Parecer Consultoria Tributária Segmentos Notas no valor total da prestação dos serviços emitida por agência de viagens na tributação do ISS

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1 Parecer Consultoria Tributária Segmentos Notas no valor total da prestação dos serviços emitida por agência de 06/10/2015

2 Sumário Título do documento 1. Questão Normas Apresentadas pelo Cliente Análise da Consultoria Lei Complementar 116/ Solução de Consulta Prefeitura de São Paulo Conclusão Informações Complementares Referências Histórico de Alterações

3 1. Questão O cliente é uma agência de viagens e operadora de turismo, sendo sua principal função, intermediar fornecedor e consumidor de serviços turísticos, informa que ao intermediar uma prestação de serviço de turismo, será necessária a emissão de nota fiscal no valor total da prestação, incluindo a parte do prestador dos serviços que estão sendo intermediados, como por exemplo a diária de hotéis. Questiona se é legalmente cabível a emissão de uma nota fiscal no montante total dos serviços de turismo, diretamente ao tomador final dos serviços, deduzindo da base de cálculo do ISS o valor correspondente aos serviços prestados pelo terceiro, nas operações realizadas no município de Belo Horizonte e se esta prática aplica-se aos demais municípios. 2. Normas Apresentadas pelo Cliente O cliente apresenta como norma inicial para análise o art. 27 da Lei Federal nº /2008, que define agência de turismo como a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. De acordo com o 2º do mesmo artigo, o preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor agregado ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. LEI Nº , DE 17 DE SETEMBRO DE Subseção III Das Agências de Turismo Art. 27. Compreende-se por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultando-se à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. 3o As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: I - passagens; II - acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III - programas educacionais e de aprimoramento profissional. 4o As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: I - obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II - transporte turístico; III - desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV - locação de veículos; V - obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI - representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII - apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; 3

4 VIII - venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios Título do documento e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IX - venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X - acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. 5o A intermediação prevista no 2o deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. 6o (VETADO) 7o As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. 3. Análise da Consultoria Para analisar aplicabilidade do processo questionado pelo cliente, fez-se necessário consulta as normas tributárias Federais e Municipais, conforme demonstrado abaixo: 3.1. Lei Complementar 116/2003 Como o cliente tem operações em diversos municípios a primeira consulta foi a Lei Complementar 116/2003, que rege o ISS, e deve ser utilizada como norma geral para que os Munícipios desenvolvam seus próprios regulamentos, porém a lei complementar deixou a cargo da legislação municipal a normatização para esta questão: LEI COMPLEMENTAR Nº 116, DE 31 DE JULHO DE 2003 Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. [...] Lista de serviços anexa à Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de Serviços relativos a hospedagem, turismo, viagens e congêneres Hospedagem de qualquer natureza em hotéis, apart-service condominiais, flat, apart-hotéis, hotéis residência, residence-service, suite service, hotelaria marítima, motéis, pensões e congêneres; ocupação por temporada com fornecimento de serviço (o valor da alimentação e gorjeta, quando incluído no preço da diária, fica sujeito ao Imposto Sobre Serviços) Agenciamento, organização, promoção, intermediação e execução de programas de turismo, passeios, viagens, excursões, hospedagens e congêneres Guias de turismo Normas Tributária de Belo Horizonte Consultamos o Regulamento de ISS de Belo Horizonte e soluções de consultas emitidas pela Secretaria da Fazenda Municipal e destacamos as informações seguir: 4

5 Decreto /2005 DECRETO Nº /2005 Art. 2º - Na prestação de serviços de intermediação ou agenciamento de bens ou serviços, especialmente quando realizados por agências de publicidade e propaganda e por agências de turismo, às quais incumbe o recebimento do preço dos bens e serviços de terceiros fornecidos aos seus clientes, a importância especificada no documento fiscal por elas emitido, a título de reembolso ou repasse desses valores, não integrará a base de cálculo do imposto por elas devido, desde que atendidos a todos os seguintes requisitos: I - coincidência entre o valor cobrado pelo prestador dos serviços de intermediação ou agenciamento e o valor dos bens ou serviços intermediados ou agenciados fornecidos pelo terceiro; II - comprovação da aquisição dos bens ou serviços fornecidos pelo terceiro mediante documento fiscal hábil e idôneo emitido contra o tomador dos serviços intermediados ou agenciados, embora aos cuidados do prestador, a quem caberá repassar ou se reembolsar do pagamento do respectivo valor; III - discriminação da natureza da cobrança, se repasse ou reembolso, no campo de descrição de serviços prestados do documento fiscal emitido pelo prestador, com a identificação do terceiro fornecedor e do número, data e valor do documento fiscal correspondente ao bem ou serviço intermediado ou agenciado Solução de Consulta Solução de Consulta 062/2009 EXPOSIÇÃO E CONSULTA: Atuando no ramo de agenciamento de viagens e turismo, tais como organização e venda de viagens, pacotes turísticos, excursões, reservas de hotel e vendas de passagens de empresas transportadoras, fornecimento de informações, assessoramento e planejamento de viagens para o público em geral e para empresas, a Consulente requer orientação quanto ao seu modo de proceder relativamente à comprovação de valores recebidos sobre notas fiscais emitidas. Esclarece que pela intermediação/agenciamento realizado recebe comissões dos operadores, emitindo as respectivas notas fiscais. Ocorre que os clientes exigem da Consulente nota fiscal de sua emissão pelo valor total cobrado, mas a empresa recebe apenas uma pequena importância sobre o pacote de VIAGEM. Se se cumprir a exigência dos clientes haverá bitributação porque incide o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISSQN na atividade de agenciamento que realiza para as operadoras e também sobre os valores recebidos dos clientes, quantias estas já tributadas anteriormente. RESPOSTA: A tributação referente ao ISSQN proveniente das atividades de intermediação/agenciamento realizadas pelas agências de turismo está disciplinada no art. 2º do Dec , de 23/02/2005, cujo teor é o seguinte: Art. 2º - Na prestação de serviços de intermediação ou agenciamento de bens ou serviços, especialmente quando realizados por agências de publicidade e propaganda e por agências de turismo, às quais incumbe o recebimento do preço dos bens e serviços de terceiros fornecidos aos seus clientes, a importância especificada no documento fiscal por elas emitido, a título de reembolso ou repasse desses valores, não integrará a base de cálculo do imposto por elas devido, desde que atendidos a todos os seguintes requisitos: 5

