obra, realizado através do levantamento de quantidades, preços e condições para execução dos serviços expressos em planilhas elaborados através de um projeto básico de um empreendimento. A orçamentação exige muita técnica, atenção e conhecimento de como se executa um determinado serviço. Isso deve ser feito identificando, descrevendo corretamente, quantificando e analisando todos os itens necessários para o andamento e gerenciamento da obra. O professor Ivan Xavier (2008) menciona que, para o detalhamento mais próximo do real, outros parâmetros devem ser identificados, como é o caso de condições do solo, dificuldade de abastecimento de materiais e variação da produtividade dos operários. A estimativa dos custos se baseia na subdivisão da obra em serviços necessários para composição dos custos unitários. Essas composições de custos unitários, segundo González (Andrade, Souza, 2003), são "fórmulas" empíricas em que se relaciona a quantidade de insumos (materiais, mão-de-obra e equipamentos) necessários à execução de uma unidade de serviço. O orçamento é elaborado considerando: Custos diretos: mão-de-obra, materiais e equipamentos. Custos indiretos: despesas gerais com o canteiro, taxas, etc. Preço de venda: inclui custos diretos e indiretos adicionando os impostos e o lucro de operação. Orçamento de obra, no âmbito da engenharia, é entendido como a estimativa de custo da obra elaborada pelo prestador de serviço. Contém levantamento quantitativo de insumos, mão de obra e equipamentos necessários à realização da mesma, bem como os respectivos custos decorrentes de pesquisa de mercado, além de salários e encargos sociais. 10

21 O orçamento de uma obra compreende os custos diretos, indiretos e o lucro bruto, necessários à completa execução da obra ou serviços contratados, que deverão ser orçados, gerando os itens que irão compor a planilha orçamentária. Também influencia o desempenho da empresa, como esta gerencia seus recursos humanos e materiais, bem como sua estrutura fixa, tudo isso influenciará no custo da obra, e consequentemente no preço ofertado. Em resumo, podemos afirmar que o orçamento repercute o sistema de idéias e os conceitos de uma construtora, estabelecendo-se num produto que define a qualidade, competência, organização, direção e controle da empresa. O levantamento de todos os elementos técnicos relacionados ao projeto propriamente dito, tais como: projetos arquitetônico, estrutural, elétrico, hidro-sanitário e as especificações técnicas dos materiais a serem empregados na obra, são indispensáveis para elaborar um orçamento detalhado. O passo seguinte é calcular o custo direto da obra, a partir das definições técnicas dos quantitativos de serviços, dos coeficientes de produtividade e da cotação de preços de insumos. Finalmente, soma-se o custo indireto, aplicam-se os impostos e a margem de lucratividade esperada pela empresa, obtendo assim o valor final do orçamento da obra. A Prefeitura Universitária da UFPB PU/UFPB, através do setor Divisão de Obras, realiza um procedimento para elaboração de um orçamento gerando um modelo utilizado em todas as obras, inclusive as do Programa REUNI Benefício e Despesas Indiretas (BDI) BDI é o elemento orçamentário que agregada aos custos (direto e indireto) de um empreendimento, obra ou serviço destina-se a cobrir todas as despesas, permitindo apurar o seu preço final (custo da obra somado ao lucro esperado). Normalmente o BDI é composto por aluguel e terceirização de serviços, tributos trabalhistas, mão de obra e material. O BDI utilizado na Divisão de Obras da PU/UFPB é de 23,34%, conforme detalhamento na Tabela 2. 11

22 Este percentual foi obtido dentre uma média praticada pelas instituições públicas e privadas, além de consulta a tabelas disponibilizadas pela SINDUSCON- João Pessoa, fundamentado nas legislações federal, estadual e municipal que definem os impostos e taxas fiscais. Tabela 2: Detalhamento da taxa de BDI adotada pela Prefeitura Universitária/UFPB. ITEM COMPOSIÇÃO TAXA (%) 1 BONIFICAÇÃO 4,00% 2 DESPESAS INDIRETAS 1,50% 3 ADMINISTRAÇÃO CENTRAL 4,00% 4 ADMINISTRAÇÃO LOCAL 6,49% 4.1 Mão de Obra 1,50% 4.2 Transporte de pessoal / Vale transporte 1,35% 4.3 Materiais de Consumo administrativo 0,20% 4.4 Conservação e manutenção do canteiro 0,10% 4.5 Medicina e Segurança do Trabalho 0,30% 4.6 Seguros 0,40% 4.7 Licenças 0,20% 4.8 Alimentação de Pessoal/Café da Manhã/Cesta Básica 1,44% 4.9 Segurança Patrimonial 0,20% 4.10 Outros (Controle tecnológico de materiais, comunicação, energia, riscos, materiais diversos, mobilização/ desmobilização, Equipamentos, etc.) 0,80% 5 IMPOSTOS 6,65% 5.1 PIS 0,65% 5.2 ISS 3,00% 5.3 COFINS 3,00% 6 OUTRAS DESPESAS 0,70% 6.1 Ferramentas e equipamentos de pequeno porte e transporte de materiais e equipamentos 0,70% TOTAIS 23,34% Encargos sociais Outros custos devem ser calculados ou previstos para que se determine a real dimensão do custo da mão-de-obra além dos salários. As taxas de leis e riscos do trabalho na construção considerados no cálculo do Custo Unitário Básico da construção Civil podem ser representadas pelas contribuições a Previdência Social (INSS), fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS), 13º salário, férias, aviso prévio, seguro contra acidentes de trabalho entre outras taxas. 12

