GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS. 3º Encontro - 31 de agosto No começo era o amor (Cap.

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS. 3º Encontro - 31 de agosto 2015. No começo era o amor (Cap."

Transcrição

1 GRUPO DE ESTUDOS: TRANSFERÊNCIA:- HISTÓRIAS DE (DES)AMOR SUELI SOUZA DOS SANTOS 3º Encontro - 31 de agosto 2015 No começo era o amor (Cap.I) No primeiro capítulo do Livro 8, Lacan ( ) inicia com algumas afirmações, no mínimo, provocadoras. Ele vai dizer que a intersubjetividade não define a transferência por si só. Porque não temos aí constituída uma dupla, ou duas subjetividades. Partindo desse entendimento, dissimetria não seria a melhor definição de um processo transferencial, haja vista que se pode dizer que há uma disparidade. Afirma também que a análise não é uma situação, ou melhor, dizendo, se for uma situação é totalmente falsa. E por que não é uma situação? Porque a ideia de situação implica algo de ordenado, disposto, situado, enquanto a própria experiência não aceita uma ordenação Antes de mais nada a análise é uma experiência pela qual só a conhecemos na media em que por ela tenhamos passado. Então essa experiência implica em referências, princípios que possibilitem uma retificação do que nomeamos teoricamente como transferência. Nesse sentido, o termo transferência tem algo de impar, de único, de estranho (odd), que em Francês tem o sentido de chocante, bévue que quer dizer disparate devido a ignorância ou distração, incerteza e que no seminário 24 a palavra une-bévue evoca o inconsciente. Ou seja, aquilo que é único, o raro, o equívoco como próprio da transferência. Lacan provoca: No começo era... o que poderia ser remetido ao verbo, ou a ação (em alemão) ou a práxis, aqui no sentido do início do mundo humano, evocando a gênese. Podemos pensar que esses três enunciados são incompatíveis. Do ponto de vista da psicanálise a experiência analítica o que importa é o seu valor de enunciação, ou seja, o que emerge como ex-nihilo próprio a toda a criação. No começo da experiência analítica, lembra Lacan, foi o amor. Com isso ele remete a o começo não da criação mas da formação. Ponto de encontro entre um homem e uma mulher, Joseph Breuer e Anna O. descrito no Estudo Sobre a Histeria (FREUD, ), nomeado por Anna como talking-cure. Aqui se evidencia que a clareza da enunciação, revela o

2 contradito ou o equívoco ou o confuso, que tão bem exemplifica o encontro entre um homem e uma mulher. Ou seja, o que é dito possibilita um interdiscurso, um outro querer dizer, que as palavras tem uma opacidade, ao que Anna O. deixa claro quando pede que não a interrompa pois está, ao falar em seus sentidos obscuros, deixando vir à tona outro dizer, limpando os sentidos do dito. As palavras curam ( talking cure ) A psicanálise é marcada, desde seu início por uma ética. Esse ethos que a constitui, ou seja, suas características morais, sociais e afetivas que definem o comportamento, se refere ao espírito motivador das ideias e costumes. Esse ethos é formado a partir de um vazio impenetrável que subsiste em torno do ex-nihilo, que em latim, quer dizer nada. Podemos pensar, um nada que possa ser nomeado como a coisa inaugural. Um começo que não se sabe. Lacan nessa afirmação parte da Schwärmerei de Platão, ou seja um devaneio, uma fantasia, podendo estar ligada a uma superstição do ponto de uma visão religiosa. Recordará o seminário da ética, com relação a origem, ao ponto de partida do ethos humano, o nada que está no núcleo do ser. Nesse sentido rechaça o Bem Supremo platônico como ocupando esse lugar nuclear. Não há bem que não proceda do bom, ou seja, a busca do Bem Fazer não é a busca da ação. Sobre desejo e o gozo- a partir do Mal estar na civilização, Freud aponta a falácia do amar o próximo, considerando que atrás das satisfações morais há um gozo do sujeito em relação a si mesmo. A questão é: como preservar o desejo em ato, tendo em conta o que falamos sobre a boa ação, como preservar a relação do desejo ao ato na medida em que no ato, o desejo encontra seu colapso e não sua realização. Resgata a reflexão de Sade enquanto uma referência ética, posto que é no gozo sadiano que podemos reconhecer onde se situa o Além do princípio do prazer de Freud. A beleza é o que busca como ponto de encontro sobre os motivos e motivações do Bem, na medida em que constitui a última barreira antes do acesso à coisa última, mortal, formulada por Freud na pulsão de morte. Essa derivação de tema nos aponta para a origem do que se articulou sobre a ideia de imortalidade que é a questão do próprio falante, sob uma forma invertida. Lacan se ressalta em Sócrates seu método, que estará por traz de tudo que se dirá sobre a transferência. Isso se mostrará nos diálogos do Banquete. Sócrates diz que nada sabe, a não ser sobre o amor, reconhece onde está o amante e onde está o amado. É nesse ponto que a psicanálise nos aponta a história de amor entre Breuer e Anna O. Um amor da paciente que pode ser pensado também do lado do médico. Lacan aponta para a solução burguesa buscada por Breuer que escapa dessa situação e que, num fervor conjugal, viaja com a esposa e a engravida. Segundo Lacan: tudo está aí, o pequeno Eros cuja malicia com inesperada surpresa, golpeou a Breuer e o obrigou a uma fuga.

