INTRODUÇÃO. Brasil 3 Orientadora do Curso de História do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS,

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1 PUNTEANDO A MEMÓRIA HISTÓRICA DE SANTA MARIA (RS): O TRATAMENTO DO ACERVO DA CASA DE MEMÓRIA EDMUNDO CARDOSO (CMEC) 1 CHAVES, Marjana Feltrin 2 ; CORRÊA, Roselâine Casanova 3 1 PROBEX _UNIFRA 2 Acadêmica do Curso de História do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil 3 Orientadora do Curso de História do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria, RS, Brasil RESUMO O Projeto de Extensão Casa de Memória Edmundo Cardoso CMEC: a arte de salvaguardar coleções museais (Santa Maria-RS) 1, do Curso de História do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), teve início em abril de 2010 com a bolsista Daiane Silveira Rossi. A partir de abril de 2011, assumiu como bolsista a acadêmica Marjana Feltrin Chaves, que desde janeiro (2011) já estava inserida no projeto como voluntária. A CMEC sedia um acervo vastíssimo: arquivo, biblioteca, pinacoteca, fotografias e objetos de diversas tipologias (cerâmica, couro, gesso, metal, plástico, têxteis, vidro). Ao longo de 2011 foram realizadas atividades visando à conservação, a catalogação, o acondicionamento e a armazenagem do acervo documental, museológico e fotográfico, a fim de preservar a memória da cidade e de seus agentes, tal como Edmundo Cardoso fez o longo de sua vida ( ). Palavras-Chave: Acervo; Higienização; Bando de Dados. INTRODUÇÃO Este projeto de extensão funciona nas dependências da antiga residência da família de Edmundo Cardoso, na Rua Pinheiro Machado, nº em Santa Maria/RS. A execução do mesmo se dá devido à parceria entre a Casa de Memória Edmundo Cardoso (CMEC) e o Curso de História do Centro Universitário Franciscano (UNIFRA). Os procedimentos executados na CMEC visam à preservação da memória e a conservação do acervo coletado por Edmundo Cardoso ( ), que no decorrer de sua trajetória desempenhou as funções de jornalista, funcionário da justiça, escritor, pesquisador, memorialista e teatrólogo. Para a execução do projeto foi formada uma equipe de trabalho, assim distribuída: professora orientadora Roselâine Casanova Corrêa (Curso de História UNIFRA), bolsista Marjana Feltrin Chaves (acadêmica do Curso de História UNIFRA), voluntária Antônia Dias da Costa Teixeira (acadêmica do Curso de História UNIFRA) e pelas responsáveis pelo acervo, Therezinha de Jesus Pires Santos e Gilda May Cardoso Santos (administradoras da Casa). 1 Resultados parciais do Projeto de Extensão CASA DE MEMÓRIA EDMUNDO CARDOSO (CMEC): MEMÓRIA E SALVAGUARDA DE ACERVOS (SANTA MARIA-RS) - UNIFRA

2 As atividades dessa segunda fase do Projeto 2 tiveram início em abril de 2011, e ao final de um semestre foi entregue para à Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão (PRPGPE) da UNIFRA um relatório contendo as atividades realizadas até então. Ao longo do ano corrente foram realizados os processos de higienização, catalogação, acondicionamento e armazenagem das peças do acervo museológico, totalizando 210 objetos. Os mesmos processos se deram com as fotografias, que foram revisadas e realocadas no novo Banco de Dados, em um total de 80 imagens, sobre diversos temas da cidade de Santa Maria. Também se realizaram a digitalização, redimensionamento e montagem de recortes de jornais, dispostos segundo temáticas amplas, tais como: Festa de Santo Antão; Religião 1; Religião 2; Religião Medianeira; Religião Catedral; Montanha Russa; Artes Cênicas Teatro; Japoneses; Maçonaria; Marcelo Canellas; Escravidão; Mulheres; Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo; Visitas Ilustres e Cemitério Municipal. 1. CASA DE MEMÓRIA EDMUNDO CARDOSO: memória e (des) sacralização do objeto No decorrer de 2011 foram executadas atividades com o intuito de salvaguardar parte da memória da CMEC, através do tratamento de fotografias e de objetos variados do acervo. Tomaram-se medidas necessárias à conservação dos mesmos, por meio de processos de higienização, catalogação, acondicionamento e armazenagem. Foram, portanto, tratadas no corrente ano, 210 peças de diversas tipologias e coleções. Em 1º de junho de 2011, a acadêmica do Curso de História, Antônia Dias da Costa Teixeira 3, ingressou no projeto como voluntária. Com o auxílio da bolsista Marjana Feltrin Chaves, tomou conhecimento das técnicas especificas para a higienização do acervo da CMEC. A obra que embasou as acadêmicas para desenvolver este trabalho foi o Manual de Higienização e Acondicionamento do Acervo Museológico do SDM. Inicialmente, Costa Teixeira realizou a higienização dos metais brancos e amarelos, como ferros de passar roupa, prataria, espadas, projetores de cinema, bainhas de facas, dentre outros objetos. Posteriormente, foram tratados objetos de diversos materiais: cerâmica, couro, gesso, madeira, plástico e vidro. Estes materiais foram higienizados com técnicas simples e 2 A primeira fase do projeto foi realizada durante o período de março de 2010 a março de Voluntária do Projeto de Extensão Casa de Memória Edmundo Cardoso (CMEC): a arte de salvaguardar coleções museais (Santa Maria-RS) Curso de História Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Santa Maria (RS). 2