23 Todos os dados estão sujeitos a revisões periódicas em função de alterações na legislação ou da evolução das estatísticas utilizadas como referência para o cálculo das taxas Especificações técnicas Todo processo de orçamentação deve conter também as especificações dos serviços, já que é nelas que estão contidas os métodos e técnicas construtivas adequadas a execução de cada fase da construção. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elabora um conjunto de normas, o qual deve ser respeitado e efetivamente seguido na elaboração de projetos que são fonte fundamental de informação para documentar o conjunto de especificações. Na Divisão de Obras da PU/UFPB utiliza-se o Caderno de Encargos de Serviços do SINCO (Programa de Orçamentos utilizado no estado da Paraíba) e as especificações técnicas do ORSE (Sistema de orçamento de Obras de Sergipe) na elaboração das especificações das obras da Prefeitura Universitária. No caso de material ou serviço não contemplado nesses cadernos, a própria PU elabora a especificação com base nas normas técnicas e nos catálogos de fabricantes e fornecedores Planilha de insumos Os insumos são os conjuntos de todos os materiais, serviços, equipamentos e profissionais especializados utilizados diretamente na construção de uma obra. O cimento, a areia, a brita, o aço e as peças de madeira, assim como o pedreiro, o servente, o encanador, carpinteiro, a betoneira, o vibrador de concreto e a retroescavadeira são classificados como insumos básicos da construção civil. A planilha de insumos da Divisão de Obras da PU/UFPB é atualizada a cada três meses, com base nos preços dos 13

24 insumos da Caixa Econômica Federal Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil SINAPI Planilha de quantitativos A discriminação de serviços da planilha que é utilizada no setor de Divisão de Obras da PU/UFPB é fundamentada na ordem cronológica da execução da construção, sendo composta dos seguintes serviços: Serviços Preliminares: devem ser incluídas todas as despesas com limpeza do terreno, abrigo provisório, locação do terreno, regularização do terreno, tapumes, placa indicativa da obra, remoções de árvores existentes no local da obra, além dos projetos necessários para a execução da mesma (elétrico, lógica e telefone, estrutural, incêndio e hidro-sanitário). Demolições: deve incluir todas as despesas com demolições e remoções na obra, podendo citar como exemplos demolição de alvenaria de vedação existente, esquadrias, pisos, coberta, reboco, entre outros. Trabalhos em Terra: incluem todos os serviços de compactação do solo, escavação, cortes, aterros, entre outros. Fundações: inclui serviços de fundações diretas, muros de contenção ou arrimo, cortinas, estacas e blocos, sapatas, radier, entre outros. Estruturas em Concreto Armado: inclui todos os serviços necessários para a execução de estruturas de concreto armado. Alvenaria de Vedação: contém todos os tipos de alvenarias utilizadas em uma obra, desde a alvenaria de bloco cerâmico até o bloco de vidro, além de elementos vazados, dentre outros. Coberta: incluem telhas (canal, fibrocimento, alumínio e etc), estruturas para telhado (madeira, metálicas e etc), além de calhas, forros impermeabilizações, entre outros. 14

25 Revestimento: incluem todos os revestimentos sendo eles externos ou internos, de paredes ou pisos, chapisco, emboços, massas únicas, cerâmico ou casquilho cerâmico, entre outros. Pavimentação: incluem todos os tipos de pisos e serviços de pavimentação, tais como: regularização de base, laje de impermeabilização, rodapés, pisos cerâmicos, granilites e etc, além da construção de calçadas. Esquadrias: incluem todos os tipos de esquadrias desde portas e janelas, sendo de madeira ou metálica, até vidros e películas fumês, entre outros. Instalações Hidro-Sanitárias: incluem todas as despesas feitas com instalações de água, esgoto e incêndio, tais como: tubulações, chuveiros, registros de gaveta, ralos e caixas sifonadas, bacias sanitárias, joelhos (cotovelos), duchas, entre outros. Instalações Elétricas e Telefônica: incluem todas as despesas com instalações elétricas e telefônicas, tais como luminárias, lâmpadas, condutores, quadros de distribuição, tomadas e outros. Pintura: serviços de pintura e serviços relativos a preparo de superfícies para pintura, tais como emassamento, pintura látex, entre outros. Diversos: serviços, que devido a particularidades não se enquadram em nenhum dos itens anteriores, tais como: limpeza para entrega da obra, colocação de espelhos, quadros de giz, antenas e etc. No processo de orçamentação da Divisão de Obras da PU/UFPB conta-se com o auxílio de uma planilha no Microsoft Office Excel devidamente confeccionada e utilizada como banco de dados para esse fim, sendo esta composta por sete planilhas: BDI, Insumos, Composição de Custos Unitários, Quantitativo, Cronograma, Aditivo e Medição. Todas essas planilhas estão vinculadas umas as outras, dando maior agilidade na elaboração de um orçamento. A planilha de Quantitativos, ilustrada na Figura 2, é composta pelos seguintes itens a seguir relacionados: Discriminação dos serviços; Unidades dos Serviços; A quantidade que foi calculada no levantamento dos quantitativos; 15

26 Os preços Unitários dos Serviços; Os preços totais obtido pela quantidade vezes o preço unitário de cada serviço; O Custo Total, isto é, o preço total com BDI; BDI; Material com mão-de-obra; Encargos Sociais; Área Construída; O Preço da Construção por metro quadrado Figura 2: Exemplo de planilha orçamentária utilizada pela PU/UFPB Composição de preços Unitários dos Serviços O custo de cada serviço unitário é subdividido em: consumo dos insumos para tal serviço e seus respectivos custos, dentre esses insumos pode-se citar: mão-deobra, materiais, equipamentos, entre outros, fazendo parte dessa composição também o 16

