Gestão de custos um fator de sobrevivência para as empresas

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1 Gestão de custos um fator de sobrevivência para as empresas Paula Michelle Purcidonio (UTFPR) Kazuo Hatakeyama (UTFPR) Resumo Com a atual competitividade no mundo dos negócios, as empresas precisam continuamente aprimorar suas práticas de gestão. Os sistemas de custos devem proporcionar exata mensuração do valor agregado ao longo de toda a cadeia produtiva, como base para a tomada de decisões estratégicas e operacionais. Nesse sentido, é fundamental a correta compreensão dos princípios e métodos de custeio e de sua aplicabilidade ao cotidiano empresarial. Saber escolher dentre os diversos métodos de custo o que melhor supre com informações de qualidade as necessidades de gestão dos negócios pode ser determinante para a sobrevivência da empresa.o presente artigo tem por objetivo discutir a importância da gestão de custos como fator de sobrevivência para as empresas, e aborda os principais princípios e métodos de custeio. Para tanto, o procedimento metodológico utilizado foi a revisão bibliográfica, que trava uma discussão do assunto em questão. A pesquisa classificase em exploratória, aplicada e de caráter interpretativo. Palavras-chave: Gestão de Custos; Princípios; Métodos. 1. Introdução Com a globalização dos mercados e o atual contexto competitivo, cada vez mais as organizações estão implantando modernas estratégias de produção. Entretanto, as empresas buscam otimizar os processos/atividades de maneira a atingir melhor desempenho ao menor custo, desde que isso represente ganhos de competitividade, os quais devem ir ao encontro de necessidades dos consumidores e subsidiado por um eficiente sistema de desenvolvimento, suprimento, produção, distribuição, entre outros. Essas mudanças forçaram as empresas a controlar os custos, diminuindo as perdas e desperdícios, com conhecimento mais preciso dos custos realmente embutidos em cada produto. Assim, torna-se importante à aplicação de processos de custeio que proporcionem melhor compreensão dos custos dos produtos, suas perdas e desperdícios. Como destaca Goulart Júnior (2000), um dos fatores-chave de sucesso nas empresas é a gestão dos custos que identifica e analisa como estão sendo alocados os custos aos produtos. Essa gestão do processo de custeio se torna importante na identificação e controle desses custos como forma de crescimento da produtividade, melhoria na tomada de decisões sobre preços e investimentos, e ainda na melhoria contínua do processo produtivo. O presente artigo tem por objetivo discutir a importância da gestão dos custos como fator de sobrevivência para as empresas, e aborda os principais princípios e métodos de custeio. Para tanto, o procedimento metodológico utilizado foi a revisão bibliográfica, que trava uma discussão do assunto em questão. A pesquisa classifica-se em exploratória, aplicada e de caráter interpretativo. 1

2 2. Custos: Princípios, Métodos Os métodos de custeio dos produtos são amplamente abordados na literatura pertinente e sua utilização pode tanto levar a empresa aos melhores resultados, como pode ocultar os valores reais e torná-la inviável. Assim, a empresa deve optar por um sistema de custeio adequado, o qual deve fornecer resultados coerentes de acordo com a sua utilização. Para Perez e Oliveira e Costa (2001), a gestão de custos tem como objetivos principais: Apuração do custo dos produtos e dos departamentos; Atendimento de exigências contábeis; Atendimentos de exigências fiscais; Controle dos custos de produção; Melhoria de processos e eliminação de desperdícios; Auxílio na tomada de decisões gerenciais; Otimização de resultados. Os objetivos da apuração de custos e os correspondentes sistemas de custeio que os atendam, conforme Perez e Oliveira e Costa (2001), podem ser resumidos da seguinte forma: TABELA 1 Relação da apuração de custos e os correspondentes sistemas de custeio Objetivo Sistema de Custeio Apuração do custo dos produtos e dos departamentos Por absorção ou ABC Contábil Fiscal Controle Melhoria de processos Gerencial Otimização de resultados Fonte: (PEREZ; OLIVEIRA; COSTA; 2001) Por absorção Por absorção ou arbitrado Padrão ou standard Por atividades Variável ou direto Teoria das restrições 2.1 Definições Básicas Para conceituar o custo deve-se diferenciar o que é o custo e o que é a despesa. Em várias circunstâncias estes termos são usados como sinônimos, mas alguns autores divergem nas suas definições e a contabilidade trata em contas separadas os custos e as despesas. A despesa para Bornia (2002) é o valor dos insumos consumidos com o funcionamento da empresa e não-identificados com a fabricação. As despesas são diferenciadas dos custos de fabricação pelo fato de estarem relacionadas com a administração geral da empresa. E por sua vez, são divididas em administrativas, comercial e financeira. Para Figueiredo e Caggiano (1993), custos são essencialmente medidas monetárias dos ônus com os quais uma organização tem que arcar a fim de atingir seus objetivos. No entanto, são parcelas importantes do processo decisorial, e não é surpresa que os contadores estejam muito envolvidos com a coleta e análise das informações de custos. Os custos podem ser classificados pela sua variabilidade (variáveis e fixos), pela facilidade de sua alocação (diretos e indiretos), pelo auxílio à tomada de decisões (relevantes e não-elevantes) e pela facilidade de eliminação (custos fixos elimináveis, ou evitáveis e custos fixos não-elimináveis) (BORNIA, 2002, p. 42 a 45): 2