3 eficazes. Usa-se esponja macia embebida em detergente líquido neutro e água. No caso de recipientes de vidro, pode-se fazer o uso de escovas dentais ou escovas de mamadeira, para melhor atingir o fundo dos mesmos. Lava-se em água corrente e seca-se a peça. Para madeira usa-se lixa d água A500, utilizada para acabamentos, de modo a desprender mais facilmente a sujidade contida no material. Feito isso, lava-se e seca-se a peça e para dar o acabamento final, usa-se óleo mineral. Feita a higienização, confecciona-se em máquina de costura, embalagens em TNT que cobrem totalmente a peça e são vedadas com barbantes cru para evitar o contado com o meio externo. Então os objetos são catalogados no Livro de Registro, que contém 100 folhas numeradas. Suas folhas são rubricadas pela responsável pelo registro e pela coordenadora do museu, Therezinha de Jesus Pires Santos. O registro inicia-se no reverso da 1ª página e na página 2, ocupando toda a largura do livro quando aberto. Para a numeração do acervo, foi adotado o sistema alfa numérico, uma vez que por intermédio dele podem-se preservar duas ou mais informações: a sigla do museu, o número de registro do objeto e o seu desdobramento. Exemplo: a numeração de um açucareiro ficaria assim - CMEC001, a tampa do açucareiro seria o desdobramento e receberia o número - CMEC A marcação das peças é provisória, feita com lápis 6B, em etiquetas de joalheiro, contendo uma etiqueta dentro da embalagem e a outra preza ao barbante cru. Os objetos, após passarem pelo processo de higienização, acondicionamento e catalogação, são devidamente armazenados na Reserva Técnica (RT). É importante ressaltar que os objetos mais deteriorados são os primeiros a serem tratados. Portanto, antes de ser o lugar de preservação da memória, o museu é um território de construção da memória, disputa em torno do que deve resistir à corrosão do tempo (RAMOS, 2004, p.112). Uma gama enorme de museus trazia em seus acervos objetos diretamente ligados a personagens proeminentes: um presidente, um literato, um príncipe, enfim, objetos que remetiam a pessoas pertencentes a fatos históricos importantes. Estes objetos eram sacralizados, postos em um pedestal digno de reverência e encobertos por uma cuba de vidro incapaz de aproximá-los do público. Perdia-se muito do caráter crítico da peça, pois a tão esperada interação não ocorria. Eram museus neutros e apolíticos, não correspondendo ao ato educativo e reflexivo. Isso, no entanto, mudou, a partir do século XIX. Atualmente, os debates sobre o papel educativo do museu afirmam que o objetivo não é mais a celebração de personagens ou a classificação enciclopédica da natureza, e sim a reflexão crítica. Se antes os objetos eram contemplados, ou analisados, dentro da suposta neutralidade científica, agora devem ser interpretados (RAMOS, 2004, p. 20). 3