3 A diferença de Breuer, e qualquer que seja sua causa, a conduta adotada por Freud faz dele o senhor do temível deus. Ele escolhe, como Sócrates, servi-lo para servir-se dele. Aí, nesse servir-se dele, de Eros- ainda era preciso sublinhá-lo- começam para nós os problemas. Pois servir-se dele para quê?(p.17). A pergunta nos aponta para a transferência. Servir-se dela para quê? Não seria para o bem do analisante mas para Eros. Ou seja, diz Lacan: Sabemos que o domínio de Eros vai infinitamente mais longe que qualquer campo que possa ser coberto pelo Bem... e é nisso que os problemas que a transferência nos coloca só fazem aqui começar. Essa aliás, é uma coisa perpetuamente presente em meu espírito e no de vocês, na mediada em que é linguagem corrente, discurso comum sobre análise. Dizendo de outra forma, a respeito da transferência, não se deve de nenhuma maneira, nem preconcebida, nem permanente, colocar como primeiro termo como o fim de uma ação o bem, pretenso ou não, de seu paciente, mas precisamente o seu Eros. (p.17) Então, seguindo a Freud, o que o faz descobrir a pulsão de morte, o conduz as duas mortes. A morte que faz do ser mesmo um rodeio, que nos acompanha desde a origem, e a outra morte, a morte dos corpos, unido por Eros. Lacan tira a transferência da intersubjetividade. Não se trata de dois sujeitos, uma dupla intersubjetiva. Aliás o analista deve manter-se atento para não cair nesse terreno, ou em jogos de sedução. O mais danoso que se possa fazer é o jogo de entendimento ou acolhimento ou consolo. Retomando a posição ética de Sócrates, ele fala da beleza dos corpos, no entanto mostra que a feiúra não é obstáculo para o amor. Diz Lacan que a análise é a única prática onde o encanto é um inconveniente. Se entende que é na análise que se requer, desde o inicio, um alto grau de sublimação libidinal. Para Freud a posição do amor na sociedade é uma posição precária, clandestina. Em psicanálise a posição do amor é um paradoxo, a relação analítica supõe um isolamento do outro para que emerja justamente o que lhe falta, desde a posição de estar amando. O psicanalista não está aí para seu bem, mas para ele ame. Cenário e personagens (Cap. II) Neste capítulo, Lacan inicia falando sobre Alcibíades como representante da ordem disruptora de qualquer lei estabelecida não por ele mesmo. A forma com que irrompe no Banquete e expõe a Sócrates, aponta para sua práxis de grandes espetáculos, sobre um fundo de insurreição, subversão das leis da cidade, de desprezo pelas formas, pelas tradições, pelas leis e pela própria religião, com uma disposição para a traição permanente. Seguindo essa forma de estar no mundo social, fala abertamente de suas

4 tentativas de sedução em relação a Sócrates que não sede a seus encontros e convites de entrega corporal. As questões que se colocam aqui são sobre a veracidade do texto. Lacan se interroga se é ou não ficção se ocorreu ou não esse simpósio, qual seu verdadeiro caráter, o quanto é uma espécie de relato de sessões psicanalíticas. Ele diz: À medida que progride o diálogo e que se sucedem as contribuições dos diferentes participantes desse simpósio, acontece alguma coisa que é o espoucar sucessivo de cada um desses flashes pelo seu sucessor, e depois, no fim, o que nos é narrado como um fato brutos até mesmo embaraçoso- a irrupção da vida ali dentro, a presença de Alcibíades. E cabe a nós compreender o sentido que há em seu discurso. (p.33) Lacan vai apontar a questão da memória e da tradição oral por onde a história, os valores e costumes sociais são passados e mantidos na tradição, como os fatos relatados em diferentes tempos históricos vão construindo o tecido linguageiro que reproduzirá uma versão sobre determinado fato relatado. Diz: [...] tudo isso, evidentemente, não resolve de modo algum a questão da veracidade histórica, mas tem, no entanto, uma grande verossimilhança. Se é um mentira, é uma bela mentira- e como é, por outro lado, manifestamente uma obra de amor, e talvez cheguemos a ver despontar a noção de que, afinal, só os mentirosos podem responder dignamente ao amor. (p.35-36) Sobre o amor grego, quando o mencionamos, estamos falando do amor homossexual. Introduz aqui como vai se construindo o laço social, as relações inter-humanas. Lembra que: Se a sociedade acarreta por seu efeito de censura, uma forma de desagregação que se chama de neurose, é num sentido contrário de elaboração, de construção, de sublimação- digamos o termo- que se pode conceber a perversão quanto ela é produto da cultura. E o circulo se fecha, a perversão trazendo os elementos que trabalham a sociedade, a neurose favorecendo a criação de novos elementos de cultura. (p.38) Com relação ao amor grego, o que diferencia do amor homossexual atual é apenas a qualidade. A homossexualidade, no entanto afirma, não deixa de ser o que é, uma perversão. No entanto, os gregos não se furtavam a frequentar e render consideração as mulheres, mesmo Sócrates. Tomando o discurso de Sócrates sobre o amor, Lacan concluí que o amor é dar o que não se tem e concluí: O amor grego nos permite retirar, na relação do amor, os dois parceiros do neutro (p.41). A relação que se estabelece entre o desejo e o que ele estabelece é sempre referido a atribuição de outro desejo, jamais satisfeito, assim Lacan

5 concluíra que da conjunção do desejo com eu objeto, enquanto inatingível ou inadequado, deve surgir o significante que chamamos amor. Finalmente afirma Lacan: Para quem não apreendeu esta articulação e o que ela implica como condições no simbólico, no imaginário e no real, é impossível captar aquilo que de que se trata nesse efeito, tão estranho por seu automatismo, que se chama a transferência, impossível comparar a transferência e o amor, e medir a parte, a dose, do que se deve atribuir a cada um, reciprocamente, de ilusão ou de verdade.

AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO

AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO Lucia Serrano Pereira 1 Afirmo em nada mais ser entendido, senão nas questões do amor. Isso é o que está dito por Sócrates na obra de Platão O Banquete. O Banquete nos é indicado

Leia mais

AFORISMOS DE JACQUES LACAN

AFORISMOS DE JACQUES LACAN AFORISMOS DE JACQUES LACAN Marco Antonio Coutinho Jorge (org.) O texto de Lacan, assim como o de Swedenborg, segundo Borges, é daqueles que expõe tudo com autoridade, com uma tranqüila autoridade. Ciente,

Leia mais

A fala freada Bernard Seynhaeve

A fala freada Bernard Seynhaeve Opção Lacaniana online nova série Ano 1 Número 2 Julho 2010 ISSN 2177-2673 Bernard Seynhaeve Uma análise é uma experiência de solidão subjetiva. Ela pode ser levada suficientemente longe para que o analisante

Leia mais

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues

Falar de si na contemporaneidade. máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 5 Julho 2011 ISSN 2177-2673 : uma máquina de impostura? 1 Ana Paula Britto Rodrigues O que tem sido feito do silêncio no mundo atual? Acabou o silêncio? Se

Leia mais

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da Introdução O interesse em abordar a complexidade da questão do pai para o sujeito surgiu em minha experiência no Núcleo de Atenção à Violência (NAV), instituição que oferece atendimento psicanalítico a

Leia mais

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE Maria Fernanda Guita Murad Pensando a responsabilidade do analista em psicanálise, pretendemos, neste trabalho, analisar

Leia mais

1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação

1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação 1 1ª. Apostila de Filosofia O que é Filosofia? Para que a Filosofia? A atitude filosófica. Apresentação O objetivo principal de Introdução Filosofia é despertar no aluno a percepção que a análise, reflexão

Leia mais

Nem o Catecismo da Igreja Católica responde tal questão, pois não dá para definir o Absoluto em palavras.

Nem o Catecismo da Igreja Católica responde tal questão, pois não dá para definir o Absoluto em palavras. A pregação do Amor de Deus, por ser a primeira em um encontro querigmático, tem a finalidade de levar o participante ao conhecimento do Deus Trino, que por amor cria o mundo e os homens. Ao mesmo tempo,

Leia mais

Jacques Lacan, La Chose Freudienne

Jacques Lacan, La Chose Freudienne N O T A S Jacques Lacan, La Chose Freudienne JACQUES LABERGE Tivemos ocasião de apresentar nesta revista obras de Françoise Dolto e de Maud Mannoni. Como o nome de vários lacanianos são e serão comuns

Leia mais

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1 Celso Rennó Lima A topologia..., nenhum outro estofo a lhe dar que essa linguagem de puro matema, eu entendo por aí isso que é único a poder se ensinar: isso

Leia mais

Clínica psicanalítica com crianças

Clínica psicanalítica com crianças Clínica psicanalítica com crianças Ana Marta Meira* A reflexão sobre a clínica psicanalítica com crianças aponta para múltiplos eixos que se encontram em jogo no tratamento, entre estes, questões referentes

Leia mais

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE.

A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. A BOCA CALA, O CORPO FALA: VIOLÊNCIA SEXUAL, SEGREDO E PSICANÁLISE. Desde os primeiros passos de Freud em suas investigações sobre o obscuro a respeito do funcionamento da mente humana, a palavra era considerada

Leia mais

Feminilidade e Angústia 1

Feminilidade e Angústia 1 Feminilidade e Angústia 1 Claudinéia da Cruz Bento 2 Freud, desde o início de seus trabalhos, declarou sua dificuldade em abordar o tema da feminilidade. Após um longo percurso de todo o desenvolvimento

Leia mais

8 Andréa M.C. Guerra

8 Andréa M.C. Guerra Introdução A loucura sempre suscitou curiosidade, temor, atração. Desde a época em que os loucos eram confinados em embarcações errantes, conforme retratado na famosa tela Nau dos loucos, de Hieronymus

Leia mais

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1

ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 ISSO NÃO ME FALA MAIS NADA! (SOBRE A POSIÇÃO DO ANALISTA NA DIREÇÃO DA CURA) 1 Arlete Mourão 2 Essa frase do título corresponde à expressão utilizada por um ex-analisando na época do final de sua análise.

Leia mais

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1

APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 APO TAME TOS SOBRE A A GÚSTIA EM LACA 1 Elza Macedo Instituto da Psicanálise Lacaniana IPLA São Paulo, 2008 A angústia é um afeto Lacan (2005) dedica o Seminário de 1962-1963 à angústia. Toma a experiência

Leia mais

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos

Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Histeria e Corporalidade: O Corpo histérico através dos tempos Este trabalho tem por intuito verificar quais as transformações sofridas pelos sintomas histéricos ao longo dos anos. Esta indagação se deve

Leia mais

ESCUTANDO DISCURSIVAMENTE A ESCRITA DE SUJEITOS ADOLESCENTES SOBRE QUESTÕES DE CORPO: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA

ESCUTANDO DISCURSIVAMENTE A ESCRITA DE SUJEITOS ADOLESCENTES SOBRE QUESTÕES DE CORPO: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA ESCUTANDO DISCURSIVAMENTE A ESCRITA DE SUJEITOS ADOLESCENTES SOBRE QUESTÕES DE CORPO: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA Rubens Prawucki (Centro Universitário - Católica de SC) 1- Iniciando as reflexões: O objetivo

Leia mais

OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS

OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS OLHANDO FIRMEMENTE PARA JESUS Autor e Consumador da Nossa Fé (Hebreus 12) Introdução: Para uma melhor compreensão do texto sobre o qual vamos meditar durante todo esse ano, é necessário observar que ele

Leia mais

O exterior da inclusão e a inclusão do exterior

O exterior da inclusão e a inclusão do exterior O exterior da inclusão e a inclusão do exterior www.voxinstituto.com.br O tema do V Simpósio Derdic- "Mecanismos de exclusão, estratégias de inclusão" permitiu que a problemática da inclusão social do

