Jorge Amado JOSÉ DE PAULA RAMOS JR. ANALISE DA OBRA

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1 Jorge Amado CAPITÃES DA AREIA ANALISE DA OBRA JOSÉ DE PAULA RAMOS JR. APRESENTAÇÃO Jorge Amado iniciou a redação de seu sexto romance, Capitães da Areia, na cidade de Estância, interior do Estado de Sergipe, em março de 1937, para terminá-la em pleno Oceano Pacífico, a caminho do México, no mês de junho do mesmo ano. Os exemplares da primeira edição da obra, disponíveis no mercado e no estoque da Editora José Olympio, que a lançara, foram apreendidos pouco após a instalação do Estado Novo ( ). Em novembro, oitocentos exemplares do livro foram incinerados publicamente em Salvador, por ordem do comandante da 6ª- Região Militar. A ditadura Vargas, enquanto durou, pode ter impedido a circulação desse romance, mas, a partir de sua segunda edição (1944), ele vem mostrando tal vitalidade, que já ultrapassou a marca de 120 edições em língua portuguesa, tendo sido traduzida para o alemão (Herren des Strandes, 1954), espanhol (Los capitanes de la arena, 1956), francês (Capitaines des sables, 1952), inglês (Captains of the sands, 1988), italiano (Banditi del porto, 1952), russo (Piestchânie capitâni, 1976) e tcheco (Kapitâni z písku, 1951). Trata-se da obra mais lida do autor, também difundida por meio de adaptações para teatro, cinema e história em quadrinhos. Os molecotes atrevidos, o olhar vivo, o gesto rápido, a gíria de malandro, os rostos chupados de fome, pedem esmola. Praticam também pequenos furtos. Há quarenta anos escrevi um romance sobre eles. Os que conheci naquela época são hoje homens maduros, malandros do cais, com cachaça e violão, operários de fábrica, ladrões fichados na polícia, mas os Capitães da Areia continuam a existir, enchendo as ruas, dormindo ao léu. Não um bando surgido ao acaso, coisa passageira na vida da cidade. Não, são um fenômeno permanente, nascido da fome que se abate sobre as classes pobres. Aumenta diariamente o número de crianças abandonadas. Os jornais noticiam constantes malfeitos desses meninos, que têm como único corretivo as surras na polícia, os maus tratos sucessivos. Parecem pequenos ratos agressivos, sem medo de coisa alguma, de choro fácil e falso, de inteligência ativíssima, soltos de língua, conhecendo todas as misérias do mundo. AMADO, Jorge. Guia das ruas e dos mistérios da cidade do Salvador da Bahia. Rio de Janeiro: Som Livre, 1997, faixa 5, disco 2. JORGE AMADO (Ferradas, , Salvador) Filho de fazendeiro produtor de cacau, Jorge Amado nasce na zona rural do município de Itabuna, sul da Bahia, em Passa a infância em Ilhéus até mudar-se para Salvador, onde realiza os estudos secundários. Forma-se advogado pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935, ano de publicação de seu quarto romance: Jubiabá. Perseguido pelo Estado Novo getulista, devido a sua militância política, é obrigado a viver no exílio entre 1941 e De volta ao SISTEMA ANGLO DE ENSINO 150 ANGLO VESTIBULARES

2 Brasil, elege-se deputado constituinte, em 1945, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Deve-se ao seu trabalho parlamentar a garantia constitucional à liberdade religiosa que vigora no país. Dois anos após, com a cassação de registro e a declaração de ilegalidade de seu partido, Jorge Amado segue para novo período de exílio, que se estende até o ano de Outra vez em sua pátria, o escritor deixa a militância política, em 1955, mas sem romper com suas convicções ou com o PCB, para dedicar-se integralmente à literatura. Jorge Amado se consagra como o escritor brasileiro de maior sucesso nacional e internacional no século XX, com obras publicadas em inúmeros países e traduzidas para cerca de 50 idiomas. A eleição para a Academia Brasileira de Letras, em 1961, ratifica o reconhecimento popular de que já gozava o escritor desde seus primeiros romances, lançados na década de Esse prestígio se expandiu ainda mais com as inúmeras adaptações de sua produção literária para teatro, cinema e televisão. Falece em Salvador, em 2001, poucos dias antes de completar 89 anos de idade, o amado Jorge do povo brasileiro. Depoimento de Claude Guméry-Emery (professora de literatura e cultura brasileira na Universidade Stendhal de Grenoble, França) Ler Jorge Amado num país estrangeiro é entender pela literatura como se formou o Brasil, é tornar presente e patente o que o sociólogo Gilberto Freyre e o historiador Sérgio Buarque de Holanda explicaram. É compreender a história do Brasil além de Salvador e da Bahia. (...) Nos romances de Jorge Amado, vivenciamos os resultados da colonização portuguesa (mas não só; também da francesa, da inglesa, da holandesa, da espanhola, em outras terras) e da escravidão; quem lê Seara vermelha compreende o Movimento dos Sem-Terra; quem lê Os pastores da noite entende a violência urbana de hoje. Jorge é a articulação entre a herança do passado e a construção do futuro. Conta a epopeia da conquista das terras, denuncia o latifúndio nos romances da terra, defende os menores abandonados, reabilita a mulher negra e mestiça nos romances urbanos, explica como se estruturou e hierarquizou a sociedade brasileira, mostra como é longo o caminho a ser percorrido. In: A literatura de Jorge Amado caderno de leituras. São Paulo: Companhia das Letras, novembro de Fac-símile da capa da 1 a edição Terras do sem-fim (1943) São Jorge dos Ilhéus (1944) Seara vermelha (1946) Os subterrâneos da liberdade: Os ásperos tempos; Agonia da noite; A luz no túnel (1954) Gabriela, cravo e canela (1958) O capitão-de-longo-curso (1961) A morte e a morte de Quincas Berro D água (1961) Os pastores da noite (1964) O compadre de Ogum (1964) Dona Flor e seus dois maridos (1966) Tenda dos Milagres (1969) Tereza Batista cansada de guerra (1972) O gato malhado e a andorinha Sinhá (1976) Tieta do Agreste (1977) Farda, fardão, camisola de dormir (1979) Tocaia Grande (1984) O sumiço da santa (1988) A descoberta da América pelos turcos (1992) O milagre dos pássaros (1997) ROMANCES DO AUTOR O país do Carnaval (1931) Cacau (1933) Suor (1934) Jubiabá (1935) Mar morto (1936) Capitães da Areia (1937) CAPITÃES DA AREIA (1937) Elementos do Enredo O romance se divide em quatro partes, intituladas: Cartas à redação, Sob a lua, num velho trapiche abandonado, Noite da grande paz, da grande paz dos teus olhos e Canção da velha Bahia, canção da liberdade. A primeira é constituída por uma suposta reportagem de jornal, seguida da transcrição de cinco supostas cartas de leitores que se haveriam manifestado sobre a mencionada reportagem; a segunda SISTEMA ANGLO DE ENSINO 151 ANGLO VESTIBULARES

3 parte contém onze capítulos; a terceira e a quarta, oito capítulos cada. Ao todo, são 27 capítulos mais ou menos curtos, antecedidos pela hipotética reportagem e pelas pseudocartas. A história se passa, sobretudo, na cidade de Salvador, capital da Bahia, numa época imprecisa, mas que se pode situar, aproximadamente, entre o final da década de 1920 e meados do decênio seguinte. A narrativa se inicia com a descrição de um velho trapiche abandonado. O casarão em ruínas, que servira outrora de armazém e atracadouro de embarcações, tornara-se moradia e esconderijo para um grupo de crianças e adolescentes abandonados que, para sobreviver, dedicavam-se a furtos e assaltos. Os Líderes Mais de cem meninos compõem o bando dos chamados Capitães da Areia, dos quais uns quarenta dormem regularmente no trapiche. Seu líder é Pedro Bala, rapaz entre quatorze e quinze anos de idade, órfão desde os cinco, cujo pai, estivador conhecido pelo apelido de Loiro, fora fuzilado pela polícia nas docas, quando discursava aos companheiros em greve. Pedro Bala conquista a chefia após vencer Raimundo, o antigo líder, numa célebre briga. Numa luta anterior, Raimundo cortara o rosto de Pedro Bala com uma navalhada, de que resultara grande cicatriz. Vencido, Raimundo abandona o grupo. Pedro Bala é aceito como chefe por tácito e unânime reconhecimento de suas qualidades: a inteligência, a lealdade, o senso de justiça, a habilidade no trato com os outros. Conforme assinala o narrador, Pedro Bala trazia nos olhos e na voz a autoridade de chefe 1. Sob a nova liderança, o grupo se organiza melhor e ganha fama na cidade. Pedro Bala comanda as atividades com a ajuda de alguns companheiros mais próximos, reconhecidos pelo bando como maiorais. Entre eles, destaca-se João Grande, negro de treze anos que se distingue não pela inteligência, mas pela enorme força, pela bondade natural e pela proteção que devotava aos menores e mais fracos. Outro líder é João José, o Professor, muito respeitado pela inteligência. Alfabetizado, lê vorazmente os livros que furta e coleciona, cujas histórias ele narra à noite aos companheiros. O Professor possui, também, grande e espontâneo talento para o desenho, com que costumava ganhar algum dinheiro, retratando os transeuntes a giz nas calçadas da cidade. Pedro Bala nada resolvia sem o consultar e várias vezes 1 AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 29. As citações do romance sempre remetem a essa edição. As próximas serão identificadas pelo respectivo número de página entre parênteses. foi a imaginação do Professor que criou os melhores planos de roubo (p. 32). É importante o papel de Sem-Pernas, garoto coxo que se vale da deficiência física e da habilidade em fingir-se bom menino para ganhar a simpatia das famílias e ser acolhido em suas casas, com a finalidade de observar os hábitos dos moradores, verificar onde se guardavam os objetos de valor e indicar a melhor maneira de roubá-los. Apesar de respeitado, poucos gostavam dele no grupo. Tinha fama de cruel e de malvado, costumava ridicularizar a todos, era dos mais briguentos e nutria um grande ódio contra o mundo, sobretudo após ter sido preso e espancado pela polícia. As humilhações sofridas na delegacia tornaram-se um pesadelo que o atormentava, fazia com que tivesse medo de dormir e o deixava cada vez mais rancoroso, especialmente contra os policiais e os ricos considerados culpados pelas misérias que o angustiavam. No fundo, sentia enorme carência de afeto, o que alimentava seu sentimento de ódio e desejo de vingança. Pirulito, Gato, Boa-Vida e Volta Seca completam a cúpula dos Capitães da Areia. O primeiro se distingue pelo sentimento religioso e pela vocação para o sacerdócio; o segundo e o terceiro, pela propensão à vida de malandro, adversa ao trabalho regular. Gato, o elegante do bando, antes de completar quatorze anos, torna-se amante da bela prostituta Dalva e desenvolve a aptidão para trapacear em jogos de baralho; Boa-Vida revela talento para sambista, arruaceiro e vagabundo. Volta Seca, por sua vez, é um menino sertanejo, afilhado do cangaceiro Lampião, que aspira a voltar para o sertão e incorporar-se ao bando de seu padrinho, por quem nutre imensa admiração. Adultos Amigos A cidade os teme, a polícia os persegue, mas os Capitães da Areia têm a amizade de alguns adultos, todos pobres. Um deles, conhecido como Querido-de- Deus, o mais respeitado mestre de capoeira da Bahia, luta que ensina a Pedro Bala, Gato e João Grande, vive da pesca e demonstra verdadeira simpatia e respeito pelo bando, confraterniza com os líderes e manifesta solidariedade aos meninos abandonados nos momentos mais difíceis. A mãe de santo Don Aninha tem a amizade dos Capitães da Areia porque, nas palavras do narrador, são amigos da grande mãe de santo todos os negros e todos os pobres da Bahia (p. 97). Líder e conselheira espiritual, guardiã dos cultos religiosos de origem africana, Don Aninha cura doenças, junta amantes e mata homens ruins com seus feitiços. Era alta e magra, um tipo aristocrático de negra (...). Tinha o rosto alegre, se bem bastasse um olhar seu para inspirar profundo respeito (p. 97). A mãe de santo recebe socorro dos Capitães da Areia num importante episódio da narrativa, quando seu terreiro é invadido SISTEMA ANGLO DE ENSINO 152 ANGLO VESTIBULARES

