VIVÊNCIAS DO CURSO DE PRATICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS NA MODALIDADE EAD: RELATOS DOS CURSISTAS

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2 VERA LUCIA MESSIAS FIALHO CAPELLINI OLGA MARIA PIAZENTIN ROLIM RODRIGUES Organizadoras VIVÊNCIAS DO CURSO DE PRATICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS NA MODALIDADE EAD: RELATOS DOS CURSISTAS UNESP/FC BAURU 2012

3 @ Faculdade de Ciências. Bauru/UNESP ISBN Av. Eng. Luiz Edmundo C. Coube, Bauru-SP-Brasil Telef. (14) Permitido a reprodução desde que citada a fonte UNESP Universidade Estadual Paulista Vice-reitor no exercício da Reitoria Prof. Dr. Julio Cezar Durigan Campus de Bauru Faculdade de Ciências FC Diretor: Prof. Dr. Olavo Speranza de Arruda Vice Diretor: Profª Adj. Dagmar Aparecida Cynthia França Hunger Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem Coordenadora: Profª. Drª. Tânia Gracy Martins do Valle Vice-Coordenadora: Profª Drª Ana Cláudia Bortolozzi Maia Curso de Aperfeiçoamento em Práticas Educacionais Inclusivas na área de Deficiência Intelectual na modalidade EaD Coordenadora: Vera Lucia Messias Fialho Capellini Revisora de Língua Portuguesa Vera Lucia Spezi Pereira Design gráfico Ana Laura Rolim Rodrigues Editoração e Normalização Técnica Glória Georges Feres Dados para catalogação Vivências do curso de praticas educacionais inclusivas na modalidade EaD: relatos dos cursistas. / Vera Lucia Messias Fialho Capellini e Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues, organizadoras.-- Bauru: UNESP/FC, p. ISBN Práticas educacionais inclusivas. 2. Deficiência intelectual. 3. Relatos de experiências.

4 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO Vera Lucia Messias Fialho Capellini PREFÁCIO Leda Maria Borges da Cunha Rodrigues PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS NA ÁREA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Irení Aparecida Basso DUAS BOAS NOVIDADES: CURSO EAD É MUITO BOM E A INCLUSÃO PODE SER UMA REALIDADE PARA TODOS Lívia Maria e Silva Galvão MEUS CAMINHOS PELA INCLUSÃO Marina Rossi Melo APERFEIÇOANDO A MINHA PRÁTICA INCLUSIVA: RELATO DE EXPERIÊNCIA Alcides Pereira da Silva Junior PRÁTICA INCLUSIVA: O APRENDIZADO GERANDO MUDANÇAS Amanda Nolasco de Oliveira Santos PRÁTICAS INCLUSIVAS: UM DIREITO DOS ALUNOS Ana Paula Souza Báfica PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Mirian Coelho de Oliveira ENTENDENDO A INCLUSÃO PARA GARANTIR E RESPEITAR OS DIREITOS DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA Josiani Aparecida Julio de Oliveira ERA O QUE FALTAVA: INFORMAÇÃO PARA O EDUCADOR Hélvia Garcia Casadore Alberganti INCLUSÃO: DISCUSSÃO ANTIGA CONHECIMENTO NOVO Adriana Costa Ferreira EDUCAÇÃO INCLUSIVA: AMPLIANDO HORIZONTES E POSSIBILIDADES Adriana Lemos de Carvalho Soares PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS E A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Ana Paula Radó Donnini UM NOVO OLHAR PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA ESCOLA INCLUSIVA Andreza Patrícia Balbino Cezário NENHUMA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E TÃO GRAVE AO PONTO DE IMPEDI- LO A TER AMIGOS Elaine Marques Santo Urbano TECER UM NOVO OLHAR ATRAVÉS DE NOSSAS EXPERIÊNCIAS Maria Cristina de Andrade Silva INTERVENÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: A CONTRIBUIÇÃO DE VIGOTSKI Maria das Graças Estanislau de Mendonça Mello de Pinho O PROCESSO EDUCACIONAL INCLUSIVO EM SALA DE AULA Débia Régia Silva Guimarães Borges

