FORMAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA NA ESCOLA: NOVAS PERSPECTIVAS CULTURAIS

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1 FORMAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA NA ESCOLA: NOVAS PERSPECTIVAS CULTURAIS Valmir Silva 1 Amarildo Luiz Trevisan 2 Resumo: O presente trabalho pretende abordar alguns aspectos culturais num olhar crítico pósmoderno, no qual os alunos possam desenvolver na escola uma cultura mais de acordo com o seu modo de vida. Nesse sentido, a Pedagogia como arte de instruir e educar, pode ser um veículo de reflexão, sistematização, ordenação, e crítica do processo educativo. Através deste trabalho, o educador poderá construir no processo educacional uma perspectiva formativa do cidadão. Assim, a educação, enquanto imaginário social, poderá interagir na ótica que objetiva transpassar a mímesis, o conceito, a estética, e a formação cultural. Nisso surgem várias interrogações sobre as idéias que o indivíduo cotidianamente enfrenta, fazendo com que a opinião pública seja valorizada quanto ao homem e seu destino, fundamentado numa razão que se mova no objetivo do próprio existir e do existir com o outro. Desse modo, o ser humano poderá tornar-se agente ativo na construção de novos conhecimentos e identidade própria. Com enfoque metodológico da hermenêutica filosófica de Gadamer, Habermas e da teoria da Escola de Frank Furd, segundo Adorno, busca-se reconstruir o poder educativo das imagens enquanto produtora de cultura e saber num olhar crítico formador da autenticidade, do entendimento filosófico e educacional. Assim, a interpretação inovadora do conceito de opinião pública, possibilitará uma ação pedagógica que vise uma transformação social educativa. Palavras-chave: Filosofia. Formação. Cultura. Imagem. Considerações iniciais A toda hora propagandas veiculadas em outdoor, televisão, rádio, jornal, revistas e internet, convidam as pessoas a experimentar um determinado produto ou serviço. As mensagens têm algumas características marcantes, são curtas, diretas e positivas, destacando com avidez o discurso publicitário. Analisar estas estruturas da linguagem publicitária, identificar as estratégias das campanhas de publicidade, discutir o consumismo atual, assim como as influências da cultura imagética na vida do sujeito, são questões desafiadoras para o 1 Acadêmico Curso Pedagogia Educação Infantil CE/UFSM 2 Prof. Dr. Filosofia da Educação CE/UFSM

2 2 educador. Nesta perspectiva, é fundamental que se busque alternativas através de uma racionalidade crítica tendo como objetivo a formação de opinião crítica na escola. Para isso, é necessário entender que o desempenho da cultura atual, influenciada pela produção da mídia convergente, estabeleceu uma relação direta com o consumo e a indústria do entretenimento. Considerando esse contexto, o educador pode buscar alternativas através de recursos da própria mídia a fim de auxiliar os alunos a interpretar o sistema de linguagem, largamente utilizados pelos mecanismos midiáticos, de forma predominante na sociedade do espetáculo. Partindo desse ponto, se faz necessário refletir sobre a possibilidade de compreensão dos efeitos desta cultura na prática educativa. A construção de textos e objetos pedagógicos, principalmente oficinas didáticas, documentários, jogos, vídeos formativos, entre outros, visando abordar criticamente este contexto predominante, pode ser melhor interpretado se for abordado numa perspectiva da ação comunicativa e da hermenêutica filosófica. Buscando com isso, auxílio à renovação de métodos e processos de ensinar e de aprender no interior das instituições formativas, com vistas à formação discursiva da opinião pública, esclarecer e colaborar na produção de um saber pedagógico mais comprometido com a reflexão sobre a cultura das imagens. Neste sentido, está sendo desenvolvido junto à Escola Municipal Vicente Farencena, na cidade de Santa Maria/RS, oficinas direcionadas aos professores e alunos, a fim de esclarecer a importância da filosofia na interpretação e decodificação da linguagem publicitária. A primeira oficina foi elaborada para os professores trabalharem com alunos da quinta a oitava série, com o tema: Leitura de Textos Publicitários: O Poder da Imagem. A segunda, para alunos do primeiro ao quarto ano, com o tema: Infância, Filosofia e Imagem, Pensar Também se Aprende na Escola. Com este trabalho, torna-se mais fácil e coerente trabalhar o clima de incertezas e a dificuldade de sentir ou representar o mundo pós-moderno. Pois, diante da sensação de irrealidade, da desordem e do vazio, a sociedade se torna cada vez mais individualista e passiva, não encontrando na maioria das vezes valores e sentido para a vida, pois se entrega ao prazer imediato e ao consumismo. Logo, não desenvolve pensamentos reflexivos, mas apenas respostas rápidas e adequadas à era do consumismo exagerado. Como visto, se o mundo globalizado se articula através dos signos, das imagens do espetáculo e dos diferentes tipos de linguagem, é necessário refletir sobre possíveis alternativas didáticopedagógicas, desencadeando possibilidades de leitura crítica diante do condicionamento mercadológico e da racionalização. Certamente as imagens veiculadas pelas diferentes formas de comunicação midiática, deliberadamente criada por um grupo de especialistas para servir a determinados propósitos, potencializadas no sentido educativo, podem ser enriquecedoras no

