IST Mestrado em Urbanismo e Ordenamento do Território Programa de Planeamento Estratégico e Governância urbana

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1 IST Mestrado em Urbanismo e Ordenamento do Território Programa de Planeamento Estratégico e Governância urbana "Os seres humanos ligados por um projeto concertado têm superioridade em relação àqueles que nenhuma promessa liga e que carecem de intenção Hannah Arendt (1958) 1. Introdução O planeamento estratégico tem sido a melhor ferramenta para a gestão da mudança em contextos territoriais e, em particular, dos urbano-metropolitanos. A passagem de uma cidade fordista, regulada pelos poderes públicos e dinamizada pelos atores económicos, para uma que, em muitos casos, passou a designarse como metrópole, onde o Estado, por via da aguda crise financeira, sente crescente dificuldade em afirmar-se. Os protagonistas agora são múltiplos, situados nos mais diversos campos da vida colectiva. Exigem modalidades de governação mais eficientes, capazes de lidar com a incerteza e funcionarem em multiescalas temporais e espaciais, confrontando todos os atores presentes com as respectivas obrigações para um trajeto linear, de ajustamento ou de inflexão, em busca do sucesso. Este, por seu lado, encontra-se dependente de forças de mercado indiferentes aos afectos ou à boa-vontade dos atores. Nesta competição incessante por maior protagonismo leia-se investimentos produtivos, visitantes e importância funcional as cidades e os territórios desenvolveram técnicas de promoção capazes de os reconstruírem como objetos desejados ou, pelo menos, como objetos tolerados (veja-se o caso dos bairros críticos). Esse é o papel do Marketing Territorial. 2. Objetivos Dadas as três dimensões do programa - Estratégia, marketing, governação - pretende-se: Introduzir o conceito de planeamento estratégico e desenvolver as metodologias da sua aplicação a cidades e regiões; analisar os principais problemas que se colocam à governância urbana; apresentar e discutir formas de promoção da participação pública no planeamento e gestão urbanística e da sua articulação com as entidades públicas competentes; abordar as técnicas de promoção territorial. 3. Programa Roteiro teórico I. Os ciclos de vida das cidades e dos territórios: Um percurso compreensível e influenciável? II. O planeamento estratégico: Fundamentos e pertinência a. Planeamento formal vs planeamento informal b. O neoliberalismo como chave para a compreensão das novas dinâmicas territoriais III. Estratégia ou Estratégias? a. Plano Estratégico i. Escola francesa ii. Método GBN-Global Business Network iii. Carta Estratégica b. Estudos estratégicos temáticos c. Planos de ação d. A estratégia em planos espaciais IV. Territorial branding V. Governança Urbana a. Hard Power e Soft Power b. Emergências e mecanismos 1

2 Roteiro prático c. Dificuldades e alcance I. Recursos e instrumentos para o planeamento estratégico a. Decisão e modelo organizativo b. Análise do contexto interno c. Análise do contexto externo d. Diagnóstico prospetivo e. Construção da visão estratégica f. Estratégias, programas de atuação e ações g. Avaliação e monitorização II. Mobilização de atores III. Acompanhamento de trabalhos 4. Tipologia de aulas As aulas poderão assentar em: Pesquisa e crítica bibliográfica; Reflexão em torno de material audiovisual; Debate com oradores convidados; Visitas de campo; Aulas de exposição e debate; Trabalhos de aplicação metodológica. 5. Competências a Adquirir O aluno, no final do percurso pedagógico deverá ser capaz de: - Identificar o sentido e a intensidade da mudança em contextos territoriais - Reconhecer a dimensão central da incerteza para o planeamento e gestão urbana - Perceber as consequências da pós-modernidade no ordenamento do território e, em particular, na exigência de uma maior partilha entre atores na busca da legitimação da ação - Delinear processos de planeamento estratégico para regiões e cidades a partir de roteiros metodológicos específicos - Fomentar os mecanismos e iniciativas adequadas para o envolvimento comunitário na construção de um futuro sustentável para os territórios do quotidiano - Contribuir para estratégias de promoção territorial 6. Avaliação A avaliação será efectuada de acordo com os seguintes princípios: Haverá uma classificação para a componente teórica e para a componente prática; O peso de ambas as componentes será de 50%; No caso da não realização ou de uma classificação negativa na componente prática o resultado do exame terá de ser positivo e será seguido de um exame oral que definirá a classificação final; No caso da componente teórica ser superior à da componente prática aquela corresponderá integralmente à classificação final; Para efeitos de passagem todos os alunos terão de obter, pelo menos, 10 valores no exame. 7. Programa do trabalho prático 7.1. Apresentação 2