5 EDUCAÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL: NOSSO PAPEL COMO EDUCADOR Deize Mara Cecconi A INFLUÊNCIA DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO AFETANDO NOSSOS HÁBITOS, MODOS DE TRABALHAR E DE APRENDER Leila Paim de Souza MINHA EXPERIÊNCIA COM O CURSO EAD Liliane Mendonça da Silva Nascimento IMPORTÂNCIA DO CURSO E SEGURANÇA PROFISSIONAL Eliane de Almeida de Souza Valadão APRENDER E APAIXONAR-SE FAZ TODA DIFERENÇA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Ivone Maria de Moura MUDANÇA NA FUNÇÃO PEDAGÓGICA DE PROFESSOR DE EDUCAÇÃO ESPECIAL: UMA REFLEXÃO Mariza Conceição Viana O DESAFIO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Claudete Beatris Romani¹ REFLEXÕES, DÚVIDAS E CERTEZAS Ana Mara Galasso Romera INCLUSÃO: UMA LIÇÃO DE AMOR Michele Vieira Ribeiro Doneda SUPERANDO DESAFIOS EM CURSOS A DISTÂNCIA Rosana de Cássia Aparecida Rodrigues Moura APRENDENDO SEMPRE PARA AGIR COERENTEMENTE Vanessa Aparecida Domingues Moreira INTEGRAÇÃO DA CRIANÇA COM DEFICIÊNCIA EM SALA REGULAR Maria Valéria Polla Rodrigues SOMOS TODOS IGUAIS NA DIFERENÇA Cristiane Covolan Luvisotto REFLETINDO SOBRE NOSSA PRÁTICA NA DIVERSIDADE DA EDUCAÇÃO Keila Maria Bordignon EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: UMA MUDANÇA DA VISÃO DO SISTEMA EDUCACIONAL PARA SUPRIR UMA CARÊNCIA EDUCACIONAL Kátia Regina Silva Silveira. UMA BOA AVALIAÇÃO COMO SENDO PONTO DE PARTIDA PARA UM PLANEJAMENTO MAIS EFETIVO Ana Paula Souza da Silva Sichetti DESAFIOS Lúcia Helena Rodrigues Soquetti PALAVRA DE ORDEM: ADMINISTRAR E CONFIAR QUE O ALUNO É CAPAZ DE TUDO QUE QUISER Grasieli Zampieri Laudissi A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA Liseti Menezes Sottovia INCLUSÃO QUALIDADE DE ENSINO PARA TODOS Jussara Ester da Costa Rossi

6 REFLEXÕES SOBRE CONHECIMENTOS NA ÁREA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Regina Novaes Silva UMA VISÃO DO CURSO E DA INCLUSÃO FORA DA SALA DE AULA Tereza Maria do Amaral CRESCER E APRENDER SOBRE OS SERES HUMANOS, SUAS SINGULARIDADES E INCAPACIDADES: REFLEXÕES SOBRE AS PRÁTICAS QUE RESPEITAM A TODOS. Thais Helena Neves de Mello APENAS A INSERÇÃO DAS CRIANÇAS COM ALGUMA DEFICIÊNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR NÃO PODE SE CHAMAR DE INCLUSÃO Isabel Cristina Lemos MINHA EXPERIÊNCIA NO EaD Maria Antonia de Toledo Barros Carvalho A PRÁTICA PEDAGÓGICA COM O DEFICIENTE INTELECTUAL: REFLETINDO SOBRE A IMPORTANCIA DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA Ana Paula Gonçalves de Araujo Mortimer A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFESSORES NA SUA PRÁTICA PEDAGÓGICA NA ESCOLA INCLUSIVA Rose Lapa PERCURSOS NA CONSTRUÇÃO DA APRENDIZAGEM EM AMBIENTE VIRTUAL Rosalynn Davies Conrado Veiga NOVAS PERSPECTIVAS SOBRE A INCLUSÃO NAS ESCOLAS E O QUANTO ELA SE FAZ NECESSÁRIA Edvaldo Ribeiro Filho CORAGEM: PRÉ-REQUISITO PARA UMA TRAJETÓRIA DE ACERTOS Elaine Sueli Ferreira dos Santos EAD: UMA FERRAMENTA PARA A INCLUSÃO. Sônia Aparecida de Angeles Cerqueira Costa EDUCAÇAO INCLUSIVA: UM TEMA PARA REFLEXÃO NO CURSO EAD Gisele Coito Ermacara RELATO SOBRE MINHA EXPERIÊNCIA COM PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS Natália Aparecida Perez Toma APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA: ÊNFASE EM EXEMPLIFICAÇÕES, SUGESTÕES DE TRABALHO E TEXTOS DE APOIO. Patrícia Bento de Souza Campos DIFÍCIL SIM! IMPOSSÍVEL NÃO: APRENDI A APRENDER VIVENCIANDO OS ENSINAMENTOS DAS PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS Patrícia Helena Martins RENOVAÇÃO: PRÁTICA ANUAL PARA UMA EDUCAÇÃO QUE ACREDITA NO VALOR DOS ALUNOS Valéria Regina Giambroni Neves Monaco Perin ESCOLA INCLUSIVA: PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE UM ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA FLEXIVEL E SAUDÁVEL COM O APOIO DA FAMÍLIA E EDUCADORES Patrícia Aparecida Porto