4 pela polícia, que apreende e leva para a delegacia uma imagem sagrada de Ogum. O padre José Pedro fora operário cinco anos em uma tecelagem e conseguira entrar para o seminário com a promessa do patrão, feita ao bispo que visitava a fábrica, de custear os estudos de alguém que quisesse estudar para padre (p. 73). De seu tear, José Pedro ouvira a conversa, declarara-se interessado na oferta e, assim, fora admitido no seminário. Embora o diretor da fábrica só honrasse o compromisso nos dois primeiros anos, o estudante pôde seguir seus estudos até ordenar-se, trabalhando como bedel no próprio seminário. Ali, fora discriminado pelos colegas, por sua baixa origem social e por seu baixíssimo desempenho nos estudos, o que era compensado pelo seu comportamento exemplar, bem como pela sincera devoção e pela legítima vocação para o sacerdócio. Após ordenar-se, enquanto espera a designação para uma paróquia, acerca-se dos Capitães da Areia, com o grande desejo de catequizar as crianças abandonadas da cidade, os meninos que, sem pai e sem mãe, viviam do roubo, em meio a todos os vícios. O padre José Pedro queria levar aqueles corações a Deus (p. 74). Com carinho e bondade, conquista a confiança do bando liderado por Pedro Bala, mas, apesar do respeito obtido, sua ação catequética não prospera muito, exceto pela conversão de Pirulito. Em defesa dos menores abandonados, padre José Pedro denuncia à imprensa os maus tratos sofridos por eles quando presos no reformatório, e é complacente com os vícios das crianças do bando, que ele protege a despeito da orientação de seus superiores e, às vezes, até mesmo ao arrepio da lei. Por isso, sofre a hostilidade das beatas que frequentavam a igreja onde oficiava, é criticado pela imprensa, que divulga uma carta do diretor do reformatório, desmentindo as acusações e difamando o sacerdote, além de receber ásperas reprimendas de seus superiores eclesiásticos, como a de um cônego que o chamara de comunista. João de Adão, um dos mais velhos estivadores em atividade no porto de Salvador, líder de sua categoria profissional, antigo companheiro de Loiro, pai de Pedro Bala, também goza de prestígio junto aos Capitães da Areia, especialmente de seu maior chefe. Distingue-se pela consciência e pela militância política, em que exerce o papel de organizador de greves e membro de uma organização clandestina. Na parte final da narrativa, ganha ainda destaque um estudante universitário chamado Alberto, ativista político de esquerda, que age em solidariedade aos trabalhadores nas suas lutas. Apresentado por João de Adão a Pedro Bala, Alberto contribui para a transformação do chefe dos Capitães da Areia em líder e organizador do proletariado. Episódios e Peripécias O enredo entrelaça ações circunstanciais que se encerram em si mesmas, sem fazer avançar a narrativa, e ações que dinamizam as situações, modificam o modo de agir das personagens e articulam os acontecimentos que definem a história central numa relação de causalidade. As ações circunstanciais constituem episódios; as dinâmicas, peripécias. Os episódios, sobretudo, caracterizam a vida coletiva dos meninos abandonados ou configuram perfis individuais das personagens importantes. Servem, ainda, para compor a imagem da cidade dividida entre ricos e pobres. Os onze capítulos da segunda parte do livro Sob a lua, num velho trapiche abandonado são, sobretudo, episódicos. O Trapiche, por exemplo, desenha a miséria e a promiscuidade do ambiente físico e moral em que vive o bando e traça o primeiro retrato de Pedro Bala. Noite dos Capitães da Areia, segundo capítulo dessa parte, prossegue com a função de apresentar líderes do grupo João Grande, o Professor, Pirulito, Sem-Pernas, Boa-Vida, Gato e Volta Seca, fixando-lhes os traços de caráter por meio de pequenas sínteses biográficas. O capítulo seguinte, Ponto das Pitangueiras, destaca a astúcia e a habilidade dos Capitães da Areia, ao mostrar como alguns de seus líderes conseguem entrar numa casa, substituir um objeto por outro de igual aparência, burlando a vigilância de um cão e de um homem, e sair sem serem sequer percebidos. Na sequência, justapõe-se o capítulo As luzes do carrossel, talvez o melhor exemplo de acontecimento episódico do livro, uma vez que a ação nele contida apresenta-se como que encapsulada, aparentemente autônoma em relação a anteriores e posteriores. Nem por isso esse capítulo é desprovido de importância, pois introduz o retrato moral do padre José Pedro, que em passagens anteriores só fora mencionado ligeiramente, e elabora uma alegoria decisiva para a construção do sentido do romance, como veremos mais adiante, além de agregar elementos para a caracterização psicológica de duas personagens de destaque: Volta Seca e Sem-Pernas. Os demais capítulos da segunda parte do romance apresentam-se, em maior ou menor grau, também como episódios, com as mesmas funções mencionadas acima. No quinto, Docas, Pedro Bala e Boa-Vida vão passear na zona portuária e encontram por acaso o velho estivador João de Adão, líder dos doqueiros. Numa conversa, de que também participa uma velha negra chamada Luísa, vendedora de laranjas e cocadas, Pedro toma conhecimento de suas origens. Luísa conhecera os pais do rapaz: Raimundo, apelidado de Loiro, fora operário em uma fábrica de cigarros antes de tornar-se doqueiro; a mãe, de família rica, fugira de casa para casar-se com Raimundo, mas morrera quando Pedro tinha cerca de seis meses de vida. João de Adão, que fora companheiro do pai de Pedro, ressalta a coragem de Loiro, que morrera na luta pelo direito da gente. Era um homem e tanto. Valia dez destes que a gente encontra por aí. (p. 86). João de Adão SISTEMA ANGLO DE ENSINO 153 ANGLO VESTIBULARES

5 garante a Pedro Bala um lugar nas docas, quando e se ele quisesse seguir os passos do pai. Essa conversa provoca reflexões no líder dos Capitães da Areia, que são como um vago despertar de consciência política revolucionária, mesclada com sentimento de vingança pessoal: O navio apitava nas manobras de atracação. De todos os cantos surgiam estivadores que se iam dirigindo para o grande armazém. Pedro Bala os olhou com carinho. Seu pai fora um deles, morrera por defesa deles. Ali iam passando homens brancos, mulatos, negros, muitos negros. Iam encher os porões de um navio de sacos de cacau, fardos de fumo, açúcar, todos os produtos do estado que iam para pátrias longínquas, onde outros homens como aqueles, talvez altos e loiros, descarregariam o navio, deixariam vazios os seus porões. Seu pai fora um deles. Somente agora o sabia. E por eles fizera discursos trepado em um caixão, brigara, recebera uma bala no dia em que a cavalaria enfrentou os grevistas. Talvez ali mesmo, onde ele sentava, tivesse caído o sangue de seu pai. Pedro Bala mirou o chão agora asfaltado. Por baixo daquele asfalto devia estar o sangue que correra do corpo de seu pai. Por isso, no dia em que quisesse, teria um lugar nas docas, entre aqueles homens, o lugar que fora de seu pai. E teria também que carregar fardos... Vida dura aquela, com fardos de sessenta quilos nas costas. Mas também poderia fazer uma greve assim como seu pai e João de Adão, brigar com polícias, morrer pelo direito deles. Assim vingaria seu pai, ajudaria aqueles homens a lutar pelo seu direito (vagamente Pedro Bala sabia o que era isso). Imaginava-se numa greve, lutando. E sorriam os seus olhos como sorriam os seus lábios. (p. 87). Além desse, há outro episódio que arremata o capítulo em questão. De volta das docas para o trapiche, na praia quase deserta, Pedro Bala sodomiza à força uma jovem negra, apesar de ela implorar para que ele a poupasse. Tal episódio, aparentemente desconexo de tudo, caracteriza a bestialidade dos instintos sexuais do protagonista e tem a função de servir de contraponto ao futuro comportamento dele em relação a outra jovem, Dora, personagem decisiva na terceira parte do romance, como será explicitado em outro momento deste estudo. 5 a edição (1954) de Capitães da Areia. O capítulo seguinte tem muito de episódico, mas se aproxima da peripécia na medida em que determina, embora de modo fantástico, acontecimentos vindouros. Trata-se de Aventura de Ogum, capítulo em que a imagem desse orixá é retirada de seu altar no candomblé de Don Aninha e levada pela polícia para uma delegacia. A mãe de santo recorre a Pedro Bala, que se faz prender para resgatar e restituir a imagem ao seu lugar sagrado. Nesse capítulo, patenteia-se a intolerância e a perseguição religiosa que, na época em que transcorre a história, afligiam os praticantes dos cultos religiosos de origem africana no Brasil. Além disso, reforça-se a imagem de Pedro Bala como herói solidário, dotado de rara inteligência, coragem e habilidade. Seguem-se três capítulos Deus sorri como um negrinho, Família e Manhã como um quadro protagonizados, respectivamente, por Pirulito, Sem- Pernas e Professor. São três episódios que também servem de suporte para a configuração da psicologia dessas personagens. No primeiro, Pirulito rouba uma imagem de Menino Jesus exposta em uma loja. O narrador expõe as hesitações do menino nos momentos que antecedem o roubo, de modo que o leitor possa acompanhar o fluxo de sentimentos e pensamentos contraditórios, entre o temor e o amor de Deus, que o levam a meditar sobre os exemplos e as idéias de padre José Pedro e do estivador João de Adão sobre justiça e culpa: Sua vida era uma vida desgraçada de menino abandonado e por isso tinha que ser uma vida de pecado, de furtos quase diários, de mentiras nas portas das casas ricas. Por isso na beleza do dia Pirulito mira o céu com os olhos crescidos de medo e pede perdão a Deus tão bom (mas não tão justo também ) pelos seus pecados e os dos Capitães da Areia. Mesmo porque eles não tinham culpa. A culpa era da vida... O padre José Pedro dizia que a culpa era da vida e tudo fazia para remediar a vida deles, pois sabia que era a única maneira de fazer com que eles tivessem uma existência limpa. Porém uma tarde em que estava o padre José Pedro e estava o João de Adão, o doqueiro disse que a culpa era da sociedade mal organizada, era dos ricos. Que enquanto tudo não mudasse, os meninos não poderiam ser homens de bem. E disse que o padre José Pedro nunca poderia fazer nada por eles porque os ricos não deixariam. O padre José Pedro naquele dia tinha ficado muito triste, e quando Pirulito o foi consolar, explicando que ele não ligasse ao que João de Adão dizia, o padre respondeu balançando a cabeça magra. Tem vezes que eu chego a pensar que ele tem razão, que isso tudo está errado. Mas Deus é bom e saberá dar o remédio... (pp ) O capítulo Família relata a aventura em que Sem-Pernas se infiltra na casa de um casal rico de Salvador, Dona Ester e seu marido, Dr. Raul, um advogado de grande reputação. Fingindo-se bom menino, Sem-Pernas é acolhido com muito afeto. Tratado como filho, ele também se apega ao casal e sofre pelo desgosto que daria quando cumprisse sua missão de espionagem e informação para o roubo. Hesita e, continuando a fingir, prolonga sua per- SISTEMA ANGLO DE ENSINO 154 ANGLO VESTIBULARES

