VOLUME 09 - NÚMERO MAGAZINE

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1 VOLUME 09 - NÚMERO MAGAZINE 1

2 É com grande satisfação que, no vigésimo oitavo ano de realização do Encontro Nacional de Atividade Física - ENAF, publicamos a Revista on-line ENAF SCIENCE. Tal publicação pode ser traduzida como uma forma de agradecimento e retribuição a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desse evento que integra o universo da atividade física e da saúde. No decorrer desses anos acreditamos ter participado da formação de milhares de acadêmicos e profissionais da área de educação física, fisioterapia, nutrição, enfermagem, turismo e pedagogia. A partir de 2004 passamos a realizar o Congresso Científico vinculado ao ENAF, dando mais um passo na construção dos saberes que unem formação e produção. É a partir desse contexto que a Revista on-line ENAF SCIENCE é novamente lançada. Esperamos que essa publicação enriqueça nossa área de ação. Nesta edição, estão presentes todos os trabalhos apresentados no Congresso Científico, seja sob forma de artigo completo ou como resumo na forma de pôster. Esperamos que este seja a continuação dos passos que pretendemos empreender na busca por um novo viés de conhecimento, fazendo com que o ENAF siga seu caminho mais essencial: participar da construção de uma ciência da atividade física. 2

3 ÍNDICE DOS TRABALHOS (Dica: clique no titulo abaixo para acessar a página do trabalho) ARTIGOS USO DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES POR FREQUENTADORES DE ACADEMIAS DE BOA ESPERANÇA MG... 5 INFLUÊNCIA DO TREINAMENTO RESISTIDO NA ATROFIA MUSCULAR EM PORTADORES DE DIABETES MELLITUS: UMA REVISÃO DA LITERATURA ESTÁGIO SUPERVISIONADO: UM DEBATE TEÓRIA VERSUS PRÁTICA NA FORMAÇÃO DO DOCENTE DE EDUCAÇÃO FÍSICA EDUCAÇÃO FÍSICA E PROMOÇÃO À SAUDE NO CONTEXTO DO NASF AVALIAÇÃO DA PERDA HÍDRICA DURANTE TREINO INTENSO DE JIU-JITSU BENEFÍCIOS DA MUSCULAÇÃO SOBRE A QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE FATORES MOTIVACIONAIS QUE INCIDEM SOB ADOLESCENTES PERTENCENTES AO PROGRAMA AABB COMUNIDADE E ALUNOS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DA CIDADE DE PITANGUI-MG PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADES ESPORTIVAS ANÁLISE DO ESTADO DE HUMOR EM NADADORES RECREATIVOS NÃO FEDERADOS NA REALIZAÇÃO DE TESTES T-30 E 4X DETECÇÃO DE OBESIDADE EM ESCOLARES DE RIO MANSO ANÁLISE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA E DA CONCENTRAÇÃO SANGUÍNEA DE LACTATO APÓS ESFORÇO AGUDO EM MOUNTAIN BIKE JOGO DE PETECA ENQUANTO MOMENTO DE LAZER: ANÁLISE DA MOTIVAÇÃO À PRÁTICA EM INDIVÍDUOS NA FAIXA ETÁRIA DE 45 A 55 ANOS OS BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO FUNCIONAL PARA O IDOSO COMPARAÇÃO DO PERFIL DE CICLISTAS DE ELITE DE ESTRADA COM CICLISTAS DE ELITE DE FORA DE ESTRADA EM MINAS GERAIS ORDEM NA EXECUÇÃO DE EXERCÍCIOS RESISTIDOS PARA MEMBROS INFERIORES AS LUTAS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR SEGUNDO A REVISTA NOVA ESCOLA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE 1986 ATÉ CICLISMO: UM OLHAR CINESIOLOGICO SOBRE O ESPORTE HÁBITOS ALIMENTARES DE PRÉ-ADOLESCENTES EM PERÍODO ESCOLAR O MACULELÊ NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: UMA REFLEXÃO DA LEI / A DANÇA POR UMA PEDAGOGIA CRÍTICO- EMANCIPADORA O ESPORTE E SUAS POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA A CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSAS PARTICIPANTES DA UNIVERSIDADE ABERTA PARA MATURIDADE - UNABEM

4 CORRELAÇÃO DOS EFEITOS GERADOS PELA MUSCULAÇÃO E TREINAMENTO FUNCIONAL NO PERCENTUAL DE GORDURA CORPORAL EM MULHERES RELAÇÃO ENTRE OS TESTES INDIRETOS PARA AVALIAÇÃO DO DANO MUSCULAR APÓS OS EXERCÍCIOS EXCÊNTRICOS FADIGA MUSCULAR E ORDEM NA EXECUÇÃO DE EXERCÍCIOS DE RESISTENCIA PARA MEMBROS INFERIORES RESUMOS COMPARAÇÃO DA FLEXIBILIDADE DE JOVENS NADADORES PARTICIPANTES DE UM PROGRAMA DE INICIAÇÃO ESPORTIVA, UTILIZANDO A TÉCNICA DA GONIOMETRIA ESTUDO COMPARATIVO DA CAPACIDADE AERÓBIA E ANAERÓBIA, DE JOVENS PRATICANTES DE FUTEBOL DE CAMPO, SEPARADOS POR CATEGORIAS A PROPOSTA PEDAGÓGICA DO TEACHING GAMES FOR UNDERSTANDING PARA A INICIAÇÃO DO FUTSAL ANALISE DO ÍNDICE DE OBESIDADE EM CRIANÇAS DE 6 A 10 ANOS DE IDADE DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DE AMBOS OS SEXOS E SEU DESEMPENHO MOTOR EM TESTES FÍSICOS: UM TRABALHO DO PIBID/UNIFOR MG OBESIDADE INFANTIL: ESTUDO DE CRIANÇAS DE UMA ESCOLA PUBLICA DA CIDADE DE MOCOCA SP CAPOEIRA NA RODA: ADAPTAÇÃO PARA ENSINAR CRIANÇAS ATIVIDADE AQUÁTICA NA PRIMEIRA INFÂNCIA A IMPORTÂNCIA DA AGILIDADE EM PRATICANTES DE FUTSAL LIBRAS: A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO SUPERIOR IMPACTO DO PROGRAMA LAZER ATIVO NO ESTILO DE VIDA DE TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA DE GRANDE PORTE DE CONSTRUÇÃO DE BARRAGEM EM PORTO VELHO A OBESIDADE VISCERAL E SUA RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA E A PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA ACADEMIA DA CIDADE NA POPULAÇÃO DO DISTRITO SANITÁRIO NOROESTE DE BELO HORIZONTE CONTRIBUIÇÃO DA PKCEPSILON NA CARDIOPROTEÇÃO MEDIADA PELO EXERCÍCIO FÍSICO

5 ARTIGOS USO DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES POR FREQUENTADORES DE ACADEMIAS DE BOA ESPERANÇA MG MONTEIRO, S.S.¹ RAMOS, K. C. 1 ; VIANNA, D 1,2. 1 ENAF DESENVOLVIMENTO Poços de Caldas, Minas Gerais - Brasil 2 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO São Paulo, São Paulo Brasil RESUMO Suplementos alimentares são recursos ergogênicos que visam promover um melhor desempenho físico, seja em atletas ou praticantes de algum exercício físico. Com isso, o objetivo do presente estudo é verificar a utilização de suplementos alimentares por frequentadores de academias da cidade de Boa Esperança Minas Gerais. O grupo de estudo foi composto por 155 indivíduos, sendo 32% do sexo feminino, e 68% do sexo masculino, com idades entre 14 e 58 anos. Os indivíduos responderam ao questionário com 12 perguntas alternadas entre objetivas e discursivas, referentes ao presente estudo. Os principais resultados indicaram: 54% praticam musculação; 43% utilizam suplementos alimentares; 71% utilizam sem orientação profissional. As fontes de indicação mais citadas foram: 44% é o próprio indivíduo, 21% Educador Físico, 17% amigos, 14% Nutricionista, e 5% Médico. Os suplementos mais citados respectivamente foram: Whey Protein, BCAA, Creatina e Dextrose. Pode-se concluir que apesar do consumo de suplementos alimentares serem frequentes e sem orientação profissional, a maioria dos entrevistados 57% não utilizam estes recursos. Palavras-chave: academias, suplementos alimentares, orientação profissional. ABSTRACT Dietary supplements are ergogenic resources to promote better physical performance, whether athletes or practicing exercise. Thus, the objective of this study is to verify the use or dietary supplements by gym goers of the city of Boa Esperança - Minas Gerais. The study group was composed of 155 subjects, 32% were woman and 68% were men, aged between 14 and 58 years. The subjects answered a questionnaire with 12 questions and open-ended alternate between referring to the present study. Results indicated: 54% practicing bodybuilding; 43% using dietary supplements; 71% use without professional guidance. The sources most cited indications were: 44% individual himself, 21% Physical 5

6 Educator, 17% friends, 14% Nutritionist, and 5% Doctor. The supplements most often cited were respectively: Whey Protein, BCAA, Creatine and Dextrose. It can be concluded that although the consumption of dietary supplements are frequent and without professional guidance, the majority of respondents 89 (57.42%) did not use these resources. Keywords: gym, dietary supplement, professional guidance. INTRODUÇÃO Os suplementos alimentares são produtos compostos por ao menos uma dessas combinações: vitaminas; minerais; ervas e botânicos; aminoácidos; metabólitos e extratos (ARAÚJO, et. al., 2002). Geralmente são utilizados por esportistas para promover no organismo um melhor desempenho nos exercícios físicos, principalmente na musculação (JESUS; SILVA, 2008). Há também aqueles, que consomem abusivamente alguns suplementos, para se atingir esteticamente determinados objetivos, em busca de um corpo perfeito, muitas vezes influenciado pela mídia, sem levar em consideração possíveis efeitos colaterais (SANTOS; SANTOS, 2002). Contudo, normalmente essa utilização nem sempre é realizada por um médico ou nutricionista (DOMINGUES; MARINS, 2007). Podendo tornar-se prejudicial à saúde sem uma correta orientação profissional (LOLLO; TAVARES, 2004). OBJETIVOS A pesquisa tem como objetivo verificar a utilização de suplementos alimentares por frequentadores de academias da cidade de Boa Esperança Minas Gerais. METODOLOGIA O instrumento utilizado para a obtenção dos dados foi um questionário composto por 12 questões alternando entre objetivas e discursivas, segundo Schnelder et al. (2008), inicialmente contendo dados de identificação do grupo e em seguida questões sobre uso, tipo, nome, finalidade e orientação no que diz respeito aos suplementos alimentares, aplicado em 155 indivíduos, selecionados de forma aleatória, sendo 105 do sexo masculino e 50 do sexo feminino, que frequentavam academias da cidade de Boa Esperança - MG. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados obtidos na pesquisa são apresentados a seguir: 6

7 Figura 1 A Consumo de suplementos alimentares: Figura 1 B Consumo de suplementos alimentares divididos por gênero. Verificou-se com os dados da figura 1 A, que, 43% utilizam algum tipo de suplemento alimentar, estes dados se encontram acima do esperado quando comparado a outras pesquisas (GOSTON, 2008; BRITO; LIBERALI, 2012; COSTA; ROCHA; QUINTÃO, 2013;). Podemos observar também através da figura 1 B, que 91% dos homens consomem suplementos alimentares, sendo que apenas 10% são as mulheres. Este fato, na literatura, mostra que os homens preferem um corpo musculoso levando muitas vezes ao consumo de recursos ergogênicos, enquanto que as mulheres preferem ser magras (ALBUQUERQUE, 2012). 7

8 Figura 2 A Frequência semanal de consumo de suplementos alimentares. Figura 2 B Frequência semanal de prática de exercício físico Podemos observar na figura 2 A, que 73% dos indivíduos consomem diariamente suplemento alimentar e que na figura 2 B, a maior parte dos entrevistados, 42% praticam exercício físico de 3 a 6 horas por semana. Com isso podemos questionar se realmente estes usuários necessitam ou não do consumo dos suplementos, e para sabermos isso, somente uma consulta com um profissional nutricionista, que é aquele apto a prescrever uma dieta, analisando a quantidade diária de consumo nutricional. Um melhor desempenho físico é ocasionado devido a vários fatores tais como: atividade física regular e específica a determinados objetivos, uma saudável e orientada dieta, fatores emocionais, psicológicos, dentre outros (DANTAS; OLIVEIRA, 2014). 8

9 Figura 3 Acompanhamento com orientação profissional Na figura 3, podemos notar que 71% não realizam um acompanhamento com orientação profissional. Segundo Fontenele e Luna (2013), também averiguaram recentemente em seus estudos, que hoje no Brasil, a maioria dos consumidores de suplementos alimentares, consome estes produtos sem uma devida orientação profissional, não conhecendo seus possíveis efeitos no organismo e podendo ocasionar sérios riscos à saúde, muitas vezes irreversíveis danos e ocasionando inclusive risco de morte (SANTOS; SAMPAIO, 2014). Figura 4 Indicação de suplementos alimentares A figura 4 aponta resultados interessantes, 44% dos indivíduos utilizam os suplementos alimentares por indicação própria. O Educador Físico que é o profissional que normalmente acompanha as sessões de treinos durante a prática de exercícios físicos e se encontra diretamente com o cliente, aparece em seguida com 21%. Na sequência, se encontram os amigos 17%, a Nutricionista 14%, e por fim o médico 5%. Entretanto, uma má indicação pode levar a sérios riscos à saúde de quem está consumindo erroneamente, além de tudo é caracterizado como crime a indicação por pessoas que não se encontram profissionalmente aptas à mesma, pois desconhecem a composição dos produtos, não 9

10 acompanham a dieta do indivíduo e não sabem se este é alérgico a algum composto químico (FONTENELE; LUNA, 2013). Figura 5 A Exercício físico mais praticado: Figura 5 B Objetivo da prática de exercício físico: Figura 5 C Suplementos alimentares mais utilizados: 10

11 Na figura 5 A, notamos que a maioria dos indivíduos, 91%, praticam musculação e que, 44% tem o objetivo de hipertrofia e/ou definição muscular, conforme a figura 5 B. Os suplementos mais citados pelos indivíduos, se encontram na figura 5 C, Whey Protein, BCAA e a Creatina, estes recursos ergogênicos tem como base a proteína, que é vista por muitos como o principal componente para os objetivos citados anteriormente. Além de tudo, estes produtos também são encontrados como os principais em uma pesquisa realizada recentemente por Costa, Rocha e Quintão (2013). CONCLUSÃO Os resultados apontam que grande parte dos indivíduos entrevistados utilizam suplementos alimentares sem orientação profissional e por iniciativa própria. Destes também muitos desejam uma hipertrofia e/ou definição muscular podendo justificar que a maioria utiliza suplementos proteicos e que estão satisfeitos com os resultados obtidos através da prática da musculação, que foi o exercício físico mais citado nos questionários. Contudo, torna-se crucial uma Nutricionista atuando dentro das próprias academias, pois o uso discriminado de recursos ergogênicos podem causar danos a alguns dos principais órgãos do corpo humano como: coração, fígado e rins. E nestes ambientes, é um local propício onde muitos decidem se irão consumir estes recursos ou não. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, M. M. Avaliação do consumo de suplementos alimentares nas academias de Guará/DF. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo, Vol.6, Núm. 32, p , Disponível em: <http://www.rbne.com.br/index.php/rbne/article/view/286/287>. Acesso em: 09 out ARAÚJO, L. R.; ANDREOLO, J.; SILVA, M. S. Utilização de suplemento alimentar e anabolizante por praticantes de musculação nas academias de Goiânia-GO. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Brasília. V.10. n.3. p Julho, Disponível em: <http://www.sncsalvador.com.br/snc/artigos/proteinastimerelease/uso-de-substanciasergogenicas-por-praticantes-de-atividade-fisica-estudo-realizado-em-uma-academ.pdf>. Acesso em: 09 out BRITO, D. S.; LIBERALI, R. Perfil do consumo de suplemento nutricional por praticantes de exercício físico nas academias de Vitória da Conquista - BA. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo, Vol.6, Núm.31, p 66-75, Disponível em: <http://www.rbne.com.br/index.php/rbne/article/view/263/265>. Acesso em: 09 out COSTA, D.C.; ROCHA, N. C. A.; QUINTÃO, D. F. Prevalência do uso de suplementos alimentares entre praticantes de atividade física em academias de duas cidades do vale do aço/mg: Fatores associados. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo. V.7. n. 41. P Set./Out Disponível em: <http://oaji.net/articles/ pdf>. Acesso em: 09 out

12 DANTAS, M. J. M.; OLIVEIRA, G. P. S. Avaliação do conhecimento básico sobre nutrição de educadores físicos e praticantes de academia na cidade de Manaus AM. Revista ENAF Science. Volume 9 Nº 01. P º Semestre de Órgão de divulgação científica do 56º ENAF POÇOS DE CALDAS/MG e 4º ENAF MANAUS/AM. Disponível em: <http://www.enaf.com.br/novosite/revista_cientifica/revista_congresso_cientifico_2014_1.p df.>. Acesso em: 09 out DOMINGUES; MARINS. Utilização de recursos ergogênicos e suplementos alimentares por praticantes de musculação em Belo Horizonte MG Disponível em:<http://fpjournal.org.br/painel/arquivos/4632%20musculacao%20rev%204% p df>. Acesso em: 09 out FONTENELE, M.L.S.; LUNA, G.I. Regulamentação da Suplementação Nutricional no Brasil. Acta de Ciências e Saúde. Número 2. Volume Disponível em: <http://www.ls.edu.br/actacs/index.php/acta/article/view/55/62>. Acesso em: 09 out GOSTON, J. L. Prevalência do uso de suplementos nutricionais entre praticantes de atividade física em academias de Belo Horizonte: Fatores associados. Dissertação Mestrado em Ciência de Alimentos.Faculdade de Farmácia. UFMG. Belo Horizonte Disponível em; < 7EMK4C/janaina.pdf?sequence=1>. Acesso em: 09 out JESUS, E. V.; SILVA, M. D. B. Suplemento alimentar como recurso ergogenico por praticantes de musculação em academias. ANAIS do III Encontro de Educação Física e Áreas Afins Núcleo de Estudo e Pesquisa em Educação Física (NEPEF) / Departamento de Educação Física / UFPI 23, 24 e 25 de Outubro de Disponível em: <http://www.ufpi.br/subsitefiles/def/arquivos/files/suplemento%20alimentar%20co MO%20RECURSO%20ERGOGENICO%20POR%20PRATICANTES%20DE%20MUSCU LAO%20EM%20ACADEMIAS.pdf>. Acesso em: 09 out LOLLO, P. C. B; TAVARES, M. C. G. C. F. Perfil dos consumidores de suplementos dietéticos nas academias de ginástica de Campinas, SP. Revista Digital Buenos Aires Ano 10 n.76. Set Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd76/supl.htm >. Acesso em 09 out SANTOS, J. A.; SAMPAIO, K. P. B. Os riscos do consumo de suplemento alimentar sem orientação do profissional nutricionista. Revista ENAF Science. Volume 9 Nº 01. P º Semestre de Órgão de divulgação científica do 56º ENAF POÇOS DE CALDAS/MG e 4º ENAF MANAUS/AM. Disponível em: <http://www.enaf.com.br/novosite/revista_cientifica/revista_congresso_cientifico_2014_1.p df.>. Acesso em: 09 out

13 SANTOS, M.; SANTOS R. Uso de suplementos alimentares como forma de melhorar a performance nos programas de atividade física em academias de ginástica. Revista Paulista de Educação Física jul-dez;16(2): Disponível em: <.http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/v16%20n2%20artigo5.pdf>. Acesso em 09 out SCHNELDER, C/ MACHADO, C/ LASKA, S.M./ LIBERALI, R. Consumo de suplementos nutricionais por praticantes de exercício físico em academias de musculação de Balneario Camboriu SC. Revista Brasileira de Nutricao Esportiva. São Paulo, v.2, n.11, p , Setembro/Outubro, Disponível em: <http://www.rbne.com.br/index.php/rbne/article/view/74/72>. Acesso em: 20 nov

14 INFLUÊNCIA DO TREINAMENTO RESISTIDO NA ATROFIA MUSCULAR EM PORTADORES DE DIABETES MELLITUS: UMA REVISÃO DA LITERATURA PEREIRA, A. A. J.¹; COSTA, M. J. S.²; 1- Enaf Desenvolvimento Maceió Brasil. 2- Enaf Desenvolvimento Maceió Brasil. Resumo Introdução: Nas últimas décadas observamos de forma acelerada a reviravolta nas dietas e no estilo de vida da população, influenciadas pela industrialização e urbanização, inerentes ao processo de globalização. O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica e multifatorial resultante da falha na secreção da insulina e/ou no comprometimento de sua ação. A atrofia muscular comum em pacientes diabéticos consiste em um fenômeno morfológico na fibra muscular, ou seja, a redução da sua área de secção transversa. O treino resistido é caracterizado pela realização de contrações musculares contra uma resistência (pesos livres ou máquinas), vem se destacando devido a sua eficácia no tratamento. Objetivo: Reunir os estudos que apontaram os efeitos do treino resistido sobre a atrofia muscular em indivíduos diabéticos. Materiais e Métodos: Foi realizada uma revisão bibliográfica do período de 1978 e 2013, por meio das bases de dados LILACS, MEDLINE e PubMed. Conclusão: O treinamento resistido é um grande aliado no tratamento de indivíduos portadores de diabetes mellitus por diminuir a atrofia muscular e aumentar a captação de glicose reduzindo seus níveis na corrente sanguínea. Palavras-chave: Atrofia muscular; Treinamento; Diabetes mellitus. Abstract Introduction: In recent decades we observed an accelerated way to twist the diets and lifestyles of the population, influenced by industrialization and urbanization, inherent to the globalization process. Diabetes Mellitus (DM) is a chronic, multifactorial disease resulting from failure in insulin secretion and / or impairment of its action. The common muscle atrophy in diabetic patients consists of a morphological phenomenon in muscle fiber, ie, reducing its cross-sectional area. Resistance training is characterized by performing muscle contractions against resistance (free weights or machines), has been highlighted due to its efficacy. Objective: Gather the studies that showed the effects of resistance training on muscle atrophy in diabetic individuals. Materials and Methods: A literature review from 1978 to 2013, through LILACS, MEDLINE and PubMed databases was performed. Conclusion: Resistance training is a great ally in the treatment of individuals with diabetes mellitus by decreasing muscle atrophy and increase glucose uptake by reducing its levels in the bloodstream. 14

15 KeyWords: Muscle atrophy; Training; Diabetic mellitus. INTRODUÇÃO Nas últimas décadas observamos de forma acelerada a reviravolta nas dietas e no estilo de vida da população, influenciadas pela industrialização e urbanização, inerentes ao processo de globalização. Em países em desenvolvimento e/ou em transição, o impacto na saúde se apresenta de maneira importante com consequências negativas devido aos padrões alimentares, redução das atividades físicas e o uso do tabaco que são correspondentes nos fatores etiológicos de doenças crônicas atribuídas às doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes que contribuem com cerca de 60% dos 56,5 milhões de óbitos no mundo. O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica e multifatorial resultante da falha na secreção da insulina e/ou no comprometimento de sua ação, levando ao aumento da concentração da glicose sanguínea e consequentemente produzindo alterações no metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. Essas alterações metabólicas induzem a algumas complicações, tais como, a nefropatia, a neuropatia diabética, a cardiomiopatia diabética e a atrofia muscular. A atrofia muscular comum em pacientes diabéticos consiste em um fenômeno morfológico na fibra muscular, ou seja, a redução da sua área de secção transversa, causando alterações funcionais, tais como, déficit na produção de força e potência muscular, aumento da fatigabilidade e resistência à insulina. Graças a evolução das técnicas de biologia molecular, alguns mecanismos estão sendo elucidados, proporcionando um melhor entendimento das vias de sinalização envolvidas no processo de atrofia muscular. Estudos apontam que o sistema ubiquitina-proteassoma (UPS) e a via de autofagia-lisossoma (ALP) são importantes contribuintes na via de degradação proteica na atrofia muscular. O proteassoma é um grande complexo multiproteico, regulador da ligação e da degradação das proteínas ubiquitinadas. Grande parte da degradação das proteínas miofibrilares da atrofia ocorre no proteassoma. Já na via de autofagia-lisossoma (ALP) ou Via de sinalização lisossomal ocorre através de organelas encapsuladas (lisossomos) que contêm várias proteases (catepsinas B, D, H e L, hidrolases ácidas). A via proteolítica lisossomal apresenta cerca de 9%, uma vez que catepsinas não degradam proteínas miofibrilares, exercendo seu maior papel de degradação de receptores, canais de íons e proteínas transportadoras. É evidente que os mecanismos indutores de atrofia atuam harmonicamente, mas pouco se sabe sobre como todos os mecanismos operam. Segundo o American College of Sports Medicine (2006), os exercícios físicos são atividades estruturadas e planejadas objetivando a promoção e aprimoramento da aptidão 15

16 física. Cada vez mais se mostram como uma ferramenta não farmacológica eficaz e interessante no controle da progressão de doenças crônicas como Diabetes Mellitus (DM). É consenso que o exercício físico é indicado na manutenção do controle da glicemia do paciente diabético devido ao aumento da velocidade do transporte da glicose sanguínea ao interior celular, além da ativação dos transportadores de glicose (GLUTs). Principalmente em fibras musculares do tipo I e IIa do músculo estriado esquelético, insere-se o transportador mais importante e abundante de glicose a GLUT-4. Devido a contração muscular a GLUT-4 é translocada das vesículas intracelulares para a membrana plasmática e túbulos T, aumentando drasticamente a captação de glicose para a célula além de reguladora da atividade da Akt / PKB. Os exercícios físicos podem ser caracterizados em isotônicos (dinâmicos) e exercícios isométricos (estáticos), os quais implicam em distintas respostas agudas e crônicas decorrentes do treinamento regular dependente da sobrecarga aplicada. São classificados conforme sua duração, intensidade e volume. São denominados aeróbio (Endurance) quando prevalecem as formas isotônicas ou anaeróbio (Resistido) quando componentes isométricos ou estáticos são mais prevalentes. O treino resistido é caracterizado pela realização de contrações musculares contra uma resistência (pesos livres ou máquinas), vem se destacando devido a sua eficácia no tratamento de indivíduos doentes graças a sua contribuição no aumento da síntese proteica, manutenção da massa muscular e o retardo em processo atróficos musculares. Vários mecanismos de sinalização intracelular estão envolvidos no controle da síntese proteica. O treino contra uma resistência aumenta a produção e os níveis locais de IGF- 1(insulin like growth factor) desencadeando cascata sequencial, ordenada por Akt/PKB (protein kinase B) que consequentemente promove ativação da via independente da mtor (mammalian target of rapamycin). A via Akt/PKB apresenta um papel importante no processo de síntese proteica devido a sua variedade de estímulos de crescimento celular. Estudos mostram que superexpressão da Akt1 resulta em condição hipertrófica tecidual do músculo esquelético além da prevenção da atrofia. O treinamento resistido (agudo ou crônico) é capaz de ativar a Akt no musculoesquelético de forma mais específica quando comparada com o treinamento aeróbio. Atrofia muscular no paciente diabético geralmente é expressa no sistema ubiquitina-proteasoma, considerado um importante fator da degradação proteica. A via de sinalização da mtor é ativada por hormônios como o IGF-1, tem sido considerada como uma importante estratégia de tratamento desta patologia, devido ao seu papel de crescimento e proliferação celular. O objetivo desta revisão foi reunir os estudos que apontaram os efeitos do treino resistido sobre a atrofia muscular em indivíduos diabéticos, 16

17 bem como desmistificar a prescrição deste tipo de exercício nesta população que ainda se apresenta duvidosa entre alguns profissionais da saúde. Figura1: Comparação as respostas aos estímulos dos treinamentos físicos de endurance e resistido. Síntese proteica estimulada pelo treinamento resistido através da via IGF/Akt/mTOR. IGF: insulin like growth factor, Akt: protein kinase B, mtor: mammalian target of rapamycin; Via estimulada pelo treinamento de endurance: AMP: adenosine monophosphate, AMPK: adenosine monophasphate protein kinase, PGC-1α: peroxisome proliferator-activated receptor coactivator-1α, P = phosphorylation TSC2 = tuberous sclerosis complex 2 (figura adaptada: Coffey, Sports Med; 37 (9),2007). OBJETIVO Reunir os estudos que apontaram os efeitos do treino resistido sobre a atrofia muscular em indivíduos diabéticos. MATERIAIS E MÉTODOS Foi realizado um levantamento literário de estudos nacionais e internacionais referentes ao tema, encontrados nas bases de dados LILACS, MEDLINE e PubMed com publicação entre os anos de 1978 e Foi considerado pelo autor estudos que relacionavam a resposta do exercício resistido no sistema músculo esquelético de indivíduos através das palavras diabetes melitus, treino resistido, atrofia muscular, via de sinalização da síntese proteica, diabetic melitus, resistance training, muscle atrophy, signaling pathway protein synthesis. Dentre as referências encontradas, foram selecionados 30 artigos julgados relevantes, incluindo estudos experimentais e revisões. A busca foi realizada nos portais científicos de revistas eletrônicas. 17

18 DISCUSSÃO Moura, Matos e Higino (2006) verificaram que mulheres diabéticas do tipo II após serem submetidas ao treinamento resistido utilizando aparelhos e pesos livres apresentaram melhoras significantes da massa corporal total, além de proporcionar uma melhora na resistência ao esforço físico. Castaneda et al. observaram a eficiência do treino resistido com alta intensidade utilizando entre 60% e 80% de1rm e volume igual a três séries de 8 repetições, frequência de três dias na semana e verificaram a elevação da massa e força muscular quando comparados ao grupo controle. Erikkson et al. demonstraram em seus estudos que durante 3 meses de aplicação do treinamento resistido com intensidade moderada foi capaz de oferecer melhorias na massa corporal magra. Baldi et al. encontraram um aumento de 3,5 % na massa livre de gordura após a aplicação de um programa de treinamento resistido com intensidade moderada, volume entre repetições, número de séries determinadas pela falha muscular, e com curtos períodos de recuperação entre as séries. Em um estudo, Baldi e Snowling submeteram homens obesos e diabéticos tipo 2 a dez exercícios resistidos para grandes grupamentos musculares com intensidade moderada, e frequência semanal igual a três, promovendo além da melhoria no controle glicêmico constatou aumento da massa muscular e consequentemente a força muscular. Em um estudo envolvendo 10 homens diabéticos tipo II e 7 saudáveis, Holten et al. protocolaram em seu programa a resistência não mais do que 20 % de 1-RM em uma perna, durante 30 minutos 3 vezes por semana durante 6 semanas, enquanto a outra perna não recebeu estímulos. Em seguida foram realizadas biópsias musculares que apresentaram um aumento no teor de GLUT4 e atividade de síntese proteica. Ishii et al. (1998), apud Tresierras; Balady (2009), em seu estudo com 24 indivíduos separados em dois grupos de não obesos com diabetes mellitus tipo 2. Um grupo sedentário e o outro realizou treinamento com intensidade moderada e alto volume. O treinamento consistiu de duas séries de nove exercícios de dez a vinte repetições com carga de 40% a 50% de 1-RM, treinando cinco vezes por semana durante quatro a seis semanas. Os pesquisadores descobriram um significativo aumento da taxa de captação de glicose no grupo treinado, atribuindo essa mudança em grande parte para possíveis mudanças na fibra muscular. Eles afirmaram que a intensidade moderada e exercícios de alto volume usados em seu estudo têm adaptações induzidas semelhantes aos estudos em que um aumento na conversão de fibras tipo 2b em fibras tipo 2a foi observada. Junqueira; Lima (2004), Sancho; Santos (2004), Danilo; Mattos e Higino (2006), verificaram em seus estudos que o treinamento com um período de apenas oito semanas não foi capaz de reduzir significativamente a glicemia em jejum, indo de encontro com 18

19 Duarte; Martins (1998), afirmam que já nos três primeiros meses de treinamento é possível observar reduções significantes da glicemia em jejum e que após esse período não tem redução significante, corroborando com Cartee; Bohn (1995), que em uma única sessão de exercício físico já se observa uma aumento da capacidade de transporte de glicose no músculo. CONCLUSÃO O treinamento resistido é um grande aliado no tratamento de indivíduos portadores de diabetes mellitus por diminuir a atrofia muscular e aumentar a captação de glicose reduzindo seus níveis na corrente sanguínea. A atrofia muscular terá seus efeitos como diminuição da área de secção transversa da fibra muscular e do conteúdo proteico, diminuição de força e potência, aumento da fatigabilidade e aumento da resistência à insulina reduzidos com a liberação do IGF-1 e outras reações desencadeadas através do treinamento resistido. Estudos comprovam que o treinamento com intensidade baixa a moderada e alto volume tem mais eficácia pelo fato de ocorrer uma conversão das fibras tipo 2b em tipo 2a que tem maior concentração de GLUT -4 e maior resposta a insulina. É necessário a realização de novos estudos para se ter certeza no que diz respeito ao tempo de duração do treinamento, já que existe uma controvérsia. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BALDI, J. C.; SNOWLING, N. Resistance training improves glycaemic control in obese type 2 diabetic men. Disponível em: < Acesso em: 06 mar CÂMARA, L. C.; BASTOS, C. C.; VOLPE, E. F. T. Exercício resistido em idosos frágeis: uma revisão da literatura. Disponível em: < Acesso em: 06 mar CASTANEDA, C. et al. Randomized Controlled Trial of Resistance Exercise Training to Improve Glycemic Control in Older Adults With Type 2 Diabetes. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/ >. Acesso em: 06 mar CORTRIGHT, R. N.; DOHM, G. L. Mechanisms by which insulin and muscle contraction stimulate glucose transport. Disponível em: < Acesso em: 06 mar

20 FORJAZ, C.L.M.; TINUCCI, T. A medida da pressão arterial no exercício. Disponível em: <http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil >. Acesso em: 06 mar GONZALEZ, E.; McGRAW, T. E. Insulin Signaling Diverges into Akt-dependent and - independent Signals to Regulate the Recruitment/Docking and the Fusion of GLUT4 Vesicles to the Plasma Membrane. Disponível em: < Acesso em: 06 mar HUANG, J. et al. Effect of a Low-Protein Diet Supplemented with Ketoacids on Skeletal Muscle Atrophy and Autophagy in Rats with Type 2 Diabetic Nephropathy. Disponível em: < Acesso em: 06 mar INOKI, K. et al. mtorc1 activation in podocytes is a critical step in the development of diabetic nephropathy in mice. Disponível em: < Acesso em: 06 mar LA ROVERE, M. T. et al. Exercise-induced increase in baroreflex sensitivity predicts improved prognosis after myocardial infarction. Disponível em: < Acesso em: 06 mar LECKER, S. H.; GOLDBERG, A. L.; MITCH, W. E. Protein degradation by the ubiquitinproteasome pathway in normal and disease states. Disponível em: < Acesso em: 06 mar LIEBERTHAL, W,; LEVINE, J. S. The role of the mammalian target of rapamycin (mtor) in renal disease. Disponível em: < Acesso em: 06 mar MARETTE, A. et al. Abundance, localization, and insulin-induced translocation of glucose transporters in red and white muscle. Disponível em: < Acesso em: 06 mar MORI, H. et al. Critical roles for the TSC-mTOR pathway in beta-cell function. Disponível em: < >. Acesso em: 06 mar MORI, H. et al. The mtor pathway is highly activated in diabetic nephropathy and rapamycin has a strong therapeutic potential. Disponível em: < Acesso em: 06 mar MOURA, D. P.; MATTOS D. M. S.; HIGINO W. P. Efeitos do treinamento resistido em mulheres portadoras de diabetes mellitus tipo II. Disponível em: < Acesso em: 06 mar

21 MUIR, A.; SCHATZ, D. A.; MACLAREN N. K. The pathogenesis, prediction, and prevention of insulin-dependent diabetes mellitus. Disponível em: < Acesso em: 06 mar PAGE, M. M.; WATKINS, P.J. Cardiorespiratory arrest and diabetic autonomic neuropathy. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/74496>. Acesso em: 06 mar PEDERSEN, B. K.; SALTIN, B. Evidence for prescribing exercise as therapy in chronic disease. Disponível em: < Acesso em: 06 mar PRICE, S.R. et al. Muscle wasting in insulinopenic rats results from activation of the ATPdependent, ubiquitin-proteasome proteolytic pathway by a mechanism including gene transcription. Disponível em: < Acesso em: 06 mar SILVEIRA, J.A.A. et al. Características da assistência à saúde a pessoas com Diabetes mellitus acompanhadas na Unidade de Saúde da Família Pedregal II, em Cuiabá, MT: reflexões para a equipe de saúde. Disponível em: < Acesso em: 06 mar THOMPSON P. D, et al. The acute versus chronic response to exercise.disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/ >. Acesso em: 06 mar TRESIERRAS, M. A.; BALADY, G. J. Resistance Training in the Treatment of Diabetes and Obesity. Disponível em: < Acesso em: 06 mar WALBERG, J.L. et al. Exercise capacity and nitrogen loss during a high or low carbohydrate diet. Disponível em: < Acesso em: 06 mar WANG, X. et al. Insulin resistance accelerates muscle protein degradation: Activation of the ubiquitin-proteasome pathway by defects in muscle cell signaling. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/ >. Acesso em: 06 mar WILD, S. et al. Global prevalence of diabetes: estimates for the year 2000 and projections for Disponível em: < Acesso em: 06 mar ZORZANO, A.; FANDOS, C.; PALACÍN, M. Role of plasma membrane transporters in muscle metabolism. Disponível em: < Acesso em: 06 mar

22 ESTÁGIO SUPERVISIONADO: UM DEBATE TEÓRIA VERSUS PRÁTICA NA FORMAÇÃO DO DOCENTE DE EDUCAÇÃO FÍSICA ARAÚJO, Fernanda A. L. Especialização em Musculação e Personal Trainer- Macapá Amapá Brasil OLIVEIRA, Jari Kardec Pereira Docente Centro de Ensino Superior do Amapá- CEAP- Macapá Amapá Brasil RESUMO:A Educação Física é uma área abrangente, engloba diferentes intervenções educacionais, exerce influencia na formação cultural do indivíduo. Por ser uma área de implicações teórica- prática, entre estas experiências a disciplina Estágio Supervisionado se mostra como integradora da teoria com a prática. Considerar o estágio supervisionado um dos indicantes que norteiam as competências da formação inicial frente à realidade revela a necessidade de coerência entre o que acadêmico aprende e o que lhe é ensinado, para então chegar ao que de fato ira lecionar após formar-se, fica ao acadêmico o comprometimento de harmonizar o conteúdo com a realidade a qual este inserido. O objetivo deste estudo foi realizar uma análise sobre o estágio supervisionado do curso de educação física sob os aspectos teória versus prática na formação do docente de educação físicapara identificar ou não a existência do compromisso político, ético, social e cultural. Para realização da referida pesquisa utilizou-se os pressuposto metodológico da pesquisa quali- quanti. Para coleta de dados fez-se uso do questionário semi- estruturado contendo nove perguntas fechadas e seis abertas. Foram sujeitos da pesquisa alunos do 7º semestre do curso de educação física.os resultados apresentados nesse estudo demostram o estágio como necessário quando há uma reflexão teórica sobre a prática na formação do docente. Podemos mensurar que há necessidade de um maior conhecimento por parte do aluno da importância da disciplina estágio supervisionado para a ação docente, que as teorias trabalhadas durante o curso de formação devem respaldar as ações práticas nas quadras de aula, rompendo assim a dicotomia teoria/prática. PALAVRAS CHAVE: Estágio Supervisionado; Formação Docente; Educação Física. Abstract:physical education is a comprehensive area encompasses different educational interventions, exerts influence on the cultural education of the individual. For being an area of theoretical-practical implications, among these experiments supervised internship discipline if shows how integrative theory with practice. Consider the supervised one of the indicantes that guide the powers of initial formation the reality reveals the need for coherence between what academic learning and what you are taught, to then arrive at what indeed ira teaching after graduating, is the academic commitment to harmonize the content with the reality which this inserted. The aim of this study was to conduct a review on the supervised internship course of physical education under the theory versus practice aspects in the training of physical education teachers to identify whether or not the existence of political commitment, ethical, social and cultural. For realization of this research we used the methodological assumption search quali-quanti. Data collection was 22

23 done using semi-structured questionnaire containing nine questions closed and six open. Research subjects were students of the 7th semester of physical education course. The results presented in this study demonstrate the stage as required when there is a theoretical reflection on the practice in the training of teaching staff. We can measure that there is need for greater student knowledge of the importance of discipline supervised teaching internship, that action theories worked during the training course must support the practical actions in the classroom, disrupting the dichotomy between theory. Keywords: Supervised Internship; Teacher Training; Physical Education. Introdução: A Educação Física é um componente curricular que permite o uso de diferentes intervenções educacionais e exerce influência na formação cultural do indivíduo. Por ser uma área de implicações teórica e prática permite durante a formação acadêmica vivências constantes da realidade que os futuros professores irão encontrar após a formação, entre estas experiências o Estágio Supervisionado se mostra como integradora da teoria com a prática. Considerar o estágio supervisionado um dos indicantes que norteiam as competências da formação inicial frente à realidade revela a necessidade de coerência entre o que acadêmico aprende e o que lhe é ensinado, para então chegar ao que de fato ira lecionar após formar-se, fica ao acadêmico o comprometimento de harmonizar o conteúdo com a realidade a qual este inserido.o estágio também é obrigatório e dependendo da área do conhecimento a negligência da não realização acarreta consequências sérias; o compromisso com a Educação e principalmente com a Educação Física tem que ser constante, pois é a partir do estágio que o acadêmico pode fazer uma ponte de ligação entre teoria e prática no ambiente escolar. Esta combinação entre teoria e prática apresenta relação quando chega ao ambiente escolar, sendo na escola uma das base de construção das práticas pedagógicas dos acadêmicos, dando suporte para reconhecer-se como um todo, desenvolver a imaginação criadora, esta comunicação proporciona ao estagiário analise diversa da real situação da escola, da sociedade e consequentemente uma breve reflexão sobre sua formação.o desleixo com estágio supervisionado é um desmazelo direto com formação docente, o acadêmico além de não compreender a finalidade do estágio também não entende o significado suas funções no ambiente escolar. Neste mesmo ponto o estágio supervisionado disponibiliza a realização em escolas de educação básica e estima o regime de coparticipação entre os sistemas de ensino, ou seja, busca a participação da instituição superior formadora e a escola de atuação do estágio. O estágio tem o intuito de promover o conhecimento sobre a realidade a ser enfrentada pelos futuros professores, logo necessita durante sua consecução da participação efetiva comprovada pela frequência, relatórios etc. Os acadêmicos estagiários tem que fazer parte do cotidiano da escola, só assim poderão compreender de fato suas pertinências no ambiente escolar, e, portanto, podendo abarcar o que é ser professor.deste modo, pretende-se analisar o estágio supervisionado sob os aspectos teoria versus prática na formação do docente de Educação Físicapara identificar ou não a existência do compromisso político, ético, social e cultural. Este estudo pode contribuir para 23

24 compreensão, reformulação, e acompanhamento do estágio supervisionado em Educação Física do Centro de Ensino Superior do Amapá-Ceap, auxiliar na construção da sua pratica pedagógica, não só no intuito de formar-se professor, mais compreender a importância de ter esta experiência acadêmica. Logo, os objetivos específicos deste estudo buscam: a) analisar como o estagio pode influenciar na formação acadêmica em Educação Física; b) relacionar teoria versus prática nas intervenções do estagio supervisionado do curso de Educação Física; c) Ressaltar as expectativas que os acadêmicos têm em relação ao estágio supervisionado. A preocupação com a formação acadêmica de preparar efetivamente para atuar na realidade, deve ser motivo de estudo, analise e crítica constante. Este estudo ao pretender contribuir para elucidar sobre estágio supervisionado no tocante teória versus prática na formação docente do curso de Educação Física do Centro de Ensino Superior do Amapá- CEAP justifica a sua realização. Revisão de Literatura O curso de Educação Física é uma das profissões que mais cresce no Brasil, a cada ano são mais de 100 mil vagas abertas por todo país, sendo considerado um dos 10 cursos que mais formam profissionais. De 1997 a 2007 o curso de saiu de 13ª pra 8º lugar no número de concluintes e as instituições privadas são responsáveis por quase 89% dessa demanda, assim percebe-se quanto está acessível formar-se em Educação Física, contudo, não significa que o numero de profissionais são de fato comprometidos com a Educação, ou até mesmo demonstre quanto desses profissionais então atuando na área (SILVA et al, 2009). Lobato (2010) apresenta a preocupação com a formação acadêmica, o que gerou e gera muitas discussõespor parte de quem atua na área. Isso esta espelhado na resolução nº 1 de 2002 que induz a formação profissional quanto aos princípios que norteiam o exercício profissional na educação básica. Segundo o autor, a resolução considera que o curso superior de formação deve propor conexão entre a formação apresentada e a prática aguardada do futuro professor, tendo em vista ares como harmonia no preparo desse profissional. Assim a resolução nº 1 de 2002, estabelece as instituições formadoras algumas sugestões para a formação superior: b) a aprendizagem como processo de construção de conhecimentos, habilidades e valores em interação com a realidade e com os demais indivíduos, no qual são colocadas em uso capacidades pessoais; Silva, Bracht (2005) argumentam que o desamparo que os acadêmicos e professores estão suportando os coloca frente a situações de escolhas, formar em Educação Física para sentar e rolar a bola deixando que a disciplina ganhe mais fama de disciplina recreativa, de matéria auxiliadora para organização de eventos na escola, ou ainda pior, desistir da profissão antes mesmo de formar-se no intuito de não poder ou não ter a capacidade de mudar a realidade atual. A Educação Física por atuar em varias áreas educacionais do movimento humano, possibilita diferentes intervenções e até mesmo influencia na formação cultural do individuo, levando-os a uma fixação qualificada e crítica no âmbito do lazer emancipatório, das práticas corporais, da vida com melhor qualidade e que ampliam o diálogo com o 24

25 mundo e consigo, através da cultura corporal do movimento humano.por ser uma área de implicações teórica- prática proporciona durante a formação acadêmica a vivência constante da realidade que os futuros professores irão encontrar após a formação, entre estas experiências a disciplina estágio supervisionado se mostra como integradora da teoria com a prática. (KUNZ, 2005). Na resolução nº 1 de 2002, no que diz respeito a diretrizes curriculares nacionais para formação de professores da educação básica reafirma as condições para o estagio curricular supervisionado: 3º O estágio curricular supervisionado, definido por lei, a ser realizado em escola de educação básica, e respeitado o regime de colaboração entre os sistemas de ensino, deve ser desenvolvido a partir do início da segunda metade do curso e ser avaliado conjuntamente pela escola formadora e a escola campo de estágio. No mesmo sentido, Souza, Bonela e Paula (2007) afirmam que o professor deve aprender na escola e em sala de aula os ofícios da profissão, objetivando estudar as diversas modalidades, bem como temas inerentes às formas do movimento do humano e o distanciamento entre teoria e prática deixa lacunas durante a vida acadêmica e após a formação, embora haja reflexões, análise, crítica e até mesmo sugestões acerca da realidade da escola e da prática do professor, a realidade não é modificada, apenas criticada constantemente sem apresentação de soluções para uma Educação Física mais abrangente. Freire (1996) faz um aforismo da teoria sobre a prática onde expõe a importância de fazer uma reflexão quanto à formação e a prática educativa do professor, nesse contexto a relação teoria/ pratica exige criticidade sem muita discrição e falatórios sem nexos ou prática militante, ou seja, o discurso teórico deveria ter uma reflexão concreta diretamente ligada na pratica. A questão teoria e pratica num contexto unificado, pois assim sua separação é mera dicotomia passada nas academias de nível superior. Teoria e pratica estão implícitas na formação docente, norteia a de certo modo a prática pedagógica e o estágio cada vez mais se traduz em cumprimento de carga horária, uma simples burocracia exercida pelos acadêmicos, tão pouco sabem de suas finalidades, ou buscam fazem reflexões de sua pratica dentro de uma fundamentação teoria na realidade social em que o ensino se processa, o estágio reduz-se a observar os professores em aula e a imitar esses modelos (PIMENTA; LIMA, pag /2006). Guedes (2009) destaca que a falta de significado no estágio se concretiza na pratica pedagógica uma vez que não há relação entre teoria pratica no ambiente escolar, posto que a escola é um ambiente de construção do conhecimento e deve ser acompanhada do professor da escola e coordenador do estagio. Outrora o estagio deve ser pensado e planejado para que possa de fato contribuir na integração do estagiário no universo escolar, consecutivamente empesa a ideia de pratica pela pratica. Teixeira & Oliveira (2012) contribuem reafirmando que nos cursos de formação anda há uma separação das dimensões teoria e pratica, embora o discurso de preparação docente seja conteúdo teoria correspondente à atividade pratica. Nesta perspectiva Xavier & Pietro (2011) expõem que o estágio supervisionado se dá de forma secundária na formação, embora reafirme sobre o contato com a realidade oferecido pelo estágio e a criação de 25

26 condições para que esses possam analisar a escola, criticar suas deficiências e propor soluções. Rodrigues (2011) enfatiza que o conhecimento de se ensinar está relacionado à própria prática, por ter um caráter experimental carregado de valor, os quais podem destacar o conhecimento prévio ou já fundamentado, o planejamento e a aplicação dos conteúdos. Assim o professor- acadêmico através de tentativas irá montar sua própria experiência para então lecionar, não como algo fixo e concreto, mais também como algo temporário, sujeito a mudanças.é através desta aprendizagem do conteúdo sequencial vivenciado na escola que o futuro professor irá montar sua bagagem cultural para ensinar seus alunos. Portanto é importante que o professor conheça os conteúdos a serem ministrados, bem como a realidade na qual que está inserido, para então formar suas bases pedagógicas para lecionar. O estágio supervisionado oportuniza os primeiros contatos com a práxis da profissão, levando o acadêmico a observar, analisar, refletir acerca das questões que envolvem a escola, a profissão e a sociedade, este convívio dentro do ambiente escolar propicia ao acadêmico, bases práticas reais como professor, além de aproximá-lo do mercado de trabalho e possibilitar uma interação constante com o ambiente escolar. Contudo não é difícil encontrar acadêmicos sem interesse com estágio, pois o falta de incentivo, precariedade da rede publica de certo modo desestimula alguns acadêmicos. (ILHA; KURG, 2008). Nesta mesma linha Ivo &Krug (2008) indicam que deve haver uma maior relação entre escola e estagiários pra que possa haver a interação, diálogo entre as partes, sempre na busca do aperfeiçoamento das práticas pedagógicas do estagiário, pois o acadêmico deve fazer parte do contexto escolar. Assim a escola, como espaço de múltiplas vivências, propicia e oportuniza ao acadêmico a aprendizagem das competências pedagógicas para ensinar. Rodrigues (2006) mostra que através de uma nova formulação do estágio e da educação brasileira e pode-se dizer que da Educação Física, com um olhar mais profundo de suas potencialidades educacionais amenizará algumas falhas na formação acadêmica, ou pelo menos durante o processo de estágio supervisionado, ocorrerá uma maior percepção do que é Educação Física e de seu papel formador na sociedade. Procedimentos metodológicos Para realização deste estudo utilizou- se uma investigação do tipo quali-quanti de caráter descritivo, pois Marconi e Lakatos (2008, p.189) todos eles empregam artifício quantitativos tendo por objetivo a coleta sistemática de dados sobre populações, programas ou amostras de populações e programas. Realizou-se também uma revisão bibliográfica com objetivo de buscar informação sobre o tema em questão e trazer a tona como a literatura especializada tem abordado atualmente o tema. A técnica empregada é a de questionário com perguntas abertas e fechadas, sendo um questionário destinado ao professor da escola dos estagiários e outro para os acadêmicos do 7º semestre de Educação Física do Centro de Ensino Superior do Amapá- Ceap.As perguntas fechadas foram submetidas análise estatísticas e as perguntas abertas foram analisadas a luz da teoria. Para analise das perguntas abertas inicialmente realizamos uma leitura flutuante, em seguida uma leitura aprofundada e 26

27 finalmente uma leitura exaustiva, seguida separamos as perguntas mas relevantes para este estudo e separamos as palavras que mais se repetiam nas falas dos sujeitos. A coleta de dados se deu por meio de questionários, que segundomarconi &Lakatos, (2010) realiza-se através de questionário, de formulário, de medidas de opinião e atitudes e de técnicas mercadológicas. Optou-se em utilizar somente uma técnica, o questionário, que é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série de perguntas ordenadas.o trabalho foi de campo, realizado em 01 Instituição de Ensino Superior no Município de Macapá. Consistir em da seguinte forma: Na 1 ocasião foi aplicado o questionário para os acadêmicos do 7º semestre do turno vespertino e noturno. Utilizouse para coleta de dados dois questionários, o primeiro direcionado para o acadêmicos(as) de Educação Física, o segundo questionário foi direcionado aos Professores das escolas de estágio dos acadêmicos com perguntas abertas e fechadas e aprovadas pelo professor-orientador. Os sujeitos participantes deste estudo foram acadêmicos do curso de Educação Física do 7º semestre do Centro de Ensino Superior do Amapá- CEAP, em Macapá- AP, os quais espontaneamente concordaram em participar do estudo. Foi realizado questionário com 02 professores de Educação Física das escola de estágio. Análise e discussão dos resultados Os gráficos e tabelas abaixo demonstram alguns dos resultados encontrados durante a pesquisa realizada com acadêmicos do curso de Educação Física do 7º semestre do Centro de Ensino Superior do Amapá- CEAP. Na (FIGURA 1) em relação a apresentar o projeto de ação no estágio 87% dos pesquisados responderam que apresentam seus projetos, contudo, percebemos que 13% não apresentam seus projetos de ação na escola. FIGURA 1- Você apresenta algum projeto em seu estágio? Segundo o PPP CEAP(2008) o projeto de ação a ser desenvolvido pelos acadêmicos do 7º semestre deverá ter carga horaria de 150 horas no ensino médio, no entanto o mesmo PPP não detalha mais sobre o conteúdo, método e fins do projeto de ação na escola, nem relaciona que os acadêmicos irão executar na escola, ficando a critério do acadêmico adaptar seu projeto aos conteúdos do professor. Percebendo que os acadêmicos estagiários possuem um projeto de ação na escola, na (FIGURA 2), apresenta 84% dos pesquisados conseguem desenvolver seus projetos, enquanto 16% dos pesquisados não conseguem desenvolver, podemos analisar que pode haver outros motivos implícitos nestes dados, mas que não foram mensurados nas respostas, algumas delas percebemos que as escolas não levam em consideração o 27

28 projeto dos estagiários produzindo margem para aulas descontextualizadas, sem nexo com o conteúdo do professor. FIGURA 2 Você consegue desenvolver este projeto? No (QUADRO 1) as respostas positivas estão diretamente relacionadas a participação dos alunos, aceitação dos professores e intervenções bem sucedidas, além de planejamento e do respaldo da coordenação pedagógica. Já nas respostas negativas estão associadas a não aceitação da escola e a violência no ambiente escolar. Se pensarmos numa prática, a Educação Física engloba estes aspectos de violência nos temas transversais, o que podemos concluir a não justificativa a ausência da aplicação do projeto de ação na escola. Quadro 1 Você conseguir desenvolver o projeto de ação na escola? o professor deixa nós intervirmos em algumas de suas aulas a escola deixou os acadêmicos do grupo livres para desenvolver o projeto os alunos tem uma grande aceitação e intimidade com o conteúdo Sim, porque proposto todas as atividades que trabalhei ambas foram planejadas de forma a se adequar a realidade dos alunos sempre tenho respaldo pedagógico para execução do projeto pelo fato de não ser aceito pela direção da escola Não, porque Por estar em um período de violência No que se refere a disponibilização de recursos e estrutura para desenvolver o estágio, 62% afirmaram que a escola oferece estrutura necessária, com materiais adequados, o que pode ser verificado na (FIGURA 3), onde esta representado algumas das falas dos acadêmicos. Podemos notar que as escolas de estágio oferecem recursos e estrutura adequada para prática de Educação Física, fato este que os ajuda a terem maior confiança para assumir as turmas. 28

29 FIGURA 3 A escola disponibiliza recursos e estrutura para que você possa desenvolver seu estágio? No (QUADRO 2) os acadêmicos expõem algumas falas em relação a orientação pedagógica do professor de Educação Física durante suas intervenções na escola, analisamos que alguns acadêmicos sentem dificuldades nessa não colaboração do professor no processo de estágio. Quadro 2 Sim Este fato influencia de algum a forma o seu estágio? Não Você tem orientação pedagógica (supervisor, professor) da escola para estagiar? me encontrava e me encontro em processo de aprendizagem, dai, um supervisor pode acrescentar algo facilita pois a experiência que o professor tem resolve alguns problemas que enfrentamos na escola pois sua orientação pedagógica contribui para o sucesso de seu estágio com as orientações podemos aprender como trabalhar de forma coerente, um trabalho de qualidade e que faça diferença na vida do meu aluno acompanhamento nos estágios, nunca tivemos pois acaba levando aqueles que não dão muita importância no estagio a estarem presentes com o grupo dentro do colégio eu tentava desenvolver atividades de acordo os quais ele tivesse trabalhando Em algumas respostas os próprios acadêmicos dizem que o fato do professor não orientar a atividades não influencia no seu estágio, o que no leva a refletir sobre esta visão de estágio em que os acadêmicos estão tendo. Por outro lado nas respostas dos professores pesquisados 100% afirmam que orientam seus estagiários nas atividades, mas o que de fato acontece é que os professores não cumprem a risca os seus discursos, ou seja, durante a observação da pesquisa ficou constatado que não há essa orientação por parte do professor. 29

30 FIGURA 4- O professor da sua escola avalia sua pratica docente? Em algumas das falas dos acadêmicos percebemos que o estagio não tem sua devida função e que mesmo indo a escola tanto o acadêmicos quanto o professor não valorizam o estágio, hora por desconhecer suas finalidade, hora pela própria negligencia com a Educação.Percebe-se que no próprio discurso dos acadêmicos há controvérsias em relação a falta de materiais, haveria uma não disponibilização de estrutura adequada e materiais necessários, por outro lado na (FIGURA 4) os próprios acadêmicos afirmam que a escola disponibiliza estrutura e materiais adequados para a aplicação do projeto e intervenção nas aulas. Contudo os acadêmicos aparentemente jogam a culpa na escola e na falta de materiais para não realizar de uma educação física produtiva, inclusiva e social. Ponderamos ao dizer que o acadêmico também tem sua parcela de culpa ao tentar burlar a pratica da educação física apoiando- se na falta de materiais e estrutura adequados, esquecendo-se de valores aprendidos nas salas da academia e tantas vezes socializados, discutidos por todos. Quais as maiores dificuldades que você encontra durante o Quadro 3 estagio? alunos rebeldes Alunos fazer com que os alunos se interessem pela aula a pouca experiência em lidar com alunos bem dificuldades a mim não são obstáculos no estágio há vários tanto em relação a materiais não na suficiente, o ambiente mas é tão favorável mais acessível Materiais A indisponibilidade de recursos materiais, bem como o engajamento com a aula do professor de educação física a falta de material, espaço adequado e a greve Espaços inadequados, alunos acostumados com pedagogias tradicionais a burocracia do corpo docente da escola falta de profissional de educação física nas series iniciais, Escola despreparo de alguns profissionais a falta de experiência na pratica pedagógica pois muitos das vezes não consegue atuar de forma segura para com os discentes alguns professores e alunos que não dão importância no estágio principalmente os alunos do ensino médio 30 Em nossa discursão levantamo s diversas questões

31 em relacionadas ao estagio, mas a relação teoria e pratica se da no contexto acadêmico de diversas formas, hora o acadêmico entende a Educação Física como pratica, hora como teórica. Assim no (QUADRO 4) em relação a teoria e prática os acadêmicos justificam a pergunta Você acha que na escola você realiza apenas uma pratica. Quadro 4 Ou na escola você realiza a prática e teoria juntas? Minha metodologia procura aplicar as duas utilizo fundamentalmente trabalhar as duas Teoria e Pratica e teoria juntas prática juntas Realizo a pratica e a teoria só que é menos a teoria ambas juntas ate mesmo pelo fato de teoria e pratica serem algo que andam juntas Uma pratica Prática Na escola que eu estagiei vivenciai apenas a pratica não trabalhavam a teoria mas seria de cunho relevante as duas juntas pois as mesmas são indissociáveis Borelli (2012) caracteriza a relação teoria e prática como algo complexo, sujeito a diferentes interpretações, no qual sua variação se dá pelo individuo que se refere e ao ambiente no qual esta inserido. Assim o conceito de teoria e pratica se diferenciam e se relacionam conforme adota uma perspectiva experimental, um exemplo claro é como a prática docente esta associada ao conhecimento da realidade, ou a experiência e a teoria segue um padrão de contexto para atuação. Embora estes temas sejam explícitos na escola, ou previamente planejados num possível plano de ação a nota em relação ao estágio os acadêmicos atribuem nota de 8 a 10 com media de 81% dos entrevistados, os 19% restantes atribuíram nota 4 a 7, o que representa uma satisfação pessoal em relação ao estagio de intervenção. (FIGURA 8) FIGURA 8 De 1 a 10 qual nota você daria para seu estágio? Os acadêmicos pesquisados atribuem diversas expectativas em relação ao estagio, entre elas, a experiência, vivencia se sobressaem quando falam em ajudar na formação e no crescimento profissional. Contudo, não podemos deixar de lado que o planejamento tanto do acadêmico quanto da escola reforça esta expectativa. Ratificando Cabral, Angelo (2010) entendem o estágio como algo exteriorizado, fora dos limites das academias de ensino superior, é a partir desta que o acadêmico pode desenvolver seus conhecimentos, sendo em instituições públicas ou privadas. Nessa perspectiva a teória e a pratica deveriam servir como integradoras entre a realidade dos 31

32 estagiários e seus conhecimentos trazidos das academias possibilitando uma aproximação da realidade de sala de aula e da escola.comprovando Zabala (2002) expõe que em uma atuação baseada em argumentos práticos é necessário uma reflexão através de meios teóricos para que esta mesma prática seja verdadeiramente reflexiva. Portanto, na lei quando nos referimos a supervisão do estágio termos as seguinte atribuições; 1 o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caputdo art. 7 o desta Lei e por menção de aprovação final. No PPP CEAP (2008) define ao orientador: VII - coordenar e supervisionar todas as atividades de estágio na forma desta Resolução e demais legislações em vigor; Dessa forma quando perguntados sobre o orientador de estagio acompanhar os estagiários, orienta-los na escola (FIGURA 9) 82% dos pesquisados responderam que não há participação do orientador, 18% responderam que há essa participação. FIGURA 9 O coordenador responsável pelo estágio participa indo a escola que você estagia? Quadro 6 Quais as suas expectativas sobre o estágio? É uma vivencia excelente que com certeza facilitará a nossa vida profissional Adquirir experiência pratica propriamente dita no que diz respeito a todo o funcionamento politico que engloba esta instituição social escolar Experiência, As expectativas são as melhores pois serve como um meio de vivencia saber como lidar quando me formar Que através do mesmo possa haver um crescimento como profissional Uma forma de colocar em pratica parte do conhecimento adquirido na faculdade Ajudar na formação motora, afetiva e cognitiva dos alunos Outros São de um processo que nos permite vivenciar e observar todo um contexto escolar 32

33 Portanto os professores das escolas de estágio foram submetidos a mesma pergunta concluindo assim que 50% dos professores afirmam que há orientação do coordenador em relação as intervenções dos acadêmicos estagiários, outros 50% afirmam que não há orientação do mesmo, o que pode ser percebido durante a pesquisa é que o orientador do estágio pode ir apenas em alguma das escolas, fato que se justifica pela localização das escolas e disponibilidade de tempo do coordenador, assim supomos FIGURA 10 Há supervisão do coordenador do estágio durante a intervenção dos alunos? O coordenador responsável pelo estagio participa Quadro 7 indo a escola que você estagia? porque ele deveria acompanhar o estagio não há valorização a este componente curricular visto Sim apenas como disciplina Pelo fato de os alunos tem que ter esse contato de supervisões porque o coordenador não participa indo na escola Este fato Acredito que sim haja vista que com sua ausência influencia de muitos dos estagiários não compareciam aos estágios algum a forma até porque o que ele pode fazer é de apenas fiscalizar o seu estagio? se estamos indo para o estagio sim e como se nos não Porque? tivéssemos um coordenador para intervir com a gente de Não alguma forma na escola pois sempre participei de todo estágio porque temos que saber caminhar sozinhos e estarmos preparados para solucionar problemas caso aconteça algum Embora 81% dos pesquisados tenham respondido que sim, sabiam as finalidades do estagio poucos foram os que realmente conseguiram se aproximar da real finalidade do estagio segundo a normatização da instituição pertencente. Os 19% restantes responderam que não sabem qual finalidade (FIGURA 11), dai nos questionamos a respeito de sua pratica na escola, como ela se dá, pois nem mesmo o próprio acadêmico entende seu papel na escola, sua função durante o estágio. 33

34 FIGURA 11 Você conhece as finalidades do estágio supervisionado? De acordo com o PPP CEAP (2008) o estagio supervisionado tem como finalidade estimular o conhecimento pratico do alunado, proporcionando sua participação em situações reais de vida e de trabalho. Em outro momento da própria regulamentação do estagio as atividades são compreendidas como praticas pre- profissionais exercidas em situações reais do trabalho, sendo um processo interdisciplinar avaliativo e criativo, destinado a articulação teoria e pratica. Pontualmente os acadêmicos expõem o que é o estágio (QUADRO 7), algumas das respostas se assemelham a proposta do PPP CEAP, contudo não há uma definição concreta dos acadêmicos em relação ao estágio e suas finalidades. Quadro8 Conhece as finalidades do estagio supervisionado? Por em pratica os conhecimentos acadêmicos adquirir mais conhecimento vivencias situações do cotidiano escolar amadurecer profissionalmente Faz parte da matriz curricular do curso de educação física contribuir para experiência, preencher a carga horaria para formação acadêmica penso que seja isso Relacionar teoria e pratica Fazer com que o acadêmico vivencie de forma direta a pratica docente Preparação para a formação de professores capacitados, aptos a lecionar Adquirir experiência colocar em pratica a teoria Neste contexto no (QUADRO 8) os acadêmicos mencionam algumas expectativas em relação ao estagio supervisionado. Dando continuidade, no (QUADRO 9) exemplifica sucintamente o que os acadêmicos se referem a contribuição do estagio sua formação Quadro 9 Você acha que o estagio contribui na sua formação docente? o fator vivencia na pratica é primordial pois vamos lidar com o ser humano portanto é muito importante a vivencia e o dialogo É uma vivencia de mais ou menos o que iremos encontrar na nossa Porque? realidade através desta atuação temos a oportunidade de praticar nossa pratica pedagógica Através dele conhecemos a realidade das escolas para que possamos 34

35 aprender e a crescer no mercado de trabalho Muito pois na teoria e uma coisa e na pratica percebemos as dificuldades e a realidade da vida do professor Pois é uma matéria que nos ajuda a ter vivencia dentro da escola e nos mostra a realidade Através do estagio vivencia- se e observa- se a pratica pedagógica docente ajudando sobre uma reflexão critica de como planejar adequadamente um plano de ensino de acordo com a realidade Para quem não tem experiência docente o estagio é a oportunidade que temos de conhecer nossa futura local de trabalho, comportando o que aprendemos no ambiente acadêmico Quadro 10 Quais as suas sugestões para o estagio supervisionado? No 7º semestre o estagio pode ser bom ou não pois nem momento estamos concluindo nosso trabalho final é bom pois as vezes alguns alunos podem colocar em pratica o seu trabalho no colégio de estagio pode atrapalhar se por ventura o acadêmico estiver todo os dias no estagio Presença dos coordenadores de estagio juntamente aos estagiários na escola Precisa de coordenador de estagio atuação deste o I estagio dos estagiários com projeto de isso facilitara em sua atuação Que as horas sejam cumpridas a risca já que quase todos não cumprem integralmente a carga horaria Estagio remunerado se tiver estagio não ter aula sempre, sempre troca de experiência Que os acadêmicos tenham maior participação ativa em todos os três estágios O estagio supervisionado por contarem em atividades praticas exercida em situação real de trabalho não tem finalidade ou vinculo empregatício nas empresas ou escolas de educação básica (PPP CEAP, 2008) define a carga horária mínima necessária para a complementação do curso, além de atribuir orientação aos alunos e ao coordenador de estagio. Assim o (QUADRO 10) atribui algumas sugestões, criticas e possibilidades feita pelos acadêmicos em relação ao estágio para um melhor aproveitamento desse processo na vida acadêmica. Rodrigues (2006) defende que através de uma nova formulação do estágio e da Educação brasileira amenizará algumas falhas na formação acadêmica, além de aprofundar as potencialidades educacionais da Educação Física, ou pelo menos durante o processo de Estágio Supervisionado ocorrerá uma maior percepção do que é Educação Física e de seu papel formador na sociedade O estágio supervisionado tenta mostrar aos acadêmicos situações reais do cotidiano do professor, entretanto acadêmico estagiário não encontra-se envolvido no contexto escolar, nem como peça fundamental deste processo. Daí em diante surge 35

36 questionamentos a respeito do verdadeiro propósito do estágio, será que estagiário encontra-se com a certeza da profissão que irá seguir? O que realmente acontece após o estágio com as observações do futuro professores? É esperado e alcançado o objetivo do estágio? (SILVA &KRUG, 2008) CONSIDERAÇÕES FINAIS: início de novas indagações As discursões sobre os conteúdos em Educação Física transcorrem limitações, devem ser estendidas com enfoque maior sobre a formação profissional e principalmente sobre o estágio curricular supervisionado, uma vez que o primeiro contato do acadêmico com o ambiente escola se da através do estágio, assim indagações, reflexão e até mesmo critica sobre este tema devem ser proposto, pois dessa forma temos como mensurar mudanças para melhoria e qualidade na formação em Educação Física. Os resultados apresentados nesse estudo demostram o estágio supervisionado como fundamental na formação acadêmica, mas como necessária quando há uma reflexão teórica sobre a prática executada, pois o estágio e visto dicotomicamente como algo separado da teória, uma concepção prática elevada ao ambiente escolar apenas, assim percebemos as angustias dos acadêmicos em relação aos professores que também se encontram desconectados com o universo gigantesco de possibilidades que é o estágio. As mudanças de conceitos e conhecimento sobre estágio supervisionado devem seguir além das academias onde tradicionalmente se resumem ao cumprimento de cargas horarias pelos acadêmicos. Podemos mensurar que há necessidade de um maior conhecimento por parte do aluno da importância do estágio supervisionado para a ação docente, que as teorias trabalhadas durante o curso de formação devem respaldar as ações práticas nas quadras de aula, rompendo assim a dicotomia teória/prática. REFERÊNCIAS AZEVEDO, Ms. Ângela Celeste Barreto De; Melina, Ms. André Malina. Memória Do Currículo De Formação Profissional Em Educação Física No Brasil. Revista Brasileira CiênciaEsporte, Campinas, V. 25, N. 2, P , Jan Disponível em ACESSADO em 22 de agosto de BARDIN, Laurence. Analise de Conteúdo, ed. 70, 1997 BORELLI, Julma D. Vilarinho Pereira. Pensando a relação teoria e prática na formação docente BRASIL. Lei nº / CAPÍTULO Ida definição, classificação e relações de estágio BRASIL. Resolução Nº 01/2002. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Disponível em Acesso em 20/05/2012. CABRAL, Vilmara Luiza Almeida; Angelo, Cristiane Borges. Reflexões sobre a importância do estagio supervisionado na pratica docente. VI EPBEM, PB- 09, 10, e 11 de novembro de 2010 COLETIVO DE AUTORES. Metodologia Do Ensino Da Educação Física. São Paulo:, 2004, p. 44. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa / Paulo Freire. São Paulo: Paz e Terra, (Coleção Leitura) 36

