FÓRMULA 1 E CIDADES: O ESPORTE-ESPETÁCULO NAS ESTRATÉGIAS EMPRESARIAL E TERRITORIAL 1

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1 FÓRMULA 1 E CIDADES: O ESPORTE-ESPETÁCULO NAS ESTRATÉGIAS EMPRESARIAL E TERRITORIAL 1 Vitor Hugo dos Santos Teixeira Universidade Federal Fluminense Resumo A partir dos anos 2000, a Fórmula 1 como um evento esportivo de exibição mundial, passou a ser disputada pelos governos locais de cidades que almejam o status global. Sendo um esporte historicamente elitista, se encaixa perfeitamente no modelo de cidade que emergiu no pós-crise, onde a diferenciação é uma característica chave. Os carros, a velocidade e a tecnologia de ponta da categoria mais importante do automobilismo mundial são símbolos que, na visão empresarial de seus organizadores e das administrações locais, agregam valor à marca da cidade, podendo assim ser vendida como um produto para a elite global, através, sobretudo, do mecanismo institucional do City Marketing. Palavras-chave: Megaeventos Esportivos, City Marketing e Cidades Globais. Grupo de trabalho nº 12 O local e o global na produção da cidade espetáculo: retóricas, coalizações e resistência popular. 1 Trabalho sob orientação da Prof.ª Dr.ª Fernanda Ester Sánchez Garcia do PPGAU EAU/UFF/RJ.

2 "A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer." (Airton Senna da Silva) 1. Introdução O presente trabalho tem como objetivo compreender como a Fórmula 1 vem servindo ao empresariamento urbano, modelo de gestão das cidades que tem como característica se utilizar de grandes eventos para se legitimar. Como a categoria mais avançada do esporte a motor, a Fórmula 1 mobiliza milhares de profissionais em diversos países, alcança milhões de espectadores em todo o mundo e demanda enormes investimentos financeiros. Essa categoria esportiva tornou-se um verdadeiro fenômeno global e representa um segmento importante para análise da influência no desenvolvimento de estratégias de promoção e venda de novas cidades dentro de um cenário mundial, através, sobretudo, do mecanismo institucional do City Marketing (SÁNCHEZ, 1997). A gestão empresarial das cidades surgiu no início da década de 70, com o aumento da desindustrialização e do desemprego nas grandes cidades do mundo capitalista avançado. Fortaleceu-se assim o discurso dos benefícios da racionalidade do mercado e da privatização, e de que um comportamento empresarial e competitivo seria a saída para essa cidade em crise. Um ambiente mais flexível ao desenvolvimento pósindustrial, focado em turismo e serviços, dinamizaria a economia local e atrairia vultosos fluxos de investimento. A esse movimento o geógrafo britânico David Harvey (1989) chamou de empresariamento urbano, que viria a substituir o gerenciamento das décadas anteriores. Se alguma cidade pode ser considerada símbolo da recuperação através do empresariamento é Barcelona. Além do legado (palavra desde então incorporada ao vocabulário dos políticos) deixado pelos Jogos Olímpicos de 1992, houve um esforço intenso para vendê-la como um modelo a ser seguido. Os sociólogos Jordi Borja e Manuel Castells, patrocinados por agências multilaterais, estiveram presentes em seminários em todo o mundo e produziram documentos que são verdadeiras receitas para as cidades (VAINER, 2000). É nesse contexto que a Fórmula 1, como um evento esportivo de exibição mundial, passou a ser também disputada pelos governos locais de cidades que almejam o status internacional. Novas etapas têm sido incluídas no calendário ano após ano, ou 2

3 em corridas extras ou em substituição às antigas. Grandes Prêmios (GPs) tradicionais como os de San Marino e França cederam espaço para Bahrein, China, Turquia, Singapura, Valência, Abu Dhabi, Coreia do Sul e Índia. O ano de 2012 teve o maior número de corridas da história do Campeonato Mundial: 20 (ver mapa 2). Portanto, procuraremos mostrar neste artigo como o empresariamento urbano encontrou na Fórmula 1 um microcosmo perfeito, no qual, inseparavelmente, são desenvolvidas diversas atividades econômicas, políticas e culturais. Além disso, entendemos que o circuito mundial dessa categoria automobilística representa um antro laboratorial global de pesquisas tecnológicas, não só relacionadas ao esporte em si, mas também na produção e promoção de novos territórios com fins empresariais. 2. Globalização e (re)produção do capitalismo mundial na f1 Sendo a Fórmula 1 um megaevento esportivo de grande expressão e repercussão em nível global, vemos que diversos aspectos da sociedade capitalista se desenvolvem, e são envolvidas nesse meio, podendo ser destacadas, principalmente, a relação de mercado e de consumo envolvido em seu ambiente, bem como a (re)produção do espaço capitalista internacional. Além disso, a F-1 é um laboratório mundial de pesquisas tecnológicas. Assim, permite ser considerado um espaço de alta tecnologia em que somente os melhores conseguem adentrar e fixar-se. A globalização encontra na Fórmula 1 um microcosmo perfeito no qual são desenvolvidos todas as suas atividades econômicas, políticas, espaciais e culturais, já que todas elas parecem estar vivendo um momento de convergência. As atividades econômicas desenvolvidas são principalmente as relações de trabalho, consumo e mercado, as quais acompanham em ritmo acelerado as mudanças da sociedade. Mesmo assim, não podemos nos esquecer de que a Fórmula 1 é um negócio lucrativo restrito a um ínfimo número de homens extremamente ricos e influentes. Novamente aparece sua característica elitista. A relação capitalista é estrutural, as equipes que antes se constituíam nas chamadas escuderias, passaram a ser chamadas de equipes devido aos milionários contratos de patrocínio, publicidade e/ou as associações com fabricantes de motores. Porém, os fabricantes de veículos não se contentaram apenas com o patrocínio. Atualmente, estão comprando equipes ou estão se coligando a qualquer delas. A participação das indústrias automobilísticas acirra as disputas nas pistas e busca atrair o 3