3 3 desenvolvimento do aluno, possibilitando assim o encontro com o sentido próprio do que visualiza-se cotidianamente, relacionando-se de maneira crítica com o todo da sociedade. A leitura e a interpretação de imagens como atividade humana na escola, sem dúvida pode proporcionar uma compreensão do meio social em que o estudante vive e do qual participa. Neste contexto da formação da opinião pública na escola, segundo Salvador (1990, p.23), a linguagem é um dos elementos fundamentais, pois, ela é considerada um conjunto de sinais e signos, podendo ser verbais ou não-verbais, apresentando características especificas de composição. Além disso, são adequadas para veículos específicos, épocas e situações adequadas. Na formação cultural do consumo, a mídia se apropria da linguagem como forma de persuasão, partindo do princípio de que o homem seja o único animal capaz de criar símbolos representacionais e convencionais. A linguagem é portanto, um dos principais instrumentos na formação do mundo cultural. Pois, ela é ferramenta reguladora por excelência da ação e do pensamento, adquirindo uma função mediadora quando utilizada como instrumento para executar diferentes formas de pensamento no domínio da interação social. A linguagem também é considerada o principal agente no processo de interiorização das necessidades de comunicar aos outros a representação própria, e dando lugar às mesmas conseqüências, que são as necessidades de revisar a representação e o ponto de vista próprio. Isso dará ao aluno oportunidade de aprender a utilizar a linguagem em todo o seu valor instrumental, isto é, utilizar a linguagem do outro para guiar as ações próprias, e, sobretudo, a utilizar a linguagem interior para guiar as próprias ações. Assim, incentivar a construção de objetos pedagógicos, frente aos diferentes tipos de imagens e signos produzidos pela indústria da cultura, poderá contribuir com o ideal da educação que se compromete cada vez mais com a formação do sujeito crítico e autônomo. Com isso, sem dúvida a escola estará criando mecanismos para tentar romper com as práticas da indústria cultural da qual invadiu todos os domínios da vida, criando uma realidade artificial. Visto que, com a queda de grandes ideais da modernidade, existe uma forte tendência no mundo da cultura a minimizar o poder de alcance das teorias, em que a marca maior é dada ao privilégio da tradução e comunicação dos benefícios do mundo do conhecimento sistematizado para o mundo vivido. A reflexão sobre a estética a imagem e a linguagem está associada a esse momento de manifestação do pensamento, predominando imagens fugas, flexíveis e desconstrutivas, que guardam uma relação direta com o consumo e a fruição estética dos sentidos e que têm um forte apelo visual. Essas mudanças provocam uma série de repercussões no ambiente educativo, uma vez que inúmeros procedimentos usuais estão envolvidos nas tradições que procuram justificar as suas práticas, a partir das metanarrativas