6 manência na casa até não poder mais. Enfim, decidese pela lealdade devida ao bando, foge do lar acolhedor e volta a viver no trapiche, ainda mais amargurado do que já era. Manhã como um quadro, por sua vez, relata o episódio em que o Professor, acompanhado de Pedro Bala, ganha alguns trocados a desenhar a giz, nas calçadas da Cidade Alta, retratos dos transeuntes. Um destes, que era poeta, fica impressionado com o talento do menino, puxa conversa com ele e se oferece para ajudá-lo. Seguem-se mais dois capítulos, Alastrim e Destino, que encerram a segunda parte do romance. O primeiro tem a aparência de outro episódio isolado, que relata as atribulações da cidade em decorrência de uma epidemia de varíola. Esta se apresenta como se fora castigo do orixá Omolu aos ricos de Salvador. Todavia, quem mais sofre são os pobres e, entre eles, os Capitães da Areia. Nesse capítulo, há uma cena importante, carregada de crítica contra a postura da Igreja católica, que seria desfavorável às classes baixas. Trata-se do diálogo travado entre um cônego, apresentado como porta-voz das posições oficiais da instituição, e o padre José Pedro, que é recriminado por seu comportamento solidário aos pobres e refratário às adulações e expectativas dos ricos. No decorrer da conversa, o cônego se comporta de modo duro e áspero ao dizer: Cale-se a voz do cônego era cheia de autoridade. Quem o visse falar diria que é um comunista que está falando. E não é difícil. No meio dessa gentalha o senhor deve ter aprendido as teorias deles O senhor é um comunista, um inimigo da Igreja O padre o olhou horrorizado. O cônego levantou-se, estendeu a mão para o padre: Que Deus seja suficientemente bom para perdoar seus atos e suas palavras. O senhor tem ofendido a Deus e à Igreja. Tem desonrado as vestes sacerdotais que leva. Violou as leis da Igreja e do Estado. Tem agido como um comunista. Por isso nos vemos obrigados a não lhe dar tão cedo a paróquia que o senhor pediu. Vá (agora sua voz voltava a ser doce, mas de uma doçura cheia de resolução, uma doçura que não admitia réplicas), penitencie-se dos seus pecados, dedique-se aos fiéis da igreja em que trabalha e esqueça essas ideias comunistas, senão, teremos que tomar medidas mais sérias. O senhor pensa que Deus aprova o que está fazendo? Lembre-se que a sua inteligência é muito pequena, o senhor não pode penetrar nos desígnios de Deus (p. 155) O derradeiro e curtíssimo capítulo da segunda parte Destino limita-se a reproduzir uma conversa de bar, em que um velho freguês afirmara que o destino era algo imutável, pré-determinado pelo céu, para ser contraditado por João de Adão e por Pedro Bala. Dora A terceira parte do livro, como já se sabe, intitulase Noite da grande paz, da grande paz dos teus olhos e contém oito capítulos. Neles, uma nova e importantíssima personagem dinamiza a narrativa e imprime aos elementos da ação um caráter mais de peripécia do que de episódio. Isso quer dizer que tais capítulos se articulam, sobretudo, por relações de causalidade. O primeiro, Filha de bexiguento, introduz a personagem mencionada acima. Trata-se da menina Dora, cujos pais, muito pobres, sucumbem na onda de varíola que, enfim, passara, deixando a cidade retornar à normalidade. Antes de completar quatorze anos de idade, a menina vê-se órfã com o irmão menor, Zé Fuinha, de seis anos, sem ter o que comer nem onde morar. Despejadas pelo dono do barracão, que já o alugara a um novo inquilino, as duas crianças caminham descalças até a casa de uma antiga patroa da mãe delas, onde esta trabalhara como lavadeira de roupa. Dora se oferece para servir como copeira, mas a dona da casa, que outrora a convidara exatamente para isso, muda de idéia ao saber da causa da morte dos pais da menina. Esta ainda tenta empregar-se em muitas outras casas, sempre com o mesmo resultado, devido ao medo que os possíveis patrões sentiam da varíola. Com uma esmola recebida, Dora compra pães amanhecidos. Ao comê-los com o irmão, dois meninos se aproximam com olhar de fome e ela oferece-lhes os pães que restavam. Dora conta a sua história aos novos conhecidos. Estes, que eram Zé Grande e Professor, compadecidos, convidam a menina e seu irmão a acompanhá-los ao trapiche, onde poderiam dormir. Meninas não eram admitidas no bando dos Capitães da Areia, que se alvoroçam com a presença de Dora e tentam estuprá-la. O bando ataca Zé Grande e Professor, que a defendiam, quando chega Pedro Bala e, após um primeiro momento em que dera razão ao bando, muda de opinião perante os apelos dos defensores e o comovente pavor evidenciado nos olhos da menina. O líder do bando impõe sua autoridade e decreta que ninguém molestaria Dora. Esta decide permanecer no trapiche com o irmão e tornarse membro do bando. Os dois capítulos seguintes, Dora, mãe e Dora, irmã e noiva, como os próprios títulos sugerem, relatam o processo em que Dora vai conquistando rapidamente a simpatia de todos os Capitães da Areia, que passam a nutrir por ela sentimentos filiais, ou fraternos ou, no caso de Professor e de Pedro Bala, de puro amor. Dora também ama Pedro Bala e, assim, os dois se declaram noivos. No quarto capítulo dessa parte do romance, intitulado Reformatório, Pedro Bala e Dora são presos pela polícia, em flagrante de roubo numa casa que haviam invadido, com mais quatro meninos do bando. O líder dos Capitães da Areia arma grande confusão, permitindo a fuga dos companheiros. Dora, porém, não consegue escapar. Na delegacia, Pedro Bala é brutalmente espancado e chicoteado para revelar SISTEMA ANGLO DE ENSINO 155 ANGLO VESTIBULARES

7 onde o bando se escondia, mas nada diz. Dora é conduzida a um orfanato; o rapaz, para a instituição referida no título. Lá, ele é encarcerado numa cafua. Ouviu o bedel Ranulfo fechar o cadeado por fora. Fora atirado dentro da cafua. Era um pequeno quarto, por baixo da escada, onde não se podia estar em pé, porque não havia altura, nem tampouco estar deitado ao comprido, porque não havia comprimento. Ou ficava sentado, ou deitado com as pernas voltadas para o corpo numa posição mais que incômoda. Assim mesmo Pedro Bala se deitou. Seu corpo dava uma volta e seu primeiro pensamento era que a cafua só servia para o homem-cobra que vira, certa vez, no circo. Era totalmente cerrado o quarto, a escuridão era completa. O ar entrava pelas frestas finas e raras dos degraus da escada. Pedro Bala, deitado como estava, não podia fazer o menor movimento. Por todos os lados as paredes o impediam. Seus membros doíam, ele tinha uma vontade doida de esticar as pernas. Seu rosto estava cheio de equimoses das pancadas na polícia [ ] (p. 203) Pedro permanece oito dias na cafua, alimentado só com uma caneca de água e um prato de feijão ralo como ração diária. Ao sair dali, passa a cortar cana na plantação que havia no reformatório; trabalho obrigado aos internos, sob a vigilância de bedéis violentos. Trabalhando no roçado, Pedro vê, para além da cerca, na estrada, a figura de Sem-Pernas, que rondava a região desde a prisão do chefe. Este consegue passar um bilhete ao amigo, pedindo que ele, à noite, escondesse uma corda no canavial. No dia seguinte, Pedro se vale do alvoroço causado por um detento, que atacara um bedel com uma faca, e da simultânea confusão provocada pela fuga de outro interno, para levar a corda ao dormitório e escondê-la debaixo do colchão, sem ser visto. À noite, Pedro Bala foge do reformatório. Os próximos quatro capítulos, que encerram a terceira parte do romance, são bem curtos. Em Orfanato, relata-se de modo sumário que Dora passara um mês na instituição e ficara muito doente, com uma febre que não cedia. Pedro Bala, com alguns companheiros, invade o prédio e resgata a amada, tirando-a da enfermaria e levando-a para o trapiche. Noite de grande paz, curtíssimo, equivale a um quadro em que os Capitães da Areia, em silêncio, contemplam a agonia serena de Dora, enquanto Pedro Bala lhe dá a mão e a mãe de santo Don Aninha reza para espantar a febre. Segue-se Dora, esposa, em que a enferma revela ao amado que se tornara moça no orfanato, insistindo para que ele a possuísse. A união dos corpos tem o significado de um casamento in extremis. De fato, na manhã seguinte, Dora está morta. Querido-de-Deus, Don Aninha e padre José Pedro juntam-se aos Capitães da Areia para velar o corpo, até que Querido-de-Deus o leva em seu saveiro para sepultá-lo no mar. Padre José Pedro aceitara esse funeral em desacordo com a lei e com a fé católica, apesar de suas convicções religiosas, para que o esconderijo do bando não corresse o risco de ser descoberto pela polícia. No derradeiro capítulo da terceira parte, Como uma estrela de loira cabeleira, Pedro Bala lançase ao mar e nada até esgotar a força. Boiando com os olhos voltados para o céu, Pedro vê um cometa de longa cabeleira loira, como a de Dora, riscar e iluminar a noite. Para Pedro Bala, o fenômeno se apresenta como transfiguração de Dora em cometa, de acordo com certas crenças populares na Bahia. Querido-de- Deus, que voltava após lançar ao mar o cadáver, encontra Pedro Bala e o leva a terra. Pedro Bala se joga n água. Não pode ficar no trapiche, entre os soluços e as lamentações. Quer acompanhar Dora, quer ir com ela, se reunir a ela nas Terras do Sem-Fim de lemanjá. Nada para diante sempre. Segue a rota do saveiro do Querido-de-Deus. Nada, nada sempre. Vê Dora em sua frente, Dora, sua esposa, os braços estendidos para ele. Nada até já não ter forças. Bóia então, os olhos voltados para as estrelas e a grande lua amarela do céu. Que importa morrer quando se vai em busca da amada, quando o amor nos espera? Que importa tampouco que os astrônomos afirmem que foi um cometa que passou sobre a Bahia naquela noite? O que Pedro Bala viu foi Dora feita estrela, indo para o céu. Fora mais valente que todas as mulheres, mais valente que Rosa Palmeirão, que Maria Cabaçu. Tão valente que antes de morrer, mesmo sendo uma menina, se dera ao seu amor. Por isso virou uma estrela no céu. (p ) Desenlaces A quarta e última parte do romance intitula-se Canção da Bahia, canção da liberdade e compreende oito capítulos. O primeiro, Vocações, relata o desligamento do bando de três de seus membros destacados Professor, Boa-Vida e Pirulito, bem como a transferência do padre José Pedro para uma paróquia no sertão da Bahia, para onde ninguém mais queria ir, com medo dos cangaceiros que aterrorizavam a região. Todavia, padre José Pedro se alegra com a oportunidade, embora lamentasse ter que se afastar dos Capitães da Areia, que, assim, não teriam quase ninguém que lhes desse um pouco de carinho e devotasse algum sentimento de solidariedade. Consola-se com a idéia de que poderia se esforçar na missão de chamar para perto de Deus os cangaceiros, que o padre considera como crianças grandes. Antes de partir, porém, padre José Pedro consegue que Pirulito seja admitido como frade na irmandade dos capuchinhos. O rapaz deixa o trapiche para entregar-se à sua vocação religiosa, ensinando catecismo a crianças numa igreja do bairro da Piedade em Salvador. Boa-Vida torna-se um malandro completo, um daqueles mulatos que amam a Bahia acima de tudo, que fazem uma vida perfeita nas ruas da cidade. Inimigo da riqueza e do trabalho, amigos das festas, da música, do corpo das cabrochas. Malandro. Armador de fuzuês. Jogador de capoeira navalhista, ladrão quando se fizer preciso. De bom coração, como canta um abc que Boa-Vida faz acerca de outro malandro. Prometendo às cabrochas se regenerar e ir para o trabalho, sendo malandro sempre. Um dos valentões da cidade. (p. 235) SISTEMA ANGLO DE ENSINO 156 ANGLO VESTIBULARES