4 interesse do público pelo espetáculo, bem como ampliar a influência no mercado de consumo. Harvey argumenta que, o capitalismo tem de preparar o terreno para uma expansão do produto e um crescimento em valores reais (e, eventualmente, atingílos), pouco importando as consequências sociais, políticas, geopolíticas ou ecológicas. Na medida em que a virtude vem da necessidade, um dos pilares básicos da ideologia capitalista é que o crescimento é tanto inevitável como bom. HARVEY, 2010, p.166). A valorização econômica e financeira passa a fazer parte da rotina do grande prêmio. O consumo é estimulado para que as negociações deem lucro, pilotos são garotos-propagandas e carros são veículos de propaganda. Os interesses econômicos estão acima de qualquer atitude esportiva ou moralmente correta. Os pilotos não têm mais o direito de decidir sozinhos a suas ações na corrida, é transparente a sua posição de trabalhador que precisa cumprir regras e acordos anteriormente assumidos. É uma situação de hierarquização econômica da relação de trabalho, com direito a compra e venda de mão-de-obra e sua sujeição aos interesses do capitalista dentro do esporte. As bases das relações de trabalho, na Fórmula 1, são semelhantes à de uma empresa capitalista em que se preza a eficiência no trabalho, onde os privilégios atingem os melhores empregados e ocorre o trabalho excessivo para alguns. O luxo que vive a Fórmula 1, está amalgamado com diversos aspectos sombrios. A relação de trabalho expressa a questão do poder, estabelecido e demarcado, seja no contrato ou pela mídia especulativa na esfera da relação dos pilotos com seus companheiros e com seus chefes. Os contratos exercem pressão sobre a conduta do piloto dentro e fora das pistas, tendo que seguir aos interesses da equipe e subjugando seus próprios desejos. Assim, Sennett nos mostra que na sociedade moderna, especialmente em instiuições dinâmicas, a busca do talento efetivamente funciona num contexto de inclusão social. Os mesmos testes, avaliações e datas importantes que recompensam os melhores servem de base para descartar outros, abaixo deste nível de elite. (SENNETT, 2006, p. 106). Outra característica interessante desse esporte é a diversidade de nacionalidades dos pilotos. Antes centrada na Europa, os europeus eram os privilegiados, sendo considerado um esporte mundial, mas de raízes locais. Entretanto, atualmente há pilotos de quatro dos cinco continentes. Porém, as equipes, embora sejam variadas, as nacionalidades estão majoritariamente localizadas nos chamados países centrais. O que pode ser considerado como mundial em sua totalidade, são as equipes como um todo, que podem ter a sede em um país, pilotos de outro, motor de outro e os 4

5 patrocinadores de toda a parte do mundo, assim como seus torcedores e/ou consumidores. Estes são, sem dúvida, aspectos do global dentro do esporte. As fronteiras na Fórmula 1, embora sejam difíceis de serem demarcadas, elas existem para diferenciar culturas e territórios, já que a economia de modo geral não pode ser pensada apenas localmente. As relações se dão globalmente, há uma interdependência financeira, tecnológica e industrial, na qual estão envolvidos as equipes e seus patrocinadores agravando a relação de dependência entre as equipes. A questão local na Fórmula 1 parece estar mais envolvida nas corridas, onde a cidade ao sediar uma etapa do campeonato deve se adequar sob vários aspectos às necessidades impostas pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) 2, tais como: a estrutura dos autódromos e circuitos urbanos, das arquibancadas, do transporte e do alojamento de pilotos e equipamentos/acessórios (logística), de tal modo que os ambientes desta categoria esportiva passaram a ter estruturas semelhantes em vários países. Este é um megaevento turístico que há algum tempo vem influenciando na dinâmica de transação e movimentação econômica. O Circuito mundial da Fórmula 1 é um negócio rentável de várias maneiras, tanto nas comunicações pela propaganda explícita como na venda dos direitos de transmissão. Por isso, prevalece a necessidade da informação e da publicidade. Conforme Broudehoux (2010), quando relaciona os megaeventos com seu alto nível de midiatização, a autora acredita que na idade da televisão global, a maior parte dos lucros reais dos grandes eventos esportivos decorrem, principalmente, dos direitos de transmissão em escala mundial. A difusão da informação só foi possível no mundo globalizado, após a formação de conglomerados internacionais de multimídia, que contaram ainda com o desenvolvimento tecnológico: os satélites, a microeletrônica e a digitalização, por exemplos. No capitalismo, ciência e tecnologia são utilizadas como mercadorias. O que está presente na Fórmula 1 é o consumo que se faz desde o projeto do carro. Tanto ciência quanto tecnologia assumem papeis decisivos, pois possibilitam o desenvolvimento do carro e o envolvimento de ambas com a técnica e a arte do engenheiro mecânico. Fazendo desse esporte algo complexo que, integrando arte de pilotagem e design, transformam engenheiros e projetistas em artistas capacitados no desenvolvimento tanto 2 O regulamento da Fórmula 1 é administrado pela FIA, a principal entidade internacional regulamentadora de corridas de automóveis e também a federação internacional para associações automobilísticas (SYLT e REID, 2006, p. 33). 5