37 GHEDINI, Lívia Santos Lara; Mancini, Marisa Cotta; Brandão, Marina de Brito. Participação de alunos com deficiência física no contexto da escola regular- Revisão de Literatura. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 21, n. 1, p. 1-9, jan./abr GUEDES, Shirlei Terezinha Roman. A relação teoria e prática no estágio supervisionado.ix Congresso Nacional de Educação- EDUCERE; III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia ILHA, Franciele Roos da Silva; Krug, Hugo Norberto. O desafio de ser professor no estágio curricular supervisionado durante a formação inicial em Educação Física. Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - Nº Agosto de Disponível em IVO, Andressa Aita; Krug, Hugo Norberto. O Estágio Curricular Supervisionado e a formação do futuro professor de Educação Física. EFDESPORTES Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - Nº Diciembre de Disponível ACESSADO em 22 de agosto de KUNZ, Elenor. Análises, Considerações e Sugestões para a Reformulação Curricular (Curso de Licenciatura) em Educação Física do CDS/UFSC Disponível em Acesso em 23 de set LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 7ª ed. São Paulo: Atlas, LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica, pag 189, 206 a ed. São Paulo: Atlas, LOBATO, Antonino Cezar Leite. A Formação Profissional Em Educação Física No Estado Do Amapá. Universidade Castelo Branco Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência da Motricidade Humana MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo : Moderna, (Coleção cotidiano escolar) ARCONI, Marina de Andrade; Lakatos, Evan Maria. Fundamentos de metodologia cientifica. 7. ed.- São Paulo: Atlaas, 2010 NETO, Dr. Samuel De Souza; Alegre, Dr. Atilio De Nardi; Hunger, Dra. Dagmar; Pereira, Juliana Martins. A formação do profissional de Educação Física no Brasil: uma história sob a perspectiva da legislação federal no século xx. Revista Brasileira Ciencias Esporte, Campinas, v. 25, n. 2, p , jan ACESSADO em 23 de setembro de 2011 OLIVEIRA, Flavia Fernandes de. Dialogando sobre Educação, Educação Física E Inclusão Escolar.EFDEPORTES Revista Digital - Buenos Aires - Año 8 - N 51 - Agosto de Disponível em em 22 de agosto de OLIVEIRA, Ivan Carlo Andrade de. Introdução a metodologia cientifica. Macapá: CEAP, OLIVEIRA, Vitor Marinho. O que é Educação Física. São Paulo: Brasiliense, PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria do Socorro Lucena. Estagio e docência: diferentes concepções. Revista Poiesis- volume 3, numero 3 e 4, pag. 08, 2005/2006. PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria do Socorro Lucena. Estágio e Docência. 3ª edição, São Paulo: Cortez

38 Projeto Politico pedagógico Centro de Ensino Superior do Amapa á CEAP RODRIGUES, Anegleyce Teodoro. A Questão Da Formação De professores De Educação Física E A Concepção De Professor Enquanto Intelectual Reflexivo Transformador REVISTAS.UFG Disponível em Acesso em 29 de out RODRIGUES, Raquel Cruz Freire. O estágio supervisionado no curso de Educação Física da uefs: Realidade e Possibilidades. EFDEPORTES Disponível em Acesso em 18 de out SILVA, Ana Márcia; Nicolino, Aline da Silva; Inácio, Humberto Luís de Deus; Figueiredo, Valéria Maria Chaves de. A Formação Profissional em Educação Física e o Processo Político Social. Rev. PENSAR A PRÁTICA 12/2: 1-16, maio/ago ACESSADO em 23 de setembro de SILVA, Marcio Salles da; KRUG, Hugo Norberto. A formação inicial de professores de educação física e de pedagogia: um olhar sobre a preparação para a atuação nos anos iniciais do ensino fundamental.efdeportes Disponível emhttp://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - Nº Agosto de 2008.ACESSADO em 20 de setembro de SILVA, Mauro Sérgio da; BRACHT, Valter. Intervenção profissional durante a formação inicial: contradições e possibilidades das experiências docentes precoces em Educação Física. Revista Motrivivência Ano XVII, Nº 25, P Dez./2005 SOUZA, JânuaCoely Andrade; Bonela, Luciane Aparecida; Paula, Alexandre Henriques de. A importância do estágio supervisionado na formação do profissional de Educação Física: uma visão docente e discente. REVISTA MOVIMENTUM Revista Digital de Educação Física Ipatinga: Unileste-MG V.2 N.2 - Ago.dez TEIXEIRA, Lia Cardoso Rocha Saraiva; OLIVEIRA, Ana Mourão A relação teoria-prática na formação do educador e seu Significado para a prática pedagógica do professor de Biologia.(2012) XAVIER, Mírian; PIETRO, Pamela Souza de. Da teoria a prática: os desafios do estágio supervisionado no curso de formação de professores. Edição n 08 Agosto/ Dezembro/2011 -www.discursividade.cepad.net.br. ZABALA, Antoni. A pratica educativa- como ensinar, Profissão professor, Lisboa, Don Quixote,

39 EDUCAÇÃO FÍSICA E PROMOÇÃO À SAUDE NO CONTEXTO DO NASF ARAÚJO, Fernanda A. L. Especialização em Musculação e Personal Trainer- Macapá Amapá Brasil RESUMO O interesse pela atividade física, que não contem um fim em si mesmo e sim nos benefícios que ela provoca tem gerado inúmeros estudos que tem apontado evidências científicas que sustentam benefícios correlacionados a esta, como prevenção e reabilitação de doenças cardiovasculares, câncer, síndrome metabólica, osteoporose entre outras. Estes benefícios trazem consigo a melhoria das capacidades funcionais, a complementação de tratamentos médicos e fisioterápicos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas, sociais e psíquicas. A diversidade de atividades e a forma de desenvolvê-las constituem estratégias importantes para atingir várias faixas etárias. De jogos populares à ginástica, o profissional deve ter em mente que sua atuação está destinada a todo o ciclo da vida, levando em conta a realidade social das crianças, jovens, adultos e idosos, isso significa situar uma base para reduzir a prevalência do sedentarismo na vida adulta. O objetivo do estudo foi analisar a relação a Educação Física no contexto de promoção à saúde no NASF, pautando os conceitos e estratégias de atuação do professor. Como estratégias metodológicas realizamos uma revisão de literatura onde procurou-se artigos com as seguintes palavras chaves Educação Física, NASF, promoção à saúde. Esta nova visão do profissional de Educação Física é necessária, pois a grande população atendida pelo Programa Saúde da Família são pessoas que não possuem conhecimento ou recursos para ter uma prática de atividades físicas direcionadas aos seus objetivos, que são saúde e qualidade de vida. A grande maioria da população atendida pelos PSF não realiza atividade física, e aqueles que a fazem, muitas das vezes sem orientação ou de forma inadequada para seu perfil, podem não obter os benefícios da prática, bem como podem adquirir lesões. O novo paradigma de saúde, marcado por sua promoção, abre um campo para atuação do Profissional de Educação Física nos serviços de saúde pública. Porque este se preocupa com o controle da saúde e condições de vida da população e uma das principais intervenções que ele pratica são ações educativas e preventivas. Com isso é claro a importância do profissional de educação física na composição do núcleo de apoio a saúde da família, tanto para o cumprimento da diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde nota-se que há uma ampla possibilidade de atuação em um país como o Brasil, especialmente pelo grande número de municípios existentes e logicamente, há um enorme campo a ser ocupado pelo Profissional de Educação Física. Palavras Chave: educação física; promoção à saúde; nasf ABSTRACT 39

40 The interest in physical activity, which does not contain an end in itself, but the benefits that it causes has generated numerous studies that have pointed to scientific evidence supporting the benefits related to this, such as prevention and rehabilitation of cardiovascular disease, cancer, metabolic syndrome, osteoporosis among others. These benefits bring with improved functional capacity, supplemental medical and physiotherapy treatments and the development of cognitive, social and psychic abilities. The diversity of activities and how to develop them are important strategies to target various age groups. Popular games to the gym, the professional must keep in mind that its actions are aimed at the whole life cycle, taking into account the social reality of children, youth, adults and seniors, this means placing a base to reduce the prevalence of inactivity in adulthood. The aim of the study was to analyze the relationship Physical Education in the context of health promotion in NASF, guiding concepts and strategies of teacher performance. As methodological strategies conducted a literature review which sought to articles with the following keywords Physical Education, NASF, health promotion. This new vision of the physical education professional is necessary because the large population served by the Family Health Program are people who have no knowledge or resources to have a physical activity targeted to your objectives, which are health and quality of life. The vast majority of the population served by the PSF does not perform physical activity, and those that do, often without guidance or inappropriate for your profile shape, can not get the benefits of the practice, and can acquire injuries. The new health paradigm, marked by his promotion, opens a field for actuation of the Professional Physical Education in public health services. Because this control is concerned with the health and living conditions of the population and the main interventions he practices are educational and preventive actions. With this course the importance of physical education professionals in the composition of the core support to family health, both for compliance with the guidelines of the National Health Promotion is noted that there is ample opportunity to operate in a country like Brazil, especially the large number of existing municipalities and logically, there is a huge field to be occupied by the Professional Physical Education. Key words: physical education, health promotion; NASF INTRODUÇÃO O estigma que o profissional de Educação Física deve ser encarregado de atuar apenas no âmbito escolar, de academias e clubes, ainda persisti na concepção da sociedade, embora outros espaços como a da saúde estejam se abrindo para que este profissional possa atuar não é fácil reconhecer a abrangência da Educação Física, contudo, sua formação contribui para que o campo de atuação ganhe amplitudes maiores, pois suas bases de formação incluem o desenvolvimento motor, social, cognitivo, incluindo em suas praticas crianças, jovens e adultos, idosos e deficientes O papel do profissional de Educação Física é fundamental, pois compete a ele coordenar, planejar, programar, supervisionar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos e programas, realizar treinamentos especializados, participar de equipes multidisciplinares e interdisciplinares e elaborar informes técnicos, científicos e pedagógicos na área de atividades físicas e do desporto (BRASIL, 1998). 40

41 Segundo Brasil (2007), O Educador Físico tem por finalidade promover e prevenir o adoecimento da população através de estratégia e praticas corporais desenvolvidas na comunidade e adjacência. Segundo recomendações da Organização Pan-Americana de Saúde toda pessoa deve acumular no mínimo 30 minutos de atividades físicas moderadas por dia. Aumentar o nível de atividade física é um problema social, não apenas individual, e exige enfoques baseados em população, multisetoriais, multidisciplinares e culturalmente relevantes (OPAS, 2009 e DOENÇAS, 2003). O interesse pela atividade física, que não contem um fim em si mesmo e sim nos benefícios que ela provoca (BARBOSA, 2003), tem gerado inúmeros estudos que tem apontado evidências científicas que sustentam benefícios correlacionados a esta, como prevenção e reabilitação de doenças cardiovasculares, câncer, síndrome metabólica, osteoporose entre outras. Estes benefícios trazem consigo a melhoria das capacidades funcionais, a complementação de tratamentos médicos e fisioterápicos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas, sociais e psíquicas (ACMS, 1998; 2000; 2004). A diversidade de atividades e a forma de desenvolvê-las constituem estratégias importantes para atingir várias faixas etárias. De jogos populares à ginástica, o profissional deve ter em mente que sua atuação está destinada a todo o ciclo da vida, levando em conta a realidade social das crianças, jovens, adultos e idosos, isso significa situar uma base para reduzir a prevalência do sedentarismo na vida adulta.(brasil, 2010). A pratica de atividade física na vida do homem tem papel fundamental para a manutenção, conscientização, melhoria da qualidade de vida, além de possibilitar o aumento da autoestima, diminuição do stress, sedentarismo, obesidade, controle do diabetes e hipertensão. A atividade física é hoje considerada como um meio educativo privilegiado, porque abrange o ser na sua totalidade. O caráter de unidade da educação, por meio das atividades físicas, é reconhecido universalmente. Ela objetiva o equilíbrio e a saúde do corpo, a aptidão física para a ação e o desenvolvimento dos valores morais. (BRASIL, 1976). METODOLOGIA O objetivo do estudo foi analisar a relação a Educação Física no contexto de promoção à saúde no NASF, pautando os conceitos e estratégias de atuação do professor. Como estratégias metodológicas realizamos uma revisão de literatura onde procurou-se artigos com as seguintes palavras chaves Educação Física, NASF, promoção à saúde. REVISAO DE LITERATURA O ministério da saúde ao dar maior abordagem a promoção à saúde incluiu o profissional de Educação Física a Política Nacional de Promoção a Saúde, onde se tem como algumas prioridades a promoção, informação e educação em saúde com ênfase na promoção de atividade física, a obtenção de hábitos saudáveis de alimentação, além dos cuidados especiais voltados ao processo de envelhecimento. (CARVALHO; et al, 2013). 41

42 Neste contexto, o Núcleo de Apoio a Saúde da Família- NASF foi instituído pela Portaria nº 154/2008 do Ministério da Saúde, que determina uma política para o fortalecimento da Atenção Básica à Saúde, através do apoio direto de profissionais das Equipes de Saúde da Família (ESF), o qual a Educação Física faz parte de todo este conjunto. O NASF é constituído por equipes de profissionais de diferentes áreas de conhecimento que buscam a integralidade do cuidado físico e mental aos usuários do SUS por meio da complementação do trabalho das ESF apoiando com profissionais qualificados. É formado no mínimo, por três (ou cinco) profissionais de nível superior de ocupações nãocoincidentes: médico acupunturista, assistente social, profissional da Educação Física, farmacêutico, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, médico ginecologista, médico homeopata, nutricionista, médico pediatra, psicólogo, médico psiquiatra e o terapeuta ocupacional (BRASIL, 2009). Segundo as diretrizes do NASF (2010) o papel do educador físico esta relacionado a prevenção e promoção à saúde na comunidade em que esta locado, sendo seu norte de destaque e ênfase em proporcionar aos usuários praticas corporais sem distinção de classe social, cor, etnia, idade ou sexo. Recomenda-se, portanto, que as atividades devem ser organizadas de forma a favorecer o maior número de pessoas, além de serem realizadas em espaços de fácil acesso e, sobretudo, atrativas para todas as faixas etárias. Daí a importância de não associar as intervenções aos espaços de saúde, mas sim ampliá-las para os vários espaços que exprimam identidade para pessoas de várias idades, como um clube comunitário, praças, parques, etc. (BRASIL, 2010). Esta nova visão do profissional de Educação Física é necessária, pois a grande população atendida pelo Programa Saúde da Família são pessoas que não possuem conhecimento ou recursos para ter uma prática de atividades físicas direcionadas aos seus objetivos, que são saúde e qualidade de vida. A grande maioria da população atendida pelos PSF não realiza atividade física, e aqueles que a fazem, muitas das vezes sem orientação ou de forma inadequada para seu perfil, podem não obter os benefícios da prática, bem como podem adquirir lesões. O novo paradigma de saúde, marcado por sua promoção, abre um campo para atuação do Profissional de Educação Física nos serviços de saúde pública. Porque este se preocupa com o controle da saúde e condições de vida da população e uma das principais intervenções que ele pratica são ações educativas e preventivas (Cabral, Sousa e Raydan, 2007). O profissional de Educação Física segundo a Lei nº 9696/98 de 1 de setembro de 1998 é um especialista em atividades físicas nas suas mais diversas manifestações (BRASIL, 1998), com o propósito de prestar serviços que oportunizem o desenvolvimento da educação e da saúde visando bem-estar, qualidade de vida, prevenção e compensação de distúrbios funcionais, contribuir para capacitação e/ou restabelecimento fisio-corporal dos indivíduos, visar bem estar e a qualidade de vida tanto em nível individual quanto coletivo. Tais atribuições, o fez ser reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde a partir da resolução n 218, de 6 de Março de 1997, como profissional da saúde (CONFEF, 2002). 42

43 A atividade física é uma forma de tratamento para os problemas de saúde da população, promovendo uma recuperação mais acelerada ou o controle da enfermidade de forma segura, eficaz e com menos despesas (DIAS, 2007). O baixo nível de atividade física representa importante fator de risco no desenvolvimento das doenças crônico-degenerativas não transmissíveis, como diabetes mellitus não insulino-dependente, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, osteoporose e alguns tipos de câncer, como o de cólon e o de mama. Tal relação se torna evidente pela diminuição do aparecimento de seqüelas, redução da necessidade de internação, menor quantidade de medicamentos necessários ao controle desses agravos, que incidem na redução de custos com serviços médico e hospitalares. Estudos recentes têm comprovado que empresas que desenvolveram programas de promoção de atividades físicas obtiveram benefícios econômicos adicionais em virtude da redução do absenteísmo e do aumento da produtividade dos trabalhadores (INFORMES, 2002). Alcântara (2004) diz que a atuação do Profissional de Educação Física no PSF consiste em promover um estilo de vida saudável através da atividade física, sendo um meio efetivo para a construção coletiva da qualidade de vida. Além disso, apresenta como finalidade deste profissional programar e realizar atividades físicas dos grupos inseridos nas unidades de saúde, visando o exercício como terapia e como estímulo à adesão ao tratamento pelo meio da auto-estima, consciência corporal, autonomia na vida e em seu processo terapêutico. O Educador Físico deve articular as redes sociais, a fim de elaborar e programar atividades para a promoção de estilo de vida saudável, inclusive a partir de projetos. Dias (2007) relata a atividade física orientada para diabéticos utilizada como um método de prevenção e tratamento da Diabetes Mellitus (DM) e que auxilia na prevenção e controle de outras doenças como hipertensão e obesidade, e isto gera uma melhor qualidade de vida para a população e diminui os gastos da Saúde Pública. Conseguir inserir o educador físico nos PSF é muito importante, pois o grupo de pessoas da comunidade que ele pode atender geralmente é carente e não tem condições de frequentar locais que tem atividade física orientada e tampouco conhecimentos mínimos necessários para a sua prática ou quais exercícios são os mais indicados, e alguns vão realizá-los sem orientação, na certeza de que o mesmo irá lhe trazer benefícios quando na verdade estará lhe causando malefícios. Constata-se que o profissional referido tem conhecimento científico específico sobre a atuação na promoção e prevenção da saúde e a respectiva prescrição de atividades físicas específicas (CABRAL; SOUZA e RAYDAN, 2007). Assim, o profissional de Educação Física, inserido junto à equipe multiprofissional, deverá prescrever a atividade física, informar acerca da necessidade da mesma, o modo de realizá-la, a intensidade ou trabalhar com esses indivíduos em grupos com o objetivo de proporcionar a integração dos participantes, e isto faz com que a comunidade esteja mais unida para resolver ou atenuar o problema comum a todos (DIAS, 2007). Ele também deve contar com o aconselhamento à saúde para a prática por outros profissionais que atuam nos PSF e NASF, como forma de educação à saúde; não somente para os idosos e portadores de doenças crônicas, mas para toda população como forma preventiva e de 43

44 um estilo de vida saudável, sendo que este ainda apresenta uma baixa frequência de indicação (SIQUEIRA, 2009). Com o educador físico presente na atenção básica de saúde à população, o valor gasto com medicamentos e consultas médicas poderá ser reduzido, visto que a população estará mais ativa e informada (DIAS, 2007). Com vistas que o estímulo à atividade física é prioritário no controle de doenças não transmissíveis e que a mudança de padrões comportamentais requer medidas abrangentes e intersetoriais, a Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs a implementação da Estratégia Global para Dieta, Atividade Física e Saúde, que gera o desenvolvimento, de forma integrada, de ações de legislação, informação e capacitação de recursos humanos que visam a alimentação saudável e a atividade física, cujo propósito é prevenir doenças crônicas e promover a saúde da população (OPAS, 2009). Verifica-se com este estudo que a inserção da educação física é de extrema importância visando a nova estratégia de saúde pública. No entanto, existem poucas práticas que atendem a este objetivo, e muitas das que existem necessitam de um olhar sistematizado e com seguidas avaliações com dados claros que demonstrem a população a importância e a necessidade de aderir a atividades físicas para obter a qualidade de vida esperada. Gomes (2007) reconhece que apesar das ações que já ocorrem por meio de iniciativas pontuais e promocionais em todo país, existe a necessidade de refletir sobre as questões metodológicas e pedagógicas para atuação do professor de Educação Física nas políticas públicas de saúde. Reconhecemos que a possibilidade de ação do professor de educação física no NASF deverá estar alinhada com as estratégias e recomendações propostas pela promoção à saúde (BRASIL, 2002), para que assim sejamos capazes de refletir sobre as questões sociais, ambientais, culturais e psicológicas da população atendida. Diante da complexidade nas ações da saúde e as especificidades de cada profissional de saúde, caberá a cada um desenvolver a sensibilidade para uma atuação transformadora, autônoma e crítica da realidade, respeitando a integralidade de cada sujeito. Através deste artigo buscamos refletir sobre a Educação Física no contexto de promoção à saúde no NASF, reconhecendo as heterogeneidades que o SUS apresenta para suscitar a pratica da promoção a saúde, gerar uma reflexão de algumas estratégias e conceitos que devem fazer parte do conhecimento do professor que atua na saúde publica. CONCIDERAÇÕES Contudo o profissional por si só não é capaz de combater a demanda, tão pouco seu trabalho se torna explorado se não houver conhecimento da comunidade, saliento que a valorização do trabalho profissional deve partir do seu gestor atual e dando continuidade através de praticas de incentivo a mudança de habito na vida da comunidade. Incentivo esse que pode ser destacado através de ações comunitária que envolvam outras áreas da saúdes, como fisioterapeutas, nutricionistas, médicos, dentistas etc, somente com a divulgação dos serviços comportados nos postos de saúde o profissional de Educação Física pode ter vez e ser identificado na área da saúde, pois a relação educação física notoriamente é relacionado a área escolar, dando ênfase na sua formação inicial. 44

45 Com isso é claro a importância do profissional de educação física na composição do núcleo de apoio a saúde da família, tanto para o cumprimento da diretrizes da Política Nacional de Promoção da Saúde. A partir da criação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs), que, como o próprio nome diz, são equipes de profissionais de saúde que atuam junto às Equipes de Saúde da Família dos municípios, nota-se que há uma ampla possibilidade de atuação em um país como o Brasil, especialmente pelo grande número de municípios existentes e logicamente, há um enorme campo a ser ocupado pelo Profissional de Educação Física. Sabemos também que os recursos passados, a falta de estrutura física atrapalha em parte o desenvolvimento do trabalho do educador físico, mas tão pouco se torna desnecessário quando pensamos em saúde e qualidade de vida da comunidade. O mesmo profissional deve proporcionar estratégia que englobem todos ou o máximo de indivíduos possíveis nas atividades proposta. Por fim, os espaço publicos já exitentes devem de forma responsavel ser utilizadas para a pratica de atividades corporais, sendo necessario a utilização de materiais alternativos ou adquiridos para aplicação, diversificação dos exercicios. Outrora estas mesmas atividades são compreendidas de forma culturalmente ampla, focada na realidade da comunicadade, assim é de extrema importancia que os locais disponiveis sejam revitalizados para comportar a demanda da comunidade ou pelo menos tenham condiçoes apropriadas para receber a população, é necessario que se tenha facil acessibilidade aos locais, bem como havera uma maior possibilidade de explorar as diversas potencialidade dos espaços fisicos REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS ALCÁNTARA, Francisco Cavalcante. Estudo Bibliográfico Sobre o Processo Histórico de Atuação do Educador Físico e da sua Inserção na Estratégia Saúde da Família do Município de Sobral-CE AMERICAM College os Sports Medicine ACMS. Position Stand Exercise and Type 2 Diabetes. Med Sci Sports Exerc, 32(7), 2000, p AMERICAM College os Sports Medicine ACMS. Position Stand Physical Activity and Bone Health. Med Sci Sports Exerc, 36(11), nov AMERICAM College os Sports Medicine ACMS. Position Stand The ecommended Quantity and Quality of Exercise for Developing and Maintaining ardiorespiratory and Muscular Fitness, and Flexibility in Healthy Adults. Med Sci Sports Exerc, 30(6),jun. 1998, p BARBORSA, José Antônio S. Estudo Sobre o Nível de Participação, num Programa de Atividade Física e Saúde e suas Relações com as Doenças Crônicas Não Transmissiveis e a Qualidade de Vida: um estudo de caso. Tese (Doutorado) Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, Faculdade de Educação Física. Campinas:

46 BRASIL. Diretrizes do NASF: Núcleo de Apoio a Saúde da Família / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília : Ministério da Saúde, Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Atenção Básica. 4. ed. Brasília : Ministério da Saúde, p. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção Básica e a Saúde da Família. Brasília: Saúde da Família, Departamento de Atenção Básica, Ministério da Saúde, Disponível em: Acesso em 13 de jun BRASIL. Ministério da Saúde. Projeto promoção da saúde. As cartas da promoção da saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Brasília, Governo Federal: Ministério da Saúde BRASIL. Portaria nº 154, de 24 de janeiro de Cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família. Diário Oficial da União, Brasília, DF: 4 mar nº 43. BRASIL. Lei nº 9.696, de 1 de setembro de Dispõe sobre a regulamentação da Profissão de Educação Física e cria os respectivos Conselho Federal e Conselhos Regionais de Educação Física. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2 set Disponível em: Acesso em: 14 jun CABRAL, Izabella de; SOUSA, Maria Aparecida de Amorim; RAYDAN, Florisbela Pires Sampaio. Análise do Conhecimento dos Profissionais de Educação Física em Relação à Atividade Física como Promotora da Saúde. MOVIMENTUM Revista Digital de Educação Física. Ipatinga: Unileste MG. v. 2. nº 2. ago/dez CARVALHO, J. C. da S. de; Silva, P. O. da; Cruz, B. de S.; Santos, G. do E.. A Inclusão do Professor de Educação Física no NASF - Programa de Apoio à Saúde da Família CONFEF. Formação Superior em Educação Física DIAS, Jonatas Antonio. et. al. A importância da execução de atividade física orientada: uma alternativa para o controle de doença crônica na atenção primária. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires: ano 12. nº 114. Nov de DOENÇAS Crônico Degenerativas e Obesidade: Estratégia mundial sobre alimentação saudável, atividade física e saúde. Organização Pan-Americana de Saúde OPAS/Escritório Regional para as Américas da OMS. Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial de Saúde. Brasília: p. 46

47 GOMES, Marcius de Almeida. Orientação de atividade física em Programa de Saúde da Família: uma proposta de ação. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-graduação em Educação Física, Departamento de Educação Física, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2007, 200 pag. INFORMES TÉCNICOS INSTITUCIONAIS. Programa Nacional de Promoção da Atividade Física Agita Brasil : Atividade física e sua contribuição para a qualidade de vida. Projeto Promoção da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Texto de difusão técnico-científica do Ministério da Saúde. Revista de Saúde Pública 2002; 36(2): ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE OPAS/Escritório Regional para as Américas da OMS. Estratégia mundial sobre Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde da OMS. Disponível em: Acesso em 20 jun SIQUEIRA, Fernando Vinholes et. al. Aconselhamento para a Prática de Atividade Física como Estratégia de Educação à Saúde. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, 25(1): jan

48 AVALIAÇÃO DA PERDA HÍDRICA DURANTE TREINO INTENSO DE JIU-JITSU LIMA, L.S. 1, SILVA, B.V.C. 2 1 Pós Graduando em Treinamento Desportivo Instituto ENAF - Lavras, MG - Brasil 2 Prof.Msc. Biodinâmica e Metabolismo do Exercício e do Esporte (UFTM) RESUMO O jiu-jitsu é um esporte caracterizado por esforço intermitentes de alta intensidade. Para que o atleta tenha rendimento adequado vários fatores deverão estar bem ajustados, a fim de que o desempenho não seja afetado negativamente, dentre alguns fatores podemos citar o controle da hidratação. No entanto, altas taxas de transpiração resultam em grandes perdas de água, sal e outros eletrólitos, resultando em um estado de desidratação diminuindo o desempenho do atleta. O objetivo do estudo foi investigar as alterações do peso corporal, antes e após uma sessão de treino para analisar o estado de hidratação dos praticantes. Foram avaliados 10 atletas do sexo masculino com 26,1±4,72 anos e com graduações diferentes. Mensurou-se o peso inicial 78,71±12,31Kg e final 77,02±12,30, já o percentual de gordura 18,05±8,6% inicial e 17,15±7,9% final. Os principais achados foram que, ambos, o peso corporal e o %G foram reduzidos significativamente em relação aos momentos pré e pós treino, demonstrando ocorrer uma perda considerável. Dependendo do nível de desidratação é possível esperar algumas alterações fisiológicas, que acarretam em diminuição do desempenho durante o treino. Sendo assim, os resultado demonstraram que o peso diminuiu significativamente do momento pré comparado ao pós treino e sugerir que os atletas e treinadores devem atentar ao controle da hidratação durante as sessões de treino de BJJ. Palavras-chave: jiu-jitsu, hidratação, treinamento. ABSTRACT The Jiu-jitsu is a sport characterized by intermittent high intensity effort. For the athlete has adequate income several factors should be well adjusted, so that performance is not adversely affected, among some factors we can mention the hydration control. However, high transpiration rates result in large losses of water, salt and other electrolytes, resulting in a state of dehydration decreased athletic performance. The aim of the study was to investigate changes in body weight before and after a training session to review the state of hydration of the practitioners. 10 male athletes with 26.1 ± 4.72 years and with different grades were assessed. Measured is the initial weight ± kg and ± late, since the percentage of fat ± 8.6% initial and ± 7.9 % end. The main findings were that both body weight and% BF were significantly reduced compared to pre and post workout times, demonstrating a considerable loss occurs. Depending on the level of dehydration can expect some physiological changes that lead to decreased performance during training. Thus, the results showed that the weight decreased significantly from pre compared to post training and suggest that athletes and coaches should pay attention to hydration control during the training sessions of BJJ. Keywords: jiu-jitsu, hydration, training. 48

49 Introdução O Brazilian Jiu-Jitsu (BJJ) é modalidade esportiva de combate caracterizada por esforços intermitentes de alta intensidade, intercalados por pequenos períodos de pausas e/ou esforços menores (Pereira et al., 2011; Silva et al., 2013). É uma luta predominante realizada no solo com o objetivo de finalizar o adversário, seja por estrangulamento ou golpes de torção de membros (Franchini et al., 2003). Para que o atleta tenha rendimento adequado, vários fatores deverão estar bem ajustados, a fim de que o desempenho não seja afetado negativamente, dentre alguns fatores podemos citar o controle da hidratação. Assim como em todo exercício físico, no BJJ também ocorre alterações fisológicas, uma delas é o aumento da temperatura corporal (Tagliari et al., 2012). Para controlar esse aumento, um dos mecanismos que o organismo utiliza é através da sudorese (Tagliari et al., 2012). No entanto, altas taxas de transpiração resultam em grandes perdas de água, sal e outros eletrólitos, resultando em um estado de hipertermia (temperatura corporal excessiva) (Jesus et al., 2012). Tem sido repostado que uma redução de 1% a 3% do peso corporal, causada por desidratação, pode deteriorar respostas fisiológicas e do desempenho físico (Jesus et al., 2012). Ao atingir 2% de desidratação observaram que há redução da capacidade de preensão manual em judocas, o que afeta diretamente o desempenho da luta. Quando se perde 3% da água corporal, o desempenho nos exercícios anaeróbicos de braços e pernas ficam comprometidos (Brito et al., 2007). Além disso, alguns fatores podem influenciar diretamente para o aumento da sudorese na prática do BJJ, tais como o uso do quimono, composto por calça, paletó, faixa e sunga, além dos treinamentos ocorrem em lugares fechados, como salas de academia (Tagliari et al., 2012). Estes fatores, poderiam limitar a capacidade do corpo de dissipar o calor gerado pelos músculos ativos e dificultando a evaporação do suor e conseqüentemente o esfriamento corporal. Desde que, já está bem estabelecido os efeitos deletérios da desidratação no desempenho atlético, é de suma importância o acompanhamento do estado de hidratação do atleta. Essa mensuração pode ser realizada através da variação do peso corporal antes e após o exercício, calculando o percentual de perda de peso para classificar o estado de hidratação (Machado-Moreira et al., 2006). Portanto o objetivo do estudo foi investigar as alterações do peso corporal, antes e após uma sessão de treino para analisar o estado de hidratação dos praticantes. MATERIAIS E MÉTODOS Para o presente estudo foram convidados 10 atletas da categoria adulto de jiu-jitsu com graduações diferentes da Academia Grappling Club de São João Del-Rei MG. Todos os indivíduos aceitaram participar voluntariamente, após obtenção de consentimento verbal e autorização por escrito do formulário de consentimento livre e esclarecido. Dessa forma, os princípios éticos contidos na Declaração de Helsinki e na Resolução 49

50 P e r c e n tu a l d e g o r d u ra % M a s s a c o rp ó r e a (k g ) Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: nº 196 de 10 de Outubro de 1996 do Conselho Nacional de Saúde foram respeitados em todo o processo de realização desta pesquisa. Antes de iniciar o treino o peso e a estatura foram aferidos através de uma balança digital G Tech. Para a composição corporal utilizou-se um estadiomêtro Sanny, mensurando três dobras cutâneas, peitoral, abdominal e coxa, para o calculo do percentual de gordura (% G) conforme sugerido por Jackson e Pollock. A sessão de treino consistiu de alongamentos e um aquecimento, posteriormente realizou-se treino técnico e simulação de lutas com um total de 2 horas de treinamento, com intervalos para descanso sem reposição hídrica. O mesmo procedimento para avaliar o peso corporal e o % G foi feito ao final do treino. Para análise da perda hídrica foram avaliadas as diferenças entre os valores iniciais e finais da sessão de treino do peso corporal e do % G. A reidratação após o teste foi feita com a utilização de água com quantidade semelhante a perda durante o teste. RESULTADOS As figuras 1 e 2 demonstram os resultados do peso corporal e do % de gordura nos momentos pré e pós sessão de treino de BJJ. 100 * PI PF Figura 1. Peso corporal inicial (PI) e peso corporal final (PF) após sessão de treino. * diferença significativa entre os momentos PI e PF. 30 * 20 Figura 2. Percentual de gordura inicial (%GI) e percentual de gordura final (%GF) após sessão de treino. * % G I % G F

51 diferença significativa entre %GI e %GF. DISCUSSÃO O objetivo do presente do estudo foi investigar o estado de hidratação após uma sessão de treino de BJJ pela variação do peso corpóreo (kg) e % de gordura. Os principais achados foram que, ambos, o peso corporal e o %G foram reduzidos significativamente em relação aos momentos pré e pós treino, demonstrando ocorrer uma perda hídrica considerável. Similar resultados foram observados por Tagliari et al. (2012) na diminuição do peso corporal após sessão de treino de BJJ. Estes resultados estão em concordância com recentes estudos com judocas, nos quais reportaram queda significativa do peso corporal após uma sessão de treino (Brito et al., 2007; Jesus et al., 2012). Jesus et al. (2012) investigaram a queda do peso corpóreo entre os gênero masculino (M) e feminino (F) após uma sessão de treino de judô. Eles demonstraram que em ambos os gêneros ocorreram redução significativa do peso corporal, com uma queda média de 1,85% para as mulheres e 1,45% para os homens. Uma queda significante também foi observadas em outros esportes coletivos como vôlei (Vimieiro-Gomes;Rodrigues, 2001) e rugby (Perrella et al., 2005), de 0,9% e 1,5 para cada esporte respectivamente. Este foi o primeiro estudo que investigou o %G após uma sessão de treino de BJJ. Nossos resultados demonstraram diferença significativa entre os momentos (pre vs pos). Através dos nossos resultados não podemos explicar os exatos mecanismos dessa resposta. No entanto, pode ser especulado que poderia ser advindo de uma redução do volume plasmático resultante da desidratação, no qual poderia interferir nos resultados da medição do %G pelo adipômetro. Essa premissa faz sentido, já que recente estudo demonstrou que não houve alteração no %G após sessão de treino de judô quanto a mensuração foi realizada por uma balança de bioimpedância (Monteiro et al., 2009). Dependendo do nível de desidratação é possível esperar algumas alterações fisiológicas, que acarretam em diminuição do desempenho (Brito;Marins, 2005). Essas alterações são dependentes de fatores como a magnitude do percentual da perda (Brito et al., 2007). Com quedas inferiores a 1% já é possível esperar algumas alterações fisiológicas, como aumento da temperatura interna, diminuição de 6% da capacidade física, redução em 10% do Vo2máx (Brito et al., 2007). Uma desidratação superior a 2% reduz a qualidade do treino e quando se perde 3% da água corporal, o desempenho nos exercícios anaeróbios para os membros superiores e inferiores ficam comprometidos (Brito et al., 2007). O Quadro 1 apresenta as respostas orgânicas e fisiológicas à medida que se eleva o percentual de desidratação. 51

52 Quadro 1. Respostas fisiológicas decorrentes da desidratação % de redução do peso corporal Respostas Fisiológicas 1 a 1,9 Alterações do sistema cardiovascular Aumento da temperatura interna Diminuição em 6% da capacidade física Diminuição em 10% do Vo2max Diminuição em 3,1% na velocidade em uma prova de 1500m 2 Diminuição no esvaziamento estomacal Diminuição entre 10 e 20% no tempo de corrida Alterações da função renal 3 Aumento da temperatura interna e frequencia cardíaca Diminuição em 8% do Vo2max Diminuição em 8% do volume plasmático Diminuição em 32% do fluxo de sangue para a pele Além disso, o efeito deletério da desidratação parece ser tarefa e tempo dependente. Ou seja, nem todas as capacidades são reduzidas após a desidratação e se houver um tempo para que ocorra uma recuperação para a tarefa subsequente o desempenho pode ser restaurado em questão de horas (Artioli et al., 2010; Fernandes et al., 2011). Nesse sentido, Fernades et al. (2011) observaram que uma rápida redução no peso induzida por exposição intermitente à sauna seca, causando uma perda aproximada de 2%, não exerceu efeito deletério significativo sobre a força e resistência muscular de atletas praticantes de Jiu-jitsu. Estes resultados são semelhantes a outros estudos que não observaram efeito deletério de uma rápida perda de peso sobre diferentes manifestações da força. Sendo assim, nossos resultado demonstraram que o peso diminuiu significativamente do momento pré comparado ao pós treino. Baseado no resultado do presente estudo, sugerimos que os atletas e treinadores devem atentar ao controle da hidratação durante as sessões de treino de BJJ. Estes resultados tem direta aplicação prática. Devido ao fato que, dependendo do momento da periodização, os atletas podem treinar até 3 sessões de treinos por dia, com um espaço curto de tempo de recuperação entre as sessões (poucas horas).se não for dado um aporte nutricional adequado e com uma boa reidratação, 52

53 possivelmente o desempenho para a sessão subsequente o desempenho no treino poderá ser comprometido. REFERÊNCIAS ARTIOLI, G. G.; IGLESIAS, R. T.; FRANCHINI, E.; GUALANO, B.; KASHIWAGURA, D. B.; SOLIS, M. Y.; BENATTI, F. B.; FUCHS, M.; LANCHA JUNIOR, A. H. Rapid weight loss followed by recovery time does not affect judo-related performance. Journal of sports sciences, v. 28, n. 1, p , BRITO, C. J.; FABRINI, S.; MARINS, J. Mensuração de reposição hídrica durante o treinamento de Judô. R. Min. Educ. Fís, v. 15, n. 2, p , BRITO, C. J.; MARINS, J. C. B. Caracterização das práticas sobre hidratação em atletas da modalidade de judô no estado de Minas Gerais. Rev. bras. ciênc. mov, v. 13, n. 2, p , FERNANDES, I. A.; SANTOS, T. M.; DACOL, F. V.; OLIVEIRA, B. R. R.; GOMES, P. S. C. Efeitos da desidratação sobre desempenho de força de atletas de Jiu-jitsu. Rev. bras. ciênc. mov, v. 18, n. 4, p , ISSN FRANCHINI, E.; J. N. DE CAMPOS PEREIRA; TAKITO, M. Y. Freqüência cardíaca e força de preensão manual durante a luta de jiu-jitsu. Lecturas Educación Física y Deportes, n. 65, p. 9, JESUS, G. A. A.; DO REGO BARROS, A. P.; ALVES, S. P.; NAVARRO, A. C.; LIBERALI, R. Grau de desidratação antes e após aula de judô. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 3, n. 13, p , ISSN MACHADO-MOREIRA, C. A.; VIMIEIRO-GOMES, A. C.; SILAMI-GARCIA, E.; RODRIGUES, L. O. C. Hidratação durante o exercício: a sede é suficiente? Rev Bras Med Esporte, v. 12, n. 6, p , ISSN MONTEIRO, I. C. C. D. R.; MARANHÃO, T. A.; SANTOS, E. C. C.; FERRAZ, A. S. M.; ANDRADE, F. T. Efeito agudo de um treino de jiu jitsu na variação do peso corporal e da composição corporal avaliada por bioimpedância. Lecturas Educación Física y Deportes v. 139, PEREIRA, R. F.; LOPES, C. R.; DECHECHI, C. J.; VICTOR, B. C.; IDE, B. N.; NAVARRO, A. C. Cinética de remoção de lactato em atletas de Brazilian jiu-jítsu. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, v. 5, n. 25, p , PERRELLA, M. M.; NORIYUKI, P. S.; ROSSI, L. Avaliação da perda hídrica durante treino intenso de rugby. Rev Bras Med Esporte, v. 11, n. 4, p ,

54 SILVA, B. V. C.; MAROCOLO JUNIOR, M.; DE MOURA SIMIM, M. A.; REZENDE, F. N.; FRANCHINI, E.; DA MOTA, G. R. Reliability in kimono grip strength tests and comparison between elite and non-elite Brazilian Jiu-Jitsu players. Archives of Budo, v. 8, n. 2, p , ISSN TAGLIARI, T. C.; LIBERALI, R.; NAVARRO, F. Mensuração da perda hídrica em um treino de Jiu Jitsu. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 5, n. 25, p , ISSN VIMIEIRO-GOMES, A. C.; RODRIGUES, L. Avaliação do estado de hidratação dos atletas, estresse térmico do ambiente e custo calórico do exercício durante sessões de treinamento em voleibol de alto nível. Revista Paulista de Educação Física, v. 15, n. 2, p ,

55 BENEFÍCIOS DA MUSCULAÇÃO SOBRE A QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE Lidiany Barbosa Tolosa* Graci Helena da Costa Araújo* André Luiz Zanella** *Discente do Curso de Pós-Graduação em Musculação e Personal Trainer, ENAF, Especialista em Docência do Ensino Superior, Meta, Macapá. ** Mestre em Educação pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Portugal. RESUMO A prática da musculação no treinamento de força de ajustadas de acordo com as capacidades individuais beneficia a terceira idade. Esta pesquisa teve o propósito de analisar a importância da musculação para a qualidade de vida na terceira idade/idoso. A metodologia empregada baseou-se na pesquisa bibliográfica, de natureza descritiva e de abordagem qualitativa. Os resultados obtidos demonstraram que o exercício físico é fundamental, para os idosos aumenta a força, dando flexibilidade, agilidade, aumento da auto-estima, independência dentre outros os quais, ajudarão na melhora da saúde e qualidade de vida sendo propicia a sua prática. E pode, inclusive, aliar a Musculação a outras atividades físicas, como Pilates e Treinamento Funcional. Concluiu-se que, qualquer tipo de exercício físico, seja qual for a modalidade escolhida, traz também diversos benefícios emocionais, entre eles: redução do estresse, melhora da autoestima, da libido e mais independência. Palavras chave: Musculação. Qualidade de vida. Terceira Idade. ABSTRACT The practice of bodybuilding in the set strength training according to the individual abilities benefits to seniors. This research aimed to analyze the importance of weight to the quality of life in old age / elderly. The methodology was based on the literature of descriptive and qualitative approach. The results showed that physical exercise is essential for the elderly increases strength, giving flexibility, agility, increased self-esteem, independence and others which will help in improving the health and quality of life and provides your practice. And can even combine Bodybuilding other physical activities such as Pilates and Functional Training. In conclusion, any type of physical exercise, whatever the mode chosen, it also brings many emotional benefits, including: stress reduction, improved selfesteem, libido and more independence. Keywords: Bodybuilding. Quality of life. Third Age. 1. INTRODUÇÃO 55

56 Nos dias de hoje, a musculação segundo Bittencourt (2004), é uma das atividades físicas que mais proporcionam benefícios a saúde e qualidade de vida na terceira idade, sendo também eficaz na prevenção de doenças causadas em virtude da dor crônica. Domenico e Schutz (2009, p. 1) afirmam que atualmente, a musculação é uma atividade física muito indicada para indivíduos que ingressam na terceira idade. Para os autores, o treinamento com pesos é muito eficaz na prevenção e tratamento de doenças como a osteoporose, obesidade, hipertensão arterial e diabetes, e tem como objetivo aumentar a massa muscular, densidade óssea, aperfeiçoando o desempenho relacionado à força, melhorando as condições funcionais do aluno, fazendo com que ele realize os esforços da vida diária com mais segurança, disposição, facilidade e sem a dependência de terceiros. Mauricio et al. (2008) em sua análise salienta do ponto de vista biológico, que o ato de envelhecer é uma fase do desenvolvimento humano, e consequentemente, o cumprimento de mais um estágio de degeneração do organismo, que se iniciaria após o período reprodutivo. Essa deterioração, que estaria associada à passagem do tempo, implicaria uma diminuição da capacidade do organismo para sobreviver. Com o objetivo de minimizar ou reverter a diminuição da força com o envelhecimento, o posicionamento do American College of Sports Medicine (1998) sobre os benefícios do exercício físico para idosos recomenda a inclusão do treinamento de força nos programas de exercícios dessa população. De acordo com Lima-Costa e Veras (2003), a velhice é acompanhada por doenças próprias do envelhecimento, o que requer demanda crescente por serviços de saúde (Plano Nacional aos Idosos, Estatuto do Idoso, Saúde do Idoso, entre outras políticas públicas). Sendo assim, a utilização de métodos que permitam potencializar os ganhos de força durante a musculação consiste numa estratégia importante para a melhoria da aptidão física dos praticantes dessa modalidade. Dado o exposto pretende-se com este estudo contribuir com a literatura á cerca do tema, apresentando alguns benefícios que a musculação pode trazer para a terceira idade. O estudo se torna relevante pois a pesquisa demonstra a realidade dessa classe, que busca por espaços de convivência com demais indivíduos de sua idade, e dessa forma, encontra em academias, associações e praças, subsídios para a construção de uma vida com qualidade e em harmonia com os preceitos da democracia e do respeito à sua condição. Assim sendo e com os pressupostos anteriormente apresentados este estudo deve como objetivo analisar os benefícios da musculação sobre a qualidade de vida na terceira idade. 2. IDOSO E QUALIDADE VIDA Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a qualidade de vida foi definida como a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive, e relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (SEIDL e ZANNON, 2004, p. 88). Para Moreira (2001), a qualidade de vida aplica-se ao indivíduo aparentemente saudável e diz respeito ao seu grau de satisfação com a vida nos múltiplos aspectos que a integram: moradia, transporte, alimentação, lazer, satisfação/realização profissional, vida sexual e amorosa, relacionamento com outras pessoas, liberdade, autonomia e segurança financeira. 56

57 O conceito de qualidade de vida nos estudos de Vechia et al. (2005) defende um conceito que relaciona a auto estima do indivíduo com seu próprio bem estar ambiental e psicológico. Dessa forma, falar de qualidade de vida é enfatizar vários aspectos da capacidade funcional do indivíduo e sua inclusão satisfatória na sua atual coletividade. O conceito de qualidade de vida está relacionado à autoestima e ao bem-estar pessoal e abrange uma série de aspectos, descrito por Vechia et al. (2005, p. 247) como a capacidade funcional, o nível socioeconômico, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a religiosidade. Além de enfatizar também aspectos do estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive. O conceito de qualidade de vida nos estudos de Vechia et al. (2005), portanto, pode variar, pois leva em consideração os estudos de Salvador et al. (2005) e Lazzoli (1999), e conceituam subjetivamente ser dependente do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais do indivíduo. Nesse contexto, o processo de descrição de qualidade de vida dos idosos está baseado também na sua qualidade física, dessa forma, Salvador et al. (2005) afirma que os exercícios físicos no solo oferecem benefícios. Já Lazzoli (1999) diz que o idoso que realiza exercícios tem menos chances de desenvolver uma série de doenças crônicas, e assim, o fato de se tornarem fisicamente ativos no decorrer da vida adoecem menos; se adoecerem, o farão com menos gravidade e se recuperarão mais rapidamente. Muitos idosos vivem em um ciclo vicioso sociocultural que faz com que se limitem em termos de atividade física (MACHADO et al., 2013). Este ciclo vicioso passa pela inatividade física, pelo desenvolvimento de doenças crônicas, pela complicação dessas doenças crônicas e culmina em uma limitação em graus variáveis para executar as tarefas mais simples do cotidiano, como, por exemplo, cuidar da própria higiene. O quanto este grau de limitação afeta a qualidade de vida nem sempre parece tão óbvio para quem não o possui (SANTOS, 2003). Como muitos idosos - tanto saudáveis como portadores de doenças - estão muito próximos do limiar independência/dependência, mesmo aumentos modestos da capacidade funcional e do limiar anaeróbico induzidos pelo treinamento regular podem resultar em melhoras expressivas da qualidade de vida (LAZZOLI, 1999). Nos estudos de Machado et al. (2013), a capacidade de interação com novos grupos vai diminuindo conforme a pessoa vai envelhecendo, o que faz com que os indivíduos tornem-se cada vez mais solitários e destacados do grupo social. Para Cícero (1997), as atividades físicas estão diretamente relacionadas, na terceira idade, com a autoimagem e a autoestima e tenta fazer com que a vida do idoso tenha bastante sentido. Contudo, o ato de praticar atividade física por parte dos idosos era visto com bons olhos pela família e amigos, produzindo no idoso, bem-estar e melhora na autoestima. 3. PROCESSO DO ENVELHECIMENTO Para Mello (2005, p. 1) o envelhecimento decorre de um [...] processo fisiológico que se caracteriza por mudanças orgânicas que ocorrem durante o ciclo biológico da vida. Segundo esse autor, o envelhecimento é importante, na medida que não impeça o ser 57

58 humano de realizar as atividades que já realizara em seu dia a dia, não deixando de estabelecer laços de comunicação e de relações capazes de descaracterizá-lo como ser humano. Com o aumento da idade, cada ser humano tende a sofrer processos de transformação, em todas as suas funções vitais. Ao longo da história, Santos (2003, p. 3) descreveu que o envelhecimento ocorre nas esferas: biológico; cronológica; funcional; psicológica e social. Em termos biológicos, é o processo natural que começa na maturação sexual e vai provocando através de ações externas e internas, a vulnerabilidade do organismo, diminuindo a sua probabilidade de sobrevivência. O cronológico, diferentemente do biológico, identifica apenas o passar do tempo e é muito importante na determinação dos parâmetros para planejamentos de políticas públicas. Apesar de ser dos menos precisos, o critério cronológico é um dos mais utilizados para estabelecer o ser idoso, até para delimitar a população de um determinado estudo, ou para análise epidemiológica, ou com propósitos administrativos e legais voltados para desenho de políticas públicas e para o planejamento ou oferta de serviços (CUPERTINO et al., 2007). Considerando a relação do todo com as partes e vice-versa, o ser idoso não pode ser definido só pelo plano cronológico, pois outras condições, tais como físicas, funcionais, mentais e de saúde, podem influenciar diretamente na determinação de quem o seja. Porém, vejo como necessária uma uniformização com base cronológica do ser humano idoso brasileiro, a ser utilizada principalmente no ensino, considerando idoso, no Brasil, quem tem 60 anos e mais (SANTOS, 2003). Mas o que não sabemos é que o envelhecimento vai muito além, sendo caracterizado também com o fator social, que é quando o indivíduo começa a não ter perspectiva de futuro e a se sentir excluído da sociedade, deixando de interagir com o outro e com o mundo. Muitas vezes se isolando dentro de casa, podendo levar rapidamente a depressão e consequentemente a morte (MELLO, 2005). Aliado a este, tem-se, segundo Santos (2003), o fator psicológico que através de pesquisas e questionários podem-se observar alterações cognitivas (atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem), porém, sem relatos de maiores alterações de personalidade. Neste, pode-se identificar, segundo Santos (2003) afirma que a síndrome do ninho vazio, que é quando os pais se deparam com a saída dos filhos de casa, ou na morte de um ente querido. As pessoas não se preparam para tal momento e quando chega, ficam abalados psicologicamente, acelerando o processo de senescência. Rodrigues; Rauth (2003) explicam que o idoso tem em sua gênese física e biológica os sinais de envelhecimento: esquecimento, cansaço, fraqueza física entre outros. E, segundo Cupertino et al. (2007), somente nos anos finais do século vinte que houve uma intensificação dos estudos que abordavam a transformação da imagem, ou representação do envelhecimento, e assim, propunham, segundos os autores, a adoção de novos aparatos e práticas para manutenção de corpo, medicamentos, atividades de lazer, entre outros, e dessa forma, construindo uma possível nova relação do presente com o esquecimento e o envelhecimento, em adoção de processos inclusivos e de qualidade de vida para o público idoso. 58

59 A questão do envelhecimento, segundo Verona et al. (2006), vem tomando cada vez mais ênfase nos meios de comunicação, principalmente em relação a evolução das concepções individuais e coletivas que o idoso vem construindo no século XXI, participando de todo o processo tecnológico, tentando driblar as teorias antiinteracionistas de sua inclusão na sociedade como agente causador e participante das mudanças sociais. Portanto, nos postulados de Kachar (2002), hoje torna-se difícil mensurar quais aspectos podem ser mensuradores da origem e do início do envelhecimento nos indivíduos, não só pelo fato de ser variável de indivíduo para indivíduo, mas também porque os primeiros sinais de envelhecimento são imperceptíveis. Para esse autor, apesar destes terem mais doenças do que as pessoas mais jovens; sua época senil não pode ser caracterizada pelas doenças, mas como etapa da vida com alguns dissonantes físicos, biológicos e psicológicos, que pode ou não ter uma ou mais doenças associadas. Braga (2005) em seus estudos, imprime uma série de entendimentos que a sociedade deve ter com os idosos, evitando que as generalizações deturpem a devida e correta diferenciação do envelhecimento fisiológico e do patológico. Tais generalizações tornam possível entender que muitos idosos em bom estado possam ser considerados doentes e submetidos muitas vezes a tratamentos desnecessários. 4. IMPORTÂNCIA DOS EXERCÍCIOS ASSISTIDOS (MUSCULAÇÃO) PARA OS IDOSOS Os exercícios de musculação, segundo Jacobina (2014), são ideais para a prevenção e tratamento de doenças e aumento da massa muscular. Também ajuda no aumento da densidade óssea. Segundo Domenico e Schutz (2009) os exercícios regulares com pesos podem levar a um aumento da densidade óssea nas mulheres idosas, homens que se exercitam regularmente têm densidade óssea maior do que os inativos ou sedentários. Há pesquisas cientificas que comprovam os benefícios dos exercícios assistidos aos idosos. É o caso de Santarém et. al. (2008) ao exporem que esses exercícios resistidos aumentam a força e a hipertrofia muscular, também observaram o aumento da expressão gênica em 179 genes diferentes. Esse aumento alterou o perfil genético muscular, resultando em jovialização física dos idosos sob o ponto de vista muscular. Pode-se compreender nos estudos de Vilarta (2007, p. 34) que a recomendação para os idosos participarem das atividades de musculação tem a finalidade de promover nessa clientela, [...] a manutenção do nosso organismo e poder trazer ganhos para a saúde e melhor qualidade de vida. O mesmo autor fala ainda que além de induzir o aumento da massa muscular, os exercícios com pesos estimulam a redução da gordura corporal e o aumento de massa óssea, levando às mudanças extremamente favoráveis na composição corporal. Em outro estudo, Cordão (2007, p. 10) afirmou, quando os idosos realizam exercícios resistidos, geralmente promovem o trabalho muscular, e assim, promove o consumo de energias, gorduras (triglicerides) e carboidratos (glicogênio e glicose), e assim, evitam o excesso de oxidação das células. Se a taxa de exercícios for muito alta e intensa, pode haver uma fonte de energia de ácidos graxos livres para a mitocôndria dos músculos. Sendo assim, é preciso uma intensidade baixa no exercício para que ocorra maior 59

60 oxidação das gorduras. Assim, as atividades que requisitam grandes grupos musculares são recomendadas para a redução da gordura. Nesse entendimento, Mcardle et. al. (2008, p. 544), dizem que o estresse mecânico imposto aos componentes do sistema muscular induz as proteínas sinalizadoras a ativarem os genes que ativam a translação do RNA4, proteína que tem a função de estimular a síntese proteica em nível superior ao fracionado. Nesse sentido, estes autores explicam que a musculação utiliza pesos livres, máquinas e outros instrumentos para realizar a execução dos exercícios, a sua prática se torna muito segura e beneficia os idosos com o aumento muscular. Deve-se relatar, conforme exposto na pesquisa de Pinto et al. (2008, p. 1) que a prática da musculação ajuda na diminuição do estresse, aumenta a interação social, combate o sedentarismo, a aterosclerose, controla a hipertensão arterial, obesidade, diabetes mellitus, osteoporose entre outros. Além de, segundo Siqueira; Junior (2008), reduzir os níveis sistólicos e diastólicos na pressão arterial com o treinamento com pesos e dessa forma, evitando que haja menor concentração de lactato muscular. Então, Medina et al. (2009) explicaram que a musculação é o exercício adequado para diminuir a incapacidade muscular, aumentar os níveis de força, preservar os tecidos musculares e ser auxiliar no tratamento da osteoporose em idosos. E, em relação a prática de exercícios resistidos, Santarém et al. (2007) explicam que a prática regular dos exercícios resistidos pode proporcionar melhorias na aptidão física e saúde de idosos, bem como auxiliar na prevenção e no tratamento de doenças crônicas não-transmissíveis, tais como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellito, obesidade e osteoporose. Medina et al. (2009) são categóricos em afirmar que os exercícios resistidos são movimentos realizados contra resistências graduadas, geralmente pesos, e fazem parte de programas de condicionamento físico, visando à prevenção e reabilitação de indivíduos idosos e portadores de diversas doenças. A principal vantagem desse método é o adequado controle de todas as variáveis do movimento (posição e postura, velocidade de execução, amplitude do movimento, volume e intensidade) com segurança cardiovascular e músculo-esquelético. A prática da musculação no treinamento de força de alta intensidade ajustadas de acordo com as capacidades individuais de cada um beneficia o idoso, segundo Campos (2008, p. 80) na qualidade de vida, independência funcional, melhoras da força, resistência, flexibilidade, agilidade e equilíbrio que são importantes para a vida diária dos idosos principalmente no ambiente doméstico, onde ocorrem muitos acidentes, com frequência as quedas. De acordo o autor, a queda pode afetar também a saúde psicológica devido ao medo, à ansiedade, à insegurança e à dependência. Portanto, Mcardle et. al. (2008) em sua pesquisa, com cinco homens idosos e sadios (média de 68 anos) demonstraram a impressionante plasticidade do músculo esquelético humano. Os homens treinados por 12 semanas utilizando exercícios com resistência pesada, isocinéticos e com peso livre. Treinamento fazia aumentar o volume dos músculos e a área em corte transversal do bíceps braquial (13,9%) e do braquial (26,0%), enquanto a hipertrofia aumentava em 37,2% nas fibras musculares tipo I. Por sua vez, outro estudo, o de Cordão (2007) consta que entre os inúmeros benefícios inerentes à prática da musculação por idosos, consta a melhora da autoestima, da 60

61 imagem corporal, da socialização, diminui os níveis de estresse, ansiedade, da tensão muscular e insônia, e melhora das funções cognitivas. O autor também constatou que a mesma é oferecida em locais, nos quais, frequentam muitas pessoas que mantêm certo contato ajudando a conhecer novas pessoas, fator relevante para o desenvolvimento social dos indivíduos na terceira idade, e consequentemente, no bem estar (qualidade de vida). Então, para o autor, a prática de exercícios resistidos beneficia os idosos funcional, social, psicologica e esteticamente, além de ser um aliado na promoção da vida. Campos (2008, p. 79) adverte que é necessário um conhecimento vasto sobre as perdas fisiológicas nesta faixa etária da população e seus riscos na prática deste tipo de atividade. E diz mais, ser fundamental a prática da musculação com profissionais de Educação Física, capacitados. 5. A IMPORTÂNCIA DA PRATICA REGULAR DE MUSCULAÇÃO PARA IDOSOS Nos estudos de Cordão (2007), expõe-se que um programa de musculação bem elaborado pode resultar em inúmeros benefícios para os idosos. Entre os benefícios gerais estão: aumento da força muscular, pequeno aumento da potência muscular, aumento das fibras musculares tanto do tipo I como do tipo II, pequeno aumento da área de secção transversal, diminuição dos níveis de dor, diminuição da gordura intraabdominal, motilidade gastrointestinal, melhoria dos fatores neurais, aumento da densidade óssea diminuição do percentual de gordura, diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares, diminuição dos riscos de desenvolvimento de diabetes, diminuição de lesões causadas por quedas, aumento da capacidade funcional, melhoria da postura geral, aumento da motivação e melhoria da auto-estima, aumento da agilidade, aumento da flexibilidade, aumento da resistência. Santarém et. al. (2008, p. 261) fala que são necessárias duas sessões semanais de exercícios resistidos, com oito a dez exercícios para os grandes grupamentos musculares. Sugere também o número de repetições a ser executado para cada série de exercícios que é de dez a quinze, porém, para indivíduos debilitados são de até dez repetições. Segundo Medina (2009) existem programas específicos para os idosos: exercícios básicos para os grandes grupamentos musculares (4-6 grandes grupos musculares); exercícios suplementares para os pequenos grupamentos musculares (3-5 exercícios); Ordem dos exercícios: um aquecimento, seguido dos grandes grupamentos musculares, pequenos grupamentos musculares e desaquecimento. Carga usada e número de séries: o mais comum é de 80% de 1 RM para 8 repetições, porém existem trabalhos que podem ser usados de 60 a 85% de 1 RM. Normalmente 3 séries porém, apenas uma série pode ser significativa se feita até a última repetição máxima. Medina (2009) apresenta um programa básico de musculação para idosos sedentários iniciantes no treino: Leg Press Horizontal, Supino reto, cadeira flexora, remada sentada com apoio, cadeira extensora, remada em pé, extensão de tornozelos, rosca direta, tríceps abdômen com o aparelho, e alongamentos gerais. Os exemplos de programas citados acima são de grande valor para o desenvolvimento muscular do idoso e em consequência das funções diárias. Visto que, a vida ativa na terceira idade traz muitos efeitos positivos que contribuem para a minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento, evidenciando assim os benefícios da musculação para a saúde e 61

62 qualidade de vida na terceira idade. Não esquecendo que ao ser realizado com programas de exercícios bem elaborados, ela se torna indispensável. Assim é de grande valor a prática da musculação, em prol da melhor qualidade de vida e saúde no processo de envelhecimento. Ainda conforme Medina (2009), a proporção e o número de pessoas na terceira idade no Brasil e no mundo são grandes. É um fato que repercute nas diferentes esferas da estrutura social, econômica, política e cultural da sociedade. Esses indivíduos possuem demandas específicas para a obtenção de adequadas condições de vida. Assim sendo, essa faixa etária da população necessita de uma atenção especial. Vilarta (2005, p. 160), no entanto, comenta que é chegado o momento de termos um novo paradigma quanto a vida na terceira idade. Percebê-los como indivíduos participativos e ativos na sociedade. Deste modo, estes sujeitos beneficiam-se positivamente do desenvolvimento. O mesmo autor fala ainda da importância da (re)educação dos jovens sobre envelhecimento e os direitos das pessoas mais velhas, ajudando a reduzir a discriminação e o abuso com pessoas dessa faixa etária. Vale lembrar que as políticas públicas tem um grande papel na estimulação de uma vida ativa com os programas de atividades físicas na oportunização e acesso a tais atividades. Compete aqui ressaltar que os estudos sobre envelhecimento e os benefícios da musculação para a terceira idade trazem bons resultados na prevenção e promoção da saúde e qualidade de vida, sendo relevante para a sociedade em geral (MELLO; XIMENES, 2002; MORAES, 2007; NAHAS, 2003). Afinal, a musculação é um treinamento contra resistência, o qual ajuda as pessoas a obterem melhoras funcionais e psicossociais (NAHAS, 2003). Cabe salientar também, segundo Neto et al. (2009), que a prática da musculação não focalizava as pessoas da terceira idade, pois não eram produzidos programas específicos para este público, porém com os avanços dos estudos sobre envelhecimento este quadro esta mudando. Nesse sentido, segundo González Badillo; Ayestarán (2001) de todas as atividades de reforço muscular, a musculação é uma das poucas que ajuda no aumento da densidade óssea, por utilizar exercícios de tração e peso. E segundo Ghorayeb et al. (2005) e Komi (2006), ela protege o coração, auxilia na flexibilidade e na resistência, e facilita o controle da pressão arterial. Mas não podemos esquecer que a população idosa é mais frágil, e precisa de cuidados específicos. Os exercícios de musculação para idosos devem buscar fortalecer os músculos das pernas e da cintura. O importante nesta prática é a repetição e não a carga que, se não for adequada, pode causar dores nos músculos e articulações. As sequências propostas nas academias favorecem a respiração correta e a circulação sanguínea (GONZÁLEZ BADILLO; AYESTARÁN, 2001; GHORAYEB et al., 2005; KOMI, 2006), As AALs (Academias ao Ar Livre), segundo Chagas; Lima (2008), foram instaladas em praças e parque de centenas de cidades do Brasil, são uma opção prática e interessante para a prática de musculação para idosos. Os espaços foram criados pelas prefeituras, a fim de oferecer uma atividade saudável em locais frequentados por famílias inteiras. Conforme explicado por Cohen; Abdalla (2003), explicam que nestes locais, além da atividade física, o idoso fica em contato direto com a natureza e com as demais pessoas 62

63 que frequentam a academia. Os espaços servem para lazer e recreação, e favorecem o aumento da qualidade de vida de seus usuários. Muitos deles contam com a presença de educadores físicos, que acompanham e orientam os cidadãos. Os aparelhos utilizados nestas academias são indicados para pessoas que, com o passar do tempo, perderam a força muscular e o equilíbrio, por isso são muito utilizados por idosos. Os equipamentos não fazem uso de cargas extras, funcionando com o peso do corpo de cada pessoa. Apesar disso, atividades como a musculação para idosos mexem com uma série de grupamentos musculares e ósseos, e necessitam de atenção especial. Antes de iniciar, é preciso passar por uma avaliação médica que determine o real estado de saúde da pessoa. Além disso, o acompanhamento profissional é essencial para o cumprimento correto do exercício (CHAGAS; LIMA, 2008; COHEN; ABDALLA, 2003), 6. CONCLUSÃO Nessa perspectiva, compete notar que a prática da musculação traz benefícios se for esquematizada e acompanhada por profissionais de Educação Física habilitados, e que apresentem conhecimentos característicos na área, a fim de suprir as necessidades das pessoas. De todas as atividades de reforço muscular, a musculação é uma das poucas que ajuda no aumento da densidade óssea, por utilizar exercícios de tração e peso. Além disso, os exercícios dessa prática esportiva quando realizados pelo idoso, conforme a literatura analisada, geralmente amenizar as perdas funcionais durante o processo de envelhecimento, fazendo o idoso ganhar força e potência, massa muscular, massa óssea das funções cardiovasculares e respiratórias, além de auxiliar na recuperação da agilidade, flexibilidade entre outras. Mas não podemos esquecer que a população idosa é mais frágil, e precisa de cuidados específicos. O importante nesta prática é a repetição e não a carga que, se não for adequada, pode causar dores nos músculos e articulações. Muitos idosos não procuram as academias por conta de algumas doenças. Por isso, recomenda-se um trabalho de informação e conscientização sobre os benefícios da musculação para os idosos, enfatizando o combate às doenças, a redução do índice de dor, as melhores na circulação sanguinea e vários outros benefícios surgidos em virtude das atividades de força e potencia muscular. A prática da musculação é boa, pois beneficia em muitos aspectos as pessoas idosas, diminuindo a perda da massa muscular e óssea, aumentando a força, dando flexibilidade, agilidade, aumento da auto-estima, independência dentre outros os quais, ajudarão na melhora da saúde e qualidade de vida sendo propicia a sua prática. Visto que, é possível observar diante das evidencias que a prática da musculação beneficia tanto fisicamente como psicologicamente. Em níveis práticos de explicação e achado cientifico, a prática das atividades em aparelhos de sobrecarga é mais segura do que a de atividades aeróbicas. A musculação para a terceira idade, entre outras conquistas, melhora o desempenho de tarefas diárias. A atividade diminui o risco de quedas durante uma simples caminhada e preserva uma 63

64 vida mais independente, cheia de disposição. A musculação é uma das melhores atividades que os idosos podem desempenhar. Com a terceira idade e utilizando a musculação como forma de atividade física, poderá contribuir com essa parcela da população na melhora das condições de saúde e qualidade de vida. Sendo importante na execução e aplicação de programas ajustados e adequados as necessidades destas. REFERÊNCIAS AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. A quantidade e o tipo recomendados de exercícios para o desenvolvimento e a manutenção da aptidão cardiorrespiratória e muscular em adultos saudáveis. Rev. Bras. Med. Esporte, 4 (3), mai/jun, BITTENCOURT, Nelson. Musculação: Uma abordagem metodológica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Sprint, CAMPOS, M. A. Musculação: diabéticos, osteoporóticos, idosos, crianças, obesos. Sprint, 4ª edição, Rio de Janeiro, CHAGAS, M.H; LIMA, F.V. Musculação: variáveis estruturais. Belo Horizonte: Casa da Educação Física, CÍCERO, Marco Túlio. Saber envelhecer e a amizade. Porto Alegre: L&PM COHEN, M.; ABDALLA, R. J. Lesões nos esportes. Diagnóstico, prevenção e tratamento. São Paulo: Revinter, CORDÃO, D. C. Obesidade e a prática sistematizada de exercícios físicos. Universidade Estadual Paulista. Bauru: UNIP, CUPERTINO, Ana Paula Fabrino Bretas et al. Definição de envelhecimento saudável na perspectiva de indivíduos idosos. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 20, n. 1, DOMENICO, L. D.; SCHÜTZ, G. R. Motivação em idosos praticantes de musculação. Revista Digital - Buenos Aires, 13 (130), GHORAYEB, N.; BATLOUNI, M.; PINTO, I. M. F.; DIOGUARDI, G.S. Hipertrofia ventricular esquerda do atleta. Resposta adaptativa fisiológica do coração. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. São Paulo, v.85, n.3, set GONZÁLEZ BADILLO, J.J; AYESTARÁN, E.G. Fundamentos do treinamento de força: aplicação ao alto rendimento desportivo. 2 ed., Porto Alegre: Artmed, JACOBINA, Mario. Benefícios da musculação na terceira idade. Disponível em: <http://vitalidadenamaturidade.blogspot.com.br/2012/05/beneficios-da-mus-culacao-naterceira.html>. Acesso em: 25/10/2014. KACHAR, V. A terceira idade e a inclusão digital. Revista O mundo da saúde, 26(3), 2002, p KOMI, P.V. Força e potência no esporte. 2. ed. Porto Alegre: Artmed., LAZZOLI, José Kawazoe. Qualidade de vida na terceira idade. Rev Bras Med Esporte, Niterói, 5(1), Fev

