A GESTÃO DOS RESÍDUOS DE OBRA EM UMA COMPANHIA DE SANEAMENTO CERTIFICADA

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1 A GESTÃO DOS RESÍDUOS DE OBRA EM UMA COMPANHIA DE SANEAMENTO CERTIFICADA ENG JORGE KIYOSHI MASSUYAMA (APRESENTADOR) Cargo atual: Diretor de Operações da SANED. Formação: Engenheiro Civil, formado em 1981, pela EPUSP. Especialização: Engenharia Hidráulica e Sanitária. Área de atuação: Planejamento, operação e manutenção de sistemas de abastecimento de água e coleta de esgoto. Rua Érico Veríssimo 85/105, Vila Conceição Diadema São Paulo CEP: ENG MARCELO PINHEIRO BREVILIERI Cargo atual: Gerente de Operação e Manutenção da SANED. Formação: Engenheiro Eletricista, formado em Especialização: Sistema de Potência e Automação. Área de atuação: Planejamento, manutenção de sistema de abastecimento de água e afastamento de esgoto. ARQT TARCÍSIO DE PAULA PINTO Cargo atual: Diretor da I&T Informações e Técnicas. Formação: Arquiteto e Urbanista formado pela FAU-USP. Mestre e Doutor pela USP. Área de atuação: Consultoria junto a instituições governamentais, administrações e empresas públicas e junto a empresas privadas. Palavras-chave: Gestão da qualidade, gestão ambiental, responsabilidade ambiental. Declaração Os autores declaram que se submetem às condições estabelecidas pelo regulamento da XI Exposição de Experiências Municipais em Saneamento para apresentação de trabalhos técnicos.

2 A GESTÃO DOS RESÍDUOS DE OBRA EM UMA COMPANHIA DE SANEAMENTO CERTIFICADA I. INTRODUÇÃO O município gera 802 t/dia de resíduos, sendo que 57% deste total correspondem aos Resíduos de Construção e Demolição (RCD), o que significa 453 toneladas por dia. O município tem 99% do território ocupado, não dispondo mais de áreas livres para o descarte de resíduos e possui uma das maiores densidades populacionais do país, o que significa uma grande geração de resíduos. Esta problemática tende, cada vez mais, a se agravar. Pelos dados de relatório do órgão municipal de limpeza urbana, relacionados abaixo, pode-se observar um aumento significativo dos resíduos recolhidos pelo poder público no período de 2001 a 2005, incluindo nestes dados o aumento da disposição de resíduos pela Companhia. Recepção de entulhos pela prefeitura municipal a (ton) ano RCD Companhia , , , ,78 Total RCD , , , , ,48 O problema dos resíduos de construção é, portanto, bastante grave no município, fato comum a outros municípios brasileiros e a Companhia, em suas atividades, tanto por esta situação, quanto por estar atualmente certificada pela ISO 9001/2000, quanto por existir atualmente no cenário brasileiro todo um conjunto de diretrizes e normas técnicas disciplinadoras da gestão dos resíduos de construção, necessitou implantar novos procedimentos, para o cumprimento pleno de suas responsabilidades. As diretrizes brasileiras para a gestão dos resíduos de construção estão expressas na Resolução nº 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, de 5 de julho de 2002 e no conjunto de Normas Brasileiras, NBR a , todas do ano de Ao nível do município sede da Companhia, existem ainda Lei Municipal e Decreto Regulamentador, definindo o Plano Integrado de Gerenciamento dos

3 Resíduos da Construção Civil, exigido pelo CONAMA. Esta legislação local obriga a todos os geradores, como é a Companhia em suas atividades de implantação de obras, a desenvolverem Projetos de Gerenciamento dos Resíduos das obras em construção. II. DESENVOLVIMENTO Em relação aos resíduos de construção sob a responsabilidade da Companhia, dois aspectos chamam atenção. De um lado, o fato de que os resíduos gerados por ela em 2005 e pelas empresas contratadas para as obras de execução e manutenção dos componentes do sistema de água e esgoto corresponderam a mais de 16% dos RCD operados pela administração municipal. De outro, o fato de que a certificação da empresa nos moldes das normas ISO 9.001/2000, obriga-a a alterar radicalmente seus procedimentos de gestão, compatibilizando-os tanto com as exigências destas normas, quanto com a nova legislação municipal. II.1. O PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO ISO 9001:2000 DA COMPANHIA Os serviços de saneamento contribuem diretamente para a promoção da saúde pública melhorando as condições de vida dos cidadãos. Nesse sentido, a Política da Qualidade da companhia, certificada em maio/2006, tem por objetivo a prestação de serviços de saneamento adequado baseada nos seguintes princípios: universalidade, regularidade e continuidade do abastecimento de água e da coleta de esgoto; potabilidade da água distribuída; política tarifária socialmente justa; implementação de novas técnicas e tecnologias adequadas ao processo de trabalho; valorização dos recursos humanos; envolvimento e comprometimento de todos os colaboradores da Companhia no Sistema da Qualidade; melhoria contínua da eficácia do Sistema de Gestão da Qualidade para a satisfação dos clientes; preservação do meio ambiente, em especial dos recursos hídricos e das áreas de mananciais. II.2. A CONSTRUÇÃO DE PROCEDIMENTOS PARA A CORRETA GESTÃO DOS RESÍDUOS DE OBRAS Considerando o fato de a Companhia estar recém exercendo as diretrizes decorrentes da certificação ISO 9001/2000, os procedimentos de gestão dos resíduos sob sua responsabilidade precisam estar de acordo com a legislação