6 da beleza quanto das inovações tecnológicas. Proporciona, assim, um espetáculo de velocidade, envolvendo o homem e a máquina unidos pela técnica de pilotagem e o conhecimento. Segundo Harvey, num mundo de rápidas mudanças de gostos e necessidades e de sistemas de produção flexíveis (em oposição ao mundo relativamente estável do fordismo padronizado), o conhecimento da última técnica, do mais novo produto, da mais recente descoberta científica, implica a possibilidade de alcançar uma importante vantagem competitiva. (HARVEY, 2010, p. 151). A Fórmula 1 enquanto um veículo de propaganda mundial com telespectadores/consumidores em todo o mundo, é um negócio altamente rentável. É o produto sendo mostrado em uso, sendo um ponto de contato direto entre produtor e consumidor. As equipes estão interessadas em patrocinadores lucrativos por isso as grandes montadoras tendem a dominar as equipes pequenas, pois estas precisam de capital e concentração de investimento para serem competitivas. Com isso, a categoria mais importante do automobilismo mundial, vive um constante ritmo de mudanças tecnológicas, seja através da adequação dos carros às normas e regras da FIA, seja pelo desenvolvimento dos meios comunicacionais ou da eletrônica. Este espaço metamorfoseia um laboratório tecnológico de altíssima qualidade e de controle de qualidade no qual o erro não é perdoado e a perfeição é o objetivo principal para conseguir provar os desafios dos circuitos, da tecnologia e do limite da capacidade humana. Busca-se ser o melhor para que se possa ter uma mercadoria de qualidade a ser vendida, ou seja, o mercado da Fórmula 1 não se restringe apenas a comercialização nos autódromos ou a merchandising, pois ela engloba mercadorias como ciência, tecnologia e informação, todas dotadas de valores que serão apropriadas por empresas e distribuídas aos países sedes, em vista de uma produção rentável. Segundo Gilmar Mascarenhas (1999), o esporte deve ser encarado como uma atividade econômica, particularmente quando realizado em caráter oficial, de competição, e oferecido à sociedade (público espectador) como um artigo de consumo. Enquanto atividade econômica voltada para o entretenimento comercializado, o esporte precisa ser oferecido em lugares apropriados. Portanto, a Fórmula 1, enquanto laboratório, não só testa como possibilita o desenvolvimento de cada novo equipamento. Por trás dos pilotos há uma multidão de especialistas da esfera empresarial que transformam esse campeonato num verdadeiro espetáculo artístico, tecnológico e publicitário. Dentro desses parâmetros, a F-1 se enquadra no perfil de eventos que transcendem fronteiras territoriais. 6