7 TEORIA E PRÁTICA Marcleida Lima Gomes A IMPORTÂNCIA DE UM OLHAR DIFERENCIADO AO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO Luciana Aparecida Camilo Hidalgo PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO DA EDUCAÇÃO PARA TODOS Fabiana Marcuzo de Caíres MINHA EXPERIÊNCIA E GANHOS COM O CURSO EAD Norma Carvalho Pereira EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS Vana Beatriz Soares do Amaral RECONHECER AS DIFERENÇAS É ESSENCIAL NO CAMINHO DA INTEGRAÇÃO Valéria Luiza Marques Campos O QUE QUEREMOS EM NOSSAS SALAS DE AULA? ALUNOS TODOS IGUAIS? QUE SE DESENVOLVAM DE MANEIRA IGUAL? QUE SE COMPORTEM IGUAIS? João Paulo Silva de Oliveira VALORIZANDO A FORMAÇÃO INTEGRAL DOS ALUNOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA, ATRAVÉS DA PRÁTICA PEDAGÓGICA, DO DIREITO E DA IMPORTÂNCIA DA INCLUSÃO ESCOLAR NA REDE REGULAR DE ENSINO E NA SOCIEDADE Elisangela Maria de Lima Gonçalves COMO IDENTIFICAR O ALUNO DEFICIENTE INTELECTUAL, QUANDO ESSA DEFICIÊNCIA NÃO É VISÍVEL OU QUANDO AINDA NÃO É DIAGNOSTICADA? Mariane Della Coletta Savioli Garzotti PRATICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS - DEFICIÊNCIAS INTELECTUAL: UM OLHAR REFLEXIVO Romanilta Julia da Rocha O PROCESSO DE INCLUSÃO É LENTO E ENVOLVE MUITOS FATORES Vanuza Batista Gomes EXPERIÊNCIAS A PARTIR DE UM CURSO EM AMBIENTE VIRTUAL Cibelle Aparecida Vieira de Oliveira Pereira PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS E A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Viviane Lauter Balbé REFERÊNCIAS 229 ÍNDICE DE ESCOLAS 232 ÍNDICE DE AUTORES 235

8 APRESENTAÇÃO O livro Vivências do curso de praticas educacionais inclusivas na modalidade EaD: relatos dos cursistas, foi idealizado para constituir em um veículo de disseminação e divulgação das experiências de professores da Educação Básica de escolas públicas (municipal ou estadual) que atuam buscando a construção de escolas mais inclusivas. Esses professores participaram do curso de Aperfeiçoamento em Práticas Educacionais Inclusivas, promovido pela Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - Campus de Bauru, sob minha coordenação. Contei com o apoio de diversos professores do Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, sobretudo, da Professora Olga Maria Rolim Piazentin Rodrigues, numa parceria com o Ministério da Educação, por intermédio em 2007 da Secretaria de Educação Especial, incorporada à nova Secretaria SECADI em 2011, que desenvolve em parceria com o programa Universidade Aberta do Brasil - UAB o Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial, cujo objetivo é formar professores dos sistemas estaduais e municipais de ensino, por meio da constituição de uma rede nacional de instituições públicas de educação superior que ofertem cursos de formação continuada de professores na modalidade a distância. Como concepção idealizadora deste livro de Relatos a temática geral constitui o amplo campo da educação, para se tornar porta-voz de experiências concretas e vivenciadas pelos professores-cursistas, como contribuição a solução de questões imediatas ou de curto prazo relacionadas às práticas educativas como podemos observar no relato da professora-cursista quando diz: Como concepção idealizadora deste livro de Relatos a temática geral constitui o amplo campo da educação, para se tornar porta-voz de experiências concretas e vivenciadas pelos professores-cursistas, como contribuição a solução de questões imediatas ou de curto prazo relacionadas às práticas educativas como podemos observar no relato da professora-cursista quando diz: 7 Interessante observar que fomos nos construindo enquanto grupo, criando laços, apesar da distância, típica de um curso que a modalidade EaD nos impõe. Não sei se o mesmo ocorreu com outros grupos, com outros tutores e formadores, mas no caso de nossa turma, a turma 38, ficou claro que as participantes, tutora e formadora, apresentaram, desde o início, grande afinidade. O carinho nos s

