PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO DE ESPANHOL: EDUCAÇÃO BÁSICA E O CLIC/UFS.

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1 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO DE ESPANHOL: EDUCAÇÃO BÁSICA E O CLIC/UFS. Maria da Conceição da Cruz (PIBIX/PIBID-UFS) Tayane dos Santos (PIBIX -UFS) Resumo: O projeto de extensão Curso de Línguas para a Comunidade (CLIC/UFS) da Universidade Federal de Sergipe foi desenvolvido desde 2010 e tem como perspectivas a inovação das práticas pedagógicas na sala de aula através do projeto. Nosso grupo de pesquisa e constituído por nove integrantes tem como foco a análise, elaboração e aplicação de materiais didáticos. Nosso vínculo com o CLIC iniciou em janeiro de 2014 no qual comparamos as diferentes estratégias de utilização das metodologias pedagógicas voltadas para a da educação básica e o CLIC. O primeiro tem como fundamento a formação de cidadãos e o segundo a integração da comunidade na universidade possibilitando-os a aprendizagem de um novo idioma, no nosso caso, o espanhol. Sob a orientação da professora mestre Acássia Anjos, houve reuniões periódicas com fundamento em alguns textos, como por exemplo: Paraquett (2009), Eres Fernández (2008), Barros e Costa (2010) e nos documentos: OCEM (2006), PCN (1998), LDB (1996), os quais tiveram grande relevância para a nossa pesquisa e análise de livros, para a construção e elaboração de materiais didáticos em grupos de três graduandos. Após a fase de fundamentação, análise e elaboração, foram aplicadas várias oficinas no projeto pelos diferentes subgrupos, que abordam temáticas diversificadas: literatura, ética, trabalho e consumo, pluralidade cultural, dentre outros, dependendo do objetivo do segmento de ensino. Consideramos que as aplicações didáticas desses conhecimentos possivelmente irão melhorar a formação dos alunos, professores e pesquisadores, inteirados com a realidade em que vivem. Palavras-chave: formação de professores, elaboração de materiais didáticos, ensinoaprendizagem. INTRODUÇÃO Este artigo tem como foco abordar as atividades realizadas no PIBIX em que comparamos as principais diferenças entre preparar aulas para educação básica e o CLIC, analisando e desenvolvendo materiais didáticos voltados para a educação básica e cursos de idiomas, em especial o Curso de Línguas para a Comunidade- CLIC que é oferecido gratuitamente pela Universidade Federal de Sergipe.

2 O ensino de línguas estrangeiras é de fundamental importância no processo de ensino-aprendizagem do individuo, compreendendo novas culturas e aprendendo novas competências linguísticas, oferecido pela educação obrigatória. O Programa Institucional de Iniciação a Extensão - PIBIX é um programa que abre portas para grandes projetos, ajudando os futuros professores de língua estrangeira a terem experiência antes de concluir a graduação. O PIBIX tem a intenção de aprimorar a formação acadêmica dos discentes, é um programa que incentiva o desenvolvimento de atividade, voltado para a comunidade. Uma das principais metas do PIBIX é a integração da comunidade na universidade, essa interação proporciona aos professores em formação, experiência nas praticas pedagógicas na sala de aula, estas irão orientá-los em sua prática cotidiana. Durante o processo de extensão foram realizadas reuniões periódicas, fundamentadas em textos teóricos dentre eles: Paraquett (2009); Barros e Costa (2010); LDB (1996); que estão sendo imprescindíveis para a análise e elaboração da pesquisa, que foi realizada por etapas. As reuniões eram quinzenais e o objetivo era o aprofundamento teórico sobre as diferenças na hora da elaboração de materiais didáticos para a escola básica, ou para cursos de idiomas. Depois dos debates sobre os textos os nove integrantes do grupo foram divididos em três equipes para elaboraram materiais didáticos que contemplassem as particularidades do CLIC, em seguida aplicamos no curso de idiomas para a comunidade (CLIC). Por últimos fizemos uma reunião para apresentar os resultados adquiridos e compartilhar as experiências com os colegas. Nesse trabalho, apresentaremos algumas diferenças encontradas para a elaboração de material para os dois segmentos de ensino, bem como apresentaremos os resultados alcançados pelo projeto. Ressaltaremos a importância da formação do professor para uma adequada atuação. OS PERCURSOS DO PROJETO O nosso projeto faz parte do PIBIX, um programa institucional que incentiva os projetos de extensão por meio de concessão de bolsas para graduandos que desejem realizar tarefas nos projetos aprovados.