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67 FATORES MOTIVACIONAIS QUE INCIDEM SOB ADOLESCENTES PERTENCENTES AO PROGRAMA AABB COMUNIDADE E ALUNOS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DA CIDADE DE PITANGUI-MG PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADES ESPORTIVAS. DUARTE, J. P. S.¹; CAMARGOS, E. D.²; SANTOS, G. F.²; PUSSIELDI, G. A Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal Minas Gerais Brasil. 2 Universidade de Itaúna Minas Gerais Brasil. RESUMO Havendo a necessidade de direcionar estudos dentro da temática dos projetos sociais, e que também forneçam subsídios aos técnicos, dirigentes, atletas, pais e para a comunidade científica que busca entender e intervir na questão da motivação para a prática esportiva, o objetivo deste estudo foi identificar possíveis diferenças entre os motivos que levam à prática esportiva em adolescentes com faixas etárias de 13 e 14 anos, participantes do programa de educação pelo esporte AABB Comunidade e alunos regularmente matriculados na rede pública de ensino da cidade de Pitangui-MG, utilizando como instrumento de pesquisa o Inventário de Motivação para a Prática Desportiva de Gaya & Cardoso (1998). A amostra foi composta por 285 adolescentes voluntários de ambos os sexos, sendo 8 participantes do projeto social e 277 alunos das escolas públicas. Os resultados obtidos apontaram diferenças estatisticamente significativas apenas entre duas das 19 variáveis do inventário, ambas da categoria Competência Desportiva, sendo de maior importância no projeto social, ao ponto que os motivos que mais incidem sob os alunos das escolas públicas serem voltados para a categoria Saúde, sugerindo que mesmo entre os adolescentes há uma grande preocupação com a saúde e sua relação com a prática esportiva, tornando-se de suma importância o acompanhamento do professor de Educação Física, que atuará na prescrição e orientação das atividades físicas dentro da escola, influindo diretamente na motivação dos alunos e contribuindo para a continuidade da prática esportiva entre os adultos que vivenciaram na adolescência, boas experiências nas aulas de Educação Física. Palavras-chave: Motivação; Motivos; Adolescentes; Escola; Projeto social ABSTRACT If there is a need to direct studies in the subject of social projects, and also provide subsidies to coaches, officials, athletes, parents and to the scientific community that seeks to understand and intervene in the question of motivation for sports, the objective of this study was identify possible differences between the motives that lead to sport in adolescents ages 13 to 14 years, participants of the education program for the sport "AABB Community" and students enrolled in the public schools of the city of Pitangui-MG, using as a research tool Motivation Inventory for Sports Practice Gaya & Cardoso (1998). The sample consisted of 285 adolescent volunteers of both sexes, with 8 participants of the social project and 277 public school students. The results showed statistically 67

68 significant differences between only two of the 19 variables of the inventory, both the category Sports Skill, being of greater importance in social project, to the point that the reasons more focus on students of public schools are facing the Health category, suggesting that even among adolescents there is a great concern for the health and its relationship to sports practice, making it extremely important to monitor the physical education teacher, who will act in the prescription and direction of physical activity within the school, influencing directly on student motivation and contributing to the continued practice of sports among adults who experienced adolescence, good experiences in physical education classes. Keywords: Motivation; Reasons; Teens; Schools; Social Project INTRODUÇÃO A motivação é um fator determinante no comportamento humano, caracterizada como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta (SAMULSKY, 2009 apud LIZ, 2010). Knijnik, Greguol & Santos (2001) afirmam que os seres humanos agem em função de suas motivações (necessidades), sejam claras ou implícitas, essas motivações se apresentam como uma forte razão interna que resultam em uma necessidade psicológica. Nesta mesma linha de estudo, Tresca & Rose Junior (2000) infatiza que a motivação é um fator psicológico que está relacionado à atividade física, seja no aspecto da aprendizagem ou do desempenho. Paim & Pereira (2005) sustentam que qualquer discussão sobre motivação implica em investigar os motivos que influem em determinado comportamento, sendo assim, todo comportamento é motivado e impulsionado por motivos; e quando não há motivos. Entretanto, Bzuneck & Guimarães (2007) define como desmotivação a ausência de intenção para agir; e nessa mesma linha de pesquisa, Pussieldi (1999) salienta que para que ocorra aprendizado, é necessário que o indivíduo tenha motivação. Com relação à prática de exercícios físicos, Matias (2010) observou, revisando uma série de estudos na literatura, que as pessoas mais motivadas para a prática de atividade física aderem a estas atividades. Knijnik, Greguol & Santos (2001) salientam que desde os anos 80, a motivação para a prática esportiva tem sido um dos tópicos mais analisados na área da Psicologia do Esporte infanto-juvenil, procurando identificar os fatores que levam crianças e adolescentes a iniciar, continuar e desistir do envolvimento em atividades físicas e esportivas; os mesmos autores acrescentam que a enorme busca pelo esporte e o abandono precoce da prática nos apontam para um fator fundamental no esporte infantil: a motivação. Segundo Bueno & Di Bonifácio (2007) a consideração de que a prática esportiva envolve variáveis que alteram os estados emocionais do praticante levou os pesquisadores a preocuparem-se com a elaboração de instrumentos adequados para avaliação destes estados, sendo extremamente importante a utilização de instrumentos que deem subsídios sustentáveis para se realizar uma coleta de dados fidedigna em relação ao objetivo desejado e dentro do contexto aplicado. Há a necessidade de direcionar estudos dentro da temática dos projetos sociais, e que também forneçam subsídios para a comunidade científica que busca entender e intervir 68

69 na questão da motivação para a prática esportiva, além de técnicos, dirigentes, atletas e pais; pois os mesmos encontram-se escassos na literatura. Por tanto, o objetivo deste trabalho foi identificar possíveis diferenças entre os motivos que levam à prática esportiva em adolescentes com faixas etárias de 13 e 14 anos, participantes do programa de educação pelo esporte AABB Comunidade e alunos das escolas públicas da cidade de Pitangui-MG MÉTODO Caracterização da amostra A amostra foi composta por 285 adolescentes voluntários de ambos os sexos, sendo 8 participantes do programa de educação pelo esporte AABB Comunidade da cidade de Pitangui-MG, e 277 alunos regularmente matriculados em cinco escolas da rede pública de ensino da mesma cidade, todos da faixa etária de 13 e 14 anos. Os adolescentes voluntários foram identificados no projeto e nas escolas com a orientação dos professores/diretores, fazendo parte da pesquisa aqueles que, após os esclarecimentos, se propuseram a participar. Cuidados Éticos A aplicação do questionário foi feita individualmente durante as aulas de Educação Física e os voluntários foram esclarecidos a respeito dos métodos e objetivos da pesquisa, bem quanto às próprias questões do questionário. Cada voluntário levou para a casa um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para recolher a assinatura de um responsável legal autorizando a submissão dos dados à análise, que foi entregue aos pesquisadores no dia seguinte juntamente com o questionário respondido. Durante o processo da coleta de dados houve autorização prévia dos diretores e professores das escolas/projeto, que cederam o tempo disponível de suas aulas e autorizaram a divulgação das escolas no trabalho para fins didáticos/científicos. Instrumento Como instrumento de coleta de dados foi utilizado o Inventário de Motivação para a Prática Desportiva de Gaya e Cardoso (1998), no qual os adolescentes deveriam assinalar o nível de importância de cada um dos 19 motivos que levam à prática esportiva, sendo eles: 01. Para vencer, 02. Para exercitar-se, 03. Para brincar, 04. Para ser o(a) melhor no esporte, 05. Para manter a saúde, 06. Porque eu gosto, 07. Para encontrar amigos, 08. Para competir, 09. Para ser um atleta, 10. Para desenvolver a musculatura, 11. Para ter bom aspecto, 12. Para me divertir, 13. Para fazer novos amigos, 14. Para manter o corpo em forma, 15. Para desenvolver habilidades, 16. Para aprender novos esportes, 17. Para ser jogador quando crescer, 18. Para emagrecer, 19. Para não ficar em casa. Os níveis de importância foram descritos em uma legenda, a saber: NI (Nada Importante), PI (Pouco Importante), I (Importante) e MI (Muito Importante). Procedimentos estatísticos Para comparação dos motivos para a prática esportiva entre o projeto AABB Comunidade e as escolas públicas, foi realizado o teste não-paramétrico Mann-Whitney 69

70 (p 0,05). Também houve uma comparação dos motivos para a prática esportiva entre os indivíduos de cada escola, para tanto foi realizada uma Analise de Variância (ANOVA One Way) com Post Hoc Turkey Test (p 0,05). RESULTADOS Diante da análise dos dados coletados, identificou-se diferenças significativas ao comparar as respostas obtidas no projeto social AABB Comunidade (AABB) e nas escolas públicas (Outras) somente nas variáveis 9 e 17; a variável 9 corresponde ao motivo para ser um atleta (Gráfico 01), e a variável 17 corresponde ao motivo para ser jogador quando crescer (Gráfico 02). 4 VARIÁVEL AABB Outras GRÁFICO 1 Apresentação da existência de diferenças significativas entre o projeto AABB Comunidade e as escolas públicas com relação à variável 9 (para ser um atleta). 4 VARIÁVEL AABB Outras GRÁFICO 2 - Apresentação da existência de diferenças significativas entre o projeto AABB Comunidade e as escolas públicas com relação à variável 17 (para ser jogador quando crescer). Nas demais variáveis não constatamos diferenças significativas ao comparar os motivos que levam à prática esportiva no projeto social e nas escolas públicas. Ao compararmos os motivos que levam à prática esportiva entre o projeto social e as cinco escolas públicas separadamente, constatamos diferença significativa apenas na 70

71 variável 12 que representa o motivo para me divertir, entre a Escola Estadual Gustavo Capanema (EEGC) e a Escola Estadual José Valadares (EEJV), conforme o Gráfico 3. VARIÁVEL * 1 - AABB 2 - EEGC 3 - EEPJLC 4 - EEJV 5 - EEMAO 6 - EELG GRÁFICO 3 - Apresentação da existência de diferenças significativas entre o projeto AABB Comunidade e as escolas públicas separadamente com relação à variável 12 (para me divertir). Comparamos também, através de um Teste de Variância Simples, os motivos que levam à prática esportiva dentro do projeto social e dentro de cada escola pública pesquisada, procurando identificar diferenças significativas entre os motivos do inventário e constatar o nível que cada motivo incide em cada local (escolas/projeto social). De acordo com essa análise, não encontramos diferenças significativas entre os motivos no projeto AABB Comunidade, cuja amostra foi composta por 8 indivíduos e também na Escola Estadual Padre Joaquim Xavier Lopes Cançado, onde a amostra compreendeu 63 indivíduos. Já na Escola Estadual Gustavo Capanema (Gráfico 6), onde a amostra compreendeu 13 indivíduos, foi identificada diferença significativa entre os motivos 5 (para manter a saúde) e 19 (para não ficar em casa). E.E. Gustavo Capanema 4 * GRÁFICO 6 - Apresentação da existência de diferenças significativas na amostra da Escola Estadual Gustavo Capanema entre as variáveis 5 (para manter a saúde) e 19 (para não ficar em casa) do inventário. 71

72 Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas na Escola Estadual José Valadares, na Escola Estadual Monsenhor Arthur de Oliveira e na Escola Estadual Lima Guimarães, entre vários motivos do inventário. DISCUSSÃO Para análise dos motivos que levam à prática esportiva nos adolescentes, assim como nos estudos de Paim & Pereira (2004; 2005) estes foram classificados em três categorias, sendo: A) Competência Desportiva, que inclui os motivos: para vencer; para ser o (a) melhor no esporte; porque gosto; para competir; para ser um atleta; para desenvolver habilidades; para aprender novos esportes e para ser jogador quando crescer, B) Saúde, que inclui os motivos: para exercitar-se; para manter a saúde; para desenvolver a musculatura; para manter o corpo em forma e para emagrecer, e C) Amizade e Lazer, que inclui os motivos: para brincar; para encontrar os amigos; para me divertir; para fazer novos amigos e para não ficar em casa. Com base nos dados obtidos com a comparação entre o projeto AABB Comunidade e as escolas publicas em conjunto, podemos afirmar que esses motivos, baseados na Competência Desportiva são fatores de maior importância para participantes de projetos sociais que têm a visão de educação pelo esporte, do que para alunos da rede pública de ensino, para os quais, em muitos casos, as aulas de Educação Física são a única oportunidade de esses adolescentes lidarem com manifestações esportivas. Ao compararmos os motivos que levam à prática esportiva entre o projeto social e as cinco escolas públicas separadamente, constatamos diferença estatisticamente significativa apenas na variável 12 para me divertir, que por sua vez enquadra-se na categoria Amizade e Lazer. A diferença foi identificada entre a Escola Estadual Gustavo Capanema e a Escola Estadual José Valadares. Outro ponto importante que efetuamos neste estudo, foi identificar quais motivos são mais relevantes para a prática esportiva dentro do projeto social e dentro de cada escola pública pesquisada, procurando identificar diferenças significativas entre os motivos do inventário. De acordo com essa análise, não encontramos diferenças significativas entre os motivos no projeto AABB Comunidade, tampouco na Escola Estadual Padre Joaquim Xavier Lopes Cançado, nos levando a afirmar que os motivos incidem com determinada coerência e igualdade dentro do projeto social e dentro da escola citada. Ainda com relação à análise dentro de cada escola, observamos que em todas as escolas pesquisadas, diferente do projeto AABB Comunidade, o principal motivo que leva à prática esportiva é o motivo 5 para manter a saúde e o motivo 14 para manter o corpo em forma, mostrando que mesmo entre os adolescentes há uma grande preocupação com a saúde e sua relação com a prática esportiva. Enquanto os motivos que mais incidem sob os participantes do projeto social apesar da inexistência de diferenças estatisticamente significativas são os motivos 9 e 16, (respectivamente para ser um atleta e para aprender novos esportes ), ambos se enquadram na categoria Competência Desportiva, sugerindo que os adolescentes participantes de um projeto social voltado para a educação pelo esporte desejam aprimorar-se nas técnicas, táticas e conhecimentos esportivos, procurando um dia se tornarem atletas. 72

73 Como motivo apontado como menos importante para a prática esportiva de acordo com os dados obtidos em quase todas as escolas, diferente do projeto AABB Comunidade foi o motivo 19 (para não ficar em casa), sugerindo que o adolescente não teria outra ocupação além de praticar esportes, pertencendo à categoria Amizade e Lazer. CONCLUSÃO Concluímos com este estudo que existem diferenças entre os motivos para a prática esportiva que incidem sob adolescentes participantes do projeto de educação pelo esporte AABB Comunidade e adolescentes alunos das escolas públicas da cidade de Pitangui-MG. Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nas variáveis 9 para ser um atleta, e 17 para ser jogador quando crescer ; ambos motivos relacionados à categoria Competência Desportiva conforme a classificação apresentada por Paim & Pereira (2004; 2005), estes foram mais incidentes no projeto social. Ao analisarmos individualmente a incidência dos motivos entre a amostra do projeto social, embora não tenham sido identificadas diferenças significativas, concluímos que os motivos mais incidentes são os da mesma categoria, que possuem relação com o esporte de rendimento, dentro da categoria Competência Desportiva. Já os motivos que incidem sob os adolescentes alunos da rede pública de ensino são voltados para a prática de esportes na promoção da saúde, sugerindo uma certa preocupação com a relação entre esporte e saúde por parte dos alunos, assim, tornando-se de suma importância o acompanhamento do professor de Educação Física, que atuará na prescrição e orientação das atividades físicas. REFERÊNCIAS BUENO, J. L. O.; DI BONIFÁCIO, M. A.. Alterações de estados de ânimo presentes em atletas de voleibol avaliados em fases do campeonato. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n. 1, p , jan./abr BZUNECK, J. A.; GUIMARÃES, S. É. R.. Estilos de professores na promoção da motivação intrínseca: reformulação e validação de instrumento. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 23, n. 4, p , out./dez GAYA, A.; CARDOSO, M. Os fatores motivacionais para a prática desportiva e suas relações com o sexo, idade e níveis de desempenho desportivo. Revista Perfil, Porto Alegre, ano 2, n.2, p , KNIJNIK, J.D.;GREGUOL, M.; SANTOS, S. Motivação no esporte infanto-juvenil: uma discussão sobre razões de busca e abandono da prática esportiva entre crianças e adolescentes. Revista do Instituto de Ciências da Saúde, 19 (1), p. 7-13, LIZ, C. M. Motivação para a prática de musculação de aderentes e desistentes de academias. Florianópolis: UDESC, p. Dissertação (mestrado) - programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC. 73

74 MATIAS, T. S. Motivação para a prática de atividade física relacionada aos estados de humor e de depressão na adolescência. Florianópolis: UDESC, p. Dissertação (mestrado) - programa de Mestrado em Ciências do Movimento Humano da Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC. PAIM, M. C. C.; PEREIRA, É. F.. Fatores motivacionais dos adolescentes para a prática de capoeira na escola. Revista Motriz, Rio Claro, v.10, n.3, p , set./dez PAIM, M. C. C.; PEREIRA, É. F.. Fatores motivacionais em adolescentes para a prática de Jazz. Revista de Educação Física/UEM. Maringá: v. 16, n 1, p , 1 sem PUSSIELDI, G.A. Comparação do nível de motivação entre nadadores de categoria juvenil através de um método de automotivação. Dissertação (mestrado). Belo Horizonte, Escola de Educação Física UFMG, SAGE, G.. Introduction to motor behavior: A neuropsychological approach. 2 ed. Reading, MA: Addison-Wesley, TRESCA, R. P.; ROSE JÚNIOR, D. de. Estudo comparativo da motivação intrínseca em escolares praticantes e não praticantes de dança. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v. 8, n. 2,

75 ANÁLISE DO ESTADO DE HUMOR EM NADADORES RECREATIVOS NÃO FEDERADOS NA REALIZAÇÃO DE TESTES T-30 E 4X200 PEREIRA, I.C.S.¹; SOUZA, B.B.²; PUSSIELDI, G.A Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal Minas Gerais Brasil. 2 - Centro Universitário de Belo Horizonte, UNIBH Minas Gerais Brasil. RESUMO O objetivo deste estudo foi verificar o estado de humor em nadadores recreativos nãofederados na realização de testes específicos da natação o T-30' e 4X200. Foram avaliados 10 indivíduos praticantes de natação do gênero masculino. Os indivíduos foram submetidos á dois testes: 1º teste T-30' e uma semana depois o 2º teste 4x200. Antes e depois da realização dos testes os participantes preenchiam o questionário que avalia o estado de humor o BRUMS validado na versão portuguesa por Rohlfs (2006). Na verificação das subescalas, o alfa foi de 0,05 encontrou-se na subescala depressão alfa foi < 0,05 e no ordenamento das amostras T-30' A (antes) vs 4X200m D (depois) e 4X200m A (antes) vs 4X200m D (depois) o alfa foi < 0,05. O resultado obtido no presente estudo pode-se concluir que a dimensão depressão apresentou diferença estatística em contraposição nas outras dimensões, raiva, vigor, confusão, fadiga e tensão não tiveram diferenças estatísticas, este resultado pode estar relacionado devido aos fatores externos, intensidades dos testes e pelo fato dos participantes não terem a participarem de testes específicos da natação para a verificação de limiar anaeróbio que a partir deste possa planejar uma sessão de treinamento mais específico. Palavras-chave: Estado de Humor, BRUMS e Nadadores recreativos não-federados. ABSTRACT The aim of this study was to verify the mood state in non-federated recreational swimmers in performing specific tests Swimming T-30' and 4x individuals practicing swimming males were evaluated. Subjects were tested twice: 1st test T-30 'and a week later the 2nd test 4x200. Before and after the completion of the tests the participants filled out the questionnaire that assesses the mood in the BRUMS validated Portuguese version by Rohlfs (2006). The verification of the subscales, the alpha was 0.05 met the depression subscale alpha was <0.05 and the ordering of samples T-30 'A (before) vs 4x200m D (after) and the 4x200m (before) vs 4x200m D (after) the alpha was <0.05. The result obtained in this study it can be concluded that the depression scale showed statistical significance versus the other dimensions, anger, vigor, confusion, fatigue and tension had no statistical differences, this result may be related due to external factors, intensities of tests and because the participants did not have to participate in specific tests of swimming for verifying anaerobic threshold from this session can plan a more specific training. Keywords: Mood State, BRUMS and Non-federated recreational swimmers. INTRODUÇÃO 75

76 A prática da atividade física está associada aos benefícios proporcionados á saúde mental, pois verifica-se a melhora do humor, autoconfiança, redução da ansiedade e uma estabilidade emocional. Os testes psicológicos têm como função proporcionar uma série de hipóteses que, na discussão com os esportistas, permitem identificar mais rapidamente os objetivos da preparação psicológica, detectar áreas de competência e possíveis dificuldades ou problemas. Mas é essencial cuidar para não utilizar estas informações como uma verdade isolada. A seleção dos instrumentos dependerá da formação do psicólogo e sua familiaridade ou preferência por alguns testes em especial. Os testes devem ser encarados como simples ferramentas e, como tal, podem ser bons ou maus dependendo dos profissionais que os utilizam. A preferência por certos instrumentos não significa que sejam melhores ou piores que outros. (ROHLFS et al., 2005). Estados emocionais, como o humor, têm duração variável de algumas horas a alguns dias, podendo refletir sentimentos de exaltação, felicidade, tristeza, angústia, entre outros. O humor pode variar também em intensidade, envolvendo diferentes estados( LANE; TERRY, 2000), sendo cinco negativos (tensão, depressão, raiva, fadiga e confusão) e um positivo (vigor) (TERRY; LANE; FOGARTY, 2005). No esporte, os estados de humor são apontados como fatores decisivos, que para alguns autores podem até mesmo explicar parte do desempenho dos atletas em uma competição (ROHLFS et al., 2004; DEVENPORT; LANE; HANIN, 2005). Alterações nos estados de humor podem comprometer o desempenho esportivo, à medida que não proporcionam ao atleta condições ótimas de rendimento, ou ainda indicar sobrecarga de treinamento (HAGTVET; HANIN, 2007; REBUSTINI et al., 2005; LANE et al., 2005; ROHLFS et al., 2005). Berger (2000) sugere que exercícios para melhoria do humor devem ser do tipo agradável, de caráter aeróbio, não-competitivo, de intensidade moderada e de duração entre 20 a 40 min, regular durante a semana e praticado em ambientes previsíveis e espacialmente fixos. De acordo com este autor, para que um indivíduo sinta-se melhor após a atividade, ele deve evitar treinamentos com esforços máximos. Entretanto, Werneck (2006) enfatiza que para os diferentes tipos de atividades, tanto o exercício aeróbio quanto o exercício contra-resistência promoveram alterações positivas no estado de humor. Portanto, este estudo tem como objetivo verificar o estado de humor em nadadores recreativos não-federados do gênero masculino na realização de testes T-30 e 4X200. METODOLOGIA Amostra Foram analisados 10 nadadores não-federados do sexo masculino participantes do projeto de pesquisa em saúde e exercício da UNI-BH, com idade média de 24,9 ± 2,4 anos, onde todos tinham no mínimo um ano ou mais de prática em natação. Cuidados Éticos A participação no estudo foi inteiramente voluntária e, após a explicação dos objetivos do estudo, os participantes por sua vez leram e assinaram o Termo de 76

77 Consentimento Livre Esclarecido. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Minas Gerais, que segue as Normas e Diretrizes Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos Resolução 422/12 do Conselho Nacional de Saúde. Instrumentos O instrumento utilizado para avaliar o estado de humor antes e após a aplicação dos testes T-30' e Progressivo na natação (2x400) foi o Brunel Mood Scale, BRUMS. O BRUMS é uma tradução e validação do POMS na versão em português (Brasil) feita recentemente em um estudo sobre alterações de humor associadas à atividade física. A Escala de Humor de Brunel, BRUMS, foi desenvolvida para permitir uma rápida mensuração do estado de humor de populações compostas por adolescentes e adultos atletas e não atletas (ROHLFS et al., 2005) O BRUMS contém 24 escalas simples de humor que compõem as seis subescalas: raiva, confusão, depressão, fadiga, tensão e vigor (Quadro 1). Cada subescala contém quatro itens. Com a soma das respostas de cada subescala, obtém-se um escore que pode variar de 0 a 16. (ROHLFS et al., 2008) (BRANDT et al., 2010) Procedimento Os indivíduos foram submetidos a um programa de treinamento de 6 Semanas (Quadro 2), no qual eram realizados 3 treinos durante a semana (Segunda-feira, Quartafeira,Sexta-feira) com duração de 60 minutos cada sessão. Quadro 2: Programa de treinamento MESOCICLO 01 (6 SEMANAS) 1 ª SEGUNDA QUARTA SEXTA SEGUNDA QUARTA SEXTA 19/03 21/03 22/03 26/03 28/03 30/03 1) 20 1) 20 1) ) 30 1) 30 Cr 1) 10 cr Nadando Nadando Nadando ª cr/out 2) 30 2) 10 out 77

78 S E M A N A 2) 10 pr 3)10 br 4) 15 nadando 5) 5 soltos 2) 15 pr 3) 15 br 4) 5 nadando 5) 5 soltos 2) 20 pr/br 3) 20 cr/out S E M A N A 2) 20 pr/br 3) 10 cr pr/br 3) 10 pr 4) 10 br 5) 10 cr 6) 10 livre 3 ª S E M A N A 5 ª S E M A N A 02/04 04/04 06/04 09/04 11/04 13/04 1) 10 cr 1) 30 1) 30 cr 2) 10 out cr/out 2) 30 3) 10 pr 2) 20 pr/br pr/br 4) 10 br 3) 10 cr 5) 10 cr 6) 10 livre Recesso Recesso 4 ª S E M A N A 1) 10 cr 2) 10 out 3) 10 pr 4) 10 br 5) 10 cr 6) 10 livre 16/04 18/04 20/04 23/04 25/04 27/04 1) 20 cr 1) 10 livre 2) 20 2) T30 cr/out 3) 10 3) 20 pr/br soltos 1) 20 livre 2) 20 (400m) (80% c/1 ) 3) 10 pr 4) 10 soltos 6 ª S E M A N A 1) 10 livre 2) 20 (100m) (70% c/30 ) 3) 20 pr/br 4) 10 livre 1) 10 livre 2) 4x200 prog (Teste de Lactato) 3) 10 Livre 1) 10 livre 2) 20 (200m) (75% c/40 ) 3) 20 cr/out 4) 10 pr/br Na 5ª semana de treinamento foi realizado o teste T-30 o horário do teste foi ao 12h00min em que no dia os participantes responderam ao BRUMS 20 minutos antes do teste no Laboratório de Atividades Aquáticas depois do preenchimento do BRUMS foi realizado o teste na piscina do UNI-BH com medida de 25x12,5 metros e após o término do teste T-30 era aplicado o BRUMS novamente. Com intervalo de uma semana foi realizado o teste progressivo (4x200). No dia os participantes responderam ao BRUMS 20 minutos antes do teste no Laboratório de Atividades Aquáticas e o teste teve inicio ao 12h00min na piscina do UNI-BH. Após o término do teste progressivo era aplicado o BRUMS novamente. Analise Estatística 78

79 Para a análise dos dados foi utilizado o Programa Graphic Prism 3.0. Foi utilizado o teste de Friedman, que apresenta uma escala ordinal e compara mais de três amostras dependentes e o teste de Dunn s para ordenar as amostras. RESULTADOS Comparação entre as amostras A tabela 1 apresenta os testes realizados com os participantes do estudo e como as amostras serão mensuradas. Tabela 1: Mensuração do estado de humor nos testes T-30' e 4x200 T-30' A T-30' D 4X200 A 4X200 D T-30' A X T-30' D X 4X200 A X 4X200 D X Verificação dos fatores α A tabela 2 demonstra o α de cada dimensão do questionário BRUMS durante a realização dos testes T-30 e 4x200 em que A é antes dos testes realizados e D é depois dos testes realizados. Pode-se observar que uma dimensão apresentou valor com diferença significativa à depressão. O α foi de 0,05. Tabela 2: Verificação do α Dimensões α RAIVA 0,2197 CONFUSÃO 0,6664 DEPRESSÃO 0,0027* FADIGA 0,3916 TENSÃO 0,1171 VIGOR 0,7483 * Diferença significativa Os resultados das amostras analisadas do estado de humor nos testes T-30 e 4x200 antes e depois das realizações dos testes são apresentados na tabela 3. 79

80 Tabela 3: Ordenamento das amostras analisadas: Depressão Dunn's Multiple Comparison Difference in P value Summary Test rank sum T-30' A vs T-30' D 0,5 P > 0.05 Ns T-30' A vs 4X200m A 0 P > 0.05 Ns T-30' A vs 4X200m D 15,5 P < 0.05 * T-30' D vs 4X200m A -0,5 P > 0.05 Ns T-30' D vs 4X200m D 15 P > 0.05 Ns 4X200m A vs 4X200m D 15,5 P < 0.05 * * Diferença significativa A estatística aplicada o teste de Dunn s para ordenar as amostras, houve diferença significativa nas amostras T-30 A VS 4x200 D e 4x200 VS 4x200 D. Na primeira amostra T-30 A VS 4x200 D. DISCUSSÃO De acordo com a estatística realizada através do teste de Friedman houve de fato uma diferença significativa para as subescalas depressão, imagina-se que os resultados encontrados sejam em função das endorfinas, mesmo não tendo sido avaliadas. BRANDT et al., (2011) destaca que níveis elevados de depressão podem sugerir ainda uma dificuldade em atingir níveis ótimos de ativação, o que poderia influenciar negativamente a atenção e a concentração. Pertruzzello, Hall & Ekkekakis (2001) enfatiza que as respostas afetivas ao exercício são o produto de uma contínua mudança entre cognição e a percepção direta dos fatores somáticos, ou seja, em baixas intensidades predominam os fatores cognitivos enquanto nas altas intensidades predominam os fatores somáticos, tendo uma consonância com o presente estudo que foi de alta intensidade e pode-se estima que os fatores somáticos prevaleceram. Thirlaway & Benton (1992); Williams e Gett (1986) encontraram uma diminuição da tensão, ansiedade, raiva e depressão e um aumento do bem-estar. Essa regulação do estado de humor pode ser explicada pela intensidade do exercício que foi no estudo dos autores citados, de baixa intensidade. Em contra partida a intensidade desenvolvida neste estudo foi explicar o resultado encontrado. Outro fator que pode ter interferido no estudo é o horário da realização dos testes que foi ao 12h00min. A diferença encontrada no presente estudo e outros estudos citados na literatura podem ser explicados devido aos fatos: a intensidade dos testes T-30 e 4x200, a exigência dos participantes, pois deveria ser feito em um esforço máximo, as interferências dos fatores externos como horário da aplicação dos testes. Entretanto, os resultados encontrados confirmam a hipótese de estudo onde afirma não existir diferenças estatisticamente significativas no estado de humor em nadadores recreativos não-federados antes e depois entre os testes 4x200 e T-30. CONCLUSÃO 80

81 Os resultados do presente estudo não apresentaram nenhuma diferença entre o estado de humor dos nadadores recreativos não-federados, na realização dos testes específicos na natação o T-30' e o 4x200. O resultado encontrado pode ser explicado pelo fato dos nadadores recreativos não-federados não terem experiência nos testes específicos da natação que possibilita uma verificação do limiar anaeróbio e a partir deste planejar uma sessão de treinamento mais específico. REFERÊNCIAS BERGER, B. G; MOTL, R.W. Exercise and mood: a selective review and synthesis of research employing the profile of mood slates. Journal of Applied Sport Psychology. v. 12, p , BRANDT, R.; VIANA, M. S.; SEGATO, L.; ANDRADE, A. Estados de humor de velejadores durante o Pré-Panamericano. Motriz. v.16, n.4, p , BRANDT, R. et al. Perfil de humor de mulheres com fibromialgia. J Bras Psiquiatr. v.60, n.3, p , DEVENPORT, T. J.; LANE, A. M.; HANIN, Y. Emotional states of athletes prior to performance-induced injury. J Sports Sci Med. v.4, p , HAGTVET, K. A.; HANIN, Y. L. Consistency of performance-related emotions in elite athletes: generalizability theory applied to the IZOF model. Psychology of Sport and Exercise, v. 8, n. 1, p , Jan LANE, A. M. et al. Mood, self-set goals and examination performance: the moderating effect of depressed mood. Personality and Individual Differences, v.38, n.1, p , LANE, A. M.; TERRY, P. C. The nature of mood: development of a conceptual model with a Focus on depression. J Appl Sport Psychol. v.12, n.1, p.16-33, PETRUZZELLO. S. J.; HALL, E. E.; EKKEKAKIS, P. Regional brain activation as a biological marker of affective responsitivy to acute exercise: influence of fitness. Psychophisiology. v. 38, p , REBUSTINI, F. et al. Estados de humor e percepção de bem-estar: um estudo com jovens mulheres voleibolistas. Lecturas, v. 80, Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd86/voleib.htm>. Acesso em: 15 jul ROHLFS I. C. P. M. CARVALHO, T. M. R; KREBS, R. J. The Brunel of mood scale (BRUMS): instrument for detection of modified mood states in adolescents and adults athletes and non athletes. Fiep Bulletin, v.75, p ,

82 ROHLFS, I. C. P. M. et al. Escala de humor de Brunel (Brums): Instrumento para detecção precoce da síndrome do excesso de treinamento. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Niterói, v. 14, n. 3, p , maio ROHLFS, I. C. P. M. Relação da síndrome do excesso de treinamento com estresse, fadiga e serotonina. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, Niterói, v. 11, n. 6, p , nov ROHLFS, I. C. P. M.; CARVALHO, T.; ROTTA, T. M.; KREBS, R. J. Aplicação de instrumentos de avaliação de estados de humor na detecção da síndrome do excesso de treinamento. Rev Bras Med Esporte. v.10, n.2, p , TERRY, P. C.; LANE, A. M.; FOGARTY, G. J. Construct validity of the Profile of Mood States Adolescents for use with adults. Psychol Sport Exer. v.4, n.2, p , THIRLAWAY, K. BENTON D. Participation in physical activity and cardiovascular fitness have different effects on mental health and mood. Journal of Psychosomatic Research. v. 36, p WERNECK, F.Z.; BARA FILHO, M.G.; RIBEIRO, L.C.S. Efeitos do exercício físico sobre os estados de humor: uma revisão. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte e do Exercício. v. 0, p ,

83 DETECÇÃO DE OBESIDADE EM ESCOLARES DE RIO MANSO SILVA, F.J. 1 ; FONSECA, A.L.²; DORNAS, B.E.²; PUSSIELDI, G.A. 1 1-Universidade Federal de Viçosa, Florestal - Minas Gerais - Brasil 2- Universidade de Itaúna - Minas Gerais - Brasil RESUMO A obesidade tem sido apresentada como um problema de saúde pública mundial em diferentes populações. O objetivo deste estudo foi investigar o índice de obesidade em crianças e adolescentes. Os indicadores de composição corporal foram: índice de massa corpórea (IMC), porcentagem de gordura corporal, circunferência cintura-quadril e gordura subcutânea. Participaram do estudo 77 estudantes do gênero masculino e feminino, com idades 10 a 16 anos, regularmente matriculados nas aulas de Educação Física de uma escola pública do município de Rio Manso. A análise estatística foi feita através do programa Graphic Prism 3.0 utilizando-se o Student-test com p 0,05. Com base nos resultados encontrados podemos concluir que níveis diferentes de percentual de gordura foram encontrados nas meninas. Tanto para meninas quanto para meninos verificamos que não estão dentro do limite de risco do IRCQ. No entanto não foram encontrados obesos. Palavras-chave: Crianças, Adolescentes e Obesidade. ABSTRACT Obesity has been presented as a worldwide public health problem in different populations. The aim of this study was to investigate the rate of obesity in children and adolescents. Indicators of body composition were: body mass index (BMI), Waist-hip percentage of body fat, circumference and subcutaneous fat. The study included 77 students, males and females, aged years enrolled in physical education classes at a public school in Rio Manso City. Statistical analysis was performed using the program Graphic Prism 3.0 using the Student-test with p 0,05. Based on these results we can conclude that different levels of fat percentage were found in girls. Both girls and boys to find that are not within the risk limit of IRCQ. However nonobese found. Keywords: Children, Teens and Obesity. INTRODUÇÃO A atividade física tem adquirido um lugar reconhecido nas discussões em torno dos possíveis benefícios para a saúde pública (GLANER, 2013; SOUSA, et al. 2013; THOMPSON, et al.,2013). Já o sedentarismo, tem sido associado a graves consequências negativas à saúde, durante todo o ciclo de vida (FREITAS, et al. 2014). Não obstante, outro problema que afeta diretamente a população mundial, principalmente crianças e adolescentes, é a obesidade (CAPEL, et al. 2014). Esta vem crescendo rapidamente no mundo inteiro. 83

84 De acordo com o Consenso Latino Americano em Obesidade (2001), Pinheiro, Freitas e Corso (2004) e Almeida, et al. (2014), a obesidade pode ser considerada como uma doença multifatorial, caracterizada por acumulação excessiva de gordura em uma magnitude tal que compromete a saúde, com interações complexas entre genética, atividade física, fatores culturais, psicológicos e socioeconômicos. Em 2002, Rodrigues explanou que a obesidade pode ser classificada em: endógena ou primária, decorrente de problemas hormonais, e exógena, ou seja, secundária a uma diminuição da atividade física associada ao aumento de ingestão de alimentos ricos em gorduras e carboidratos. A obesidade primária pode ser classificada de acordo com o número e tamanho dos adipócitos (hiperplasia e hipertrofia, respectivamente). A obesidade na infância é, fundamentalmente, hiperplásica. No desenvolvimento normal de uma criança, a hiperplasia dos adipócitos se inicia na 30ª semana de vida intra-uterina e se prolonga durante os 2 primeiros anos de vida. Este é um período extremamente crítico na capacidade de multiplicação celular frente a um excesso ponderal e quanto mais precoce o início maior será o número de adipócitos, podendo chegar a um número semelhante ao do adulto (RODRIGUES, 2002). O mesmo autor diz que a redução de peso nessas crianças se associa a uma diminuição no tamanho, mas não no número de células, o que explicaria a má resposta a um tratamento em elevado percentual de indivíduos que iniciaram sua obesidade na infância e adolescência. Após essa idade, o número permanece estável até os 8 a 10 anos e na puberdade volta a ocorrer um aumento rápido, tanto no tamanho como no número de células, sendo mais intenso nas meninas do que nos meninos, devido à ação dos hormônios sexuais femininos, como é o caso da progesterona que favorece a deposição de massa adiposa. Quando a obesidade ocorre na infância tardia ou adolescência, o número de adipócitos pode aumentar de 3 a 5 vezes do normal. A hipertrofia celular tem um aumento marcante durante o 1º ano de vida e posteriormente, permanece constante (RODRIGUES, 2002). Atualmente as taxas de obesidade são reconhecidas como um problema de saúde pública em escala epidêmica tanto em adultos, como em crianças e adolescentes (CAPEL, et al. 2014; LANG, 2014). A literatura tenta explicar o caráter epidêmico da obesidade e sua crescente prevalência através dos fatores nutricionais inadequados, consequentes da chamada transição nutricional, caracterizada por um aumento exagerado no consumo de alimentos ricos em gordura e com alto valor calórico, associados ao excessivo sedentarismo condicionado por redução na prática de atividade física e incremento de hábitos que não geram gasto calórico como assistir televisão, uso de vídeo games e computadores entre outros (RIBEIRO, 2001; OLIVEIRA e FISBERG, 2003). Capel, et al. (2014) ressaltam que o aparecimento e a prevalência do sobrepeso em um indivíduo não decorrem somente em função da ingestão de nutrientes, mas também por um decréscimo na prática de atividade física levando a um balanço energético desfavorável. A obesidade em crianças e adolescentes tornou-se uma epidemia mundial (ASSUNÇÃO, et al. 2014; CAPEL, et al. 2014; FRANCO, COMINATO e DAMIANI 2014). Esta informação é preocupante, devido à associação entre obesidade e as alterações metabólicas, como a dislipidemia, hipertensão, intolerância à glicose, consideradas fatores de risco para o diabetes melitus tipo II, alterações na função pulmonar, doenças 84

85 cardiovasculares, endócrinas, psiquiátricos e hematológicos (ASSUNÇÃO, et al. 2014; FRANCO, COMINATO e DAMIANI 2014; FREITAS, et al. 2014; OLIVEIRA e FISBERG, 2003). A fim de colaborar com o conhecimento científico sobre esse tema, o presente trabalho investigou o índice de obesidade, através do índice de massa corporal (IMC), dobras cutâneas, índice de relação cintura-quadril (IRCQ) em estudantes de uma escola pública do munícipio de Rio Manso, Minas Gerais. METODOLOGIA Amostra A amostra foi selecionada de uma forma aleatória simples e compreendeu 77 estudantes, com idades 10 a 16 anos, regularmente matriculados nas aulas de Educação Física de uma escola pública do município de Rio Manso. Procedimentos Éticos Ao apresentarem-se como voluntários, os participantes foram informados, quanto ao objetivo e aos procedimentos metodológicos do estudo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade de Itaúna. O consentimento para a participação no estudo foi obtido pela assinatura dos responsáveis de cada voluntário no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, estando cientes de que a qualquer momento poderiam, sem constrangimento, deixar de participar do mesmo. Foram tomadas todas as precauções no intuito de preservar a privacidade dos voluntários e garantindo o anonimato. Instrumentos Para avaliação e detecção da obesidade foram utilizados o Índice de Massa Corporal (IMC), obtido através da aferição da massa corporal e da estatura e a adiposidade, em todas as idades e em ambos os sexos, foi verificada pelo somatório das dobras cutâneas tricipital e subescapular (LOHMAN, 1986). A massa corporal foi aferida por uma balança eletrônica digital, da marca Filizolla, com precisão de 0,05kg. A estatura foi aferida com a pessoa de pé através de uma fita métrica, da marca ENDURANCE (Belo Horizonte, Brasil). A classificação do IMC foi realizada de acordo com a tabela de classificação da Organização Mundial de Saúde (WHO, 1995), Para a avaliação do risco de desenvolvimento de doenças de acordo com o Índice de Relação Cintura-Quadril (IRCQ), baseou-se nos estudos de Bjornntorp (1986). As medidas antropométricas de massa corporal, estatura, dobras cutâneas e circunferências da cintura e do quadril. Para o percentual de gordura, foi utilizado um plicometro, da marca CESCORF (Porto Alegre, Brasil). E para aferição das circunferências da cintura e do quadril foi utilizada uma fita métrica, da marca ENDURANCE (Belo Horizonte, Brasil). Procedimentos Estatísticos Para a análise estatística utilizou-se a estatística quantitativa descritiva analítica, com comparação de médias, utilizando o Teste t para análise das variáveis e a correlação de 85

86 IMC (Kg /m²) Gordura (%) Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: Pearson entre as variáveis e os gêneros através do programa estatítico Graphic Prism 3.0 com um nível de significância p 0,05. RESULTADOS Na comparação das médias da distribuição do percentual de gordura, através do Student test, verificamos que houve diferenças estatisticamente significativas, entre os sexos, nas idades de 15 e 16 anos. O nível de percentual de gordura se elevou, nas meninas (Fig. 1). 30,0 25,0 20,0 15,0 Feminino Masculino 10,0 5,0 0,0 10 A A A 16 Idade (anos) Figura 1 Distribuição do percentual de gordura, segundo Lohman (1992) pela idade comparada entre gêneros. O teste t de Student para medidas independentes revelou que não teve diferença significativa para amostras relacionadas, no Índice de Massa Corporal entre ambos os sexos (Fig. 2) Feminino Masculino A A A 16 Idade (anos) Figura 2. Distribuição do IMC por idade comparada entre gêneros. 86

87 IRCQ (cm) Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: Na comparação do IRCQ entre os sexos, através teste t de Student verificamos que houve diferença significativa entre os gêneros em todas as idades, sendo que, as idades de 13 e 14 anos, apresentaram uma alteração mais elevada. 0,82 0,8 0,78 0,76 0,74 Feminino Masculino 0,72 0,7 0,68 10 A A A 16 Idade (anos) Figura 3. Distribuição do IRCQ por idade comparada entre gêneros. DISCUSSÃO O objetivo do presente estudo foi analisar o índice de obesidade, através do IMC, dobras cutâneas e do IRCQ em crianças, observando as possíveis diferenças entre o sexo masculino e feminino. Verificamos que o avanço da idade cronológica interfere negativamente o percentual de gordura das meninas. Visto que na faixa etária de 10 a 12 anos, em ambos os sexo, encontra-se o percentual de gordura em um nível ótimo, adequado para a idade. Entretanto, nas idades de 13 a 16 anos, embora os meninos tenham permanecido com o percentual de gordura em um nível ótimo, as meninas apresentaram alterações. Sendo que nas idades de 13 a 14, o nível de percentual de gordura das meninas se elevou, sendo considerado, moderadamente alto, e nas idades de 15 a 16 anos, aumentou ainda mais, atingindo um nível alto. Baia, et al. (2014) explica de que o aumento da gordura corporal pode se maior nos adolescentes do sexo feminino do que no masculino devido à chegada da puberdade, na qual o estrogênio sofre influência dos hormônios gonadotrópicos da hipófise e aumenta em mais de vinte vezes. É justamente durante a puberdade, segundo Teixeira; Silva; Goldberg, (2003) que ocorrem profundas mudanças biopsicossociais, na morfologia do organismo dentre outras alterações fisiológicas e psicológicas próprias da idade. No estudo realizado recentemente por Capel, et al. (2014) foi demonstrado que as meninas encontram-se com percentual de gordura corporal elevado. Do mesmo modo, Gobato, et al. (2014) constataram que porcentagem de gordura corporal diferiu significativamente entre o sexo masculino e o feminino, sendo mais elevada nas meninas. Assim, os resultados encontrados no presente estudo parecem estar de acordo com os achados atuais da literatura. Neste sentido, como já mencionado por Capel, et al. (2014) 87

88 torna-se importante a preocupação com os aspectos referentes à saúde de meninas adolescentes em escolas públicas, sendo necessário uma intervenção efetiva dentro do contexto escolar para minimizar esse problema. No que se refere ao IMC observamos que não há diferenças entre os escolares. Estes resultados assemelham ao encontrado no estudo de Baia, et al. (2014), no qual os autores analisaram a influência do índice de massa corporal (IMC) na força muscular em escolares do ensino médio. No entanto estes achados não corroboram com os resultados encontrados por Neto et al. (2012), em que as médias de IMC foram superiores em meninas. De acordo com Meller et al. (2014) estas diferenças encontradas na literatura podem eventualmente ser explicadas pelos aspectos socioeconômicos dos indivíduos, que poderia ser uma variável determinante do IMC, decorrente dos hábitos alimentares e de nível de atividade física que cada indivíduo adote em seu cotidiano. Quando comparamos o IRCQ entre os sexos, verificamos que houve diferença significativa entre os gêneros em todas as idades, estes resultados são preocupantes, visto que possuem grande associação com o risco cardiovascular. Resultados semelhantes foram encontrados por Assunção, et al e Gobato, et al. (2014). Verificamos na literatura que avaliação de risco cardiovascular através de diferentes índices de composição corporal é pouco estudada em crianças e adolescentes. Assim a identificação de medidas antropométricas que se associem aos fatores de risco cardiovascular em adolescentes pode ser de grande utilidade para prevenir as doenças cardiovasculares no futuro. CONCLUSÕES Com base nos resultados encontrados podemos concluir que embora estes escolares tenham apresentado níveis diferentes de percentual de gordura e não estarem dentro do limite de risco do IRCQ, não foram encontrados obesos, portanto podemos afirmar que esta amostra é considerada saudável sob o ponto de vista antropométrico. REFERÊNCIAS ALMEIDA, C.C.J.N.; MORA, P.O.; OLIVEIRA, V.A.; JOÃO, C.A.; JOÃO, C.R.; RICCI, A.C.; ALMEIDA, C.A.N. Fatores de desagregação familiar em adolescentes eutróficos e nos portadores de sobrepeso/obesidade. Rev Paul Pediatr. v.32, n.1, p , ASSUNÇÃO, S.N.F.; DALTRO, C.H.C.; BOA SORTE, N.C.; RIBEIRO JÚNIOR, H.C.; BASTOS, M.L.; QUEIROZ, C.F.; LEMOS, A.C.M. Função pulmonar de crianças e adolescentes sem sintomas respiratórios e com excesso de peso. J Bras Pneumol. v.40, n.2, p , BAIA, F.C.; NASCIMENTO, W.S.; BARBOSA, A.R.M.; LUCENA, A.R.N.; PEREIRA, J.E.; VASCONCELLOS, C.; ROMANHOLO, R.A. Influência do IMC na força muscular em escolares do ensino médio. Rev Bras Prescr Fisiol Exerc. v.8, n.44, p

89 CAPEL, T.L.; VAISBERG, M.; ARAÚJO, M.P.; PAIVA, R.F.L.; SANTOS, J.M.B.; JÁRMY- DI BELL A, Z.I.K. Influência do índice de massa corpórea, porcentagem de gordura corporal e idade da menarca sobre a capacidade aeróbia (VO2 máx) de alunas do ensino fundamental. Rev Bras Ginecol Obstet. v. 36, n.2, p , Consenso Latino Americano em Obesidade. Disponível em: Acesso em: 12 fev FRANCO, R.R.; COMINATO, L.; DAMIANI, D. O efeito da sibutramina na perda de peso de adolescentes obesos. Arq Bras Endocrinol Metab. v.58, n.3, p , FREITAS, L.K.P.; CUNHA JÚNIOR, A.T.; KNACKFUSS, M.I.; MEDEIROS, H.J. Obesidade em adolescentes e as políticas públicas de nutrição. Ciênc Saúde Colet, v.9, n.6, p , GLANER, M.F. Questionários indicam um baixo efeito global do nível de atividade física e do controle do estresse sobre o perfil lipídico de homens. RBCDH. v.15, n. 3, p , GOBATO, A.O.; VASQUES, A.C.J.; ZAMBON, M.P.; BARROS FILHO, A.A.; HESSEL, G. Síndrome metabólica e resistência à insulina em adolescentes obesos. Rev Paul Pediatr, v.32, n.1, p.55-62, LANG, J.E. Exercise, obesity, and asthma in children and adolescents. J Pediatr, v.90, n.3, p , LOHMAN, T.G.. Advances in Body Composition Assessment. Champaign, IL: Human Kinetics MELLER F.O.; C.L.P.; MADRUGA, S.W. Fatores associados ao excesso de peso em crianças brasileiras menores de cinco anos. Ciênc Saúde Colet, v.19, n.3, p , NETO, F. C. B.; CORREIA, A. C. C.; GONDIM FILHO, A. G. C.; ZANINI, D.; SOUSA, M. C. S. Indicadores de crescimento e estado nutricional de jovens escolares da Paraíba. Coleção Pesquisa em Educação Física. v. 11, n. 2, OLIVEIRA, C.L.; FISBERG, M. Obesidade na Infância e Adolescência Uma Verdadeira Epidemia. Arq Bras Endocrinol Metab, v. 47, n. 2, PINHEIRO, A.R.O.; FREITAS, S.F.T.; CORSO, A.C.T. Uma abordagem epidemiológica da obesidade. Rev. Nutr. Campinas, n.17, v.4, p ,

90 RIBEIRO, I.C. Obesidade entre escolares da rede pública de ensino de Vila Mariana São Paulo: Estudo de caso-controle. Tese de Mestrado Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina, RODRIGUES, L.; ACCIOLY, E.; SAUNDERS, C.; LACERDA, E. M.A. Obesidade infantil. nutrição em obstetrícia e pediatria. Copyright 2002, by Cultura Médica. TEIXEIRA, A.S.; SILVA, C.C.; GOLDBERG. O esporte e suas implicações na saúde óssea de atletas adolescentes. Rev Bras Med Esporte, v. 9, n. 6, p , THOMPSON, J.L.; FOX, K.R.; EDWARDS, M.J.; JAGO, R.; SEBIRE, S. J. Testing a selfdetermination theory model of children s physical activity motivation: a cross-sectional study. Int J Behav Nutr Phys Act. v.10, n.111, p.1-9, WORLD HEALTH ORGANIZATION. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a World Health Organization Consultation. Geneva: World Health Organization, p WHO Obesity Technical Report Series, n

91 ANÁLISE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA E DA CONCENTRAÇÃO SANGUÍNEA DE LACTATO APÓS ESFORÇO AGUDO EM MOUNTAIN BIKE LIMA, E.A¹; MACHADO, P.L.C²; PEREIRA, L.A. 3 PUSSIELDI, G.A¹ 1 Universidade Federal de Viçosa Campus Florestal Minas Gerais Brasil 2 Centro Universitário de Belo Horizonte Minas Gerais Brasil 3 Prefeitura Municipal de Florestal Minas Gerais Brasil RESUMO Este estudo teve como objetivo avaliar a intensidade do esforço de uma competição de mountain bike downhill, usando-se como parâmetro de esforço a média da frequência cardíaca individual (FC méd ) e a concentração sanguínea de lactato [Lac] antes e pós competição. A amostra constituiu-se de 10 atletas do sexo masculino (24 ± 3 anos), das categorias elite e sub-30. Foram realizadas medidas antropométricas padrão e um teste progressivo máximo (Balke) em laboratório dos atletas estudados, sob condições de temperatura termoneutra. Os atletas pedalaram em cicloergômetro (Modelo Maxxi ) e foi utilizando um analisador de gases (Aero Sport ) para a medida do VO 2 e do limiar anaeróbico. Os resultados das medidas laboratoriais foram: massa corporal 77,46 ± kg, gordura corporal 15,99 ± 4,46 %, VO 2máx 42,19 ± 5,75 ml.kg -1.min -1, limiar anaeróbio de 82,70 ± 3,25 % VO 2máx e FC máx 186 ± 9 bpm. Na situação de competição a freqüência cardíaca foi mensurada através de cardiofreqüêncímetro (Polar SM60i ). A [Lac] foi mensurada antes da competição, e no início do segundo minuto após a chegada do atleta no final da prova. Para essa medida foram a utilizadas fitas de reagente BM Lactate e do aparelho Accusport, da Roche. O tempo de prova foi mensurado por sistema de fotocélulas e estes dados cedidos pela organização da competição. Foram encontrados os seguintes dados: FC med de 189 ± 6 bpm, FC max de 196 ± 7 bpm, [Lac] pré-exercício de 3,12 ± 0,71 mmol/l, [Lac] no final da competição de 12,02 ± 2,32 e tempo de prova igual a 159,60 ± 8,93 segundos. A FC méd durante a prova, representou 96,42 ± 1,03% e 106,45 ± 1,22% da FC máx em relação a competição e ao teste progressivo máximo respectivamente. A [Lac] ao final da prova demonstrou alta intensidade de esforço desenvolvida. A FC méd durante a competição, também revelou alta intensidade de esforço durante o tempo de prova. PALAVRAS-CHAVE: Lactate concentration; Heart rate; Mountain Bike ABSTRACT: This study aimed to evaluate the intensity of the effort of a competition mountain bike downhill, using as parameter the average effort of individual heart rate (FCméd) and blood lactate concentration [Lac] before and after competition. The sample consisted of 10 male athletes (24 ± 3 years), the elite and under-30 categories. Standard anthropometric measures and a maximal graded test (Balke) laboratory in the athletes studied under thermoneutral conditions were performed. Athletes pedaled on a cycle ergometer (Maxxi Model) and was using a gas analyzer (Aero Sport ) for the measurement of VO2 and anaerobic threshold. The results of laboratory measurements were: body mass ± 91

92 23.10 kg, body fat ± 4.46%, VO2max ± 5.75 ml.kg-1.min-1, anaerobic threshold of 82, 70 ± 3.25% VO2max and HRmax 186 ± 9 bpm. In a competitive situation the heart rate was measured via heart rate monitor (Polar SM60i). The [Lac] was measured before the competition, and early in the second minute after the arrival of the athlete after the race. For this measure were used reagent strips BM Lactate and Accusport device, Roche. The testing time was measured by photocells system and these data provided by the competition organizer. The following data were found: FCmed of 189 ± 6 bpm, HR max of 196 ± 7 bpm, [Lac] pre-exercise 3.12 ± 0.71 mmol / L, [Lac] at the end of the competition ± 2.32 and test time equal to ± 8.93 seconds. The FCméd during the race, represented ± 1.03% and ± 1.22% of HRmax in relation to competition and the most progressive test respectively. The [Lac] at the end of the test showed high intensity effort developed. The FCméd during the competition, also revealed high intensity effort during the test time. KEYWORDS: Lactate concentration; Heart Rate; Mountain Bike INTRODUÇÃO Quando falamos de ciclismo é importante ressaltar que este possui inúmeras divisões e modalidades. Dentre as competições nas modalidades do ciclismo, especificadamente no mountain bike, que é a divisão que engloba todas as modalidades de ciclismo fora de estrada e de via pavimentada, temos uma modalidade em que o praticante pode realizar um esforço agudo com duração de apenas alguns minutos ao longo de toda a competição. Esse tipo de modalidade é conhecida como mountain bike downhill. O downhill, é uma competição contra o tempo, individual, e realizada em pista natural (trilha) projetada em uma montanha. A largada é montada em um ponto elevado da montanha e a chegada na sua base. O atleta que fizer a descida mais veloz, ou seja, no menor tempo vence. Por se tratar de uma prova contra o relógio, acredita-se que o esforço físico dos atletas é o maior possível. Uma competição oficial pode ter duração entre três e cinco minutos, podendo ter tempos superiores ou inferiores segundo permissão da UCI. O mesmo se aplica para a distância total do percurso, que oficialmente deve ter entre e metros (UCI, 2014). A intensidade do esforço pode ser mensurada de várias formas. Para se mensurar a intensidade do esforço e prescrever treinamento a partir de percentuais da FC máx, é necessário medir ou estimar a FC máx. Já as mensurações, podem ser feitas através de testes ou durante competições. A concentração sanguínea de lactato, também pode representar a intensidade do esforço. Altas demandas da potência anaeróbia podem ser mostradas por altas concentrações de lactato, durante o esforço (WILMORE; COSTILL, 2001). Até o momento, não se tem conhecimento de qualquer trabalho científico sobre as demandas metabólicas e fisiológicas no mountain bike downhill. OBJETIVO 92

93 Este estudo tem como objetivo avaliar a intensidade do esforço de uma competição de mountain bike downhill, usando-se como parâmetro de esforço a média da freqüência cardíaca individual (FC méd ) e a concentração sanguínea de lactato antes e após a competição. MATERIAIS E MÉTODOS Participaram do estudo 10 atletas do gênero masculino praticantes do Mountain Bike, modalidade downhill, das categorias elite (n= 6), e sub-30 (n=4), com média de idade de 24 ± 3 anos, com mais de três anos de experiência em competições de downhill, sem nenhum tipo de treinamento periodizado. Antes de qualquer contato com os atletas o pré-projeto desse estudo, contendo seus objetivos e métodos, foi encaminhado ao Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos no qual, este teve seu consentimento e aprovação. Os participantes desse estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e poderiam abandonar o estudo a qualquer momento sem justificativa. No primeiro momento dessa pesquisa, os atletas estudados foram contatados e convidados a participar voluntariamente desse estudo, onde foram explicados seus procedimentos e objetivos, assinando o termo de consentimento. Os atletas estudados após terem treinado na pista de downhill no início da manhã, foram agrupados em local próximo da largada para que fosse coletada uma amostra de uma gota de sangue na ponta do dedo indicador. Essa amostra de sangue foi colocada em tiras reagentes de lactato da marca BM Lactate da Roche, e em seguidas foram analisadas por lactímetro da marca Roche, modelo AccuSport, para determinar a concentração sanguínea de lactato. Essa primeira coleta da concentração sanguínea de lactato se sucedeu com 40 minutos após esses atletas terem feito suas últimas descidas de treino, aguardando o momento de suas tomadas de tempo oficiais, ou seja, da descida oficial onde seus tempos seriam cronometrados. Após a coleta da amostra de sangue e analise com o lactímetro, cada atleta recebeu e colocou um cardiofrequencímetro da marca Polar SM60i para que durante a marcação do tempo oficial esses atletas tenham os dados de sua freqüência cardíaca armazenada ao longo da prova. Os dados armazenados pelos cardiofrequencímetros foram filtrados para que somente seja considerada a análise dos dados no decorrer da tomada de tempo oficial. Uma segunda coleta de sangue foi realizada no local de chegada da pista de downhill. Essa coleta foi realizada logo após 1 minuto em que cada atleta completou a prova cruzando a linha de chegada. As amostras foram analisadas pelo lactímetro logo após suas coletas nas fitas de reagente, de acordo com a ordem de chegada de cada atleta estudado. O tempo de prova de cada atleta foi cronometrado e fornecido pela Federação Mineira de Ciclismo (FMC), através de sistema de fotocélulas. Esse sistema funciona marcando o exato tempo que cada atleta percorreu o percurso. Cada atleta, seguindo sua ordem de largada realizava sua descida oficial na pista. Após terem sidos coletados os dados na competição de downhill, durante as semanas seguintes os atletas compareceram ao laboratório de fisiologia do exercício (LAFIEX) e de 93

94 musculação do Centro Universitário de Belo Horizonte para a medição de medidas antropométricas e realização de testes de potência aeróbica, onde apenas 6 atletas compareceram ao laboratório. Durante as semanas que se seguiram, com dois encontros por semana, com um intervalo mínimo de pelo menos dois dias entre esses encontros, cada grupo de dois atletas realizou primeiramente a medidas antropométricas de altura e massa, usando uma balança e estadiômetro Welmy. Em seguida foram mensuradas as dobras cutâneas para calcular o percentual de gordura. Os valores de cada dobra foram utilizados para a obtenção do somatório das dobras e cálculo do percentual de gordura. Logo após, foi mensurada a frequência cardíaca de repouso onde cada atleta usou um monitor de frequência cardíaca da marca Polar SM 610i. A medida era feita 3 minutos após o individuo ter ficado deitado em uma maca. Após a medida da frequência de repouso foi realizado o teste de potência aeróbica em cicloergômetro da marca Maxxi. Esse teste foi um teste progressivo máximo, usando o protocolo de Balke, com medida direta do VO 2max por espiromêtria, usando o analisador de gases Aerosport, com o software Aerosport. A frequência cardíaca de cada atleta foi monitorada ao longo de todo o teste, e seus dados foram armazenados e gravados. Os testes foram iniciados com uma intensidade correspondente a 50 Watts (1 Kg de carga), com acréscimos de 25 Watts ( 0,5 Kg de carga), a cada 2 minutos, até a exaustão voluntária do atleta. A frequência ou cadência de pedalada utilizada foi de 60 rpm. Dentre os dados fornecidos pelo analizador de gases, além do V0 2 max, foi analisado ao longo do teste o consumo do equivalente ventilatório do volume de oxigênio e de CO 2, para determinar indiretamente o limiar anaeróbico através do ponto de ruptura ventilatório onde o consumo de O 2 começa a ficar desproporcional a produção de CO 2. Foi realizada uma análise descritiva de caracterização da amostra, das variáveis encontradas na competição e no teste progressivo máximo. Os dados foram descritos como média e desvio padrão. RESULTADOS Os resultados das medidas encontradas na competição e no teste em laboratório serão descritos em forma de tabela, mostrando valores individuais, a média e o desvio padrão da amostra. 94

95 TABELA 1 Idade Altura (cm) Massa (kg) % de FC (anos) gordura (bmp) Média ,58 77,42 15,99% 58 EP ± 3 ± 9,22 ±10,23 ± 4,46% ± 5 rep. TABELA 2 Média do grupo Desvio Padrão V0 2máx (ml./kg/.min) VO 2 no L.A. (ml.kg./min) Dados do teste progressivo máximo %VO 2 no L.A. FC no L.A. (bpm) Potência máxima (Watts) Potência no L.A. (Watts) FC max (bpm) 42,19 34,99 82,70% ± 5,75 ±5,30 ±3,25% ±12 ±34 ± 13 ±9 TABELA 3 Dados obtidos na competição FC máx (bpm) FC méd (bpm) FC méd %FC máx Média ,42 % EP ± 7 ± 6 ± 1,03% FC méd [Lac] [Lac] pós Temp (% FC máx antes competiç o de no teste) competiçã o (mmol/l) ão (mmol/l) prova (s) 106,45% 3,12 12,02 159,6 0 ± 1,22% ± 0,71 ± 2,32 ± 8,93 TABELA 4 Dados no teste progressivo máximo Individuo V0 2máx (ml./kg/.min) VO 2 no L.A. (ml.kg./min) %VO 2 no L.A. FC no L.A. (bpm) Potência máxima (Watts) Potência no L.A. (Watts) FC max (bpm) 1 39,91 32,51 81,45% ,46 28,03 76,88% ,61 33,98 85,78% ,40 43,49 82,80% ,25 38,49 85,11% ,54 33,54 84,16%

96 TABELA 5 Dados na competição de downhill: e % da FC méd em relação ao teste progressivo máximo Individuo FC máx FC méd FC méd FC méd [Lac] pós (bpm) (bpm) %FC máx (% FC máx no teste) competiçã o (mmol/l) 96 [Lac] antes competiçã o (mmol/l) Temp o de prova (s) ,35% 109,71% 3,0 15,9 158, ,42% 107,18% 1,9 7,4 150, ,24% 102,16% 2,4 11,5 151, ,00% 108,11% 2,7 11, ,03% 105,21% 2,5 10,3 161, ,60% 103,00% 3,8 12,9 162, , ,9 12,2 174, , ,7 13,4 156, , ,5 12,8 151, , ,8 12,0 175,1 DISCUSSÃO Os atletas estudados neste trabalho apresentaram VO 2máx de 42,19 ± 5,75 ml/kg -1 /min -1. Estes valores são inferiores à aqueles encontrados em ciclistas e atletas de cross-country. Faria et al. (2005), revisando diversos estudos encontraram valores entre 65.7 e 79.3 ml/kg -1 /min -1 para estes atletas. Marsh e Martin, (1997), encontraram o valor de 70.7 ± 4.1 ml/kg -1 /min -1 em ciclistas. Lucía et al., (2001) encontrou valores de VO 2máx de 70 a 80 ml/kg -1 /min -1 em ciclistas profissionais de estrada, com limiar anaeróbico de 85 a 90% do VO 2 máx. É de se esperar valores como estes para os atletas de cross-country e os ciclistas de estrada, uma vez que os mesmos dedicam grande quantidade de tempo em treinamentos de endurance. Padilla e seus colaboradores (2000), estudaram ciclistas de estrada especializados em provas contra o relógio e analisaram a intensidade de esforço nesses tipos de prova. Na competição denominada de prólogo, que é uma prova contra relógio que tem a menor duração dentre todas as outras, foi encontrado os seguintes valores para competições com tempo médio de 594 ± 99 segundos: FC méd de 177 ± 5 bmp, %FC máx de 89 ± 3 %, 114 ± 8% da FC em relação ao valor individual do limiar de lactato, e potência média de 380 ± 62 W que correspondeu a 89 ± 6% da potência máxima. Esse tipo de competição embora de características totalmente diferentes de competições de mountain bike downhill, demonstra um alto nível de esforço desenvolvido devido a sua duração de aproximadamente 10 minutos, mas que segundo a literatura, (BAECHLE; EARL, 2000; MCARDLE et al, 2003; WILMORE; COSTILL 2001) a energia predominante para esforços máximos com esse tipo de duração provém do metabolismo aeróbico. Impellizzere e seus colaboradores (2002), estudaram a intensidade de esforço desenvolvida por 9 atletas de alto nível em provas de mountain bike cross country. Os

97 resultados desse estudo foram mostrados em relação à porcentagem absoluta e relativa do tempo de prova (147 ± 15 min), caracterizando o tempo de permanência em que a FC permanecia em zonas abaixo, próximo e acima do limiar de lactato. Os tempos de permanência e seus percentuais de duração em relação ao tempo total nessas zonas foram: 27 ± 16 min e 18 ± 10% na zona abaixo do limiar de lactato, 75 ± 19 min e 51 ± 9% na zona próxima do limiar e 44 ± 21 min e 31 ± 16% na zona acima do limiar de lactato. A FC méd foi de 171 ± 6 bmp, correspondendo a 84 ± 3% do VO 2máx. Esses autores concluíram que a modalidade do mountain bike cross contry apresenta uma intensidade de esforço muito alta, embora esta seja uma prova de endurance. Não foram encontrados quaisquer estudos sobre as características fisiológicas dos atletas e da competição de downhill. Acredita-se que esta diferença de VO 2máx entre atletas de downhill e os de ciclismo e cross-country seja devido ao tipo de treinamento realizado pelos atletas de downhill. Acredita-se que eles dedicam grande parte do treinamento às descidas específicas do downhill, ao treinamento técnico e ao treinamento de força. A composição corporal dos atletas se mostrou superior aos valores encontrados em ciclistas de estrada mostrados por McArdle et al, (2003). Isto talvez se deva à falta de orientação profissional quanto à dieta e ao treinamento adequado, além da característica da própria modalidade que se difere bastante do ciclismo de estrada. O limiar anaeróbio dos atletas de downhill foi de 82,70 ± 3,25 % do VO2 máx. Este valor se mostrou semelhante a atletas de cross-country e de ciclismo encontrados por Garret e Kirkendall, (2000) Acredita-se que os atletas estudados, mesmo sem dedicarem a treinamentos periodizados com maior volume, conseguem desenvolver um elevado valor de porcentagem de VO 2 no limiar anaeróbico. Sugere-se que isto ocorra devido a característica da modalidade e seu treinamento, que realiza diversas manifestações de esforços de curta duração e alta intensidade como movimentações técnicas que exigem grande força e a execução de diversos sprints. Pode-se dizer que o tipo de treinamento ou prática do downhill, caracterizado por esforços de curta duração e alta intensidade, favorece mais as adaptações metabólicas do sistema anaeróbico glicolítico aumentando ainda a capacidade muscular de tamponamento (WILMORE; COSTILL, 2001; MCARDLE et al 2003), contribuindo assim como um dos fatores para aumentar a porcentagem de VO 2 no limiar anaeróbico. A concentração sanguínea de lactato antes da competição (3,12 ± 0,71 mmol/l), mostrou que esses atletas competiram sem estarem totalmente recuperados, justamente por terem treinado na pista de downhill antes da coleta e da competição, descansando de forma passiva, ou seja, sem se exercitarem. Gladden (2004), fala que a remoção de lactato é diminuída pela ação da adrenalina. Este autor também afirma que a adrenalina aumenta a atividade da fosforilase, aumentando o metabolismo glicolítico e a produção de lactato. Dessa maneira, pode-se esperar que os atletas estudados tiveram uma redução da remoção de lactato e íons H +, e um maior aumento na produção de lactato em consequência da adrenalina, uma vez que o downhill é um esporte individual e de riscos, onde os atletas só tem uma marcação oficial de tempo em sua competição, em que o menor erro técnico pode prejudicar bastante o atleta, gerando assim grande ansiedade e nervosismo momentos antes da largada. Esse fato pode ser demonstrado pelos altos valores de frequência cardíaca registrada, 97