8 Traumatizado com a morte de Dora, que amara em segredo, Professor é o primeiro a deixar o bando. Aceita a proteção de um poeta que se impressionara com o talento do menino para o desenho e conseguira mandá-lo ao Rio de Janeiro para aprender pintura. Na capital do país, acaba por rejeitar o academismo do mestre e passa a pintar por sua conta quadros que, antes de admirar, espantam todo o país (p. 232), pelo conteúdo de crítica social contido em sua arte singular. O segundo capítulo da última parte em que se divide o romance intitula-se Canção de amor da vitalina 2 e narra uma aventura protagonizada por Sem- Pernas. Trata-se de outro episódio isolado, que não faz progredir a ação. O rapaz se faz admitir como empregado na casa de uma rica solteirona, no intuito de espioná-la e preparar um novo roubo. Todavia, a mulher se aproveita de Sem-Pernas para satisfazer um reprimido desejo sexual. Mas ela não consente a posse completa e tal proibição deixa o rapaz perturbado e com um ódio maior ainda contra o mundo todo (p. 241). Segue-se o capítulo Na rabada de um trem, em que Gato e Volta Seca desligam-se do bando. O primeiro parte para Ilhéus, acompanhado da amante, a prostituta Dalva, atraído pela abundância proveniente da exploração do cacau, que proporcionara a prosperidade de bordéis de luxo. Lá ele se torna gigolô e jogador. Volta Seca despede-se do bando e segue de trem para o sertão baiano, para tornar-se cangaceiro do bando de seu padrinho Lampião. O quarto capítulo intitula-se Como um trapezista de circo e se refere à morte de Sem-Pernas. Encurralado na rua pela polícia, após uma tentativa frustrada de roubo, joga-se de um penhasco, para não ser preso outra vez e passar pelas mesmas humilhações e torturas que o fizeram odiar o mundo. Segue-se o capítulo Notícias de jornal, em que, como sugere o título, a imprensa baiana, representada no romance por um fictício Jornal da Tarde, dá informações sobre alguns ex-membros do bando. O Professor, agora referido pelo nome (João José), expõe com sucesso no Rio de Janeiro suas telas de marcante conteúdo social. Gato aparece em notícias policiais como vigarista notório da região de Ilhéus, que vendera terras inexistentes a fazendeiros inadvertidos. Também no noticiário policial, o Jornal da Tarde informa sobre um fuzuê tremendo numa festa na Cidade de Palha, armado pelo malandro Boa-Vida, que abrira a cabeça do dono da casa com uma garrafa de cerveja e estava sendo procurado pela polícia (p. 253). Sobre Volta Seca, o periódico publica duas grandes reportagens: uma, sobre a ação do jovem cangaceiro temido em todo o sertão como um dos mais cruéis do grupo (p. 254); a outra, uma série de matérias a propósito da prisão, julgamento e condenação de Volta Seca a trinta anos de prisão. Os três últimos capítulos são dedicados a Pedro Bala. Em Companheiros, a pedido de João de Adão, Pedro lidera os Capitães da Areia, que auxiliam grevistas da empresa de bondes, impedindo a ação de fura-greves. João de Adão apresenta Pedro a Alberto, um estudante universitário que militava numa organização política revolucionária nacional, a que o velho doqueiro também pertencia. Não se revela o nome da organização, mas depreende-se que seja o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em Os atabaques ressoam como clarins de guerra, passada a greve dos bondes, o estudante Alberto passa a frequentar o trapiche, convencendo Pedro Bala a ingressar na organização e transformar os Capitães da Areia numa brigada de choque: Agora [Pedro Bala] comanda uma brigada de choque formada pelos Capitães da Areia. O destino deles mudou, tudo agora é diverso. Intervêm em comícios, em greves, em lutas obreiras. O destino deles é outro. A luta mudou seus destinos. (p. 265) A organização determina que Alberto passe a orientar os Capitães da Areia e que Pedro Bala parta para Aracaju, a fim de organizar o bando dos Índios Maloqueiros, transformando-o também em brigada de choque. Na despedida, Pedro passa o comando para Barandão, recomenda a todos que sigam a orientação de Alberto e é saudado pelos punhos fechados e erguidos típica saudação comunista dos meninos do bando. O último capítulo do livro Uma pátria e uma família arremata a narrativa em três parágrafos, que reproduzimos integralmente: Anos depois os jornais de classe, pequenos jornais, dos quais vários não tinham existência legal e se imprimiam em tipografias clandestinas, jornais que circulavam nas fábricas, passados de mão em mão, e que eram lidos à luz de fifós 3, publicavam sempre notícias sobre um militante proletário, o camarada Pedro Bala, que estava perseguido pela polícia de cinco estados como organizador de greves, como dirigente de partidos ilegais, como perigoso inimigo da ordem estabelecida. No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais (únicas bocas que ainda falavam) clamavam pela liberdade de Pedro Bala, líder da sua classe, que se encontrava preso numa colônia. E, no dia em que ele fugiu, em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia. E, apesar de que lá fora era o terror, qualquer daqueles lares era um lar que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família. (p. 270) 2 No Nordeste do Brasil, o vocábulo vitalina é sinônimo de solteirona. 3 Fifó (reg. BA): lampião a querosene. SISTEMA ANGLO DE ENSINO 157 ANGLO VESTIBULARES

9 ANÁLISE DA OBRA Neorrealismo Regionalista Após alguns anos de estudo nos Estados Unidos e na Europa, o jovem Gilberto Freyre volta ao Brasil, em 1923, e dá início a uma intensa militância cultural em Pernambuco, com o objetivo de promover o estudo do país na perspectiva dos conceitos de tradição e região. Convencido de que a divisão política em estados era artificial e de que o país real era composto por regiões, Freyre propõe o critério regional como orientação para os estudos sociais e culturais interessados no conhecimento da realidade brasileira. Além disso, o então futuro autor de Casa-grande & senzala (1933) considerava que o Brasil corria o grave perigo de dissolução de sua identidade cultural, por esta se ver ameaçada pelo avanço da modernização capitalista em curso, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo, que impunha padrões culturais estrangeiros em desfavor das genuínas tradições brasileiras. Estas, segundo Gilberto Freyre, deveriam ser estudadas em suas mais variadas manifestações tradicionais, como a culinária, o folclore, as práticas sociais, os usos e os costumes regionais, para que fossem conhecidas e reafirmadas, de modo a servir de antídoto à ameaça de descaracterização. Ilustração de capa da 1 a edição de Capitães da Areia Essa linha de pensamento leva o sociólogo pernambucano, no campo artístico, a opor-se ao movimento modernista, que se expandia nacionalmente desde seu ruidoso lançamento na Semana de Arte Moderna (1922). Para Freyre, o Modernismo se afigurava como um movimento paulista e carioca que transpusera artificialmente as formas estéticas da vanguarda européia para o Brasil: Enquanto isto, os chamados Modernistas do Rio e de São Paulo é para a França, para a Europa, alguns para os Estados Unidos, como Ronald de Carvalho, que se voltam como para mundos ideais, dando as costas ao Brasil: ao que no Brasil há de verdade digna de ser descoberta ou redescoberta (...) 4 No Primeiro Congresso Brasileiro de Regionalismo, realizado em Recife, em 1926, Gilberto Freyre lança o Manifesto regionalista, que teria desdobramentos culturais importantes, sobretudo com a formação da corrente ou movimento literário conhecido como Neorrealismo Regionalista. A bagaceira, romance de José Américo de Almeida, lançado em 1928, constitui a obra inaugural dessa corrente, que inclui autores de tendência saudosista ou conservadora, como o próprio José Américo, José Lins do Rego e Jorge de Lima, mais próximos das propostas de Gilberto Freyre, mas também escritores como Raquel de Queirós, Graciliano Ramos e Jorge Amado, que imprimem ao regionalismo um caráter crítico, ideologicamente associado a ideais revolucionários ou, ao menos, reformistas. Fenômeno de grande prestígio na literatura brasileira da década de 1930, o romance neorrealista, como sugere o adjetivo, retoma e atualiza procedimentos do romance realista ou naturalista do século XIX, cujos paradigmas são, respectivamente, os de Machado de Assis e Aluísio Azevedo. Desse modo, as narrativas valorizam a observação e a análise objetiva da realidade, e se esforçam na criação de um forte efeito artístico de imitação da vida, quer no âmbito das relações sociais, quer no da vida interior das personagens. O que há de novo nesse realismo dos anos 1930 são os temas, os instrumentos de análise e a linguagem, todos afinados com a época, cujo espírito não mais correspondia ao do final do século XIX, que se prolonga até a eclosão do Modernismo, mas a uma nova configuração histórica, conceitual e estética. O romance dos anos 1930 propende à valorização de temas associados à decadência da velha aristocracia açucareira do Nordeste, ao cangaço e à continuidade da miséria social provocada pela seca e pela estrutura fundiária, arcaica e autoritária, no contexto histórico associado à Revolução de Outubro de Do ponto de vista conceitual, o romance de 1930 valeu-se de contribuições como as de Gilberto Freyre, ou de Sérgio Buarque de Holanda ou, ainda, do pensamento marxista que, então, passava a influenciar de modo nítido as análises e interpretações da realidade de escritores importantes não só da prosa de ficção, como os já mencionados Graciliano Ramos e Jorge Amado, mas também da poesia, como Carlos Drummond de Andrade. Sob a perspectiva estética, em vez da prosa academizante do Realismo oitocentista, o Neorrealismo assimilou conquistas do Modernismo, a despeito 4 FREYRE, Gilberto. Tempo morto e outros tempos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p SISTEMA ANGLO DE ENSINO 158 ANGLO VESTIBULARES