3 O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Extensão Pibix foi criado em 2006 e destinado a incentivar a execução de projetos de extensão por parte dos professores e alunos da Universidade Federal de Sergipe. Sendo referência entre os Programas Institucionais da PROEX, O Pibix apresenta um movimento ascendente com relação ao quantitativo de projetos contemplados com bolsas de extensão. (Texto retirado de site: Proex UFS). A partir do programa, foi criado o projeto de extensão denominado: Entre a Educação Básica e o CLIC: Desafios para o ensino/aprendizagem do espanhol em Sergipe com esse projeto os alunos graduandos de Letras Espanhol e/ou Letras Português-Espanhol, tem a oportunidade de desenvolver suas habilidades como pesquisadoras, além de antecipar a experiência em sala de aula em diferentes âmbitos de ensino com o contato direto com a comunidade. Através do projeto, podemos aprender mais, crescer profissionalmente, garantir novos conhecimentos e experiências. Como membros do projeto fomos direcionados a leituras de diversos teóricos com o objetivo de mostrar os desafios que enfrentam os professores em sua formação. A maioria dos textos tinha como foco comparar as práticas e metodologias utilizadas pelos professores com o uso dos PCN, explicando como é e como usar a Lei de diretrizes e Bases (LDB) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Além de conhecer os documentos, para que ocorra qualidade na educação é preciso que o professor atue no processo de construção da cidadania. É necessário investimentos em materiais didáticos que contemplem as necessidades de cada público. Pensando nisso, a elaboração de oficinas foi o grande foco após o primeiro momento de reuniões, para com isso aplicarmos nas aulas do ensino básico público e nas aulas do CLIC. Cada grupo ficou com a missão de preparar uma oficina para o CLIC, com o objetivo de desenvolver a capacidade critica dos graduandos na elaboração desse material que foi adequado para cada público, além de realizar aulas mais interativas para atingir as expectativas do público alvo. O maior desafio nesse momento era compreender como transmitir no material as diferenças apontadas na teoria. AS DIFERENÇAS ENTRE O ENSINO-APRENDIZAGEM DE LINGUA ESPANHOLA NA EDUCAÇÃO BÁSICA E NO CLIC.

4 Segundo os PCN de línguas estrangeiras do ensino fundamental, o ensino de língua estrangeira é de grande importância para o âmbito escolar, além disso, é um direito do todo cidadão, vejamos: A aprendizagem de língua estrangeira, juntamente com a língua materna, é um direito de todo cidadão, conforme expresso na Lei de Diretrizes e Bases e na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, publicada pelo Centro Internacional Escarré para Minorias Éticas e Nações (Ciemen) e pelo PEN- Club Internacional. Sendo assim, a escola não pode mais se omitir em relação a essa aprendizagem, (BRASIL, 1998p. 19). Na educação obrigatória, ou seja, no âmbito escolar, alguns educadores estão focados a ensinar regras gramaticais, mesmo sabendo que deveria atentar as recomendações dos PCN (1998). Sabendo que existem diversos métodos de ensino, cabe ao professor utilizar a metodologia mais adequada com seus alunos, é preocupante que uma grande parte dos professores ainda e só utilizam o tradicionalismo e não tentam algo novo. Nos cursos de idiomas especificamente no CLIC os professores, procuram levar novidades, trabalhar com músicas, dinâmicas, atividades divertidas, como jogos, a motivação de seus alunos é o principal objetivo para com eles. Além de ensinar o idioma espanhol, que estamos tratando ou qualquer outro idioma, nos cursos, no geral, o foco é só aprender um idioma, o professor é mais livre para falar ou não de assuntos ligados a sociedade, os temas transversais, não tendo preocupações com o pensamento crítico de seus alunos. O que faz essas duas modalidades percorrerem caminhos opostos é justamente o objetivo principal de cada uma. Na escola, além de ensinar conteúdos diversificados, o professor deve que ajudar o aluno em seu pensamento crítico, social, formar um cidadão. No curso de idiomas não há essa necessidade, claro podendo ocorrer, mas não tendo como lei. O processo de ensino-aprendizagem de línguas estrangeira ou materna deve estar integrado no currículo e ser consistente com as demandas lingüísticas, cognitivas, afetivas e culturais do contexto social do estudante. Com isso, conseguimos compreender r por vezes a escola é tida como um lugar que não se aprende língua estrangeira. Defendemos o ensino de línguas na escola, de forma a contemplar a formação da cidadania tão defendida pelos documentos oficiais de ensino no Brasil.

