O PRESENTE É O PASSADO QUE SE MOVE

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1 O PRESENTE É O PASSADO QUE SE MOVE ALEXANDRE ESPÍRITO SANTO ECONOMISTA SÃO TANTAS EMOÇÕES promete! Não somente porque teremos a Copa do Mundo em nossos país e eleições para presidente, em outubro. Serão muitas as emoções... O ano que chega deverá representar a tão esperada inflexão da política monetária acomodatícia que o Banco Central americano (FED) vem promovendo, desde que a crise de 2008 eclodiu sobre nossas cabeças. Esperamos para o primeiro semestre de 2014 o fim do quatitative easing, além de uma sinalização mais efetiva de que os juros nos EUA poderão subir. Se estivermos certos, o cenário de transição pode trazer turbulências, sobretudo pelo efeito que a revoada de dólares causará sobre a taxa de câmbio. RESUMO DE 2013 O ano que se encerra ainda foi caracterizado pelas dificuldades da economia global em se recuperar da crise de Apesar de um crescimento modesto, não houve o que festejar. No Brasil, prosseguimos com as dificuldades rotineiras. Sob a ótica econômica, PIB com crescimento pífio, inflação teimosamente acima do centro da meta e quadro fiscal deteriorando-se. Sob o aspecto político, aí sim tivemos algo novo: as manifestações sociais. Os eventos nas grandes cidades brasileiras (inicialmente por redução de tarifas de transportes e mais ética na política) traz a reboque o fenômeno dos black bocs e uma perturbação na popularidade da presidente Dilma. O governo, contudo, soube agir com rapidez, através do programa Mais Médicos e, com uma estratégia midiática competente, reverteu a situação. Segundo as pesquisas de opinião, a presidente é a favorita para as eleições de 2014, cabendo às oposições tirarem algum coelho da cartola, isso se quiserem, ao menos, levar o pleito para segundo turno.

2 PANORAMA EXTERNO Em 2014 a economia global vai melhorar! Acreditamos numa recuperação mais efetiva da economia americana, projetando um crescimento mínimo de 3% para o PIB e uma taxa de desemprego de 6,5% ao final do ano. Tais figuras ensejam uma preocupação com o cenário prospectivo de inflação. Apesar da transição na presidência do FED (saída de Ben Bernanke para posse de Janet Yellen, em fevereiro) estar assimilada pelo mercado, esperamos uma postura mais ortodoxa do BC a partir do segundo semestre. De qualquer forma, consideramos que um importante fator a ser monitorado, para antecipar os movimentos do BC estadunidense, será o comportamento do multiplicador monetário. De forma resumida, a cada dólar injetado nas reservas bancárias, somente U$ 0,71 estava chegando na economia (dados de nov/13). Desde 2008, segundo o FED de St. Louis, esse indicador vem se comportando de forma errática, mas sempre abaixo de 1, o que não é bom. Ao longo de 2013, por exemplo, o número foi cadente. Acreditamos que em 2014 haverá uma inflexão nessa tendência de queda. Lembremo-nos que, na década de 1980, o multiplicador chegou a ficar acima de 3 e, mesmo em períodos de recessão, manteve-se além da unidade. EUA E EUROPA: ALIANÇA TRANSATLÂNTICA Em relação à Europa, nossa crença é também na recuperação. Há sinais evidentes de que o paciente não mais se encontra na UTI, visto que as agências de rating melhoram as perspectivas de Grécia e Espanha, no início de dezembro de Acreditamos que o pior ficou para trás no Velho Continente, a despeito da situação ainda requerer monitoramento cuidadoso. As chances de algum país se retirar do Euro reduziram-se e deve acontecer a aliança de comércio com os EUA. Assim, um recrudescimento da crise fiscal deve ser descartado e, apesar de um ou outro problema pontual, veremos a região com PIB positivo, o que será alvissareiro para a economia global.

3 A CHINA... Quanto a China prosseguimos otimistas. Além de sagrar-se a grande vitoriosa no acordo de Bali, da OMC, as recentes sinalizações do governo de que o país vem delineando um modelo de economia de mercado, com foco em consumo e um capitalismo mais tradicional, com reformas, garantem que o país ainda tem empuxo para crescer entre 7,5%- 8,0%. Se assim for, mais um motivo para que acreditemos num cenário global promissor. Destacamos, a seguir, o rol das principais diretrizes que o Partido Comunista Chinês delineou: Autorização para mais filhos (dois); Maior circulação de mão de obra e urbanização; Fim do monopólio da terra; Incentivo aos IPOs; Estatais pagarão maiores dividendos. De qualquer forma, é importante acompanhar o mercado de crédito chinês, possível fonte de instabilidade. CENÁRIO BRASIL Nosso país encontra-se numa situação macroeconômica que inspira atenção. O triênio da presidente Dilma não tem sido pródigo em crescimento, e no quesito inflação não há nada a comemorar. Há problemas no lado fiscal e o déficit em transações correntes voltou a ser uma preocupação. Assim, diante de tantos problemas, o que esperar para 2014? Mais do mesmo? O professor Delfim Neto utilizou uma expressão que pegou entre os analistas. Segundo o ex-ministro, nosso país pode se ver diante de uma tempestade perfeita em Tal situação ocorreria pela combinação da retirada dos estímulos monetários pelo FED, o que geraria um estresse no mercado de dólares, aliado a um quadro fiscal que se deteriora a cada dia.