10 de certa aversão a esse movimento, sobretudo quanto à valorização da linguagem coloquial brasileira (no caso, regional), estilizada literariamente não como exemplo de pitoresco, mas como rico, legítimo e autêntico instrumento de comunicação e criação artística, diversa da elocução culta lusitanizante. A noção de regionalismo na literatura brasileira é um tanto vaga e ampla. Suas origens encontram-se no Romantismo, cuja inclinação nacionalista não se limitou à representação artística da vida da Corte, depois capital da República, mas das cidades e do sertão das províncias (mais tarde, estados). Ao lado do romance urbano, o romance dito regionalista ou sertanejo encontrou boa acolhida na literatura oitocentista, em obras como Inocência, de Taunay, O garimpeiro, de Bernardo Guimarães, O sertanejo e O gaúcho, de José de Alencar. O Realismo-Naturalismo do século XIX e seu prolongamento na prosa do chamado Pré-Modernismo também contribuíram para o enriquecimento do regionalismo literário, em livros como O mulato, de Aluísio Azevedo, Sertão, de Coelho Neto, os contos de Urupês, Cidades mortas e Negrinha, de Monteiro Lobato, ou mesmo Os sertões, de Euclides da Cunha. De modo amplo (e impreciso), essas obras são chamadas regionalistas em oposição à noção de romance urbano, cujas narrativas transcorrem na cidade do Rio de Janeiro e, já no século XX, também na de São Paulo. Assim, mesmo após o advento do Modernismo, histórias localizadas fora dessas duas metrópoles, embora em capitais estaduais onde a modernização já se evidenciava, continuaram a ser rotuladas de regionalistas, como é o caso de Angústia, de Graciliano Ramos, que se passa em Maceió, e, especialmente, do romance em foco, Capitães da Areia, cuja ação tem como espaço a cidade de Salvador, caracterizada como bem moderna, para os padrões da década de 1930, com problemas típicos dessa condição. Depoimento de Jorge Amado CADERNOS: Seu romance Capitães da areia traz à tona uma questão que hoje está no centro dos debates sobre a realidade brasileira: os meninos de rua. Quando publicou o livro, em 1937, o sr. tinha alguma consciência de seu caráter premonitório? Jorge Amado: Não, com o tempo, fui acompanhando o agravamento da situação dos nossos meninos, mas na época em que lancei o romance eu não tinha consciência de que ali estava um pro-blema que lamentavelmente se agravaria tanto. In: Cadernos de Literatura Brasileira Jorge Amado. São Paulo: Instituto Moreira Salles, nº- 3, março de 1997, p. 48. Somente por esse critério complacente é possível considerar Capitães da Areia, assim como os demais romances urbanos de Jorge Amado, ou de seus contemporâneos gaúchos Érico Veríssimo e Dionélio Machado, como obras regionalistas. Ademais, para nos atermos ao romance que estamos a estudar, o problema social das crianças abandonadas, abordado pelo autor, não é uma questão regional, mas uma mazela nacional, típica das grandes cidades brasileiras. Desse modo, o rótulo de Neorrealismo Regionalista, aplicado ao romance Capitães da Areia, mostra-se problemático, pois, se se ajusta razoavelmente à noção substantiva da expressão, mostra-se incerto quanto à adjetiva, isto é: neorrealismo, sim, embora a idealização dos pobres e dos marginalizados constituam desvios dessa corrente, mas regionalista, só se levadas em consideração as restrições apontadas. Feitas essas observações, é importante enfatizar o conteúdo político do romance em foco, que dá ao Neorrealismo, ou Neonaturalismo, um acentuado matiz ideológico de inspiração socialista. Linguagem e estilo Jorge Amado valeu-se da linguagem conquistada pelos modernistas, em que o padrão culto incorpora elementos da fala popular e os estiliza literariamente. A linguagem popular em Capitães da Areia, porém, apresenta alguns graus de estilização. Na fala de personagens populares, como, entre outros, os meninos do bando, o doqueiro João de Adão, o jangadeiro e mestre de capoeira Querido-de-Deus e alguns policiais, a estilização reproduz em discurso direto o registro quase bruto da oralidade popular, com seus erros de concordância, suas gírias e seus chavões. Como exemplo, leiamos a seguinte passagem: Tu ainda tem uma peitama bem boa, hein, tia? A negra sorriu: Esses meninos de hoje não respeita os mais velho, compadre João de Adão. Onde já se viu um capetinha destes falar em peito pra uma velha encongrujada como eu? Deixa de conversa, tia. Tu ainda topa a coisa... A negra riu com vontade: Já fechei a cancela, Boa-Vida. Passei da idade. Pergunta a este aponta João de Adão. Vi quando ele, quase menino assim como tu, fez a primeira greve aqui nas doca. Naquele tempo ninguém sabia que diabo era greve. Tu te lembra, compadre? João de Adão balançou a cabeça que sim, fechou os olhos recordando os longínquos tempos da primeira greve que chefiara nas docas. Era um dos doqueiros mais velhos, embora ninguém lhe desse a idade que tinha. Pedro Bala falou: Negro quando pinta, três vezes trinta. A negra mostrou a carapinha toda pintada de branco. Tinha tirado o lenço que enrolava na cabeça e Boa- Vida chalaceou: Por isso tu anda com esse lenço. Ô negra cheia de prosopopéia... João de Adão perguntou: Tu te lembra de Raimundo, comadre Luísa? O Loiro, que morreu na greve? Como não me lembro? Era um que toda tarde vinha dar dois dedo de prosa comigo, gostava de tirar pilhéria... Mataram ele bem aqui, naquele dia que a cavalaria atropelou a gente. Olhou para Pedro Bala. Tu nunca ouviu falar nele, capitão? SISTEMA ANGLO DE ENSINO 159 ANGLO VESTIBULARES

11 Não. Tu tinha uns quatro anos. Depois disso tu andou um ano da casa de um pra casa de outro até que tu fugiu. Depois a gente só veio saber de tu quando tu já era chefe dos Capitães da Areia. Mas a gente sabia que tu havia de te arranjar. Quantos anos tu tem agora? Pedro ficou fazendo cálculos e o próprio João de Adão interrompeu. Tu tá com uns quinze anos. Não é, comadre? A negra fez que sim. João de Adão continuou: No dia que tu quiser tu tem um lugar aqui nas docas. A gente tem um lugar guardado pra tu. Por quê? perguntou Boa-Vida, já que Pedro apenas olhava espantado. (pp ) O discurso do narrador, bem como o de algumas personagens que tiveram acesso à educação letrada, como o padre José Pedro, desenvolve-se dentro do registro culto, mas coloquial. Valendo-se de vocabulário e de estruturas sintáticas simples, o registro culto do narrador assimila procedimentos do registro popular, tais como a repetição de palavras e certa propensão para a ênfase das hipérboles. Todavia, em certas passagens, o narrador, mesmo conservando a simplicidade coloquial, aproxima-se da prosa poética, impregnando seu discurso de lirismo, tal como pode ser observado no excerto seguinte. Todos queriam. O sertanejo trepou no carrossel, deu corda na pianola e começou a música de uma valsa antiga. O rosto sombrio de Volta Seca se abria num sorriso. Espiava a pianola, espiava os meninos envoltos em alegria. Escutavam religiosamente aquela música que saía do bojo do carrossel na magia da noite da cidade da Bahia só para os ouvidos aventureiros e pobres dos Capitães da Areia. Todos estavam silenciosos. Um operário que vinha pela rua, vendo a aglomeração de meninos na praça, veio para o lado deles. E ficou também parado, escutando a velha música. Então a luz da lua se estendeu sobre todos, as estrelas brilharam ainda mais no céu, o mar ficou de todo manso (talvez que lemanjá tivesse vindo também ouvir a música) e a cidade era como que um grande carrossel onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia. Neste momento de música eles sentiram-se donos da cidade. E amaram-se uns aos outros, se sentiram irmãos porque eram todos eles sem carinho e sem conforto e agora tinham o carinho e conforto da música. Volta Seca não pensava com certeza em Lampião neste momento. Pedro Bala não pensava em ser um dia o chefe de todos os malandros da cidade. O Sem-Pernas em se jogar no mar, onde os sonhos são todos belos. Porque a música saía do bojo do velho carrossel só para eles e para o operário que parara. E era uma valsa velha e triste, já esquecida por todos os homens da cidade. (p. 68) A estilização literária do coloquialismo popular não impede, porém, o narrador de valer-se de procedimentos formais sofisticados. Tal é o caso do discurso indireto livre, utilizado em passagens como a seguinte, que representa o fluxo de consciência da personagem engastado no discurso do narrador. O padre José Pedro ia encostado à parede. O cônego dissera que ele não podia compreender os desígnios de Deus. Não tinha inteligência, estava falando igual a um comunista. Era aquela palavra que mais perseguia o padre. De todos os púlpitos todos os padres tinham falado contra aquela palavra. E agora ele... O cônego era muito inteligente, estava próximo de Deus pela inteligência, era-lhe fácil ouvir a voz de Deus. Ele estava errado, perdera aqueles dois anos de tanto trabalho. Pensara levar tantas crianças a Deus... Crianças extraviadas... Será que elas tinham culpa? Deixai vir a mim as criancinhas... Cristo Era uma figura radiosa e moça. Os sacerdotes também disseram que ele era um revolucionário. Ele queria as crianças Ai de quem faça mal a uma criança A viúva Santos era uma protetora da Igreja Será que ela também ouvia a voz de Deus? Dois anos perdidos... Fazia concessões, sim, fazia. Senão, como tratar com os Capitães da Areia? Não eram crianças iguais às outras Sabiam tudo, até os segredos do sexo. Eram como homens, se bem fossem crianças...(p. 156) Agora, é importante assinalar que a estilização da linguagem popular é nula nos textos que mimetizam reportagens ou cartas de certas autoridades, como o diretor do reformatório, publicadas em jornal. Nesses casos, a linguagem ostenta uma pompa retórica que caracterizava o discurso acadêmico então prestigiado. Contudo, trata-se de uma paródia desse tipo de linguagem empolada, cujo contraste com o registro despojado do narrador gera um efeito de sentido a um só tempo crítico e, sutilmente, humorístico. Espaço A ação transcorre na cidade de Salvador, embora haja algumas referências a locações sertanejas da Bahia. O espaço da cidade, porém, divide-se em locais públicos e privados. Estes também se separam: de um lado, as confortáveis casas dos ricos, como a do advogado Dr. Raul e sua esposa, Dona Ester, casal que acolhe Sem-Pernas e tem a residência invadida e roubada pelos Capitães da Areia; de outro lado, os casebres dos pobres, situados no morro, como o barraco em que Dora vivera até a morte dos pais, quando ela e o irmão menor, Zé Fuinha, são despejados pelo árabe que era dono dos barracões do morro (p. 168). Tal detalhe sugere que, mesmo dividido entre ricos e pobres, o espaço privado pertence todo aos primeiros. Os pobres não são proprietários do lugar precário onde moram: os barracos alugados pelo árabe. A força de trabalho é o que lhes resta, mas a remuneração apenas possibilita uma vida cheia de privações. As residências dos ricos, caracterizadas como lugar onde se acumulam bens de conforto e de luxo, tornam-se alvo dos Capitães da Areia, meninos enjeitados e despossuídos de tudo, que as invadem para roubar, uma vez que são compelidos ao delito pela necessidade de sobrevivência. É difícil caracterizar o trapiche, pois se trata de um lugar abandonado e em ruínas. Não é público nem, propriamente, privado, mas um espaço degradado e marginal, de que os Capitães da Areia tomam posse. Todavia, a posse é compartilhada pelos ratos que infestam o lugar, dado que indicia a sub-humanidade a que os meninos do bando são submetidos. As ruínas do trapiche são imagens correlatas às das roupas esfarrapadas e das vidas destruídas daquelas crianças sem amparo. SISTEMA ANGLO DE ENSINO 160 ANGLO VESTIBULARES