98 chegando a valores de 150 bpm (ver gráfico 1) nos atletas estudados momentos antes da competição. A concentração sanguínea de lactato ao final da competição (12,02 ± 2,32 mmol/l) sugere uma alta demanda do metabolismo anaeróbio através da glicólise anaeróbia e, portanto alta intensidade de esforço desenvolvida pelos atletas. Acredita-se que o metabolismo energético predominante nessa prova de downhill foi proveniente da glicólise anaeróbica, pois os atletas fizeram esforços máximos possíveis no tempo de duração de prova (159,60 ± 8,93 s). Diversos autores dizem que para esforços máximos que variam de 0,5 a 3 minutos de duração, a energia predominante provém de fontes glicolíticas aláticas e láticas. ( FARIA et al. 2005; MCARDLE et al., 2003; RIBEIRO, 2005). A FC méd encontrada na competição (189 ± 6 bmp) representou 96,42 ± 1,03% da FC máx atingida na competição. Isso demonstra uma intensidade de esforço muito alta, segundo Coelho (2005). Essa FC méd também representou 106,45 ± 1,22% da FC máx atingida no teste progressivo máximo. Sugere-se que essa diferença entre a situação da competição e do teste em laboratório no cicloergômetro seja explicada pela utilização musculatura. No teste progressivo máximo é exigida apenas a musculatura dos membros inferiores, em que esta pode manifestar fadiga antes do sistema cardiorrespiratório atingir seu máximo. Enquanto na competição de downhill, a exigência muscular pode ser considerada geral devido a movimentação do atleta sobre a bicicleta, sobrecarregando mais o sistema cardiorrespiratório do que na situação do teste em cicloergômetro. Por se tratar de uma prova de curta duração, não se sabe se a FC méd representa o verdadeiro consumo de oxigênio durante a prova de downhill, e portanto não se sabe se a FC poderia representar a real exigência do metabolismo aeróbio. Mcardle et al (2003), diz que para cada mudança na taxa de trabalho, como o aumento de uma carga durante a passagem de estágio em um teste progressivo, inicialmente o corpo sofre um aumento na demanda de oxigênio, trabalhando assim em um período de déficit de oxigênio. O monitoramento dos gases, como é feito em um teste de VO 2max poderia demonstrar o real consumo de oxigênio em uma prova de downhill, mas a aplicabilidade desse método é desconhecida e se mostra impraticável de se realizar dentro do mountain bike downhill. CONCLUSÃO A competição de downhill estudada é uma competição de alta intensidade. Altos valores de concentração sanguínea de lactato encontrados no final da prova, e o alto valor de percentual da frequência cardíaca média em relação a máxima durante a prova demonstram o elevado nível de esforço físico desenvolvido pelos atletas em relação ao tempo absoluto da competição. Os parâmetros de esforço e os valores encontrados caracterizam a atividade como de alta intensidade, de acordo com estudos e análises feitas pela literatura em relação a esforços máximos de curta duração. O conhecimento sobre as exigências fisiológicas e metabólicas no downhill ainda é muito pequeno. Mais trabalhos são necessários, envolvendo uma amostra maior e o estudo de outras variáveis, para auxiliar o trabalho de professores de Educação Física que desejam trabalhar com o treinamento nessa modalidade, e para os atletas que buscam aumentar o desempenho. 98

99 REFERÊNCIAS BAECHLE, T. R.; EARLE, R. W. Essentials of strength training and conditioning: national strength and conditioning. 2ed. Ed. Human Kinetics, CONDESSA, L. A., MORTIMER, L. A. C. F., RODRIGUES, V. M., COELHO, D. B., SOARES, D. D., SILAMI-GARCIA, E. Competition, estimated and test maximum heart hate. Dados não publicados do Laboratorio de Fisiologia da UFMG. FARIA, E. W.; PARKER, D. L.; FARIA, I. E. The science of cycling: Physiology and training Part 1. Sports Med. v. 35, n. 4, p , GARRET JR., W. E.; KIRKENDALL, D. T. A Ciência do exercício e dos esportes. Ed.Artmed, GLADDEN, L. B. Lactate metabolism: a new paradigm for the third millennium. Journal of Physiology, v 558. n.1, p. 5-30, april IMPELLIZZERI, F., A. SASSI, M. RODRIGUEZ-ALONSO, P. MOGNONI, and S. MARCORA. Exercise intensity during off-road cycling competitions. Medicine and. Science in Sports v. 34, n. 11, p , jun, LUCÍA, A.; HOYOS, J.; CHICARRO L. J. Physiology of professional road cycling. Sports Med. v. 31, n. 5, p , mai MARSH, A. P.; MARTIN, P. E. Effect of cycling experience, aerobic power, and power output on preferred and most economical cycling cadences. Medicine and Science in Sports and Exercise. v. 29, n. 9, p , sep MCARDLE, W. W.; KATCH, R. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício: energia, nutrição e desempenho humano. 5ed: Editora Guanabara Koogan, PADILLA, S.; MUJIKA, I.; ORBAÑANOS, J. ANGULO, F. Exercise intensity during competition trials in professional road cycling. Medicine and Science in Sports and Exercise, v.32 n 7, p , feb UCI UNION CYCLISTE INTERNATIONALE. Disponível em <www.uci.ch>. Acessado em julho de WILMORE, H. J.; COSTILL, L. D. Fisiologia do esporte e do exercício. 2ed: Editora Manole,

100 JOGO DE PETECA ENQUANTO MOMENTO DE LAZER: ANÁLISE DA MOTIVAÇÃO À PRÁTICA EM INDIVÍDUOS NA FAIXA ETÁRIA DE 45 A 55 ANOS MARIANA, C.G 1 ; SANTOS, B.S 2 ; PUSSIELDI, G. A Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal Minas Gerais Brasil. 2 - Universidade de Itaúna Minas Gerais Brasil Resumo A motivação é um fator psicológico que está relacionado à atividade física, seja no aspecto da aprendizagem ou do desempenho. É que nos permite um maior envolvimento ou uma simples participação em atividades esportivas. Este trabalho teve por objetivo identificar os motivos que levam indivíduos à prática esportiva. Participaram do estudo 31 indivíduos com faixa etária de 45 a 55 anos, do sexo masculino, indivíduos que jogam Peteca no Clube da Peteca em Itaúna Minas Gerais. Os indivíduos responderam ao questionário de motivação para a prática esportiva. Os resultados mostraram que os principais motivos que levam esses indivíduos à prática esportiva são: para manter a saúde, gostar de estar praticando a modalidade esportiva, para exercitar-se, para encontrar amigos e de se divertirem. Por outro lado, a pesquisa mostra os resultados que menos importam para esses indivíduos na prática esportiva, como primeira opção de ser jogador quando crescer, para não ficar em casa, seguido das opções de aprender novos esportes e para emagrecer e o quinto motivo menos relevante foi o de ser o melhor no esporte. Pode-se concluir que os motivos para a prática da peteca são: posicionar positivamente em relação à atividade física, saúde, fator social, sabendo dos benefícios que esse esporte trás as pessoas que a praticam. PALAVRAS-CHAVES: Peteca; Motivação; Lazer. Abstract The motivation is a psychological factor that is related with the physical activity, not only the act of learning but also in the performance. This motivation permits us a great envelopment or a simple participation in sportive activities. This study had the objective to identify the motives that makes a person to practice sports on thirty one men, between 45 and 55 years old. They play Peteca at Clube da Peteca in Itaúna Minas Gerais and answered the questions about the motivation of practicing sports. The result show us that the main motives of practicing sports are: for maintain the health, to like practicing sports, to exercise, to meet friends and to have fun. One the other hand, the research show the result that less important to these persons. First to be a player when they grow, second don t stay at home, third learn new sports, fourth to make thin, fifth and less important to be the best in the game. Therefore the motives to practice Peteca are: the positive position in relation to the physical activity, health, social factor don t forget to know about the benefit of practicing this sport. 100

101 KEYWORDS: Peteca; Motivation; Leisure. Introdução Muitos são os motivos pelos quais indivíduos procuram a prática de atividade física. Muitos iniciam essa prática de atividade (procurando melhorar a saúde), outros por gostar de um determinado esporte. Muitos são os estudos sobre a motivação na prática esportiva, esse estudo tem por características identificar os motivos que levam indivíduos, na faixa etária de 45 a 55 anos, do sexo masculino a optarem a prática da Peteca enquanto momento de lazer. É um estudo de caso, em um Clube da Peteca em Itaúna. Hoje em dia muitas são as pessoas que estão preocupadas com a saúde, buscando os benefícios que a prática regular de atividade física proporciona a nossa vida. Dessa forma, esses indivíduos estão cientes dos benefícios de alguma atividade física. Há então, a procura por atividades físicas, visando o benefício a esses indivíduos. Registros no passado mostraram que a peteca, como recreação, era praticada pelos nativos brasileiros, mesmo antes da chegada dos portugueses. Consequentemente, nossos antepassados, através de sucessivas gerações, também a praticaram, fazendo chegar essa recreação indígena a todo território brasileiro. O aprimoramento dessa recreação deu-se em 1920, e é atribuída aos nadadores Olímpicos da delegação brasileira que participavam da V Olimpíada, na chamada peteca esticada ou rebatida utilizada, principalmente, como aquecimento dos referidos nadadores. Em 1985, o Conselho Nacional de Desporto- CND, reconheceu o jogo da Peteca como esporte, por solicitação da Federação Mineira de Peteca. Joga-se muita Peteca em Minas Gerais, que teve a primeira federação do Brasil, seguindo a de São Paulo. Peteca é um esporte brasileiro. Devemos ao S. C. Corinthians Paulista a organização deste esporte como é hoje. Em 1931, um grupo de corintianos estabeleceu como seria uma partida de peteca, demarcando devidamente uma quadra. Usavam-se quadras de areia, pois a peteca foi muito jogada na década de 1920 nas nossas praias. As modificações foram surgindo,e hoje há toda uma regulamentação para a peteca e também um torneio brasileiro de peteca do esporte. Objetivo Esse estudo visa determinar os motivos que levam indivíduos na faixa etária entre 45 a 55 anos a optarem voluntariamente pelo jogo da Peteca como forma de lazer. Metodologia Natureza da pesquisa: Essa é uma pesquisa quantitativa e um estudo de caso, realizada em um clube de Peteca em Itaúna. Para esse estudo participaram 30 indivíduos, com faixa etária de 45 a 55 anos, todos do sexo masculino. Os indivíduos deveriam estar com 45 a 55 anos no dia da aplicação do questionário e jogar Peteca de 2 a 3 vezes por semana. Foi utilizado o Questionário da Motivação para a Prática Esportiva (GAYA e CARDOSO, 1998) para cada indivíduo. 101

102 Para explicar o objetivo e o procedimento da pesquisa, houve o primeiro contato com o Presidente do Clube da Peteca, onde o mesmo concedeu a autorização para a realização da pesquisa. O questionário foi aplicado em dois dias. Foi esclarecido aos mesmos como deveria ser preenchido o questionário, quanto a importância da sinceridade e do caráter anônimo. Resultados Os resultados mostraram que o principal motivo que levam os indivíduos à prática esportiva é para manter a saúde, que obteve 3,70 de média da preferência dos 31 indivíduos. A segunda opção foi para o gostar de estar praticando a modalidade esportiva, tendo 3,64 de média da preferência e em terceiro lugar está a opção para exercitar-se, com 3,51 de média. Em quarto lugar a opção para encontrar amigos, junto com a opção de se divertirem, com média de 3,41 de preferência dos indivíduos. TABELA 1 Estatística Descritiva N Mínimo Máximo Média S.D ,903 0, ,516 0, ,096 0, ,645 1, ,709 0, ,645 0, ,419 0, ,870 0, ,677 1, ,741 0, ,064 0, ,419 0, ,290 0, ,258 0, ,032 0, ,580 0, ,290 0, ,580 0,

103 ,483 1,091 Por outro lado, a pesquisa mostra os resultados que menos importam para esses indivíduos na prática esportiva, como primeira opção de ser jogador quando crescer, que obteve média de 2,29 de preferência dos 31 indivíduos. A segunda opção foi a de não ficar em casa, com média de 2,48 de preferência dos indivíduos, seguido das opções de aprender novos esportes e para emagrecer com 2,58 de média e o quinto motivo menos relevante foi o de ser o melhor no esporte com 2,64 média de preferência. Média % 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0, Variáveis Gráfico 1: Comparação de Médias dos motivos que levam indivíduos à prática esportiva Discussão Os resultados mostraram que o principal motivo que levam os indivíduos à prática esportiva é para manter a saúde, que obteve média 3,70 de média da preferência dos 31 indivíduos. Isso demonstra que a motivação desses indivíduos está em manter ou melhorar a saúde através do respectivo esporte. A sociedade de um modo geral através da mídia estão atentando para os benefícios que a atividade física proporciona. Pensando nesses benefícios, as pessoas cada vez mais cedo estão praticando alguma atividade física, como forma de promoção de e ou manutenção da sua qualidade de vida. Isso 103

104 também é relatado no estudo de Samulski e Noce (2002) que sugere que o indivíduo deve sempre se posicionar positivamente em relação à atividade física e a saúde. A segunda opção foi para o gosto da prática esportiva, com 3,64 de média e em terceiro lugar está a opção exercitar-se, com 3,51 de média. Isso é demonstrado no estudo de Samulski e Noce (2002) onde eles colocam que o indivíduo deve sempre selecionar atividades motivantes e prazerosas e, quando possível, realizá-las sempre em companhia de amigos. Essa idéia também é reafirmada por Samulski (2002) que revela como principal motivo que levam universitários à pratica de atividades esportivas é o prazer pela atividade física que está praticando. E no estudo de Greco e Brenda (1998), relatando como principal fator motivante, o prazer pela prática esportiva. E em quarto lugar está a opção para encontrar amigos, demonstrando como é importante o fator social no meio esportivo, seja ele no profissional ou no amador, o esporte é uma maneira onde indivíduos acham de encontrar velhos amigos ou de se encontrarem com uma certa frequência. Por outro lado nessa pesquisa, encontramos resultados que menos importam para esse indivíduos. Os resultados que menos importam para esses indivíduos na prática esportiva, como primeira opção de ser jogador quando crescer, que obteve média de 2,29 de preferência dos 31 indivíduos. A segunda opção foi a de não ficar em casa, com média de 2,48 de preferência dos indivíduos, seguido das opções de aprender novos esportes e para emagrecer com 2,58 de média e o quinto motivo menos relevante foi o de ser o melhor no esporte com 2,64 média de preferência. Como a pesquisa é feita em indivíduos do sexo masculino com idade de 45 a 55 anos, grande parte deles estão motivados a uma manutenção na saúde, mantendo um grau de atividade física para manter um corpo saudável através da atividade física, não se importando muito com um grande nível de rendimento no esporte. Conclusões Pode-se concluir que os motivos que levam indivíduos à prática esportiva na modalidade de peteca, de um Clube da Peteca em Itaúna são para manter a saúde, porque gostam, para exercitar-se, encontrar amigos e para se divertirem. Referências FEDERAÇÃO MINEIRA DE PETECA. Disponível em <http://www.fempe.hpg.com.br/historico>. Acesso em 09 de jul GAYA, A.; CARDOSO, M. Os fatores motivacionais para a prática desportiva e suas relações com o sexo, idade e níveis de desempenho desportivo. Perfil, Porto Alegre, Ano 2, n. 2, p GRECO, J.P.; BENDA, R.N. (Org.) Iniciação esportiva universal. UFMG, Belo Horizonte. Vol.1, Editora UFMG

105 SAMULSKI, D. M. Psicologia do esporte: manual para a educação física, psicologia e fisioterapia. Manole, Barueri, Vol. 1, p. 104, SAMULSKI, D.M; NOCE, F. Avaliação dos dados psicossociais de atletas. En SILAMI-GARCIA, E.; MORAES, L.C. (Org.). Olimpíada Colegial Jogos da Esperança. Belo Horizonte: Centro de Excelência Esportiva / UFMG, P.33-48,

106 OS BENEFÍCIOS DO TREINAMENTO FUNCIONAL PARA O IDOSO 1 Nívea Kelly Monte Soares 1 Pós Graduando em Musculação e Personal Training, ENAF/GAMON, Minas Gerais 1 PósGraduando em Treinamento Funcional, ENAF/GAMON, Minas Gerais Endereço Eletrônico: Orientador (a): Prof ª M.Sc.Maria Celeste Campello Diniz RESUMO O reconhecimento dado às práticas do Treinamento Funcional nas atuais políticas de promoção da saúde tem ampliado as discussões sobre os modelos conservadores de saúde públicas historicamente adotadas no Brasil. Estimulado pelo aumento da expectativa de vida da população e pelos avanços dos conhecimentos aplicados ao treinamento funcional na promoção da saúde tem conquistado novos campos de intervenção e a procura do mesmo. Diante desta nova conjuntura, este estudo se propôs a levantar as principais contribuições dos exercícios funcionais para o idoso e suas vantagens no contexto das ações de promoção da saúde. Para tanto, foi realizada uma revisão bibliográfica no banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Pubmed com data dos últimos 12 (doze) anos. Após a análise, conclui-se que o emprego da técnica poderá contribuir para a redução dos custos nos investimentos em programas de saúde, além de favorecer uma melhora significativa dos níveis de força, controle postural e equilíbrio das pessoas idosas, prolongando sua independência e uma maior eficácia nas atividades de vida diária (AVD s). Palavras-chave: Saúde pública, envelhecimento, qualidade de vida, atividade física. ABSTRACT The recognition given to the practices of Functional Training in current policies for health promotion has expanded discussions on conservative models of public health historically adopted in Brazil. Spurred by increased life expectancy of the population and advances of knowledge applied to functional training in health promotion has conquered new fields of intervention and demand the same. Given this new situation, this study aimed to identify the main contributions of functional exercises for the elderly and their advantages in the context of the promotion of health. For this, a literature review in the database of the Virtual Health Library (VHL) and Pubmed with date of the last twelve (12) years was performed. After analysis, it is concluded that the use of thetechnique can help reduce the costs of investments in health programs, in addition to favoring a significant improvement in the levels of strength, postural control and balance of elderly people, prolonging their independence and a greater efficiency in daily living (ADLs) activities. Keywords:Public health, aging, quality of life, physical activity. 106

107 INTRODUÇÃO O processo de envelhecimento tem sido observado em inúmeros países nas últimas décadas, incluindo-se o Brasil, onde tem ocorrido um crescente aumento da população idosa, em detrimento dos demais segmentos etários. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2000) estimam que, no ano 2020, aproximadamente 13% da população brasileira poderão se constituir de indivíduos idosos(camarano 2002). Segundo AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE(1998) a necessidade de efetivos programas de prevenção primária e secundária ligados à saúde do idoso torna-se cada vez mais importante e indispensável na sociedade moderna.do ponto de vista biológico, o envelhecimento está associado a um conjunto de gradativas modificações estruturais e funcionais, denominado declínio funcional, o qual poderia ser influenciado tanto por fatores intrínsecos - como a hereditariedade e doenças crônicas não transmissíveis, como por fatores extrínsecos, incluindo-se o estilo de vida, aspectos nutricionais e o exercício físico. TORAMAN& AYCEMAN (2005)afirmam modificações orgânicas resultam na diminuição da aptidão física individual e no desempenho dos vários componentes da aptidão funcional (força e resistência muscular de membros inferiores e superiores, flexibilidade, agilidade, equilíbrio e aptidão cardiorrespiratória), que Rikli& Jones (1999) definem como a capacidade para desempenhar as atividades cotidianas de forma segura e independente, sem a presença de exaustão.os motivos que nos levaram a escolher os exercícios funcionais enquanto objeto de estudo foram: 1) a redução da capacidade funcional provocada pelas diversas alterações no sistema musculoesquelético são uma das principais causas da perca de independência dos idosos, além de ser um fator agravante no tratamento das doenças crônico-degenerativas como a Hipertensão e Diabetes; 2) gastos excessivos do governo federal em tratamentos hospitalares com idosos acometidos por quedas e fraturas; 3) resultados recentes alcançados entre os profissionais e indivíduos que adotaram em seus programas de treinamento, os exercícios funcionais; 4) a metodologia não exige grandes investimentos na obtenção de equipamentos e sua manutenção, fato que amplia as possibilidades de adequação aos programas de promoção da saúde no Brasil. Para Rikli& Jones(1999) o programa de treinamento funcional engloba principais valências físicas que afetam diretamente com o passar do tempo (idade) há população idosa dentre elas: a força pode contribuir para a manutenção de uma adequada aptidão física e funcional, o que é de extrema importância para o cotidiano da população idosa, por assegurar a realização de inúmeras atividades da vida diária de modo independente e seguro. Também, temos a coordenação motora, equilíbrio dinâmico, resistência, agilidade, etc. O presente estudo tem como objetivo mostrar o conceito e a contribuição dos exercícios funcionais para o público idoso e suas vantagens no contexto das ações de promoção da saúde. Para tanto, serão abordados os benefícios para o corpo, às formas de alcança-la e de mantê-la, seus benefícios na promoção da saúde.neste sentido, esta revisão foi desenvolvida por meio de investigação e análise do banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), da Organização Mundial de Saúde (OMS),Organização Pan-Americana 107

108 de Saúde (OPAS) e Pubmed. Foram pesquisadosartigos sobre exercícios funcionais com datas a partir do ano de 1999 e com as palavras-chave: saúde pública, promoção da saúde, qualidade de vida, envelhecimento, atividade física, exercício e reabilitação. ENVELHECIMENTO POPULACIONAL E AS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL Segundo o IBGE (2010) prolongamento da vida é o sonho de qualquer sociedade. No entanto, só pode ser considerado como uma real conquista na medida em que se acrescente qualidade aos anos adicionais de vida. Assim, qualquer política voltada para os idosos deve levar em consideração a capacidade funcional, a necessidade de autonomia, de participação, de cuidado, de bem-estar. Essa população deve ser incentivada, fundamentalmente, a prevenção, o cuidado e a atenção integral à saúde. O crescimento da população idosa é um fenômeno mundial e, no Brasil, as modificações ocorrem de forma radical e bastante acelerada. As projeções mais conservadoras indicam que, em 2020, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos, com um contingente superior a 30 milhões de pessoas. De acordo com KELLER et al (2002) a transição demográfica no Brasil, assim como na maioria dos países em desenvolvimento, vem ocorrendo de maneira um pouco diferente da que aconteceu nos países desenvolvidos e, sobretudo, muito mais rapidamente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa média de vida ao nascer do brasileiro aumentou de 66 para 68,6 anos na última década, o que os países europeus levaram aproximadamente um século para fazer, o Brasil fará em trinta anos, dobrar a proporção de idosos de sua população de 7% para 14%. Robergs& Scott (2002),destacam que o envelhecimento não é simplesmente o passar do tempo, mas as manifestações de eventos biológicos que ocorrem ao longo de um período. Não há uma perfeita definição de envelhecimento. Este não deve ser visto como uma doença, mas como um processo natural. De certa maneira, qualquer coisa neste planeta envelhece com o tempo, não apenas seres humanos. O período de vida é a duração máxima que um membro da espécie humana pode alcançar em condições ótimas. Como a morte precoce foi reduzida neste século, uma proporção maior da população tem sobrevivido ao seu período natural de vida, que parece ser de 85 anos. O RECONHECIMENTO ÀS PRÁTICAS CORPORAIS/ATIVIDADE FÍSICA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE DA ÚLTIMA DÉCADA Robergs& Scott (2002)destacam que as grandes transformações mundiais das últimas décadas provocaram mudanças na sociedade e na saúde, tanto individual como na coletiva, jamais imaginadas. O perfil dos problemas de saúde atuais faz com que a promoção de estilos de vida saudáveis (e ativos fisicamente) seja valorizada e colocada como uma das prioridades em saúde pública no planeta. A Educação Física Brasileira está atenta a essas evoluções nas ciências e nas práticas que envolvem a atividade física relacionada à saúde, e precisa responder aos anseios da sociedade em termos de formação profissional competente e produção científica de qualidade nesta área.quem viveu as últimas cinco décadas pode 108

109 testemunhar as explosivas transições que fizeram com que o mundo, nossa cidade e nossa vida pessoal se transformassem de maneira jamais antecipada. Tais transições (demográfica, epidemiológica, nutricional e fizeram surgir o que temos de melhor e de pior em termos de bem-estar e qualidade de vida.uma das consequências decorrentes dessas mudanças e do aumento significativo das chamadas doenças da civilização (crônicas não transmissíveis) é a valorização da promoção da saúde e, por extensão, das áreas acadêmicas e profissionais que tratam desse tema tecnológico). Segundo Nahas (2006) a promoção da saúde, portanto, compreende ações individuais e comunitárias, além de ações e compromisso das instituições e dos governos na busca de uma vida mais saudável para todos e para cada um. Mais do que curar ou prevenir doenças, o foco da promoção da saúde é a qualidade de vida, no seu sentido mais holístico, determinado por fatores socioambientais (condições de vida) e fatores pessoais (estilo de vida). FISIOLOGIA DO ENVELHECIMENTO E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA A CAPACIDADE FUNCIONAL DO IDOSO Em seu estudo, RIKLI(1999) ressalta que o envelhecimento pode ser entendido como um processo dinâmico e progressivo, caracterizado tanto por alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas, quanto por modificações psicológicas. Essas modificações determinam a progressiva perda da capacidade de adaptação ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos, que podem levar o indivíduo à morte. Como uma de suas consequências, o envelhecimento traz a diminuição gradual da capacidade funcional, a qual é progressiva e aumenta com a idade. Assim, as maiores adversidades de saúde associadas ao envelhecimento são a incapacidade funcional e a dependência, que acarretam restrição/perda de habilidades ou dificuldade/incapacidade de executar funções e atividades relacionadas à vida diária. Tais dificuldades são ocasionadas pelas limitações físicas e cognitivas, de forma que as condições de saúde da população idosa podem ser determinadas por inúmeros indicadores específicos, entre eles a presença de déficits físicos e cognitivos. A capacidade funcional pode ser definida comoa manutenção da capacidade de realizar Atividades Básicas da Vida Diária (ABVD) e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD), necessárias e suficientes para uma vida independente e autônoma. Para o idoso, a realização das ABVD aparece como algo presente e necessário para a sua sobrevivência, mantendo-o participativo na gestão e nos cuidados com a própria saúde, e no desenvolvimentode tarefas domésticas. As atividades de vida diária (AVDs), as atividades instrumentais de vida diária (AIVDs) e mobilidade são as medidas frequentemente utilizadas para avaliar a capacidade funcional do indivíduo. As AVDs consistem nas tarefas de autocuidado, como tomar banho, vestirse e alimentar-se e se baseiam no índice de Katz. Essa medida reflete um substancial grau de incapacidade. Em geral, quanto maior o número de dificuldades que uma pessoa tem com as AVDs, mais severa é a sua 109

110 incapacidade. A prevalência de dificuldade ou necessidade de ajuda em realizar AVDs é inferior à prevalência das demais medidas de incapacidade funcional. SegundoLawton& Brody, em 1969 as AVDsindicam tarefas mais adaptativas ou necessárias para vida independente na comunidade, como, por exemplo, fazer compras, telefonar, utilizar o transporte, realizar tarefas domésticas, preparar uma refeição, cuidar do próprio dinheiro. Essas tarefas são consideradas mais difíceis e complexas do que as AVDs. EFEITOS DO TREINAMENTO FUNCIONAL NA MOBILIDADE DE IDOSOS. ParaNahas (2006),a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu como idoso aquela pessoa com 65 anos ou mais de idade, no caso de indivíduos de países desenvolvidos, e 60 anos ou mais, para pessoas de países subdesenvolvidos. Estudos tem demonstrado a importância da atividade física no tratamento e controle de doenças crônico-degenerativas (como diabetes, hipertensão arterial, osteoporose). Além disso, a atividade física é também essencial na manutenção das funções do aparelho locomotor, principal responsável pelo desempenho das AVDS e pelo grau de independência e autonomia do idoso. É importante salientar que todos os grupos musculares devem ser trabalhados em uma atividade física direcionada aos idosos, principalmente os maiores. No entanto, devemos priorizar os grupamentos relacionados à mobilidade e ao equilíbrio corporal uma vez que possibilita maior segurança na execução dasações diárias e na manutenção da capacidade funcional dos idosos. O treinamento funcional destaca-se como uma importante atividade na melhora da mobilidade dos idosos. Mobilidade, palavra originada do latim mobilitate, é a qualidade ou propriedade do que é móvel ou obedece às leis do movimento. A mobilidade engloba vários componentes como agilidade, velocidade e equilíbrio. Essa capacidade permite ao indivíduo alterar a posição do corpo ou a direção de um movimento, no menor tempo possível, gerando uma maior autonomia na locomoção.outras capacidades físicas que agem de maneira direta na mobilidade física são: a força muscular e a flexibilidade. A perda da força muscular é responsável por uma deterioração na mobilidade e na capacidade funcional do indivíduo. Já a flexibilidade está intimamente relacionada à mobilidade visto que a mesma pode ser definida como amplitude de movimentos disponíveis em uma articulação ou conjunto de articulações. Níveis adequados de força muscular e flexibilidade, dentre outros fatores, são determinantes para a eficácia na mobilidade dos idosos e consequentemente na melhora da execução dos diferentes movimentos envolvidos na realização das AVDs. Com o Treinamento Funcional são trabalhados exercícios que estimulam os receptores proprioceptivos presentes no corpo estimulando os sistemas de controle motor, favorecendo a melhoria do mecanismo depropriocepção, diminuição do desequilíbrios muscular, diminuir a incidência de lesões e aumentar a eficiência dos movimentos. Dessa forma, essa atividade tem atraído, cada vez mais, o público idoso visto que nessa atividade a abordagem ocorre através de exercícios diversificados e específicos visando o treinamento global do corpo humano, preparando-o para os movimentos da vida diária. 110

111 AS CONTRIBUIÇÕES DOS EXERCÍCIOS FUNCIONAIS PARA O IDOSO E SUAS VANTAGENS NOS CONTEXTOS DAS AÇÕES DE PROMOÇÃO DA SAÚDE NO SUS. Por meio de investigação e análise do banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Pubmed e artigos sobre exercícios funcionais com datas a partir do ano de 1999O corpo humano foi projetado para funcionar como uma unidade, com os músculos sendo ativados em sequências especifica para produzir um movimento desejado. Em cada movimento, vários músculos estão envolvidos e todos eles realizam uma função diferente. O sistema nervoso central (SNC), além de diferentes funções motoras, é responsável pela ativação muscular e programado para organizar esses movimentos. Através de diferentes sinais enviados ao SNC, partindo da pele, das articulações e dos músculos, são detectados detalhes sobre a posição de cada parte do corpo em relação ao ambiente proposto e as outras partes corporais, a velocidade do movimento e o ângulo articular. Com esse propósito, o Treinamento Funcional foi criado nos Estados Unidos por diferentes autores desconhecidos e, vem sendo muito bem difundido no Brasil, ganhando inúmeros praticantes. Tem como princípio preparar o organismo de maneira íntegra, segura e eficiente através do centro corporal, chamado nesse método por CORE.Vários dos objetivos desse método de exercício representam uma volta à utilização dos padrões fundamentais do movimento humano (como empurrar, puxar, agachar, girar, lançar, dentre outros), envolvendo a integração do corpo todo para gerar um gesto motor específico em diferentes planos de movimento. Um exemplo contrário a esse método é o trabalho isolado do corpo para gerar um gesto motor específico, como visto na musculação tradicional. SAÚDE PÚBLICA: PROTEÇÃO E SAÚDE DO IDOSO O objetivo principal de uma política para o envelhecimento deve ser o de manter na comunidade o maior número possível de idosos, vivendo de modo integrado e ativo, mantendo o mais alto nível de autonomia, pelo maior tempo alcançável. Sabemos que os problemas dos idosos têm natureza específica, sendo que as soluções devem ser encontradas, sempre que possível, na própria comunidade. Assim sendo, a rede de prestação de serviços primários de saúde deve estar equipada para prestar um atendimento de alta qualidade aos idosos e seus familiares, visando à manutenção ou ao aprimoramento da qualidade de vida, medida, principalmente, pelo nível de autonomia e independência. A prestação de serviços para idosos deve ser precedida por um diagnóstico epidemiológico que possibilite um planejamento adequado à realidade socioeconômica das diversas regiões brasileiras, sendo que o enfoque sistemático em relação aos serviços para os idosos é, por definição, multidisciplinar e multisetorial. Dentro destas premissas propõe-se como fundamental a criação de um grupo de trabalho com representantes de Instituições Públicas e da Sociedade Civil, com o objetivo de 111

112 elaborar mecanismos de articulação interinstitucional que permitam operacionalizar a proposta contida neste documento: 1 Medidas Gerais Uso dos meios de comunicação e adoção de programas educacionais objetivando sensibilizar a sociedade para importância do Idoso. Inclusão de noções de gerontologia nos currículos das Escolas de Inclusão de 1º e 2º grau. Criar programas de Educação Permanente para que todos os cidadãos, em particular os idosos, tenham oportunidade de acesso à educação, desde cursos de alfabetização até cursos de extensão universitária. Criar alternativas para institucionalização do ancião, priorizando aqueles que possibilitem a troca de experiências entre gerações, tais como Centroscomunitários e O Centro de convivência para Idosos e as Casas Lares. Os Centros de Convivência para Idosos e as Casas Lares constituem alternativas também adequadas. Que sejam destinados recursos públicos para a construção e funcionamento de instituições voltadas para o idoso desde que as atividades destas sejam devidamente normatizadas e objeto de supervisão constante. As instituições que abriga idoso devem respeitar o desejo destes no que se refere à coabitação com seus (as) companheiros (as). Criar incentivos para que as empresas absorvam trabalhadores na faixa de 50 ou mais anos de idade. Criar programas de preparação para aposentadoria em empresas estatais e privadas, sob a coordenação de organismos públicos. Unificar os critérios de aposentadoria e pensão, estabelecendo-se um rendimento condigno extensivo também ao trabalhador rural. Tomar opcional a aposentadoria ate então classificada como compulsória, incentivando-se as formas de Aposentadoria Gradativa. Não permitir limitações de idade para prestação de concurso público. Incentivar a participação de idosos em associações, sindicatos e federações. Garantir, na lista mínima de medicamentos, alternativas de drogas consideradas mais adequadas para uso em idosos. Controle pelos órgãos públicos competentes do uso de substâncias nocivas, incluindo a radioatividade, posto que ação deletéria adquirir maior significado na velhice. Que o planejamento habitacional considere as peculiaridades da população de idosos, e proporcione-lhes habitações com arquitetura adequada, de custo compatível com seus rendimentos. Adequar o meio urbano aos cidadãos, muitos dos quais idosos, portadores de deficiência, através de medidas na área da arquitetura, do urbanismo e do desenho industrial. 112

113 Prevenção de agravos à Saúde Detectar e controlar os fatores de risco de neoplasias, doenças cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e mentais. Estabelecer programas de alimentação e educação nutricional, em nível formal (acadêmico) e informal (comunitário) para promoção, manutenção e/ou recuperação da saúde. Criar programas de imunização para idoso, especialmente aquele pertencentes a grupos de alto risco. Assistência à saúde dos cidadãos com 60 ou mais anos de idade O atendimento ao idoso a níveis de serviços básicos de saúde deve ser feito por médicos com formação generalista, de acordo com um programa específico de atendimento ao idoso, elaborado pelas Secretarias de Saúde dos Estados da Federação, em conjunto, em conjunto com os especialistas em Geriatria e de acordo com diretrizes gerais elaboradas pelos Órgãos Federais. Os serviços básicos devem estar referenciados em ambulatórios com especialistas em geriatria integrada a uma equipe multiprofissional, com infraestrutura para a realização de exames complementares, capacidade de atendimento domiciliar, de programas de reabilitação, articulados a hospitais gerais. Criação de unidades de geriátricas nos hospitais gerais com especialistas em geriatria integrados a uma equipe multiprofissional. Criação de unidades geriátricas em hospitais de apoio (retaguarda), dotadas de setor de reabilitação e programa de atendimento domiciliar a doentes crônicos acamados. Criação de serviços de transportes para hospitais e serviços de saúde, destinados a pacientes idoso com dificuldades de locomoção. Incrementar os serviços de auxilio complementar, como fornecimento de órteses, próteses e ajuda mecânica para idosos carentes, sob a supervisão e orientações de equipes multiprofissionais das unidades de geriátricas. Incorporação de práticas de assistência à saúde do idoso, desde que respeite os princípios éticos, possibilitando ao idoso o direito de escolher a terapêutica preferida. Formação de recursos humanos: Considerando que o atendimento ao disso deve ser feito por uma equipe multiprofissional propõe-se: Inclusão da disciplina de Geriatria em cursos da área de saúde e Gerontologia nos currículos dos cursos de graduação das áreas humanas, sociais e nos cursos de Arquitetura, Urbanismo e Desenho Industrial. Criação de disciplinas e/ou cursos de Gerontologia e Geriatria nos cursos de Pósgraduação, Senso lato e Senso estrito. 113

114 Patrocínio pelo Ministério da Saúde e demais órgãos competentes de cursos de capacitação, treinamento e reciclagem de profissionais de diferentes níveis de formação, que atuam na assistência ao idoso, e também de agentes comunitários. Inclusão de noções de gerontologia nos currículos dos cursos profissionalizantes da área de saúde. Assim, a reflexão sobre a questão do cuidado e proteção do idoso, na perspectiva do estatuto acima citado, faz-se necessária na medida em que desvela perspectivas que se revestirão de cuidados seguros, éticos e com qualidade. Daí o grande desafio da equipe da área da saúde passa a ser a construção do cuidado integral, integrado e cidadão com a pessoa idosa.construindo um novo modo de ser e agir em saúde vislumbrando a multidimensionalidade do ser que envelhece e do processo de envelhecimento humano. 1 CONSIDERAÇÕES FINAIS O envelhecimento é um fenômeno natural, e está habitualmente ligado à perda das principais valências física como: força, queda da resistência, diminuição da coordenação e também não menos importante a perda do domínio corporal que é comum nesse caso. O conforto da vida moderna contribui para que isso ocorra, sem contar a maturação física que, com o passar do tempo, impede que movimentos que antes eram corriqueiros passem a ser mais difíceis e menos explorados. De acordo com os autores estudados nesta pesquisa, o treinamento funcional tem como objetivo desenvolver as qualidades físicas e movimentos básicos necessários no dia a dia, como força, resistência, equilíbrio, os atos de sentar e levantar, andar, correr, carregar, empurrar, puxar, podendo ser um dos melhores aliados para o público idoso que com o passar dos anos diminui essas habilidades. Além do que, o treino funcional é saúde e contribui para que quem esteja nesta fase seja capaz de realizar as atividades físicas como antes. Esta modalidade de treino diminui o risco de lesões, além de dar um preparo significativo para o idoso realizar simples tarefas como subir e descer escadas, se abaixar com melhor facilidade, ou simplesmente jogar futebol com os amigos no final de semana. Desta forma, as pessoas que praticam treinos funcionais se tornam mais capazes de manter suas rotinas diárias, desenvolvendo as atividades que sempre praticavam, mas com o passar da idade sentem dificuldade e, portanto, percebem grande melhora na sua qualidade de vida. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: NAHAS, Markus Vinicius e GARCIA, Leandro Martin Totaro. Um pouco dehistória, Desenvolvimentos Recentes e Perspectivas Para a Pesquisa em Atividade Física e Saúde no Brasil.Rev. bras. educ. intermediários financeiros. Esporte (Impr.) [online]. 2010, v.24, n.1, pp ISSN http://dx.doi.org/ /S

115 COSTA, E. F. A.; PORTO, C. C.; SOARES, A. T. - Envelhecimento populacional brasileiro e o aprendizado de geriatria e gerontologia. Revista da UFG,v. 5, n. 2, dez 2003 online (www.proec.ufg.br) BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde do Idoso: quedas de idosos. [Internet] Disponível em: cfm?idtxt=33674&janela=1. Acesso em: 04 jun CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Resolução CONFEF n 046/2002. Rio de Janeiro: CONFEF, COSTA J. N. A., GONÇALVES C. D., RODRIGUES G. B. A., PAULA A. P., PEREIRA M. M., Safons M.P. Exercícios multisensoriais no equilíbrio e prevenção de quedas em idosos. Revista Digital, Buenos Aires [Internet]. 2009; 135(14). Disponível em: Acesso em: 05, junho, FREITAS E. V., MIRANDA R. D., NERY M. R. Parâmetros clínicos do envelhecimento e avaliação geriátrica global. In: FREITAS E. V., Py. L., NERI A. L., CANÇADO F. A. X., GORZONI M. L., ROCHA S. M., editores. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, p American College of Sports Medicine.Guidelines for Exercise Testing and Rikli RE, Jones CJ. Development and validation of a functional fitness test for community-residing older adults. J Aging Phys Activity. n. 7: RIKLI RE, JONES CJ.Reliability, validility, and methodological issues in assessing physical activity in older adults. Res Q Exerc Sport 2000;71: S Prescription,5th, Ed. Baltimore: Wilkins and Wilkins, 1-373, ROBERGSR. A;, A.; ROBERTS,S. O. Princípios fundamentais de Fisiologia do Exercício para a Aptidão, Desempenho e Saúde, São Paulo: Phorte Editora, NAHAS, Markus Vinícius. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 4. ed. Londrina: Midiograf, CAMARANO, A. A., ABRAMOVAY, R. Êxodo rural, envelhecimento e masculinização no Brasil:panorama dos últimos 50 anos. Revista Brasileira de Estudos Populacionais (RBEP), v. 15, n. 2,p , jul./dez CAMARANO, A. A., EL GHAOURI, S. K. Idosos brasileiros: que dependência é essa? In:CAMARANO, A. A. (org.). Muito além dos 60: os novos idosos brasileiros. Rio de Janeiro:IPEA, dez TORAMAN, N. F., AYCEMAN, N. Effects of six weeks of detraining on retentionof functional fitness of old people after nine weeks of multicomponent training.british Journal of Sports Medicine, n p TORAMAN, N.F., Short term and long term detraining: is there any difference between Young-old and old people?. British Journal of Sports Medicine, n p

116 COMPARAÇÃO DO PERFIL DE CICLISTAS DE ELITE DE ESTRADA COM CICLISTAS DE ELITE DE FORA DE ESTRADA EM MINAS GERAIS CARVALHO, M.A. 1 ; SANTOS, B. L. 2 ; ASSIS, R. A. 2 ; PEREIRA, L.A. 3,PUSSIELDI, G.A. 1 1 Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal Minas Gerais Brasil 2 Universidade de Itaúna Minas Gerais Brasil 3 Prefeitura Municipal de Florestal Minas Gerais Brasil RESUMO Este estudo consistiu em analisar e comparar o perfil antropométrico e o somatotipo de ciclistas de elite de estrada e fora de estrada em Minas Gerais, comparando esses perfis, também, com padrões internacionais. Nove ciclistas de estrada e dez fora de estrada (Mountain Bike) participaram do estudo. Todos os indivíduos envolvidos neste estudo preencheram o Consentimento Livre e Esclarecido, participaram de uma análise antropométrica e responderam o Questionário Clínico Médico. Não foram encontradas diferenças significativas de perfil antropométrico e somatotipo entre os ciclistas de elite de estrada e fora de estrada estudados. Os dois grupos apresentaram predominância do componente de mesomorfia, que se caracteriza pela muscularidade, com o perfil somatotípico mesomorfo-ectomorfo. Concluindo-se que não há diferenças nos perfis antropométricos, mas há necessidade de uma análise mais criteriosa em relação à elaboração de programas de treinamento específicos para os ciclistas de elite de estrada e fora de estrada em Minas Gerais, mesmo não apresentando diferenças físicas. Palavras-chave: Perfil Antropométrico, Somatotipo, Ciclistas. ABSTRACT This study was to analyze and compare the anthropometric profile and somatotype of elite cyclists from road and off-road (Mountain Bike) in Minas Gerais, comparing these profiles also with international standards. Nine road cyclists and ten off-road in the study. All individuals involved in this study completed the Informed Consent, participated in an anthropometric examination and answered the questionnaire Clinical Medical. No significant differences in anthropometric profile and somatotype were found among elite cyclists of road and off-road studied. Both groups showed a predominance of mesomorphic component, which is characterized by muscularity, with the mesomorphectomorph somatotype profile. Concluding that there are no differences in anthropometric profiles, but there is need for a more careful analysis regarding the development of specific training programs for elite cyclists road and off-road in Minas Gerais, although there was no physical differences. Keywords: Anthropometric Profile, Somatotype, Cyclists. INTRODUÇÃO 116

117 A antropometria é um recurso que permite a avaliação do estado físico de um indivíduo e o controle de variáveis do treinamento (MARINS e GIANNICHI, 2003). Segundo os trabalhos de Heath e Carter (1970), nossa biotipologia não depende exclusivamente da carga genética, mas também de fatores externos, como a atividade física e a alimentação, que são potencialmente modificados para conseguir maior rendimento físico no esporte praticado. Parece evidente que se possam observar diferenças morfológicas externas entre indivíduos que praticam atividade física, como os ciclistas, e indivíduos sedentários ou indivíduos que praticam outros esportes. Essas diferenças podem se justificar pela hipótese de que cada esporte possui um perfil antropométrico característico. Esse perfil pode ser alcançado através da antropometria, um instrumento para determinação da composição corporal do indivíduo. O acompanhamento da composição corporal representa um meio importante no controle de um treinamento, tanto para atletas quanto para não atletas (MARINS e GIANNICHI, 2003). As técnicas do somatotipo são definidas como a descrição da conformação morfológica presente em um indivíduo se expressando em uma série de três numerais dispostos sempre na mesma ordem, onde o primeiro componente refere-se à endomorfia, ou gordura relativa, o segundo a mesomorfia, ou desenvolvimento muscular e, o terceiro, ao componente de ectomorfia, ou linearidade específica (CARTER et al., 2005). O perfil antropométrico dos ciclistas brasileiros é uma das variáveis de treinamento que, ainda, precisam ser estudadas. Apesar do ciclismo como modalidade esportiva ter alcançado grande ascensão no Brasil, pesquisas nessa área ainda são muito escassas. Sabe-se que o ciclismo profissional possui modalidades diferentes e específicas, sendo analisados no presente estudo apenas o ciclismo de estrada e o ciclismo fora de estrada. O ciclismo de estrada profissional, segundo Padilla et al. (1999), é um esporte que requer bom desempenho em uma variedade de terrenos e situações de competição. Essa performance no ciclismo em diferentes tipos de terreno é, particularmente, determinada por características morfológicas individuais (massa corporal, altura, índice de massa corporal, superfície corporal). OBJETIVO Este estudo tem como objetivo analisar os perfis antropométricos e os somatotipos de ciclistas participantes de uma prova de estrada e fora de estrada da categoria elite no estado de Minas Gerais e comparar os perfis desses ciclistas com os padrões internacionais observados na revisão literária. METODOLOGIA Amostra A amostra foi composta de dezenove competidores de ciclismo de elite do sexo masculino, sendo nove ciclistas de estrada e dez de fora de estrada, filiados à Federação de Ciclismo de Minas Gerais. 117

118 Cuidados Éticos Todos os participantes receberam instruções sobre o teste e sobre os procedimentos tomados. Antes dos testes, os atletas assinaram o Consentimento Livre e Esclarecido, que é uma obrigatoriedade do Conselho Nacional de Saúde, resolução nº 422/12, para poderem participar da pesquisa, baseadas na declaração de Helsinque (1964 e resoluções posteriores) e o questionário de história médica. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos da Universidade Federal de Minas Gerias com o protocolo de número 033/04. Instrumentos e procedimentos utilizados O peso corporal foi mensurado em uma balança da marca Filizola, com precisão de 0,1 kg, e a estatura foi obtida em um estadiômetro Sanny de 0,1 cm. Todos os indivíduos foram medidos e pesados descalços, vestindo apenas bermuda de ciclismo. O índice de massa corporal (IMC) foi determinado pelo quociente peso corporal / estatura 2, sendo o peso corporal expresso em quilogramas (kg) e a estatura em metros (m). A composição corporal foi avaliada pela técnica de espessura do tecido celular subcutâneo. Três medidas foram tomadas em cada ponto, em sequência rotacional, do lado direito do corpo, sendo registrado o valor mediano. Para tanto, foram aferidas as seguintes dobras cutâneas: tricipital (TR), subescapular (SE), peitoral (PT), supraespinhal (SEP), abdominal (AB), coxa (CX) e panturrilha (PN). Tais medidas foram realizadas por um único avaliador com um adipômetro científico da marca Sanny com precisão de 0,1 mm. A gordura corporal relativa (% gordura) foi calculada pela fórmula de Siri (1961), a partir da estimativa da densidade corporal determinada pelas equações propostas por Jackson e Pollock (1978). Os perímetros de braço contraído (BRC) e panturrilha (PM) foram medidos com uma fita métrica metálica Lufkin, com precisão de 0,1 cm. As medidas foram feitas em duplicidade pelo mesmo avaliador. Para análise do somatotipo, foi utilizado o sistema de classificação proposto por Heath e Carter (1967). Para tanto, foram medidos os diâmetros biepicôndilo umeral e bicôndilo femural, com um paquímetro de pequenas medidas da marca Lange com precisão de 0,1 cm. Quanto ao cálculo dos componentes do somatotipo, o método de Heath e Carter (1967) é amplamente aceito. Esse método permite quantificar os componentes do somatotipo de forma rápida e ter uma classificação biotipológica do desportista. Procedimentos Estatísticos Os diferentes parâmetros foram analisados estatisticamente segundo o teste de contraste de médias t-student com um nível de significância de p < 0,05, utilizando o pacote estatístico GRAPHIC PRISM, versão 3.0. RESULTADOS Dentre as variáveis antropométricas analisadas (percentual de gordura, massa corporal gorda, massa corporal magra, massa corporal, estatura, índice de massa corporal, idade e somatotipo), não foram encontradas diferenças significativas entre ciclistas de estrada e fora de estrada. 118

119 [anos] [h] Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: Características da Amostra As características dos indivíduos participantes do estudo são apresentadas nas figuras 1, 2 e 3. Todos os dados são comparados entre as duas modalidades de ciclismo estudadas. A média de idade dos ciclistas de estrada foi de 26,8 ± 3,35 anos, o tempo de treinamento foi de 7,3 ± 3,67 anos e 2,9 ± 0,85 horas por dia. Nos ciclistas de fora de estrada, a média de idade foi de 25,2 ± 2,86 anos, o tempo de treinamento foi de 6,1 ± 1,59 anos e 2,85 ± 1,27 horas por dia. Os dados mostram, então, que não houve diferença significativa de tempo de treinamento referente a anos e horas diárias entre as duas modalidades de ciclismo analisadas. 30 Idade Estrada Fora de Estrada Figura 1: Idade dos ciclistas. Tempo de Treinamento Horas de Treinamento Estrada Fora de Estrada 2 Estrada Fora de Estrada Figura 2: Tempo de treinamento dos ciclistas em anos. Figura 3: Tempo de treinamento dos ciclistas em horas diárias. Características Antropométricas As variáveis antropométricas são apresentadas nas figuras 4, 5, 6, 7, 8 e 9: Nos ciclistas de estrada, o percentual de gordura encontrado foi 7,9 ± 2,64%, a massa corporal gorda 5,4 ± 1,97 kg, a massa corporal magra 62,6 ± 5,16 kg, a massa corporal 68,0 ± 5,8 kg, a estatura 174,9 ± 5,51 cm e o índice de massa corporal 22,3 ± 1,85 kg/m 2. Nos ciclistas de fora de estrada, o percentual de gordura encontrado foi 6,95 ± 0,96%, a massa corporal gorda 4,36 ± 0,92 kg, a massa corporal magra 58,2 ± 5,74 kg, a massa corporal 62,6 ± 6,48 kg, a estatura 169 ± 8,15 cm e o índice de massa corporal 21,8 ± 1,48 kg/m

120 [Kg] [cm] [%] [Kg] [Kg] Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: As variáveis antropométricas não apresentaram diferenças significativas entre os dois grupos estudados % Gordura 7.5 Massa Gorda 75 Massa Corporal Magra Estrada Fora de Estrada 2.5 Estrada Fora de Estrada 25 Estrada Fora de Estrada Figura 4: Percentual de gordura dos ciclistas. Figura 5: Massa gorda dos ciclistas. Figura 6: Massa corporal magra dos ciclistas 75 Massa Corporal 200 Estatura 25.0 IMC Estrada Fora de Estrada 150 Estrada Fora de Estrada 20.0 Estrada Fora de Estrada Figura 7: Massa corporal dos ciclistas. Figura 8: Estatura dos ciclistas. Figura 9: Índice de massa corporal dos ciclistas Somatotipo Quanto ao somatotipo, observou-se que os ciclistas de ambas as modalidades apresentaram uma predominância do componente de mesomofia sobre os outros somatotipos. As características somatotípicas são apresentadas nas figuras 10, 11 e 12: Nos ciclistas de estrada a característica da endomorfia foi 2,1 ± 0,68, a mesomorfia foi 4,0 ± 1,21 e a ectomorfia foi 2,7 ± 1,02. Nos ciclistas de fora de estrada, a característica da endomorfia foi 1,87 ± 0,53, a mesomorfia foi 4,57 ± 0,74 e a ectomorfia foi 2,63 ± 0,98. Os somatotipos também não apresentaram diferenças significativas entre as duas modalidades. Tanto os atletas de estrada quanto os de fora de estrada apresentaram o perfil somatotípico mesomorfo-ectomorfo de acordo com a tabela adaptada por Carter (1975), em que são descritas treze condições somatotípicas diferenciadas entre si. Endomorfia Mesomorfia Ectomorfia Estrada Fora de Estrada 3 Estrada Fora de Estrada 2 Estrada Fora de Estrada Figura 10: Características de endomorfia dos ciclistas. Figura 11: Características de mesomorfia dos ciclistas. 120 Figura 12: Características de ectomorfia dos ciclistas.

121 DISCUSSÃO No presente estudo não houve diferenças significativas no perfil antropométrico de ciclistas de estrada e fora de estrada, diferentemente de Padilla (1999) e Lucía et al. (2000), que concluíram em seus estudos que as características antropométricas podem se diferenciar em cada ciclista profissional de acordo com sua modalidade específica. Apesar de Marins e Giannichi (2003) afirmarem que elaboração de um perfil antropométrico específico para cada esporte é um referencial importante que pode ser obtido pela antropometria, este estudo não apresentou perfis antropométricos diferentes para ciclistas de estrada e fora de estrada. Os dois grupos estudados apresentaram algumas características antropométricas, como altura e massa corporal, similares às encontradas em ciclistas de fora de estrada por Impellizzeri (2002), sendo observadas diferenças significativas no percentual de gordura e na idade. Os participantes do estudo de Impellizzeri apresentaram menor percentual de gordura, 5,1 ± 1,6% durante o inverno e 4,7 ± 1,4% no verão e tinham 21 anos de idade. Em seus estudos com ciclistas de estrada, Lucía et al. (2000) encontraram nos atletas avaliados valores como o de percentual de gordura de 8,6 ± 0,2%, o de altura de 181,6 ± 1,7 cm, o de massa corporal de 72,3 ± 2,3 kg e a idade de 27 ± 1 anos. São valores similares aos dos ciclistas de estrada do presente estudo, mas um pouco mais elevados que os dos ciclistas de fora de estrada. O percentual de gordura de 7,9 ± 2,64% (ciclistas de estrada) e 6,95 ± 0,96% (ciclistas de fora de estrada) dos atletas deste estudo foi mais baixo que o encontrado em ciclistas de estrada europeus, nos quais o percentual pode chegar a 10%, dependendo da estação do ano em que se encontram, Todavia, o resultado do estudo foi o mesmo que o encontrado nos europeus, nos quais o percentual de gordura corporal não se diferencia significativamente entre os diferentes tipos de ciclistas profissionais (LUCÍA et al., 1998; LUCÍA et al., 1999; HOOGEVEEN, 2000). No estudo de Padilla et al. (2001), foram avaliados ciclistas de estrada de nível internacional, participantes do Tour de France, do Giro d Italia ou da Volta da Espanha. Os atletas tinham 26 ± 6,3 anos, 180 ± 6,7 cm de altura e 68,5 ± 67,2 kg de massa corporal. Valores muito próximos dos ciclistas de estrada avaliados neste estudo. A predominância do componente somatotípico de mesomorfia em relação aos outros componentes nos ciclistas avaliados confirmou o resultado dos estudos antropométricos de Sheldon citado por Marins e Giannichi (2003), nos quais ele concluiu que não existe um indivíduo com uma classificação única, mas com uma maior ou menor tendência para cada um dos componentes de sua divisão. O perfil somatotípico dos atletas estudados foi similar ao encontrado por Mychels e Mafra (1998) citado por Marins e Giannichi (2003), que registraram em ciclistas da seleção brasileira endomorfia de 2,70 ± 0,5, mesomorfia de 5,21 ± 2,1 e ectomorfia de 3,57 ± 0,9. Foi similar, também, ao encontrado por Varela e Montero (1996) que registraram em ciclistas espanhóis endomorfia de 2,2, mesomorfia de 4,1 e ectomorfia de 3,4, avaliados no Centro de Alto Rendimento. 121

122 Assim como não foram encontradas diferenças antropométricas e somatotípicas significativas no presente estudo, Wilber et al. (1997) relataram que, em geral, não existem diferenças fisiológicas entre atletas de fora de estrada com atletas de estrada. Acredita-se que as diferenças encontradas em outros estudos, na maioria realizados em outros países, podem ocorrer devido ao clima, à altitude e até mesmo aos costumes de cada região. CONCLUSÃO Conclui-se que o perfil antropométrico e o somatotipo de ciclistas de elite de estrada e fora de estrada em Minas Gerais são muito similares, não sendo encontradas diferenças significativas no perfil desses ciclistas. A elaboração de programas de treinamento, de acordo com o presente estudo, não precisa, portanto, ser diferenciada quanto ao perfil antropométrico e somatotipo para ciclistas de elite das duas modalidades, todavia deve ser diferenciada em relação ao tipo de prova, como duração e intensidade. No entanto, os ciclistas de diferentes nacionalidades podem apresentar características antropométricas e somatotipo diferentes. REFERÊNCIAS CARTER, J. The Heath-Carter Somatotype Method. San Diego University, CARTER, JEL, ACKLAND TA, KERR, DA, STAPFF AB. Somatotype and size of elite female basketball players. J Sports Sci. 23(10): , HEATH BH, CARTER JEL. A modified somatotype method. Am J Phys Anthop.; 27:57-74, HOOGEVEEN, A.R. The effect of endurance training on the ventilatory response to exercise in elite cyclists. Eur J Appl Physiol, 82: 45-51, IMPELLIZZERI, F.; SASSI, A.; RODRIGUEZ-ALONSO, M.; MOGNONI, P.; MARCORA, S. Exercise intensity during off-road cycling competitions. Med Sci Sports Exerc, 34(11): , JACKSON AS, POLLOCK ML. Generalized equations for predicting body density of men. Br J Nutr; 40: , LUCÍA, A.; HOYOS, J.; CARVAJAL, A.; CHICHARRO J.L. Heart rate response to professional road cycling: the Tour de France. Med Sci Sports Exerc, 20: , LUCÍA, A.; HOYOS, J.; CHICHARRO, J.L. Physiological response to professional road cycling: climbers vs. time trialists. Med Sci Sports Exerc, 21: ,

123 LUCÍA, A.; PARDO, J.; DURÁNTEZ, A.; HOYOS, J.; CHICHARRO, J.L. Physiological differences between professional and elite road cyclists. Med Sci Sports Exerc, 19: 342-8, MYCHELS, G.; MAFRA, H. Cinantropometria da seleção brasileira de ciclismo avaliação pré-temporada. In.: XXI Simpósio Internacional de Ciências do Esporte, São Paulo. Anais: p. 77, MARINS, J.C.B.; GIANNICHI, R.S. Avaliação e prescrição de atividade física - guia prático. 3 ed.. Rio de Janeiro: Shape, PADILLA, A.; MUJIKA, I.; CUESTA, G.; GOIRIENA, J.J. Level ground and uphill cycling ability in professional road cycling. Med Sci Sports Exerc, 31: , PADILLA, S.; MUJIKA, I.; ORBAÑANOS, J.; SANTISTEBAN, J.; ANGULO, F.; GOIRIENA, J.J. Exercise intensity and load during mass-start stage races in professional road cycling. Med Sci Sports Exerc.. 33 (5): , VARELA, F.J.; MONTERO, F. J. Cineantropometria. In.: Manual de valoración funcional. Arce, J. C.; Martinez, J. C.; Varela, F. J. (Eds). Madrid: Eurobook., WILBER, R.L.; ZAWADZKI, K.M.; KEARNEY, J.T.; SHANNON, M.P.; DISALVO, D. Physiological profiles of elite off-road and road cyclists. Med Sci Sports Exerc. 29:

124 ORDEM NA EXECUÇÃO DE EXERCÍCIOS RESISTIDOS PARA MEMBROS INFERIORES. Giovani Vieira da Costa¹ Valter Sabino Netto¹ Autran José da Silva Junior¹ (1) Centro Universitário Da Fundação Educacional Guaxupé, Guaxupé, Minas Gerais, Brasil. RESUMO:A musculação tem apresentado um grande avanço e evolução em seus métodos de treinamento, permitindo assim um aumento de seus praticantes. Apesar da evolução dos métodos ainda algumas questões sobre a influência da fadiga muscular em relação a ordem dos exercícios que necessita de estudos aprofundados. O presente estudo verifica a influência da ordem de execução de exercícios para membros inferiores, no caso deste: Agachamento Livre (AG L) e cadeira extensora (CE), sendo assim verificando a intensidade no treinamento de força fazendo uma comparação com a percepção subjetiva de esforço. Após ser aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do UNIFEG, a metodologia do estudo foram: 10 homens, realizarão testes de 8RM nos aparelhos Agachamento Livre (AG L) e cadeira extensora (CE). Após realizaram 3 séries de 8 repetições com carga de 8RM com 1 minuto de intervalo em duas sequencias diferentes: A (AG L depois CE) e B (CE depois AG L) com intervalo de 48 horas. Foram analisados escala subjetiva de esforço de OMNI em repouso, ao final de todas as séries e durante a recuperação (0, 1 e 5 ). Estudos tem demonstrados que a realização da sequência dos exercício físicos na musculação tem que ser dos maiores grupamentos para os menores grupamento musculares. Observamos na escala de OMNI que o exercício mono articular não apresentou valores significativos em relação ao multi articular. Palavras Chaves: musculação, fadiga muscular, membros inferiores ABSTRACT:The weighthaspresented a major breakthroughandprogress in their training methods, thusallowinganincreaseof its practitioners. Despitetheevolutionofmethods still some questionsabouttheinfluenceofmuscle fatigue in relationtotheorderofexercisesthatrequirein-depthstudies. Thisstudyevaluatestheinfluenceoftheexecutionorderofexercises for thelowerlimbs, in this case: FreeSquat (L AG) andlegextension (CE), thusverifyingtheintensitystrength training in making a comparisonwiththesubjectiveperceptionofeffort. AfterbeingapprovedbytheEthicsCommittee in Researchof ENAF, themethodologyofthestudywere 10 men, conducttests in 8RM FreeSquat (L AG) appliancesandlegextension (CE). Afterperformed 3 sets of 8 repetitionswith a load 8MR with 1 minute interval in twodifferentsequences: A (AG L after EC) and B (EC after AG L) withanintervalof 48 hours. Subjectivescaleofeffort OMNI atrest, attheendofevery series 124

125 andduringrecovery (0, '1' and 5 ') wereanalyzed. Studieshaveshownthattherealizationofthesequenceofphysicalexercise in bodybuildinghastobeofthegreatestgroupstosmallermusclegrouping. Observed in the OMNI scale joint exercise mono no significantvalues in relationtomultiarticulate. Key words: bodybuilding, muscle fatigue, lowerlimb 1 - Introdução Antigamente os programas de treinamentos eram quase que sempre baseados em experiências dos próprios treinadores mesmo dos praticantes, não havendo em muitos casos, metodologia se quer para iniciantes, tão pouco para os atletas (TAN, 1999). Com o passar dos anos ocorreu uma grande evolução dos estudos, e a metodologia do treinamento resistido tornou-se mais complexa e composta de variáveis importantes como por exemplo, ordem da realização dos exercícios físicos, intensidade do esforço aplicada ao exercício físico, volume do treinamento (representa o total das séries realizadas e suas respectivas repetições), intervalo entre as séries, velocidade das repetições, frequência do treinamento, tipo de exercício físico selecionado e sua sequência. (KRAEMER; RATAMESS, 2004). Segundo SANTAREM, (1995) o número determinado de repetições acompanhadas por um intervalo de repouso, as repetições são movimentos completos que compõem um exercício retornando ao seu estado inicial onde são realizados continuamente sem repouso e a intensidade do esforço realizado durante o exercício resistido representa a quantidade de peso a ser deslocada, a velocidade da execução e também do intervalo entre as séries realizadas. As diretrizes do American Collegeof Sports Medicine dizem que a intensidade recomendada para indivíduos iniciantes deve ser próxima de 70% da carga obtida no teste de 1 Repetição Máxima (ou simplesmente 1RM), porém para treinados a intensidade é maior podendo chegar até a 100%. O volume do treinamento é estimado pela soma do número total das séries e repetições realizadas multiplicadas pela resistência utilizada durante uma única sessão de treinamento SANTAREM, Para indivíduos iniciantes ao treinamento resistido o American Collegeof Sports Medicine recomenda de uma a três séries e após a adaptação o individuo tornando-se intermediário a treinado este número poderá manter-se em três séries, ou não, dependendo do objetivo. Para WERNBOM, M.; AUGUSTSSON, J.; THOMEE, R. A velocidade de execução influencia nas respostas neurais, metabólicas, a própria hipertrofia e força musculares. O que também apresenta uma importante variável no treinamento resistido, contribuindo, juntamente com as outras variáveis descritas anteriormente, em alterar as respostas metabólicas, hormonais e cardiovasculares é o número de sessões ou a frequência semanal, segundo a diretriz do American Collegeof Sports Medicine a recomendação para frequência semanal são, para iniciantes dois a três dias semanais e para treinados frequências acima de quatro dias semanais. Guilherme Kamel, apud Asmussen e Pollock (1993, p.32) definem fadiga como: a diminuição transitória na capacidade do desempenho dos músculos quando estiverem 125

126 ativos por certo tempo, geralmente evidenciada pelo fracasso na manutenção ou desenvolvimento de certa força ou potência esperada. Como o exercício resistido é bem característico em relação a outras modalidades de exercícios, Lagally e Robertson (2006), criou e validou uma escala de percepção subjetiva de esforço específica para o treinamento com exercícios resistidos denominada escala de OMNI. O American Collegeof Sports Medicine (2009) também recomenda que a ordem de exercícios em uma sessão de treinamento seja sempre dos maiores grupos musculares para os menores, ou seja, iniciar por exercícios multi-articulares e logo após realizar os mono-articulares, para pessoas em qualquer estágio de treino, iniciantes, intermediários ou treinados, afirmando que os exercícios realizados no final da sessão de treinamento sofrem queda no número de repetições máximas para uma determinada carga, e esta redução em exercícios para grandes grupos musculares prejudica o trabalho total da sessão de treinamento. Um dos exercícios mais utilizados nos programas de treinamento tanto para praticantes de musculação quanto para atletas é o Agachamento Livreque trabalha sobretudo os quadríceps, os glúteos, a massa dos adutores, os músculos eretores da espinha, os abdominais e os posteriores da coxa. UCHIDA, M.C.; BACURAU, R.F.P.; NAVARRO,F; PONTES JR,F.L.; CHARRO, M.A Outro exercício muito utilizado nas academias, para realização de treinos para membros inferiores, é a cadeira extensora, que segundo UCHIDA, M.C. e colaboradores (2008), trabalha principalmente as fibras do quadríceps femoral, com movimento de extensão, e tornozelos com movimentos de dorsiflexão. Devido os membros inferiores, serem grupos musculares muito utilizados no treinamento de força, ao longo dos anos diversos estudos foram realizados utilizando a execução destes exercícios citados anteriormente, principalmente no que diz respeito à ordem da execução dos exercícios. Para avaliar o efeito da ordem de Exercícios em mais de um grupamento muscular por sessão, Simão et al.(13) avaliaram mulheres que realizavam 3 séries com 80% 1RM na realização dos exercícios supino reto, desenvolvimento de ombros extensão do tríceps, extensão do joelho e flexão do joelho, em duas seqüência: A e B, com execução exatamente oposta. Em todos os exercícios o número de repetições era menor quando o exercício era realizado mais tardia na sessão. GIO, S.(2011) SIMÃO et al (2007), utilizou exercícios mono e multiarticulares envolvendo membros superiores e inferiores em duas ordens diferentes e observou que independente do número de articulações envolvidas, quando o exercício era realizado no final da sessão o número de repetições era significantemente reduzido. Desta forma, a hipótese de que o número de articulações seria um fator importante para o número de repetições foi descartada. GIO, S (2011) apud (SFORZO & TOUEY, 1996; SIMÃO et al., 2007) que levando em consideração que o número de repetições realizadas com uma mesma carga relativa é menor em exercícios para membros superiores do que em exercícios para membros inferiores. É possível que a ordem dos exercícios afete o comportamento do número de repetições distintamente em membros inferiores e superiores. Porém, ainda é 126

127 desconhecido o efeito da ordem de execução quando apenas exercícios para membros inferiores são realizados. Existem muitos estudos que concluíram a importância do exercício resistido para os esportes e para a qualidade de vida, mas pouco se estudou sobre a ordem dos exercícios. 2 - Metodologia Cuidados éticos O estudo foi submetido ao CEP (Comitê de Ética) do Centro Universitário da Fundação Educacional de Guaxupé (UNIFEG).Os participantes da avaliação serão indivíduos voluntários que foram informados de todo o processo de coleta de dados e estiveram cientes dos riscos e desconfortos do teste. Foi preenchido um termo de consentimento a cada voluntário. Sempre esteve em vigor a privacidade e preservações dos mesmos onde todas as informações foram confidenciais. Amostra O estudo foi composto de dez homens treinados, com no mínimo um ano de treino de musculação e idade entre 18 e 30 anos. Os mesmos foram selecionados na cidade de Guaxupé, em academias de ginástica. E foram excluídos os indivíduos usuários de medicamentos que sejam em benefício do desempenho (recursos ergo gênicos), também foram excluídos indivíduos que apresentaram qualquer tipo de problemas articulares que pudessem influenciar na realização dos testes. Avaliação Antropométrica Todos os voluntários participaram de uma avaliação antropométrica antes da realização dos exercícios resistidos onde foram aferidas as seguintes variáveis: A. Peso Corporal O peso corporal foi aferido com o auxílio de uma balança digital. O avaliado deve se posicionar em pé, de costas para a escala da balança, com afastamento lateral dos pés. Em seguida coloca-se sobre e no centro da plataforma, ereto com olhar num ponto fixo à sua frente. Deve usar o mínimo de roupa possível. É realizada apenas uma medida. (FERNANDES FILHO, 1999, p.17-18). B. Altura Total A altura total foi aferida através de uma fita métrica. O avaliado deve estar na posição ortostática PO: indivíduo em pé, posição ereta, braços estendidos ao longo do corpo, pés unidos procurando por em contato com o instrumento de medida as superfícies posteriores do calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital. A medida é feita com o avaliado em apneia inspiratória, de modo a minimizar possíveis variações sobre esta variável antropométrica. Permite-se ao avaliado usar calção e camiseta, exigindo-se que esteja descalço. (FERNANDES FILHO, 1999, p.18-19). Avaliação da Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) A PSE foi avaliada através da Escala de Percepção de Esforço de OMNI validada por LEGALLY, et al (2006). A figura abaixo representa a PSE 127

