AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO E APRENDIZAGEM

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1 AVALIAÇÃO DO PROCESSO ENSINO E APRENDIZAGEM Kelly Cristina Sabadin RESUMO A avaliação da aprendizagem escolar se faz presente em todas as instituições de ensino. É o tema mais abordado pelos educadores de ensino nas ultimas décadas. É uma tarefa didática necessária e permanente da prática educativa. Cabe socialmente a escola, a tarefa de promover o ensino e a aprendizagem de determinados conteúdos de maneira efetiva na formação de seus cidadãos. Dessa forma a escola deve responder a sociedade por essa responsabilidade. Com isso, a avaliação através de notas, conceitos, aprovações e reprovações, fazem parte das decisões que o professor precisa tomar para responder as necessidades de um testemunho oficial e social do aproveitamento do aluno. Nessa perspectiva, a avaliação escolar, será sempre conservadora, mesmo que utilize de instrumentos e atividades inovadoras. Palavras-Chave: Avaliação; Aprendizagem; Professor. 1 INTRODUÇÃO Esse trabalho enfoca a questão da avaliação da aprendizagem no contexto escolar. Com vistas a uma maior compreensão do tema proposto, pretende-se um conhecimento mais aprofundado sobre a avaliação escolar, de modo a explicitar como vem sendo praticada no cotidiano das escolas. Busca-se, através desse estudo, rever a prática da avaliação como elemento do processo no qual o mesmo só se completa com a possibilidade de apontar caminho mais adequado para a construção do conhecimento. 2 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NO CONTEXTO ESCOLAR A prática da avaliação escolar vem sendo criticada, pois na maioria das escolas, os professores se preocupam em avaliar através de testes, ou provas para obter uma nota, quando o aluno vai alem da nota obtida. Percebe-se que a avaliação define-se como um ato de aplicar provas para classificar o aluno. Os textos, opiniões, dados, análises e interpretações, bem como citações, plágios e incorreções, são de responsabilidades legais, morais e econômicas ou outras quaisquer, do/a(s) seu/sua(s) autor/a(es).

2 Após um período de aulas e exercícios escolares, os professores procedem a atos e atividades que compõem o que normalmente é denominado de avaliação da aprendizagem escolar. Para tanto formulam provas, testes ou outro mecanismo qualquer que possa ser utilizado como instrumento por meio do qual o professor solicitados alunos a manifestação de condutas esperadas através da qual, os mesmos possam expressar seus entendimentos, compreensões de conteúdos, hábitos e habilidades ensinadas. Percebe-se que não são muitos os ingredientes que se fazem presentes na elaboração do instrumento de avaliação. Assim elaborados, esses instrumentos são aplicados aos alunos, e estes por sua vez respondem ao que lhes foi solicitado. Muitas vezes os alunos não conseguem entender o que o professor pediu e, então tentam se socorrer com a ajuda do mesmo e geralmente recebem como resposta hoje é dia de prova, não posso dizer nada. Nesse caso o aluno deixa de responder certas questões ou dará qualquer resposta mesmo sem entender. Após a correção das provas, o professor atribuir-lhe um valor, o qual deve corresponder ao nível da aprendizagem manifestada pelo educando. Essa prática de avaliação impossibilita ao aluno de tomar consciência de sua situação em termos de aprendizagem. Normalmente o aluno acaba se adequando a um sistema formal e alienado, no qual aprendeu a sobreviver, sendo muito comum a cola, seja na vertente material, (no papel, na carteira etc.), ou mental, (decoreba). Já no sistema tradicional de avaliação o aluno fica lutando com a nota e com o professor, ao invés de lutar consigo mesmo, se empenhar em aprender. Diante dessa perspectiva, Rodrigues sugere repensar o conceito de ensinar e de avaliar quando afirma: O próprio conceito de avaliação escolar tem de ser repensado, pois, a metodologia tradicional assume uma postura de que ensinar é apenas um ato de passagem de conhecimentos transformando a avaliação em quantificação de conteúdos aprendidos. Quem é avaliado, é o educando, ao qual se atribui uma caracterização em função de sua capacidade de apreensão do saber transmitido. (1985, p. 94). Assim o professor decide criar algumas dificuldades a mais nas provas, tendo em vista seu poder autoritário e a hierarquia estabelecida na escola. Isso vai ao encontro das palavras de Hoffmann, quando afirma: A avaliação tem se caracterizado como disciplina punitiva e discriminatória, como decorrência essencialmente da ação corretiva do professor e os enunciados que emite a partir dessa correção. (1993, p. 28). Diante disso, a avaliação torna-se uma prática de exclusão na medida em que vai selecionando o que pode e deve ser aceito na escola. Funciona como instrumento de controle e de limitação da aprendizagem