7 3. Antecedentes e bastidores da fórmula 1: uma nota Apesar de a história moderna dos Grandes Prêmios de Fórmula 1 ter começado apenas em 1950, o surgimento do esporte data de um período bem anterior. Segundo Kapadia (2006), a invenção do motor a vapor no século XVIII deu início à 1ª Revolução Industrial, revolucionando o modo de produção em níveis tanto econômicos como sociais. No fim do século XIX o desenvolvimento de outra grande invenção transformaria o mundo novamente: o motor de combustão interna. A Fórmula 1 foi estabelecida oficialmente em 1950, com a criação do primeiro Campeonato Mundial de Pilotos de Fórmula 1 pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Martins (1999) lembra que a primeira corrida ocorreu em 13 de maio de 1950 no autódromo de Silverstone, na Grã-Bretanha, e foi vencida por Giuseppe Farina, que também viria a ganhar o campeonato naquele mesmo ano. Apesar do nome (Campeonato Mundial de Fórmula 1), Jenkins et al. (2007) explicam que o campeonato era basicamente europeu, com seis corridas na Europa (Grã-Bretanha, Mônaco, Suíça, Bélgica, França e Itália) e apenas uma nos Estados Unidos, as 500 Milhas de Indianápolis. A Fórmula 1 da década de 1950 era muito diferente da que se conhece nos dias de hoje. Não existia transmissão televisiva, patrocínios ou mesmo autódromos. Com estruturas precárias e poucos investimentos, os interesses eram predominantemente esportivos. Inclusive, até a explosão do patrocínio comercial em 1960, os carros costumavam correr nas cores nacionais de cada um. Diversos autores, como Martins (1999) e Takai (2005), classificam este período como a era romântica da Fórmula 1. No entanto, foram os anos da década de 1960 que marcaram a consagração da Fórmula 1 no mundo automobilístico. Como esclarece Wright (2001), foi nesta ocasião que a categoria sofreu suas mais profundas mudanças, passando por uma verdadeira revolução tecnológica, comandada, principalmente, por Colin Chapman (o grande instituidor do monocoque 3 na F-1) e pela utilização da aerodinâmica. A intensificação do uso da tecnologia tornaria o esporte mais competitivo e, portanto, mais lucrativo, marcando o fim do romantismo que predominou na Fórmula 1 por toda a década de Mais do que um esporte, a Fórmula 1 se tornaria, principalmente no fim dos anos 60 e início dos 70, um negócio altamente lucrativo, onde os interesses capitalistas 3 Fuselagem - é a camada de proteção exterior de uma estrutura, geralmente de metal. O nome vem da palavra francesa "fuselé", que significa forma aerodinâmica. Na fuselagem monocoque o casco é essencialmente uma fina parede tubular que suporta todos os esforços. Monocoque é uma palavra francesa que significa "single shell." Mais comum é a semimonocoque. 7

8 prevaleceriam sobre os interesses esportivos. Além disso, Kapadia (2006) esclarece que a década de 1960 marca o surgimento do patrocínio esportivo na Fórmula 1 e da espetacularização propriamente dita do esporte. É justamente neste período que os Grandes Prêmios passam a ser encarados como meios comerciais efetivos. Mais uma vez, Chapman é o propulsor do movimento, quando sua equipe, a Lotus, se junta à companhia de tabaco Imperial Tobacco em 1968, dando origem à equipe Gold Leaf Team Lotus. Esse precedente aberto por Chapman e a lei britânica que proibiu anúncios de cigarros e bebidas alcoólicas na televisão impulsionaram o uso do patrocínio pelas empresas (principalmente as de tabaco) como estratégia de marketing, transformando o patrocínio em uma das maiores fontes de investimentos das equipes de F-1: (...) o advento do patrocínio comercial na Fórmula 1 foi em 1968 quando a equipe Lotus de Colin Chapman assegurou fundos da fabricante de cigarros Imperial Tobacco ao pintar seus carros nas cores da marca de cigarros Gold Leaf. Durante os anos subsequentes o tabaco se tornaria uma das maiores fontes de investimentos para muitas equipes, onde a marca Marlboro da Philip Morris provaria ser a mais duradoura (...). (JENKINS et al., 2007, p. 31). Impulsionada pelos crescentes interesses comerciais e industriais, a espetacularização da Fórmula 1 iniciada na década de 1960 continua sua expansão pela década de Para Henry (2003), o nome mais importante deste período foi o de Bernie Ecclestone. Considerado atualmente a maior autoridade dentro da Fórmula 1, Ecclestone é um ex-piloto de Fórmula 3 4. Sua participação efetiva no esporte se iniciou em 1972 com a aquisição da equipe Brabham. Ao se tornar dono de uma equipe, Bernie também se tornaria membro da Formula One Constructors Association (Foca), a organização responsável por representar as equipes da Fórmula 1. O principal objetivo da Foca era o de coordenar os interesses coletivos dos construtores e representá-los perante a FIA. Buscando centralizar a organização das corridas, Bernie Ecclestone passou a se envolver pessoalmente nas negociações dos direitos comerciais 5 da F-1 sob o nome da Foca, tornando-se o principal responsável pela unificação da cobertura televisiva da 4 A Fórmula 3 é uma categoria inferior à Fórmula 1. Surgiu como uma competição nacional da Inglaterra logo após a Segunda Guerra Mundial, para possibilitar o acesso de pilotos novatos às competições. 5 Atualmente, os direitos comerciais da F-1 incluem os direitos de transmissão televisiva das corridas, taxas de sanção das corridas, anúncios ao redor da pista do circuito e o Paddock Club, um centro de hospitalidades. Valem cerca de US$ 1 bilhão por ano, dos quais US$ 705 milhões foram para a FOA em O restante foi pago à Allsport Management, que, em troca de uma taxa paga à FOA, administra os anúncios ao redor da pista. (SYLT E REID, 2006, p. 34). 8