Leia mais

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da

FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM. A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da FANTASIAS SEXUAIS INFANTIS, AS CRIANÇAS FALAM Maria Elisa França Rocha A intenção deste trabalho foi escutar crianças pequenas a respeito da sexualidade, bem como conhecer suas fantasias e as teorias que

Leia mais

Palestra Virtual. Promovida pelo IRC-Espiritismo http://www.irc-espiritismo.org.br

Palestra Virtual. Promovida pelo IRC-Espiritismo http://www.irc-espiritismo.org.br Palestra Virtual Promovida pelo http://www.irc-espiritismo.org.br Tema: Mediunidade (Consciência, Desenvolvimento e Educação) Palestrante: Vania de Sá Earp Rio de Janeiro 16/06/2000 Organizadores da palestra:

Leia mais

O sujeito e os gozos #08

O sujeito e os gozos #08 nova série @gente Digital nº 8 Ano 2 Abril de 2013 Revista de Psicanálise O sujeito e os gozos Pierre Skriabine Isso goza e não sabe, nota Lacan na página 104 do seu Seminário Encore, no capítulo intitulado

Leia mais

O SER WINNICOTTIANO E A CLÍNICA DA PÓS-MODERNIDADE. Winnicott viveu em uma época em que a concepção de pós-modernidade estava se

O SER WINNICOTTIANO E A CLÍNICA DA PÓS-MODERNIDADE. Winnicott viveu em uma época em que a concepção de pós-modernidade estava se 1 O SER WINNICOTTIANO E A CLÍNICA DA PÓS-MODERNIDADE Nahman Armony Winnicott viveu em uma época em que a concepção de pós-modernidade estava se formando, e, sabedor ou não disto, contribuiu com conceitos

Leia mais

Considerações acerca da transferência em Lacan

Considerações acerca da transferência em Lacan Considerações acerca da transferência em Lacan Introdução Este trabalho é o resultado um projeto de iniciação científica iniciado em agosto de 2013, no Serviço de Psicologia Aplicada do Instituto de Psicologia

Leia mais

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1

O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 O corpo para a psicanálise: notas sobre inibição e psicossomática. 1 Miriam A. Nogueira Lima 2 1ª - O corpo para a psicanálise é o corpo afetado pela linguagem. Corpo das trocas, das negociações. Corpo

Leia mais

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 1 Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 Resistência e dominação na relação psicanalítica 1 Maria Izabel Oliveira Szpacenkopf izaszpa@uol.com.br Psicanalista, Membro

Leia mais

Dra. Nadia A. Bossa. O Olhar Psicopedagógico nas Dificuldades de Aprendizagem

Dra. Nadia A. Bossa. O Olhar Psicopedagógico nas Dificuldades de Aprendizagem O Olhar Psicopedagógico nas Dificuldades de Aprendizagem Aprendizagem humana Ao nascer, o bebê humano é recebido num mundo de cultura e linguagem que o antecede e ao qual necessita ter acesso. Porém falta

Leia mais

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1 Patrícia Guedes 2 Comemorar 150 anos de Freud nos remete ao exercício de revisão da nossa prática clínica. O legado deixado por ele norteia a

Leia mais

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável

Clarice Gatto. O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Clarice Gatto O traumático que a experiência psicanalítica torna comunicável Trabalho a ser apresentado na Mesa-redonda Poder da palavra no III Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e IX

Leia mais

I OS GRANDES SISTEMAS METAFÍSICOS

I OS GRANDES SISTEMAS METAFÍSICOS I OS GRANDES SISTEMAS METAFÍSICOS A principal preocupação de Descartes, diante de uma tradição escolástica em que as espécies eram concebidas como entidades semimateriais, semi-espirituais, é separar com

Leia mais

De onde vem a resistencia? 1

De onde vem a resistencia? 1 De onde vem a resistencia? 1 Maria Lia Avelar da Fonte 2 1 Trabalho apresentado na Jornada Freud-lacaniana. 2 M dica, psicanalista membro de Intersecção Psicanalítica do Brasil. De onde vem a resistência?

Leia mais

TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE. que esse trabalho se refere. Apesar do tema do trabalho não abordar esse conceito,

TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE. que esse trabalho se refere. Apesar do tema do trabalho não abordar esse conceito, 1 TÍTULO: A RESPOSTA DO PSICANALISTA UMA VIA DO AMOR E DA VERDADE Marisa De Costa Martinez i Tiago Ravanello ii Nem só a Arte e a Ciência servem; No trabalho há que mostrar paciência 1 São a fome e o amor

Leia mais

Que Narciso é esse? (Henrique Figueiredo Carneiro henrique@unifor.br) Edição do Autor, 2007, 14 p. (DVD-book)

Que Narciso é esse? (Henrique Figueiredo Carneiro henrique@unifor.br) Edição do Autor, 2007, 14 p. (DVD-book) 251 Que Narciso é esse? (Henrique Figueiredo Carneiro henrique@unifor.br) Edição do Autor, 2007, 14 p. (DVD-book) Autor da resenha Thiago Costa Matos Carneiro da Cunha Psicanalista. Graduado em Psicologia

Leia mais

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack Opção Lacaniana online nova série Ano 2 Número 6 novembro 2011 ISSN 2177-2673 Oscar Zack O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre as pessoas mediatizadas pelas imagens. Guy

Leia mais

ença grave, provavelmente do cérebro, com poucas perspetivas de recuperação e que poderá mesmo, num breve espaço de tempo, levar à morte da paciente.

ença grave, provavelmente do cérebro, com poucas perspetivas de recuperação e que poderá mesmo, num breve espaço de tempo, levar à morte da paciente. I Minhas senhoras e meus senhores! É para mim uma experiência nova e desconcertante apresentar me como conferencista no Novo Mundo diante de um público interessado. Parto do princípio de que esta honra