4 4 modernas que apostavam de diferentes maneiras na formação do sujeito: racional e emancipado. Diante do panorama das grandes fábulas do progresso e da modernidade amparado nas descobertas da ciência e na transformação técnica do meio natural, leva a educação a se perguntar: Até que ponto o mundo da cultura imagética, das celebridades instantâneas e do culto da bela aparência, que são símbolos e ícones da sociedade de consumo, opera contra a formação da opinião pública crítica? Para tentar responder indagações como essas é necessário desenvolver algumas iniciativas, que demarquem uma série de experiências, as quais visem subsidiar e estimular o seguimento das atividades, observar e investigar alguns aspectos da atual situação do ensino de Filosofia e averiguar a importância que os professores atribuem às imagens e à forma da linguagem no processo do seu fazer pedagógico. Pois, a mudança da cultura conceitual para a imagética configura-se em uma nova atmosfera cultural, em que cabe à Pedagogia a tarefa de educar o aluno a ler e interpretar as entrelinhas dos signos e símbolos midiáticos. Essa nova forma de conhecimento pode encontrar sua justificativa em Jameson (2001), que aponta para o fato de que a cultura atual não está mais presa às sentenças da alta cultura, e sim mesclada no cotidiano e nos produtos mercadológicos. Certamente essa mudança paradigmática revela que o modelo moderno não preenche suficientemente as exigências do paradigma vigente, uma vez que a dinâmica da sociedade atual se processa não mais pelo domínio dos códigos da oralidade e da escrita simplesmente, mas pelo papel atribuído às imagens e a estética. Assim, de acordo com o ponto de vista de Jameson, a atual era pós-moderna parece estar experimentando um retorno geral à estética (...) no momento em que as exigências trans-estéticas da arte moderna parecem ter sido totalmente desacreditadas (2001, p.102). E o que se vê hoje na sociedade do espetáculo é o mundo do simulacro e da aparência, formando a personalidade das novas gerações. Para tentar romper com este paradigma vigente se faz necessário uma leitura reflexiva e filosófica da cultura das imagens, proporcionando aos alunos condições de valorizar os sentidos estéticos e éticos da vida, refletindo sobre o seu uso intencional e funcional. Essa perspectiva faz com que o sujeito repense seus conceitos e atitudes frente ao mundo que se apresenta, estabelecendo e construindo novos valores para a relação social e a harmonia entre os homens. Considerações finais É importante entender e procurar superar um dos principais obstáculos à formação da opinião pública na escola, a indústria cultural, que na perspectiva de Adorno, nada mais é que

5 5 um real negócio: Por exemplo, filme e rádio se autodefinem como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos tiram qualquer dúvida sobre a necessidade social de seus produtos. A participação de milhões em tal indústria impõe métodos de reprodução que, por seu turno, fazem com que inevitavelmente, em inúmeros locais, necessidades iguais sejam satisfeitas com produtos estandardizados. Na realidade, é neste círculo de manipulações e necessidades derivadas, que a unidade do sistema se restringe sempre mais. A racionalidade técnica hoje é a racionalidade do próprio domínio, e o caráter repressivo da sociedade que se auto-aliena. Neste sentido, quanto mais sólidas se tornam as posições da indústria cultural, tanto mais brutalmente esta pode agir sobre as necessidades dos consumidores, produzindo-as, guiando-as e disciplinando-as. Neste sentido, a teoria da comunicação de Habermas parte de um princípio de acordo, onde não haja coação na medida em que requer dos participantes iguais oportunidades de posições. A hipótese que aqui é levantada diz respeito à ampliação do diálogo até o nível de trocas dialógicas midiáticas, sobretudo no diálogo com o mundo das imagens. Com isto, modifica-se a concepção na qual um público meramente passivo é vítima de mensagens produzidas por forças ocultas e obscuras. A Teoria da Ação Comunicativa pode reabilitar o uso da racionalidade prática, tematizando a razão comunicativa embutida no mundo vital, visando a intersubjetividade. Habermas se baseia nas condições comunicativas nas quais pode ocorrer uma formação discursiva da vontade e da opinião de um público formado pelos cidadãos. Retoma o projeto histórico-filosófico da modernidade atribuindo a opinião pública à função de legitimar o domínio político por meio de um processo crítico de comunicação sustentado nos princípios de um consenso racionalmente motivado. Neste viés, propõe-se uma interpretação dos conceitos de imagem e opinião pública, recuperando as raízes históricas dos termos, em direção a novos horizontes interpretativos. Através da interpretação, busca-se reconstituir o poder educativo das imagens, e da linguagem por intermédio da sua compreensão no contexto do entendimento filosófico, lançando-se no desafio de produzir sentido por meio de discussões reflexivas e críticas. A seguir, dois modelos de oficinas didático-pedagógicas desenvolvidas aos professores da Escola Pública Vicente Farencena da cidade de Santa Maria RS. Este trabalho está sendo trabalhado em função do projeto Formação da Opinião Pública na Escola: Novas Perspectivas Culturais, financiado pelo Prolicen, Programa de Licenciaturas, FAPERGS, CNPQ, FIEX, e FIPE 2006,.