27 BDI e encargos sociais. Todas as composições de custos unitários que são utilizadas na Divisão de Obras foram retiradas do TCPO ou através de suas apropriações Lei de Licitações e Contratos Administrativos - Lei 8.666/93 Esse trabalho não poderia deixar de mencionar o procedimento administrativo que viabiliza a execução das obras públicas no Brasil. Nesta parte do trabalho se faz uma análise geral sobre os principais pontos da Lei 8.666/93, de 21 de junho de 1993, que regulamenta e institui normas para licitações de contratos administrativos. É importante ressaltar que a Lei 8.666/93 é uma norma de licitação que se aplica ao poder público. Para se entender o que significa licitação, é necessário conceituá-la. Licitação é um procedimento administrativo formal em que a Administração Pública convoca, mediante condições estabelecidas em edital ou convite, empresas interessadas na apresentação de propostas para o oferecimento de bens e serviços. É composta por atos sucessivos, ou seja, as licitações possuem etapas, onde a etapa seguinte depende da anterior para ter sua legitimidade. Cumpre informar que, a licitação tem como objetivo encontrar a proposta mais vantajosa para o Estado, sendo essa proposta aquela que inclui duas condições importantíssimas: 1) objeto de qualidade descrito no edital; 2) melhor preço de acordo com a modalidade e tipo de licitação. Os órgãos que representam o Estado e, portanto, precisam realizar licitações, se agrupam em um conceito chamado Administração Pública. Esse conceito é subdividido em dois, que são: Administração Direta: compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Administração Indireta: compreende Autarquias, Fundações, Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista e Associações Públicas. Dentro do contexto desse trabalho, a Universidade Federal da Paraíba se encontra dentro da Administração Indireta, sendo caracterizada como uma autarquia. 17

28 Os órgãos citados realizam licitações com a finalidade de encontrar uma vantagem para o Estado tratando todos de forma igual a todos os interessados. Esse tratamento igualitário, no Direito, é chamado de Princípio da Isonomia e é uma condição essencial para garantir todas as fases da licitação. Além do Princípio da Isonomia, outros três princípios básicos guiam os processos licitatórios. São eles: Princípio da Legalidade: vincula os licitantes e a Administração Pública às regras estabelecidas nas normas e princípios vigentes nos procedimentos de licitação. Princípio da Igualdade: esse princípio impede a discriminação entre os participantes da licitação, quer através de cláusulas que, no edital ou convite, favoreçam uns em detrimento de outros, quer mediante julgamento parcial. O desatendimento a esse princípio constitui desvio de poder. Princípio da Impessoalidade: obriga a Administração a observar nas suas decisões usar critérios e objetivos previamente estabelecidos, afastando a discricionariedade e o subjetivismo na condução dos procedimentos da licitação. Princípio da Moralidade e da Probidade Administrativa: a conduta dos licitantes e dos agentes públicos tem que ser, além de lícita, compatível com a moral, ética, os bons costumes e as regras da boa administração. As compras e contratações de serviços pelo Estado dependem de um procedimento de seleção da melhor proposta. Esses procedimentos pelos quais se desenvolverão as sequências de atos onde a Administração Pública celebrará o contrato são as modalidades de licitação. São cinco as modalidades previstas na Lei 8.666/93 e mais uma prevista na Lei /92 (Pregão), porém essa modalidade isolada não será objeto de estudo neste trabalho. As cinco modalidades são: Concorrência: destina-se a objetos de grande valor, por exemplo, obras e serviços de engenharia acima de R$1,5 milhão. É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação 18

29 preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto (art. 22, 1º). Tomada de preço: destina-se a objetos de valor intermediário (entre R$150mil e R$1,5 milhão). É a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação (art. 22, 2º). Convite: obras e serviços de pequeno valor (até R$150mil). É utilizado para, no mínimo, três interessados do ramo pertinente ao objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convocados pela unidade administrativa, e da qual podem participar também aqueles que, não sendo convidados, estiverem cadastrados na correspondente especialidade e manifestarem seu interesse com antecedência de 24 horas da apresentação da proposta (art. 22, 3º). Concurso: é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias (art. 22, 4º). Leilão: é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação (art. 22, 5º). As cinco modalidades se subdividem em dois outros grupos baseados nos critérios de escolha da modalidade adequada a ser aplicada no contrato: 19

30 Grupo Modalidades Concorrência I Tomada de preço Convite Concurso II Leilão Tabela 3: Modalidades de licitação Critério de escolha Critério de aplicação residual: só se aplica quando não se enquadrar no grupo II. Critério de valor ativo Critério material: examina o objeto a ser contratado O tipo de licitação não deve ser confundido com modalidade de licitação. Tipo é o critério de julgamento utilizado pela Administração para seleção da proposta mais vantajosa. Modalidade é procedimento. Os tipos de licitação mais utilizados para o julgamento das propostas são os seguintes: Menor Preço: critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a Administração é a de menor preço. É utilizado para compras e serviços de modo geral. Melhor Técnica: critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a Administração é escolhida com base em fatores de ordem técnica. É usado exclusivamente para serviços de natureza predominantemente intelectual, em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão e gerenciamento e de engenharia consultiva em geral, e em particular, para elaboração de estudos técnicos preliminares e projetos básicos e executivos. Técnica e Preço: critério de seleção em que a proposta mais vantajosa para a Administração é escolhida com base na maior média ponderada, considerando-se as notas obtidas nas propostas de preço e de técnica. Outro ponto importante para a licitação é a escolha da forma e do regime de execução do empreendimento. Essas características estão definidas no art. 6º, VII e VIII. A forma de execução pode ser: Execução direta: a que é feita pelos órgãos e entidades da Administração, pelos próprios meios; Execução indireta: a que o órgão ou entidade contrata com terceiros sob um regime de execução. Os regimes mais comuns são empreitada por 20

31 preço global (quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo e total) e empreitada por preço unitário (quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades determinadas). As empresas interessadas devem se qualificar tecnicamente através do seguimento dos requisitos estabelecidos através do art. 40 da Lei 8.666/93. A comissão de licitação tem como responsabilidade escolher a melhor para a Administração responsável pela licitação, dentro da legalidade estabelecida. Quando o procedimento diz respeito a obras e serviços de engenharia, é necessário que essa equipe tenha pelo menos um profissional qualificado na área para assessorar os trabalhos, ou seja, para esclarecer qualquer dúvida que possa surgir durante o procedimento licitatório. Figura 3: Procedimento licitatório administrativo 21