3 Custos fixos são aqueles que independem do nível de atividade da empresa no curto prazo, ou seja, não variam com alterações no volume de produção, como o salário de gerentes, por exemplo. Os custos variáveis, ao contrário, estão intimamente relacionados com a produção, isto é, crescem com o aumento do nível de atividade da empresa. (BORNIA, 2002, p.42). Para Pinotti (2003), a separação entre custos fixos e variáveis é importante para a tomada de decisões, tendo em vista que as decisões de curto prazo afetam os custos variáveis e decisões de longo prazo podem afetar também custos fixos. Assim, no longo prazo, todos os custos são variáveis, bem como no curtíssimo prazo quase todos os custos são fixos. Os conceitos de custos direto e indireto têm a ver com a facilidade com que se pode dizer que um custo é de um determinado produto (ou objeto de custo) ou não. Este conceito, em geral, não é definido, apenas exemplificado. Os custos diretos podem ser atribuídos a um objeto de custo sem necessidade de rateio. Os custos indiretos são compartilhados por um ou mais objetos de custo; assim, para se saber a parcela correspondente a cada um é necessário efetuar um rateio (PINOTTI, 2003). Custos diretos não são necessariamente variáveis, custos indiretos não são necessariamente fixos e vice-versa. Se todos os custos fossem variáveis ou diretos, os sistemas de custeio seriam mais simples. O que aumentou sua complexidade foi o crescimento dos custos fixos e indiretos, custos dedicados a outros objetos de custo que não incorridos diretamente nos produtos, tais como pesquisa e desenvolvimento, marketing, etc (PINOTTI, 2003). Hoje, os CIF estão se tornando cada vez maiores, ao passo que os outros, principalmente a MOD, se tornaram menos importantes. Isso, aliado ao fato de que a análise dos CIF é mais complexa do que a MP e a MOD, faz com que o correto gerenciamento desses custos seja cada vez mais determinante da competitividade da empresa moderna (BORNIA, 2002, p. 40). Para Bornia (2002), custos relevantes são aqueles que se alteram dependendo da decisão tomada e custos não-relevantes são os que independem da decisão tomada. Os custos fixos elimináveis, ou evitáveis, são aqueles que podem ser eliminados em curto prazo caso a empresa encerre temporariamente suas atividades. Já os custos fixos nãoelimináveis, não são passíveis de eliminação a curto prazo. 2.2 Princípios de Custeio Bornia (2001), cita a existência de três princípios de custeio: - Custeio por absorção integral ou total: todos os custos (fixos e variáveis) são alocados aos produtos. Para Bornia (2001), este sistema se relaciona com a avaliação de estoques, ou seja, com o uso da contabilidade de custos como apêndice da contabilidade financeira, que se presta para gerar informações para usuários externos à empresa. Este método de custeio permite uma abordagem ampla na definição dos gastos a serem alocados aos custos de produção, considerando a apropriação de todo gasto operacional aos custos de produção, com discriminação dos custos ao nível do produto, representando maior alcance de informações (GOULART JÚNIOR, 2000). Neste método de custeio por absorção, ou total os critérios de alocação dos custos indiretos fixos inadequados podem comprometer as informações de custos dos produtos, atribuindo-lhes responsabilidades indevidas. 3