6 6 Plano de aula (01) Escola: Vicente Farencena Disciplina: Filosofia da educação Série: 5º a 8ª Data: 21/06/2006 Unidade didática: conceitos e valores Quantidades de aulas: 01 Objetivos: Estudar textos não-verbais; analisar a estrutura da linguagem publicitária; identificar as estratégias das campanhas de publicidade; discutir o consumismo atual; assim como as influencias da cultura imagética na vida do sujeito; formação de opinião crítica; e a elaboração de uma campanha publicitária utilizando os recursos aprendidos em aula. Material necessário: Cópia da ilustração do plano de aula, revistas e jornais para coleta de anúncios publicitários, cartolinas, tintas, lápis de cor e cola. Introdução à oficina: A toda hora propagandas veiculadas em outdoor, televisão, rádio, jornal, revistas e Internet, convidam as pessoas a experimentar um determinado produto ou serviço. As mensagens têm algumas características marcantes, são curtas, diretas e positivas. E as imagens têm grande destaque no discurso publicitário,um dos maiores exemplos são os outdoors. Importante instrumento de persuasão. Didática: Os slogans são feitos para ficar na cabeça. Pergunte aos alunos quais anúncios publicitários de que eles se lembram. Peça que levantem hipóteses para explicar porque essas propagandas ficaram guardadas na memória e outras não. Depois faça com a turma uma seleção dos slogans mais famosos e populares e escreva no quadro negro. Apresente, então, os slogans de Dove, Coca-Cola e da McDonald s. Para começar destaque o anúncio de Dove. Mostre como o slogan foi elaborado com base numa estratégia de raciocínio conhecida como silogismo. Na primeira frase esta estrutura de pensamento é apresentada como frase absoluta e irreversível (a premissa maior) O sol nasceu para todas Na segunda frase a premissa menor Dove verão. Trata bem todas as mulheres. A mulher que lê o anúncio deduz que o sol nasceu para ela. Por último, a conclusão: se o sol nasceu para todas as mulheres, todas devem usar Dove, inclusive ela!. Mostre, a seguir, outros recursos de linguagem que estão presentes no discurso publicitário: Intertextualidade. O anúncio remete a canção, poema, ditado ou outro anúncio famoso. Personificação. Características humanas são atribuídas a objetos e animais. Muito utilizadas em campanhas direcionadas ao público infantil. Pronomes de tratamento da segunda pessoa. Exemplo: Você não pode perder esta promoção.

7 7 Vocativos: Exemplo: Mãe, o shopping Santa Maria é show!. Imperativo. Exemplo: Compre já!. As imagens têm o poder de persuadir o leitor. Hora de falar da importância de ilustrações e animações na propaganda. Pergunte aos alunos o que significa a imagem verde da Coca-Cola no meio da terra seca da caatinga. Vá anotando no quadro negro todas as respostas. Estimule os alunos perguntando por que das rachaduras no solo. E o que elas remetem ao consumidor. Por que a garrafa do produto é somente sugerida pelo contorno verde. Será que significa que Coca-Cola é a salvação para quem tem sede. Será que os alunos sabem explicar a escolha da cor amarela na propaganda de Dove e dos tons suaves no anúncio do McDonald s? E o logotipo da rede dentro de uma maçã? Provoque um debate e vá anotando as respostas no quadro negro. Considere as respostas e ajude nas conclusões explicando que o tom amarelo no anúncio de Dove está associado ao verão. E que o McDonald s, famoso por seus hambúrguer e batatas frita, procura agora mostrar ao consumidor que se preocupa com a saúde. Por isso utiliza um visual laity para demonstrar sensação de leveza e bem estar. E a maçã esta implicitamente associada à saúde. Pergunte a turma: será que o novo cardápio e a campanha publicitária é uma resposta à má fama dos fast foods? Explique que a publicidade trabalha com padrões de beleza estereotipados e destaque que a campanha de Dove foge destes padrões como estratégia de impacto.(exemplo de slogan da Dove: Dove testou seus produtos em mulheres de verdade, pois, se elas fossem perfeitas, não precisariam) Questione se este artifício funciona, e por quê? Discuta outros estereótipos utilizados nos comerciais, como o homem branco bem-vestido que passa a idéia de honestidade e as mulheres com corpo escultural sempre presente nos comerciais de cerveja. Será que algum aluno já se sentiu motivado a comprar algo depois de ver um comercial? Peça aos jovens que justifiquem suas últimas compras. Para concluir, lembre à turma: ainda que os argumentos mostrados por uma campanha publicitária pareçam lógicos, os apelos serão sempre emocionais. Debata com os alunos essa questão e peça a eles que criem novas campanhas para os produtos presente nas ilustrações. Sugestão de filme para assistir com a turma SUPER SIZE ME A DIETA DO PALHAÇO, Estados Unidos 2003, direção de Morgan Spurlock. Documentário Americano sobre o impacto da alimentação regular no McDonald s.