9 trocados era palpável, se é que tal coisa possa existir em termos de comunicação virtual. É grande satisfação e orgulho poder reunir aqui, relatos vindos de terras longínquas. Queremos que nossos leitores participem dessas contribuições que vêm de longe, mas que dizem respeito muito de perto à dignidade do ser humano em toda a face da terra e, portanto, têm a ver de modo imediato com a tarefa educativa. Realçamos com esses Relatos que a tarefa da educação é humana por excelência, esmerando-se, muitas vezes, em seu aspecto científico, porém, sem nunca perder de vista o humano que orienta a prática que devemos, quotidianamente, exercer. A professora-cursista em seu relato abaixo demonstra, claramente, nosso objetivo de oferecer aos leitores desse livro uma variada gama de experiências e de sugestões de aprofundamento na compreensão da educação enquanto prática social. Seu depoimento diz: 8 No segundo módulo, começamos a ter contato com a especificidade da educação inclusiva, sua trajetória ao longo da história. Nesse ponto, que sempre se levanta questionamentos sem fim, ficou visível o quanto já progredimos quando falamos em inclusão, educação e sociedade. Em nossos debates, nos maravilhosos bate-papos agendados, percebemos que ainda há muito a se evoluir sim, sempre. Uma das características da humanidade é a constante busca e necessidade de evolução é isso o que nos torna diferentes dos demais animais, o que nos confere a racionalidade como diferencial. Sendo assim, ainda precisamos e iremos sempre precisar evoluir. Porém, quando olhamos para a história dos deficientes, em geral, é fato que grandes e largos passos já foram dados até o presente momento. Do total abandono, em lares especializados, passando pela época em que divertiam o povo sendo usados como bobos da corte, vagando pelas vielas da exclusão, transitando levemente pelo movimento da integração, quando obtiveram um olhar diferenciado, até o momento inclusivo em que vivemos hoje, o trajeto foi longo. Foi tortuoso, dolorido, muitas vezes, exaustivo para os familiares, porém bem sucedido. Nos capítulos dois e três, do módulo dois, discutimos ética e direitos dos deficientes. Foram dois capítulos bem intensos e com discussões bem acaloradas, diria eu. O assunto abordado levantou o tapete de nossas vidas, de nossa sociedade e de nossas escolas, mostrando que, muitas vezes, a lei é deixada de lado sim e todos nós fazemos vista grossa. E o fazer vista grossa sinaliza uma forma de negligência, pois embora, na maioria dos casos, não dependa única e exclusivamente de nós professores, quando nos calamos ao perceber um erro legal, estamos contribuindo para a perpetuação desse erro. Finalizamos esse momento, percebendo nosso papel político na instituição escola, junto aos nossos alunos da educação especial e da educação regular que estejam incluídos.

10 Neste livro, vamos encontrar Relatos que abordam questões filosóficas, metodológicas e práticas que nos instigam, nos deixam incomodados e, muitas vezes, numa situação instigante impulsionando o Educador a buscar respostas em cursos de aperfeiçoamento como este, em Relatos e vivências de outros professores, em salas de bate-papo onde nossos cursistas se reuniram, semanalmente, para discutir e trocar experiências que deram certo. O Relato da professora abaixo mostra o quão importante foi para ela a experiência de um curso EaD 9 E chegamos ao final do curso [...] Um curso que irá deixar muita saudade. Quando optamos por um curso na modalidade EaD, invariavelmente, é por falta de tempo para a realização do mesmo em modalidade presencial. Não que o curso EaD não seja trabalhoso, pelo contrário, exige muito mais disciplina. Quando não nos organizamos nas leituras e realizações das atividades, dar prosseguimento parece impossível. Meu olhar de educadora inclusiva saiu fortalecido desse curso. Através dos textos, dos debates, dos s trocados, fomos nos alimentando de informação, de conhecimento, de experiências diversas, de ideias! A cada dia, a cada ingresso na plataforma, uma nova e importante descoberta. Minha prática... Passei a avaliar constantemente o meu fazer cotidiano. Para cada dia, atribuo-me uma nota como educadora, percebo meus pontos falhos, onde preciso melhorar, o que posso fazer nesse processo de engrandecimento profissional. Ser professor... Uma missão! Não somente uma profissão, pois não se exerce tal função nas 8 horas em que se está frente à classe. Quando se é professor, se é horas por dia, 7 dias por semana. As crianças do mundo parecem estar sob sua responsabilidade, é como me sinto. Ontem, 15 de outubro, dia do professor! Quero dividir um relato... Um relato bobo talvez, mas que me fez encontrar, no dia de ontem, motivos suficientes para acreditar que estou no caminho... Na véspera, 14 de outubro, realizamos a festa do dia das crianças na escola onde leciono pela manhã. Alugamos um pula-pula grande, pois nossos alunos são adolescentes e adultos, é uma escola especial. Um dos meus alunos é cadeirante e assistia a brincadeira dos demais alunos de sua cadeira de rodas. No meio de tantas coisas para fazer, não me dei conta de imediato de sua solidão. Não sei precisar o momento em que bati os olhos nele. Fui até lá e perguntei se ele gostaria de ir no pula- pula. Ele disse que não. Eu insisti, disse que o colocaria lá. Ele disse que sim. Não precisei de ajuda para tirá-lo da cadeira e colocá-lo no brinquedo. E como ele não conseguia sustentar o corpo sentado, coloquei-o deitado mesmo, no centro da cama elástica. Solicitei a outro aluno que pulasse bem devagar ao lado do meu cadeirante. Com o vibrar da cama elástica, seu corpo saltava também. E ele ria, gargalhava alto, como eu nunca havia visto antes. Não fui a única a me emocionar ali. O monitor do brinquedo olhou para mim e disse que nunca havia visto cena tão linda antes. Acabados os 3 minutos que lhe eram de direito, coloquei-o de volta em sua cadeira, e a festa continuou normalmente para todos nós. Ontem à noite recebi uma ligação do aluno em questão. Era para me desejar feliz dia dos mestres, dizer, com sua fala um pouco enrolada, que sou muito importante para ele e que ele me ama. Emoção maior veio depois, quando sua mãe veio ao telefone me falar que o brilho nos olhos de seu filho, ao chegar em casa, relatando que havia pulado na cama elástica e que eu o havia colocado lá, não tinha preço. A cada dia, na educação especial ou regular, vivemos situações de vida com nossos alunos que podem realmente