4 - Custeio variável ou direto: a classificação dos custos de produção é determinada pela variabilidade onde atribui aos produtos apenas os custos variáveis, sendo os custos fixos considerados como custos do período contábil. Ao considerar o método variável como um princípio de custeio, pode-se dizer que o custeio variável está relacionado com a utilização de custos para o apoio a decisões de curto prazo, onde os custos variáveis tornam-se relevantes e os custos fixos não (BORNIA, 2001). Para Goulart Júnior (2000), o método de custeamento variável é sensível às oscilações do grau de aproveitamento da capacidade de produção instalada. Isso se deve à natureza dos gastos apropriáveis ao custo de produção separados em custos e despesas variáveis e fixas, sendo discriminados em poucos níveis de informação. O princípio de custeio variável é relacionado diretamente ao volume da produção, isto é, oscilam na razão direta dos aumentos ou reduções das quantidades produzidas. Os custos e despesas fixas são estáveis, isto é, não sofrem oscilações proporcionais ao volume de produção, dentro de certos limites de escala. Porém, Goulart Júnior (2000) enfatiza que uma separação de custos e despesas pouco rigorosa entre variáveis e fixas, no plano de contas, provoca distorções no cálculo do ponto de equilíbrio da empresa, estendendo-se aos custos marginais e lucratividade marginal de cada produto. - Custeio por absorção ideal: todos os custos, variáveis ou fixos, são apropriados aos produtos. Entretanto, a parcela de custos fixos apropriados se refere apenas à correspondente a um uso eficiente destes recursos; a outra parcela corresponde a um desperdício, sendo tratada como despesa do exercício e isolada para efeito de controle. 2.3 Métodos de custeio Centros de custos Este método é o mais conhecido, pois representa a base da distribuição dos custos aos produtos sendo referido como sistema tradicional de custeio. Para Bornia (2001), os centros de custos são determinados considerando-se o organograma (cada setor da empresa pode ser um centro de custos), a localização (quando partes da empresa se encontram em localidades diferentes, cada local pode ser um centro), as responsabilidades (cada gerente pode ter sob sua responsabilidade um centro de custos) e a homogeneidade. O método divide a fábrica (ou empresa) em centros de custo, normalmente definidos em função do organograma. Os custos indiretos são apropriados aos centros mediante taxas de rateio, e, em seguida, os totais dos centros são apropriados aos produtos (PINOTTI, 2003) Custeio padrão Segundo Bornia (2002) o objetivo principal da metodologia do custo-padrão é fornecer suporte para o controle dos custos da empresa. A idéia básica de custos para controle é fornecer um padrão de comportamento dos custos, ou seja, fixar quais deveriam ser os montantes para, ao final da apuração dos custos do período, proceder-se à comparação com os custos realmente ocorridos. Este método pressupõe um alto grau de organização das áreas industrial e financeira da empresa, pois o processo de criação de novos produtos precisa determinar quais os padrões de consumo de recursos de cada produto. O método, por sua vez, admite algumas variações: podem ser adotados padrões apenas para a MP, apenas para a MOD, ou para todos os custos, inclusive os indiretos (PINOTTI, 2003). 4