4 A CMEC ainda não expõe seu acervo, porém atende aos interessados sob agendamento. Então são selecionadas algumas peças na Reserva Técnica, de modo a construir uma colcha de retalhos, capaz de transportar o visitante às memórias vividas por ele ou pelo (s) grupo (s) no qual o sujeito está inserido. Tais peças podem transportá-lo a lugares pelos quais já passou, a histórias que ele ouviu ou leu, aos causos dos mais velhos. Enfim, as lembranças permanecem coletivas e nos lembramos por outros, ainda que se trate de eventos em que somente nós estivemos envolvidos e objetos que somente nós vimos. Isto acontece porque jamais estamos sós (HALBWACHS, 2006, p.30). Aqui o objeto ganha vez e voz, ele reporta as pessoas a uma Santa Maria da Boca do Monte que envolveu não apenas uma elite letrada, o clero ou prefeitos e governadores do Estado. Leva-os também as diversas camadas sociais, expressa desde uma tigela de barbear de porcelana e prata até os ferros de passar roupa à brasa (muito usado pelas empregadas e donas de casa menos abastadas). Perde, portanto, os ares de sacralidade, mostram-se reflexivos, partícipes de uma vida social plural, conversam com o público, sendo que: [...] o papel do museu não é revelar o implícito, nem o explícito, não é resgatar o submerso, não é dar voz aos excluídos (nem incluídos...), não é oferecer dados ou informações. Em suma, o museu não é um doador de cultura. Sua responsabilidade social é excitar a reflexão sobre múltiplas relações entre o presente e o passado, através dos objetos no espaço expositivo (HALBWACHS, 2006, p.131). A Casa de Memória Edmundo Cardoso cumpre com seu papel educativo, por meio das visitas guiadas, agraciando os visitantes com objetos museológicos, pinacoteca, arquivo e biblioteca. Isso possibilita a produção do saber crítico e diferencia-se daqueles modelos arcaicos de mediação de informações, cabendo ao professor (no caso de visitas provindas de escolas) propor, juntamente com as ações do museu, levar os alunos a entendimentos refletidos. Dessa maneira, administrar um museu é, portanto, entende-lo em sua historicidade. Além de expor o resultado de pesquisas sobre a história que há nos objetos, o museu deve se expor ao conhecimento histórico, tonando-se tema de estudo e perdendo ares de sacralidade. Assim, o alvo de reflexão crítica estranhada no conhecimento histórico não é somente o acervo ou o prédio onde funciona o museu, mas também a própria dinâmica do museu em suas várias dimensões de curta ou longa duração e a metodologia de monitoramento das visitas de estudantes ou do público em geral. (RAMOS, 2004, p.48). 4

5 Fora da Casa são realizadas em diversos locais da cidade exposições itinerantes. Em 2011, foram realizadas duas exposições: em maio, na Escola Estadual de 1º Grau Edna Mey Cardoso (Camobi), a exposição intitulada Edna Mey: Mulher e atriz admirável (Figura 11); a exposição Um olhar sobre Santa Maria Antiga, passou pela Escola Básica Estadual Érico Veríssimo, EMEF CAIC Luizinho de Grandi (Figura 10), Faculdade Palotina de Santa Maria (FAPAS) e a Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Walter Jobim (em comemoração aos 39 anos de funcionamento da escola). As duas ações foram realizadas em celebração do aniversário de Santa Maria e concomitante a Semana Nacional de Museus, ambos em maio. Essas exposições culminam na produção de conhecimento fora dos limites do museu, e são importantes, pois levam consigo parcelas da história da Casa, de Santa Maria e de personagens santa-marienses. Cumprindo com o papel educativo, reflexivo e dialogado. Isso implica afirmar que, sem problemáticas historicamente fundamentadas para produzir o saber crítico, a visita torna-se um ato mecânico. Ainda é muito comum o professor de história exigir dos alunos o famigerado relatório da visita. Aí, vemos uma legião de estudantes desesperados, copiando as legendas rapidamente, para fazer a tarefa exigida. Nessa atividade, baseada no reflexo e não na reflexão, o visitante chega ao ponto de perder o que há de mais importante: o contato com os objetos. [...] Seguindo os passos da educação bancária, como diz Paulo Freire, o museu é transformado em fornecedor de dados (RAMOS, 2004, p. 26). A CMEC abriga uma infinidade de fotografias que estão dispostas em duas categorias: fotografias da cidade (museu) e fotografias pessoais de Edmundo Cardoso (arquivo). Cabendo a bolsista proceder com os processos de salvaguarda das primeiras, para conservá-las da ação corrosiva do tempo, pois as mesmas exprimem [...] um inesgotável poder para a percepção da trama entre o espaço e o tempo, abrindo uma significativa via de acesso à chamada educação patrimonial. Além de possibilitar o jogo de percepções entre passado e presente, os enquadramentos ressaltam detalhes, chamam nossa atenção para aspectos que muitas vezes não se revelam facilmente nas observações in loco. A lente da máquina, ao capturar e fixar imagens, tem outro olhar, um enfoque que nos coloca na terceira margem do rio: revela coisas que até já foram vistas, mas que escapam do olho em sua dinâmica. De tempos pretéritos ou da atualidade, a fotografia excita o olhar atento, na medida em que mostra novidades em panoramas, nas minúcias desconhecidas e naquilo que já faz parte do senso comum do nosso campo visual. Nesse delineamento de cores pregadas no papel, há uma mística da visibilidade deslocamento no poder de percepção. É por isso que o ato de ver nossa própria imagem numa fotografia sempre carrega surpresas (RAMOS, 2004, p.42-43). A primeira etapa do processo de salvaguarda das fotografias e de todo o aparato de conhecimento que dela provém, reside primeiramente na higienização. Tal higienização consiste na limpeza mecânica que: 5