5 FORMAÇÃO DO PROFESSOR (FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA) Com a implementação da lei de 2005 que tornou obrigatório a oferta de espanhol na educação básica, houve pontos negativos e positivos, infelizmente ainda existe um número muito grande de alunos que não tiveram acesso ao idioma estrangeiro em especial o espanhol, a lei determinou o prazo de cinco anos para que todas as escolas se regularizassem até 2010, mas essa não é a realidade que vivenciamos. Além disso, podemos apontar um grave problema, onde existem professores não preparados para cumprir tal função, e cumprem Segundo dados do Educacenso 2007 (INEP, 2007), 4,72% dos professores de língua português e literaturas que atuam no Ensino Médio, não são licenciados, com relação ao Espanhol, o número quase dobra para 9,15%. ( texto retirado do site: Uol: portal do aprendiz, s/p, 2012) Se tratando dos PCN, estes trazem em sua bagagem de informações aspectos importantes para o ensino da Língua Estrangeira (LE), explicitando que a LE é uma das ferramentas relevantes enquanto meio da inclusão social e no desenvolvimento da cidadania dos alunos. Assim, a escola de acordo com os PCN preocupa-se em formar cidadãos capazes de criticar e refletir sobre suas vidas e a sociedade. As OCEM (2006) expõem que a disciplina Línguas Estrangeiras na escola visa ensinar um idioma estrangeiro, como por exemplo, contribuir para a formação de indivíduos como parte de suas preocupações. (p. 91) Podemos ressaltar que a formação e metodologias utilizadas pelos professores influenciam na evolução da aprendizagem dos educandos, por isso é que o professor deve preocupar-se com sua formação continuando seus estudos, procurando outros conhecimentos, novas idéias e buscando sempre o melhor para si próprio e seus alunos. A busca pelo aprimoramento profissional- individual ou coletivo é de responsabilidade de todos os professores que atuam no Ensino Fundamental, no Ensino Médio, No Nível superior e nos Cursos Livres. Sem duvida, tal aperfeiçoamento exige sacrifícios, dedicação e empenho. Mas também exige conscientização de que cada um de nós é responsáveldiretamente- pela qualidade da Educação que se oferece aos estudantes. E não cabe a menor dúvida de que há muito a ser feito, mas resta a certeza de que muito podemos fazer. (Eres Fernández (2008), (p.281). Passamos por uma transição demográfica no ensino (fundamental e médio), na qual todos passaram a ter acesso, contudo, existem vários problemas que impedem essa ampliação na aprendizagem: falta de professores formados para suprir essa necessidade,

6 não há planejamentos específicos, por conta do excesso de alunos que estão inseridos nas escolas, não adianta adotar somente metodologias pedagógicas se a qualidade da educação está fortemente aliada à qualidade da formação dos docentes, a formação continuada é a chave para abrir novos caminhos, com ela se tornará mais fácil criar metodologias favoráveis para um melhor desenvolvimento das aulas. Paraquett (2009) aborda que: Nem sempre temos tempo ou disposição para frequentar cursos de educação continuada, mas necessitamos fazer um grande esforço porque esta é uma forma de cumprir com nosso papel. (p.134) Levando em consideração que não existe um método certo ou infalível e que os alunos podem aprender ou não por meio deles, é ciente consultar as orientações que são oferecidas através da LDB e dos PCN que servirão de base para o conhecimento e prática do ensino de Língua Estrangeira. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9.394/96) do educador espera-se que esteja em permanente formação para o seu aprimoramento profissional. Seguindo essa lei, o professor atenderá às novas demandas sociais e até do próprio mercado, que solicita uma sólida formação. A OFICINA No grupo contamos com nove integrantes. No início lemos textos teóricos que tinham como objetivo a elaboração de materiais didáticos, depois de todas as leituras realizadas, montamos duplas para analisar e elaborar os materiais e por fim chegamos na melhor parte, aplicar, propusemos várias oficinas com temas diversificados. O tema gramatical escolhido foi artigos, agregado com um tema cultural, os personagens das histórias em quadrinho de países hispânicos. Essa proposta tinha como perspectiva facilitar a interação dos alunos, por meio de um gênero conhecido por eles desde a infância. Foram abordados assuntos que tratavam sobre a família, gramática, futebol entre outros, pelos outros discentes Após iniciada as atividades foi exposto aos educandos os assuntos com a utilização do Datashow para facilitar a aprendizagem dos discentes, todas as atividades do projeto de extensão foram executadas com êxito. As oficinas foram aplicadas conforme o planejamento, apesar de algumas dificuldades encontradas no decorrer da execução, devido a pequena carga horária. Os

