V ESTUDO TEMPORAL DA QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO GUAMÁ. BELÉM-PA.

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1 V ESTUDO TEMPORAL DA QUALIDADE DA ÁGUA DO RIO GUAMÁ. BELÉM-PA. Vera Nobre Braz (1) Química Industrial. Mestre em Geoquímica pelo Centro de Geociências da UFPA. Coordenadora do Curso de Ciências Ambientais do Centro Universitário do Pará-CESUPA. Vanessa Souza Álvares de Mello Engenheira Sanitarista. Especialista em Gestão de Sistemas de Saneamento em Áreas Urbanas, NUMA/ UFPA. Mestranda em Saneamento Ambiental e Infra-Estrutura Urbana, pelo PPGEC/UFPA. Endereço (1) : Rua Oliveira Belo 488 Belém Pará - Brasil CEP Tel: (091) RESUMO O presente trabalho busca avaliar através de um levantamento temporal, por um período de 13 anos, a qualidade da água do rio Guamá, em um ponto localizado próximo a sua foz, em frente ao Sistema de Captação de Água Bruta do Complexo Hídrico do Utinga, comparando-se os resultados com os padrões para água Classe 2 da Resolução No 357/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Como conclusão destaca-se que ao longo de mais de uma década as águas do rio Guamá vem sofrendo contaminação de origem fecal, oriunda do lançamento direto de dejetos no seu curso ou no de seus tributários; apesar do rio contribuir para o abastecimento da cidade, a contaminação observada não chega, a prejudicar a qualidade da água distribuída em Belém, pelo fato da água do rio misturar-se às águas dos Lagos Água Preta e Bolonha, que contribuem para que haja uma decantação preliminar, permitindo que o tratamento convencional a que é submetida, ainda seja eficiente. No entanto a carência de saneamento, aliada ao crescimento populacional, tem comprometido os recursos hídricos do sistema hidrográfico da cidade, que apesar de abundantes, vem gradativamente sofrendo os efeitos da carga poluente neles lançada. O levantamento realizado poderá ser útil quando da elaboração do Plano Estadual de Monitoramento da Qualidade da Água. PALAVRAS-CHAVE: Qualidade da Água, Mananciais de Abastecimento, Contaminação. INTRODUÇÃO O sistema hidrográfico de Belém é constituído por dois grandes corpos hídricos: a baía do Guajará e o rio Guamá, cujo divisor de águas é quase imperceptível (Figura 1). A importância do rio Guamá para a cidade de Belém deve-se ao fato de que ele, juntamente com os lagos Água Preta e Bolonha, faz parte do Complexo Hídrico do Utinga, manancial que abastece a cidade. Por outro lado sua bacia hidrográfica está inserida no Plano Estadual de Monitoramento da Qualidade da Água de Bacias Prioritárias, como parte da Bacia Tocantins-Araguaia, cujo estudo está previsto no Plano Nacional de Recursos Hídricos. O estudo temporal proposto, além de identificar alteração na qualidade da água do rio ao longo de mais de uma década, poderá subsidiar parte do Plano de Monitoramento. O rio Guamá antes de juntar-se à baía do Guajará, sofre uma inflexão para norte numa extensão de 29 km, até a confluência do rio Maguari. No trecho que corre de leste para oeste, ao sul de Belém, a largura média do rio é de m, ao passo que no trecho em direção ao norte é de m (PMB, 2001). Este rio e seus afluentes sofrem influência das marés oceânicas, recebendo constantes sedimentos da baía de Guajará com suas águas barrentas e, temporariamente, salobras no ápice do verão. A oscilação de suas águas, provocando variações sazonais, chega a alagar parte das dezenas de ilhas da região e eleva o nível da água dos canais, inclusive alagando alguns setores da cidade (PMB, 2001). Essa situação, aliada a outros parâmetros ambientais e antropogênicos, é prejudicial ao abastecimento público, pois grande parte da água distribuída à população de Belém é aduzida do rio Guamá para o Lago Água Preta e daí para o lago Bolonha de onde é então captada e transportada para as Estações de Tratamento de Água do Bolonha, de São Brás e do 5º Setor. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 1