6 [...] consiste na remoção das sujeiras superficiais tanto da base quanto da emulsão. Neste caso, utilizam-se pincéis macios para não provocar abrasões nas superfícies ou pó de borracha. A limpeza química é feita para a remoção de resíduos de colas, fitas adesivas, etiquetas, tintas, grampos, clipes, excrementos de insetos e outros tipos de substâncias alheias à superfície original da imagem (FELLIPI, 2002, p. 97). Ao término da higienização, são confeccionados envelopes de ph neutro, comportando a dimensão total da imagem, que varia entre 30x24cm até 5x4cm. Estes envelopes são produzidos manualmente, sobre uma superfície emborrachada especializada para o corte, que é realizado com uso de estilete e uma régua de metal. É importante ressaltar que estes envelopes cobrem totalmente a imagem, para que não ocasione o contato delas com agentes externos, que podem vir a deteriorá-las. Já a identificação da imagem é realizada de forma superficial, apenas com o título da imagem, escrito com lápis 6B na parte frontal superior esquerda do envelope. E são armazenadas em caixa de ph neutro e postas no armário de aço contra incêndio, para maior proteção. Após o término dos processos devidos, parte-se para o Banco de Dados. Durante os trabalhos de 2010, usou-se o dispositivo criado pela Arquivista Tassiara Jaqueline Fanck Kich. Em 2011, foi elaborado um novo Banco de Dados, por Gustavo Segalla, a fim de melhor dispor as informações contidas na fotografia. Este novo dispositivo abarcará não somente as fotografias, mas também a descrição dos objetos museais, que serão tratados a partir de Nele são depositadas as fotografias que estão sendo revisadas e realocadas, totalizando a correção de 80 fotografias. Atualmente o dispositivo é usado pela bolsista Marjana Feltrin Chaves e por Therezinha de Jesus Pires Santos. O acesso ao banco de dados demanda de um usuário e uma senha. Nos campos a serem preenchidos são postas as seguintes informações: 1ª Aba IDENTIFICAÇÃO: código; número; outros números; nome/título; classificação por coleção; principal/desdobramento; referência (BR CMEC 0000); descrição da foto; autor e data. 2ª Aba CONTEXTO HISTÓRICO: evento; local; assunto (s); pessoas e edificação. 3ª Aba CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: tipo de material; estado de conservação; dimensão; cromia; características físicas; espécie; original; possui negativo; código de localização negativo e anotações/texto no documento. 6