6 I - coincidência entre o valor cobrado pelo prestador dos serviços de intermediação Título do documento ou agenciamento e o valor dos bens ou serviços intermediados ou agenciados fornecidos pelo terceiro; II - comprovação da aquisição dos bens ou serviços fornecidos pelo terceiro mediante documento fiscal hábil e idôneo emitido contra o tomador dos serviços intermediados ou agenciados, embora aos cuidados do prestador, a quem caberá repassar ou se reembolsar do pagamento do respectivo valor; III - discriminação da natureza da cobrança, se repasse ou reembolso, no campo de descrição de serviços prestados do documento fiscal emitido pelo prestador, com a identificação do terceiro fornecedor e do número, data e valor do documento fiscal correspondente ao bem ou serviço intermediado ou agenciado. Com efeito, no que concerne ao ISSQN, as agências de viagens e turismo, relativamente às atividades em que atuam como agenciadoras/intermediadoras de bens e serviços fornecidos por terceiros aos seus clientes e que, ao mesmo tempo, responsabilizam-se pelo recebimento dos valores desses bens e serviços, repassando-os ou reembolsando-os aos efetivos fornecedores ou prestadores, devem destacar em sua nota fiscal de serviços tais importâncias reembolsadas ou repassadas, as quais, contudo, não integrarão a base de cálculo do ISSQN devido pelas agências, observados os requisitos estabelecidos nos incisos I a III, do art. 2, Dec Nestas circunstâncias, todos os valores de serviços de terceiros especificados na nota fiscal emitida pela Consulente, a serem repassados aos efetivos prestadores, não serão tributados na agência a título de ISSQN. Por outro lado, como a própria Consultante afirma na exposição acima, a agência deve também expedir contra as operadoras (outras agências, hotéis, transportadoras, locadoras de veículos, etc.) notas fiscais de serviços referentes às comissões decorrentes da prestação de seus serviços de intermediação/agenciamento para elas realizados 4. Conclusão A emissão de uma nota fiscal no montante total dos serviços de intermediação de turismo diretamente ao tomador final dos serviços, deduzindo da base de cálculo do ISS o valor correspondente aos serviços prestados pelo terceiro prestador é possível para o Município de Belo Horizonte no Estado Mineiro. O fisco Municipal de Belo Horizonte nos apresenta se todos os serviços de terceiros forem demonstrados ao efetivo tomador, mediante documentação hábil e idônea, poderão ser deduzidos da base de cálculo da prestação do serviço para efeitos de cálculo do ISS. Assim, recomenda-se ao prestador, sob pena dos valores adicionais serem integrados à base de cálculo do ISS ou até mesmo a sanções aplicadas pelo fisco, que mantenha registros claros e detalhados sobre as operações executadas com o objetivo de justificar os valores de dedução da base de cálculo do tributo, conforme orientação fiscal. Entendemos que alguns governos Municipais diferem deste entendimento, a resposta do fisco Paulistanos, por exemplo, foi negativa Na Solução de Consulta SF/DEJUG nº 53, 13 de agosto de 2012, conforme Processo Administrativo nº , o Diretor do Departamento de Tributação em julgamento respondeu o seguinte: A consulente deverá emitir Nota Fiscal de Serviços Eletrônica NFS-e relativa aos serviços de intermediação aos hotéis, nos levando ao entendimento que não seria pertinente a emissão do documento fiscal pelo montante de operação. 6

7 O Município de São Paulo também possui tratamento diversos de acordo com o tipo de serviço prestado, se o item comercializado for pacotes de turismo, a Portaria SF nº 1.682/83 fixa, como preço mínimo para efeito de recolhimento do ISS devido, o valor equivalente a 30% (trinta por cento) do faturamento bruto correspondente à venda do pacote turístico. Determinando que, na venda de pacote turístico, atividade relacionada à de operadora de turismo, deverá emitir Nota Fiscal de Serviços Eletrônica NFS-e pelo valor bruto da venda, registrando no campo valor total das deduções o montante relativo a 70% do referido valor bruto da venda, resultando na base de cálculo de 30% (trinta por cento), e recolher o ISS incidente sobre ela. Assim, nos cabe esclarecer que a operação, motivo desta consulta, aplica-se ao Munícipio de Belo Horizonte cabendo analise detalhada a cada um dos Munícipio a que se pretende fazer esta operação. 5. Informações Complementares Não existe informações a serem complementadas. 6. Referências 7. Histórico de Alterações ID Data Versão Descrição Chamado LSB 06/10/ Notas no TTKVK7 7

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