4 municipal, estadual e federal vigentes. Em função disso, foram propostos e implementados pelas áreas técnicas e operacionais da Companhia, um conjunto de iniciativas e instrumentos que permitem o exercício pleno das suas responsabilidades enquanto geradora de resíduos. Fazem parte destas iniciativas, as seguintes: a) Formatação dos contratos com as empresas prestadoras de serviços em conformidade com a nova legislação Há necessidade de formatação da contratação de serviços de terceiros, anunciando-se claramente as responsabilidades dos contratados com os seguintes aspectos: Implementação comprovada de Gerenciamento de Resíduos; Utilização exclusiva de transportadores cadastrados; Utilização exclusiva de receptores licenciados; Entrega da obra ou da etapa de trabalho em perfeita condição de limpeza, com segregação de todos os resíduos gerados. b) Obrigatoriedade de uso de transportadores cadastrados no município Todo o serviço ou obra executado diretamente ou por terceirizados deverá utilizar exclusivamente os serviços de transportadores autorizados pela autoridade municipal, mediante cadastro para o exercício deste tipo de atividade. c) Obrigatoriedade de disposição dos resíduos da Companhia em áreas licenciadas pelo município ou pelo estado Todo o serviço ou obra executado diretamente ou por terceirizados deverá exclusivamente os serviços de receptores autorizados pela autoridade municipal ou pelo órgão ambiental estadual, mediante licença ambiental, para o exercício da atividade. d) Obrigatoriedade de documentação (recibo) dos processos de remoção e destinação Todos os resíduos gerados em serviço ou obra executado diretamente ou por terceirizados deverá obrigatoriamente ser transportado com acompanhamento de CTR Controle de Transporte de Resíduos, o qual documentará a sua correta destinação em área devidamente licenciada. e) Possibilidade de responsabilização dos prestadores de serviço no momento das medições

5 Os instrumentos de contratação de serviços de terceiros deverão anunciar claramente as penalidades previstas para o não cumprimento das responsabilidades dos contratados anunciadas em Ordens de Serviço, de Gerenciamento de Resíduos ou instrumento equivalente. f) Treinamento e capacitação dos funcionários responsáveis pela elaboração de orçamentos, contratos, medição e fiscalização Os funcionários responsáveis pela atividades descritas deverão ser orientados sobre os novos procedimentos e sob os riscos de autuação da Companhia pelo não cumprimento de dispositivos legais, em função do não cumprimento de responsabilidades pela própria empresa ou por executores que trabalhem por sua ordem. g) Incentivo ao uso de agregados reciclados nos serviços realizados Deve ser incentivada a discriminação, nas especificações técnicas, da possibilidade de uso de agregados reciclados, atendentes aos requisitos das Normas Brasileiras NBR e , para a redução de custo dos serviços executados, principalmente para recomposição de valas e pavimentos. h) Incorporação dos novos procedimentos ao sistema de monitoramento e avaliação da Companhia. Os setores responsáveis deverão ser orientados a desenvolverem novos instrumentos de acompanhamento tanto para o cadastro de fornecedores de serviços vinculados à gestão dos resíduos, como para monitoramento e avaliação das atividades próprias ou de contratados. Sugere-se a emissão de diretriz específica (portaria, instrução interna ou documento equivalente) pela Presidência e Diretoria Técnica da Companhia, aos setores responsáveis pelas atividades descritas neste item e nos dois anteriores. III. RESULTADOS E RECOMENDAÇÕES As iniciativas definidas pelo corpo técnico da Companhia estão recém implantadas, constituindo fato inédito entre as empresas do setor de saneamento. Os resultados em relação à formalização das responsabilidades ambientais dos agentes envolvidos no processo de produção das obras começam a se revelar, mas um resultado já é patente a Companhia acaba de implantar a primeira Área de Triagem para estes resíduos no município, na perspectiva de uma solução conjunta, com outros agentes municipais, que aponte para a constituição de soluções físicas

6 para a superação das dificuldades de gestão adequada dos resíduos gerados no ambiente municipal. Apresenta-se como recomendação a de que outras companhias, serviços e empresas de saneamento façam acompanhar as suas ações, intrinsecamente voltadas às melhorias ambientais, de iniciativas que coloquem em suas agendas o pleno cumprimento das responsabilidades com os resíduos gerados nas intervenções e, assim, a exemplo da Companhia que apresenta este relato, outras ações sejam desenvolvidas, dando cumprimento mais marcante à missão de investir na melhoria da qualidade ambiental. IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR : Resíduos da construção civil e resíduos volumosos - Áreas de transbordo e triagem - Diretrizes para projeto, implantação e operação. Rio de Janeiro, BRASIL, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE CONAMA. Resolução n o 307, de 05 de julho de Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, n.136, 17 de julho de Seção 1, p BRASIL, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE CONAMA. Resolução n o 348, de 16 de agosto de Altera Resolução CONAMA 307 de 05/07/2002, incluindo amianto na classe de resíduos perigosos. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, 17 de agosto de Companhia de Saneamento. RESPONSABILIDADES NA GESTÃO DOS RESÍDUOS DE OBRAS EXECUTADAS PELA COMPANHIA, RELATÓRIO DE CONSULTORIA, AUTORIZAÇÃO DE FORNECIMENTO /2006, JUN MUNICÍPIO. Lei Municipal n o 2336, de 22 de junho de Institui o Sistema de Gestão dos resíduos da construção civil.

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