7 alunos interagiram de forma surpreendente e satisfatória, fazendo perguntas sobre as dúvidas que restaram. No início, tudo foi muito novo, mas apontamos como uma experiência incrível e muito importante para a nossa formação como futuras professoras. No começo ficamos preocupados com o material que iríamos abordar, se os alunos iriam interagir e se influenciaria de alguma forma para que houvesse questionamentos. Entretanto foi de bom grado o que obtivemos ao final do curso, que apesar da pequena carga horária do curso foi satisfatória a aprendizagem, eu quero seguir com o projeto e futuramente fazer uma especialização ou até mesmo um mestrado com o proposto tema abordado, o projeto está desenvolvendo ainda mais o meu senso crítico como ser e futura formadora de cidadãos. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Consideramos assim que o projeto é de suma importância, uma vez que nos proporcionou novos conhecimentos e experiência, aprimorando nossas práticas como futuras docentes, dando-nos a oportunidade de não ficar só na teoria, mas, levando-nos a sala de aula do CLIC e também da educação básica. Podemos assegurar que o CLIC é mais que um curso de idiomas, ele é um meio de tornar professores melhores, por permitir que o graduando aprenda ensinando, e dessa forma comunidade só tem a ganhar. O CLIC é bom e gratuito, onde o professor (graduando) tem vontade de passar o seu conhecimento quanto à comunidade tem a mesma vontade de adquiri-lo, em ambos há empolgação, assim, vale ressaltar que não só a comunidade aprende com o curso, pois os graduandos adquirem uma experiência que não seria contemplada nos bancos acadêmicos, o que leva a grandes resultados. Como futuros professores, temos planos de fazer o melhor para os nossos alunos, continuaremos a desenvolver o que adquirimos no projeto, pretendemos levar adiante inovações no ensino, produção de materiais didáticos diversificados e que chamem a atenção dos alunos, sempre buscando o melhor conteúdo e o método mais favorável para eles. Enfim, esse projeto nos impulsiona não apenas no momento da graduação, mas nos leva a uma consciência de formação continuada, por meio da junção os três tripés da universidade: ensino, pesquisa e extensão.

8 REFERÊNCIAS BARROS, Cristiano Silva de e COSTA, ElzimarGoettenauer de Marins. Elaboração de materiais didáticos para o ensino deespanhol. In: BRASIL, Ministério da Educação. Coleção Explorando o Ensino. V. 16. Espanhol: ensino médio. (Org.) BARROS, Cristiano Silva de e Costa, ElzimarGoettenauer de Marins. Brasília. Secretaria de Educação Básica p BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9394/96. Brasília : Orientações Curriculares Nacionais para o ensino médio: Linguagens, códigos e suas tecnologias: Conhecimento de Línguas Estrangeiras. Vol. 1, Brasília: MEC Secretaria da Educação Básica Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira. Brasília, MEC/SEF, ERES FERNÁNDES, Getel. As transformações no mundo do trabalho e as implicações para a formação de professores de línguas. In: GIL, G.; VIEIRA- ABRAÃO, M. H. (Org.). Educação de professores de línguas. Os desafios do formador. Campinas: Editora Pontes, Sites consultados Site Proex UFS Acessado em 18/09/2014 Site Uol: portal do aprendiz: Dados divulgados pelo Inep permitem analisar o sistema educacional brasileiro. Acessado em 18/09/2014 Postado em: 07/05/2012

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