11 fazer aquele dia valer a pena em nossas vidas. Enquanto professores, munidos de um olhar que talvez nenhum outro profissional tenha, podemos fazer total diferença. E cursos como o que estamos encerrando, contribuem e muito para a aquisição desse olhar. Um olhar não de piedade, de compaixão, de estar fazendo isto ou aquilo porque Deus pregava. Um olhar humano que batalha constantemente pelo humano. Um olhar que vê, que enxerga através e além... Um olhar que não se traduz, um olhar mais que especial! 10 Observamos, claramente, mediante os Relatos publicados neste livro que o trabalho com a família merece um olhar especial. Que uma das funções da escola para com essas famílias é a acolhida é o prestar esclarecimentos, o orientar. Muitas dessas famílias são de origem bem humilde e desconhecem por completo seus direitos. Percebe-se, aqui, a escola enquanto força política nas vidas dessas pessoas e os professores, tornando-se a ponte que, certamente, ligará essa família a uma forma mais confortável de viver. Esses Relatos também se constituíram em subsídios valiosos para reflexão de muitos paradigmas. Percebemos, nitidamente, quando a professora diz que O módulo cinco, veio colaborar para a desconstrução de paradigmas. Já no primeiro capítulo a bomba: SEXO! Sim, nossos alunos se interessam por sexo! Não, sinto muito, o deficiente não é uma samambaia! O vídeo abordando o tema, com depoimentos de deficientes intelectuais, foi fabuloso. Algumas colegas mostraram-se receosas, até chocadas. Mas, abrir os olhos para a sexualidade de nossos alunos é imprescindível na construção de um ser humano completo, integral, pleno. E precisamos ter em mente que, se para os pais de crianças ditas normais, lidar com esse assunto é um tabu, imagine para os pais de alunos deficientes. Nas escolas de modo geral ainda não se trabalha com projetos que abordem a sexualidade efetivamente. Ficou a deixa para pensarmos e avaliarmos nosso papel em mais essa empreitada. Apresentamos, assim, aos nossos leitores diferentes experiências de educadores que se debruçaram e refletiram sobre o processo de ensino e aprendizagem, oferecendo uma variada gama de experiências fundamentais para a compreensão da educação enquanto prática social como relata a professora cursista: E chegamos ao final do curso... Um curso que irá deixar muita saudade. Quando optamos por um curso na modalidade EaD, invariavelmente, é por falta de tempo para a realização do mesmo em modalidade presencial. Não

12 que o curso EaD não seja trabalhoso, pelo contrário, exige muito mais disciplina. Quando não nos organizamos nas leituras e realizações das atividades, dar prosseguimento parece impossível. Meu olhar de educadora inclusiva saiu fortalecido desse curso. Através dos textos, dos debates, dos s trocados, fomos nos alimentando de informação, de conhecimento, de experiências diversas, de ideias! A cada dia, a cada ingresso na plataforma, uma nova e importante descoberta. Minha prática... Passei a avaliar constantemente o meu fazer cotidiano. Para cada dia, atribuo-me uma nota como educadora, percebo meus pontos falhos, onde preciso melhorar, o que posso fazer nesse processo de engrandecimento profissiona. 11 Os Relatos foram solicitados aos cursistas de forma colaborativa e estão organizados na sequencia das turmas e dos cursistas que espontaneamente escreveram os relatos. Em nota de rodapé, apresenta-se o nome da escola, a cidade e estado do cursista. Ao final do livro há um índice remissivo organizado por Estado, em seguida pelo nome do município e depois o nome da escola do professor participante do curso, Considera-se essa informação relevante para que se possa avaliar a dimensão e grandiosidade deste tipo de aprendizagem ao longo da vida em formato EaD. Adotou-se também, para efeito didático de apresentação dessa obra, o critério de retirar dos relatos, os agradecimentos especiais e carinhosos direcionados a coordenação, aos formadores e tutores, mas sintam-se todos homenageados. Temos, ainda, a satisfação de finalizar essa apresentação com o poema elaborado pela professora cursista Abadia Suassuna Patativa do Assaré:

13 CORDEL DA PLATAFORMA FREIRE Certo dia na escola Num desses tarde HTPCs A coordenadora disse: Hoje vou falá proceis Da Plataforma Freire Que dá curso de treis meis Devagá foi ajeitando E a turma 15 ela formô Turma de muié valente Que numa classe faz suadô E pra elas o deficiente É um ser de muito valô. É aqui no teleduc Que as coisa acontece Através de muito estudo Que nóis cresce e aparece E cada um pode espaiá O que aqui nos oferece. 12 Foi um tar de se espremê Virá o zóio e torcê o nariz Porque ninguém sabe direito O que fazê com os aprendiz Que não querem estudá E nem iscuitá o que a gente diz. Na hora nem bola Não prestei muita atenção Mas no dia seguinte Me baixo a inquietação Corri pro computadô E diz a minha inscrição Foram dias de espera Até que a resposta veio Entre tantos escoidos Eu também tava no meio Deu frio na barriga E até um certo receio. Mas depois conheci a Lívia De nossa turma a tutora Minina linda de morrê Parece inté uma dotora Que além de tanto estudo É também fina cantora. Nesses meses de estudo Aprendemos sobre deficiença Foram muitas as lição Que fala dessas doença Temos muito que aprendê Pra aceitá as diferença. Somos filhos de Deus E todos somo irmão Se existe palavra abençoada Essa palavra é INCLUSÃO Que dá a oportunidade Do deficiente sê cidadão. O trabaio é grande, Duro e dicultoso Porém, muitas veis É por demais prazeroso Você vê minino cego Fazendo trabaio honroso. Oxalá que no Brasil A Educação inclusiva Se torne uma realidade De norte a sul seja viva E se torne a bandeira Dos professô da ativa. Tem gente do Rio de Janero, De Duque de Caxias, Bauru De Jundiaí, Cordeirópolis E eu de Monte Azu Que aqui se conheceu E se gosta pra chuchu. Todos dia de bate-papo Só se vê lamentação É a sardade chegando Apertando o coração Pois o curso ta caminhando Para sua finalização. Quero então deixá a todas Um abraço apertado Deixo também o endereço Pra sê sempre lembrado E o que oceis precisá É só fazê o comunicado. Abadia Suassuna Patativa do Assaré Vera Lucia Messias Fialho Capellini Coordenadora do Curso

14 PREFÁCIO IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES 13 A proposta do curso Práticas Educacionais Inclusivas envolveu um grande número de professores das cinco regiões do nosso país, compartilhando do mesmo objetivo, buscar conhecimento a cerca do tema inclusão da pessoa com deficiência. Os professores das redes publica: municipais e estaduais, se inscreveram pela Plataforma Paulo Freire (MEC) a fim de terem a oportunidade de formação continuada gratuita e de qualidade, com propósito de conhecer estratégias para trabalhar com a pessoa com deficiência. Nosso grande desafio formar professores destas diferentes regiões, atendendo seus anseios e desejo de novos conhecimentos sobre como promover a inclusão da pessoa com deficiência, e para nossos professores, com papel de cursistas, um outro desafio, utilizar os recursos da tecnologia para sua formação. As tecnologias da informática associadas às telecomunicações veem provocando mudanças radicais na sociedade por conta do processo de digitalização. Uma nova revolução emerge a revolução digital (SANTOS, 2003). E neste cenário digital, o curso foi oferecido para aproximadamente profesores/cursistas, com carga horária de 180horas, onde utilizamos um Ambiente Virtual de Aprendizagem, para mediação do formador/tutor com os cursistas. Entende-se por AVA Ambiente Virtual de Aprendizagem: Ambiente por ambientes podemos entender tudo aquilo que envolve pessoas, natureza ou coisas, objetos técnicos (SANTOS, 2003). Virtual - vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência (SANTOS, 2003). Lévy (1996) em seu livro O que é o virtual? Nos esclarece que o virtual não se opõe ao real e sim ao atual. Virtual é o que existe em potência e não em ato. Citando o exemplo da árvore e da semente, Lévy explica que toda semente é potencialmente uma árvore, ou seja, não existe em ato, mas existe em potência, mas, caso um pássaro à coma a mesma jamais poderá vir a ser uma árvore. (LEVY, 1996; SANTOS, 2003). Muitas vezes a expressão virtual é empregada como alguma coisa que

15 não existe, algo fora da realidade, o que se opõem ao real. Mas, fundamentado por Levy (1996) virtual não se opõe ao real. Ambiente virtual é um espaço fecundo de significação onde seres humanos e objetos técnicos interagem potencializando assim, a construção de conhecimentos, logo a Aprendizagem (SANTOS, 2003). É possível atualizar e, sobretudo virtualizar saberes e conhecimentos sem necessariamente estarmos utilizando mediações tecnológicas seja presencialmente, seja à distância. Entretanto essas tecnologias digitais podem potencializar e estruturar novas sociabilidades e consequentemente novas aprendizagens (SANTOS, 2003). A modalidade de EaD ganha, a cada dia, mais espaço com o reflexo dos benefícios do uso da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) na educação e as mudanças significativas nas estratégias de ensino-aprendizagem; vivencia-se, assim, o momento de expansão da EaD, efetivando-se como modalidade de ensino para formação de grande número de pessoas em todo o mundo. Segundo Barros et al. (2008, p. 6), 14 [...] para entender a Educação a Distância (EaD) é necessário compreender a educação online que engloba todos os elementos que se referem ao virtual e às formas metodológicas atuais organizadas para a aprendizagem. Quando falamos em educação online estamos nos referindo à educação não presencial mediada por tecnologias digitais. Isso engloba vários elementos como a EaD, os E. B. M. learning(s), entre outros. Pode ser entendida como um conjunto de ações de ensino e aprendizagem que são desenvolvidas através de meios telemáticos como a Internet, a videoconferência e a teleconferência. A educação online nos traz questões pedagógicas específicas com desafios novos para a EaD e a presencial. Para o uso da educação online um dos maiores desafios está na compreensão da diferença do paradigma virtual e do presencial na utilização das interfaces da tecnologia disponíveis para a aula. No Brasil, nos dias atuais, o número de oferta de cursos cresceu significativamente, visando atender à formação continuada do professor em exercício e às transformações na educação. Segundo Moran (2002, p. 13), [...] educação contínua ou continuada, se dá no processo de formação constante, de aprender sempre, de aprender em serviço, juntando teoria e prática, refletindo sobre a própria experiência, ampliando-a com novas informações e relações.