128 Exercícios Resistidos Agachamento livre A barra colocada sobre o suporte, deslizar sob ela e coloca-la sobre os trapézios um pouco mais alto do que os feixes posteriores dos deltoides, segurar a barra com as mão mantendo uma distância variável entre elas segundo características morfológicas e esticar os cotovelos para trás.inspirar fortemente, arquear levemente as costas realizando uma anteverão da pelve, olhar reto à sua frente e elevar a barra do suporte. Recuar um ou dois passos, para com os pés paralelos ou as pontas um pouco para, o exterior afastadas na largura dos ombros. Agachar inclinando as costas para frente e controlando a descida, nunca arredondando a coluna vertebral para evitar qualquer traumatismo. Quando os fêmures chegarem na horizontal, realizar uma extensão das pernas, endireitando o tronco para retornar a posição inicial. Expirar no final do movimento. O agachamento trabalha sobretudo os quadríceps, os glúteos, a massa dos adutores, os músculos eretores da espinha, os abdominais e os posteriores da coxa. UCHIDA, M.C.; BACURAU, R.F.P.; NAVARRO,F; PONTES JR,F.L.; CHARRO, M.A

129 Cadeira Extensora: Para a realização do exercício resistido na cadeira extensora, o voluntário posicionará no aparelho com as costas bem apoiadas e com o eixo do equipamento muito 129

130 próximo do eixo das articulações dos joelhos, deverá realizar a extensão dos joelhos, utilizando toda a amplitude possível. Logo após deverá retornar até formar um ângulo de 90º nas articulações dos joelhos e, sem descanso, repetir o movimento. UCHIDA, M.C.; BACURAU, R.F.P.; NAVARRO,F; PONTES JR,F.L.; CHARRO, M.A Delineamento experimental Após a definição dos indivíduos, os voluntários foram submetidos a uma sessão de testes para determinação da carga para 8 RM, nos dois exercícios propostos. Após a determinação de carga, o teste foi dividido em duas sequencias A e B, na qual a sequência A o Agachamento (AG L) será realizado antes da cadeira extensora (CE), sendo respeitado um intervalo de 48 horas para a realização da sequência B onde a CE será feita antes do AG L. O intervalo entre as séries será de 1 minuto e o de transição entre os exercícios será de 1 minuto e meio. Logo após o indivíduo dará uma nota (escala de OMNI.) em relação ao esforço utilizado no exercício. Foram realizadas 3 séries de 8 repetições em cada exercício. A avaliação antropométrica (peso e altura) foi realizada apenas uma vez. 3 - RESULTADOS: VALORES MÉDIOSDE OMNI NAS DUAS SESSÕES DE TREINAMENTO. AGACHAMENTO EXTENSORA 1 a 2 a 3 a 1 a 2 a 3 a 1 o Dia 4.0±1,8 4,8±0,5 5,8 ± 1,5 2,9 ±1,2 2,9±1,0 4,0±1,5 EXTENSORA 130 AGACHAMENTO 1 a 2 a 3 a 1 a 2 a 3 a 2 o Dia 3,0±0,9 3,0±0,9 4,8±1,2 6,8±2,0* 6,8±1,8* 8,0±2,5* * Diferençasignificativa entre 1o dia x 2o dia P > 0,05. O exercício na Cadeira Extensora não apresentou valores significativos, já o Agachamento Livre apresentou valores significativos no segundo dia. 4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Em cumprimento ao objetivo de analisar a percepção subjetiva de esforço entre dois exercícios resistidos de membros inferiores com execução alternada concluímos que na escala de OMNI que o exercício mono articular (Cadeira Extensora) não apresentou valores significativos em relação ao multi articular(agachamento Livre).Portanto o

131 exercício Agachamento gera uma fadiga significativamente maior em relação a cadeira extensora, se for realizado posteriormente devido a utilização de maiores números de grupamentos musculares e articulares. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ACSM. Progression models in resistance training for healthy adults. MedSci Sports Exerc, 2009; 41: FERNANDES FILHO, J. A prática da avaliação física: testes, medidas e avaliação em escolares, atletas e academias de ginástica. Rio de Janeiro: Shape editora, GIL, S.; ROSCHEL, H.; BATISTA, M.; UGRINOWITSCH, C.; TRICOLI, V.; BARROSO, R. Efeito da ordem dos exercícios no número de repetições e na percepção subjetiva de esforço em homens treinados em força. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, n.1, p , jan./mar Kamel, J. G. N. A ciência da musculação. Editora shape. Rio de Janeiro, 2004 LAGALLY, K. M, and ROBERTSON, R. J. Construct validity of the OMNI Resistance Exercise Scale. J Strength Cond. Res. 202(2): MALDONADO D.T.; CARVALHO M.; BRANDINA, K.; GAMA, E. F. Análise anatômica e eletromiográfica dos exercícios de legpress, agachamento e stiff Integração Jun 2008 sp. MC Uchida, RFP Bacurau, F Navarro, FL Pontes Jr, Charro, M.A. Manual de musculação: uma abordagem teórico-prática ao treinamento de força. São Paulo, Phorte editora, 5ª edição, p3. SANTARÉM, José Maria. Musculação: princípios atualizados: fisiologia,treinamento e nutrição. São Paulo: Fitness Brasil, SANTAREM, José Maria. Treinamento de força e potência. In: GHORAYEB, Nabil & BARROS, Turibio, O Exercício: preparação fisiológica, avaliação médica, aspectos especiais e preventivos. São Paulo: Ed. Atheneu. p.35-50, SIMÃO, R.; FARINATTI, P.T.; POLITO, M.D.; VIVEIROS, L.; FLECK, S.J. Influence of exercise order on the number of repetitions performed and perceived exertion during resistance exercise in women. Journal of Strength and Conditioning Research, Champaign, v.21, n.1, p.23-8, TAN, B. Manipulating Resistance Training Program Variables to Optimize Maximum Strength in Men: A Review. Journal of Strength and Conditioning Research,v13, n.3, p , VA DA SILVA.MOTIVOS QUE LEVAM INDIVÍDUOS DO SEXO MASCULINO À PRÁTICA DA MUSCULAÇÃO. Connepi,

132 AS LUTAS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR SEGUNDO A REVISTA NOVA ESCOLA: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE 1986 ATÉ 2013 FERREIRA A.M. 1 PEREIRA W.R. 1 ORTEGA L. 1 1 Centro Universitário Modulo Caraguatatuba/SP RESUMO O objetivo deste estudo foi analisar bibliograficamente e quantificar o número de publicações de matérias relacionadas ao jogo de oposição e lutas/esporte da revista Nova Escola e fazer um levantamento sobre as lutas como conteúdo pedagógico, considerando a importância da cultura corporal do movimento e mostrando que na educação física há possibilidades de proporcionar aos alunos experiências com as lutas. Para tanto, foi usada uma abordagem quantitativa, onde buscamos todos os artigos de lutas publicados, chegando ao todo 17 publicações tanto de forma de jogo de oposição quanto luta/esporte, ao longo dos seus 27 anos, com o intuito de levantar a hipótese de que os professores apresentam uma resistência em relação às lutas considerando-as conteúdo ainda visto e entendido como uma ferramenta indisciplinadora e geradora de violência. Os resultados foram mostrados em gráficos onde há um número significativo do aumento de publicações ao longo dos anos, artigos onde é exposto a cultura corporal do movimento como jogo de oposição, como forma lúdica. Concluímos que ainda há pré-conceitos concernentes ao tema, resistência tanto por parte dos pais, tanto pelos professores, aonde atravanca a prática no ambiente escolar, mas por outro lado podemos observar que os jogos de oposição é uma poderosa ferramenta pedagógica para o desenvolvimento global do ser humano. PALAVRAS CHAVE: Revista Nova Escola, Cultura Corporal, Lutas ABSTRACT The aim of this study was to analyze Bibliographically and quantify the number of published materials related to the game of opposition and struggles / sport magazine New School and make a survey of the fight as educational content, considering the importance of body culture movement, and showing that physical education give opportunities to are students with experiences fight. Apply a quantitative approach where we seek all articles published of fight, reaching around 17 publications both form of the game of opposed as fight/sports throughout its 27 years. The results are shown in graphs where there is a significant growing in publications long of times, articles where the body culture movement is exposed as opposed so playful. We conclude that there are prejudgment about this topic, many resistance of parents also and teachers, where block the practice in the school environment, but on the other we can see that the opposition games is a powerful educational tool for the global development to human. KENWORKS: New School Magazine, Body Culture, Fights, 132

133 INTRODUÇÃO As práticas de lutas nas escolas podem transformar os conflitos em jogos de oposição, onde possa haver regras e os alunos enxerguem os seus colegas não como um inimigo e sim como um companheiro que joga junto e não contra. Porém, temos algumas limitações alegadas pelos professores de educação física, como falta de espaço no ambiente escolar, a falta de materiais e até mesmo a falta de qualificação profissional. Pois ainda existem algumas indagações a serem questionadas sobre os saberes dos professores, como: O docente precisa ter tido alguma vivência ou ter praticado algum tipo luta para tratar desde conteúdo na escola? Que saberes são necessários para introduzir as lutas nas aulas? Quais são os conhecimentos específicos das lutas e como se dá a sua mudança na prática? Assim é necessário que o professor busque subsídios para sua pratica profissional, assim buscou-se em uma revista conceituada que apresenta relatos de experiência compreender melhor o fenômeno das lutas no contexto escolar logo optou-se pela revista Nova Escola da editora ABRIL da fundação Victor Civita, tem como objetivo de contribuir para a educação no Brasil, atuando na qualificação e valorização dos professores e gestores escolares, na investigação da realidade educacional nacional, fornecendo subsídios para definição de políticas públicas. Para Daolio (2004), citado por Carvalho, a educação física é uma disciplina que deve garantir ao aluno experiências relacionadas ao contexto corporal e também do movimento. Há propostas que conceituam um modelo com duas bases para a disciplina, o da não exclusão e da diversidade, que irá defender os conteúdos para uma educação física que permita ao aluno escolher ser crítico, de forma que seja de valor para eles, seus motivos e fins em relação às atividades da cultura física. Betti (1999) oferece como perspectiva na educação física, uma educação física cidadã, considerando fundamental o princípio da alteridade, uma vez que faz o professor de educação física passar a olhar seu semelhante como completo nele mesmo, sendo possuidor, construtor e reconstrutor da cultura física. Já que movimentar-se faz parte da história da humanidade em busca da conquista de território, alimento, poder e sobrevivência. Talvez por isso que o movimento da luta tem como característica principal a importância da cultura corporal. Tanto a Educação Física, quanto as lutas são influenciada pela mídia, pois esta influência é percebida dentro da escola. Então podemos perceber que dentro do ambiente escolar as práticas de lutas são impedidas, impossibilitando que os alunos de vivenciarem novas práticas corporais. Mas quais conteúdos da cultura corporal seriam adequados ao trabalho pedagógico? Os jogos, os esporte, a dança, as lutas e a ginástica? Segundo Carvalho (2011), sabemos que há uma distância entre as propostas e as rotinas nas escolas, tornando-se concreto que fica como uma obrigação dos professores este comprometimento de reduzir ou ampliar essas manifestações da cultura no aluno, porém sempre foi presente na nossa história, seja elas ligadas ás técnicas de ataque e defesa, como sabedoria de povos ou até mesmo como vínculo militar. Sabemos também que com o efeito que as lutas se manifestaram na sociedade acabou servindo como um auxílio para a sua crescente, como esporte no meio de comunicação, ficando conhecida mais pelos seus aspectos técnicos e táticos do que pelos seus princípios filosóficos. 133

134 Nakamoto (2005), citado por Carvalho, que a luta é uma prática corporal que tem como objetivo atingir um ou mais alvos, que ela permite uma possibilidade dos adversários poderem atacar ao mesmo tempo, sem seguir uma ordem, como acontece no futebol quando um ataque e o outro defende. Segundo Nascimento e Almeida (2007), citada por So e Betti (2011), afirmam que as aulas de lutas nas escolas pouco acontecem, e quando existe, acaba sendo fornecida por outros professores e até mesmo desvinculada da disciplina de educação física, sendo ofertada como atividades extras curriculares ou por grupos de treinamentos, eles ainda apresentam justificativas dos professores de educação física por apresentarem certas limitações desta prática nas aulas, OBJETIVO Verificar as características e abordagens utilizadas pela revista Nova Escola ao longo das ultimas décadas e as principais lutas apresentadas como conteúdos a ser estimulado nas aulas de educação física. METODOLOGIA: Tem-se como metodologia uma revisão bibliográfica quantitativa e exploratória da revista nova escola, desde a primeira edição dela, que aconteceu em março de 1986 até o ano Explorando a quantidade de informações publicadas sobre o conteúdo de lutas no ambiente escolar, separando-os por quinquênios e suas respectivas publicações, para identificar quais e quantas publicações foram relacionados a jogos de oposições e quantas publicações direcionadas ao esporte/lutas, e em um ultimo momento verificamos qual foi seu ápice de publicações e por qual motivo desse crescimento e quais modalidades foram publicadas. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Durante seus 27 anos a revista Nova Escola teve 17 publicações relacionadas a lutas, tanto como jogos de oposições quanto lutas/esporte. Dessas 17 publicações a sua primeira publicação relacionada às lutas aconteceu no ano de 1988, dois anos após sua primeira edição, onde esta publicação se tratava de uma arte milenar chamada Tai Chi Chuan. Em 1999 foi publicada mais um conteúdo, este artigo por sua vez estava abordando os Parâmetros Curriculares Nacionais, onde o mesmo incluía a luta como prática corporal do movimento, conteúdo obrigatório nas aulas de educação física. Nos anos de 2000 a 2005 foram publicados dois artigos, um tratando o jogo de oposição que seria introduzir a prática do judô nas aulas de educação física e o outro tratava sobre o esporte/luta, este artigo fez uma retrospectiva sobre as olimpíadas; entre 2006 a 2011 foram três artigos, todos eles como conteúdo de jogos de oposição, o primeiro trabalhou a esgrima, o outro propôs a capoeira e o ultimo foi elaborado um plano de aula com os conteúdo de lutas para serem agregados como elementos de equilíbrio, força e agilidade para as aulas, nos anos de 2012 e 2013 tivemos uma grande publicação sobre o conteúdo de lutas, tanto como esporte/luta, quanto jogo de oposição. Em 2012 observamos que houve uma crescente publicação relacionada a artigos tratando a luta como conteúdo pedagógico, assim como, conteúdo de esporte/luta, pois neste ano 134

135 ocorreu as Olimpíadas de Londres, por este fator o campeão de publicações na revista Nova Escola foi o Judô, chegando a quatro publicações, em seguida tivemos a Esgrima com três publicações e por ultimo o Karatê com duas publicações, tivemos também como destaques outras lutas como: Tai Chi Chuan, Capoeira, Boxe, Taekwondo e a Luta Greca- Romana. Com base neste resultado, identificamos que as lutas começaram a ganhar espaço a partir da criação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), junto a Proposta Curricular de Educação Física do Estado de São Paulo (2001), onde é abordado que a luta como tema é merecedora e passível de se construir em conteúdo de processo de escolarização. Segundo o PCN-EF (2001) ele procura destacar em seus vários objetivos para o ensino, a construção de valores que busquem a cidadania, a integração, a inclusão, o respeito e a criticidade, onde qualifica às diferenças culturais de nossa sociedade. Também podemos percebe-se que seu ápice de publicação aconteceu logo após as divulgações que a mídia fez, dando ênfase às olimpíadas no ano de 2012, graças a essas divulgações o conteúdo de luta passou a ser possível, pois houve a influência da mídia na sociedade. Segundo Darido e Rufino (2013), dentre os conteúdos que são apresentados na educação física escolar, as lutas são as que encontram uma grande resistência por parte dos docentes, com argumentos como: o espaço inadequado, falta de materiais, a falta de vestimentas para a prática e a associação às questões de violência. Eles fazem uma colocação em questão de que então as lutas foram criadas para a guerra e não para o âmbito escolar? Poderíamos então imaginar que, da mesma forma que as lutas não foram criadas para a escola, outras modalidades como o futebol, por exemplo, prática bastante empregada nas aulas de Educação Física escolar, também não foi criada visando à escola. A educação física como proposta pedagógica tem como objetivo oferecer aos alunos mais possibilidades de serem críticos, sendo assim, formando-os cidadãos que possam ser atuantes no meio em que vivem, usufruindo, compartilhando, produzindo e transformando suas formas culturais do exercício como: o jogo, o esporte, a ginástica rítmica e expressivas, as lutas e suas práticas de aptidões físicas, a dança e as práticas alternativas. Então cabe a nós educadores ampliar o conhecimento pedagógico sobre as lutas, ter uma formação acadêmica adequada para poder lidar com esses conteúdos, não ser necessariamente um praticante de alguma modalidade, mas sim conseguir transmitir o conhecimento e que ele possa ser formador. Para Darido e Rufino (2013), precisamos aumentar a visão sobre este tema, pois há uma forma de ensinar as lutas de maneira melhor, com mais qualidade e ser mais abrangente, podendo ir além das regras e ensinamentos práticos, compreendendo, além da dimensão procedimental, a dimensão conceitual e atitudinal. Mais do que isso, deve-se compreender as lutas para ensinar mais do que as lutas em si. PUBLICAÇÕES: No Gráfico I apresentamos uma distribuição do numero de publicação ao longo das ultimas décadas onde podemos observar um aumento quanto ao número de publicações 135

136 que abordaram a temática lutas no contexto escolar. Este fato se deve segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), documento oficial do Ministério da Educação, a Educação Física permite que se vivenciem diferentes práticas corporais advindas das mais diversas manifestações culturais e se enxergue como essa variada combinação de influências está presente na vida cotidiana. As danças, esportes, lutas, jogos e ginásticas compõem um vasto patrimônio cultural que deve ser valorizado, conhecido e desfrutado. E nos anos que tivemos o maior número de publicações deve-se pela a influência da mídia, pois neste ano aconteceram os Jogos Olímpicos de Londres. Gráfico 1. Análise do Números de Publicações da revista Nova Escola. O grafico II, foi separado por quinquênios para facilitar o estudos e as abordagens sobre as publicaçoes dos jogos de oposição, das lutas e do esporte. Já que o jogo de oposição dentro das aulas de educação física tem como objetivo a prática da cultura corporal expressa de forma lúdica e prazerosa. Gráfico 2. Abordagens de Dsicussão dos Artigos da revista Nova Escola. O gráfico III foi separado por modalidades junto ao ano de publicações, demonstrando que a partir da criação do PCN (1997) e a Proposta Curricular da Educação Física do Estado de São Paulo (2001) há um aumento significativo de conteúdos pedagógicos referente a manisfetação culturais do movimento através da luta nas aulas de educação física. Já a mída contribuiu nas divulgação das modalidades olímpicas, despertando o 136

137 interesse cultural da sociedade, tendo seu ápice de publicações no ano olímpico, onde o mesmo ocorreu em Londres no ano de Gráfico 3. Descrição das Lutas Abordadas em Artigos da revista Nova Escola. CONCLUSÃO: As lutas como conteudo pedagógico ganhou força a partir da criação dos Parametros Curriculares Nacional (1997) e a Proposta Curricular Nacional de Educação Física do Estado de São Paulo (2001), onde visa contribuir para a atividade intelectual e para a formação do cidadão, e aproveitando então da popularização que a mídia proporcionou as lutas, acabou influenciando a sociedade a conhecer mais sobre está cultura, onde houve um ganho no seu espaço em publicações na revista, sendo que a mesma elaborou planos de aulas tratando a contexto de forma lúdica, ampliando assim possibilidades da prática da cultura corporal do movimento de forma prazerosa e descontraída. Mas ainda há uma resistência dos professores e pais quanto a essa prática, os professores por falta de conhecimentos práticos (técnico) e filosóficos e os pais por acharem o contexto violento, sendo assim, que a prática pode vir a ser uma apologia a violência e a indisciplina. Mas como citamos, a violência esta presente em toda atividade esportiva, quando a mesma é mau direcionada. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BETTI, M. A Janela de Vidro: Esporte, Televisão e Educação Física, Campinas, BETTI, M. Valores e finalidades na educação física escolar: uma concepção sistêmica. Santa Maria, RS: Revista Brasileira de Ciências do Esporte, vol. 16, n. I, p , Brotto, F. O. Jogos Cooperativos O jogo e o esporte como um exercício de convivência, Projeto Cooperação, 2ª Ed.; Set, Corrêa, A.D.O.; Queiroz, G.; Pereira, M. P. V.D.C, Lutas como conteúdo na Educação Física Escolar, Carvalho, L. D A. Cultura Corporal do Movimento: Implicações para as aulas de Educação Física no Ensino Médio e Contribuições ao Lazer. V1, Correia, W. R, 2º. Fórum Paulista de Artes Marciais. Lutas e Artes Marciais: dimensões didáticas e pedagógicas,

138 Darido, S.C; Betti, I.C.R; Ramos, G.N.S; Galvão, Z; Ferreira, L.A; Silva, E.V.M.E; Rodrigues, L.H; Neto, L.S; Pontes, G; Cunha, F. A educação física, a formação do cidadão e os parâmetros curriculares nacionais. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v.15, n.1, Darido, S. C.; Rufino, L. G. B, Possíveis diálogos entre a educação física escolar e o conteúdo das lutas na perspectiva da cultura Corporal DAOLIO, J. Da Cultura do Corpo. Campinas: Papirus, Gomes, P.S. A distancia entre conceitos cultura na Educação Física, 2011, In: Santos L.J.C. CARE, VITA, II Seminário Esporte, Atividade Física e Saúde, Kunz, E. Transformação didático-pedagógica do esporte. 6 ed. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, Parâmetros Curriculares Nacionais, 1997, Disponível em acesso em 03/12/2013. Proposta Curricular Nacional de Educação Física do Estado de São Paulo, 2001, Disponível em 20_03.pdf, acesso em 03/12/2013. Revista Abril, Disponível em acesso em 03/11/2013. Revista Nova Escola, Disponível em 2/ultimo-samurai-arte-marcial-como-filosofia-vida shtml, acesso em 23/05/2013. Rondinelli, P. Luta não é violência: Importância das Lutas nas aulas de Educação Física, Disponível em acesso em 26/10/2013. Silva, M.; Feitosa, L.D.S. Revista Nova Escola: Legitimação de Políticas Educacionais e Representação Docente, Disponível em acesso em 20/10/2013. Fundação Victor Civita. Disponível em acesso em 03/11/2013. So, M.R.; Betti, M. Lutas na Educação Física escolar: relação entre conteúdo, pedagogia e currículo, Scarpato, M. Educação Física - Como planejar as aulas na educação básica, AVERCAMP, 1ª Edição, Zago, N. Educação Física no Ensino Médio: Concepções e Reflexões,

139 CICLISMO: UM OLHAR CINESIOLOGICO SOBRE O ESPORTE CYCLING: A KINESIOLOGIC LOOK ON THE SPORT MACHADO, K.P.1 1- Pontifícia Universidade Católica de Campinas- Campinas- São Paulo- Brasil. RESUMO: A cinesiologia é de extrema importância para a educação física e para os esportes. O presente trabalho visa realizar uma analise cinesiológica do ciclista em seu esporte. A metodologia utilizada foi pesquisa bibliográfica e de campo. Este trabalho demonstra que apesar dos membros inferiores serem muito recrutados, eles necessitam da estabilização do corpo, através do tronco e membros superiores, para conseguir pedalar. Concluímos que o corpo inteiro do ciclista esta centrado no objetivo principal de prover potência máxima aos pedais e que através da identificação dos músculos e do limite de estresse suportado pelas articulações, podemos fazer um treinamento adequado e prevenir lesões. Palavras-chave: Análise Cinesiológica, Esporte, Ciclismo. ABSTRACT: The kinesiology is of utmost importance to physical education and sports. This study aims to perform a kinesiological analysis of the cyclist in his sport. The methodology was bibliographical and field research. This paper demonstrates that despite the lower limbs are much recruited, they need to stabilize the body, through the trunk and upper limbs, to get pedaling. We conclude that the whole body of the rider is centered on the main goal of providing maximum power to the pedals and through the identification of muscles and limit stress supported by articulations we can make a proper training and prevent injuries. Keywords: Analysis Kinesiologic, Sports, Cycling. INTRODUÇÃO: [...] A vida sobre duas rodas transformou por completo o cotidiano do homem. Ao unir duas delas e ligá-las por uma espécie de trave, montando uma engenhoca capaz de transportá-lo de um ponto a outro, o homem revolucionou por completo sua rotina de lazer e de trabalho e trouxe à cena um equipamento de linhas simples que, hoje em dia, além de ser utilizado para os mais variados fins, é, sem qualquer sombra de dúvida, um dos mais populares veículos de transporte do planeta. Estima-se que em todo o mundo, mais de um bilhão de bicicletas estejam atualmente em circulação. (VIEIRA, 2007; FREITAS, 2007). [...] Se, de um lado, há quem use o veículo para o lazer ou faça da bicicleta uma companheira fiel de trabalho, de outro, existem alguns poucos, porém bem mais ousados, que optam pela dedicação integral a ela e, por extensão, ao ciclismo. (VIEIRA, 2007; FREITAS, 2007). [...] O ciclismo é um esporte bem mais complexo do que parece à primeira vista. Tem uma ampla e emocionante agenda para os Jogos Olímpicos e os Pan-americanos, admite a 139

140 participação de atletas do sexo feminino e masculino e está dividido em quatro eventos ou especialidades: estrada, mountain bike, BMX (ou bicicross) e pista. (VIEIRA, 2007; FREITAS, 2007). O ciclismo é uma atividade na qual se usa o corpo todo. Cada parte do corpo desempenha papel vital na distribuição de força aos pedais, no controle da bicicleta e na prevenção de lesões. (SOVNDAL, 2010). A Cinesiologia é uma área de estudo que tem como objetivo compreender os fundamentos do movimento humano, a partir da criteriosa análise de suas estruturas anatômicas, especialmente, dos ossos e músculos esqueléticos. É através da cinesiologia que estabelecemos os limites aceitáveis de estresse que as estruturas locomotoras do corpo humano são capazes de suportar. Isto assume especial importância na prescrição do exercício físico para as diferentes populações, tanto para a melhoria das capacidades físicas, quanto para a elucidação dos mecanismos que acarretam lesões no sistema muscular e esquelético humano. (OLIVEIRA, AL. et al., 2011). No mundo do esporte, a Cinesiologia também é fundamental; uma boa técnica na execução de um gesto locomotor em qualquer esporte, nada mais é do que o movimento realizado com habilidade, ou seja, com economia de energia e no menor tempo possível. (OLIVEIRA, AL. et al., 2011). O raciocinar de forma cinesiológica é a forma mais produtiva de se entender um movimento executado pelo corpo humano. Essa forma de raciocínio permite aos profissionais de educação física buscarem maneiras e formas de otimizar, potencializar ou ainda, simplesmente, corrigir os movimentos de seus alunos. (OLIVEIRA, AL. et al., 2011). Com a análise cinesiológica podemos melhorar o desempenho no ciclismo, através da observação da postura correta e evitando também lesões. METODOLOGIA: Para esse trabalho foi utilizado a pesquisa bibliográfica e de campo. Na pesquisa de campo foi avaliado um individuo de 38 anos que utiliza a bicicleta para o lazer e para ir ao trabalho. O individuo foi fotografado nos planos frontal e sagital, pedalando a uma distancia que variava entre três e seis metros em um espaço publico da cidade de Santa Bárbara Doeste em maio de Após fotografa-lo, as fotos foram selecionadas para se fazer a análise do esporte. Foram utilizadas para fotografar uma câmera Sony Cyber-shot DSC-W570 e um celular Samsung Galaxy Grand Duos GT-19082L. O quadro da bicicleta utilizada é da marca Schiwnn, o selim MTB, os aros e guidão são da marca Shimano. RESULTADOS E DISCUSSÃO: [...] Há cinco pontos de contato com a bicicleta (membros inferiores, glúteos e membros superiores). Além disso, a maioria dos grandes grupos musculares são envolvidos durante o movimento no ciclismo. (SOVNDAL, 2010). [...] Considerando-se que os pedais de uma bicicleta estendem-se em sentidos opostos a 180, um dos membros inferiores do ciclista estará estendido enquanto o outro estará flexionado. Isso permite que os músculos flexores de um membro trabalhem ao mesmo 140

141 tempo em que os extensores do outro se contraem. Em cada volta rítmica dos pedais, os membros inferiores completarão o ciclo utilizando todos os grupos musculares. (SOVNDAL, 2010). [...] Quando se pedala o tornozelo permite que o pé se desloque suavemente até que o joelho flexionado fique estendido. Da mesma forma que os flexores e extensores da coxa se alternam durante o ciclo da pedalada, os músculos da perna contribuirão à curva de força durante a maior parte da pedalada. Os músculos da perna também ajudam a estabilizar o tornozelo e o pé. (SOVNDAL, 2010). Na prática adequada, o joelho deve estar levemente flexionado, quando a perna estiver na posição de 6 horas. Isso permite um alongamento ideal dos músculos isquiotibiais e prepara para o torque máximo durante o movimento do pedal para cima. Ao mesmo tempo o pedal oposto esta na posição de 12 horas, determinando que a coxa fique quase paralela ao solo. Isso otimiza o glúteo máximo para a produção máxima de força durante o movimento para baixo e o quadríceps para forte impulsão quando seu pé ultrapassa o ponto mais alto da pedalada. (SOVNDAL, 2010). Figura 1 Extensão do quadril e Flexão do joelho Fonte: Arquivo pessoal, 2014 Os músculos responsáveis pela extensão do quadril são: Glúteo Maximo, Glúteo Médio fibras posteriores, Semitendinoso, Semimembranoso, Bíceps Femoral, Adutor Magno. (FLOYD, 2011). Os músculos responsáveis pela flexão do joelho são: Sartório, Bíceps Femoral, Semitendinoso, Semimembranoso, Gastrocnêmio e Poplíteo. (FLOYD, 2011). 141

142 Figura 2 Flexão do membro inferior Fonte: Arquivo pessoal, 2014 Os músculos responsáveis pela flexão do quadril são: Ilíaco, Psoas Maior e Menor, Reto femoral, Sartório, Pectíneo, Glúteo Médio fibras anteriores, Adutor Curto, Adutor Longo, Grácil, Glúteo Mínimo e Tensor da Fáscia Lata. (FLOYD, 2011). Os músculos responsáveis pela flexão do joelho são: Sartório, Bíceps Femoral, Semitendinoso, Semimembranoso, Gastrocnêmio e Poplíteo. (FLOYD, 2011). Nos movimentos de extensão, os agonistas são os extensores e os antagonistas os flexores. Já nos movimentos de flexão, os agonistas são os flexores e os antagonistas os extensores. Figura 3 Adução e Abdução do membro inferior Fonte: Arquivo pessoal, 2014 Na adução do quadril direito os músculos responsáveis são: Pectíneo, Adutor Curto, Adutor Longo, Adutor Magno, Grácil e Glúteo Máximo fibras inferiores. (FLOYD, 2011). Na abdução do quadril esquerdo os músculos responsáveis são: Glúteo Máximo fibras superiores, Glúteo Médio, Glúteo Mínimo e Tensor da Fáscia Lata. (FLOYD, 2011).No movimento de adução, os agonistas são os adutores e os antagonistas os abdutores. Já 142

143 nos movimentos de abdução, os agonistas são os abdutores e os antagonistas os adutores. Figura 4 Dorsiflexão e Flexão plantar Fonte: Arquivo pessoal, 2014 Os músculos responsáveis pela flexão plantar do tornozelo esquerdo são: Gastrocnêmio, Sóleo, Tibial Posterior, Flexor Longo dos Dedos, Flexor Longo do Hálux, Fibular Longo e Fibular Curto. (FLOYD, 2011). Os músculos responsáveis pela dorsiflexão do tornozelo direito são: Fibular Terceiro, Extensor Longo dos Dedos, Extensor Longo do Hálux e Tibial anterior. (FLOYD, 2011). No movimento de flexão plantar, os agonistas são os flexores plantares e os antagonistas os dorsiflexores. Já nos movimentos de dorsiflexão, os agonistas são os dorsiflexores e os antagonistas os flexores plantares. Figura 5 Dorso Fonte: Arquivo pessoal, 2014 [...] Em decorrência da posição recurvada básica do ciclista na bicicleta, um dorso forte e saudável é fundamental para seu desempenho e aproveitamento. Os músculos eretores 143

144 da espinha, latíssimo do dorso e trapézio sustentam a coluna vertebral quando o ciclista flexiona o tronco. Ao segurar na empunhadura do guidão, esses músculos ajudam a manter o dorso plano, proporcionando melhores efeitos aerodinâmicos. Essa posição também estressa o pescoço. O esplênio e o trapézio ajudam a manter os olhos na pista ao estender o pescoço. (SOVNDAL, 2010). Os músculos do abdome (reto, transverso, oblíquos internos e externos) proporcionam sustentação anterior e lateral do tronco, contrapondo-se aos músculos bem desenvolvidos do dorso. (SOVNDAL, 2010). Figura 6 Membro superior e Tórax Fonte: Arquivo pessoal, 2014 Os movimentos dos membros superiores durante a pedalada são: Flexão do ombro (Deltoide anterior, Peitoral Maior fibras superiores e Coracobraquial). (FLOYD, 2011). Abdução do ombro (Deltoide, Supraespinal, Infraespinal e Redondo Menor). (FLOYD, 2011). Rotação medial do ombro (Deltoide anterior, Peitoral Maior, Grande Dorsal, Subescapular e Redondo Maior). (FLOYD, 2011). Extensão do cotovelo (Tríceps Braquial e Ancôneo). (FLOYD, 2011). Pronação do cotovelo (Braquiorradial, Pronador Redondo e Pronador Quadrado). (FLOYD, 2011). Extensão do punho (Extensor Ulnar do Carpo, Extensor Radial Curto do Carpo, Extensor Radial Longo do Carpo, Extensor dos Dedos e Extensor Longo do Polegar). (FLOYD, 2011). Flexão dos dedos (Flexor Superficial dos Dedos, Flexor Profundo dos Dedos e Flexor Longo do Polegar). (FLOYD, 2011). O membro superior - assim como o membro inferior está em cadeia cinética fechada durante a pedalada. 144

145 [...] Os membros superiores proporcionam dois dos cinco pontos de contato com a bicicleta. Eles não apenas contribuem significativamente para a condução da bicicleta, mas também servem como base e plataforma para estabilizar o corpo enquanto se pedala. (SOVNDAL, 2010). [...] Os membros superiores entram em contato com a bicicleta para controle e transferência de força. Quando se pedala, os flexores e extensores no membro superior alternam entre contração e relaxamento. Os músculos bíceps braquial, tríceps braquial e do antebraço trabalham em uníssono para estabilizar o tronco por meio da articulação do ombro. O ombro está sob constante pressão em decorrência da posição sobre a bicicleta. Vários grupos de músculos incluindo os rombóides, os músculos do manguito rotador e o deltoide ajudam a manter a estabilidade e a posição adequadas. (SOVNDAL, 2010). [...] Os músculos do tórax sustentam e equilibram a musculatura do dorso e dos ombros. Os peitorais maior e menor permitem que flexione o tronco na bicicleta e movimente o guidão de um lado para o outro. Cada vez que um ciclista inicia uma subida ou um sprint, os músculos do tórax são muito exigidos. O movimento potente de extensão do membro inferior força a bicicleta a balançar para os lados. Esse movimento é contraposto pela estabilização da bicicleta na altura do guidão. Sem uma base sólida, grande parte da potência transferida à bicicleta seria perdida. (SOVNDAL, 2010). CONCLUSÃO: Concluímos que a análise cinesiológica é de extrema importância, para a identificação dos músculos e movimentos utilizados no ciclismo, e através dela podemos estabelecer limites aceitáveis de estresse que o corpo humano é capaz de suportar, proporcionando com isso um melhor ajuste nos treinos, prevenindo lesões e uma vida longa na pratica esportiva do ciclismo. E ainda consideramos ser relevantes e necessárias mais pesquisas e estudos sobre o ciclismo, pois o mesmo é um esporte com um número crescente de praticantes e através de estudos poderemos proporcionar, cada vez mais, uma prática adequada e saudável do esporte. REFERENCIAS FLOYD, R.T. Manual de cinesiologia estrutural. Barueri, SP: Manole, OLIVEIRA, A. L. et al. Cinesiologia. Ponta Grossa, PR: UEPG, p Disponível em:< Acesso em: 17 fev SOVNDAL, Shannon. Anatomia do ciclismo. Barueri, SP: Manole, pags. 3-5, 11 e 56. VIEIRA, Silvia; FREITAS, Armando. O que é ciclismo. Rio de Janeiro: Casa da Palavra: COB, pgs. 9 e

146 HÁBITOS ALIMENTARES DE PRÉ-ADOLESCENTES EM PERÍODO ESCOLAR ESTEVÃO, A.L.M ¹,ZANETTI, M.C. ¹ ² ¹ UNIP SÃO JOSÉ DO RIO PARDO SP BRASIL ¹ ² Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte (LEPESPE/UNESP Rio Claro) Resumo Como se vem observando, desde quando surgiu a industrialização, está cada vez mais constante o consumo de produtos industrializados na vida das pessoas, principalmente entre pré-adolescentes. (OMS, 2005). Atualmente muitos desses indivíduos deixam de consumir alimentos saudáveis tais como frutas, verduras e legumes que trazem benefícios para sua saúde e bem estar, para consumir alimentos que proporcionam malefícios, tais como os ricos em sódio, gorduras, açúcares. Esses alimentos podem causar sérios problemas de saúde, muitas vezes, precocemente. Nesse sentido, a presente pesquisa foi realizada com 48 pré-adolescentes em período escolar com idades entre 9 e 13 anos do 6º ano de uma escola pública municipal de Tapiratiba-SP, e teve a finalidade de verificar os hábitos alimentares desses indivíduos. Os resultados apontaram para que se não houver uma intervenção a fim de melhorar tal consumo, os mesmos podem vir a sofre graves consequencias no futuro, proporcionadas por tal postura alimentar. Palavra chave: Hábitos alimentares, saúde, pré-adolescentes Abstract As has been observed, since when industrialization emerged, is increasingly constant consumption of manufactured goods in people's lives, especially among pre-adolescents. (WHO, 2005). Currently many of these individuals fail to consume healthy foods such as fruits and vegetables that benefit their health and well being, to consume foods that provide harm, such as those high in sodium, fat, and sugars. These foods can cause serious health problems, often prematurely. In this direction, this research was conducted with 48 pre-school in teens aged 9 to 13 years of the 6th year in a public school of Tapiratiba-SP, and aimed to verify the eating habits of these individuals. The results showed that there is no intervention to improve such consumption, they may come to suffer serious consequences in the future, provided by such food stance. Key Word: Eating habits, health, pre-adolescents INTRODUÇÃO A obesidade é atualmente avaliada como um problema de saúde pública mundial, sobretudo nos países industrializados. Segundo Oliveira et al. (2012), Monteiro et al. (2000) e Andrade et al. (2003) cada vez mais vem sendo desenvolvidas pesquisas para apontar problemas relacionados ao sobrepeso, entre eles: se é ou não uma enfermidade, 146

147 quais são os prováveis agentes, o que causa seu desenvolvimento, como preveni-la, qual sua abrangência, como classificá-la e o que teria causado (PALMA; AMARAL, 2001). Distúrbios alimentares como o não consumo de frutas, legumes, falta de refeições, diminuição ou não no consumo de leite e derivados, alta ingestão de alimentos industrializados, não estão apenas associados à obesidade, mas também ao desencadeamento de doenças cardiovasculares, diabetes, alteração dos níveis de colesterol, desânimo, cansaço, entre outras. Associado a estes hábitos está o estímulo da publicidade, que cada vez mais toma conta do cotidiano, o que demonstra a necessidade de um trabalho de educação alimentar envolvendo o núcleo familiar, os órgãos governamentais e uma nova maneira de comunicação (MONTEIRO et al., 2000) A alimentação do escolar tem a necessidade de conter energia adequada para proporcionar um excelente crescimento e desenvolvimento, pois é nessa fase que está o desenvolvimento dos ossos, dentes, músculos e sangue (OLIVEIRA, 2012). Os hábitos alimentares também parecem determinados nos anos iniciais e levados até a vida adulta, por isso estimular o escolar a consumir frutas, verduras e legumes é prepará-lo para um futuro saudável, pois a baixa ingestão de alimentos que trazem benefícios está entre os principais fatores que causam o aumento total de doenças em todo o mundo (SONATI, 2009). A necessidade de uma educação alimentar adequada está relacionada a gordura consumida que é transformada em energia, proporcionando a realização de todas as atividades. Quando consumida em excesso fica estocada nos tecidos, causando aumento da massa corporal. Quando consumida em quantidades adequadas traz benefícios a todo o corpo, sendo assim reduzir a ingestão de alimentos gordurosos pode ajudar a melhorar a qualidade de vida desses indivíduos (SONATI, 2009). Mas, há que se clarificar que, educação alimentar não deve ser apenas relacionada ao consumo de gordura, mas também ao consumo de açucares, que vem crescendo desde o inicio do cultivo no período do império. Consequentemente houve avanço de doenças causadas pelo açúcar, entre elas cárie dentária, obesidade e o diabetes. Porém, o açúcar apresenta caloria vazia, ou seja não proporciona valor nutricional significante (SONATI, 2009). Todas as doenças que trazem alterações metabólicas, como por exemplo: diabetes, hipertensão e aumento dos níveis de colesterol e triglicérides podem comprometer a qualidade de vida das pessoas. Por isso, a melhor opção é o consumo moderado para que haja a prevenção dessas doenças e não se instale no organismo e prejudique a qualidade de vida (SONATI, 2009). Outro componente prejudicial é o sódio, mineral muito encontrado nos alimentos industrializados com finalidade de destacar o sabor e preservá-los. Porém, o consumo excessivo contribui para aumentar os níveis de pressão arterial, excreção urinária de cálcio podendo ser um fator para o desenvolvimento de osteoporose (SONATI, 2009). OBJETIVO O objetivo principal da pesquisa foi verificar o padrão alimentar de préadolescentes em período escolar. 147

148 JUSTIFICATIVA O aumento do consumo de alimentos que não trazem benefícios e o baixo consumo de frutas, verduras e legumes entre os pré-adolescentes está cada vez mais preocupante, por isso há a necessidade mais frequente de estudar suas respectivas alimentações, a fim de subsidiar a implementação de políticas públicas nesse sentido. POCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Foi aplicado um questionário de acordo com estudos de Triches et al. (2005), em um grupo de pré-adolescentes de 6 ano, onde além das perguntas sobre a alimentação, interrogava-se os dados pessoais, como idade e sexo para melhor desenvolvimento e precisão da pesquisa. O instrumento foi aplicado em duas salas de aula, no qual, foram entrevistados 48 alunos (21 meninas e 27 meninos). Em relação à idade 4 alunos tinham 9 anos, 26 alunos 10 anos, 14 alunos 11 anos, 2 alunos 12 anos e 2 alunos com 13 anos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Segundo Jenoves et al (2003), o sedentarismo vem tomando destaque nos últimos tempos sendo fator principal no desencadeamento de doenças cardiovasculares na idade adulta, consequentemente a obesidade, que atinge não só os adultos, mas também grande parte das crianças em todos os padrões socioeconômicos, tornando-se um problema de saúde pública por trazer fatores negativos para sociedade. A pesquisa apresentou que 90% relatou praticar atividade física e 10% não praticar. Com relação ao tempo que ficam perante os meios de comunicação 12,5% disseram que não têm acesso, 48% fica menos de uma hora, 25% de duas a quatro horas e 14,5% relatou ficar mais de quatro horas. Em relação ao consumo de café da manha dos entrevistados, 85% relataram tomar café da manhã e 15% disse que não toma. Monteiro et al, (1996) acredita que o consumo exagerado de gordura contribui para o desenvolvimento de câncer de pulmão, boca, faringe, esôfago, estômago entre outros. Enquanto dietas ricas em fibras, vitaminas e minerais protegem os indivíduos de várias doenças principalmente câncer. Entretanto o consumo de legumes entre os préadolescentes entrevistados, 40% disseram que consome todos os dias, 37% consomem de vez em quando, 21% não gostam e 2% não tem condições de adquirir. Para este mesmo autor, dietas com teor de carboidratos moderado são consideradas benéficos para evitar a obesidade, vários tipos de câncer e do diabetes mellitus. O consumo de carboidrato entre os entrevistados é de: 88% disseram que consome todos os dias, 12% disse que consome de vez em quando, e nenhum disse que não gosta ou não tem condições de adquirir. De acordo com Triches et al. (2005), a obesidade não está relacionada somente a alta ingestão de alimentos, mas também à composição e qualidade desses alimentos, que contribuem para agravar esse problema, ocasionando uma possível mudança nos hábitos 148

149 alimentares. Essas mudanças de padrões alimentares é o principal contribuinte para o aumento da adiposidade nas crianças, causando baixo consumo de alimentos saudáveis que são substituídos por alimentos industrializados que não trazem benefícios, entre esse o mais consumido é o refrigerante. Dos entrevistados 37% disseram que consomem refrigerante todos os dias, 63% de vez em quando, nenhum disse que não gosta ou não tem condições de adquirir. Porém, para Monteiro et al. (1996) a redução de consumo de alimentos naturais parece ser uma tendência em todo o país, principalmente o consumo de frutas, consequentemente o crescente número de alimentos ricos em açúcar, entre eles os refrigerantes, são os fatores negativos da evolução do padrão alimentar observada e podendo levar a graves consequências. Nesse sentido, os entrevistados disseram a respeito da ingestão de bebidas naturais que 40% consome todos os dias, 54% de vez em quando, 6% não gostam e nenhum disse que não tem condições de adquirir. De acordo com Triches et al. (2005) a quantidade de alimentos ingeridos está relacionada à obesidade, porém a qualidade e composição atualmente também associase como um dos fatores, entre esses tipos de alimentos se destacam biscoitos recheados, salgadinhos, doces e refrigerantes. A ingestão de doce entre as crianças e préadolescentes é constante, 33% dos entrevistados disseram que consome todos os dias, 65% consome de vez em quando, nenhum disse que não gosta, e 2% não tem condições de adquirir. Para esse mesmo autor, a falta do café da manhã e o baixo consumo de leite estão associados à obesidade. Também a troca de bebidas naturais, como leite e sucos naturais por refrigerantes são apontados como responsáveis por tal situação. Com relação ao consumo de leite: 71% disseram que consome todos os dias, 25% consomem de vez em quando, 4% não gostam e não tem condições de adquirir. Já, em relação aos derivados do leite, a pesquisa apontou que 34% disseram que consome todos os dias, 58% consomem de vez em quando, 8% não gostam e nenhum disse que não tem condições de adquirir. Segundo Jaime et al. (2007) o baixo consumo de frutas e hortaliças aumenta a proporção para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, cardiovasculares e alguns tipos de câncer e está associado entre os 10 fatores de riscos que mais ocasionam mortes e doenças em todo o mundo. Estima-se que a ingestão de frutas e hortaliças no Brasil equivale a menos da metade das indicações nutricionais, sendo ainda mais encontrada entre as famílias de baixa renda. Na presente pesquisa 61% disseram que consome frutas todos os dias, 35% consomem de vez em quando, 4% não gostam e nenhum disse que não tem condições de adquirir. Para Ortigoza (1997) o fast food está alcançando um vasto mercado, já que seu principal alvo parece ser atender à nova necessidade do mundo atual: a rapidez, ganhando espaço cada dia mais. Com esse foco de velocidade acaba fazendo com que haja uma substituição de produtos, tendo que optar por produtos que fazem mal à saúde, principalmente o sal para melhor conservação. A pesquisa apresentou que 15% consomem fast food todos os dias, 77% consomem de vez em quando, 8% não gostam e nenhum disse que não tem condições de adquirir. O consumo de frituras nos apontou que 27% consomem todos os dias, 63% consomem de vez em quando, 6% não gostam e nenhum disse que não tem condições de adquirir. 149

150 CONCLUSÃO Pelos resultados acreditamos que boa parte desses pré-adolescentes possa estar em uma zona de risco, pois o consumo de alimentos que trazem benefícios à saúde parece baixo, já que a preferência por alimentos industrializados e que trazem complicações a saúde, como hipertensão, diabetes, entre tantas outras doenças parece cada vez mais presente nos lares desses indivíduos. Esses pré-adolescentes, futuros adultos de nossa sociedade, estão precisando urgentemente de atenção, necessitando de programas de ensino com base na alimentação saudável e seus benefícios, já que, um dos problemas enfrentados parece ser a baixa escolaridade dos pais, influindo diretamente na alimentação familiar, principalmente na vida dos filhos. Nesse sentido uma educação alimentar envolvendo a família também parece bastante interessante. Outro fator que deve ser levado em consideração são os alimentos ricos em sódio, como os embutidos que geralmente são mais baratos e práticos de preparar, o que os leva a serem consumidos diariamente pelas famílias, principalmente de baixa renda. Podemos ter como exemplo quando o pré-adolescente aponta que não tem condições de adquirir legumes, mas há o consumo diário de refrigerante, frituras, doces, entre outros alimentos ricos em sódio e gorduras. Como proposta de pesquisas futuras apontamos a necessidade de se investigar os familiares desses pré-adolescentes quanto aos hábitos alimentares e de aquisição de produtos do gênero, bem como, estratégias intervencionais e educacionais a fim de reduzir os problemas gerados pela má alimentação e suas possíveis consequencias, seja no viés biológico e/ou de saúde pública. REFERÊNCIAS ANDRADE,R.G; PEREIRA,R.A; SICHIERI, R. Consumo alimentar de adolescentes com e sem sobrepeso do município do Rio de Janeiro. Cad. Saúde publica, Rio de Janeiro, v. 19, n. 5, p set/ out AMARAL, A.P.A; PIMENTA, A.P. Perfil epidemiológico da obesidade em crianças: relação entre televisão, atividade física e obesidade. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Brasília. v 9. n 4. p Out COSTA, R.B.L; SICHIERI,R; PONTES, N.S; MONTEIRO, C.A. Disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil: distribuição e evolução ( ). Revista Saúde Publica. v. 39, n. 4, p São Paulo FIGUEIREDO, I.C.R; JAIME, P.C; MONTEIRO, C.A. Fatores associados ao consumo de frutas, legumes e verduras em adultos da cidade de São Paulo. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 42, n. 5, p , out

151 GUEDES, D.P; ALMEIDA, F.J; NETO, J.T.M; MAIA, M.F.M; TOLENTINO, T.M. Baixo peso corporal/magreza, sobrepeso e obesidade de crianças e adolescentes de uma região brasileira de baixo desenvolvimento econômico. Revista Paulista de pediatria, São Paulo. v31.n4. Dez/2003 JAIME, P.C; MACHADO, F.M.S; WESTPHAL, M.F; MONTEIRO, C.A. Educação nutricional e consumo de frutas e hortaliças : ensaio comunitário controlado. Resvista saúde pública. São Paulo. P.1-4 set 2006 JENOVESI,J.F; BRACCO, M.M; COLUGNATI, F.A.B; TADDEI, J.A.A.C. Perfil de atividade física em escolares da rede pública de diferentes estados nutricionais. Revista brasileira de Ciência. e Mov, Brasílial. v. 11 n. 4. p out./dez LOBO, C. Comida de criança: Ajude seu filho a se alimentar bem sempre. São Paulo. Editora MG,2010. p MAHAN, L.K. Alimentos, nutrição & dietoterapia. Ed. Roca. 11 ed., p MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Alimentar para a População Brasileira: promovendo a alimentação saudável. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação- Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Brasília (Série A. Normas e Manuais Técnicos). MOLINA, M.C.B. CUNHA, R.S.C; HERKENHOFF, L.F; MILL, J.G. Hipertensão arterial e consumo de sal em população urbana. Revista de Saúde Pública. São Paulo, v. 37, n. 6, p MONTEIRO, C.A. Mudanças na composição e adequação nutricional da dieta familiar nas áreas metropolitanas do Brasil. Revista de saúde pública, São Paulo.v 34.p Jun ORTIGOZA,S.A.G. O fast food e a mundialização do gosto. Cadernos de debate. UNICAMP. v5.p RINALDI, A.E.M; PEREIRA, A.F; MACEDO, C.S; MOTA, J.F; BURINI, R.C. Contribuições das práticas alimentares e inatividade física para o excesso de peso infantil. Revista Paulista de pediatria,são Paulo,v.26, n.3, p Set/2008. SONATI,J.G. A alimentação e a saúde do escolar. Ed.IPES. Campinas; 1 edição; pág Jul.2009 TRICHES, R.M; GIUGLIANI, E.R.J; Obesidade, práticas alimentares e conhecimentos de nutrição em escolares. Saúde pública. Rio Grande do Sul. v 4. p Mar TADDEI, J.A.A.C. Jornadas científicas do Nisan: Núcleo interdepartamental de Segurança Alimentar e Nutricional. São Paulo: Editora Manole, 2006/2007. p

152 O MACULELÊ NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: UMA REFLEXÃO DA LEI /03 SCHILDBERG, L.M.T.C. 1; PIMENTA, T.A.M. 2; 1- ESC Cruzeiro SãoPaulo Brasil 2- Centro Universitário Módulo Caraguatatuba São Paulo Brasil RESUMO Introdução: Com a implementação no Brasil da lei que constitui a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-brasileira no ambiente escolar, abrindo possibilidades deensino e aprendizado voltadas as temáticas da cultura afro-brasileira nas escolas de educação básica. Objetivo: Refletir sobre as possibilidades do maculelê como viés de produção de expressão corporal no contexto escolar e discutir a lei /2003. Metodologia: Constitui-se de uma Análise Documental da lei /2003 (BRASIL, 2008) que introduziu o estudo de temas relacionados a história e cultura afro-brasileira na educação básica. Resultados:Por meio do maculelê emerge então caminhos de resgate da memória e história da cultura afro-brasileira e consequentemente o enriquecimento das aulas de educação física.conclusão: Pode-se com o artigo arquitetar uma estrutura discursiva em torno de reflexões de temas como valorização da cultura afro-brasileira, prejuízos simbólicos e estruturais do racismo e suas consequências na formação da identidade afro-brasileira, por meio do maculelê. Palavras-chave: Cultura. Políticas Públicas. Educação Física Escolar. ABSTRACT Introduction: With the implementation of Federal Law nr in Brazil, the subject "Afro-Brazilian History and Culture was compulsorily introduced in educational environment, opening up possibilities for teaching and learning the issues facing the african-brazilian culture in elementary schools. Objective: Reflect on the possibilities of maculelê dancing as production of bodily expression bias in the school context and discuss the Federal Law /2003. Methodology: It consists of a Document Analysis of Federal Law /2003 (BRASIL, 2008) which introduced the study of topics related to history and African-Brazilian culture in basic education. Results: An innovative way to rescue the memory and history of African-Brazilian culture and consequently enrich the physical education classes is emerged through maculelê dancing. Conclusion: This article offers the possibility to architecture a discursive structure of themes for reflections by valuing African-Brazilian culture, symbolic and structural damage caused by racism and its consequences in the formation of African-Brazilian identity, through maculelê dancing. 152

153 Keywords:Culture. PublicsPolitics. SchoolPhysicalEducation. INTRODUÇÃO Derivando-se da cultura afro-brasileira, o maculelê possui suaslinguagens e formas de expressão artística, por meio dos seus códigos e símbolos contextualiza as lutas dos negros africanosque foram escravizados. O maculele constitui-se de uma dança, caracterizada pela marcação do ritmo por um par de bastões (grimas)que ao mesmo tempo produz um som vibrante. Com a implementação no Brasil da lei que constitui a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-brasileirano ambiente escolare odia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra. Alterou-se alei de Diretrizes e Bases (Lei 9.394/1996) eoportunizou-se uma nova ressignificação do ensino e aprendizado da história ememória da cultura afro-brasileira nas escolas de educação básica. Desta forma, o maculelê surge como possibilidade de manifestar a expressão da cultura corporal e consequentemente enriquecer as aulas de educação física. Sendo entendidocomo uma abordagem inovadora, possibilitando a reflexão das contribuições da cultura afro-brasileira na construção do Brasil, desta forma, as questões são abordadas como riquezas e não como subterfúgios para justificar desigualdades. Deste modo, ressalta-se alguns questionamentos acerca do maculelêcomo estratégia pedagógica inserido no contexto da educação física escolar,salientando que o objeto de estudo em questão são as manifestações da cultura via movimento pelo corpo. Como fundamentar a prática do maculelêde forma pedagógica, de maneira a suprir os objetivos da disciplina? E, por fim, como aplicar elementos práticos e conceituais da cultura afrobrasileira no contexto escolar? Desta feita, tais questões permeiam o presente artigo. OBJETIVO Este estudo tem por objetivo suscitar a reflexão do maculelê como viés de produção de expressão corporal no contexto da educação física no ambiente escolar e discutir a lei /2003. METODOLOGIA A presente pesquisa, constitui-se de uma Análise Documental da lei /2003 (BRASIL, 2008) que introduziu o estudo de temas relacionados a história e cultura afrobrasileira na educação básica brasileira. O presente estudo inicia-se a partir de observações ocorridas no período de execução de um Projeto Pedagógico realizado pela primeira autora em e das discussões informais entre os autores. 1 Desta forma, a primeira autora do presente estudo realizou em meados dos meses de junho e julho de 2013 um projeto pedagógico abordando o maculelê com seus alunos em uma escola pública do município onde atua como professora de educação física, assim, emergiu neste dado uma forte inquietação com a questão relacionada a temática em questão. 153

154 Neste dado momento, observou-se os poucos Projetos Pedagógicos(que abordem temas relacionados a cultura afro-brasileira), estudos e pesquisas relacionadas, especialmente com referência a temática do maculelê, objeto do presente estudo. RESULTADOS E DISCUSSÕES MACULELÊ Segundo relatou a historiadora Zilda Paim, no documentário A Verdadeira História de Maculelê 2, Maculelê vem da junção das palavras macuaslelê que significava esperar os inimigos com um pedaço de pau (lelê). Assim, neste mesmo sentido mas de forma mais didática Falcão apud. Pires (2009, p. 36) explicou que [...] maculelê vêm da aglutinação de duas palavras: macua (tribo nagô da África Ocidental) e lelê (pau, porrete, cacete, na língua dos malês). Os malés eram inimigos dos macuas. Daí o sugestivo trocadilho: lelê nos macuas, ou seja: pau nos macuas [...]. Foram propagadas diversas lendas, em sua generalidade, remete-se o maculelê a um guerreiro solitário que defendeu sua tribo lutando com dois pedaços de pau. Como ressaltada na canção Boa Noite 3 : boa noite pra quem é de boa noite. Bom dia pra quem é de bom dia. A bênção meu papai a bênção. Maculelê é o rei da valentia. Segundo Falcão (2009) as lendas propagadas, são lembranças pessoais transmitidas de geração a geração, relacionadas a aspectos que abrangem memória e resgate da identidade de uma denominada cultura, contudo, prevalece a dificuldade e o entrave de identificar a real origem do maculelê enquanto expressão da cultura afro-brasileira. Entretanto, o próprio autor (idem, p. 33) descreve o caminho do maculelê contemporâneo de Santo Amaro da Purificação via Mestre Popô: o principal representante do maculelê no Brasil foi, sem dúvida, Paulinho Aluísio de Andrade, conhecido como Popó do Maculelê. Ele é considerado o pai do Maculelê no Brasil e contribuiu para que Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, se tornasse o centro desta celebração profana, com seu auge no dia 2 de fevereiro, dia da padroeira da cidade: Nossa Senhora da Purificação. Desde 1943, Mestre Popó reunia seus parentes e amigos para ensinar este fascinante brinquedo (como ele denominava o maculelê), na tentativa de reincorporá-lo aos festejos religiosos de Santo Amaro. Mestre Popó aprendeu o maculelê com o Pai de Santo conhecido como Barão, que por sua vez tinha aprendido com seu pai, João Obá, que aprendera com Ti-Ajô, um escravo da Fazenda Partido, de Santo Amaro. [...], o escravo Ti-Ajô é a primeira referência na tradição oral desta manifestação. 2 Documentário A Verdadeira História do Maculelê. Produzido pelo Ministério da cultura, através da Secretaria do audiovisual. Direção e roteiro: Almir Nascimento, direção de produção: Pedro Urizzi. 15 minutos. 3 Disponível em: <http://www.letras.com.br/#!capoeira/boa-noite-(maculele)>. Acesso em: 19/09/

155 Determinados cânticos do maculelê 4 homenageiam Zumbi dos Palmares, um dos mais significativos líderes dos negros no período da escravidão, os mesmos retratam, sobretudo, as lutase valores que simbolizamo período em questão. Como citado na música Maculelê 5 : Sou eu, Sou eu. Sou eu maculelê sou eu. Sou eu, Sou eu. Sou eu maculelê sou eu. [...]. E nós viemos das Alagoas. Somos filhos da mata Real. Viva Zumbi nosso Rei negro. No caminho do Canavial. Sou eu, Sou eu. Sou eu maculele sou eu. Você bebeu Juremavocê se embriagou da flor do mesmo pau. "vosmincê se a levantô". Corre pro mato que a batalha começou. É a guerra dos palmares. Vamos lutar meu sinhô. O ritual do maculelêafro-brasileira da sua origem africana, passando pelo seu desaparecimento e ao seu ressurgimento em Santo Amaro da Purificação, pelas mãos do Mestre Popô, ocorreu transformações. No entanto, vale ressaltar que sua manutenção e ressignificação no contexto atual dá-se de um esforço significativo dos grupos de praticantes de capoeira, contudo, há um alerta com relação a pouca contextualização histórica. Conforme destacou Falcão (2009, p. 37): [...] muitos grupos de capoeira têm dado suas contribuições em relação ao ritual do maculelê. Alerta-se, entretanto para a necessária manutenção de seus principais elementos, a fim de evitar que o mesmo se transforme em apenas um show exótico sem conteúdo histórico [...]. O maculelê possui sua identidade, introduzir este legado no ambiente escolar é uma forma de resgatar e assumir as suas influências, significados, razões e pertinência de sua essência o que fortalece o caráter da identidade proporcionada pela manifestação cultural em questão. De acordo com Vianna (2005, p. 11) o maculelê e [...] a dança é um registro de vida, de força e de expressão do estar no mundo[...]. Ao abordar-se a questão da identidade e memória Polak (1996) afirma a priori que a memória é singular e individual, entretanto, a mesma também pode ser entendida como um fenômeno social e construído coletivamente. Desta feita, observa-se a relação entre o maculelê e o caráter identitário que integra o seu contexto na qual a manifestação está inserida, auxiliando em suma na compreensão da memória da sociedade afro-brasileira, valorizando sobretudo, a diversidade e plularidade cultural existentes na cultura brasileira. Segundo Geertz (2008) cultura caracterização como o resultado do significado estabelecido socialmente, portando, há um esforço, embora seja de alguns grupos, de se buscar a valorização da cultura afro-brasileira, em especial o maculelê dentro do ambiente escolar. MACULELÊ E CONTEXTO ESCOLAR 4 Blog: Capoeira Exports das Senzalas para o Mundo. Maculelê origem e história da dança. Disponível em: <http://capoeiraexports.blogspot.com.br/2011/01/maculele-origem-e-historia.html>. Acesso em: 19/09/ Disponível em: <http://www.letras.com.br/#!carolina-soares/maculele>. Acesso em: 19/09/

156 A Lei n /2003 (BRASIL, 2008), alterou a Lei de Diretrizes e Bases (1996)desta forma, busca-se com a proposta introduzir a discussão de temas relacionados a história e cultura afro-brasileira na educação básica brasileira. Porém, [...] observa-se que os conselhos, as secretarias estaduais e municipais de educação e o próprio Ministério da Educação não vêm atuando de forma sistemática e integrada no sentido de divulgá-la e de criar as condições sistêmicas para a sua efetiva aplicação. [...] As informações disponíveis sobre a implementação das diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais revelam que, apesar da riqueza de muitas experiências desenvolvidas nos últimos anos, a maioria delas restringem-se à ação isolada de profissionais comprometidos(as) com os princípios da igualdade racial que desenvolvem a experiência a despeito da falta de apoio dos sistemas educacionais. A consequência são projetos descontínuos com pouca articulação com as políticas curriculares de formação de professores e de produção de materiais e livros didáticos sofrendo da falta de condições institucionais e de financiamento. (BRASIL, 2008, p. 13) É ímprobo captar a relação corpo-consciência (ou corpo-alma), muito clara em virtude do fato de considera-se o corpo como uma coisa exterior, dotada de leis próprias, ao passo que a consciência só pode ser percebida pela intuição íntima que lhe é particular. Portanto, o corpo não é uma resultante de leis definidas, e sim, um nó de relações viças que interagem e transcendem a si mesmas continuamente. Se o único meio de estar em contato com o mundo é ser no mundo, estar no mundo e viver o mundo, dizer que: [...] vim ao mundo e que tenho um corpo é a mesma coisa, pois tenho meu meio de relações com o mundo é esse corpo que existe. Se eu fosse consciência pura, apenas espírito, não poderia me relacionar com o mundo e as coisas: vagaria feito alma penada. (GALLO,2004, p. 65). Segundo Laban (1978), levando em conta que o movimento é imbuído de um caráter emocional, o dançarino traz à tona suas formas de silêncio. Assim, há uma possibilidade prática do maculelê no ambiente escolarincrementando as vivências relacionadas a dança com um som vibrante produzido pelo par de bastões, associando expressão corporal, educação e cultura por meio dos movimentos corporais. Espera-se, sobretudo, fundamentar e oportunizar aportes para aplicação das diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais nas escolas. Para tanto, observa-se a relevância de contextualizar o processo que levou à promulgação da Lei /2003, atual /2008 que inclui no currículo da rede oficial de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Conforme o artigo 26 da lei nº /2008: 4º O ensino da história do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação de um povo, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia. 156

157 Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. 1º O conteúdo programático que se refere esse artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos Africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. (CARNEIRO, 2007, p. 98). As contribuições provenientes da cultura afro-brasileira estão interligadas, sobremaneira, a sociedade brasileira. Segundo Santos (1998, p. 27), durante três séculos, os diversos grupos étnicos ou nações de diferentes partes da África Ocidental, Equatorial e Oriental foram imprimindo no Brasil profundas marcas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Temas relacionados a cultura afro-brasileira, são parcamente abordados por educadores e pesquisadores, que tendem a discutir e fundamentar suas pesquisas em diferenças étnicas e supostos prejuízos causados pela questão do preconceito, deixando de salientar a riqueza pedagógica, histórica e identitáriaoportunizadas pelas diversas possibilidades de atividades relacionadas ao gênero. Ao deparar-se com leis e suas abordagens a um sentimento de obrigação por parte dos docentes ao aplicá-las, sobretudo, que por uma coação e obediência. A aplicabilidade de vivências relacionadas a cultura afro-brasileira nãodevem ser baseadas em imposições ou coação, acredita-se no emprego que envolve a mesmade modo a apontar novas diretrizes e possibilidades. Ao inserir e aplicaro maculelê, no contexto escolar, abordou-se a dialética: memória e identidade, ambas indissociáveis e interligadas, para tanto, o educador exerce um papel imprescindível na fundamentação de conceitos relevantes, perfeitamente moldáveis e nutridos mutuamente, portanto, a relação dança e maculelê, permeou um viés extremamente relevante, pela riqueza cultural, resgate, a possibilidade de uma ação pedagógica rica e diferenciada. No contexto escolar ressaltou-se a necessidade de uma didática, objetivos diferenciados e específicos, enfatizando aspectospedagógicos, inclusivos e comunicativos. No entanto, têm-se demonstrado que não existem identidades fixas, atemporais. Aplicar vivências relacionadas ao maculelê no ambiente escolar foi contagiante e o interesse transmitido pelos alunos foi imediato. O manuseio de bastões, o ritmo delimitado, as práticas corporais englobaram ambos os gêneros, com alegria e entusiasmo. Por meio deste estudo ressaltou a relevância do resgate, abordagem e aplicação de atividades promovida pela inserção de temas da cultura afro-brasileira no ambiente escolar. Abordando de forma pedagógica, respeitando aspectos da identidade cultural que pode ser promovida pelo maculelê. 157

158 Conduziu alguns questionamentos e reflexões por parte dos alunos acerca de valores predominantes na sociedade, trazendo à tona uma expressão genuína da cultura afrobrasileira em consonância com a autoestima e valorização étnica e cultural. Desta forma, valorizar e resgatar a cultura afro-brasileira pode estimular o educador e alunosa compreensão de valores étnicos, tornando-se necessária a contextualização de conteúdos: conceituais e procedimentais. Possibilitando práticas diferenciadas, cujo maior resultado visa ressaltar o aprendizado dos alunos, tendo como base a relação entre corporeidade, oralidade, musicalidade e a dança como forma de manifestação da cultura artística. Ressalta-se a importância de proporcionar vivências corporais por meio de atividades como o maculelê no contexto escolar, no sentido de despertar valores identitários e culturais. Por fim, o presente artigo buscou instigar futuras pesquisas que possibilite (des)construção e(res)significação detemas da cultura afro-brasileira, nos seus diversos campos do saber. REFERÊNCIAS BRASIL.Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileiras e Africanas. Brasília, Contribuições para implementação da Lei /2003. Proposta de Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana Lei /2003. Novembro, p. CARNEIRO, M. A. LDB Fácil: leitura critico compreensiva artigo a artigo. 14. ed. Petrópolis: Vozes, FALCÃO, J. L. C. MACULELÊ. In: GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS. (Org).Currículo em Debate: Educação Física. Goiânia: Secretaria da Educação, p FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15. ed. São Paulo: Paz e Terra, GALLO, S. (Org.)Ética e Cidadania: caminhos da filosofia. Campinas: Papirus,2004. GARAUDY, R. Dançar a vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro:LTC, LABAN,R.Domínio do Movimento.3. ed.são Paulo: Summus,

159 LE BOULCH, J. A educação pelo movimento. Porto Alegre: Artes Médicas, NANNI, D.Dança Educação pré Escola a Universidade. Rio de Janeiro: Editora Sprint; POLLAK, M. Memória e Identidade Social. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 5, n. 10, p , SANTOS, J. E. Os Nagô e a Morte. 9. ed. Petrópolis: Vozes, VIANNA,K. A dança. 4.ed. São Paulo: Summus,