32 O julgamento das propostas envolve análises de documentos de habilitação e dos preços ofertados nessa ordem, quando a legislação não fixar o contrário. A avaliação das condições de qualificação técnica consiste em apurar a compatibilidade entre os parâmetros estabelecidos no edital e a documentação apresentada pelas empresas participantes. A avaliação de preços ofertados irá determinar dentre as empresas qualificadas, aquela que apresenta a proposta mais vantajosa para a administração e, portanto, será contratada para executar a obra. A formalização do contrato e o inicio da obra ocorre uma vez que a licitação é homologada e, ultrapassadas a concessão da execução pela administração, assinatura do contrato e emissão da ordem de serviço, deve-se ter em mãos os seguintes documentos, para dar inicio à obra: Projetos de engenharia devidamente autorizados por órgãos competentes; Contrato e seus anexos, como o Edital de Licitação; ARTs dos projetos, fiscalização e execução da obra; Licença de instalação expedida pelo órgão ambiental competente, quando for o caso; Alvará de construção; Matrícula da obra no INSS; Ordem de serviço expedida pelo órgão contratante. A atuação da fiscalização deve estar presente em todas as etapas do processo de execução, acompanhando cada detalhe, com o objetivo de garantir a fidelidade do objeto contratado, como especifica o art. 66, da Lei de Licitações. Art. 66. O contrato deverá ser executado fielmente pelas partes, de acordo com as cláusulas avençadas e as normas desta Lei, respondendo cada uma pelas conseqüências de sua inexecução total ou parcial. Caso ocorram razões de ilegalidade, a instituição licitante deve revogar ou anular a licitação. A revogação e a anulação não precisam estar previstas no instrumento convocatório. O que não se permite é esse ato ser realizado sem a apresentação de uma justificativa. A Lei também apresenta uma seção onde se trata da alteração de contratos, com as devidas justificativas. A modificação pode ser realizada de forma unilateral pela Administração ou quando houver um acordo entre as partes. 22

33 Para este trabalho é relevante destacar o parágrafo primeiro do artigo 65 referente a acréscimos ou supressões no valor atualizado inicial de contrato. Em obras, serviços ou compras de até esse valor pode ser de até 25% e, no caso particular de reforma de edifícios e equipamentos, até o limite de 50% para seus acréscimos. Figura 4: Procedimento licitatório seletivo 23

34 CAPÍTULO IV METODOLOGIA 4.1. Tipologia da pesquisa A pesquisa se consagra como estudo de múltiplos casos tendo sua abordagem caracterizada tanto como quantitativa como qualitativa. É quantitativa porque a coleta dos valores dos aditivos financeiros e as justificativas para tais valores aditados irão passar por um tratamento estatístico, traduzindo os dados na forma de números representativos da amostra. Além disso, os resultados obtidos também serão analisados de forma qualitativa conforme a teoria e experiência profissional do pesquisador. Quanto aos objetivos, o estudo será explicativo com uma observação sistemática do problema uma vez que o fenômeno explorado será analisado com base na busca de uma razão para a ocorrência de diferença dos valores contratados e os valores pagos com aditivos financeiros das obras do Programa REUNI/UFPB. O método de pesquisa utilizado nesta pesquisa é o indutivo, pois, através das observações e dos fatos constatados nas obras estudadas, procurou-se chegar a conclusões para um nível de generalização maior. Também foi utilizada a pesquisa de campo, bem definida como: A investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo. Pode incluir entrevista, aplicação de questionários, testes e observações. Vergara (1998, p.47-48) 4.2. Ambiente de Pesquisa O estudo dos casos foi realizado nas obras da Universidade Federal da Paraíba. A pesquisa e análise para modelagem estatística abrangeu os Campi I, II e III, com a maioria localizada no Campus I, porém é uma amostra representativa com 24

35 relação às obras que apresentaram aditivo no valor pago. A área foco do trabalho serão as obras do Programa Reuni ou as que de alguma forma tiveram parte de seus recursos fornecidos pelo mesmo. Campus I localizado na cidade de João Pessoa, compreende os seguintes Centros: Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN); Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA); Centro de Ciências Médicas (CCM); Centro de Ciências da Saúde (CCS); Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA); Centro de Educação (CE); Centro de Tecnologia (CT); Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) e Centro de Tecnologia e Desenvolvimento Regional (CTDR). Este Campus concentra a maior quantidade de obras concluídas e em andamento, também é onde se encontra a maioria das obras que apresentaram aditivos financeiros nas obras. É nesse Campus que se encontra a Prefeitura Universitária que, através do Departamento de Divisão de Obras, responsável por todos os projetos e orçamentos licitação e execução das obras da UFPB em todos os Campi. Esse departamento também é responsável pela fiscalização das construções em todos os Campi. Campus II é formado pelo Centro de Ciências Agrárias (CCA), localizado no antigo Engenho da Várzea na Cidade de Areia. É a antiga Escola de Agronomia da Paraíba, primeira instituição de nível superior do estado. O Centro de Ciências Agrárias conta com cinco cursos. Agronomia, que foi criado em 1935 sendo, portanto, hoje, o mais antigo curso superior da UFPB. Zootecnia, criado em Os Cursos de Ciências Biológicas (Licenciatura e Bacharelado) foram criados em E o curso de medicina Veterinária foi criado em Oferecendo 230 vagas por ano, o Centro de Ciências Agrárias tem, aproximadamente, 1000 alunos de graduação. Campus III O Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias (CCHSA), antigo Centro de Formação de Tecnólogos (CFT), compõe o Campus III da Universidade Federal da Paraíba, está localizado no município de Bananeiras, no Brejo Paraibano, a 141 km de João Pessoa. Atualmente, o CCHSA oferece os cursos de Graduação de Bacharelado em Agroindústria, Licenciatura em Ciências Agrárias, Bacharelado em Administração, Pedagogia e Agroecologia; são oferecidos os Cursos Técnicos em Agropecuária, Agroindústria e Aquicultura. O CCHSA dispõe de uma estrutura com Laboratórios Didáticos: Abatedouro Escola, Setor de Laticínios, Setor de Processamentos de Frutas e Hortaliças, 25