12 Os locais públicos também podem ser divididos em dois grupos: o dos espaços abertos e dos fechados. Os primeiros são constituídos pelas ruas e praças da cidade, que ora se mostram ameaçadores, como sente Dora antes de juntar-se aos Capitães da Areia, ora se apresentam como correlatos objetivos do sentimento de liberdade que anima Pedro Bala e seus companheiros. Dentre os locais fechados, destacam-se a delegacia de polícia, o reformatório e o orfanato. Embora sejam instituições públicas, esses espaços apresentam-se como locais de privação da liberdade, confinamento a que são sujeitos os que ameaçam e agridem a propriedade privada e a segurança da elite. Estão, portanto, a serviço dos interesses da classe dominante e se caracterizam pelo excesso ou abuso do poder de repressão e da aplicação da violência. A brutalidade desumana que se pratica neles, porém, é disfarçada por discursos humanitários hipócritas e consentida silenciosamente pela sociedade discricionária. No romance, tais discursos são veiculados pelo jornal, que corresponde ao espaço de comunicação social e circulação de idéias. Embora suas páginas acolham textos que denunciam iniquidades ocorridas no reformatório, como uma carta do padre José Pedro e, outra, da mãe de um menor lá aprisionado, o jornal se mostra parcial, francamente favorável aos pronunciamentos do delegado de polícia e do diretor do reformatório, quer nos destaques dados às matérias, quer nos comentários favoráveis aos textos das autoridades, quer, ainda, nas reportagens publicadas sobre a ação dos Capitães da Areia ou a prisão de Pedro Bala e Dora. O espaço cultural representado pela imprensa revela-se, desse modo, associado ou incorporado ao espaço social ocupado pela elite. Tempo A cronologia da narrativa é imprecisa. A reportagem do Jornal da Tarde, sobre a prisão de Pedro Bala e Dora, registra que o pai do rapaz morrera na célebre greve das docas de 191 (pp ). Esse ano não seria anterior a 1917, que, historicamente, corresponde à deflagração de greves operárias em várias cidades do país. Se tal hipótese for válida, a ação central do romance transcorre em 1928, quando Pedro Bala conta quinze anos de idade, conforme assinala o velho estivador João de Adão num diálogo do capítulo Docas (p. 85). Órfão aos quatro anos de idade, Pedro Bala ingressara aos cinco no bando dos Capitães da Areia, portanto, em Do início da ação até a entrada de Dora para o bando, não há marcadores precisos de tempo que permitam afirmar se o período compreende dias, semanas ou alguns meses. Dora é presa, adoece e morre no inverno do suposto ano de 1928, após permanência de quatro meses entre os Capitães da Areia. Esse dado permite, então, conjecturar que a ação nuclear tem início no verão de Após a morte de Dora, a narrativa salta um ano, conforme as palavras do narrador: Passou o inverno, passou o verão, veio outro inverno, e este foi cheio de longas chuvas, o vento não deixou de correr uma só vez no areal. (p. 232). Agora, resta saber se os nomes das estações são empregados em sentido próprio ou na acepção regionalista do Norte e do Nordeste do Brasil, caso em que se invertem os significados de verão e inverno. Seja como for, até a morte de Dora a cronologia segue o ritmo de dias, semanas ou meses; após, ela primeiro dá o mencionado salto de um ano para, depois, saltar mais três, a julgar do marcador temporal contido na seguinte passagem: Gato não fizera ainda dezoito anos. Fazia quatro que amava Dalva. (p. 243). Assinale-se que Gato torna-se amante de Dalva assim que ingressa no bando dos Capitães da Areia, no início da ação romanesca. Quase aos dezoito anos, Gato despede-se dos Capitães de Areia para tornar-se gigolô e jogador em Ilhéus, como vimos. Nessa mesma época, dá-se a transformação final de Pedro Bala, de chefe do bando para revolucionário, condição com que termina sua trajetória no fim do romance, cujo último capítulo apresenta mais um salto cronológico, agora de alguns anos. Essa indefinição, porém, não impede a conjectura de que a narrativa se encerre em 1935, uma vez que o narrador alude ao ano em que todas as bocas foram impedidas de falar (p. 270), numa referência cifrada às perseguições políticas desencadeadas pelo governo Vargas contra a esquerda, após o episódio histórico conhecido como Intentona Comunista. Assim, a narrativa abrange um período que, historicamente, corresponderia aos anos de 1928 a 1935, em que a decadente República Velha se esgota, dá-se a Revolução de Outubro (1930) e a era Vargas se precipita, após a Intentona (1935), para a ditadura do Estado Novo, que viria com o golpe de 1937, mesmo ano em que Jorge Amado escreve e publica a primeira edição de Capitães da Areia. A cronologia, todavia, não é completamente linear, pois, em alguns momentos, a narrativa alude a acontecimentos ocorridos até mesmo antes do nascimento de Pedro Bala, por meio de flashes do passado. A linearidade cronológica também se esgarça nos momentos em que o tempo exterior dá lugar à manifestação do tempo interior ou psicológico, que irrompe nos momentos de devaneio, fantasia ou sonho das personagens, ou, ainda, naquelas passagens em que o narrador flagra monólogos interiores ou fluxos de consciência, nos quais a subjetividade alonga, acelera ou confunde a sensação de passagem do tempo, como é o caso do episódio em que Pedro Bala perde a noção exata dos dias passados na cafua do reformatório. SISTEMA ANGLO DE ENSINO 161 ANGLO VESTIBULARES

13 Personagens 5 FORSTER, E. M. Aspects of the Novel, London: Penguin Books, 1990 (1ª- ed., 1927), p. 73: we may divide characters into flat and round. Segundo a clássica divisão de personagens em planas e redondas 5, proposta pelo escritor inglês E. M. Forster, os caracteres que se delineiam em Capitães da Areia devem ser classificados como planos, uns mais, outros menos. Isso significa que as personagens do romance de Jorge Amado não têm muita densidade ou profundidade psicológica. Seus perfis morais são um tanto esquemáticos e podem ser agrupados em duas esferas: a dos ricos e a dos pobres. A essa polaridade social corresponde uma genérica caracterização moral: os ricos são maus, exceto alguns poucos, e os pobres, geralmente, são bons, a despeito de seus possíveis defeitos. Na esfera dos ricos, excetuam-se, basicamente, o casal constituído por dona Ester e o Dr. Raul, que acolhe Sem-Pernas como um filho, e o poeta que protege e encaminha Professor para estudar pintura no Rio de Janeiro. Todavia, o narrador não se detém na composição psicológica desses caracteres. Alguns deles são esboçados sumariamente. Do poeta, por exemplo, o narrador informa o nome Dr. Dantas, e se limita a registrar o interesse dele pelo talento artístico do Professor, bem como a generosa ajuda prestada ao menino, cujo destino se altera em decorrência desse empenho desinteressado. Ao invés de um possível marginal adulto, o Professor se torna um pintor importante, e suas telas, além do reconhecido valor artístico, são apreciadas também pelo conteúdo social. Os ricos, em geral, mostram-se egoístas, preconceituosos e intolerantes, quando não pervertidos ou francamente cruéis. Seus perfis são delineados segundo modelos típicos, ou seja, generalizantes. A avidez dinheirista do árabe, proprietário dos barracos do morro, que despeja Dora e Zé Fuinha do casebre em que viviam, assim que lhes morre a mãe, para alugá-lo a outro inquilino, sem nenhuma compaixão pelos órfãos, ilustra o egoísmo dos ricos. O comportamento da mulher a quem Dora pede emprego, que despacha a menina, ao saber que os pais dela haviam morrido na epidemia de varíola, sem mais impulso de solidariedade que a parca esmola depositada sobre o muro do jardim, para evitar qualquer contato físico, poderia ser também compreendido como egoísta, embora o egoísmo seja, nesse caso, misturado ao medo e à ignorância. Preconceituosas mostram-se as beatas que se escandalizam com a atenção dada pelo padre José Pedro às crianças esfarrapadas, e reclamam disso aos superiores dele. Estes, que representam a suposta voz institucional da Igreja católica, mostram-se favoráveis à demanda das beatas contra o padre, cuja atitude é acusada de comunista pelo cônego que o repreende asperamente. Pervertida mostra-se a vitalina que acolhe Sem-Pernas como empregado, mas para satisfazer um apetite sexual que a lei, rigorosamente, consideraria criminoso, por ser ele menor de idade. As autoridades estatais agem de modo discricionário, como no episódio em que a polícia invade o candomblé da mãe de santo Don Aninha, apreende a imagem de Ogum e a leva para a delegacia. A intolerância religiosa dos ricos, a cujo serviço a polícia estaria, é denunciada nessa profanação do que a religiosidade afro-brasileira, apresentada no romance como manifestação cultural dos pobres, considera sagrado. A encenação da violência do delegado, de policiais, do diretor e dos bedéis do reformatório, em várias passagens, simboliza o caráter desumano do poder público, e o teor dos noticiários jornalísticos pode ser interpretado como representativo da opinião dos ricos, destituída de qualquer sensibilidade social e conivente com a repressão brutal da criminalidade infanto-juvenil. Os pobres, em geral, são trabalhadores explorados ou lumpens, cuja vida, destituída de qualquer conforto, confina-se em espaços materiais e espirituais miseráveis. Contudo, revelam-se solidários, como demonstra o comportamento caridoso da mãe de santo Don Aninha, que auxilia os necessitados com seus conhecimentos de medicina popular e os aconselha e ampara espiritualmente nos momentos mais difíceis; ou como ilustra o sacrifício do pai de Pedro Bala, que morrera em defesa de sua classe; ou a amizade do jangadeiro e mestre de capoeira Querido-de-Deus, devotada aos Capitães da Areia; ou, ainda, a deferência afetuosa demonstrada pelo líder dos estivadores, o velho João de Adão, a Pedro Bala. Além da solidariedade, os pobres também se caracterizam pela esperança de um futuro melhor, numa sociedade mais justa, e pela alegria de viver, apesar de todo sofrimento a que estão sujeitos. A criminalidade dos pobres, como a dos cangaceiros do bando de Lampião ou dos Capitães da Areia, é frequentemente escusada pelo narrador, que a considera consequência do sistema injusto. Desse modo, o crime se apresenta como inelutável necessidade de resistência ou de sobrevivência. Os cangaceiros, apesar dos estupros, roubos e assassinatos, são reiteradamente apresentados como crianças grandes e, até mesmo, heróis vingadores dos pobres sertanejos contra os ricos latifundiários. Em discurso indireto livre, a voz do narrador se confunde com a do protagonista, quando este se encontra preso na cafua do reformatório, sugerindo certa concordância de pensamento entre ambos: Lampião mata soldado, mata homem ruim. Pedro Bala neste momento ama Lampião como a um seu herói, a um seu vingador. É o braço armado dos pobres do sertão. (pp , grifo nosso). Em outra passagem, em que também comparece o discurso indireto livre, agora fundindo a voz narrativa ao pensamento de Volta Seca, essa heroicização mostra-se mais acentuada: SISTEMA ANGLO DE ENSINO 162 ANGLO VESTIBULARES

