AS CONTRIBUIÇÕES DA ERGONOMIA PARA A MELHORIA DO SETOR DE LOGÍSTICA INTERNA DE UMA ORGANIZAÇÃO

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1 AS CONTRIBUIÇÕES DA ERGONOMIA PARA A MELHORIA DO SETOR DE LOGÍSTICA INTERNA DE UMA ORGANIZAÇÃO Flávia Koerich Brüggemann¹; Dra. Ana Regina de Aguiar Dutra (orientadora)² INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento do capitalismo mundial, sobretudo a partir da Revolução Industrial, alguns aspectos organizacionais passaram a ter maior destaque no cenário mundial, como por exemplo, os processos logísticos da empresa. Nos dias de hoje, com a globalização da economia, os conhecimentos de logística são de fundamental importância para as empresas. A logística representa uma área da gestão, a qual é responsável por prover recursos, equipamentos e informações para a execução de todas as atividades de uma empresa. A logística está intimamente ligada às ciências humanas, tais como a administração, a economia, a contabilidade, a estatística e o marketing, envolvendo diversos recursos da engenharia, tecnologia, transporte e recursos humanos. Neste sentido, a partir dos processos logísticos pode-se ter uma visão organizacional global, compreendendo os recursos materiais, financeiros e pessoais, como o gerenciamento da compra e entrada de materiais, o planejamento da produção, o armazenamento, o transporte e a distribuição dos produtos, monitorando as operações e gerenciando as informações. A logística empresarial é composta de atividades primárias (transporte, manutenção de estoques e processamento de pedidos), as quais possuem impactos na redução de custos e maximização do nível de serviços. As demais atividades (armazenagem, manuseio de materiais, embalagem, suprimentos, planejamento e sistemas de informação) são consideradas atividades de apoio, pois dão suporte às atividades primárias com o intuito de satisfazer e manter clientes, além de maximizar a riqueza dos proprietários, integrando assim, a logística interna da organização. Sabendo-se então que, a logística interna assume papel importante dentro das organizações, deve-se buscar propiciar condições de trabalho adequadas aos trabalhadores envolvidos, para assim buscar resultados de produtividade e de qualidade positivos, com condições seguras de trabalho.

2 As condições de trabalho, objeto de estudo da ergonomia, segundo Montmollin (1995), podem ser entendidas como as características do trabalho, as quais podem ter influências significativas na geração de riscos para a segurança e saúde do trabalhador e ao meio ambiente. O autor salienta que o operador, para alcançar seus objetivos e suas metas, faz uso das condições de trabalho: os procedimentos (métodos de trabalho, normas, definidos por suas restrições de tempo, de cadência ou de prazos), os meios de trabalho colocados à disposição do indivíduo (materiais, máquinas, ferramentas, documentos etc.), as características do ambiente físico (ruído, calor, trabalho noturno etc.) e, também, as condições organizacionais de trabalho (categorias salariais, tipos de controle e sanções). Neste contexto, Iida (2005) define ergonomia de forma bastante objetiva, é o estudo da adaptação do trabalho ao ser humano. Nesse contexto, o autor alerta para a importância de se considerar além das máquinas e equipamentos utilizados para transformar os materiais, também toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o ser humano e o seu trabalho, ou seja, não apenas o ambiente físico, mas também os aspectos organizacionais de como esse trabalho são programados e controlados para produzir os resultados desejados. Os interesses deste projeto de pesquisa estavam relacionados ao estudo das condições de trabalho envolvidas nos processos logísticos de uma empresa de equipamentos médicos e odontológicos, e, ainda, trazer as contribuições da ergonomia para os referidos processos, buscando resultados positivos para o trabalhador e para a empresa. Palavras-chave: Ergonomia; Logística; Condições de Trabalho. MÉTODOS O estudo ergonômico foi realizado no setor responsável pela logística interna de uma empresa de equipamentos médicos e odontológicos. A referida empresa possui 180 colaboradores, onde dois deles são responsáveis pela logística interna. O setor de logística interna é responsável pelo abastecimento de todos os setores de produção. O projeto aconteceu mediante o emprego da metodologia ergonômica, com algumas adaptações, conforme figura 1.