5 2.3.3 Custeio normalizado O custeio normalizado pretende equilibrar o valor de custos indiretos atribuídos aos produtos. Algumas empresas têm uma produção sazonal, obedecendo ao seu fluxo de vendas. Como os custos fixos constituem uma grande parcela dos custos indiretos atribuídos aos produtos, a parcela CIF do custo unitário pode variar abruptamente ao se comparar dois períodos (meses, por exemplo) consecutivos devido não variação dos custos, mas à flutuação da produção. Assim, usa-se, então uma taxa unitária orçada para apropriar a parcela de CIF dos produtos (PINOTTI, 2003). O custo normalizado é uma variante do custo padrão, aplicado somente a algumas parcelas do custo. A limitação do uso deste tipo de custeio é a mesma do uso do custo padrão: é necessário haver um eficiente processo de orçamento na empresa integrando perfeitamente os setores de custo e de planejamento da produção, caso contrário o valor padrão não terá nenhuma utilidade como controle (PINOTTI, 2003) Activity-based costing (ABC) Este método nasceu da necessidade de detalhar os custos incorridos pelos produtos, para aperfeiçoar o nível de controle dos recursos consumidos e propiciar melhores decisões quanto a preços e quanto a incrementar, diminuir ou eliminar determinadas linhas de produtos. É comum se contrapor o ABC ao método tradicional de custeio, o de centros de custo (PINOTTI, 2003). O processamento contábil, em ambos os métodos de centros de custo e ABC, é idêntico. Considerando o ABC apenas com o ponto de vista de contador, pode ser dito que as atividades são os centros de custo: podem existir atividades de suporte, que são descarregadas no segundo estágio em atividades primárias e estas, num terceiro estágio, nos objetos finais de custo. O que diferencia os métodos é a mentalidade que os norteia: como o custeio ABC é muito mais detalhado e, por conseguinte, mais dispendioso, evidentemente este método é adotado somente por empresas que estão necessitando de informações de qualidade adequada para dar suporte ao controle e às decisões (PINOTTI, 2003). Basicamente, para se atribuir os custos indiretos de produção (bens ou serviços), utilizando-se o ABC, deve-se cumprir as seguintes etapas (ASSIS; ET AL, 2005): - identificar as atividades relevantes da organização; - levantar os gastos da atividade para que se possa efetuar as suas funções (mão-deobra, material de escritório, energia elétrica, etc); - estudar quais são os prováveis parâmetros direcionadores de cada atividade, ou seja o indicador de quem é o usuário que está consumindo o serviço de cada atividade (ex: solicitação de serviço, solicitação de compra, de movimentação de materiais, número de funcionários, etc); - efetuar a subdivisão dos custos e despesas indiretos a cada produto de acordo com a proporção obtida com os direcionadores. A implementação acima requer conhecimento aprofundado do processo produtivo e grande dose de investigação para que os parâmetros direcionadores indiquem quem são os verdadeiros consumidores das atividades e como estas consomem os recursos da organização. No entanto, o sistema de custeio ABC é um método que consegue reduzir a subjetividade dos rateios dos custos indiretos para os produtos, minimizando desta forma as distorções geradas por custeios inadequados e que podem levar a estratégias equivocadas por parte dos gestores. 5

6 2.3.5 Unidade de esforço de produção (UEP) Num ambiente com um único produto, é fácil quantificar a produção obtida: basta contar as unidades produzidas. Num ambiente com vários produtos, não se pode simplesmente contar a produção, pois os produtos usam os recursos produtivos de forma diferenciada. O método UEP cria um processo de medição da produção para estes ambientes. Como o fator de ponderação da utilização dos recursos é seu valor monetário, o método incorpora, em sua concepção, um sistema de custeio (PINOTTI, 2003). Como destaca Bornia (2002), o método da UEP baseia-se na unificação da produção para simplificar o processo de controle de gestão. A mensuração do desempenho da empresa é feita por meio de custos e medidas físicas de eficiência, eficácia e produtividade. O UEP não trata as despesas de estrutura, apenas os custos de transformação. Assim, o sistema não pode existir isoladamente: necessariamente haverá um outro sistema para tratar os demais custos e efetuar a análise da margem dos produtos, uma vez que atualmente assumem cada vez mais importância os gastos comerciais e administrativos. A implementação do método exige um alto grau de organização da empresa (principalmente na sua área de produção) e uma estrutura financeira e de informática adequada para suportar dois modelos de custos (PINOTTI, 2003). 5. Considerações Finais No atual contexto empresarial, muito mais do que medir custos de bens e serviços, a gestão de custos deve permitir a avaliação do desempenho de uma organização, e isto a partir da compreensão da efetividade da utilização dos recursos em cada uma das diferentes tarefas executadas. Portanto, percebe-se que o controle dos custos, gerando informações pela contabilidade é, com certeza, algo imprescindível para qualquer organização. Com base nessas informações a empresa pode tomar decisões precisas sobre o que necessita porque tem seus controles internos atualizados e com o controle de custos, com cada recurso alocado em seu devido lugar e com o percentual do todo que lhe pertence. 5. Referências ASSIS, E. G.; MARQUES, L.; MAIA, J. L.; PEREIRA, A G. R.; DIAS, C. V.; MONTES, T. O. O custeio ABC e sua utilização para estudar o preço de venda de produtos em uma empresa alimentícia e outra de bem durável na cidade de Uberlândia. XXV Encontro Nacional de Engenharia de Produção Porto Alegre, RS, Brasil, BORNIA, A. C. Análise Gerencial de Custos. Porto Alegre: Bookman, FIGUEIREDO, S.; CAGGIANO, P. C. Controladoria Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, GOULART JÚNIOR, R. Custeio e Precificação no ciclo de vida das empresas. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Florianópolis, PEREZ JR, J. H.; OLIVEIRA, L. M.; COSTA, R. G. Gestão Estratégica de Custos. São Paulo: Altas, PINOTTI, A J. Sistema informatizado para apuração de custos por atividades em pequenas e médias empresas de confecções. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC, Florianópolis,

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