Leia mais

Construções lacanianas em torno da fantasia

Construções lacanianas em torno da fantasia Construções lacanianas em torno da fantasia Angela Vorcaro 1 Marcela Rêda Guimarães 2 1 Introdução: O texto freudiano Batem numa criança (Freud, 2010[1919]) estabelece a organização de uma massa de fantasias

Leia mais

"Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1

Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica. 1 V Congresso de Psicopatologia Fundamental "Crise ou tentativa de cura? - desafios para uma clínica do sujeito numa enfermaria psiquiátrica". 1 Autora: Lorenna Figueiredo de Souza. Resumo: O trabalho apresenta

Leia mais

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação

Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Um percurso de nomes, objetos, angústia e satisfação Gresiela Nunes da Rosa Diante do enigma primeiro a respeito do desejo do

Leia mais

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010.

IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. IV Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental X Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental. Curitiba, de 04 a 07 de Julho de 2010. Os nomes dos modos de sofrimentos atuais, ou, Transtornos

Leia mais

Transferência. Transferência (Conferências Introdutórias à Psicanálise, 1916/17, Teoria Geral das Neuroses) -------

Transferência. Transferência (Conferências Introdutórias à Psicanálise, 1916/17, Teoria Geral das Neuroses) ------- Transferência Transferência (Conferências Introdutórias à Psicanálise, 1916/17, Teoria Geral das Neuroses) ------- Erros na tradução da Imago: 1 Página 505: 5a. linha (de baixo para cima: não consenso,

Leia mais

Introdução. De que adianta estudar filosofia se não para melhorar o seu pensamento sobre as questões importantes do dia a dia? Ludwig Wittgenstein

Introdução. De que adianta estudar filosofia se não para melhorar o seu pensamento sobre as questões importantes do dia a dia? Ludwig Wittgenstein Introdução De que adianta estudar filosofia se não para melhorar o seu pensamento sobre as questões importantes do dia a dia? Ludwig Wittgenstein O que a filosofia tem a ver com o dia a dia? Tudo! Na verdade,

Leia mais

Mentira - o avesso da Verdade?

Mentira - o avesso da Verdade? Mentira - o avesso da Verdade? Christian Ingo Lenz Dunker A educação formal e informal nos ensina que não devemos mentir. A mentira deve ser evitada e a sinceridade prezada acima de tudo. Se exigirmos

Leia mais

SALVAÇÃO não basta conhecer o endereço Atos 4:12

SALVAÇÃO não basta conhecer o endereço Atos 4:12 SALVAÇÃO não basta conhecer o endereço Atos 4:12 A SALVAÇÃO É A PRÓPRIA PESSOA DE JESUS CRISTO! VOCÊ SABE QUAL É O ENDEREÇO DE JESUS! MAS ISSO É SUFICIENTE? Conhecer o endereço de Jesus, não lhe garantirá

Leia mais

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon

Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673. Há um(a) só. Analícea Calmon Opção Lacaniana online nova série Ano 3 Número 8 julho 2012 ISSN 2177-2673 Analícea Calmon Seguindo os passos da construção teórico-clínica de Freud e de Lacan, vamos nos deparar com alguns momentos de

Leia mais

SELF, SOCIEDADE & SEXUALIDADE

SELF, SOCIEDADE & SEXUALIDADE SELF, SOCIEDADE & SEXUALIDADE Leila Sharon Nasajon * A sexualidade representa uma questão crucial no desenvolvimento e na preservação da identidade pessoal e social. Para que relações interpessoais satisfatórias

Leia mais

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante

O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante O AMOR NOSSO DE CADA DIA * Palavras chave: Amor; felicidade; sintoma; semblante Heloisa Caldas ** Minha contribuição para este número de Latusa visa pensar o amor como um semblante que propicia um tratamento

Leia mais

DE ANNA O. A GISELE BÜNDCHEN O TRABALHO PARA CONSTRUIR A VERDADEIRA IDENTIDADE AINDA É UM CAMINHO A PERCORRER. HELEN GUARESI *

DE ANNA O. A GISELE BÜNDCHEN O TRABALHO PARA CONSTRUIR A VERDADEIRA IDENTIDADE AINDA É UM CAMINHO A PERCORRER. HELEN GUARESI * 3 DE ANNA O. A GISELE BÜNDCHEN O TRABALHO PARA CONSTRUIR A VERDADEIRA IDENTIDADE AINDA É UM CAMINHO A PERCORRER. HELEN GUARESI * O que é que pode haver em comum entre estas duas mulheres, onde a primeira

Leia mais

CURSO DE FORMAÇÃO DE PASTORES E LÍDERES (CFPL) ACONSELHAMENTO PASTORAL

CURSO DE FORMAÇÃO DE PASTORES E LÍDERES (CFPL) ACONSELHAMENTO PASTORAL CURSO DE FORMAÇÃO DE PASTORES E LÍDERES (CFPL) ACONSELHAMENTO PASTORAL Vocês sabem ouvir e realizar um Aconselhamento Pastoral (AP) eficaz e eficiente? Sabem as técnicas que podem ser utilizadas no Gabinete

Leia mais

Dia 4. Criado para ser eterno

Dia 4. Criado para ser eterno Dia 4 Criado para ser eterno Deus tem [...] plantado a eternidade no coração humano. Eclesiastes 3.11; NLT Deus certamente não teria criado um ser como o homem para existir somente por um dia! Não, não...