16 Este conceito caracteriza a educação continuada do professor, como uma prática que favorece o repensar de sua atuação, e o coloca numa condição de aprendizagem para as mudanças atuais no contexto educacional. Neste contexto está claro que a educação por meio de novas mídias conectadas é uma realidade cada vez mais presente e os relatos dos Professores, retratam a eficiência e eficácia de se aprender online. 15 Leda Maria Borges da Cunha Rodrigues Articuladora de Tutoria e Professora Colaboradora Programa de Formação Continuada de Professores na Educação Especial

17 PRÁTICAS EDUCACIONAIS INCLUSIVAS NA ÁREA DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Irení Aparecida Basso 1 Minha experiência com o curso EaD foi e será única, visto que, mesmo tendo feito pós-graduação em Psicopedagogia Educacional e Clínica, a educação inclusiva e as deficiências intelectuais, auditivas, visuais, físicas e outras, nunca foram tão esmiuçadas, exploradas e questionadas como foram nesses encontros virtuais que tivemos nesse curso. Minha prática em sala de aula sofreu grandes alterações após a leitura e o estudo de diversos textos e os questionamentos das nossas queridas Formadora-Colaboradora Telma Maria Ribeiro e Tutora-Colaboradora Fernanda Ribeiro Mattar Barbaresco. Nós todos ganhamos muito, mas, os alunos inclusos, com certeza, ganharão mais. Nada ficou sem resposta. Posso dizer que os objetivos propostos pelo curso sobre Práticas Educacionais Inclusivas na Área de Deficiência Intelectual foram plenamente alcançados. Tudo foi mencionado para que pudéssemos entender que a inclusão requer parcerias com todo pessoal da Unidade Escolar, família e comunidade; que o educador deve propiciar ao aluno condições e oportunidades de explorar seu potencial intelectual nas diferentes áreas do conhecimento, realizando sucessivas ações e reflexões, utilizando diversas ferramentas com a finalidade de proporcionar maior independência e autonomia à pessoa com deficiência ou dificuldade de aprendizagem. Fui muito auxiliada no meu saber fazer e posso dizer com certeza que meu olhar em relação aos meus alunos, minha prática educativa e metodologia sofreram transformações visíveis. Conheci pessoas maravilhosas, pude trocar ideias e vou sentir muitas saudades de tudo e de todos EMEIF Professora Dinah de Mello Campos - Ibitinga - SP

18 DUAS BOAS NOVIDADES: CURSO EAD É MUITO BOM E A INCLUSÃO PODE SER UMA REALIDADE PARA TODOS Lívia Maria e Silva Galvão 2 Essa foi minha primeira experiência num curso a distância. Confesso que nutria certo preconceito em relação aos cursos não presenciais, Acreditava que não seria possível manter uma qualidade acadêmica, utilizando-se, apenas, da internet como veículo de comunicação. Ainda sou dos velhos tempos e acho que comunicação implica contato visual, físico. Bom, se eu pensava assim, devem estar se perguntando por que resolvi me inscrever num curso a distância. É que apesar do preconceito, sou o tipo de pessoa que não gosta de julgar o que não conhece e, aliada a essa minha característica, tinha uma imensa vontade de voltar a estudar, algo que gosto imensamente e que, neste meu momento de vida, só o ensino a distância poderia proporcionar. Inscrevi-me na Plataforma Freire com a ajuda de uma colega, foi muito difícil por problemas de conexão. Tinha a intenção de fazer um curso voltado para educação de crianças com altas habilidades. Como não estava disponível, escolhi esse, que é um tema atual e tem gerado muitas polêmicas entre os educadores. Passado algum tempo, quando já tinha perdido a esperança de que o curso aconteceria, recebi a mensagem com as instruções para participar do curso. Foi uma grande surpresa, em todos os aspectos. Superadas as dificuldades iniciais em lidar com as ferramentas, fui me encantando e descobrindo que esse negócio de curso a distância é o maior barato. É incrível como podemos nos sentir acolhidos por pessoas que não vemos ou escutamos a voz. Foi uma grande descoberta e uma grande realização. Se me perguntarem hoje o que penso do ensino a distância, minha postura será totalmente diferente, aconselho a todos que experimentem porque realmente funciona. O curso superou minhas expectativas em muitos aspectos, principalmente se levarmos em conta que, inicialmente, não era o curso que queria fazer. Foi um curso sério, onde os conteúdos são muito bem organizados, o suporte que recebemos é melhor do que em um curso presencial onde, muitas vezes, as turmas são 17 2 EMEI Teresa Hendrica Antonisse Ribeirão Preto - SP