3 Figura 1: Metodologia Ergonômica Fonte: Autor, RESULTADOS E DISCUSSÕES A análise das condições técnicas revela que os operadores estão satisfeitos com as condições de leiaute e posicionamento das estantes no almoxarifado da empresa. Quanto às dimensões do carrinho, os operados mostraram-se indiferentes e insatisfeitos quanto ao posicionamento das estantes do Kanban e ao peso do carrinho. A análise dos das condições ambientais revela que os operadores estão satisfeitos com as condições de ruído e iluminação do setor analisado, e completamente insatisfeito com as condições térmicas da empresa. A análise das condições organizacionais revela que os operadores estão satisfeitos com as pausas durante as jornadas de trabalho, com o relacionamento entre os operadores, com o ritmo de trabalho e com a autonomia para realização das atividades. Os colaboradores ainda se mostraram um pouco insatisfeitos com a estratégia de valorização utilizada pela Empresa. Quanto à capacitação para a realização das atividades os operadores mostraram-se bastante insatisfeitos. Após realizar análises sobre as condições técnicas, ambientais, organizacionais e, ainda, dos esforços mentais e físicos dos operadores foi possível concluir que a

4 empresa em questão necessita de algumas adequações nas suas atividades de logística interna, sendo elas: Peso do carrinho utilizado pelos colaboradores da Logística; Posicionamento das estantes Kanban; Temperatura Elevada; Falta de Capacitação; Falta de Valorização; Elevado índice de esforço físico por parte dos colaboradores; Desconforto de nível severo nos membros inferiores dos colaboradores. CONCLUSÕES Após a identificação das inadequações existentes nas atividades desempenhadas pelos operadores da Logística Interna, foi possível estabelecer recomendações de melhoria para as mesmas. Ao fator técnico de elevado peso do carrinho utilizado recomenda-se à empresa a confecção de carrinhos em materiais que sejam mais leves do que a madeira, como chapas de alumínio, por exemplo, a esta questão recomenda-se ainda a divisão do abastecimento da linha produtiva em dois turnos, o que influenciará diretamente na redução do peso do carrinho, uma vez que com o abastecimento dividido em dois turnos a quantidade de materiais transportados será reduzida. Quanto ao posicionamento das estantes Kanban, sugere-se a readequação do leiaute dos setores produtivos de forma a reposicionar as estantes para que as mesmas fiquem localizadas próximas aos corredores e desta forma facilitem o acesso dos colaboradores da logística interna. Para a questão ambiental de elevada temperatura entende-se que não é viável para a empresa a instalação de condicionadores de ar em toda a área fabril, porém recomenda-se a mesma a análise de propostas mais viáveis de climatização como a implantação de mantas térmicas sob o telhado. Outra solução para redução da elevada sensação térmica percebida pelo colaborador é adaptar um motor ou algum dispositivo que facilite o transporte do carrinho, desta forma, a redução do esforço físico influenciará diretamente na redução da elevada sensação térmica. Para as condições organizacionais sugere-se a criação de planos de treinamentos para os operadores que irão compor o efetivo da empresa e planos periódicos de atualização para aqueles que se encontram há mais tempo na empresa. Quanto à valorização, sugere-se a criação de um plano de cargos e salários para que os operadores sejam remunerados adequadamente e, ainda, implantar pesquisas de satisfação para que a empresa possa medir o quanto seus operadores sentem-se valorizados, e possa a partir daí tomar ações no sentido de buscar alguma forma de manter seus operadores motivados.

5 Quanto ao elevado índice de esforço físico nos membros inferiores, sugere-se a redução do peso do carrinho. Referências Bibliográficas ABRAHÃO, Júlia. Introdução à ergonomia: da prática à teoria. São Paulo: Blucher, ARNOLD, J. R. Arnold. Administração de Materiais: Uma introdução. São Paulo. Ed. Atlas BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transportes, administração de materiais, distribuição física. São Paulo. Ed. Atlas CORLETT, E. N., MANENICA, I The effects and measurement of working postures. Applied Ergonomics, 11(1):7-16. DORNIER, Philippe-Pierre. ERNST, Ricardo. FENDER, Michel. KOUVELIS, Panos. Logística e operações globais: textos e casos. São Paulo. Ed. Atlas IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: E. Blücher, MONTMOLLIN, M. Vocabulaire de l Ergonomie. Paris: Octarés, STONE, H., SIDEL, J., OLIVER, S., WOOLSEY, A. & SINGLETON, R.C. Sensory evaluation by quantitative descriptive analysis. Food Technology. V. 28, N.1, pg:

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