Leia mais

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital 3 Tempo e morte: da urgência ao ato analítico. Revinter: Rio de Janeiro, 2003. Prefácio Interessante pensar em um tempo de começo. Início do tempo de

Leia mais

UMA ESPOSA PARA ISAQUE Lição 12

UMA ESPOSA PARA ISAQUE Lição 12 UMA ESPOSA PARA ISAQUE Lição 12 1 1. Objetivos: Ensinar que Eliézer orou pela direção de Deus a favor de Isaque. Ensinar a importância de pedir diariamente a ajuda de Deus. 2. Lição Bíblica: Gênesis 2

Leia mais

Caracterização Cronológica

Caracterização Cronológica Caracterização Cronológica Filosofia Medieval Século V ao XV Ano 0 (zero) Nascimento do Cristo Plotino (204-270) Neoplatônicos Patrística: Os grandes padres da igreja Santo Agostinho ( 354-430) Escolástica:

Leia mais

Título: Entrevista com Fabián Naparstek

Título: Entrevista com Fabián Naparstek Título: Entrevista com Fabián Naparstek Autor: Didier Velásquez Vargas Psicanalista em Medellín, Colômbia. Psychoanalyst at Medellín, Colômbia. E-mail: didiervelasquezv@une.net.co Resumo: Entrevista com

Leia mais

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento

Diagnóstico: um sintoma? O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal função é de ser um instrumento Diagnóstico: um sintoma? Larissa de Figueiredo Rolemberg Mendonça e Manoel Tosta Berlinck (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP) O diagnóstico em psiquiatria tem uma história. Sua principal

Leia mais

25/07 ESBOÇO DE ANÁLISE DE UM TEXTO MIDIÁTICO IMAGÉTICO SOB OS PRESSUPOSTOS DA ANÁLISE DO DISCURSO. Maricília Lopes da Silva (PG-UNIFRAN)

25/07 ESBOÇO DE ANÁLISE DE UM TEXTO MIDIÁTICO IMAGÉTICO SOB OS PRESSUPOSTOS DA ANÁLISE DO DISCURSO. Maricília Lopes da Silva (PG-UNIFRAN) 25/07 ESBOÇO DE ANÁLISE DE UM TEXTO MIDIÁTICO IMAGÉTICO SOB OS PRESSUPOSTOS DA ANÁLISE DO DISCURSO. Maricília Lopes da Silva (PG-UNIFRAN) Introdução Nesta pesquisa, desenvolve-se um trabalho pautado nos

Leia mais

www.ree.org.br Sobre as curas espirituais IEEWFM, 7 de maio de 2013

www.ree.org.br Sobre as curas espirituais IEEWFM, 7 de maio de 2013 Sobre as curas espirituais IEEWFM, 7 de maio de 2013 O diálogo a seguir envolve dois assuntos de grande interesse geral: a proteção oferecida pelos espíritos frente às diferentes situações a que somos

Leia mais

Reconhecida como uma das maiores autoridades no campo da análise infantil na

Reconhecida como uma das maiores autoridades no campo da análise infantil na 48 1.5. Aberastury: o nascimento de um neo-kleinianismo Reconhecida como uma das maiores autoridades no campo da análise infantil na Argentina, Arminda Aberastury fazia parte do grupo de Angel Garma, que

Leia mais

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1

Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Megalomania: amor a si mesmo Raquel Coelho Briggs de Albuquerque 1 Alfredo estava na casa dos 30 anos. Trabalhava com gesso. Era usuário de drogas: maconha e cocaína. Psicótico, contava casos persecutórios,

Leia mais

A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE

A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE Autores: Gleici Kelly de LIMA, Mário Ferreira RESENDE. Identificação autores: Bolsista IN-IFC; Orientador IFC-Videira. Introdução Qual seria

Leia mais

A jornada do herói. A Jornada do Herói

A jornada do herói. A Jornada do Herói A Jornada do Herói Artigo de Albert Paul Dahoui Joseph Campbell lançou um livro chamado O herói de mil faces. A primeira publicação foi em 1949, sendo o resultado de um longo e minucioso trabalho que Campbell

Leia mais

Pregação proferida pelo pastor João em 03/02/2011. Próxima pregação - Efésios 4:1-16 - A unidade do corpo de Cristo.

Pregação proferida pelo pastor João em 03/02/2011. Próxima pregação - Efésios 4:1-16 - A unidade do corpo de Cristo. 1 Pregação proferida pelo pastor João em 03/02/2011. Próxima pregação - Efésios 4:1-16 - A unidade do corpo de Cristo. Amados Irmãos no nosso Senhor Jesus Cristo: É devido à atuação intima do Espírito

Leia mais

Entrevista: Carlos Bernardi, Psicólogo clínico jungiano, fundador do grupo Rubedo [www.rubedo.psc.br]

Entrevista: Carlos Bernardi, Psicólogo clínico jungiano, fundador do grupo Rubedo [www.rubedo.psc.br] FONTE: CRP-RJ DEZEMBRO DE 2006 Entrevista: Carlos Bernardi, Psicólogo clínico jungiano, fundador do grupo Rubedo [www.rubedo.psc.br] Como funciona a terapia junguiana? A Análise junguiana está dentro da

Leia mais

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO

PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO PSICANÁLISE E A QUESTÃO RELIGIOSA: A INSIGNIFICÂNCIA DO TRIUNFO 2014 Matheus Henrique de Souza Silva Psicólogo pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga-MG. Especializando em Clínica Psicanalítica na atualidade:

Leia mais

O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa

O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa No decorrer dos séculos, a histeria sempre foi associada a uma certa imagem de ridículo que por vezes suas personagens

Leia mais

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2

A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1. Selma Correia da Silva 2 A clínica da anorexia no hospital, um caso. Aline Martins 1 Selma Correia da Silva 2 Neste trabalho pretendemos discutir a articulação do discurso da Psicanálise com o discurso da Medicina, destacando

Leia mais

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA

DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA DO DESENHO A ESCRITA E LEITURA Cleide Nunes Miranda 1 Taís Batista 2 Thamires Sampaio 3 RESUMO: O presente estudo discute a relevância do ensino de leitura e principalmente, da escrita, trazendo em especial

