15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental

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1 15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental CARTA DE SUSCETIBILIDADE A MOVIMENTOS GRAVITACIONAIS DE MASSA E INUNDAÇÃO DO MUNICÍPIO DE BOM JESUS DO NORTE - ES Marcely Ferreira Machado 1 ; Aline da Costa Nogueira 2 ; Maria Angélica Barreto Ramos 3 Resumo A Carta de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e Inundação do Município de Bom Jesus do Norte no estado do Espírito Santo é integrante do Programa de Aceleração do Crescimento PAC, fazendo parte do Plano Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres Naturais do Governo Federal, inserido no Plano Plurianual 2012 a A escolha do município de Bom Jesus do Norte foi feita com base naqueles municípios que apresentaram maiores problemas de riscos geológicos e que já foram setorizados até Dotado de uma linguagem voltada para múltiplos usuários, o mapa compartimenta o território de Bom Jesus do Norte nas classes de baixa, media e alta suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundação. Essa classificação aponta áreas onde a incidência à geração do perigo é maior ou menor em relação às outras, podendo servir de auxilio no planejamento urbano. O resultado deste trabalho firma como produto orientativo e de base, fornecendo informações essenciais para fins de planejamento e gestão do território municipal. Abstract The Charter of Susceptibility to gravitational mass movements and floods of Bom Jesus do Norte in Espírito Santo state and is part of the Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, part of the National Management of Risks and Responses to Natural Disasters Government Plan Federal, inserted in the Multi-Year Plan 2012 to The choice of Bom Jesus do Norte was based in those municipalities that had higher geological risks and problems that have been sectored by Equipped with a dedicated language for multiple users, map partitions the territory of Bom Jesus do Norte in the lower classes, medium and high susceptibility to gravitational mass movements and flooding. This classification indicates areas where the incidence to the generation of danger is greater or smaller than the other, can aid to serve in urban planning. The result of this work stands as approximate and product base, providing essential information for purposes of planning and management of the municipal territory. Palavras-Chave Suscetibilidade; movimento de massa; inundação Geóloga, Serviço Geológico do Brasil CPRM (5571) Geóloga, Serviço Geológico do Brasil CPRM (5571) Geóloga, Serviço Geológico do Brasil CPRM (5571) º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 1

2 1. INTRODUÇÃO O estudo da suscetibilidade, desenvolvido pela CPRM/IPT é fundamentado na compartimentação do território em classes de alta, media e baixa suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundação. O município de Bom Jesus do Norte, situado no extremo sul do estado (Figura 1), como em várias cidades brasileiras, vive o problema de uma ocupação desordenada de suas áreas de relevo acidentado e em áreas planas nas margens de rios, que em regimes de chuva apresentam a incidência de movimentos de terra e inundação respectivamente. Figura 1. Localização do Município de Bom Jesus do Norte. 2. OBJETIVOS A carta tem caráter informativo e é elaborada para uso exclusivo em atividades de planejamento e gestão do território, apontando-se áreas quanto ao desenvolvimento de processos do meio físico que podem ocasionar desastres naturais. O principal objetivo é o planejamento e a ocupação ordenada em locais que ainda não sofreram intervenções antrópicas a fim de evitar construções em áreas de alta suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundação. 3. METODOLOGIA O trabalho foi feito numa escala de 1:25.000, realizando inicialmente uma modelagem espacial onde foram considerados parâmetros morfométricos de altura, declividade e curvatura dos terrenos, agregando informações referentes aos diversos compartimentos de relevo e validação de campo incluindo as características geológicas e pedológicas dos mesmos, além de cadastrar feições de cicatriz, erosão, campo de blocos e depósito de tálus, visando saber que tipo de processo ocorre em uma determinada área. 15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 2