9 Fórmula 1 (HENRY, 2003, p ). Incentivado principalmente por Bernie Ecclestone, o patrocínio comercial continuou ganhando espaço nos negócios da Fórmula 1. Entretanto, a mercantilização da Fórmula 1, iniciada na década de 1970 por Ecclestone, fez do começo da década de 1980 um período turbulento para o esporte, em que, como explica Henry (2003), uma crise de interesses entre a Fédération Internationale du Sport Automobile (Fisa) 6 e a Foca dividiu a categoria. A luta entre as duas organizações pelo controle da Fórmula 1 foi resolvida em 1981 com a assinatura do primeiro Pacto de Concórdia 7, um acordo que basicamente estabelece os termos em que a Fórmula 1 deve operar e define os limites e responsabilidades tanto da FIA quanto da Foca e das equipes. Além disso, o acordo também estabeleceu que os direitos comerciais da F-1 pertenceriam à Foca e definiu como seria feita a divisão da receita gerada pela publicidade e transmissão televisiva das corridas. Foi desta maneira que Bernie Ecclestone, o então presidente da Foca, assumiu o controle efetivo do lado financeiro e comercial da Fórmula 1. Segundo Sylt e Reid (2006), Bernie Ecclestone foi tão bem sucedido na administração do lado comercial da Fórmula 1 que em 1997, quando foi assinado um novo pacto, a FIA transferiu da Foca para a Formula One Administration (FOA) os direitos comerciais da Fórmula 1. A FOA é uma das empresas da holding Slec, criada por Ecclestone, para gerenciar os negócios da Fórmula 1, pois: As especificidades da Fórmula 1 atingiram tão elevado grau de sofisticação e de fontes de receita, que foi preciso criar várias empresas para geri-la. A holding chama-se Slec, abreviação do nome da esposa de Ecclestone, a ex-modelo croata Slavica Radic. (...) A Slec tem a Formula One Administration (FOA), que é, na realidade, quem detém os direitos de TV cedidos pela FIA e ratificados em 2006, por US$ 360 milhões, pelos próximos 100 anos. Mas é a Formula One Management (FOM) quem comercializa a venda dos direitos às empresas de TV que transmitem a corrida ao vivo. A italiana RAI, a alemã RTL e a japonesa Fuji, por exemplo, pagam US$ 56 milhões por temporada. A Rede Globo investe US$ 12 milhões por ano. 8 Martins (1999) explica que a entrada de Ecclestone na Foca em 1972 terminou com o romantismo da Fórmula 1 e alterou radicalmente a maneira como se estabeleciam 6 A Fisa era uma divisão da FIA que lidava diretamente com a Fórmula 1, mas foi extinta em 1993 por uma reestruturação da própria FIA (FIA, 2005). 7 O documento recebeu este nome, pois foi assinado na sede da FIA em Paris, que se localiza perto da Place de la Concorde (JENKINS et al., 2007, p.32). 8 O ESTADO DE S. PAULO. Guia Especial da F1,

10 as relações comerciais dentro da F-1, transformando-a num rentável investimento: O maior exemplo é que o calendário de F-1 se tornou um grandioso espetáculo mundial, visto ao vivo pela TV por 4,2 bilhões de telespectadores em 62 países. Esses números crescem para 17,6 bilhões em 96 países, se forem computados os noticiários compactos dos vários noticiosos, reprises ou videoteipes. (MARTINS, 1999, p ) Contudo, Bernie Ecclestone se tornou um dos empresários mais ricos do Reino Unido, com uma fortuna estimada em mais de dois bilhões de libras esterlinas, e o homem mais poderoso da Fórmula 1. Suas empresas, que formam o Formula One Group, controlam praticamente tudo que envolve o esporte. O Concorde Agreement, que vem sendo renovado desde 1981, dá a ele o direito de explorar não apenas os direitos televisivos, mas também a administração, organização e logística de cada etapa do Mundial. Aos 82 anos, Bernie Ecclestone negocia diretamente com os governos locais as exigências para colocar suas cidades no mapa do circuito mundial de Fórmula 1, atualmente visto como uma vitrine das cidades globais. Ele se utiliza da competição intercidades para aumentar o valor fixo cobrado por ano para receber uma etapa da F-1 9. Está também em seus planos fazer uma oferta pública inicial de ações na bolsa de valores de Singapura, aproveitando o recente crescimento da categoria à Ásia, em que se estima captar US$ 1,5 bilhão. Tabela Estimativa de taxa anual paga por país-sede para receber a etapa da Fórmula 1 (2011). Fonte: Formula One s new urban economies. Acessado em 04/06/ LEFEBVRE, S.; ROULT, R. Formula One s new urban economies. J. Cities (2011), doi: /j.cities

11 4. F-1 e cidades: nova cartografia e estratégia de atuação O ano de 1999 marca de vez a entrada da Fórmula 1 nas estratégias de City Marketing das cidades, quando o Grande Prêmio da Malásia substitui o GP da Argentina, com dificuldades financeiras. Sem nenhuma tradição no esporte, a Malásia viu na Fórmula 1 uma forma de se promover para o mundo e foi o segundo país asiático a receber uma etapa da categoria (o primeiro havia sido o Japão na década de 1980). Desde então, outros países seguiram o mesmo caminho: Bahrein (2004), China (2004), Turquia (2005), Singapura (2008), Valência (Espanha, 2008), Abu Dhabi (2009), Coreia do Sul (2010) e Índia (2011). Em 2012, Os Estados Unidos voltaram a receber a Fórmula 1 e, em 2014, será a vez da Rússia (GUIMARÃES, 2012). Mapa 1 Circuito Mundial da Fórmula 1 em Fonte: Arquivo pessoal. Acessado em 04/06/