19 muito cheias e os formadores não conseguem dispensar atenção adequada a todos. Apesar de estarmos em grupo, sentia-me, por vezes, como uma aluna particular, pois o acompanhamento é próximo e individualizado, em que cada um tem seu tempo e todos recebem atenção e orientação. É fantástico. A gente consegue até desenvolver sentimento de carinho por pessoas que só vimos por fotografia... Meus paradigmas estão todos de pernas para o ar... O curso me proporcionou rever e ampliar minha visão em relação à inclusão, possibilitando reflexões e me trazendo conteúdos muito ricos. Durante o curso, me dei conta do quão grande era minha ignorância sobre o assunto e do quanto se tem a fazer para que a implementação da inclusão ocorra efetivamente nas escolas da rede pública de todo o país. Por meio do curso pude confrontar meus preconceitos e meu ceticismo em relação à eficácia do processo de inclusão. É claro que ainda acho que existem muitos obstáculos a serem superados, mas hoje, de posse de todo este novo conhecimento, de tantas informações preciosas, estou bem mais otimista. Acredito que este curso deveria ser obrigatório para todos os professores das redes públicas e particulares, pois, só através do conhecimento e da sensibilização dos profissionais, seremos capazes de garantir um processo de inclusão eficiente, onde tanto alunos incluídos como os não incluídos possam receber uma educação de qualidade. A inclusão é uma realidade, no entanto, o conhecimento que os professores e profissionais de educação, de um modo geral, possuem sobre ela é muito precário, o que gera muitas críticas e posturas inadequadas que dificultam o processo de inclusão. A escola enquanto instituição, não foi preparada, nem do ponto de vista humano nem do físico, para a inclusão. É comum a crença de que o problema do aluno incluído diz respeito apenas ao professor responsável pela turma, a comunidade escolar não abraçou ainda a inclusão como algo de responsabilidade de todos. A maioria dos profissionais de educação desconhece os recursos e as tecnologias assistivas disponíveis para auxiliarem no desenvolvimento das habilidades dos alunos de inclusão. Quando se tratam de alunos com deficiência auditiva ou visual ainda existe uma maior difusão e conhecimento de recursos, no entanto, as deficiências múltiplas e intelectuais, bem como as físicas, ainda representam uma dificuldade a mais e, consequentemente, assustam muito os profissionais que se sentem despreparados para lidarem com elas. 18

20 É um reflexo natural do ser humano de reagir ao desconhecido de forma defensiva, o que explica, em parte, a grande resistência por parte dos educadores em relação à inclusão. Resistência esta que, acredito, só poderá ser vencida através do conhecimento, da familiarização com o tema e com as estratégias e recursos disponíveis, pela troca de experiências que resultará na ampliação dos conhecimentos e no desenvolvimento de novas técnicas mais aperfeiçoadas e diversificadas para atendermos os alunos especiais. Em contrapartida, os órgãos responsáveis pelo desenvolvimento da educação no país, também, têm sua parcela de responsabilidade na medida em que falham no cumprimento das leis, na fiscalização em relação ao cumprimento destas leis e na falta de divulgação destas mesmas leis. Também, não tem criado mecanismos competentes para prepararem os profissionais e as instituições de ensino para a inclusão. Eu mesma, antes de fazer esse curso, tinha muitas dúvidas e críticas em relação à inclusão. Realmente duvidava que fosse possível, achava injusto com as crianças incluídas uma vez que necessitavam de atenção especial que eu julgava difícil de ser dada pelo professor, em sala, sozinho. Desconhecia por completo que a criança com múltiplas deficiências tem direito a um tutor para auxiliar o professor na atenção às suas necessidades, e que o deficiente auditivo tinha direito a um tradutor, que existiam programas de computador para auxiliar o deficiente visual... São tantas as coisas que eu desconhecia e que tenho certeza que outros tantos professores, como eu, ainda desconhecem e que são fundamentais para que o aluno e o professor possam realmente desenvolver um trabalho competente. Desse modo, volto a afirmar que todos os professores deveriam fazer esse curso. Vivenciei uma grande oportunidade de aprendizagem sobre a inclusão e troquei experiências com profissionais de cidades e estados diferentes do nosso. Esse é um outro aspecto do ensino a distância que contribui para torná-lo tão interessante. Podemos ter uma visão do processo não só na nossa localidade como podemos fazer comparações e receber sugestões de ações realizadas em outras unidades da federação que deram certo. Estamos trabalhando com profissionais que estão atuando com educação em diferentes séries, com diferentes abordagens, em diferentes realidades. Essa troca de experiências proporcionada, sobretudo durante os fóruns de debate, foi muito rica. Saí do curso com excelentes sugestões de atividades e ações, inclusive uma ação, envolvendo toda a comunidade escolar que foi socializada por uma colega e a 19

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