7 4ª Aba PUBLICAÇÕES: existência e localização de originais/cópias e publicações. 5ª Aba AQUISIÇÃO ACONDICIONAMENTO: aquisição; data; modo; procedência e acondicionamento. Em todas as abas encontra-se a fotografia digitalizada, com o recurso de ampliá-la caso necessário, para melhor visualizá-la. Para descrever as fotos, usam-se as informações contidas no verso das mesmas; nos livros, como João Daudt Filho, João Belém, Walter Noal Filho e Romeu Beltrão; revistas; recortes de jornais e com o auxílio de Therezinha de Jesus Pires Santos, exímia conhecedora da história de Santa Maria. Existem, portanto, várias interpretações sobre a mesma fotografia, pois a lembrança é uma reconstrução do passado com a ajuda de dados tomados de empréstimo ao presente e preparados por outras reconstruções feitas em épocas anteriores e de onde a imagem de outrora já saiu bastante alterada (HALBWACHS, 2006, p. 91). Essas imagens já estão disponíveis à consulta, podendo ser de grande utilidade para pesquisadores em geral, historiadores, memorialistas, enfim, podem atender ao público que sentir-se interessado em conhecer a história de Santa Maria da Boca do Monte. CONCLUSÕES As atividades realizadas na Casa de Memória Edmundo Cardoso (CMEC) por meio do Projeto de Extensão supracitado é muito mais que cumprir etapas, apresentar resultados, preencher relatórios e redigir artigos. O que foi mencionado obedece a um script, um cronograma, um compromisso, que também são importantes. Adentrar a Casa por um corredor estreito e longo, forrado de imagens de teatro, cinema, atores, atrizes, a própria família, que é também tudo isso, já é uma experiência única. Descobrir aos poucos a pinacoteca, a biblioteca, a sala de higienização, a Reserva Técnica e muito mais, não se quantifica e não se descreve. Se sente. A Casa de Memória Edmundo Cardoso entrou na vida de muitos e o contrário também procede. Dessa vivência ou convivência com a casa, com os objetos, com a família, resulta uma memória que não conseguimos definir se é individual ou coletiva. Como apropriadamente relata Ecléa Bosi em sua obra Memória e sociedade lembrança de velhos (1994), ao término de cada etapa da rememoração do outro se rouba um pouco da memória alheia. E ainda citando Bosi, mexendo e remexendo em objetos tão variados, carregados de símbolos e signos, vamos punteando a nossa própria memória. Que depois transformaremos em pesquisa, que resultará em um texto e assim 7

8 sucessivamente, de maneira que formamos um bailado (os marxistas diriam que isto é dialética). Os passos dessa dança nos levam por toda a casa e resulta em um feixe de flores colorido, inusitado, brilhante. Na verdade vários feixes de flores. Ao higienizar um ferro de passar (quando ainda era mesmo de ferro), depara-se com arabescos impensados; a espada, afinal, não era prateada; e os garfos de prata para bolo, já limpos no estojo azul escuro, nos leva correndo para a confeitaria. E há o abajur que era cobre e ficou dourado e alguém jura que não foi responsável pelo seu trincado. E o Banco de Dados, afinal, faz brilhar os olhos de quem explica como, para que e porque ele existe. Ele existe para colocar a Casa dentro dele, claro. Nas diversas etapas dos trabalhos, a equipe manteve-se coesa e produtiva, de maneira que o projeto segue seu cronograma em A parceria entre a Casa de Memória e a UNIFRA demonstrou ser possível o crescimento e amadurecimento de todos os envolvidos. REFERÊNCIAS BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças dos velhos. 3ª. ed. São Paulo: Companhia das Letras, CHAGAS, Mário de Souza. Há uma gota de sangue em cada museu: a ótica museológica de Mario de Andrade. Chapecó: Argos, FELIPPI, Patrícia de; LIMA, Solange Ferraz de; CARVALHO, Vânia Carneiro de. Como Tratar Coleções de Fotografias. 2ª ed. Arquivo do Estado/ Imprensa Oficial do Estado. São Paulo, HALBWACHS, Maurise. A memória coletiva. Trad. de Beatriz Sidou. São Paulo: Centauro, Manual de Higienização e Acondicionamento do Acervo Museológico do SDM. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, Os Museus do Mundo. Biblioteca Salvat de Grandes Temas. Livros GT. Lisboa: Fernando Chinaglia Distribuidora S. A RAMOS, Francisco Régis Lopes. A danação do objeto: o museu no ensino de história. Chapecó: Argos, SEGRE, Roberto; FINOTI, Leonardo. Museus brasileiros. Rio de Janeiro: Viana & Mosley,

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