12 Mapa 2 A Nova Fórmula 1. Circuito Mundial da categoria nas temporadas Fonte: Acessado em 04/06/2013 De comum nas novas etapas está o crescimento da exposição das cidades sede, normalmente com edifícios de arquitetura de impacto e em circuitos de rua. As cidades sempre foram um atrativo da Fórmula 1, mas não passavam de um pano de fundo das disputas na pista. Nos últimos anos, porém, elas têm ganhado importância na transmissão, justificando assim o alto custo para sediar uma corrida. Cada etapa pode custar dezenas de milhões de dólares aos governos, pagas a empresas ligadas ao homem mais poderoso do esporte, Bernie Ecclestone, que comandam a administração, estrutura, logística e transmissão de todas as corridas. Lefebvre (1998) chama a atenção para a inseparável relação entre os sistemas comunicacionais e os diversos mercados, dentre os quais o próprio mercado do espaço. Não à toa o GP da França, que estava no Mundial desde o início da modalidade, em 1950, não renovou seu contrato em Após o rompimento, Ecclestone já manifestou o desejo de que o evento seja realizado num circuito de rua, em Paris, ideia rechaçada pela prefeitura da capital francesa 10. Assim, 10 SCHUEY. Ecclestone insiste em levar a F-1 até Paris. Autosport, Portugal, 01 de junho, Disponível em: f Acesso em: junho,

13 através do aumento da competitividade (SANTOS, 2000) entre lugares, firmas, grupos sociais e indivíduos cria-se o produtivismo urbano, que viabiliza a simbiose entre o lucro e prestígio. Nesta conjuntura, os administradores locais são estimulados a oferecer a cultura urbana e o patrimônio histórico para o mercado, ainda que esta oferta seja ocultada por discursos eruditos que afirmam a sua inspiração em promissoras experiências estrangeiras. (RIBEIRO, 2006, p. 44). Outro aspecto importante entre os novos GPs é que todos os circuitos são projetados pelo arquiteto alemão Hermann Tilke. Apesar de não ser oficialmente ligado a uma empresa de Bernie Ecclestone, Tilke parece estar de alguma maneira incorporado ao modelo de negócio do empresário, que desde os anos 80 se caracteriza por vender pacotes fechados aos promotores de corrida. As pistas projetadas pelo alemão, porém, têm sido criticadas por especialistas do meio, já que estariam mais preocupadas com aspectos visuais do que com o próprio esporte. Fábio Seixas, jornalista de automobilismo da Folha de São Paulo, afirma que as novas etapas não têm sido boas para a Fórmula 1. A principal crítica é que os novos circuitos seriam pensados para outros fins que não a corrida: Do ponto de vista financeiro, pra empresa do Bernie Ecclestone, é ótimo. Certamente ele vai ganhar mais dinheiro correndo no Bahrein, na China, na Malásia do que correndo em Paul Ricard, Estoril ou Le Man. Mas obviamente que pro esporte, pra quem gosta de corrida, do ponto de vista técnico, de pilotagem, do torcedor, seria muito mais legal ver a Fórmula 1 correndo num circuito bom. As grandes corridas são em circuitos antigos, que foram ficando no calendário pela qualidade que eles têm. E foram circuitos pensados pro esporte, não foram pensados pra televisão, não foram pensados visualmente, foram pensados por pilotos, por gente que entende do assunto [ ]. Minha crítica é que fica uma coisa pasteurizada. 11 As pistas perderiam seu aspecto único em cada cidade para se transformar em um produto de um mesmo arquiteto em diferentes pontos do globo. O grande impacto visual, que funciona para a televisão e impressiona o telespectador, teria sido superdimensionado nestes projetos, deixando de lado um traçado de pista que proporcione boas corridas. 11 Entrevista concedida a Folha de São Pauo em 15/07/

14 Figura 1 City Marketing e uso da imagem no Circuito Urbano de Singapura. Fonte: Acessado em 04/06/2013. Esse modelo fechado vendido aos países por Bernie Ecclestone nem sempre é exitoso. China e Turquia até hoje são fracassos de público, tanto pelo valor dos ingressos incompatível com a renda da população (como pela falta de hábito de assistir corridas de automóvel). No caso da China, há outro fator: o tamanho do circuito, refletindo simbolicamente como o país quer se projetar para o exterior. Sánchez (2003) argumenta que a produção do espaço-mercadoria envolve também a produção de representações que o acompanham. Esse espaço é concebido como lugar onde o privado se afirma, produzindo signos que parecem realizar desejos e fantasias de consumo moldados por valores da mundialidade. A principal preocupação de Bernie Ecclestone com o público que vai ao autódromo é como ele vai aparecer na televisão. Segundo a Formula One Management (FOM), em 2010 a Fórmula 1 foi vista por 527 milhões de indivíduos, com 16 mil horas de cobertura televisionadas em 187 países. Em reportagem do The New York Times sobre o retorno da Fórmula 1 aos Estados Unidos em 2012, no Texas, Dave Kallmann percebeu este atual momento do esporte: a racetrack is just a big television studio 12. Se o circuito é um estúdio, logo o público passa a ser tratado como plateia de um espetáculo, não como torcedores e fãs do esporte, uma tendência já identificada pelo antropólogo Marcos Alvito, da Universidade Federal Fluminense, no futebol: "De certa maneira, o torcedor do campo virou uma 12 COHEN, Jason. With Some Rich Car Fans, Formula One Could Work. The New York Times, Texas, 23, julho, Disponível em: Acesso em: junho,