2 Figura 1: Sistema Hidrográfico de Belém-PA As áreas marginais dos principais canais da bacia hidrográfica do rio Guamá, localizadas no distrito de Belém, têm sido alvo de invasões por grandes contingentes populacionais. Tais áreas são desprovidas de saneamento ou o tem de modo precário, o que contribui para a deterioração dos cursos d água. Além do lançamento de resíduos líquidos, diretamente nos canais, há o agravante do lançamento de lixo, pela ausência de coleta regular em áreas denominadas de baixadas (terrenos com cota inferior a 4 metros). Deste modo podem ser encontrados nos canais desde restos de matéria orgânica, plásticos, latas, até colchões e sucatas de eletrodomésticos. Este trabalho busca avaliar, através de um levantamento temporal, a qualidade da água do rio Guamá, em um ponto localizado próximo a sua foz em frente ao Sistema de Captação de Água Bruta do Complexo Hídrico do Utinga (Figura 2), por um período de 13 anos, comparando-se os resultados com os Padrões para água Classe 2 da Resolução No 357/05 do CONAMA. O levantamento realizado poderá ser útil quando da elaboração do Plano Estadual de Monitoramento da Qualidade da Água. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 2

3 Figura 2: Localização dos mananciais de abastecimento com destaque para áreas de potencial fonte de contaminação. Ponto de Coleta Fonte: CODEM, METODOLOGIA A avaliação foi realizada através da análise e interpretação de estudos efetuados por JESUS & PARANHOS (2003), COSANPA (2002), MOREIRA (2001) e BRAZ (1997), no rio Guamá, em um ponto comum a todos os trabalhos, localizado próximo a sua foz e em frente ao Sistema de Captação de Água Bruta do Complexo Hídrico do Utinga. Figura 2. Do período de treze anos, as médias dos resultados referem-se aos anos de 1990, 1994, 1995, 1996, 1999, 2002 e ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 3

4 Dos parâmetros estudados, os selecionados para análise temporal foram: Temperatura, ph, Cloreto, Oxigênio Dissolvido, DBO, Nitrogênio amoniacal, Nitrato e Coliformes Fecais. Os valores utilizados referem-se às médias das análises anuais de cada trabalho. RESULTADOS E DISCUSSÃO As médias anuais dos resultados encontram-se listados na Tabela 1. Tabela 1 - Média dos resultados das análises realizadas entre os anos de 1990 a Parâmetros Padrão CONAMA Classe 2 T ( C) 27, ph 5,8 5,9 5,8 5,7 6,0 6,5 4,9 6,0 a 9,0 Cl - (mg/l) 18,2 12,3 19,7 7,1 6,5 11,3-250 OD (mg/ l O 2 ) 5,9 6,3 5,5 5, ,0 > 5 mg/l DBO (mg/ l O 2 ) < 5 < 5 < 5 < Até 5 mg/l Nam (mg/ l Nam) 0,05 0,05 0,07 0,10 0, ,02 mg/l NO 3 (mg/l N) <0,02 <0,02 0,02 0,02 0,02 0,02-10 Coli Fecais 3,9 x ,6 x ,2 x ,0 x ,5 x ,2 x Fonte: JESUS & PARANHOS (2003), COSANPA (2002), MOREIRA (2001) e BRAZ (1997). A temperatura da água do rio Guamá tem se mantido com valor médio de 28ºC, normal na região, da mesma forma que o ph, com variação de 5,7 a 6,5. O valor de 4,9 apesar de mais baixo, não raro é encontrado em rios amazônicos. Com a influência sofrida pelas águas da baía de Guajará, e, por conseguinte das marés oceânicas, em períodos de estiagem os valores de cloretos se elevam no rio Guamá, não chegando, entretanto ao limite recomendado pelo CONAMA para águas Classe 2. A variação sofrida naqueles períodos não chega a refletir nos valores médios, observados na Tabela 1. A presença de matéria orgânica, refletida nos valores de OD e DBO, vem se mantendo em níveis aceitáveis, apesar do acréscimo de lançamento de efluentes domésticos no rio, decorrentes do aumento populacional e falta de saneamento. Um ligeiro aumento no valor de DBO pode ser observado em 2003 como se verifica na Figura 3. Figura 3: Comparação dos valores de DBO, no período de 1990 a 2003, com o padrão CONAMA, Classe DBO CONAMA Nº 357/05 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 4