14 Homens magros que lavram a terra para ganhar mil e quinhentos dos donos da terra. Só a caatinga é que é de todos, porque Lampião libertou a caatinga, expulsou os homens ricos da caatinga, fez da caatinga a terra dos cangaceiros que lutam contra os fazendeiros. O herói Lampião, herói de todo o sertão de cinco estados. Dizem que ele é um criminoso, um cangaceiro sem coração, assassino, desonrador, ladrão. Mas para Volta Seca, para os homens, as mulheres e as crianças do sertão é um novo Zumbi dos Palmares, ele é um libertador, um capitão de um novo exército. Porque a liberdade é como o sol, o bem maior do mundo. E Lampião luta, mata, deflora e furta pela liberdade. Pela liberdade e pela justiça para os homens explorados do sertão imenso de cinco estados: Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia. (p. 247) Assim como a dos cangaceiros, a imagem dos Capitães da Areia, a despeito dos defeitos, é idealizada logo no início do romance, para ser reiterada ao longo dele como um leitmotiv: Vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarro, eram, em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas. (p. 29) Vão alegres. Levam navalhas e punhais nas calças. Mas só os sacarão se os outros puxarem. Porque os meninos abandonados também têm uma lei e uma moral, um sentido de dignidade humana. (p. 194) Os Capitães da Areia furtam, roubam, estupram e agridem, mas não são vistos como culpados desses delitos, como transparece na visão do padre José Pedro ou do doqueiro João de Adão, em uma passagem já citada (pp do romance), na qual o narrador se vale, mais uma vez, do discurso indireto livre, então para apresentar o fluxo de consciência de Pirulito. A culpa seria da vida, na opinião do padre, ou, conforme o velho estivador, da sociedade mal organizada, [a culpa] era dos ricos. Comentário de Antonio Candido Dos meninos vadios de Jubiabá, do bando de Antônio Balduíno, nascem e crescem os Capitães da Areia, e dos seus saveiros, do oceano, nasce Mar morto. Os meninos vadios, por sua vez, são certamente uma necessidade imposta por Suor, pelo desejo de mostrar a gênese daquelas vidas esma-gadas de cortiço. O cacau, lançado no romance deste nome, fica latente muitos anos. Perpassa nas histórias do negro velho de Ilhéus, em Jubiabá. Aparece de modo fugaz em Capitães da Areia, já sob o aspecto pioneiro e far-west que constitui a trama das Terras do sem-fim, onde se expande e se realiza, definitivo. O Diário de um negro em fuga, de Jubiabá, apresenta os personagens de Mar morto e a vida dos trabalhadores do fumo, irmãos dos de cacau. CANDIDO, Antonio. Poesia, documento e história (1945). In: Brigada ligeira e outros escritos. São Paulo: Editora Unesp, 1992, p Ao que parece, o narrador compartilha a opinião de João de Adão. Nessa medida, depreende-se que para ele, narrador, se Pedro Bala sodomiza brutalmente a negrinha virgem no areal próximo ao trapiche, a culpa seria da sociedade; se Sem-Pernas odeia e agride todo mundo, a culpa seria da sociedade; se Barandão é sodomita, a culpa seria da sociedade; se Gato se torna gigolô e golpista, a culpa seria da sociedade; se Boa-Vida vira malandro, a culpa seria da sociedade; se Volta Seca se transforma no mais cruel dos cangaceiros, a culpa seria da sociedade. Enfim, a criminalidade e os desvios de comportamento dos meninos do bando seriam sempre culpa da sociedade, ou seja, dos ricos. Desse modo, os dois grupos de personagens os ricos e os pobres apresentam-se de acordo com uma caracterização nitidamente maniqueísta, em que os primeiros são intrinsecamente maus e os segundos, bons, uma vez que seus defeitos seriam isentos de culpa. Nessa visão, avulta o pressuposto ideológico segundo o qual os excluídos seriam a força de resistência contra a alienação e reificação das pessoas e, em última análise, os portadores dos legítimos valores humanos, sendo que o maior deles seria representado pelo sentimento de liberdade, atribuído aos Capitães da Areia, aos trabalhadores espoliados e à organização vocábulo cifrado que se refere ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) como traço mais característico dessas personagens coletivas. Observe-se que a imagem de tal organização, representada, sobretudo, pelo estivador João de Adão e pelo estudante universitário Alberto, é a de uma força transformadora e revolucionária, investida de generosidade e desinteresse pessoal, capaz de mudar a realidade mesquinha em um mundo de justiça e liberdade. Como dissemos, as personagens do romance são, em geral, mais ou menos planas, sendo que boa parte das mais importantes (sobretudo Pedro Bala, Professor, Sem-Pernas, Volta Seca, Pirulito e o padre José Pedro) recebe um tratamento mais complexo na caracterização psicológica, que os aproxima da noção de personagens redondas. Narrador A história é contada, em terceira pessoa, por um narrador onisciente. Isso significa que ele conhece a totalidade do universo narrado e permite que se movimente com desenvoltura no tempo e no espaço. Ele traz ao leitor informações do passado (flash back) ou antecipações de fatos futuros (flash forward), sempre com a capacidade não só de mostrar com nitidez os acontecimentos exteriores, mas também de revelar a vida interior das personagens, seus pensamentos, sentimentos e fantasias. O ponto de vista é dinâmico: ora se posiciona no alto, ora se movimenta para baixo, ora se distancia, ora se aproxima. Decorre daí a sucessão de enquadramentos que variam de acordo com a necessidade de proporcionar visões mais amplas ou mais concen- SISTEMA ANGLO DE ENSINO 163 ANGLO VESTIBULARES

15 tradas: imagens panorâmicas para as mobilizações coletivas; imagens aproximadas, como em close cinematográfico, para as cenas mais pessoais e íntimas. O lugar social do narrador evidencia-se na linguagem culta, que se diferencia claramente do registro popular presente nos diálogos travados entre personagens do grupo dos pobres. Todavia, o registro culto do narrador não é o mesmo que se vê nas manifestações linguísticas de personagens do grupo dos ricos, especialmente as que se mostram em textos publicados no jornal, sejam eles notas editoriais, reportagens ou cartas enviadas para a redação pelo delegado de polícia ou pelo diretor do reformatório. Esses textos são vazados em uma linguagem de sabor acadêmico, com sua retórica um tanto pomposa e protocolar, que sugere certa mediocridade intelectual. Tais textos, mais propriamente, constituem estilizações da linguagem de uma elite pretensiosa, com intuito satírico. O discurso do narrador, embora deva ser considerado como de registro culto, apropria-se das conquistas do Modernismo, que combatera o academicismo e forjara uma linguagem mais próxima do registro coloquial, inclusive popular. Todavia, não se pode confundir essa prática linguística com a de personagens iletradas do romance. O narrador, por exemplo, não comete erros de concordância, comumente praticados pelos meninos do bando ou personagens como João de Adão, a velha negra Luísa e Queridode-Deus. A linguagem do narrador, em última análise, é uma criação culta que assimila e mimetiza artisticamente a simplicidade e a espontaneidade da expressão coloquial. Portanto, do ponto de vista cultural, o narrador se pronuncia e se posiciona na esfera letrada dos intelectuais, e, do ponto de vista social, Depoimento de Mario Vargas Llosa Eu o [Jorge Amado] conheci como leitor quando era estudante universitário, na Lima dos anos 50, e me lembro, inclusive, dos dois primeiros livros que li: seu romance de juventude Cacau e a biografia romanceada do líder comunista brasileiro figura mítica da época Luís Carlos Prestes, O cavaleiro da esperança. Naqueles anos os da guerra fria no mundo e das ditaduras militares na América Latina, não nos esqueçamos sua figura pública e sua obra literária se identificavam com a idéia do escritor engajado, que usa sua pena como uma arma para denunciar as injustiças sociais, as tiranias e a exploração, e conquistar adeptos para o socialismo. Os escritos de Jorge Amado, como os de seus contemporâneos hispano-americanos na época, o Pablo Neruda, de Canto geral ou o Miguel Angel Asturias, de Weekend na Guatemala, Vento forte e O papa verde, pareciam animados por um ideal cívico e moral (revolucionário seria a palavra mais correta) e ao mesmo tempo estético embora, muitas vezes, como nos livros citados, o primeiro comprometia este último. O que salvou o Jorge Amado de então, da armadilha em que caíram muitos escritores latinoamericanos militantes, que se converteram, como queria Stalin, em engenheiros de almas, ou seja, em meros propagandistas, foi que em seus romances políticos um elemento intuitivo, instintivo e vital prevaleceu sempre sobre o ideológico, superando os esquemas racionais. In: Cadernos de Literatura Brasileira Jorge Amado. São Paulo: Instituto Moreira Salles, nº- 3, março de 1997, p. 38. grosso modo, na esfera ocupada pelas elites. Todavia, do ponto de vista ideológico, o narrador deixa transparecer francamente que se encontra num campo oposto ao da classe dominante. Assim, o narrador rompe com sua classe de origem, mas não se converte, propriamente, num membro da classe inferior, assumindo a posição de intelectual orgânico do proletariado, para valer-nos da noção forjada por Gramsci 6, isto é, aquele que, embora sua classe de origem possa ser outra, superior, assume a perspectiva orientada para a conquista da hegemonia política do proletariado. Tratase de uma noção próxima à de intelectual engajado, no sentido preconizado por Sartre, ou seja, aquele que intervém nos acontecimentos de modo a conciliar pensamento, ética e ação política, sendo os três, no caso, de orientação socialista. O narrador de Capitães da Areia, de fato, assume a defesa da luta socialista para a transformação revolucionária da sociedade. Porém, tal defesa se configura como uma deformação da realidade, na medida em que esta é reduzida ao maniqueísmo típico do chamado marxismo vulgar, conforme o viés estético do realismo socialista promovido internacionalmente pela política cultural de Stalin na década de Imbuído de uma visão profética da história, o narrador simplifica de modo um tanto grosseiro as complexas relações sociais, como que demoniza as classes superiores e idealiza romanticamente a personalidade e a ação de proletários e marginais, considerados intrinsecamente bons e autênticos construtores da sociedade justa e livre a que o futuro estaria necessariamente destinado. Tal idealização, conforme dissemos, implica a atribuição de responsabilidade dos vícios e defeitos morais dos pobres aos ricos, além de favorecer a defesa de uma ação política como a figurada na instrumentalização dos Capitães da Areia pela organização, que os convertem em brigada de choque do movimento revolucionário. CONCLUSÃO Capitães da Areia vincula-se à tradição do romance de aprendizagem ou de formação (Bildungsroman), gênero literário que tem Lazarillo de Tormes (1554) como precursor e Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister (1807), de Goethe, como modelo consagrado. Dessas duas obras exemplares, a de Jorge Amado revela maior afinidade com a primeira. 6 GRAMSCI, Antônio. A formação dos intelectuais. In: Obras escolhidas. Lisboa: Editorial Estampa, 1974, pp , vol. 2. SISTEMA ANGLO DE ENSINO 164 ANGLO VESTIBULARES

16 Capa da primeira edição (2008) de Capitães da Areia pela Companhia das Letras Lazarillo de Tormes, narrativa anônima espanhola do século XVI, também se destaca na história da literatura como fundadora da tradição da novela picaresca. Esse gênero da prosa de ficção surgiu como paródia das epopeias e novelas de cavalaria prestigiadas no Renascimento. Ao inverter ironicamente as narrativas heroicas, Lazarillo de Tormes inventa o pícaro anti-herói cujas aventuras revelam a realidade social sórdida em que vivem os pobres e marginalizados, personagem de vida atribulada, cuja trajetória, narrada na forma de uma pseudoautobiografia, constitui uma espécie rebaixada de epopeia, mais exatamente, uma irônica epopeia dos miseráveis. Daí o brutal naturalismo com que a realidade, transfigurada pela ficção, é duramente castigada pela sátira, sempre associada a uma intenção moralizante. Lazarillo de Tormes preconiza o romance de aprendizagem na medida em que se observa no relato o processo de desenvolvimento físico e moral do narrador-protagonista, desde a infância até a maturidade. O narrador de Capitães da Areia, como sabemos, pronuncia-se em terceira pessoa, de fora do mundo miserável que se apresenta na ficção, e não de dentro, como supõe Zélia Gattai em comentário posposto ao texto da edição publicada pela Companhia das Letras, que serve de base a este estudo. Respeitosamente, discordamos da escritora, que fundamenta sua opinião no fato de que Para escrever Capitães da Areia, Jorge Amado foi dormir no trapiche com os meninos, deduzindo daí que Isso ajuda a explicar a riqueza de detalhes, o olhar de dentro e a empatia que estão presentes na história (p. 271). A objeção se restringe ao olhar de dentro. Mesmo se desconsiderássemos a distinção ontológica entre autor e narrador, e supuséssemos a narrativa não como ficção, mas um depoimento de Jorge Amado sobre fatos reais, mesmo assim, a enunciação se perfaz de fora, por meio do pronunciamento de um enunciador em terceira pessoa, distinto, quer pela cultura superior, quer pela posição ocupada pelos intelectuais na hierarquia social, das personagens cujas histórias ele relata. Quanto à riqueza de detalhes e à empatia, não há como discordar de Zélia Gattai. E empática é, precisamente, a atitude do narrador em relação às personagens miseráveis, cujas pseudo-biografias dá a ver, sem confundir-se com elas. Seja como for, para este estudo, importa assinalar que o foco narrativo em terceira pessoa já estabelece uma diferença entre a picaresca tradicional, narrada em primeira pessoa na forma de pseudoautobiografia, e Capitães da Areia. Agora, sem ser propriamente um romance picaresco, essa obra de Jorge Amado também pode ser entendida como uma espécie de epopeia dos miseráveis, em que a denúncia das mazelas sociais (por exemplo: a exploração do trabalho reificador, o preconceito de classe, a discriminação cultural e a fome), contém um sentido moral que castiga as elites da sociedade e é portadora de uma mensagem política. Aqui, Capitães da Areia se afasta outra vez da picaresca, pois esta se caracteriza pelo pessimismo e pelo desengano do mundo, enquanto o romance de Jorge Amado apresenta, em última análise, uma visão otimista, fundamentada na fé revolucionária e na convicção do poder humanizador do socialismo. Desse modo, a epopeia dos pobres readquire a aura das legítimas epopeias, e o anti-herói é restituído à genuína condição de herói. Pedro Bala adere à luta do proletariado, elevada à condição épica na perspectiva ideológica socialista. A vida das crianças de rua, aparentemente, evidencia-se como o tema principal de Capitães da Areia. A esse tema vinculam-se os demais, como o da violência, da intolerância religiosa, da miséria e exploração dos pobres pelos ricos, da criminalidade infanto-juvenil, do cangaço e de outros examinados neste estudo. A eles todos, porém, subjaz o da luta heroica do proletariado, compreendida ideologicamente como força histórica de resistência contra a reificação do homem e portadora dos dignificantes ideais de liberdade e justiça. EXERCÍCIOS 1. (CEFET-BA/2007) Entre os Capitães da Areia, vivia apenas uma mulher, Dora. Esta personagem a) tem um papel importante, encarnando, em momentos diversos, a figura de mãe, irmã e esposa. b) representa a força feminina, nas obras de Jorge Amado, a partir da questão da prostituição e da marginalização social. c) provoca uma série de problemas entre o grupo, que perduraram até a sua morte, por causa da varíola. SISTEMA ANGLO DE ENSINO 165 ANGLO VESTIBULARES