15 espécie de figurante para o espetáculo televisivo" 13. Bernie Ecclestone nunca escondeu como vê a categoria; em entrevista a Fábio Seixas, declarou que se dependesse dele não teria gente no autódromo porque só dá trabalho. O fato é que sua principal fonte de receita não vem do valor dos ingressos da arquibancada comum ou do que é consumido no autódromo, muitas vezes explorado pelos promotores locais, mas sim de tudo que envolve a realização do evento e sua transmissão. A Fórmula 1 como espetáculo é considerada atraente até mesmo para cidades que ainda não existem. Em 2010 a Coreia do Sul estreou o seu GP num descampado na região de Yeongam, na futura cidade de Sampo District. A cidade ainda vai ser construída ao redor do autódromo, que será integrado à malha urbana, sendo transformado então em um circuito de rua. A ideia é que o local se torne um centro de atividades relacionadas ao automobilismo, visando atrair turistas e promover pesquisa na área de tecnologia. O custo, de aproximadamente US$ 1,67 bilhão, será da empresa que promove a corrida, Korea Auto Valley, junto com o governo da província de South Jeolla. A nova cidade abrigará 10 mil moradores e deve ser totalmente concluída em A evolução de sua construção será transmitida ano a ano, para todo o mundo, durante o GP da Coreia do Sul de Fórmula Neste sentido, colocar as cidades no mapa do mundo passou a ser uma meta recorrente dos governos locais, um objetivo ordenador das ações estratégicas que concentram na cidade-mercadoria a possibilidade de transcender as crises produzidas pela reestruturação econômica e construir um futuro de progresso e recuperação econômica sintonizado com as exigências da nova ordem mundial, de modo a viabilizar o crescimento econômico em novos parâmetros. (SÁNCHEZ, 2003, p. 50) Em televisão aberta, as transmissões ocorrem aos sábados, com uma hora de treino classificatório que define as posições da largada, e aos domingos, com a corrida de duas horas 15. As imagens externas da cidade são exibidas principalmente durante o treino classificatório. Realizado em três baterias, os intervalos entre cada uma são o principal espaço para mostrar o entorno do circuito e as belezas do lugar. No Grande Prêmio da Coreia do Sul, planos de uma grande ponte em construção, que dará acesso à futura cidade de Sampo Disctrit, foram ao ar com comentários dos locutores sobre o projeto 13 PINHEIRO, Daniela. A Copa do Cabo ao Rio. Revista Piauí, Rio de Janeiro, maio, Disponível em: ludopedicas/a-copa-do-cabo-ao-rio. Acesso em: junho, COREIA quer criar cidade ao redor de autódromo. LANCE!NET, 18, outubro, Fórmula 1. Disponível em: cidadeautodromo_0_ html. Acesso em: junho, Na TV a cabo se exibe também os dois treinos livres de sexta-feira e o treino livre da manhã de sábado. 15

16 coreano. Em Valência, planos aéreos do autódromo e das praias cheias do verão europeu são as preferidas. Como muitos dos novos circuitos são de rua, a cidade está presente também durante a corrida, sob os comentários dos locutores. Os momentos monótonos da transmissão são preenchidos com curiosidades sobre o local, opiniões sobre o acesso ao circuito e a rede hoteleira, os vips e as esposas dos pilotos que estão no paddock 16, e ainda elogios à arquitetura de regiões revitalizadas ou recém-construídas, normalmente à beira-mar. Uma propaganda efetiva das cidades que querem se colocar num lugar de destaque no competitivo mundo globalizado. Portanto, conforme observado por Broudehoux (2010), ( ) megaeventos afetam a paisagem urbana, não só por eles incentivarem grandes centros urbanos e projetos de infraestrutura desportivas, mas também porque promovem a estetização da paisagem urbana. Isto significa que a visibilidade e a imaginabilidade tornamse critérios orientadores para as intervenções urbanas e essa imagem de ações conscientes são priorizadas, muitas vezes em detrimento das necessidades fundamentais locais. Figura 2 Setor de marinas no Circuito Urbano de Valência e ao fundo a praia. Fonte: Acessado em 04/06/2013. Figura 3 Estetização da paisagem urbana. Imagem panorâmica do Circuito Urbano de Valência. 16 Edificação encontrada nos circuitos de automobilismo para abrigar o pessoal das equipes, veículos, oficiais de prova e convidados. 16