4 TEMPESTADE PERFEITA Para tentar explicar a formação dessa tempestade, devemos voltar ao início do governo Lula. Com a globalização ganhando força, e com a pujança da China na virada do século, há um boom das commodities, entre 2002 e Nosso país se beneficia dessa tendência, o que provoca um forte aumento da arrecadação tributária. Com o Tesouro fortalecido, o governo petista eleva seus gastos e expande com muito sucesso os programas sociais, sem que isso abalasse o tripé macroeconômico (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário) e o nível de endividamento do país. Além disso, a entrada maciça de investimentos estrangeiros valoriza nossa moeda, afetando as relações de troca, com especial impacto positivo nos salários em dólares. Tal fato, apesar de colaborar por manter a inflação sob controle, prejudica a indústria nacional, que perde competitividade. A melhora nos salários (incluindo os ganhos reais do mínimo) estimula fortemente o aumento no consumo das famílias (o que já vinha como tendência desde os primórdios da estabilização, com o governo FHC), contribuindo para um quadro fiscal de superávit consolidado até aquele ponto. MUDANÇA DE CENÁRIO A mudança de cenário começa a ocorrer com a crise de Para mitigar os efeitos da mesma, o governo Lula impõe medidas anticíclicas, com intuito de estimular a indústria nacional, via empréstimos do BNDES e com desonerações pesadas em determinadas indústrias, como automotiva, linha branca e moveleira. Tal situação se amplifica no governo Dilma, o que nos coloca na situação atual: fragilidade fiscal. Por quê? Com os gastos crescendo, mas com a arrecadação declinando, o que temos hoje é uma situação de superávit primário inferior a 2% do PIB, além do retorno dos déficits externos não mais cobertos pelos investimentos diretos de estrangeiros. O uso de poupança externa é sabidamente interessante enquanto os investidores estrangeiros estão dispostos a nos financiar. Mas, com as condições mudando, os prêmios começaram a subir. Assim o que nos resta será um fortíssimo ajuste fiscal, que, sinceramente, será difícil de vislumbrar num ano eleitoral. Deve ficar para

5 E O GRAU DE INVESTIMENTO? A questão externa sempre foi um assunto delicado na história econômica do país, especialmente na década de 1990, após os graves desajustes ocorridos com a apreciação da taxa de câmbio, nos primeiros anos do Plano Real. Uma consequência importante desse desequilíbrio, foi a necessidade de produzirmos superávits fiscais altíssimos acima de 4% do PIB, condição para que o socorro internacional ocorresse, na crise da mudança de regime cambial, de Tal situação foi agravada pela debilidade de nossas reservas internacionais àquela oportunidade. Após alguns poucos anos de superávit em transações correntes (gráfico 1), o Brasil retorna, em 2008, à situação de déficit com um número inferior a 2% do PIB, que vai se acentuando para estimados 3,5%-4%, em Cabe ressaltar que tal situação não se constituiu em crise de balanço de pagamentos graças: 1) Ao investiment grade que ostentamos; 2) Reservas Internacionais elevadas. Inúmeros são os fatores que afetam direta ou indiretamente as contas externas de um país. Porém, em nossa análise, a questão fundamental no caso brasileiro passa pelo déficit estrutural de nossa economia, que se diferencia, fundamentalmente, dos déficits originados por excesso de demanda. Os dali provenientes resultam de desarranjos entre investimento e poupança doméstica e, para serem corrigidos, dependem da sintonia fina das políticas fiscal e monetária. Já os déficits ditos estruturais ocorrem, principalmente, em países semiindustrializados, onde as importações são maiores do que as exportações, na busca do crescimento sustentável. A exceção aparece em episódios de boom econômico, que valorizam cotações de commodities, tornando as balanças comerciais muito superavitárias até que as bolhas de preços sejam estouradas, no momento em que a recessão global ocorre. Infelizmente, o Brasil vem dando pouca atenção às contas públicas internas

6 e externas. Em 2013 vimos o superávit primário cair de forma importante. Como é sabido, somente a política fiscal não é capaz de equilibrar, simultaneamente, o saldo em transações correntes e o crescimento do PIB, em seu potencial. Assim, a desvalorização cambial era natural, e ela deve, como salientamos anteriormente, se acelerar em poderá atingir patamares ainda maiores, o que agrava a dinâmica da dívida. Em nossa análise, se a relação dívida bruta/pib não mostrar sinais de queda consistente tal fato poderia ocorrer com um maior crescimento, o que descartamos poderemos, sim, perder nosso grau de investimento. O problema é que num ano eleitoral fica difícil crer em ajustes fiscais significativos. Com inflação represada pelos preços públicos administrados uma elevação da taxa de câmbio mais acentuada poderá jogar mais lenha na fogueira e a SELIC OBS: Em janeiro, em nosso site, publicaremos um estudo, onde desenvolveremos esse tema com uma abordagem mais analítica. SALDO TRANSAÇÕES CORRENTES (EM % PIB) Fonte: Modelos Econométricos Simplific Disclaimer: Os dados e informações contidas nessa carta foram obtidos de boa-fé, junto a terceiros, nos quais a SIMPLIFIC PAVARINI confia. Todavia, não nos responsabilizamos pela sua exatidão, uso ou interpretação. É importante ressaltar que as opiniões foram realizadas de acordo com as condições econômicas vigentes, quando da sua elaboração. A SIMPLIFIC PAVARINI isenta-se de qualquer responsabilidade oriunda da utilização das informações contidas neste relatório.

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