17 d) traz alívio para os pequenos que faziam parte do grupo, porque, enquanto os outros saíam para os roubos, ela se responsabilizava pelos que ficavam. e) tenta conseguir emprego de empregada doméstica, mas não conseguiu, porque tinha contraído varíola, epidemia que assolou a cidade, provocando óbitos e medo. Texto para as questões 2 e 3. Certa hora Nhozinho França manda que o Sem-Pernas vá substituir Volta Seca na venda de bilhetes. E manda que Volta Seca vá andar no carrossel. E o menino toma o cavalo que serviu a Lampião. E enquanto dura a corrida, vai pulando como se cavalgasse um verdadeiro cavalo. E faz movimentos com o dedo, como se atirasse nos que vão na sua frente, e na sua imaginação os vê cair banhados em sangue, sob os tiros da sua repetição. E o cavalo corre e cada vez corre mais, e ele mata a todos, porque são todos soldados ou fazendeiros ricos. Depois possui nos bancos a todas as mulheres, saqueia vilas, cidades, trens de ferro, montado no seu cavalo, armado com seu rifle. Depois vai o Sem-Pernas. Vai calado, uma estranha comoção o possui. Vai como um crente para uma missa, um amante para o seio da mulher amada, um suicida para a morte. Vai pálido e coxeia. Monta um cavalo azul que tem estrelas pintadas no lombo de madeira. Os lábios estão apertados, seus ouvidos não ouvem a música da pianola. Só vê as luzes que giram com ele e prende em si a certeza de que está num carrossel, girando num cavalo como todos aqueles meninos que têm pai e mãe, e uma casa e quem os beije e quem os ame. Pensa que é um deles e fecha os olhos para guardar melhor esta certeza. Já não vê os soldados que o surraram, o homem de colete que ria. Volta Seca os matou na sua corrida. O Sem-Pernas vai teso no seu cavalo. É como se corresse sobre o mar para as estrelas na mais maravilhosa viagem do mundo. Uma viagem como o Professor nunca leu nem inventou. Seu coração bate tanto, tanto, que ele o aperta com a mão. (Jorge Amado. Capitães da areia.) 2. (UEA/2007) Assinale a alternativa com comentário pertinente à leitura do texto. a) O trecho se coaduna com os ideais da primeira fase modernista e suas intenções de construir uma prosa antipassadista, em busca de ruptura formal com a liberdade. b) Encaixa-se na segunda fase do Modernismo e é exemplo da literatura de caráter social com ambientação na Bahia. c) Corresponde ao Modernismo de segunda fase e incorpora as relações de poder no ciclo do cacau, no sul da Bahia. d) Revela plena intenção de seu autor de extrapolar as formas convencionais de composição ao criar personagens representativos da seca no Nordeste. e) Constitui exemplo de literatura pré-modernista, que, ao lado das obras de Euclides da Cunha, busca construir um retrato definitivo do povo brasileiro. 3. (UEA/2007) Predominam no texto as seguintes funções da linguagem: a) emotiva e apelativa. b) fática e metalinguística. c) referencial e conativa. d) poética e metalinguística. e) referencial e poética. 4. (UFMS/1999). Sobre o romance Capitães da Areia, é correto afirmar que (01) há o predomínio do discurso indireto livre, observando-se a intenção do narrador de colocar em destaque o íntimo das personagens e o afloramento constante dos desejos femininos. (02) ao enfatizar a naturalidade e a espontaneidade da fala cotidiana, o narrador incorpora ao texto a linguagem popular, registrando a fala das personagens tal como ela parece ser produzida. (04) o assunto da obra em questão são os marinheiros, e ela inaugura um verdadeiro ciclo marítimo na produção de Jorge Amado, projeto que se irá completar com outras obras, como: Mar morto, Jubiabá e Velhos marinheiros. (08) é uma obra regionalista, cuja preocupação central é registrar costumes, crenças, tradições e linguagem típicas do litoral da Bahia. (16) dentre as personagens que povoam seu universo ficcional, há que se destacar Pixote, figura que inspirou um filme com o mesmo nome. Soma das asserções corretas: 5. Observe as asserções e assinale a alternativa correta. I. As personagens de Capitães da Areia, geralmente planas e típicas, podem ser agrupadas em duas esferas sociais: a dos pobres e a dos ricos. Todavia, Pedro Bala, Professor, Sem-Pernas, Volta Seca e o padre José Pedro apresentam maior complexidade psicológica, aproximando-se da categoria das personagens redondas. II. O narrador de Capitães da Areia pronuncia-se em terceira pessoa, é dotado de onisciência e mantém uma relação empática com as per- SISTEMA ANGLO DE ENSINO 166 ANGLO VESTIBULARES

18 sonagens marginalizadas. Frequentemente, o mundo interior das personagens mais importantes é revelado por meio da técnica do discurso indireto livre. III. Quanto ao gênero literário, Capitães da Areia é um romance que pode ser vinculado à tradição do romance de aprendizagem ou de formação (Bildungsroman), além de apresentar algumas conexões com a novela picaresca, na medida em que a narrativa contém a biografia de Pedro Bala, cujo processo de desenvolvimento físico e moral o leitor acompanha desde a infância até o início da vida adulta. São corretas a) Somente I. b) Somente III. c) Todas. d) Somente I e II. e) Nenhuma. Textos para a questão 6. Lampião mata soldado, mata homem ruim. Pedro Bala neste momento ama Lampião como a um seu herói, a um seu vingador. É o braço armado dos pobres do sertão. (pp ). E pensando em Deus [Pirulito] pensou também nos Capitães da Areia. Eles furtavam, brigavam nas ruas, xingavam nomes, derrubavam negrinhas no areal, por vezes feriam com navalhas ou punhal homens e polícias. Mas, no entanto, eram bons, uns eram amigos dos outros. (pp ). 6. O romance Capitães da Areia, tradicionalmente, é vinculado à corrente do neorrealismo literário que se destacou na prosa de ficção da chamada segunda geração modernista ( ). Nos dois excertos apresentados acima, as passagens assinaladas em caracteres itálicos estariam ou não de acordo com as propostas do neorrealismo? Justifique brevemente a sua resposta. 7. Por que o romance Capitães da Areia pode ser considerado uma espécie de epopeia dos miseráveis? 8. Caracterize brevemente as diferentes visões do padre José Pedro e do velho estivador João de Adão quanto à solução para o problema social da miséria. 9. Em Capitães da Areia, a cidade de Salvador é considerada a mais misteriosa e bela das cidades do mundo, enquanto Dora é exaltada como a mais valente de quantas mulheres já nasceram na Bahia, que é a terra das mulheres valentes. Que recurso estilístico ou figura de linguagem comparece nas duas citações e qual o seu efeito de sentido? Texto para a questão 10. Fora sempre infeliz para o lado de mulher. Quando conseguia uma negrinha no areal era com a ajuda dos outros, era à força. Nenhuma olhava para ele, convidando com os olhos. Outros eram feios, mas ele era repulsivo com a perna coxa, andando feito caranguejo. Demais terminara por se fazer antipático e a se acostumar a possuir negrinhas a pulso. Agora vinha uma mulher branca e com dinheiro, velha e feiúsca era verdade, mas bem comível ainda, e se deitava com ele. Acariciava seu sexo com a mão, juntava coxa com coxa, deitava sua cabeça nos seus seios grandes. Sem-Pernas não podia sair dali, se bem cada dia estivesse mais bruto e mais inquieto. Seu desejo reclamava uma posse completa. Mas a vitalina se contentava em colher as migalhas do amor. (AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, pp ) 10. O excerto contém características que o aproximam da estética naturalista. Identifique três dessas características. RESPOSTAS 1. A. 2. B. 3. E. 4. Soma das asserções corretas: 2 5. C. 6. Consideradas em si, as passagens em itálico contrariam o estilo neorrealista, pois sugerem uma visão idealizada, em vez de objetiva, da criminalidade dos cangaceiros e do bando dos Capitães da Areia. 7. A heroicização dos Capitães da Areia, dos cangaceiros e dos proletários, cuja luta se apresenta dignificada pelos valores de que eles seriam supostamente portadores (liberdade e justiça), permite considerar o romance de Jorge Amado como uma espécie de epopéia dos miseráveis. 8. O padre José Pedro desejava que a pobreza fosse atenuada por meio de reformas sociais que proporcionassem casa, escola e carinho às crianças pobres, mas sem mudar a estrutura de classes da sociedade, sem acabar com os ricos. Trata-se de uma visão humanitária inspirada no espírito de caridade cristã. João de Adão não concorda com o padre e considera que somente a revolução socialista resolveria a questão social da pobreza, por meio da abolição das classes sociais, que acabaria com a divisão entre ricos e pobres. Resumidamente, trata-se da oposição entre uma visão reformista e uma revolucionária. SISTEMA ANGLO DE ENSINO 167 ANGLO VESTIBULARES

19 9. Nas duas citações verifica-se o uso de adjetivação em grau superlativo, que constitui hipérboles. Por meio desses mecanismos da linguagem, estabelece-se um efeito de intensificação máxima, respectivamente, do mistério e da beleza da cidade de Salvador e da valentia de Dora. 10. São características que se associam ao Naturalismo: a apresentação do sexo como um instinto imperioso, de modo que o apelo fisiológico domina a vontade racional; a ênfase em aspectos desagradáveis, grotescos ou chocantes, que configuram uma espécie de estética do feio; a linguagem brutal e grosseira; o zoomorfismo, que transparece na comparação de Sem-Pernas com um caranguejo. BIBLIOGRAFIA AMADO, Jorge. Guia das ruas e dos mistérios da cidade do Salvador da Bahia. Rio de Janeiro: Som Livre, 1997, faixa 5, disco 2. AMADO, Jorge. Depoimento. In: Cadernos de Literatura Brasileira Jorge Amado. São Paulo: Instituto Moreira Salles, nº- 3, março de 1997, p. 48. AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, CANDIDO, Antonio. Poesia, documento e história (1945). In: Brigada ligeira e outros escritos. São Paulo: Editora Unesp, 1992, p GUMÉRY-EMERY. Claude. Depoimento. In: A literatura de Jorge Amado caderno de leituras. São Paulo: Companhia das Letras, novembro de FREYRE, Gilberto. Tempo morto e outros tempos. Rio de Janeiro: José Olympio, FORSTER, E. M. Aspects of the Novel. London: Penguin Books, GRAMSCI, Antônio. Obras escolhidas. Lisboa: Editorial Estampa, 1974, 2 vol. VARGAS LLOSA, Mario. Depoimento. In: Cadernos de Literatura Brasileira Jorge Amado. São Paulo: Instituto Moreira Salles, nº- 3, março de 1997, p. 38. SISTEMA ANGLO DE ENSINO 168 ANGLO VESTIBULARES

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