160 A DANÇA POR UMA PEDAGOGIA CRÍTICO- EMANCIPADORA 6Gláucia Marques da Cruz RESUMO O presente artigo apresenta um estudo sobre a Dança e aponta uma proposta teóricoprática de interesse para a área de Educação Física Escolar, baseada na transformação didático-pedagógica do esporte proposta por Eleonor Kunz. O objetivo geral da pesquisa é abordar a Dança como proposta mediadora entre a prática com reflexão em torno da cultura de movimento. Especificamente, será defender a dança e as atividades rítmicas e expressivas nas aulas de Educação Física como ferramentas de trabalho relacionando aspectos sociais e afetivos com o corpo. A metodologia do presente artigo se coloca como uma investigação bibliográfica, baseada na leitura de literaturas sobre desenvolvimento, filosofia, sociologia, políticas educacionais, pedagogia do esporte e Dança. Esse trabalho se justifica em oferecer aos profissionais de Educação Física uma orientação para trabalhar o conteúdo Dança baseado na pedagogia críticoemancipadora. Assim, como atender as políticas nacionais de educação de formação de um individuo autônomo. A Dança como produção cultural da sociedade, é a dinâmica que permuta ao jovem a descoberta do corpo, a expressividade, a emoção, os sentidos, os valores, o respeito, a cidadania e a discussão em torno de tais questões através da própria cultura de movimento. Palavras chaves: Dança; Educação Física; Didático-pedagógica; Crítico- emancipadora. 1 INTRODUÇÃO O presente artigo surgiu da experiência como professora nas escolas do Governo do Estado de São Paulo com jovens do ensino fundamental. A dinâmica com alguns conteúdos me motivaram à buscar os caminhos para uma prática que promovesse o senso crítico, os desafios cognitivos, as melhoras do repertório motor e desenvolvesse consensualmente os aspectos sociais e afetivos dos jovens. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2000) no currículo da Educação Física Escolar existem três grupos de conteúdos a serem desenvolvidos, e dentre eles está à cultura de movimento, que tem entre suas práticas a Dança. E a partir da vivência dessa prática, foi possível refletir sobre as possibilidades com a dança e de como é a sua participação no processo de educação. 6 Graduada em Educação Física pelo Centro Universitário UNIITALO (2009); Pósgraduada em Metodologia do Treinamento Desportivo pela Universidade Federal de São Paulo UNIFESP (2011); Pós- graduanda em Medicina Esportiva pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul

161 Para tanto, é preciso buscar alguns conceitos de educação que concernem com as atuais políticas públicas de educação. E de acordo com Ferreira (2001, p. 251) educação é ato ou efeito de educar, processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano. E para Brandão (1994, p.10) a educação é, como outras, uma fração do modo de vida dos grupos sociais que criam e recriam, entre tantas outras invenções de sua cultura, em sua sociedade. A dança possui suas peculiaridades dentro de certos grupos sociais e por estes é criada e recriada podendo promover um amplo aprendizado através da cultura de movimento. A dança está inserida nos contextos intelectuais e morais e nas capacidades físicas. Por isso, é contemplada como conteúdo da Educação Física Escolar de acordo com as atuais políticas públicas de educação (BRASIL, 2000). E se educar, etimologicamente, significa conduzir para fora de (BERGE, 1981, p.14) é porque o objetivo maior de educar é promover o desenvolvimento de um ser autônomo, criativo e consciente de seu papel social (KUNZ, 2004). Procuramos conduzir nossos alunos para fora da ignorância que têm de si mesmos, para fora da inércia, para fora da anarquia gestual, para uma capacidade de expressão autônoma, criadora, satisfatória (BERGE, 1981, p.14 e 15). Porém, a Educação Física Escolar tem sua prática reduzida ao desporto, e os conteúdos como futebol, voleibol, handebol e basquetebol dominam as aulas de forma que outras práticas fiquem esquecidas. Assim, o ensino do esporte fica reduzido ao desenvolvimento técnico através de movimentos repetitivos e sem sentido. Quando na verdade o objetivo da educação Física Escolar seria introduzir o aluno no universo cultural das atividades físicas (BRACHT, 2005). Como resultado, o surgimento do esporte moderno, que na sua gênese teve sua prática regida pela sociedade capitalista industrial, assumindo a característica de competição, rendimento físico/ técnico, Recorde e os estudos científicos sobre treinamento (BRACHT, 2005). Esse modelo se tornou hegemônico, sendo reproduzido nos momentos de lazer e nas Instituições, com uma intenção de racionalização da sociedade através de procedimentos disciplinares do corpo. Neste processo a Educação Física escolar era uma das formas nas instituições escolares, utilizada para a construção de um corpo disciplinado exigido naquela época (FOUCAULT, 1985). No Brasil, em 1985 ocorreu uma reformulação do Esporte Brasileiro, que foi incorporada a Constituição Federal de 1988, de forma a diferenciar o conceito do esporte em três concepções: desporto- desempenho; desporto- participação; e desporto- educação. Podendo o esporte dentro das instituições escolares, inserir-se dentro de qualquer uma dessas concepções em maior ou menor grau (BRACHT, 2005). 161

162 As atuais abordagens pedagógicas para a Educação Física defendem que o ensino dos conteúdos deve privilegiar situações didáticas que proporcionem a construção da autonomia e que oportuna ao educando a reflexão sobre os reais interesses que orientam sua participação na cultura esportiva. Nessa abordagem crítico- emancipatória busca-se uma reflexão sobre uma transformação didático-pedagógica, baseada na pedagogia libertadora de Paulo Freire. Que tem com principal teórico o professor Eleonor Kunz da Universidade Federal de Santa Catarina (KUNZ, 2004). A Dança segundo o Desenvolvimento Motor pode através dos seus elementos, estimular de maneira livre ou orientada, aptidões físicas e motoras (velocidade, agilidade, coordenação, equilíbrio e força), funções motoras (estabilidade, locomoção e manipulação), as funções cognitivas (raciocinar, criar, decidir), segundo Gallahue e Ozmun (2005). Mas a luz de uma reforma didático pedagógica, pode modificar muito mais do que um padrão motor, pois nessa teoria o educando é visto como um todo, e aspectos afetivos (expressão autônoma e criativa) e sociais (reflexão e crítica) podem corroborar com o aprendizado através de uma prática dialógica e contextualizada (KUNZ, 2004). E ainda, desenvolver temas estruturantes como a violência, a sexualidade e a compreensão do próprio corpo preparando-os para uma vida em sociedade (BRASIL, 2000). O objetivo geral é abordar a Dança como proposta mediadora entre a prática com reflexão em torno da cultura de movimento. Especificamente, será defender a Dança e seus elementos nas aulas de Educação Física como instrumento de transformação, relacionando aspectos sociais e afetivos com o corpo. A metodologia do presente artigo se coloca como uma investigação bibliográfica sobre desenvolvimento humano, filosofia, sociologia, políticas educacionais, pedagogia do esporte e Dança. A justificativa está em oferecer aos professores de Educação Física uma orientação para trabalhar a Dança baseado na pedagogia crítico- emancipadora. Assim, como atender as políticas nacionais de educação de formação de um individuo autônomo. A Dança como produção cultural da sociedade, é a dinâmica que permuta ao jovem a descoberta do corpo, a expressividade, a emoção, os sentidos, os valores, o respeito, a cidadania e a discussão em torno de tais questões através da própria cultura de movimento. 2 ADOLECÊNCIA O corpo e o movimento movem a máquina humana na direção crescente de desenvolvimento físico, cognitivo e sócio-afetivo, por isso, é tão importante saber como origina, se transforma e se confirma. O corpo é a conexão do homem com a vida. Nele estão impressas (formato) e expressas (movimento) toda a experiência já vivida e o 162

163 aparato motor necessário para viver e novas experiências que ainda estão por vir. O professor de Educação Física deve estar em constante atenção a estes corpos que se movem na intenção de ser, de viver e de sentir (GONÇALVES, 1994). 2.1 Conceituando o adolescente A lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, dispões sobre o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente. E define no livro titulo I, que trata das Disposições Preliminares: Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente, aquele entre doze e dezoito anos de idade (BRASIL, 1990). Mas Papalia e Olds (2000) determinam uma faixa etária diferente para o adolescente, baseados no desenvolvimento, considerando adolescente, pessoa de doze ou treze anos até aproximadamente os vinte anos, iniciando com a puberdade, marco no desenvolvimento humano, pois é a fase de transição da criança para a vida adulta. Este é um período de grandes mudanças na vida, onde o adolescente experimenta a autonomia, desenvolve a auto-estima e a intimidade, que dura uma década de vida, por isso, a Organização Mundial de Saúde (1977 apud CHIPKEVITCH, 1994, p. 123) define adolescência como a segunda década de vida dos dez aos vinte anos de idade. 2.2 O adolescente na concepção biológica Papalia e Olds (2000) classificam o crescimento e o desenvolvimento humano em oito estágios, são eles: Pré-natal (da fecundação até nove meses); Primeira Infância (do nascimento aos dois anos de idade); Segunda infância (dos três aos seis anos de idade); Terceira Infância (dos seis aos onze anos de idade); Adolescência (dos doze aos 20 anos de idade); Adulto Jovem (dos vinte aos trinta e nove anos); Adulto maduro ou de Meia Idade (dos quarenta aos sessenta e quatro anos de idade); Idoso ou Terceira Idade (dos sessenta e cinco anos em diante). A importância de conhecer o desenvolvimento se justifica no fato de que toda a forma de se mover, sentir e pensar depende da herança genética, da experiência e da maturação biológica em estágios anteriores em especial na infância. E ainda, a manutenção de certos hábitos que acompanham a vida adulta, vão determinar a qualidade da vida e a saúde que definirão o envelhecimento (ECKERT, 1993; PAPALIA; OLDS, 2000). A adolescência se inicia em média aos onze ou doze anos de idade e termina entre os dezoito e vinte anos. O marco neste estágio é a puberdade, que é o processo que leva á 163

164 maturidade sexual, ou seja, o indivíduo passa a ser capaz de reproduzir. Entre outras palavras, a puberdade é o período de mudanças morfofisiológicas que transforma a criança num adulto capaz de se reproduzir, podendo variar em relação ao início, a duração e a seqüência dos eventos (PAPALIA; OLDS, 2000). Quanto à falta de exatidão sobre o início e fim deste estágio, ocorre devido à individualidade biológica, pois alguns irão ter sua maturação sexual e óssea mais precoce, ocorrendo o estirão púberal mais cedo. Os que tiverem a maturação um pouco mais lenta terão seu estirão púberal mais tardio. Estudos revelam que algumas meninas já têm sua primeira menstruação aos 10 anos de idade ao passo que outras só aos 13 anos (CHIPKEVITCH, 1994). Os fatores que afetam o surgimento da puberdade vão ser: genéticos, sexuais, raciais, atitudes, variações sanzionais, nutrição, fatores sócio- econômicos, tendência secular, saúde e intensidade de treinamento para quem pratica alguma modalidade esportiva (ECKERT, 1993). Dentre as mudanças biológicas na puberdade está a regulação neuro- endócrina, passando a reprodução diferenciada de hormônios masculinos (andrógenos) e femininos (estrogênio); desenvolvimento dos testículos masculinos e dos ovários femininos; e crescimento longitudinal dos ossos (estirão). O estirão de crescimento refere-se ao crescimento acelerado dos membros no sentido dístero- proximal e da altura, durando em média dois anos com crescimento de aproximadamente cinco centímetros ao ano (ECKERT, 1993). O término do estirão e o fechamento das cartilagens ósseas marcam o final da puberdade. Durante o estirão ocorre também o desenvolvimento do sistema circulatório e respiratório (PAPALIA; OLDS, 2000). Para Papalia e Olds (2000), não se pode afirmar que a prática de atividade física acelera ou retarda o crescimento da estatura da criança, mas pode-se dizer que há um aumento da densidade óssea. Contudo, supõe-se que atividade física em excesso (especialmente a sobrecarga), pode prejudicar o crescimento da estatura e mesmo da cartilagem óssea. O mesmo afirma Eckert (1993) apontando a intensidade do treinamento como fator que pode afetar o estirão púberal. Comparando as diferenças biológicas entre meninos e meninas em relação ao estirão. Nos meninos, o início do estirão ocorre dois anos mais tarde que nas meninas, sendo que no mesmo período há maior perda de gordura e maior ganho de força. Nas meninas, o início do estirão começa dois anos antes em relação aos meninos, ocorrendo para o mesmo período maior ganho de gordura e maior ganho de força (PAPLIA; OLDS, 2000). As Meninas param de crescer antes dos meninos, e no final deste estágio os meninos são em média mais altos. E com relação aos dentes, a arcada costuma está completa aos 164

165 doze ou treze anos de idade, com exceção apenas do terceiro molar (siso), que poderá nascer entre dezesseis e vinte dois anos (CHIPKEVITCH, 1994). Sobre a puberdade, o primeiro sinal nas meninas é o florescimento dos seios e nos meninos a voz fica mais grave devido ao crescimento da laringe e à produção de hormônios. Em ambos a pele fica mais áspera e gordurosa, há maior atividade das glândulas sebáceas que podem provocar o aparecimento de espinhas e cravos. Os pelos pubianos no início são retos e macios, mas depois se tornam crespos e ásperos e apresentam-se em diferentes padrões entre meninos e meninas (CHIPKEVITCH, 1994). Sobre a maturidade sexual, o primeiro sinal em meninos é a produção do espermatozóide. A primeira ejaculação involuntária é chamada de espermarca, que ocorre normalmente aos treze anos (PAPALIA; OLDS, 2000, p. 313). Para as meninas a menstruação é o primeiro sinal de maturidade sexual sendo que a primeira, chamada de menarca, pode ocorrer aos dez anos de idade (PAPALIA; OLDS, 2000, p.313). Certos fatores influenciam o desenvolvimento no adolescente durante a puberdade, tais como: herança genética, fatores étnicos, nutrição, nível sócio econômico, o surgimento de doenças, fatores psicossociais e exercícios físicos (CHIPKEVITCH, 1994). O determinismo genético é responsável pelo crescimento e desenvolvimento, como por exemplo, a idade da primeira menarca e estatura final. Os fatores étnicos e/ ou raciais, como indivíduo oriundo de outros povos e raças podem apresentar diferenças no aspecto físico (configuração corpórea), mas que interferem pouco nas características da puberdade. Essas características estão mais relacionadas aos níveis socioeconômicos das populações. A nutrição é fator decisivo para que se cumpra plenamente o crescimento e o desenvolvimento do individuo para sua herança genética (CHIPKEVITCH, 1994). O nível sócio- econômico também é fator determinante, pois a qualidade de vida depende em grande parte da renda familiar. O poder aquisitivo da família determina a qualidade da habitação, da nutrição, das vestimentas, higiene e cuidados com a saúde. Alguns destes fatores interferem no plano genético, impedindo que o indivíduo se desenvolva conforme a expectativa genética (CHIPKEVITCH, 1994). Doenças crônicas podem inibir o crescimento e retardar a puberdade, porque seus sintomas muito fortes interferem no apetite (anorexia), nos processos de digestão e absorção de nutrientes (anemia), nas capacidades respiratórias com a diminuição do aporte de oxigênio (bronquite e Pneumonias,), entre outras, levando o organismo a sofrer alterações hormonais (endocrinopatias) ou a acumulo de substancias tóxico causando insuficiência renal crônica (CHIPKEVITCH, 1994). Sobre os Fatores Psicossociais, já é reconhecido que a falta de afeto e de estimulação psicossocial pode levar a deficiência no crescimento. Isso é comum em crianças que 165

166 vivem em instituições e creches. E ainda, a violência doméstica, a falta de afeto, o alcoolismo e as pressões psicológicas também podem levar a retardo no crescimento e a depressão crônica (CHIPKEVITCH, 1994, p. 106). A pouca atividade física pode reduzir a velocidade do crescimento, mas em contra partida, o treinamento excessivo em algumas modalidades pode retardar o crescimento e a maturação. Treinamento moderado parece exercer pouco ou nenhum efeito sobre o desenvolvimento ou na maturação puberal. A atual tendência é a de selecionar determinados padrões físicos para determinadas modalidades esportivas (CHIPKEVITCH, 1994). 2.3 Desenvolvimento motor do adolescente De acordo com Gallahue e Ozmum (2005) o desenvolvimento motor revela-se pelas alterações no comportamento motor, e que todo sujeito passa por um processo de aprendizagem que vai levá-lo a mover-se com controle em resposta aos desafios enfrentados. E ainda é possível observar diferentes tipos de desenvolvimento no comportamento motor, através das alterações no processo (forma) e no produto (desempenho), provocados pelos seguintes fatores: Biologia (fatores que são próprios do individuo); Experiência (a exploração do ambiente); Físico e/ou mecânico (realizar a tarefa). O desenvolvimento motor é um processo contínuo e demorado, cuja seqüência se apresenta no sentido céfalo- caudal, cujo domínio dos movimentos vai do centro para as extremidades dependente da organização que vai se iniciar nos domínios motor, sócioafetivo e cognitivo, diferenciando-se gradualmente (TANI, 1988). Gallahue e Ozmun (2005) chamam de movimentos motores observáveis : os estabilizadores, que são os movimentos que exigem algum grau de equilíbrio; locomotores, que são os movimentos que resultam em uma mudança na localização do corpo em relação a um ponto fixo na superfície (caminhar, correr, pular, saltitar ou saltar um obstáculo); e manipulativos, que se referem à manipulação motora rudimentar (arremessar, apanhar, chutar, derrubar um objeto, prender ou rebater) e refinada (costurar, cortar, digitar, etc.). A partir dessa classificação dos movimentos, foi possível compreender que o desenvolvimento motor se dá em fases progressivas (reflexa, rudimentar, fundamental e movimentos especializados) alterando o comportamento (GALLAHE; OZMUN, 2005). Na fase motora reflexa que começa aos quatro meses dentro do útero materno, e que vai até um ano de vida, é caracterizada pelos movimentos involuntários, controlados corticalmente e que formam a base para as demais fases do desenvolvimento motor (GALLAHUE, OZMUN, 2005; TANI, 1988). 166

167 A fase motora rudimentar começa desde os quatro meses e vai até aproximadamente os dois anos de idade, e são determinados pela maturação que caracterizará uma seqüência de aparecimento altamente previsível. São as formas básicas de movimentos voluntários necessários para a sobrevivência do bebê dando início aos movimentos estabilizadores (controle da cabeça, pescoço e músculos do tronco), manipulativos (alcançar um objeto, agarrar e soltar) e locomotores (arrastar-se, engatinhar e caminhar (GALLAHUE; OZMUN, 2005; TANI, 1988). O estágio motor fundamental surge na primeira infância e vai dos dois aos sete anos de idade, em conseqüência do desenvolvimento dos movimentos rudimentares durante a fase neonatal. Nesse estágio Gallahue e Ozmun (2005) subdividem em três estágios, são eles: inicial, dos dois aos três anos, a criança ainda usa de forma exagerada ou limitada o corpo, e com deficiência no fluxo rítmico e na coordenação; elementar, dos quatro aos cinco anos, a criança consegue ter maior controle e coordenação rítmica dos movimentos fundamentais e sincronismo de elementos temporais (tempo) e espaciais (espaço) do movimento; e maduro, dos seis aos sete anos de idade, é caracterizado por movimentos mecanicamente perfeitos. Algumas crianças podem atingir esse estágio aos cinco ou seis anos de idade, mas também pode ocorrer de crianças e adultos não desenvolverem as habilidades motoras fundamentais. O estágio dos movimentos especializados tem maior ênfase, pois se refere ao desenvolvimento motor do adolescente que é o sujeito principal desta pesquisa. Sendo, que a abordagem dos estágios anteriores se justifica no fato de que o desenvolvimento do padrão especializado de movimentos é conseqüência da fase dos movimentos fundamentais (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Sendo assim, os movimentos especializados desempenham atividades motoras complexas presentes na vida diária, na recreação e nos objetivos esportivos. Este estágio começa aos sete e termina aos quatorze anos de idade e se subdivide em três estágios: o transitório começa aos sete e vai até os dez anos de idade onde a criança começa a combinar e a aplicar as habilidades motoras fundamentais ao desempenho das habilidades especializadas, mas com forma, precisão e controle, nas atividades recreativas, de vida diária ou nos esportes; o de aplicação se inicia aos onze e vai até os treze anos de idade, momento este, onde o adolescente pode escolher se especializar em alguma atividade esportiva. Isso ocorre devido a sua crescente sofisticação cognitiva e a certas bases que o tornam capaz de escolher sobre o que deseja aprender. Porém, fatores como tempo, dinheiro, equipamentos e/ ou instalações esportivas, limitações físicas e/ ou mentais, assim como talento, oportunidade, condição física e motivação pessoal, afetam este estágio (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Brincadeiras como a dança da maçã, dança das cadeiras, danças circulares, são atividade ótimas para desenvolver as competências motoras, e ainda, trabalhar entre os adolescentes o toque e o respeito ao próprio corpo ou/ e o de outrem (GALLAHUE; OZMUN, 2005). 167

168 Sugerem-se como atividades que desenvolvam essas habilidades manuais e locomotoras: atividades em equipe, composição de Dança, dança Folclórica e Quadrilha (ECKERT, 1993). No que se refere à especificidade do desenvolvimento motor em adolescentes, em estudos recentes apresentaram resultados que comprovam declínio estável na atividade física vigorosa entre meninos e meninas a partir dos doze anos de idade, isso em decorrência em parte da falta de programa de Educação Física e má qualidade de vida (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Quando o adolescente atinge o estagio maduro de um padrão motor fundamental, ocorrem poucas mudanças na fase motora especializada, porém se houver refinamento e fundamentação é possível melhorar a precisão, a exatidão e o controle dos movimentos. Sendo assim, as habilidades motoras especializadas (futebol, beisebol, basquetebol, hóquei, acrobacias, atletismo, natação, lutas, esportes com raquete e dança) são especiais de tarefas, pois são aplicadas ao desporto e a outras atividades mais complexas. Partindo do principio de que as habilidades fundamentais foram trabalhadas em estágios motores de aprendizado anterior. (GALLAHUE; OZMUN, 2005; ECKERT, 1993). A Dança Contemporânea é uma forma de movimento que utiliza um vocabulário específico de movimentos para esforço criativo particular que está sendo expresso. O coreografo utiliza o movimento como um veículo de expressão. Conseqüentemente, movimentos fundamentais servem como meio para transmitir conceitos e idéias (GALLAHUE; OZMUN, 2005, p.374). Portanto, se a proposta pedagógica trabalhar os movimentos fundamentais através do conteúdo dança Gallahue e Ozmun (2005) sugerem como prática a Dança Contemporânea, que vai desenvolver as habilidades locomotoras (caminhar, corrida, saltos, grandes saltos, saltito, galope, deslizamento e elevação de joelho), estabilizadores de movimentos axiais (flexão de perna, alongar, rotação, alcançar, elevar, cair, enrolar, empurrar e puxar) e estabilizadores de movimentos de equilíbrio (os movimentos que requerem sincronização rítmica e seqüência adequada). Em referência aos estudos de Galão e Oxum (2005) e Eckert (1993) o conhecimento do desenvolvimento motor torna possível a aplicação de qualquer atividade, partindo do reconhecimento das competências motoras correspondentes a este estágio. 2.4 Aspectos sócio- afetivos dos adolescentes Chipkevitch (1994) subdivide este período em três fases: adolescência inicial (dos 10 aos 13 anos de idade), adolescência média (14 aos 16 anos de idade) e adolescência final (dos 17 aos 20 anos de idade). 168

169 Durante toda esta fase surgirão algumas barreiras a transpor no sentido da auto- imagem, identidade, relacionamentos, pensamentos e sexualidade. São situações e escolhas individuais que vão definir o ser adulto. E isso é igual para todos. A diferença esta na forma como cada um conseguirá transpor ou cumprir essas tarefas. O professor de educação física deve ter conhecimento dessas dificuldades durante esta fase da vida, para não submeter o seu aluno a uma situação de constrangimento e conseqüentemente prejudicá-lo. Porque uma das funções da escola é formar cidadãos autônomos (PAPALIA; OLDS, 2000). Durante a adolescência inicial, referente à imagem corporal, o adolescente enfrenta dúvidas e preocupações com o corpo; início do pensamento abstrato e raciocínio concreto; os laços de dependência com os pais ainda são fortes, mas já começa a testar os limites; grupos de pares unissexuais; sexualidade se manifesta através da curiosidade e auto- erotismo; identificação com familiares, testa valores familiares para formar sua identidade (CHIPKEVITCH, 1994). Na adolescência média, há insatisfação com o corpo e tentativa de mudar a aparência (normalmente as meninas mudam a cor dos cabelos); desenvolvimento máximo do pensamento abstrato, fascinação com as novas habilidades cognitivas e egocentrismo; há afastamento dos pais, contestação e preferência por amigos a família; socialmente forma grupo de amigos heterossexual; vê o sexo oposto como objeto sexual e inicia as primeiras experiências sexuais; a identidade se manifesta pela contestação dos valores passados pela família, identificação com outros grupos e com outros adultos e experimenta diferentes modelos e papéis (CHIPKEVITCH, 1994). E por fim, na adolescência final, há uma estabilização da auto- imagem corporal; aplicação dos interesses idealistas a altruísmo; independência emocional e às vezes econômica; reaproximação com os pais numa relação de igual para igual; relações sexuais maduras com afeto e responsabilidade; consolidação da identidade pessoal; autoconceito e autodeterminação; escolha vocacional (CHIPKEVITCH, 1994). As atividades rítmicas podem ser utilizadas em contexto social, e devem ser ofertadas em oportunidades crescentes para as atividades de grupo especialmente com o outro sexo. Sobre as atividades de auto- testagem e de resolução de problemas, a Dança Criativa é mais uma forma de desenvolver essas habilidades (ECKERT, 1993). 2.5 Desenvolvimento cognitivo No que se refere ao desenvolvimento cognitivo, existem importantes abordagens. De acordo com a psicologia do desenvolvimento e aprendizado são divididas sobre quatros perspectivas: a mecânica da aprendizagem segundo behaviorismo e a teoria do condicionamento; a teoria cognitiva epistemológica de Jean Piaget; Instrumental, cultural e histórico de Vygotsky; e a teoria da psicologia dialética de Wallon e os campos funcionais que contemplam a aprendizagem. 169

170 Aprendizagem segundo o Behaviorismo ou Teoria do condicionamento é um estudo da mecânica do aprendizado, nessa linha a psicologia foi Introduzida como ciência, através dos estudos de Skinner que revelaram que o individuo é dotado de dois comportamentos: estimulo e resposta (PAPALIA; OLDS, 2000). Seguindo essa perspectiva de ensino a condição fundamental desta teoria é a motivação do aluno, sendo que para determinados comportamentos refletem elogios e recompensas e outros não (BARROS, 1989). Segundo o Behaviorismo, toda situação quando produz satisfação, aumenta a possibilidade de ocorrer novamente do que quando ocorre o desprazer ou punição. O sucesso deste método depende do professor em criar diferentes estratégias para que o aluno esteja sempre motivado. Na teoria do Desenvolvimento Cognitivo, segundo Jean Piaget (apud PAPALIA; OLDS, 2000) o desenvolvimento humano ocorre pelo desenvolvimento mental e maturação biológica (teoria da epistemologia genética), logo o desenvolvimento do corpo deve acompanhar o desenvolvimento mental através dos processos de acomodação e assimilação (PALÁCIOS, 1995). As pessoas precisam se adaptar as novas aprendizagens, pois aprendem algo novo todos os dias, e isso ocorre pela acomodação ou pela assimilação. Na acomodação, a nova situação vai modificar as estruturas anteriores, como resultado das pressões exercidas pelo meio (FONSECA, 1995, p.151); a assimilação é quando a nova situação só acrescentou ao que já tinha de estrutura, não precisando mudar o conceito anterior, elemento de compreensão prática e da ação do sujeito. Sendo assim, é no estágio das operações formais, a partir dos onze anos em diante, onde o adolescente é capaz de raciocinar logicamente e de maneira mais abstrata e realista (PALÁCIOS, 1995). A teoria do psicólogo russo Lev Semenovich Vygotsky (apud PAPALIA; OLDS, 2000) aborda o desenvolvimento humano sob três aspectos, são eles, instrumental, cultural e histórico. O instrumental representa as ações individuais em resposta a certos estímulos. No aspecto cultural, desenvolve-se a linguagem específica do seu meio sociocultural, e assim transforma radicalmente os rumos do seu desenvolvimento. Os signos, linguagem simbólica desenvolvida pela espécie humana, têm um papel similar ao dos instrumentos (tanto os instrumentos de trabalho quanto os signos são construções da mente humana, que estabelecem uma relação de mediação entre o homem e a realidade). A relação mediatizada não se dá necessariamente pelo outro corpóreo, mas pela possibilidade de interação com signos, símbolos culturais e objetos (PALÁCIOS, 1995). A Teoria da Psicogênese Humana (psicologia genética) ou Walloniana é decorrente da idéia de que o processo de aprendizagem é dialético, não sendo correto afirmar verdades absolutas, mas sim, dar novo impulso as novas direções e possibilidades. O principal fundamentador dessa teoria é Henri Wallon, que afirma que a cognição é importante, mas não mais importante que a afetividade ou a motricidade, estudando a formação dos processos psíquicos, partindo do mais simples, do que vem antes na cronologia de 170

171 transformações pelas quais passam o sujeito. Sendo assim, não basta selecionar um único aspecto do ser humano e isolá-lo do conjunto. O que se propõe é um estudo integrado do desenvolvimento que inclua vários campos funcionais nos quais se distribui a atividade infantil (afetividade, motricidade e inteligência): O estudo da criança contextualizada possibilita que se perceba que, entre os seus recursos e o de seu meio, instala-se uma dinâmica de determinações recíprocas: a cada idade estabelece-se um tipo particular de interações entre o sujeito e seu ambiente. Os aspectos físicos do espaço, as pessoas próximas, a linguagem e os conhecimentos próprios a cada cultura formam o contexto do desenvolvimento (WALLON apud GALVÃO, 1995, p.39). Conforme vai aumentando a idade cronológica, a criança interage de forma mais intensa com um ou outro aspecto de seu contexto, retirando dele os recursos para o seu desenvolvimento. Com base nas suas competências e necessidades, a criança tem sempre a escolha do campo sobre o qual aplicar suas condutas (GALVÃO, 1995). Os fatores orgânicos são os responsáveis pela seqüência fixa que se verifica entre os estágios do desenvolvimento, todavia, não garantem uma homogeneidade no seu tempo de duração. Logo o biológico vai, progressivamente, cedendo espaço a determinação social (GALVÃO, 1995). A cultura e a linguagem fornecem ao pensamento os instrumentos para sua evolução. O simples amadurecimento do sistema nervoso não garante o desenvolvimento de habilidades intelectuais mais complexas. O ritmo pelo qual se sucedem as etapas é descontínuo (GALVÃO, 1995). Sendo assim, a teoria da Psicogênese de Wallon divide o desenvolvimento cognitivo em cinco estágios: Impulsivo- emocional, que abrange o primeiro ano de vida, onde a emoção é instrumento de interação da criança com o meio e a afetividade impulsiva e emocional se nutre pelo olhar, pelo contato físico e se expressa em gestos, mímica e posturas; no sensório-motor, que vai até o terceiro ano de vida, a criança explora o mundo físico e a aquisição da marcha e da preensão possibilitam maior autonomia na manipulação de objetos e na exploração de espaços, predominando as relações cognitivas com o meio; no personalismo, que vai dos três aos seis anos, a principal tarefa é a de formação da personalidade, ou seja, re- orienta o interesse da criança para as pessoas, definindo o retorno da predominância das relações afetivas, sendo a afetividade do personalismo diferente, pois incorpora os recursos intelectuais como a linguagem para expressar idéias; no estágio categorial graças à consolidação da função simbólica e à diferenciação da personalidade realizada no estágio anterior, traz importantes avanços no plano da inteligência, sendo que os progressos intelectuais dirigem o interesse da criança para o conhecimento e conquista do mundo exterior, imprimindo às suas relações com o meio e a afetividade torna-se cada vez mais racionalizada, sendo que os sentimentos são elaborados no plano mental, então os jovens teorizam sobre suas relações afetivas (GALVÃO, 1995). 171

172 Especificamente no estágio da adolescência, a crise pubertária rompe o equilíbrio afetivo que caracterizou o estágio categorial e impõe a necessidade de uma nova definição dos contornos da personalidade, desestruturados devido às modificações corporais resultantes da ação hormonal. Este processo traz à tona questões pessoais, morais e existenciais, numa retomada da predominância da afetividade (WALLON apud GALVÃO, 1995). A ótica walloniana constrói uma criança corpórea, concreta, cuja eficiência postural, tonicidade muscular, qualidade expressiva e plástica dos gestos informam sobre os seus estados íntimos (GALVÃO, 1995, p.98). Tratando de temas como emoção, movimento, formação da personalidade, linguagem, pensamento e tantos outros, a psicologia genética de Wallon fornece valioso material para adequação da prática pedagógica ao desenvolvimento da criança, pois sua teoria defende uma prática corporal que atenda as necessidades da criança nos planos afetivo, cognitivo e motor e que assim, promova seu desenvolvimento em todos esses níveis (GALVÃO, 1995). 3 A TRANSFORMAÇÃO DIDÁTICO- PEDAGÓGICA DO ESPORTE De acordo com Ferraz, 1996 e Oliveira, 1991 (apud OKUMA, 1999, p.78) a educação física se refere aos conhecimentos sistematizados sobre o movimento humano que deve capacitar o aluno, para com autonomia, aperfeiçoar suas potencialidades e possibilidades de movimento para se regular, interagir e transformar o meio ambiente em busca de uma melhor qualidade de vida. Oliveira (2004, p.86) diz que a Educação Física é cultura no seu sentido mais amplo, fertilizando o campo de manifestações individuais e coletivas. É transmissora de cultura, mas pode ser acima de tudo, transformadora de cultura. Mas a Educação Física etimologicamente não tinha um conceito tão amplo. Tendências pedagógicas influenciaram a sua prática, e longe de determinar uma cronologia fixa, tais tendências ainda existem e influenciam a prática de professores na escola de hoje (BRACHT, 2005). Durante o século XIX até 1930, a Educação Física era influenciada pela Medicina, e estava baseada nos pressupostos Higiênicos para modificar hábitos de saúde e Higiene. O objetivo era a construção de uma sociedade de homens e mulheres saudáveis através de um programa de atividade física (Giraldelli apud VARGAS, 1990). Com o passar do tempo, as instituições militares passaram a pregar a educação do físico por influência da Filosofia Positivista (SILVA, 1982). A Educação Física Militarista surgiu em 1930 e tinha como objetivo treinar indivíduos fortes e saudáveis para a luta, 172

173 produzindo cidadão-soldado. Ou seja, se a primeira estava sujeita a saúde (higienista), a segunda estava sujeita aos quartéis (Giraldelli apud VARGAS, 1990). Em 1937, a Educação Física é inclusa na Constituição Federal como prática educativa obrigatória da 5ª a 8ª série. E embora não fosse uma disciplina curricular, ganhou novas atribuições (fortalecer o trabalhador para frente de trabalho) em decorrência do processo de industrialização, urbanização e a instituição do estado novo (BRASIL, 2000). Nesse contexto, surgiria a Educação Física Pedagogicista, em 1945 chamando para si o ato de educar, defendendo a educação do movimento como forma capaz de promover a educação integral (Giraldelli apud VARGAS, 1990). Em 1964 a Educação Física é concebida como desporto e performance, apresentando o atleta como um herói. É o surgimento do Esporte Moderno, e da Educação Física Competitivista, que valorizou o sonho das medalhas olímpicas e a elitização social (Giraldelli apud VARGAS, 1990). As influencias da tendência Tecnicista defendiam uma reordenação no processo educativo dentro das instituições para torná-lo objetivo operacional. O professor comprometia-se com a garantia da eficiência compensando e corrigindo as deficiências (BRASIL, 2000). O corporativismo praticado pela sociedade capitalista industrial apresentava o Esporte com características de competição, rendimento físico/ técnico, Recorde e os estudos científicos sobre treinamento. O consumo e a prática do esporte e das práticas corporais participam do processo de reprodução das diferenças de classe (BRACHT, 2005). Mais recentemente surge a Educação Física Popular, voltada para as classes populares e também a serviço de uma intenção, onde a educação de movimento serviria para a mobilização de trabalhadores. Nessa tendência o lúdico e a cooperação através da ginástica, esporte e dança, vão promover a mobilização de massa de trabalho da classe operária (Giraldelli apud VARGAS, 1990). Esse modelo se tornou hegemônico, e passou a ser reproduzido nos momentos de lazer e nas Instituições, com uma intenção de racionalização da sociedade através de procedimentos disciplinares do corpo. Neste processo a Educação Física Escolar era uma das formas nas Instituições, utilizada para a construção de um corpo disciplinado exigido naquela época (FOUCAULT, 1985). O fato é que as relações de poder tinham e ainda têm forte influência nas práticas corporais: A estabilidade das sociedades altamente desenvolvidas é apenas o resultado da capacidade de direção ou comando de organizações altamente perfeitas: essas organizações intervêm, enquanto instituições sociais, nas relações de vida de cada individuo, para através da disciplinação e controle, através da manipulação e treinamento, torná-lo um membro (peça) da sociedade (HONNETH, 1988, p. 139). 173

174 Durante a Década de 80, a Educação Física passou a ser contestada. O Brasil não teve bons resultados nos Jogos Olímpicos e os praticantes de atividades físicas e de esportes não aumentou. Isso deu inicio a uma crise sobre os pressupostos e sobre o próprio discurso da Educação Física. As teorias críticas da educação passam a discutir o papel da Educação Física na dimensão política e social, dando ênfase aos aspectos psicológicos, sociais, cognitivos e afetivos. O Individuo é compreendido como ser que se desenvolve integralmente (BRACHT, 2005). A Psicologia do aprendizado contribui com seus estudos e conseqüentemente, para essa mudança de foco, demonstrando que a aquisição das habilidades motoras estava relacionada com os processos de maturação biológica e integravam o individuo ao conhecimento (BRACHT, 2005; BRASIL, 2000). Surgem movimentos com real intenção de renovação didática dos conteúdos e sua operacionalização dentro do currículo de Educação Física. Essas abordagens pedagógicas discutiam o objeto de estudo, os métodos de avaliação e o papel do esporte na escola. Uma das abordagens amplamente difundida foi a Construtivistainteracionista que tem como fundamento, que o aprendizado se dá pela relação do sujeito com o meio, valorizando a experiência e a cultura como meio para aprendizagem (AZEVEDO, 2000). A abordagem Crítico-superadora contesta as relações de poder com o corpo. Tem como fundamento a busca por justiça social e discuti as reais intenções de uma classe dominante nas práticas corporais (AZEVEDO, 2000). Na abordagem Desenvolvimentista, os estudos sobre a aprendizagem motora norteiam toda essa pedagogia, defendendo que a aprendizagem se dá por meio da maturação que promoverá uma sofisticação do repertório motor interagindo com a diversificação das atividades e complexidade dos movimentos (AZEVEDO, 2000; GALLAHUE; OZMUN, 2005). A psicomotricidade refuta o processo de aprendizagem e não a simples execução e repetição de gestos técnicos. Os jogos e seus significados vão ser à base do desenvolvimento, pois nessa abordagem Psicomotrista, o jogo tem uma fundamentação que permite pelas capacidades físicas solicitadas, desafios e regras impostas, desenvolver outros aprendizados: afetividade, inteligência, respeito, solidariedade (AZEVEDO, 2000). A sociedade como influência no conhecimento é a teoria da abordagem Sistêmica, contemplando uma diversificação maior dos conteúdos da Educação Física como as atividades rítmicas e expressivas. Nessa linha, corpo e movimento são considerados como meio e fim da Educação Física na instituição escolar (AZEVEDO, 2000). 174

175 3.1 A pedagogia crítico- emancipadora A década de 80 foi marcada como período de crítica sobre a hegemonia do esporte praticado nas instituições escolares. Nesse contexto, duas linhas de discussão são claramente apresentadas: a primeira crítica aborda o fenômeno esportivo como instrumento de dominação e de alienação de uma sociedade capitalista, onde o corporativismo é o meio pelo qual o esporte é difundido e conseqüentemente reproduzido, dando a entender que estava tudo errado na educação física ; a segunda crítica se dirige a aprendizagem do esporte na escola e a capacitação do profissional de Educação Física para atuar na educação básica (KUNZ, 2004). Apesar das críticas e da discussão por mais de uma década em torno da nova tendência pedagógica na educação Física Brasileira, ainda não se tinha conhecimento de uma proposta teórico-prática para se realizar concretamente tal vivência na escola. Daí surgiu a concepção crítico-emancipadora do ensino da Educação Física Escolar, como proposta de uma nova forma de tematizar o ensino do movimento humano, em especial os esportes, baseado nos pressupostos da sociologia crítica da educação (KUNZ, 2004). O esporte atualmente é um produto cultural altamente valorizado através do futebol, voleibol, judô, natação, influenciando cada vez mais a cultura de movimento. Porém, a finalidade alto rendimento apresenta problemas quanto a sua reprodução nas instituições de ensino, tal como a questão de sentido, quais conhecimentos devem ser passados através do esporte, a normatização e padronização como reprodução fiel do esporte espetáculo, assim como materiais e locais utilizados para a prática. Isso impede que outras possibilidades de movimentos possam servir de conteúdos dentro da Educação Física Escolar (KUNZ, 2004). Outro fator, é que o esporte de alto rendimento se torna atrativo aos olhos do Estado, por ser facilmente instrumentalizável politicamente pelo poder institucionalizado (BRACHT, 2005, p.72). Ou seja, o esporte enquanto instrumento: possui um conjunto de regras de fácil compreensão, diferentemente da política, afastando o povo de lutas políticas; oferece a população uma identificação através do coletivo produzindo o sentimento de nação; se torna uma compensação para o trabalho; afasta o povo das discussões e dos movimentos sociais seja por um sentimento de acomodação ou de alienação (BRACHT, 2005). Segundo Kunz (2004) o fenômeno esportivo deve ir além da prática, para se tornar uma atividade de interesse a todos, sendo compreendidas nas dimensões sociais, morais e reflexivas, inclusive. Ou seja, os alunos devem ser instrumentalizados (teoria instrumental) para algo alem de praticar o esporte, desenvolvendo a competência comunicativa (teoria crítica). Na medida em que a teoria instrumental fundamenta e estrutura o fator ideológico, a teoria crítica através de uma competência comunicativa irá concretizar o processo de 175

176 esclarecimento racional que se estabelece através da comunicação. O esclarecimento liberta o homem de um estado de menoridade intelectual. Para tanto, o aluno deverá ser induzido à auto-reflexão, e a perceberem a coerção auto-imposta de que padecem como: consumidores do esporte espetáculo; inércia diante das questões políticas e sociais; e das relações de poder através das práticas esportivas (KUNZ, 2004, p. 36; BRACHT, 2005). Atualmente o fenômeno esportivo enquanto realidade educacional tem conceito restrito, pois está vinculado ao treinamento, ao atleta e o rendimento. O que se reforça através dos meios de comunicação, que o veiculam como esporte- espetáculo transformando-o em mercadoria. Nessa concepção o esporte se apresenta enquanto sistema. Porém, as pessoas também costumam relacionar suas práticas esportivas, com atividades cotidianas, revelando assim esporte enquanto mundo vivido, apresentando um mundo de possibilidades e práticas (Habermas apud KUNZ, 2004, p. 64). O mundo vivido passa a ser um conjunto de atividades que fazem parte do cotidiano e de momentos de lazer (dançar, caminhar, etc.) compondo assim a cultura de movimento. Mas por ser muito amplo, é necessário reconhecer que nem toda manifestação da cultura de movimento pode ser de interesse pedagógico. A relevância de tais conteúdos está em reconhecer os conceitos de corpo e movimento e seus objetivos na educação de jovens (KUNZ, 2004, p.68). O objetivo na concepção crítico- emancipadora deve ser libertar o aluno de falsas ilusões, interesses e desejos construídos através do contexto sócio-cultural em que vivem regidos pelo consumo, pelo melhor e mais bonito. Um imaginário social do jovem, uma coerção auto- imposta que exerce grande poder sobre eles. E para a superação de tais ideologias, é necessária uma contrapressão por parte da escola. Ou seja, uma coerção para a libertação através do esclarecimento (Marques apud KUNZ, 2004, p.122). O esclarecimento ocorrerá através do desenvolvimento de competências de autoreflexão, objetiva e comunicativa (KUNZ, 2004, p.40 e 41). Como tarefa da educação física cabe levantar o questionamento crítico para promover uma compreensão das estruturas da sociedade, e dos falsos desejos por ela imposta (KUNZ, 2004): O professor deverá promover o agir comunicativo entre seus alunos, possibilitado pelo uso da linguagem, para expressar entendimentos de mundo social, subjetivo e objetivo, da interação para que todos possam participar em todas as instancias de decisão, na formulação de interesses e preferências (KUNZ, 2004, p. 122 e 123). Como estratégias didáticas, o aluno é confrontado com a realidade do ensino pelo principio de transcendência de limites, através de três passos (KUNZ, 2004): De forma direta, o aluno explora e experimenta possibilidades da cultura de movimento, assim como as próprias possibilidades e capacidades, além de vivenciar a 176

177 competência comunicativa para compreensão do significado cultural e seu valor prático assim como expressar cenicamente as experiências; De forma aprendida, o aluno é capaz acompanhar, executar e propor soluções em relação ao conteúdo, ou seja, pela própria experiência manipulativa os alunos descobrem meios para uma participação bem sucedida; E na forma criativa o aluno se torna capaz de criar e inventar brincadeiras, danças e jogos. 4 DANÇA POR UMA PEDAGOGIA CRÍTICO- EMANCIAPADORA A dança ainda é uma forma de expressar representativamente os diversos aspectos da vida do homem. Faz parte do processo de civilização, industrialização e de criticidade e por isso tem concepções diferentes: Dança como Arte e Espetáculo; a Dança como Lazer e Cultura; a Dança Educação. E para compreender tais concepções é de relevância o conhecimento histórico dessa cultura de movimento. 4.1 Um breve histórico Quanto à gênese da Dança, pode se afirmar que foi por volta do século V a.c., com da Dança Primitiva. Para os povos nômades que habitavam a terra era uma forma de celebrarem casamentos, nascimentos, ritos religiosos, colheitas, caças e de homenagear os elementos da natureza (NANNI, 1995). Durante a idade média, devido aos dogmas da igreja, as atividades corporais eram vistas como profanas e passaram a ser proibidas (ROMERO, 2005). Antes da civilização, o homem era muito dependente da comunicação empática do corpo. Durante o processo de civilização, o homem passa a controlar seus afetos e impulsos, pois diminui sua capacidade sensorial, e a livre manifestação de gestos passa a ser formalizada (NANNI, 1995). Durante a Idade Média, século XV, surge a Dança Social na Europa, pratica comum à nobreza da época, mas os camponeses em momentos de lazer ou de religiosidade, também tinham as suas danças: Dança Popular ou Dança Folclórica (BREGOLATO, 2007). No final da Idade Média, durante a Renascença italiana, surgiu a Dança Clássica representada pelo Balé. Esse período é um marco histórico, pois o surgimento da sociedade capitalista difunde a como Expressão da Arte, acessível somente aos mais nobres (NANNI, 1995). 177

178 Durante o século XIX, surgem os grandes espetáculos através do Balé Russo e das Óperas. É o surgimento da concepção Dança Espetáculo, com grande influência de Marius Pepita (NANNI, 1995). E nesse formato o homem é valorizado e a dança apresentava a vitalidade dos balés campestres (BREGOLATO, 2007). Ao romper do Século XX surge a Dança Moderna, que teve como precursores o francês François Delsarte, que criou a rítmica e o pedagogo e compositor suíço Emilie Jaques Dalcroze, que criou a expressão corporal. Nesse período uma grande bailarina, Isadora Ducan, defendia a dança segundo a sua essência, ou seja, uma dança livre, onde eram expressos os sentimentos do bailarino sem o rigor técnico do balé (NANNI, 1995). Não existiam passos repetidos e instituídos por uma coreografia, a dança deveria ser a expressão dos sentimentos mais íntimos do bailarino (BREGOLATO, 2007). Mas a expressão Dança Moderna só foi utilizada em 1926, Martha Grahan como principal expressão destacou novos aspectos da dança como a importância do tronco, a respiração, a relação contração x relaxamento e inclusão de saltos e projeções (BREGOLATO, 2007). A Dança moderna vivia um contexto de crítica, assim como os esportes, a educação e a sociedade, e por isso, também passou a ser a expressão social e política da época, dando origem a Dança Contemporânea (NANNI, 1995). No Brasil, após a Colonização, o povo passou por uma revolução cultural. A Dança da Corte ou Dança Social veio com a corte portuguesa e saiu de dentro dos salões da Aristocracia Portuguesa para as ruas, guetos, aldeias e para o campo. Assim, camponeses e escravos que aqui já viviam a Dança Indígena como Dança Primitiva, por influência da cultura européia, passaram a dançar com mais controle das expressões e sentimentos, e criaram a Dança Folclórica. São danças que até hoje expressam a cultura regional e suas influências, assim como um modo de viver (BREGOLATO, 2007). A Dança Moderna no Brasil surge em 1937, representada por Elenita Sá Earp, que neste período recebeu convite para fundamentar a Dança para o curso de Educação Física da Escola Estadual de Educação Física e Desporto do Rio de Janeiro. Seus Estudos deram origem ao Sistema Universal de Dança, que tinha como base teóricaprática os princípios do comportamento motor, como as leis da física aplicadas ao movimento (NANNI, 2008). O fato é que durante a história da civilização o corpo passou por processos de transformações onde negava e assumia certos elementos da sua corporeidade, dando ao corpo um caráter Instrumental (GONÇALVES, 1994). O caráter instrumental, tanto Bracht (2005) como Kunz (2004), através dos estudos da sociologia crítica da educação física, demonstraram as relações de poder com a corporeidade através do uso manipulativo das Instituições escolares. 178

179 Em análise histórica das práticas corporais na escola, é possível afirmar que houve um constante esforço de negação do corpo, que se manifestava pela ação de controle intenso sobre qualquer ação de professores, alunos e funcionários dentro da escola, através de punições (OLIVEIRA, 2006, p.57). Nos dias de hoje, o homem contemporâneo tem uma visão distorcida de corpo e espírito, devido a essas transformações na relação humana com a sua corporeidade. A educação Física por influencia do Capitalismo utilizava como critérios o desempenho e a produtividade para justificar desenvolver as capacidades físicas e habilidades para o trabalho, e assim disseminou essa visão, introduzindo apenas a ginástica e o desporto, sendo a dança a expressão mais antiga (GONÇALVES, 1994; BRACHT, 2005). Segundo Romero (2005) e Giraldelli (apud VARGAS, 1990) já no final do século XX, a Educação Física na escola sofria as influências do tecnicismo, valorizando apenas alunos com aptidões físicas esportivas, renegando as práticas corporais expressivas, criativas e lúdicas. No século XXI, urge uma real mudança e para tal, será necessário reconhecer que não será fácil mudar três séculos de educação doutrinadora e disciplinadora. Será preciso reconhecer o homem na sua subjetividade, pois nela o homem é um ser corpóreo e espiritual estando aberto ao mundo sem o qual ele não vive. Homem e mundo formam uma síntese dialética (GONÇALVES, 1994, p.75). As atuais políticas educacionais incluem no currículo da Educação Física Escolar o conteúdo Dança, reconhecendo a importância da cultura de movimento para uma prática contextualizada, através de matéria teórica e práticas que ofertem a expressão crítica, livre e criativa (BRASIL, 2000). Mas a Dança ainda tem sido pouco abordada nas aulas de Educação Física Escolar, por ainda existir na Instituição professores presos a antigas linhas pedagógicas (BREGOLATO, 2007) e por ter havido durante muito tempo uma faze de crítica da educação sem oferecer um referencial teórico- prática para sua real concretização (KUNZ, 2004). Eleonor Kunz (2004) em sua transformação didático-pedagógico apresenta uma forma de desenvolver os conteúdos da cultura de movimento nas aulas de educação física de forma que o aluno pesquise (despertar a curiosidade), compreenda (contextualize), seja crítico (linguagem comunicativa), expresse (linguagem corporal), vivencie (encenar) e crie (seja livre) as práticas esportivas, assim transferindo para o conteúdo Dança, o aprendizado deverá se dar em todas estas esferas para que se concretize. Pela pedagogia crítico- emancipadora, muitas são as fontes para o ensino dos conteúdos: material teórico, mapeamento do espaço para a vivência prática, reportagem de jornal e 179

180 revista; vídeos e filmes; linguagem comunicativa (debates), encenações, enfim, um leque aberto de possibilidades que fogem ao convencional uso da quadra, do apito e da bola. 4.2 Um referencial teórico- prático para a dança A Dança é uma das culturas de movimento que mais tem demonstrado seus muitos desdobramentos, muito em parte, aos meios de comunicação e a indústria cultural. O interesse pela Dança e seu movimento surge devido ao significado expressivo e comunicativo que se revela permitindo compreender a simbologia da cultura (KUNZ, 2004). De acordo com a sociologia crítica da educação, o currículo da educação física visa doutrinar a sociedade, via instituições, para o consumo do esporte, e assim, a prática da Educação Física Escolar é a representação do esporte de alto rendimento, quando na verdade deveria ser o espaço de aprender novas culturas, para desenvolver conhecimento através de contextos sociais que façam parte daquele grupo para proporcionar uma prática dialética, contextualizada e consciênte (FOUCAULT, 1985). Essa retomada de consciência pedagógica, leva a compreender que para a elaboração de um planejamento que abranja interresses que desenvolvam os alunos como um todo, deve ser proporcionada a sua participação nos processos de escolha e elaboração das práticas (BRACHT, 2005). De nada serve, a não ser para irritar o educando e desmoralizar o discurso hipócrita do educador, falar em democarcia e liberdade mas impor a vontade arrogante do mestre (FREIRE, 1996, p. 62). O aluno deve se sentir parte importante e central da dinâmica para que o ensino não seja realizado de maneira forçada, pois assim todo o esforço será em vão (BERGE, 1981). Dançar, é interpretar, expressando de uma forma muito própria de ver o mundo, as pessoas e tudo ao redor (RARRETO, 2008, p.76). Isso revela o individuo enquanto sua opinião, olhar, concepção de mundo, e assim seria o homem na sua subjetividade. Naquilo que o torna único e especial neste universo (KUNZ, 2004). Nesta busca pela subjetividade, os conteúdos de Dança e atividades rítmicas e expressivas, devem possibilitar a comunicação não verbal e os diálogos corporais, assim como, sensibilizar o aluno para que tenham uma educação estética, promovendo relações equilibradas e harmoniosas com o mundo (BARRETO, 2008). Os conteúdos da Dança, segundo a ideologia de uma pedagogia crítica devem promover no jovem a reflexão crítica, compreendida como uma capacidade de questionamento e análise em torno das dinâmicas propostas (KUNZ, 2004). 180

181 Na ideologia de uma pedagogia emanciapadora pelas atividades rítmicas e expressivas, as situações de aprendizagem devem promover um processo continuo de libertação pela análise subjetiva e envolvimento objetivo (KUNZ, 2004). A libertação proposta por Kunz (2004) como finalidade, se refere a uma tomada de consciência, de forma a libertar a sociedade de amarras que visam desenvolver espectadores e consumidores de esporte espetáculo (BRACHT, 2005) assim como afastar o povo de lutas sociais importantes (FOUCAULT,1985). E por todos os expostos citados anteriormente explanando as muitas possibilidades com a Dança, como ponto de partida de educar através desse conteúdo deve despertar o educando para ações, movimentos e danças que realizam em seu cotidiano. É o reconhecimento da dança como parte do sentimento, de um modo de vida de uma forma de se relacionar com o mundo, da sua subjetividade (KUNZ, 2004). Como parte de conhecimento teórico, este deve proporcionar contato com a Dança como expressão da Arte, assim como admirar, julgar e avaliar para desenvolvimento da educação estética da arte (BARRETO, 2008). O teórico deve induzir a reflexão, sensibilização e despertar a curiosidade em torno daquilo que está sendo apresentado colocando um contexto na dinâmica proposta (KUNZ, 2004). O estudo contextualizado tem por objetivo proporcionar ao aluno a prática consciência do que está sendo vivenciado e da relação das práticas com a vida como um todo (BREGOLATO, 2007). Isso requer reconhecimento de esporte em muitas dimentções, como espetáculo, lazer e qualidade de vida, além de sua instrumentalização como forma de racionalizar e consumo (BRACHT, 2005). O professor pode ainda solicitar, a pesquisa aguçando ainda mais o olhar curioso do aluno, para que assim, também possa relacionar a produção de arte e cultura tentando compreender as relações de poder através da veiculação de determinados desdobramentos, e nesse momento, o educando deve despertar para um questionamento (crítica) que ocorrerá através da linguagem, da expressão comunicativa. O professor deve dar voz ao aluno para compreender sua concepção e seu conhecimento sobre aquilo que lhe está sendo apresentado (KUNZ, 2004). O teórico crítico se revela por uma competência comunicativa, induzindo a reflexão, questionamento e discurssão em torno de situações que lhe são impostas. Sendo assim, os conteúdos teóricos de Dança serão incluídos para esclarecer aos alunos a realidade referente à hegemonia de alguns esportes, permitindo a prática consciente e concreta, (KUNZ, 2004). Tais conteúdos devem apresentar: conceitos; referências históricas; fundamentos dos movimentos da dança; estudos de normas e atitudes; conhecimentos sobre o corpo e os sentidos; temas relevantes como lazer, cultura, criatividade e concepção pedagógica; 181

182 temas transversais como saúde, ecologia, trabalho, valores, justiça social e sexualidade; e o homem segundo um principio de totalidade, ou seja, como corpo, espírito e corporeidade (BREGOLATO, 2007). Então Kunz (2004) apresenta como estratégias didáticas, o confronto do aluno com a realidade do ensino pelo principio de transcendência de limites, e para isso são necessários três momentos de concretização de aprendizado. Inicialmente o professor deverá se preocupar com o arranjo material: mapeamento do ambiente, som, música, textos, vídeos e muitos outros materiais para a tarefa (KUNZ, 2004). Todo gesto mecânico é anti- artístico, é vazio de sentido e sem vida, e cabe ao professor fazer essa vida nascer desde o primeiro gesto na intenção de desenvolver a educação pela dança (BERGE, 1981). No primeiro momento, na transcendência de limites pela experimentação, o aluno vai vivenciar os conteúdos técnicos da dança, dentro dos limites de cada um, são eles: improvisação; composição coreográfica; consciência, percepção e expressão corporal; fatores coreológicos como espaço, tempo, som e ritmo; dinâmicas de danças clássicas, modernas e contemporâneas, assim como, as danças populares, folclóricas e atuais; (BARRETO, 2008). O trabalho é realizado em pequenos grupos e os alunos se auxiliam mutuamente para superar barreiras de medo através da interação (KUNZ, 2004, p.123). Durante a transcendência de limites pela aprendizagem, é colocado um problema para ser solucionado, como, um salto, uma projeção, uma postura, uma coreografia, uma mímica, etc. A partir do conhecimento durante o momento de experimentação (KUNZ, 2004, 123). Como exposto anteriormente, certas tendência pedagógica desempenharam papel de dominação e controle da corporeidade do homem através das instituições escolares, como forma de re- orientar os interesses de uma classe menos favorecida, conforme a necessidade de uma classe dominante. Nesse momento as atividades esportivas tinham como objetivo não só tornar o homem um ser mais equilibrado em relação a expressão de seus sentimentos, mas em relação as questões sociais e políticas (BRACHT, 2005). Na transformação didática- pedagógica é necessário resgatar essa expressão, para que a sociedade saia de um estado de alienação e passe a lutar por seus reais interesses (KUNZ, 2004). Sendo assim, o último passo é a Transcendência de limites criando. Seriam criar novas danças, posturas, saltos, projeções, enfim, lançar-se em sua expressão através das técnicas desenvolvidas nas dinâmicas de dança. Neste momento o educando pode ser o artista por meio da liberdade criativa, revelando sua subjetividade, concretizando a emancipação dentro da escola (KUNZ, 2004, p.123). 182

183 Para que as situações de aprendizagem pela transcendência de limites, trabalho, interação e linguagem são os meios para que as práticas se concretizem (KUNZ, 2004) O trabalho ocorre durante a experimentação individual e coletiva dos alunos, através da soluções de problemas criados para proporcionar a experimentação de suas possibilidades, sendo um momento de descoberta para os professores e alunos. Um outro momento é a aprendizagem da tarefa, que requer treino e exercício contínuo para que ocorra pela intensificação dos exerciciosa superação de limites anteriormente impostos e assim se dê o aprendizado (KUNZ, 2004). Por meio da interação em atividades coletivas, em pequenos grupos a falta de alguma habilidade será solucionada pelo grupo. A demonstração é muito importante, planejando novas encenaçãoes e soluções a cada nova demonstração (KUNZ, 2004) Pela linguagem, desenvolve-se a competência crítica, o discursso e forma verbalizada ou corporal. O professor deve usar seu poder de esclarecimento pois tem participação destacada, e jamais deve tirar a alegria da criança em participar (KUNZ, 2004). O professor deve rejeitar toda a forma de discriminação (FREIRE, 1996). 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo demonstrou que a dança durante muito tempo passou por um processo de negação em diferentes esferas da sociedade ao longo da história. Processos de civilização, industrialização e paralelamente de educação fizeram da corporeidade um instrumento para controle de suas emoções, e posteriormente afastou o homem de lutas sociais e por fim tornou o homem consumidor do esporte espetáculo. Desde a década de 80, os estudos da sociologia e tendências pedagógicas de linha crítica, tem apontado a necessidade da Educação Física Escolar mudar essa tendência dentro das instituições, não aceitando oferecer como educação através do corpo, apenas o esporte de alto rendimento, com movimentos repetitivos, valorizando somente os melhores e mais talentosos. Sendo a escola o espaço cultural da diversidade, deve haver um diálogo entre as diferenças, e não a impultação de conteúdos fora do contexto do jovem que está na escola nos dias de hoje. A adolescência é um estágio de passagem do jovem para a vida adulta, e muitas das experiências vividas neste período vão determinar seus hábitos pelo resto da vida. E cabe ao professor apresentar interesse pelo seu universo cultural e também pela construção de um homem como um todo, ou seja, corpo, mente e espirito. Um ser que se move, que pensa, que se expressa e que sente. 183

184 Pela pedagogia crítico- emancipado, o homem crítico será estimulado a questionar-se sobre aguns aspectos da sociedade. O homem emancipado será conduzido a uma liberdade que será adiquirida à medida de sua tomada de consciência. As atuais política públicas contemplam a Dança dentro do currículo da cultura de movimento da Educação Física escolar, por: reconhecer a sua importância nos aspectos sociais- afetivos com o corpo; por fazer parte de certos grupos sociais, revelando aspectos importantes de um modo de viver e de se relacionar com o mundo; e por promover no mínimo uma prática prazerosa e relaxante. Sua justifica está em oferecer uma orientação teórico- prática baseado na pedagogia crítico- emancipadora, pois sendo Dança uma produção cultural da sociedade, é a dinâmica que permuta ao jovem a descoberta do corpo, a expressividade, a emoção, os sentidos, os valores, o respeito, a cidadania e a discussão em torno de tais questões através da própria cultura de movimento. Assim, como atender as políticas nacionais de educação de formação de um indivíduo autônomo. A Dança como produção cultural da sociedade, é a dinâmica que permuta ao jovem a descoberta do corpo, a expressividade, a emoção, os sentidos, os valores, o respeito, a cidadania e a discussão em torno de tais questões através da própria cultura. Atitudes de solidariedade, cooperação, respeito, participação, iniciativa, autonomia, indiscriminação, obediência, questionamento, construção de normas, valores como justiça, liberdades, verdade, cidadania, são princípios educacionais e valores sociais desenvolvidos através da dança na educação. REFERÊNCIAS ASSIS, S. Reinventando o esporte: possibilidades da prática pedagógica. Campinas, São Paulo: Autores Associados, AVANCI et al. Quando a convivência com a violência aproxima a criança do comportamento depressivo. Ciência & Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, Vol 14, nº 2, Mar/ abril, AZEVEDO. E. S.; SHIGUNOV, V. Reflexões Sobre as Abordagens Pedagógicas em Educação Física. GEMH Grupo de Estudos do Movimento Humano, Florianópolis, v.1, n.1, dez BARROS, C. S. G. Pontos de psicologia escolar. São Paulo: Ática, BARRETO, D. Dança... Ensino, Sentidos e Possibilidades na Escola. 3ª Ed. Campinas: Autores Associados, BERGE, Y. Viver o Seu Corpo: Por uma Pedagogia do Movimento. São Paulo: Martins Fontes,

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187 SCHNEIDER, O. ; NETO, A. F. Saúde e Escolarização: Representações, Intelectuais, Educação e Educação Física. In OLIVEIRA, M. A. T. (org). Educação do Corpo na Escola Brasileira. Campinas, SP: Autores Associados, p TANI, G. O Processo de Desenvolvimento Motor: In: Tani, G. Educação Física Escolar: Fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo: EDUSP, p TEIXEIRA, A. Pequena Introdução à Filosofia da Educação: escola progressiva ou transformação da escola. São Paulo: Melhoramentos, TIRIBA, L. O corpo silenciado. Revista Brasileira da Secretaria Municipal de Educação de Blumenau, SME- Blumenau, EF Paulo Freire, ULLMAN, L. (org). Dança Educativa Moderna. São Paulo: Ícone, ULLMANN, L. (org). Domínio do Movimento. 3ª Ed. São Paulo: Summus, VARGAS, A. L. S. Educação Física e o Corpo: a busca da identidade. Rio de Janeiro: Sprint, p

188 O ESPORTE E SUAS POSSÍVEIS CONTRIBUIÇÕES NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA PEREIRA, I. M. D.1 PIMENTA, T.A.M.2 1 Universidade Cruzeiro do Sul São Paulo São Paulo - Brasil. 2 Centro Universitário Módulo Caraguatatuba São Paulo Brasil RESUMO Introdução: O esporte e ao lazer são direito de todos, contudo se faz necessário reinteração da obrigatoriedade do poder público de ofertar essas práticas à toda população, independentemente de idade e sexo, ou de qualquer outra forma de diferenciação dos cidadãos, como consta no artigo 6º e 217º da Constituição Federal, direito ao lazer e ao esporte respectivamente nesta ordem.objetivo: Este estudo tem por objetivo suscitar a discussão das possíveis contribuições sociais que o esporte pode oferecer aos seus praticantes, principalmente no que se refere a construção da cidadania. Metodologia: Para o presente artigo, foi realizada pesquisa bibliográfica, tomando-se como referência, autores que assumem uma linha crítica na análise de tais questões.resultados: Entendendo que cidadania e inclusão social estão diretamente ligadas à educação e, sendo os projetos esportivos uma educação não formal, espera-se a possibilidade da contribuição do esporte na constituição do sujeito cidadão. Mas como a prática esportiva poderá contribuir para a cidadania, sendo o esporte parte integrante da sociedade, uma sociedade injusta, alienante, hipercompetitiva, uma sociedade de exclusões?conclusão:diante o exposto acima conclui- se que o esporte por ser uma construção humana, tem correlação com a organização social, em especial com sua estrutura, constituição, aceitação, discussão, regras, convívio e disputas com outros. O esporte nessa perspectiva consolida- se como uma grande ferramenta na construção da cidadania de seus participantes. No entanto, se esportes forem mediados por ações consonantes ao sistema capitalista são pautados nos determinantes econômicos e pensados principalmente na dimensão biológica, dificilmente despertarão uma visão critica nos indivíduos inseridos em projetos esportivos. Palavras-chave:Esporte. PolíticasPúblicas. Cidadania. ABSTRACT Introduction: Sportandleisureareright for everyone,howeverit is necessaryto ratify the obligationof the government totendersuchpracticestotheentire population, regardlessof age andsex,oranyother form ofdifferentiationof citizens, as statedin Article 6 and217of thefederalconstitution, the right to leisureandsportsin that orderrespectively.objective: Thisstudy aims toraisethe discussion ofpossiblesocialcontributionsthat sport 188

189 canofferitspractitioners, especially as regardsthe construction of citizenship. Methodology:Forthis article, literature searchwasperformed, taking asreference, authorswhotakeacriticallinein the analysisofsuchissues.results: Understanding thatcitizenshipandsocialinclusionaredirectlylinked to educationandsports projectsandthenon-constitutionof the citizen. Butassportspracticecancontributetocitizenship, beingthesportpartofsociety, ahyperunfair society, alienating, a society ofexclusions? Conclusion: In front of what was shown aboveit is concludedthat the sportbybeinga human construction, correlates withsocial organization, in particularits structure, constitution, acceptance, discussion,rules, andsocializingwithotherdispute. The sportinthat perspectiveisconsolidatedas a great toolin building citizenshipof its participants. However, ifsportsaremediatedbythe capitalist systemconsonantactionsareguidedinthoughtandeconomicdeterminantsprimarilyonbiologica l dimension, hardlyawakeonecritical vision intheindividualsintroducedintosports projects. KEYWORDS:Sport.PublicsPolitics.Citizen. INTRODUÇÃO O conceito de esporte de uma forma geral abordar a cultura esportiva, de forma ampliada assim, o esporte, o jogo e a brincadeira 7 são componentes deste conceito. Buscando uma reflexão acerca a contribuição social do esporte, tem-se como referência a Constituição Federal (1988), e o Estatuto da Criança e Adolescente(1990), evidenciando esporte como direitos constituído a todos, assim em patamares de importância com relação a qualquer outro direito constitucional. A Constituição Federal (1988), em seu artigo 217, aborda o direito ao esporte, sendo a prática esportiva assegurada a todos, independentemente da capacidade de realização de qualquer atividade física, por qualquer indivíduo em território nacional. Assim, É dever do Estado, fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um [...]. Especialmente, no caso das nas crianças e adolescentes, o ECA (1990), em seu artigo 4, menciona que: é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, aefetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação,à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar ecomunitária. Relembra-se que o direito ao esporte e ao lazer é de todos, reintegre-se a obrigatoriedade do poder público de ofertar essas práticas à toda população, independentemente de idade e sexo, ou de qualquer outra forma de diferenciação dos cidadãos, seja ela qual for, colaborando de forma efetiva na melhoria da saúde de seus participantes e de contribuindo para efetivação da promoção dos aspectos sociais dos praticantes. 7 Ronaldo Helal em seu livro: O que é Sociologia do Esporte- Ed. Brasiliense: Entende que brincadeira, jogo e esporte possuem características próprias e por isso o autor faz sua distinção. 189

190 As possibilidades de contribuições sociais através da prática esportiva estão presentes tanto no esporte educação, quanto esporte- participação, e sendo o esporte e o lazer direito de todos, faz com que essas formas de propagação esportiva coadunem a esses direitos. OBJETIVO Este estudo tem por objetivo suscitar a discussão das possíveis contribuições sociais que o esporte pode oferecer aos seus praticantes, principalmente no que se refere a construção da cidadania. METODOLOGIA Para o presente artigo, foi realizada pesquisa bibliográfica, tomando-se como referência, autores que assumem uma linha crítica na análise de tais questões. RESULTADO E DISCUSSÃO AS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DO ESPORTE O presente trabalho tem como assunto central, as possibilidades de contribuições sociais do esporte, principalmente no que se refere à construção da cidadania, concordamos com a reflexão de Junqueira (2004, p. 9-10), quando ele descreve [...] que o esporte é um lugar privilegiado para a vivência de valores, atitudes e comportamentos necessários ao cidadão autônomo e participante. Korsakas e Júnior (2002, p.84) afirmam que [...] a própria concepção de esporte tenha passado por enormes transformações durante todos esses séculos, as discussões sobre a sua relação com a educação continuam presentes. Entendendo que cidadania e inclusão social estão diretamente ligadas à educação e, sendo os projetos esportivos uma educação não formal, espera-se a possibilidade da contribuição do esporte na constituição do sujeito cidadão. Porém, o que fica claro é que, por parte de Governos, a tendência é colocar a solução de questões advindas da desigualdade social na construção da cidadania, como descreve Junqueira (2004, p. 60): tem sido comum a ideia de desenvolvimento de cidadania e inclusão social através da educação, como sendo esta o responsável pela solução de todos os problemas de exclusão social que afligem em nosso país. Basta capacitar o homem para inseri- lo no mercado de trabalho ensinando-o a ser um cidadão consciente racional e socializado. Mas como a prática esportiva poderá contribuir para a cidadania, sendo o esporte parte integrante da sociedade, uma sociedade injusta, alienante, hipercompetitiva, uma sociedade de exclusões? Kuns (2000, p ), aponta que Os motivos desse fenômeno não estão no desenvolvimento do esporte em si, mas no próprio desenvolvimento das sociedades 190