36 Laboratório de Fisiologia Pós-Colheita, Laboratório de Controle de Qualidade de Alimentos, Padaria Escola, Laboratório de Ciências Biológicas, Clínica Fitossanitária, Laboratório de Entomologia, Campos de Produção de Mudas, Hortaliças, Fruteiras e Viveiros, Laboratórios Práticos de Ranicultura, Apicultura, Bovinocultura, Suinocultura, Caprinocultura, Cunicultura, Avicultura, Reprodução e Inseminação Artificial. A implementação do Programa REUNI será fundamental para o processo em curso de consolidação da Instituição, em termos de dimensão e qualidade acadêmico-científica, capacitando-a, assim, para desenvolver ainda melhor o seu papel de instituição essencial ao desenvolvimento socioeconômico sustentável da Paraíba. O REUNI-UFPB prevê investimentos na ordem de R$ 136 milhões em novas contratações de professores e servidores, aquisição de equipamentos e materiais permanentes, novas construções e expansão e melhoria dos sistemas elétricos, de segurança e de bibliotecas existentes nos campi universitários. O projeto prevê a construção de m² de novas edificações e a reforma de m² das edificações atuais. Essas novas obras representam 11% da atual área total construída da Instituição. Somente em 2008 já foram licitadas 9610,74m² de novas edificações, distribuídas entre 72 novas salas de aula, 31 novos laboratórios, além das áreas de apoio ao ensino de graduação, como ambientes de professores, centros acadêmicos, coordenações, departamentos e laboratórios Instrumentos de Coleta de Dados As planilhas dos orçamentos das obras com os respectivos aditivos financeiros e justificativas foram coletadas junto com a coordenação do Projeto REUNI. Na pesquisa também foram realizadas entrevistas com os engenheiros fiscais da Prefeitura Universitária tendo em vista a experiência dos profissionais. As respostas dos engenheiros fiscais serviram de comparação com os dados obtidos. O questionário continha apenas duas perguntas: Quais itens de uma planilha orçamentária são mais predispostos a aditivos? 26

37 Quais as justificativas mais frequentes para esses aditivos? 4.4. Tratamento dos Dados As informações foram tratadas de duas formas: quantitativa e qualitativamente, analisando e interpretando os dados. As amostras foram divididas entre obras novas, ou seja, novos blocos de salas de aula, novos laboratórios ou auditórios e reformas. A pesquisa resultou em uma amostra de vinte obras nos Campi I, II e III, entre os anos de 2008 e 2010, sendo doze obras novas e oito reformas. As obras foram nomeadas com letras, de modo a manter o sigilo das construtoras responsáveis pelas obras pesquisadas. As obras novas foram nomeadas aleatoriamente de A a L e as reformas de M a T. Uma tabela foi montada com os dados de cada obra. Esses dados foram: Valor Contratado (R$): valor de contrato da obra. Valor Aditado (R$): diferença entre o valor pago e o valor contratado. Desvio (%): é o quanto o valor aditado representa no valor contratado. Calculado pela Equação 1: ValorAdita do( R$) Desvio(%) (1) ValorContratado ( R$) Com isso pode ser verificado se as novas construções e reformas tiveram ou não seu valor aditado maior que 25% e 50% para novas construções e reformas, respectivamente. Itens mais representativos: são os itens das planilhas que mostraram maiores valores, sendo mais representativos nos aditivos. Foram selecionados para a amostra os três itens que se mostraram mais significativos, ou seja, os três itens que tiveram os maiores valores para cada obra. Os serviços das planilhas também receberam numeração de acordo com a mesma (Tabela 4). 27

38 Tabela 4: Serviços básicos da planilha da PU/UFPB Nº Serviços 1.0 Serviços Preliminares 2.0 Demolições 3.0 Trabalhos em Terra 4.0 Fundações 5.0 Estrutura em Concreto Armado 6.0 Alvenaria de Vedação 7.0 Coberta 8.0 Revestimento 9.0 Pavimentação 10.0 Esquadrias 11.0 Instalação Hidro-Sanitária 12.0 Instalação Elétrica 13.0 Pintura 14.0 Diversos Justificativas: são as causas dadas pelos engenheiros fiscais para os aditivos financeiros dos orçamentos apresentados pelas obras. Nesse ponto, todas as justificativas usadas foram consideradas nas analises. A análise dos dados foi feita de duas formas para os Itens mais representativos e para as Justificativas. A primeira foi realizada sem fazer distinção do tipo de obra, seja ela nova ou reforma. Com isso foi possível determinar quais os Itens mais representativos e as Justificativas que mais se mostram presentes dentro do contexto de obras licitadas. A segunda parte fez distinção das novas construções e das reformas. Essa separação se fez necessária, principalmente, pelos serviços prestados em uma reforma serem diferentes dos serviços prestados em uma construção nova. Também ocorre que as justificativas ocorrem de forma diferente, isto é, as causas para as obras novas apresentarem aditivos são diferentes ou podem ocorrer de forma mais ou menos frequentes comparadas com as reformas. As informações qualitativas se mostram presentes nos Itens mais representativos e nas Justificativas, enquanto que as informações quantitativas aparecem na quantidade de vezes que essas informações qualitativas se repetem. Com isso, gráficos foram elaborados para um entendimento mais amplo do problema. 28