3 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA ESTUDADA 4.1. Caracterização geológica e geomorfológica A área de estudo enquadra-se no contexto da Província Mantiqueira, no domínio da Faixa Móvel Araçuaí (Almeida et al., 1977 e Almeida, 1977), de idade neoproterozóica-cambriana, desenvolvida durante o Ciclo Brasiliano. O arcabouço geológico da área em estudo é representado por rochas ígneas e metamórficas de idades neoproterozoicas. As rochas ígneas são representadas por charnokitos e enderbitos da Suíte Bela Joana, já as rochas metamórficas compõem o Complexo Paraíba do Sul apresentando gnaisse milonítico, granada gnaisse, metamarga, anfibolito, mármore e quartzito. Esses litotipos sofreram intensa ação tectônica em diferentes tempos geológicos o que acarretou geração de rochas muito deformadas, fraturadas e cisalhadas, de várias origens, idades, texturas e composições mineralógicas. A geomorfologia representada, principalmente, por relevos montanhosos e colinosos ilustra o atuante papel da geologia em conjunto com processos erosivos em seu desenvolvimento. Essas condicionantes refletem em quase toda sua extensão formando encostas íngremes, rios encaixados, contato solo-rocha abrupto e presença de matacões espalhados por diversas encostas Caracterização geotécnica As rochas aqui apresentadas exibem como principal característica a heterogeneidade geomecânica e hidráulica, tanto lateral como vertical, devido às descontinuidades estruturais dos tipos fraturas, falhas, dobras e bandamentos originadas por tectonismo ruptil e ductil e à diversificação mineralógica e textural intrínseca. Esses aspectos condicionam a existência, lado a lado, de rochas e solos residuais com os mais variados comportamentos geomecânicos e hidráulicos. O processo de deformação atuante nessas rochas originou muitas descontinuidades estruturais, com direções e ângulos de mergulho variados, o que facilita a ocorrência de quedas de blocos e instabilizações em taludes de corte. Esse processo é facilitado quando o maciço se encontra alterado. Os solos gerados são argilo-siltico-arenosos com profundidades bastante irregulares que variam desde solos pouco profundos a muito espessos. Os solos pouco evoluídos apresentam suscetibilidade muito alta a movimentos gravitacionais de massa e a processos erosivos (Figuras 2 e 3). Figura 2. Deslizamento planar do tipo solo/solo. Figura 3. Erosão em encosta de alta declividade. 15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 3

4 5. RESULTADOS O produto gerado foi uma carta que contempla todas as classes de suscetibilidades (alta, média e baixa), tanto para movimentos gravitacionais quanto para inundação (Figura 4). O município apresenta um relevo acidentado predominante, onde se constatou uma expressiva área de alta suscetibilidade a movimentos de massa, correspondendo a 23,36% do território, outros 59,30% correspondem a áreas de média suscetibilidade e apenas 17,34% correspondem a terrenos com baixa suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa. Dentro das zonas pode haver áreas com classes distintas, mas sua identificação não é possível devido à escala da carta. Nos terrenos, a transição entre as classes tende a se apresentar de modo mais gradual. Suscetibilidade baixa não significa que os processos não poderão ser gerados em seu domínio, pois atividades humanas podem modificar sua dinâmica. A presença de feições associadas a processos pode alterar localmente a classe indicada. As áreas de inundações mais expressivas se encontram a sul e a sudeste onde o relevo é mais suave, mais precisamente nas planícies de inundações do Rio Itabapoana e do Córrego Barra Alegre. No restante do território onde o terreno é mais acidentado e os vales são mais encaixados a suscetibilidade a inundação é menor. A alta suscetibilidade a inundação corresponde a 10,18% da área municipal, a media corresponde a 1,24% e a baixa a apenas 0,97%. O zoneamento não pode ser utilizado para avaliar a estabilidade dos terrenos, bem como não se destina a emprego em escala que não seja a de origem, sendo que tais usos inapropriados podem resultar em conclusões incorretas. Estudos mais detalhados em nível local são necessários, particularmente em áreas de suscetibilidade alta e média, podendo produzir limites distintos ante os apontados na carta. As informações foram geradas em um Sistema de Informações Geográficas (SIG), sendo algumas delas selecionadas para compor o layout do mapa em forma de pequenos encartes, como: hipsometria (Figura 5), declividade (Figura 6) e padrão de relevo as quais constituem valioso subsídio para tomadas de decisão e o uso racional do território. Figura 4. Carta de Suscetiblidade a Movimentos de Massa e Inundação de Bom Jesus do Norte-ES. 15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 4

5 Figura 5: Mapa de Hipsometria. Figura 6: Mapa de Declividade (em graus). AGRADECIMENTOS Os autores agradecem a toda equipe do Projeto Suscetibilidade da CPRM que participou do presente trabalho. REFERÊNCIAS ALMEIDA, F.F.M O Cráton do São Francisco. Revista Brasileira de Geociências, 7: ALMEIDA, F. F. M. de; HASUI, Y.; NEVES, B. B. DE B.; et al. Províncias estruturais brasileiras. In: SIMPÓSIO DE GEOLOGIA DO CENTRO - OESTE, 2. Campina Grande, Atas...Campina Grande, SBG/GO - BS, p , CPRM. Mapa Geodiversidade do Estado do Espirito Santo in. Último acesso: 11/04/2015. CPRM GEOBANK (2015). Cartas Geológicas do Brasil ao Milionésimo SF.24 - Vitória in Último acesso: 10/04/2015. CPRM. Mapa geodiversidade do Brasil. Escala 1: Legenda expandida. Brasília: CPRM, p. CD-ROM. 15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental 5

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