5 A Figura 4 mostra os valores elevados de nitrogênio amoniacal, duas a cinco vezes o recomendado pelo CONAMA, que vem sendo encontrados ao longo dos anos, com acréscimo acentuado em 1996 e tendência a decréscimo em O mesmo não tem acontecido com os Nitratos cujos valores se encontram bem inferiores aos preconizados para a Classe 2 do CONAMA. Figura 4: Comparação dos valores de Nam, no período de 1990 a 2003, com o padrão CONAMA, Classe 2. 0,1 0,08 0,06 0,04 0, CONAMA Nº 357/05 0 Nam São os valores de Coliformes Fecais os mais distantes dos recomendados pelo CONAMA. Resultados médios da ordem de 10 4, que não são aceitáveis para águas Classe 2, foram obtidos nos anos de 1990, 1994, 1995, 1996, 1999 e Pode ser verificada uma discreta tendência de decréscimo nos valores médios encontrados, se observados os anos citados (Figura 5). Entretanto, o crescimento populacional aliado à falta de saneamento, tem sido responsável, a mais de uma década, pelos elevados valores de Coliformes Fecais encontrados nas águas do rio Guamá, apesar dos mesmos fatores não terem tido influencia notável nos valores de OD e DBO, como comentado anteriormente. Figura 5: Comparação do log da média dos valores de Coli Fecal, no período de 1990 a 2003, com o padrão CONAMA, Classe ,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 Coli Fecal CONAMA Classe 2 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 5

6 CONCLUSÕES Os resultados demonstram que ao longo de mais de uma década as águas do rio Guamá vem sofrendo contaminação, principalmente de origem fecal, oriunda do lançamento direto de dejetos no seu curso ou no de seus tributários. Pelo fato da água do rio sofrer mistura com a dos Lagos Água Preta e Bolonha, onde os índices sofrem decréscimo por efeito de diluição, antes de chegar às estações de tratamento locais, a contaminação observada não chega, ainda, a prejudicar a água de abastecimento de Belém. No entanto a carência de saneamento aliada ao crescimento populacional, tem comprometido os recursos hídricos do sistema hidrográfico da cidade de Belém, que apesar de abundantes vem gradativamente sofrendo os efeitos da carga poluente neles lançada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BRAZ, V.N., MENEZES,L.B.C., OLIVEIRA, M. Situação atual dos lagos do complexo hídrico do Utinga, Belém-Pa, em relação aos parâmetros bioquímicos e bacteriológicos. In: 19º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. Foz do Iguaçu, 1997 p COSANPA, Companhia de Saneamento do Pará. Controle diário das análises físico-químicas e bacteriológicas do manancial do Utinga. Belém, JESUS, M. S. E PARANHOS, P. F. Caracterização dos resíduos líquidos lançados nos principais canais das bacias hidrográficas que deságuam no Rio Guamá. Belém: UFPA, Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Sanitária). 4. MOREIRA, D. M. Avaliação da Qualidade da Água Distribuída na cidade de Belém. Belém: UFPA, Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Química). 5. PMB, Prefeitura Municipal de Belém. Plano Estratégico Municipal para Assentamentos Subnormais. Parte II: Diagnóstico Institucional do Município de Belém-Pará. Belém: SEGEP, ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 6

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