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9 9 Plano de aula (02) Escola: Vicente Farencena Disciplina: Filosofia da educação Série: 1º a 4ª Data: 10/08/2006 Unidade didática: valores Número de aula: 01 Vassoura é coisa de mulher? Justificativa: A partir deste questionamento em sala de aula, se fez necessário elaborar uma atividade a fim de esclarecer alguns valores e pré-conceitos formados muitas vezes por questões culturais. Pois, a criança se desenvolve melhor dentro e fora da escola quando reflete sobre o mundo e entendem o sentido do que diz e faz. Para justificar esse pensamento e a metodologia da oficina proposta, se faz referências ao filósofo Tomas de Aquino, que seguindo o princípio aristotélico de que cabe à razão ordenar e classificar o mundo para entendê-lo, defendeu que existem dois tipos de conhecimentos: o sensível captado pelos sentimentos e o intelectivo, que se alcança pela razão. Pelo primeiro tipo só se pode conhecer a realidade com a qual se tem contato direto. (Família, mídia, comunidade local, realidade social a que está inserido etc.). Pelo segundo, pode-se abstrair, agrupar, fazer relações e, finalmente alcançar a essência das coisas. (a escolar). O processo de abstração que vai da realidade concreta até a essência universal das coisas é um exemplo da dualidade entre ato e potência. Disso se encarrega o que Aquino chama de inteligência ativa, em complementação, a uma inteligência passiva, com a qual cada um pode formar os próprios conceitos. Por que o aluno quando questionado é capazes de dar respostas criativas e de refletir sobre o mundo. E neste mundo há regras. Na maioria das sociedades, a criança aprende regras e padrões de comportamento básicos da sociedade desde os primeiros anos de vida. Ela aprende então a discernir se uma dada ação é certa ou errada. A vida social da criança passa a ser cada vez mais importante, e regras básicas da sociedade são mais bem compreendidas. A racionalização também é uma habilidade que é aprendida e constantemente melhorada. Assim, a própria criança passa a analisar os padrões de comportamento ensinados pela família e sociedade. Para que isso aconteça é necessário que se dê abertura em sala de aula, e os conteúdos sejam ensinados de forma que a criança reflita sobre o que está aprendendo. Objetivo: Estimular os alunos a refletir sobre: valores e pré-conceitos pelo viés da cultura. Didática: Os alunos são dispostos em círculo para que todos possam ver quem está falando. O ambiente de preferência confortável e descontraído para que todos fiquem bem à vontade.