39 CAPÍTULO V ANÁLISE DOS RESULTADOS As Tabelas 6 e 7 dividem as obras analisadas em OBRAS NOVAS e REFORMAS, respectivamente, apresentando seu valor de contrato, o valor aditado, o desvio que o valor aditado causou no valor contratado, os três itens de cada obra com maior representatividade no aditivo e a(s) justificativa(s) apresentada(s) nos respectivos relatórios para essas diferenças. As justificativas apresentadas foram enumeradas de (1) a (6) e os significados estão apresentados na Tabela 5. Tabela 5: Justificativas Nº Justificativa Alteração dos projetos complementares para adequação da edificação (1) ao seu uso Alteração dos projetos por solicitação dos professores ou (2) departamento responsável (3) Acréscimo de serviços não computados em planilha original (4) Aumento no quantitativo de serviços computados em planilha (5) Erro de cálculo dos quantitativos da planilha (6) Orçamento baseado em estimativa por não apresentar projeto Existe uma observação a ser feita com relação à obra J : ela obteve apenas aditivo no item Estrutura em Concreto Armado, todos os outros itens, dessa obra, se mantiveram dentro dos quantitativos previstos na planilha inicial do orçamento contratado. Outra observação a ser feita é com relação à reforma R. Ela obteve uma diferença entre o orçamento executado maior que os 50% do valor do orçamento contratado previsto na Lei 8.666/93. Para adequação com a lei outro contrato foi feito, porém, para efeito de análise neste trabalho, só será considerado o valor aditado que representa 50% do valor contratado. 29

40 Obras Valor Contratado (R$) Tabela 6: Dados coletados das Obras novas Valor Aditado (R$) Desvio Itens mais representativos Justificativa OBRA NOVA A , ,55 24,90% B , ,89 23,56% C , ,33 22,19% D , ,79 14,09% E , ,16 10,35% F , ,18 14,29% G , ,48 22,12% H , ,46 23,58% I , ,68 10,29% J , ,48 10,46% K , ,34 12,60% L , ,80 6,85% Estrutura em Concreto Armado (3) Esquadrias Trabalhos em Terra Fundações (1) Revestimento (2) Instalação Hidro-Sanitária Estrutura em Concreto Armado (1) Instalação Hidro-Sanitária (3) Fundações Pavimentação (1) Instalação Elétrica (5) Estrutura em Concreto Armado Estrutura em Concreto Armado (3) Serviços Preliminares (4) Coberta Coberta (3) Instalação Elétrica Pintura Coberta (5) Diversos (4) Revestimento Diversos (1) Revestimento (4) Pintura Fundações (4) Pintura Pavimentação Estrutura em Concreto Armado (1) - - Coberta (1) Diversos (3) Esquadrias Diversos (3) Estrutura em Concreto Armado (4) Revestimento 30

41 Obras REFORMA Valor Contratado (R$) Tabela 7: Dados coletados das Reformas Valor Aditado (R$) M , ,46 49,96% N , ,96 23,95% O , ,66 49,16% P , ,05 48,71% Q , ,65 19,35% R , ,59 50,00% S , ,28 18,61% T , ,22 24,57% Desvio Itens mais representativos Justificativa Estrutura em Concreto Armado (1) Pavimentação Instalação Elétrica Estrutura em Concreto Armado (6) Alvenaria de Vedação Fundações Instalação Hidro-Sanitária (3) Demolições Revestimento Diversos (2) Esquadrias Instalação Elétrica Revestimento (3) Pavimentação (4) Serviços Preliminares Pavimentação (3) Esquadrias Alvenaria de Vedação Esquadrias (4) Coberta Alvenaria de Vedação Pavimentação (1) Pintura (3) Revestimento 5.1. Resultados da pesquisa com todas as obras Foram analisadas todas as vinte obras sem levar em consideração se era obra nova ou reforma. Essa etapa da analise foi feita para verificar de forma global quais os principais itens da planilha que geram aditivos e as principais causas utilizadas pelos fiscais para justificar esses aditivos financeiros. Os dados dos serviços mais aditados estão apresentados na Tabela 8 e na Figura 5: 31

42 Tabela 8: Serviços mais aditados (todas as obras) Quantidade de vezes Nº Itens mais representativos entre os 3 mais (%) representativos 1.0 Serviços Preliminares 2 3,45% 2.0 Demolições 1 1,72% 3.0 Trabalhos em Terra 1 1,72% 4.0 Fundações 4 6,90% 5.0 Estrutura em Concreto Armado 8 13,79% 6.0 Alvenaria de Vedação 3 5,17% 7.0 Coberta 5 8,62% 8.0 Revestimento 7 12,07% 9.0 Pavimentação 6 10,34% 10.0 Esquadrias 5 8,62% 11.0 Instalação Hidro-Sanitária 3 5,17% 12.0 Instalação Elétrica 4 6,90% 13.0 Pintura 4 6,90% 14.0 Diversos 5 8,62% TOTAL ,00% Figura 5: Serviços mais aditados (todas as obras) Estrutura em Concreto Armado foi o item que mais apareceu entre o três itens mais aditados nas obras analisadas. Normalmente seus subitens têm seu custo unitário muito alto comparado com os outros serviços e isso influi drasticamente nas alterações que possam ser feitas independente da justificativa para tal aumento, gerando grandes valores aditados para o item e explicando o fato deste ser o que mais aparece entre os três itens das planilhas mais acréscimos financeiramente. Já itens como Demolições aparecem com menos frequência, pois são mais comuns em reformas e mensurar sua quantidade é feita de forma direta. O aditivo nesse 32