17 Fonte: Acessado em 04/06/ Considerações finais Portanto, entendemos que também é possível por meio do estudo do caso da Fórmula 1, visualizarmos as grandes transformações que estão ocorrendo na organização espaco-territorial em escala mundial dentro do contexto da globalização neoliberal. Porém, a Fórmula 1, assim como a sociedade atual, vive um intenso movimento de espetacularização das relações, sejam elas quais forem. A globalização, acompanhando esse processo, favorece a homogeneização de cenários e do capital cultural, as diferenças entre os lugares (pelo menos do ponto de vista arquitetônico e urbanístico) tendem a diminuir se esse processo continuar a progredir tão velozmente como está. Contudo, para o planejamento urbano de cidades emergentes, a exposição proporcionada pela Fórmula 1 é vista como uma grande oportunidade de atrair investimentos internacionais e de se inserir no restrito grupo das cidades consideradas globais. Como um esporte historicamente elitista, a Fórmula 1 vem se encaixando perfeitamente no modelo de cidade que emergiu no pós-crise, onde a diferenciação é uma característica chave (HARVEY, 1989). Os carros, a velocidade e a tecnologia de ponta da categoria mais importante do automobilismo mundial são símbolos que, na visão empresarial das administrações locais, agregam valor à marca da cidade, podendo assim ser melhor vendida como um produto para a elite global. Entretanto, a Fórmula 1, como indutora do crescimento econômico a partir de investimentos externos, assim como outros eventos esportivos, ainda tem que provar sua eficácia numa análise detalhada caso a caso. Mas, além do questionável retorno 17

18 financeiro para esses novos lugares, fica claro que está em disputa um projeto de cidade que enxerga na promoção da imagem uma oportunidade para atração de recursos do turismo de alto luxo e do mercado imobiliário especulativo, o que em tese geraria desenvolvimento econômico. Uma lógica cada vez mais fortalecida diante do apelo fácil e funcional ao espetáculo e da consolidação da diferenciação e do individualismo como valor nas sociedades capitalistas. Referências bibliográficas BROUDEHOUX, Anne-Marie. Event-led Urban Image construction: Potemkinism, the Media and the Periphery. Conferência Internacional Megaeventos e Cidades. Niterói, PPGAU/UFF, IPPUR/UFRJ, novembro, DEBORD, G. A Sociedade do Espectáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, GUIMARÃES, Renato C. V. Megaeventos Esportivos e Cidades Globais: A Fórmula 1 em Valência, Espanha. Monografia (Especialização em Planejamento Urbano e Regional) Universidade Federal do Rio de Janeiro IPPUR, HARVEY, D. "Do gerenciamento ao empresariamento: a transformação da administração urbana no capitalismo tardio"; in Espaço e Debates, ano XVI, n. 39 pp , A Condição Pós-moderna. São Paulo: Loyola, 19ª ed., HENRY, A. The Powerbrokers: The battle for F1 s billions. St. Paul: Motorbooks International, JENKINS, M.; PASTERNAK, K.; WEST, R. Performance at the Limit: Business Lessons from Formula 1 Motor Racing. Cambridge: New York, KAPADIA, B. Formula One: the story of grand prix racing. London: New Holland Publishers, LEFEBVRE, Henry. The production of space. London, Blackwell, MARTINS, Lemyr. Os arquivos da Fórmula 1. São Paulo: Panda, MASCARENHAS, Gilmar. À Geografia dos Esportes. Uma introdução. Scripta Nova. Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales. Universidad de Barcelona nº 35, 1 de marzo de RIBEIRO, Ana Clara T. Acumulação primitiva de capital simbólico: sob a inspiração do Rio de Janeiro. In: Corpos e Cenários urbanos: territórios urbanos e políticas culturais. (JEUDY, Henri P. & JACQUES, Paola B. ogs.) Salvador: EDUFBA, SÁNCHEZ, F. Cidade Espetáculo: Política, Planejamento e City Marketing. Cutitiba: Ed. Palavra, A reinvenção das cidades para um mercado mundial. Chapecó: Argos,

19 SANTOS, Milton Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, SASSEN, Saskia. A cidade global. In: LAVINAS, Lena; CARLEIAL, Liana Maria da Frota; NABUCO, Maria Helena (Org.). Reestruturação do espaço urbano e regional no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1993, pp SENNETT, RICHARD. A Cultura do Novo Capitalismo. Rio de janeiro: Record, SYLT, C.; REID, C. The Business Of Formula 1 Volume 2: The Market, The Sponsors, Hospitality and The Races. Sport Business Group Ltd., TAKAI, A.M. Antecedentes da globalização: o caso da Fórmula 1. Dissertação (Mestrado em Sociologia) Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, VAINER, C. Pátria, empresa e mercadoria. Notas sobre a estratégia discursiva do planejamento estratégico urbano. ARANTES; VAINER; MARICATO. A cidade do pensamento único. Desmanchando consensos. Petrópolis, Vozes, WRIGHT, P. Formula 1 Technology. Warrendale: Society of Automotive Engineers, Inc.,

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