10 10 Para quebrar a rotina convide-os para sentarem-se no chão. Dê a eles um envelope contendo uma imagem, diga que dentro do envelope tem uma imagem secreta e só poderá ser mostrada ao grupo quando seu nome for chamado. As imagens devem ser de objetos como: fogão, vassoura, carro, martelo, abelha, panela, árvores, rios, cachorro, carrinho de bebê, mesa de escritório, professor, praças, jardins, pia de cozinha, etc. De preferência imagens de objetos que estejam presentes no cotidiano das crianças. Vá chamando aleatoriamente os alunos. E para incentivar o diálogo faça perguntas como: Marcos, diga ao grupo que objeto é o seu. De onde você conhece? Qual sua utilidade? Ele é de homem, de mulher ou de ambos os sexos? Qual a relação que ele tem com seu dia-a-dia? As perguntas devem ter relação com o objeto em questão. A maneira de perguntar deve ser descontraída, procurando estimular e explorar ao máximo o conhecimento de cada aluno, sem induzir as respostas. Após todos exporem seus objetos, elaborar perguntas relacionadas aos assuntos tratados, colocar em uma caixa e distribuir, neste momento fazer uma análise do grau de abstração e compreensão da criança. Conclusão: Em um primeiro momento as respostas podem refletir as idéias adquirias no ambiente familiar de onde a criança traz valores que julga serem corretas sem saber o porque. Estas idéias podem estar sendo reforçadas por uma cultura adquirida através das novelas, filmes, desenhos animados, ambiente familiar, etc. Cultura, como nós a entendemos, diz respeito ao modo de ser e de viver dos grupos sociais: a língua, as regras de convívio, o gosto, o que se come, o que se bebe, o que se veste vão formando aquilo que é próprio de um povo. Em um país como o Brasil, tão diverso, tão grande, com tantas expressões diferentes, com tantos jeitos de ser, de brincar, de conviver e rezar, que vão se modificando de lugar para lugar, e a toda hora, não podemos falar de uma única cultura, mas das muitas culturas que o formam. Diante de tudo que apontamos, será ainda possível falar de educação sem integrá-la à questão cultural? Certamente não. E é não porque a educação é resultado das práticas culturais dos grupos sociais. O próprio processo de ensinar e aprender revela essas práticas. Alunos e professores trazem suas bagagens e histórias. Confrontos, trocas, negações e reafirmações de culturas pulsam o tempo todo nesse convívio. Se não houver um saber pronto e acabado a ensinar, a educação tem suas chances de sucesso ampliadas. Se o saber em construção for inclusivo das diferenças, renovam-se as esperanças de que na escola se entenda como afirma Carlos Rodrigues Brandão (2001, p.35) que educar é fazer perguntas e que ensinar é criar pessoas em que a inteligência venha a ser medida, mais pelas dúvidas mal formuladas, do que pelas certezas bem repetidas. De que aprender é construir um saber pessoal e solidário, através do diálogo entre iguais sociais culturalmente diferenciados. Com

11 11 o passar do tempo os alunos poderão avançar para questões mais subjetivas criando opinião própria. Para levar a criança a avançar no raciocínio, as maiores armas do professore é a pergunta e a imparcialidade como mediador das discussões. Sugestão: Para um próximo encontro, sugira a idéia de cada aluno trazer um objeto de casa. Isso vai dar oportunidade deles se conhecerem melhor e também do professor saber um pouco mais da realidade familiar dos alunos. Como meio de estimular o diálogo faça as seguintes perguntas. Que objeto é esse? Qual sua utilidade? Quem mais usa em sua casa? Por quê? Qual a relação que ele tem com seu dia-a-dia? O que você faria se não o tivesse? Referências bibliográficas ADORNO, T. A indústria cultural. In: COHN, Gabriel. (Org.). Comunicação e indústria cultural: Leituras de análise dos meios de comunicação na sociedade contemporânea e das manifestações da opinião pública, propaganda e cultura de massa nessa sociedade. São Paulo: Cia. Editora Nacional Ed. da USP, Série 2ª, V. 39, Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, Educação após Auschwitz. In: COHN, G. (Org.). Theodor W. Adorno. São Paulo: Ática, GADAMER, H.-G. Verdad y método. Fundamentos de una hermenéutica filosófica. Vol. I. 6ª. ed. Salamanca: Sígueme, HABERMAS, Jürgen. Dialética e hermenêutica. Para a crítica da hermenêutica de Gadamer. Porto Alegre: L&PM, HABERMAS, J. Comunicação, opinião pública e poder. In: COHN, Gabriel. (Org.). Comunicação e indústria cultural: Leituras de análise dos meios de comunicação na sociedade contemporânea e das manifestações da opinião pública, propaganda e cultura de massa nessa sociedade. São Paulo: Cia. Editora Nacional Ed. da USP, Série 2ª, V. 39, JAMESON, Frederic. A cultura do dinheiro: Ensaios sobre a globalização. Trad. De Maria Elisa Cevasco e Marcos César de Paulo Soares. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001 SALVADOR, César Coll. Aprendizagem Escolar e Construção do Conhecimento. São Paulo: Cia Editora, 1990.

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