3 O planeamento estratégico insere-se no que facilmente se pode designar como instrumentos informais de planeamento não só porque não encontram nenhum imperativo legal para a sua realização como a metodologia de organização, desenvolvimento e mobilização de stakeholders e cidadãos é de uma grande flexibilidade. Para além disso a sua esfera de aplicação é também muito ampla, permitindo que o planeamento estratégico não seja apenas meramente uma intenção mas uma forma de intervir. Neste caso a proposta de trabalho centra-se na construção de um processo de planeamento estratégico simplificado, atendendo às circunstâncias próprias de um exercício académico, que se deve iniciar logo a partir do diagnóstico de um território. Neste caso concreto a opção deverá ser pela consideração de um dos seguintes concelhos da NUT III Alto Trás-os Montes: Alfândega da Fé Boticas Macedo de Cavaleiros Miranda do Douro Mogadouro Ribeira de Pena Valpaços Vila Flor Vila Pouca de Aguiar Vimioso Vinhais O trabalho de grupo é, assim, uma construção a 3 tempos: diagnóstico, recursos, governança; estratégia; operacionalização Objetivos a alcançar Compreensão dos passos mais comuns do planeamento estratégico; Visão integrada do processo de construção estratégica; Estimular a capacidade de proposição criativa e sustentada Forma de apresentação e entrega Existirão 3 partes que integrarão o documento final mas que serão apresentadas em momentos distintos. O suporte papel será o da apresentação do trabalho datas importantes Final Março 1º parte, apreciação e apresentação; Final Abril 2º parte, apreciação e apresentação; Final Maio 3ª parte, apresentação. 8. Bibliografia Principal 3

4 ALBRECHTS, L. (2004), "Strategic (spatial) planning reexamined", Environment and Planning B: Planning and Design, 31(5), pp FERRÂO, J. (2011), O ordenamento do território como política pública, FCG, Lisboa FONSECA FERREIRA, A. (2005), Gestão Estratégica de Cidades e Regiões, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa GONÇALVES, J. e FERREIRA, J. A. (2015), The planning of strategy: A contribution to the improvement of spatial Planning, Land Use Policy, 45, pp GONÇALVES, Jorge et al. (2009), Participação Pública e Monitorização de Planos in Métodos e Técnicas para o Desenvolvimento Sustentável, Parqueexpo, Lisboa, pp GUERRA, Isabel (2003), Tensões do Urbanismo Quotidiano in Políticas Urbanas. Tendências, estratégias e oportunidades, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa OLIVEIRA DAS NEVES, A. (1996), Planeamento Estratégico e Ciclo de Vida das Grandes Cidades? Exemplos de Lisboa e Barcelona, Ed. CELTA, Lisboa SEIXAS, J. (2007), Lisboa - Uma Análise Crítica à Governação da Cidade, Tese de doutoramento Universidade Autónoma de Barcelona/ISCTE, Lisboa-Barcelona. SILVA, J.L.A. (2005), Cenários para as indústrias dos sectores tradicionais em Portugal num horizonte de 2010/2015 e aplicação da metodologia da prospectiva estratégica à indústria cerâmica, CENCAL, Caldas da Rainha Secundária AAVV (1996), Guia para a elaboração de planos estratégicos de cidades médias, DGOTDU, Lisboa ALVES, Paulo (2007), Planeamento Estratégico e Marketing de Cidades, CCP, Lisboa ALVES, Sónia (2008), A diferença que a participação faz em iniciativas de regeneração urbana, Sociedade e Território, nº 41, pp AZEVEDO, A. et al. (2011), City Marketing, My place in XXI, 2ª ed., Vida Económica, Porto. BAGNASCO, A., LE GALÈS, P. (ed.) (2000), Cities in Contemporary Europe, Cambridge University Press, Cambridge BORJA, Jordi (2004), La Ciudad Conquistada, Alianza Esayo, Madrid COSTA, Eduarda M. (1999), Uma nota sobre as políticas de cidades em Portugal nos anos 90, Inforgeo, nº14, pp (acessível em CRAVEIRO, Teresa, Nunes da Silva, Fernando (2000), Participação pública na operacionalização do planeamento municipal, Urbanismo, 6, ano 2, pp FONT, JAUME y PUJADAS, ROMA (1998), Ordenacion y Planification Territorial, Ed. Sintesis, Madrid GODET, Michel (1993), Manual de Prospectiva Estratégica. Da antecipação à acção, Publicações D. Quixote, Lisboa. GONÇALVES, J. (Coord.) (2005), Plano Estratégico de Desenvolvimento do Norte Alentejano, AMNA, (acessível em GONÇALVES, J. (Coord.) (2009), Plano Estratégico de Constância 2020, CMC, (acessível em constancia.pt/nr/rdonlyres/a7370aad-e45d-47fb f4a /100185/relat%c3%b3rio_final_pos_apresenta%c3%a7%c3%a3o_maio_09.pdf GONÇALVES, J. (2008), Do Planeamento do Território ao planeamento do desenvolvimento, Actas da conferência Ad Urbem, LNEC, 12 de Dezembro GONÇALVES, J. (2009), Planeamento e Desenvolvimento, Inforgeo, Associação Portuguesa de Geógrafos, nº 24. GUELL, J. M. F. (2006), Planificación estratégica de ciudades, Editorial Reverté, Barcelona. 4

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