Leia mais

Terapia Analítica. Terapia analitica (S. Freud) (Conferências introdutórias à Psicanálise, Teoria Geral das Neuroses, 1916/17)

Terapia Analítica. Terapia analitica (S. Freud) (Conferências introdutórias à Psicanálise, Teoria Geral das Neuroses, 1916/17) Terapia Analítica Terapia analitica (S. Freud) (Conferências introdutórias à Psicanálise, Teoria Geral das Neuroses, 1916/17) A sugestão. O caráter transitório de seus efeitos lembra os efeitos igualmente

Leia mais

Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação na Clínica Extensa Leila Souza Alves de Araújo

Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação na Clínica Extensa Leila Souza Alves de Araújo Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação na Clínica Extensa Leila Souza Alves de Araújo Entrelaçamentos entre Arte e Interpretação é o que se busca promover a partir da realização do Projeto Transformador:

Leia mais

O Planejamento Participativo

O Planejamento Participativo O Planejamento Participativo Textos de um livro em preparação, a ser publicado em breve pela Ed. Vozes e que, provavelmente, se chamará Soluções de Planejamento para uma Visão Estratégica. Autor: Danilo

Leia mais

Depressão não é sintoma, mas inibição

Depressão não é sintoma, mas inibição 4 (29/4/2015) Tristeza Atualmente denominada de depressão, por lhe dar por suporte o humor, a tristeza é uma covardia de dizer algo do real. Seu avesso, no sentido moebiano, a alegria, pode ir até a elacão.

Leia mais

O SUJEITO SUPOSTO SABER E TRANSFERÊNCIA (The Subject Supposed to Know and Transference)

O SUJEITO SUPOSTO SABER E TRANSFERÊNCIA (The Subject Supposed to Know and Transference) O SUJEITO SUPOSTO SABER E TRANSFERÊNCIA (The Subject Supposed to Know and Transference) Maria Angélica Augusto de Mello Pisetta 1 Resumo: Palavras-chave: Abstract: Keywords: Neste artigo discutimos o conceito

Leia mais

desafia, não te transforma Semestre 2015.2

desafia, não te transforma Semestre 2015.2 O que não te 1 desafia, não te transforma Semestre 2015.2 1 Nossos encontros www.admvital.com 2 2 Nossos encontros www.admvital.com 3 AULÃO 3 4 Materiais da aula www.admvital.com/aulas 4 5 Critérios AV

Leia mais

O discurso de mídia em relação a mulher 1

O discurso de mídia em relação a mulher 1 O discurso de mídia em relação a mulher 1 GLÁUCIA PEREIRA DE SOUZA UNIVERSIDADE CATOLICA DE BRASILIA O objetivo desta comunicação é fazer uma primeira discussão sobre o discurso da mídia em relação à mulher,

Leia mais

DONS DE ELOCUÇÃO ONZE REGRAS SOBRE O DOM DE ELOCUÇÃO

DONS DE ELOCUÇÃO ONZE REGRAS SOBRE O DOM DE ELOCUÇÃO DONS DE ELOCUÇÃO Lição 5-4 de Maio de 2014 Texto Áureo: I Pedro 4.11 Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus

Leia mais

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999.

MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999. MOURA, Marisa Decat de (ORG). Psicanálise e hospital: a criança e sua dor. Revinter: Rio de Janeiro, 1999. Prefácio Só as crianças têm segredos, Dos quais mais tarde já nem lembram! A dor talvez é um deles.

Leia mais

1º Domingo de Agosto Primeiros Passos 02/08/2015

1º Domingo de Agosto Primeiros Passos 02/08/2015 1º Domingo de Agosto Primeiros Passos 02/08/2015 JESUS ESTÁ COMIGO QUANDO SOU DESAFIADO A CRESCER! OBJETIVO - Saber que sempre que são desafiados a crescer ou assumir responsabilidades, Jesus está com

Leia mais

Os encontros de Jesus. sede de Deus

Os encontros de Jesus. sede de Deus Os encontros de Jesus 1 Jo 4 sede de Deus 5 Ele chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, que ficava perto das terras que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Ali ficava o poço de Jacó. Era mais ou

Leia mais

ELEMENTOS DA HOMINIZAÇÃO

ELEMENTOS DA HOMINIZAÇÃO 1 ELEMENTOS DA HOMINIZAÇÃO Ao descobrir a Psicanálise Freud se defrontou com a inesperada necessidade de lançar mão de conceitos que pertencem a outras ciências como a Antropologia e a Lingüística, já

Leia mais

Gilberto Gobbato A mulher sem pecado: fantasia rodrigueana

Gilberto Gobbato A mulher sem pecado: fantasia rodrigueana Gilberto Gobbato A mulher sem pecado: fantasia rodrigueana Trata-se da mostração da fantasia fundamental, tal qual Freud propõe a partir dos três tempos da gramática da fantasia, na peça teatral A mulher

Leia mais

FALANDO DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO

FALANDO DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO FALANDO DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO A criança portadora de doença cardíaca congênita e o adoecer as emoções e dos sentimentos de sua família. Edna G. Levy O coração está associado à vida e à morte. É o primeiro

Leia mais

Língua Portuguesa 4 º ano. A camponesa sábia *

Língua Portuguesa 4 º ano. A camponesa sábia * Avaliação 3 o Bimestre NOME: N º : CLASSE: Na sétima unidade você leu algumas histórias com príncipes e princesas em seus majestosos castelos. O texto a seguir é mais uma dessas histórias. Ele nos conta

Leia mais

DIREITOS HUMANOS UMA LACUNA NO TRATADO DE AMIZADE LUSO-BRASILEIRO?