43 item é comum quando ocorre alguma mudança de projeto que cause o aumento de elementos demolidos. Considerando as obras como um todo e dividindo sua construção em duas etapas, aonde a primeira vai do item Serviços Preliminares ao item Coberta e a segunda do item Revestimento ao item Diversos, verifica-se que a primeira, representando a limpeza do terreno e a execução da estrutura da obra (item 1.0 ao 7.0), constitui um percentual de 41,38% sendo menor que a segunda etapa (item 8.0 ao 14.0), que representa a etapa de acabamento e conclusão da obra com 58,62% de representatividade. Na análise das justificativas apresentadas nos relatórios dos aditivos de contrato foram utilizados os dados mostrados na Tabela 9 e na Figura 6,: Tabela 9: Justificativas (todas as obras) Quantidade de Justificativas vezes que se (%) repetem (1) 8 27% (2) 2 7% (3) 10 33% (4) 7 23% (5) 2 7% (6) 1 3% TOTAL % Figura 6: Justificativas (todas as obras) 33

44 Alguns serviços podem não ser previstos inicialmente no orçamento da obra e se mostrarem necessários com o decorrer da construção. Isso pode decorrer pelo baixo nível de detalhamento dos projetos básicos. Logo, ocorrem acréscimos de novos itens a planilha da maioria das obras analisadas, gerando aditivos aos orçamentos. Essa justificativa representa 33% das causas para aditivos de orçamento A alteração de projetos também é outra causa de aditivo financeiro as obras, sendo a segunda mais representativa com 27%. Essas alterações são feitas para adequação do edifício ao seu uso como, por exemplo, adaptação do projeto à norma de higiene, utilização de um piso especifico para um laboratório, volume escavado maior do que o previsto por falta de conhecimento do solo. Outra justificativa frequente seria o aumento de quantitativos de itens já existentes em planilha representando 23% do total apresentado Resultados da pesquisa para obras novas A diferenciação da análise entre novas construções e obras de reforma é necessário devido à distinção entre o percentual que pode ser aditado para cada um dos dois tipos e devido à característica dos serviço necessário para execução de obras novas e reformas. As novas construções da UFPB que tiveram acréscimos no valor contratado apresentaram uma média de 18,23% de aditivo financeiro e nenhuma obra da amostra analisada teve seu valor passando o limite de 25% a mais no valor contratado como diz a Lei 8.666/93. Os dados foram separados e estão apresentados na Tabela 10, representada em gráfico pela Figura 7, fazendo referencia apenas às informações coletadas dos três serviços mais representativos de cada obra nova. 34

45 Tabela 10: Serviços mais aditados (Obras novas) Quantidade de vezes Nº Itens mais representativos entre os 3 mais (%) representativos 1.0 Serviços Preliminares 1 2,94% 2.0 Demolições 0 0,00% 3.0 Trabalhos em Terra 1 2,94% 4.0 Fundações 3 8,82% 5.0 Estrutura em Concreto Armado 6 17,65% 6.0 Alvenaria de Vedação 0 0,00% 7.0 Coberta 4 11,76% 8.0 Revestimento 4 11,76% 9.0 Pavimentação 2 5,88% 10.0 Esquadrias 2 5,88% 11.0 Instalação Hidro-Sanitária 2 5,88% 12.0 Instalação Elétrica 2 5,88% 13.0 Pintura 3 8,82% 14.0 Diversos 4 11,76% TOTAL ,00% Figura 7: Serviços mais aditados (Obras novas) Para as obras novas temos Estrutura em Concreto Armado como o mais frequente entre os itens que mais são aditados. O que vemos aqui é uma ausência dos itens Demolições e Alvenaria de Vedação. A ausência desses dois serviços não significa que novas construções não possam existir ou não existem acréscimos nos seus valores nesses itens da planilha. Essa ausência significa que seus aditivos financeiros, quando existirem e se existirem, não são tão representativos quanto os outros. 35

46 Se forem considerados os itens Fundações, Estrutura em Concreto Armado e Coberta percebe-se que a parte estrutural das novas construções está mais propensa a apresentarem diferenças nos seus orçamentos. Os itens Revestimento e Diversos aparecem com 11,76% que podem ser justificados, como mostrado adiante, devido às mudanças de projeto e aumento de quantitativos alterando algo como a ambientação interna da edificação e especificações de itens para conclusão da obra. Justificar o aditivo com mudança de projeto (justificativa (1)) é tão frequente quanto justificar com acréscimo de serviços (subitens) na planilha (justificativa (3)) para obras novas como mostrado na Tabela 11. Vale salientar que obras que têm seus projetos modificados podem causar também acréscimo de serviços na planilha, porém o acréscimo de serviços não está diretamente ligado a modificação de projetos. O surgimento desses novos serviços podem se mostrar necessários com o dia-a-dia da obra. São serviços que por algum outro motivo não foram lembrados, ou observados, no momento de orçar a construção. Isso pode ocorrer, por exemplo, por falta de projeto básica ou complementar, causando uma deficiência de detalhes para orçamentação. Tabela 11: Justificativas (Obras novas) Quantidade de vezes Justificativas (%) que se repetem (1) 6 30% (2) 1 5% (3) 6 30% (4) 5 25% (5) 2 10% (6) 0 0% TOTAL % A Figura 8 serve para representar os dados contidos na tabela das justificativas de forma gráfica. 36

47 Figura 8: Justificativas (Obras novas) O mesmo que vale para a justificativa (3) vale para a justificativa (4), que é o aumento no quantitativo dos serviços já computados nas planilhas orçamentárias. Uma justificativa que não é tão comum, mas que deve ser comentada é o Erro de cálculo dos quantitativos da planilha. Uma orçamentação feita de forma errada pode causar uma diferença em vários itens da planilha em casos que os cálculos de serviços estejam interligados. Nesse caso, para um erro no inicio dos cálculos causaria um efeito cascata gerando erro nos quantitativos de itens seguintes Resultados da pesquisa para reformas As reformas são um pouco mais complexas e necessitam de um nível de detalhamento maior. Geralmente reforma se remete a uma mudança para adaptação de um ambiente antigo a algo contemporâneo ou com objetivos diferentes da que era sujeito. Por isso é imprescindível conhecer bem o local onde ocorrerá a reforma e especificar de forma clara todos os serviços que deverão ser executados para que o local fique de acordo com a sua nova designação. As obras de reforma da UFPB que tiveram aditivos financeiros apresentaram média de 42,95% em cima do valor de contrato. A análise das oito reformas obteve os resultados para os serviços mais representativos nos aditivos apresentados na Tabela 12 e, graficamente, na Figura 9. 37