191 atuais, onde o rendimento configura-se no principio máximo de todas as ações. O referido autor, exemplifica essa questão da nossa sociedade, o sucesso a qualquer custo, Se, por exemplo, um atleta para ultrapassar orecord mundial precisa se submeter a um tratamento inumano, isso pouco importa desde que o resultado seja alcançado (KUNS, 2000, p.25). O esporte sendo parte integrante da sociedade, faz com que sua prática siga os moldes do meio em que está inserido. A racionalização presente nas práticas esportivas é antes de tudo da racionalização presente em nossa sociedade. Não podemos considerar o esporte imaculado. Como consequência de influência de nossa sociedade racional e secular está a desportivização da cultura corporal retirando das práticas esportivas a ludicidade, tornando- se sério, e padronizado a forma de participação esportiva (JUNQUEIRA, 2004, p.76). Este autor continua dizendo, A padronização e a seriedade presente no esporte se apresentam tão consolidadas que passam a impressão do esporte ser um fenômeno pronto e acabado, deixando de ser um fenômeno dinâmico (Idem). O mesmo autor aponta ainda que estes valores relacionados ao esporte de rendimento também são os mesmos valores que orientam a competição a capitalista, consequentemente, o uso que o sistema faz do campeão esportivo reside basicamente em se ela própria imagem do sucesso, servindo de modelo a ser seguido para todos que desejarem obter sucesso em nossa sociedade (Idem, p. 77). Discursa-se sobre esse ideal capitalista, da obrigatoriedade da vitória, da impossibilidade de derrota, assim, daí a grave crise civilizatória em que estamos, intoxicados de vitorismo e de uma ética inventada para glorificar vitórias a qualquer preço, esquecendo que perder também faz parte da vida. E, muitas vezes, o que parece ser perder pode ser perdar (TÁVOLA, 1985, p. 279). ParaKorsakas e Júnior (2002, p.88), agir dessa maneira significa crer que excluir os menos habilidosos e trapacear são atitudes úteis e que fazem parte da lógica interna da prática esportiva, como se o único sentido do esporte estivesse em vencer. A justiça, a igualdade de oportunidades e outros valores éticos e morais do esporte são desprezados como valores menores que, muitas vezes, atrapalham e até impedem a vitória. O fim justifica os meios, e nãoimporta o que se faz, contanto que se consagre campeão. Dá-se uma importante contribuição nessa discussão, Freire (2009, p. 138) abordou questões essenciais em relação a essa temática, 191

192 começar pela discriminação que sofrem todos aqueles que, na escola, são incapazes de vencer, quando se trata de selecionar elementos para representar a instituição em eventos esportivos. Depois, durante os encontros competitivos, internos ou intercolegiais, premiam- se apenas os vencedores, ignorando-se a existência dos que obtêm colocações inferiores. Esse é o ângulo através do qual são vistas as competições pelas pessoas que as promovem nas escolas hoje em dia. São formadoras de campeões, selecionadoras de raças, disseminadoras de sentimentos preconceituosos, reprodutoras da forma mais abominável de competição que orienta as relações entre as pessoas de nossa sociedade, e que encontra sua expressão ritual mais importante nos jogos olímpicos modernos. Vencer a qualquer custo é o lema que orienta a competição, nas relações sociais e nos jogos desportivos. Entende-se que a competição faz parte de todas as sociedades, e que é interessante as crianças vivenciarem essa experiência. O que condena-se, são as formas de como se apropriam das competições, não se deve confundir o elemento competitivo contido no espírito humano e presente em todas as civilizações com as formas nefastas que a competição adquire em certos momentos da história. Recusar- se a fortalecer, na Educação, a forma depravada com que a competição se manifesta na sociedade tecnocrática é desejável, mas sem negar à criança o direito de exercer e ampliar sua cultura (FREIRE, 2009, 138). Sobre a possibilidade de construção da cidadania através do esporte em uma sociedade individualista, hipercompetitiva, como a nossa, entende que é necessário (...) proporcionar meios institucionais para a construção da autonomia de homens e mulheres, viabilizando o exercício da liberdade a partir de marcos éticos como cooperação, a solidariedade e o respeito pelo ser humano, fundamentos básicos do exercício da cidadania (NEIRA, 2003, p. 164). Paes (2001), referenciando Orlick (1978), sobre a relação esporte e sociedade descreve que: os jogos e os esportes são reflexos da sociedade em que vivemos, mas também servem para criar o que é refletido. Muitos valores importantes e modos de comportamento são aprendidos por meios das brincadeiras dos jogos esportivos (ORLICK, 1978, apud PAES, 2001, p. 79). Korsakas e Júnior (2002, p.89), apontam que, promover a autonomia torna-se, então, um caminho para a superação das antinomias, o fortalecimento da co-responsabilidade e da solidariedade, na medida em que ser autônomo, descobrindo-se independente e autodeterminante, exige que se reconheça 192

193 também a autonomia do outro. Nesse processo de auto conhecimento é que se torna possível conhecer o outro e o mundo, valorizando a unidade do homem como síntese da diversidade. Entendendo que a Educação Física escolar e o esporte têm a mesma importância na formação de crianças e adolescentes, faço uso dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Educação Física para elucidar as possibilidades da formação cidadã através do esporte. O PCN tem entre seus objetivos gerais do ensino fundamental que os alunos sejam capazes de: compreender a cidadania como participação social e política, assim como o exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando no diaa dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito; desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter- relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania (PCN, 1997). Cito dois objetivos gerais do PCN que constam a palavra cidadania, no entanto todos os outros objetivos gerais dos parâmetros também estão atrelados a esse propósito. Se cidadania é direito a ter direitos e o esporte e o lazer são direitos, então, pode- se afirmar que o esporte e o lazer estão diretamente relacionados com cidadania. Se há a possibilidade, através do esporte- educação, e o esporte- participação criar hábitos de cooperação, solidariedade, respeito ao próximo e as diferenças, desenvolver a autonomia, via modalidades esportivas, formar sujeito crítico condições essas essenciais para formação cidadã, pode-se novamente afirmar que o esporte e cidadania andam lado a lado. Segundo o PCN (1997, p. 28), a concepção de cultura corporal amplia a contribuição da Educação Física escolar para o pleno exercício da cidadania, na medida em que tomando seus conteúdos e as capacidades que se propõe a desenvolver como produtos socioculturais, afirma como direito de todos o acesso a eles. Além disso adota uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagem que busca o desenvolvimento da autonomia, a cooperação, a participação social e a afirmação de valores e princípios democráticos. Barbieri apud Korsakas e Júnior (2002, p. 90), vão nessa mesma, para esses autores: [...] a visão contemporâneo-integradora do esporte é aquela que, reconhecendo a necessidade premente [...] de ações que objetivem restaurar o humano do homem, concebe como sendo insubstituíveis o valor e a importância atribuídos à emancipação do homem, à sua autonomia, à sua participação efetiva na construção da realidade, ao desenvolvimento da sua auto-estima, de sua criatividade, de seu auto conhecimento, de 193

194 sua ludicidade, da sua capacidade de cooperar, bem como da preservação da sua identidade cultural. Admite a necessidade do desenvolvimento do esporte intrinsecamente relacionado à educação (significada como um processo do homem se fazer no mundo) e que se fundamente também numa relação de co-educação entre aqueles que, juntos, aprendem; se fundamente no respeito e na preservação da individualidade de cada um dos participantes desse processo em relação às diversas outras individualidades, tendo em vista o contexto uno e diverso no qual o homem está inserido. O esporte pode ser uma grande ferramenta para formação cidadã, contudo é necessário que as crianças e adolescentes sejam protagonistas nesse processo e não somente uns meros expectadores, pois: promover a participação de todos nesse contexto incentiva também o senso de coresponsabilidade e de comprometimento social com a construção da realidade pautada pelo exercício de direitos e responsabilidades, e estimula a criticidade e criatividade de todos, a fim de formar indivíduos autônomos e independentes, competências necessárias para o desenvolvimento da emancipação (KORSAKAS, JÚNIOR, 2002, p. 91). Korsakas e Júnior (2002, p ), colocam que a liberdade para a criança que, também como sujeito deste processo de ensinar e aprender, tem o poder a possibilidade de reinventá-lo para o prazer e para a diversão. Para Florentino e Saldanha (2007, p. 1) o professor de Educação Física tem a responsabilidade de preparar seus alunos para a cidadania. Para que isso ocorra o professor tem que ser coerente em sua prática, organizar aulas em que os alunos tenham a participação direta, e não serem meros receptores de informações, pensar o esporte de maneira dialética. Uma Educação pelo Desporto que contraponha a Educação Física Militarista. Segundo Ghiraldelli Júnior (1998, p. 26), a Educação Física Militarista, coerente com os princípios autoritários de orientação fascista, destacava o papel da Educação Física e do Desporto na formação do homem obediente e adestrado. Se a prática esportiva for realizada reproduzindo a lógica capitalista, da vitória a qualquer custo, do excesso de competição, da alienação do indivíduo, entre outras características da sociedade do consumo, o propósito da construção da cidadania,via esporte fica relegado a segundo plano. Segundo o Ministério do Esporte (2004, p 11)"uma prática excludente e seletiva, que impede crianças, adolescentes e jovens de serem livres e de desenvolverem sua autonomia e criticidade, contradiz os atributos educativos [...]". AGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante o exposto acima conclui-se que o esporte por ser uma construção humana, tem correlação com a organização social, em especial com sua estrutura, constituição, aceitação, discussão, regras, convívio e disputas. Assim, é um direito assegurado por lei, como tantos outros direitos imprescindíveis para a vida humana. Para tanto, deve-se 194

195 pensar em suas dimensões tanto biológica quanto social, como forma de contribuição para a emancipação humana, de forma crítica às determinantes econômicas e sociais. O esporte nessa perspectiva consolida-se como uma grande ferramenta na construção da cidadania de seus participantes. No entanto, seo esporte, nas suas diferentes dimensões e modalidades, for mediados por ações consonantes ao sistema capitalista que são pautados nos determinantes econômicos e voltados principalmente a perspectiva biológica, dificilmente despertará uma visão crítica. E tampouco a emancipação humana nos indivíduos inseridos nos programas esportivos. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição Federal. Brasília: Câmara dos Deputados BRASIL, Lei nº 8.069, 13 de julho de Estatuto da Criança e do Adolescente ECA, BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física. Brasília: MEC/ SEF, FLORENTINO, J. SALDANHA, R. P. Esporte, educação e inclusão social: reflexões sobre a prática pedagógica em Educação Física.http://www.efdeportes.com/Revista Digital - Buenos Aires - Año 12 - N Septiembre de FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro: Teoria e prática da Educação Física. São Paulo: Editora Scipione, GHIRARDELLI JÚNIOR, P. Educação Física Progressista: a pedagogia crítica- social dos conteúdos e a Educação Física brasileira. São Paulo: Loyola, p. JUNQUEIRA, Guilherme Marson. Esporte e cidadania: uma relação apenas anunciada na formação docente.campinas, SP: {s.n}, KORSAKAS, P. JÚNIOR, P. R.O encontro e desencontro entre o esporte e educação: Uma discussão filosófica-pedagógica.revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v.1, n. 1, p , KUNS, Eleonor.Transformação didático- pedagógico do esporte. Ijuí: Ed. Unijuí, p.- (Coleção educação física). NEIRA, M. G. Educação Física escolar: o esporte como conteúdo pedagógico do ensino fundamental. Canoas: ULBRA, TÁVOLA, A. Comunicação é mito: televisão em leitura crítica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,

196 A CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSAS PARTICIPANTES DA UNIVERSIDADE ABERTA PARA MATURIDADE - UNABEM XAVIER, F. B.¹; SILVA, J. J.²; PEIXOTO, N.ᶟ; LEMOS, M. S. 4 ; QUEIROZ, C. A. 5 ¹ Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro - FESP/UEMG, Passos/MG - Brasil. ² Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro - FESP/UEMG, Passos/MG - Brasil. ᶟ Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro - FESP/UEMG, Passos/MG - Brasil. 4 Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro - FESP/UEMG, Passos/MG - Brasil. 5 Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro - FESP/UEMG, Passos/MG - Brasil. RESUMO O objetivo deste trabalho foi analisar os componentes da aptidão funcional de 20 idosas da turma G/2014, da Universidade Aberta para Maturidade (UNABEM), através da Bateria de Testes AAPHERD "American Aliiance for Hearth, Physical Education, Recreation and Dance". Trata-se de estudo descritivo, com abordagem quantitativa. Os resultados parciais, relacionados ao nível de aptidão funcional, evidenciaram que 90% das idosas pesquisadas estão entre os níveis Fraco e Regular. Após a primeira fase da coleta dos dados, foi implantado um protocolo de exercícios físicos visando a melhoria da capacidade funcional do grupo estudado. As sessões são ministradas pela aluna/pesquisadora, sob a supervisão da equipe de professores, uma vez por semana. A análise dos dados evidenciou que as capacidades funcionais são interligadas e fundamentais para que as idosas tenham um envelhecimento saudável. Após intervenção será realizada a 2ª etapa da coleta de dados. Diante dos resultados apresentados podese concluir que os exercícios físicos praticados regularmente são de suma importância para a manutenção e a melhoria no IAFG (Índice de Aptidão Funcional Geral) das idosas. Portanto a prática de atividades físicas na UNABEM é uma necessidade, visando o incentivo à prática de exercícios físicos regulares, a fim de melhorarem a qualidade de vida e evitarem o declínio do envelhecimento. Palavras chaves: idosas; capacidades motoras; aptidão funcional. ABSTRACT This paper had the objective of analyzing the functional aptitude of 20 elderly class G/2014, the Open University for the Elderly (UNABEM), through a group of tests AAPHERD "American Alliance for Hearth, Physical Education, Recreation and Dance". This is a descriptive study with a quantitative approach. Partial results related to the level of functional fitness, showed that 90% of the surveyed elderly are among the Weak and Regular levels. After the first phase of data collection was implemented a protocol of exercises aimed at improving the functional capacity of the studied group. The sessions are taught by student / researcher under the supervision of the team of teachers once a week. Data analysis showed that functional capabilities are interconnected and fundamental for the elderly have a healthy aging. After intervention will be held the 2nd 196

197 stage of data collection. Given the results presented it can be concluded that the physical exercises regularly are critical to maintaining and improving the GFFI (Functional Fitness Index General) of the elderly. Therefore the practice of physical activities in UNABEM is a necessity, aimed at encouraging the practice of regular exercise in order to improve the quality of life and prevent the decline of aging. Key words: Elderly; motor skills; functional fitness. 1 INTRODUÇÃO Atualmente o segmento populacional de idosos é o que mais cresce em quase todos os países, apresentando uma taxa de crescimento maior que a de qualquer outra faixa etária. O Brasil não fica fora desse contexto, vem ao longo dos últimos anos vivenciando um aumento gradativo em sua população idosa. Os dados mostram que a população feminina é a mais expressiva com média de 77 anos de idade e que a população brasileira adicionou 10 anos na sua expectativa de vida (IBGE, 2009). Até o Brasil ocupará o sexto lugar da população de idosos do planeta com 31,8 milhões de indivíduos com 60 anos ou mais (CAVALCANTE; GUERRA, 2005). Em função do crescimento desta população e necessidade de se compreender e estimular a promoção de atividades que levem os idosos ao bem-estar psicológico e social e à melhoria da qualidade de vida, oferecendo oportunidades de participação em atividades intelectuais, físicas e sociais surgem iniciativas como as universidades para terceira idade. Estas são polos capacitadores (LIMA et al., 2010), que oferecem indicativos para intervir de forma efetiva nesta faixa etária da população, articulando ações multi e interdisciplinares proporcionando aos idosos um melhor entendimento sobre seu processo de envelhecer (GUERRA; CALDAS, 2010). A Universidade Aberta para Maturidade (UNABEM) em Passos-MG faz parte das atividades extensionistas das Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro FESP, que tem como objetivo principal oferecer um espaço de convivência onde se fortaleça a autonomia do idoso para um envelhecimento saudável e ativo e consequente melhora da qualidade de vida. A aptidão funcional pode ser considerada como a capacidade de realizar as atividades do dia-a-dia de forma independente, mantendo as habilidades físicas e mentais em um bom estado, podendo assim ter uma vida melhor, e até mesmo um sono adequado (BENEDETTI; GOBBI et al., 2007). Para que a pessoa tenha uma boa aptidão funcional, são necessários vários componentes, como agilidade/equilíbrio, coordenação, flexibilidade, resistência e força, resistência aeróbia. Baseado nestas premissas, o objetivo deste trabalho foi analisar os componentes da aptidão funcional das idosas ingressantes na Universidade Aberta para Maturidade (UNABEM), através da aplicação de uma bateria de testes, chamada American Aliiance for Hearth, Physical Education, Recreation and Dance (AAPHERD), composta por 5 testes motores. 1.1 OBJETIVO 197

198 Analisar os componentes da aptidão funcional de um grupo de idosas ingressantes na Universidade Aberta para Maturidade (UNABEM). 2 METODOLOGIA Este estudo trata-se de uma pesquisa descritiva dividida em 2 (duas) etapas (pré e pós protocolo de exercícios físicos). Foi realizada com 20 idosas (65,65 ± 5,95) ingressantes da Turma G da Universidade Aberta para Maturidade UNABEM, das Faculdades Integradas do Sudoeste Mineiro (Passos/FESP). A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da FESP (Parecer nº ) e as participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O perfil das participantes foi obtido através do Questionário BOAS (VERAS; DUTRA, 2008). A bateria de testes utilizada para avaliar os componentes da aptidão funcional das idosas foi a American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance AAPHERD, composta por 5 testes físicos: agilidade/equilíbrio, coordenação, resistência e força e resistência aeróbia (CLACK, 1989 apud OSNESS, 1990). A 1ª etapa da bateria de teste aconteceu no dia 11 de março de 2014, em uma quadra coberta, divididos 5 (cinco) grupos de idosas, em forma de rodízio, os testes foram aplicados de acordo com a descrição abaixo: 1. Teste de agilidade e equilíbrio (AGIL): Colocou-se uma cadeira no centro, e em seguida foi medido 1,50 m para trás e 1,80 m para o lado da cadeira, onde foram posicionados dois cones, um do lado esquerdo e um do lado direito. Inicia-se o teste sentada na cadeira com a planta dos pés inteiramente apoiadas no chão. Ao sinal do avaliador pronto, já a idosa caminha para a direita e circunda o cone, logo após a participante retornou para a cadeira de origem sentando-se na mesma. Faz o mesmo para a esquerda completando o circuito. Para que se certifique que realmente a idosa sentou, após retornar da volta aos cones, ela realizou uma leve elevação dos pés retirando os mesmos do solo. Foram realizados dois circuitos completos, sendo registrado o menor tempo. 2. Teste de coordenação (COO): Um pedaço de fita adesiva (76,2 cm de comprimento) foi fixado sobre uma mesa. Sobre está fita foi feita seis marcas (12,7 cm) equidistantes entre si, sendo que a primeira e última marca estava há (6,35 cm) de distância das extremidades da fita adesiva. Sobre as seis marcas foi fixado, perpendicularmente, outro pedaço de fita com comprimento de (7,6 cm). A participante sentou-se de frente para a mesa e iniciou o exercício proposto com sua mão dominante (direita ou esquerda). No caso de canhotos, a posição das latinhas, era invertida. Quando o cronometro foi acionado, a mão que foi colocada na lata estava sempre com o polegar para cima, e o cotovelo estava flexionado em um ângulo de aproximadamente 100 a 120 graus, assim que chegou ao final, inverteu-se o polegar, que ficou apontado para baixo, completando o circuito. A lata de refrigerante um foi colocada na marca 2, a lata dois na marca 4, e a lata três na marca 5, entre as fitas fixadas perpendiculares, a participante virou a lata invertendo sua base de apoio, até chegar ao final da sequencia. Foram realizadas duas tentativas prévias e mais duas cronometradas, sendo o resultado final o menor tempo. 198

199 3. Teste de flexibilidade (FLEX): No solo foi fixado uma fita adesiva de 50,8 cm, e perpendicularmente, sobre ela foi fixada uma fita métrica de plástico de 63,5 cm. Duas marcas equidistantes de 15,2 cm foram feitas a partir do centro da fita métrica. O zero da fita métrica deverá apontar para a participante. A idosa, descalça, sentou-se no chão com as pernas estendidas, os pés afastados entre si com os calcanhares centrados nas marcas da fita adesiva. Colocou as mãos, uma sobre a outra e lentamente deslizou-se para frente sobre a fita métrica, indo até o seu limite, em seguida permaneceu neste por no mínimo 2 segundos. O avaliador manteve os joelhos da participante seguros, para que a mesma não os flexionasse. 4. Teste de resistência e força (RESISFOR): Colocou-se o halter de 1,8 kg (mulheres) próximo a cadeira. A participante, sentou-se, apoiando no encosto, com o tronco ereto e os pés completamente apoiados no chão. A posição correta da participante era: o braço dominante relaxado e estendido ao longo do corpo e o outro braço apoiado sobre a coxa. O primeiro avaliador segurou no bíceps da participante e em seguida pegou o halter e entregou à mesma, colocando em sua mão dominante. Halter paralelo ao solo, com sua extremidade voltada para frente. Após a sinalização do segundo avaliador, a participante iniciou o exercício contraindo o bíceps, realizando uma flexão do cotovelo, até que seu antebraço tocasse a mão do primeiro avaliador. Em seguida, o halter foi colocado no chão, marcando um minuto de descanso. Iniciou-se novamente o movimento por 30 segundos. O avaliador contou quantas vezes o movimento foi realizado adequadamente, marcando o número de repetições. 5. Teste de resistência aeróbia (RAG): O teste foi realizado em uma pista de atletismo, na qual a participante foi orientada a caminhar rapidamente por 804,67 m. O tempo para realizar a atividade foi considerado em segundos. Após aplicação da bateria de teste foi implantado um protocolo de exercícios físicos com objetivo melhorar as capacidades funcionais da amostra pesquisada. Ainda em fase de intervenção, as sessões são ministradas pela orientanda sob a supervisão da orientadora, com duração de 50 (cinquenta) minutos, uma vez por semana. Os dados foram tabulados no Microsoft Office Excel RESULTADOS 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA Ao analisar a Figura 1, em relação à faixa etária, observa-se que a maioria das idosas estão entre 60 a 69 anos (80%) e as demais entre 70 à 79 anos (20%). Quanto ao estado civil, verifica-se que 35% das participantes afirmam ser casadas, enquanto que 15% relataram ser solteiras e divorciadas, e 35% viúvas. De acordo com o nível de escolaridade das idosas, 15% relataram ser analfabetas, 40% afirmaram ter cursado apenas o Ensino Fundamental, 35% o Ensino Médio e 10% Superior Completo. Em relação à ocupação, 20% das idosas, trabalhavam como costureiras, 15% eram do lar e auxiliar de enfermagem, 10% eram domésticas e comerciantes e 30% afirmaram ter outros tipos de ocupações. 199

200 Figura 1 - Caracterização da amostra, UNABEM MÉDIA E DESVIO PADRÃO DAS CAPACIDADES FUNCIONAIS Na Tabela 1, fica evidente que nos testes de Agilidade/equilíbrio (15,2 ± 2,4), Flexibilidade (51,8 ± 9,1), Resistência e Força (15,2 ± 4,3) e Resistência Aeróbia (596,3 ± 57,9), há uma relevância quando se observa o desvio padrão dos mesmos, que apresentam resultados mais heterogêneos em relação aos outros. Tabela 1 Médias, Desvios-Padrão dos Testes de Aptidão Funcional das idosas. Testes Média DP AGIL 15,2 2,4 COOR 11,4 3,1 FLEX 51,8 9,1 RESISFOR 15 4,3 RAG 596,3 57,9 Fonte: Pesquisa 3.3 CORRELAÇÃO ENTRE OS TESTES AVALIADOS NO AAPHERD De acordo com a Figura 2, os dados dispersos no gráfico estão associados as idosas participantes da bateria de testes, já a linha entre estes pontos é a tendência de acordo com a fator Idade. Observa-se que nos testes de AGIL, COOR, e RAG existem uma tendência, embora não significativa, a um aumento de acordo com a idade. No teste RESISFOR ocorreu uma tendência a uma redução dos valores conforme a idade aumentada. O teste de FLEX praticamente manteve estável de acordo com a idade. 200

201 Idosas Tendência Idosas Tendência Idosas Tendência Figura 2 - Correlação entre os resultados das Idosas e sua tendência em relação ao fator Idade. 201

202 3.4 CLASSIFICAÇÃO DA APTIDÃO FUNCIONAL A classificação da bateria de testes AAPHERD foi realizada através do score percentil de acordo com a idade das idosas, exposto em tabelas referentes a cada teste avaliado, o percentil varia em relação a idade das idosas, que é classificado de 60 aos 79 anos, este resultado classifica a idosa em Muito Fraco, Fraco, Regular, Bom e Muito Bom. De acordo com a Tabela 2, observa-se que 30% das idosas avaliadas, estão no nível Fraco, 60% encontram-se no estado Regular e 10% no nível Bom. Vale ressaltar também que nenhuma das idosas analisadas, está nos níveis Muito Fraco e Muito Bom. Tabela 2 - Classificação do Índice de Aptidão Funcional Geral (IAFG). Classificação N Porcentagem 4 DISCUSSÃO Muito Fraco 0 0% Fraco 6 30% Regular 12 60% Bom 2 10% Muito Bom 0 0% Fonte: Pesquisa Como demonstrado na Figura 1, observou-se que a faixa etária da maioria das idosas pesquisadas está entre 60 à 69 anos, esta predominância pode estar relacionada ao fato da busca de afazeres para preencherem seu tempo livre, que antes era gasto com o trabalho laboral, cuidado de casa, criação dos filhos, entre outras atividades. Quanto ao estado civil, vale ressaltar a quantidade de pessoas viúvas analisadas neste estudo (35%), este fato pode estar relacionado à busca por novas atividades para preencher o vazio que ficou após o falecimento de seu companheiro. Observa-se também que as ocupações estão intimamente ligadas ao nível de escolaridade exposta das idosas pesquisadas. A média e o desvio padrão da capacidade funcional agilidade/equilíbrio (15,2 ± 2,4) das idosas analisadas demonstra que durante o envelhecimento vários sistemas se modificam e podem afetar diferentes capacidades motoras evitando assim as quedas ocasionadas pela perda da agilidade/equilíbrio. O prejuízo da audição e visão, a diminuição da força muscular, as alterações posturais, entre outras modificações, afetam as tarefas motoras que utilizam o equilíbrio e a motricidade global (MOURA et al., 1999 apud CARDOSO, 2008). Quando se fala em agilidade Sharkey (1998) afirma que é a capacidade, onde a pessoa tem que mudar de posição ou direção de forma ágil, sem perda de equilíbrio. Portanto, a agilidade está fortemente ligada a capacidades como força, velocidade, coordenação e principalmente equilíbrio. Está é muito importante quando se pretende evitar lesões em atividades físicas diárias. 202

203 Ao se tratar da Flexibilidade (51,8 ± 9,1), observa-se que as idosas analisadas possuem uma flexibilidade razoável perante a faixa etária dominante. Zago e Gobbi (2003) afirmam que a flexibilidade é essencial para a aptidão funcional e crucial para o movimento do idoso. Porém a flexibilidade é reduzida no decorrer do envelhecimento. Quanto à capacidade de Resistência e Força (15 ± 4,3), ressalta-se que a quantidade de repetições realizadas pelas participantes, foi razoável, considerando que normalmente não se trabalha regularmente essa capacidade, Spirduso (2005) afirma que durante o envelhecimento aptidões funcionais como força e resistência muscular dos membros superiores são necessárias e importantes para os idosos. Evidencia-se ainda que a força dos membros superiores deve ser trabalhada regularmente a fim de manter a eficiência das tarefas diárias e um envelhecimento mais saudável. Portanto, ao analisar o IAFG (Índice de Aptidão Funcional Geral), observou-se que as idosas ingressantes na UNABEM, apresentavam um nível de capacidade funcional regular, isto pode estar relacionado ao fato de não estarem tão ativas fisicamente, ou não participarem de nenhuma atividade física no seu tempo livre. Segundo Matsudo et al. (2004) em um estudo longitudinal realizado com senhoras acima de 50 anos, praticantes de exercícios físicos, relatou que o efeito de manutenção da maioria das variáveis da aptidão física, esta intimamente ligado a prática de exercícios físicos. Neste sentido, observa-se que limitações funcionais já instaladas possam influenciar expressivamente nas dimensões do nível de atividade física das idosas deste estudo. Para que o processo de envelhecimento seja vivenciado de forma saudável e independe, é preciso manter um estilo de vida ativo. Zaitune et al. (2007), afirma que a incorporação de estilos de vida mais saudáveis está fortemente ligado a prática de atividades físicas no período de lazer das pessoas. Para tanto, observa-se que baixas classificações de IAFG das idosas, podem ser consideradas barreira para o envolvimento em atividades físicas do lazer. Segundo Haight et al. (2005 apud CARDOSO, 2008), em seu estudo, onde analisou idosas americanas, por um período de 6 anos, que teve como objetivo avaliar a atividade física e a composição corporal, em relação a variação nas limitações funcionais, observou-se que os níveis mais elevados de atividade física de lazer contribuíram significantemente para a redução da latência de limitações funcionais. Ressaltou também que a conservação de níveis mais altos de atividade física reduziu em 52,7% o risco de surgimento de novas limitações funcionais das idosas. 5 CONCLUSÃO Os resultados parciais, relacionados ao nível de aptidão funcional, evidenciaram que a maioria das idosas pesquisadas está entre os níveis Fraco e Regular. Após a primeira fase da coleta dos dados, foi implantado um protocolo de exercícios físicos visando à melhoria da capacidade funcional do grupo estudado. As sessões são ministradas pela orientanda, sob a supervisão da equipe de professores, uma vez por semana. A análise dos dados evidenciou que as capacidades funcionais são interligadas e fundamentais para que as idosas tenham um envelhecimento saudável. Após intervenção será realizada a 2ª etapa da coleta de dados. 203

204 Diante dos resultados apresentados pode-se concluir que os exercícios físicos praticados regularmente são de suma importância para a manutenção e a melhoria no IAFG (Índice de Aptidão Funcional Geral) das idosas. Portanto a prática de atividades físicas na UNABEM é uma necessidade, visando o incentivo à prática de exercícios físicos regulares, a fim de melhorarem a qualidade de vida e evitarem o declínio do envelhecimento. REFERÊNCIAS BENEDETTI, T. R. B.; GOBBI, S.; et al. Valores normativos de aptidão funcional em mulheres de 70 a 79 anos. Rev. Bras. Cineantropom. Desempenho Hum. 2007; 9(1): Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/viewfile/4026/ 3412>. Acesso em: 20 set CAVALCANTE, C. E.; GUERRA, A. V. Programa melhoria da qualidade de vida dos idosos institucionalizados. In: ENCONTRO DE EXTENSÃO DA UFMG, 8., 2005, Belo Horizonte. Anais Eletrônicos. Belo Horizonte: UFMG, Disponível em <http://www.ufmg.br/proex/arquivos/8 Encontro/Saude_41.pdf>. Acesso em: 08 mai CARDOSO, A. S.; MAZO, G. Z.; JAPIASSÚ, A. T. Relações entre aptidão funcional e níveis de atividade física de idosas ativas.rev. Bras. de Ativ. Física e Saúde,v. 3, n.2, 2008.Disponível em:<http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/rbafs/article/viewfile/ 787/796> Acesso em: 24 set GUERRA, A. C. L. C.; CALDAS, C. P. Dificuldades e recompensas no processo de envelhecimento: a percepção do sujeito idoso. Ciência & Saúde Coletiva, v. 15, n. 6, p , Disponível em: <http://www.scielosp.org/pdf/csc/v15n6/a31v15n 6.pdf> Acesso em: 09 mai IBGE. Tábuas completas de mortalidade Comunicação Social: 01 dez Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticiasnoticiavisualiza.php?id_noticia=1507&id_ pagina=1>. Acesso em: 20 fev LIMA, D. P.; et al. A importância da integração universidade e serviços de saúde. Rev. Ciênc. Ext. v 6 (1): p , Disponível em: < revista_proex/article/ view/60/333>. Acesso em: 16 jul MATSUDO S. M.; et al. Estudo logitudinal tracking de 4 anos da aptidão física de mulheres da maioridade fisicamente ativas. Rev Bras Cien Mov. Brasília, v. 12. n. 3. p , setembro Disponível em: <http://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/articl e/viewfile/573/597>. Acesso em: 24 set OSNESS, W. H.; et al. Functional Fitness Assessment for Adults Over 60 Years. The American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance (AAPHERD). 204

205 Association for Research, Administration, Profissional Xouncils, and Societies. Council on Aging and Adult Development SHARKEY, B. J. Condicionamento físico e saúde. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, SPIRDUSO, W. W. Dimensões físicas do envelhecimento. Barueri, SP: Manole, VERAS, R.; DUTRA, S. Perfil do idoso brasileiro: questionário BOAS. Rio de Janeiro: UERJ/UnATI, ZAGO, A. S.; GOBBI, S. Valores normativos da aptidão funcional de mulheres de 60 a 70 anos. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. Brasília. v 11, n 2, p 77-86, junho Disponível em: <http://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/viewfi le/500/525>. Acesso em 23 set ZAITUNE, M. P. A.; et al. Fatores associados ao sedentarismo no lazer em idosos, Campinas, São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro. 23(6): , jun, Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v23n6/07.pdf>. Acesso em: 24 set

206 CORRELAÇÃO DOS EFEITOS GERADOS PELA MUSCULAÇÃO E TREINAMENTO FUNCIONAL NO PERCENTUAL DE GORDURA CORPORAL EM MULHERES BIZERRA, R.G Universidade Santo Amaro- UNISA, São Paulo- SP-Brasil; RESUMO Atualmente observa-se um numero crescente de mulheres que procuram a melhora na qualidade de vida através da atividade física orientada, com isso a musculação (TR) se fez uma das escolhas desse publico, bem como o treinamento funcional (TF). E o TR por ser anaeróbico não usa o substrato energético da gordura durante o treino, mas sim na fase posterior ao treino. Já o TF por ser um treinamento misto (aeróbico e anaeróbico) se utiliza do substrato energético (gordura) durante o treino e pós-treino. Portanto existe a necessidade de sintetizar o conhecimento acerca do metabolismo de lipídios durante o exercício, por isso o objetivo desse trabalho é comparar os possíveis efeitos fisiológicos no percentual de gordura corporal (PGC) em mulheres praticantes de musculação e TF na cidade de Alfenas-MG. Para isso 30 mulheres foram divididas em dois grupos, conforme a atividade física praticada, sendo o Grupo 1 (TF); e Grupo 2 (TR). Foram coletados os dados antropométricos e a pressão arterial e a avaliação física foi através da balança de biopedância TANITA Corporation. Através dos dados obteve-se uma diferença significativa do PGC nos dois grupos, sendo que no grupo 1 houve 80% de mulheres com nível saudável, no caso abaixo de 33%. E no grupo 2, 60% de mulheres com índice saudável de gordura corporal. Porém os dois grupos se correlacionaram moderadamente com relação ao PGC (0,45154*) e hidratação (0,41723*). Conclui-se que o TR tem o efeito sobre o PGC de uma forma indireta, sendo o substrato energético (gordura), já o TF utiliza o desse substrato durante o treinamento e pós-treino. Sendo assim, os mesmos dependentes um do outro com o objetivo de uma grande perda de PGC. Palavras-chave: Musculação; Treinamento Funcional e Gordura total. ABSTRACT Currently there is a growing number of women who seek a better quality of life through physical activity oriented, with that weight training ( TR ) became one of the choices that public as well as functional training (PT ). And the TR because it does not use the anaerobic energy substrate of fat during the workout, but the post- workout phase. Have to be a TF ( aerobic and anaerobic ) training using mixed substrate of energy ( fat) during your workout and post -workout. Therefore there is a need to synthesize the knowledge of lipid metabolism during exercise, so the purpose of this study is to compare the possible physiological effects on the body fat percentage ( PGC ) in women who practice bodybuilding and TF in the city of Alfenas - MG. For that 30 women were divided into two groups according to physical activity, with Group 1 ( TF ) ; and Group 2 ( TR ). Anthropometric data and blood pressure and physical assessment was through the balance of biopedância TANITA Corporation were collected. Through the data we obtained a significant difference from PGC in both groups, and in group 1 was 80 % of women with a healthy level if below 33 %. And in group 2, 60 % of women with healthy body fat index. But the two groups correlated moderately with respect to PGC ( * 206

207 ) and hydration ( * ). We conclude that RT has the effect on the PGC in a roundabout way, being the energy substrate ( fat), since the TF uses this substrate during training and post-training. Thus, the same dependent on one another for the purpose of a great loss of PGC. Keywords : Bodybuilding ; Functional Training and Total Fat INTRODUÇÃO Atualmente observa-se um numero crescente de pessoas que procuram a melhora na qualidade de vida através da atividade física orientada para melhor condicionamento físico e promoção de saúde. Segundo Pereira (2009) devido isto, houve um aumento também do número de métodos de treinamento desenvolvidos que se propõem a ajudar nessa busca incessante por qualidade de vida. Culturalmente as mulheres passaram a praticar atividades físicas tanto quanto os homens e a procurarem nessas atividades não somente a parte estética, mas também a melhoria na qualidade de vida e nas atividades de vida diária. Com isso a pratica da musculação, ou seja do treinamento resistido (TR) acompanhada da mudança do padrão de beleza que mudou nas ultimas décadas com mulheres que exibem corpos bem definidos e com baixo percentual de gordura se fez uma das escolhas desse publico alvo bem como o treinamento funcional. A musculação é a execução de movimentos biodinâmicos localizados em segmentos musculares definidos com utilização de sobrecarga externa ou peso do próprio corpo (GUEDES, 1997). Sendo a força a capacidade motora mais treinada. Quanto à resposta metabólica no TR Willmore e Costill, 1994 deixam claro que se pode observar que mesmo a mulher tendo o metabolismo basal menor que do homem, a mulher pode reverter esse quadro através do treino bem realizado. E no treinamento de musculação por ser anaeróbico não se usa o substrato energético da gordura durante o treino, mas sim na fase posterior ao treino. O treinamento funcional (TF) é a atividade física que ira capacitar o individuo a realizar tarefas motoras do cotidiano, com eficiência e independência, seja, elas relacionadas ao trabalho, dia-a-dia ou esporte (Pereira, 2009). Pode-se sugerir que esse treinamento trabalha os componentes: força, resistência, potencia e equilíbrio juntamente. Segundo Romijn et al, 1993 a intensidade do exercício configura-se como um dos aspectos importantes na mobilização e utilização do glicogênio e triacilglicerol, devido à relação direta entre intensidade do esforço e a utilização do substrato. O TF por ser um treinamento misto (aeróbico e anaeróbico) se utiliza do substrato energético (gordura) durante o treino e pós-treino. Sendo assim o treinamento aeróbio aumenta a oxidação de Triacilglicerol Intramuscular em detrimento do Ácido Graxo proveniente do plasma. Além da utilização dos Ácidos Graxos durante o exercício, no período de recuperação, estes constituem o principal substrato utilizado (CURI et al, 2003). Como o ser humano adquire compostos de carbono de macronutrientes orgânicos, como gorduras e carboidratos, a oxidação de lipídios é fundamental para a manutenção energética e térmica do organismo humano durante o repouso e o exercício. Segundo Wilmore e Costill, 2001 as gorduras participam de várias funções vitais do organismo. É 207

208 uma fonte primária de energia, fornecendo 70% de nossa energia total no estado de repouso. Silva et. al esclarece que a curva de metabolismo de gordura em função da intensidade de esforço tem um comportamento quadrático, com a maior utilização desse substrato ocorrendo próximo a 60-65% VO2max. Esse metabolismo e a interação entre essas fontes de fornecimento de lipídios durante o exercício ainda são pouco esclarecidos na literatura. Portanto existe a necessidade de sintetizar o conhecimento acerca do metabolismo de lipídios durante o exercício e compreender o efeito da intensidade do esforço sobre a regulação no consumo desse substrato através de atividades ministradas e bem esclarecidas. OBJETIVO(S) Objetivo geral: Comparar os possíveis efeitos fisiológicos no percentual de gordura corporal em mulheres praticantes de musculação e treinamento funcional na cidade de Alfenas-MG. Objetivos específicos: - Correlacionar os resultados obtidos na avaliação física fornecidos pela balança de biopedância nas duas modalidades de atividade fisica; -Observar a influência de ganho de massa magra, perda de massa gorda e hidratação nas atividades físicas selecionadas; -Compreender o efeito da intensidade do esforço sobre o percentual de gordura (PGC) corporal através da musculação e do TF. METODOLOGIA A amostra foi composta de 30 mulheres divididas em dois grupos, conforme a atividade física praticada, sendo o Grupo 1 (treinamento funcional) com 33 anos (± 7,91) de idade e 24,61 (± 2,87) de IMC; e sendo Grupo 2 (musculação) 29 anos (±8,30) de idade e 24,61 (±5,39) de IMC. Estas alunas frequentam academia há mais de seis meses com frequência semanal em media de quatro dias na semana em uma academia com acompanhamento profissional na cidade de Alfenas. Foram coletados os dados antropométricos e a pressão arterial das alunas e a avaliação física foi através da balança de biopedância TANITA Corporation. Através da balança foram extraídos os dados de gordura total, hidratação, gordura visceral e massa óssea. ESTATÍSTICA Para o presente trabalho foi utilizado o teste estatístico de correlação Pearson, também chamado de "coeficiente de correlação produto-momento" ou simplesmente de " de Pearson" mede o grau da correlação entre duas variáveis de escala métrica. 208

209 RESULTADOS E DISCUSSÃO Através da tabulação dos dados obteve-se uma diferença significativa do percentual de gordura corporal nos dois grupos, sendo que no grupo 1 do treinamento funcional houve 80% de mulheres com nível saudável, no caso abaixo de 33%. E no grupo 2 de musculação houve 60% de mulheres com índice saudável de gordura corporal. Os demais dados obtidos e seus respectivos percentuais serão apresentados no gráfico abaixo. Gráfico 1. Percentual referente aos dois grupos 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Hidr. G.V. M.O. Trein.funcional Musculação Hidr.= hidratação(%), normalidade acima de 47%/ GV= gordura visceral, normalidade classificação de 1 a 12/ M.O.= massa óssea, normalidade acima de 2,1. A pressão arterial variou no grupo 1 (treinamento funcional) de 090X060 a 130X090 mmhg. E no grupo 2 (musculação) variou de 100X060 a 120X080 mmhg. Tabela 1. Valor de p na comparação entre os grupos 1 e 2 Dados da balança de biopedância Valor de p Gordura total (%) 0,45154* Hidratação (%) 0,41723* Gordura visceral 0, Massa óssea 0,24445 *Correlação moderada 209

210 O presente estudo sugere que o TF tenha benefícios comparados ao TR como na redução do PGC, no percentual de hidratação corporal e de massa óssea. Porém os dois grupos de treinamento se correlacionaram com relação ao PGC e hidratação corporal, preconizando assim que há uma harmonia entre os mesmos. Prada A.C.B. et. al 2009 defende em seu estudo que não se observa uma redução considerável no percentual de gordura corporal, mostrando que o TR, mesmo sendo praticado por grupos diversos e períodos de treino diferentes, mostrou ineficiente na redução da gordura corporal. Podendo assim propor que o TR seja acompanhado de um treino aeróbio para diminuição do PGC em indivíduos fisicamente ativos. Fernandez A. C. et.al. 2004, em seu estudo assegura que a intensidade do exercício físico é fator primordial para melhor aquisição de resultados, tanto de condicionamento físico, quanto visando perda de massa corporal. CONCLUSÃO Conclui-se que o treinamento resistido tem o efeito sobre o PGC de uma forma indireta, sendo o substrato energético (gordura) usado pelo organismo na fase pós- treino, já o TF utiliza o desse substrato durante o treinamento e pós-treino. Sendo assim, existe uma correlação entre o TR e o TF (p=0,45154) sendo os mesmo dependentes um do outro com o objetivo de uma grande perda de percentual de gordura, seria lógico um treino combinado, pois se forem treinados separadamente existe uma queda na redução do PGC. REFERENCIA 1. CURI, R.; LAGRANHA, C.J.; RODRIGUES JR, J.G.; PITHON-CURI, T.C.; LANCHA JR, A.H.; PELLEGRINOTTI, E.L.; PROCOPIO, J. Ciclo de Krebs como fator limitante na utilização de ácidos graxos durante o exercício aeróbico. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 47, n. 2, p , 2003; 2. FERNANDEZ, A.C. et. al. Influência do treinamento aeróbio e anaeróbio na massa de gordura corporal de adolescentes obesos. Rev Bras Med Esporte, v. 10, n. 3, p , 2004; 3.GUEDES, D.P. Personal training na musculação. 2.ed, 1997; 4. PEREIRA, C.A. Treinamento de força funcional: desafiando o controle postural. 1 edição. Jundiai-SP; editora Fontura, p , 2009; 5. PRADA, A.C.B. et. al. O efeito do treino resistido como meio de diminuir o percentual de gordura corporal (PGC). Educação Física em Revista, v. 3, n. 1, p.2-11, 2009; 6. Romijn JA, Coyle EF, Sidossis L. Regulation of endogenous fat and carbohydrate metabolism in relation to exercise intensity and duration. Am J Physiol; 265:p.380-9, 1993;. 7. SILVA A. E. L. et. al. Metabolismo de gordura durante o exercício físico:mecanismos de regulação. Rev. Bras.Cineantropom. Desempenho Hum. v. 8, n. 4, p , 2006; 8. WILMORE J.H., COSTILL, D.L. Fisiologia do esporte e do exercício. Manole, São Paulo, 2001; 9.WILMORE J. H.; COSTILL, D.L. Physiology of sport and exercise. New York: Human Kinetics,

211 ANÁLISE BIOMECÂNICA DO EXERCÍCIO AGACHAMENTO NO MÉTODO TRADICIONAL E UTILIZANDO A BOLA SUÍÇA F. C. Moreira*, E. Y. Nagata**, W. R. Livramento** e T. Hirata** *Escola Superior de Cruzeiro (ESC), Cruzeiro, Brasil **Departamento de Engenharia Mecânica/Unesp, Guaratinguetá, Brasil Abstract: The squat exercise has great efficiency in the developing anterior and posterior muscles of the thigh, however, has shown a large number of injuries. The present study aimed to compare the traditional squat exercise with support from the Swiss ball, through kinematics, electromyography of the rectus femoris and vastus lateralis and dynamometry. Ten subjects participated in the study, where performed five repetitions of the squat exercise in each method, with the bar and with the support of the Swiss ball. It was found that the exercise ball squat with support from Switzerland, presented the best results. Thus, it is important for professionals in the area, pay attention to the subject in order to provide them alternatives to a more secure and efficient implementation. Key words: Squat exercise, Swiss ball, biomechanics. Introdução O exercício de agachamento é muito eficiente em desenvolver os músculos anteriores e posteriores de coxa. É um movimento multiarticular e é considerado um dos melhores exercícios de musculação devido a sua eficiência. Nos agachamentos profundos, foram medidas pressões de até 400 kg na articulação do joelho [4]. A compressão patelofemoral aumenta com a flexão do joelho [7]. Algumas variações do exercício de agachamento podem ser realizadas, dentre elas destacase o agachamento com o auxilio da bola Suíça [11], que apresenta uma maior estabilização do praticante no momento da execução [10]. Apesar de ser muito praticado, o agachamento com apoio da bola Suíça tem sido pouco estudado [11]. O presente estudo propõe comparar o agachamento com a barra e o agachamento com o apoio da bola suíça por meio de análise biomecânica, utilizando a cinemetria, a eletromiografia dos músculos reto femoral e vasto lateral e a dinamometria durante a execução do movimento. Materiais e Métodos Amostra Participaram do estudo dez voluntários do sexo masculino com idade de 18 à 25 anos, saudáveis e sem histórico de lesão nos membros inferiores. Todos com no mínimo 6 a 8 meses de treino em musculação. 211

212 Instrumentos Para a pesquisa foi necessário uma bola Suíça Acte (65 cm), uma barra (Polimet, 1,50 mts, 8kg), anilhas (2 de 5kg, 2 de 10kg e 2 de 1kg), duas câmeras digitais da marca Sony DSC- W120, Cyber-shot de 7.2 megapixels, 30 fps (frames por segundo ou quadros por segundo ), um notebook LG A410, um eletromiógrafo da EMG System do Brasil, modelo EMG611C com seis canais. Utilizou-se um eletromiógrafo da EMG System do Brasil, modelo EMG611C com quatro canais com conversor A/D (analógico/digital) de 16 bits de resolução e com faixa de entrada de -5V a +5V. A freqüência de amostragem de 2000 Hz, com amplificação de O filtro foi ajustado na faixa de 10Hz a 500 Hz, de quarta ordem, com tempo de análise de 20 segundos. Para a captação dos sinais eletromiográficos foram utilizados sensores ativo bipolares diferenciais, pré-amplificados (ganho de 20 vezes) e com uma taxa de rejeição de modo comum maior que 100 db. Foram utilizados eletrodos de superfície com base em Ag- AgCl (prata-cloreto de prata), com geometria circular de 10mm de diâmetro. As faces dos eletrodos foram recobertas por gel condutor para aumento da condutividade elétrica. Utilizou-se uma bateria, para que não houvesse interferência dos sinais da rede elétrica. Utilizou-se para o tratamento dos dados, o próprio eletromiógrafo, para obtenção dos gráficos Vrms (tensão rms root mean square) da atividade elétrica muscular em relação ao tempo. O procedimento da captura e análise do sinal eletromiográfico, foi baseado na recomendação da International Society Electrophysiology Kinesiology (ISEK). Para aquisição de dados de forças de contato do membro de apoio, foi utilizada uma plataforma de forças, desenvolvida e calibrada devidamente no laboratório de Biomecânica. Com a plataforma de forças foram coletadas as forças de reações verticais do pé de apoio. A plataforma de força utilizada nesta pesquisa foi desenvolvida segundo padrões Internacionais de Medidas com capacidade de carga de 3600N, com dimensões de 70 x 500 x 500 mm, altura-largura-profundidade, material de alumínio 5052, constituída por 4 células de carga. Cada células de carga foi construída com capacidade de 900 N, sensibilidade de 2mV/V, corpo em aço 4340, 4 extensômetros (modelo J2A 06 SO38 350) com fator de ganho 2,05, fabricante MM. A captação dos sinais de extensômetros foi realizada utilizando um condicionador Spider8, da marca HBM com programa especifico CARMAN, frequência de aquisição de 200Hz. Procedimentos Para a coleta dos dados do eletromiógrafo foram realizadas tricotomia e assepsia na pele na região dos músculos reto femoral e vasto lateral de acordo com o protocolo SENIAM. Os eletrodos foram colocados apenas na perna dominante. Os sujeitos fizeram aquecimento prévio e simulação do movimento antes da aquisição dos dados. No início, os indivíduos subiram na plataforma zerada e após o comando foram submetidos a exercícios de agachamento com a barra, constituídos de uma série de 5 repetições com velocidade constante e uma carga de 6 kg de anilhas em cada lado da barra totalizando 20 kg com o peso da barra (8 kg). Após terminar os movimentos de agachamento com a barra, os indivíduos desceram da plataforma e a barra foi retirada. Novamente a plataforma foi zerada para dar início a mais uma série de 5 repetições do exercício agachamento com o apoio da bola Suíça, estando esta apoiada na região lombar. Para totalizar 20 kg, os indivíduos utilizaram duas anilhas de 10 kg, uma em cada mão. Na figura 1, estão demonstrados os tipos de agachamento utilizado na pesquisa. 212

213 Figura 1. a) Agachamento com Barra; b) Agachamento com o apoio da Bola Suíça. Durante a execução do agachamento, foram coletados sinais eletromusculares dos músculos reto femoral e vasto lateral. Para a coleta do sinal EMG foi baseado na recomendação da International Society Electrophysiology Kinesiology (ISEK). A figura 2 ilustra o sinal EMG processado de um individuo durante 5 repetições do exercício de agachamento. A amplitude média do sinal foi obtida para cada músculo nas duas formas de execução pelo sinal obtido durante a contração realizada no movimento. A análise estatística dos dados foi feita a partir do vrms, obtidos dos pontos médios de maior atividade eletromuscular (µv) apresentados nos músculos: reto femoral e vasto lateral. Os dados obtidos foram comparados entre os dois métodos do exercício de agachamento. A dinamometria esteve presente no trabalho por meio da plataforma de força. A análise dos dados obtidos pela plataforma foi aplicada em um gráfico onde analisados os picos da força de reação do solo, sincronizou-se com a cinemetria para chegar aos ângulos referentes aos picos da FRS. Ilustrado na figura 3, o gráfico com os números referentes a pressão exercida sobre o solo. RESULTADOS: No momento de maior flexão da articulação do joelho por meio da cinemetria foi analisado uma média de 76,6º com o exercício agachamento com a barra e um desvio padrão de 2,90º e 86,04º com o apoio da bola com um desvio padrão de 2,79º. Já na articulação do tornozelo a média é de 86,08º para o agachamento com a barra com um desvio padrão de 4,04º e 213

214 104,4º para o agachamento com o apoio da bola com um desvio padrão de 3,83º. E o quadril apresentou uma angulação de 74,6º com um desvio padrão de 3,68º para o agachamento com a barra e 105,24º para o agachamento com o apoio da bola com um desvio de 3,06º. No gráfico 4, apresenta os ângulos referentes as articulações citadas acima. No gráfico 5, será apresentado os dados obtidos na plataforma de força. Onde os dados são apresentados em quilograma força (kgf), onde resultam da força de reação do solo. Analisase que o agachamento com a barra obteve uma média de 128,97 kgf sobre o solo no seu momento de pico com uma média de 4,08 kgf e o agachamento com o apoio da bola suíça apresentou uma média de 114,5 kgf sobre o solo com uma média de 2,76 kgf no seu desvio padrão. Com os dados obtidos, colocado em sincronia com a cinemetria, verificou-se que os picos apresentados na plataforma se obtiveram no agachamento com barra com uma angulação média de 86º e com o apoio da bola Suíça uma média de 98º. Os resultados da atividade eletromuscular foram obtidos do ponto médio da maior ativação eletromuscular apresentado no gráfico 2, no momento da realização do movimento. No gráfico 6, pode-se ver a média em (µv) dos músculos analisados no presente trabalho, observando se que o músculo Vasto Lateral no exercício agachamento com a barra apresenta uma tensão média de 0,36 (µv) e um desvio de 0,23 (µv), e com o apoio da bola apresenta uma tensão média de 0,41 (µv) com um desvio de 0,24 (µv). O músculo Reto Femoral apresentou uma tensão média de 0,33 (µv) para o exercício agachamento com a barra e um desvio de 0,17 (µv) e uma tensão média de 0,46 (µv) para o exercício de agachamento com o apoio da bola suíça com um desvio de 0,15 (µv). 214

215 Através dos dados da eletromiografia, houve a comparação com a cinemetria onde foi deparado com uma média de 85º no agachamento com barra e 94,5º para o agachamento com o apoio da bola Suíça, e levou-se em consideração que a maioria dos indivíduos apresentou uma maior intensidade na atividade eletromuscular no ponto de iniciação da força concêntrica no movimento do agachamento (movimento de subida). DISCUSSÃO: No presente trabalho foram coletados dados por meio de cinemetria, eletromiografia e plataforma de força. De acordo com os dados obtidos na coleta por meio da cinemetria, observa-se que o exercício agachamento com o apoio da bola suíça apresenta um menor grau do desvio padrão possibilitando uma estabilidade maior em relação ao agachamento com a barra. Uma das articulações mais exigidas no exercício agachamento é a articulação do joelho e também é a que apresenta grandes danos para seus praticantes. E por meio da cinemetria pode-se observar que a angulação sofrida pelo joelho no exercício agachamento com barra é menor, aumentando significativamente a compressão patelofemoral, onde, por sua vez, aumenta com a diminuição do ângulo exercido sobre a articulação do joelho [6]. A compressão patelofemoral aumenta com a flexão do joelho, onde realizou os testes com uma amostra composta por dez (10) indivíduos, onde realizaram duas formas de agachamento livre, ultrapassando a linha vertical da ponta do dedo dos pés e não ultrapassando a linha do mesmo [7]. No seguinte estudo, possibilita uma menor compressão patelofemoral no exercício agachamento com o apoio da bola suíça devido aos dados obtidos. Verificou-se através da plataforma de força que o exercício agachamento com barra exerce uma força de 128,97 kgf sobre o solo, com um valor 12,63% acima do valor apresentado pelo exercício agachamento com o apoio da bola e com uma diferença de 48,03% no desvio padrão durante o exercício. Possibilitando em uma maior dificuldade na realização do exercício agachamento com barra, acreditando-se em uma exigência de um melhor conhecimento ou habilidade do atleta para um melhor resultado conquistado na realização do mesmo. O agachamento com o apoio da bola já apresenta números mais baixos em relação à força exercida sobre o solo, possibilitando a prática de indivíduos menos experientes. Em análise da ativação do músculo vasto medial, bíceps femoral cabeça longa, semitendíneo e glúteo máximo e verificou que todos apresentam uma significativa 215

216 participação durante o exercício. E por meio desses dados obtido pelo autor, pode-se observar que o exercício de agachamento com barra exige mais musculaturas podendo então implicar nos resultados coletados no presente trabalho [9]. Onde o exercício agachamento com o apoio da bola suíça sendo mais concentrado devido às angulações apresentadas nas articulações [10]. Segundo os dados da eletromiografia, o agachamento com o apoio da bola suíça apresentou uma maior tensão da atividade eletromuscular dos músculos relacionados no presente estudo. O fato de o desvio padrão apresentar um alto valor deve-se ao sinal do eletromiógrafo. Realizaram uma pesquisa da mesma linha de raciocínio do presente estudo, onde também realizaram a análise da atividade eletromuscular de músculos do membro inferior, onde coletaram dados do músculo reto femoral e o vasto medial da coxa, verificando uma maior tensão do músculo reto femoral do exercício agachamento com o apoio da bola suíça em relação ao agachamento livre [11]. O presente estudo obteve o mesmo resultado com a análise do músculo reto femoral, consolidando ainda mais a probabilidade do agachamento com o apoio da bola apresentar uma melhor eficiência em relação ao agachamento com a barra. CONCLUSÃO: Por meio dos dados obtidos na pesquisa, pode-se concluir que o agachamento com o apoio da bola suíça apresentou melhores resultados em relação ao agachamento com barra. O agachamento com o apoio da bola suíça, pode ser bastante aproveitado para a iniciação de atletas de musculação, pois, segundo dados ele apresenta uma maior estabilidade para o atleta e uma maior eficiência dos músculos, reto femoral e vasto lateral, em relação ao agachamento com a barra. E para finalizar, de acordo com dados e estudos apresentados por vários autores e os dados obtidos no presente estudo o exercício agachamento com o apoio da bola apresenta uma melhor biomecânica relacionada aos ângulos obtidos como padrão para uma eficiência do exercício. Demonstrando-se um exercício eficiente e com baixo risco de lesão. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: [1] AMADIO, A.C. et al. Introdução à Biomecânica para Análise do Movimento Humano: Descrição e Aplicação dos Métodos de Medição. São Paulo: USP, [2] BAUMANN, W. Métodos de medição e campos de aplicação da Biomecânica: estado da arte e perspectivas. Trad. de Sonia C. Correa e Ricardo Barros. / Apresentado ao VI Congresso Brasileiro de Biomecânica, Brasília1995. [3] BOSSI, Luis Cláudio. Periodização na musculação. São Paulo: Phorte, [4] CAMPOS, Maurício de Arruda. Biomecânica da musculação. 3 ed. Rio de janeiro: Sprint,

217 [5] CARRIÈRE, Beate. Bola Suíça: Teoria, Exercícios Basicos e Aplicação Clínica. São Paulo: Manole, [6] HALL, Susan J. Biomecânica Básica. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, [7] HIRATA R.P; DUARTE M. Efeito da posição relativa do joelho sobre a carga mecânica interna durante o agachamento. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 11, n. 2, p [8] HIRATA, Rogério Pessoto. Análise da Carga Mecânica no Joelho Durante o Agachamento. Dissertação de Mestrado da Universidade de São Paulo, São Paulo, [9] LIMA, C. S; PINTO, R. S. Cinesiologia e Musculação. Porto Alegre: Artmed, [10] MARTINS, Daniela S; CRUZ, Ticiane M. F. Exercícios com bola: um guia prático. São Paulo: Phorte, [11] SAMPAIO-JORGE, F; SCHETTINO, L; PEREIRA, R. Análise eletromiografica durante o exercício de agachamento com e sem auxílio de bola suíça. Brazilian Journal of Sports and Exercise Research, Rio de Janeiro, v. 1, n.2, [12] SOUZA, F. M. C. P. G. et al. Atividade eletromiográfica no agachamento nas posições de 40º, 60º e 90º de flexão do joelho. Revista Brasileira de medicina do esporte, Niteroi, v. 13, n.5, [13] WINTER, DA. The Biomechanics and motor control of human gait. Normal, Elderly and Pathological. Ontario, Canada: University of Waterloo Press, p. 143,

218 RELAÇÃO ENTRE OS TESTES INDIRETOS PARA AVALIAÇÃO DO DANO MUSCULAR APÓS OS EXERCÍCIOS EXCÊNTRICOS Jonathan Tavares Dias¹ Elaine Cristina Domingues dos Santos¹ Elisângela Silva¹ Patrícia Alvarenga Santini¹ Wagner Zeferino de Freitas¹ (1) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, Muzambinho, Minas Gerais, Brasil RESUMO: O dano muscular é ocasionado pela ruptura, alargamento ou prolongamento da linha Z, pelo rompimento do sarcolema e um dano às fibras musculares, o que resulta em danos a ultraestrutura, a matriz extracelular, e, possivelmente, aos capilares. O presente trabalho tem como objetivo correlacionar vários métodos indiretos de identificação de dano muscular com o teste de ação voluntária máxima, que segundo a literatura é o mais indicado. O trabalho também identificou o dano muscular provocado pelo protocolo de treino excêntrico, que segundo os autores consultados é ação que provoca maior proporção de dano muscular. A amostra do estudo foi composta de 8 indivíduos com experiência em musculação a pelo menos um ano. Estes não poderiam realizar quaisquer outras atividades durante as coletas. Antes da execução do treinamento foi avaliado a perimetria, potência, força máxima, dor muscular de inicio tardio, amplitude articular e força isométrica. O treinamento foi composto por 8 séries de 12 RM, onde os avaliados realizavam apenas a fase excêntrica do exercício proposto (rosca scott). Todas as avaliações foram repetidas logo após (momento 0), 24, 48, 72 e 96 horas após, para acompanhar a magnitude do dano muscular. Foi realizada uma análise estatística onde foi feita a correlação dos testes de força máxima, força isométrica e potência com a amplitude articular, DMT e perimetria, com o objetivo de identificar quais testes tem relação com o teste de ação voluntaria máxima. Conclui-se que a perimetria; amplitude articular; DMT são bons marcadores de dano muscular, pois apresentaram pelo menos um dos momentos observados uma relação considerada no mínimo como forte na relação com os testes de ação voluntaria máxima, que segundo a literatura é o método indireto que melhor identifica o dano muscular. Palavras-Chave: dano muscular; métodos indiretos; treino excêntrico Abstract: The muscle damage is caused by disruption, enlargement or extension of the line Z at the sarcolemma disruption and damage the muscle fibers, resulting in damage to the ultrastructure, the extracellular matrix, and possibly the capillaries. This study aims to correlate various indirect methods of identifying muscle damage with maximum voluntary action test, which according to the literature is the most suitable. The work also identified the muscle damage caused by eccentric training protocol, which according to the authors consulted is action that causes higher proportion of muscle damage. The study sample was composed of 8 individuals with experience in weight training at least one year. These could not perform any other activities during the collections. Prior to the execution of the training 218

219 was evaluated perimetry, power, maximum strength, muscle soreness late start, range of motion and isometric strength. The training consisted of 8 sets of 12 RM, which held only the appraised the eccentric phase of the proposed exercise (scott thread). All evaluations were repeated after (time 0), 24, 48, 72 and 96 hours to monitor the extent of muscle damage. A statistical analysis where the correlation of maximal strength testing, isometric strength and power with the range of motion, and DMT was perimetry was performed with the aim of identifying which tests have relationship with maximal voluntary action test. We conclude that the perimeter; articular range; DMT are good markers of muscle damage, as had at least one of the moments observed one considered at least as "strong" in relation to tests of maximum voluntary action, which according to the literature is the indirect method that identifies the best muscle damage ratio. Keywords: muscle damage; indirect methods; eccentric training INTRODUÇÃO Há mais de cem anos encontramos indícios de estudos relacionados com o dano muscular. O dano muscular (DM) é uma microrruptura/microlesão no sarcômero (FRANÇA, 2011), com ruptura mecânica na fibra muscular (CLARKSON; HUBAL, 2002). Este dano é ocasionado especialmente pela ruptura, alargamento ou prolongamento da linha Z, ou pelo rompimento do sarcolema (TOGASHI, 2009). Clarkson e Hubal, (2002) relatam que o exercício físico pode provocar um dano às fibras musculares, o que resulta em danos a ultra estrutura, a matriz extracelular, e, possivelmente, aos capilares. Já é consenso na literatura que são vários os fatores que podem interferir no surgimento e na magnitude do dano muscular, entre eles destacamos: os exercícios que não são comuns no seu dia a dia, onde estes podem ser intensos ou de longa duração (TOGASHI, 2009); o maior trabalho mecânico (BERTON et al., 2012); o maior tempo de tensão (CHAPMAN et al., 2006); a idade dos indivíduos (FRANÇA, 2011); os tipos de ações musculares concêntrica, excêntrica e isométrica (FRANÇA, 2011) entre outros. Sabemos que na ação muscular ocorrem duas fases: a fase da ação concêntrica e a fase excêntrica; a ação concêntrica apresenta um encurtamento do músculo ou aproximação da origem e inserção muscular sendo assim a fase em que o a resistência externa é superada pela ação do músculo e a ação excêntrica caracterizada pelo alongamento das fibras musculares ou quando a origem se afasta da inserção, sendo que a resistência externa vence a muscular (POWERS; HOWLEY, 2009; IDE et al., 2011; IDE, 2010) e é definida com um alongamento ativo dos sarcômeros (IDE et al., 2011). Vários estudos indicam que a fase excêntrica provoca maior magnitude de dano muscular (FRANÇA, 2011; CLARKSON; HUBAL, 2002; TOGASHI, 2009; MOLINA; AMORIM, 2007; ALMEIDA, 1999; RADAELLI, 2003; IDE et al., 2010). Os estudos de Ide (2010), Ide et al. (2010) e Ide et al. (2011), relatam que as ações excêntricas produzem até 60% mais força do que outras ações musculares. Algumas hipóteses justificam o motivo pelos quais as ações excêntricas produzem mais força quando comparado às outras ações musculares. A primeira hipótese é a ocorrência da não uniformidade e instabilidade do comprimento do sarcômero, pois os que estão próximos do centro das fibras musculares alongam-se mais que os outros, com isso esse sarcômero mais 219

220 alongado permanece praticamente em isometria (IDE, 2010; IDE et al., 2011). A segunda hipótese é devido à presença de proteínas com característica elástica, como a titina, que é um componente elástico do músculo que tem uma grande participação no aumento da força após o alongamento. Os aspectos mais importantes a serem considerados são basicamente: 1) os pontos de ancoragem, especificamente no disco Z e linha M; 2) os sítios de ligação com a miosina e a afinidade com os MyBP-C (IDE, 2010; IDE et. al, 2011). A terceira hipótese é que durante as ações excêntricas não há necessidade de uma molécula de ATP para desconectar as pontes cruzadas, pois estas são desconectadas mecanicamente devido ao alongamento do músculo, portanto há um menor gasto de ATP (IDE, 2010; IDE et. al, 2011). Como falado anteriormente, as ações excêntrica causam um maior dano tecidual, isso se deve ao fato das contrações excêntricas serem resultado de uma maior agressão mecânica, isso é atribuído ao alongamento do músculo, gerando uma maior tensão sobre a mesma quantidade de fibras, facilitando o processo de ruptura das fibras (maior estresse mecânico) (CLARKSON; HUBAL, 2002; IDE, 2010; RADAELLI, 2003). Essa ação muscular produz uma maior sobrecarga por fibra muscular, por isso há maior produção de DM (TOGASHI, 2009; ALMEIDA, 1999). Ocorre também um menor recrutamento de unidades motoras para uma determina força muscular, gerando assim um maior DM (IDE, 2010; RADAELLI, 2003). Segundo Togashi (2009), nas ações excêntricas há um menor recrutamento de fibras, o que foi comprovado por Enoka em 1996, que utilizou a eletromiografia para identificar a ativação do músculo, concluindo que quando comparado com exercícios isométricos e concêntricos, a ação excêntrica tem uma menor ativação do músculo. Alguns estudos nos mostram que quando utilizado um protocolo de treino que exclui a fase excêntrica, há um menor incremento da força. Com isso chegaram à conclusão de que, quando maior a incidência de MTA acompanhado de um tempo adequado para regeneração das fibras, proporciona um maior incremento da força e hipertrofia muscular, gerado pelas ações excêntricas (IDE, 2010). De acordo com Ide (2010) e Radanelli (2003), as fibras musculares do tipo 2 são mais suscetíveis a micro trauma adaptativo (MTA) e a hipertrofia, pois durante as ações excêntricas são utilizadas unidade motoras preferencialmente do tipo 2. Segundo Clarkson; e Hubal, (2002) após a ocorrência do DM, se inicia a instalação do processo inflamatório e é um dos elementos que promovem a uma regeneração muscular. Atualmente existem vários métodos de identificação de dano muscular em humanos (métodos diretos e indiretos): os métodos diretos são: biopsia e imagem de ressonância magnética. Porém esses métodos diretos ainda são de difíceis acessos, além disso, a biopsia utiliza apenas uma pequena parte do músculo, podendo gerar alguns erros, já na ressonância, ainda não está totalmente esclarecido o que as imagens representam. Os métodos indiretos relatados na literatura para identificar o surgimento de dano muscular são: a) os protocolos para identificação da dor muscular de início tardio (DMIT), sabendo-se que quanto maior a dor, maior foi o dano. (CLARKSON; HUBAL, 2002); b) a quantidade de proteína no sangue, como: creatina quinase, lactato desidrogenase (LDH), mioglobina, troponina e a miosina da cadeia pesada; c) perimetria dos seguimentos corporais, pois quando ocorre à lesão há um inchaço no músculo (formação de edema muscular); d) parâmetros de performance, como a queda da capacidade de realização da força, exemplo: registro da contração voluntaria máxima (TOGASHI, 2009) ou o decréscimo na produção de 220