DIREITOS HUMANOS UMA LACUNA NO TRATADO DE AMIZADE LUSO-BRASILEIRO? DIREITOS HUMANOS UMA LACUNA NO TRATADO DE AMIZADE LUSO-BRASILEIRO? Recebi o convite, que muito me honra, para participar deste Colóquio; e fiquei convencido, certamente por lapso meu, que me era pedido

Leia mais

V. Tem que amar... de verdade!

V. Tem que amar... de verdade! CLASSE DE CASAIS CURSO: CONSTRUINDO UM CASAMENTO COM AMOR V. Tem que amar... de verdade! Esta lição tem por objetivo... Nós amamos porque Deus nos amou primeiro (I Jo 4.19) (a) Mostrar a diferença entre

Leia mais

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa.

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Encontro com a Palavra Agosto/2011 Mês de setembro, mês da Bíblia 1 encontro Nosso Deus se revela Leitura Bíblica: Gn. 12, 1-4 A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Boas

Leia mais

The Rosicrucian Fellowship Serviço do Templo por Max Heindel

The Rosicrucian Fellowship Serviço do Templo por Max Heindel The Rosicrucian Fellowship Serviço do Templo por Max Heindel 1. O hino de abertura da the Rosicrucian Fellowship (ou a terceira estrofe sòmente) é cantado por todos os presentes. 2. O leitor descobre o

Leia mais

Uma introdução Chafia Américo Farah 1

Uma introdução Chafia Américo Farah 1 PASSAGEM AO ATO, ACTING OUT, ATO PSICANALÍTICO: Uma introdução Chafia Américo Farah 1 Palavras chaves: passagem ao ato, acting,psicose,gozo Manhãs de quartas-feiras. Caso clínico ou apresentação de pacientes?

Leia mais

O Filme Matrix, Segundo a Teoria Marxista

O Filme Matrix, Segundo a Teoria Marxista O Filme Matrix, Segundo a Teoria Marxista Fabíola dos Santos Cerqueira O homem tem de viver em dois mundos que se contradizem (...) O espirito afirma o seu direito e a sua dignidade perante a anarquia

Leia mais

Documento do MEJ Internacional. O coração do Movimento Eucarístico Juvenil

Documento do MEJ Internacional. O coração do Movimento Eucarístico Juvenil Documento do MEJ Internacional Para que a minha alegria esteja em vós Por ocasião dos 100 anos do MEJ O coração do Movimento Eucarístico Juvenil A O coração do MEJ é a amizade com Jesus (Evangelho) B O

Leia mais

O PSICANALITICAMENTE CORRETO E O QUE É DITO POLITICAMENTE INCORRETO Juçara Rocha Soares Mapurunga Henrique Figueiredo Carneiro

O PSICANALITICAMENTE CORRETO E O QUE É DITO POLITICAMENTE INCORRETO Juçara Rocha Soares Mapurunga Henrique Figueiredo Carneiro O PSICANALITICAMENTE CORRETO E O QUE É DITO POLITICAMENTE INCORRETO Juçara Rocha Soares Mapurunga Henrique Figueiredo Carneiro A expressão politicamente correto refere-se a uma política que consiste em

Leia mais

Para o XVIII Encontro Latino-americano Winnicott contemporâneo. Desde Winnicott reflexões sobre a dimensão corporal da transferência

Para o XVIII Encontro Latino-americano Winnicott contemporâneo. Desde Winnicott reflexões sobre a dimensão corporal da transferência Para o XVIII Encontro Latino-americano Winnicott contemporâneo Tema Livre: Desde Winnicott reflexões sobre a dimensão corporal da transferência Autora: Ivanise Fontes Cada vez são mais evidentes os aspectos

Leia mais

Quem tem boca vai a Roma

Quem tem boca vai a Roma Quem tem boca vai a Roma AUUL AL A MÓDULO 14 Um indivíduo que parece desorientado e não consegue encontrar o prédio que procura, aproxima-se de outro com um papel na mão: - Por favor, poderia me informar

Leia mais

Prof. Kildo Adevair dos Santos (Orientador), Prof.ª Rosângela Moura Cortez UNILAVRAS.

Prof. Kildo Adevair dos Santos (Orientador), Prof.ª Rosângela Moura Cortez UNILAVRAS. BARBOSA, S. L; BOTELHO, H. S. Jogos e brincadeiras na educação infantil. 2008. 34 f. Monografia (Graduação em Normal Superior)* - Centro Universitário de Lavras, Lavras, 2008. RESUMO Este artigo apresenta

Leia mais

Não estrague o seu dia

Não estrague o seu dia você é o humor que você tem Não estrague o seu dia Poucas são as mensagens que encontrei e que tratam sobre a problemática do humor, desta forma, não podem ser desperdiçadas neste trabalho. Iniciamos nosso

Leia mais

ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/)

ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/) ADOLESCÊNCIA NORMAL Tamara Santos de Souza (fonte: http://psicologiaereflexao.wordpress.com/) Arminda Aberastury foi pioneira no estudo da psicanálise de crianças e adolescentes na América Latina. A autora

Leia mais

ANÁLISE DO DISCURSO AULA 01: CARACTERIZAÇÃO INICIAL DA ANÁLISE DO DISCURSO TÓPICO 01: O QUE É A ANÁLISE DO DISCURSO MULTIMÍDIA Ligue o som do seu computador! OBS.: Alguns recursos de multimídia utilizados

Leia mais

Entrevista inédita de Jacques Lacan à revista italiana Panorama (1974)

Entrevista inédita de Jacques Lacan à revista italiana Panorama (1974) Entrevista inédita de Jacques Lacan à revista italiana Panorama (1974) Entrevista a Emilio Granzotto Publicada por Magazine Littéraire, Paris, n.428, fev/2004. Tradução: Marcia Gatto Nesta entrevista concedida

Leia mais