3 escolar desvalorizando saberes, contribuindo para que os mesmos sejam apagados e percam sua existência e se confirmem como ausência de conhecimento. Assim, acredito que não são apenas os instrumentos usados que caracterizam uma avaliação como tradicional, conservadora ou autoritária, mas principalmente as formas como esses instrumentos são usados e avaliados. Por outro lado, a burocracia escolar e a dinâmica curricular, são instâncias pedagógicas, cuja responsabilidade de organização cabe aos professores, na sua autonomia de profissionais da educação. Portanto, para resolver os problemas da avaliação escolar, é necessário que os educadores assumam o seu papel de gestores de um Projeto Político Pedagógico para a escola, organizado com coerência interna e externa e em permanente reconstrução. 3 AVALIAÇÃO ELEMENTO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM É impossível falar de avaliação do processo ensino-aprendizagem sem falar no processo como um todo. A avaliação da aprendizagem escolar se faz presente na vida de todos os que estudam, pois, de alguma forma, estão comprometidos com atos e práticas educativas. É uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, a qual perpassa todo o processo fazendo uma interligação entre os diferentes momentos da ação pedagógica. Assim sendo, a avaliação deve acompanhar passo a passo o processo de ensino aprendizagem, sendo uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes desse processo, o qual auxilia o professor a tomar decisões sobre seu trabalho pedagógico. Nesse sentido, Luckesi enfatiza: A avaliação torna-se um instrumento fundamental na medida em que ela seja exercida segundo o seu significado constitutivo. É o julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade para uma tomada de decisões. (1994, p. 172) Nesse sentido, para avaliar, é necessário um diagnóstico que configure o estado de aprendizagem do educando. Só conhecendo a situação como é, podemos compreendê-la para dialogicamente ajudá-lo. 3.1 COMO SE AVALIA A educação é sem duvida uma das tarefas mais delicadas e difíceis na vida dos professores. Muito já tem sido escrito sobre o assunto e, no entanto o tema é sempre atual e sua operacionalização sempre pode ser aprimorada, em busca de maior eficiência no sentido de proporcionar mais benefícios aos alunos e de diminuir sua angustia, temor e até pânico, diante de situações de avaliação.

4 É uma prática de investigação diagnóstica, contínua, cumulativa, sistemática e compartilhada, que se destina a verificar se houve a aprendizagem do aluno, mas também a prática do professor. É a etapa do planejamento em que o professor avalia todo o processo educativo, para confirmar ou redimensionar a sua programação, as relações que se estabelecem em sala de aula e a dinâmica da escola para viabilizar estratégias pedagógicas adequadas à promoção do sucesso escolar. Concebida para proporcionar o avanço do aluno no processo de construção do seu conhecimento e para que o professor repense, adapte e reconstrua o processo de ensino. Segundo Enricone: A avaliação emancipatória é um ato político pedagógico, que proporciona a mudança, o avanço, a transformação, a aprendizagem, a autonomia e não simplesmente a atribuição de notas/conceitos para aprovação/reprovação sem possibilidade de crescimento (2000, p.81). Nessa perspectiva, a avaliação deve ocorrer não somente ao final de etapas que fragmentam o processo, mas durante a condução das práticas docentes. Sendo assim, pode-se considerar a avaliação como um processo educativo capaz de confirmar ou redimensionar a sua programação, as relações que se estabelecem em sala de aula e a dinâmica da escola, para viabilizar estratégias pedagógicas adequadas à promoção do sucesso escolar. 3.2 ENFOQUE PESSOAL SOBRE AVALIAÇÃO Penso que esse tema é de grande relevância no cenário educacional, afinal, é através da avaliação que sabemos e compreendemos nosso andamento desde o princípio de vida escolar. Assim, discordo daqueles professores que mantém uma avaliação muito rude, pois para uma resposta certa, várias outras tentativas devem ser feitas. Durante toda minha vida escolar, a forma de avaliação sempre foi através de notas. Tais notas os professores obtinham através de provas e trabalhos dados em sala de aula. Na minha opinião, o aluno deve ser tratado de forma respeitosa e, principalmente carinhosa. Lembrome de que era assim que eu gostava de ser tratada pelos meus professores. Sempre mantive por eles muito respeito, só que no momento das avaliações, das ditas provas o nervosismo era inevitável. A sensação da cobrança, a insegurança, muitas vezes atrapalhava meu andamento escolar. E isso não aconteceu somente no Ensino Fundamental... Pelo contrário, até mesmo na faculdade, nos dias de avaliação, o nervosismo me acompanhava. Isto porque aprendemos desde cedo que precisamos estudar para tirar boas notas nas provas. Às vezes o principal é esquecido, o aluno precisa estudar para ser um bom cidadão acima de tudo;

5 Precisa ser avaliado sim, mas de maneira que a mesma não atrapalhe seu bom andamento. Espero que haverá um dia em que os alunos serão avaliados também pela ousadia de seus erros e acertos, afinal, isto também é conhecimento. 4 CONCLUSÃO A humanidade presencia uma época marcada por constantes desafios. Nesse cenário onde se descortina o novo milênio, é preciso que a educação seja agente de transformação, fazendo com que a escola esteja comprometida e estimulada a descobrir possibilidades de vivências para esta nova realidade, buscando construir a cidadania incrementando novas formas de sociabilidade. No entanto, a escola inserida nesse contexto, apresenta problemas que precisam ser repensados, dentre eles o fracasso escolar, o qual vem atrelado à avaliação classificatória, seletiva e excludente, através de provas ou de testes mal elaborados. Cabe ressaltar, que a avaliação é necessária em todo processo educativo, e para manifestar-se como tal, deve ser diagnóstica, e não voltada para a seleção, e inclusiva e por si mesma democrática e amorosa. O professor tem o compromisso de despertar no educando o gosto de aprender e não apenas para a prova. Assim sendo, na avaliação não há chegada definitiva, mas sim travessia permanente em busca do melhor caminho para a construção do conhecimento. 5 BIBLIOGRAFIA ENRICONE, Delcia. GRILO, M. e TURRA. C. Construção da prática avaliativa num projeto pedagógico. Relatório de pesquisa. PUCRS. Porto Alegre: HOFFAMANN, Jussara. Avaliação Mediadora. Uma prática em construção da pré-escola a universidade. Porto Alegre: Educação & Realidade, LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar. Cortez, São Paulo, RODRIGUES, N. Por uma nova escola: o transitório e o permanente na educação. São Paulo: Cortez, 1995.

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