221 força isométrica (RADAELLI, 2003); e) e as alterações na amplitude muscular (BERTON et. al, 2012). Segundo Clarksonn e Hubal, (2002) a perda da força após um exercício excêntrico é um dos métodos indiretos mais validos e confiáveis de avaliação do dano muscular em humanos. Portanto, o objetivo do presente trabalho foi identificar o DM ocasionado pelo protocolo de treino excêntrico e de correlacionar vários métodos indiretos de identificação de dano muscular com o teste de força. 2 METODOLOGIA 2.1 Amostra Participaram do experimento, 8 indivíduos voluntários do gênero masculino, selecionados de forma sistemática intencional. A amostra executou a etapas do exercício proposto. Na primeira semana foi realizado o protocolo com ações musculares excêntricas. Todos os envolvidos são alunos do Projeto Musculação para Comunidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) - Câmpus Muzambinho, saudáveis e normotensos, tendo os mesmos no mínimo um ano de experiência em exercícios de musculação. Utilizamos como critério de exclusão, o uso de qualquer medicamento que afetasse a pressão arterial em repouso ou durante o exercício, substâncias anabólicas ou ergogênicas, ingestão de álcool, além de problemas nos sistemas músculo-esquelético e articular que possam intervir na perfeita execução dos exercícios. Os sujeitos foram orientados a manterem sua rotina diária, se comprometendo a não realizar nenhum tipo de exercício físico durante os dias do experimento. Previamente ao estudo, todos os participantes foram informados sobre os procedimentos adotados na pesquisa, seus respectivos riscos e benefícios, e consentiram por escrito suas participações e responderam ao questionário PAR-Q. O presente trabalho atendeu as Normas para a Realização de Pesquisa em Seres Humanos, Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/ Escolha do exercício O grupo testado realizou o exercício rosca scott. Sendo muito popular entre os praticantes de musculação e de fácil execução. 2.3 Procedimento experimental Para verificar as sobrecargas agudas do treinamento excêntrico sobre as respostas musculares em praticantes de musculação foram realizadas algumas avaliações: para análise da sobrecarga muscular (dano) avaliou-se a perimetria de braço forçado, nível de amplitude articular, arremesso de medicine ball, força isométrica máxima, dor muscular de início tardio e o teste de uma repetição máxima (1RM) Cada sujeito foi testado em 2 dias consecutivos no teste de 1RM, uma semana antes do experimento, afim de garantir confiabilidade dos testes escolhidos, familiarização dos mesmos e a determinação da carga máxima (1RM). Durante os dias dos testes, os indivíduos não realizaram qualquer exercício adicional, apenas os exercícios propostos no experimento. Nesta mesma semana para determinar os valores basais avaliou-se, perimetria de braço forçado, nível de amplitude articular, arremesso de medicine ball e força isométrica máxima. 221

222 2.3.1 Avaliações Perimetria de braço Para determinação da circunferência do seguimento corporal foi feita a perimetria no braço direito, estando o mesmo a 90º em relação ao tronco e ao antebraço. A fita foi posicionada no ponto de maior perímetro aparente, realizando uma contração isométrica máxima (FERNANDES FILHO, 2003). Amplitude articular O método de avaliação escolhido foi a da fotogrametria (software para avaliação postural - SAPO) realizada por meio de fotos digitais (câmera fotográfica digital marca Sony), na vista lateral direita com o indivíduo em pé, em posição estática com cotovelos estendidos e relaxados. Arremesso do Medicine Ball de 3kg O arremesso do medicine ball de 3kg foi utilizado para avaliar a potência dos membros superiores. Foi utilizado o protocolo de Jonhson e Nelson, (1979). Força Isométrica Para analisar a força isométrica, foi utilizado um dinamômetro digital portátil (modelo DD-300 da marca Instrutherm), com a capacidade de medição de até 100 quilos e com a precisão de +/- (0,5%+2 dígitos), dentro de 23+/-5 C, dentro da escala de 0 a 100 Kg. Teste de uma repetição máxima (1RM) Para determinação da carga máxima, utilizou o protocolo descrito por Sakamoto e Sinclair (2006) nos exercícios de rosca scott. Dor Muscular de Início Tardio (DMIT) Utilizamos o protocolo de Howell et al. (1993) que pontua 4 níveis de instalação da DMT: 0, sensibilidade não percebida; 1, sensibilidade percebida somente por palpação intensa; 2, sensibilidade levemente percebida por completa extensão ou flexão do cotovelo; 3, sensibilidade substancialmente percebida por completa extensão ou flexão; 4, sensibilidade contínua. As avaliações de quantificação de DMT aconteceram ao longo da semana (ANTUNES NETO et al., 2006). 2.5 Desenho experimental 2.5 Descrição do desenho experimental Foram realizadas 7 avaliações em momentos distintos. A primeira avaliação (familiarização) foi realizada uma semana antes do protocolo de treino experimental, a segunda foi realizada durante o protocolo de treino experimental, e as outras 5 avaliações nos momentos: 0 (imediatamente após o experimento), 24, 48, 72 e 96 horas após o experimento. Antes do início do protocolo de treino experimental, foram realizados testes para medir potência, força isométrica máxima e 1RM de membros superiores. Foi realizado um aquecimento específico realizado nas mesmas condições do treinamento descrito no protocolo experimental, composto por 3 séries com o peso da barra (6 kg), 25% e 50% de 1RM, com 12 repetições em cada série e seguido de descaso de 5 minutos ao final do aquecimento. 222

223 FIGURA 1 - Desenho experimental 2.6 Análise dos dados Utilizou-se da estatística descritiva, para caracterizar a amostra estudada em função das variáveis selecionadas: média e desvio padrão. Fez-se uso, ainda, da análise de variância ANOVA para as medidas repetidas e do Post hoc de Tukey para p<0,05, e a correlação linear de Pearson através de um software estatístico IBM SPSS (versão 20.0). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Visando atender ao objetivo central desta pesquisa, a qual visa correlacionar vários métodos indiretos de identificação de dano muscular com o teste de força, serão apresentados a seguir os resultados referentes às análises de correlação das variáveis estudadas. TABELA 1: Avaliação qualitativa do grau de correlação entre duas variáveis r A correlação é dita 0 Nula 0» 0,3 Fraca 0,3» 0,6 Regular 0,6» 0,9 Forte 0,9» 1 Muito forte 1 Plena ou perfeita TABELA 2: Correlação da potência muscular com a perimetria, amplitude articular e DMT 223

224 Basal Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: Correlações Momentos Potência Muscular GRUPOS Basal Perimetria,872 Amplitude art.,308 DMT Perimetria,616 Amplitude art. -,205 DMT Perimetria,564 Amplitude art.,200 DMT,053 Perimetria,800 Amplitude art. -,200 DMT,000 Perimetria,500 Amplitude art.,300 DMT,707 Perimetria,500 Amplitude art.,600 DMT,783 Legenda: Potência basal: valores da potência em repouso; Potência 0 : valores da potência no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Potência 24: valores da potência 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Potência 48 valores da potência 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Potência 72: valores da potência 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Potência 96: valores da potência 96 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimetria basal: valores da perimentria em repouso; perimentria 0 : valores da perimentria no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 24: valores da perimentria 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 48 valores da perimentria 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 72: valores da perimentria 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 96: valores da perimentria 96 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. basal: valores da amplitude articular em repouso; Amplitude art. 0 : valores da amplitude articular no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 24: valores da amplitude articular 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 48 valores da amplitude articular 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 72: valores da amplitude articular 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 96: valores da amplitude articular 96 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT. basal: valores da dor muscular tardia em repouso; DMT 0 : valores da dor muscular tardia no momento logo após aplicação do protocolo experimental; DMT 24: valores da dor muscular tardia 24 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 48 valores da dor muscular tardia 48 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 72: valores da dor muscular tardia 72 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 96: valores da dor muscular tardia 96 horas após aplicação do protocolo experimental; * significativo para p<0,

225 Basal Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: A tabela 1 demostra a relação entre a potência muscular com outras variáveis de identificação de dano muscular. Relacionando a potência muscular, com as outras variáveis observamos que no momento 0 a relação com a perimetria foi classificada como forte ; já com a amplitude articular foi fraca ; com DMIT teve relação nula neste momento. A potência teve uma relação regular com a perimetria e DMIT no momento 24 horas após o treinamento, já quando se relaciona a amplitude articular com a potência, obteve-se o resultado foi considerado fraco. Quando observados o comportamento dos dados 72 horas após a do teste de potência, verificou-se uma relação regular com a perimetria, e com a amplitude articular essa relação foi fraca ; já com a DMIT a relação foi forte. Após 96 horas o teste de potência teve uma forte relação com a DMIT e amplitude articular, já com a perimetria essa relação foi regular. TABELA 3: Correlação da força Isométrica com a perimetria, amplitude articular e DMT Correlações Momentos Força isométrica GRUPOS Basal Perimetria,900 Amplitude art. -,100 DMT. Perimetria 100 Amplitude art. -,100 DMT. Perimetria,103 Amplitude art. -,300 DMT,053 Perimetria,300 Amplitude art. -,200 DMT -,577 Perimetria -,100 Amplitude art. -,400 DMT,354 Perimetria,700 Amplitude art. -,100 DMT -,112 Legenda: Força isométrica basal: valores da força isométrica em repouso; Força isométrica 0 : valores da força isométrica no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Força isométrica 24: valores da força isométrica 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Força isométrica 48 valores da força isométrica 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Força isométrica 72: valores da força isométrica 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Força isométrica 96: valores da força isométrica 96 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimetria basal: valores da perimentria em repouso; perimentria 0 : valores da perimentria no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 24: valores da perimentria 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 48 valores da perimentria 48 horas após aplicação do 225

226 Basal Revista ENAF Science Volume 9, número ISSN: protocolo experimental; Perimentria 72: valores da perimentria 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 96: valores da perimentria 96 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. basal: valores da amplitude articular em repouso; Amplitude art. 0 : valores da amplitude articular no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 24: valores da amplitude articular 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 48 valores da amplitude articular 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 72: valores da amplitude articular 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 96: valores da amplitude articular 96 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT. basal: valores da dor muscular tardia em repouso; DMT 0 : valores da dor muscular tardia no momento logo após aplicação do protocolo experimental; DMT 24: valores da dor muscular tardia 24 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 48 valores da dor muscular tardia 48 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 72: valores da dor muscular tardia 72 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 96: valores da dor muscular tardia 96 horas após aplicação do protocolo experimental; * significativo para p<0,05. A relação da força isométrica com a perimetria e amplitude articular foi considerada fraca no momento 0, já com DMIT teve relação nula neste momento. Logo, após 24 horas a força isométrica teve uma relação fraca com a perimetria e a amplitude articular; com a DMIT essa relação foi regular. No momento 72 horas após o treinamento, a força isométrica teve uma relação regular com a amplitude articular e DMIT, e com a perimetria essa relação foi fraca. Após 96 horas a força isométrica teve uma fraca relação com a DMIT e amplitude articular, já com a perimetria essa relação foi forte. TABELA 4: Correlação da força máxima com a perimetria, amplitude articular e DMT Correlações Momentos Força máxima GRUPOS Basal Perimetria,800 Amplitude art. -,200 DMT. Perimetria,224 Amplitude art.,224 DMT. Perimetria,667 Amplitude art. -,900*,037 DMT -,580 Perimetria,564 Amplitude art. -,975**,005 DMT -,740 Perimetria 783 Amplitude art. -,447 DMT -,395 Perimetria,700 Amplitude art. -,

227 DMT,112 Legenda: Força máxima basal: valores da máxima em repouso; Força máxima 0 : valores da força máxima no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Força máxima 24: valores da força máxima 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Força máxima 48 valores da força máxima 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Força máxima 72: valores da força máxima 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Força máxima 96: valores da força máxima 96 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimetria basal: valores da perimentria em repouso; perimentria 0 : valores da perimentria no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 24: valores da perimentria 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 48 valores da perimentria 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 72: valores da perimentria 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Perimentria 96: valores da perimentria 96 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. basal: valores da amplitude articular em repouso; Amplitude art. 0 : valores da amplitude articular no momento logo após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 24: valores da amplitude articular 24 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 48 valores da amplitude articular 48 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 72: valores da amplitude articular 72 horas após aplicação do protocolo experimental; Amplitude art. 96: valores da amplitude articular 96 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT. basal: valores da dor muscular tardia em repouso; DMT 0 : valores da dor muscular tardia no momento logo após aplicação do protocolo experimental; DMT 24: valores da dor muscular tardia 24 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 48 valores da dor muscular tardia 48 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 72: valores da dor muscular tardia 72 horas após aplicação do protocolo experimental; DMT 96: valores da dor muscular tardia 96 horas após aplicação do protocolo experimental; * significativo para p<0,05. A relação entre força máxima, perimetria e amplitude articular foi fraca no momento 0, já com DMIT teve relação nula neste momento. Logo, após 24 horas a relação entre força máxima e perimetria foi forte, com a DMIT foi regular, já com a amplitude articular a relação foi muito forte. Podemos observar que 72 horas após o treinamento, a força máxima teve uma relação regular com a amplitude articular e a DMIT, com a perimetria essa relação foi forte. Após 96 horas a força máxima teve uma fraca relação com a DMIT e uma relação regular com a amplitude articular, já com a perimetria essa relação foi forte. Com os resultados acima citados podemos observar que há uma relação forte quando relacionado a potência com a perimetria no momento 0; amplitude articular 96 horas após; DMT 72 e 96 horas após. Já a força isometrica teve uma relação forte apenas com a perimetria no momento 96 horas após. A força máxima, teve uma relação forte com a perimetria 24, 72 e 96 horas após; e com DMT 48 horas após. Observamos também que quando correlacionamos a força máxima com a amplitude articular no momento 24 e 48 horas após nota-se uma relação muito forte e significativa para p<0,05 e p<0,01 respectivamente. A partir dos resultados descritos nos parágrafos anteriores pode-se notar que pelo menos uma das variáveis relacionadas com a força máxima, isométrica e com a potência, ou seja, 227

228 a perimetria, a amplitude articular e a DMT, apresentaram pelo menos um dos momentos observados uma relação considerada no mínimo como forte. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em cumprimento ao objetivo de identificar o DM ocasionado pelo protocolo de treino excêntrico concluímos houve o dano muscular. E em cumprimento ao objetivo de correlacionar vários métodos indiretos de identificação de dano muscular com os testes de ação voluntária máxima, concluímos que os testes de perimetria, amplitude articular e DMT tiveram uma forte relação com o teste de potência. Já a força isométrica teve uma relação forte apenas com a perimetria. A força máxima, teve uma relação forte com a perimetria e com a DMT. Correlacionando a força máxima com a amplitude articular no momento 24 e 48 horas nota-se uma relação muito forte. Diante destes resultados podemos concluir que a perimetria; amplitude articular; DMT são bons marcadores de dano muscular, pois se relacionam bem com os testes de ação voluntaria máxima, que segundo a literatura é o método indireto que melhor identifica o dano muscular. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Elson De. CREATINA QUINASE E DOR MUSCULAR TARDIA NA MUSCULAÇÃO:: Estudo experimental em adultos jovens com o "circuit weight training" e o "multiple set system" f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Educação Física, Área de Concentração Ciências do Esporte, Linha de Pesquisa Saúde Coletiva/ Epidemiologia e Atividade Física, Campinas, ANTUNES NETO, Joaquim M. F. et al. DESMISTIFICANDO A AÇÃO DO LACTATO NOS EVENTOS DE DOR MUSCULAR TARDIA INDUZIDA PELO EXERCÍCIO FÍSICO:: PROPOSTA DE UMA AULA PRÁTICA. Revista Brasileira de Ensino de Bioquímica e Biologia Molecular, Campinas, n., p.1-15, 16 out BERTON, Ricardo Paes de Barros et al. Dano muscular:: resposta infl amatória sistêmica após ações excêntricas máximas. Rev. Bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v. 26, n. 3, p , CHAPMAN, D. et al. Greater Muscle Damage Induced by Fast Versus Slow Velocity Eccentric Exercise. Int J Sports Med, Joondalup, n., p , CLARKSON, Priscilla M.; HUBAL, Monica J.. Exercise-Induced Muscle Damage in Humans. Am. J. Phys. Med. Rehabil, Massachusetts, v. 81, n. 11, p.52-69, nov DALE W. CHAPMAN, MICHAEL J. NEWTON, MICHAEL R. MCGUIGAN, AND KAZUNORI NOSAKA. Effect of slow-velocity lengthening contractions on muscle damage induced by fast-velocity lengthening contractions. Journal of Strength and Conditioning Research - National Strength and Conditioning Association v. 25, n. 1, p , Jan., FERNANDES FILHO, J. A prática da preparação física. 3. ed. Shape: Rio de Janeiro,2003. FOSCHINI, Denis; PRESTES, Jonato; CHARRO, Mário Augusto. RELAÇÃO ENTRE EXERCÍCIO FÍSICO, DANO MUSCULAR E DOR MUSCULAR DE INÍCIO TARDIO. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, São Carlos, v. 1, n. 9, p ,

229 FRANÇA, Rodrigo Alves. Variáveis que influenciam o dano muscular:: artigo de revisão. Revista Digital, Buenos Aires, v. 160, n. 16, p.1-1, set GORGATTI, Marcia Greguol; BOHME, Maria Tereza Silveira. Potência de Membros Superiores em Jogadores de Basquetebol em Cadeiras de Rodas. Revista da Sabama, São Paulo, v. 7, n. 1, p.9-14, dez IDE, Bernardo Neme et al. AÇÕES MUSCULARES EXCÊNTRICAS: POR QUE GERAM MAIS FORÇA?. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício: Periódico do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino em Fisiologia do Exercício, São Paulo, v. 5, n. 25, p.61-68, IDE, Bernardo Neme et al. DISCREPÂNCIAS NA GERAÇÃO DE FORÇA ENTRE AÇÕES MUSCULARES EXCÊNTRICAS E CONCÊNTRICAS. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v. 4, n. 20, p , LEME, Thomaz Castilho Ferreira. Dinâmica das repostas da força máxima e do salto horizontal pós-treinamento de força realizado com diferentes velocidades de execução f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) - Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas, Campinas, MOLINA, Renato; AMORIM, Andréa Rodrigues de. Efeito do dano muscular através de diferentes tipos de exercício excêntrico sobre a economia de movimento. Sistema Anhanquera de Revista Eletrônica, Anhanquera, v. 2, n. 2, p.89-99, PROSKE, Uwe; ALLEN, Trevor J.. Damage to Skeletal Muscle from Eccentric Exercise. Department Of Physiology, Victoria, v. 33, n. 2, p , TOGASHI, Giovanna Benjamin. Dano Muscular Induzido pelo Sistema de Treinamento de Cargas Descendentes em Exercícios Resistidos f. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós Graduação Interunidades Bioengenharia, São Carlos,

230 FADIGA MUSCULAR E ORDEM NA EXECUÇÃO DE EXERCÍCIOS DE RESISTENCIA PARA MEMBROS INFERIORES. Valter Sabino Netto¹ Giovani Vieira Da Costa¹ Autran José Da Silva Júnior¹ (1) Centro Universitário Da Fundação Educacional Guaxupé, Guaxupé, Minas Gerais, Brasil. RESUMO:A musculação tem apresentado um grande avanço e evolução em seus métodos de treinamento, permitindo assim um aumento de seus praticantes. Apesar da evolução dos métodos ainda algumas questões sobre a influência da fadiga muscular em relação a ordem dos exercícios necessita de estudos. O presente estudo verificou a influência da ordem de execução de exercícios para membros inferiores, no caso deste: Leg Press (LP) e cadeira extensora (CE), sendo assim verificando a intensidade no treinamento de força fazendo uma comparação com a percepção subjetiva de esforço, PA e frequência cardíaca. Após ser aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do UNFIEG a metodologia do estudo foi: 10 homens, realizaram testes de 10RM nos aparelhos legpress (LP) e cadeira extensora (CE). Logo após realizaram 3 séries de 10 repetições com carga de 10RM com 1 minuto de intervalo em duas sequencias diferentes: A (LG depois CE) e B (CE depois LG) com intervalo de 48 horas. Foram analisados a frequência cardíaca e escala subjetiva de esforço de OMNI em repouso, ao final de todas as séries e durante a recuperação (0, 1 e 5 ). Estudos tem demonstrados que a realização da sequência dos exercício físicos na musculação tem que ser do maior grupamentos para o menor grupamento muscular. Entretanto, pouco se conhece os efeitos desta alteração da sequência sobre a fadiga e desempenho. Observamos na escala de OMNI que o exercício Leg Press não apresentou valores significativos em relação a Cadeira Extensora. Palavras Chaves: musculação, fadiga muscular, membros inferiores ABSTRACT: The weighthaspresented a major breakthroughandprogress in their training methods, thusallowinganincreaseof its practitioners. Despitetheevolutionofmethods still some questionsabouttheinfluenceofmuscle fatigue in relationtotheorderoftheexercisesrequirestudies. The presentstudyexaminedtheinfluenceoftheexecutionorderofexercises for thelowerlimbs, in this case: Leg Press (LP) andlegextension (CE), thusverifyingtheintensitystrength training in making a comparisonwiththeperceivedexertion, BP andheart rate. AfterbeingapprovedbytheEthicsCommittee in Researchof UNFIEG themethodologyofthestudywas: 10 men, 10RM testsconductedonlegpress (LP) andlegextension (CE). Soonafterperformed 3 sets of 10 repetitionswith 10RM loadwith 1 minute interval in twodifferentsequences: The (LG after EC) and B (EC after LG) withanintervalof 48 hours. Heart rate, bloodpressure, subjectiveeffortscaleof OMNI atrest, attheendofevery series andduringrecovery (0, '1' and 5 ') wereanalyzed. Studieshaveshownthattherealizationofthesequenceofphysicalexercise in 230

231 bodybuildinghastobethelargestgroupingtothesmallestmusclegroup. However, littleisknownabouttheeffectsofthischange in sequenceon fatigue and performance. Observe the OMNI scaleoftheleg Press exercisehad no significantvalues in relationtochairlegextension. Key words: bodybuilding, muscle fatigue, lowerlimb 1 - INTRODUÇÃO A atividade física sempre esteve presente na rotina da humanidade ao longo da história, porém sempre associado aos costumes e estilos da época, por exemplo, a caça dos homens das cavernas para a sobrevivência, expressa principalmente na necessidade vital de atacar e se defender, por isso uma necessidade de ter uma resistência física maior (NETO, 1994). Nos tempos de Esparta os exercícios resistidos também eram utilizados para aumentar a força e a hipertrofia muscular (KRAEMER; RATAMESS, 2004), para deixar os soldados mais fortes, e mais preparado para as guerras da época. Mas essa relação entre a atividade física e o homem em sua rotina diária parece ter diminuído gradativamente ao longo de nossa evolução. As pessoas se exercitam, porque se provou cientificamente que a atividade física melhora a qualidade de vida, além de motivos estéticos, sociais e outros, em academias as atividades realizadas são oferecidas de forma segura e orientadas, sistematizadas e eficientes (NETO,1994). Apesar de ser utilizado também como rotina de prevenção e reabilitação, de acordo com WERNBOM et al (2007) o treinamento resistido é um importante componente na formação do atleta para que possa melhorar sua força e hipertrofia independente do esporte praticado, porém no início era apenas utilizado por esportes que enfatizavam a força durante a sua execução, dentre eles as lutas, o halterofilismo, o fisiculturismo dentre outros. Ao longo dos anos ocorreu uma grande evolução dos estudos, e a metodologia do treinamento resistido tornou-se mais complexa e composta de variáveis importantes, dentre elas a musculatura esquelética recrutada durante o esforço físico, ordem da realização dos exercícios físicos, intensidade do esforço aplicada ao exercício físico, volume do treinamento (representa o total das séries realizadas e suas respectivas repetições), intervalo entre as séries, velocidade das repetições, frequência do treinamento, tipo de exercício físico selecionado e sua sequência. (KRAEMER; RATAMESS, 2004). Segundo SANTAREM, (1995) as séries são constituídas por um número determinado de repetições acompanhadas por um intervalo de repouso, as repetições são movimentos completos que compõem um exercício retornando ao seu estado inicial onde são realizados continuamente sem repouso e a intensidade do esforço realizado durante o exercício resistido representa a quantidade de peso a ser deslocada, a velocidade da execução e também do intervalo entre as séries realizadas. A diretriz do American Collegeof Sports Medicine recomenda para indivíduos iniciantes a intensidade deve ser próxima de 70% da carga obtida no teste de 1 Repetição Máxima (ou simplesmente 1RM), porém para treinados a intensidade é maior podendo chegar até a 100%.O volume do treinamento é estimado pela soma do número total das séries e repetições realizadas multiplicadas pela resistência utilizada durante uma única sessão de treinamento SANTAREM, Para indivíduos iniciantes ao treinamento resistido a diretriz do American Collegeof Sports Medicine 231

232 recomenda de uma a três séries e após a adaptação o individuo tornando-se intermediário a treinado este número poderá manter-se em três séries, ou não, dependendo do objetivo. Para WERNBOM, M.; AUGUSTSSON, J.; THOMEE, R. A velocidade de execução influência nas respostas neurais, metabólicas, a própria hipertrofia e força musculares. Oque também apresenta uma importante variável no treinamento resistido, contribuindo, juntamente com as outras variáveis descritas anteriormente, em alterar as respostas metabólicas, hormonais e cardiovasculares é o número de sessões ou a frequência semanal, segundo a diretriz do American Collegeof Sports Medicine a recomendação para frequência semanal são, para iniciantes dois a três dias semanais e para treinados frequências acima de quatro dias semanais. De acordo com os autores UCHIDA, M.C.;BACURAU, R.F.P;NAVARRO,F;PONTES JR,F.L.;CHARRO, M..A. 2008, a força, do ponto de vista da física é representada pela expressão do produto da massa pela aceleração (força = massa x aceleração), porém quando o assunto é execução de movimentos e exercícios, a força é representada pela superação de uma dada resistência que vem através da contração muscular. De acordo com Guilherme Kamel, apud Asmussen e Pollock (1993, p.32) definem fadiga como: a diminuição transitória na capacidade do desempenho dos músculos quando estiverem ativos por certo tempo, geralmente evidenciada pelo fracasso na manutenção ou desenvolvimento de certa força ou potência esperada. Como o exercício resistido é bem característico em relação a outras modalidades de exercícios, Lagally e Robertson (2006), criou e validou uma escala de percepção subjetiva de esforço específica para o treinamento com exercícios resistidos denominada escala de OMNI. Além da especificidade, essa escala apresenta a vantagem de conter tanto informações alfanuméricas quanto figuras, o que a torna bem mais fácil de ser utilizada. O American Collegeof Sports Medicine(2009) recomenda o treinamento resistido para jovens, adolescentes, adultos saudáveis, idosos e populações com patologias cardiovasculares, neuromusculares, dentre outras e também recomenda que a ordem de exercícios em uma sessão de treinamento seja sempre dos maiores grupos musculares para os menores, ou seja, iniciar por exercícios multi-articulares e logo após realizar os monoarticulares, para pessoas em qualquer estágio de treino, iniciantes, intermediários ou treinados, afirmando que os exercícios realizados no final da sessão de treinamento sofrem queda no número de repetições máximas para uma determinada carga, e esta redução em exercícios para grandes grupos musculares prejudica o trabalho total da sessão de treinamento. Um dos exercícios mais utilizados nos programas de treinamento tanto para praticantes de musculação quanto para atletas é o legpress, onde ocorre ativação principalmente das fibras do quadríceps femoral, posteriores da coxa, eretores da coluna vertebral, glúteos, tríceps sural (formado pelos músculos: Gastrocnêmio e Sóleo)DELAVIER, 2002; SANTAREM, 2006; UCHIDA, M.C.; BACURAU, R.F.P; NAVARRO,F; PONTES JR,F.L.; CHARRO, M..A Delavier (2002) descreve também as possíveis variações de posição encontradas nesse exercício, abordando como estas podem modificar as ações musculares. Deste modo, ao posicionar os pés mais próximos da parteinferior da base da plataforma, admite-se que o movimento de flexão do joelho será maior e, por consequência, a ação do músculo do quadríceps femoral aumentará em relação aos outros músculos que participam do movimento. Porém, se os pés forem posicionados mais próximos da parte superior da base 232

233 da plataforma, o esforço muscular ficará centralizado sobre os músculos glúteo e posteriores da coxa, devido à maior flexão da articulação do quadril, Segundo ele ainda, ao afastar os pés em uma largura superior à dos ombros, os músculos adutores da coxa apresentaram maior atividade muscular e, ao aproximar os pés em largura inferior à dos ombros, o músculo quadríceps femoral será mais ativado. Segundo UCHIDA, M.C.; BACURAU, R.F.P.; NAVARRO,F; PONTES JR,F.L.; CHARRO, M.A. 2008, os músculos do glúteo máximoe posteriores da coxa são responsáveis pela extensão do quadril que está presente nas fases inicial e final do movimento, sendo que o músculo quadríceps femoral é responsável pela extensão do joelho que está presente nas fases inicial e final do movimento. Além disso, devido à ativação do músculo tríceps sural,eles destacam o movimento de flexão plantar da articulação do tornozelo e também a extensão da articulação da coluna vertebral devido à ativação dos músculos eretores da coluna vertebral. Outro exercício muito utilizado nas academias, para realização de treinos para membros inferiores, é a cadeira extensora, que segundo UCHIDA, M.C. e colaboradores (2008), trabalha principalmente as fibras do quadríceps femoral, com movimento de extensão, e tornozelos com movimentos de dorsiflexão. Devido os membros inferiores, serem grupos musculares muito utilizados no treinamento de força, ao longo dos anos diversos estudos foram realizados utilizando a execução destes exercícios citados anteriormente, principalmente no que diz respeito à ordem da execução dos exercícios. Para avaliar o efeito da ordem de Exercícios em mais de um grupamento muscular por sessão, Simão et al.(13) avaliaram mulheres que realizavam 3 séries com 80% 1RM na realização dos exercícios supino reto, desenvolvimento de ombros,extensão do tríceps, extensão do joelho e flexão do joelho, em duas sequência: A e B, com execução exatamente oposta. Em todos os exercícios o número de repetições era menor quando o exercício era realizado mais tardia na sessão. GIO, S.(2011) apud SFORZO e TOUEY (1996) submeteram seus pacientes a duas sessões de treino em que exercícios para grandes e pequenos grupos musculares dos membros superiores e inferiores eram realizados em ordens diferentes, eles observaram que o número de repetições no último exercício realizado nas sessões, era significantemente reduzido. GIO, S.(2011) SIMÃO et al (2007), utilizou exercícios mono e multiarticulares envolvendo membros superiores e inferiores em duas ordens diferentes e observou que independentemente do número de articulações envolvidas, quando o exercício era realizado no final da sessão o número de repetições era significantemente reduzido. Desta forma, a hipótese de que o número de articulações seria um fator importante para o número de repetições foi descartada. GIO, S (2011) apud (SFORZO & TOUEY, 1996; SIMÃO et al., 2007) que levando em consideração que o número de repetições realizadas com uma mesma carga relativa é menor em exercícios para membros superiores do que em exercícios para membros inferiores. É possível que a ordem dos exercícios afete o comportamento do número de repetições distintamente em membros inferiores e superiores. Porém, ainda é desconhecido o efeito da ordem de execução quando apenas exercícios para membros inferiores são realizados. 233

234 Hoje em dia existem muitos estudos que concluíram a importância do exercício resistido para os esportes e para a qualidade de vida, mas pouco se estudou sobre a ordem dos exercícios e sua relação com a fadiga muscular. 2 - Metodologia Cuidados éticos O estudo foi submetido ao CEP (Comitê de Ética) do Centro Universitário da Fundação Educacional de Guaxupé (UNIFEG). Os participantes da avaliação foram indivíduos voluntários que foram informados de todo o processo de coleta de dados e estavam cientes dos riscos e desconfortos do teste. Foi preenchido um termo de consentimento de cada voluntário. Sempre esteve em vigor a privacidade e preservações dos mesmos onde todas as informações serão confidenciais. Amostra O estudo foi composto de dez homens treinados, com no mínimo um ano de treino de musculação e idade entre 18 e 30 anos. Os mesmos foram selecionados na cidade de Guaxupé, em academias de ginástica. E foram excluídos os indivíduos usuários de medicamentos que sejam em benefício do desempenho (recursos ergo gênicos), também foram excluídos indivíduos que apresentem qualquer tipo de problemas articulares que podem influenciar na realização dos testes. Avaliação Antropométrica Todos os voluntários participaram de uma avaliação antropométrica antes da realização dos exercícios resistidos onde foram aferidas as seguintes variáveis: B. Peso Corporal O peso corporal foi medido com o auxílio de uma balança digital. O avaliado deve se posicionar em pé, de costas para a escala da balança, com afastamento lateral dos pés. Em seguida coloca-se sobre e no centro da plataforma, ereto com olhar num ponto fixo à sua frente. Deve usar o mínimo de roupa possível. É realizada apenas uma medida. (FERNANDES FILHO, 1999, p.17-18). B. Altura Total A altura total foi medida através de uma fita métrica. O avaliado deve estar na posição ortostática PO: indivíduo em pé, posição ereta, braços estendidos ao longo do corpo, pés unidos procurando por em contato com o instrumento de medida as superfícies posteriores do calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital. A medida é feita com o avaliado em apneia inspiratória, de modo a minimizar possíveis variações sobre esta variável antropométrica. Permite-se ao avaliado usar calção e camiseta, exigindo-se que esteja descalço. (FERNANDES FILHO, 1999, p.18-19). Avaliação Cardiovascular Foi aferidas frequência cardíaca, antes e após cada sérieatravés de um monitor de frequência cardíaca. Avaliação da Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) 234

235 A PSE foi avaliada através da Escala de Percepção de Esforço de OMNI validada por LEGALLY, et al (2006). A figura abaixo representa a PSE. Exercícios Resistidos Leg Press: Para a realização do exercício resistidolegpress, o voluntário posicionará deitado sobre o aparelho, com as costas bem apoiadas, deverá apoiar os pés em uma posição confortável (aproximadamente na largura dos ombros). Inspirar, desbloquear a trava de segurança, permitindo a flexão do quadril, dos joelhos e dos tornozelos, até formar um ângulo de aproximadamente 90º nas articulações dos joelhos. Em seguida, realizar a extensão dessas articulações até retornar à posição inicial, expirar e sem descanso, repetir o movimento. DELAVIER, 2002; UCHIDA, M.C.; BACURAU, R.F.P.; NAVARRO, F; PONTES JR, F.L.; CHARRO, M.A

236 Cadeira Extensora: 236

237 Para a realização do exercício resistido na cadeira extensora, o voluntário posicionará no aparelho com as costas bem apoiadas e com o eixo do equipamento muito próximo do eixo das articulações dos joelhos, deverá realizar a extensão dos joelhos, utilizando toda a amplitude possível. Logo após deverá retornar até formar um ângulo de 90º nas articulações dos joelhos e, sem descanso, repetir o movimento. Delineamento experimental Após a definição dos indivíduos, os voluntários serão submetidos a uma sessão de testes para determinação da carga para 10 RM, nos dois exercícios propostos. Após a determinação de carga, o teste será dividido em duas sequencias A e B, na qual a sequência A o legpress (LP) será realizado antes da cadeira extensora (CE), sendo respeitado um intervalo de 48 horas para a realização da sequência B onde a CE será feita antes do LP. O intervalo entre as séries será de 1 minuto e o de transição entre os exercícios será de 1 minuto e meio. A frequência cardíaca será aferida através de monitor de frequência cardíaco, devidamente instalado no indivíduo, sendo verificada antes e após cada série, e a PA será aferida após término de cada exercício. Por fim, o indivíduo dará uma nota (escala de OMNI.) em relação ao esforço utilizado no exercício. Serão realizadas 3 séries de 10 repetições em cada exercício. A avaliação antropométrica (peso e altura) será realizada apenas uma vez. 3 - RESULTADOS: VALORES MÉDIOS DE OMNI NAS DUAS SESSÕES DE TREINAMENTO LEG PRESS EXTENSORA 1 a 2 a 3 a 1 a 2 a 3 a 1 o Dia 3,3±1,3 4,2±0,4 5,3 ± 1,2 2,6 ±1,0 2,7±0,9 3,9±1,0 EXTENSORA LEG PRESS 1 a 2 a 3 a 1 a 2 a 3 a 2 o Dia 2,8±0,8 3,0±0,9 4,4±1,0 6,0±1,4* 6,7±1,3* 7,5±1,1* * Diferençasignificativa entre 1o dia x 2o dia P > 0,05 O exercício na Cadeira Extensora não apresentou valores significativos, já o Leg Press apresentou valores significativos no segundo dia. VALORES MÉDIOS DE FC NAS DUAS SESSÕES DE TREINAMENTO LEG PRESS EXTENSORA 237

238 Rep. 1 a 2 a 3 a Rep. 1 a 2 a 3 a 1 o Dia 76± 7,6 82± 6,2 92± 6,8 110± 11,0 73± 5,1 79± 4,3 88± 5,8 96± 7,4 EXTENSORA LEG PRESS Rep. 1 a 2a 3 a Rep. 1 a 2 a 3 a 2 o Dia 100± 10,1* 108± 9,1* 115 ± 7,2* 123± 7,1* 92± 5,1* 106± 10,3* 119± 10,0* 132± 9,6* * Diferençasignificativa entre 1o dia x 2o dia P > 0,05 No segundo dia a frequência Cardíaca da cadeira extensora apresentou valores significativamente superiores ao primeiro dia. O Leg Presstambém apresentou valores significativamente superiores no segundo dia. 4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Em cumprimento ao objetivo de analisar a percepção subjetiva de esforço entre dois exercícios resistidos de membros inferiores com execução alternada concluímos que na escala de OMNI o exercício Cadeira Extensora não apresentou valores significativos e oleg Press apresentou valores significativos no segundo dia. E Em cumprimento ao objetivo de Analisar o comportamento da frequência cardíaca entre dois exercícios resistidos de membros inferiores com execução alternada, concluímos que no segundo dia a frequência Cardíaca da cadeira extensora apresentou valores significativamente superior ao primeiro dia. E o Leg Press apresentou valores significativamente superior também no segundo dia. 5 -ReferênciasBibliográficas: ACSM. Progression models in resistance training for healthy adults. MedSci Sports Exerc, 2009; 41: CALDERON, F.: Técnicas de Musculação. Tradução: Daniela Botelho Bittencourt. São Paulo - Marco Zero, 200 DELAVIER, F. Guia dos movimentos de musculação: abordagem anatômica. 3ª ed. São Paulo: Manole, FERNANDES FILHO, J. A prática da avaliação física: testes, medidas e avaliação em escolares, atletas e academias de ginástica. Rio de Janeiro: Shape editora, GIL, S.; ROSCHEL, H.; BATISTA, M.; UGRINOWITSCH, C.; TRICOLI, V.; BARROSO, R. Efeito da ordem dos exercícios no número de repetições e na percepção subjetiva de esforço em homens treinados em força. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, n.1, p , jan./mar Kamel, J. G. N. A ciência da musculação. Editora shape. Rio de Janeiro, 2004 KRAEMER W. J.; RATAMESS, N. A. Fundamentals of resistance training: progression and exercise prescription. Medicine and Science Sports and Exercise. v36, n.4, p , LAGALLY, K. M, and ROBERTSON, R. J. Construct validity of the OMNI Resistance Exercise Scale. J Strength Cond. Res. 202(2):

239 MALDONADO D.T.; CARVALHO M.; BRANDINA, K.; GAMA, E. F. Análise anatômica e eletromiográfica dos exercícios de legpress, agachamento e stiff Integração Jun 2008 sp. MC Uchida, RFP Bacurau, F Navarro, FL Pontes Jr, Charro, M.A. Manual de musculação: uma abordagem teórico-prática ao treinamento de força. São Paulo, Phorte editora, 5ª edição, p3. NETO, J. A. L. Marketing de academia. Sprint Editora Ltda. - Rio de Janeiro - RJ PHILLIPS, S. M. et. al. Mixed muscle protein synthesis and breakdown after resistance exercise in humans. Am. J. Physiol. v.273 (Endocrinol. Metab. 36): p.99-l07, SANTARÉM, José Maria. Musculação: princípios atualizados: fisiologia,treinamento e nutrição. São Paulo: Fitness Brasil, SANTAREM, José Maria. Treinamento de força e potência. In: GHORAYEB, Nabil & BARROS, Turibio, O Exercício: preparação fisiológica, avaliação médica, aspectos especiais e preventivos. São Paulo: Ed. Atheneu. p.35-50, SIMÃO, R.; FARINATTI, P.T.; POLITO, M.D.; VIVEIROS, L.; FLECK, S.J. Influence of exercise order on the number of repetitions performed and perceived exertion during resistance exercise in women. Journal of Strength and Conditioning Research, Champaign, v.21, n.1, p.23-8, VA DA SILVA.MOTIVOS QUE LEVAM INDIVÍDUOS DO SEXO MASCULINO À PRÁTICA DA MUSCULAÇÃO. Connepi, 2009 WERNBOM, M.; AUGUSTSSON, J.; THOMEE, R. The influence of frequency, intensity, volume and mode of strength training on whole muscle cross-sectional area in humans. Sports Med v.37, n.3, p ,

240 RESUMOS COMPARAÇÃO DA FLEXIBILIDADE DE JOVENS NADADORES PARTICIPANTES DE UM PROGRAMA DE INICIAÇÃO ESPORTIVA, UTILIZANDO A TÉCNICA DA GONIOMETRIA TAKENAKA, T. Y. Graduada em Fisioterapia 1 Graduada em Educação Física 2 PAGIN, M. Graduado em Educação Física 2 UFLA LEITE, L. R. Graduado em Educação Física 2 DA SILVA, S. F. Doutor em Ciências da Atividade Física e do Esporte Docente 2 1 Centro Universitário de Lavras UNILAVRAS Lavras/MG Brasil 2 Universidade Federal de Lavras UFLA Lavras/MG Brasil INTRODUÇÃO: A prática da natação é caracterizada por movimentos cíclicos cuja técnica desempenha um papel muito importante na determinação do resultado do indivíduo, influenciado por diversos fatores, componentes e propriedades, dentre eles, a flexibilidade. Esta capacidade física é componente fundamental para o bom rendimento do nadador, pois permite um melhor aproveitamento de sua velocidade, força e coordenação. OBJETIVO: Observando-se a relevância do tema em foco, o presente estudo objetivou avaliar a flexibilidade de crianças participantes de um programa de iniciação esportiva em natação. METODOLOGIA: Foram selecionadas 20 crianças, de ambos os gêneros, com idade entre 10 e 15 anos. As mesmas foram submetidas à mensuração goniométrica de 19 movimentos articulares, através do goniômetro WCS, material de aço, graduado em graus (0-360 graus). RESULTADOS: A média de idade da amostra foi 12,70 ± 1,45 anos. Observou-se que houve correlação significativa somente em três movimentos articulares (abdução de quadril, flexão de ombro e abdução de ombro), sendo que na maioria dos valores médios encontrados, os meninos apresentaram maiores amplitudes articulares. CONCLUSÃO: Conclui-se que os meninos possuíram maior flexibilidade no geral, contabilizando o número de articulações avaliadas, diferindo dos estudos existentes na literatura. Sendo assim, podese dizer que, em comparação com as meninas, esse seria um dos componentes que iria influenciar os meninos de forma positiva na hora do rendimento no nado. Palavras chaves: Nado; Crianças; Amplitude de movimento. 240

241 ESTUDO COMPARATIVO DA CAPACIDADE AERÓBIA E ANAERÓBIA, DE JOVENS PRATICANTES DE FUTEBOL DE CAMPO, SEPARADOS POR CATEGORIAS. ¹BRITO, J.J.; ²DA SILVA, A.G.;; ³VILAS BOAS, Y,F,; (1/2) Acadêmicos do Curso de Educação Física, UNIFENAS, Alfenas/MG. (3) Docente orientador do Curso de Educação Física, UNIFENAS/MG. Palavras- Chave: Futebol de Campo, Categorias de Base, Capacidades físicas. RESUMO: O Futebol proporciona uma atividade física bastante variada, favorece o desenvolvimento social do indivíduo através da necessidade de colaboração, permite ações individuais de grande habilidade, é o tipo do esporte com diferentes funções possibilitando a escolha de uma delas e é de fácil organização. Devido a essas razões atrai com facilidade inúmeros espectadores. Pain e Harwood (2007) sugerem que o desempenho no futebol é multifacetado e que a planificação e organização dos treinamentos, o desenvolvimento físico, fatores táticos, desenvolvimento filosófico, variáveis psicológicas e sociais, juntamente com o papel do treinador são os pontos mais importantes para o sucesso na modalidade. O objetivo da presente pesquisa foi mensurar a capacidade aeróbia e anaeróbia dos indivíduos de dois grupos de atletas de Futebol de Campo, separados por categorias: Grupo I (13 a 14 ±13,5 anos) e Grupo II: (15 a 16 ±15,5 anos), comparando os valores obtidos. O espaço amostral foi constituído por 20 atletas de iniciação (10 de cada), onde o condicionamento físico aeróbio e o condicionamento físico anaeróbio foram avaliados mediante aplicação dos testes sprint de 40m, impulsão horizontal, corrida alternada 9,15m (Shuttle Run) e teste de Cooper de 12 minutos, comumente utilizado como indicadores de força, agilidade, velocidade e resistência. Analisando os dados obtidos, encontramos valores melhores para capacidade aeróbia (VO2: 51,18 47,85), força de membros inferiores (MI: 2,12 1,93), Velocidade (Vel: 5,86-5,93) e Agilidade (AG: 9,82 10,54) na categoria I em relação a II fato que não comprova no grupo analisado, o acúmulo de ganhos nas valências físicas, com o passar da idade ou na sobreposição de categorias. Há necessidade da realização de novos estudos para a evidenciação de conceitos e definições. 241

242 A PROPOSTA PEDAGÓGICA DO TEACHING GAMES FOR UNDERSTANDING PARA A INICIAÇÃO DO FUTSAL 1 BUFFO JUNIOR, L. E; 1 SOUZA, V.V; 1 PAVAN, P.H.B; 1 REIS, B.G; 1,2 ZANETTI, M. C; 1 UNIP - São José do Rio Pardo - SP Brasil, 2 LEPESPE/I.B./UNESP Rio Claro - SP - Brasil (Introdução) Um grande desafio para técnicos e professores na iniciação do futsal e de boa parte das modalidades esportivas é deixar de lado métodos tradicionais de ensino, geralmente baseados no modelo tecnicista, onde as aulas se estruturam a partir de atividades analíticas e lançar mão de métodos de ensino inovadores e mais próximos da estrutura lógica do jogo, como parece ser o Teaching Games for Understanding (TGFU) que é um método baseado em jogos reduzidos, que de maneira prazerosa parece proporcionar ao aprendiz reflexões sobre o jogo, situações-problemas, compreensão da lógica do jogo e a tomada de decisão (o que fazer e como fazer). (Objetivos) Pensando nisso, o objetivo do presente estudo foi verificar como técnicos e professores de futsal podem trabalhar o ensino pelo jogo através do método TGFU. (Metodologia) Como proposta metodológica optamos por uma ampla revisão de literatura sobre a temática que envolve o ensino do jogo pelo jogo na iniciação do futsal, por meio do método Teaching Games for Understanding. (Resultados) Como resultado constata-se que este método por meio de jogos reduzidos parece possibilitar ao aprendiz vivenciar de forma integrada os componentes do treinamento (físico, tático, técnico, psicológico e cognitivo), além de auxiliar na compreensão da lógica e tática do jogo em conjunto com o desenvolvimento de gestos técnicos e resolução de situações-problemas, que podem proporcionar ao aluno/atleta o desencadeamento de ações inteligentes dentro do próprio contexto do jogo. (Considerações Finais). Acredita-se que este método de ensino pode colocar o aluno como construtor ativo de suas próprias aprendizagens, proporcionando um desenvolvimento gradativo e de maneira integrada das capacidades físico-motoras-cognitivas, além de poder proporcionar um ambiente motivante para esses indivíduos. Palavras-Chaves: Iniciação esportiva. Futsal. Teaching Games for Understanding (TGFU). 242

243 ANALISE DO ÍNDICE DE OBESIDADE EM CRIANÇAS DE 6 A 10 ANOS DE IDADE DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DE AMBOS OS SEXOS E SEU DESEMPENHO MOTOR EM TESTES FÍSICOS: UM TRABALHO DO PIBID/UNIFOR MG. Breno Mário Silva Fabiana Simões Alves Raick Eugênio dos Santos Tamires Franco dos Santos Marcela de Melo Fernandes Resumo: O aumento da prevalência da obesidade representa um grave problema de Saúde Pública, não apenas pelo aumento do número de casos, mas também pelos problemas que causa a saúde da população (CABRERA, 1994). As condições de vida da população têm influenciado a dinâmica familiar e afetado a população infantil, que vem sofrendo com o sedentarismo gerando diversos problemas de saúde, como a obesidade (RIBEIRO, 2001). Assim este artigo teve como objetivo avaliar a prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças na faixa etária de seis a dez anos nas escolas públicas de Formiga-MG, verificando se o excesso de peso interfere no desempenho físico, nos testes de velocidade, flexibilidade e salto horizontal, comparando-as com as crianças eutróficas. A metodologia utilizada foi de natureza quantitativa, na qual participaram 200 estudantes na faixa etária entre seis anos e dez anos de idade que frequentam a rede pública de ensino da cidade, tendo como período de coleta de dados março a agosto de Em relação ao procedimento de amostragem, optou-se pela técnica de erro amostral tolerável de 5%. Os resultados obtidos em relação ao perfil antropométrico da população estudada foram classificados de acordo com a tabela NCHS da OMS. Em relação ao Peso/Altura a maioria das crianças foram considerada eutrófica (76,19% - com percentis entre P10 e P85), mas 6,44% apresentaram sobrepeso (com P > 85 e igual a 97) e 11,48% obesidade (com P > 97). Somando obesidade e sobrepeso foram encontrados um total de 17,92% das crianças com sobrecarga ponderal. Os valores médios de eutrofia, sobrepeso e obesidade foram: as crianças do sexo feminino eutróficas obtiveram um melhor desempenho em relação aos indivíduos com sobrepeso ou obesos na corrida de 50m. Nas categorias flexibilidade e salto não houve diferença significativa. No masculino, houve melhor desempenho dos eutróficos nas três categorias. Em relação ao resultado geral para eutrofia, sobrepeso e obesidade: ao comparar os resultados das crianças percebe-se que houve um melhor desempenho nas crianças eutróficas em todos os testes. Pode-se concluir que os resultados obtidos mostraram que embora a prevalência da desnutrição seja baixa na população estudada, a prevalência da sobrecarga ponderal é alta. Estes dados sinalizam atenção para a saúde infantil no município de Formiga-MG, visto que a obesidade pode acarretar vários problemas à saúde da população, além da possibilidade de crianças obesas virem a se tornar em adultos obesos. Palavras-chave: obesidade infantil; testes físicos; educação física. 243

244 OBESIDADE INFANTIL: ESTUDO DE CRIANÇAS DE UMA ESCOLA PUBLICA DA CIDADE DE MOCOCA SP FELTRAN, N. G, 1; DA SILVA, B. L, 2; LOPES, S.L, 3 Universidade Paulista São Paulo Brasil (Introdução) A obesidade infantil apresenta uma tendência crescente, devido essencialmente aos maus hábitos alimentares e ao sedentarismo. Por isso, é cada vez mais relevante determinar as causas e conseqüências deste fenômeno. O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma medida utilizada para medir a obesidade, hoje em dia, o IMC é utilizado como forma de comparar a saúde de populações na identificação das pessoas obesas; neste estudo, o diagnóstico e avaliação da obesidade infantil. (Objetivo) O objetivo do presente estudo foi descrever a prevalência do sobrepeso e obesidade das crianças de escolas públicas do município de Mococa, verificar a relação entre os hábitos alimentares, a atividade física e a obesidade, para que possamos com o diagnóstico precoce adotar medidas preventivas e intervir em futuras complicações que esta criança possa desenvolver. (Método) Os protocolos utilizados foram: para (IMC) peso em quilogramas dividido pela altura em metros quadrado (kg/m²) categorizado pela classificação da Organização Mundial da Saúde e um questionário elaborado e aplicado pelos investigadores. A amostra foi composta por 261 alunos de escola pública com idade média de 8,37 anos, máximo de 11 anos e mínimo 6 anos. A avaliação ocorreu em escola pública da cidade de Mococa, onde o professor coletou os dados, após explicar os objetivos da pesquisa e realizar as devidas aferições. (Resultado) Na avaliação do IMC 25,19% da amostra do sexo masculino apresentaram excesso de peso em comparação a 25,92% do sexo feminino. Constou se que 60% das crianças comem bolachas, doces, refrigerantes e salgadinhos com alto teor de sódio e 32% não praticam nenhum exercício físico fora da escola. (Conclusão) Perante estas causas e suas nefastas conseqüências, as soluções passam por promover um tipo de alimentação saudável, incluindo o que é oferecido nas escolas, pela redução de determinada publicidade que as crianças vêem e pela promoção de atividades físicas, por um lado, e redução das atividades sedentárias, por outro. Também a Educação Física escolar pode ser reorientada, promovendo aos jovens meios de poderem tornar-se autônomos na prática de atividade física, evidenciando os objetivos de melhorar a sua aptidão física, perder peso e prevenirem diversas doenças. Palavras-Chaves: IMC, Obesidade e Hábitos Alimentares. 244

245 CAPOEIRA NA RODA: ADAPTAÇÃO PARA ENSINAR CRIANÇAS 1 MARIA JOSE DE MATOS LAURENTINO, 1, 2 MARCELO CALLEGARI ZANETTI 1 UNIP - São José do Rio Pardo - SP Brasil, 2 LEPESPE/I.B./UNESP Rio Claro - SP - Brasil (Introdução) A Capoeira pode ser encontrada em escolas que disponibilizam a modalidade no contra turno escolar com a finalidade de oferecer aos alunos atividades de cunho cultural e esportivo. Como se trata de um público infantil e para que se torne uma atividade bastante atrativa, a proposta é que as aulas possam ser adaptadas de maneira a facilitar o aprendizado mudando a estrutura de posicionamento das crianças além de inserir atividades lúdicas adaptadas para a modalidade. (Objetivo) Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi empregar uma metodologia de aula como o posicionamento em circulo e a aplicação de jogos e brincadeiras de roda e posteriormente identificarmos a eficácia desse modelo de aula no processo de ensino/aprendizagem. (Metodologia) Como proposta metodológica foi aplicada uma pesquisa-ação com crianças de 7 a 13 anos da escola SESI da cidade de Mococa SP durante os meses de novembro de 2013 a agosto de Uma das adaptações para as aulas foi o posicionamento do professor (mestre), que tradicionalmente ensina a Capoeira à frente dos alunos dispostos em fileiras, com separação dos mais graduados na frente e iniciantes atrás. Consideramos realizar as aulas com todos os participantes posicionados em circulo, não havendo assim separação nenhuma e uma melhor visualização dos movimentos transmitidos pelo professor, assim como a execução de brincadeiras neste mesmo posicionamento. (Resultados) Após o período de investigação foi possível perceber a evolução dos alunos quanto à desenvoltura em realizar os movimentos de Capoeira. Tal posicionamento parece colocar todos em posição de igualdade, devido principalmente à utilização de jogos e brincadeiras adaptados para a transmissão dos golpes da Capoeira. Estas atividades são uma junção da recreação e da Capoeira. Também houve utilização dos instrumentos musicais: berimbau, pandeiro, atabaque, agogô, reco-reco e as cantigas executadas de forma didática, sempre levando os praticantes a pensarem o porquê de cada letra das canções. (Conclusão) Por meio dos resultados dessa pesquisa espera-se consolidar a proposta de que a estratégia de posicionamento em circulo e a ludicidade podem contribuir para a transmissão de elementos tradicionais da Capoeira, e ainda promover maior satisfação e envolvimento dos pequenos praticantes, já que tal metodologia parece promover o protagonismo desses indivíduos. Palavras Chaves: Capoeira, Lúdico, Pesquisa-ação. 245

246 ATIVIDADE AQUÁTICA NA PRIMEIRA INFÂNCIA RODRIGUES, G.N.S.¹ ; GOGOY,S.A.K.¹ (1) União das Faculdades dos Grandes Lagos, São José do Rio Preto, SP- Brasil INTRODUÇÃO:Na antiguidade, saber nadar era mais uma arma de que o homem dispunha para sobrevir. Á partir da primeira metade do século XIX a modalidade começou a progredir como desporto.nos dias atuais, a atividade aquática na primeira infância vem se destacando a cada dia e consequentemente atraindo mais adeptos.ao consideramos tal busca, identificamos uma clara problemática diante a população, e em especial os pais, por terem poucos esclarecimentos quanto aos benefícios produzidos pelo meio líquido.objetivo E METODOLOGIA:Para tanto, realizamos um estudo tendo como objetivo analisar os benefícios produzidos por essa prática, através de revisão bibliográfica e pesquisa de campo com aplicação de questionário, com 32 pais de alunos da Academia Acqua Sport, localizada na cidade de São José do Rio Preto, São Paulo. Aplicamos um questionário contendo perguntas de múltipla escolha e ao final uma questão aberta onde os pais deveriam descrever se indicariam a modalidade e por qual razão?resultados: Á partir dos resultados, identificamos que a satisfação é um fato, demonstrada pelo interesse em relatar as melhorias observadas e em recomendar a modalidade a outras pessoas.com a pesquisa, contribuímos com a construção de bases sólidas de conhecimentos.conclusão: E concluímos que a atividade aquática na primeira infância, além de auxiliar para a educação do bebê, tornando-o mais participativo e independente, proporciona situações que aumentam e melhoram suas possibilidades motoras, cognitivas, afetivas e sociais, auxiliando-o no crescimento e desenvolvimento. Palavras Chaves: atividade aquática, natação, primeira infância. 246

247 A IMPORTÂNCIA DA AGILIDADE EM PRATICANTES DE FUTSAL 1 REIS, B. G.; 1 PAVAN, P. H. B.; 1 SOUZA, V. V.; 1 BUFFO JÚNIOR, L. E.; 1,2 ZANETTI, M. C. 1UNIP - São José do Rio Pardo - SP Brasil, 2LEPESPE/I.B./UNESP Rio Claro - SP - Brasil (INTRODUÇÃO) A modalidade futsal vem apresentando um grande aumento no número de adeptos com o passar do tempo. Como é considerada uma modalidade fácil de praticar como o futebol, há muitas crianças praticando tanto nas escolas como nas ruas. Por outro lado, o ser humano para se tornar um individuo autônomo deve apresentar um bom desenvolvimento motor, e nesse sentido a agilidade parece ser de fundamental importância para os praticantes dessa modalidade. (OBJETIVO) O objetivo desse trabalho foi verificar a importância da valência física agilidade no desenvolvimento do atleta de futsal. (METODOLOGIA) A fim de atendermos ao objetivo proposto optamos por uma ampla revisão de literatura nacional e internacional. (RESULTADOS) Como principal resultado constatamos que um atleta de futsal necessita de boa agilidade a fim de conseguir atingir seu objetivo principal, que seria conquistar a vitória. Outros apontamentos são no sentido de melhorar o tempo de reação do goleiro para fazer defesas; dificultar a infiltração dos atletas adversários fazendo assim uma marcação mais ágil; recepcionar passes de curta e longa distância, maior movimentação pela quadra, possibilitando mais opções de jogada; facilitar jogadas ofensivas driblando os oponentes e saindo da marcação usando a melhor opção de jogada em busca do gol (tomada de decisão). (CONSIDERAÇÕES FINAIS) Por tudo isso, concluímos que os atletas deveriam desde a iniciação começar a praticar educativos, que possibilitem um amplo desenvolvimento em suas capacidades físicas dando como ênfase a agilidade e as capacidades coordenativas, o que aponta para a necessidade do treinador não mais se apegar à métodos tradicionais de treinamento (principalmente os de base analítica), pois parecem ultrapassados e fadados apenas aos livros de história do esporte. Palavra chave: capacidade física, agilidade e futsal. 247

248 LIBRAS: A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO ENSINO SUPERIOR DIEGO ANTÔNIO DE JESUS OLIVEIRA Graduado em Enfermagem pela Universidade Nove de Julho RESUMO O estudo da evolução histórica da educação no Brasil mostra que, de maneiras diversas, o ensino tem sido disseminado ao longo dos anos aos milhares de brasileiros expandindo-se para todos os segmentos populacionais, não existindo restrição de sexo, etnia ou idade. Embora iniciativas isoladas e precursoras possam ser constatadas em nosso país, na área de Educação, a partir do século XIX, apenas na década de 70, é que se constata uma resposta mais abrangente da nossa sociedade a esta questão (Bueno, 1991; Marques et al, 2003). Apesar dessa constatação, o envolvimento da população com necessidades especiais continua sendo pouco investigada, fato evidenciado pela escassez de publicações científicas sobre a temática. Essa última década, no que se refere à educação, foi um grande diferencial, estudantes assumem em massa seus lugares nas instituições de ensino no país, devido à criação, aprovação e incentivo de diversos projetos educacionais. Neste contexto, a educação assume um papel privilegiado na sociedade, passa de coadjuvante a estrela principal, mentora de novos cidadãos pensantes. Agora já consolidada como uma prática privilegiada na sociedade, a educação, ou melhor, dizendo, o processo educacional tem que lidar com o novo, com o diferente. Antes elitizada, agora recebe a camada mais pobre da plebe ou diferente do habitual, como equipará-los sem confundir uma pretendida igualdade? Neste contexto, apontar caminhos para a mudança no projeto de organização universitária e na prática pedagógica dos professores que atuam no Ensino Superior é premente, favorecendo assim as políticas de inclusão neste universo (Para Freire,1996, p.76). Daí surgiu a necessidade de abordar esse tema neste trabalho, que se faz necessário para corroborar a compreensão da vida acadêmica de milhares de estudantes que são inseridos anualmente no ensino superior, que antes exclusos socialmente, são a nova realidade do cotidiano universitário. Os professores, em especial os do terceiro grau, desenvolvem certa resistência quando expostos ao novo, devido ao não conhecimento da abordagem correta a indivíduos com características especiais. Neste sentido, qual o papel do docente no processo de educação inclusiva no ensino superior? Considerando-se a realidade e as características que são inerentes ao ambiente universitário, evidencia-se a necessidade de desenvolver um projeto que vislumbre a aplicabilidade da linguagem de sinais (LIBRAS), pensando na qualidade do ensino. Descritores: Educação inclusiva, LIBRAS, Ensino Superior. 248

249 IMPACTO DO PROGRAMA LAZER ATIVO NO ESTILO DE VIDA DE TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA DE GRANDE PORTE DE CONSTRUÇÃO DE BARRAGEM EM PORTO VELHO 1-JUNIOR, P.R.Q. 2-MACHADO, M.S.A.C. 3-SILVA, M.J.L 4-CELI, D.R. 1-SESI-Porto Velho-Rondônia-Brasil 2-SESI-Porto Velho-Rondônia-Brasil 3-SESI-Porto Velho-Rondônia-Brasil 4-SESI-Porto Velho Rondônia-Brasil Dentro ou fora do ambiente de trabalho, o estilo de vida é um dos fatores que determinante a qualidade de vida do indivíduo. O comportamento do indivíduo diante dos componentes do estilo de vida pode contribuir de forma positiva ou negativa para sua qualidade de vida. O objetivo foi verificar o impacto do programa Lazer Ativo no estilo de vida dos trabalhadores de uma empresa do setor da Construção Civil de Grande Porte do município de Porto Velho/RO. O instrumento utilizado foi um questionário padrão desenvolvido pela instituição para verificação do estilo de vida e hábitos de lazer dos trabalhadores das indústrias brasileiras, com uma amostra de 633 trabalhadores de ambos os sexos e entrevistados pela equipe do SESI e atendidos em Para fins de avaliação comparamos dez indicadores de estilo de vida, gerando uma quadro demonstrativo e organizados em porcentagem, gerando os seguintes resultados. Indicador T1 T2 Impacto Inatividade física no lazer 49,8% 17,9% 64,1% Inatividade física nos deslocamentos 62,2% 96,2% -54,7% Tabagismo 25,4% 26,7% -5,1% Abuso de bebidas alcoólicas 42,5% 56,2% -32,2% Exposição ao sol sem proteção 33,3% 7,7% 76,9% Percepção negativa de controle do estresse 22,6% 20,8% 8% Percepção de saúde negativa 17,2% 8,3% 51,7% Percepção negativa em relação aos relacionamentos 13,1% 7,8% 40,5% Baixo consumo de frutas ou hortaliças 77% 79,4% -3,1% Consumo excessivo de refrigerantes ou sucos artificiais 29,7% 20,3% 31,6% Os resultados do estilo de vida e hábitos de lazer com esta população indicam que o Programa Lazer Ativo gerou impactos positivos em seis dos indicadores de estilo de vida. Recorre-se à análise do IGEV Índice Geral de Estilo de Vida que caracteriza a simultaneidade de exposição a dez importantes indicadores do estilo de vida. Na interpretação, quanto maior o valor do IGEV mais positivo o estilo de vida dos trabalhadores: O conjunto de indicadores gerou um impacto positivo de 0,3 p.p% no IGEV- Índice Geral de Estilo de Vida. 249

250 Nas avaliações realizadas, identificou-se que 29,5% dos trabalhadores estão numa faixa de médio alto e alto risco. Os resultados atuais indicam que este percentual passou a ser de 23,5%, representando um impacto de 20,3%. Logo as intervenções realizadas com o Programa Lazer Ativo geraram impactos positivos e relevantes para esta empresa, tornandoa mais saudável e competitiva. PALAVRAS CHAVES: Estilo de Vida, SESI, Saúde, Saúde do Trabalhador, Lazer, Competitividade, Programa. 250

251 A OBESIDADE VISCERAL E SUA RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA E A PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA ACADEMIA DA CIDADE NA POPULAÇÃO DO DISTRITO SANITÁRIO NOROESTE DE BELO HORIZONTE PERDIGÃO,K.C.G. 1 ; ROSSETTI,M.B. 1 ; SALES,A.L.R Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - Belo Horizonte Minas Gerais - Brasil A promoção à saúde e a prevenção de doenças não transmissíveis são objetivos centrais do SUS. A falta de atividades físicas regulares é fator de risco para as doenças cardiometabólicas, altamente relacionadas com a obesidade visceral. Observou-se que, nas regiões sudeste e nordeste do Brasil, 95% da população apresenta níveis de atividade física abaixo das recomendações. Com a portaria nº 2.608/2005, há recursos ao incentivo da prática de atividades físicas a todos os estados da federação. Com isso, criou-se o Programa Academia da Cidade. O objetivo deste estudo é analisar a ocorrência de obesidade visceral e sua relação com a prática de atividade física e utilização do programa Academia da Cidade na população do Distrito Sanitário Noroeste de Belo Horizonte (MG). Este trabalho transversal caracteriza-se pela interação ensino-serviço-comunidade, graças ao programa PET/PRO-SAÚDE PUCMINAS em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (BH). A partir do banco de dados municipais, foi obtida uma amostra aleatória, com 323 indivíduos de ambos os sexos e idade superior a 10 anos. Foram excluídas as grávidas e os indivíduos com distúrbios cognitivos. Todos os domicílios que foram sorteados receberam visitas de alunos, orientados por tutora e preceptores, com fins de realizar medidas antropométricas: peso, altura, circunferência da cintura e do quadril e aplicação do Questionário Internacional de Atividade Física (versão curta). A obesidade visceral foi estimada através da Razão Cintura/Altura (RCA), cujo ponto de corte para risco de doenças cardiometabólicas é 0,5. Acima dele, a prevalência das referidas doenças é alta: 54,85% da amostra estudada obtiveram dados que indicam alto risco de doenças cardiometabólicas. Desses, 211 eram mulheres e 112 homens. Do total, 3,86% das mulheres utilizavam o programa, 55,8% desconheciam, e 40,33% conheciam, mas não utilizavam. Dos homens, 60% desconheciam, 3,33% utilizavam e 36,66% conheciam, mas não utilizavam. No tocante aos aspectos conclusivos, observou-se que havia pouco conhecimento sobre a Academia da Cidade. Ficou clara a necessidade de investimento na divulgação do programa visto que apenas 35,92% dos indivíduos o conheciam. A RCA elevada na população estudada constituiu fator preocupante, pois a obesidade visceral é predisponente de patologias cardiometabólicas. Palavras-chave: Obesidade visceral, Academias da Cidade, Atividade física. 251

252 CONTRIBUIÇÃO DA PKCEPSILON NA CARDIOPROTEÇÃO MEDIADA PELO EXERCÍCIO FÍSICO Domingues, L. S.¹, ²; Ueta, C. B.¹; Ferreira, J. C. B.¹ ¹Departamento de Anatomia do Instituto de Ciências Biomédicas, ²Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo - São Paulo Brasil Agência Financiadora: FAPESP Introdução: O infarto agudo do miocárdio é um importante problema de saúde pública. Recentemente, nosso grupo demonstrou que o pré-condicionamento isquêmico, caracterizado por breves estímulos isquêmico alternados com curtos períodos de reperfusão, é capaz de proteger o coração de danos causados pela isquemia prolongada. Ainda, observamos que esse processo é dependente da translocação da proteína quinase C isoforma épsilon (PKCε) do citosol para a mitocôndria cardíaca. Semelhante ao précondicionamento isquêmico, o exercício físico quando realizado previamente também protege o coração dos danos causados pela isquemia/reperfusão. Entretanto, os aspectos celulares envolvidos neste processo ainda não foram elucidados e precisam ser melhor descritos. Objetivo: Caracterizar a sinalização celular e compreender os aspectos moleculares envolvidos na cardioproteção induzida pelo exercício físico frente ao insulto de isquemia/reperfusão em camundongos. Materiais e métodos: Camundongos machos selvagens (WT-C57BL6) e nocautes para a proteína quinase Cε (PKCεKO) foram divididos em dois grupos: Sedentário+Isquemia/reperfusão (I/R) e Exercício Físico+I/R (EF+I/R). Os camundongos do grupo EF+I/R foram submetidos a um protocolo de corrida em esteira por sete dias consecutivos. A intensidade do treinamento foi baseada na máxima fase estável do lactato. 24 horas após a última sessão de exercício o coração foi isolado, mantido ex vivo com perfusão retrograda artificial (técnica de Langendorff) e submetido ao insulto de isquemia/reperfusão, caracterizado por 35 minutos de isquemia e 60 de reperfusão. Variáveis analisadas: área de infarto cardíaca (coloração com TTC, solução de cloreto de trifeniltetrazólio) e liberação de peróxido de hidrogênio em mitocôndrias isoladas (reação com Amplex Red, fluorimetria). Resultados: Os resultados mostram que um protocolo de 7 dias de exercício físico foi capaz de reduzir a área de infarto cardíaca em camundongos WT em relação ao grupo sedentário (27,29±10,13 vs. 58±8,82%; p<0,05). Essa cardioproteção foi associada à melhora do metabolismo mitocondrial caracterizada pela diminuição na liberação de H 2 O 2 mitocondrial. Ainda, mostramos que camundongos PKCεKO não foram beneficiados pela cardioproteção mediada pelo exercício físico quando comparados a camundongos PKCεKO não treinados (60,05±8,92 vs. 65,26±11,35%). Conclusão: Este trabalho revela o papel crucial da PKCε na cardioproteção induzida pelo exercício físico frente a um insulto de isquemia/reperfusão. Palavras-chave: Infarto agudo do miocárdio. Proteína quinase Cε. Exercício Físico. 252

253 253

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