48 Tabela 12: Serviços mais aditados (Reformas) Quantidade de vezes Nº Itens mais representativos entre os 3 mais (%) representativos 1.0 Serviços Preliminares 1 4,17% 2.0 Demolições 1 4,17% 3.0 Trabalhos em Terra 0 0,00% 4.0 Fundações 1 4,17% 5.0 Estrutura em Concreto Armado 2 8,33% 6.0 Alvenaria de Vedação 3 12,50% 7.0 Coberta 1 4,17% 8.0 Revestimento 3 12,50% 9.0 Pavimentação 4 16,67% 10.0 Esquadrias 3 12,50% 11.0 Instalação Hidro-Sanitária 1 4,17% 12.0 Instalação Elétrica 2 8,33% 13.0 Pintura 1 4,17% 14.0 Diversos 1 4,17% TOTAL ,00% Figura 9: Serviços mais aditados (Reformas) Considerando as estatísticas como se fosse de uma única reforma observa-se que a porcentagem a partir do item Revestimento até Diversos somam 62,5% do total de acréscimos, ou seja, para reformas os itens mais propensos a apresentarem aditivos são aqueles referentes aos serviços de acabamento e instalações (hidrosanitárias e elétricas), mas principalmente acabamento como, por exemplo, Pavimentação que é o item que mais aparece entre os três mais frequentes. 38

49 A ausência de Trabalhos em Terra entre os três itens mais representativos não é uma grande surpresa, pois em casos raros, como reformas realizadas juntamente com ampliações, por exemplo, é que esse item pode surgir em grandes quantidades. Deve-se ressaltar que o fato de não estar presente nas estatísticas significa que esse serviço não pode estar presente em alguma reforma. Serviços de escavação ou de aterro normalmente estão presentes em obras novas. Reformas, como dito anteriormente geralmente, são adequações ou mudanças na ambientação interna ou externa de prédios já existentes sem alterações ou com pequenas modificações em sua estrutura. Por isso, os serviços de acabamento se destacam com maior facilidade no que se refere a aditivos financeiros nas planilhas. As justificativas para tais aditivos foram analisadas e as principais causas dos aditivos nas planilhas estão na Tabela 13 e, em forma de gráfico, na Figura 10: Tabela 13: Justificativas (Reformas) Quantidade de Justificativas vezes que se (%) repetem (1) 2 20% (2) 1 10% (3) 4 40% (4) 2 20% (5) 0 0% (6) 1 10% TOTAL % Figura 10: Justificativas (Reformas) 39

50 Como nas outras analises, a justificativa de número (3), que fala de acréscimos de serviços não computados na planilha de contrato, foi a mais utilizada para explicar a causa dos aditivos nas reformas sendo 40% do total de justificativas utilizadas para os aditivos. As justificativas (1) e (4) apresentam 20% cada, se mantendo entre as mais utilizadas como explicações para os aditivos financeiros das reformas. O destaque das justificativas para reforma foi a (6), Orçamento baseado em estimativa. Essa justificativa foi utilizada por não apresentar projetos básicos necessários à quantificação dos serviços. Reformas precisam de um grau de detalhamento maior, pois fazem modificações que precisam ser bem detalhadas para não ocorrer erros de execução. Apesar de um orçamento ser, de certa forma, uma estimativa, ele deve ser realizado com base em dados e projetos do que vai ser executado para que se aproxime ao máximo do real. Uma estimativa sem essas informações irá se distanciar do que realmente deve ser executado na obra Engenheiros fiscais Resultados do questionário A opinião dos engenheiros fiscais das obras da UFPB é de grande importância devido a sua experiência profissional. O questionário foi respondido por seis fiscais com o objetivo de comparar o que foi verificado na análise dos orçamentos. O questionário trouxe, para os itens, os dados da Tabela 14 e Figura 11. Tabela 14: Itens mais aditados (Fiscais) Itens mais representativos Quantidade de vezes citado (%) Trabalhos em Terra 3 17,65% Fundações 3 17,65% Estrutura 4 23,53% Instalação Hidro-Sanitária 1 5,88% Instalação Elétrica 4 23,53% Diversos 1 5,88% Acabamento 1 5,88% TOTAL ,00% 40

51 Figura 11: Itens mais aditados (Fiscais) Trabalhos em Terra e Fundações podem ser justificados pela falta de conhecimento do terreno onde será construída a obra, pois a quantificação desses itens está diretamente ligada ao conhecimento da topografia e das características do solo. O item Acabamento pode compreender os itens Revestimento, Pavimentação, Esquadrias e Pintura e entre os fiscais esse item foi citado apenas uma vez. Se compararmos com porcentagens, enquanto na analise dos dados apresentaram os itens de acabamento com grande frequência entre os aditivos e os de instalações com baixa frequência o questionário aplicado aos fiscais apresentou informações divergentes. A soma das porcentagens de cada um dos itens acima citados mostra, para os dados retirados dos aditivos financeiros, que os serviços de acabamento são frequentes se tratando de diferenças no valor contratado. Já o item de Estruturas ficou entre os mais citados pelos fiscais que, assim como nos dados dos aditivos financeiros das obras analisadas, também foram os que mais se mostraram entre os três mais representativos. O item Instalação Elétrica também apresentou divergência entre a opinião dos fiscais e a coleta de dados. Para os fiscais esse item se mostra bastante freqüente entre os que apresentam aditivos enquanto os orçamentos não mostram esse item entre as posições de destaque. 41

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